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Luciano Pires -
Gratuito!
24,9 MB

O programa 283 – Ai Se Eu Te Pego, deu o que falar. Teve gente que odiou ouvir a música de Michel Teló no Café Brasil. Outros acharam que nos vendemos ao sistema… Então vamos ao segundo programa, com algumas cartas interessantes e uma explicação sobre o que é um “meme”, que talvez elucide a razão do sucesso da música do Teló. Esses assuntos aparentemente irrelevantes mobilizam milhões de pessoas, portanto precisam ser discutidos. E pra quem não gostou de ouvir Michel Teló no Café Brasil, esta edição tem a Kelly Key e McSerginho. Mas tem também Julinho Marassi e Gutemberg, um Paulo Moura espetacular, uma nova cantora deliciosa chamada Jô Nunes e Maria Gadú. É o Café Brasil, ué. Apresentação de Luciano Pires.

[showhide title=”Ler o roteiro completo do programa” template=”rounded-box” changetitle=”Fechar o roteiro” closeonclick=true]

Bom dia, boa tarde, boa noite. Em programas anteriores abordei o Big Brother Brasil, a música Ai Se Eu Te Pego e outros temas considerados menores por quem está acostumado a ouvir o Café Brasil. Teve gente que não gostou, mas minha tese é simples: o tema pode ser irrelevante, mas quando ele tem capacidade de mobilizar milhões de pessoas, precisa ser discutido sim senhor. É ao discutir as irrelevâncias que nos mobilizam que aprendemos onde e como devemos aplicar nosso tempo e energia. E hoje continuamos na trilha.

Pra começar, uma frase do jornalista Pedro Bial, apresentador do Big Brother Brasil:

Não esqueça os elogios que receber. Esqueça as ofensas. E se conseguir isso, me ensine.

O exemplar de meu livro NÓIS vai para… Adams Pasini, que comentou assim o podcat AI SE EU TE PEGO:

“Querido Luciano(?) é mesmo você? você é a mesma pessoa que quando ouviu eguinha pocotó levantou a bandeira da despocotização e começou a distribuir conhecimento? não vejo como aquela pessoa tenha comparado a pseudo-música de teló com a música de Chico Buarque! não vejo como aquela pessoa não tomou posição em nenhum momento do programa contra a nova fonte de pocotização do povo brasileiro e quase chegou a defender a música falando que ela se tornaria um clássico da MPB no futuro! a música de teló não tem conteúdo nenhum, tem uma melodia construída para colar nas cabeças das pessoas e não sair mais, me diga francamente se esta música é pocotizadora ou não?eu sei que você acha que sim, só nao entendo o motivo de não critica-la no seu programa… ou sei o motivo mas não quero acreditar que o sistema o tenha acalmado!
o que aconteceu com você luciano? perdeu os “culhões” como falou no programa?

Saiba que você foi o responsável por me fazer enxergar e pensar o Brasil de outra maneira, antes de ouvir seu programa não pensava no que acontecia aqui, agora me indigno com pessoas jogando lixo no chão e defendendo idéias que nao agregam valor nenhum a sociedade! Sei que minha crítica não a primeira e nem será a ultima, mas neste podcast vi que aquela pessoa que atacava famosos que nos tornavam bois está se acalmando, perdendo a vontade! realmente espero estar errado, quero muito ouvir críticas que me façam acordar para a realidade e querer mudar as coisas!

Um abraço”.

Pois é… Eu respondi ao Adam que voltaria a esse tema em breve, pois ele é grande demais para caber num só programa. Mas logo em seguida outro ouvinte colocou um comentário que também vale entrar aqui.

Foi o Regis, que fez um comentário que eu não conseguiria fazer melhor. Ô Lalá, solta a melo do sorteio ai de novo que o Regis também ganhou um livro:

“Caro Luciano, após 3 anos ouvindo o Café Brasil reconheço que aprendi uma coisa valiosa: como ouvir o Café Brasil. Seu programa tem uma riqueza de conteúdo excepcional mas a riqueza da FORMA é o que me deixa entusiasmado a cada programa.

