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Luciano Pires -

Amigo, amiga, não importa quem seja, bom dia, boa tarde, boa noite. Este é o Café Brasil e eu sou o Luciano Pires. Que tempos nervosos, não? Alguém já disse que no Brasil, ter opinião é ofensa pessoal. Estou começando a concordar. Basta você assumir um lado pra começar a tomar pedradas. Que coisa! Por isso tanta gente prefere ficar em cima do muro, não é? Pois é. Como é que faz então, hein? Bem, talvez com integridade? In-te-gri-da-de… é por aí que vamos hoje.

Posso entrar?

E o podcast Café Brasil chega até você com o apoio do Itaú Cultural e do Auditório Ibirapuera que, você já sabe, né? Estão aí, ó, a um clique de distância. www.facebook.com/itaucultural e www.facebook.com/auditorioibirapuera.

E o exemplar de meu livro NÓIS…QUI INVERTEMO AS COISA, acompanhado do apimentadíssimo kit DKT vai para….para…. Diego Campos e Silva de Goiânia, ouvinte novinho, que mandou este comentário:

“Salve salve, Luciano Pires. Aqui é Diego Campos e Silva, de Goiânia, Goiás. Tenho 32 anos e pela primeira vez eu ouvi o Café Brasil. Ouvi os programas 430, 428 e 429 nessa ordem. Hoje, dia 28 de novembro de 2014. Conheci você através do Nerdcast, que eu sou ouvinte há bastante tempo. Muito legal seu posicionamento acerca dessa situação política do país. Muito bacana. Você… isso mostra muito da sua personalidade, de quem você é. E isso falta hoje na nossa sociedade. Pessoas que se posicionam, que mostram o que pensam, independente de quem vai ouvir, de quem vai gostar ou deixar de gostar. Isso é algo louvável. É um absurdo que a gente tenha chegado a esse ponto. Que expor uma opinião, um posicionamento seja louvável. Isso deveria ser inerente ao ser humano, a qualquer pessoa, diante de qualquer situação. E você o fez diante de uma situação extremamente delicada. Assumiu todos os riscos que correria mediante o seu trabalho, que é perder seguidores, perder page views e consequentemente patrocinadores e trabalhos, como você mesmo disse que aconteceu. Entretanto, isso só mostra um traço da sua personalidade. Mostra muito o tipo de pessoa que você é. E essas pessoas que deixaram de te seguir e que você perdeu os page views, são pessoas que não farão diferença pra você. é o que a gente diz: é o cliente que a gente manda pra concorrência, que não é bom  pra gente. porque isso, são pessoas volúveis, são números volúveis. E hoje, o que nos mantém vivo no mercado, na vida, é a solidez. E quem ficou contigo, você pode ter certeza que corrobora da sua opinião, não a sua posição, mas a sua opinião, a sua postura como profissional, como pessoa, como formador de opinião. A postura de alguém que se posiciona, que não tem medo de se posicionar. Eu não vou dizer aqui qual é a minha posição política, mas eu vou dizer o seguinte: eu corroboro contigo. Dar a cara a tapa, mostrar quem eu sou, mostrar a minha opinião. E quem tá contigo, tá contigo independente de Palmeiras, de Corínthians, de PT, de PSDB, de Goiás, de Vila Nova. E tamos juntos. você ganhou mais um ouvinte, mais um fã, pela sua postura, pela sua posição, por ter descido do muro e escolhido um lado pra tomar pedrada, porque quem fica em cima dele, toma pedrada dos dois lados. Valeu, um grande abraço e é um prazer ter você no meu celular, no meu feed de poscasts. Um abraço.”

Obrigado Diego. Fiz questão de colocar esse enfático depoimento do Diego aqui, pois ele toca na tecla certa: a necessidade e os riscos de assumir uma posição firme. Gostei especialmente do comentário sobre volubilidade e solidez. Quem fica em cima do muro toma pedrada dos dois lados…

Mas tem mais gente ganhando o livro e o kit. Ouça a  Marcela:

“Olá Luciano. tudo bem? Meu nome é Marcela e eu acabei de ouvir o podcast 429. O resultado é eu continuar fascinada pelo Café Brasil. Eu sou parte dessa corja que financiou no segundo turno, com o próprio voto, reeleição de tudo que você considera que faz mal para o Brasil. E o pior, Luciano. Eu concordo com boa parte das suas críticas. Eu sempre sou sua opinião, a sua inclinação política e não esperava nem uma vírgula diferente do seu posicionamento. Eu fiquei chateada com alguns comentários que foram feitos na sua página no Facebook. Com xingamentos, desaforos. Mas, eu não tinha como parar de gostar do Café Brasil e na ironia que você entenda. Eu acho que ao escolhermos entre os candidatos, fizemos dotados de uma certa ignorância seletiva, uma ingenuidade não confessada e acreditando que determinadas propostas não seriam realmente levadas pra frente. Claro que tenho motivos que são dispensáveis a esta altura. Mas vou aproveitar e confessar apenas algumas das minhas ingenuidades especiais que não declarei publicamente. E não ouso jamais levantar a bandeira da verossimilhança dessas afirmações. Mas vou confessar: pra votar na Dilma, eu ignorei que ela lutou pelo comunismo. Considerei que ela lutou contra a ditadura. Eu concedi a ela as desculpas dos rompantes da juventude ideológica que ajudou na queda do regime militar. Ignorei que todos os políticos sabem os esquemas de corrupção. Quanto mais alguém no cargo de presidente, né. Agraciei a minha candidata com um desejo de não estar envolvida na sujeira, de estar impossibilitada de caminhar de forma diferente. Além disso, considerei palavras ao vento o que ela disse sobre a manutenção da economia como estava. E hoje ainda não posso dizer que tive razão. Mas, há inclinações de que, de fato, serão feitas mudanças na economia. Meu amigos aecistas, confessaram algumas ingenuidades que eles queria acreditar. E coisas que eles gostariam, com sinceridade, que seu candidato estivesse mentindo. Afinal, pareceu que todos nós precisávamos melhorar nossas opções, atribuindo qualidades aos nossos candidatos. Qualidades essas, que não ficaram muito claras. Mas, nós atribuímos mesmo assim. Posso estar errada, podemos todos estar, mas entre todas as opções dessa campanha, o que eu fiquei mais feliz é que sim, aquela pedra jogada no rio, tem feito ondas. Estamos discutindo política. Ainda há muitos focos de uma discussão rudimentar, mas a estagnação não é mais nosso estado.Enfim, Luciano. Enfim, eu fiquei muito feliz de discordar de ti. Dizem que quando duas pessoas sempre concordam é porque uma delas não está pensando. Então, pensar diferente de ti me pareceu um elogio solene  a mim mesma. Eu o considero intelectual, eu considero as suas opiniões fascinantes, te tenho de primeira linha. Então eu tenho prazer de poder pensar diferente de você e em nenhum momento me senti estúpida, ou burra, ou nada disso. Eu fico feliz de termos opiniões diferentes em algumas coisas. Se eu estivesse sempre concordando eu ia achar que quem não está pensando sou eu. Sempre um prazer ouvir o Café Brasil. Um abraço, Luciano”

Outro abraço, querida. “Pensar diferente de ti me pareceu um elogio solene  a mim mesma” “tenho prazer de pensar diferente de você” “quando duas pessoas sempre concordam, uma elas não está pensando”… é, essa é a Marcela, uma daquelas ouvintes que dá gosto de ter. Fala a verdade, não é uma delícia quando você tem alguém que discorda assim, de forma nutritiva, hein? Não dá vontade de pegar a Marcela no colo, hein? Não dá vontade de estabelecer com ela um diálogo, mesmo que no final ninguém mude de posição? É isso aí, Marcela, para discordar você precisa pensar! Muito obrigado, viu?

Mas tem mais um ganhador. Hoje os ouvintes estão com tudo. Este é o Gustavo Brunello, que mandou um comentário assim:

Bom dia, boa tarde ou boa noite! Luciano, como muitos já ensaiei meu post algumas vezes e até deixei boas discussões esvair…

Mas gostaria de colocar mais um assunto para debatermos em nossa conversa semanal. Sim, faço parte do programa mesmo sem interagir diretamente, mas a reflexão faz com que me sinta parte!

Vamos às apresentações. Meu nome é Gustavo Brunello, sou um jovem de 25 anos, inconformado, incomodado e um tanto hipócrita (tema que eu gostaria de tratar). Lendo as características que descrevi deve estar pensando que não sou lá das melhores pessoas.

O inconformismo e se sentir incomodado são características das pessoas que estão dispostas a mudar o mundo! Se sentir hipócrita é o resultado destas características pois nem sempre consigo fazer tudo que penso, prego e admiro.

Gostaria de compartilhar uma historia que aconteceu comigo recentemente, já neste ano!

