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286 – A fantástica fábrica de estupidez

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Luciano Pires -
Gratuito!
24 MB

Começando com uma proposta agressiva de substituir a medição do IDH – Índice de Desenvolvimento Humano, pelo IDEH – Índice de Desenvolvimento da Estupidez Humana, o programa de hoje vai se valer de alguns textos que aparentemente tratam de assuntos diferentes, mas que no fundo são a mesma coisa: a fábrica de estupidez na qual estamos nos transformando. Seja pela incapacidade de apreciar os fatos de forma distanciada, pelas patrulhas ideológicas ou pela preguiça de buscar o ótimo, estamos a caminho do emburrecimento total. Só a trilha sonora mesmo pra trazer alguma esperança: João Donato com Paulo Moura, Maurício Pereira e o Turbilhão de Ritmos, Almirante, Maestro Cipó, Ricardo Vignini com Zé Helder e Cássia Eller mandando uma surpresa daquelas. Apresentação de Luciano Pires.

[showhide title=”Ler o roteiro completo do programa” template=”rounded-box” changetitle=”Fechar o roteiro” closeonclick=true]

Bom dia, boa tarde, boa noite. Eu não sei o que você acha, mas estou disposto a propor que em vez de medir o IDH – Índice de Desenvolvimento Humano, passemos a medir o IDEH – Índice de Desenvolvimento da estupidez humana. Tá certo que vamos ter que mudar a escala, lidando com números astronômicos, mas talvez esse indicador aponte para o rumo que estamos seguindo. O programa de hoje vai se valer de alguns textos que aparentemente tratam de assuntos diferentes, mas que no fundo são a mesma coisa: a fábrica de estupidez  na qual estamos nos transformando.

Pra começar, uma frase de um anônimo:

O trabalho de um educador é irrigar o deserto, não derrubar a floresta.

E quem ganhou um exemplar do meu livro NÓIS QUE INVERTEMO AS COISA esta semana, foi o Henrique Martins, que comentou assim o programa GRANA:

“Bom dia, boa tarde, boa noite. Desculpe mais não resisti.

Bem, pelo visto nós balzaquianos estamos mesmo tomando conta do Café, e muito me agrada saber que nós jovens, no alto de nossas carreiras corporativas estamos de alguma forma preocupados em ouvir, aprender e quem sabe mudar alguma coisa nesse país. Mesmo que seja em nós mesmos, o que já é uma grande vitória.

Voltemos ao assunto, GRANA, DINHEIRO ou como dizia minha já falecida avó Sebastiana, BUFUNFA. De onde vem o seu dinheiro? Do seu trabalho, dos seus pais, herança? O meu vem do meu trabalho, sou publicitário. Sim eu sei, eu vou pro inferno sem conexão, essa é a máxima. Porém é certo generalizar?

Todo publicitário por si só já tem seu recanto reservado no inferno? Todo patrocinador é o demônio? Cada qual com suas convicções baseadas em suas experiências de vida ou não que decida.

O certo é que todo dinheiro vem de uma relação de troca seja ela honesta ou não, veja-se que avaliar honestidade ou mesmo a falta dela não é algo tão simples como alguns imaginam. Quantas e quantas vezes temos certeza de algo e quando obtemos mais informações deparamos estar totalmente equivocados? Comigo acontece sempre. E é por isto que estou aqui, tentando aprender. Não para ter o dom da certeza e sim saber que cada incerteza abre um novo caminho a ser percorrido. Logo meu caro Luciano, com água ou fogo siga seu caminho, pois o mal de uns é a salvação de outros.

E na boa, hoje viva o Itaú Cultural, pois sem ele nenhuma dessas palavras seriam ditas e muito menos ouvidas se é que você me entende.

Rararara Henrique, Henrique, existe um lugar reservado no céu para os publicitários. E outro no inferno. Pelo que se diz por aí, um dos dois não tem mais vaga…

O Henrique comentou o podcast e ganhou um livro! Comente você também!!

