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196 – Bossa Nova

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Luciano Pires -

Bom dia, boa tarde, boa noite, bem vindo a este cantinho onde só falta um violão: o seu Café Brasil. Meu nome é Luciano Pires e o programa de hoje é dedicado à Bossa Nova. Nada melhor que abrir com a frase genial do imortal Tom Jobim:

 

“Morar nos Estados Unidos é bom, mas é uma merda; Morar no Brasil é uma merda, mas é bom”.

 

MELÔ DO POCOTÓ

 

No programa de hoje, vou de Ruy Castro, com seu texto A TRILHA SONORA DE UM PAÍS IDEAL, publicado no encarte de uma caixa maravilhosa com 5 CDs, recém lançada, chamada “3 na Bossa”. As músicas que tocarei hoje são todas desse conjunto de CDs…

 

VINHETA

 

Olha que coisa mais linda: a garota de Ipanema 1961 tomava Cuba-Libre, dirigia um Kharman-Ghia e voava pela Panair. Usava frasqueira, vestido-tubinho, cílio postiço, peruca, laquê. Dizia-se existencialista, adorava arte abstrata e não perdia um filme da Nouvelle Vague. Seus points eram o Beco das Garrafas, a Cinemateca, o Arpoador. Ia à praia com a camisa social do irmão e, sob esta, um biquíni que, de tão insolente, fazia o sangue dos rapazes ferver da maneira mais inconveniente.

Tudo isso passou, como passam as modas. A querida Panair nunca mais voou, a Nouvelle Vague é um filme em preto e branco e ninguém mais toma Cuba-Libre – quem pensaria hoje em misturar rum com Coca-Cola? Quanto àquele biquíni, era de fato insolente à beça, embora, por padrões subseqüentes, sua calcinha contivesse pano para fabricar dois ou três pára-quedas. Dito assim, é como se, em 1961, o céu do Brasil ainda fosse povoado por pterodáctilos.

Mas há uma exceção. Por sinal, brilhante. A música que aquela garota escutava na época continua a ser ouvida e adorada até hoje – quarenta anos depois – como se brotasse das esferas: a Bossa Nova.

 

MÚSICA – APELO

 

 

 

Você ouve APELO, de Baden Powell e Vinicius de Moraes,  interpretada pelo grupo Três na Bossa, na caixa com 5 CDs lan;Ada recentemente, que é um bálsamo para quem gosta de música brasileira de verdade. O 3 na Bossa é composto pelo pianista Edmur Hebter, a contrabaixista Elaine do Valle e o baterista Toninho Pinheiro. Se houver uma canção da Bossa Nova que o 3 na Bossa não saiba tocar é porque ela ainda não foi composta.

 

 

Acredite ou não, em números absolutos ouve-se mais Bossa Nova em 2001 do que em 1961. E ela não brota das esferas, mas é produzida ao vivo, pelos gogós, dedos e pulmões de artistas de todas as idades, em lugares fechados ou ao ar livre, em quatro ou cinco continentes. Ouve-se Bossa Nova em salas de concertos, teatros, boates, bares, clubes, escolas, estádios, praças, praias e quiosques. Ouve-se também no cinema, no rádio e até na televisão, na trilha da novela e nos comerciais. Ouve-se como música de fundo em aviões, restaurantes, elevadores, consultórios médicos e salas de espera. Sem falar nos apartamentos: em pontos tão remotos do globo, como São Paulo, Nova York, Paris, Sydney e Tóquio, ouve-se mais discos de Bossa Nova hoje do que nunca.

Não é uma avalanche, note bem. Dificilmente você verá um disco de Bossa Nova nas paradas. Mas os pardais e os bem-te-vis também não estão nas paradas e a música deles nunca sai do ar. Aliás, os rapazes e moças que criaram a Bossa Nova não gostariam que fosse diferente. Na sua despretensão e modéstia, eles só queriam que a música que estavam inventando fosse bonita, sofisticada – e eterna.

