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341 – Pancadão é cultura?

341 – Pancadão é cultura?

Luciano Pires -
Gratuito!
23,7 MB

Bom dia, boa tarde, boa noite. A gente vive ouvindo e eu vivo repetindo, que é preciso abrir a cabeça para a cultura. Que o consumo de bens culturais é imprescindível para quem quer crescer. E o governo acaba de aprovar a criação do Vale Cultura. Será que agora vai, hein? Mas o que é cultura? Vale tudo, ou deve haver uma seleção entre a alta cultura e a baixa cultura? Aliás, essa diferenciação existe? Vamos nessa praia hoje.

E pra começar uma frase do militar inglês Lord Raglan:

Cultura é grosseiramente qualquer coisa que nós fazemos e os macacos não fazem.

Este programa chega até você com o apoio do Itaú Cultural, que sabe muito bem que recebe retorno de seu público na medida da qualidade dos programas culturais que patrocina. Pra você ter uma ideia da riqueza que o Itaú Cultural proporciona, acesse www.itaucultural.org.br e clique, por exemplo, no link ENCICLOPÉDIAS. Um mundo fantástico ao alcance de um clique…

[showhide title=”Continue lendo o roteiro” template=”rounded-box” changetitle=”Fechar o roteiro” closeonclick=true]

E o exemplar de meu livro DIÁRIO DE UM LÍDER da semana vai para um ouvinte que já ganhou o NÓIS num outro programa . É o Jota Fagner, que comentou assim o programa SEGUNDAS INTENÇÕES:

“Se bem entendi a crítica se baseia no fato de você ter motivos egoístas a respeito da produção do seu programa, não é isso?

Como você lucra com o investimento que faz, está sendo egoísta e desta forma todo o seu esforço perde o valor.

É impossível não citar aqui a análise dessas questões feitas pela Ayn Rand:

O “egoísmo”etimologicamente significa preocupação com nossos próprios interesses. O termo “egoísmo” não tem nenhuma conotação, positiva ou negativa não diz se os interesses são bons ou maus ou quais são. Cabe à ética responder a esse tipo de questão.

A ética altruísta responde que a preocupação com nosso próprio interesse é nociva só tem valor moral uma ação praticada em benefício dos outros. Em lugar de perguntar: “O que são valores?”, o altruísta pergunta: “Quem deve se beneficiar dos valores?” – tornando o beneficiário da ação o único critério de valor moral.

Tem o mesmo valor, por exemplo, o dinheiro ganho com o trabalho ou com um roubo – ambos são imorais porque o beneficiário é um “egoísta”.
Essa ética é trágica, porque não nos fornece um código de valores morais e nos deixa sem diretrizes morais. Essa falta de diretrizes tem levado a maioria das pessoas a desperdiçar suas vidas entre o cinismo e a culpa – cinismo, por não praticarem a ética altruísta e culpa, por não se atreverem a rejeitar essa ética.

O que fazer? O primeiro passo é defender o direito do homem a uma existência moral racional – ou seja, a um código moral que sirva para definir os interesses e valores adequados à vida que mostre que é moral preocupar-se com os próprios interesses e que afirme o direito das pessoas de se beneficiarem de seus próprios atos morais.

Se isso beneficia a outros, melhor ainda.”

É… grande reflexão caro Jota. Deixa uma pulguinha atrás da orelha, do jeitinho que gente adora fazer aqui no Café Brasil. O Jota ganhou mais um livro, porque deu mais conteúdo para o programa.

E a promoção da Nakata, a marca dos componentes de suspensão, direção e freios para seu carro, hein? Basta que você acesse a página da Nakata no facebook: www.facebook.com/componentesnakata, Nakata sempre com K e clique no post da promoção. É fácil participar e você concorre a um dos iPads que ainda serão presenteados nos próximos meses.

Arriscado é não usar Nakata. Exija a tecnologia original líder em componentes de suspensão. Tudo azul. Tudo Nakata.

