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267 – Tolerância zero

267 – Tolerância zero

Luciano Pires -

Já tratamos de tolerância e respeito num programa anterior e hoje vamos contar a experiência que os Estados Unidos tiveram com um plano chamado “Tolerância Zero” que deixou muita gente brava mas reduziu a criminalidade a índices baixíssimos nas regiões onde foi aplicado. Esse plano é um exemplo de como quando toleramos os pequenos desvios, eles se transformam em grandes crimes. Será possível implementar algo parecido no Brasil? Na trilha sonora o grupo Noite Clara, Craveiro e Cravinho, Roberto Carlos, Raimundo Penaforte, Renato Lemos e Luiz Macedo e Mario Sève e Marcelo Fagerlande. E Mr Jackson do Pandeiro! Apresentação de Luciano Pires.

[showhide title=”Ler o roteiro completo do programa” template=”rounded-box” changetitle=”Fechar o roteiro” closeonclick=true]

Bom dia, boa tarde, boa noite. E aí? Lembra que num dos programas anteriores tratamos de Respeito e tolerância? E que a conclusão foi que tolerância demais acaba em bagunça? Pois é, hoje vamos falar de um negócio chamado TOLERÂNCIA ZERO…

Pra começar, uma frase do escritor irlandês Jonathan Swift:

A ordem governa o mundo. O demônio é que é o autor da confusão.

E o exemplar de meu livro NÓIS…QUI INVERTEMO AS COISA vai para..para…. Jorge Graciano, que comentou assim o programa www.podcastcafebrasil.com.br.

“Bom dia, boa tarde, boa noite! Depois de 45 anos saudáveis sem nunca precisar ir no médico, e ainda me sentindo imortal como todo adolescente, que faz o que quer e como quer sem pensar no depois, fui obrigado a ir no médico fazer um check up, onde me descobri há muito, hipertenso, e por esse motivo portador de hipertrofia cardíaca.

Resolvi fazer coisas que considerava urgentes. Li livros que sempre tive vontade de ler e não tinha tempo, e muitas vezes não tinha dinheiro para comprar.

Me encontrei com antigos amigos e declarei meu orgulho, meu agradecimento, e porque não dizer meu amor por cada um deles.

Fui num cartório e fiz um testamento básico, já que não tenho grandes fortunas. E passei o pouco que tinha para meus sobrinhos mais queridos já que não tenho filhos. Comprei um terreno no cemitério, numa cidade pequena do interior e onde havia passado parte de minha infância.

Um amigo sabendo de todos os meus cuidados, resolveu me chamar para um papo sério, e neste papo me perguntou onde eu queria chegar já que havia providenciado tudo para o meu desenlace. Falei então que eram pequenos cuidados, e que em hipótese alguma, eu estava desistindo de viver. Depois de muito explicar e de dar boas risadas consegui finalmente esclarecer o póstumo equivoco.

Passaram-se os anos e este mesmo amigo me ligou na madrugada desesperado. Num exame de rotina havia descoberto problemas na próstata e para comprovação precisaria fazer uma biopsia, mas já havia decidido em não fazê-la, pois preferia não saber de nada.

Chamei meu amigo à realidade e falei que fazer como o avestruz que enfia a cabeça no buraco a qualquer sinal de perigo não ia resolver nada.

Ele então me contou seu pior medo: Era saber que todos saberiam que ele com seus 33 anos iria ter que fazer cirurgia na próstata e talvez, dependendo das conseqüências, poderia vir a ficar impotente, já que nas festinhas promovidas por seus colegas de trabalho ele era considerado o the best na arte de fazer amor, mesmo sendo comprometido.

Foi aí que notei que esse meu amigo havia pautado toda sua vida em manter sua fama de garanhão, e agora na iminência de perder o posto se via desesperado sem saber o que fazer.

Tive a impressão que Deus, isso mesmo, Deus estava dando a esse amigo a possibilidade de mudar o rumo de sua vida, e com isso tornar-se uma pessoa melhor.

Então usei dos mesmos argumentos que outrora havia esse amigo usado comigo para mostrar-lhe que na vida não podemos ter apenas um foco, e que é preciso saber viver, assim como na canção do rei Roberto Carlos ou mesmo dos Titãs porque não?

