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Luciano Pires -
Gratuito!
28,3 MB

Bom dia, boa tarde, boa noite. Arigatô? Rererere…e isso encerra meu conhecimento da língua japonesa. Hoje faremos um programa em homenagem a uma turma muito especial, de brasileiros que estão do outro lado do mundo, os dekasseguis. E, de certa forma, todos os brasileiros que estão trabalhando fora do pais. Muitos escutam o Café Brasil pra matar um pouco das saudades do Brasil, então nada melhor que um programa pra eles, não é? E até o final, eu prometo que vou aprender a falar um pouco de japonês, tá bom?

Pra começar, uma frase de Charles Baudelaire:

Aos olhos da saudade, como o mundo é pequeno…

Este programa chega até você com o suporte de uma turma que trabalha com uma linguagem universal: arte e cultura. Itaú Cultural. Acesse o site e conheça um mundo sem fronteiras e sem barreiras, repleto de conteúdos que farão você viajar sem sair de seu país. www.itaucultural.org.br.

[showhide title=”Continue lendo o roteiro” template=”rounded-box” changetitle=”Fechar o roteiro” closeonclick=true]

E o exemplar de hoje de meu livro NÓIS…QUI INVERTEMO AS COISA via para o Carlos Alberto Sabino, que comentou assim o programa A MÚSICA ESTÁ FICANDO RUIM?

“Bom dia, boa tarde, boa noite meu querido Luciano Pires! Meu nome é Carlos, sou brasileiro e moro no Japão há 17 anos. Muito recentemente fui apresentado ao programa Café Brasil, através de um amigo e fiquei maravilhado. Eu não imaginava poder encontrar “ainda hoje” um programa tão lindo culto e saudável! Devido ao meu atraso de conhecimento estou ouvindo os ” POGRAMAS ” de uma forma retroativa, ainda bem que eles estão nos arquivos .

Muitos de nós, “brasileiros” no exterior, estamos vulneráveis à (pocototização) e cabe a cada um… procurar, buscar e adotar fontes de refúgio como o teu programa “Café Brasil “.

Esse programa já me resgatou, estou ouvindo todos os dias inclusive em meu horário de trabalho, vou explicar … coloco meu iPhone conectado direto no carregador, ligo meu fone de ouvido sem fio e me deixo ser feliz, confesso que já fui flagrado cantando o refrão (eu não quero ser um pocoto) rssss. Gostaria de deixar aqui uma sugestão a ser discutida … A EDUCAÇÃO DO POVO ! Pense nisso !!! Vou ficando por aqui, um forte abraço !!!”

Outro abraço, Carlos, do outro lado do mundo. Você ganhou o livro, entre em contato conosco, vamos ver como mandar. Quem sabe mando o e-book, que não tem custo de correio, não é?

O Carlos ganhou o livro, pois comentou um programa. E você?

E por falar em Japão, vamos de Nakata, não é? A Nakata é a marca dos componentes de suspensão que você precisa para seu carro. Se você acessar o www.facebook.com/componentesnakata, Nakata sempre com K, vai encontrar um monte de conteúdo interessante e ainda ter a chance de participar de uma promoção e ganhar um iPad! Quatro felizardos já ganharam, o que é que você está esperando?

Arriscado é não usar Nakata. Exija a tecnologia original líder em componentes de suspensão. E agora também com as bombas d´água e óleo Nakata! Tudo azul. Tudo Nakata.

Japonês tem 3 filhas
Guilherme Rondon

Japonês tem três filhas
Uma é Yoshiko-san
Yoshiko é a mais nova
E é uma linda cuña

Ela é índia do Oriente
Eu sou bugre daqui
Falou comigo em japonês
Respondi em guarani

“Wasurenaide”, me falou assim
Eu respondi: “Nai moái che
ro rechave”
A índia lá do Oriente
Gostou do bugre daqui
Japonesinha é minha cuñataí.

