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Luciano Pires -

Amigo, amiga, não importa quem seja, bom dia, boa tarde, boa noite. O meu nome é Luciano Pires e este é o Café Brasil. O programa de hoje vai tratar outra vez de política, é ano de eleição, cara! Você também não concorda com tudo isso que está ai e resolveu não votar é? Bom, esse tema vai dar pano pra manga, cara!

Posso entrar?

O podcast Café Brasil chega até você com o apoio do Itaú Cultural e do Auditório Ibirapuera que, como sempre, estão aí ó, a um clique de distância. www.facebook.com/itaucultural ewww.facebook.com/auditorioibirapuera.

 

 

E vamos então ao ganhador do exemplar do meu livro NÓIS QUE INVERTEMO AS COISA, mais o kit DKT da semana. Olha só: foi o Ricardo Grings. Pô meu! Outra vez? O Ricardo já ganhou livros aqui. Vai ter que entrar em contato pra escolher um outro livro. Mas, ele comentou assim os programas da série sobre produtividade:

“Luciano e demais cafeinados:

Esse teu tema me transportou a uma conversa que tive com meu pai há algumas semanas, sobre o clima que anda reinando no país em relação à copa do mundo… Estávamos discutindo o clima da população dessa copa do mundo e comparando com o que costumava acontecer historicamente e ele traçou um paralelo interessantíssimo entre a situação atual e o clima que reinava em 1970, quando ele tinha 23/24 anos, tinha 3 ou 4 ocupações para se manter em Porto Alegre enquanto terminava o curso de filosofia (que ele tinha iniciado enquanto ainda estava no seminário, que obviamente ele largou) e fazia agronomia na Universidade Federal do Rio Grande do Sul, onde era conhecido pela alcunha de “companheiro” (alguns anos depois, quando eu já havia nascido, ele resolveu dar um tempo na Europa ao conseguir uma bolsa trabalho na Alemanha e foi com mulher e filho a tiracolo virar ´farofeiro’)…

Tanto hoje, quanto naquela época, observamos um comportamento das pessoas que acompanham alguma coisa da política, um medo de que o sucesso da “esquadra canarinho” esconda os problemas que acontecem pelo país, com o circo sendo usado por duas pontas distintas, a dita “direita” do regime militar, e a dita “esquerda” do governo atual. E nesse cenário surgem os torcedores do contra, que racionalmente tentam torcer contra a seleção brasileira, mas que com o andar da carruagem acabam sendo envolvidos pelo clima de nacionalismo e se entregam com o passar do tempo. Até aí, é pura obviedade…

O interessante que ele ponderou, foram as práticas absolutamente similares tomadas pelos ditos dois extremos e as reflexões que podemos tirar disso. É como se, graficamente, pudéssemos representar os momentos históricos e ideológicos brasileiros em um formato de U, onde os “opostos” são muito mais parecidos do que se dizem ou tentam se mostrar.

Tentativas de controle da informação, aparelhamento do estado, uso de recursos públicos a serviço de interesses privados, patrulha em relação aos discordantes, métodos peculiares de distribuição de recursos públicos para amigos do sistema, grandes obras superfaturadas e inacabadas (ou qual a diferença entre a transamazônica e as obras inacabadas dos PACs, hein?), controle do congresso (AI5 x mensalão), ´desenvolvimentismo´ burro através do fomento de setores privados ´amigos do rei´ (aliás, essa versão brasileira da aplicação da teoria keynesiana é de lascar), o complexo de robin hood às avessas, onde se tira dos pobres para dar aos ricos: rios de dinheiro tirado das classes baixa e média via impostos e injetados às pencas nas grandes empreiteiras (além das tradicionais andrade gutierrez, camargo correa, odebrecht e queiroz galvão – que nasceram nos anos 70 e se fortaleceram como nunca nos últimos anos – surgiram várias outras, profundamente alimentadas por recursos governamentais)…

Os paralelos não param por ai, é impressionante quando começamos a pensar nas formas de (má) gestão pública, como a direita e a esquerda usam da mesma forma o estado para interesses particulares e sem um pingo sequer de escrúpulos…

(aliás, tudo isso deixa o nosso ex-ministro Rubens Ricupero, aquele que foi pego no contrapé na fala fora do ar e que tanto foi crucificado – “a gente não tem que ter escrúpulos, o que é bom a gente mostra, o que é ruim a gente esconde” – ele fica parecendo criancinha de tão amador…)

Assim, como temos um país tão parecido com o que tínhamos em 70, posso usar o comportamento histórico para prever que a torcida será eminentemente contra (por motivos “políticos”) e irá se alinhar com a emoção dos campos a medida que os jogos forem acontecendo… E, quem sabe, possamos ter o mesmo resultado do Brasil Campeão, hein???