Já que o tema é cultura, que tal começar o programa com um pancadão? Mas este é diferente… é o Fred Menendez que, junto com seu filho, mandam um funk pancadão na guitarra baiana. Rererere…Café Brasil, né? Assustou, é?

Segundo a Constituição Federal (Art. 215) compete ao Estado garantir a todos o pleno exercício dos direitos culturais e acesso às fontes da cultura nacional, apoiar e incentivar a valorização e a difusão das manifestações culturais, através da democratização do acesso aos bens de cultura. Bonito, né?

Já estamos cansados de saber do problema da falta de leitura no Brasil, não é? O mercado editorial que produz livros caros, distribui mal e porcamente para poucas livrarias… Mas tem mais.

Apenas 13% dos brasileiros vão ao cinema pelo menos uma vez por ano mais de 92% nunca foram a um museu ou exposição de arte e 78% nunca assistiram a um espetáculo de dança. Mais de 90% dos municípios brasileiros não possuem salas de cinema, teatro, museus ou espaços culturais multiuso e 73% dos livros estão concentrados nas mãos de apenas 16% da população.

Esses dados são da UNESCO, do IBGE, do Ministério da Cultura e do IPEA. O Brasil, que já teve cerca de 6.000 salas de cinema, atualmente são pouco mais de 2000 salas concentradas em áreas de maior poder aquisitivo.

Vela Aberta
Walter Franco

Lá vai uma vela aberta
Se afastando pelo mar
Branca visão que desperta
Anseios de navegar
Meus olhos seguem a vela
Pela vastidão do mar
Ainda se torna mais bela
Na expressão do teu olhar
Expressão vaga e perdida
Que eu nem sei como explicar
Nela vejo refletida
Toda beleza do mar
Quero os horizontes novos
Que ele vai me ofertar
Sou irmão dos outros povos
Que estão para além do mar

Que tal VELA ABERTA, o sucesso de um maluco chamado Walter Franco mais de 30 anos atrás? Pense em sua mente como uma vela… aberta…

Portanto, há que se pensar em facilitar o acesso à cultura. Agora mesmo estamos comemorando a criação do Vale Cultura, que pretende dar a cada cidadão que ganhe até 5 salários mínimos, 50 reais por mês para serem consumidos em bens culturais. Isso dá 600 reais por ano para cada pessoa gastar com cultura.

O vale será um cartão eletrônico, não poderá ser trocado pro dinheiro, apenas aplicado em bens culturais. Calcula-se que o governo aplicará 7 bilhões de reais por ano no vale cultura. É uma enxurrada de dinheiro. E aí vem a pergunta: o que é que o governo considera cultura? A Ministra já avisou que o vale poderá ser aplicado em assinatura de TV paga. Assinar o pay-per-view do Big Brother Brasil é cultura?

Pancadão ou Sertanejo?
Latino

O sertanejo faz o povo levantar
O pancadão faz a galera balançar
O sertanejo faz o povo levantar
O pancadão faz a galera balançar

André e Adriano faz a galera gritar
No mexe mexe com a Dança do Lalá
André e Adriano faz a galera gritar
No mexe mexe com a Dança do Lalá

A gente pula, a gente zoa no rodeio
Faz a terra toda tremer

Então vem dançar, vem dançar no pancadão
Bate na palma da mão,
Que eu vou fazer você mexer

Ah se mexer com ele, aí você mexeu comigo
Menina eu sou perigo
Tenho dom de apaixonar

Se apaixone por eles,
Menina “cê” vai perder
Tudo que eu sei fazer
Eu não vou poder te ensinar

Deixa que eu te ensino,
O balanço do sertanejo
Gatinha o nosso beijo
Te deixa balangandan

Vira pra lá, vira pra cá,
Você é quem sabe
Nós vamos fazer a festa
Até amanhã de manhã

O sertanejo faz o povo levantar
O pancadão faz a galera balançar
O sertanejo faz o povo levantar
O pancadão faz a galera balançar

E nessa festa
Alegria, não pode parar
Parou por quê? Por que parou?
O sertanejo pancadão, é paz e amor
Nessa brincadeira, eu vou que vou eu vou eu vou,
Eu sei que vou

