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Bom dia, boa tarde, boa noite. Pois então, neste mundo repleto de notícias alarmantes, de políticos roubando, de impostos escorchantes, de serviços mal feitos, de fila pra tudo, às vezes acontecem coisas que nos lembram como é bom estar vivo. Este programa nasceu de uma experiência pessoal ao ouvir três artistas maiúsculos. Vamos ver se eu consigo transportar você até lá…

Pra começar, uma frase de Cauby Peixoto:

Minha voz só melhora por isso: cuido bem dela, não fumo, não bebo e não discuto.

O programa de hoje chega até você com o apoio de quem viu na arte, na cultura, na música, na poesia, na pintura, no teatro, na escultura, na dança, na literatura, os verdadeiros caminhos para o crescimento pessoal: Itaú Cultural. www.itaucultural.org.br. Visite o site e conheça os projetos que o Itaú Cultural apoia. Existe um mundo ali a ser descoberto.

[showhide title=”Continue lendo o roteiro” template=”rounded-box” changetitle=”Fechar o roteiro” closeonclick=true]

E o exemplar do meu novo livro NÓIS…QUI INVERTEMO AS COISA da semana vai para…para… O Aurélio Rubio Neto, que é um colega podcaster e comentou assim o programa JABACULÊ:

“Olá Luciano e turma, muito obrigado e parabéns pelo trabalho. Aqui é o Aurélio Neto de Rio Verde. Depois de me manter extremamente ativo, por um ano e meio na sofrida iniciação científica, dois anos no mestrado e, mais de um ano no doutorado, decidi tirar folga no mês de janeiro.

Consegui, entretanto, acabei com o cansaço e arrumei outro problema, que eu não sabia exatamente o que era. De lá para cá, apesar das ideias, não escrevo muita coisa, sinto-me estranho e atrasado, então, escutando suas palavras, pensei que talvez, eu não passasse de mais um homem talvez, e que meu sentimento, nada mais era que procrastinação.

Tomei um café após a introspecção, escrevi dois capítulos da tese, que já foram encaminhados para publicação, um livro, que estava todo arquitetado no meu cérebro e agora esse comentário.

Por isso, iniciei minhas palavras com o agradecimento, pois definitivamente, eu perambulava “pela rua do já vou, rumo ao nunca”. Obrigado novamente por essa puxada de orelha…

Seu podcast me motivou tanto, que recentemente, criei com alguns amigos, o Matutocast, para inserir nesse novo cenário, meu querido estado. Não que isso seja um jabá, afinal, o objetivo aqui é só o agradecimento.”

Rarara…tá feito o merchan Aurélio, o Matutocast é o primeiro podcast brasileiro que começa com um berrante e segue com modas de viola, até mesmo portuguesas! Um abraço aí pro cumpadre Jadson e o cumpadre Hugo. E eu fico imaginando os caipiras falando procrastinar…

Viu como é fácil ganhar um livro? É só mandar um comentário e torcer pra ser escolhido.

E então, vamos ganhar um ipod Touch? Se você não sabe, o ipod touch é um mini ipad. Ah continua sem saber?

Então vamos lá: o ipod touch é um aparelhinho que toca músicas, tira fotos, filma, faz vídeo conferência e mais um milhão de coisas que um computador faz. Mas ele cabe no seu bolso e com ele você baixará automaticamente seus podcasts e músicas preferidas. É o máximo!

Pra concorrer a um, entre em www.facebook.com/componentesnakata (nakata sempre com k). Essa é a página da Nakata, a marca de segurança para quem quer componentes de direção e suspensão para seus veículos. Participe contando uma historinha sobre algum momento em que você ficou na mão por falta de manutenção preventiva. Aliás, quando esse programa for ao ar, talvez já tenha até mudado para a participação através de vídeos engraçados que envolvam automóveis ou situações do trânsito. Conte a história, arrume um vídeo, publique e arrume curtidores. No final do mês você concorre a um ipod touch. Os mais curtidos estarão participando. Se ganhar, sua vida vai mudar.