(só espero que não tenhamos mais 15 anos de continuidade de apodrecimento, como foi em 70, em que a mudança só aconteceu em 85, e mesmo assim, sem mudar muita coisa…)
ps: eu tenho um sentimento daquele personagem do Jô Soares com relação a essa questão da copa realizada no Brasil, sendo um catalisador de investimentos e melhoria da infra-estrutura: “EU

ACREDITEI!!!”.  Quando quiseram trazer a copa, eu achei que poderia ser uma excelente forma de usar bons quadros técnicos e fazer gestão pública de forma profissional e responsável, que as ferramentas e técnicas de gestão poderiam finalmente entrar de uma forma séria na esfera pública e, com uma pressão e vontade política de que as coisas saíssem efetivamente, que a experiência de seriedade pudesse depois se expandir e ser uma amostra para outras instâncias de gestão pública….  

Obviamente, tudo não passou de um sonho…

Mas “EU ACREDITEI”….

abraços, Ricardo Grings”

Grande Ricardo, seus comentários são sempre elementos enriquecedores da experiência deste podcast. Estou com você e não abro! Vamos mais adiante ainda na discussão que você propõe e neste incômodo “eu acreditei”.

Muito bem. O Ricardo Grings ganhou um kit de produtos DKT com a marca Prudence! O kit é composto de produtos distribuídos pela DKT, entre eles a mais completa linha de preservativos e géis lubrificantes do Brasil. A DKT apoia diversas iniciativas de prevenção e doenças sexualmente transmissíveis. E também ao planejamento familiar! Acesse www.facebook.com/dktbrasil e conheça mais a respeito.

Vamos lá então. Atenção: na hora do amor, use PRUDENCE.

Putz, tá ruim, né? É, mas tá ruim porque é raro: você ouviu Benito Mussolini falando em inglês! Deu pra entender a mensagem dele? Não ? Talvez você precise de um curso de inglês pelo Skype, no dia, hora e lugar que você quiser. Com um professor de carne e osso conduzindo a aula com base em acontecimentos do dia a dia, já pensou, hein? Isso existe! Conheça a LOI ENGLISH, veja os depoimentos dos brasileiros que estão aprendendo inglês com eles. Acesse. www.skypeenglishclasses.com. De novo www.skypeenglishclasses.com

Muito bem, vamos então ao tema de hoje. Durante a copa, somos bombardeados pela mídia falando dos convocados e do esquema de jogo.  Milhares de páginas e horas discutem o plano do treinador, as estratégias e táticas, as ameaças e oportunidades e os competidores. Chega uma hora que a gente não tem mais saco de tanta encheção de linguiça, não é?

Afinal, tem coisa mais importante que ganhar a copa?

Tem.

Lalá. Bota o Edvaldo Santana aí, por favor.

Enquanto a bola rola no campo, na campanha presidencial por exemplo, assistimos aos discursos, a propaganda televisiva e a lenga lenga de sempre de três ou quatro candidatos com chances de assumir a direção do Esporte Clube Brasil S.A. E o que a gente discute, hein?

Qual marqueteiro levaria vantagem, qual campanha televisiva seria a mais criativa, os novos ternos do candidato A, a antipatia do candidato B, o falatório do C, a mulher do B. Discutimos os acessórios. O principal, os programas, as propostas concretas para dar continuidade ao crescimento do país, ficam sempre em segundo plano.

Se discutíssemos a sucessão como discutimos a seleção, com certeza teríamos mais inteligência, valor e consequência. Mas parece que a seleção é mais importante, sempre mais importante que a sucessão.

Essa discussão vazia cria os analfabetos políticos, gente que se orgulha de dizer que não gosta de política, que não vai votar “nisso que está aí”, votando em branco ou anulando. Ou simplesmente não votando. Uma espécie de protesto burro, que coloca nas mãos de terceiros seu próprio destino.

