Podcast Café Brasil com Luciano Pires
Silvio Santos, Zé Celso e o Oficina
Silvio Santos, Zé Celso e o Oficina
Uma reunião para ser objeto de estudo em qualquer aula ...

Ver mais

#TransgressaoEhIsso
#TransgressaoEhIsso
Transgredir é muito mais que pintar o rosto, urinar na ...

Ver mais

Vem aí o Cafezinho
Vem aí o Cafezinho
Nasce nesta segunda, 4/9 o CAFEZINHO, podcast ...

Ver mais

Educação adulta
Educação adulta
Preocupados demais com a educação de nossos filhos, ...

Ver mais

591 – Alfabetização para a mídia
591 – Alfabetização para a mídia
Hoje em dia as informações chegam até você ...

Ver mais

590 – O que aprendi com o câncer
590 – O que aprendi com o câncer
O programa de hoje é uma homenagem a uns amigos ...

Ver mais

589 – A cultura da reclamação
589 – A cultura da reclamação
Crianças mimadas, multiculturalismo, politicamente ...

Ver mais

588 – Escola Sem Partido
588 – Escola Sem Partido
Poucos temas têm despertado tantas paixões como a ...

Ver mais

LíderCast 90 – Marcelo Ortega
LíderCast 90 – Marcelo Ortega
Marcelo Ortega, palestrante na área de vendas, outro ...

Ver mais

LíderCast 89 – Bruno Teles
LíderCast 89 – Bruno Teles
Bruno Teles, um educador que sai de Sergipe para se ...

Ver mais

LíderCast 88 – Alfredo Rocha
LíderCast 88 – Alfredo Rocha
Alfredo Rocha, um dos pioneiros no segmento de ...

Ver mais

LíderCast 087 – Ricardo Camps
LíderCast 087 – Ricardo Camps
Ricardo Camps, empreendedor e fundador do Tocalivros, ...

Ver mais

Confraria Café Brasil
Confraria Café Brasil
A Confraria Café Brasil nasceu para conectar pessoas ...

Ver mais

Videocast Nakata T02 10
Videocast Nakata T02 10
Videocast Nakata Temporada 02 Episódio 10 - Hábitos ...

Ver mais

Videocast Nakata – T02 09
Videocast Nakata – T02 09
Videocast Nakata - Temporada 02 Episódio 09 Quando ...

Ver mais

Videocast Nakata T02 08
Videocast Nakata T02 08
Videocast Nakata Temporada 02 Episódio 08 Já falei ...

Ver mais

Tolerância? Jura?
Fernando Lopes
Iscas Politicrônicas
Engraçada essa tal “tolerância” que pregam por aí, por dois simples motivos: 1) é de mão única e 2) pretende tolher até o pensamento do indivíduo. Exagero? Não mesmo. Antes que algum ...

Ver mais

Ensaio sobre a amizade
Tom Coelho
Sete Vidas
“A gente só conhece bem as coisas que cativou. Os homens não têm mais tempo de conhecer coisa alguma. Compram tudo prontinho nas lojas. Mas como não existem lojas de amigos, os homens não têm ...

Ver mais

Um reino que sente orgulho de seus líderes
Luiz Alberto Machado
Iscas Econômicas
Um reino que sente orgulho de seus líderes  Victoria e Abdul   Uma vez mais, num curto espaço de tempo, o cinema nos brinda com um filme baseado na história de uma destacada liderança britânica. ...

Ver mais

O que aprendi com o câncer
Mauro Segura
Transformação
Esse é o texto mais importante que escrevi na vida. Na ponta da caneta havia um coração batendo forte. Todo o resto perto a importância perto do que vivemos ao longo desse ano.

Ver mais

Cafezinho 27 – Planos ou esperanças
Cafezinho 27 – Planos ou esperanças
Tem gente que, em vez de planos, só tem esperança.

Ver mais

Cafezinho 26 – Brasil Futebol Clube
Cafezinho 26 – Brasil Futebol Clube
Não dá para ganhar um jogo sem acreditar no time.

Ver mais

Cafezinho 25 – Podres de mimados 2
Cafezinho 25 – Podres de mimados 2
O culto do sentimento destrói a capacidade de pensar e ...

Ver mais

Cafezinho 24 – Não brinco mais
Cafezinho 24 – Não brinco mais
Pensei em não assistir mais, até perceber que só quem ...