Japonês me comprou o chão
Me comprou roça de arroz
Vendi o arroz e o chão
E não entreguei nenhum dos dois

Vou casar com a filha do japonês
O resto eu vejo depois
“Seu” japonês não se zangue
Foi sua filha quem me propôs

Plantação lá do japonês
É coisa que nunca vi
Lá tem um pé de pimenta
Que mais parece caqui
Lá cresce jabuticaba
Do tamanho de maçã
Mas sua fruta mais linda
Se chama Yoshiko-san
Yoshiko-san, minha linda
Yoshiko-san my porã
Não casaremos na igreja
Nossa paixão é pagã

Esquece o Deus da igreja
Venera o sol da manhã
Desmaia o corpo na relva
E diga pro seu galã

“Wasurenaide”, me falou assim…

Que delícia. Começamos com os HERMANOS IRMÃOS, com JAPONÊS TEM 3 FILHAS… que ótimo isso… o som de Mato Grosso do Sul junto com Japão!

Muito bem. Em 2007 escrevi um artigo no qual eu dizia assim:

“Quando eu tinha nove anos, um de meus melhores amigos era o Boia, meu vizinho, filho de uma família de japoneses cujo pai era mecânico de automóveis. A família morava nos fundos da oficina, uma autêntica ‘boca de porco’ – como a maioria das oficinas no começo da década de sessenta. Eu era de classe média – o equivalente à classe B de hoje – com pai executivo e mãe professora. O Boia era o que hoje consideramos classe C. E éramos excelentes amigos. Eu vivia na casa dele. Não me lembro de jamais ter algum problema pela diferença de classes.”

Eu frequentei muito a casa do Boia, que tinha um cheiro característico, talvez da culinária japonesa. E livros escritos em japonês que me despertavam a curiosidade. Era uma cultura diferente, com pessoas que falavam com um sotaque diferente, com olhos puxados, que sempre me intrigaram. Eram os japoneses… Lá nos anos 60, uma época em que o Japão fascinava até na propaganda:

Urashima Taro – http://www.youtube.com/watch?v=WLyaPAmMMfM

Prepare – se, você vai ouvir agora, um clássico dos Incríveis… SAYONARÁ, que os Incríveis lançaram em 1968 num disco chamado OS INCRÍVEIS NO JAPÃO, na esteira de uma viagem que fizeram àquele país. Cara, como eu cantei Sayonara…

Sayonara Sayonara
Nakamura Hachidai
Maki Soichiro
Flávia Queiroz Lima

Sayonara, Sayonara
O amor que vai
Não volta nunca mais
Sayonara, Sayonar
E deixa em nós
A dor
Sofrer sem paz
Sayonara, Sayonara
Eu sofri
Sem ver o amor voltar
Sayonara, Sayonara
Quero amar
Sem nunca mais chorar
Sayonara, Sayonara

Muito bem. Por causa daquele meu artigo recebi alguns emails que me emocionaram, em especial um escrito por Masahiro e Telma Okuno. A Telma é irmã do Boia, cujo nome era Claudio Seky. E eles me deram detalhes que eu havia esquecido… O pai do Boia, dono da oficina, era o Yuji Seki. E eles escreveram isto:

“O Cláudio (Boia) faleceu no Japão em 1998, e lá estava com irmãos Neno (que moravam juntos) e Roberto. (…) Na época, como minha sogra – a mãe do Boia – estava bem mal de saúde, num CTI no hospital do Rio, foi evitado avisá-la e daí se complicou tudo em família… porque começaram a enganá-la toda vez que ela se queixava da falta de notícias do Boia, de quem ninguém lhe falava nada para se omitir de causar choque, e provocar depressão a ponto de matá-la de tristeza.

Muito mais tarde, já melhor de saúde, minha sogra ficou sabendo da morte do seu filho Boia no Japão, isso através de um irmão mais velho dela que veio de Jaú especialmente para lhe dizer do fato há tempos “escondido”.

Aí fizemos a missa budista em casa da irmã Yoshiko pela alma de Boia. O monge foi muito carinhoso com minha sogra e exigiu dela muita “força interior” pelo amor a Boia e a todos os presentes amigos dele.

