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Luciano Pires -
Gratuito!
26,3 MB

Bom dia, boa tarde, boa noite. Olha só, você é dos que acham que o mundo vai de mal a pior nas mãos de uma nova geração despreparada para os desafios morais da sociedade? Acha que no seu tempo é que era bom? Acha que vamos acabar com a humanidade?

Bom, é sobre isso que vamos refletir neste programa, que não começa com uma frase, mas com uma reflexão de José Saramago:

“Filho é um ser que nos foi emprestado para um curso intensivo de como amar alguém além de nós mesmos, de como mudar nossos piores defeitos para darmos os melhores exemplos e de aprender a ter coragem. Isto mesmo! Ser pai ou mãe é o maior ato de coragem que alguém pode ter, porque é se expor a todo tipo de dor, principalmente da incerteza de estar agindo corretamente e do medo de perder algo tão amado. Perder? Como?  Não é nosso, recordam-se? Foi apenas um empréstimo”.

Este programa chega até você com o auxílio de quem sabe que a humanidade evolui a partir do conhecimento. E que uma das molas mestras do conhecimento é aquilo que chamamos de cultura. Itaú Cultural, www.itaucultural.org.br. Acesse o site e dê uma olhada nos vários programas à sua disposição.

[showhide title=”Continue lendo o roteiro” template=”rounded-box” changetitle=”Fechar o roteiro” closeonclick=true]

E o exemplar de meu livro NÓIS…QUI INVERTEMO AS COISA da semana vai para…para… o Ronaldo Venâncio, que comentou assim o programa POSSUIR OU POSSUÍDO:

“Fala Luciano.

Cara, o que falar desse programa? Meu, só tenho que agradecer a você pelas perolas semanais de cultura e sabedoria. Agora, depois de escutar o episódio, não chorei, por vergonha, pois estou no trabalho e ia ficar meio esquisito um cara de 36 anos e 125 quilos chorando sem motivo aparente né?

Mas me lembrei da pessoa mais importante na minha vida, minha Mãe, assim mesmo com letra maiúscula.

Minha querida Mãe é uma sábia. Uma senhora semi analfabeta de quase 80 anos que cuida de uma filha deficiente e de um marido com mais de 90 anos, uma verdadeira guerreira.

Pois essa senhora semi analfabeta salvou minha vida com seus ensinamentos simples, mas diretos e acertados. Isso que você disse no programa sobre apego, principalmente a bens materiais, ela me ensinou quando eu ainda era um pré adolescente querendo ser e ter tudo, morando na periferia de São Paulo perto de um monte de coisas erradas e de algumas coisas certas, e esses ensinamentos me fizeram tomar as atitudes corretas, as vezes não as mais certas. Mas, sempre as menos erradas.

E mando essa mensagem pra corroborar a sua afirmação de que pessoas com pouca instrução e/ou dinheiro aprendem “mais rápido” o valor do desapego, não o desapego total e irrestrito, mas o desapego inteligente.

Enfim, isso é o que eu queria falar.

Mais uma vez obrigado pelo programa e pela oportunidade de me fazer pensar.

Ps.: Um aparte para falar do episódio Certos abraços. Chorei, é o que eu fiz quando terminei de escutá-lo, chorei por lembrar dos abraços dados e dos não dados, dos abraços recusados, enfim de certos abraços.”

Caro Ronaldo, isso que você descreve sobre sua mãe pode ser resumido numa palavrinha interessante: sapiência. Mães são sábias. Pais também são. E para serem sábios não precisam ter diploma ou título de doutorado, basta ter apanhado na vida… Esse diploma, o da vida, não basta para você exercer engenharia, medicina ou dar aulas de física. Mas é um tremendo ganho para quem quer formar pessoas de bem, sabia?

Bem, o Ronaldo ganhou um livro pois comentou um programa. Vamos ver se você se anima? www.portalcafebrasil.com.br

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Vou dar a largada com um texto do escritor moçambicano Mia Couto, que eu adaptei para o português falado no Brasil. O nome é “Um dia isto tinha que acontecer”, que diz assim:

Está em apuros a geração dos pais que educaram os seus meninos numa abastança caprichosa, protegendo-os de dificuldades e escondendo-lhes as agruras da vida. Está em apuros a geração dos filhos que nunca foram ensinados a lidar com frustrações.

A ironia de tudo isto é que os jovens que agora se dizem (e também estão) em apuros são os que mais tiveram tudo. Nunca nenhuma geração foi, como esta, tão privilegiada na sua infância e na sua adolescência. E nunca a sociedade exigiu tão pouco aos seus jovens como lhes tem sido exigido nos últimos anos.

