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343 – A escala de Allport

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Luciano Pires -
Gratuito!
27,9 MB

Bom dia. Boa tarde, boa noite. Em outubro de 2011 fizemos uns programas tratando do tema “tolerância”. De lá para cá muita coisa aconteceu e o tema merece mais uma olhada. Eu diria que estamos piorando rapidamente nossos níveis de intolerância. O problema é que cresce a intolerância seletiva, aquela que é usada como ferramenta de manobra na direção de projetos de poder. Um tipo de intolerância que serve a certos objetivos… Bem, vamos nessa tocada hoje.

Pra começar, uma frase de Mahatma Gandhi:

A lei de ouro do comportamento é a tolerância mútua, já que nunca pensaremos todos da mesma maneira, já que nunca veremos senão uma parte da verdade e sob ângulos diversos.

Este programa chega até você com o auxílio luxuoso de quem sabe que é na arte que o homem se encontra. Ou se perde. Mas jamais fica parado… Itaú Cultural. www.itaucultural.com.br. Acesse o site e veja a quantidade de programas culturais que o Itaú promove. Estão à sua disposição.

[showhide title=”Continue lendo o roteiro” template=”rounded-box” changetitle=”Fechar o roteiro” closeonclick=true]

E o exemplar de meu livro NÓIS…QUI INVERTEMO AS COISA da semana vai para o Gilberto, o Giba, que comentou assim o programa TOLERÂNCIA E RESPEITO:

“Olá Luciano. Em primeiro lugar, parabéns pela escolha das trilhas sonoras dos podcasts, são impecáveis. E em relação ao tema, o pior entrave a meu ver, é o desprezo pela história.

As pessoas julgam tudo pelo que presenciam na atualidade e não tem o cuidado de pesquisar os resultados que situações semelhantes tiveram em outras épocas da humanidade.

Há bem pouco tempo, o presidente estadunidense Barack Obama disse que embora seja cristão, tem consciência que a lei deve ser seguida e citou que se os ouvintes ali presentes, presenciassem um pai em vias de sacrificar um filho a Deus, como está na bíblia, chamariam a polícia.

O que o presidente disse é lógico e correto, porém vi muitas manifestações dizendo que ele estava errado, pois colocou as leis acima da religião. Mas as pessoas que criticaram, o fizeram com a emoção e não com a razão. Acho muito perigoso colocar a emoção acima da razão e é exatamente este comportamento que traz o maior número de atos de intolerância.

E agora com esta moda de politicamente correto, a situação ficou ainda mais perigosa. Eu por exemplo não sei mais como chamar a “Banda do Zé Pretinho” que acompanha Jorge Ben Jor em suas apresentações.

Você tem alguma sugestão? Um grande abraço”

Hummmm….deixa ver…. A Banda do Afro Descendentezinho? Que tal, hein? É Giba, não tá fácil.

Vamos tratar de tolerância e intolerância hoje. O Giba ganhou um livro, pois comentou um de nossos programas. E olha que legal: ele comentou um programa que foi ao ar há quase um ano e meio. Tá pensando o quê? A gente aqui tem boa memória…

E então, vamos ganhar um iPad? Pra concorrer a um, entre em www.facebook.com/componentesnakata (Nakata sempre com k). Essa é a página da Nakata, a marca de segurança para quem quer componentes de direção e suspensão para seus veículos. Clique no link da promoção. No final do mês você concorre a um iPad! Se ganhar, a sua vida vai mudar.

Arriscado é não usar Nakata. Exija a tecnologia original líder em componentes de suspensão.

Tudo azul. Tudo Nakata.

Ilha de Cuba
Luiz Melodia

Ao som da maraca
Do tambor do bambu
Ao som da maraca
Do tambor do bambu
Eu vou pra ilha de Cuba
Eu vou pra ilha de Cuba
Eu vou numa caravela
A velha Santa Maria
Oue passa domingo de noite
Pelo Rio de Janeiro
Que passa domingo de noite
Pelo Rio de Janeiro
Se você quiser também
Entre na embarcação
E vamos sorrindo pro mundo
Na velha Santa Maria
E vamos sorrindo pro mundo
Na velha Santa Maria
É que ao som da maraca
E do tal tamborim
Eu vou pra ilha de Cuba

Opa! Luiz Melodia com Ilha de Cuba, de Papa Kid. Saca só balanço disso….

