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326 – A música está ficando ruim?

326 – A música está ficando ruim?

Luciano Pires -
Gratuito!
39,9 MB

Bom dia, boa tarde, boa noite amantes da boa música. Nunca se fez tanta música ruim como se faz hoje em dia, não é? É. Mas também nunca se fez tanta música boa como se faz hoje em dia, ué! É tudo uma questão de respeitar seus ouvidos, sua inteligência, e procurar coisas boas para ouvir. Vamos tratar disso no programa de hoje, que na trilha sonora vai mostrar – provavelmente – gente que você nunca ouviu…

Aliás, você vai notar que este programa vai ser muito musical. Eu vou deixar tocar as músicas, porque faz parte do jogo, ok?

Pra começar, uma frase do poeta inglês Robert Browning:

Quem ouve música sente a sua solidão imediatamente povoada.

Este programa chega até você com o apoio do Itaú Cultural, que sabe muito bem a importância que a música tem para a nossa cultura. Acesse www.itaucultural.org.br e dê uma olhada na infinidade de programas não só musicais que o Itaú Cultural coloca à sua disposição. E o melhor: é de graça…

[showhide title=”Continue lendo o roteiro” template=”rounded-box” changetitle=”Fechar o roteiro” closeonclick=true]

E o exemplar de meu livro NÓIS…QUI INVERTEMO AS COISA esta semana vai para ….a professora Magda Lopes que comentou o programa AI SE EU TE PEGO 2 assim:

“Olá Luciano, Éééeé foi difícil, mas não impossível ouvir esse programa até o final, por que você incrementou com sucessos, mostrando como sempre, novas versões de se ouvir, ver e interpretar tudo que nos é apresentado.

Chamou a atenção sutilmente e mandou o recado certinho e como dizia vovó:”para bom entendedor um ponto é vírgula”.

Ah! Luciano, você se esqueceu nos seus comentários do…”eu não quero ser um pocotó…” Será que você também fez intencionalmente para esse versinho não mais sair de nossas cabeças? Não se esqueça que esse “meme” tem seu lado positivo e curativo!!

Sou professora e levei para os meus alunos a musiquinha do Café Brasil, foi uma sensação, a molecada deitou no chão de tanto rir e isso virou uma aula maravilhosa sobre a valorização da nossa língua portuguesa e saiba você, que tenho inovado muito minhas aulas com a sua ajuda e penso que “despocotizo” vários cidadãos todos os anos.

Um abraço.”

Opa! Mais uma professora usando o Café Brasil pra fazer a cabeça da molecada?

Lembra que no programa passado eu botei uma história de uma professora que achou um saco o programa? Pois é!

Que legal, obrigado Magda, por contar pra gente que você está despocotizando a garotada! Que responsabilidade hein? A Professora Magda ganhou um livro pois comentou um programa! E você?

E vamo que vamo na promoção da Nakata, a marca dos componentes de suspensão e direção para o seu carro! Se você acessar a página da Nakata no Facebook, clicar no post da promoção e seguir as regras, vai concorrer a um iPad, meu caro! Um iPad! São seis iPads, um por mês. Acesse www.facebook.com/componentesnakata, Nakata sempre com K, e boa sorte!

Arriscado é não usar Nakata. Exija a tecnologia original líder em componentes de suspensão. Ah, uma dica: agora chegaram também as bombas d´água e óleo Nakata! Tudo azul. Tudo Nakata.

Uau…aí ao fundo você ouve PORTAL DO CANGAÇO, com o DR. Raiz, banda originária de Juazeiro do Norte, no Ceará, que está na estrada desde 1989 trazendo uma sonoridade embalada pela cultura popular tradicional. Já tinha ouvido o Dr. Raiz? Não?

O baiano Glauber Rocha é um dos grandes nomes do cinema brasileiro. No final dos anos 1960 e começo dos 1970, soltou uma frase que passou a ser o mote do que se convencionou chamar de Cinema Novo: “Uma câmera na mão e uma ideia na cabeça.”.Essa frase trazia em si o mito de que bastava uma ideia e uma câmera para se fazer cinema… Nada mais enganoso.

