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Tom Coelho
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449 – O olhar não poluído

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Luciano Pires -

Amigo, amiga, não importa quem seja, bom dia, boa tarde, boa noite. Este é o Café Brasil e eu sou o Luciano Pires. No programa de hoje vamos tratar da nossa incapacidade, pela proximidade, de enxergar coisas legais que apenas um olhar não treinado consegue. A rotina faz com que tudo vire parte da paisagem. É preciso chegar um estrangeiro para nos acordar.

Posso entrar?

O podcast Café Brasil chega até você com o apoio do Itaú Cultural e do Auditório Ibirapuera que, como sempre, estão aí, a um clique de distância. facebook.com/itaucultural e facebook.com/auditorioibirapuera.

E quem ganhou o exemplar de meu livro NÓIS…QUI INVERTEMO AS COISA, acompanhado do Kit DKT foi o Pedro Andrade. Ouça:

E aí, Luciano? Aqui quem fala é Pedro Andrade de Belém do Pará. eu tenho 21 anos e sou professor de matemática e estudante agora auto didata de web design gráfico. Acabei de escutar o podcast sobre os conspiradores. Nossa! Que genial, cara! Fantástico esse podcast. Principalmente porque apesar de ser um idiota………..

Rararaa… o Pedro tentou mandar os comentários duas vezes, mas sempre interrompendo antes do final. Ele disse que é o celular dele que é uma porcaria. Mas então ele complementou com um texto mesmo pelo Whatsapp, dizendo assim:

“Alguns dias atrás, eu comentava com alguns amigos exatamente isso, que precisamos de conspiradores e utilizei essa mesma palavra. Há muitos desses conspiradores espalhados pelo mundo e tenho certeza que no último dia 15 vimos um pouco do poder desses que denominamos conspiradores.  Infelizmente por problemas de saúde de minha esposa não pu de comparecer à manifestação, mas fiz minha própria indo à igreja todo de verde e amarelo e com uma banana do Brasil. Tenho apenas uma ressalva, não é a doutrina religiosa que responsabiliza a divindade pelos fracassos humanos é a própria estupidez humana, tão bem explorada por você que faz isso, independente de qual religião seja. Sou evangélico e busco uma forma de fazer com que os que compartilham de minha fé compreendam isso por meio de um blog e um podcast (chamado desabafos de um cristão – o jabá é decisão sua)  que tenho com colaboração de outros que pensam como eu.

Deixo o meu sincero agradecimento por todas as maravilhosas reflexões que você sempre traz a todos que te ouvem.

Um grande abraço e que Deus o abençoe. “

Obrigado Pedro da linda Belém do Pará! É isso mesmo meu caro, conspiradores! Gente capaz de reparar em coisas nas quais outros não reparam, propor discussões, planejar ações e contaminar outras pessoas para agir pelo bem. Só assim vamos mudar este país que, como você ouvirá neste programa, tem muito do que se orgulhar.

Muito bem. Muito bem. O Paulo vai receber lá em Belém do Pará um KIT DKT, recheado de produtos PRUDENCE, como géis lubrificantes e preservativos masculino e feminino. Combinado com aquelas ervas lá do Ver O Peso, vixe! Se você não sabia, PRUDENCE é a marca dos produtos pai dégua que a DKT distribui como parte de sua missão para conter as doenças sexualmente transmissíveis e contribuir para o controle da natalidade. O que a DKT faz é marketing social e você contribui quando usa produtos Prudence.

Vamos lá então!

Na hora do amor, use Prudence.

E quem também está ajudando a gente a trazer pra você este cafezinho é a Nakata, marca pioneira na fabricação de amortecedores pressurizados no Brasil, inclusive da tradicional linha HG. Os amortecedores Nakata oferecem garantia de 2 anos ou 50 mil km para você rodar tranquilo. E no canal da Nakata no YouTube você tem dicas de manutenção e videocasts exclusivos, sabe com quem, hein? Comigo!

Siga youtube.com/componentesnakata

Tudo azul, tudo Nakata.

Fiquei impressionado muitos anos atrás ao viajar para o Rio de Janeiro e visitar um amigo carioca, que nasceu e viveu a vida toda na cidade maravilhosa. Fizemos os tradicionais passeios para turistas e fui surpreendido por ele quando, no alto do Corcovado, sob os braços do Cristo Redentor fez uma confissão:

– É a primeira vez que venho aqui.

