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Luciano Pires -

Você também se pergunta “que pais é este?” O que é “brasilidade” pra você? Será que é feijoada, futebol, mulher e carnaval? É o jeitinho? É Macunaíma? Ou é outra coisa? Será que depois da globalização, da internet, ainda existe essa tal “brasilidade”? Ou Carlos Drummond de Andrade acertou na mosca quando disse: “Nenhum Brasil existe. Existirão os brasileiros?”. É essa a discussão de hoje, a partir de um texto de Affonso Romano de Sant’Anna, na qual esperamos que você entre de cabeça! Afinal, entender o que é brasilidade faz parte de entender o que somos. Na trilha sonora, brasileiríssima, Joca Freire, a banda Angra, Hamilton Holanda e seu quinteto, Altamiro Carrilho e Armandinho, Choro das 3, Lenine, Francisco Alves, Banda de Boca e Arthur Moreira Lima. Apresentação de Luciano Pires.

[showhide title=”Ler o roteiro completo do programa” template=”rounded-box” changetitle=”Fechar o roteiro” closeonclick=true]

Bom dia, boa tarde, boa noite! E aí, o que é “brasilidade” pra você? Será que é feijoada, futebol, mulher e carnaval? É o jeitinho? É  Macunaíma? Ou é outra coisa? Será que ainda existe essa tal “brasilidade”? É essa a discussão de hoje, na qual esperamos que você entre de cabeça! Afinal, entender o que é brasilidade faz parte de entender o que somos.

Pra começar, três frases ditas por caras diferentes:

“Que país é este?” – José de Alencar /

“Que país é este?” – Machado de Assis /

“Que país é este?” – Renato Russo

E o exemplar de meu livro NÓIS…QUI INVERTEMO AS COISA vai para O Denison, que comentou assim o programa NO REINO DA IMPLICIDADE:

“Tento sempre educar as pessoas de como ler as notícias. Observo que a mídia brasileira se baseia na máxima “notícia boa não é notícia”.

Quando ouvimos pessoas que nunca foram assaltadas, que nunca tiveram problema com violência, dizendo “O mundo está cada vez mais cruel” imagino logo a inocência de acreditar na proporção dada pelos noticiosos nacionais e até mesmo estaduais.

Como exemplo, a cidade que moro tem pouco mais de 15 mil habitantes e fica no interior do Ceará, Piquet Carneiro, aqui temos o costume de assistir aos canais locais, que evidentemente falam muito mais de Fortaleza (Capital) do que do interior. Toda vez que vou com minha mulher para Fortaleza, minha sogra entra em desespero por causa da violência na capital, detalhe, ela nunca vai na capital.

A percepção de minha sogra se baseia em programas escabrosos que usam a morte e o sangue, para vender arroz feijão e etc… entre um drogado e um corpo estirado. Tudo pela audiência!”

Ô Denison, Piquet Carneiro? No interior do Ceará? Cara! A cada dia que passa fico mais maravilhado com a internet… E acho que você vai gostar do programa de hoje.

Não esqueça de escrever pra gente mandando seu endereço. E você aí, ô. O livro desta semana foi pra Piquet Carneiro, no interior do Ceará, pois o Denison se incomodou em comentar o Café Brasil. Vamos nessa?

Samba para uma nação

Este samba eu faço com o coração
Este samba eu faço com muita paixão
E fé
Fé que esta nação nunca se curve não
Fé neste meu povo que não é mole não
E vai
Vai saber cantar a força que ele tem
Vai saber tocar pro mundo inteiro ouvir
O som
Som de seus tambores de seus violões
Som de toda parte de seus corações
E mais
Mais de cem milhões cantando um coro só
Mais de cem milhões cantando a uma só voz
Este samba feito com o coração
Este samba feito com muita paixão

Muita paixão. Você ouviu JOCA FREIRE e seu manifesto SAMBA PARA UMA NAÇÃO. Isso é brasilidade?

Caça e Caçador

Vai como um rei
Voa na presa
Espanta de vez
E a fome vem

Cruzando rios,
Montes e céus
Vaga no ar
Só outra vez

Morrendo o dia
Respira exausto
Estória sem fim
Matar ou morrer

Atrás da trilha
Olhos de águia
Fitam coelhos
Fogo de palha

Não sei bem se sou
Caça ou caçador
Hoje e amanhã
O rio vai e eu vou atrás

A esperar resposta
Pro que vou dizer
Se o dia foi da caça
Quem irá saber?

Espero que o tempo
Faça-me entender
Que o corpo cai na terra
E ela há de comer, tudo outra vez!

