Lidercast
Democracia, Tolerância e Censura
Democracia, Tolerância e Censura
O que distingue uma democracia de uma ditadura é a ...

Ver mais

O dia seguinte
O dia seguinte
Com o aumento considerável do mercado de palestrantes ...

Ver mais

Fact Check? Procure o viés.
Fact Check? Procure o viés.
Investigar o que é verdade e o que é mentira - com base ...

Ver mais

O impacto das mídias sociais nas eleições
O impacto das mídias sociais nas eleições
Baixe a pesquisa da IdeiaBigdata que mostra o impacto ...

Ver mais

631 – O valor de seu voto – Revisitado
631 – O valor de seu voto – Revisitado
Mais discussão de ano de eleição: afinal o que é o ...

Ver mais

630 – Outra Guerreira – Simone Mozilli
630 – Outra Guerreira – Simone Mozilli
Este é outro Café Brasil que reproduz na íntegra um ...

Ver mais

629 – Gramsci e os Cadernos do Cárcere
629 – Gramsci e os Cadernos do Cárcere
Essa aparente doideira que aí está não é doideira. É ...

Ver mais

628 – O olhar de pânico
628 – O olhar de pânico
Aí você para, cansado, desmotivado, olha em volta e se ...

Ver mais

LíderCast 125 – João Amoêdo
LíderCast 125 – João Amoêdo
Decidimos antecipar o LíderCast com o João Amoêdo ...

Ver mais

LíderCast 124 – Sidnei Alcântara Oliveira
LíderCast 124 – Sidnei Alcântara Oliveira
Segunda participação no LíderCast, com uma história que ...

Ver mais

LíderCast 123 – Augusto Pinto
LíderCast 123 – Augusto Pinto
Empreendedor com uma história sensacional de quem ...

Ver mais

LíderCast 122 – Simone Mozzilli
LíderCast 122 – Simone Mozzilli
Uma empreendedora da área de comunicação, que descobre ...

Ver mais

046 – Para quem vai anular o voto
046 – Para quem vai anular o voto
Fiz um vídeo desenhando claramente o que acontece com ...

Ver mais

Confraria Café Brasil
Confraria Café Brasil
A Confraria Café Brasil nasceu para conectar pessoas ...

Ver mais

Videocast Nakata T02 10
Videocast Nakata T02 10
Videocast Nakata Temporada 02 Episódio 10 - Hábitos ...

Ver mais

Videocast Nakata – T02 09
Videocast Nakata – T02 09
Videocast Nakata - Temporada 02 Episódio 09 Quando ...

Ver mais

Júlio de Mesquita Filho e a contrarrevolução cultural
Jota Fagner
Origens do Brasil
A ideia de concentração hegemônica não é exclusividade de Gramsci, outros autores de diferentes espectros ideológicos propuseram caminhos parecidos. Júlio de Mesquita Filho é um deles É preciso ...

Ver mais

Imagine uma facada diferente
Fernando Lopes
Iscas Politicrônicas
Imagine Fernando Haddad sendo vítima de uma tentativa de assassinato. Por um ex-militante do DEM ou do PSL, no mesmo dia em que Bolsonaro quase morreu pelas mãos de um ex-PSOL. Primeiramente, os ...

Ver mais

Uma discussão sobre inteligência artificial na educação
Mauro Segura
Transformação
Uma discussão sobre os benefícios que as novas tecnologias podem trazer para a educação brasileira. Mas será que estamos preparados para isso?

Ver mais

A burocracia e a Ignorância Artificial
Henrique Szklo
O Estado brasileiro, desde 1500, tem se esmerado em atravancar qualquer mecanismo da administração pública com um emaranhado de processos burocráticos de alta complexidade, difícil interpretação ...

Ver mais

Cafezinho 107 – O voto proporcional
Cafezinho 107 – O voto proporcional
Seu voto, antes de ir para um candidato, vai para um ...

Ver mais

Cafezinho 106 – Sobre fake news
Cafezinho 106 – Sobre fake news
Fake News são como ervas daninhas, não se combate ...

Ver mais

Cafezinho 105 – Quem categoriza?
Cafezinho 105 – Quem categoriza?
Quem define e categoriza o que será medido pode ...

Ver mais

Cafezinho 104 – A greta
Cafezinho 104 – A greta
Dois meio Brasis jamais somarão um Brasil inteiro.

Ver mais

LíderCast 96 – Ricardo Geromel

LíderCast 96 – Ricardo Geromel

Ciça Camargo -

Luciano             Muito bem, mais um LíderCast. Vai virar hábito porque eu achei um barato isso aqui que é eu começar o programa explicando como é que a pessoa chegou aqui. Essa figura chegou aqui por causa da mãe dele, a mãe dele é ouvinte do Café Brasil, é ouvinte do LíderCast, mandou um e-mail para mim me falando ah, meu filho. Aí eu comecei a dar uma olhada, falei quem é esse maluco? E ele pega e entra em contato comigo, veio para São Paulo, está aqui e eu falei vamos armar um esquema e hoje é domingo, são 11 horas da manhã, ele conseguiu arrumar um espacinho na agenda e veio aqui para a gente gravar um pouquinho. Três perguntas que são fundamentais, você não pode errar, se não estraga o programa. Seu nome, sua idade e o que é que você faz?

Ricardo             Bom dia, boa tarde e boa noite. Que sonho, falar isso. Meu nome: Ricardo Stanford Geromel, minha idade 30 anos. O que eu faço hoje: eu acordo todos os dias se eu ouvir o homem mais rico do Brasil: Jorge Paulo Leman dizer que o empreendedorismo é a única coisa que pode salvar o Brasil. Então o que me motiva é fomentar empreendedorismo e educação, eu tenho tesão por isso, não só no Brasil, mas no mundo e hoje eu fundei um time de futebol profissional em São Francisco, o São Francisco Deltas.

Luciano             Vamos chegar lá. Você nasceu aonde?

Ricardo             Eu nasci em São Paulo, Capital, na Zona Norte meu, joguei no Juventus muitos anos.

Luciano             Seu pai e sua mãe eram o quê?

Ricardo             Meu pai foi semi profissional de futebol de salão, a minha mãe foi profissional de vôlei e nós fomos criados numa família muito humilde. Meu pai quando era criança, o pai dele faleceu com 13 anos e a mãe dele não deixava ele andar na mesma calçada de padarias, porque era muita pobreza e ele ia ficar com vontade e não tinha dinheiro para comprar um, sei lá o nome do doce, pão, não sei o quê, não sou muito ligado em doce, talvez até por isso e meu pai com muito trabalho a vida inteira ele só deu para a gente educação. Ele falava não vou te deixar nada, mas eu vou te dar educação e isso gerou um grande problema lá em casa, porque o meu irmão, hoje zagueiro do Grêmio, foi eleito o melhor zagueiro dos dois últimos anos do Campeonato Brasileiro, tem uma carreira supre estrelada, mas o meu irmão não queria saber de estudar, queria só saber de bola, de futebol.

Luciano             Seu pai jogou futebol de salão? No tempo da bola pesada. Sua mãe fazia o quê?

Ricardo             A minha mãe, ela… o meu pai não terminou a faculdade, ele foi fazer faculdade lá na frente, minha mãe fez faculdade de direito e nunca exerceu, ela teve o meu irmão muito cedo e depois logo eu e ela teve uma loja de confecção de roupas e daí, quando teve a paridade do dólar com o real, 1 x 1, entrou o mercado chinês, não teve como continuar.

Luciano             Quer dizer, esse lado empreendedor vem da mãe.

Ricardo             É, ela é uma vendedora nata, ela é uma grande… eu tenho alguns ídolos na vida e ela com certeza é uma delas, onde ela vai, se ela chegar aqui, você vai virar melhor amigo dela, ela tem um carisma enorme, hoje ela se dedica muito às ações sociais, ela faz vários eventos por ano…

Luciano             Aqui em São Paulo?

Ricardo             … tudo aqui em São Paulo. Ela apoia diversas, eu diria centenas de instituições fazendo milhões de coisas para os outros, ajudando o próximo de uma maneira… ela é uma santa.

Luciano             Você entendeu porque que eu pergunto quem é o pai, quem era a mãe, como é que era? Isso aqui já me dá…. começa a mostrar quem você é, entendeu? Quando você pega quais foram os inputs, pô, o pai é assim, a mãe é assim, você já começa a montar, entender a pessoa que você está falando.

Ricardo             Olha, Luciano, de verdade, já devo ter dado mais de cem entrevistas, ou mais de quinhentas, nunca começou assim, estou adorando. É uma chance que eu tenho de mostrar não só porque hoje é dia dos pais, mas mostrar tudo o que eu sou, tudo o que eu fiz, muita gente me ajudou, mas acima de tudo meus pais, eu e meu irmão, se a gente não for eternamente gratos, tem uma coisa muito errada com a gente, porque de criança, indo jogar bola, todos os finais de semana, para a gente era a nossa vida, para eles, eles iam em todos os finais de semana e não era investir para ser o próximo Neymar, não tinha nada disso, nunca achamos que ia ser…. nunca a gente sonhou chegar na seleção brasileira, não ousava sonhar com isso, hoje o meu irmão tem uma grande chance, o Tite o convocou já duas vezes, ele teve na primeira lisa de convocados do Tite…

Luciano             Seu irmão é mais velho do que você?

Riardo               … mais velho, um ano e meio.

Luciano             Então, você estudou no Sion? Que é um puta colégio.

Ricardo             Tem um problema muito grave, nos meus anos todos só tinha dois ou três negros, estudei lá a vida inteira e eram filhos de professores ou de pessoas que trabalhavam lá, isso é um problema muito grave, aí vai jogar bola, aí eu vi o Brasil, então aqui no Brasil a gente vive nessas bolhas, só que quando a bola rola não tem bolha, não tem diferença socioeconômica, não tem diferença de pele, não tem diferença de cor, só tem diferença de gênero…

Luciano             Eu acho que se um dia, lá na frente, daqui uns quinhentos, mil anos, alguém tiver que explicar o Brasil, vai ter que  explicar do ponto de vista do futebol, não tem jeito, não é à toa que o Lula, de cada dez coisas que ele fala, nove ele bota o futebol na jogada, porque para explicar o Brasil, para mim sabe, você pegar o futebol, o futebol explica o Brasil e essa coisa do… isso aqui não é entrevista, eu esqueci de te dar essa dica aqui, é um bate papo onde você fala, eu  falo também, então eu vou dando uns pitacos…

Ricardo             Então vou ter que interromper agora que você falou isso, porque tem uma coisa que é louca, que eu acho que é só o Brasil. Meu pai é tão tarado por futebol e tão tarado pelo Corinthians que meu irmão joga no Grêmio, vai jogar contra o Corinthians, meu pai torce contra o filho, vai no estádio com a camisa do Corinthians, você já ouviu falar disso?