Ver mais

281 – Raciocínios perigosos

281 – Raciocínios perigosos

Luciano Pires -

Bom dia, boa tarde, boa noite! O Café Brasil de hoje tratará de algo que falo há tempos: a necessidade da gente conhecer não só o que acontece, mas por que acontece. A maioria das pessoas acha que estar bem informada basta, mas é preciso mais que isso para quem não quer ser apenas um refém de quem sabe como manipular a informação. Na trilha sonora, a festa de sempre: Beth Lamas, Reginaldo Rossi, The Walkers, Yamandu Costa com Dominguinhos e Renata Arruda. Apresentação de Luciano Pires.

[showhide title=”Ler o roteiro completo do programa” template=”rounded-box” changetitle=”Fechar o roteiro” closeonclick=true]

Bom dia, boa tarde, boa noite! O Café Brasil de hoje chama-se “Raciocínios perigosos” e vai tratar de algo que falo há tempos: a necessidade da gente conhecer não só o que acontece, mas porquê acontece. A maioria das pessoas acha que estar bem informada basta, mas é preciso mais que isso para quem não quer ser apenas um refém dos vendedores.

Para começar, vamos com uma frase do humorista norte americano Arnold Glasow:

O emblema do intelecto é um ponto de interrogação.

Esta semana um exemplar do livro NÓIS QUE INVERTEMO AS COISA vai para…para… o André Navarro, que comentou o programa GERAÇÃO T  assim:

“Bom dia Luciano! Estou rindo até agora, Rhaissa Bittar com Pa ri, que música foi essa? Realmente genial da parte dela, e o contrário da minha parte – jurei que era francês. Parabenizo-o por aguçar a minha curiosidade com o programa, e ter-me feito vir até aqui, no site, para verificar a música e sua letra.

Aproveitando o ensejo, eu ouvi o Café Brasil a primeira vez no rádio, voltando da faculdade, porém martirizei-me por não lembrar em qual estação eu tinha ouvido o programa, o qual eu havia gostado tanto. Quando finalmente, após certa procura, descobri tratar-se de um podcast – coisa que eu nem sabia até então o que era – tratei logo de assinar o programa e passei a ouvi-lo sempre.

Digo tudo isso porque com apenas um programa fiquei curioso a ponto de precisar saber o que teria falado nos outros programas. E a cada apresentação que ouço fico mais curioso sobre o assunto, assim como sobre o que será falado na próxima semana. Obrigado pelas iscas intelectuais, eu estava precisando de um “up” nesse sentido – um real incentivo à curiosidade, que era tão natural quando crianças.”

Seja bem vindo André! Você fez certinho: correu atrás da curiosidade e teve uma surpresa que quem não ficou curioso, não teve. E ainda ganhou um livro. Ô você aí, que nunca escreveu, veja só que curioso: quem escreve pra nós tem mais chance de ganhar um livro do que você!

Olha só um recado para os curiosos. Sempre que um programa novo vai ao ar, ele é publicado no site www.podcastcafebrasil.com.br. Se você for até lá, encontrará na página do podecast, logo abaixo da descrição do episódio, um link chamado LER O ROTEIRO COMPLETO DO PROGRAMA. Clicando ali, você terá todo o texto deste programa, com vários links ao longo dele, que levam você direto para a nossa CAFEPEDIA. A CAFEPEDIA é uma enciclopédia que reúne informações adicionais sobre os artistas, canções, fatos e curiosidades que comentamos no programa. É uma complementação fascinante para aquilo que despertou sua curiosidade. CAFEPÉDIA CAFÉ BRASIL.

Viu só? Nóis tamém investe em curtura, sô!

Em 1946 o deputado Edmundo Barreto Pinto deixou-se fotografar para a revista O Cruzeiro vestindo um fraque e cuecas samba-canção. Diz a história que a promessa era de que a foto seria publicada apenas da cintura para cima. Não foi. E o deputado perdeu o cargo por falta de decoro parlamentar. Se você ficar curioso, a foto do cuecudo está publicada na nossa Cafepedia.

Outra cueca, esta mais recente: o senador Eduardo Suplicy desfilou pelos corredores do Congresso usando uma cueca vermelha por cima do terno, numa brincadeira promovida pelo programa Pânico Na TV. A brincadeira pegou mal, o deputado pediu e a reportagem não foi ao ar. Mas a foto foi estampada em vários jornais e revistas. E como neste novo milênio estamos muito mais tolerantes, a coisa ficou por isso mesmo, sem maiores conseqüências.