Pesquisadores já descobriram, pela análise de vários roteiros do filme DEUS E O DIABO NA TERRA DO SOL, que essa ideia do autor anárquico e improvisador que Glauber transmitia era pura ficção.

Os roteiros refletem um processo minucioso de planejamento do filme. Glauber fez várias viagens para o sertão do nordeste e fez pesquisas rigorosas sobre o cangaço. Glauber burilou sua ideia antes de pegar a câmera e produziu alguns dos filmes mais revolucionários do cinema brasileiro, seja na temática ou na estética.

Pessoalmente acho os filmes de Glauber Rocha chatos, feios e desagradáveis. Mas eu sei do impacto e importância que tiveram quando foram produzidos. De qualquer forma, a frase famosa “Uma câmera na mão e uma ideia na cabeça” ganhou outra dimensão nos anos 1990, quando começou a popularização das câmeras de vídeo.

De repente qualquer pessoa podia ter acesso a câmeras com alguma qualidade de gravação e portanto, era possível fazer cinema!

Nada mais errado. Para fazer cinema, não basta uma idéia na cabeça e uma câmera na mão. Mesmo que você tenha dinheiro para ter uma boa câmera na mão, sem uma boa ideia só vai fazer um filminho…

Galinha
Kiko Perrone

era uma vez
uma galinha
penas marrons
papo nao tinha
mas um segredo ela guardava dentro de si

numa casa pobre
ela vivia
dias contados pruma canjinha
até que um dia
ela botou ovos diferentes

e vinha gente de lugares tão distantes pra ver
os donos falavam – ela é nossa, estamos ricos pra sempre
bela galinha, ovos de ouro,
mas sempre tinha um mau agouro
tanta riqueza não preservava a paz desse lar

e vinha o padeiro, o açogueiro
pedir dinheiro
sem sucesso
vão trabalhar
que eu vou aproveitar

dizia o dono dela, ele era o seu João
se achava o rei da vila
ficou na solidão por que
galinha morreu, o povo sumiu e ele enlouqueceu.

Que tal hein? É o guitarrista, cantor e compositor paulistano Kiko Perrone, com sua composição GALINHA. Só aqui, né?

Que tal um pouco mais de música ruim feita no Brasil? Você está ouvindo MARAGOGI, de e com o guitarrista carioca Beto Kaiser e sua banda MUCICA… ruim, né?

Muito bem. Naqueles mesmos anos 1970, 80 e até os 90, fazer música era uma dificuldade. Se você não caísse nas graças de uma gravadora ou tivesse um pai rico para bancar os altíssimos custos de produção de um elepê, faria uma carreira pelas beiradas, sem projeção, sem sucesso comercial.

Música era para quem atraía atenção, para quem tinha talento ou um “algo mais”. Não é por outro motivo que até hoje quanto se fala dos grandes nomes da música popular brasileira, nos referimos a senhores e senhoras na casa dos 60, 70 anos de idade. Gente que surgiu numa época em que, pra vencer, você tinha que ser bom. E quem é bom, dura.

Com o tempo a coisa mudou. A tecnologia derrubou os custos de produção e hoje qualquer pessoa com uma ideia na cabeça e um computador na mão faz música.

Avoante
Chico Pessoa

Quando o riacho vira caminho de pedra
E avoante vai embora procurar verde no chão
A terra seca fica só e no silêncio
Que mal comparando eu penso: tá igual meu coração
Que nem a chuva você veio na invernada
Perfumando a minha casa e alegrando meu viver
Mas quando o sol bebeu açude inté secar
Quem poderia imaginar que levaria inté você
(Bis)

Só resisti porque nasci num pé-de-serra
E quem vem da minha terra resistência é profissão
Que o nordesino é madeira de dar em doido
Que a vida enverga e não consegue quebrar não
Sobrevivi e estou aqui contando a história
Com aquela mesma viola que te fez apaixonar
Tua saudade deu um mote delicado
Que ajuda a juntar o gado toda vez que eu aboiar (2x)