Liberdade de pensamento quer dizer muito pouco se não for acompanhada pela liberdade de expressão, que é uma coisa muito diferente. Ninguém muda o mundo só com pensamentos, eles precisam ser expostos, compartilhados, discutidos e colocados em ação. E é aí que começam os problemas da intolerância.

Você certamente acompanhou a visita da jornalista cubana Yoani Sánchez ao Brasil em fevereiro de 2013, não foi? E talvez tenha ficado indignado ao ver grupos de manifestantes impedindo, aos gritos e ameaças, que a cubana fizesse aquilo que veio fazer aqui: falar sobre o regime cubano. É evidente que as demonstrações foram orquestradas, com transporte, cachê e lanchinho para os manifestantes, que nem mesmo sabiam o nome da moça. Para quem comandou os trogloditas, Yoani não pode manifestar seu pensamento. Ela tem que ser calada.

Estamos, ao menos nós que vivemos em sociedades que podem ser consideradas democráticas, tão acostumados com a liberdade de pensamento e expressão que nos esquecemos que, para chegar até este ponto, muito sangue correu. Foram séculos e séculos persuadindo os poderosos de que manifestar uma opinião – e discuti-la livremente – era uma boa coisa. E muitos países conseguiram ser bem sucedidos no exercício dessa, dessa… atenção, agora vou marinar…, no exercício dessa “pluralidade”.

Cuba
Tino Augusto Dj

 Cuba, que linda es…

Cuba que linda es Cuba
Cuba que bella es
Quien no ha visto paises de Cuba
No sabe el tesoro que pierde de ver
Cuba que bella es Cuba
Cuba que bella es
Quien no ha visto paises de CUba
No sabe el tesoro que pierde de ver
La Habana, la Isla y Pinar del Rìo
Con verdes llanuras allà en Camaguey
Montañas de oriente que besan al sol
Cuba es un primor
Cuba es un primor

Uau!!! Agora é CUBA, com o italiano Agostino Carollo, mais conhecido como DJ Tino Augusto. Vocal de Maria Basta e um balanço irresistível…

Vamos lá então. Sem me importar em concordar ou não com as ideias da cubana, acho que o grande mérito da visita de Yoani Sánchez ao Brasil foi escancarar o perigo dos intolerantes que andam entre nós e que são de dois tipos.

Primeiro as marionetes, que a gente saca logo de cara. Alugam a mente e o corpo para quem pagar mais. Estão sempre irritados, gritam, ameaçam, apelam para a violência e se orgulham de sua ignorância e estupidez. Esses ogros têm que ser tratados de igual para igual, pois querem calar sua boca na porrada.

Mas os mais perigosos são os do segundo tipo, os que manipulam as marionetes: os de fala mansa, simpáticos, repletos de boas intenções, argumentos pomposos e propostas para salvar a humanidade.

Parecem santos. Intolerantes, mais que sua boca, querem calar a sua mente.

Não deixe.

Uau de novo! Esse é o Baião Cubano com o grupo pernambucano A TROMBONADA. Rapaz, você já reparou na quantidade de gente interessante que vem lá de Pernambuco para enriquecer nossa música? Tenho que dar uma investigada o que anda acontecendo por lá…

E no embalo da visita de Yoani Sanchéz, encontrei no livro NA NUVEM, de autoria do advogado gaucho Leo Lolovitch, publicado em www.olivronanuvem.com.br um texto chamado “Uma mulher importante, mas…” que vem a calhar. Olha só:

Em julho de 2008 esteve em Porto Alegre a escritora Ayaan Hirsi Ali, nascida na Somália, perseguida e ameaçada, por ter denunciado os horrores do fundamentalismo islâmico em relação às mulheres.

