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279 – Introspectiva

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Luciano Pires -

O programa da semana faz uma proposta: em vez de olhar para o passado, para o presente ou para o futuro, experimente olhar para dentro. Costumamos dizer que um indivíduo introspectivo é aquele pouco social, que passa a maior parte do tempo às voltas com seus pensamentos, à margem da festa. Mas a introspecção é mais que isso. E um texto saboroso do Chico Rodrigues vai nos fazer refletir sobre pequenos preciosos momentos que deixamos escapar. Na trilha sonora tem Jessier Quirino com Dominguinhos, Dilermando Reis, Toninho Ferragutti, Nelson Ayres, Ulisses Rocha, Kiko Zambianchi e Paulo Diniz. Apresentação de Luciano Pires.

[showhide title=”Ler o roteiro completo do programa” template=”rounded-box” changetitle=”Fechar o roteiro” closeonclick=true]

Bom dia, boa tarde, boa noite! Todo começo de ano a gente faz a mesma coisa, não é? Planos de mudanças, joga fora coisas velhas, toma decisões e fica de olho nas previsões dos especialistas. Pois desta vez quero propor uma coisa diferente. Em vez de olhar pra trás ou pra frente, olhar pra dentro! E vamo que vamo!

Pra começar, uma frase do psicólogo e psiquiatra suíço Jung:

Quem olha para fora, sonha. Quem olha para dentro, desperta.

E o exemplar desta semana de meu livro O MEU EVEREST, vai para…para… o Adriano Cabral, que comentou assim o programa HOMEM TALVEZ:

“ Luciano. Ja ouvi acho que todos os seus pods, muitos me tocaram,…ta bom não comentei não comentei com vocês! Sabe uso o seu livro como, ou usava seu livro, para fazer um momento cultural, com a garotada que trabalha, comigo. Funcionava assim, eu encerrava todos os trabalhos uns 20 min antes e esses 20 min todos deveriam estar na minha sala para conversarmos qualquer coisa, fora do expediente. Mas eles vinham apagados, aí eu pegava o “Nóis…” e pedia para que alguns deles lessem um dos textos e em cima dele começávamos a discussão. Sempre bem aproveitável, mas infelizmente eles viam como obrigação. Isso me entristecia, mas decidi, é ordem todos lá no horário determinado e acabou, emburrado ou não. Mas é triste você querer transmitir um pouco de conhecimento pra quem não quer ou pior para quem nem sabe o que quer! Infelizmente em razão de mudanças de função e aumento de burocracia eu não podia mais acompanhar, mas torcia para que aquilo tivesse virado um hábito. Mas não deu. Quando eu não aparecia, eles “davam o golpe” e não apareciam, iam almoçar mais cedo, pra poder “torar” mais apos o almoço, triste. Mas não desisti, vou voltar a reuni-los nem que seja por ordem!”

Rararara…eu fico fascinado cada vez que alguém me escreve dizendo que pegou um dos meus textos ou até mesmo o programa e utilizou para motivar discussões com outras pessoas. Acredite, essa é uma ferramenta poderosa se for utilizada com inteligência. Abrir uma reunião com uma discussão é uma fantástica forma de aquecer as turbinas, tirar os mortos vivos da letargia, provocar as pessoas a usar o cérebro! Obrigado pela dica Adriano!

E aí? O Adriano ganhou um livro pois escreveu para o programa. E você aí? Vai ou não vai?

Todo final de ano tem retrospectivas. Quem é que não gosta de rever aquelas cenas que nos tiraram o fôlego ao longo do ano que passou? Principalmente quando editadas em ritmo de filme de ação? Imagens fortes que brincam com nossas emoções.

Retrospectivas colocam molho em nosso rotineiro cotidiano e servem para lembrar como somos sortudos, afinal, com raras exceções, aquelas tragédias nunca acontecem conosco, não é?
E às vezes também aparecem as perspectivas, aqueles exercícios que tentam antecipar o que vem pela frente. Todo ano é igual: Jair de Ogum e Mãe Dinah dizendo que vai morrer um artista e economistas apostando que a inflação será de xis por cento. E a gente adora!