E por falar em “analfabeto político”, deixe-me trazer mais uma vez um texto atribuído a Bertold Brecht. Aliás: a vida inteira eu soube que era de Brecht. Agora, já circula na internet um papo de que pode ser que não seja dele. Mas o texto é muito bom. Desculpe-me se você já leu ou ouviu este texto outras vezes, mas tem gente que também e vota e que nunca ouviu. Lá vai:

“O pior analfabeto é o analfabeto político. Ele não ouve, não fala e nem participa dos acontecimentos políticos. Ele não sabe que o custo de vida, o preço do feijão, do peixe, da farinha, do aluguel, do sapato e do remédio dependem das decisões políticas.

O analfabeto político é tão burro que se orgulha e estufa o peito dizendo que odeia a política. Não sabe o imbecil que da sua ignorância política nasce a prostituta, o menor abandonado e o pior de todos os bandidos que é o político vigarista, pilantra, o corrupto e lacaio dos exploradores do povo.”

Nada no mundo é igual
Edvaldo Santana

Você tá envenenada pela mina da novela
E pela cinderela que ainda mora com você
Reclama que cansou de partilhar a mortadela
E que ultimamente nada mais lhe dá prazer
Agora que a família não se mete mais em nada
E que meu novo disco pode até acontecer
Não há outra saída se não dar muita risada
Pra não deixar que a vida fique presa no HD
Ê …  nada no mundo é igual
E a loucura real tá no canal da solidão
Ê … nada de perto é normal
Nem um poder virtual pode garantir sua satisfação
A mídia passa o tempo  protegendo  sua tela
Que a mina da novela tá no seu computador
Dizendo que os meninos já não ficam mais com ela
E que tá tão difícil encontrar um grande amor
Agora que o mundo cabe inteiro numa cela
Com chip lap top mp carregador
A sua cabecinha pensa que você é ela
Na hora vem o filme da mulher que se matou

Opa! Faz tempo que eu não tocava o Edvaldo Santana aqui. Você está ouvindo NADA NO MUNDO É IGUAL.

Tenho notado no Brasil uma profunda ignorância sobre o que vem a ser política. Como faz com todos os problemas complexos, inclusive com o esquema tático da seleção, o brasileiro simplifica. Reduz política a troca de favores, a conchavos, a coisa de gente desonesta disposta a tirar vantagens pessoais…

E tudo passa a ser “sempre assim…” e vira piada. E quem vota sem analisar propostas, apenas interessado em benefícios imediatos ou no discurso “bonito” dos candidatos, é o que? É um semi analfabeto político!

Pois tenho uma má notícia. Nosso destino está nas mãos de alguns milhões de semi analfabetos políticos! Alguém duvida, hein?

Essa constatação me leva a uma súplica: que os meios de comunicação de massa que hoje discutem o acessório, iniciem um processo de alfabetização política. Ainda dá tempo, meu.

Em vez de falar da barba aparada do candidato A, falar de suas propostas. Em vez de falar do primo do candidato B, falar de sua receita para o Brasil voltar a crescer. Que tal analisar de forma objetiva e inteligível para a população, os planos dos próximos candidatos, hein? Explicar o que existe de bom e o que é lenga lenga? Dizer por quais razões não dá para praticar uma ruptura ou manter o modelo atual? Avaliar o currículo de cada candidato e suas possibilidades de cumprir as promessas? Avaliar quem são os prováveis ministros de cada candidato, quais suas ideias, hein?

Da mesma forma como fazemos com a seleção.

Essa comparação, se repetidamente feita, com linguagem simples e didática, prestará ao Brasil um serviço maior que os milhares de minutos e páginas gastos diariamente com superficialidades.

Quando a mídia de massa começar a tratar seus leitores e espectadores como algo mais que analfabetos políticos, começaremos a mudar este país. E talvez ganhemos algo mais importante que a copa.

Você está achando este texto familiar? Você acha que já ouviu ele antes? Acho que sim, viu. Esse texto faz parte de meu livro Brasileiros Pocotó, foi escrito 12 anos atrás, durante a Copa do Mundo de 2002.

Ah, que clássico! Você ouve BATIDA DIFERENTE, de Mauricio Einhorn e Durval Ferreira, aqui com Maurício.

Pois então, o tempo passa e parece que nada muda, não é? No texto do Ricardo Grings fica claro: não importa quem está no poder, as armas usadas são as mesmas! Lembra daquela frase: Poder é como violino, a gente segura com a esquerda e toca com a direita? Pois é…

Por isso é compreensível que as pessoas achem que os partidos são todos iguais. E se não há diferença entre eles, é claro que a censura do povo cairá indistintamente sobre todos eles.

Mas afinal, essa ideia de que todos são iguais, interessa a quem, hein?