Se não me engano você já falou disso num programa anterior quando disse que nada era por acaso, que no lugar onde você colocada uma vinheta ou uma pausa para respirar havia uma mensagem. Eu acho que isso estimula seus ouvintes a pensar tanto quanto a idéia sobre a qual você discorre.

Neste programa em particular para mim ficou claro que existe uma opinião técnica na primeira parte, seguida de uma finíssima ironia no texto do Gabriel Perissé, que você brilhantemente pontua com um João Gilberto da melhor qualidade.

Quem mais é capaz de juntar Michel Teló com João Gilberto num mesmo programa e fazer com que isso faça sentido? E depois com a visão do Zé Rodrix seguida de Milton Nascimento com uma de suas músicas mais emblemáticas. “O artista tem que ir aonde a grana está” foi perfeito!

Para mim a sua opinião, Luciano, foi claríssima. Mas quem não aprendeu a ouvir o Café Brasil não pode admitir qualquer coisa menos que uma crítica virulenta à música e ao artista.

Aprendi com você a diferença entre água e fogo e acho que você mais uma vez demonstrou como é que isso funciona. Obrigado pelas provocações e por favor, jamais abra mão da ironia”.

Tem que aprender a ouvir o Café Brasil, né? Mas essa discussão é o que realmente me interessa. O Regis e o Adams ganharam livros, pois comentaram os programas. E você?

Deixa eu aproveitar, antes de comçar o programa pra valer e dizer pra vocês: eu estou preparando aqui um material de divulgação sobre o Café Brasil e acho que eu preciso da ajuda dos ouvintes. Alguns de vocês escreveram comentando que tem usado o programa nas salas de aula como professores ou então até em reuniões, na abertura de reuniões da empresa.

Se você tem experiência assim pra contar, manda pra gente, cara. Esses depoimentos são valiosos.

Anos atrás Rita Lee afirmou numa entrevista que se quisesse compor e gravar um sucesso musical, tinha um jeito de dividir a letra, de criar um refrão, um esquema estético que serviria como base para que a canção se transformasse num sucesso. Existiria assim um método, uma fórmula que explica esses sucessos grudentos. Mas um fenômeno como o “Ai se eu te pego” vai mais longe.

O biólogo inglês Richard Dawkins, lançou em 1976 no livro chamado O GENE EGOÍSTA um termo novo: “meme”, uma brincadeira com o termo “gene”, que vem do grego mimeme e quer dizer “alguma coisa imitada”. Um meme seria “uma idéia, comportamento ou estilo que se espalha de pessoa para pessoa dentro de uma cultura” através da escrita, da fala, de gestos e rituais e de músicas inclusive…

Os redatores de propaganda e de humor já sabem disso há muito tempo. Quem é que não se lembra de “Né não, Pedro Bó?”, “Só abro a boca quando tenho certeza”, “O macaco tá certo”, “ E o salário, ó…”. Memes, memes e mais memes.

No âmbito da internet, onde se discute o conceito da distribuição de informação de forma “viral”, quando uma pessoa “contamina” a outra com um vídeo, um poema, um texto ou uma imagem, o conceito do meme vem a calhar. Temos um exemplo atual na propaganda do banco Itaú com o bebê gargalhando conforme uma folha de papel é rasgada. É irresistível!

Aquilo é um vídeo famoso do Youtube, com mais de 30 milhões de visualizações, um meme, um fragmento de informação irresistível, que quem vê (é contaminado), repassa imediatamente e (contamina) seus conhecidos.

No início de 2012 “Luiza que está no Canadá” transformou-se no meme das redes sociais…A Macarena é um meme.

Macarena
Los Del Rio

Dale a tu cuerpo alegria Macarena
Que tu cuerpo es pa’ darle alegria y cosa buena
Dale a tu cuerpo alegria, Macarena
Hey Macarena

Macarena tiene un novio que se llama
Que se llama de apellido Vitorino,
Que en la jura de bandera el muchacho

Se metio con dos amigos
Macarena tiene un novio que se llama
Que se llama de apellido Vitorino,
Y en la jura de bandera el muchacho
Se metio con dos amigos

Macarena sueqa con El Corte Ingles
Que se compra los modelos mas modernos
Le gustaria vivir en Nueva York
Y ligar un novio nuevo
Macarena sueqa con El Corte Ingles
Que se compra los modelos mas modernos
Le gustaria vivir en Nueva York
Y ligar un novio nuevo

O refrão “pocotó, pocotó, pocotó, minha eguinha pocotó” é um meme.