Luciano             Se eu já ouvi? Eu sou filho de um corintiano que ao comprar uma chácara em Bauru, botou na chácara o nome de Recanto Corintiano e conseguiu na prefeitura que a rua fosse batizada como Rua Corinthians, o quarto dele é cheio, o lençol é do Corinthians, ele é um conhecidíssimo corintiano lá em Bauru, tem 90 anos, botou o Corinthians nos filhos todos, eu também sou corintiano. Enquanto eu torci loucamente pelo futebol, eu era corintiano, de estar lá no campo vendo o Corinthians jogar e tudo mais, mas aí eu desbundei, parei de curtir futebol e reduzi muito porque eu tenho um defeito terrível, terrível, eu vi o Rivelino jogar. Eu vi o Zico jogar, eu vi o Sócrates  jogar, eu vi o Pelé jogar, eu vi o Pelé em campo jogando, então quando você compara o que era aquilo tudo que eu vi com o que está aí hoje, é outra história, aquele conceito todo daquele futebol que a gente viu naquela época do cara que saía com o pé sangrando de campo porque jogava com uma chuteira que não cabia no pé dele, para hoje você entrar e o cara com o cabelinho não sei o quê, mais preocupado se a tatuagem está aparecendo, ganha 600 “pau” por mês, reclama que joga de quarta e domingo e fica na banheira de água lá, depois entra em campo e erra um passe de três metros, não  dá para aguentar, não dá. Então quando a seleção está em campo eu enlouqueço…

Ricardo             Hoje…

Luciano             Quando aparece alguns caras legais, dá para você… mas é muito complicado, o Brasil desbundou e me parece que a gente assistiu essa coisa acontecer e bom, eu não quero transformar isso aqui em um programa para discutir futebol, essa história toda. Eu quero voltar é o seguinte: o Brasil se explica se você olhar o futebol e não é diferente se você olhar o vôlei, se você olhar o basquete, o brasileiro em grupo, com uma liderança boa, entendeu? Quando você pega um puta técnico, os caras são imbatíveis, você viu agora a equipe de vôlei feminino? Mudaram a equipe inteirinha, as meninas vão e ganham o campeonato de novo, quer dizer, brasileiro bem dirigido não tem quem segure a gente lá e o que dá para a gente assistir nos grandes acidentes de percurso no 7×1 da vida, essas coisas todas, é que não estava certo, o bem dirigido não estava bem resolvido ali. Mas eu até perdi o que eu ia começar a te falar aqui na história toda. Deixa eu voltar para a tua história que você é o cara que interessa aqui. Bom, você falou que você foi depois cursar o quê? Você fez?

Ricardo             Eu ganhei uma bolsa por causa do futebol, para ir para os EUA.

Luciano             Você jogava já aqui no Brasil…

Ricardo             Isso, pelo Juventus, capitão do Juventus da Moóca, meu.

Luciano             Você foi lá, você foi lá no Menino Travesso.

Ricardo             Muitos anos e daí caiu no meu colo, de paraquedas e eu não acreditava, porque eu não sabia que podia, não sabia do modelo americano, não fui criado com a colher de ouro, vai estudar nos EUA que é a capital, não, aconteceu.

Luciano             Você foi porque você gostava de jogar…

Ricardo             Não, um olheiro.

Luciano             … e pois é, então, mas o futebol se apresentou para você como talvez seja uma carreira? Você tinha isso na cabeça? Pode ser que eu venha a jogar bola…

Ricardo             Não, a minha vida, o maior dilema era: vou ser profissional de futebol, só que eu era o verdadeiro nerd, ainda sou, da família inteira, mas porque no Brasil você não pode fazer os dois, é impossível quase, não gosto dessa palavra, mas é, atuar no futebol de alto nível e estudar em alto nível, o sistema não te proporciona isso, só que nos EUA tem um formato que as universidades dão bolsa para os talentos e todo mundo faz, então é assim que funciona e isso caiu no meu colo e eu não sabia, então não apliquei para universidade nenhuma…

Luciano             Teu irmão já estava voando…

Ricardo             Meu irmão, com 17 anos foi para Portugal, ele jogava no Palmeiras, do Palmeiras ele foi para Portugal com um amigo que tinha um tio que era dirigente de um time e o amigo foi fazer o teste: ah vamos lá comigo, ele passou e amigo não passou, só que ele comeu o pão que o diabo amassou, morava numa sala menor que a que a gente está aqui e daí até uma vez ele ligou para o meu pai e falou não estou aguentando, quero desistir, aí meu pai falou assim, você quer voltar? Vai voltar, mas você vai trabalhar. Aí ele falou ah, acho que vou ficar mais um pouquinho, ele ficou e virou melhor jogador do campeonato português, melhor zagueiro da Alemanha, jogou na Espanha contra Messi, Cristiano Ronaldo. Aí quis voltar para o Brasil, porque é casado, tem três filhos…

Luciano             Como é que é o nome dele?

Ricardo             Pedro Geromel.

Luciano             Pedro Geromel. Está no Grêmio hoje.

Ricardo             Está no Grêmio hoje. E daí já foi eleito o melhor zagueiro dos dois últimos campeonatos brasileiros, foi convocado pelo Tite, ele é um fenômeno, como pessoa e como jogador.

Luciano             Mas então, você estava, naquela época ele tinha 17, você tinha 15, então você estava vendo teu irmão seguir o caminho.

Ricardo             Meu irmão, todo mundo sabia que, ou ele ia ser jogador de futebol da primeira divisão de algum lugar ou da terceira, porque era só isso que ele via na frente dele, a vida inteira. Meu pai tirou ele da Portuguesa, porque ele teve notas baixas,  ele queria fugir de casa, teve que colocá-lo num colégio à noite e aqui no Brasil, ele era um aluno bem médio no Sion, foi para aula a noite, ele era o número um da escola inteira, não fazia nada, porque é outro nível, então ele  nunca priorizou, ele só via bola a vida inteira e eu via a bola e os livros e daí…

Luciano             Então quando você terminou o equivalente ao colégio, você…

Ricardo             … é, na época era colegial…

Luciano             … colegial, então….

Ricardo             … hoje é ensino médio.

Luciano             … pintou uma bolsa, apareceu um olheiro, o que aconteceu? Chegou um cara…

Ricardo             Na verdade, essa história também nunca ninguém me pergunta em detalhe, obrigado. Foi assim, eu fui visitar meu irmão, ele jogava em Portugal e daí eu fui treinar com os meninos da minha idade, eu tinha 16, 17, aí tinha um cara lá que viu e falou porra…

Luciano             Esse moleque joga bola.

Ricardo             … quem é esse  moleque? Vou te arrumar essa bolsa, pô, lá em Portugal o cara me arrumou uma bolsa para os EUA, aí está ok, me arruma, está aqui meu contato. Aí um belo dia chegou, o e-mail não era o que é hoje, isso é 2003, 2004, chegou uma carta na faculdade por correio, ué, o que é isso?  Puta calhamaço, não uma carta só, um calhamaço de coisas, eu não falava inglês fluente, eu falava inglês que você apende na escola e daí fui atrás…

Luciano             Onde era?

Ricardo             … na verdade eu olho agora com 30 anos para isso e falo pô, por que que eu não apliquei para outras universidade, porque a universidade que eu fiz foi eleita a sétima melhor em empreendedorismo, por um daqueles rankings, foi uma universidade que me abriu todas as portas…

Luciano             Qual é ela?

Ricardo             … Farleigh Dickinson, em New Jersey.

Luciano             New Jersey.

Ricardo             E essa faculdade fica a quinze minutos do centro de Manhattan e daí lá eu me diverti muito na faculdade e tirei as notas muito altas, tive mais troféus na parte acadêmica do que no futebol, no futebol não me destaquei e aquilo foi um grande choque para mim, porque no Juventus eu era capitão do time e o time da faculdade antes de eu chegar no últimos cinco anos, tinha ganho quatro,  quando eu cheguei eu fiquei lá, a faculdade era quatro anos, mas eu terminei em três, e nesses três anos, a gente nem chegou na final, então um menino que jogou  comigo, Alejandro Bedoya, mesmo ano, mesma major, estudou a mesma coisa, amigão, foi titular da seleção americana em todos os jogos na copa aqui no Brasil, é um fenômeno lá, jogou na Europa, enfim, era um time muito bom e eu não me destaquei no futebol e daí não me deu uma depressão, ai meu Deus não vou ser profissional, vou all win nos livros, foi aí que eu pendurei a chuteira ao me formar na faculdade.

Luciano             Pô que interessante, eu trouxe aqui o Raian Santos…

Ricardo             Ah conheço.

Luciano             … ele veio aqui, fez um baita programa legal…

Ricardo             Meu amigo, muito gente boa.

Luciano             … quem tiver ouvindo a gente aqui, por favor, ouça o programa do Raian, porque o Raian vai fundo nessa história, como é que ele fez a faculdade, essa história do futebol essa história do esporte junto com o estudo e tudo mais…

Ricardo             Que ele era kicker, ele jogou futebol americano.

Luciano             É, a história dele é muito legal.

Ricardo             Eu conheci ele em Nova York, é um cara do bem.

Luciano             É uma figuraça. Mas aí então você bateu o olho lá, falou não vai dar e vou ser o quê?

Ricardo             E daí o jeitinho brasileiro…

Luciano             Esqueci de perguntar, qual era o major que você estava fazendo.?

Ricardo             Então, o jeitinho brasileiro é o major que eu queria fazer economia, por quê? O meu tesão sempre foi leitura, então eu pensava, o efeito borboleta, aconteceu alguma coisa no Japão vai influenciar o Brasil, vai influenciar a Nicarágua, eu tenho que saber tudo, mas não dá para saber tudo, então vai ter que ler muito e por causa disso eu escolhi economia, só que daí eu vi o jeitinho brasileiro do improviso, eu vi opa! Se eu mudar para administração, que é um pouco mais amplo, eu consigo me formar em três anos  ao invés de quatro, aquela ânsia, aquela juventude, aquele tesão, aquele brilho no olho, não sei porque se formar em três anos, curte o negócio, fica quatro, quando eu me formei em três anos o técnico veio e falou Ricardo, vou te dar uma bolsa para você fazer a pós aqui. Eu falei não, não quero. Como assim? Tem uma fila aqui que não quer fazer uma pós. Eu estava na cabeça para ir para a Europa e daí eu fui…

Luciano             Por quê? Ir para a Europa fazer o quê?