Daquele dia em diante resolvi então dar de presente para ele um CD com seus programas para fazer esse meu amigo pensar um pouco mais com a cabeça de cima. Vai que de repente…”

Rarararaaa…. grande Graciano, que ótimo isso! O Café Brasil é o Viagra do cérebro!! Boa, boa… O Graciano ganhou o livro porque comentou um programa. E você aí? Tá broxado é?

E então meu amigo Walbert Soares remete a um artigo baseado no livro “Broken Windows” de James Wilson e George L. Kelling.

Em 1969, na Universidade de Stanford nos Estados Unidos, o Prof. Phillip Zimbardo realizou uma experiência de Psicologia Social.

Deixou dois carros abandonados na via pública dois carros idênticos, da mesma marca, modelo e até cor.

Um ficou no Bronx, numa zona pobre e conflituosa de Nova York e o outro em Palo Alto, uma zona rica e tranquila da Califórnia. Dois carros idênticos abandonados, dois bairros com populações muito diferentes e uma equipe de especialistas em Psicologia Social estudando as condutas das pessoas.

Resultado: o carro abandonado na zona pobre do Bronx começou a ser vandalizado em poucas horas. Perdeu as rodas, o motor, os espelhos, o rádio e tudo mais. Levaram tudo o que fosse aproveitável e aquilo que não puderam levar, destruiram. Contrariamente, o carro abandonado em Palo Alto manteve-se intacto.

Senhor ladrão

Senhor ladrão
Eu recompro o seu furto
Pago bem em juros
Sigilo total
Mas acontece que de mim levaste
Tu me surrupiaste artigo sem igual
Senhor ladrão
Eu fico pianinho
Pago direitinho
O devido valor
Por favor, repare     
Senão meu apelo
Confio no senhor
Senhor ladrão
Por que levaste a coragem
E não contente também a dignidade
Dizem que na vida tudo passa
Mas o que eu digo aqui em casa
Pra quem começa a criar asa
Senhor ladrão
Eu recompro o seu furto
Pago bem em juros
Sigilo total
Mas aprendemos enquanto país
Especialmente lá na capital
Senhor ladrão
Eu não pretendo guerra
Vê se não me erra, faça-me o favor
Humildemente ficarei na espera
Pode ficar fera se eu não der louvor

Opa! Legítimo samba no Café Brasil. Esse é SENHOR LADRÃO, de Rubens Allan, com o grupo Noite Clara e a voz de Paula da Paz. Essa música está no disco TAPA NA CARA, onde o Noite Clara exercita sua mistura surpreendente de samba, choro, baião, rap e flamenco. É um barato!

É comum atribuir à pobreza as causas de delito, atribuição em que coincidem as posições ideológicas mais conservadoras, (da direita e esquerda). Mas a experiência com dois carros abandonados não terminou aí.

Quando o carro abandonado no Bronx já estava desmanchado e o de Palo Alto estava há uma semana impecável, os investigadores quebraram um vidro do automóvel de Palo Alto.

O resultado foi o mesmo que o do Bronx: o roubo, a violência e o vandalismo reduziram o veículo ao mesmo estado que o do bairro pobre.

Por que o vidro partido do carro abandonado num bairro supostamente seguro é capaz de disparar todo um processo delituoso?

Não se trata de pobreza, portanto. Evidentemente é algo que tem a ver com a psicologia humana e com as relações sociais.

Que delícia, não é? Você ouve, no podcast, LAMENTOS, de Pixinguinha, com Mario Sève e Marcelo Fagerland misturando Bach com Pixinguinha…

Um vidro quebrado num carro abandonado transmite uma idéia de deterioração, de desinteresse, de despreocupação, ideia que vai quebrar os códigos de convivência, de respeito às leis e à ordem. Cada novo ataque que o carro sofre reafirma e multiplica essa idéia, até que a escalada de atos cada vez piores se torna incontrolável, desembocando numa violência irracional.

Em experiências posteriores James Q. Wilson e George Kelling, desenvolveram a “Teoria das Janelas Quebradas”, a mesma que de um ponto de vista criminalístico, conclui que o delito é maior nas zonas onde o descuido, a sujeira, a desordem e o maltrato são maiores. Se um vidro de uma janela de um edifício é quebrado e ninguém conserta, muito rapidamente estarão quebrados todos os demais. Se uma comunidade exibe sinais de deterioração e isto parece não importar a ninguém, então ali se gerará o delito.