 

MÚSICA – CHEGA DE SAUDADE

 

         Vai minha tristeza, diz a ela que sem elanáo posso ser… Um programa sobre Bossa Nova sem “Chega de Saudade”, de Tom Jobim e Vinícius de Moraes, não existe, não é? Edmur e Elaine, do 3 na Bossa, começaram juntos em quintetos de bailes e, assim que tiveram idade para sair à noite, tornaram-se uma atração da madrugada de São Paulo. Seu extremo bom gosto e musicalidade ajudaram a tornar clássicas várias casas paulistanas, como o Santo Colomba, Plano’s Bar, Baiúca Jardins, The Place, Paddock, Piano Forte e, ultimamente, o L’Angolo, já em trio com Toninho.

 

Bonita e sofisticada, a Bossa Nova sempre foi. Nasceu sendo. Mas, eterna? Naquele ano de 1961, somente o futuro distante seria capaz de dizer – e, como o nosso presente é o futuro daquele tempo, basta olhar (ou ouvir) em torno para constatar que eles venceram.

Por eles entenda-se aquela constelação de cantores, compositores, letristas, músicos e arranjadores (a maioria mal fizera a primeira barba) que ousaram sonhar com essa eternidade: Antonio Carlos Jobim, João Gilberto, Newton Mendonça, Sylvinha Teller, Nara Leão, Roberto Menescal, Carlinhos Lyra, Ronaldo Bôscoli, Luizinho Eça, Alayde Costa, Claudette Soares, Baden Powell, Durval Ferreira, Oscar Castro-Neves, Milton Banana, Sergio Mendes, Eumir Deodato, muitos, muitos mais. Eles sonharam com um tipo de música que pairasse sobre o tempo. Que os tornasse sempre jovens – e tornasse jovem quem a ouvisse em qualquer época. E isso inclui os milhares de jovens que eles seduziram logo ao primeiro acorde.

A Bossa Nova foi e é essa música. Hoje, livros são escritos a seu respeito e ela é motivo de ensaios eruditos, de teses universitárias e de discussões em seminários. Sob qualquer pretexto, intelectuais das mais diversas plumagens se reúnem para dissecá-la e falar da sua importância nos rumos da música popular. Pensando bem, com toda a seriedade com que tentam envolvê-la, a Bossa Nova já deveria ter se juntado à polca, à mazurca e ao maxixe, entre outros estilos históricos que atualmente só parecem existir nos livros. Mas, com a Bossa Nova, isso não aconteceu – porque ela tinha um algo mais, especial, que a salvou: a beleza.

 

MÚSICA – PRECISO APRENDER A SER SÓ

 

Hummm….. Você está ouvindo, ou melhor, curtindo, PRECISO APRENDER A SER SÓ dos irmãos Marco e Paulo Sérgio Valle, que também escreveram seus nomes na Bossa do Brasil. Voltando ao 3 na Bossa:  Toninho começou nos ano 60 como baterista de Manfredo Fest e Pedrinho Mattar. Em 1965, com o pianista Cido Bianchi e o contrabaixista Sabá, formou o Jongo Trio, que gravou um grande disco instrumental-vocal (Jongo Trio). No mesmo ano, eles levantaram a platéia do Teatro Paramount ao acompanhar Elis Regina e Jair Rodrigues no show Dois na Bossa, de que resultou o célebre disco, no qual não tiveram seus nomes mencionados.

 

Em pleno 2001, à luz do sol ou de um abajur, com ou sem um uísque ao lado, nada supera o prazer quase hipnótico de se ouvir coisas como “Corcovado”, “Samba do avião”, “Minha namorada”, “”Esse seu olhar”, “Dindi”, “Primavera”, “Wave”, “Se todos fossem iguais a você”, “Ela é carioca”, “Você e eu”, Samba de verão”, “Eu e a brisa” – bolas, vamos ser francos: todas as faixas desta caixa. Mesmo canções que às vezes imploram por um descanso, como “Garota de Ipanema”, “O barquinho” e “Samba de uma nota só”, continuam infalíveis em nos fazer parar para escutá-las. E o que dizer de outras, perfeitamente lindas, mas menos exploradas, como “Rio”, “Fotografia”, “Vivo sonhando”, “Balanço Zona Sul”, “Deixa” e “Vagamente”?