O programa começa com um texto chamado “A fantástica fábrica de estupidez” de Victor Hugo Folchini Sebben, que foi publicado no Observatório da Imprensa.

Ao fundo você está ouvindo…..bom, deixa. Depois eu conto…

Há pouco tempo, deparei com uma situação preocupante, durante uma aula do curso de Jornalismo. Diante da projeção da imagem da Vênus de Botticelli, em um slide, na disciplina de semiótica, parte da turma desandou a interromper a aula com comentários do tipo “Olhem que gorda!”, ou coisa que o valha, julgando a imagem a partir da padronização estética de hoje.

Fosse uma conversa de bar e talvez os comentários passassem naturalmente despercebidos. Vindos de alunos de jornalismo, geram (ou deveriam gerar) preocupação.

A Vênus representa o padrão estético da época em que foi pintada (entre 1482 e 1484). Recontextualizada, já não se enquadra no ideal teórico. Atualmente, a moda e os produtos culturais nos impõem uma forma de beleza mais próxima da beleza física dos faraós egípcios, do jeito que eles estão hoje.

Para além da demonstração de preconceito que o fato citado acima revela, ele foi, para mim, uma comprovação de que, mesmo em ambientes onde a mídia é discutida, seus padrões, sua visão única e restrita, permanecem dificultando o desenvolvimento de um raciocínio original. Os alunos críticos da aparência da Vênus parecem limitar-se a aceitar o que lhes é imposto como ideal, certamente incapazes de expandir o pensamento, ir além, distanciar-se de seu mundinho cultural midiaticamente restrito. E, o que é ainda pior, julgam o mundo e as pessoas a partir dessa compreensão pobre. Ora, espera-se que um jornalista saiba abstrair minimamente o valor humano das diferentes culturas em que se insere.

Mas não há que culpar os estudantes. Falham apenas por ignorância e falta de estudo do contexto das coisas que os cercam. O problema é que é exatamente a partir da ignorância e da estupidez dela derivada e sedimentada em precárias visões de mundo, que nascem todas as formas de preconceito. E, infelizmente, essas pessoas não são minoria entre os presentes e futuros profissionais de mídia.

Em seu livro A ditadura da beleza e a revolução das mulheres, o psiquiatra Augusto Cury tece uma crítica pujante à mídia. No prefácio desse romance, ele explicita a realidade que o levou a escrevê-lo: “Qualquer imposição de um padrão de beleza estereotipado para reforçar a auto-estima e o prazer diante da auto-imagem produz um desastre no inconsciente, um grave adoecimento emocional.” Os padrões sempre excluem quem não pode neles se enquadrar, mas todos ficam a eles expostos constantemente, seja em revistas, na televisão com o discurso jornalístico arrogantemente ensinando a viver e consumir, jogos de videogame etc. Penso que as pessoas deveriam ter liberdade suficiente para criar suas próprias opiniões, reconhecendo a existência de outras diversas e contrárias.

Talvez isso seja mesmo muito careta, em meio à selvajaria de hoje em dia, mas creio que ainda vale a pena acreditar em uma sociedade em que as pessoas vejam, antes, o lado humano e deixem de lado padrões que, a partir da contaminação cultural, tornam-se modelos para que autoridades em estupidez julguem, condenem e humilhem seus semelhantes. Mas, é claro, se for para construir uma sociedade mais humana, precisaremos de indivíduos emancipados, com pensamento próprio, capazes de compreender o mundo para além dos modismos intelectuais dos discursos vigentes.

E nem podemos proibir nossos filhos de assistir TV.

Linda
Roberto Carlos

Linda, oh linda!
Com voce vivo a sonhar
Linda, oh linda!
Só voce eu hei de amar

Linda, oh linda!
Vivo triste a esperar
Linda, oh linda!
Que voce me queira amar

Naquele momento em que voce me beijou
A terra tremeu e a vida parou
Meu sangue ferveu e a cabeça girou
E o meu coração queimou

Linda, oh linda
Com você vivo a sonhar
Linda, oh linda
Só você eu ei de amar.