Se se cometem “pequenas faltas” como estacionar em lugar proibido, exceder o limite de velocidade ou passar um semáforo vermelho e as mesmas não são punidas, então começam as faltas maiores e logo delitos cada vez mais graves. Se se permitem atitudes violentas como algo normal no desenvolvimento das crianças, o padrão de desenvolvimento será de maior violência quando estas pessoas forem adultas. Se os parques e outros espaços públicos deteriorados são progressivamente abandonados pela maioria das pessoas, que deixa de sair das suas casas por medo da criminalidade, estes espaços abandonados são ocupados pelos delinquentes.

Ladrão de estrada

Num posto de gasolina meu caminhão eu abastecia
Nisto chegou um mineirinho como ajudante se oferecia
O mulato era franzino que pressa lida fé não fazia
Mas por gostar dos mineiro eu aceitei sua companhia

Saimo cortando chão, ao atravessar um mato fechado
De repente na estrada eu vi um tronco de atravessado
O mineiro resmungou: – pro jeito vamo ser assartado
Nem acabou de falar já tiroteio estava formado

Chamei por meu São Cristóvão, puxei dum berro que eu trazia
Olhei na mão do mineiro vi um parabelo que reluzia
Cada tiro que ele dava no mato um cangaceiro gemia
Os cabra vendo a derrota fizeram a vista na mataria

Eu falei pro mineirinho gostei de ver a sua bravura
Vamo viajar sempre junto pra enfrentar as paradas dura
O mineiro me falou, vou lhe falar a verdade pura
Não posso seguir contigo pois sou tenente da captura

Ao me ver ali pasmado, o mineirinho deu uma risada
Gostei de sua companhia, minha missão está terminada
São Cristóvão lhe acompanha, sejas feliz em sua jornada
Que eu seguirei meu destino de acabar com os ladrão da estrada

Ah! Minhas raízes. Você ouviu Sebastião Franco, o Craveiro e João Franco, o Cravinho, Craveiro e Cravinho… dois irmãos lá de Pederneiras, pertinho de Bauru… com LADRÃO DE ESTRADA, de Teddy Vieira. Essa é de 1963. Isso é música caipira mesmo sô!

Olha só… não parece música de cinema? Pois é… Você ouve, no podcast, NEW YORK – RIO, de Luis Macedo e Renato Lemos, trilha sonora do filme Anésia, um vôo no tempo…

A Teoria das Janelas Quebradas foi aplicada pela primeira vez em meados da década de 80 no metrô de Nova York, que havia se convertido no ponto mais perigoso da cidade.

Primeiro combateram as pequenas transgressões: pichações deteriorando o lugar, sujeira nas estações, bêbados, não pagamento de passagem, pequenos roubos e desordens. Os resultados foram evidentes. Começando pelo pequeno delito conseguiu-se fazer do metrô de Nova York um lugar seguro.

Em 1994, Rudolph Giuliani, prefeito de Nova York, baseado na Teoria das Janelas Quebradas e na experiência do metrô, impulsionou uma política que ficou conhecida como “Tolerância Zero”.

A estratégia consistia em criar comunidades limpas e ordenadas, não permitindo transgressões à Lei e às normas de convivência urbana. O resultado prático foi uma enorme redução de todos os índices criminais na cidade de Nova York.

A expressão “Tolerância Zero” soa como uma espécie de solução autoritária e repressiva, mas o seu conceito principal é muito mais a prevenção e promoção de condições sociais de segurança.

Não se trata de linchar o delinquente, nem da prepotência da polícia. Na verdade, a respeito dos abusos de autoridade deve-se também aplicar a tolerância zero. Não é tolerância zero em relação à pessoa que comete o delito, mas tolerância zero em relação ao próprio delito. Trata-se de criar comunidades limpas, ordenadas, respeitosas da lei e dos códigos básicos da convivência social humana.