Ainda me preocupo como faremos para trazer as cinzas do Boia… lá do Japão.”

Pais e filhos
Renato Russo

Estátuas e cofres e paredes pintadas
Ninguém sabe o que aconteceu.
Ela se jogou da janela do quinto andar
Nada é fácil de entender.

Dorme agora,
é só o vento lá fora.

Quero colo! Vou fugir de casa!
Posso dormir aqui com vocês?
Estou com medo, tive um pesadelo
Só vou voltar depois das três.

Meu filho vai ter nome de santo
Quero o nome mais bonito.

É preciso amar as pessoas
Como se não houvesse amanhã
Porque se você parar pra pensar
Na verdade não há.

Me diz, por que que o céu é azul?
Explica a grande fúria do mundo
São meus filhos
Que tomam conta de mim.

Eu moro com a minha mãe
Mas meu pai vem me visitar
Eu moro na rua, não tenho ninguém
Eu moro em qualquer lugar.

Já morei em tanta casa
Que nem me lembro mais
Eu moro com os meus pais.

É preciso amar as pessoas
Como se não houvesse amanhã
Porque se você parar pra pensar
Na verdade não há.

Sou uma gota d’água,
sou um grão de areia
Você me diz que seus pais não te entendem,
Mas você não entende seus pais.

Você culpa seus pais por tudo, isso é absurdo
São crianças como você
O que você vai ser,
Quando você crescer?

Olha que legal…. essa é a cantora Tsubasa Imamura, japonesa que canta músicas em português. O sotaque é um charme….

Pois então… Fiquei sabendo que perdi meu amigo Bóia, que eu numca mais tinha visto desde o final dos anos sessenta, enquanto ele era um dekassegui no Japão.

Encontrei uma explicação sucinta sobre o termo DEKASSEGUI no blog MOVIMENTODEKASSEGUI, de autoria de Sam Samegui Shiraishi. Olha só:

O termo dekassegui é formado pelas palavras japonesas deru (sair) e kasegu (ganhar dinheiro), designando qualquer pessoa que deixa sua terra natal para trabalhar, temporariamente, em outra região. Por exemplo, os japoneses que vivem em Hokkaido e que vão aos grandes centros a trabalho – como Tokyo e Osaka – também são chamados de dekasseguis. Da mesma forma, assim são igualmente denominados os brasileiros, peruanos e outros latino-americanos que emigram para o Japão.

No início do século, milhares de japoneses imigraram para outros países com o intuito de fazer fortuna e voltar para o Japão. No caso do Brasil a imigração começou em 1908 com a vinda de 781 camponeses principalmente da região de Hiroshima.

Chama-se “fenômeno dekassegui” tal imigração de brasileiros, que teve seu início no fim da década de 1980. Oficialmente, iniciou-se em junho de 1990, com a mudança na legislação de imigração japonesa, permitindo ao descendente de japonês (nikkei) receber um visto de trabalho no país. Entretanto o visto para descendentes de japoneses é concedido até a terceira geração (Sansei), no caso da quarta geração (Yonsei) quando filhos, faz-se necessário a companhia dos pais (3º Geração).

Em 2005 o Ministério da Justiça estimou que 302 mil brasileiros viviam no Japão legalmente, enviando todos os anos entre 1,5 e 2 bilhões de dólares para o Brasil. Os brasileiros representam o terceiro maior contingente imigrante no Japão, apenas atrás dos chineses e dos coreanos. No Brasil, é contabilizado como o terceiro maior grupo vivendo fora do país. Em contrapartida no Brasil está a maior concentração de descendentes de japoneses fora do Japão.

Atualmente as maiores concentrações de brasileiros no Japão se encontram em Aichi (Nagoya), Shizuoka (Hamamatsu) e Gunma (Oizumi).

E em minhas pesquisas encontrei um texto chamado Crônicas de um dekassegui – A Chegada, publicado por Alexandre Mauj (em http://portalwebnews.com/blogs/4/2010/09/cronicas-de-um-dekassegui-a-chegada/). O texto mostra claramente o drama do brasileiro que chega no Japão e se descobre em outro mundo… Acho que muita gente vai se reconhecer aqui..