Esta preciosidade chama-se: “Linda”, música composta por Bill Caesar, que nada mais é que o pseudônimo de Carlos Imperial. A gravação está no elepê LOUCO POR VOCÊ, de Roberto Carlos, lançado em 1961. É o único disco que o Rei nunca permitiu que fosse relançado. Diz ele que por causa da qualidade ruim do som. Mas eu acho que não é por isso não. De qualquer forma a gente traz aqui pra você ouvir um Roberto Carlos pré-jovem guarda.

Então eu encontro um site muito interessante chamado www.blogsdoalem.com.br , que merece uma visita. É um blog que tem dentro dele blogs fictícios que seriam escritos por personalidades que já faleceram.

Ali encontrei o blog do Braguinha, o Carlos Alberto Ferreira Braga, também conhecido como João de Barro, famoso compositor brasileiro muito conhecido por suas marchinhas de carnaval, como Pirata da Perna de Pau, Chiquita Bacana e outras. No blog do Braguinha foi publicado um texto chamado Marchando na linha, que tem tudo a ver com o programa de hoje. Ouça pra ver se você concorda…

Ao fundo ouviremos A SAUDADE MATA A GENTE, com João Donato e Paulo Moura…

Vou beijar-te agora, não me leve a mal, hoje é carnaval.” Essa marchinha de Zé Keti e Pereira Matos ainda é tocada nos dias de hoje. Mas seu conteúdo perdeu aderência. Atrás dos blocos e dos trios, ninguém mais avisa que vai praticar o saudável exercício do ósculo. A turma quer beijar em quantidades industriais, não importa se com ou sem consentimento. Melhor que beijar, só contar no Twitter quantos pegou ou te pegaram. O governo chegou até a promover uma campanha na televisão na qual alerta para os riscos à saúde que a excessiva troca de línguas pode ocasionar. Devemos ver os seus efeitos já nessa edição com mais pares andando apenas de mãos dadas.

Longe de mim censurar os novos foliões. Quando compus a maior parte das minhas marchinhas de carnaval o mundo era outro. Jardineiras sensibilizavam-se por Camélias que caíam dos galhos. O único risco de atravessar o deserto do Saara era que o sol queimasse a nossa cara. Um biquíni do tamanho de uma casca de banana-nanica era considerado pequeno. Cada época canta seus costumes. Não encontramos mais Pierrôs chorando pelo amor das Colombinas, porque quem está apaixonado nem vai pra avenida. Fica em casa esperando o clima de pegação passar.

O que eu acho curioso é que a ingenuidade migrou das antigas marchinhas de carnaval para a crença de que patrulhar a linguagem das letras, bem como de toda a produção cultural, é o mesmo que trabalhar para uma sociedade mais justa e igualitária. Se o pessoal que andou perseguindo o Monteiro Lobato se debruçasse sobre as mais consagradas marchinhas, hoje as bandas de carnaval tocariam só percussão. Quer dizer, já é assim, mas a melodia desapareceu por outros motivos.

O fato é que ninguém parou para analisar o conteúdo das antigas marchinhas. A literatura infantil, as cantigas de roda já passaram por esse escrutínio. O carnaval nada mais é do que a suspensão temporária da moral cotidiana. Talvez por isso as marchinhas tenham sido poupadas. Do contrário, clássicos como A Cabeleira do Zezé teriam sua execução proibida por configurar bullying.

Então toma lá a cabeleira do Zezé com o Mauricio Pereira e o Turbilhão de Ritmos…

Cabeleira do Zezé
João Roberto Kelly / Roberto Faissal

Olha a cabeleira do zezé
Será que ele é
Será que ele é

Olha a cabeleira do zezé
Será que ele é
Será que ele é

Será que ele é bossa nova
Será que ele é maomé
Parece que é transviado
Mas isso eu não sei se ele é

Corta o cabelo dele!
Corta o cabelo dele!
Corta o cabelo dele!
Corta o cabelo dele!