Nakata. Arriscado é não usar Nakata. Exija a tecnologia original líder em componentes de suspensão. Tudo azul. Tudo Nakata.

Chegando a São Paulo, ao retornar de uma palestra que eu realizei em Salvador, peguei meu carro e segui pela Marginal do Tietê em direção à minha casa. Era mais de meia noite, liguei o rádio na CBN e peguei o começo do programa do Jô. Aguardei para ver quem seriam os convidados e decidi ouvir o papo com o cantor Emílio Santiago, outra daquelas entrevistas burocráticas, sem grandes novidades.

Mas quando fui entrar na garagem, o Emílio começou a cantar o clássico Misty, de Errol Garner e Johnny Burke, e aquele som tomou conta de mim.

Misty
Errol Garner
Johnny Burke

Look at me
I’m as helpless as a kitten up a tree
And I feel like I’m clinging to a cloud
I can’t understand
I get misty, just holding your hand

Walk my way
And a thousand violins begin to play
Or it might be the sound of your hello
That music I hear
I get misty the moment you’re near

You can say that you’re leading me on
But it’s just what I want you to do
Don’t you notice how hoplessly I’m lost
That’s why I’m following you

On my own
Would I wander through this wonderland alone
Never knowing my right foot from my left
My hat from my glove
I’m too misty and too much in love
(repeat after music interlude)

Look at me

Misty

Olhe para mim
Desamparado como um gatinho numa árvore
E sinto-me nas nuvens
Não consigo entender
Sinto-me nas nuvens apenas por pegar na tua mão

Sigo meu caminho
E mil violinos começam a tocar
Ou poderia ser apenas o som de seu “olá”
A música que estou ouvindo
Sinto-me nas nuvens quando você está perto

Poderiam dizer que você está me seduzindo
Mas isto é exatamente o que eu queria
Você não percebe quão desesperadamente perdido estou
Por isso eu corro atrás de você

Por mim
Estaria sozinho vagando neste paraíso
Sem distinguir meu pé direito do esquerdo
Meu chapéu da minha luva
Sinto-me completamente nas nuvens e apaixonado

Olhe para mim

Que delicadeza, que tranquilidade, um acompanhamento delicioso da banda, uma interpretação que não pode ser definida com outra palavra que não “bela”. Eu não consegui sair do carro.

Em seguida Emílio engatou o bolero Solamente una vez, do mexicano Agustín Lara… E os meus olhos se encheram de lágrimas.

Solamente Una Vez
Agustín Lara

Solamente una vez
Ame en la vida
Solamente una vez
Y nada mas

Una vez nada mas en mi huerto
Brillo la esperanza
La esperanza que alumbra el camino
De mi soledad

Una vez nada mas
Se entrega el alma
Con la dulce y total
Renunciación

Y cuando ese milagro
Realiza el prodigio de amarte
Hay campanas de fiesta que cantan
En el corazon

Somente uma vez

Somente uma vez
Amei na vida
Somente uma vez
E nada mais
Uma vez, nada mais em meu pomar
brilhou a esperança
A esperança que ilumina o caminho
da minha solidão
Uma vez nada mais
se entrega a alma
Com a doce e total renuncia
E quando esse milagre realiza
o prodígio de amar-se
há sinos de festa que tocam
no coração

E então O Emílio completou com Eu e a Brisa, de Johnny Alf. Emocionante.

Eu e a Brisa
Johnny Alf

Ah, se a juventude que esta brisa canta
Ficasse aqui comigo mais um pouco
Eu poderia esquecer a dor
De ser tão só pra ser um sonho
Daí então quem sabe alguém chegasse
Buscando um sonho em forma de desejo
Felicidade então pra nós seria
E, depois que a tarde nos trouxesse a lua
Se o amor chegasse eu não resistiria
E a madrugada acalentaria a nossa paz
Fica, ó brisa fica pois talvez quem sabe
O inesperado faça uma surpresa
E traga alguém que queira te escutar
E junto a mim queira ficar
E junto a mim queira ficar
E junto a mim queira ficar
E junto a mim queira ficar