Pois vou propor algo diferente: em vez de olhar para trás pra rever o que passou ou para frente pra antecipar o que vem por aí, proponho olhar pra dentro e fazer a sua “Introspectiva”.

Rolam as pedras

Vejo sonhos livres, pais, irmãos e filhos
Corpos tão estranhos aos meus
Acho que eu existo dentro da cidade
Quase que me sinto Deus
Tudo está tão certo que parece errado
É onde não consigo me achar
Luzes da verdade na realidade
Sempre estão mudando de lugar
Rolam as pedras, devem rolar
Sou como as pedras pra te encontrar
Rolam as pedras, devem rolar
Sou como as pedras pra te encontrar
Vejo em branco e preto coisas coloridas
Na vida que tentaram me dar
De frases escritas, frases esquecidas
Que nem posso mais me lembrar
Tudo tão errado que parece certo
Foi difícil me nivelar
Depois na infância e da liberdade
Que nem sempre quer me acompanhar

Que legal aí ao fundo, não é? Kiko Zambianchi com sua ROLAM AS PEDRAS. Muito conveniente para este programa…

Pouca gente sabe direito o que é introspecção. Costumamos dizer que um indivíduo introspectivo é aquele pouco social, que passa a maior parte do tempo às voltas com seus pensamentos, à margem da festa. Mas a introspecção é mais que isso. Envolve até mesmo a filosofia! Sabe-se que Sócrates já utilizava a técnica da introspecção em seus estudos sobre os grandes enigmas da vida.

O que me interessa a cada começo de ano é refletir sobre a introspecção como “o ato de olhar para dentro de si mesmo, para seus pensamentos, desejos e sentimentos, examinar como sua mente funciona, como toma decisões, como direciona seus atos.” A introspecção como um auto-exame para nos conhecer melhor e assim antecipar nossas reações e realizar escolhas melhores.

A introspecção envolve credos, desejos, dores e emoções. É um vasto campo de estudos da psicologia, coisa de quem é do ramo. Mas dá pra refletir sobre esse processo de auto conhecimento que fará você se arrepender e se orgulhar de coisas que fez ou deixou de fazer.

O processo de introspecção ajuda a entender como sua mente funciona, deixando você mais apto a evitar armadilhas e principalmente, a mudar.

Mas a coisa não é assim tão fácil, não. Temos a tendência de repetir padrões de conduta, cometendo sempre os mesmos erros. Sabe aquela amiga que vai pedir dinheiro emprestado outra vez? E que você vai acabar emprestando? Ou seu chefe que vai te chamar para a reunião no final da tarde e vai te segurar por horas? E você vai?

Pois é… A Introspectiva colocará você na incômoda posição de ter que explicar – para si mesmo – a razão de não mudar. Esse exercício é incômodo, pois mentir para si mesmo não é confortável, ninguém gosta de ser confrontado com suas fraquezas. Preferimos o auto-engano, a continuidade confortável dos processos que podem não ser os melhores, mas são familiares.

Comece o ano novo realizando uma introspectiva sobre o ano que passou. Olhando para o que aconteceu no mundo, no Brasil, em sua cidade, em sua família – mas refletindo sobre como você reagiu aos acontecimentos. Que atitudes tomou, o que aprendeu e o que é que vai fazer a respeito.

Mudar dói. Reconhecer fraquezas dói também. Mas a alternativa é deixar como está pra ver como é que fica.

Um jeito bem vagabundo de começar um ano, não é?

Um sonhador maginando

Ô cumpade véi
O Riacho do navio não corre pro Pajeú?
O Rio pajeú não despeja no S.Francisco?
E o Rio São Francisco
Não bate no mei do mar?

Pois imagine um riacho
Correndo pr’outro navio
E esse grande navio pelos céus a navegar…

To maginando um navio
Um veleiro voador
Cheio de água e frescor
Pra. no sertão, vaguear
Com meu barco eu avoar
Por ali surrupiando
Parando de quando em quando
Por tudo quanto é roçado
Quem der beiço espantado:
– Que diacho tu tais tramando?
Responderei animado
Apenasmente aguando.