Eguinha Pocotó
Mc Serginho

Vou mandando um beijinho
Pra filhinha e pra vovó
Só não posso esquecer
Da minha egüinha Pocotó

Pocotó pocotó pocotó pocotó
Minha egüinha pocotó

O jumento e o cavalinho
Eles nunca andam só
Quando sai pra passear
Levam a égua Pocotó

Pocotó pocotó pocotó pocotó
Minha egüinha Pocotó

E “delícia, delícia, assim você me mata. Ai,se eu te pego, ai, ai, se eu te pego” também é um meme que, aliado aos gestos da dancinha, gruda no cérebro da gente. Some-se a exposição pública com Neymar e Cristiano Ronaldo e você tem a bomba atômica Michel Teló, que daqui a pouco vai passar, substituída por outro meme.  Mas enquanto não passa, você pode não gostar, mas garanto que anda dizendo:

– Pô, não consigo tirar essa música da cabeça!

Pois é… Dizem que os memes fazem cócegas em nosso cérebro, e a única forma de combater as cócegas é coçando. E para coçar o cérebro, só repetindo o meme. É assim que a coisa funciona. Bom, agora você já sabe. Quando se pegar cantando, mesmo que mentalmente, “Ai se eu te pego”, lembre-se, é coceira no cérebro. Mas não se desespere. Com o tempo, passa.

Aos Meus Heróis
Julinho Marassi e Gutemberg

Faz muito tempo que eu não escrevo nada,
Acho que foi porque a TV ficou ligada
Me esqueci que devo achar uma saída
E usar palavras pra mudar a sua vida.

Quero fazer uma canção mais delicada,
Sem criticar, sem agredir, sem dar pancada,
Mas não consigo concordar com esse sistema
E quero abrir sua cabeça pro meu tema

Que fique claro, a juventude não tem culpa.
É o eletronic fundindo a sua cuca.
Eu também gosto de dançar o pancadão,
Mas é saudável te dar outra opção.

Os meus heróis estão calados nessa hora,
Pois já fizeram e escreveram a sua história.
Devagarinho vou achando meu espaço
E não me esqueço das riquezas do passado.

Eu quero “a benção” de Vinícius de Morais,
O Belchior cantando “como nossos pais”,
E “se eu quiser falar com…” Gil sobre o Flamengo,
“O que será” que o nosso Chico tá escrevendo.

Aquelas “rosas” já “não falam” de Cartola
E do Cazuza “te pegando na escola”.
To com saudades de Jobim com seu piano,
Do Fábio Jr. Com seus “20 e poucos anos”.

Se o Renato teve seu “tempo perdido”,
O Rei Roberto “outra vez” o mais querido.
A “agonia” do Oswaldo Montenegro
Ao ver que a porta já não tem mais nem segredos.

Ter tido a “sorte” de escutar o Taiguara
E “Madalena” de Ivan Lins, beleza rara.
Ver a “morena tropicana” do Alceu,
Marisa Monte me dizendo “beija eu”
Beija eu, Beija eu Deixa que eu seja eu
Beija eu, beija eu deixa qe eu seja eu

O Zé Rodrix em sua “casa no campo”
Levou Geraldo pra cantar no “dia branco”.
No “chão de giz” do Zé Ramalho eu escrevi
Eu vi Lulu, Benjor, Tim Maia e Rita Lee.

Pedir ao Beto um novo “sol de primavera”,
Ver o Toquinho retocando a “aquarela”,
Ouvir o Milton “lá no clube da esquina”
Cantando ao lado da rainha Elis Regina.

Quero “sem lenço e documento” o Caetano
O Djavan mostrando a cor do “oceano”.
Vou “caminhando e cantando” com o Vandré
E a outra vida, Gonzaguinha, “o que é?”