Mas mostrando que a tolerância só vale para os homens, vimos o caso da Geysi Arruda que foi à universidade com um vestido curtíssimo. A moça foi cercada por centenas de estudantes, xingada e ameaçada. Vídeos mostrando o acontecido foram parar no Youtube, dali para os jornais, revistas e televisão e pronto. Geysi Arruda, a moça do micro vestido, foi expulsa da universidade e depois readmitida e o Brasil parou para discutir o assunto. Sorte dela, que apareceu em dezenas de programas de televisão e revistas masculinas, fez uma repaginação, virou destaque da escola de samba Gaviões da Fiel e está curtindo o “ser celebridade” tão caro a estes novos tempos.

Fama

Money no bolso é tudo o que eu quero
Money no bolso saúde e sucesso (2 x)
Faço tudo pela fama não tem jeito eu sou assim
Sei que a fama tem um preço vou pagar quero subir
Na cama com Madonna quero mais é ser feliz
Se eu tiver 15 minutos viro capa de revista
Money no bolso…..( 2 x )
Papagaio de pirata estandinho estandim
Sou modelo, sou atriz, luzes câmeras em mim
Pago mico toda horam quero mais aparecer
Se eu tiver 15 minutos eu viro estrela de TV
Money no bolso…( 2 x )
Um jatinho pra voar quando eu estiver afim
Sem limites pra sonhar Holliwood é logo alí
Por ali ou pór alá eu nasci pra ser artista
Se eu tiver 15 minutos eu viro capa de revista
money no bolso…

Você está ouvindo Beth Lamas, que vem do teatro para fazer sucesso também como cantora. Essa música, FAMA, composição de Beth com Sarah Benchimol, foi trilha da peça A VERDADEIRA HISTÓRIA DE BEATRIZ ALZIRA, estrelada pela Beth. E depois, a música virou trilha da novela CELEBRIDADE. Isso é muito anos setenta…

Cuecas e micro vestidos ocupando o imaginário popular parecem banalidades, não é?  Não é não, viu. O lance das cuecas e do vestido curto não é a doença. É o sintoma.

A cueca de 1946 mostrou a doença da quebra de confiança, uma promessa não cumprida pelo jornalista, causando uma vítima, o deputado. A cueca do Suplicy em 2009 mostrou a doença do vale tudo para uns segundinhos de exposição na mídia. E o micro vestido da Geisy em 2009 exibiu a doença da intolerância que pensávamos já estar ultrapassada.

Mas quero mesmo é fazer umas perguntinhas marotas… olha só! Quero saber os porquês de cada um desses “escândalos”.

Em 1946, foi por causa do deputado que vestiu a cueca ou do jornalista que o enganou? Em 2009 foi por causa do senador que vestiu a cueca ou do pessoal do programa Pânico na TV que o induziu a isso? E no caso da universidade? Foi por causa da moça que usou o vestido curto ou da intolerância dos agressores?

Parece lógico, não é? Se o deputado e o senador não tivessem concordado em usar as cuecas, nada teria acontecido. Se a Geysi não tivesse colocado o vestido provocante, nada teria acontecido.

Portanto a culpa deve ser deles, não é?

Acho que vou chorar

Quero voltar para o interior
Hum, hum, hum, hum, hum
Pra no campo, correr, sobre a relva deitar
Com um grande amor sonhar
E sonhar que outra vez um menino eu sou
Hum, hum, hum, hum, hum
Livre, correndo, só pensando em brincar
Comer, dormir, sonhar
E sonhar com os campos, com a mata em flor
Hum, hum, hum, hum, hum
Com as águas do rio, onde vou me banhar
E um peixe bom… Pescar
Quero voltar para o interior
Hum, hum, hum, hum, hum
Pra no campo, correr, sobre a relva deitar
Com um grande amor sonhar
E é tanta saudade nesse meu coração
Hum, hum, hum, hum, hum
Dos domingos, na missa, onde eu ia cantar
Eu acho que vou chorar
E são tantas as lembranças de tão lindo lugar
Hum, hum, hum, hum, hum
A igrejinha, a praça, a bandinha a tocar
Eu acho que vou chorar
Quero voltar para o interior
Hum, hum, hum, hum, hum
Pra no campo, correr, sobre a relva deitar
Com um grande amor sonhar

Que tal hein? Você está ouvindo EU ACHO QUE VOU CHORAR, com Reginaldo Rossi, pode? Pois é, o Reginaldo Rossi começou assim, cantando versões. Essa é de THERE´S NO MORE CORN ON THE BRASOS, sucesso dos The Walkers em 1971.

