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Luciano Pires -

Continuando a série que trata de liberdade de expressão e censura, o programa da semana trará opiniões sobre o caso do humorista Rafinha Bastos que acha que pode dizer o que quiser e agora está sendo perseguido. Você concorda com a punição que ele recebeu? Ou acha que é pouco? Será que começou a temporada de caça aos humoristas? Até aos que exercitam seus dotes no mercado publicitário criando comerciais considerados atentados à moral da mulher brasileira? Não sabemos onde isso vai dar, mas temos nossas suspeitas. Na trilha sonora, aquela festa: Zé da Velha com Silvério Pontes, Trio Madeira Brasil, Ná Ozetti, Edvaldo Santana, Os Boêmios, a turma do CQC e até a Gisele Bündchen! Apresentação de Luciano Pires.

[showhide title=”Ler o roteiro completo do programa” template=”rounded-box” changetitle=”Fechar o roteiro” closeonclick=true]

Bom dia, boa tarde, boa noite. E começou a temporada de caça aos humoristas. Qualquer humorista, ora, até aqaueles que exercitam seus dotes no mercado publicitário criando comerciais considerados atentados à moral da mulher brasileira. Sei lá onde vai dar isso, mas tenho minhas suspeitas…

O programa de hoje vai nessa linha, ainda tratando de liberdade de expressão e de seus limites. Desculpem se estou insistindo nesse assunto, mas julgo de extrema importância ao menos saber contra o que estamos lutando.

Pra começar uma frase de Grouxo Marx, que não é parente daquele velho comunista:

Humor é a razão enlouquecendo.

E o exemplar de meu livro NÓIS…QUI INVERTEMO AS COISA, desta semana, vai para, para… Aruan Pereira Costa, que comentou o programa O CORRETO POLITICAMENTE INCORRETO assim:

“Olá, Luciano. Me chamo Aruan e não sei se consigo mais ouvir falar do politicamente incorreto, na minha opnião, de forma tão ingênua.
É provável que eu não consiga ser claro, mas vou tentar.

Eu concordo completamente quando você diz e rediz que não podemos julgar outros tempos pelos critérios de hoje. Assim, nessa visão, criticar nosso querido escritor José de Alencar por ser um escravocrata é não aceitar ou não entender o contexto social e econômico de uma outra época. É ostentar um etnocentrismo justificado pela ignorância.

Agora, eu não ainda consigo aceitar você tão arduamente levantando essa bandeira do ‘politicamente incorreto’ sem conseguir olhar o nosso contexto social atual. Admirando você, Luciano Pires, sua forma de pensar, seu senso crítico e polêmico, prefiro pensar que você afirma o que afirma pois conhece sua audiência, instigando a pensar diferente, por um nova perspectiva. No entanto, para isso, é preciso que essas pessoas tenham uma visão mais clara e aberta do que é o mundo. Digo tudo isso pois acredito que o politicamente incorreto ganha sua força por vivermos uma sociedade construída em cima de mentes fechadas, preconceitos e intolerâncias que só são combatidos através de ‘leis’. Um exemplo disso é a luta contra a criação diária dos sites (neo)nazistas ou de pedofilia. Não é essa uma censura necessária?

Eu, você, parte de seus ouvintes e o Rafinha Bastos temos ciência de que cantar atirei o pau no gato ou nega do cabelo duro não significa apologia à violência contra os animais ou racismo contra negros.

O problema está nas pessoas que fazem usos desses discursos para justificar – e até esconder – suas idéias medíocres sendo evacuadas para ostentar atitudes preconceituosas, racistas, machistas e homofóbicas.”

Pois é Aruan, acho que você não conseguiu ser claro, não. Onde é que eu defendo arduamente a bandeira do politicamente incorreto? O que eu defendo é a liberdade sem excessos.

O politicamente incorreto e o politicamente correto – em seus extremos – são ferramentas de controle social, uma forma de escolher onde aplicar censura, só isso. A censura à apologia ao nazismo e pedofilia nem deve entrar nesta discussão do politicamente correto ou incorreto. Isso é coisa de polícia. Cadeia neles!

