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461 – Meritocracia dois

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Luciano Pires -

Amigo, amiga, não importa quem seja, bom dia, boa tarde, boa noite. Este é o Café Brasil e eu sou o Luciano Pires. O programa de hoje continua a reflexão sobre meritocracia, na tentativa de colocar as coisas em seu devido lugar. Cara, o tema é tão extenso, tão apaixonante, que eu tô rebolando aqui para quebrar a discussão em partes… Mas vamos lá.

Posso entrar?

O podcast Café Brasil chega até você com o apoio do Itaú Cultural e do Auditório Ibirapuera que, você já sabe, né, estão aí, a um clique de distância. facebook.com/itaucultural e facebook.com/auditorioibirapuera.

E quem vai ganhar o exemplar de meu livro ME ENGANA QUE EU GOSTO hoje será o Rafael Moura, que comentou o programa Meritocracia Um.

Parece que tu é um cara que gosta de pensar, então talvez te interesses pelos meus questionamentos; eu tive dificuldade em encontrar algum “mérito” nessa teoria da meritocracia, segundo a tua explicação, mais do que a noção de que “a água molha”. Porque, veja só, você usa exemplos mais ou menos como esses: que um jogador de futebol é escolhido por um time de acordo com a sua capacidade de jogar futebol; um funcionário de uma empresa é promovido de acordo com a sua capacidade de gerar “valor” para a empresa… e todas essas coisas parecem evidentes.

Pelo que pude depreender da sua explicação, a meritocracia é o estado de coisas segundo o qual o indivíduo prospera na sociedade de acordo com sua capacidade de gerar valor nesta sociedade…

Tudo bem, mas por esta definição, o conceito de meritocracia nada diz sobre o que seja esse “valor”. Ele depende inteiramente daquilo que as pessoas que compõem a sociedade consideram “valor”, nesse caso, portanto, qualquer tipo de sociedade pode ser considerada uma meritocracia… Veja só, se vivermos em uma sociedade que valorize a beleza física e as pessoas consideradas belas prosperarem, isto será uma meritocracia… Se vivermos em uma sociedade que valorize a capacidade de burlar a lei e as pessoas que burlarem a lei prosperarem com isso, isso também será uma meritocracia, pois a pessoa em questão estará gerando um “valor” segundo os parâmetros daquela sociedade.

A ideia de meritocracia se torna inútil, porque em qualquer sociedade, as pessoas sempre prosperam de acordo com aquilo que é valorizado naquela sociedade, só que a valorização é frequentemente “inconsciente”.

Quer dizer, as pessoas não sabem o que valorizam de verdade: elas dizem “valorizo a honestidade” quando na verdade exibem e reforçam comportamentos desonestos, levando à prosperidade pessoas “desonestas”, mas essa sociedade não deixa de ser meritocrática, ela apenas não tem consciência plena de seus reais valores.

Exatamente, Rafael! Você entendeu tudinho! Meritocracia é um pro-ces-so. Meritocracia não é boa nem má, apenas é. Meritocracia é uma espingarda, uma ferramenta. Se será usada para proteger você de um bandido ou para realizar um assalto, depende do uso que você dará a ela. E sim, quem determina o que é valor, são as pessoas. E isso varia no lugar e no tempo. O que estou tentando deixar claro nesta série, é a forma como esse processo tem sido usado como instrumento ideológico, especialmente para combater o capitalismo.

Rafael, por favor mande um e-mail pra gente com seu endereço.

Vamos em frente.

Muito bem. Além do livro, o Rafael receberá um KIT DKT, recheado de produtos PRUDENCE, como géis lubrificantes e preservativos masculino e feminino. PRUDENCE é a marca dos produtos que a DKT distribui como parte de sua missão para conter as doenças sexualmente transmissíveis e contribuir para o controle da natalidade. O que a DKT faz é marketing social e você contribui quando usa produtos Prudence. Acesse: facebook.com/dktbrasil.

Por favor, ô dois. Vamos lá então, eu quero com mérito hein! Atenção: na hora do amor use:

Ciça e Lalá – Prudence!

E quem também está ajudando a gente a trazer pra você este cafezinho é a Nakata, que é a marca de uma das mais completas linhas de componentes de suspensão do mercado brasileiro. Inclusive dos amortecedores HG Nakata. Acesse facebook.com/componentesnakata, tem  um monte de informações legais lá.