Ê ê ê boi, ê ê saudade…

Só resisti porque nasci num pé-de-serra
E quem vem da minha terra resistência é profissão
Que o nordesino é madeira de dar em doido
Que a vida enverga e não consegue quebrar não
Sobrevivi e estou aqui contando a história
Com aquela mesma viola que te fez apaixonar
Tua saudade deu um mote delicado
Que ajuda a juntar o gado toda vez que eu aboiar (2x)

Ê ê ê boi, ê ê saudade…

Que delícia… O forró quando é bem feito é irresistível, não é? Esse é um paraibano que mora em Fortaleza, chamado Chico Pessoa, com seu AVOANTE… É uma delícia….

Então. Na revista Carta Capital foi publicado um artigo interessante chamado “A Música está cada vez mais alta e menos original”.

O som que vem agora é BARCA NOVA com o mineiro Rodrigo Delage e uma deliciosa viola caipira.

Um estudo publicado pelo periódico Nature Scientific Reports envolveu a análise por computador de mais de meio milhão de músicas gravadas entre 1955 e 2010. O resultado comprovou que a música pop ficou mais alta e menos original.

O autor do estudo, Joan Serrà, do Conselho Nacional de Pesquisas da Espanha disse que “conseguimos demonstrar como o nível global de altura das gravações de músicas tem aumentado consistentemente com o passar dos anos”. De forma similar, a equipe descobriu que a diversidade de acordes e melodias diminuiu consistentemente nos últimos 50 anos”.

Joan Serrà afirmou que “isto gera uma receita para modernizar canções antigas, usando mudanças de acordes mais comuns, alterando os instrumentos usados na canção  original e gravando em um tom mais alto”.

O estudo foi realizado com uma variedade de gêneros, como rock, pop, hip hop, metal e música eletrônica. Sem mencionar as canções pelo nome, a pesquisa analisou apenas a música em algoritmos de números e símbolos em busca de padrões.

O estudo destacou que “grande parte das evidências coletadas aponta para um grau elevado de convencionalismo, no sentido de bloqueio ou não evolução, na criação e na produção da música popular contemporânea ocidental”.

O que o estudo fez foi comprovar uma impressão generalizada: a música está ficando pior quando comparada à música que se fazia 50, 100 anos atrás… Mas será? Será que não é a síndrome da ideia na cabeça e da câmera na mão?

Espera
Kleber Albuquerque

Arrumei a casa
Espanei o pó do peito
A tristeza dei um jeito
De esconder lá no capacho
Ariei os olhos
Me quarei lá no riacho
Tirei a roupa do tacho
Botei tudo no lugar
A espera hoje eu acho
Meu amor vai voltar
Defumei a casa toda
Com capim cidreira
Prometi pra padroeira
De subir a penha a pé
Encerei os olhos
Pus mais água no café
Misturei com a colher
E botei tudo no lugar
Quinta feira, tenho fé
O meu amor vai voltar
Arrumei a casa
Pus a roupa no varal
Desembrulhei o enxoval
Pus mais um prato sobre a mesa
Remendei os olhos
Puídos de tanta reza
Com toda delicadeza
Botei tudo no lugar
É domingo, com certeza
Meu amor vai voltar
A casa eu arrumei
Comi os dedos no rosário
Eu rasguei o calendário
Eu chorei bastante
Enfoquei os olhos
Na linha do horizonte
Mas, olhei mais adiante
Botei tudo no lugar
Para o ano, não se espante
Meu amor vai voltar
Arrumei a casa
Espanei o pó do peito
A tristeza dei um jeito
De esconder lá no capacho
Ariei os olhos
Me quarei lá no riacho
Tirei a roupa do tacho
Botei tudo no lugar
Qualquer dia, com certeza
O meu amor vai voltar

Olhaí mais um pouco de música ruim… É Denise Mello, uma delícia, com ESPERA, de Kleber Albuquerque….

Vamos então com o contraponto, com um artigo que Piero Locatelli, repórter da mesma Carta Capital escreveu na edição seguinte. O título é “A música não está pior”.