Sou uma pessoa que prega o bem ao próximo e procuro ajudar as pessoas, conhecidas e desconhecidas sempre que posso. Isso me traz uma satisfação enorme e me faz sentir vivo.

Neste reveillon, como agradecimento prometi ajudar alguém, simples assim! Se passaram as festas, muito cerveja e comidas e voltei ao trabalho.

Logo na primeira sexta-feira do ano, quando estava a caminho do trabalho, avistei um homem deitado no meio da rua. Quando me aproximei e parei a minha moto percebi que era um morador de rua daqueles que não tem acesso a nenhuma higiene e já senhor. Ele estava sujo, no meio da rua, tendo uma convulsão e com seus 3 cachorros pulando sobre ele. Confesso que por um segundo pensei: “alguém vai ajudar ele”, mas parei e vi que todos apenas observavam. Então comecei a tentar conversar com o homem até recuperar a consciência. Perguntei como eu poderia ajudá-lo e ele me pediu para ajudar a sentar para respirar melhor.

Troquei algumas palavras com o senhor, tentei entender o que ele tinha, mas o guarda da rua que apenas olhava me falou que ele sempre tinha convulsões pela região. O homem falou que estava sem condições de comprar o seu remédio, então eu o fiz, dei um dinheiro para comer algo.

Não sou um santo, mas o que gostaria de compartilhar é simplesmente o que eu observo!

Muitos escutam seu programa, são tocados por ele, ficam incomodados, mas na hora de agir fazem apenas o que lhes é conveniente!

Então gostaria de lançar um desafio as nossos ouvintes, que fiz a mim mesmo. Diga não à hipocrisia. Se você concorda com as mensagens destes programas ou outras que leva consigo, não deixe apenas na teoria, pratique e multiplique.

Abraços!!! Gustavo Brunello”

Uia! Que cutucão, hein Gustavo? Muito legal sua reflexão e seu chamamento para a ação. Preste atenção neste programa!

Muito bem. O Diego, a Marcela e o Gustavo ganharam, além do meu livro, um kit de produtos DKT com a marca Prudence! Eu acho que a esta altura você já sabe muito bem que os produtos Prudence são a mais completa linha de preservativos e géis lubrificantes do Brasil, distribuídos pela DKT , não é?  Quando você compra um produto PRUDENCE você apóia a DKT em suas iniciativas de promover programas de prevenção a doenças sexualmente transmissíveis e também de motivação ao planejamento familiar! Acesse www.facebook.com/dktbrasil e conheça mais a respeito.

Então vamos lá: na hora do amor, use PRUDENCE.

A trilha sonora do programa de hoje é especial! Tive o privilégio de conduzir a cerimônia do prêmio que a revista Autodata oferece aos melhores do mercado automotivo e dividi o palco com o grupo Seis Com Casca, jovens instrumentistas que combinam música clássica com popular. Os garotos são feras! Ganhei o CD deles e hoje vou com ele. (13:32)

Seis-com-casca1  Seis com Casca

Pra começar, você ouve URUBU MALANDRO, de João de Barro e Louro. Seis Com casca no Café Brasil.

(14:16)

Bem, você ouviu os ouvintes…. O Diego falando da importância de descer do muro, de assumir um lado, uma posição. A Marcela falando da importância de ouvir quem discorda da gente, até para poder pensar a respeito e assim crescer em sua argumentação. Ou até mesmo mudar de opinião. E o Gustavo chamando para a ação…

Em minha palestra TUDO BEM…SE ME CONVÉM, em que trato de moral e ética, num determinado momento provoco a platéia com algo que já comentei no programa 420 – A  zona da indiferença:

A menos que você seja uma criança muito pequena ou um psicopata, você sempre tem plena consciência do que é certo e do que é errado. Mas nem sempre você tem capacidade de análise e de ação a respeito. Vê que algo está errado, mas não faz nada… Na verdade acho que a maioria das pessoas age dessa maneira, por diversas razões: comodismo ou preguiça, medo de se envolver, medo de sofrer alguma represália ou simplesmente por uma falha de caráter. Essa é a característica primordial do brasileiro: deixar pra lá…

O que faz com que a pessoa tenha consciência do certo e errado e capacidade de analisar e agir sobre o tema é seu caráter.

Pois hoje quero falar de uma virtude que é relacionada ao caráter humano: a integridade.