Pega ladrão

(Tchatchura!)(Tchatchura!)
Estava com um broto no portão
(Tchatchura!)
Quando um grito ouvi
Pega ladrão!
(Tchatchura!)
Alerta então fiquei
Porém ninguém vi
E o tal larápio esperei
Passar por ali
Meu bem apavorada
Em casa entrou
(Tchatchura!)
E nem na despedida
Me beijou
(Tchatchura!)…
Ouviu-se então na rua
Tremendo alarido
Pois logo alguém
Pegou o tal bandido…
Que foi que ele roubou?
Que foi que ele fez?
Os brotos responderam
Todos de uma vez:
Roubou um coração
E tem que devolver
Se não o sol quadrado
Ele vai ver nascer…
Não vou nessa história
Acreditar
(Tchatchura!)
Não pode um coração
Alguém roubar
(Tchatchura!)
Enquanto eu falava
O homem sumiu
Descendo pela rua
Ele escapuliu…
De repente
Então tudo mudou
(Tchatchura!)
E a turma toda
Contra mim virou
(Tchatchura!)
Correndo descobri
Que o tal coração
Era uma jóia pendurada
Num cordão
Ooooh! Haaaan!…
Que foi que ele roubou?
Que foi que ele fez?
Os brotos responderam
Todos de uma vez:
Roubou um coração
E tem que devolver
Se não o sol quadrado
Ele vai ver nascer…
Não vou nessa história
Acreditar
(Tchatchura!)
Não pode um coração
Alguém roubar
(Tchatchura!)
Enquanto eu falava
O homem sumiu
Descendo pela rua
Ele escapuliu…
De repente
Então tudo mudou
(Tchatchura!)
E a turma toda
Contra mim virou
(Tchatchura!)…
Correndo descobri
Que o tal coração
Era uma jóia pendurada
Num cordão
Ooooh! Haaaan!…
Era uma jóia pendurada
No cordão! Han!
(Tchatchura!)…(3x)

Vai dizer que você não está batendo o pezinho ai hein? Rararraa… Esse é o rei Roberto Carlos com PEGA LADRÃO, de Getúlio Cortes lá em meados dos anos 1960… Uma delícia…

E então, num artigo sobre o tema das “Janelas Quebradas”, Daniel Sperb Rubin promotor de Justiça em Porto Alegre (RS) discorre sobre uma visão crítica do assunto: Os Pobres e as Minorias como Alvo.

Ao fundo você ouvirá o clássico AMÉRICA, composta por Leonard Bernstein e Stephen Soundhein para o musical West Side Story. Aqui num arranjo fabuloso do pernambucano Raimundo Penaforte, um dos mais reconhecidos músicos brasileiros lá nos Estados Unidos, gravado pelos mais importantes selos do mercado musical. Mas que aqui no Brasl, ninguém conhece…

Não obstante o extraordinário sucesso da “Operação Tolerância Zero” na diminuição da criminalidade em Nova York, há veementes críticos desta política criminal. Os críticos sustentam que essa política oprime apenas os pobres, os necessitados e as minorias. Trata-se de evidente equívoco.

Em 1996, o psicólogo criminologista George Keling, em conjunto com Catherine Coles, lançou a obra definitiva sobre a teoria das janelas quebradas: Fixing Broken Windows – Consertando as Janelas Quebradas

Nesta obra, o autor demonstra a relação de causalidade entre a criminalidade violenta e a não repressão a pequenos delitos e contravenções. Assim como a desordem leva à criminalidade, a tolerância com pequenos delitos e contravenções, leva, inevitavelmente à criminalidade violenta.

Keling e Coles são claros ao afirmar que o problema não é a condição das pessoas, mas sim o seu comportamento. O que se busca coibir é o comportamento que causa desordem e que prepara o terreno para a ascensão da criminalidade. Não importa, portanto, a condição da pessoa, mas sim sua conduta.

No entanto, os críticos questionam porque se preocupar com mendicância agressiva, lavagens de parabrisas não solicitadas, embriaguez pública, quando a violência anda solta nos grandes centros urbanos.

Acaso estariam procurando bodes expiatórios para a violência?

Helen Hershkoff, da União Americana das Liberdades Civis critica uma legislação que, tratando de maneira equivocada o problema da pobreza, termina por proibir que os necessitados simplesmente peçam dinheiro.

A conduta de um indivíduo causador de desordem numa comunidade devia ser protegida porque, em última análise, ele tem direito de ser diferente, e sua liberdade de ser diferente deve ser protegida pela justiça. Os interesses da comunidade não podem sobrepor-se aos direitos e liberdades individuais de uma pessoa.