Só no dia seguinte, ao acessar a entrevista pela internet é que eu vi em que condições Emílio cantou: ele estava sentado ao lado do Jô, sem grandes gestos, tranquilo. Que delícia o sorriso imenso após cada música cantada! Vê-lo foi um impacto tão grande quanto ouvi-lo. Eu assisti de novo e me emocionei outra vez com as interpretações. Se você quiser saber como foi, acesse o texto deste programa logo abaixo do player no site www.podcastcafebrasil.com.br que vamos colocar o link da entrevista do Emílio lá no Jô. (http://bit.ly/Mth8ax). Assista a partir dos oito minutos.

Pois bem, alguns dias depois eu estava no Auditório Ibirapuera, o grande templo da música em São Paulo. A apresentação era “Cauby, violão e voz”.

Exatamente, Cauby Peixoto, aos 81 anos de idade, acompanhado “apenas” pelo violão de Ronaldo Rayol. Coloquei o “apenas” entre aspas em respeito ao Rayol, um artista espetacular. E Cauby mandou ver. Fugiu do roteiro, conversou com o público, demonstrou claramente a fragilidade física. Cantou todo o tempo sentado e deixou clara sua satisfação com aquele momento.

O Auditório Ibirapuera é hoje, ao lado da Sala São Paulo, um dos raros palcos que ampliam o talento dos artistas e Cauby, que nos últimos anos tem se apresentado em casas noturnas e restaurantes, soube reconhecer a grandeza do lugar. Ah, sim, o preço do ingresso foi 20, eu disse 20, 20 reais. Cara, eu me orgulho de ter o Auditório como um apoiador deste Café Brasil e se você ainda não foi lá, não sabe bem do que estou falando.

Cauby brindou a plateia com interpretações fantásticas. Infelizmente eu não tenho aqui os arquivos da música que ele cantou lá na hora, mas eu vou ilustrar com outras gravações do Cauby.

Ne Me Quitte Pas
Jacques Brel

Ne me quitte pas, Il faut oublier,
tout peut s’oublier qui s’enfuit déjà.
Oublier le temps des malentendus
et le temps perdu a savoir comment.
Oublier ces heures qui tuaient parfois a coups de pourquoi
le coeur du bonheur
Ne me quitte pas
Ne me quitte pas
Ne me quitte pas

Moi je t’offrirai, des perles de pluie venues de pays
où il ne pleut pas
Je creusrai la terre jusqu’aprés ma mort
pour couvrir ton corps d’or et de lumière
Je f’rai un domain où l’amour sera roi
où l’amour sera loi et tu sera reine.
Ne me quitte pas
Ne quitte pas

Ne me quitte pas, je t’inventerai
Des mots insensés que tu comprendras
Je te parlerai De ces amants-là
Qui ont vue deux fois Leurs coeurs s’embraser
Je te racontrai L’histoire de ce roi
Mort de n’avoir pas Pu te rencontrer
Ne me quitte pas
Ne me quitte pas
Ne me quitte pas

On a vu souvent Rejaillir le feu
De l’ancien volcan
Qu’on croyait trop vieux Il est paraît-il
Des terres brûlées Donnant plus de blé Qu’un meilleur avril
Et quand vient le soir Pour qu’un ciel flamboie
Le rouge et le noir Ne s’épousent-ils pas
Ne me quitte pas
Ne me quitte pas
Ne me quitte pas
Ne me quitte pas
Ne me quitte pas Je ne vais plus pleurer
Je ne vais plus parler Je me cacherai là
A te regarder Danser et sourire
Et à t’écouter Chanter et puis rire
Laisse-moi devenir L’ombre de ton ombre
L’ombre de ta main L’ombre de ton chien
Ne me quitte pas
Ne me quitte pas
Ne me quitte pas
Ne me quitte pas

Não me abandone

Não me abandone, é preciso esquecer,
Tudo se pode esquecer que já ficou pra trás.
Esquecer o tempo dos mal-entendidos
E o tempo perdido a querer saber como.
Esquecer essas horas que às vezes mata a golpes de por quês
O coração de felicidade
Não me abandone
Não me abandone
Não me abandone