Deslumbradas com a melhoria significativa das condições de vida, a minha geração e as seguintes (atualmente entre os 30 e os 50 anos) vingaram-se das dificuldades em que foram criadas, no antes ou no pós 1974, e quiseram dar aos seus filhos o melhor.

Ansiosos por sublimar as suas próprias frustrações, os pais investiram nos seus descendentes: proporcionaram-lhes os estudos que fazem deles a geração mais qualificada de sempre (já lá vamos…), mas também lhes deram uma vida desafogada, mimos e mordomias, entradas nos locais de diversão, carteiras de motorista e primeiro automóvel, tanques de combustível cheios, dinheiro no bolso para que nada lhes faltasse.

Mesmo quando as expectativas de primeiro emprego não deram certo, a família continuou presente, a garantir aos filhos cama, mesa e roupa lavada. Durante anos, acreditaram estes pais e estas mães estarem fazendo o melhor. O dinheiro ia chegando para comprar (quase) tudo, quantas vezes em substituição de princípios e de uma educação para a qual não havia tempo, já que ele era todo para o trabalho que garante o ordenado com que se compra (quase) tudo. E éramos (quase) todos felizes. Depois, veio a crise, o aumento do custo de vida, o desemprego… A vaquinha emagreceu, feneceu, secou. Foi então que os pais ficaram em apuros.

Os pais em apuros não vão a um concerto, mas os seus rebentos enchem baladas e festivais de música e bares e discotecas onde não se entra de graça nem se consome fiado.

Os pais em apuros deixaram de ir ao restaurante para poderem continuar a pagar restaurante aos filhos, num país onde uma festa de aniversário de adolescente que se preza é no restaurante e vedada a pais. São pais que contam os centavos para pagar as contas de água e da luz e do resto, e que abdicam dos seus pequenos prazeres para que os filhos não prescindam da internet de banda larga a alta velocidade, nem dos qualquercoisaphones ou pads, sempre de última geração.

São estes pais mesmo em apuros, que já não aguentam, que começam a ter de dizer ´não´. É um ´não´ que nunca ensinaram os filhos a ouvir, e que por isso eles não suportam, nem compreendem, porque eles têm direitos, porque eles têm necessidades, porque eles têm expectativas, porque lhes disseram que eles são muito bons e eles querem, e querem, querem o que já ninguém lhes pode dar! A sociedade colhe assim hoje, os frutos do que semeou durante pelo menos duas décadas.

Eis agora uma geração de pais impotentes e frustrados. Eis agora uma geração jovem altamente qualificada, que andou muito por escolas e universidades, mas que estudou pouco e que aprendeu e sabe na proporção do que estudou. Uma geração que coleciona diplomas com que o país lhes alimenta o ego insuflado, mas que são uma ilusão, pois correspondem a pouco conhecimento teórico e a duvidosa capacidade operacional.

Eis uma geração que vai a toda a parte, mas que não sabe estar em lugar nenhum. Uma geração que tem acesso à informação sem que isso signifique que é informada, uma geração dotada de trôpegas competências de leitura e interpretação da realidade em que se insere.

Eis uma geração habituada a comunicar por abreviaturas e frustrada por não poder abreviar do mesmo modo o caminho para o sucesso. Uma geração que deseja saltar as etapas da ascensão social à mesma velocidade que queimou etapas de crescimento. Uma geração que distingue mal a diferença entre emprego e trabalho, ambicionando mais aquele do que este, num tempo em que nem um nem outro abundam.

Eis uma geração que, de repente, se apercebeu que não manda no mundo como mandou nos pais e que agora quer ditar regras à sociedade como as foi ditando à escola, estupidamente e sem maneiras.

Eis uma geração tão habituada ao muito e ao supérfluo que o pouco não lhe chega e o acessório se lhe tornou indispensável. Eis uma geração consumista, insaciável e completamente desorientada. Eis uma geração preparadinha para ser arrastada, para servir de montada a quem é exímio na arte de cavalgar demagogicamente sobre o desespero alheio.

Há talento e cultura e capacidade e competência e solidariedade e inteligência nesta geração? Claro que há. Conheço uns bons e valentes punhados de exemplos! Os jovens que detêm estas capacidades características não encaixam no retrato coletivo, porque se identificam com os seus contemporâneos, e nem são esses que se queixam assim (embora estejam em apuros, como todos nós).