A gente pula, a gente zoa no rodeio
Faz a terra toda tremer

Então vem dançar, vem dançar no pancadão
Bate na palma da mão,
Que eu vou fazer você mexer

Ah se mexer com ele, aí você mexeu comigo
Menina eu sou perigo
Tenho dom de apaixonar

Se apaixone por eles,
Menina “cê” vai perder
Tudo que eu sei fazer
Eu não vou poder te ensinar

Deixa que eu te ensino,
O balanço do sertanejo
Gatinha o nosso beijo
Te deixa balangandan

Vira pra lá, vira pra cá,
Você que sabe
Nós vamos fazer a festa
Até amanhã de manhã

O sertanejo faz o povo levantar
O pancadão faz a galera balançar
O sertanejo faz o povo levantar
O pancadão faz a galera balançar

André e Adriano faz a galera gritar
No mexe mexe com a Dança do Lalá
André e Adriano faz a galera gritar
No mexe mexe com a dança do “Mexe com o Lalá”

E nessa festa
Alegria, não pode parar
Parou por quê? Por que parou?
O sertanejo pancadão, é paz e amor
Nessa brincadeira, eu vou que vou eu vou eu vou,
Eu sei que vou

O sertanejo faz o povo levantar
O pancadão faz a galera balançar
O sertanejo faz o povo levantar
O pancadão faz a galera balançar

Não importa se é pancadão ou sertanejo, o importante é ser feliz…

Que beleza! Você está ouvindo PANCADÃO OU SERTANEJO, com Latino e André e Adriano…A dança do Lalá… Acredite…isso também é cultura…

Mas afinal de contas, o que é cultura? TV por assinatura é cultura? Novela é cultura? Sertanejo universitário e pagode de acrílico é cultura? Ou só um espetáculo de dança ou um concerto de ópera podem ser considerados cultura?

Segundo o antropólogo inglês Edward Burnett Tylor, que desenvolveu a ideia do evolucionistmo social, “Cultura, ou civilização, no sentido mais amplo, etnográfico, é um todo complexo que inclui o conhecimento, os credos, as artes, a moral, as leis, os costumes e quaisquer outros comportamentos e hábitos adquiridos pelo homem enquanto membro de uma sociedade.” Tudo aquilo que o macaco não faz…

Tylor assegura que todos os homens, seja um esquimó no Alaska, um nômade no Saara, um executivo em Wall Street ou a dona Maria do Acarajé em Salvador, tem a mesma quantidade de inteligência. O que os torna diferentes é a educação… Sempre ela.

A cultura portanto, é o resultado da inteligência humana e um mecanismo cumulativo. As modificações implementadas por uma geração passam à geração seguinte, fazendo com que a cultura transforme-se, perdendo e incorporando aspectos mais adequados à sobrevivência, reduzindo o esforço das novas gerações.

Nenhuma definição de cultura diz que existe uma cultura boa e outra ruim. A cultura é a manifestação da inteligência humana, ponto. Michel Teló e o Psy, só para ficar nos mais recentes, produziram obras que foram reproduzidas pelo mundo afora e avidamente consumidas por milhões de pessoas.

Você pode detestar, mas o que eles produziram é cultura

Minha Cultura (hip hop)
Nitro G
A.Ricoi

Com bocas e batidas ao mesmo tempo, Parecendo imitando um ao outro e outro um O discurso começa sem problema nenhum Palavras vão saindo e bate no coração Rimas sem espaço certo com a mente vidrada em cima da justiça com essa grande espada, Sem precisar ser G.O.G( Gangster, original gangster) Aqui não existe essa aí,se é esperto e tem cabeça no lugar com um pouco de Hip Hop pra poder ajudar, Nunca virando pirata, mano chegado não falha Não somos fãs de canalhas… Por onde passo, Minha língua irada,bisturi navalha… Mas esse é o som, palavra mágica pra pode ajudar a se livrar das guerras, de roubo esperto ou de crimeextremo que pode ser herança de tela de cinema ou de avós ou de pais que não tiveram a sorte nem oportunidade De escutar HipHop…

