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334 – Gosto não se discute?

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Luciano Pires -
Gratuito!
24 MB

Bom dia, boa tarde, boa noite! E aí? Eu gosto de coisas que você não gosta. Você gosta de coisas que eu não gosto. E será que dá pra discutir essa coisa chamada “gosto”? Essa é a ideia do programa de hoje: falar com gosto sobre discutir gosto…

Para começar uma frase de Oscar Wilde:

Meu gosto é muito simples. Gosto do melhor de tudo…

Este programa chega até você com o suporte de alguém que presta um serviço inigualável à quem está disposto a refinar seu gosto: o Itaú Cultural. Acesse o site www.itaucutural.org.br e dê uma olhada na infinidade de programas culturais que eles disponibilizam de graça. É uma pós graduação em gosto…

[showhide title=”Continue lendo o roteiro” template=”rounded-box” changetitle=”Fechar o roteiro” closeonclick=true]

E o exemplar do meu livro NÓIS QUE INVERTEMO AS COISA desta semana vai para o Thiago Diezel, que comentou assim o podcast O EFEITO MOZART:

“Salve Luciano,

A música sempre fez parte da minha vida e tento utilizá-la de forma correta. Muitas canções já marcaram paixões, viagens, desilusões…

Antes de começar a ouvir o Café Brasil eu até me achava eclético e conhecedor de alguma coisa da MPB, mas é cada pérola que escuto aqui! Valeu por trazer o novo e ser assim um garimpeiro de canções.

Os estilos musicais tem a sua utilidade, como foi dito no experimento, mas é bom lembrar das letras também. Acredito muito na capacidade que um repente tem de tocar um coração, ou no poder de Jackson do Pandeiro de lapidar a moral de um homem.

Mas aí, caímos de novo no velho tema da educação. Lembro das aulas de música no colégio, que eram apenas tentativas frustradas de ensinar flauta doce e noções bem básicas de história da arte e folclore, que não despertavam interesse em ninguém. Já mais tarde ingressei na faculdade de música e não terminei pois percebi como é desvalorizada essa profissão no Brasil. Porém, tive uma aula que nunca me esqueci. Se chamava “Apreciação Musical”. Nessa aula em particular ouvimos Beatles, e aprendemos o porque daqueles compassos, repetições, porque esta harmonia e melodia, porque essa letra. Enfim, aprendemos a ouvir, e acho que falta isso na nossa educação básica, aprender a ouvir.

Perceberíamos que não há conteúdo nas bandinhas pocotó, e entenderíamos que podemos ser melhores sabendo escolher o que deixamos entrar em nossas vidas.

No mais, parabéns pelo programa. Estou curtindo muito seu livro, e quero dizer que também tenho o Meu Everest, se chama Canadá. Em breve escreverei a respeito.

Um abraço.”

Ei Thiago, você disse tudo quando falou em “aprender a ouvir”… Não existe outra forma de refinar o gosto musical a não ser aprendendo a ouvir. E isso vale para qualquer tipo de música.

Muito bem, o Thiago ganhou um livro e agora que eu reparei que ele já tem o livro. Bom, se for o mesmo, eu troco o título, tá bom? Ele ganhou o livro por comentar um programa. Tá vendo só como é fácil?

E por falar em fácil, quero lembrar da campanha da Nakata, que através de sua página no Facebook dá a você a oportunidade de concorrer a um iPad por mês. É muito fácil: acesse o www.facebook.com/componentesnakata, o Nakata sempre com k e procure o post da promoção. Siga as instruções e corra o risco de ganhar um iPad das mãos de um dos maiores fabricantes brasileiros de componentes de suspensão e direção.

Arriscado é não usar Nakata. Exija a tecnologia original líder em componentes de suspensão. E agora também com as bombas d´água e óleo Nakata! Tudo azul. Tudo Nakata.

Certamente desde criança você escuta aquele velho chavão: gosto não se discute, não é? Pessoalmente eu acho que essa frase foi criada para livrar as pessoas das incômodas discussões que envolvem o subjetivo. Ele gosta de jaca, eu odeio. Eu gosto de quiabo, ela odeia. Eles gostam de pagode, eu odeio. Eu gosto de música clássica, eles odeiam. Eu amo o Corinthians, eles preferem o Palmeiras… Gosto é subjetivo e portanto, não se discute.

Mas, vamos ver o que Lobão, é que um crítico afiadíssimo, diz sobre gosto? “O gosto se discute, sim. O gosto é um acúmulo de reflexões, de capacidade de criticar, de senso crítico. Tudo isso acura ou atrofia seu gosto. Então, gosto se discute sim, e a nossa sociedade é uma sociedade do mau gosto. Pessoas com grana cometem aberrações, de arquitetura, comportamento e tudo o mais…”.