Um estudo divulgado na última semana alentou os amantes de canções antigas. As agências destacavam: “cientistas descobriram que a música está ficando pior”.

A pesquisa feita por físicos espanhóis parte de um banco de dados com músicas feitas entre 1955 e 2010. Mais de meio milhão de músicas foram analisadas.

E conclui: a criação e a produção da música popular não estão mais “evoluindo”. Elas estariam, cada vez mais, piores e mais parecidas entre elas.

Com a pesquisa, quem detesta músicas novas teria embasamento científico para continuar reclamando. Mas é bom olhar com calma o que os físicos chamam de piorar.

Os pesquisadores dizem que a música está mais pobre porque a harmonia está mais simples, já que a variação e a combinação de acordes nas canções é cada vez menor.

Ou seja, segundo os critérios dos físicos, o clássico Hey Jude, dos The Beatles, é uma música pobre e igual às outras. Usa quatro acordes combinados de maneira simples. Bob Dylan também seria só mais um. O clássico Like a Rolling Stone também tem quatro acordes, e muitas canções dele ainda menos, como Knockin on heaven’s door.

Muito bem. Mas esse critério das harmonias mais simples também não serve para julgar estilos como o hip-hop e a música eletrônica, já que ambos são, em sua maioria, repetições de harmonia simples. A força e a originalidade do rap está na letra e no ritmo, desconsiderados no estudo.

Lalá. Traz de volta aí o Yamandu Costa com Dominguinhos e aquele hino chamado ESTRADA DO SOL , de Tom Jobim…

A simplicidade também é bem-vinda em muitos casos. A pobreza harmônica permite adolescentes erguerem guitarras, tocarem três acordes e fazerem suas próprias bandas sem maiores problemas.

É até uma sacanagem eu ler esse texto aqui com esse Dominguinhos e o  Yamandu no fundo. Mas, vamos ai, vai…

A pobreza de timbres, o som próprio de cada instrumento, apontadas no estudo, também pode ser interpretada como um sinal de que a música vai bem.

Hoje, qualquer pessoa com um computador num morro carioca ou na periferia paraense, pode gravar funk ou tecnobrega sem precisar ter conhecimentos profundos de estúdio.

Tudo pode ser parecido, mas isso é a música democratizada, que pode ser feita por qualquer um e não fica na mão de meia dúzia de técnicos de estúdios.

O estudo ainda desconsidera como as pessoas chegam à música que escutam. Uma coisa é música diferente ser produzida. Outra coisa é a pessoas terem acesso e ouvi-las.

Meus pais não tinham acesso à música experimental alemã nos anos 1970, com harmonia e timbres pouco convencionais. E, se tivessem, não sei se eles gostariam de continuar ouvindo. Continuariam a preferir o Roberto Carlos – outro artista de harmonias e timbres pobres segundo os critérios dos físicos.

Os meios de comunicação e a indústria fonográfica continuam a influenciar muito o que as pessoas ouvem, mas é mais fácil fugir disso hoje do que era há cinquenta anos.

Além disso, nunca foi produzida tanta música no mundo. Podem existir mais canções com harmonias simples e timbres parecidos em relação a tudo que já foi produzido. Mas também nunca houve tantos sons diferentes sendo feitos.

O mundo é um ótimo lugar para quem ouve repetidamente os últimos hits de David Guetta ou Michel Teló. Aos que os desprezam e preferem escutar os eruditos e virtuosos, uma boa notícia: também nunca foi tão simples fazê-lo. A música vai muito bem.

Olha só, uns anos atrás assisti a uma apresentação do presidente da Associação Brasileira da Música Independente, que mostrou números bem interessantes. Ele dizia que 90% da música produzida no Brasil não toca no rádio. Que uma rádio educativa toca das 9 da manhã ao meio dia o mesmo número de músicas que uma rádio FM tradicional toca em três meses… O que tocava no rádio era o que era escolhido, conforme já tratei aqui no programa 297 – JABACULÊ.