Hip Hop criado na rua, essa é minha cultura… rimando com apalavra certa, falando a verdade aberta Pode acreditar…

Estamos vindo aqui do sul Pra falar de Hip Hop Nosso jeito de ser- Preocupação não é IBOPE É a idéia que somos, é um dia após o outro É morrer… e renascer de novo Com moral, analisando um contexto geral Para alguns, pode até – parecer normal Não qualquer merda que pinta por aí Isso é filosofia – Qualquer pilha- Diz aí?! Como é que tu quer Procurar informação, eu te digo meu irmão Tamo aqui, pra falar qual que é a desse som, Porque Tem muita gente de olho nessa comunicação, que lição Não somos solução Mas como escutar música é normal pra uma nação, De uma mistura esta aí A nossa forma de expressão Nos chamem do quequiser, porém hip hop é isso É limpo, é consciente – É disso que eu preciso…

Hip Hop criado na rua, essa é minha cultura… rimando com apalavra certa, falando a verdade aberta Pode acreditar…

Aonde tiver uma mente o som vai chegar lá Por cima, pelo lado, por de baixo da terra se precisar Seja preto ou branco, o que importa é lutar Eu tô aqui pra mostrar o meu Dom Preste atenção no som, que é feito com vontade Por gente que conhece a rua E quer botar na cabeça de todos E também da tua Te liga não ficafora dessa, Mesmo que todos digam que tu não presta Mas esse é o som Eu sou do Partenon E minha rima é fatal, normal… Você conhece meu nome – Negro X e tal, Negro X e tal

Hip hop na cabeça uma idéia nacional O grafite, o break- umestilo cultural Vem na paz meu irmão, prega a união Uma rima umbeat um papo de irmão Agora pra vocês Dj Deeley chama o refrão

Hip Hop criado na rua, essa é minha cultura… rimando com apalavra certa, falando a verdade aberta Pode acreditar…

É mole? Hip Hop no Café Brasil! Essa é MINHA CULTURA, com o grupo gaúcho Da Guedes, que está completando 20 anos de estrada, participação mais do que especial de Paula Lima.

Alguma dúvida de que hip hop é cultura?

Fascinante essa discussão, não é? Vai render mais programas….

Opa… Vamos NEM LUXO NEM LIXO da Rita Lee, com o Divina Caffe? Muito apropriado….

Então. Existem sim culturas diferentes. E há quem as classifique entre alta cultura e baixa cultura. Isso me incomoda um pouco, pois essa classificação de baixa e alta já embute um julgamento de valor que eu acho que reduz a discussão. Mas para efeito de melhor entendimento vou usar essa classificação ao longo do programa, ok? Vamos ver como é que eu, Luciano Pires, entendo a questão.

Para mim a diferença entre os vários graus da cultura se resume a dois pontos: o conteúdo presente no objeto cultural e o esforço mental que ele exige para ser compreendido.

Vamos a um exercício usando o programa do Faustão, um produto que todos classificamos como baixa cultura, popularesco, criado para atender à média baixa da população. Entretenimento, só.

Situação um: Faustão leva em seu programa as rainhas da bateria das escolas de samba para eleger a que tem a melhor bunda. É uma ação cultural, na medida em que trata de um patrimônio brasileiro bastante apreciado e valorizado. Conteúdo do objeto cultural: alguma noção de estética bundal. Esforço mental para a compreensão: nenhum. Pouco conteúdo e nenhum esforço exigido. É baixa cultura. Concurso de bunda é baixa cultura.

Situação dois: Faustão leva em seu programa duas passistas de escola de samba, para escolher a que tem mais samba no pé. Conteúdo do objeto cultural: noções de dança, de estética, de harmonia, de habilidade. Esforço para compreensão: tem pouco, mas tem. Algum conteúdo e pouco esforço mental exigido.