O cara tinha mais de quarenta anos de idade e nunca tinha feito uma visita ao Cristo Redentor! Perguntei a razão e ele explicou que a loucura do dia a dia, os compromissos… mas eu entendi perfeitamente o que se passara. Para ele, o Cristo Redentor era invisível. O Pão de Açúcar, invisível . A floresta da Tijuca, invisível.

Meu amigo sofria do mal que muita gente sofre, o de não reparar nas coisas que são rotineiras, da incapacidade, pela proximidade, de enxergar coisas legais que apenas um olhar não treinado consegue. A rotina faz com que tudo vire parte da paisagem. Está tudo ali, tão fácil, tão à mão, tão perto, que a gente não vê. É preciso chegar um estrangeiro para nos acordar.

Quiet Nights of Quiet Stars
Tom Jobim
Gene Lees

Quiet nights of quiet stars
Quiet chords from my guitar
Floating on the silence that surrounds us

Quiet thoughts and quiet dreams
Quiet walks by quiet streams
And a window looking on the mountains
And the sea, so lovely

This is where I want to be
Here, with you so close to me
Until the final flicker of life’s amber

I who was lost and lonely
Believing life was only
A bitter tragic joke
Have found with you
The meaning of existence oh, my love

Corcovado

Um cantinho e um violão
Este amor, uma canção
Pra fazer feliz a quem se ama

Muita calma pra pensar
E ter tempo pra sonhar

Da janela vê-se o Corcovado
O Redentor que lindo

Quero a vida sempre assim com você perto de mim
Até o apagar da velha chama

E eu que era triste
Descrente deste mundo
Ao encontrar você eu conheci
O que é felicidade meu amor

O que é felicidade, o que é felicidade

Vai desculpando aí, mas putaquepariu! Essa é Sarah Vaughn em 1964 cantando Corcovado, o clássico de Tom Jobim que recebeu letra de Gene Lees e um sobrenome: Quiet Nights of Quiet Stars. Estou de joelhos.

Luciano: Lalá: 1964, cara

Lalá: Meu! Eu tava nascendo esse ano. Isso aqui é de tirar o fôlego. Impagável. 

Luciano: Impagável é imaginar que daqui a 100 anos vai ter dois caras aqui parecidos comigo e com você, de joelhos dizendo: cara, como sara Vaughan era o máximo!

Bom, Lalá. Volta com aquela versão instrumental que abriu o programa: Corcovado, com o cubano Paquito de Rivera, também numa interpretação magistral. 

Pois então. Num momento como o que vivemos hoje, especialmente aqui no Brasil, a percepção dessa falta de visão de enxergar as coisas por causa da rotina, ganha outra dimensão. A enxurrada de más notícias diárias, a percepção de que seremos enganados, roubados, vilipendiados, cria em nós uma couraça que não permite que nada positivo seja percebido, valorizado e curtido. Vamos nos acostumando ao inferno e não sentimos mais o cheiro do enxofre ou o calor das chamas. O otimista, é chamado de otário, deslumbrado ou coisas piores. Tudo que é feito na cidade tem um lado ruim que é mostrado, analisado, ridicularizado. E não há como negar: o ruim, o mau, estão ali sim, eles existem! Não haveria mal algum em focar nele, nesse mal,  se houvesse um equilíbrio, mas parece impossível. Parece que tudo é só ruim, todos são só maus, e o futuro será ainda pior.

E então surge um momento de luz! E a gente para para repensar as coisas.

Escrevi essa reflexão impressionado com um documentário feito por uma garota húngara, a Tünde, que me proporcionou um desses momentos de iluminação.

Tünde chegou em São Paulo em 2012 e começou a contar em vídeo suas primeiras impressões sobre o Brasil, explicando assim o seu desafio: “Brasil sempre era um sonho exótico para mim, fora de alcance. Um sonho mesmo da menininha imaginando aquele mundo desconhecido com povo lindo, feliz, palmeiras, saias curtas e coloridas. Um abrigo dos desafios da realidade, mas nunca um objetivo. Tão impossível. Agora esse sonho é o meu desafio de realidade.”