Atenção DJ faça a sua parte,
Não copie os outros, seja mais “smart”.
Na rádio ou na pista mude a seqüência,
Mexa com as pessoas e com a consciência.

Se você não toca letra inteligente
Fica dominada, limitada a mente.
Faça refletir DJ, não se esqueça,
Mexa o popozão, mas também a cabeça.

Olha só. Essa eu já usei aqui, acho que mais de uma vez. Aliás, eeu uso de quando em quando. São o Julinho Marassi e Gutemberg com AOS MEUS HERÓIS. Você reparou na letra? Ele diz, e eu concordo, que tem espaço pra tudo. Mas tem que ter de tudo no espaço…

Que tal? Paulo Moura com Luiza do Tom Jobim? É, houve um tempo em que o nome Luiza foi usado para coisas, digamos, nutritivas…

E então vem o estupro: no começo de 2012, depois de uma festa no programa Big Brother Brasil um casal foi para o quarto e o rapaz teria praticado sexo com a moça enquanto ela dormia embriagada, configurando um estupro. A polícia foi envolvida, o rapaz e a moça disseram que nada aconteceu, mas mesmo assim a direção do programa expulsou o rapaz.

Depois veio a Luiza: um comercial de um prédio de apartamentos na Paraíba mostra o que seria uma família de novos ricos falando do imóvel. Lá pelas tantas o pai diz: “menos a Luiza que está no Canadá”.

A frase “menos Luiza que está no Canadá”, explodiu nas mídias sociais, transformando Luiza numa celebridade, que dizem está cobrando quinze mil reais para aparecer em festas, olha só.

Que impacto esses temas causarão em sua vida? Nenhum. Que impacto eles causarão na sociedade? Nenhum. Mas então qual é a razão de tanto tempo dedicado à discussão dessas irrelevâncias?
Existe uma coisa chamada “adaptação sensorial” que pode nos dar uma pista. O cérebro desliga nossos sentidos dos estímulos que não mudam de intensidade ou qualidade, guardando energia para focar nas novidades. Por exemplo, morei próximo do aeroporto de Congonhas e as visitas que eu recebia ficavam horrorizadas com o barulho dos aviões, que eu mal ouvia. Eu havia sofrido uma adaptação sensorial. Não escutava mais o barulho do avião que era rotina.

Os profissionais da comunicação sabem disso e tiram proveito. Essa é a base de um programa como o Big Brother Brasil, que só faz sentido se o grupo que está reunido sair do normal.

Daí as festas, as privações, as provas, os corpos à mostra e a bebida, tudo para colocar as pessoas em situações constrangedoras, anormais. Nesse contexto o estupro, assim como uma agressão física, é o cúmulo da anormalidade. Daí a discussão, que cá entre nós, neste caso, tem muito mais a ver com a antipatia que muita gente tem pela Rede Globo do que com qualquer outra coisa.

No caso da Luiza, a maioria dos que usam o Twitter e o Facebook são “Luizas”, jovens que tem em suas vidas a perspectiva de ir (ou que já foram) estudar no exterior. Ou então são pais que já mandaram seus filhos para o exterior ou gostariam de fazê-lo. Mandar o filho estudar no exterior é uma demonstração de ascensão social, dá uma satisfaçãozinha… Para a maioria das pessoas, explicitar essa satisfação é esnobar, ostentar, dá vergonha. Exatamente a vergonha alheia que o pai da Luiza provocou com aquela frase. Sentimos vergonha dele porque ele expressou o que nós escondemos. Ele quebrou uma norma, sacou? E acordou nossos sentidos.

Quebras da normalidade que despertam nossos sentidos, é isso que acontece. Algum problema? A princípio nenhum. O absurdo é o tempo e a energia que dedicamos a essas futilidades e, especialmente, a forma como entramos na onda e damos aquilo que os criadores dos fatos querem: audiência.

Qual o remédio? Simples: saiba do que se trata, mas não dê importância aos detalhes.

Se você for capaz.