O Aruan ganhou o livro pois escreveu para o programa. E você aí, se anima?

Bem quem parece que quem levou a onda de caça aos humoristas ao extremo da loucura foi Rafinha Bastos, o grosseiro humorista que despontou no programa CQC. Cada vez que ele abre a boca voa merda para algum lado, algumas vezes engraçadas, mas muitas vezes apenas bobas. A coisa ficou feia mesmo quando ele soltou esta barbaridade no programa CQC em rede nacional:

Pesado, sem graça e grosseiro… Pois vamos seguir no assunto aproveitando um texto chamado “Sarcasmo, retórica e burrice artificial”, escrito pelo Luiz Cebola e publicado no Blog do Cebola…

Ao fundo você ouvirá COCHICHANDO, de Pixinguinha, com o Trio Madeira Brasil…

A felicidade costuma ser inversamente proporcional ao grau de informação de uma pessoa. Talvez isso explique o fato de sermos um país ainda miserável, mas cada vez mais alegre. Vivemos uma epidemia de idiotice.

A revista “indispensável” está cada vez mais descartável e, assim como a líder em audiência televisiva, continua se mantendo de pé graças à inércia intelectual do seu público.

Somos todos brasileiros cordiais (e preguiçosos) que aceitam tudo que os meios de comunicação oferecem. Da pior música ao texto mais medíocre, deglutimos nossa cultura Big Mac e nos deliciamos com a “dieta do palhaço” sem nos preocupar com as consequências: se as artérias entupirem é só fazer uma angioplastia que depois o plano cobre. Que mal há em atrofiar nossos neurônios com lixo cultural? E daí que ele me destrói, se isso me distrai? Partindo desse raciocínio caminhamos para a teoria do “pão e circo” e o resto vira filosofia barata.

Tento em vão buscar uma explicação para termos atingido tal grau de letargia intelectual, e posso afirmar com segurança que tudo não começou com o Big Bang.

Na verdade, pensei em escrever esse post logo depois que o Rafinha Bastos foi suspenso do CQC por conta da sua língua solta (se é que isso não é mais um golpe de RP). Na verdade “mesmo”, foi depois de observar a repercussão do caso ao ler uma enquete publicada no site da Folha que dava mais de 50% de “apoio” à sua punição.

Espera um pouco… quer dizer que mais da metade dos fãs do cara mais influente do twitter agora quer crucificá-lo? Que país é este? (que só piorou depois que esse refrão foi composto).

Outro dia lí em uma camiseta que o “Sarcasmo é a habilidade de insultar os idiotas sem que eles percebam”. Podemos julgar a arte de insultar do Rafinha como ruim… mas só os idiotas se ofendem com retórica.

Uma língua afiada talvez consiga iniciar uma revolução, mas jamais será tão perniciosa como a censura, a tortura, a fome ou a corrupção.

Quando pega muito pesado, Seth MacFarlane (criador do desenho animado Family Guy de quem sou fã de carteirinha) costuma colocar na boca das suas personagens a seguinte fala: – Isso aqui é só um desenho animado, mané! E assim faz piadas sexistas, racistas, com doentes, minorias etc. E daí? Isso faz dele um monstro ou um cronista genial da mediocridade e hipocrisia da nossa sociedade?

Se a Gisele Bündchen quer ficar só de calcinha pra estourar o limite do meu cartão, qual o problema? Eu aproveitaria isso ao máximo e ainda deixava a fatura ir pro pau… Isso é retórica… ou bobagens ditas quando estamos de porre e que ficam ainda mais engraçadas quando a plateia bebeu mais do que você.

O que na realidade acontece com essa nova geração de “comediantes” é que eles ainda fazem um humor colegial, com um texto pobre que não demanda muita informação referencial do seu público. Mas funciona… e por inércia eles vão se atolando nesse formato até entupir as artérias de um público cada vez menos exigente.