Tudo azul, tudo Nakata.

Vamos então à Meritocracia dois, a missão? Como esperado, o primeiro programa sobre o tema gerou discussão, mas como eu disse, vai aguardando aí. Tem mais.

A grande argumentação contra a meritocracia se baseia no fato de que ela privilegiaria aqueles que têm mais condições. Em outras palavras, ela faria o que a música diz…

Xibom Bombom
As Meninas

Bom xibom, xibom, bombom!
Bom xibom, xibom, bombom!
Bom xibom, xibom, bombom!
Bom xibom, xibom, bombom!

Analisando
Essa cadeia hereditária
Quero me livrar
Dessa situação precária…(2x)

Onde o rico cada vez
Fica mais rico
E o pobre cada vez
Fica mais pobre
E o motivo todo mundo
Já conhece
É que o de cima sobe
E o de baixo desce
E o motivo todo mundo
Já conhece
É que o de cima sobe
E o de baixo desce…

Bom xibom, xibom, bombom!
Bom xibom, xibom, bombom!
Bom xibom, xibom, bombom!
Bom xibom, xibom, bombom!

Mas eu só quero
Educar meus filhos
Tornar um cidadão
Com muita dignidade
Eu quero viver bem
Quero me alimentar
Com a grana que eu ganho
Não dá nem prá melar
E o motivo todo mundo
Já conhece
É que o de cima sobe
E o de baixo desce
E o motivo todo mundo
Já conhece
É que o de cima sobe
E o de baixo desce…

Bom xibom, xibom, bombom!
Bom xibom, xibom, bombom!
Bom xibom, xibom, bombom!
Bom xibom, xibom, bombom!

O de cima sobe, o de baixo desce… essas sãs AS MENINAS, outro daqueles grupos de um sucesso só, com BOM XIBOM. Er…parece que o grupo não teve seu mérito reconhecido pra emplacar outros sucessos, né?

Quem critica a meritocracia aponta que, por exemplo, 1% da população mundial, os ricos, têm mais dinheiro que os restantes 99%. E que essa desigualdade é causada pela meritocracia. E para piorar, baseando-se nos dados da lista da Forbes, 30% dos 1645 bilionários são norte americanos! E um terço herdou parte ou a totalidade da sua riqueza. Olha que horror! 1/3 dos bilionários são oriundos de uma sociedade capitalista! E 1/3 são herdeiros, que não trabalharam mais ou melhor do que os outros 99% do mundo, os pobres… Apenas foram sortudos de nascer em família rica. Como o mundo é injusto, não? E bota-se isso na conta da meritocracia.

Outro argumento é de que a meritocracia contribui para destruir o conceito de trabalho em equipe, de comunidade, fazendo com que as pessoas pensem apenas em si mesmas. E a meritocracia faz com que as empresas instituam políticas de pressão em resultados, destruindo a vida pessoal dos indivíduos, provocando stress, pressão psicológica e doenças.

Meu, a meritocracia é uma merda!

Mas…. será?

Essa argumentação crítica é mais um método utilizado especialmente pelos que querem acabar com o maldito capitalismo. Pô, capitalismo outra vez? Pois é? Não é ele o dono da meritocracia?

-Ah, Luciano, mas vai dizer que o capitalismo não é assim, né?

Essa é a Ciça ali do outro lado. você não sabe o que é gravar esse programa aqui com a Ciça do outro lado esperneando. Ela joga o cinzeiro no Lalá, é um negócio impressionante. Lalá! Deixa o microfone fechado, por favor!

Ciça! Capitalismo, é? Vamos lá. Achei um texto bem legal que trata dessa questão do capitalismo que usa a meritocracia como instrumento de opressão e desigualdade social. O texto diz assim:

“Há uns cretinos descendo o cacete na ‘meritocracia’ como se esta fosse a quintessência do ‘neoliberalismo’, do conservadorismo, do capitalismo enfim. Da minha parte, nunca usei esse termo nem o conceito que lhe corresponde, que para mim tem apenas o valor nebuloso e ambíguo de um slogan. Só para dar uma ideia do que estou dizendo: qualquer regime comunista é incomparavelmente mais ‘meritocrático’ do que o mais eficiente dos capitalismos. No regime de livre mercado, o sujeito pode subir na vida por mera sorte ou porque, sem mérito nenhum, caiu nas graças do povo. No comunismo, se você é nomeado para um cargo e não mostra competência suficiente para alcançar as metas que o governo lhe designou, você não apenas é demitido, mas vai para o Gulag. A ideia mesma de meritocracia supõe uma unidade dos critérios e da autoridade julgadora, isto é, a radical centralização do poder, como acontece no comunismo e no fascismo. O que torna o capitalismo mais suportável é justamente a pluralidade dos critérios de julgamento, a existência de um número incontrolavelmente grande de caminhos para o sucesso (e para o fracasso).”

Entendeu, hein? Não existe sociedade mais meritocrática que aquela em que o Estado é o senhor absoluto! Onde um ente de poder tem a decisão em suas mãos. Inclusive sobre o mercado. Portanto, imputar a meritocracia ao capitalismo é apenas um truque, e dos mais sem vergonha, dos sonháticos que prometem aquela utopia que o outro lá diz que perdeu…

Ah, sim, quem escreveu esse textinho que acabo de ler foi… o Olavo de Carvalho!

Deixe-me falar um pouco mais sobre o método dessa gente que especula sobre as culpas que seriam de toda a sociedade, e não dos indivíduos e seus comportamentos particulares. Como é padrão do discurso progressista, eles selecionam fatos isolados e, a partir deles, projetam cenários pessimistas, deixando aspectos positivos de lado. Sabe aquela matéria sobre a libertação de trabalhadores escravizados numa fazenda, que você viu na tevê? E que pelo texto e abordagem leva a crer que isso acontece na maioria das fazendas, logo o agronegócio é coisa do demônio e tem que ser combatido? Pois é… o mesmo fazem com a meritocracia.

Mas eles vão mais fundo… Ao projetar os cenários pessimistas, maximizam o problema: a meritocracia é a raiz de todos os males! E vão mais longe! Eles generalizam a questão: todo mundo é assim, todo empregador, toda empresa, todo capitalista é um opressor, um oportunista, um explorador dos mais fracos. Fazem então da questão um caso cultural, antropológico e sociológico, que inviabiliza qualquer resposta lógica. A única saída é a revolução, é acabar com tudo que está aí.

E quem é que pode fazer isso? Os carnívoros acham que podem ir às ruas, quebrar vitrines de bancos e matar um ou outro. Os herbívoros acham que só o Estado pode resolver, é claro. Portanto, mais leis, mais burocracia, mais intromissão, mais controle, menos liberdade, mais quotas e a individualidade que se dane. Viva o Estado!

Mas qualquer que seja o agente da revolução, o objetivo é um só: controle. E aí cairemos naquele texto do Olavo…. numa sociedade totalitária e essencialmente meritocrática no sentido de privilegiar apenas os amigos do rei.

Não é o samba do criou… do afrodescendente doido?

Muito bem, o Olavo… (que saco isso, cara! Vamos lá, vai!)trouxe a visão da meritocracia sob o ponto de vista ideológico e esclareceu um ponto primordial ao dizer que “A ideia mesma de meritocracia supõe uma unidade dos critérios e da autoridade julgadora, isto é, a radical centralização do poder, como acontece no comunismo e no fascismo.”

Radical centralização do poder. Quem tem o poder de decidir quanto você vale, hein? É a pessoa que percebe o valor que você traz para ela, para a empresa, para a sociedade. É seu chefe. Sua namorada. Seu marido. Sua comunidade. Sua esposa. Seus vizinhos de condomínio. É sempre alguém que detém o poder de definir se você tem ou não valor.

E aí você grita: “a meritocracia é injusta!”.

Pronto. Você está culpando a espingarda pelo crime…

Quem paga o salário do Neymar e do Brad Pitt? É você, ao voluntariamente dar audiência, consumir os produtos de seus patrocinadores, comprar ingressos de cinema e de futebol, assinar a TV a cabo, comprar o DVD… O poder é seu. Você é quem estabelece o mérito desses milionários, por valorizar o prazer que eles trazem a você.

– Ah, Luciano, mas eu não valorizo esses caras!