Pois é.

Bem, nada melhor que falar de gosto ao som de GOSTO QUE ME ENROSCO, de Sinhô que lançou no carnaval de 1929, aqui com Altamiro Carrilho e sua banda… Aliás, vamos lembrar da letra? Então pela primeira vez no Café Brasil você terá Dudu Nobre:

Gosto Que Me Enrosco
Sinhô

Não se deve amar sem ser amado
É melhor morrer crucificado
Deus nos livre das mulheres que hoje em dia
Desprezam o homem só por causa da orgia
Gosto que me enrosco de ouvir dizer
Que a parte mais fraca é a mulher
Mas o homem, com toda a fortaleza
Desce da nobreza e faz o que ela quer
Dizem que a mulher é a parte fraca
Nisto é que eu não posso acreditar
Entre beijos e abraços e carinhos
O homem não tendo é bem capaz de roubar

Então? Você tá preparado? Vou passar por um pouco de filosofia, não é todo mundo que aguenta, mas vamos em frente, olha só…

Encontrei um delicioso texto de Jonas Lopes publicado na revista Dicta & Contradicta sob o título GOSTO SE DISCUTE. No texto, Jonas fala de Clement Greenberg, um influente crítico de arte norte americano, que escreveu vários livros tratando da questão do gosto.

Para Greenberg, o gosto ganhou uma abordagem mundana e fútil, sendo mais relacionado às boas maneiras de uma pessoa do que às avaliações estéticas em si. E o que seria o gosto, então? Ele nasceria de uma experiência de intuição estética: gostar, não gostar, comover-se, irritar-se etc.

Entramos em contato com uma pintura, uma melodia, um poema e isso tudo nos toca de uma determinada forma, influenciada, naturalmente, por nossas experiências anteriores, por nossa biografia, por aquilo que conhecemos, apreciamos e ignoramos. Greenberg escreve: “O juízo estético de cada um, por ser uma intuição e nada mais, é acolhido, e não oferecido. Não se escolhe gostar ou deixar de gostar de determinada obra de arte mais do que se escolhe ver o sol como luminoso ou a noite como escura”.

Viu só? Começa então que gosto é uma intuição.

Isso me lembra daquelas reportagens que de quando em quando o Globo Esporte mostra com jogadores de futebol brasileiros na Europa. É batata: mostra o sujeito bem sucedido, em seu carrão, com roupas caras e jóias. Aí vai na casa do jogador, sempre uma mansão, onde invariavelmente está instalado um home theater com equipamentos de última geração. E aí o jogador bota pra tocar um DVD do Belo…

Tua boca
Ronaldo Monteiro de Souza
Sérgio Saraceni

Mel, tua boca tem o mel
E melhor sabor não há
Que loucura te beijar

Céu tua boca tem o céu
Infinito no prazer
Toda vez que amo você

Meu amor as palavras
Que me diz
Eu preciso é sempre ouvir
Pra poder viver feliz
O teu sorriso tem a luz da sedução
Faz maior essa paixão
No encontro com você

Mel, tua boca tem o mel
E melhor sabor não há
Que loucura te beijar

Céu tua boca tem o céu
Infinito no prazer
Toda vez que amo você

Meu amor as palavras
Que me diz
Eu preciso é sempre ouvir
Pra poder viver feliz
A tua boca nem parece que é real
Tem os lábios que eu sonhei
Beijar do jeito que eu beijei

Que eu beijei…mel

Muito bem… Belo no Café Brasil, com TUA BOCA, de Ronaldo Monteiro de Souza e Sérgio Saraceni.  Você gosta?

Voltando a Greenberg: a partir do juízo, alcançamos o prazer ou o desprazer: o gosto. E “o prazer da experiência estética é o prazer da consciência: o prazer que ela traz consigo. Na medida em que a experiência estética gera satisfação, a consciência revela seu próprio sentido”. O juízo, portanto, só pode ser alterado ou confirmado a partir do contato direto com a obra. “Certa pintura, certa passagem de um verso, certa peça musical podem fazer com que alguém não se sinta a altura dessa exaltação de conhecimento que o invade. Aquelas são as obras supremas”.

Sacou? Sabe aquelas lágrimas que derramei diante de uma interpretação de Cauby Peixoto? Ou o tempo que eu permaneci hipnotizado diante da estatueta do Escriba no museu do Louvre? Ou o frio no estômago que tomou conta de mim quando entrei na Catedral de Notre Dame, pela primeira vez? Ou o êxtase que senti quando subi pela primeira vez no Corcovado e vi o Rio de Janeiro em todo seu esplendor? Pois é… Aquelas belezas eram demais para mim… Mas ao meu lado havia gente me olhando com estranheza, sem entender a minha emoção.