Mas há exceções pontuais: O Marco Luque contando o lance da menina que não queria molhar a “chapinha” era Seinfeld da melhor qualidade! O Danilo Gentili tentando desgrudar as páginas da Playboy da Gretchen, na entrevista como repórter inexperiente, foi impagável.

Mas o “sucesso” os transforma em “celebridades” e aí vêm os patrocinadores, amigos dos amigos, cunhados, sócios… A história é cíclica. É só ver o que era o Casseta no papel e o que ele virou na Globo.

Opa…que tal EU, HEIN? De Felisberto Martins com os sócios do Café Brasil Zé da velha e Silvério Pontes…não canso de tocar esses caras…

E terminando o texto do Cebola.

Será que um dia atingiremos o nível de um Saturday Night Live, que sacaneia até empresas como a GE, dona do canal NBC (em que é exibido), em pleno horário nobre?

Com a entrada do Comedy Central aqui no Brasil, talvez isso aconteça. É deles a série “Roast”, que coloca no mesmo palco várias celebridades, como Charlie Sheen, disparando insultos pesados umas contra as outras. O Danilo tenta algo parecido com seu Mesa Vermelha, mas de forma ainda muito tímida. Bem, ele será uma das estrelas do novo canal. Quem sabe?

O fato é que os pais do capitalismo descobriram há muito tempo que quanto melhor o show, maior o business…o contrário nem sempre dá certo.

Disseram que voltei americanizada

Me disseram que eu voltei americanizada
Com o burro do dinheiro
Que estou muito rica
Que não suporto mais o breque do pandeiro
E fico arrepiada ouvindo uma cuíca
Disseram que com as mãos
Estou preocupada
E corre por aí
Que eu sei certo zum zum
Que já não tenho molho, ritmo, nem nada
E dos balangandans já “nem” existe mais nenhum
Mas pra cima de mim, pra que tanto veneno
Eu posso lá ficar americanizada
Eu que nasci com o samba e vivo no sereno
Topando a noite inteira a velha batucada
Nas rodas de malandro minhas preferidas
Eu digo mesmo eu te amo, e nunca “I love you”
Enquanto houver Brasil
Na hora da comidas
Eu sou do camarão ensopadinho com chuchu

Que delícia! Você está ouvindo DISSERAM QUE EU VOLTEI AMERICANIZADA, samba que Luiz Peixoto e Vicente Paiva fizeram para Carmem Miranda gravar em 1949 rebatendo as críticas de que teria perdido sua brasilidade nos Estados Unidos. Aqui você ouve na voz deliciosa de Ná Ozetti. Será que dá pra americanizar o humor dos brasileiros?

Pois é… vamos então a um outro ponto de vista? Desta vez com Os loucos, os tolos e os deuses, de Ed René Kivitz, que foi publicado nas Iscas Intelectuais do Portal Café Brasil.

Ao fundo vamos com a valsa A ÚLTIMA INSPIRAÇÃO, do alagoano José Fernandes de Paula, compositor que entrou para a história com  o apelido PETERPAN. Aqui na interpretação do grupo OS BOÊMIOS.

Limite para liberdade soa como contra senso. Mas não é.

A razão é simples: dividimos o mundo com mais de 6 bilhões de pessoas. Quem leu Freud sabe disso: “a civilização descreve a soma integral das realizações e regulamentos que distinguem nossas vidas das de nossos antepassados animais, e que servem a dois intuitos, a saber: o de proteger os homens contra a natureza e o de ajustar os seus relacionamentos mútuos”.

Em outras palavras, para sobreviver num universo hostil, cujas forças da natureza espalham sofrimento e desolação, e em meio às gentes dominadas por paixões e com tendências à violência, o ser humano precisa engolir o sapo de aceitar limites à sua liberdade. Não é sem razão que muita gente vive com ânsias de vômito.

A questão, portanto, é distinguir quais são os tais limites à liberdade que devem ser aceitos daqueles contra os quais devemos nos rebelar.