Não sei bem quem sou
Nem pra onde vou
Hoje e amanhã
O rio vai e eu
Vou atrás

A esperar que o vento
Traga-me o condor
O dia foi da caça
Ou do caçador?

Espero que o tempo
Faça-me entender
Que o corpo cai na terra
E ela há de comer,
Tudo outra vez
Tudo outra vez
Tudo outra vez!!!

E esse, que você ouviu no podcast, é o Angra, com meus amigos Kiko Loureiro na guitarra e Aquiles Priester na batera. E daí? Isso é também é brasilidade?  

Começo com um artigo chamado EM BUSCA DA BRASILIDADE de autoria de Affonso Romano de Sant´Anna publicado no relatório anual do Banco do Brasil lá na antiguidade, em 1997.

Ao fundo você ouvirá BAIÃO BRASIL com o Hamilton Holanda Quinteto.

O Brasil tem mudado de pele. E, certamente, de ossatura. Sendo um ser em metamorfose, há 500 anos, é legítimo que o Brasil de hoje não seja exatamente o de ontem, assim como o de amanhã não será o de agora.

Isto contraria uma definição de brasilidade entendida como uma “essência”, algo imutável, idêntica a si mesma no fluir dos anos. E introduz uma inquietação e complexidade: o sentimento de “brasilidade” é diferenciado conforme o momento histórico percorrido, assim como é diverso num mesmo instante, conforme as cabeças que pensam o Brasil.

Qual a diferença entre o que ia na cabeça de Martim Afonso de Sousa na primitiva São Paulo do sec. XVI e o que vai na cabeça de um industrial paulista hoje? Qual a diferença (ou identidade?) entre a visão de Anchieta e Nóbrega e as ações políticas e sociais da Igreja Católica em nossos dias? Em quê o Brasil de Machado de Assis é diferente do de Guimarães Rosa?

Niemeyer diz vir de uma tradição barroca. Mas quais as diferenças e identidades entre ele e Aleijadinho?

 Diria que, na linha do tempo, o sentimento de brasilidade conheceu pelo menos três instantes específicos: o da defesa da territorialidade, o da expectativa imperial e o da consciência nacionalista. E que agora, ao cruzarmos para o século XXI, está sendo de novo redimensionado.

A incorporação da territorialidade coincidiu com os nossos três primeiros séculos: o colonizador aqui radicado, tendo exterminado e /ou dominado os índios, percebeu que o seu destino e o da terra eram o mesmo. O inimigo mais ameaçador vinha do exterior: os holandeses, os franceses e os corsários que queriam aqui estabelecer entrepostos e colônias.

Com a Independência em 1822 a consciência imperial se configura e domina o resto do sec. XIX.

Exemplifica-se em guerras de fronteira, que reafirmam a territorialidade e marcam os avanços geoeconômicos e políticos. Os inimigos não vinham mais da Europa, mas eram nossos vizinhos (Paraguai, Argentina, etc.). O Duque de Caxias e Rio Branco são emblemas da consciência de territorialidade associada à consciência imperial.

No sec. XX, sobretudo a partir dos anos 20 e 30, e depois nos anos 50, 60 e 70, com os monopólios estatais, a exacerbação nacionalista propiciou uma alteração neste quadro. A ameaça não era mais guerreira nem fronteiriça, mas econômica.

Brasilidade e nacionalismo se confundiram e iniciou-se uma verdadeira disputa ideológica para ver que partido, que líder ou quem era mais e melhor brasileiro. O modernismo literário com comunistas e integralistas, a disputa entre esquerda e direita, são trilhas nessa estrada.

Esses três instantes mencionados podem, no entanto, se superpor.

Defesa da territorialidade, expectativa imperial e consciência nacionalista, em maior ou menor escala, podem estar no Padre Vieira que pensava no advento do Império de Cristo sediado nos povos de língua portuguesa ou podem estar nos intelectuais modernistas que reeditaram o mito expansionista dos bandeirantes e queriam um “Brasil grande”, tanto quanto os generais presidentes, como Ernesto Geisel.

Rarrarara… que tal ouvir Altamiro Carrilho e Armandinho nos dando um banho de brasilidade? É irresistível!

E o texto de Affonso Romano de Sant´Anna continua:

Se os anos 80, através da mística da “cidadania” trouxeram a batalha pelos direitos de “minorias” e “excluídos”, é possível que os anos 90 tenham sido um outro momento de inflexão na metamorfose da brasilidade: a entrada na globalidade, força a revisão da consciência nacionalista, cobra uma autocrítica da vocação imperial e confronta a territorialidade real com a territorialidade virtual da era da internet.