Tem alguém escolhendo o que você vai ouvir… E esse alguém vai tocar aquilo que está ligado às grandes emissoras com suas trilhas de novelas, ou então aquilo que está ligado às casa de shows e gravadoras.

E novamente temos um paralelo com o cinema. Neste final de semana decidi assistir a um filme. Fui ao Shopping e descobri que das sete salas, quatro passavam o mesmo filme: AMANHECER, da saga Crepúsculo. No mesmo horário. Pesquisei na internet e descobri que o mesmo acontecia em outros shoppings. O filme que eu queria, não podia ser visto num horário, digamos, nobre. A distribuição de filmes no Brasil hoje está nas mãos de 3 ou 4 grandes redes norte-americanas, que decidem o que você vai ver. E se você não gostar, vire-se procurando as salas alternativas que existem numa cidade como São Paulo. Mas…e em Bauru?

Alguém está escolhendo as merdas que você vai ouvir, que você vai assistir. Enquanto isso, o que é bom fica escondido… Pois é… mas aqui, no Café Brasil, não…

Pontual
Tulipa Ruiz

Creia, na boa ,
queria ter chegado cedo mas hoje não deu
e no momento em que eu perco o filme do começo
não dá pra voltar
Chego quando abrir a sessão das dez
Vou assistir
Até que me organizei pra chegar
Não deu e foi mal, foi mal, não foi por mal
Queria tanto ler o letreiro
Saber de cara quem será na história o vilão
Ação, suspense, filme de ninja ou de amor
Próximo filme vou ser pontual
Pontual, pontual, pontual, pontual, pontual

Que tal a paulista TULIPA RUIZ com Pontual? Você ainda não conhece a Tulipa, bem, então muito prazer…

Resumindo: a música não está ficando ruim no Brasil. Ruim está a música que toca no rodeio, na novela, no Domingão do Faustão, na quermesse…

Música ruim é aquela que aquele desgraçado ouve no último volume do celular dentro do ônibus, do trem ou do metrô. Música ruim é aquela que aquele outro ouve no último volume do som turbinado de seu carro… Quem gosta de música boa não precisa ouvir em volume alto, para mostrar a todos que seu gosto musical é uma merda…

Já disse alguém que a música é a mais indiscreta das artes. É a única que se impõe a domicílio, apesar de pisos e paredes.

Existem gênios com grandes ideias na cabeça e com computadores à mão, fazendo a melhor música que já se fez neste planeta. Mas eles não tocam no rádio. Nem aqui nem lá fora. E o gosto musical também evolui. Ou você imagina uma pessoa que se emocionava em 1800 com a música de Mozart, pulando ao som dos Rolling Stones? Nossos ouvidos vão se acostumando a novos timbres, novas harmonias. E não raro, o simples é o que mais nos interessa.

Por isso vejo com reservas o matemático estudo espanhol, compreendo a lista das 100 mais tocadas nas rádios brasileiras e entendo quem diz que a música está pior.

Mas felizmente temos a internet. É nela que você acha as melhores ideias, com um clique de distância e um universo a ser descoberto. Na música, no cinema, na literatura, na dança… Basta compreender que a arte que está ruim é aquela descartável, histriônica, bizarra e de mau gosto que algum vendedor quer que você consuma. Quando você compreender que é assim que funciona, estará pronto para buscar a liberdade.

E a liberdade da internet a gente aproveita melhor ainda se tiver um iPad, por exemplo! E se você acessar a página da Pellegrino Distribuidora no Facebook, pode concorrer a um iPad, a um GPS e a tocadores de mp3 para ouvir o melhor da música que se faz hoje no mundo!

A Pellegrino distribui as marcas mais importantes de auto e moto peças para seu carro, e está inaugurando sua página www.facebook.com/pellegrinodistribuidora. Pellegrino com dois eles. Acesse, clique no post da promoção e boa sorte!

Pellegrino Distribuidora. Conte com a nossa gente.

Bem, deixei pro final uma bomba pra gente ver como é que anda a música no Brasil. Com você, o samba rap Fabiana Cozza e Rappin Hood com MALANDRO de Jorge Aragão e Jotabê.