O documentário é dividido em três partes nas quais o olhar não poluído da Tünde nos revela uma São Paulo que nós, paulistas, há muito deixamos de enxergar. São detalhes aparentemente bobos, que aos olhos de uma estrangeira revelam belezas que não enxergamos mais. Somando-se à imagem, a narração com um sotaque delicioso e…pronto! É fascinante!

Assistir esse documentário, praticando o exercício de enxergar nosso dia a dia através de olhos não acostumados, deveria ser obrigatório para todo brasileiro.

Faz bem pra nossa autoestima. E mostra que existe esperança sim. Mas temos que sair da zona do conforto.

“Quando conhecemos um novo lugar, tentamos o entender através de uma quebra cabeça que nós construímos  das peças de primeiras impressões. Quem não se m uda praquele lugar e não tem a chance de conhecer a realidade dele, fica com essas impressões que não são sempre verdadeiras. Sempre adorei escutar as primeiras impressões dos outros dos lugares onde eu morava. No caso do Brasil, como ele é tão gigangte, complexo, contraditório, essas primeiras impressões muitas vezes foi um sorrido no rosto das pessoas ou em casa muito infeliz …….. sei muito bem.”

Não é uma delícia o sotaque  da Tünde? Acesse a página deste programa no portalcafebrasil.com.br que publicamos lá as três partes do documentário.

Então encontro o texto “O taxista que venceu a crise brasileira”, que cai como uma luva neste programa. Ouça.

Ao fundo você fica com outro clássico de Tom Jobim, Wave, na leitura do maestro argentino Daniel Barenboin.

“Existem milhões de brasileiros com as mãos e a consciência ainda limpas que devolverão o respeito que merece o Brasil

Pode um taxista revelar com um simples gesto algo sobre a crise desencadeada no Brasil, com o acúmulo de problemas econômicos e políticos, enquanto cresce o mar de lama da corrupção? E agora, o que acontece?

Não sei o que o taxista que me levou no sábado em São Paulo de um hotel para um restaurante, junto com três colegas do jornal, pensa sobre a crise política que deixa o país em estado de alerta.

Meu taxista – vou chamá-lo assim porque não sei seu nome – não disse uma só palavra durante os quase 40 minutos do trajeto. Mesmo assim acabou, com um gesto, que eu quis contar aqui, por revelar mais sobre as causas profundas da corrupção que envergonha o país e as pessoas de bem que dezenas de debates.

Do restaurante eu voltaria diretamente para o Rio, e por isso levei a mala no táxi. No meio do almoço, um dos meus colegas me disse: “Juan, a mala está com você?”. Não estava. Tinha esquecido no táxi. Dei-a por perdida. Como encontrar um taxista anônimo no meio dos 33.000 que circulam pela cidade de São Paulo?

Fizemos uma tentativa, ligando para o hotel, para o caso de por milagre o taxista tê-la devolvido. Não. Já procurando outro táxi para ir para o aeroporto, meu colega voltou a ligar, mesmo sem esperança, para o hotel. Surpresa. O taxista tinha voltado e deixado lá a mala, sem deixar seu nome nem um telefone.

Eram 40 minutos de viagem, quase 50 reais de trajeto. Tempo e dinheiro que o taxista gastou para voltar ao hotel e deixar minha mala.

Por que considerei aquele gesto do meu taxista como uma revelação relacionada ao momento vivido pelo Brasil, atolado na corrupção por aqueles que teriam a obrigação de dar exemplo de dignidade e respeito para os 200 milhões de brasileiros?

Ele também tinha uma resposta, talvez mais eficaz: a que pôs em prática, começando por seu pequeno mundo.

Antes de escrever esta coluna tinha assistido ao programa Globo News Painel, de William Waack, com dois analistas políticos e uma socióloga. Foi um debate sério, profundo, sobre a crise política, econômica e moral que toma o país. William fez aos três especialistas uma pergunta-chave final: “Como o Brasil sai desta crise de credibilidade, que pode levar a uma crise institucional ainda mais grave?”

Naquele momento pensei no que meu taxista teria respondido. Na verdade ele também tinha uma resposta, talvez mais eficaz: a que pôs em prática, começando por seu pequeno mundo, ao seguir sua consciência e não às tentações do enriquecimento fácil, do saque ao dinheiro público, devolvendo minha mala. Mais ainda, ao perder tempo e dinheiro para não se sentir manchado de culpa e poder dormir naquela noite sem remorso.