Pois é… Sua liberação só se daria com uma modificação na letra do tipo:

Será que ele é bossa nova
Será que ele é Maomé
Parece que é transviado
Mas isso se ele for, tudo bem
Respeito sua opção

E a minha famosa marcha Yes, Nós Temos Bananas?

Vamos na voz de Almirante?

Yes, Nós temos Bananas
Braguinha / Alberto Ribeiro

Yes, nós temos bananas
Bananas pra dar e vender
Banana menina tem vitamina
Banana engorda e faz crescer

Vai para a França o café, pois é
Para o Japão o algodão, pois não
Pro mundo inteiro, homem ou mulher
Bananas para quem quiser

Mate para o Paraguai, não vai
Ouro do bolso da gente não sai
Somos da crise, se ela vier
Bananas para quem quiser

Pois é. Eu acho que a gente iria enfrentar problemas com os que acham que o Brasil deve parar de reforçar o estereótipos de republiqueta tropical exótica.

E o subversivo verso “eu bebo sem compromisso, com meu dinheiro ninguém tem nada com isso” de A Turma do Funil de Mirabeau, Milton de Oliveira e Castro, seria logo apontado como apologia à desagregação social.

Turma do Funil
Mirabeau / M. de Oliveira / Urgel de Castro

Chegou a turma do funil
Todo mundo bebe
Mas ninguém dorme no ponto
Aí, aí, ninguém dorme no ponto
Nós é que bebemos e eles que ficam tontos

Eu bebo, sem compromisso,
com meu dinheiro, ninguém tem nada com isso
Aonde houver garrafa, aonde houver barril
Presente está a turma do funil.

E aí você há de me perguntar: e as pastorinhas? Com os dedos indicadores levantados, sorriso no rosto, andar cadenciado, hei de responder:

Pra consolo da lua
Vão cantando na rua
Lindos versos de amor
Feliz carnaval.

Olha só. Você está ouvindo Orlando Silva de Oliveira Costa, o Maestro Cipó, aqui como Cipó and his authentic Rhythm Group no CD BRAZILIAM BEAT de 1965 com AS PASTORINHAS, de Noel Rosa…

Bem, falei das visões de mundo de cada um, depois de como a ideologização vai nos colocando em currais culturais…. e então encontro um texto de meu amigo Augusto Diegues chamado Cumplicidade e complacência, que cabe muito bem aqui.

Ao fundo você ouvirá… Cê tá sentado? SMELLS LIKE TEEN SPIRIT, que foi composta por Kurt Cobain e gravada pelo Nirvana. Nirvana no Café Brasil? Pois é…mas dum jeito que você nunca ouviu: com Ricardo Vignini e Zé Helder no CD MODA DE ROCK – Viola Extrema…

O professor Augusto vai assim:

Como dizem por aí, “o ótimo é inimigo do bom”. E este, acrescento, é cúmplice do péssimo.

Durante as últimas décadas – antes, portanto, da atual crise justificar todo tipo de abuso – tem prosperado entre nós um desses movimentos que nascem tímidos, crescem, avançam e, quando nos damos conta, assumem o comando e ditam as regras dos nossos negócios e até das nossas vidas.

Um movimento que nasce de um ditado “popular” de origem aparentemente desconhecida (ao menos pra mim), e que vai conquistando espaço na cabeça das pessoas mais conservadoras ou complacentes. Depois vira mantra no discurso de executivos, marqueteiros e publicitários práticos ou cínicos e por fim, alcança toda a estrutura das nossas vidas e organizações, incluindo sua direção: o ótimo é inimigo do bom.

“Precisamos ser criativos!!!” – todos já devem ter ouvido esta frase um dia. Algumas vezes, com certeza, acompanhada do irresistível e prático “afinal, o ótimo é inimigo do bom!”.