Ricardo             … porque a gente é italiano, tenho passaporte italiano e tudo mais e não falava italiano, eu achava isso um crime, como assim? Eu sou tão italiano perante a lei quando qualquer Giuseppe e não falo italiano? Está louco. Eu fui lá, fiquei um tempo na Itália, fiquei fluente em italiano, daí mudei para a França, fiquei um tempo, fluente em francês e nesse ano eu fiz dezenas e dezenas de entrevistas, porque tem um, eu não sei se existe isso ainda, naquela época tinha uns programas de trainee internacional e eu com passaporte europeu, eu queria começar pela Europa, porque eu achava que era uma boa opção de carreira, então por um ano eu fiquei fazendo essas entrevistas e daí no final do ano eu apliquei, porque o plano B era fazer uma pós, se ninguém quiser que eu trabalho…

Luciano             Futebol no más?

Ricardo             … não, pendurei a chuteira, tive a proposta do técnico…

Luciano             Só jogou por curtição?

Ricardo             … não, eu achava que eu ia ser profissional, só que se eu não me destaquei no nível universitário americano, pô eu vou ser um segunda divisão na Noruega? Não servia, me fazia mal, futebol começou a me fazer mal porque eu via…. eu sempre fui… ontem eu dei uma palestra aqui e apareceu do nada o meu primeiro técnico, apareceu lá, com uma camisa, camisa do número que eu usava, uma foto, meu Deus do céu, fico arrepiado até de falar e ele falou, minha mãe estava do lado, ele falou você sempre foi o atleta mais esforçado que eu já tive, eu não fui abençoado, igual o Romário fala que Deus apontou e dedo e falou esse é o cara, eu não tive o dom da técnica, mas eu era o que no esforço ninguém ganhava e nos EUA o esforço é a norma, aqui no Brasil é o que falta. Você vê uns cabeças, uns perna de bagre assim no profissional porque no Brasil falta muito, pô estava assistindo agora a final da copa de 2002 no voo vindo para cá, o Ronaldinho Gaúcho é uma piada, o cara não marca, Ronaldinho Gaúcho, Rivaldo e Ronaldo andam, não existe no futebol moderno você ter três jogadores que andam quando o time não tem a bola, só que eles eram tão altamente qualificados…

Luciano             Eles entregavam o que prometiam, me dá a bola que eu vou fazer gol e ganha o jogo. Fim.

Ricardo             … falou tudo, Luciano, só que hoje não é suficiente, você pode ter um Messi, um Neymar, para o time, mudou.

Luciano             Mas mesmo tendo um Messi, um Neymar, o que o Messi e o Neymar jogam para o grupo ou para o time, não é o Romário, tanto que deu aquela encrenca do Felipão resolver que não ia levar o Romário, ele colocou claramente, não vou levar um cara que desestabiliza a equipe, ele vai ganhar a copa do mundo sem Romário, é uma discussão que eu falo, se você começar a botar fogo vai embora, porque realmente é uma amostra da sociedade brasileira o que que o brasileiro é, como é que ele pensa, está ali no futebol. Muito bem, aí você vai para a Europa e fica lá, você não estava trabalhando então na Europa?

Ricardo             Eu estava fazendo entrevistas, eu fiz entrevista para tanta empresa…

Luciano             Vivia de quê? Vivia de papai que te dava o dinheiro?

Ricardo             Não, quando eu estava nos EUA eu tive dezenas de empregos, no meu primeiro semestre eu já trabalhei do City Group, eu trabalhei…  pouca gente eu contei isso, uma tia perguntou: o papai dando dinheiro? Nunca teve isso comigo, a faculdade eu ganhei a bolsa integral, eu trabalhei limpando cocô dos gansos no campo, eu ia com uma pá e limpava, sozinho, porque me pagavam por hora e aquilo ali só demorava 15 minutos e ninguém queria fazer, foi passando o tempo eu fui conhecendo as pessoas e coisa e tal, falei vou fazer a laundry, a lavanderia do time, você põe na lavanderia e espera, põe na máquina de secar e espera, enquanto você está esperando o que você faz? Você estuda, você faz suas coisas, tive esse trabalho. Chequei ID, que pessoas que entravam na academia, fui tutor de matemática, trabalhei no City Group desde o meu primeiro semestre, arrumei um emprego, todos os verões eu trabalhava, arrumei um emprego no hospital que eu era o chefe do pessoal de limpeza do Lenox Hill Hospital, onde as grandes celebridades de Nova York, teve uma princesa espanhola que ficou lá e eu era o chefe do pessoal de limpeza, porque eu falava outras línguas, eu conseguia coordenar e daí eu juntei dinheiro e eu pus isso na cabeça e fui para a Europa, então meus pais, depois de 17 anos, ele me pagam um jantar quando eu venho para cá, mas muito mais que isso não tem não. Me deram, como meu pai disse, me deram… meu irmão que por mérito dele é um cara muito bem financeiramente e coisa e tal, também nunca me dão nada e foi assim que a gente foi criado, não tem jeito e daí no final desse ano, Noble Group que na época era um dos maiores grupos de trainee de commodities do mundo me contratou…

Luciano             Aonde?

Ricardo             … em Suíça, Lausanne, eu trabalhei eu Lausanne como trainee de commodities agrícolas, aliás meu chefe…

Luciano             Isso foi uma das entrevistas que você fez?

Ricardo             … uma delas…

Luciano             Uma das entrevistas te chamou?

Ricardo             … olha que loucura, faz três semanas, o primeiro cara que me entrevistou, porque esses cargos você tem quinze entrevistas, é uma loucura, ele veio me visitar em São Francisco. Enfim, um parêntesis: esse cara era meu chefe na Suíça, esse cara ficou um grande amigo, ele é um suíço de alma brasileira, esse cara era vizinho do Schumacher. Um dia ele me ligou e eu estava no escritório fazendo as coisas para ele ainda, tarde, o mercado financeiro é aquela coisa, e ele falou vem aqui para a minha casa. Ir para a tua casa? Não, vem aqui. Eu achei que ia ser alguma coisa, que a gente ia sair, tomar uma, não sei. Não, estou fazendo o que você mandou. Não, você termina amanhã, vem “prá” cá. Eu não sabia o que ele queria. Quando eu cheguei lá estava o Schumacher, que jogava no time dele, ele tinha um timinho de futebol, o Schumacher era tarado por futebol e o Schumacher é da cidade de          Colônia e meu irmão era o capitão do Colônia, daí ele me apresentou para o Schumacher e falou esse aqui é o irmão do Geromel, o cara porra, você é irmão do Geromel? O Schumacher, e ele falou assim, fala pra o teu irmão nunca sair do Colônia e se precisar de qualquer coisa para vir falar comigo. E daí eu trabalhei lá na Suíça com ele, trabalhei em Hong Kong, trabalhei no cone sul, que eles chamam, que é Argentina, Uruguai, Paraguai, passei um tempo aqui no escritório de São Paulo, trabalhando com um cara que eu sou um grande fã, que é um trainee de muito sucesso, Marcos Simantob, corintiano roxo, que eu sacaneava e que aprendi muito e até hoje…. Ficou amigo.

Luciano             Quer dizer, você não jogou futebol mas fez uma carreira igual a do futebolista, porque você vive… saiu para todo lado, daqui para lá, de lá para cá, conheceu várias…

Ricardo             Foi muito fácil para mim tomar essas decisões, por que? O que me motivava era aonde eu vou aprender e crescer e daí, quando oferecem um negócio que tem a ver com viajar, você aprende o tempo inteiro, pô na China, a galera, o jeito que eles comem no café da manhã, o jeito que eles ficam de cócoras, não sei se dá para descrever, tem que mostrar, para tudo, está relaxado você vira de cócoras, te desafia, porque você começa a pensar nas coisas que você tem como…

Luciano             Sim, o teu mindset, o teu repertório, teu…

Ricardo             O jeito que funciona, você fala espera aí, por que eu sou assim, você começa a perguntar os teus porquês e aí você vai melhorando, e daí você pega um pouquinho daqui, um pouquinho dali e quando você vê… então é outra coisa, a identidade do ser humano é muito ditada por quem você está, então quando você viaja ninguém te conhece, você nem percebe que você está fazendo um papel.

Luciano             Você deixa de ser a média dos cinco, que o pessoal diz, você é a média das cinco pessoas que você mais convive, quando você viaja não tem essa…

Ricardo             Eu acredito muito que a gente interpreta papéis, e quando você está viajando você acabou de conhecer uma pessoa que não sabe quem você é, você pode interpretar qualquer papel, tem uns que abraçam, enfim, eu aprendi muito, gostei muito e daí ganhando muito dinheiro, me lembro muito bem, no mercado financeiro, um excelente primeiro emprego, porque todo mundo trabalha dezoito horas, é normal, sábado, domingo, o chefe, o estagiário, o chefe do chefe, todo mundo, então é normal e daí depois você vai trabalhar em qualquer outro emprego, você  trabalha doze, quatorze horas, é fácil, tranquilo.

Luciano             Que idade você tinha nesse primeiro emprego?

Ricardo             No primeiro emprego depois da faculdade.

Luciano             Esse de commoditie.

Ricardo             Eu devia ter uns 22, por aí.

Luciano             22 anos ganhando dinheiro. Solteiro?

Ricardo             Solteiro.

Luciano             Enchendo a burra de dinheiro.

Ricardo             E daí, eu tomei a decisão que eu queria investir na minha formação holística, eu queria ser um ser humano completo e fui fazer uma pós em Paris, na faculdade mais antiga o mundo e esse…

Luciano             Você falando assim parece fácil.

Ricardo             … é engraçado como a gente…

Luciano             Parece fácil. De novo aquela história do mindset, quer dizer, parece fácil, você falando parece fácil, porque você se colocou numa posição tal que talvez quando você fala assim, pô fui fazer uma pós em Paris, tem gente que isso é uma coisa que você fala fui para a lua, é tão distante, é tão complicado, é tão longe que é impossível ser feito, não vai e você, vou para Paris, vou para a Suíça com uma facilidade brutal, parece o Raian falando aqui, vou para a Europa, como fica fácil quando você determina o patamar onde você está atuando.

