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Luciano Pires -

Amigo, amiga, não importa quem seja, bom dia, boa tarde, boa noite. Este é o Café Brasil e eu sou o Luciano Pires. Vamos continuar discutindo aqui liberdade de expressão, a partir do atentado que matou doze pessoas em Paris. Você não agüenta mais esse assunto? Bem, então não ouça este programa. Estamos aqui discutindo liberdade, coisa que só quem perde sabe dar valor.

Posso entrar?

O podcast Café Brasil chega até você com o apoio do Itaú Cultural e do Auditório Ibirapuera que, como sempre, estão aí, a um clique de distância facebook.com/itaucultural e facebook.com/auditorioibirapuera.

E quem ganhou o exemplar de meu livro NÓIS… QUI INVERTEMO AS COISA, acompanhado do kit DKT foi o Edilson Aguiais, que comentou assim o programa CRÔNICA PARA CHARLIE HEBDO:

“Após a tragédia no Charlie Hebdo recebi por vários grupos no Whatsapp diversas justificativas para o assassinato dos jornalistas. Uma coletânea de charges do Charlie foram reproduzidas numa tosca tentativa de justificar o injustificável.

O que eu considero a pior parte é que recebi essas imagens e mensagens de diferentes grupos, sendo que a maioria veio de pessoas com relativo grau de escolarização e renda. Em algumas das ‘justificativas’ estava escrito em letras garrafais: ‘OS FRANCESES IGNORARAM AS AMEAÇAS E FORAM EXECUTADOS’ ou ‘ELES CAVARAM A PRÓPRIA COVA’. Junto a isso, algumas frases soltas afirmando que o Corão proíbe qualquer forma de representação do profeta Maomé e que a punição foi merecida. Pra finalizar, aquelas frases de efeito sobre os limites da liberdade de imprensa e tudo mais. Tudo bem organizado, como em uma receita de bolo.

Sobre o posicionamento do Charlie Hebdo, não custa relembrar que o humor sempre fez isso: ridicularizar. Sem essa possibilidade de ridicularizar e expor determinadas características sequer os ‘bobos da corte’ existiriam. Se deixarmos os extremistas controlar a mídia, não teríamos Chacrinha, Os Trapalhões e vários outros grandes humoristas. O pior é que os extremistas estão tão no auge que nem Monteiro Lobato tem escapado dessa corja.

Sabe o que dói mais? Não tem tanto tempo que escapamos da ditadura militar no Brasil que matou tanta gente. Parece que temos mesmo ‘memória de peixe’, ou seja, esquecemos de tudo com uma rapidez espantosa. Isso, sem esquecer dos terríveis prejuízos que mancham as páginas da nossa história com sangue de milhares de pessoas, como as barbáries de Mao-Tsé, Hitler, Mussolini.

Pra não dizer que não dei minha contribuição, no site do VEDUCA tem um curso sobre o Islã totalmente gratuito (Entendendo o Islã) que vai ao encontro da conclusão do seu programa: não é a religião que molda os terroristas. O Islã, na verdade, ensina a seguir a religião de forma diametralmente oposta às ações desses terroristas travestidos de religiosos.”

Muito bom, Edilson. Vamos continuar nessa discussão hoje. Até onde vai essa tal liberdade? A que ela deve se submeter? Ah, e essa dica do curso gratuito ENTENDENDO O ISLÃ é ótima. Não vi o curso para saber do que se trata, mas quem quiser está aqui: www.veduca.com.br .

Muito bem. O Edilson ganhou um kit de produtos DKT com a marca Prudence! A DKT distribui a mais completa linha de preservativos e géis lubrificantes do Brasil, e também apoia diversas iniciativas de prevenção a doenças sexualmente transmissíveis. E também ao planejamento familiar! E eles estão agora dando uma repaginada em sua página no facebook.com/dktbrasil. Você PRECISA ir lá visitar…

Alô Lalá! Alô Ciça Na hora do amor, use:

Lalá e Ciça: PRUDENCE.

E não esqueça da Nakata que é a marca pioneira na fabricação de amortecedores pressurizados no Brasil, especialmente a tradicional linha HG, lembra? É… vem aí umas ações legais para relançamento da linha HG. Os amortecedores Nakata oferecem 2 anos ou 50 mil km de garantia para você rodar tranquilo. E no canal da Nakata no YouTube você tem dicas de manutenção e videocasts exclusivos sobre gestão apresentados por, por…. mim!

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Com Nakata tudo fica mais azul.