Quiet Nights of Quiet Stars
Tom Jobim

Quiet nights of quiet stars
Quiet chords from my guitar
Floating on the silence that surrounds us

Quiet thoughts and quiet dreams
Quiet walks by quiet streams
And a window looking on the mountains
And the sea, so lovely

This is where I want to be
Here, with you so close to me
Until the final flicker of life’s amber

I who was lost and lonely
Believing life was only
A bitter tragic joke
Have found with you
The meaning of existence oh, my love

Corcovado
Tom Jobim

Um cantinho e um violão
Este amor, uma canção
Pra fazer feliz a quem se ama

Muita calma pra pensar
E ter tempo pra sonhar

Da janela vê-se o Corcovado
O Redentor que lindo

Quero a vida sempre assim com você perto de mim
Até o apagar da velha chama

E eu que era triste
Descrente deste mundo
Ao encontrar você eu conheci
O que é felicidade meu amor

O que é felicidade, o que é felicidade

Hummmmm….que tal, hein? QUIET NIGHTS, com Billy Eckstine? Que elegância… Se você não sabe, essa é CORCOVADO, de Tom Jobim. Quem gostou do Belo talvez não goste disso. Mas, de novo, é uma questão de gosto.

Voltando ao texto de Jonas Lopes.

Chegamos, nesse ponto, ao dilema central de qualquer discussão sobre o gosto. Como fazer uma diferenciação eficiente do que seria bom gosto e mau gosto?

Num dos mais deliciosos tratados sobre o tema, intitulado simplesmente O Gosto e escrito para a Enciclopédia de Diderot e d’Alembert, o político, filósofo e escritor francês, Charles Louis de Seccondat, ou simplesmente Charles de Montesquieu, ou Barão de Montesquieu,  coloca de um lado o gosto natural, que nos atinge e surpreende sem que raciocinemos sobre ele, apenas absorvamos. E de outro lado o gosto adquirido, que, ao ser cultivado e desenvolvido em certa direção pode alterar o gosto natural, pois no torna pessoas mais judiciosas, com padrões distintos de valor, sejam eles maiores ou menores. E Montesquieu diz: “pessoas delicadas são aquelas que a cada ideia ou gosto acrescentam várias outras ideias ou gostos acessórios”, enquanto a alma de uma pessoa grosseira “não acrescenta nem tira nada daquilo que a natureza oferece”.

Sacou? Pessoa delicada é aquela que aprende a gostar ao experimentar cada ideia. Auela que amplia o seu repertório. Já o pocotó não aprende. Só diz: “não comi e não gostei…”.

E Montesquieu completa: “aqueles que apreciam com gosto as obras do espírito têm uma infinidade de sensações que os demais não conhecem”.

Isso me lembra de uma experiência que vivi no Museu do Louvre em Paris. Por acaso cruzei com um casal brasileiro e notei que a mulher estava empolgada, emocionada, alucinada com as coisas que via. E o marido estava emburrado, enfastiado, querendo ir embora. Diante de uma pintura fabulosa do holandês Vermeer, reparei que a moça tinha os olhos cheios d’ água. O marido chegou perto dela e disse:

– Eu não entendo o que você vê num quadro como esse…

E ela respondeu:

– Não dá pra ver do lado de fora o que não tem dentro de você.

Lavou minha alma…

Clement Greenberg afirma que “o gosto cultivado não é algo ao alcance das pessoas comuns”. E vai além ao explorar o que chama de objetivação do gosto.

Ora, é claro que um juízo estético nunca pode ser objetivo no sentido literal do termo. Se uma obra pudesse ser dissecada e classificada, explica Greenberg, se pudéssemos dizer que ela possui tantas propriedades da classe “A”, mais tantas da “B” e um punhado da “Z”, arte seria uma fórmula matemática. E poderíamos dizer que Bach é melhor que Beatles (ou vice-versa) por ter chegado a um resultado “X” e toda discussão estaria encerrada. Seríamos capazes inclusive de assimilar as grandes criações da humanidade sem de fato travarmos contato com elas. Não seria arte, seria matemática.

Encontrei um texto interessante no blog MUNDO DAFILOSOFIA, (http://www.oocities.org/mundodafilosofia/estetica.htm) relacionado à estética, que vai trazer conteúdo para nossa reflexão de hoje.

Ao fundo você ouvirá BONITINHO, de e com Yamandu Costa e Dominguinhos… e tem gente que não gosta…

A questão do gosto não pode ser encarada como uma preferência arbitrária e imperiosa da nossa subjetividade. Quando o gosto é assim entendido, nosso julgamento estético decide o que preferimos em função do que somos. E não há margem para melhoria, aprendizado, educação da sensibilidade, para crescimento, enfim. Isso porque esse tipo de subjetividade refere-se mais a si mesma do que ao mundo dentro do qual ela se forma.