Ricardo             O meu avô criou a gente com uma frase, ele falava: está difícil? Acorda mais cedo e vai dormir mais tarde, trabalha, neguinho. Então eu sou fluente em cinco idiomas e às vezes as pessoas quando sabem disso falam nossa, você tem uma facilidade para aprender. Minha mãe que fala, a facilidade?  Desde os 15 anos esse doido acorda cinco e meia, seis horas da manhã e ninguém interrompe ele até as nove que ele está focado em algum projeto e os projetos, por uma época, foram línguas, porque como ele estudou administração, administração é muito intangível, não é igual medicina, o que você aprende? Falei opa, tenho que ter uma…. e daí foi que eu foquei em línguas e tem uns exames internacionais para fazer as tais pós, que uma chama GMAT, então a faculdade que eu fiz não é uma ivy league, ivy league são as top universidades americanas, então eu foquei em fazer a tal prova, aí fiz a tal prova, tirei uma nota estelar porque me preparei, não foi que apareci lá e de gênero não tem nada e daí apliquei e eu queria morar em Paris, porque eu queria fazer a pós em francês, então fui aceito em outras universidades, apliquei para várias, mas eu queira aquela que era no coração de Paris, que era a mais antiga do mundo, fundada por Napoleão e dai quando eu cheguei lá, logo no primeiro semestre teve uma festa e nessa festa que a faculdade tinha sido eleita pelo Financial Times a número um do mundo nesse curso que eu estava fazendo, veio um ex aluno com um biquinho, Luciano, e falou Ricardo, preciso de você. Eu achei que o cara estava me cantando, toma aqui meu cartão, me manda um e-mail amanhã. Saí fora. O cara me mandou um e-mail, me ligou, era o vice-presidente do Grupo Bolloré, um dos maiores grupos de logística do mundo, daí resumindo a história, acabei sendo contratado, depois de menos de algumas semanas de aula, para ir trabalhar na África, em Guiné-Conacri, logo ao sul do Senegal, que a Vale tinha um projeto multibilionário de extração de bauxita em Guiné Conacri. Só que era o interior desse país, não é que tinha estrada de terra, simplesmente não havia estradas, então tinha que contratar uma empresa que fizesse o escoamento dessa mercadoria toda e daí essa empresa me contratou com uma função super comercial, garantir que a Vale contratasse o Grupo Bolloré, então fui lá para a Guiné Conacri, eu jovem daquele jeito, com tesão de causar impacto, então na África… a gente tem muita miséria no Brasil, mesmo aqui em São Paulo, faz parte do nosso cotidiano, mas o que eu vi na África, criança pelada o dia inteiro, tinha uma praia lá da casa do cônsul, não era uma praia, era uma areia, que era tão cheia de entulhos, lixo, completamente suja e a molecada jogava futebol descalço ali o dia inteiro, era uma coisa… E corrupção a gente acha que tem no Brasil, meu Deus do céu, você chegava no aeroporto, não quero falar mal do país, que também tem muita gente que eu conheci sensacional, mas é diferente e te chacoalha.

Luciano             É uma outra cultura. Quanto tempo você ficou lá?

Ricardo             Três meses. A missão foi concluída com sucesso, deu tudo certo para o Grupo Bolloré eu fiz o que tinha que fazer, mas deu três meses eu achava legal que no meu contrato ia ter um segurança e um motorista, daí depois de dois dias lá falei por que eu achei isso legal, meu Deus do céu? Ah você vai ficar no hotel onde o presidente do Brasil ficou quando ele foi. Era onde eu morava.  Pô, só tinha um hotel na cidade. Eu não lembro a proporção de pessoas com AIDS…

Luciano             Essa sua entrevista aqui está saindo numa temporada que tem um casal que chegou de lá, doze dias em Moçambique, mas assim, numa cidadezinha no interior, eles foram fazer um trabalho lá social, ouçam o programa e eles contam realmente, o impacto que é você de repente estar mergulhado numa realidade que por mais que a gente pense que pô, o Brasil tem pobre, tem miserável, quando você entra num lugar onde a cultura é assim…

Ricardo             Malária, conheci muitos expatriados, eles perguntaram quantas malárias… não era se já teve, era quantas você já teve, malária mata.

Luciano             E aí, você sai de lá? Eu quero chegar nos EUA.

Ricardo             Fiz minha missão. Antes de eu ir para lá já tinha fechado, é uma loucura, porque era meu sonho ir para Paris fazer essa pós, depois de um semestre eu saio para ir para a África e não falei para os meus pais, se não…

Luciano             Ah, você não terminou a pós então.

Ricardo             … eu fiz um semestre, lá você tinha quatro anos para terminar dois, para terminar quatro semestres, entendeu? Para terminar a pós, então não fazia parte do plano, mas apareceu essa proposta, era muito boa, não dava para recusar, tanto que os meus chefes na época, que falavam pô, você nunca mais vai voltar para terminar aquela pós, você vai ficar aqui, sabe aquela corrida o ouro que ocorreu no oeste americano? Está ocorrendo na África agora, bom, era incrível, a chinezada, eles vão, eles constroem obras de engenharia civil, ponte, estrada, escola, prédio, hospital em troca de matéria prima, então para os governantes locais, eles ganham eleição sem por grana, enfim, e daí teve uma palestra de um camarada professor da USP, que eu estou vendo ele na minha frente aqui, lá em Paris e o auditório lotou, porque o Brasil estava na crista da onda, não tinha sofrido com a crise, ia sediar a copa, ia sediar as olimpíadas e esse camarada falou tanta coisa que eu não concordava e eu era muito jovem, que quando ele terminou as perguntas e respostas, eu levantei e expus com certo clamor as minhas opiniões sobre tudo aquilo que ele tinha falado e tinha uma mulher, de Harvard que me ouviu e falou, quero te conhecer, tomar um café, me conheceu, me convidou para escrever no blog dela e dai eu falei pô, não ganhava nada, mas vou escrever nesse blog que eu tenho uma desculpa boa para manter os contatos com meus ex colegas do mercado financeiro, porque o mundo acadêmico infelizmente é um pouco distante algumas vezes do mundo real, topei, escrevi nesse blog dela, se bobear dá para achar ainda na internet e daí um ano depois a Forbes estava procurando alguém para cobrir mercados emergentes e daí eu era brasileiro, educado nos EUA, educado na França, tinha trabalhado no mercado financeiro, trabalhado em Hong Kong, Suíça, América do Sul…

Luciano             E estava escrevendo uns negócios legais no blog da mulher.

Ricardo             … e eles pegaram o que eu já tinha escrito e me trouxeram para dentro e daí eu topei e quando eu topei, eu acho que foi….

Luciano             Dá uma pausa para mim aí, que você está dando um insight que é uma coisa que eu bato muito e que quando aparece o exemplo acabado eu tenho que voltar e bater bastante. Toda vez que eu trago alguém aqui e faço esse tipo de conversa aqui, no final eu sempre pergunto como é que eu te encontro e alguns vem para cá com um trabalho maravilhoso e não publicaram nada em lugar nenhum, antigamente era o seguinte, vou fazer o meu livro, hoje não é mais livro, esquece livro e eu pergunto: você já fez teu blog? Ah eu não fiz ainda. Já fez tua página? Não fiz ainda. Falei faça, faça e você está mostrando aqui claramente o que é essa história de fazer o seu blog. Pega o teu conhecimento e exponha de alguma forma, a forma mais barata, mais fácil, mais simples é um blog, você conseguiu um blog de primeira linha, porque imagino que fosse um blog já conhecido que te botou numa janela e que você começou a aparecer e a hora que a Forbes começa a procurar alguém, alguém lembra do blog, leu você lá e os pontos estão conectados e pronto, se você não tivesse aceito o convite para escrever no  blog daquela mulher de graça, talvez a Forbes não achasse você.

Ricardo             Verdade. Talvez não me aceitassem.

Luciano             Então sabe aquela história, pô puta sorte, não, não é sorte, ele está plantando e às vezes o plantar significa eu vou expor minhas ideias de graça no blog de alguém que eu nem sei o que vai acontecer com isso. Eu já tenho mil histórias dos caras que escrevem no Portal Café Brasil e que acabam encontrando conexões, eu vi você, mas você viu aonde? Vi naquele lugar, não tinha expectativa, mas o fato de se preparar e botar o texto lá e publicar, bota você numa vitrine e uma hora um maluco qualquer vai te achar e as coisas acabam acontecendo.

Ricardo             Só tem a ganhar.

Luciano             É, só tem a ganhar. Mas e aí? Aí você foi para a Forbes?

Ricardo             Aí eu tive uma ideia, eu sou tarado por futebol, como é muito nítido, e eu fui para Teresópolis, não sei quem já teve o prazer de visitar a sede da CBF, os campos que tem lá são de classe mundial, é uma Disneylândia para quem gosta de futebol…

Luciano             Granja…?

Ricardo             … Granja Comary, aíi…

Luciano             Eu já palestrei lá para a seleção brasileira.

Ricardo             Ah, você está brincando, Luciano

Luciano             Fiz uma palestra para a seleção brasileira, em 2004. Zagalo, Parreira e o time que ia disputar 2006.

Ricardo             Tem vídeo disso?

Luciano             Não tenho vídeo, mas está na minha palestra, eu boto isso na minha palestra, Ronaldo fenômeno, Ronaldinho Gaúcho, Roberto Carlos, Roque Junior, aquele time.

Ricardo             Aquele time a gente não lembra mais, o pessoal comparava aquele time com a seleção de 82, porque o Kaká estava voando, Robinho, Adriano.

Luciano             Eu cheguei para fazer a palestra… qualquer hora  eu vou contar a história, mas a história para chegar lá foi muito legal, eu cheguei para fazer a palestra e eu fui recebido, cheguei de van para entrar na granja, uma barreira de jornalista porque a seleção estava lá dentro, passei a barreira, paramos a van, eu desço da van, vem Zagalo, Parreira e mais a turma dele receber a gente e eu desço com minha maletinha, com o computador e tudo mais dentro e vem o Zagalo, aí o Parreira: dá aqui que eu carrego para você. O Parreira carregando minha malinha e a gente entra, vamos até a sala onde vai ser a palestra, uma sala grandona que tem lá com umas “puta de umas cadeirona”, aí vou arrumar o computador, eu estou lá conversando com o Parreira e não sei o quê e pelo rabo do olho, sem querer, passa um vulto azul no corredor, e o Zagalo grita, Ronaldo! E eu olho e entra o Ronaldo, fenômeno, no auge, todo vestido de azul, garotão, magrinho. Ronaldo vem cá, esse aqui é o Luciano que vai fazer uma palestra aqui. Muito prazer. E eu falo onde eu vim parar e aí eu fiz o seguinte, eles iam chegar, eu arrumei o esquema todo, sentei numa cadeira bem na lateral de uma forma que eu pudesse olhar a porta e fui vendo a turma chegar e aquilo foi uma aula para mim, eu assistindo a seleção, os trinta da seleção brasileira chegando e não  podia começar enquanto não estivesse todo mundo lá e já estava no horário de começar e não começava porque o Roberto Carlos não chegava, estava atrasado o Roberto Carlos e a hora que o Roberto Carlos chega, deu uma chuva…. o pessoal  pegou o assento das cadeiras que era molinho e entupiram jogando nele e o primeiro cara que joga era o Zagalo, o mais moleque, o mais sacana, que enchia o saco de todo mundo era o Zagalo. Então quando eu vi aquele espírito e depois eu dei a palestra e fui jantar com os caras, eu olhei aquilo e falei esses caras vão ganhar a copa no primeiro jogo, não tem como parar, porque aquilo era tão esfuziante, a alegria daquele grupo lá que eu falei esses caras vão arrebentar e no fim deu que não aconteceu nada em 2006 e talvez até por excesso… era tão legal, era tão amigão, tão tudo bem que nós dançamos lá porque acho que faltou ali trilho, cabeça, foco e a gente acabou desandando lá, mas foi uma experiência fantástica fazer a palestra com trinta neguinhos  me olhando e era a seleção brasileira de futebol. Mas vamos lá…

Ricardo             Se eu pudesse escolher uma no tempo eu ia voltar naquela, eles eram os meus ídolos, eu sonhava qual era o plano de time do fenômeno.