Quando a maioria dessas canções estava sendo composta, entre 1958 e 1962, metade do planeta ainda se contorcia ao som do velho rock’n’roll e outra metade já saracoteava ao ritmo de uma novidade chamada twist. A ordem então vigente no mundo determinava que qualquer gênero musical, para vingar, tinha de ser dançante. Pois foi nessa época, em Ipanema, que Tom Jobim abriu o piano e deste saiu uma revoada de melodias. Muitas ganhariam letras de um poeta ao mesmo tempo sério e moleque, chamado Vinicius de Moraes, e seriam ouvidas pela primeira vez nas vozes de Sylvinha Telles e de um garoto baiano que acabara de inventar uma infernal batida de violão: João Gilberto. Uma batida bossa nova, como se dizia, e que acabaria designando tudo que se faria com ela: a Bossa Nova.

 

MÚSICA – WAVE

 

Vou te contar… agora ouvimos WAVE, irresistível e genial composição de Tom Jobim, que faz parte de nossas vidas.

 

Em 1966, Toninho e Sabá reagruparam-se com o pianista César Camargo Mariano no Som Três. Com o Som Três até 1970, Toninho acompanhou Wilson Simonal em milhares de apresentações  e em todos os discos do cantor no período. Em seguida, Toninho tornou-se baterista do inesquecível Dick Farney, com quem trabalhou durante 17 anos – até a morte de Dick, em 1987. Desde então, voltou à noite paulistana e, em 2000, seu encontro com Edmur e Elaine no L’Angolo resultou no 3 na Bossa.

 

Mas, por mais gostosa e revolucionária, a tal batida não servia exatamente para dançar. Era samba e, ao mesmo tempo, não era. Mesmo os casais escolados nas gafieiras dariam um nó nas pernas se tentassem dançar aquilo. Ao contrário, aquela nova música pedia concentração e até algum esforço para ser “entendida”. Quanto à voz do cantor, só faltava exigir que se grudasse as orelhas aos alto-falantes para ser escutada – porque ele cantava baixinho, “desafinado”, quase sussurrando, como se massageasse os tímpanos do ouvinte com uma flanela embebida em mel. Os entendidos logo decretaram: não vai pegar. Pois devem ter se espantado muito ao ver quantos jovens ansiavam por aquela massagem, aquela batida e, claro, aquela mensagem..

As letras, por exemplo. Pela primeira vez na história da música brasileira, elas não tratavam a mulher como a vamp da madrugada, a mulher-fatal, a traidora que deixava o homem na mão e o condenava à orgia. Ao contrário, as letras da Bossa Nova celebravam um novo espécime na paisagem feminina: a garota, a namorada, a moça de praia – linda, sensível, independente (você quase podia sentir a penugem loura sobre a pele dourada). E não era só isso. As letras de Bossa Nova também acabaram com o velho derrotismo, que vivia gemendo ninguém-me-ama-ninguém-me-quer, trocando-o por uma postura subitamente viril e afirmativa: eu SEI que vou te amar, por toda a minha vida eu VOU  te amar, e VAMOS DEIXAR desse negócio de você viver sem mim porque eu SOU MAIS você e eu.

 

MÚSICA – PRA MACHUCAR MEU CORAÇÃO

 

Já está fazendo um ano, amor, que nosso lar desmoronou… Você ouve, de Ari Barrozo, PRA MACHUCAR MEU CORAÇÃO, que o 3 na Bossa transforma em Bossa Nova, num balanço irresistível.

 

Eu falei do baixista Sabá, não é? Pois outra noite, jantando no restaurante Walter Mancini em São Paulo, aproveitei a pausa do trio que detonava um jazz maravilhoso, para cumprimentar o baixista. Era Sabá, o próprio. Uma lenda brasileira, fazendo uma música inebriante  do alto de seus quase oitenta anos. Saiba que essas surpresas estão aí, à sua disposição. Mas nunca no horário nobre das rádios e tevês. Esse espaço pertence aos pocotós….

 

Milhares de jovens brasileiros, alertas, criativos e que até então não sabiam para onde se virar, tiveram suas vidas salvas pela Bossa Nova. Muitos deles meninos ainda de calças curtas, como Chico Buarque, Caetano Veloso e Gilberto Gil, decidiram fazer música ao ouvir a gravação de “Chega de saudade” por João Gilberto, em 1958. Por causa da Bossa Nova, outros resolveram fazer cinema, teatro, poesia, jornalismo ou fotografia. O violão, um instrumento associado a boêmios e malandros, foi parar nas mãos das melhores meninas de família.