Bom… Assim fomos avançando, mercado e sociedade, primeiro aceitando e louvando o “bom” em lugar do irritante “ótimo”. Depois, com um empurrão aqui e uma “flexibilizadinha” ali, passamos a aceitar o “regular” no lugar do “bom”, afinal ele também é inimigo do “ótimo” e, ao que parece, tem algum parentesco com o “bom”.
Por fim, afrouxados, “criativos” e algumas vezes ameaçados, acabamos por engolir o “péssimo”, que, cúmplice do “bom” e do “regular”, odeia e despreza o “ótimo” e topa qualquer parada.

Infelizmente, é bem mais fácil constatar a previsível vitória do tal “bom”, com sua frouxidão, sua complacência e sua inesgotável flexibilidade. Basta olhar à nossa volta, lermos um jornal ou uma revista, assistirmos à televisão, navegarmos pela internet: aceitamos o péssimo político, cínico e inatingível, com suas péssimas práticas; aceitamos o péssimo jornalista e a péssima relação de seus veículos com a verdade; aceitamos também, é claro, os péssimos publicitários e sua péssima, ineficaz e dispendiosa propaganda; aceitamos inclusive, e, em alguns casos até os cultivamos, os péssimos fregueses, com seu desrespeito cotidiano pelo nosso tempo, pelo nosso trabalho e, claro, pela integridade dos nossos negócios.

Esta lista, aparentemente, não tem fim e pode incluir ainda os péssimos e incensados jogadores de futebol; os péssimos músicos e seus péssimos discos. Você, certamente, também tem sua lista de péssimos. Faça um pequeno esforço. Que tal as dez campanhas “mais” péssimas da história? Não vale propaganda de cerveja. Ou os dez políticos “mais” péssimos do país? As dez músicas, companhias aéreas, agências, restaurantes, filmes, etc.

Mas, lembremos, nós é que construímos tudo isso. Nós é que contribuímos para esta degradação. Todos somos cúmplices. E o que nasceu de um ditado estúpido, repetido estupidamente pelas ruas, estádios, congressos e, claro, empresas, com seus corredores povoados de gente complacente e arrivista, tornou-se uma verdade esmagadora: o ótimo é inimigo do bom, um sinal dos nossos tempos mesquinhos e desinteressantes, em que desvalorizamos e atacamos uma ótima idéia ou um trabalho ótimo apenas porque eles são os maiores inimigos da nossa enorme preguiça ou, pior, do nosso ilimitado medo.

Assim, creio, está mais do que na hora de começarmos a reverter este péssimo quadro. Que tal inverter o tal ditado? Em vez de: “o ótimo é inimiigo do bom”, tratar como “o bom é inimigo do ótimo!”? Que tal repetir milhões de vezes até acreditarmos? “O bom é inimigo do ótimo”. Será um ótimo começo. Aí, quando você vir alguma coisa “apenas” boa, pense em como seria se ela fosse ótima. Exija um pouco mais. Aceite que ela possa, eventualmente, até custar também um pouco mais, também, mas exija, insista, que seu resultado também seja um “pouco melhor”, ou que, no mínimo, ele seja realmente BOM.

Smells lika a teen spirit

Nirvana

Load up on guns and bring your friends
It’s fun to lose and to pretend
She’s over bored and self assured
Oh, no, I know a dirty word

Hello, hello, hello, how low
Hello, hello, hello, how low
Hello, hello, hello, how low
Hello, hello, hello…

With the lights out it’s less dangerous
Here we are now entertain us
I feel stupid and contagious
Here we are now entertain us
A mulatto, an albino, a mosquito, my libido
Yeah! Yay! Yay!

I’m worse at what I do best
And for this gift I feel blessed
Our little group has always been
And always will until the end

Hello, hello, hello, how low
Hello, hello, hello, how low
Hello, hello, hello, how low
Hello, hello, hello…

With the lights out it’s less dangerous
Here we are now entertain us
I feel stupid and contagious
Here we are now entertain us
A mulatto, an albino, a mosquito, my libido
Yeah! Yay! Yay!