There’s no more corn on the Brasos

There’s no more corn on the Brasos – o oho oho
They grinded it all up in molasses – o oho oho
Captain, don’t you do me like you’ve done for Shine – o oho oho
Well, you’ve driven that bully till he went stone blind – o oho oho
You’ve come on the river in 1904 – o oho oho
You could find many dead men on every turn of the road – o oho
There’s no more corn on the Brasos – o oho oho
They grinded it all up in molasses – o oho oho
You’ve been on the river 1910 – o oho oho
Well, they’re drivin the women like they drive the men – o oho oho
Rise up all dead men, help me drive my load – o oho oho
Oh, rise up all dead men, help me drive my load – o oho oho
There’s no more corn on the Brasos – o oho oho
They grinded it all up in molasses – o oho oho

Não há mais milho no (rio) Brasos

Não há mais milho no (rio) Brasos
Eles transformaram tudo em melaço
Capitão, não faça comigo como você fez com o Shine – o oho oho
Bem, você sobrecarregou aquele xucro até que ele ficou completamente cego
Você chegou ao rio em 1904  – o oho oho
Você pôde encontrar muitos homens mortes em cada curva da estrada
Não há mais milho no Brasos
Eles moeram tudo em melaço
Você esteve no rio em 1910
Bem, eles estão sobrecarregando as mulheres, como sobrecarregam os homens – o oho oho
Levantem-se todos os homens mortes, ajudem-me a levar minha carga  – o oho oho
Oh levantem-se, todos os homens mortos, ajudem-me a levar minha carga – oho oho
Não há mais milho no (rio) Brasos
Eles moeram tudo em melaço

** Essa música é inspirada na canção “Ain’t no more cane on the Brazos”, cantada nas prisões do Texas (EUA). O Brasos é um rio que nasce no estado norte-americano do Novo México.

Pois é…quando eu escuto esse argumento de que a culpa é deles, eu acho que eu vou chorar! Cuidado! Quer dizer que a culpa do estupro é da moça que colocou o vestido curto? A culpa da perda de mandato é do político que confiou no jornalista? Esse raciocínio é perigoso.

Ele também serve para desculpar o MST que invade e depreda a fazenda particular sob o argumento de que “são da união e foram invadidas pela Cutrale”. Serve para desculpar a torcida uniformizada que trucida o torcedor do time contrário que “tava provocano nóis”.

Serve para inocentar o sujeito que rouba o celular que “tava largado na mesa, dano sopa.” Serve para aliviar a culpa do assassino conforme a qualificação da vítima. Serve para desculpar a mentira e a corrupção, pois “no governo anterior era até pior”.

Nestes tempos de novilíngua, de “mentiras simbólicas” e de gente ideologicamente estressada, nem tudo é o que parece ser.

Portanto, antes de acreditar no julgamento dos outros, preocupe-se em saber os porquês.

Meu! Dá pra acreditar nisso? Você ESTÁ OUVINDO molambo, de Augusto Mesquita e Jayme Florence ao som maravilhoso de QUEM? Dos sócios do Café Brasil, Yamandu Costa e Dominguinhos

Bem, vamos lá. É importante tentar entender porquê as coisas acontecem, além de saber que elas acontecem, certo? Em minhas palestras costumo apresentar algumas regrinhas que servem como base para quem quer exercer seu espírito crítico ao receber informações. Várias dessas dicas eu já dei em programas anteriores, mas agora vamos agrupar tudo num só. Pode ser um exercício e tanto!

Começo com a minha velha e boa TEORIA DOS QUATRO RÊS. Ela prega que “Informações sem relevância, disseminadas por quem não tem a menor responsabilidade, quando recebidas sem qualquer reserva, ganham ressonância desproporcional.”

Eu estou exagerando no RRRE, porque eu sou de Baurú e falo poRRta. E cada vez que aparece um R e eu posso falaar RRRE, eu faço questão…

O corte de cabelo novo do Ronaldo Fenômeno. A celebridade da novela que apareceu num vídeo indiscreto. Aqueles assuntos que ganham espaço nas discussões normalmente não respeitam os quatro rês. Aliás, nem podem, né?