Sem entender as letras, mas encantados com a beleza melódica, harmônica e rítmica da música, os jazzistas e cantores americanos também descobriram a Bossa Nova e a adotaram. Stna Getz, Dizzy Gillespie, Tony Bennett, Ella Fitzgerald, Johnny Mathis, Peggy Lee, Mel Tormé, Sarah Vaughan e quem mais você pensar, todos a incluíram em seus discos. Em 1967, quando Frank Sinatra (ainda o maior e mais poderoso cantor do mundo) gravou um LP inteiro com Jobim, estava garantida a eternidade internacional da Bossa Nova.

Mas isso já foi há muito tempo e, desde então, a Bossa Nova morreu diversas vezes. Morreu no Brasil, bem entendido – porque, lá fora, ela nunca deixou de existir. Sua batida incorporou-se à gramática da música popular em toda parte e não há um violonista australiano ou israelense que não saiba executá-la. Centenas de grandes discos que, por aqui, não eram encontrados nem em vinil, nos sebos, sempre estiveram disponíveis em CD nas megalojas de Londres e Los Angeles. As canções de Tom Jobim nunca deixaram de ser executadas e ele próprio foi um incansável embaixador itinerante, viajando com sua banda pelos quatro cantos – logo ele, que, se pudesse, nunca sairia do Rio.

 

VINHETA

 

À sua maneira discreta e delicada, nesses quarenta anos, a Bossa Nova sobreviveu à longa ditadura do rock em todas as suas fases: iê-iê-iê, rock progressivo, discotèque, punk, new wave, heavy metal, rap, grunge e o que mais surgiu. De alguns desses rótulos já não resta nem memória, mas a Bossa Nova nunca saiu do cenário internacional – com direito a viajar sem passaporte, valendo como moeda local e sendo reconhecida como A música brasileira por excelência. Só faltava o principal: voltar a ser reconhecida em seu país.

Pois não é que, dos anos 90 para cá, isso passou a acontecer? Uma nova geração, cansada da pancadaria sonora que nos azucrinou nas últimas décadas, descobriu maravilhada que nem toda música se destinava à guerra – havia também a música do amor. Uma música que valia a pena ser escutada com atenção, que servia para se murmurar pequenas sacanagens ao pé do ouvido e que levava a abraços e beijinhos e carinhos sem ter fim. Uma música que fizesse jus à inteligência de quem a ouvia. Quando isso aconteceu, eles souberam que estavam encantados com a Bossa Nova.

No dia em que se reescrever a Constituição, um dos artigos dirá: Todo brasileiro tem direito a um cantinho e um violão. Tem direito também a matas verdes, céus azuis, mares limpos, cidades saudáveis e seis meses de verão. E tem direito ainda a andar na praia, namorar uma moça bonita e ser feliz. Pois essa sempre foi a plataforma da Bossa Nova.

Quando ninguém tocava em tais assuntos, a Bossa Nova já pregava a paz, a saúde, a ecologia. Hoje, em que esses temas começam a entrar na pauta nacional, a Bossa Nova voltou a ser a trilha sonora de um Brasil ideal.

 

MÚSICA – DESAFINADO

 

Pois é… ao balanço da Bossa Nova, com “Desafinado”, de João Gilberto, executado com maestria pelo 3 na Bossa, caminhamos para o final do Café Brasil de hoje. O texto do programa é de Ruy Castro, que é escritor, autor de, entre outros, Chega de saudade – A história e as histórias da Bossa Nova (1990) e Ela é carioca – Uma enciclopédia de Ipanema (1990), ambos editados pela Companhia das Letras.

 

SOBE

 

Estiveram no programa de hoje o 3 na Bossa, Ruy Castro e uma patota composta de Tom Jobim, Vinicius, Joçao Gilberto, Roberto Menescal, trazendo uma música brasileira que é eterna.

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Vem pra cá, brasileiro, pro seu Café Brasil. Vem cantar. O quê? Você desafina? Pois saiba que no peito do desafinado, no fundo do peito bate calado. Que no peito do desafinado também bate um coração.