(15:58)

Mas afinal, o que é uma pessoa íntegra? Bem, no contexto deste programa, a integridade pode ser explicada assim:  ao longo da vida desenvolvi meus valores e convicções, a partir dos exemplos que recebi de meus pais, parentes, amigos, chefes e pessoas que tiveram alguma influência sobre mim. E trato esses valores e convicções como a minha riqueza. Eu sou aquilo que meus valores e convicções fazem de mim. Portanto, uso-os para conduzir minhas escolhas ao longo da vida.

Reconheceu essa? É LA VIE EN ROSE, de Louiguy, com o Seis Com casca… (

Em momentos em que tenho que negociar comigo mesmo algum tipo de flexibilização, não tenho problema em fazê-lo com minhas convicções, que podem ser mudadas diante de contextos ou argumentos diferentes. Mas as negociações terminam quando meus valores entram em jogo. Valores eu não negocio. Se a situação exige que eu aja contra meus valores, não tem negócio, não tem conversa. Por isso me considero uma pessoa íntegra.

Integridade é isso: cultivar, respeitar e seguir seus valores. Sem negociação.

Quem age com integridade tem menos dificuldades em assumir posições nos momentos críticos, pois tem a segurança de estar escolhendo aquilo que melhor serve a seu ser. Eu luto por aquilo que acredito e pelos valores que defendo.

Isso é integridade.

Mas existem diversos tipos de integridade como a integridade moral, a intelectual, a profissional, a artística… Neste programa focarei mais na integridade moral e na intelectual. Um indivíduo pode perfeitamente agir com total integridade artística e nenhuma moral… Por isso é que nos decepcionamos com uns ídolos que de repente se revelam uns escrotos…

Mas eu quero tratar um pouco mais da integridade intelectual, que acho que é aquela que mais nos tem feito sofrer nos últimos tempos.

Integridade intelectual tem a ver com o compromisso com a verdade, com o conhecimento. Mas é mais que isso. Ela é geralmente caracterizada como uma abertura às críticas e às ideias de outras pessoas. Não é isso que mais se tem falado ultimamente? Tolerar quem pensa diferente, aceitar os argumentos diferentes dos seus? Pois é. Mas quem é aberto demais às ideias dos outros, pode receber tantas influências que fica incapaz de seguir uma só linha de pensamento.

É quando aparece o muro…

A integridade intelectual então, traz dentro de si um conflito: devo estar sempre aberto à novas ideias, mas não posso ser sufocado por elas.

Existe uma série de atitudes que se espera de uma pessoa intelectualmente íntegra. Por exemplo, não ser intolerante a contra argumentos, ser contra o plágio, reconhecer a ajuda de outros, etc. Existem varias virtudes intelectuais, que envolvem diferentes e às vezes conflitantes, disposições para a ação. Isso significa que devemos estar sempre alertas para balancear essas virtudes.

Uma pessoa com excessiva coragem intelectual, por exemplo, pode tornar-se dogmática, fundamentalista, radical. Tenho recebido seguidas manifestações de leitores e ouvintes que reclamam de ter acessado páginas liberais e conservadoras que recomendei e encontrado uma turma nervosa, impaciente, dura, que argumenta na patada… Sabe o que é isso? Excesso de coragem intelectual… Ah, mas e nas páginas da esquerda, não tem excesso de coragem intelectual também?

Não. Lá só tem ignorância.

Uma pessoa com excessiva imparcialidade, pode perder suas convicções. Temos visto isso aos montes: gente que, com medo de ser considerada direitista, esquerdista, comunista, fascista, fica em cima do muro. Só critica um se criticar o outro. Deixa suas convicções de lado em nome da imparcialidade. Um robô sem emoções…

Quem tem integridade intelectual, portanto, é quem consegue equilibrar essas virtudes, manifestando-as na intensidade e ordem corretas.

É normal, portanto, existir conflitos entre os diversos tipos de integridade e isso é mais visível no ambiente profissional, quando determinadas atitudes que somos obrigados a tomar vão de encontro a nossos valores e convicções.

Lembra num dos programas passados, quando perguntei para a Ciça, que tem convicções políticas opostas às minhas, por que ela continua no Café Brasil? A resposta dela foi simples: enquanto eu, Luciano,  estiver dando minha opinião, não tem problema. Mas quando eu começar com militância, ela provavelmente cairá fora.

Equilíbrio é o nome do jogo.

Agora o Seis com Casca manda NOITES CARIOCAS, de Jacob do Bandolim…

(22:15)

O exercício de manter a integridade intelectual, ou seja, a capacidade de equilibrar nossas virtudes, é muito bom. O conhecimento que desenvolvemos com essa prática serve para lidar com muitos dos conflitos e tentações que ameaçam nossa integridade pessoal e moral no dia a dia.