Entre outras coisas há os que mutilam as meninas extirpando o clitóris e não é preciso dizer muito mais. O cineasta que divulgou sua luta ao dirigir o filme SUBMISSÃO, cujo roteiro ela escreveu, foi assassinado na Holanda e ela está jurada de morte, andando sempre com esquema de segurança pessoal.

É uma mulher importante do nosso tempo. Ela teve a coragem de defender mulheres submetidas a estes bárbaros preconceitos e sofrimentos, portanto seria justo receber manifestações de solidariedade de outras mulheres que têm o privilégio de desfrutar de plena liberdade.  

Ayaan Hirsi Ali é um modelo de luta contra a intolerância. E sua vida corre risco por causa da intolerância.

Porto Alegre tinha, quando da visita de Ayaan, vários candidatos a prefeito, entre eles três mulheres: Luciana Genro do PSOL/PV, Manuela D´Ávila do PC do B e Maria do Rosário do PT. Todos eles e, especialmente as candidatas, silenciaram sobre sua presença entre nós e tampouco se solidarizaram com ela. Ayaan Ali não é – de esquerda -, nem da turma do Fórum Mundial, é apenas uma vítima do fundamentalismo.

Por ocasião do atentado de 11 de setembro houve quem dissesse não aprová-lo, mas… Exatamente aí, é esse – mas – que libera geral, que permite tudo: – mas – o Bush… – mas – o imperialismo… e por aí vai. Assim o Bin Laden e a Al Qaeda foram relativizados, coloca-se um – mas – e vale tudo.

Por essas e outras que a sofrida mulher africana foi esquecida pelos adeptos do -mas -, enquanto seus algozes radicais e terroristas de todo gênero ganharam um generoso – mas -, para que seus atos sejam tolerados. Nada pode ser mais reacionário que o fundamentalismo.

Não faz muito tempo, quando se dizia que alguém era – de direita – e -reacionário -, significava ser contra os avanços sociais e científicos, enfim, o conservador empedernido inimigo do progresso. Passaram-se os anos, terminou a ditadura, caíram o muro de Berlim e o comunismo e, no Brasil, vivemos a democracia plena. Os conceitos de direita e esquerda ficaram superados e mudaram muito no campo ideológico, deixaram de ser um referencial, talvez sirvam ainda como indicação de sinais de trânsito.

Hoje muitos dos reacionários são jovens e também mulheres, que pena. Os talibãs também são jovens. Seria bom que nossa juventude lesse sobre a Ayaan e seus livros, usasse o Google. Não basta andar de roupa e cabelo moderno, o importante é não deixar o cérebro enclausurado numa burca.

Y tu que has hecho
Buena Vista Social Club

En el tronco de un árbol una niña
grabó su nombre enchida de placer

Y el árbol conmovido allá en su seno
A la niña una flor dejó caer.

Yo soy el árbol conmovido y triste

tu eres la niña que mi tronco hirió

yo guardo siempre tu querido nombre

y tú , que has hecho de mi pobre flor?

Ah…mas que delicia… Este é o BUENA VISTA SOCIAL CLUB com Y TÚ QUE HAS ECHO? Traduzindo: e você, o que fez?

Pois é… Porque será que Ayaan Hirsi Ali e Yoani Sanchéz tiveram tratamentos tão diferentes? Ayaan, que luta pela liberdade das mulheres não só na Somália, mas no mundo, sendo ignorada. E Yoani, que luta contra o regime ditatorial cubano, sendo calada? É de se pensar…

Ayann defende as liberdades individuais, quer que as pessoas sejam donas de seus destinos, combate os fundamentalistas políticos ou religiosos. E Yoani Sanchez, defende o que mesmo?

A luta das duas é a mesma. Mas Yoani é interpretada conforme o viés político e ideológico de quem a ouve. E se quem a ouve, não pensa como ela e faz parte daquele rebanho de homens médios, joga ovo, xinga, grita e ameaça quebrar tudo. A menos que ela cale a boca… E depois dizem que isso é manifestação democrática.