Arco-íris (Kokorono-Niji)
J. Hashimoto
T. Inohue

Saudade é a lembrança
Do amor que um dia deixei ali
Saudade é nostalgia
Do Japão que nunca esqueci
Boneca linda, dourada
O sol que nasce vem me contar
Que nos teus olhos iluminou duas pérolas a rolar

Se você não me esqueceu
Sei que também vou lembrar
Do abraço que te dei, meu bem, no momento de voltar
Saudade é a lembrança
Do amor que um dia deixei ali
Saudade é nostalgia
Do Japão que nunca esqueci

Pra arrebentar de vez, trago outra dos Incríveis: KOKORONO NIJI, O ARCO ÍRIS AZUL, uma versão que eles fizeram para uma música japonesa de autoria de J. Hashimoto e T Inohue.

É muito difícil para quem chega ao Japão e vem para morar. Terra estranha, tudo ao contrário e diferente. Do verão brasileiro ao inverno japonês. Se as folhas caem no Brasil, as flores desabrocham no Japão. Doze linhas no globo a diferenciar os horários. Dança das horas, apenas um mero detalhe perto do que me espera.

Noto que precisarei perguntar sobre tudo. Aqui nesta terra, só sei que nada sei. Detalhe: vou falar …em português? Oh, e agora, quem poderá me entender?

De repente me vejo novamente uma criança: Não sei ler, não sei escrever. E pior ainda, eu não sei falar! Pelo menos andar ainda sei.

Na mente os pensamentos concatenados querem explodir pela boca. Lançar ao vento o que penso, o que sou, o que quero. Na boca a barreira imposta a força pelo idioma. Ideias que não saem mais, barradas por ouvidos que não as compreendem.

Dor de cabeça que bate na cabeça quente. Mas não sei pedir remédio. Fome que me torce as entranhas. Mas não sei pedir a comida.

Raiva! Frustração!

Até mesmo para meus estertores da falta de educação e civismo me faltam as palavras… Que merda, como que se chama essa porra????

Não sei como expressar nem ao menos isto… Vim parar no país da filosofia Zen.
Então entro na meditação introspecta e forçada, por não poder falar nada. Meu voto de silêncio é obrigatório. Eu entendo minha mente e ela me entende. E ninguém mais invade meu mundo.

Dez minutos passados e estou farto de meditar. Olhos e mãos que se tornam boca. Comunicação da pré-história: gestos, sons, mímica. Uma linguagem primitiva, eu me sinto um primata. Me alimentarão com bananas?

Olho para as placas, para os textos escritos. Parecem um monte de rabiscos, letras que parecem desenhos.

Ouço sons saindo das bocas das pessoas. Que para mim não fazem o menor sentido. Impossível saber se são palavras felizes, tristes… e se são palavras.

Alguns até se aproximam e me dizem alguma coisa. Palavras jogadas ao vento, nenhuma você capta. E nem sei como dizer que não entendi. Melhor fingir que sou cego, surdo, mudo.

Aliás, fingir pra que? É minha condição real e atual, com certeza. Bate, realmente bate, um desespero. Insegurança. Lembro-me das aulas de inglês guardadas no empoeirado arquivo da memória. E puxo algumas palavras. Falo, amarro as palavras em inglês com sotaque macarrônico, +pé-vermelho+cheio de axé. E ouço como resposta um inglês que parece cuspido. Sem sentido, inglês mau dito e maldito, deficiente pela falta de sons do idioma original dos que falam a mim.

Lembro-me que aprendi algumas palavrinhas no Brasil! Banheiro é Bendjô. Que beleza, com os olhos marejados de emoção e de vontade de fazer xixi, me dirijo a simpática japonesa e lhe pergunto: Bendjô?