Mesmo quando discutimos as dimensões sociais e políticas da integridade, fica claro que a integridade é uma questão pessoal, privada, mas com importantes implicações na esfera pública. E os processos  e estruturas sociais como a família, os negócios e a religião e os processos e estruturas políticas como as formas de governo, por exemplo, nos influenciam enormemente. O que assistimos nestes últimos tempos de campanha política, de ânimos exacerbados é a demonstração de como os processos e estruturas sociais e políticas podem afetar nossa integridade pessoal.

Esses processos, pelas pressões que exercem sobre nós, são as grandes ameaças à nossa integridade pessoal. Portanto eles deveriam ser estruturados de forma a promover a integridade. Mas não são. Agimos em sociedade de forma a não privilegiar a integridade como virtude. Somos condescendentes, cultuamos o pobrismo, não podemos ver um coitadinho que vamos abrindo exceções, somos ensinados a não adotar a meritocracia, estamos sempre prontos para dar um jeitinho…

Chegamos então ao ponto crucial: é a natureza moral da sociedade em que vivemos que deve ser examinada antes de tratarmos da integridade pessoal de cada indivíduo.

Que tal, hein? A moçada do Seis Com Casca com uma versão do Hino Nacional tendo na percussão uma  máquina de escrever. Vi isso ao vivo, cara, é ótimo!

(25:48)

Quando discutimos integridade, em vez de focar no relacionamento entre nossas características individuais, interesses, escolhas e a sociedade, devemos nos perguntar em que tipo de sociedade vivemos e que tipo de indivíduos ela produz. Isso é especialmente importante num ambiente cultural como o nosso, onde a ideia de privilégio para os muitos em detrimento do um é tão presente. A busca pela integridade pessoal, portanto, não depende apenas de suas crenças, de quem você é ou daquilo em que você acredita. Depende de compreender em que sociedade vivemos e imaginar como ela poderia ser.

Pausa. Aí ao fundo vamos com ADIÓS NONINO, o clássico de Astor Piazzola, com o Seis Com Casca.

Ah cara! Isso é bonito demais. Você gostou? Vai atrás. Seis com Casca.

(27:00)

Muito bem, acompanhou essa reflexão sobre a integridade? Pesado né. E parece complicado, né? Mas não é, é apenas lógico. Sua capacidade de ser uma pessoa íntegra está constantemente ameaçada pelas estruturas políticas e sociais do ambiente no qual você vive.

Por isso é tão importante não olhar apenas para você, mas para tudo que está em volta. Contaminar os outros. Servir como exemplo. Compreender que a sociedade que influencia você é a soma de todos nós. E aí vem Aristóteles: Não se pode conceber o “muitos” sem o “um”.

O Diego a Marcela e o Gustavo, tocaram de formas diferentes na mesma tecla: a importância de você se conscientizar de sua individualidade, de se preparar intelectualmente, de ganhar segurança para defender seus valores e convicções e, assim, jogar as pedrinhas no lago que farão as ondas que influenciarão outras pessoas. Quem ganha com isso? A sociedade.

É o tema é profundo e precisa de mais tempo. Voltarei à ele. Enquanto isso reflita sobre aquela dica do Diego: quem está em cima do muro não joga pedrinhas no lago… leva pedradas dos dois lados.

Pense nisso.

Então ao som de NEM VEM QUE NÃO TEM, de Carlos Imperial, com Marcelo D2 que vamos saindo. Se deu tudo certo neste programa, saindo reflexivos….

Com o encucado Lalá Moreira na técnica, a desorientada Ciça Camargo na produção e eu, que dou um baita valor à integridade, Luciano Pires na direção e apresentação.

Estiveram conosco os ouvintes Diego, Marcela e Gustavo, o grupo Seis Com Casca e Marcelo D2.

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Este é o Café Brasil, que chega a você com o apoio do Itaú Cultural e do Auditório Ibirapuera.

De onde veio este programa tem muito mais. Visite para ler artigos, para acessar o conteúdo deste podcast, para visitar nossa lojinha… portalcafebrasil.com.br.

E não esqueça do WhatSapp pra comentar!!! É o 11 96789 8114.                                 De novo: 11 96789 8114. Tecle aí, mande uma mensagem de voz! E não esqueça de deixar o nome e de onde você fala!

Para terminar, tenho que repetir aquele Aristóteles.

Não se pode conceber o “muitos” sem o “um”.