Há os que escolhem a própria consciência como paradigma único: eu sou assim faço o que quero não admito negociar meus valores não me submeto a regras idiotas não me curvo às autoridades me recuso a manter minha consciência nas fronteiras do socialmente aceitável e politicamente correto.

Muitos desses foram loucos, ou rebeldes sem causa, idiotinhas vendendo a alma pelos seus 15 minutos de fama, alguns tantos movidos pelos demônios dos infernos, e outros inescrupulosos prepotentes, coisa de mau caratismo mesmo.

Mas não há como negar que muitos desses que pensaram e viveram fora da caixa foram profetas construtores de novos paradigmas de civilização, personalidades à frente de seu tempo que hoje reverenciamos, e um deles até hoje é considerado Deus – Jesus de Nazaré.

Esses últimos tinham em comum que quase nenhum escolheu ser quem foi, quase todos lutaram com todas as forças tentando negar o que eram e, com uma exceção, jamais imaginaram que no futuro ocupariam a prateleira das personalidades inspirativas da humanidade. Quem acredita que é, quase sempre não é.

O bom

Ele é o bom, é o bom, é o bom
Ele é o bom, é o bom, é o bom
Meu carro é vermelho
Não uso espelho pra me pentear
Botinha sem meia
E só na areia eu sei trabalhar
Cabelo na testa, sou o dono da festa
Pertenço aos Dez Mais
Se você quiser experimentar
Sei que vai gostar
Meu carro é vermelho
Não uso espelho pra me pentear
Botinha sem meia
E só na areia eu sei trabalhar
Cabelo na testa, sou o dono da festa
Pertenço aos Dez Mais
Se você quiser experimentar
Sei que vai gostar
Quando eu apareço o comentário é geral
– Ele é o bom, é o bom demais
Ter muitas garotas para mim é normal
Eu sou o bom, entre os Dez Mais
Ele é o bom, é o bom, é o bom
Ele é o bom, é o bom, é o bom
Meu carro é vermelho
Não uso espelho pra me pentear
Botinha sem meia
E só na areia eu sei trabalhar
Cabelo na testa, sou o dono da festa
Pertenço aos Dez Mais
Se você quiser experimentar
Sei que vai gostar
Quando eu apareço o comentário é geral
– Ele é o bom, é o bom demais
Ter muitas garotas para mim é normal
Eu sou o bom, entre os Dez Mais
Ele é o bom, é o bom, é o bom
Ele é o bom, é o bom, é o bom
Ele é o bom, é o bom, é o bom

Que tal hein? Eduardo Araujo de Carlos Imperial , O bom. Essa é de 1967.

Voltando ao texto do Ed René Kivitz.

A maioria dos mortais, entretanto, escolhe viver nos limites da média dos valores consensados por suas respectivas sociedades. Os lúcidos questionam os valores coletivos à luz de seus valores pessoais e aceitam o fato inevitável de que o jogo comunitário exige três passos para frente, dois passos para trás, e humildemente submetem suas convicções particulares ao crivo coletivo, acreditando que no conflito e no debate das ideias, a média dos valores consensados vai sendo qualificada no esforço de todos pelo bem comum.

Os limites às liberdades individuais são definidos, portanto, pela média dos valores consensados por uma sociedade.

Cada sociedade tem seus valores considerados sagrados ou intocáveis. Em 2005, o jornal dinamarquês Jyllands-Posten publicou as 12 caricaturas intituladas “Os rostos de Maomé” que, em janeiro de 2006, foram também publicadas na revista norueguesa Magazinet.

A polêmica foi grande e os grupos islâmicos radicais protestaram com veemência o fato de alguém ousar fazer humor com Allah e Maomé.

O mesmo acontece com a comunidade judaica que legitimamente protesta contra o desrespeito à memória do Holocausto, e com os negros que corretamente se ofendem com as piadas de cunho racista.

Mas no Brasil sobram anedotas com o Cristo crucificado. A diferença é clara: cada sociedade tem sua média consensada de valores considerados sagrados, seus níveis de tolerância para as diferentes maneiras como podem ou devem ser tratados, e sua índole peculiar que permite maior e menor flexibilidade na manipulação de seus afetos.