Noto-lhe o olhar de repulsa. Dama ofendida. Imagem que me fica gravada a mente. E só consigo traduzir esta imagem anos depois: Bendjô, apesar de ser um termo muito utilizado pelos imigrantes japoneses no Brasil é um termo considerado quase chulo. Seria o mesmo que dirigir-se a alguém e dizer: Cagador.

E o termo dito sem mais “acompanhamentos” tem um ar de convite sexual. Muitas destas palavras aprendidas em família não me servem, à força percebi. Vocábulos gastos, fora de moda, grosseiros e que denotam uma origem pobre.

E pesa-se ainda que muitas são palavras com forte cunho regional. Palavras cheias de sotaque e sabor de terra, estranhas ao japonês moderno e globalizado. Trauma, mãos que suam frio.

E agora, como poderei dizer quem sou, o que sinto, o que quero?

Cantora japonesa
Zé Fidélis

Araraquara
Virô
Carandiru
Arancatoco
Da canela
Do teleco
Coça o suvaco
A taquara
Do taquedo
Iquiricutico
Araçatuba
Já acabô

Rarararaa… esse é o Zé Fidélis em 1958 com CANTORA JAPONESA brincando com o jeito de falar dos japoneses… a gente só brinca assim com quem ama, sabe?

Eu estou pensando o seguinte: se é difícil para um brasileiro no Japão, imagina só para um japonês aqui!

Pois então… Os dekasseguis são um fenômeno econômico e cultural, mas antes de tudo representam a vontade que as pessoas tem de vencer, ultrapassando obstáculos do idioma e da cultura, preconceitos e as saudades de sua terra natal. Não deve ser fácil… e por isso eu os respeito.

Este programa mexeu com minhas memórias, espero que também tenha mexido com as memórias dos brasileiros que estão longe de casa. Os dekasseguis, que pelo que aprendemos, não precisam estar exatamente no Japão.

Saibam todos que sua pátria está aqui, à espera. Meio maltratada, cheia de problemas, ameaçada por oportunistas e populistas, mas repleta de irmãos e de gente que, com certeza, está cheia de saudades. Quando der pra voltar, meu, volta…

E você, já acessou a página da Pellegrino no Facebook? Tá cheia de conteúdos legais, você pode se surpreender! E se acessar o post da promoção, vai concorrer a tocadores de mp3, GPS e iPads, meu! Tá esperando o quê? Vai lá: www.facebook.com/pellegrinodistribuidora. A Pellegrino é uma das maiores distribuidoras de peças do Brasil.

Pellegrino Distribuidora. Conte com a nossa gente!

Bem, o que posso dizer aos dekasseguis do Japão: eu tinha prometido que ia aprender falar japonê, então vamos lá: OMEDETÔ GOZAIMASU, meus parabéns, TAIHEN OSEWA NI NARIMASHITA, obrigado por tudo e Gokurô sama deshita, bom trabalho!

E é assim, ao som da pernambucana Andrea Amorim, cantando BYE BYE BLUE, dela, Roberto Menescal e Keiko Omata que o Café Brasil em homenagem aos brasileiros que estão batalhando lá fora, vai saindo de mansinho.

Com o Ninja Lalá Moreira na técnica, a samurai-fêmea Ciça Camargo na produção e eu, Luciano Pires Sam, na direção e apresentação.

Estiveram conosco o ouvinte Carlos Sabino, Os Incríveis, Hermanos Irmãos, Tsubasa Imamura, Andrea Amorim e Zé Fidélis, que tal, hein?

Este programa chega até você com o suporte de gente que fala todos os idiomas do coração, pois trabalha para que a arte dos homens e mulheres seja apresentada ao mundo: o Auditório Ibirapuera. Acesse o www.auditorioibirapuera.com.br e dê uma olhada na programação. É sério, meu, se você nunca foi lá, não pode deixar de conhecer. É bom pra sentir orgulho de ser brasileiro…

Este é o Café Brasil. De onde veio este, tem muito mais… www.portalcafebrasil.com.br

Pra terminar, um ditado japonês, que é profundo…

Meu celeiro foi destruído pelo fogo. Agora posso ver a lua.

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