Procurarei entender
Os raios de sol e brasa
Protegerei com minha asa
As casas sem eira e beira
Esquecerei nas torneiras
Do sangrador escoando
Se a passarada voando
Bandos de fogo-apagou
Interrogá que eu sou
Com tanta água sobrando
Responderei  abrandado
Sou eu aqui aguando

Orvalharei as folhagens
Os frutos de cor e cheiro
E por fim, por derradeiro
E num vigor bem maior
Eu derramarei meu suor
Recolherei as amarras
O inverno aunciando
Festejarei proclamando:
Tá bonito pra chover!
E retornarei a ser
Um sonhador maginando.

É…Seu Dominguinhos
Essa maginação
Esse sonho caquiado
É para o mestre Gonzaga
Que tá no vão das alturas
Rodando no lado A
Do disco da imensidão
Negociando chuvada
Com São Pedro e companhia
Com a mais pura poesia
De nordeste e de sertão

Eita! Cumpade véi!
Isso não é mais um Dominguinhos
Isso é uma segunda
Em terça, uma quarta
Cheia de quinta, sexta e sábado
De feira e de poesia

Ah, que delícia…você ouviu UM SONHADOR MAGINANDO, de Jessier Quirino, com ele mesmo e o Dominguinhos falando de sonho e imaginação. A letra é uma delícia e você poderá encontrá-la no post deste programa em www.podcastcafebrasil.com.br.

Pois então, em 2010 eu perdi um grande amigo, o Chiquinho Rodrigues. Um daqueles amigos que a gente passa um tempão sem encontrar, mas só por saber que ele está lá, já dá um conforto, sabe como é?

Pois é, só que agora o Chico não está mais lá e a cada vez que me lembro disso, dá um vazio imenso aqui dentro… Mas o que se pode fazer?

Bem, eu costumo provocar lembranças dele, como farei agora, trazendo a você um texto que o Chico escreveu para meu site, chamado UM CONTO DE NATAL. É uma história simples mas que traz uma grande lição sobre os pequenos momentos que deixamos passar.

Ao fundo você está ouvindo A SAUDADE MATA A GENTE, uma toada de 1948 composta por Braguinha  e Antônio Almeida. A interpretação aqui é do Trio 202, com Toninho Ferragutti no acordeon, Nelson Ayres no piano e Ulisses Rocha ao violão.

Eu tinha mais ou menos uns 15 anos de idade e nessa época eu estudava no colégio São Judas Tadeu na Mooca.

Era de manhã e eu estava voltando pra casa quando ouvi o som de um violão. Quem tocava era um cara de pele bem escura, já bem velho e com aquele jeitão caipira.

Ele estava sentado na porta de uma velha fábrica desativada. No chão havia um chapéu com alguns trocados e algumas balas Juquinha (que algum moleque sensível na falta de grana devia ter deixado ali).

Mas o mais importante… era a música!

Uma melodia maravilhosa! Com sabor de coreto, gente sentada na calçada, chapéu de palha e bengala, história de avô, porre de tio, tornozelo de prima e muita inocência.

Era uma melodia linda! E ele tocava de olhos fechados, curtindo mesmo!

A expressão no seu rosto era uma mistura de dor, prazer, sofrimento e emprestavam às cordas tocadas uma sensibilidade incrível que eu jamais ouvira até então.

Depois de algum tempo ouvindo-o tocar, eu fui pra casa.

Fiquei o dia todo com aquela melodia na cabeça e um puta aperto no coração.

A primeira coisa que fiz quando cheguei em casa foi pegar meu violão. Mas não consegui encontrar sequer um acorde daquela música. Eu estava começando meu aprendizado e ia ser muito difícil executar aquilo sem estar registrado em uma partitura. Eu teria então que ver e ouvi-lo tocar várias vezes para poder então decorar a melodia.

Mas tudo bem! No dia seguinte eu passaria lá outra vez, ou quantas vezes fossem necessárias até eu aprender. Mas não foi bem assim…

No dia seguinte ele não estava lá. E por muito tempo ficou sem aparecer.

Durante os cinco anos em que estudei naquele colégio, só consegui vê-lo mais umas três vezes, e não foram suficientes pra eu aprender aquela linda melodia. E quando ele aparecia, nem sempre tocava a música que eu estava esperando e minha timidez não deixava eu fazer o pedido ensaiado em casa porrada de vezes.