Eu te oferecerei, pérolas de chuva vindas de países
Onde nunca chove
Eu escavarei a terra mesmo depois da minha morte,
Para cobrir teu corpo de ouro e de luz
Criarei um país onde o amor será rei
Onde o amor será lei e você será a rainha.
Não me abandone
Não abandone

Não me abandone, eu te inventarei
Palavras absurdas que você compreenderá
Te falarei daqueles amantes
Que viram duas vezes seus corações excitados
Eu te contarei a história daquele rei
Que morreu porque não pôde te reencontrar
Não me abandone
Não me abandone
Não me abandone

A gente sempre viu reacender o fogo
Do antigo vulcão
Que julgávamos parecer velho demais
Terras queimadas produziram mais trigo que no melhor abril
E quando a tarde cai, para que o céu se inflame
O vermelho e o negro não se misturam
Não me abandone
Não me abandone
Não me abandone
Não me abandone
Não me abandone, Eu não vou mais chorar
Não vou mais falar, Me esconderei aqui
Só para te ver dançar e sorrir
E para te ouvir cantar e depois rir
Me deixa me tornar a sombra da tua sombra
A sombra da tua mão, A sombra do teu cão
Não me abandone
Não me abandone
Não me abandone
Não me abandone

Ne me quitte pas. Depois veio Ave Maria no Morro, de Herivelto Martins, que Cauby cantou com Vânia Bastos. Aí meu, as lágrimas começam a descer.

Ave Maria no morro
Herivelto Martins

Barracão de zinco
Sem telhado, sem pintura
Lá no morro
Barracão é bangalô

Lá não existe
Felicidade de arranha-céu
Pois quem mora lá no morro
Já vive pertinho do céu

Tem alvorada, tem passarada
Alvorecer
Sinfonia de pardais
Anunciando o anoitecer

E o morro inteiro no fim do dia
Reza uma prece ave Maria
E o morro inteiro no fim do dia
Reza uma prece ave Maria

Ave Maria
Ave
E quando o morro escurece
Elevo a Deus uma prece
Ave Maria.

Lá foi com a Vânia Bastos. Aqui você ouviu com Ângela Maria.

Mas então, chegou a vez de Bastidores, de Chico Buarque.

Bastidores
Chico Buarque

Chorei, chorei
Até ficar com dó de mim
E me tranquei no camarim
Tomei um calmante, um excitante
E um bocado de gim

Amaldiçoei
O dia em que te conheci
Com muitos brilhos me vesti
Depois me pintei, me pintei
Me pintei, me pintei

Cantei, cantei
Como é cruel cantar assim
E num instante de ilusão
Te vi pelo salão
A caçoar de mim

Não me troquei
Voltei correndo ao nosso lar
Voltei pra me certificar
Que tu nunca mais vais voltar
Vais voltar, vais voltar

Cantei, cantei
Nem sei como eu cantava assim
Só sei que todo o cabaré
Me aplaudiu de pé
Quando cheguei ao fim

Mas não bisei
Voltei correndo ao nosso lar
Voltei pra me certificar
Que nunca mais vais voltar
Vais voltar, vais voltar

Cantei, cantei
Jamais cantei tão lindo assim
E os homens lá pedindo bis
Bêbados e febris
A se rasgar por mim

Chorei, chorei
Até ficar com dó de mim

Aí não deu pra segurar, chorei a música toda, aos borbotões. Eu reagia a um artista mais que maduro, completo, no final da vida, que me presenteava com momentos únicos. Que sorte a minha estar ali!

Ao agradecer a reação da plateia, Cauby comentou sobre o violonista que o acompanhava. Disse assim: “Vejam que coisa espetacular esse violão. Para tocar assim, tem que saber tocar. E para cantar assim tem que saber cantar. E vocês sabem o que é saber cantar”.

Eu vibrei com aquela imensa ironia, um misto de elogio ao público com provocação para reflexão. Cauby tocou num ponto: saber cantar. Sem necessidade de dancinhas, de decibéis e de macaquices, apenas cantar, abrindo caminho para o coração da gente.