Chego a ter a impressão de que, se alguns jovens mais inflamados pudessem, atirariam ao tapete os seus contemporâneos que trabalham bem, os que são empreendedores, os que conseguem bons resultados acadêmicos, porque, que inveja! que chatice!, são nerds, bobos que só estorvam os outros e, ah, injustiça!, já são capazes de conseguir bons salários e de subir na vida.

E nós, os mais velhos, estaremos em vias de ser caçados à entrada dos nossos locais de trabalho, para deixarmos livres os invejados lugares a que alguns acham ter direito e que pelo visto – e a acreditar no que ultimamente ouvimos de algumas almas – ocupamos injusta, imerecida e indevidamente?!!!

Novos e velhos, todos estamos em apuros. Apesar do tom desta minha prosa, o que eu tenho mesmo é pena destes jovens. Tudo o que atrás escrevi serve apenas para demonstrar a minha firme convicção de que a culpa não é deles.

A culpa de tudo isto é nossa, que não soubemos formar nem educar, nem fazer melhor, mas é uma culpa que morre solteira, porque é de todos, e a sociedade não consegue, não quer, não pode assumi-la. Curiosamente, não é desta culpa maior que os jovens agora nos acusam. Haverá mais triste prova do nosso fracasso?

Esses Moços
Lupicínio Rodrigues

Esses moços, pobres moços
Ah! Se soubessem o que eu sei
Não amavam, não passavam
Aquilo que já passei
Por meu olhos, por meus sonhos
Por meu sangue, tudo enfim
É que peço
A esses moços
Que acreditem em mim

Se eles julgam que há um lindo futuro
Só o amor nesta vida conduz
Saibam que deixam o céu por ser escuro
E vão ao inferno à procura de luz
Eu também tive nos meus belos dias
Essa mania e muito me custou
Pois só as mágoas que trago hoje em dia
E estas rugas o amor me deixou

Esses moços, pobres moços
Ah! Se soubessem o que eu sei
Não amavam, não passavam
Aquilo que já passei
Por meu olhos, por meus sonhos
Por meu sangue ,tudo enfim
É que peço
A esses moços
Que acreditem em mim

E essa? É ESSES MOÇOS, o clássico de Lupicínio Rodrigues com Thedy Corrêa, o vocalista do grupo NENHUM DE NÓS, que fez um disco delicioso só com composições de Lupicínio, mostrando como uma geração pode construir sobre as ideias da geração que veio antes…

Aliás, por falar em antes, antes do Thedy, você ouviu a mesma música com Roberto Sion e quarteto.

Um rock pras futuras gerações
Zé Rodrix

Você não pode se esquecer que Elvis Presley um dia cantou
Rock and roll
Rock and roll
E que a moçada que pintou naquele dia pulou e gritou
Rock and roll
Rock and roll
E que depois que ele mexeu todo mundo
Ele marcou o mundo bem lá no fundo
E depois disso este planeta nunca mais foi o mesmo
Você não pode duvidar que tudo isso chegou pra ficar
Rock and roll
Rock and roll
E que depois do rock and roll o mundo tá muito melhor
Rock and roll
Rock and roll
E que se a guerra tá batendo lá fora
E a velha bomba vai pintar qualquer hora
A gente ainda tem um refúgio seguro no rock and roll
Não é a toa que milhares de pessoas no mundo inteiro
Rock and roll
Rock and roll
Tão escutando o rock and roll até no meio de fevereiro
E é por isso que você não pode nunca nos abandonar
Rock and roll
Rock and roll
E se você chegar ao ano 2000 na certa vai concordar
Rock and roll
Rock and roll
Porque as futuras gerações do planeta
Retribuindo à zona grande riqueza
Vão estar todas cantando ouvindo e curtindo o rock and roll
Rock and roll
Rock and roll

Uuuh!…você não pode duvidar que tudo isso chegou pra ficar…esse é o Zé Rodrix com UM ROCK PRAS FUTURAS GERAÇÕES. Quem viu Arctic Monkeys tocando The Beatles na abertura das olimpíadas, sabe o que é que ele está falando.

Que reflexão pesada aquela do Mia Couto, não é mesmo?

Pois eu comungo com ele a sensação de que se existe uma culpa, é da geração anterior à essa que aí está: os pais que tudo permitiram… Mas se você é daqueles que acha que o mundo está caminhando para o fim e que a próxima geração é composta de idiotas, tenho três considerações a fazer. Na verdade, três enunciados que encontrei nas pesquisas para montar este programa, olha só.