Os quatro rês são problema nosso.

Sempre que você estiver diante de uma informação, não importa se no jornal, na televisão ou até mesmo da boca daquela colega na hora do café, fique esperto para aplicar a Teoria dos quatro rês.

Primeiro rê: Relevância. Que importância tem essa informação que você está recebendo? Que importância para você, para os que estão à sua volta, para sua empresa, para sua cidade, para seu país, para o mundo? Se não tem importância nenhuma, se é apenas mero entretenimento ou fofoca, não perca mais tempo com ela.

Segundo rê: Responsabilidade. Que responsabilidade tem a pessoa que está passando essa informação para você? Ela é confiável? Ela se preocupou em verificar as evidências? Ou é apenas um irresponsável passando para a frente aquilo que ouviu? Se é um irresponsável, redobre os cuidados, vá você mesmo em busca das evidências. Use o Google!

Terceiro rê: Reserva. Com que reserva você deve receber essa informação? Que cuidados deve tomar? Que proteções deve ter? Se você recebe as informações sem qualquer reserva, torna-se vítima delas. Ou passa a ser um inocente útil, distribuindo aquilo que alguém quer que você distribua.

Por fim o quarto rê: Ressonância. Que ressonância você deve dar à informação? Deve distribuir para todo mundo, deve ampliar o alcance? Ou apenas fazer com que a informação morra ali com você?

Relevância. Responsabilidade. Reserva. Ressonância. Quatro palavrinhas que ajudam você a filtrar de forma inteligente as informações que circulam por aí. Os quatro rês que te deixam esperto!

Depois vêem aquelas cinco perguntinhas básicas, que servem pra jogar água na fervura, desmascarar os manipuladores e proteger você.

Primeira: quem criou essa mensagem? É fundamental que você tenha uma idéia da autoria da mensagem. Quando você sabe a autoria, tem grandes chances de entender as intenções – na maioria das vezes ocultas – de quem criou a mensagem e pode proteger-se. Uma ligação anunciando que você ganhou um prêmio, por exemplo, muda completamente de significado quando você sabe que por trás dela está um operador de 0800 de uma companhia de telefonia, percebe? Aí tem coisa…

Gosto muito de usar aquele exemplo clássico: pegue a frase “eu só sei que nada sei”. Se o autor for o filósofo grego Sócrates, ela significa que o sábio é aquele que reconhece sua ignorância e trabalha para vencê-la. Já a mesma frase “só sei que nada sei” na boca de Luiz Inácio Lula da Silva, assume um significado completamente diferente. Por isso é importante saber quem é o autor da mensagem.

Segunda pergunta: Que técnicas criativas foram usadas para chamar a minha atenção? Estou fascinado com esta propaganda de cerveja, pois tem uma loira com uma bunda maravilhosa. Percebeu? A bunda é um truque para prender a sua atenção! De olho na bunda, abro espaço para a marca da cerveja.

Outra prática muito difundida são as frases tiradas para fora de um contexto. Num programa anterior tratei da frase da Sandy sobre prazer anal, que tirada de um contexto onde ela dizia que pode ser que exista quem goste, transformou-se numa confissão de preferência sexual da cantora. Fique esperto com os truques dos criativos!

Terceira pergunta: De que forma pessoas diferentes entenderiam essa mensagem de um jeito diferente da minha? Se eu não fosse quem sou, não morasse onde moro, não tivesse a educação que tenho, como eu receberia essa informação? Aquela piada do Rafinha Bastos dizendo que mulher feia deveria agradecer se fosse estuprada, por exemplo? Você riu? E se você fosse uma mulher feia? E aquela propaganda da Skol com um terremoto na praia engolindo todo mundo e a caixa de cerveja? Você achou interessante? E se você fosse um refugiado Haitiano ou até mesmo um Chileno que já enfrentou um terremoto, morando no Brasil? Percebe? Coloque-se no lugar de outros.

Quarta pergunta: Que valores, estilos de vida e pontos de vista estão representados (ou omitidos) desta mensagem? Uma mensagem anti-abortista vinda de um médico pode tomar outros significados se vier de um padre, por exemplo. O que poderia ser uma questão científica transforma-se numa questão religiosa e ideológica.