Mas tudo isso ajudou a despertar em mim a paixão pelo instrumento. Fiquei viciado nisso.

Hoje devo ter espalhado por aí afora uns quinze ou dezesseis violões! Mais de dez deles não sei onde estão (provavelmente emprestado com algum ingrato!). Coisas como: Ovation, Gibson, Yamaha, Gianinni, Del Vechio, e estou sempre fuçando em lojas ali da Teodoro Sampaio pra ver se encontro algo diferente.

Pausa no texto do Chico. Esse Ovation tá comigo, cara, que comprei dele!

E foi numa dessas vezes que encontrei no “Primeira Mão” um anúncio de um violão feito por um luthier muito antigo chamado Soros. Os violões da marca Soros, são o sonho de regionais que tocam chorinhos. Preferidos de gente como: Paulinho da Viola, Moraes Moreira, Paulo Bellinati, Dino 7 Cordas e uma pá de gente boa que sabe o que é um bom instrumento.

O violão que eu vi anunciado era antigo, raro e o preço era bom.

Liguei pro cara, mostrei interesse, anotei o endereço, combinamos e lá fui eu.

Era uma casa bem simples no bairro Cachoeirinha e o cara devia ter mais ou menos a minha idade.

Ele explicou que estava saindo daqui da capital, e indo de mudança com a família pra sua cidade no interior de São Paulo. O instrumento era herança do avô e ele estava vendendo porque precisava do dinheiro pra viagem.

O violão estava um bagaço!

O braço estava meio empenado, trastes carcomidos, verniz descascado, em vários pontos faltavam algumas daquelas bolinhas de madrepérola que indicavam as casinhas, cheirava estranho e não tinha nenhuma corda! (aí entendi porque estava barato).

Mas mesmo assim valia a pena.

Ele leu nos meus olhos que eu havia gostado. Então disse que estava triste por ter que se desfazer da herança do avô, mas estava feliz porque o instrumento estava indo pras mãos de alguém que cuidaria com carinho.

Perguntei se ele tocava e ele me disse encabulado que “só arranhava”.

Dei-lhe meu endereço e disse que quando batesse a saudade do instrumento, era só aparecer.

Paguei, peguei o violão e fui.

Antes de chegar em casa, deixei minha nova aquisição na oficina de um luthier amigo meu pra que ele pudesse dar um trato naquele instrumento tão judiado. Cara! Ele arrasou! Meu Soros ficou como novo!

Colocamos cordas novas, e dei o primeiro acorde…

O som era lindo!

Passou-se um tempo, e numa véspera de Natal a minha campainha tocou.

Era o Rubens…(o cara que me vendera o violão!)

Ele apareceu com os dois filhos pequenos e disse que estava com o caminhão de mudanças parado bem na porta da minha casa. Falou que não resistiu ao meu convite e antes de partir pra sempre, queria saber se eu havia colocado cordas no violão, pois queria tocar para os filhos pela última vez uma música que havia aprendido com seu avô. Como uma despedida.

Claro que me emocionei…

Fui pegar o violão e coloquei nas mãos dele. Ficou de boca aberta quando viu o estado maravilhoso em que o instrumento se encontrava.

Logo depois, sentou-se e começou a tocar uma melodia.

Gente do céu!!! Era a porra da melodia da minha infância!

Lá estava ela. Meu presente de Natal!

Foi só eu ouvir a música, e no ato a fita toda voltou…

Voltei a ser moleque novamente.

Senti o cheiro da figueira no quintal de casa, tardes de domingo com a Jovem Guarda, João Gilberto, pipa de papel de seda, minha mãe me enchendo o saco, The Beatles, as coxas da minha professora de desenho, o conservatório do Didi, doce de abóbora na vendinha do seu Nicolau, o latido da Lady, a Maria Inês, (meu primeiro amor) o campinho de futebol, bola Pelé murcha, e o escambau!

Ele terminou de tocar e eu fui correndo pegar meu gravador de entrevistas pra poder capturar aquilo tudo. Ele tocou novamente, mas sem tesão dessa vez. (deve ter ficado inibido com o gravador). Pra piorar, as crianças estavam impacientes. Começaram a encher o saco que queriam ir embora (tinham achado a música uma merda) a esposa dele impaciente não parava de buzinar no caminhão, meu celular tocou, a vizinha chiou com o barulho, um Papai Noel bêbado começou a chacoalhar aquela porra de sininho, um dos meninos começou a fuçar nos meus Cd’s, o outro abriu a geladeira, enfim… rolou de tudo!