Tratar os partidos como sendo todos iguais, esconde as diferenças reais entre eles.

Tratar o congresso como uma massa homogênea de picaretas, sem considerar as forças políticas a que pertencem, as posições que defendem e as propostas que apresentam, faz com que achemos que é tudo a mesma lerda.

Tratar os políticos como uma classe de privilegiados que defendem exclusivamente seus interesses pessoais, sem dar atenção às aspirações do povo que os elegeu, faz com que tudo continue a mesma lerda.

Tratar tudo como igual esconde o fato de que existem milhares de cidadãos que participam da vida política em diversos níveis, sem tirar dali benefícios pessoais. E aí vem o argumento: “Ah, mas não conheço nenhuma pessoa que seja político e honesta.”

É?

Você conhece alguma pessoa que seja assassina? Que seja ladrão de bancos? Você conhece uma pessoa que seja cientista nuclear? Conhece um astronauta? Conhece um piloto de provas de submarinos, hein? A maioria absoluta dos brasileiros responderá a essas perguntas com um “não”, não é? Pois é. Mas o fato de você não conhecer nenhum desses indivíduos, não quer dizer que eles não existam. Quer dizer que você ainda não encontrou nenhum deles. Quer dizer que você tem falta de conhecimento, sabedoria e instrução sobre esse tema.

E, com todo o respeito, o nome disso é ignorância.

Sabe de nada inocente
É o Tchan

Sua mulher saiu triste e voltou toda sorridente (sabe de nada, inocente)
Apareceu o primo de toalha bem na sua frente (sabe de nada, inocente)

Vai pro dentista todo dia
Quando você liga tá na casa das amigas
Na hora h sempre inventa um caô
Todo mundo sabe, só você não se tocou

Ta todo mundo comentando (acorda seu demente)
Deixar o pau comer na sua frente!

Sabe de nada, inocente
Tô te falando
Sabe de nada, inocente
Tá vacilando
Sabe de nada, inocente
Até de manhã ela tá no tchan

Ai meu Deus!!! Sair do Maurício Einhorn e ir pro Cumpadi Washington com o É o Tcham… a Ciça me mata, cara….Bom… vamos lá, vai…

A quem interessa, afinal, essa ideia de que todo político é igual? Evidentemente que apenas a quem controla esses políticos, a certos poderes aí que envolvem agentes econômicos.

O discurso sistemático contra os partidos, os políticos e as políticas em si é perverso. Serve na verdade para livrar a cara dos verdadeiros responsáveis pelo descrédito da política e dos políticos. E serve para neutralizar o voto de protesto que poderia ser usado contra eles. “Já que ninguém presta aí, vou me abster de votar”, sabe como é?

E assim os ratos – e seus donos – se perpetuam no poder.

Já o ataque sistemático aos partidos políticos – colocando todos no mesmo saco – flerta perigosamente com a contestação à democracia representativa, nos aproximando perigosamente da adoção de soluções antidemocráticas como soluções para os problemas que a democracia não consegue resolver. Não sei se você já recebeu aí o pedido de assinatura na convocação de um plebiscito pela reforma política, recebeu? O discurso é maravilhoso…mas quando você clica no link para ver quem está participando, encontra centenas de organizações antidemocráticas, gente que defende regimes de exceção assassinos, censura e repressão. Mas o discurso…

Uia! De novo no Café Brasil, UM CHORINHO DIFERENTE, de Yvone Rebelo e  El Gaúcho com Maurício Einhorn, Sebastião Tapajós, Gilson Peranzetta e Altamiro Carrilho…

Qualquer pessoa que se interessar em estudar um pouquinho de história verá que esse discurso da negação dos partidos e dos políticos não é novo. Nos anos vinte e trinta do século passado vivemos uma crise econômica sob direção de governos liberais e a partir do discurso de seus opositores, assistimos à ascensão de regimes fascistas na Europa, com os resultados que muitos conhecem, mas poucos se lembram. São lições da história muito importantes, para que as tragédias não se repitam.

Os escritos de ideólogos como Roberto Michels, do fascismo italiano e Carl Schmitt do nazismo alemão, estão repletos de críticas aos partidos políticos e justificativas à sua repressão e proibição. Eles conseguiram substituir os partidos e a democracia representativa por outra coisa e deu naquilo que muita gente sabe mas, de novo, pouca gente lembra.

Então vamos lá: num tempo em que cresce a contestação aos partidos que, alternando-se no poder, não conseguem resolver os problemas mais básicos da nação, a difusão da ideia de que partidos e políticos são todos iguais tem a intenção de isentar de responsabilidades os reais responsáveis pelas causas do descontentamento popular.