Essa é a razão porque os brasileiros somos capazes de chorar o luto dos nossos ídolos e contar piadas a respeito deles ao mesmo tempo. Ayrton Senna recebeu tanto o melhor do nosso riso quanto de nossas lágrimas.

Mas uma coisa não se pode negar. Quando alguém cruza a linha e resvala, ainda que irresponsável e displicentemente, no que é considerado sagrado e intocável por uma sociedade, qualquer que seja ela, a resposta é imediata e contundente. O comentário de Rafinha Bastos a respeito de Wanessa Camargo e seu ventre materno extrapolou os limites aceitáveis.

No Brasil, você pode contar piada sobre Jesus, José e Maria, mas não pode fazer graça com pedofilia. Quem não respeita limites impostos pelo consenso para a sua liberdade, cedo ou tarde acaba crucificado. O tempo se encarrega de mostrar se o morto será esquecido como louco, sepultado como tolo, ou adorado como Deus.

Ufa! Eu adorei esses pontos de vista, e você? O Cebola, com sua argumentação de que “só os idiotas se ofendem com retórica” e o Ed dizendo que “quem não respeita limites impostos pelo consenso para a sua liberdade, cedo ou tarde acaba crucificado”, tem tudo a ver com os programas anteriores onde tratei de tolerância. E acho que é por aí mesmo.

Existe um manual sobre ética escrito, que define o que se pode e o que não se pode fazer. São as leis e a Constituição do país.

Mas existe um outro manual não escrito, que o Ed muito bem definiu como o consenso popular que determina o que é e o que não é de bom tom. Ir contra esse manual muitas vezes é necessário, até mesmo para abrir os olhos da sociedade para certos progressos morais que exigem novas atitudes. Mas passarinho que come pedra sabe o cu que tem…

Quando Deus quer até o diabo ajuda

Tem muita coisa que acontece  comigo
Que eu distraído nem percebo
Já me disseram que eu corro perigo
E que um falso amigo trama em segredo
Eu faço força pra tomar cuidado
Mas esqueço de tudo depois que eu bebo
Essa maneira de ser protegido
Pelo inimigo eu perdi o medo
Quando Deus quer até o diabo ajuda – bis
Estava certo que eu era um sujeito
Que chegou no mundo para dar errado
Até pensava que fosse castigo
Por eu ter crescido lá no Lajeado
O privilégio de fazer um som
De caminha suave para qualquer lado
É o mistério de ser protegido
Bola de menino domingo passado
Quando Deus quer até o diabo ajuda – bis
Eu acredito muito na franqueza
E na liberdade que me orienta
Não há motivo pra virar a mesa
Se tem confiança não há violência
O céu azul escuro do outono
Álibi da lua que me inocenta
É o desejo de ser protegido
Pelo índio rindo em câmera lenta

E é assim, ao som de QUANDO DEUS QUER ATÉ O DIABO AJUDA, de e com EDVALDO SANTANA que o Café Brasil de hoje que tratou mais uma vez de liberdade de expressão vai saindo de mansinho.

Com o libertino Lalá Moreira na técnica, a libertária Ciça Camargo na produção e eu, o liberal Luciano Pires na direção e apresentação.

Estiveram conosco o ouvinte Aruan Pereira Costa, Eduardo Araujo, Zé da Velha com Silvério Pontes, Trio Madeira Brasil, Ná Ozetti, Edvaldo Santana, Os Boêmios, a turma do CQC e Gisele Bundchen.

Este é o Café Brasil, um programa ouvido por gente que tem mais de dois neurônios funcionais, disposta a ver o mundo sob vários ângulos e a fim de fazer acontecer. Que tal você dividir esse cafezinho conosco? www.portalcafebrasil.com.br.

Pra terminar, uma frase do filósofo Kierkegaard:

As pessoas exigem liberdade de expressão como compensação para a liberdade de pensamento que elas raramente utilizam.

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