Um desses me contestou, dizendo que a própria Yoani disse que gostou de ver as manifestações democráticas no Brasil. Lalá, por favor…

Muito bem. O psicólogo norte americano Gordon Allport escreveu em 1954 um livro chamado THE NATURE OF PREJUDICE, A Natureza do Preconceito, em que apresentou sua Escala de preconceito e discriminação, um interessante instrumento para determinar o grau de intolerância das sociedades. A escala passou a ser conhecida como Escala de Allport. Escute o que vou falar daqui para a frente, aplicando aos fatos que você tem visto por aqui…

A Escala de Allport vai de 1 a 5.

O Nível 1 – Antilocução

Antilocução significa um grupo majoritário fazendo piadas abertamente sobre um grupo minoritário. A fala se dá em termos de estereótipos negativos e imagens negativas. Isto também é chamado de incitamento ao ódio. É geralmente vista como inofensiva pela maioria. A antilocução por si mesma pode não ser danosa, mas estabelece o cenário para erupções mais sérias de preconceito. Por exemplo, piadas sobre portugueses (no Brasil), brasileiros (em Portugal), negros, gays etc.

A escala então sobe para o nível 2 – esquiva

O contato com as pessoas do grupo minoritário passa a ser ativamente evitado pelos membros do grupo majoritário. Pode não se pretender fazer mal diretamente, mas o mal é feito através do isolamento.

Chegamos então ao nível 3 – discriminação

O grupo minoritário é discriminado tendo negadas oportunidades e serviços e acrescentando preconceito à ação. Os comportamentos têm por objetivo específico prejudicar o grupo minoritário impedindo-o de atingir seus objetivos, obter educação ou empregos etc. O grupo majoritário está tentando ativamente prejudicar o minoritário.

No nível 4 chegamos ao ataque físico

O grupo majoritário vandaliza as propriedades e obras do grupo minoritário. Queimam propriedades e desempenham ataques violentos contra indivíduos e grupos. Danos físicos são perpetrados contra os membros do grupo minoritário. Por exemplo, linchamento de negros nos Estados Unidos, ataques contra os judeus na Europa, e a aplicação de piche e penas em mórmons nos EUA nos anos 1800. Mais recentemente, o ataque a cristãos nos países islâmicos.

E chegamos ao nível 5 – extermínio

O grupo majoritário busca a exterminação do grupo minoritário. Eles tentam liquidar todo um grupo de pessoas (por exemplo, a população dos índios norte-americanos, a solução final para o problema judeu, a limpeza étnica na Bósnia etc).

A Escala de Allport tem cinco níveis, que vão se sucedendo, tudo começando com piadinhas inocentes que a gente ouve aqui e ali.

Bem, aí ao fundo você ouve BUENA VISTA SOCIAL CLUB, com eles mesmos…

E aí, hein?  Eu sei que é óbvio, mas não tenho como não repetir aqui um trecho do poema NO CAMINHO DE MAIAKÓVISKI, de Eduardo Alves da Costa…

Na primeira noite eles se aproximam
e roubam uma flor
do nosso jardim.
E não dizemos nada.
Na segunda noite, já não se escondem
pisam as flores,
matam nosso cão,
e não dizemos nada.
Até que um dia,
o mais frágil deles
entra sozinho em nossa casa,
rouba-nos a luz, e,
conhecendo nosso medo,
arranca-nos a voz da garganta.
E já não podemos dizer nada.