Hummmm…olha que elegância no Café Brasil… Começamos o programa com GRAND OUVERTURE, com Álvaro Henrique, que vem de Brasília para se destacar pelas performances, aulas, artigos e eventos que ele organiza para divulgar a música erudita. Aprecie. Música erudita brasileira!

Bem, sobre a questão da liberdade de expressão, o escritor e psicanalista Contardo Caligaris publicou um texto excelente na Folha de São Paulo, que vou reproduzir agora.

Queria estar na grande marcha de Paris no domingo passado.

Pausa: ele se refere à marcha que reuniu mais de 3 milhões de pessoas protestando contra o atentado ao jornal Charlie Hebdo que matou doze pessoas.

Contardo continua: Cogitei seriamente pular num avião sexta à noite, de Nova York; mas não deu.

Nunca gostei de reuniões de massa, nem nos anos 1960. Mas, sem saber bem por quê, pensava que não estar nas manifestações destes dias seria um pouco perder o “trem da história” (justamente nos anos 1960, a gente acreditava que esse trem existia).

De qualquer forma, melhor assim. Estive no pequeno “rally” de sábado, na Washington Square, em Nova York (por volta de mil pessoas). Foi menos empolgante do que seria a maré humana na Place de la République e, por isso mesmo, pôde ser um momento de reflexão.

Cantei a “Marseillaise” mais vezes numa tarde do que nos últimos 30 ou 40 anos de minha vida, descobrindo que 1) me lembrava de todas as palavras, 2) meu ouvido musical só piorou com os anos.

Cantei como homenagem à França ferida e como hino das ideias que a França encarna para mim, ou seja, não apenas as grandes ideias das luzes do século 18, mas também (se não sobretudo) ideias mais antigas e aparentemente menos nobres: as da tradição libertina e pornográfica e as do espírito gozador da revolta da Fronda (o estilingue) do século 17.

Na Washington Square, chamamos os nomes das vítimas, Charb, Cabu, Wolinski…

Não tinha trazido comigo o cartaz que muitos levavam, “Je suis Charlie”, em várias línguas. Mas tinha um lápis Palomino Blackwing, que ficou na minha mão, apontado para o céu, o tempo inteiro. Caneta, lápis, hidrocor erguidos eram o jeito de dizer que ninguém pararia de escrever ou desenhar livremente.

Na mesma veia, de vez em quando surgia um coro: “Não temos medo”- sobretudo na boca das inúmeras crianças. Era um conforto que houvesse tantas crianças – as crianças europeias e americanas vão (são levadas) para cada tipo de manifestação política, mesmo potencialmente perigosa. Como disse uma vez meu pai, ir a uma manifestação pode ser perigoso para uma criança, mas não ir seria muito mais perigoso para seu futuro e para seu espírito.

Por que eu estava lá? Não sou mais leitor de “Charlie Hebdo” há tempos. E nunca fui um assíduo. Isso era provavelmente o caso da maioria naquela tarde.

O que nos reunia, então? Um gosto pela sátira? Uma convicção política? Era uma reunião a favor do casamento gay? Por ou contra a descriminalização do aborto ou da maconha? Por ou contra a corrupção? A favor da democracia direta?

Nada disso. A princípio, não tínhamos nada em comum, nada que fosse para todos os manifestantes um valor compartilhado.

Nada em comum – salvo o atentado contra “Charlie Hebdo”. E “Charlie Hebdo” é o quê?

Escutei de tudo nestes dias, até alguns (que nunca leram a revista) dizendo que é uma publicação islamofóbica. “Charlie Hebdo” é uma publicação cretinofóbica, porque acha cretino qualquer um que adira a uma crença sem a capacidade de rir dela e de si mesmo enquanto crente. Por isso, seria exato dizer que, para “Charlie Hebdo”, nada é sagrado.

Por isso, o espírito de “Charlie” tem a vida difícil diante da sedução dos fundamentalismos, que vendem certezas e sentido pelas nossas ruas.

Agora, será que “Charlie” peca e cansa por sua descrença generalizada? Suprema acusação: será que “Charlie” é cínico?

Eu mesmo talvez dissesse que sim, até a reunião da Washington Square – que não era uma reunião de cínicos. Ao contrário, era a reunião dos que acham que nada é sagrado para todos, SALVO o princípio de que nada deve ser sagrado para todos. O que não é pouca coisa.

Deixe-me repetir este trecho do texto do Contardo, olha só é preciso: era a reunião dos que acham que nada é sagrado para todos, SALVO o princípio de que nada deve ser sagrado para todos. O que não é pouca coisa.