Bem, outros milhões valorizam… e aí…

Eu sou patrão não funcionário
Mc Menor do Chapa
Mc Márcio BH

Eu sou patrão, não funcionário
Meu estilo te incomoda
Só pego as melhores e ando sempre na moda
Bacana eu tiro é onda, vem no pique, olha só
A nossa fé em Deus é a riqueza maior

A nossa roupa é da Ed Hardy, Rio Local ou da Armani
O bonde tá de Audi, Veloster, tá de Megane
Eu to portando a Captiva com som de duzentos mil
Estilo panicat me deu mole quando viu

Elas tão doida, tão louca,
Olha só como elas curte
Whisky, Big Apple, Red Bull e Absolut

Elas tão doida, tão louca,
Olha só como elas curte
Whisky, Big Apple, Red Bull e Absolut

Uia! Funk ostentação no Café Brasil! SOU PATRÃO, NÃO FUNCIONÁRIO com o Mc Menor do Chapa. Er… isso que ele canta é meritocracia, hein?

Num trecho do comentário do Rafael, que abre este programa, ele diz assim: “Quer dizer, as pessoas não sabem o que valorizam de verdade: elas dizem ‘valorizo a honestidade’ quando na verdade exibem e reforçam comportamentos desonestos, levando à prosperidade pessoas ‘desonestas’, mas essa sociedade não deixa de ser meritocrática, ela apenas não tem consciência plena de seus reais valores.”

Vamos ver. Enquanto estou escrevendo este programa, fico sabendo que segundo o Controle da Concorrência, Globo, Record, SBT, Band e Rede TV! dedicaram 27 horas à morte do cantor sertanejo Cristiano Araújo no final do mês de junho de 2015. Destaque para a Record com mais de 12 horas e a Globo, com 4h e 53 minutos.

Em agosto de 2014, pouco menos de um ano antes, a morte de Eduardo Campos, candidato à presidência da república, teve espaço de 24 horas na grade das mesmas cinco emissoras. Na ocasião, a Record também liderou a cobertura com mais de 6 horas dedicadas ao tema.

27 horas para o cantor, 24 para o candidato à presidência.

Quem cuida da programação e do jornalismo das emissoras de televisão acha que o cantor vale mais que o candidato. É isso que está nas entrelinhas.

Vou adaptar aquele comentário do Rafael para esse exemplo: “Quer dizer, as pessoas não sabem o que valorizam de verdade: elas dizem ‘valorizo aquilo que é bom para a sociedade’ quando na verdade exibem e reforçam comportamentos exclusivamente comerciais, levando à prosperidade pessoas que pouco impacto prático têm em nossas vidas. Mas essa sociedade não deixa de ser meritocrática, ela apenas não tem consciência plena de seus reais valores.”

Sacou? A notícia da morte do sertanejo que você que ouve o Café Brasil provavelmente nem sabia quem era, vale mais que a do político que poderia mudar – para melhor ou para pior – nossas vidas.

– Ah, maldito capitalismo… né?

Mas, e os professores, hein? Ah, professor não canta nem joga bola… professor só pega no pé e dá nota baixa pra gente…

Quando valorizamos uma classe, e aceitamos dar a ela o que ela merece, quando pagamos para o “Neymar” dos professores mais do que para a média dos professores, fazemos da meritocracia algo positivo, motivador.

A sociedade, de novo: eu e você, que aceita o descaso dos que tratam os professores a pontapé, faz com que eles sejam cada vez menos valorizados. Quando o mérito dos professores não é reconhecido, a primeira culpa é minha. É sua.

Reparou que eu disse “fazemos”, hein? Vou repetir: quem faz a meritocracia ser algo bom ou ruim são pessoas como você, por exemplo, que defende a valorização dos professores por terceiros, mas esquece que essa valorização tem que começar por… você!

Mas tem mais, deixa eu puxar a brasa pra minha sardinha. Agora vai ficar bom mesmo… olha só.

O sujeito que paga bovinamente 10 reais por uma lata de cerveja quente na balada, que ele vai mijar dentro de alguns minutos e depois acha um absurdo eu pensar em cobrar um real para fazer o download de um episódio do podcast Café Brasil, está deixando explícito o mérito de cada coisa.

Para ele, uma lata de cerveja vale muito, mas muito mais que um programa de 25 minutos que mexe com sua cabeça. E assim ele colabora para que tudo fique como está.