And I forget just why I taste
Oh yeah, I guess it makes me smile
I found it hard, it’s hard to find
Oh well, whatever, nevermind

Hello, hello, hello, how low
Hello, hello, hello, how low
Hello, hello, hello, how low
Hello, hello, hello…

With the lights out it’s less dangerous
Here we are now entertain us
I feel stupid and contagious
Here we are now entertain us
A mulatto, an albino, a mosquito, my libido

A denial – (9x)

Cheira a espírito adolescente

Carregue suas armas e traga seus amigos
É divertido perder e fingir
Ela está chateada e certa de si
Oh não, eu sei um palavrão

Olá, olá, olá, que baixaria
Olá, olá, olá, que baixaria
Olá, olá, olá, que baixaria
Olá, olá, olá…

Com as luzes apagadas é menos perigoso
Aqui estamos, agora entretenha-nos
Sinto-me estúpido e contagioso
Aqui estamos, agora entretenha-nos
Um mulato, um albino, um mosquito, meu libído
Yeah! Yay! Yay!

Sou pior no que faço melhor
E por este presente eu me sinto abençoado
Nosso grupinho sempre foi
E sempre será até o fim

Olá, olá, olá, que baixaria
Olá, olá, olá, que baixaria
Olá, olá, olá, que baixaria
Olá, olá, olá…

Com as luzes apagadas é menos perigoso
Aqui estamos, agora entretenha-nos
Sinto-me estúpido e contagioso
Aqui estamos, agora entretenha-nos
Um mulato, um albino, um mosquito, meu libído
Sim! Sim! Sim!

E eu me esqueço porque eu provo
Ah sim, eu acho que isso me faz sorrir
Eu achei difícil, é difícil de achar
Ah bem, tanto faz, deixa pra lá

Olá, olá, olá, que baixaria
Olá, olá, olá, que baixaria
Olá, olá, olá, que baixaria
Olá, olá, olá…

Com as luzes apagadas é menos perigoso
Aqui estamos, agora entretenha-nos
Sinto-me estúpido e contagioso
Aqui estamos, agora entretenha-nos
Um mulato, um albino, um mosquito meu libído

Uma negação (9x)

Putz…para o ouvinte costumeiro do Café Brasil isto aqui é uma porrada! Sair de AS PASTORINHAS pra mergulhar num Nirvana de viola e depois na voz de Cássia Eller?  Pois é, meu…Café Brasil…

Então…dá pra você notar que a tal fábrica de estupidez tem método? Que as coisas absurdas que acontecem estão conectadas, com uma alavancando a outra? Por isso é que não canso de repetir: fique esperto com os salvadores da pátria, gente que em nome de “um mundo melhor” pretende implantar o inferno sobre a terra.

E cada vez que repito isso, sou chamado de reacionário. Como sei que a maioria de quem rotula não sabe o que quer dizer o rótulo, eu vou continuar repetindo: cuidado com os salvadores da pátria, com os detentores da verdade absoluta. Eles não sabem que fazem parte da fábrica de estupidez.

E é assim, ao som de Cássia Eller e o rockão brabo do Nirvana, que o nosso Café Brasil de hoje vai saindo de mansinho.

Com o aturdido Lalá Moreira na técnica, a perdida Ciça Camargo na produção e eu, que não sei onde to, Luciano Pires, na direção e apresentação.

Estiveram conosco o ouvinte Henrique Martins, Victor Hugo Folchini Sebben, João Donato, Augusto Diegues, Paulo Moura, Maurício Pereira e o Turbilhão de Ritmos, Almirante, Maestro Cipó, Ricardo Vignini com Zé Helder e Cássia Eller.

Este é o Café Brasil, um programa ouvido por gente que quer ter opinião própria, que gosta de provocações e que sabe que só tem a ganhar com opiniões divergentes das suas. Vem pra cá: www.portalcafebrasil.com.br

E pra terminar, uma frase do escritor francês Alexandre Dumas, pai

Como é que as crianças pequenas são tão espertas e os homens tão estúpidos? Deve ser a educação que faz isso…

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