Malandro
Jorge Aragão
Jotabê

Lá Laiá, Laiá Laiá, Laiá Laiá Laiá!
Laiá, Laiá, Laiá, Laiá Laiá!
Eh! Laiá, Laiá, Laiá Laiá Laiá!
Laiá Laiá Laiá, Laiá Laiá!…

Malandro!
Eu ando querendo
Falar com você
Você tá sabendo
Que o Zeca morreu
Por causa de brigas
Que teve com a lei…

Malandro!
Eu sei que você
Nem se liga pro fato
De ser capoeira
Moleque mulato
Perdido no mundo
Morrendo de amor…

Malandro!
Sou eu que te falo
Em nome daquela
Que na passarela
É porta estandarte
E lá na favela
Tem nome de flôr…

Malandro!
Só peço favor
De que tenhas cuidado
As coisas não andam
Tão bem pro teu lado
Assim você mata
A Rosinha de dor…

Lá Laiá, Laiá Laiá, Laiá Laiá Laiá!
Laiá, Laiá, Laiá, Laiá Laiá!
Laiá, Laiá, Laiá Laiá Laiá!
Laiá Laiá Laiá, Laiá Laiá!…

Malandro!

Malandro
Rappin Hood

Cinco da manhã tudo começa
É um novo dia
Deus que ilumine a periferia
Gente saindo pro trabalho
Nóia indo dormir
Noite e dia
Contraste, se liga aí
A garotada acordando pra ir pra escola
E pai saindo pra treinar
O mano que joga bola
Percebo que a preta velha vai fazer café
E hoje ela canta Gil, canta com fé
E é na fé que eu vou, é hora de levantar
Mais uma jornada
Vai nego trabalhar
Correr atrás do prejuízo pra sobreviver
Essa guerra que o pobre já perdeu
Eu vou até a padaria buscar pão e leite
Fico sabendo que à noite morreu um caguete
Episódio ruim, é, infelizmente
Mas, quem mandou caguetar, problema dele
Na banca de jornal vejo as novas do dia
O dólar que subiu, o pai que matou a filha
No boteco a conversa sobre futebol
E a eterna briga se foi pênalti ou não
Penso um número pra jogar no jogo do bicho
Quem sabe levo uma sorte e levanto um níquel
Fico sabendo que a polícia já tá pela área
Coletando informações sobre a  noite passada
Mas, se perguntar pra mim, digo não sei nada
Pois sou sossegado, sou da rapaziada
Eu nada vi, eu nada sei, eu nada falo,
Pra esses tipo de conversa tá adiado
Malandreando, malandreado
Vamo junto…

E então? A música tá pior ou tá melhor? Sei que música é uma questão de gosto, mas quem procura…acha…

Olha só. Se você gosta das músicas que tocamos aqui no Café Brasil, ouça a web rádio Café Brasil. Ela está no www.portalcafebrasil.com.br. 24 horas do melhor da Música Popular Brasileria Que Presta, numa seleção especial de Ciça Camargo. Se você não gostar, paciência!

Então, vamos saindo de mansinho, com o musical Lalá Moreira na técnica, a dissonante Ciça Camargo na produção e eu, o harmônico Luciano Pires na direção e apresentação.

Estiveram conosco a ouvinte Magda, e uma amostra do que a música popular brasileira está fazendo de melhor: Dr. Raiz, Kiko Perrone, Beto Kaiser, Chico Pessoa, Rodrigo Delage, Yamandú Costa com Dominguinhos, Tulipa Ruiz, Fabiana Cozza e Rappin Hood

Este programa chega até você com o apoio de quem entende muuuuiiito de música: o Auditório Ibirapuera, um templo construído para honrar a música como a manifestação da alma dos homens e mulheres que querem falar o que não se diz apenas com palavras. www.auditorioibirapuera.com.br. Acesse o site, olhe a programação e vá lá ver como a música popular brasileira nunca esteve tão bem!

E pra terminar, uma frase do escritor inglês Aldous Huxley:

Depois do silêncio, aquilo que mais aproximadamente exprime o inexprimível é a música.

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