Emilio Santiago e Cauby Peixoto me conduziram pela verdadeira experiência da arte. E por isso chorei. E eu me orgulho disso.

Eu tenho uma teoria para essa explicação do choro durante uma música do Cauby e a paralisia que eu senti com o Emílio Santiago. É o seguinte: eu acredito que quando o artista é verdadeiro, quando ele sente realmente prazer no que faz, quando tem talento e sensibilidade, ele transfere uma energia para sua obra que passa a servir como um veículo para essa energia. Por isso a gente chora com um cantor e não chora com outro. Por isso um bailarino é capaz de nos emocionar e o outro não. Por isso uma pintura nos atrai de forma fulminante enquanto a outra não. Por isso uma reprodução de uma obra de arte não consegue traduzir a obra original. Falta a energia transmitida pelo artista original.

Quem olha os olhos de Mona Lisa, por exemplo, recebe uma carga de em energia que Leonardo da Vinci transmitiu enquanto pintava. E isso é impossível de ser reproduzido pelas máquinas do marketing.

Recuerdos de Ypacaraí

Demetrio Ortiz
Zulema de Mirkin

Una noche tibia nos conocimos
junto al lago azul de ipacarai
tu cantabas triste por el camino
viejas melodias en guarani
y con el embrujo de tus canciones
iba renaciendo mi amor por ti
y en la noche hermosa de plenilunio
de tu blanca mano senti el calor
que de tu sonrisa me dio el amor

Donde estas ahora cuñatai
que tu suave canto no llega a mi
donde estas ahora mi amor te añora
con frenesi
Todo me recuerda mi dulce amor
junto al lago azul de ipacarai
todo me recuerda mi amor te llama cuñatai

Lembranças de Ypacaraí

Uma noite morna nos conhecemos
Junto ao lago azul de Ypacaraí
Tu cantavas triste pelo caminho
Velhas melodias em Guarani

E com o encantamento de tuas canções
Ia renascendo teu amor em mim
E na formosa noite de lua cheia
Senti o calor de tua alva mão

Que com suas carícias me deu o amor
Onde estás agora agora, solteira
Que teu suave canto não chega a mim
Onde estás agora

Meu ser te adora com frenesi
Tudo lembra a ti, meu doce amor
Junto ao lago azul de Ypacaraí
Tudo recorda a ti
Meu amor te chama solteira

Então é assim, com o clássico de 1952, RECUERDOS DE YPACARAÍ, música do paraguaio Demetrio Ortiz e letra de Zulema de Mirkin, aqui com a dupla Cauby Peixoto e Ângela Maria, que o Café Brasil de hoje vai saindo de mansinho.

Com o embevecido Lalá Moreira na técnica a epifânica Ciça Camargo na produção e eu, o sempre emocionado Luciano Pires na direção e apresentação.

Estiveram conosco o ouvinte Aurélio Rubio Neto, Cauby Peixoto, Emílio Santiago e Ângela Maria.

Este programa chega até você com o apoio do Auditório Ibirapuera, aliás, este programa nasceu por causa de uma apresentação no Auditório Ibirapuera. Fala a verdade, quantos podem se gabar de ter um apoiador que inspira? www.auditorioibirapuera.com.br. Entre no site, acompanhe a programação, mas acima de tudo, vá lá. Ali você encontra a verdadeira experiência da arte.

Este é o Café Brasil, um programa feito com tesão, com energia, com capricho e até mesmo com amor. E às vezes, a gente consegue emocionar as pessoas. Vem pra cá: www.portalcafebrasil.com.br.

E pra terminar, uma frase do escritor e ator Mário Lago, pronunciada quando ele tinha 89 anos:

Sou como Edith Piaf, je ne regrette rien, eu não lamento nada. Fiz o que quis e fiz com paixão. Se a paixão estava errada, paciência. Não tenho frustrações, porque vivi como um espetáculo. Não fiquei vendo a vida passar, sempre acompanhei o desfile.

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