– Ah, lá vem o Luciano querer que eu pague para ouvir o podcast!

Não, seu tonto, estou mostrando que é você que faz da meritocracia algo bom ou ruim. Quando você dá audiência, compra o CD, compra a roupa, vai na badala, puxa o saco daquele artista, mas não paga 35 reais por um livro “porque é caro”, você está impondo a injustiça no sistema, entendeu? Mas talvez você nunca tenha pensado nisso, não é?

E assim o artista comercial e descartável vale mais que o escritor ou o político que poderia mudar a história do país.

O jogador de futebol vale mais que o professor.

A cerveja e a zoeira valem mais que o conhecimento e a reflexão.

E não sou eu quem está dizendo isso. É você, ao escolher a que ou a quem dará valor.

E se você é o chefe de uma equipe e está diante da decisão de promover um funcionário, hein? Vai fazê-lo por qual razão? Você será justo? Ou vai escolher pela simpatia? Ou então por ser a Regininha lá… hein?

Pense. Sua escolha vai determinar o mérito que as coisas têm. Sua escolha vai determinar o valor que as pessoas têm. Sua escolha vai definir quem merece ou não progredir.

É o valor que você dá ao programa sensacionalista na tv, em detrimento daquele programa de entrevistas imperdível, que fará com que mais programinhas apareçam, ocupando todos os espaços nos programas de tevê e consumindo todos os recursos que poderiam estar ajudando a mudar a história deste país.

Alô, você, diretor de marketing daquela grande empresa! É sua escolha de colocar milhões em propaganda naquele programa popular, naquela revista popular, que fará com que mais programas populares e revistas populares continuem existindo, ocupando os espaços de coisas, digamos, menos populares, com mais conteúdo, com mais valor. Você escolheu quem tem o mérito para receber seus investimentos… Com base no volume de audiência, sem se preocupar com a qualidade da audiência, não é?

Mais uma vez: a meritocracia é um processo. Que é definido na sua cabeça. O uso que fazemos dela é que determina se ela é boa ou má.

No fundo, a culpa é sempre sua.

Bem, deixe-me ir pros finalmentes aqui, retomando aquela questão da meritocracia como uma ferramenta de opressão dos porcos capitalistas.

Minha meritocracia… er… minha, Luciano Pires, vê com bons olhos aquele empresário honesto que foi bem sucedido…. Péra… deixa eu esclarecer aqui… Atenção você que está desesperado para misturar tudo: reparou que eu disse EMPRESÁRIO HONESTO? Sim, honesto, que eu acredito que representa a maioria absoluta dos empresários brasileiros.

Minha meritocracia vê com bons olhos aquele empresário honesto, o empreendedor que montou sua loja e depois uma rede de lojas, criou empregos, pagou impostos e está fazendo com que outros cresçam com ele. Quero admirar o carro que ele tem, o barco que ele tem, as roupas que ele veste, as viagens que ele faz… Quero reconhecer o mérito que ele teve para obter o que obteve. Se ele vem de origem humilde, vou admirá-lo ainda mais. Quero pensar que um dia eu chego lá também. E se eu não enriquecer como ele, tenho certeza que tê-lo como parâmetro me motivará a seguir sempre mais longe. Mas para chegar lá, vou ter que criar valor. E para isso vou precisar de um monte de gente comigo. Gente que se beneficiará de minha riqueza.

Se eu conseguir ser bem sucedido dentro dos valores morais que me caracterizam, serei mais um daqueles polos de geração de valor que constroem uma sociedade rica e capaz de evoluir.

Eu, sendo como aquele empresário, serei um bem para a sociedade. Quando chegar aos meus 100 anos idade, poderei olhar para trás e ver com orgulho quanto construí, quanta gente se beneficiou disso, quanto valor fui capaz de gerar. E ficarei feliz por ter feito tudo por meus méritos.

– Vai ô capitalista nojento!

Pô meu, você ainda não entendeu?