Até o final do sec. XIX, por outro lado, a brasilidade era um atributo da elite branca a que tiveram direito os imigrantes que aqui aportaram. Formalmente os ex-escravos negros passaram a se habilitar à brasilidade a partir de 1888 com a lei que os libertou. Os índios apenas no sec. XX, com o Marechal Rondon, começaram a ser convocados para a brasilidade e forçam mais ainda sua participação a partir dos anos 80.

Sintomaticamente na passagem dos anos 70 para os 80, uma pergunta pairou no ar envolvendo a questão da brasilidade: “Que país é este?”.

Que país é esse?

Nas favelas, no senado
Sujeira pra todo lado
Ninguém respeita a constituição
Mas todos acreditam no futuro da nação
Que país é esse?
Que país é esse?
Que país é esse?
No Amazonas, no Araguaia iá, iá,
Na Baixada Fluminense
Mato Grosso, nas Gerais e no
Nordeste tudo em paz
Na morte eu descanso, mas o
Sangue anda solto
Manchando os papéis, documentos fiéis
Ao descanso do patrão
Que país é esse?
Que país é esse?
Que país é esse?
Que país é esse?
Terceiro mundo, se for
Piada no exterior
Mas o Brasil vai ficar rico
Vamos faturar um milhão
Quando vendermos todas as almas
Dos nossos índios num leilão
Que país é esse?
Que país é esse?
Que país é esse?

Descobriu-se, então, que em Machado de Assis havia a mesma pergunta numa de suas crônicas. E a mesma indagação estava literalmente escrita num texto de José de Alencar. Isto nos faz supor que Tiradentes lutando pela independência e André Vidal de Negreiros pelejando contra os holandeses também se punham a mesma questão. Mas evidentemente teriam respostas diferentes para a própria perplexidade.

Daqui a cem, duzentos, trezentos anos se poderá fazer outro relatório do Banco do Brasil sobre este tema. O país já não será o mesmo, embora os intelectuais procurem o ontem no hoje e queiram projetar o hoje no amanhã . A pergunta será a mesma, mas as respostas serão necessariamente diferentes. A menos, é claro, que ocorra episódio semelhante ao do fim do Império Romano e o mundo se reorganize de outra forma, talvez sem as nacionalidades como as conhecemos hoje.

Com efeito, na Europa, África e Ásia, neste século, países trocaram de fronteira e de nomes, outros surgiram e desapareceram.

E há caso de comunidades como a dos judeus, dos palestinos e dos ciganos que existiram ou existem até sem território. Neste sentido, a América tem sido privilegiada, pois tem mantido seu mapa sem grandes transformações nos últimos séculos.

E continua o texto de Affonso Romano de S’Antanna desta vez com a

VALSA BRASILEIRA, ao fundo. Essa é de Edu Lobo e Chico Buarque, com o piano de Arthur Moreira Lima… que delícia…

No livro “Caráter nacional brasileiro” Dante Moreira Leite reuniu os muitos conceitos de brasilidade expressos desde nossas origens até a metade deste século. É um painel amplo e contraditório. Essa contradição ou dialética sempre existiu. Os autores românticos eram ufanistas. Os modernistas viraram o Brasil pelo avesso, radicalizaram a questão e até chegaram, como Drummond, a duvidar se o Brasil e os brasileiros realmente existiam.

Nas últimas décadas mais teorias surgiram, diferenciando e enriquecendo esse acervo. E assim o país se constrói entre ufanismo e crítica, entre paráfrase laudatória e paródia crítica. O sec. XXI está aí.

É possível até que ele tenha começado quando caiu o muro de Berlim e a internet descentralizou de vez a informação e redistribuiu as fontes de poder.

Ao se fazer a pergunta sobre a brasilidade hoje, de uma coisa pode-se estar certo: a brasilidade não se contenta mais com a territorialidade satisfeita, não se exercita mais numa vocação imperial, não se basta nas disputas nacionalistas. Algo de novo está se configurando. E a primeira condição para se ver o novo é saber assinalar, destacar, descartar ou rearticular o que ficou velho.

Quem tem ouvidos, ouça, e quem tem olhos, veja, diz o pregador.