Situação três: Faustão leva no programa o médico Drauzio Varella para falar de como o corpo das rainhas das escolas de samba mudou com o tempo e o que isso implicará na saúde delas, todas bombadas. Conteúdo do objeto: médio para alto. Serão dadas noções de medicina, de causa e consequência, de hábitos saudáveis para a saúde. Esforço mental para compreensão: como o Drauzio Varella é bom nisso, o esforço é médio. Ele explica muito bem.

Situação quatro: Faustão leva no programa o professor Mário Sérgio Cortella, para falar da exploração do corpo feminino no carnaval, sob o ponto de vista moral e ético. Hummmm… Conteúdo do objeto cultural: alto. Serão noções de filosofia, de vida em sociedade, de antropologia. Esforço mental para compreensão: alto. Provavelmente grande parte da plateia vai ficar com cara de ué…
Sacou? Quatro situações dentro do mesmo programa popular que consideramos como “baixa cultura”, mas que representam conteúdos diferentes e exigem esforços diferentes para serem compreendidos.

Onde quero chegar? Cultura é coisa dinâmica, não dá para passar a régua e tirar a média…

Uia… Altamiro Carrilho com sua COLETÂNEA NR. 1 tocando alguns clássicos que você certamente conhece…. o primeiro aqui é o Bolero de Ravel.

Para mim “alta cultura” é aquela que me leva para um degrau mais alto. Que traz conteúdo nutritivo, que me ensina, que contribui para ampliar meu repertório e proporcionar que eu tenha uma visão cada vez mais ampla do mundo.

Alta cultura é aquela que exige que eu faça um grande esforço mental para compreender. Mas o que será que o autor quis dizer? Será que ele é um idiota ou está sendo irônico? Não entendi uma frase, vou ter que ler de novo ou até usar um dicionário… Sacou? Alta cultura é aquela que me deixa em estado de alerta intelectual, que exercita o meu cérebro, que me provoca, incomoda e me dá satisfação intelectual.

Baixa cultura é aquela que simplesmente me deixa onde eu estou. Ou me faz baixar um degrau. Me faz bater o pé, mexer a bunda, sentir asco ou atração física, usar meus sentidos animais sem grandes preocupações intelectuais.

Qual das duas é a melhor?

Qual cultura é melhor? Depende. Se eu estiver em Salvador, num daqueles resorts maravilhosos, na beira da piscina, com uma caipirinha nas mãos, vou curtir um axé sim senhor. Vou relaxar com a baixa cultura e sair feliz, relaxado, descansado e fisicamente aliviado.

Mas se eu estiver no Auditório Ibirapuera assistindo a um show d’ Os Mulheres Negras, estarei ligado e atento para não perder as referências a outras músicas, os lances de ironia, a interação entre os integrantes da banda. E a cada vez que eu perceber um detalhe, eu sentirei uma pequena vitória. E sairei de lá intelectualmente feliz, certamente maior do que entrei.

Se eu estiver com os amigos no boteco, apreciando a bunda da moça, falando do gol do Pato ou jogando conversa fora, vou relaxar, deixar rolar, vou rir de montão, tirar um sarro, tomar uns tragos e sair feliz da vida com os momentos descompromissados que eu passei com pessoas das quais eu gosto.

Mas se eu estiver assistindo no Café Filosófico da TV Cultura uma palestra sobre psicologia, permanecerei fascinado, alerta e com o cérebro totalmente aberto para receber informações novas que me abrirão janelas para compreender o comportamento humano. E sairei feliz da vida com a injeção de cultura recebida.

Sacou? Cultura tem a ver com o contexto no qual você escolhe estar. Repare que eu usei o termo ESCOLHE.

Cabe, portando, a cada um escolher o tipo de cultura que melhor atende à demanda daquela hora e lugar. A baixa cultura não pode eliminar a alta cultura. Quem curte a baixa cultura não dever ser esnobado por quem curte a alta cultura. E vice-versa.