Entendeu? Eu vou repetir: a insistência de que todos os partidos e políticos são iguais só serve para isentar os incompetentes, desonestos e manipuladores.

Quando acreditamos nisso, nos conformamos de que sempre vai ser assim e partimos para aquele protesto de sempre: a abstenção. Não vou participar. Ou então vou votar num macaco. Ou num maluco com discurso anti partidário, mas com um papo de salvador da pátria.

Bote um coisa em sua cabeça: o que trouxe o Brasil para a posição na qual se encontra não foram os partidos. Não foi a democracia. Não foi o capitalismo. Foram pessoas. Gente, como eu e você. E pessoas não são todas iguais.

Por isso cuidado com o discurso que está aparecendo por aí, que coloca nas costas da democracia a culpa dos problemas. Se você está descontente com a democracia, lute para ter mais democracia e não menos.

Menos democracia significa colocar nas mãos de um salvador os destinos da nação. E a história mostra os resultados disso.

Di-ta-du-ra.

Muito bem. O que fazer então, hein? Participar, meu caro. Estudar os candidatos. Ouvir o que eles têm a dizer. Conhecer os programas dos partidos. Olhar com quem os candidatos andam. Pesquisar a história pregressa de cada um. Gostar de política!

Mas acima de tudo, eu repito: se você está descontente com a democracia que aí está, lute por mais democracia.

E acredite: mais democracia é tudo que eles não querem.

Essa moça tá diferente
Chico Buarque

Essa moça tá diferente
Já não me conhece mais
Está pra lá de pra frente
Está me passando pra trás
Essa moça tá decidida
A se supermodernizar
Ela só samba escondida
Que é pra ninguém reparar
Eu cultivo rosas e rimas
Achando que é muito bom
Ela me olha de cima
E vai desinventar o som
Faço-lhe um concerto de flauta
E não lhe desperto emoção
Ela quer ver o astronauta
Descer na televisão
Mas o tempo vai
Mas o tempo vem
Ela me desfaz
Mas o que é que tem
Que ela só me guarda despeito
Que ela só me guarda desdém
Mas o tempo vai
Mas o tempo vem
Ela me desfaz
Mas o que é que tem
Se do lado esquerdo do peito
No fundo, ela ainda me quer bem

Essa moça tá diferente
Já não me conhece mais
Está pra lá de pra frente
Está me passando pra trás

Essa moça é a tal da janela
Que eu me cansei de cantar
E agora está só na dela
Botando só pra quebrar

Mas o tempo vai
Mas o tempo vem
Ela me desfaz
Mas o que é que tem
Que ela só me guarda despeito
Que ela só me guarda desdém
Mas o tempo vai
Mas o tempo vem
Ela me desfaz
Mas o que é que tem
Se do lado esquerdo do peito
No fundo, ela ainda me quer bem

Essa moça…

E é assim então, ao som delicioso de Tita Lima com ESSA MOÇA TÁ DIFERENTE de Chico Buarque que este Café Brasil que ainda acredit, vai saindo no balanço.

Com o democrático Lalá Moreira na técnica, a revolucionária Ciça Camargo na produção e eu, este súdito que vos fala, Luciano Pires na direção e apresentação.

Estiveram conosco Ricardo Grings, Edvaldo Santana, Maurício Einhorn, Sebastião Tapajós, Gilson Peranzetta e Altamiro Carrilho, Tita Lima, É o Tchan e… Benito Mussolini, pode, hein?

E sempre lembrando: dê uma passada pela página da Pellegrino no Facebook. A Pellegrino é uma das maiores distribuidoras de auto e moto peças do Brasil, em sua página distribui conhecimento sobre carreira, gerenciamento, comunicação e outros temas legais, que tem tudo a ver com produtividade. Acesse www.facebook.com/pellegrinodistribuidora e experimente.

Pellegrino distribuidora. Conte com a nossa gente.

Este é o Café Brasil, que chega a você com o apoio do Itaú Cultural e do Auditório Ibirapuera.

E de onde veio este programa tem muito mais. Visite para ler artigos, para acessar o conteúdo deste podcast, visitar nossa lojinha… www.portalcafebrasil.com.br.

Pra terminar, uma frase do filósofo alemão Friedrich Nietzsche:

O político é aquele que divide os seres humanos em duas classes: instrumentos e inimigos.