Luciano             Você consegue imaginar a seleção brasileira em fila indiana com o teu livro na mão e você fazendo dedicatória para cada um deles… dando autógrafo para o Ronaldo fenômeno, “O Meu Everest” e cada um deles ganhou e os caras em fila indiana e vinha lá e eu fazendo a dedicatória, para o Roberto Carlos, foi muito legal. Mas vamos lá. Continua. E aí?

Ricardo             Nem lembro onde é que eu estava.

Luciano             Sei lá… você foi lá na Granja Comary.

Ricardo             Aí, boa, foi dai que veio… aí eu falei ué, para que serve essa Disneylandia aqui, vamos abrir isso aqui para turista, eu fiquei louco, vamos cobrar de quem vem, que é isso? Não, é para a seleção brasileira treinar. A seleção brasileira quantos dias treina por ano? Não, mas treina categoria de base também. Mas quantos dias… Era um lugar sub utilizado, então eu montei um projeto para ir para a China e trazer jogadores, médicos, árbitros, comissão técnica para a chinezada vir ficar uma semana, um mês, seis meses, um ano, alguns anos fazendo um curso no Brasil, na Granja Comary porque chinês ama diploma e o Brasil é…. mesmo hoje, depois do 7×1 o Brasil é a referência em futebol.

Luciano             Aliás, ontem eu vi que voltou para o número 1 do ranking da FIFA, subiu, está em 1° lugar de novo na FIFA.

Ricardo             Mas é a referência, então eu não tenho vergonha, mas aquele projeto eu fiquei três meses em Pequim acabou não dando muito certo, ali foi onde eu fracassei, falhei.

Luciano             E a Forbes?

Ricardo             Eu comecei escrevendo de Pequim, meu primeiro artigo eu estava e Pequim.

Luciano             Então, mas aí a Forbes te contrata para ser colunista.

Ricardo             O cargo no começo era contribuidor, eu cobria mercados emergentes, aí depois eu vi que o filé eram os bilionários, então eu fiquei um verão na China, lançando esse projeto e comecei a escrever para a Forbes, aí volto para Paris, termino a pós nos outros seis meses e daí no seguinte verão eu vou para o escritório da Forbes em Nova York e daí eu percebi que o filé não era o mercado emergente, eram os bilionários, era o carro chefe da Forbes.

Luciano             Você estava solteiro esse tempo todo?

Ricardo             Esse tempo todo eu estava solteiro. Não, na verdade, quando eu fui para a China eu tinha uma namorada chinesa.

Luciano             Sim, mas você não estava de anel na mão. Quer dizer que você tinha ganho uma grana legal no mercado financeiro, quer dizer, você estava se sustentando tranquilamente nessa época, tá.

Ricardo             Na pós eu pus na cabeça que eu não ia mais fazer aquele empreguinho, não que aquilo seja menor, mas aquilo foi importante na minha trajetória no undergradary, no bacharelado, mas na pós eu falei eu vou focar nos estudos, vou focar nas pessoas, tão importante quando o que você aprende, com quem você aprende, aquilo muito nítido para  mim e daí a pós foi cara, assim de custo de oportunidade, mais do que nada.

Luciano             Mas valeu?

Ricardo             Valeu muito.

Luciano             Pós em quê que você fez?

Ricardo             Foi em administração, MBA, esse tipo de coisa com foco em inovação. E aí eu chego em Nova York para cobrir os mercados emergentes, os bilionários, porque a Forbes existe, esse ano comemora cem anos, só que os tais bilionários, a lista, a primeira, a lista dos bilionários do mundo foi lançada em 87, o ano que eu nasci…

Luciano             Trinta anos esse ano.

Ricardo             … e aí eu fui cobrir esses bilionários e aconteceu uma coisa, eu era muito amigo do pessoal, eu gosto muito de gente e a gente fazia os happy hour’s, jornalista tem esses estereótipos, é meio verdade, tinha uma mulher, lembro até hoje, que era Leny Howard, ela que faz a  lista das mulheres mais poderosas do mundo, ela que é a chefe de quem toca isso e a Dilma era a presidente do Brasil, que é uma das dez maiores economias do mundo e resumindo, a Dilma foi eleita uma das mulheres mais poderosas do mundo e faz todo sentido, porque ela era a presidente de uma das dez maiores economias, enfim, não participei de quem faz a lista, mas acabei sendo o autor de uma matéria de capa com a Dilma na capa da Forbes, a única brasileira a estar na capa da Forbes, então tem um pouco de orgulho porque tem jornalista que trabalha lá na Forbes há quinze anos e nunca fez uma capa e eu nem sou jornalista, caí lá de paraquedas e acabei fazendo essa capa, mas tem uma parte que eu não sou grande fã, mas bom e aí cobri esses bilionários e por que eu quis fazer isso? Foi porque eu queria descobrir o que esses caras têm em comum? Queria descobrir e aí fiquei lá e em 2014 eu…

Luciano             O que significa cobrir os bilionários?

Ricardo             … cobrir é assim, como se  descobre um bilionário? O Danilo Gentili, que figura esse cara, esse cara é engraçado, Luciano, ele foi me entrevistar, ele perguntou você fica na boca do caixa e você vê a conta dele? Não, é um trabalho, soa muito sexy, a parte de entrevistar os bilionários e entrevistar quem convive com eles, ex esposa, para descobrir é bacana e é sexy, só que tem um trabalho por trás que é “ultramente”  complicado e “ultramente” não sexy que é: quanto vale a empresa do cara, que é privada? Que é uma guerra só para conseguir informação, quanto vale? Vamos supor que alguém fale Luciano Pires é bilionário, quanto vale o Café Brasil? Como é que eu faço essa valuation? Por onde começa? Então é muito parecido, no mercado financeiro tem isso, que é fazer valuation, então grande parte…

Luciano             Mas eu não sabia, eu achei que essa informação dos milionários viesse de três ou quatro organizações que a Forbes vai lá, pega a informação e monta a lista? Não, a Forbes tem que investigar.

Ricardo             … tem investigadores no mundo inteiro, eu cobri, principalmente os brasileiros que teve um boom em 2014 teve 66 bilionários brasileiros, no último ano teve  43 e daí então você tem que investigar, o trabalho é investigativo.

Luciano             43 para 66 da 23, então já estou entendendo, desses 23 uns quatro estão presos.

Ricardo             E também é bilionários em dólares, então tem…

Luciano             É bilhão em dólar.

Ricardo             … então tem isso também da moeda, então eu queria descobrir que esses caras têm em comum e aí, na época da Dilma eu dei uma entrevista no Manhattan Connection, dei essa entrevista para o Danilo Gentili, na copa minha esposa estava aqui e, de novo, tarado por futebol, a gente foi de carro de São Paulo para Minas para o fatídico 7×1 e eu não sabia, só que Três Corações, onde nasceu o Pelé, é no caminho, aí quando eu estou dirigindo tem uma placa, eu falo amor… que daí na época a gente era noivo… ou era namorada, era noiva…

Luciano             Ela é americana?

Ricardo             … é americana, de Los Angeles, não sei se a gente era noivo, mas já era muito sério, bom, amor aqui é a terra do rei, aqui é a terra do rei do Brasil. É louco? Que rei do Brasil? Você está louco, do que você está falando? Meu Deus, o rei do Brasil, fiquei emocionado. Que rei? O rei Pelé, Três corações, a gente parou num posto, eu lembro como se fosse hoje, que ela desceu do carro, não sei se ela foi no banheiro oi foi comprar alguma coisa e daí o frentista ficou me sacaneando, é, te vi no Danilo Gentili, um dia você vai escrever sobre mim, eu vou ser muito rico e daí a gente começou a falar do Neymar, que o Thiago Silva não ia jogar e ficamos rindo e conversando e quando ela voltou ela falou pô, o que você ficou conversando tanto com esse cara. Falei ah, você me conhece, amenidades. Pô por que você não falou para ele o que você está me enchendo o saco há tanto tempo, você enche o saco da minha família, da tua família, o que os 1500 bilionários têm em comum? Daí eu respondi para ela: são 1645 e continuei dirigindo, mas na minha cabeça ali nasceu o líder, por que eu não conto para todo mundo, é legal, eu sou apaixonado por esse tópico, daí…

Luciano             Você entrou em Três Corações para ver alguma coisa do Pelé ou não?

Ricardo             Não, porque tinha que chegar em Belo Horizonte para o jogo, mas um dia eu vou entrar. E aí como é que escreve um livro? Como é que faz?

Luciano             Você ia escrever um livro contanto os segredos dos bilionários…

Ricardo             Não os segredos, o que eu acredito que eles têm em comum. E aí como faz, Luciano, você que escreveu? O que eu fiz foi escrever dois capítulos e meio e falar com as editoras antes de ter o calhamaço perfeito e aí um cara, chamado Pascoal, ele é um gênio, ele que criou o título do livro, que é “Bilionários: o que eles têm em comum além dos nove zeros antes da vírgula e o “:Bilionários” assim: bi.lio.nar…

Luciano             Sua mãe mandou para mim um de presente.

 

Ricardo             Te mandou? Você chegou a dar uma olhada?

Luciano             Eu dei uma olhada rapidamente, está na lista lá para ler, mas não consegui ler não.

Ricardo             Pô depois você faz um daquele para o Café Brasil, o resumão, o seu sumário do Café Brasil Premium, adoraria ver teu resumo, então e o livro eu achei legal porque tem histórias bem práticas da vida dessa galera e enfim…

Luciano             O que é que os bilionários têm em comum?

Ricardo             Vai ter que ler o livro.

Luciano             Dá um resumo.

Ricardo             Uma pincelada, é o seguinte, não tem traço de personalidade. Isso não existe.

Luciano             O que quer dizer isso?