Então onde o bicho pega? É simples. Não vejo na baixa cultura qualquer estímulo para crescimento intelectual. A baixa cultura faz crescer a bunda, melhorar o gingado, comer umas minas e se divertir um bocado, o que é muuuuuito bom. Mas é pouco. Quem escolhe apenas a baixa cultura, limita seu crescimento intelectual.

A alta cultura me obriga a desenvolver o intelecto, a compreender melhor o mundo, a fazer escolhas mais sofisticadas e a aproveitar oportunidades que não se encontra com a bunda. A alta cultura me ajuda até mesmo a escolher a baixa cultura que vou consumir, sacou? Mas quem escolhe apenas a alta cultura provavelmente se transformará num chato, um mal humorado e antissocial.

Sacou? É tudo uma questão de escolha. E daquela palavrinha que eu adoro usar: equilíbrio.

Putz, que viagem cara… Vou continuar pensando a respeito e convido você a fazer o mesmo. E se quiser registrar suas reflexões no site deste programa, vai ajudar muita gente. www.podcastcafebrasil.com.br. Tenha certeza: escrever este programa foi um baita exercício. Terminei extenuado, cheio de novas ideias, feliz e com a cabeça a mil, porque eu tenho a incerteza!

Cabeça a mil? Viva o Café Brasil!

Muito bem, tá curtindo o programa de hoje? Agora imagina ouvir a partir de um iPad… É, a Pellegrino Distribuidora está comemorando o lançamento de sua página no Facebook com uma promoção que dá todo mês um iPad, um GPS e alguns MP3 players pra quem acessar www.facebook.com/pellegrinodistribuidora, Pellegrino com dois eles e clicar no link da promoção. É muito fácil. A Pellegrino quer saber o que você sugere para melhorar o trânsito nas cidades! Participe! www.facebook.com/pellegrinodistribuidora.

Pellegrino Distribuidora. Conte com a nossa gente.

Então, eu tenho cá minhas dúvidas de que o brasileiro quer ter acesso à cultura de alto nível. Aliás, não perca tempo escrevendo para me chamar de preconceituoso por usar o termo “cultura de alto nível”.

Se você não entendeu o que eu quis dizer é melhor ouvir o programa outra vez. Ou então, ler o roteiro com atenção.

Meço por mim a dificuldade de sobreviver com cultura. A dificuldade de arranjar um patrocinador. A dificuldade de fazer com que as pessoas se interessem por um programa como o Café Brasil. A dificuldade de mostrar para a pessoa que ela pode comprar cultura gastando menos que um cafezinho, um litro de gasolina, uma lata de cerveja ou um ingresso para a balada.

Acho que vou começar a trabalhar com a bunda.

Coração tranquilo
Walter Franco

Tudo é uma questão de manter
A mente quieta
A espinha ereta
E o coração tranquilo

E é assim então, ao som de Walter Franco com seu CORAÇÃO TRANQUILO que este programa que tentou pensar a cultura, vai saindo de mansinho. Este assunto ainda vai render, viu? E eu adoraria saber o que você pensa a respeito.

Com o culto Lalá Moreira na técnica, a rebolativa Ciça Camargo na produção e eu, este Chacrinha da cultura, Luciano Pires, na direção e apresentação.

Estiveram conosco o ouvinte Jota Fagner, Fred Menendez, o grupo Da Guedes com Paula Lima,  Divina Caffe, Altamiro Carrilho, Walter Franco e para alegria da Ciça, Latino com André e Adriano…

Este programa chega até você com o apoio de quem sabe que o que diferencia e ao mesmo tempo une os povos, mesmo que não falem a mesma língua, é a cultura. Auditório Ibirapuera, um templo dedicado àquilo que não tem fronteiras, não tem limites, não tem cor, idade, sexo ou nacionalidade: a arte. Acesse o www.auditorioibirapuera.com.br e experimente!

Este é o Café Brasil. De onde veio tem muito mais: www.portalcafebrasil.com.br.

Pra terminar, uma frase do escritor francês Joseph Joulbert:

Quem tem imaginação, mas não tem cultura, possui asas, mas não tem pés.

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