Se quisermos educar o nosso gosto frente a um objeto estético, a subjetividade precisa estar mais interessada em conhecer do que em preferir. Para isso, ela deve entregar-se às particularidades de cada objeto.

Nesse sentido, ter gosto é ter capacidade de julgamento sem preconceitos. É deixar que cada uma das obras vá formando o nosso gosto, modificando-o. Se nós nos limitarmos àquelas obras, sejam elas música, cinema, programas de televisão, quadros, esculturas, edifícios, podcasts que já conhecemos e sabemos que gostamos, jamais nosso gosto será ampliado. É a própria presença da obra de arte que forma o gosto: torna-nos disponíveis, faz-nos deixar de lado as particularidades da subjetividade para chegarmos ao universal.

Mikel Dufrenne, filósofo francês contemporâneo, explica esse processo de forma muito feliz. Ele diz que “À medida que o sujeito exerce a aptidão de se abrir, desenvolve a aptidão de compreender, de penetrar no mundo aberto pela obra de arte. Gosto é, finalmente, comunicação com a obra para além de todo saber e de toda técnica”.

Assim, a educação do gosto se dá na presença, tanto do objeto estético estética, como do sujeito que o percebe. Ela se dá no momento em que, em vez de impor os meus padrões, eu entro no mundo da obra, jogo o seu jogo de acordo com suas regras e vou deixando aparecer alguns de seus muitos sentidos.

Isso não quer dizer que vá ser sempre fácil. Precisamos começar com obras que nos estejam mais próximas, no sentido de serem mais fáceis de aceitar. E dar um passo de cada vez. O importante é não parar no meio do caminho, pois o universo da arte é muito rico e muito enriquecedor. Através dele, descobrimos o que o mundo pode ser e, também, o que nós podemos ser e conhecer.E acredite, vale a pena.

Concluindo: os conceitos de beleza, feiura e os problemas do gosto constituem o território desse ramo da filosofia denominado estética. Taí uma boa dica para um próximo programa….

E vamos então lembrar da campanha da Pellegrino, um dos maiores distribuidores de auto e motopeças do Brasil? Você tem a chance de concorrer todo mês a um iPad, um GPS e três tocadores de mp3 para colocar em seu carro. Basta acessar www.facebook.com/pellegrinodistribuidora e clicar no ícone da promoção. É fácil demais. Vai que você ganha, como já aconteceu com dez felizardos?

É isso. Pellegrino Distribuidora. Conte com a nossa gente.

Muito bem, será que eu consegui mostrar que gosto, além de poder ser discutido, pode ser refinado. Mas pra isso tem que querer, e acima de tudo parar com essa bobagem de que gosto refinado é coisa de preconceituoso.

O nome do livro de Clement Greenberg, se você quer mergulhar mais fundo no tema do GOSTO é ESTÉTICA DOMÉSTICA. Bom proveito.

A Mais Bonita
Chico Buarque

Não, solidão, hoje não quero me retocar
Nesse salão de tristeza onde as outras penteiam mágoas
Deixo que as águas invadam meu rosto
Gosto de me ver chorar
Finjo que estão me vendo
Eu preciso me mostrar

Bonita
Pra que os olhos do meu bem
Não olhem mais ninguém
Quando eu me revelar
Da forma mais bonita
Pra saber como levar todos
Os desejos que ele tem
Ao me ver passar
Bonita
Hoje eu arrasei
Na casa de espelhos
Espalho os meus rostos
E finjo que finjo que finjo
Que não sei

E é assim então, ao som de A MAIS BONITA de Chico Buarque, na interpretação do trio argentino Melero, Aberastegui e Iovino que o Café Brasil que discutiu gosto vai saindo de mansinho.

Com o estudioso Lalá Moreira na técnica, a experimentalista Ciça Camargo na produção e eu, que gosto, desgosto, e gosto de novo, Luciano Pires na direção e apresentação.

Estiveram conosco o ouvinte Thiago Diezel, Altamiro Carrilho, Dudu Nobre, Billy Eckstine, o trio Melero, Aberastegui e Iovino, Yamandu com Dominguinhos  e… o Belo. Fala verdade, tem pra todo gosto, né?

Este programa chega até você com o suporte de um lugar que tem tudo pra ajudar a gente a refinar o gosto: o Auditório Ibirapuera! Lá você encontra a arte em sua mais pura expressão, e se tiver boa vontade e disposição para aprender, conseguirá experimentar sensações que quem não for lá não consegue… www.auditorioibirapuera.com.br. Acesse o site, escolha um evento e compareça. Depois me diga se gostou.

E pra terminar, uma frase de George Bernard Shaw:

Não faças aos outros o que gostarias que fizessem a ti. O gosto deles pode não ser o mesmo.

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