O primeiro enunciado: “Nossa juventude adora o luxo, é mal-educada, caçoa da autoridade e não tem o menor respeito pelos mais velhos. Nossos filhos hoje são verdadeiros tiranos. Eles não se levantam quando uma pessoa idosa entra, respondem a seus pais e são simplesmente maus”.

O segundo enunciado: “Não tenho mais nenhuma esperança no futuro do nosso país se a juventude de hoje tomar o poder amanhã, porque essa juventude é insuportável, desenfreada, simplesmente horrível”.

O terceiro enunciado: “Essa juventude está estragada até o fundo do coração. Os jovens são malfeitores e preguiçosos. Eles jamais serão como a juventude de antigamente. A juventude de hoje não será capaz de manter a nossa cultura”.

Que tal? Você achou pesados demais os enunciados que eu fiz? Então deixe eu contar quem é que disse cada um deles….

O primeiro foi dito por Sócrates, 400 anos antes de Cristo. O segundo foi dito por Hesíodo, 720 anos antes de Cristo. E o terceiro estava escrito num vaso de argila descoberto nas ruínas da Babilônia, que tinha mais de 4000 anos de idade…

Preciso Aprender a Só Ser
Gilberto Gil

Sabe, gente.
É tanta coisa pra gente saber.
O que cantar, como andar, onde ir.
O que dizer, o que calar, a quem querer.

Sabe, gente.
É tanta coisa que eu fico sem jeito.
Sou eu sozinho e esse nó no peito.
Já desfeito em lágrimas que eu luto pra esconder.

Sabe, gente.
Eu sei que no fundo o problema é só da gente.
E só do coração dizer não, quando a mente.
Tenta nos levar pra casa do sofrer.

E quando escutar um samba-canção.
Assim como: “Eu preciso aprender a ser só”.
Reagir e ouvir o coração responder:
“Eu preciso aprender a só ser.”

Ah!… é tanta coisa pra gente saber, né? Mestre Gil com sua PRECISO APRENDER A SÓ SER. É aquele momento pra reflexão… Eu preciso aprender a só ser…

Onde quero chegar? A próxima geração sempre será mais ignorante, mais irresponsável, mais pobre, mais medíocre, mais burra do que a anterior. Há mais de 4000 anos que pensamos assim… E você acha que algum dia isso vai mudar?

Aos 56 anos de idade, já considero que vivo no mundo de meus filhos. A realidade de hoje é a deles, a palavra é a deles, a energia é a deles. As baladas, a moda, a música, a conversa é a deles. E esse mundo deles não me serve, fui educado para outro mundo, aquele que eu construí quando tive entre 20 e 45 anos de idade. Lamento por muito do que meus filhos estão perdendo, mas invejo o muito que eles estão tendo e que eu jamais tive.

Uma coisa, no entanto, não vai mudar: eu, como meu pai e como meu filho, tenho um cérebro. Sinto frio, fome, dores, amores, calor. Se eu me cortar, sangro.

Exatamente como os caras que 4000 anos atrás escreveram naquele vaso de argila a sua inconformidade com a geração que vinha em seguida…

A burrice sempre existiu e sempre atraiu a maior parte das pessoas que compõe aquilo que chamamos de “o povo”. O povo é médio, é conformado, é ignorante e por isso precisa tanto de líderes. Mas basta dar uma olhada na história para verificar que, mesmo com a tentação da burrice e ignorância, cada geração obteve conquistas tecnológicas, morais e sociais fabulosas, que levaram a humanidade a um estágio de conforto, conhecimento e harmonia muito superior ao que existia 4000, 1000, 500 ou 100 anos atrás. Ou você acha que vivemos pior do que viviam nossos avós, hein?

A visão idílica de que “antes é que era bom” só serve para quem tem saudades de um passado que… passou. Não tem aplicação prática e não serve para construir o futuro. Serve como modelo. Um modelo para um futuro que não é mais nosso, é dos meninos e meninas que nós, os mais velhos, criamos e que agora são os donos do mundo que está aí.

Muito bem. Vamos então ao resumo: toda geração acha que a geração que vem depois é muuuuito pior do que a sua. Mas nenhuma geração acha que a a culpa é dela mesma…

Eu concordo com Mia Couto e acho que se algum dia idealizamos um mundo melhor, deveríamos ter pensado nas pessoas que estávamos desenvolvendo para construir e cuidar dele. A nova geração nos ensinou a sermos pais, educadores, formadores, mentores. Aprendemos com a garotada que aí está, e se o resultado foi ruim, a culpa é nossa, que fomos maus alunos e maus professores! Mas observando o comportamento de meus filhos acho que cumpri meu papel, e tenho visto uma moçada muito interessante aparecendo, com ideias, propostas e atitudes que me enchem de orgulho. São minoria? Claro que são. Mas nos últimos 40 mil anos, quando é que não foram?