Aquarela do Brasil

Brasil!
Meu Brasil Brasileiro
Mulato inzoneiro
Vou cantar-te nos meus versos
Brasil, samba que dá
Bamboleio, que faz gingar
O Brasil do meu amor
Terra de Nosso Senhor…
Abre a cortina do passado
Tira a mãe preta do cerrado
Bota o rei congo no congado
Canta de novo o trovador
A merencória à luz da lua
Toda canção do seu amor
Quero ver essa dona caminhando
Pelos salões arrastando
O seu vestido rendado…
Esse coqueiro que dá coco
Oi! Onde amarro minha rede
Nas noites claras de luar
Por essas fontes murmurantes
Onde eu mato a minha sede
Onde a lua vem brincar
Esse Brasil lindo e trigueiro
É o meu Brasil Brasileiro
Terra de samba e pandeiro…
Brasil!
Terra boa e gostosa
Da morena sestrosa
De olhar indiferente
Brasil, samba que dá
Para o mundo se admirar
O Brasil, do meu amor
Terra de Nosso Senhor…
Abre a cortina do passado
Tira a mãe preta do cerrado
Bota o rei congo no congado
Canta de novo o trovador
A merencória à luz da lua
Toda canção do seu amor
Huuum!
Essa dona caminhando
Pelos salões arrastando
O seu vestido rendado…
Esse coqueiro que dá coco
Onde amarro minha rede
Nas noites claras de luar
Por essas fontes murmurantes
Onde eu mato a minha sede
Onde a lua vem brincar
Huuum!
Esse Brasil lindo e trigueiro
É o meu Brasil Brasileiro
Terra de samba e pandeiro…
Brasil!
Meu Brasil Brasileiro
Mulato inzoneiro
Vou cantar-te nos meus versos
Brasil, samba que dá
Bamboleio, que faz gingar
O Brasil do meu amor
Terra de Nosso Senhor…
Abre a cortina do passado
Tira a mãe preta do cerrado
Bota o rei congo no congado
Canta de novo o trovador
A merencória à luz da lua
Toda canção do seu amor
Quero ver essa dona caminhando
Pelos salões arrastando
O seu vestido rendado…
Esse coqueiro que dá coco
Onde amarro minha rede
Nas noites claras de luar
Por essas fontes murmurantes
Onde eu mato a minha sede
Onde a lua vem brincar
Esse Brasil lindo e trigueiro
É o meu Brasil Brasileiro
Terra de samba e pandeiro…
Oi! Essas fontes murmurantes
Onde eu mato a minha sede
Onde a lua vem brincar
Esse Brasil lindo e trigueiro
É o meu Brasil Brasileiro
Terra de samba e pandeiro
Brasil!

Hummm…isso aqui é um clássico. AQUARELA DO BRASIL, de Ary Barroso na interpretação de ninguém menos que Francisco Alves. Você não sabe quem foi Francisco Alves? Bem pegue um Luan Santana, misture com Fábio Júnior, bote uma pitada de Banda Calypso, um pouquinho de Latino, um bocadinho de Preta Gil e mais um cheirinho de Restarte. Mexa bem, leve ao forno e depois jogue tudo fora. Francisco Alves não é nada disso… Quando ele morreu em 1952 num acidente na Via Dutra, a mobilização no país foi comparável – guardadas as proporções – à morte de Ayrton Senna. Francisco Alves era por aí…

E que tal um pouco de Villas Lobos? Isso é brasilidade? Bachianas Brasileiras número 5, na interpretação deliciosa da Banda de Boca. Curta um pouquinho…

Pois bem… 20 anos depois desse texto de Affonso de Sant´Anna é um exercício fascinante olhar para o Brasil e perceber que continuamos a discutir territorialidade, não mais na disputa com nossos vizinhos, mas internamente.

Seja na demarcação de terras indígenas como na reserva Raposa do Sol ou na sempre presente questão da reforma agrária com seus MSTs, é impossível pensar a brasilidade sem a perspectiva da territorialidade.

E as minorias excluídas dos anos 80? Seria possível imaginar trinta anos atrás uma parada gay com 4 milhões de pessoas, a marcha da maconha ou o casamento homossexual sendo aprovado pelo STF?

Globalização? Internet? Putz… Você consegue pensar sua vida sem o impacto dessas coisas?

E somemos a isso a questão política, o fim da divisão entre esquerda e direita, a completa falta de programa ideológico que defina os partidos, a comercialização da política…

E bote mais, bote a presença cada vez mais constante da mídia em nossas vidas. E junte ao desmanche do sistema educacional, ao sucateamento das disciplinas humanas, ao crescente individualismo e consumismo, ao domínio dos marqueteiros e pronto.

Que catzo será brasilidade hoje?

Então! É ao som das meninas do Choro das Três, com a AQUARELA DO BRASIL, que eu pergunto de novo:

Será que “brasilidade” é a mistura de índio com português e negro?

Mas e depois de dezenas, centenas de anos de influência japonesa, sirio-libanesa, judaica, norte-americana, espanhola, francesa, italiana, alemã, e etc etc etc?  E depois dos automóveis indianos, poloneses e mexicanos? Dos calçados chineses? Do sushi, do download, do site e do upgrade? E depois dos McDonalds, do funk, do hip hop, dos video-games, do sertonojo e breganejo? E depois da Lady Gaga? Meu, que caldeirão!