Gita
Raul Seixas
Paulo Coelho

Eu que já andei pelos quatro cantos do mundo procurando,
foi justamente num sonho que Ele me falou

Às vezes você me pergunta
Por que é que eu sou tão calado
Não falo de amor quase nada
Nem fico sorrindo ao teu lado

Você pensa em mim toda hora
Me come, me cospe, me deixa
Talvez você não entenda
Mas hoje eu vou lhe mostrar

Eu sou a luz das estrelas
Eu sou a cor do luar
Eu sou as coisas da vida
Eu sou o medo de amar

Eu sou o medo do fraco
A força da imaginação
O blefe do jogador
Eu sou, eu fui, eu vou

Gita! Gita! Gita!
Gita! Gita!

Eu sou o seu sacrifício
A placa de contra-mão
O sangue no olhar do vampiro
E as juras de maldição

Eu sou a vela que acende
Eu sou a luz que se apaga
Eu sou a beira do abismo
Eu sou o tudo e o nada

Por que você me pergunta?
Perguntas não vão lhe mostrar
Que eu sou feito da terra
Do fogo, da água e do ar

Você me tem todo dia
Mas não sabe se é bom ou ruim
Mas saiba que eu estou em você
Mas você não está em mim.

Das telhas eu sou o telhado
A pesca do pescador
A letra A tem meu nome
Dos sonhos eu sou o amor

Eu sou a dona de casa
Nos pegue pagues do mundo
Eu sou a mão do carrasco
Sou raso, largo, profundo

Gita! Gita! Gita!
Gita! Gita!

Eu sou a mosca da sopa
E o dente do tubarão
Eu sou os olhos do cego
E a cegueira da visão

Eu!
Mas eu sou o amargo da língua
A mãe, o pai e o avô
O filho que ainda não veio
O início, o fim e o meio
O início, o fim e o meio
Eu sou o início
O fim e o meio
Eu sou o início
O fim e o meio

E é ao som de Gita, de Raul Seixas e Paulo Coelho que este Café Brasil cheio de méritos vai saindo de mansinho. Ah… mas o que é que Gita tem a ver com este podcast? Fala aí, Raul…

Raul – Muita gente me pergunta o que é essa música Gita, e se é Guita, se é Gita. “Guita” é a pronúncia, porque vem de um livro indiano chamado Bhagavad Gita, que seria assim como a bíblia prá nós e pra eles. Bhagavad Gita é um livro muito antigo, ninguém sabe quem escreveu, talvez um dos livros mais antigos da humanidade. Então quando eu falo, eu sou isso, eu sou aquilo, não sou eu, Raul Seixas, de maneira nenhuma. É cada um de vocês. Nós somos tudo. Nós somos a coisa mais importante do universo, entende, porque o todo quis assim. Nós somos o próprio processo histórico, o equilíbrio, o cosmos, o equilíbbrio das coisas. Então, cada um é sua própria estrela, cada um gira em torno de si, embora dentro desse plano a gente busca interagir.

Obrigado, Raul!

Com o valoroso Lalá Moreira na técnica, a meritocrática Ciça Camargo na produção e eu, Luciano Pires que, como você, tenho a força, na direção e apresentação.

Estiveram conosco o ouvinte Rafael Moura, Raul Seixas, Mc Menor do Chapa, As Meninas e Olavo de Carvalho!

Sabe quem é que sabe como incluir valor na vida da gente? É a Pellegrino, que além de ser uma das maiores distribuidoras de auto e motopeças do Brasil, também distribui conhecimento sobre gestão, comunicação e outras coisas legais em sua página em facebook.com/pellegrinodistribuidora. Conheça. E se delicie.

Pellegrino distribuidora. Conte com a nossa gente.

Este é o Café Brasil, que chega a você com o apoio do Itaú Cultural e do Auditório Ibirapuera. De onde veio este programa tem muito mais. Visite para ler artigos, para acessar o conteúdo deste podcast, para visitar nossa lojinha no … portalcafebrasil.com.br.

Mande um comentário de voz pelo WhatSapp no 11 96789 8114. Pra quem está fora do Brasil: 55 11 96789 8114.

E também tem o Viber. Você ainda não baixe ai, cara! Tem um grupo lá chamado, Podcast Café Brasil cheio de informações que só quem acessa o Viber vai saber.

E para terminar, uma frase provocativa do escritor colombiano Samael Aun Weor, pseudônimo de Victor Manuel Gómez Rodriguez:

A sociedade é a extensão do indivíduo e o que é o indivíduo é a sociedade, é o mundo.