Ricardo             Não é tímido, ou extrovertido, isso eles não têm em comum, isso daí tem todo o espectro, uma das coisas que a absoluta maioria deles têm em comum, porque no livro eu falo de oito coisas, uma delas é dedicação à filantropia, eu não acho que é porque nos EUA você consegue desconto de imposto, eu não acho que é um negócio de culpa, ah já que eu tenho tudo isso e os outros não têm, esse século está tendo um boom nesse terceiro setor da filantropia que é uma coisa Bill Gates e Melinda Gates junto com Warren Buffett fizeram um negócio que chama The Giving Pledge, The Giving Pledge, vários bilionários, hoje eu não sei quantos, na época do livro eu acho que cerca de cento e cinquenta, nenhum brasileiro na época do livro até então, assina e o cara promete por contrato que até o final da vida ele vai doar, no mínimo, metade da fortuna e se não doar, quando ele morre, ele tem o testamento lá e está tudo certo, olha isso.

Luciano             Eu conversei com alguém há um tempo que estava me falando, até comentei num programa aqui que eu não lembro se foi numa conversa com Warrren Buffett, que é um cara que tem essa consciência toda aí e o Warren Buffett escreveu um livro dizendo o seguinte: como viver com apenas 500 milhões de dólares, ia dar o livro para os bilionários, você não precisa de 5 bilhões, você não precisa de 8 bilhões, você não precisa de 20 bilhões, você pode viver uma vida nababesca com 500 milhões de dólares, pega a diferença disso para 8 bi e doa e faça a tua vida com 500 milhões que dá, isso é tão maluco esses números são tão estratosféricos, se bem que no Brasil hoje em dia, quando você começa a falar assim a turma já está acostumada, porque hoje é tudo bi, aqui é tudo bi, roubou um bi, roubou dois bi, o furo é de sete bi, a gente já aprendeu a falar bilhão aqui numa boa.

Ricardo             Então o…

Luciano             Você chegou a entrevistar alguns desses bilionários?

Ricardo             Vários. Teve um, não vou falar qual, aqui do Brasil, que me ligou, um dia toca meu telefone, telefone do Brasil, o que será que é? Achei que fosse minha mãe, no escritório, na época a redação da Forbes ainda tinha, não sei se as redações tem telefone fixo, tocou um número de telefone do Brasil, eu fui atender, era um dos herdeiros de uma família ultra conhecida, oi Ricardo, tudo bem? Tudo bem. Aqui é… Que honra, a que devo o prazer? Eu gostaria de saber como a gente faz para remover o nome da lista porque a gente acha que causou muitos problemas de segurança, tem uma repercussão absurda, falei….

Luciano             Faz sentido.

Ricardo             … faz todo o sentido e também culturalmente, nos EUA tem briga, você vai conversar com o camarada, eu entrevistei alguns bilionários americanos, ele fica querendo up…

Luciano             Me ponha para cima.

Ricardo             … não, eu valho o que eu tenho vale mais, não é só 3 bilhões, é 3,5, não essa valuation está errada…

Luciano             Porque para eles expor a riqueza é um sinal de sucesso, o cara olha para aquilo e fala sou um cara muito bem sucedido, logo tenho tudo que tenho. No Brasil é ao contrário, se você expõe, esse bandido, ladrão.

Ricardo             A população admira, você é um cara de muito sucesso, você é admirado, aqui no Brasil não…

Luciano             Vou me inspirar em você para seguir, aqui a gente inverte o jogo, quem mandar …

Ricardo             Exatamente isso.

Luciano             Mas também tem razão agora, depois dos últimos acontecimentos aí.

Ricardo             Aí o camarada queria sair da lista e a Forbes tem uma política que se descobriu, a Forbes só não coloca chefes de estado e as famílias reais, porque são chefes de estado, principalmente do Oriente Médio, que não dá para saber até, enfim, então ele queria sair, daí eu expliquei que não dava, então tem muitos causos disso.

Luciano             Você estava morando aonde nessa época?

Ricardo             Então essa é uma pergunta muito maluca, porque eu tinha um amigo argentino que vem de uma família… ele tem muitos meios materiais e daí um dia ele falou pô, vem aqui morar comigo, falei cara…

Luciano             Aonde?

Ricardo             Lá em Nova York, no Manhattan, falei cara, nem quero sabe quanto que você paga de aluguel porque eu não vou ter como te pagar nem 10%, ele falou não, o apartamento é da minha família, eu moro aqui e era na Trump Tower, só que na época Trump Tower não era o que é hoje, Luciano, não era, eu vi o Trump, não vou falar centenas, mas dezenas de vezes, peguei elevador junto, várias vezes, o cara é um ser humano do mal, o jeito que ele trata o pessoal que trabalha apertando botão para subir elevador, o pessoal que trabalha ali na recepção do prédio, que funciona como se fosse um hotel, é um cara do mal, mas não era o que é hoje, mas era já bem chique, enfim, e daí eu morava lá em Manhattan, morei com esse meu amigo…

Luciano             Na Trump Tower? Meu pai do céu.

Ricardo             … fizemos boas festas lá, não do nível daquele Wall Street, daquele filme maluca, aquilo lá não, nunca fui de usar drogas…

Luciano             Mas também já tinha passado a época, que ano você estava, dois mil e o quê, oito?

Ricardo             É, foi depois da época do “Lobo de Wall Street”, que aliás é um filmaço tarado, meu outro tesão é filme, que filme bem feito.

Luciano             Pois é, mas vamos lá, eu quero chegar lá no teu time de futebol.

Ricardo             Vamos lá, então aí um amigo me liga, me fala estou comprando um time de futebol nos EUA, ah que legal…

Luciano             Quem é? O Flávio…

Ricardo             Não, é outro cara, o Flávio eu entrevistei, ele não chegou a ser bilionário em dólares, eu entrevistei ele algumas vezes, aliás, é um grande vendedor, puta aquele cara vende, ele queria comprar um time em Phoenix, no Arizona e me ligou, você está aí nos EUA, o que você acha? Falei sensacional, futebol nos EUA…

Luciano             Esse cara é um brasileiro? O que ele era?

Ricardo             Brasileiro, eu prefiro privacidade. Ele me ligou e pô, quero comprar um time em Phoenix, no Arizona, o que você acha? Você que está aí nos EUA há tanto tempo, você conhece? Eu falei a tendência é imparável, agora só não sei se vai levar três anos, vinte anos ou trinta anos.

Luciano             O soccer nos EUA.

Ricardo             O soccer está decolando e vai continuar decolando por várias questões que dá para a gente entrar em detalhe aqui…

Luciano             Eu escuto isso há trinta anos, desde que o Pelé foi para o Cosmos a conversa era essa, o Pelé vai para lá para fazer com que o futebol exploda nos EUA, explode, encolhe, sobre, encolhe, sobe, encolhe e aí?

Ricardo             É verdade, Luciano…

Luciano             Só um detalhe, a coisa que aconteceu que eu reparei claramente, fui muito para lá, fiquei uma época lá e a quantidade de meninas jogando bola que eu vi lá, equipe de futebol, de eu estar no hotel e chegar as mães e os pais, toda a criançada para jogar futebol, era soccer…

Ricardo             Aonde você ficou lá, Luciano?

Luciano             … eu fiquei em Ohio…

Ricardo             Nossa, em Ohio, por que? O que você foi fazer em Ohio?

Luciano             … a sede da empresa que eu trabalhava era lá, era lá em Toledo, Ohio e eu fiquei ali, Richmond, morei 30 dias lá em Richmond, ia muito para Toledo, Ohio e era lá que acontecia e…

Ricardo             Então, o youth soccer, o futebol de base, lá é muito diferente do Brasil, eu e meu irmão, a gente ganhava dinheiro com futebol desde os 10, 11 anos, mas pouquinho no começo, 50 reais, 100 reais, 200 reais, mas você ganha, aqui a norma é essa, porque já tem uma competição, lá os pais pagam e pagam muito e o esporte mais praticado por americanos até os 14 anos, é soccer, e menina e meninos jogam, por que soccer? Porque soccer não importa o tamanho, o Ibrahimovic daquele tamanho, o melhor jogador do mundo, o Messi, é um anãozinho todos… e você só precisa de uma bola, não tem custo, vai jogar baseball, que você precisa de proteção, o bastão…

Luciano             Futebol americano então você tem que ser um armário.

Ricardo             …  e basquete você tem que ser gigante para chegar, se não não tem, então o futebol é esporte que é extremamente praticado, o que está acontecendo hoje, que se você olhar os dados, eu vou ser extremamente transparente aqui, você fala meu Deus, o negócio rolou, só que se você comparar, ah então, da onde vem, qual a fonte de faturamento dos clubes de futebol ao redor do mundo? São o que antes era chamado de direitos de TV, hoje é chamado de direitos de transmissão, porque Google, Amazon, Facebook, Twitter, já estão entrando nessa guerra, então a fatia vem de lá, e por que a fatia vem de lá? Porque tem muita gente assistindo e muita gente assistindo gera publicidade e é assim que roda a roda.

Luciano             Aí o Neymar ganha 100 bilhões de euros.

Ricardo             E com justiça, com merecimento, tem gente que acha não, ele merece, porque o clube, enfim, nos EUA não tem audiência ainda de futebol na TV, não tem, compara, um jogo do campeonato inglês nos EUA, que passa sábado de manhã, domingo de manhã nos EUA, tem maior audiência que a liga nacional, então tem gente no estádio? Tem, mas quando você vê o número que é publicado de pessoas no estádio, os americanos muitos dos clubes mentem, porque precisam justificar patrocinador e porque a norma de como funciona, todo mundo sabe que eles mentem, então quando falam desse boom, se você for mesmo a fundo, a Forbes faz uma lista dos clubes de soccer dos EUA, quanto valem os clubes e tem lá quantos clubes são lucrativos e quantos não são, eu não sei com precisão, porque os donos bilionários na minha concepção, muitos dos donos dos times de soccer, são donos de time de futebol americano. Enfim, o futebol vai demorar muito ainda.

Luciano             Bom, aí você deu uma consultoria para o teu amigo comprar o time?

Ricardo             Daí eu falei futebol vai crescer, só que me conta de Phoenix, ele falou nunca fui para Phoenix, você é louco, vai comprar um time numa cidade que você nunca foi, um time é muito mais que compra e venda de jogador, construção de estádio, um time tem uma função essencial na cidade que faz parte do tecido social, é quando não tem mais sotaque, não tem mais diferença de classe social, as pessoas se misturam, as pessoas de diferentes grupinhos se encontram e se a cidade não comprar teu time, o que é um time sem fã? Não existe, então você tem que entender essa cidade, ele me contratou como consultor e eu fui lá, fiquei três meses, ou quatro em Phoenix, no Arizona, aquele deserto e aí a minha recomendação para ele, para o grupo, foi não coloca o time aqui, por quê? É um deserto, é um calor, os jogos teriam que ser muito tarde, jogo muito tarde na costa oeste ninguém vai assistir, então se você está fazendo um projeto de longo prazo, você depende do dinheiro de transmissão, hoje não tem, mas amanhã, se o negócio for dar certo, e daí como é que o cara vai assistir? Enfim, e a temporada lá é de abril a novembro, e não vai mudar o calendário porque tem time em Phoenix, então passa no meio do verãozão, que é tempestade de areia, enfim, minha recomendação foi para não fazer por esses principais motivos, mas para fazer um time em Fort Lauderdale, do ladinho de Miami, no sul da Flórida e aí esses camaradas que iam fazer lá, não toparam, falei que maravilha, estou desempregado, ai montei um plano, achei uns investidores, toparam, aí dois investidores entraram a princípio, depois entraram outros e daí…

Luciano             Em Fort Lauderdale?