Mas valeu. Ele terminou de tocar, agradeceu pela paciência, desejou feliz natal, me deu um abraço sincero e partiram.

O caminhão nem bem havia virado a esquina e eu já estava rebobinando a fita pra ouvir a música.

Ouvi o barulho de stop, e logo dei o play.

Passaram-se alguns segundos, eu aumentei o volume ao máximo. E logo em seguida ouvi…

SSSSSSSSHHHHHHHHH……

No afã de não perder nenhum trecho da música e com toda a confusão criada pelos meninos, eu havia esquecido de colocar volume na hora de gravar.

Não chorei, não praguejei, não fiquei puto nem nada…

Só ali, quietinho e com uma puta dó de mim!

Mas logo me recuperei. Entendi que algumas oportunidades na vida da gente são únicas! E por falta de sorte ou puro azar mesmo, acaba-se deixando escapar.

Sabe Luciano, de vez em quando antes de pegar no sono, ainda ouço aquela melodia.

Ela aparece como a trilha sonora de um clip onde as imagens editadas são dos melhores momentos de minha vida.

E pode ter certeza que em vários desses takes estão presentes minha escola de música, sua agência de publicidade, o Ponto Chic, nossa querida turma, todas as risadas que demos juntos e que imprimiram pra sempre em minha alma

Que Papai do Céu seja bondoso e generoso quando distribuir saúde e felicidade em sua casa neste Natal.

Bença Padim

Bem, o que mais dizer? Eu só posso desejar também a você que em todos os Natais futuros, papai do céu seja bondoso e generoso quando distribuir saúde e felicidade em sua casa.

E bola pra frente, né? Vamos para a introspecção, conhecendo nossas fortalezas e fraquezas e partindo para fazer algo a respeito.

A melodia ao violão que usei para ilustrar a história do Chico é MAGO RAGO, com Dilermando Reis.

Vou-me embora

Vou-me embora
Vou-me embora
Vou buscar a sorte
Caminhos que me levam
Não têm Sul nem Norte
Mas meu andar é firme
E meu anseio é forte
Ou eu encanto a vida
Ou desencanto a morte…
Vou-me embora
Vou-me embora
Nada aqui me resta
Senão a dor contida
Num adeus sem festa.
Eu vou na ida indo
Que o temor desperta
Cuidar da minha vida
Que a morte é certa.
Quem disse que trazia
Até hoje não trouxe
O bem de se fazer
da vida amarga, doce.
Eu não espero o dia
Pouco me importa
Se o velho é sábio
Se a menina é louca
Se a tristeza é muita
Se a alegria é pouca
Se José é fraco
Ou se João é forte
Eu quero a todo custo
Encontrar a sorte.
Vou-me embora
Vou-me embora
E levo na partida
Resolução no peito
Firme e definida
Quem vem na minha ida
Ouve a minha voz
E cada um por si
E Deus por todos nós…

É assim então, ao som de VOU-ME EMBORA, com Paulo Diniz que o Café Brasil da instrospecção vai saindo de mansinho.

Com o introspectivo Lalá Moreira na técnica, a extrospectiva Ciça Camargo na produção e eu, o e retrospectivo Luciano Pires na direção e apresentação.

Estiveram conosco o ouvinte Adriano Cabral meu amigo Chiquinho Rodrigues, Jessier Quirino com Dominguinhos, Dilermando Reis, Toninho Ferragutti, Nelson Ayres e Ulisses Rocha, Kiko Zambianchi e Paulo Diniz.

Este é o Café Brasil, um programinha ouvido por gente que está antenada, que quer fazer acontecer e que sabe que nosso objetivo é fazer você pensar um pouquinho. Mas só um pouquinho, viu? Acredite: neste Brasil do novo milênio, pensar um pouquinho já é fazer um montão!

E pra terminar, que tal uma frase do poeta romano Marcial?

Se você não decide quem você é, você termina por ser nada.

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