Talvez, no futuro, o atentado a “Charlie Hebdo” faça história por ser o momento em que a gente começou a entender que o que nos define não é a ausência de valores absolutos, mas é, sim, um valor específico: a recusa de que valores sejam aceitos e reconhecidos como absolutos.

Vamos lá de novo, vai: o que nos define não é a ausência de valores absolutos, mas é, sim, um valor específico: a recusa de que valores sejam aceitos e reconhecidos como absolutos.

Alguns dizem que sem valores absolutos e intocáveis em comum não há sociedade possível. Pois bem, há uma sociedade possível, constituída ao redor do valor absoluto seguinte: não há valores absolutos para todos.

Agora sei por que fui à manifestação. Ela foi a prova (efêmera, claro) de que é possível se reunir para dizer que só nos reúne a convicção de que, para se reunir, não é preciso que a gente compartilhe uma certeza absoluta.

Corrijo: para se reunir, é MELHOR que a gente NÃO compartilhe uma certeza absoluta.

Certeza é ilusão
Paulo Padilha

Certeza é truque
Certeza é ilusão
Certeza é miragem
Certeza é ficção
Certeza é mito
Certeza é mentira
Certeza é blefe
Certeza é tentação
Certeza é marketing
Certeza é apelação
Certeza é papo
Certeza é palavrão
Certeza é nada
É o mesmo que não
Certeza é jogo sujo
Certeza é golpe baixo
Certeza é cara de pau
Certeza é bobagem
Certeza é figura de linguagem
Certeza certeza mesmo só no fim
Leve sua certeza para longe de mim
Certeza é o contrário
Certeza mesmo só existe no dicionário

Certeza é só no dicionário

Olha que som legal… É o paulista Paulo Padilha com CERTEZA É ILUSÃO.

Vamos lá… a que se refere Contardo Caligaris, hein? A algo muito precioso, que a humanidade só descobriu depois de muitos anos, muitas guerras, muito sangue: é muito perigoso ter certezas absolutas.

Terroristas ou têm certezas absolutas ou estão a serviço de fanáticos que têm certezas absolutas. Centenas de milhões de pessoas morreram ao longo da história, pelas mãos ou ordens de gente que tinha certezas absolutas. Milhares de descobertas jamais foram feitas por serem barradas por gente que tinha certeza absoluta. Você aí, na sua empresa, no seu dia a dia, deve trombar com gente que tem certeza absoluta. E sabe do estrago que essa gente faz.

Os cartunistas do Charlie Hebdo só tinham uma certeza absoluta: a de que não existem certezas absolutas. E por isso faziam aquela publicação que Contardo Caligaris classificou de forma genial como “cretinofóbica”.

E por isso incomodaram tanta gente.

Você tem convivendo no mesmo planeta países que seguem o conceito da democracia e outros que optam pelas várias formas de autoritarismo. E de repente, pessoas que nasceram e foram criadas debaixo de um regime imigram para países onde existe outro regime. Da ditadura para a democracia, por exemplo. De países onde a religião é o estado para outros onde a separação religião estado está na constituição. O que se vê é um choque, que só tende a aumentar, na medida em que as poucas barreiras de comunicação vão caindo. E um sujeito que a vida toda aprendeu que, por questões religiosas, não se come carne de porco, repentinamente se vê numa sociedade onde a carne de porco é parte do cardápio desde o café da manhã.

Uma mulher criada numa sociedade onde deve cobrir quase todo o corpo se vê rodeada de moças com as pernas, ombros e seios de fora.

Pessoas que tinham certezas absolutas se vêem diante de pessoas que tem outras certezas, conflitantes, mas também absolutas.

Surge então o conflito.

O que aconteceu na França foi isso. Cartunistas levaram a liberdade de expressão ao limite do que a lei e a sociedade francesas suportam. Tinham a certeza absoluta de que nada é sagrado… Você pode dizer que as charges não tinham graça, que eram de mau gosto, etc, mas isso é outra discussão. Eles estavam no seu direito, garantido pela constituição francesa. Quando entidades muçulmanas se sentiram ofendidas pelas manifestações daqueles cartunistas, recorreram à lei… da França. E a justiça francesa se pronunciou a favor da liberdade de expressão dos cartunistas. Não porque seja xenófoba, preconceituosa ou fascista, como li alguns progressistas escrevendo por aí, mas porque está baseada nos conceitos de liberdade, igualdade e fraternidade que custaram muito sangue.

Sentindo que a lei não calaria os que tinham ideias que contrariavam suas certezas absolutas, alguns fanáticos tomaram então a justiça em suas mãos. Mataram quem não compartilhava de suas certezas.