Ricardo             … é… e daí o Ronaldo fenômeno entrou como sócio do time, foi meu sócio no time, a gente contratou lá o Léo Moura, que hoje joga com meu irmão no Grêmio.

Luciano             O time está lá?

Ricardo             O time ficou lá, daí eu saí de lá e daí o time iam vender, não sei o que aconteceu, eu não sei na verdade, o time não jogou essa última temporada, fez um hiato e agora não sei se o time vai voltar, se não vai, eu não sei como é que ficou. Mas eu saí de lá.

Luciano             E aí, vamos lá no outro time.

Ricardo             E aí eu sai e fui um dos fundadores do São Francisco Deltas, São Francisco, Vale do Silício, capital mundial da inovação. Das dez maiores empresas do mundo, sete são de tecnologia, cinco nasceram no Vale do Silício, só que São Francisco não tinha um time de futebol profissional, eu tenho um amigo lá, é o Mac, que saiu recentemente na Forbes, um puta cargo legal na BuzzFeed, eu fiquei na casa dele uma semana em São Francisco uma vez, ele morava do lado do estádio chamado Kiszely Stadium, na entrada do Golden Gate Park, que é um parque maior que o Central Park, e eu passava, que  eu gostava de fazer as coisas a pé, eu passava naquele estádio, estádio que só cabe dez mil pessoas, perfeito para começar um time, falei pô, tem que ter um time aqui e montei um plano, achei um dos bilionários que até a família está na lista, ricaço, que topou, falou vamos fazer, com uma condição, tem um cara local, que esse cara aqui tem que ser o CEO, porque eu já investi numa empresa dele anterior, ele é muito bom, ele conhece todo mundo e não dá para você ir lá e tocar o time sem ninguém de lá, falei meu, se essa é a condição para você por o time em São Francisco, que eu inventei na minha cabeça aqui, sei lá quem é esse Brian, mas porra, ele vai topar, tenho certeza. Daí peguei o Brian, fiz um road show, levei ele para conhecer os presidentes dos outros times, Nova York, Jacksonville, Tampa, Indianapolis e ele acabou topando, porque no começo pensa, pô quem não vai querer ser o CEO de um time em São Francisco? Mas esse cara, eu não sei também se era estratégia de negociação, ele foi meio complicado no começo para ele topar.

Luciano             Então nasceu um time? Aliás, acabei de ganhar um cachecol do time, muito obrigado. E aí? Como é que é?

Ricardo             Aí como é que faz um time? Como é que nasce um time do zero? Aí a gente nasceu com uma coisa que eu vou levar para a vida inteira que eu já fazia isso sempre, que foi vamos fazer esse time com os fãs e não para os fãs, porque tem investidor de Apple, Google, Facebook, PayPall, Yahoo, outros ricaços brasileiros estão lá no site, quem for curioso disso, saber quem são os donos, só que se não tiver fã, não tem time, então quem tem que ser os verdadeiros donos do time são os fãs, então a gente fez um monte de coisa, a gente fazia happy hour no escritório, a galera ia lá e não tinha jogador, era os executivos do time, vamos conversar, vamos ouvir, duas orelhas e uma boca, aí antes de a gente anunciar um técnico, um jogador, mais de mil season tickets, os tais ingressos de temporada, mais de mil reservas já tinham sido compradas, então…

Luciano             Quando foi isso?

Ricardo             … isso foi, o time agora está jogando a primeira temporada, terminou o spring em segundo, eu comecei esse projeto faz mais de dois anos, que demora, demorou uns dezoito meses para ter o ponta pé inicial foi uns dezoito meses de quando o cara comprou o time.

Luciano             E lá nos EUA não é a coisa do vamos ver se dá e se não der a gente faz de novo, ou não é a coisa de vou fazer só para lavar dinheiro, não é aquelas invenções, a gente já viu várias invenções dessa acontecendo aqui, maluco resolve fazer um time, faz e não dá em nada, lá é business, lá você tem um business plan, você deve ter metas para cumprir, o time deve ter que entregar alguma coisa não a longo prazo e como é que é isso? Isso é uma gestão profissional do time.

Ricardo             Nosso time é uma startup de futebol. Foi assim que foi criado, foi em São Francisco, então a diferença para clube do Brasil, que você está comentando, Luciano, é o seguinte: aqui no Brasil os grandes clubes faturam mais de 200, 300 milhões de reais, fosse uma empresa ia ser um unicórnio, unicórnio são as empresas que valem mais de um bilhão e são privadas. Só que você vai conversar com o cara que toca, o presidente, os altos executivos, o cara não sabe falar, pô que executivo de mercado de uma empresa que fatura mais de 200, 300 milhões de reais que não sabe falar? Não existe. Então é muito análogo à política, você vai conversar com os políticos… e daí também o interesse do político enchendo o bolso e o país…. foi dirigente do clube, de muitos clubes enchendo o bolso e o clube… por isso eu tem essas dívidas malucas, nos EUA em contrapartida, cada time tem um dono, então se tiver dívida, o dono vai ter que tirar do bolso, então por isso que tem que ter um plano de negócio, por isso que não dá para ter roubalheira, você vai roubar o dono? O dono está lá, só que nos clubes do Brasil é como a política, o Brasil não tem dono, é uma democracia, então os clubes de futebol são parecidos, eles roubam porque não tem… é uma sacanagem, eu tentei fazer negócio, eu tentei, eu amo o Brasil e amo futebol, eu tentei fazer, você fala, se tiver criança tira de perto que você já sabe, eu não tenho prova contra ninguém, não quero aqui lançar uma operação 7×1, eu não vejo a hora de começar, eu acho que a Lava Jato vai acabar casando…

Luciano             Aliás, essa é uma coisa interessante, muita gente apostou que aquele… eu até escrevi um texto agradecendo a Alemanha por ter enfiado 7×1 no Brasil daquele jeito que foi porque eu não consigo imaginar maior tragédia do que tomar 7×1 caminhando para a final da copa do mundo em casa, com tudo preparado em casa, não tem…

Ricardo             Eu estava lá.

Luciano             … não tem tragédia maior que essa e eu imaginei o seguinte, diante dessa tragédia, as coisas vão ter que mudar, era o momento que precisava para arrebentar tudo, cair máscara tudo e muda tudo e não mudou. Não mudou. Caiu máscara? Caiu máscara, mas não mudou, os caras que caíram, caíram por outro caminho a FIFA, mas aqui no Brasil mesmo, estruturalmente não mudou e a gente começa a ver o seguinte, que tamanho tem que ser  a tragédia para realmente acontecer uma mudança para valer, então tem que morrer uma geração inteira dos técnicos antigos, desses dirigentes antigos para começar a pintar,  por exemplo, o Corinthians tem um técnico aí que eu não sei o nome do cara, não sei de onde veio, não tenho a menor ideia de quem é…

Ricardo             Recentemente?

Luciano             … é agora, o técnico do Corinthians e termina …

Ricardo             O técnico atual?

Luciano             … é, e termina a primeira fase com o time invicto jogando direito e sem nenhuma estrela, você não olha para o time e fala pô….

Ricardo             Jogador não é o melhor, mas equipe, de longe.

Luciano             … e aí puta será que…? E aí tem o Tite, olha o Tite, opa, olha o Tite, olha aí, então de repente começa a pintar uns carinhas novos aí que talvez seja o que está faltando, tem que limpar aquela velharada toda e botar um povo novo aí, que é a receita para a política é igual.

Ricardo             Então, mas eu não sei como, o que eu vejo nos EUA, que eu estou preocupado com o Brasil, esse vácuo político, que nos EUA, que aconteceu, não sei quanto o pessoal do Brasil compra não, mas tem o fenômeno do Bernie Sanders, que é um cara que ele é comunista, ele foi passar a lua de mel, sei lá, na década de 30, 40 na União Soviética, ele é um malucão, de esquerda, só que teve muito apoio popular e daí o partido Democrata sabotou ele e colocou a Hilary e daí Trump, talvez com a ajuda dos russos ou não, bateu muito nessa tecla e Trump acabou ganhando e o país agora está “ultramente” dividido, mas um negócio assustador, eu tenho família, minha esposa é americana de Los Angeles e ela tem família de Missouri e a família votou no Trump e é um tema tabu que eu nunca vi na minha vida, reunião familiar, todo mundo se ama, uma coisa até meio brasileira…

Luciano             Só não fala de política.

Ricardo             … não pode falar, eles já me falam, que eles sabem que eu gosto de improvisar, brasileiro, não fala de política se não a família… é coisa de cortar os laços.

Luciano             Eu não vou entrar no assunto se não vou soltar os cachorros aqui agora e deixa pra lá depois, vamos lá. Você está…

Ricardo             Mas no futebol tem que ter uma revolução, o futebol brasileiro tem que ter…

Luciano             É business, ou bota essa merda e quebra, ou faz quebrar, entendeu? Quebra e fecha esta merda, se continuar como está aqui, nada quebra.

Ricardo             Platão dizia, se tem um problema e você vê o problema e você não faz nada para mudar esse problema, você é parte do problema. Então todo mundo no Brasil acho que sabe, é igual político, todo mundo sabe que houve uma roubalheira, ninguém fazia nada, veio Moro, Lava Jato, está pegando, no futebol vai ter uma operação 7×1, talvez que poderia fazer os fãs pararem de aparecer, se não vai fã nenhum…

Luciano             Não vão parar, aí vira essa bagunça toda, eu não vou a estádio mais, vou lá para apanhar…

Ricardo             … média de público do campeonato brasileiro ridícula, ao redor de 15 mil pessoas…

Luciano             … tem que quebrar, tem que fechar um time, tem que pegar um time desses e falar foi decretada a falência do time X e ele quebrou e ninguém ajuda o time, entendeu? No Brasil ninguém quebra, se vai arrebentar, não espera, dá um jeitinho, ajuda aqui, põe lá…

Ricardo             Esses clubes devem centenas de milhões, vários deles.

Luciano             … tem que quebrar isso aí tudo para poder mudar.

Ricardo             Mais de 100 milhões de reais, vários clubes devem.

Luciano             Me fala uma coisa, você está aqui no Brasil, você veio aqui e deu uma palestra ontem no TED, é o TEDx? Aqui foi o TEDx?