Pense nisso.

Loadeando
Marcelo D2

Stephan: “E aí pai, beleza?”

Marcelo: “Beleza filho. E tu? Tudo certo?”

Stephan: “Certo. E você? A procura da batida perfeita?”

Marcelo: “Sempre, rapaz. E aí? Como é que tá o colégio?”

Stephan: “Ah! O colégio tá bem! Eu que..você sabe como é que é,né?”

Round one…

Marcelo: O jogo começou, aperta o Start, na vida você ganha, cê perde, meu filho. Faz parte.

Stephan: Ih! É ruim, eu não gosto de perder. Nem me lembro há quanto tempo que eu não perco pra você.

Marcelo: Han.Calma filho, você ainda tem que crescer. O jogo apenas começou e você tem muito pra aprender.

Stephan: É! Eu sei. Eu tava só zoando. Você que lodeou e eu tô jogando.

Marcelo: Eu me desenvolvo e evoluo com meu filho.

Stephan: Eu me desenvolvo e evoluo com meu pai.

Round two…

Stephan: Se o papo for futebol?

Marcelo: Ah! Isso é comigo.

Stephan: E se o assunto é playstation?

Marcelo: Tudo bem contigo. A evolução aqui é de pai pra filho.

Stephan: A família é Peixoto e representa o Rio. Eu me desenvolvo e evoluo com meu pai. Mas aquele passeio na Disney,quando a gente vai, hein?

Marcelo: Han! Sabia. Tava demorando. Deixa o dólar dá uma baixada ai nós vamos, certo?

Stephan: Ih! Beleza. A comida tá na mesa. Mas pro dólar dá uma baixada é uma tristeza.

Marcelo: É! Tu sabe que a vida não tá mole pra toda família, que segue firme e forte, na correria.

Stephan: Me lembro, é só olha pra trás. Mas pra vida melhorar,como é que faz?

Marcelo: Não fico parado, esperando a ajuda da Unesco. Na minha vida ando pra frente, sempre em passo gigantesco.

Marcelo: Eu me desenvolvo e evoluo com meu filho.

Stephan: Eu me desenvolvo e evoluo com meu pai.

Stephan: O pensamento é rápido. Não enrola. Três pra frente “x” diagonal pra cima e bola.

Marcelo: É! Já vi que tu tem o poder. O controle tá na tua mão e o jogo é pra você. Mas a persistência é o que leva a perfeição. Eu que lodiei, você joga e é exemplo pro teu irmão.

Stephan: Você é o reflexo do espelho do seu pai. Eu também. Uma coisa eu aprendi, planto amor pra colher o bem.

Marcelo: Ah moleque!Assim que é meu filho, assim você me deixa orgulhoso, uma coisa que a gente tem que ter muito no coração é amor e é por essas e outras que:

Marcelo: Eu me desenvolvo e evoluo com meu filho.

Stephan: Eu me desenvolvo e evoluo com meu pai.

E é assim, com Marcelo D2 e seu filho cantando Loadeando, dele mesmo, que o Café Brasil de hoje que tratou de gerações, vai saindo de mansinho.

Com o velho Lalá Moreira na técnica, a anciã Ciça Camargo na produção e eu, o tiozão Luciano Pires na direção e apresentação.

Estiveram conosco o ouvinte Ronaldo Venâncio, Marcelo D2 com seu filho Stephan, Thedy Corrêa, Zé Rodrix, Gilberto Gil e Roberto Sion.

Este programa chega até você com o apoio de quem sabe que a arte é eterna, e que se existe uma linguagem comum às gerações, é a música: Auditório Ibirapuera. www.auditorioibirapuera.com.br. Acesse o site, veja a programação e vá lá conhecer uma moçada nova que sabe muito bem como nos emocionar.

Este é o Café Brasil, um programa que trata do caos que perpassa nossas vidas, mas que é, antes de tudo, otimista. Que sabe que a garotada que vem aí vai construir um mundo melhor do que o que temos hoje. Mas quem fará isso será – sempre – a minoria.

Pra terminar, uma frase de George Orwell que, se não me engano, já usei num outro programa. Mas ela é tão boa…

Cada geração imagina-se mais inteligente que a geração que veio antes, e mais sábia que a geração que vem depois…

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