Revogaram na bala a liberdade de expressão.

Conflito
Climério
Petrúcio Maia

Ah, meu coração que não entende
O compasso do meu pensamento
E o pensamento se protege

E o coração se entrega inteiro e sem razão
Se o pensamento foge dela o coração a busca aflito
E o corpo todo sai tremendo,
massacrado e ferido no conflito

Olha só. Para o horror da Ciça esse é o velho Raimundo Fagner quem nos canta agora as agruras do CONFLITO entre coração e mente, entre fé e razão, na composição de Climério e Petrucio Maia que fez a minha cabeça lá em 1976…

Muito bem, tudo muito lindo, tudo muito bom, mas e então, hein? O que é que eu, Luciano Pires, que sou cartunista, faria se estivesse lá no Charlie Hebdo? Na minha palestra O MEU EVEREST tem um momento em que falo da consciência do impacto e influência que causo em quem está ao meu redor. Não ter consciência sobre isso coloca em risco todos os que estão subindo a montanha com você. Se estou colocando em risco apenas a minha integridade, a minha vida, o meu nome, o meu trabalho, a minha reputação, é uma coisa. Mas se acho que o impacto e influência de meu trabalho colocará em risco a integridade de outras pessoas, é outra coisa.

É esse balanço que procuro fazer: não quero que um parente, um policial, uma pessoa qualquer tome um tiro na cabeça por causa de uma charge que eu publiquei. Também não quero que a reputação de gente honesta seja destruída por minha causa. Se existe esse risco, eu não publico a charge.

E aí o terrorista venceu.

Ele está definindo até onde deve chegar a minha liberdade de expressão. Não é mais a lei da França ou do Brasil, é a interpretação que aquele fanático faz do Corão que define o que eu devo ou não dizer, o que eu devo ou não desenhar.

Mas porque é assim? Porque para mim, em primeiro lugar vem o direito à vida. Não tenho o direito de colocar em risco a vida de ninguém. Se o preço de minha liberdade de expressão é colocar em risco a vida de alguém – além da minha, é claro – eu abro mão da liberdade.

Se o preço da minha liberdade é destruir a reputação de pessoas honestas, eu abro mão da liberdade.

Alguns chamarão de cagaço. Eu chamo de responsabilidade.

E vou dormir com um gosto amargo na boca. Mas na certeza de que no final da tempestade o sol brilhará para todos.

Quando?

Não sei…

Pois é… Quanto tempo, quanta conversa, quanta luta, quanto sangue derramado para que a liberdade de expressão fosse conquistada. Mas é aquilo que eu disse no começo do programa, só quem perde essa liberdade sabe o valor que ela tem. E a liberdade pra mim, só perde para a responsabilidade.

O Sol Nascerá
Cartola
Elton Medeiros

A sorrir
Eu pretendo levar a vida
Pois chorando
Eu vi a mocidade
Perdida

Finda a tempestade
O sol nascerá
Finda esta saudade
Hei de ter outro alguém para amar

A sorrir
Eu pretendo levar a vida
Pois chorando
Eu vi a mocidade
Perdida

E é assim então, ao som esperançoso de O SOL NASCERÁ também conhecida como A SORRIR, clássico composto por Cartola e Elton Medeiros, com Ney Matogrosso, que vamos saindo de mansinho.

Com o circunspecto Lalá Moreira na técnica, a reflexiva Ciça Camargo na produção e eu, que acho que vale perder o amigo mas não perder a piada, com responsabilidade, Luciano Pires na direção e apresentação.

Estiveram conosco o ouvinte Edilson Aguiais, Contardo Caligaris,  Ney Matogrosso, Raimundo Fagner, Paulo Padilha e Álvaro Henrique.

E sempre lembrando você da Pellegrino, que é uma das maiores distribuidoras de autopeças do Brasil, mas que também distribui dicas muito legais sobre gestão em sua página no Facebook. E ao apoiar o Café Brasil a Pellegrino nos dá a chance de trazer conteúdo de valor para você. Então cumpra a sua parte. Acesse facebook.com/pellegrinodistribuidora e deixe uma mensagem de agradecimento a eles!

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Este é o Café Brasil, que chega a você com o apoio do Itaú Cultural e do Auditório Ibirapuera. De onde veio este programa tem muito mais. Visite para ler artigos, para acessar o conteúdo deste podcast, para visitar nossa lojinha… www.portalcafebrasil.com.br.

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Para terminar, outro francês, o filósofo Jean-Paul Sartre:

Ser livre não é fazer aquilo que queremos, mas querer aquilo que podemos.