Um dos executivos da Petrobras, réu confesso de ter roubado centenas de milhões, ante uma pergunta na CPI da Câmara sobre por que não teve a força para parar quando começou aquela pilhagem do dinheiro público, respondeu: “Quando se começa a escorregar na ilegalidade, é difícil parar.”

Não sei se meu taxista tem filhos. Não sei se a cada noite, quando volta cansado do seu trabalho, como milhões de trabalhadores em todo o país, sem nem sequer conseguir viver confortavelmente, conta para seus filhos as peripécias do dia rodando pela cidade e ouvindo centenas de conversas.

Não sei se lhes contou a história da minha mala, que ele poderia ter levado para sua casa naquela noite como um presente. Se o fez, é possível que os filhos tenham lhe perguntado por que a devolveu. Nesse caso, estou seguro de que esses filhos dificilmente esquecerão, quando entrarem no perigoso rio da vida, o gesto de dignidade do seu pai.

Eu ainda não esqueci quando nosso pai dizia, há mais de 50 anos, para meus dois irmãos e para mim: “Dorme-se e morre-se mais tranquilamente com a consciência limpa.” Morreu muito jovem. Era um professor rural, um simples trabalhador, como meu taxista. A ditadura militar franquista o puniu com vários meses sem salário porque seus alunos do primário (fundamental) quando chegavam ao secundário (ensino médio) “faziam perguntas demais”. Nas ditaduras se obedece, não se pergunta.

Quis deixar uma gorjeta para o taxista no hotel. Disseram-me que seria impossível localizá-lo. Por isso quis agradecer por seu gesto nesta coluna, que, com certeza, ele nunca vai ler.

Quero agradecer-lhe por ter me revelado, neste momento de crise e de desencanto, que a verdadeira saída talvez comece pela nossa própria conduta individual

Não lhe agradeço apenas por ter devolvido minha mala. Outros taxistas fazem isso até com malas cheias de dinheiro. Quero agradecer-lhe por ter me revelado, neste momento de crise e de desencanto, de perda de confiança em quem nos deveria dar exemplo de honradez profissional, que a verdadeira saída talvez comece pela nossa própria conduta individual.

Seu gesto de homem simplesmente justo e honrado, com respeito a sua consciência, ajuda-nos a lembrar que neste país hoje machucado e sobrecarregado pelo peso da corrupção política nem tudo ainda está perdido nem contaminado pela indignidade.

Existem ainda não milhares, mas talvez milhões, de taxistas, de pedreiros, de professores, de funcionários públicos, de pequenos ou grandes empresários, jovens e idosos, pessoas famosas ou anônimas capazes de não renunciar à decência e à própria dignidade, que não são ladrões nem bandidos. Como meu taxista.

Às vezes ouço nas crônicas policiais que este ou aquele bandido preso ou morto era “negro ou de cor”. Meu taxista era mulato. E me deu um magnífico exemplo de civismo que não vou esquecer.

Se na história bíblica as corruptas cidades de Sodoma e Gomorra foram aniquiladas porque Deus não encontrou nelas sete homens justos, é certo que, apesar de tanta corrupção, há no Brasil não sete, mas milhões de brasileiros com as mãos e a consciência ainda limpas. Eles terminarão por devolver inclusive internacionalmente o respeito que este grande país merece. E o farão com seus protestos, com sua rejeição a uma classe política que parece ter se tornado indigna de ser guia do país. E com gestos de honradez pessoal como o do meu taxista mulato de São Paulo.”

Esse texto é do jornalista Juan Arias, o correspondente do jornal espanhol El País no Brasil.