Ricardo             Foi assim, então é por causa do livro e de tudo mais eu já dei mais de cem palestras, fui convidado para empresa e me chamaram para dar essa palestra na arena do Palmeiras e eu cheguei lá, 10 mil pessoas e foi uma loucura, geralmente as palestras são ao redor de uma hora, essa daí, por ser TED, é muito difícil, foi só 15 minutos e daí no final desses 15 minutos eu falei para a galera, galera a vida tem muitos altos e baixos, você vai tomar seu 7×1 e vão ser pessoas que vão pegar teu braço e falar, Luciano, você enfiou 2×0 na Alemanha, só você tem cinco copas do mundo, vamos lá e tudo o que eu conquistei na vida foram pessoas que me ajudaram, então eu falei para a galera olhar para os lados e abraçar lateralmente, quem tivesse do lado, que representava as pessoas que eles iam ajudar a atingir os objetivos e quem ia ajudar a atingir os objetivos, mostrei o segundo gol do Ronaldo fenômeno e 10 mil pessoas levantaram, pularam, foi uma festa.

Luciano             O pessoal gritando gol do Brasil.

Ricardo             Comemorando, porque eu fico possesso viu, Luciano, possesso quando eu encontro brasileiros lá fora que… já ouvi tantas vezes merda do tipo: desculpa que eu falei merda…. de ouvir tantas vezes asneira do tipo: eu nasci no país errado, ou nosso Brasil falando muito mal do Brasil, eu falo você está aqui, teus pais pagando tudo, seus antepassados chegaram no Brasil com uma mão na frente a outra atrás, aquela terra deu tudo, tem muito para melhorar? Tem, mas bora melhorar aquele mundão.

Luciano             Tem que ter uma mudança de mindset aqui, um dos textos que eu escrevi nessa semana que eu estou botando no canal, no Café Brasil curto, eu começo o texto lembrando que há pouco tempo saiu resultado de uma pesquisa sobre racismo no Brasil, onde a pergunta é a seguinte: o Brasil é um país racista? Dava lá 97% de sim e aí vinha a segunda pergunta, você é racista? Dava 97% de não. Qual é o problema do Brasil? O problema do Brasil são os outros, eu sou bom, eu sou legal, eu sou honesto, mas os outros não são. Vamos lá para o caminho chegando aqui nos finalmentes. Qual é o projeto agora? É botar o time para funcionar, virar um bilionário americano? O que vem pela frente? Qual é a ideia?

Ricardo             O que me motiva nunca foi o dinheiro, não tenho essa… nunca foi, nunca é, eu acho que o dinheiro ele vem, você tem que estar focado, se você focar muito na grana ela não vem e dinheiro é meio, então eu acredito que é empreendedorismo e educação que vai mudar nosso Brasil e nosso mundo, então o futebol, eu passei um tempo muito, quatro anos ou mais, da minha vida que eu dediquei full time a isso, o nosso time lá tem umas métricas muito boas, tem outras não muito boas, mas uma coisa muito legal que foi o engajamento que a gente gerou nos fãs, mas eu não sei se eu me vejo no mundo do futebol por dezenas…

Luciano             Com uma expectativa para o resto da vida.

Ricardo             … o mais que eu… eu fui lá, um amigo que trabalha no Real Madri me deu ingresso para assistir a final do Champions League recentemente, Real Madrid e Juventus em País de Gales e aí conversando com o camarada, o Real Madri é a Apple do futebol, Real Madrid é maior que Tabas Cowboys, que New York Yankees, é um dos suprassumos e mesmo lá tem sacanagem e daí foi um choque muito grande, aqui no Brasil conheci gente de todos os clubes, não todos, não todas  as  pessoas que trabalham, não, mas eu falei pô, fazer parte de um ecossistema tão sujo não é para mim e nos EUA está muito insipiente ainda, eu não tenho condições hoje de ser dono de um time porque eu não tenho capital, então eu achei um jeito de ser dono, mas não dá, então eu acho que eu vou fazer minha saída do futebol em breve e o futuro vai ser, vamos ver o que vem pela frente, estou muito empolgado.

Luciano             Boa sorte lá.

Ricardo             Obrigado, Luciano.

Luciano             Você casou com uma americana, então você já está com o teu green card, quando você casa com uma americana vem o green card? O que é que vem?

Ricardo             Eu vou virar cidadão agora, no final do ano, cidadão americano, daí eu vou ser tão americano quanto qualquer Joe…

Luciano             Para poder votar no Trump?

Ricardo             E a minha esposa é o cérebro da família, ela estudou em Stanford, ela é engenheira química, daí quando se formou foi trabalhar na Bork, que é uma competidora da Pfizer, inventou uma droga que ao invés de tomar três injeções por dia de diabetes, toma uma pílula por semana, só sete pessoas tem a patente, ela é uma delas e daí conheceu um brasileiro maluco, saiu da Bork e hoje ela trabalha, o pai dela é um médico lá em Los Angeles, está mudando a medicina nos EUA, ele tem um modelo de gestão, antes de ser médico, ele tinha uns aviões, isso na década de 70, 80, ele dava aula para piloto, ele tinha que cuidar dos aviões, porque se der algum problema morre e perde um ativo precioso e cuidar dos aviões, porque nos EUA, para fazer medicina, primeiro você tem que ter um curso de bacharelado terminado, não é com 18 anos você entra na faculdade de medicina, não, primeiro você tem que ter um bacharel e o bacharel dele foi engenheiro, ele só foi entrar em medicina depois dos 29 anos, eu acho, quando ele chegou em médico, ele falou ué, o que é isso? Chegou um paciente, três médicos diferentes vão cuidar do paciente de maneira completamente diferente, até hoje ele fala que a principal causa de morte no mundo, com certeza é erro médico…

Luciano             … que padronizar, cria protocolos e tudo mais.

Ricardo             … e ele é médico, no hospital lá, então ele está escrevendo, então ele contratou a filha dele, minha esposa, para escrever um artigo científico sobre esse método dele, que ela está fazendo isso agora já faz mais de um ano e meio que ela está debruçada, sabe como é que esses artigos científicos.. ela não é tão prolixa quanto você que consegue altíssima qualidade em tão pouco tempo, então acho que vai vir coisas bacanas aí para eles e eu vou estar lá batendo palma, apoiando.

Luciano             Quem quiser te achar, vamos lá, primeiro você tem um livro chamado “Bilionários”…

Ricardo             O que eles têm em comum além dos nove zeros antes da vírgula.

Luciano             Onde mais te encontra?

Ricardo             Redes sociais…

Luciano             Como é que eu boto lá? Boto o que na rede social?

Ricardo             … putz, isso daí você vai me dar porrada, Luciano, mas é Ricardo Geromel e depois que eu casei,  eu mudei o nome porque geralmente no Brasil a mulher…

Luciano             Põe o nome do marido.

Ricardo             … o sobrenome dela vira nome do meio e põe o nome do marido daí o filho já não tem o nome da mulher, mas os homens e as mulheres são iguais, por que tem isso? Eu não sei direito porquê, mas a gente falou nós somos iguais, não somos? Então nós mesclamos nossos nomes, então eu fiz muita coisa antes de casar que está aí, que nem meu livro, eu era Ricardo Geromel, hoje legal, eu sou Ricardo Stanford Geromel, então procura ou Ricardo Geromel ou Ricardo Stanford Geromel em todas as redes sociais e não hesita, muita gente me ajudou, tudo o que eu conquistei teve gente que me ajudou, então se eu puder ajudar de qualquer maneira, eu não estou só falando da boca para fora, entra em contato que vai ser um prazer.

Luciano             Maravilha. Legal, obrigado pela visita…

Ricardo             Pô, obrigado você.

Luciano             … você dá até medo falar porque tem uns históricos de coisa aqui no Brasil acontecendo aí de neguinho vir aqui com um currículo espetacular, quando você vai ver não era bem assim…

Ricardo             Já ouvi falar.

Luciano             … pois é, não é bem assim, a gente fica realmente preocupado, então por isso que eu fico cutucando, deixa eu ver as raízes, deixa eu ver as citações…

Ricardo             Não, cutuca à vontade, eu acho que é teu papel, acho isso muito importante porque tem…

Luciano             … não e então cria-se uma cultura dessa de que o teu vizinho não pode ser tão bom assim, quem? Ah o Zezinho ganhou isso aqui? O vizinho da gente nunca pode ser, então quando vem um brasileiro e fala estou arrebentando, pintando, bordando, estou aí, falo cinco idiomas, viajo para lá, vou para cá, é difícil, não pode ser que um brasileiro está fazendo isso.

Ricardo             Ontem, quando eu terminei a palestra, veio um carinha, um grupo de jovens e o moleque veio falar comigo ele estava rouco e os outros ficaram sacaneando, ah ele ficou rouco porque ele ficou gritando gol; veio uma menina e falou nossa, eu fiquei muito empolgada, eu não te conheço, você é um desses empreendedores de palco? A organizadora do evento estava do lado, eu não sabia o que era esse termo, empreendedor de palco, daí ela falou quem eu era e eu não entendi, daí ela falou, Ricardo, no Brasil tem falcatrua de um cara que sobe, inventa um currículo, fala que ele é… mas…

Luciano             Ele conta uma história, diz que se tem tanto bilionário você também pode ser, dê a mão para o outro e vamos cantar juntos.

Ricardo             A minha chefe, para quem estiver curiosidade ou for mais investigativo, que eu acho que é uma coisa importante, que a sociedade precisa, um problema muito grande é: os grandes veículos de mídia estão morrendo porque eles não estão sabendo se adaptar, não é só no Brasil é no mundo inteiro, e com isso grandes mentes que iriam para o jornalismo fazer um jornalismo investigativo, vão para outros ramos e a gente precisa disso, então se alguém quiser testar comigo, está lá, meu chefe na Noball, Marcos Simantobi, If Pasch, que é o cara lá que eu contei do Schumaker, minha chefe na Forbes, ela cobre os bilionários há mais de 15, 20 anos, Karin Dollan e Luisa Croudy, em Nova York, a Karin fica na costa leste, são minhas amigas até hoje, aliás até hoje eu faço, por hobby, eu continuo cobrindo os bilionários, porque quando eu saí, bom, eu não… quando eu saí eles precisaram que eu continuasse e daí eu continuei e eu faço isso on the side, continuo fazendo, então nesse último ano teve 43, eu fiz 38, a Karin fez os outros 5, então é um prazer e uma honra poder estar aqui.

Luciano             Obrigado pela visita, dá um abraço à sua mãe.

Ricardo             Eu vim, Luciano, não foi nem por ego, para contar a minha história, eu vim porque eu queria te conhecer.

Luciano             Um abraço.

Ricardo             Uma honra estar aqui.

 

                                                                                   Transcrição: Mari Camargo.