Nas alegações de que o objetivo de manter a ordem nada mais é do que uma forma de opressão aos pobres e às minorias, Kelling e Coles identificam o resultado de décadas do crescimento de um individualismo sem limites. Produtos deste crescimento seriam a primazia do indivíduo e o seu direito de ser diferente uma ênfase nas necessidades e direitos individuais e a crença de que tais direitos seriam absolutos. Também identificam a rejeição a uma moralidade média dos cidadãos americanos e, por fim, a noção de que considerar indivíduos como criminosos os estigmatizaria e os tornaria realmente criminosos.

A desordem cresceu, se expandiu e foi tolerada porque virtualmente todas as formas de desvios comportamentais não claramente violentos foram considerados sinônimos de expressão individual, e, como tal, supostamente protegidas pela primeira emenda da constituição dos Estados Unidos.

No entanto, Kelling e Coles afirmam que a demanda por ordem permeia todas as classes sociais e grupos étnicos. Quando os usuários do metrô exigiram a restauração da ordem nas estações subterrâneas não eram os banqueiros ou os tubarões de Wall Street que estavam reclamando. Estes, afinal, tinham outras alternativas. Foram os trabalhadores, principais usuários do sistema, que exigiram a restauração da ordem e da segurança.

Os que advogam a restauração da ordem não estão propondo alguma forma de tirania da maioria. Referem-se, isto sim, a comportamentos que violam padrões de comportamento largamente aceitos por uma comunidade, e sobre os quais há um consenso, sem qualquer conotação racial, étnica ou de classes.

Além disso, a desordem tem conseqüências mais graves em comunidades pobres e, portanto, estas são justamente as que mais precisam de ordem a fim de evitar o aumento da criminalidade. Uma comunidade rica tem certas condições de manter um estado de ordem que uma comunidade pobre não tem, como, por exemplo, a contratação de segurança privada.

É muito mais fácil consertar uma janela quebrada em uma comunidade rica do que em uma comunidade pobre. Portanto, antes de oprimir os pobres e minorias, a restauração e manutenção da ordem, em verdade, vêm em seu auxílio. A relação de causalidade entre desordem e criminalidade é mais forte do que a relação entre criminalidade e pobreza ou minorias raciais.

Para o controle da criminalidade, portanto, a restauração da ordem é imprescindível. Pobreza não deve necessariamente significar crime e desordem.

Pois é… agora dá uma paradinha aí pra pensar o Brasil. Especialmente naqueles crimes sem violência física, como a corrupção que tanto nos chama a atenção. Percebeu como a coisa é construída? A falta de ordem e punição para os pequenos atos é que cria os grandes corruptos e a situação que vivemos hoje. Alguém tem que começar a consertas as janelas. Que tal você, hein?

O crime não compensa

Agora foi que eu vi (Que o crime não compensa)
Agora eu vi (Que o crime não compensa)
Antigamente eu só andava bem armado
Uma pexeira, um revolve e um punhal
Tinha uma foice bem vazado dos dois lados
O maior prazer da minha vida era matar
Agora eu vi…
Em qualquer dança quando ninguém esperava
Lá eu estava sem niguém me convidar
Por brincadeira uma dama me cortava
O pau cantava e todo mundo ia apanhar
Agora foi que eu vi…
Depois eu vi que estava muito errado
Um homem brabo nunca deu, nunca apanhou
E Lampião no Sertão morreu brigando
E o Tenente a sua cabeça arrancou
Agora foi que eu vi…

Bem, é assim,ao som de O CRIME NÃO COMPENSA, com o grande, o grande Jackson do Pandeiro que o Café Brasil que tratou da Tolerância Zero vai embora.

Esse tema das “janelas quebradas” é fascinante, não é? Eu vou tomar porrada…

Se você tem algo a dizer a respeito, escreva pra gente. É só acessar http://www.podcastcafebrasil.com.br .

Com o Lalá Moreira na técnica, a Ciça Camargo na produção e eu, Luciano Pires, na direção e apresentação

Estiveram conosco o ouvinte Jorge Graciano, o grupo Noite Clara, Craveiro e Cravinho, Roberto Carlos, Raimundo Penaforte, Renato Lemos e Luiz Macedo e Mario Sève e Marcelo Fagerlande. E Mr. Jackson do Pandeiro, claro!

Este é o Café Brasil, um programa que só não é tolerante com a burrice, a estupidez e a preguiça.

E pra terminar, uma frase de Gilbert Chesterton, escritor britânico:

As civilizações no seu apogeu declinam, porque esquecem as coisas evidentes.

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