Quinta pergunta: Por que esta mensagem está sendo enviada? Por quê pra mim, aqui e agora? Recebi outro dia um DVD com um programa mostrando as atividades da prefeitura da cidade onde eu moro. É claro que a intenção não é prestar contas, mas dar a largada para uma campanha eleitoral.

Cinco perguntinhas, sacou? Experimente fazê-las. Com o tempo você vai incorporá-las a seu repertório e passar a fazê-las de forma automática, protegendo-se de manipulações, mentiras e aproveitadores. E elas vão ajudar você a entender porquê as coisas acontecem.

Nestes dias de estresse ideológico nos quais vivemos, onde por trás de cada fato ou versão existe um interesse, é fundamental estar preparado para receber, filtras e escolher a informação. A violência na televisão, por exemplo, deve ser 10 vezes maior que a violência na vida real. Estar diariamente exposto à superdose de violência não pode fazer bem a ninguém. No mínimo nos tornaremos reféns de um clima de pavor, apoiando medidas extremas para combater um mal com doses muito maiores de remédio do que seria necessário. É por aí, por exemplo, que ainda existe gente defendendo “um pouquinho de censura” para combater quem diz coisas que ela não quer ouvir.

Veja bem vou deixar beeeeeeem claro: não é para negar a informação que você está recebendo. É para assumir o controle sobre o que você fará com ela. Se toooodo mundo está comprando o novo celular que está na moda, você talvez se veja tentado a comprar também. Pode ceder à razão à pressão da maioria, que por sua vez cedeu a uma bem montada campanha de marketing que está a serviço de alguém que no final das contas só quer uma coisa: seu dinheiro. Seu voto. Sua concordância.

É assim que a sociedade funciona, é assim que os meios de comunicação funcionam, é assim que nós funcionamos como seres humanos. E não há porque achar que isso é necessariamente ruim. Ruim é quando você entrega a terceiros o controle de sua vida, quando prefere procurar a lista dos mais vendidos para escolher o livro que vai ler, quando deixa que alguém defina o modelo de camisa ou de sapato que você deve usar. Ruim é quando você deixa de ser curioso, sacou?

Ruim é quando vc perde a capacidade de dizer não

A resposta é não

Tá certo que eu sou uma sonhadora
Sou romântica
Desapegada,
Quase simples agora
Ou você sonha ou não acontece nada
Ou você tem pesadelos
Fazer da vida um pesadelo
É a arte de muitos
Fazer dela um nada,
É a arte da maioria
E fazer dela um sonho
É a arte do artista
E não me venham com sobrevidas
Nem sobredúvidas
Nem sobredívidas
Alguns
…………………….
Eu, bato asas
Acasalo, canto

Não venha me dizer
O que eu devo ou não fazer
Porque eu não faço não!
Não venha me falar
O que eu devo ou não cantar
Porque eu não canto não
Não venha me dizer
O que eu devo ou não fazer
Porque eu não faço não!
Não venha me falar
O que eu devo ou não cantar
Porque eu não canto não
Não queira
Que eu quero
O que eu não sinto não
Não
Não sinta
Que eu sinto que não quero
Não queira
Que eu quero
O que eu não sinto não
Minha resposta é não
Minha resposta é não
Minha resposta é não

Então. O Café Brasil vai saindo de mansinho ao som de Renata Arruda com A RESPOSTA É NÃO!, de autoria da própria Renata, que vem lá de João Pessoa na Paraíba e já tem cinco CDs na bagagem… Mas acho que você ainda não tinha ouvido a Renata por aí, não é? Pois é…

Com o atento Lalá Moreira na técnica, a serelepe Ciça Camargo na produção e eu, o filtrante Luciano Pires na direção e apresentação.

Estiveram conosco o ouvinte André Navarro, Beth Lamas, Reginaldo Rossi, The Walkers, Yamandu Costa com Dominguinhos e Renata Arruda.

Este é o Café Brasil, um programa cheio de raciocínios, alguns até perigosos, mas que é ouvido por gente curiosa, que quer se sentir provocada, quer ampliar o repertório, quer formar opiniões, quer tomar conta de si própria. E acredite, no mundo de hoje, gente assim é minoria…

Pra terminar, uma frase do filósofo e matemático britânico Bertrand Russell:

O que é necessário não é a vontade de acreditar, mas o desejo de descobrir, que é justamente o oposto.

[/showhide]