Cálice
Chico Buarque
Gilberto Gil

Pai! Afasta de mim esse cálice
Pai! Afasta de mim esse cálice
Pai! Afasta de mim esse cálice
De vinho tinto de sangue

Pai! Afasta de mim esse cálice
Pai! Afasta de mim esse cálice
Pai! Afasta de mim esse cálice
De vinho tinto de sangue

Como beber dessa bebida amarga
Tragar a dor e engolir a labuta?
Mesmo calada a boca resta o peito
Silêncio na cidade não se escuta
De que me vale ser filho da santa?
Melhor seria ser filho da outra
Outra realidade menos morta
Tanta mentira, tanta força bruta

Pai! Afasta de mim esse cálice
Pai! Afasta de mim esse cálice
Pai! Afasta de mim esse cálice
De vinho tinto de sangue

Como é difícil acordar calado
Se na calada da noite eu me dano
Quero lançar um grito desumano
Que é uma maneira de ser escutado
Esse silêncio todo me atordoa
Atordoado eu permaneço atento
Na arquibancada, prá a qualquer momento
Ver emergir o monstro da lagoa

Pai! Afasta de mim esse cálice
Pai! Afasta de mim esse cálice
Pai! Afasta de mim esse cálice
De vinho tinto de sangue

De muito gorda a porca já não anda (Cálice!)
De muito usada a faca já não corta
Como é difícil, Pai, abrir a porta (Cálice!)
Essa palavra presa na garganta
Esse pileque homérico no mundo
De que adianta ter boa vontade?
Mesmo calado o peito resta a cuca
Dos bêbados do centro da cidade

Pai! Afasta de mim esse cálice
Pai! Afasta de mim esse cálice
Pai! Afasta de mim esse cálice
De vinho tinto de sangue

Talvez o mundo não seja pequeno (Cale-se!)
Nem seja a vida um fato consumado (Cale-se!)
Quero inventar o meu próprio pecado (Cale-se!)
Quero morrer do meu próprio veneno (Pai! Cale-se!)
Quero perder de vez tua cabeça! (Cale-se!)
Minha cabeça perder teu juízo. (Cale-se!)
Quero cheirar fumaça de óleo diesel (Cale-se!)
Me embriagar até que alguém me esqueça (Cale-se!)

Hummmm…. Um clássico…de um jeito que acho que você não tinha ouvido ainda. Esse é o Chico César com CÁLICE, de Chico Buarque e Gilberto Gil. Tratando, sabe do que? De intolerância.

Sacou a Escala de Allport? Por isso é tão importante combater no nascimento as manifestações de intolerância, por mais modestas que sejam. É assim, de mansinho, que eles vão te calar.

Como sempre, outro tema que dá pano pra manga… mas a gente vai retomando de quando em quando.

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No me vayas a engañar
Osvaldo Farrés

No me vayas a engañar
di la verdad, di lo justo
a lo mejor yo te gusto .
y quizás es bien para los dos.

No me vayas a decir
que no te has dado ni cuenta
no digas lo que no sientas de mí
no siendo la verdad.

Soy tu refugio de amor
mis besos yo te daré
haré lo que quieras tú
mi dulce querer.

É assim então, ao som da cubana Omara Portuondo com NO ME VAYAS A ENGAÑAR de Osvaldo Farrés,  que este Café Brasil que é intolerante na defesa da tolerância, vai saindo de mansinho.

Com o tolerante Lalá Moreira na técnica, esse monumento à tolerância que é a Ciça Camargo na produção e eu, que tive uma flor roubada do jardim, Luciano Pires na direção e apresentação.
Estiveram conosco o ouvinte Giba, Luiz Melodia, Tino Augusto, A Trombonada, Buena Vista Social Club e Omara Portuondo. Ah sim e Chico César. Gostou?

Este programa tem o apoio do Auditório Ibirapuera, um lugar criado para disseminar o trabalho de uma porção de gente que faz da arte o seu meio de expressão. Nada mais nobre, não é? Acesse o www.auditorioibirapuera.com.br e dê uma olhada na programação. Você conhecerá centenas de pessoas que estão fora das grande redes de televisão, jornais e revistas, mas que constroem suas vidas oferecendo à sociedade arte e cultura.
Este é o Café Brasil. De onde vem, tem muito mais. www.portalcafebrasil.com.br

Pra terminar, uma frase do Dalai Lama:

Aprimorar a paciência requer alguém que nos faça mal e nos permita praticar a tolerância.

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