O que é “brasilidade” neste mundo conectado, único e totalmente interdependente? Será que a brasilidade só encontraremos no meio do pantanal do Mato Grosso, nos confins dos Pampas gaúchos, no meio da selva Amazônica ou nas periferias? Onde dá pra assistir à entrega do Oscar por televisão via satélite? Afinal de contas, pra você, o que é “brasilidade”?

Pronto. Lancei a pergunta. Com as respostas farei outro Café Brasil.

E é assim, com uma baita interrogação na cabeça e ao som de uma versão funk do hino nacional que o Café Brasil que quer saber que raio de coisa é essa tal de brasilidade, vai embora.

Perái, ô Lalá, não dá né? Bota uma coisa mais elegante aí…

Jack soul brasileiro

Jack Soul Brasileiro
E que som do pandeiro
É certeiro e tem direção
Já que subi nesse ringue
E o país do swing
É o país da contradição…
Eu canto pro rei da levada
Na lei da embolada
Na língua da percussão
A dança mugango dengo
A ginga do mamolengo
Charme dessa nação…
Quem foi?
Que fez o samba embolar?
Quem foi?
Que fez o coco sambar?
Quem foi?
Que fez a ema gemer na boa?
Quem foi?
Que fez do coco um cocar?
Quem foi?
Que deixou um oco no lugar?
Quem foi?
Que fez do sapo
Cantor de lagoa?…
E diz aí Tião!
Diga Tião! Oi!
Foste? Fui!
Compraste? Comprei!
Pagaste? Paguei!
Me diz quanto foi?
Foi 500 reais
Me diz quanto foi?
Diga Tião!
Oi!
Foste? Fui!
Compraste? Comprei!
Pagaste? Paguei!
Me diz quanto foi?
Foi 500 reais
Me diz quanto foi?
Jack Soul Brasileiro
Do tempero, do batuque
Do truque, do picadeiro
E do pandeiro, e do repique
Do pique do funk rock
Do toque da platinela
Do samba na passarela
Dessa alma brasileira
Despencando da ladeira
Na zueira da banguela
Alma brasileira
Despencando da ladeira
Na zueira da banguela(2x)
Diz ai quem foi……
Quem foi?
Que fez o samba embolar?
Quem foi?
Que fez o coco sambar?
Quem foi?
Que fez a ema gemer na boa?
Quem foi?
Que fez do coco um cocar?
Quem foi?
Que deixou um oco no lugar?
Quem foi?
Que fez do sapo
Cantor de lagoa?…
Me diz aí Tião!
Diga Tião! Oi!
Fosse? Fui!
Comprasse? Comprei!
Pagasse? Paguei!
Me diz quanto foi?
Foi 500 reais…
Eu só ponho BEBOP no meu samba
Quando o tio Sam
Pegar no tamborim
Quando ele pegar
No pandeiro e no zabumba
Quando ele entender
Que o samba não é rumba
Aí eu vou misturar
Miami com Copacabana
Chiclete eu misturo com banana
E o meu samba, e o meu samba
Vai ficar assim…
Ah! ema geme…(5x)
Aaaaah ema gemeu!
Eu digo deixa!
Que digo!
Que pensem!
Que fale!
Deixa isso pra la
Vem pra ca
O que que tem
Eu não to fazendo nada
Você também
Não faz mal bater um papo assim gostoso com alguém(2x)

Agora sim… É com Lenine e seu JACK SOUL BRASILEIRO,

que o global Lalá Moreira na técnica, a internacional Ciça Camargo na produção e eu, o bauruense Luciano Pires na direção e apresentação dizemos um até mais pra você.

Estiveram conosco o ouvinte Denison, Joca Freire, a banda Angra, Hamilton Holanda e seu quinteto, Altamiro Carrilho e Armandinho, Choro das 3, Lenine, Francisco Alves, Banda de Boca e Arthur Moreira Lima.

Este é o Café Brasil, um programa feito no Brasil mas que eu desconfio que fala para o mundo. Quem ouve a gente é gente inteligente? Tá bem, tem uns brucutus no meio, mas se estão ouvindo estão bem intencionados. Traga sua marca para cá, ajude a gente a desasnar o Brasil. Acesse www.portalcafebrasil.com.br e vem pra cá, vem pra cá…

Para terminar, uma frase de nosso grande poeta Carlos Drummond de Andrade:

Nenhum Brasil existe. Acaso existirão os brasileiros?

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