Passarinha
Jô Nunes

Minha saia é branca de renda
Meu perfume não tem marca não
Uso sandálias de salto
Pra mais alta aparentar

Giro meu corpo com graça
Feito um redemoinho a dançar
Eu sou mesmo um passarinho
O mundo é meu ninho, só quero voar

Preta, marronzinha… bela, passarinha
Preta, marronzinha… bela, passarinha

Me preparo que o dia é de samba
De batuque e de tambor
Tem cavaco e sete cordas
Pra animar o sabadô

Tem formosa lá cantando
E um garoto imitador
Continuo voandinho
Nas asas me embalo ao Serenô

Preta, marronzinha… bela, passarinha
Preta, marronzinha… bela, passarinha

Eu sou mesmo passarinho
O mundo é meu ninho, só quero voar

Que tal essa? Eu fico super feliz quando apresento gente nova aqui no Café Brasil. Essa é a cantora e compositora curitibana Jô Nunes. Seu CD “Passarinha”, título da música que você ouve aqui, tem 13 faixas compostas por ela, que tem os dois pés no samba. E ainda por cima ela é linda… Jô Nunes, no Café Brasil…

Olha ai. Agora, especialmente para aqueles que odiaram ouvir Michel Teló no Café Brasil, temos ninguém menos que Kelly Key.

Tempos atrás eu fiz um programa onde eu dizia que o que faz uma música ser brega não é a letra, mas o arranjo, a forma de cantar… Você concorda? Não ouço. Não compro o CD. Não tenho no meu tocador de mp3… Simples.

Baba Baby
Kelly Key

Coitado! Coitado!

Você não acreditou, você nem me olhou
Disse que eu era muito nova pra você
Mas agora que cresci você quer me namorar

Não vou acreditar nesse falso amor
Que só quer me iludir, me enganar
Isso é caô

E pra não dizer que eu sou ruim
Vou deixar você me olhar
Só olhar, só olhar, baba

Baby, baba, olha o que perdeu
Baba, a criança cresceu
Bom, bem feito pra você, é
Agora eu sou mais eu

Isso é pra você aprender
A nunca mais me esnobar
Baba baby, baby baba, baba

Baby, baba, olha o que perdeu
Baba, a criança cresceu
Bom, bem feito pra você, é
Agora eu sou mais eu

Baby, baba baba baba
Baby, baba baba baba
Baby, baba baba baba
Baby

Baba baba baba
Baby, baba baba baba
Baby, baba baba baba
Baby

Dizer que uma música é ruim porquê não gostamos dela é relativo. É ruim pra mim, mas pode não ser para você. E o que é que eu faço? Não ouço. Não compro o CD. Não tenho no meu tocador de mp3… Simples.

E lembre-se: quem define o que é ou não é relevante é… você. Saber escolher qual é a prioridade conforme o contexto é o grande desafio de quem quer ter as rédeas nas mãos.

Essa discussão vai bem longe e com certeza voltaremos a ela em outros programas. Pode esperar.

Ah, só para deixar claro: você nunca vai encontrar um CD do Michel Teló no meu carro. Respeito a trajetória dele, a capacidade musical e o profissionalismo. Mas não gosto do tipo de música que ele faz.

E é assim, ao som de Maria Gadu com BABA BABY, o sucesso da Kelly Key, que o Café Brasil de hoje vai saindo de mansinho.

Com o encucado Lalá Moreira na técnica, a raciocinante Ciça Camargo na produção e eu, o caçador de irrelevâncias Luciano Pires na direção e apresentação.

Estiveram conosco Julinho Marassi e Gutemberg, Mc Serginho, Paulo Moura, Jô Nunes, Kelly Key e Maria Gadú. Ciça, cadê a Luiza?

Este é o Café Brasil, um programa criado para abalar credos, que é ouvido por gente que gosta de pontos de vista diferentes e que sabe que saber priorizar é fundamental. Vem com a gente. www.portalcafebrasil.com.br

Pra terminar, um processo que a gente aprende quando criança e que muita gente ainda usa para definir suas prioridades…

Minha mãe mandou bater nesse-da-qui.

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