Bem, dei uma motivada na sua brasilidade? Quer então tomar uma overdose? Manda aí Lalá…

Águas de março
Tom Jobim

É pau, é pedra, é o fim do caminho
É um resto de toco, é um pouco sozinho
É um caco de vidro, é a vida, é o sol
É a noite, é a morte, é o laço, é o anzol
É peroba do campo, o nó da madeira
Caingá candeia, é o Matita-Pereira

É madeira de vento, tombo da ribanceira
É o mistério profundo, é o queira ou não queira
É o vento ventando, é o fim da ladeira
É a viga, é o vão, festa da cumeeira
É a chuva chovendo, é conversa ribeira
Das águas de março, é o fim da canseira
É o pé, é o chão, é a marcha estradeira
Passarinho na mão, pedra de atiradeira

É uma ave no céu, é uma ave no chão
É um regato, é uma fonte, é um pedaço de pão
É o fundo do poço, é o fim do caminho
No rosto um desgosto, é um pouco sozinho

É um estrepe, é um prego, é uma ponta, é um ponto
É um pingo pingando, é uma conta, é um conto
É um peixe, é um gesto, é uma prata brilhando
É a luz da manha, é o tijolo chegando
É a lenha, é o dia, é o fim da picada
É a garrafa de cana, o estilhaço na estrada
É o projeto da casa, é o corpo na cama
É o carro enguiçado, é a lama, é a lama

É um passo, é uma ponte, é um sapo, é uma rã
É um resto de mato na luz da manhã
São as águas de março fechando o verão
É a promessa de vida no teu coração

É pau, é pedra, é o fim do caminho
É um resto do toco, é um pouco sozinho
É uma cobra, é um pau, é João, é José
É um espinho na mão, é um corte no pé
São as águas de março fechando o verão
É a promessa de vida no teu coração

É pau, é pedra, é o fim do caminho
É um resto de toco, é um pouco sozinho
É um passo, é uma ponte, é um sapo, é uma rã
É um belo horizonte, é uma febre terçã
São as águas de março fechando o verão
É a promessa de vida no teu coração

É pau, é pedra, é o fim do caminho
É um resto de toco, é um pouco sozinho
É pau, é pedra, é o fim do caminho
É um resto de toco, é um pouco sozinho

Pau, pedra, fim do caminho
Resto de toco, pouco sozinho
Pau, pedra, fim do caminho
Resto de toco, pouco sozinho

Pedra, caminho
Pouco sozinho
Pedra, caminho
Pouco sozinho
Pedra, caminho

Vamos para o final então assim ó, rogando a você que dê uma parada, despolua seu olhar e aprecie as coisas boas que este país tem, valorize as atitudes dignas de seu vizinho, seu amigo, do motorista de táxi e assim entenda que existe sim uma saída para o Brasil. Ela começa por você.

Seu célebro deve estar explodindo né? Depois de Sarah Vaughan, Daniel Barenboin, com esta versão de Águas de Março, o super clássico de Tom Jobim na interpretação respeitosa e surpreendente de Chitãozinho e Xororó, não é? Onde mais que você ouve coisas assim?

Com o agradavelmente surpreso Lalá Moreira na técnica, a descolada Ciça Camargo na técnica e eu, que cruzo a todo momento com motoristas de táxi que me fazem acreditar no Brasil, Luciano Pires.

Estiveram conosco o ouvinte Paulo, lá de Belém, Paquito D’Rivera, Sarah Vaughn, Daniel Barenboin, essa húngara brasileira Tünde e Chitãozinho e Xororó interpretando o mestre Tom Jobim.

Sempre lembrando a você que a Pellegrino, além de ser uma das maiores distribuidoras de auto e motopeças do Brasil, também distribui conhecimento sobre gestão, comunicação e outras coisas legais em sua página em facebook.com/pellegrinodistribuidora.

Pellegrino distribuidora. Conte com a nossa gente.

Este é o Café Brasil, que chega a você com o apoio do Itaú Cultural e do Auditório Ibirapuera. De onde veio este programa tem muito mais. Visite para ler artigos, para acessar o conteúdo deste podcast, para visitar nossa lojinha… portalcafebrasil.com.br.

E mande um comentário de voz pelo WhatSapp no 11 96789 8114. Se estiver fora do Brasil é: 55 11 96789 8114.

E se você ainda não tem o Viber, baixe aí proa seu celular e acompanhe nosso grupo, Podcast Café Brasil. Tá começando ainda, mas já tem um monte de gente lá e recebendo informações em primeira mão que você vai nunca vai ouvir, só aqui, tá bom?

E para terminar, uma frase do poeta inglês John Dryden

Primeiro fazemos nossos hábitos, depois nossos hábitos nos fazem.