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Ciça Camargo -

Luciano             Muito bem, mais um LíderCast, já tá virando hábito aqui, eu comentar como é que as pessoas que vêm até aqui chegam até nós. Esse caso aqui foi interessante porque acho que foi a primeira vez que isso aconteceu. Eu recebi um e-mail da assessoria de imprensa, acho que é assessoria de imprensa ou área de comunicação da empresa, contanto alguma coisa, achei interessante e tentei trazer aqui a sócia para conversar a respeito e gente marcou e depois de marcar tudo eu fui descobrir que ela vive na Europa, mora não sei aonde na Europa e que não poderia vir, eu não faço uma coisa importante aqui, a gente está sempre ao vivo, a gente não faz LíderCast por Skype, nada disso e aí ela falou mas minha sócia esta no Brasil, falei então vamos conversar com a sua sócia, então hoje aconteceu a partir do estímulo recebido pela assessoria de imprensa da empresa. Três perguntas fundamentais, preste muita atenção para não errar, se você não quiser responder a pergunta do meio, não precisa, mas eu preciso saber seu nome, sua idade e o que é que você faz?

Viviane              Meu nome é Viviane Pereira Sedola, eu tenho 33 anos e eu sou relações públicas de formação, sou cofundadora da Kickante e vice- presidente de desenvolvimento de negócios da empresa.

Luciano             Kickante, a gente vai chegar nela ai. Você nasceu aonde?

Viviane              Eu nasci em São Paulo, sou paulistana da Av. Paulista.

Luciano             Ô “loco”.

Viviane              Nasci no Hspital Santa Catarina.

Luciano             Na Av. Paulista. Seus pais também são de São Paulo?

Viviane              Meus pais são de São Paulo.

Luciano             O que seu pai fazia ou faz, o que sua mãe fazia ou faz?

Viviane              Bom, meu pai nasceu aqui, mas os pais dele são imigrantes italianos, então ele aprendeu italiano antes de aprender português, é um italiano nascido no Brasil, então não miscigenado, que é super raro e ele trabalhou em banco a vida inteira, desde antes de eu nascer e eu olhava pra ele e falava eu vou trabalhar em banco quando eu crescer, então modelei o meu pai, modelo masculino forte assim, isso marcou bem para mim. E a minha mãe é arquiteta, artista plástica, antes de ser arquiteta, se formou arquiteta já enfim, quando os filhos estavam um pouco maiores e exerce a profissão.

Luciano             Hoje em dia você imaginar que uma criança olhar o pai trabalhando no banco e a mãe arquiteta, eu falava o que eu quero ser é arquiteto e artista plástico, hoje em dia seria assim e você fez ao contrário.

Viviane              Pois é, é que meu tempo já passou será?

Luciano             Talvez, a gente fica velho rápido, 33 você já é…

Viviane              E esses 33 são verdade, não minto ainda a idade.

Luciano             Pois é, mas me conta uma coisa, você nasceu em São Paulo, cresceu a vida inteira aqui em São Paulo, nunca saiu daqui, é raro também pegar gente assim, a maioria muda para algum lugar.

Viviane              Eu saí na verdade, com 11 anos meu pai foi transferido para a Colômbia, a gente morou por um ano e meio lá, foi bem legal, morei dos 11 aos 13 lá, foi super rico.

Luciano             Que época era isso?

Viviane              Pós Pablo Escobar… Pablo Escobar já tinha sido morto…

Luciano             Isso há 22 anos.

Viviane              96 eu voltei de lá, acho que foi 95, 96 que eu morei lá.

Luciano             E ele já tinha morrido?

Viviane              Já tinha morrido. Só que era uma coisa meio recente, então assim, a gente morou em Bogotá e você não podia pegar um carro e viajar, atravessar para outra cidade, tinha, meu pai sempre trabalhando em banco e lá no banco a gente tinha um general, um militar…

Luciano             Que banco era?

Viviane              Era o City.

Luciano             Meu Deus, um executivo do City, estrangeiro, trabalhando na Colômbia, eu consigo entender o que é isso porque eu tenho um cunhado que trabalhava na Shell e na época surgiu para ele a oportunidade de sair do país, também convidado para ir para a Colômbia, morar em Medelín e aí a hora que trouxeram para ele que ele foi entender o que acontecia lá, ele falou um executivo de uma multinacional morando em Medelín, não dá, é impossível. Hoje em dia mudou completamente, tem um monte de ouvintes nossos que são colombianos, o pessoal escreve aqui, eu estou louco pra ir para lá porque diz que mudou bastante, está maravilhoso aquilo.

Viviane              Ficou maravilhoso, estive lá há 10 anos a última vez, mais até, já faz bastante tempo, mas era uma época assim, como eu tinha 11 anos, 12, não é que meus pais me contaram a história inteira, na verdade eu não fazia ideia do que acontecia lá, eu fui ter internet pela primeira vez lá, então a gente não tinha esse acesso à informação que tem hoje, eu não sabia quiçá quem era Pablo Escobar, à época, então a gente foi, eles não contaram essa história, dentro da cidade eu me sentia extremamente segura, muito, diferente de São Paulo que era uma época que ah, roubou um relógio na rua, a criançada saía com um tênis mais legal e voltava descalça para a casa, isso acontecia nessa época em São Paulo eu lembro bem e lá não, lá era bem tranquilo, então eu me sentia muito segura dentro da cidade e a gente tinha essa pessoa que a gente consultava, então a gente queria fazer tal viagem, a gente quer ir até Villa de Leyva, que era um lugar próximo, pode ir tranquilo, você pode ir até lá de carro. Ah a gente quer ir para tal lugar. Não, nesse lugar só de avião ou não vai. Então foi tranquilo, foi uma fase muito legal assim de interação família, eu tenho um irmão também, um ano e meio mais velho, então foi assim, foi um período bem rico para a gente…

Luciano             Quanto tempo você ficou lá?

Viviane              …  um ano e meio.

Luciano             Ah, pouquinha coisa então, foi criança e voltou criança.

Viviane              É, a gente foi para ficar três anos, mas no meio do caminho meu pai teve outra proposta e voltou para o Brasil, voltamos todos, portanto e nessa volta já percebi, enfim, que não era mais a mesma, as amigas de antes já não fluíam como era, como tinha sido um dia e sempre nutri essa vontade de morar fora de novo. Queria e com 16 anos eu fui fazer um intercâmbio, fui para a Nova Zelândia e eu esperava que fosse essa coisa, como foi com a minha família inteira na Colômbia, mas eu sofri feito uma doida, eu acho que era muito nova para fazer isso e eu bati o pé, que eu vou, quero ir, fiz 17 anos lá e bom, é muito longe, mas acho que essa não era nem a questão, eu enfim, estranhei a coisa toda, não tinha esse aconchego familiar, então sofri muito, portanto cresci muito também.

Luciano             Quanto tempo você ficou lá?

Viviane              Eu fiquei só seis meses. Mas fiz uma bagunça lá, foi bom, valeu a pena. Boas memórias.

Luciano             Volta diferente, você volta mudada de lá, são raros casos de gente que vai e você fala, o que aconteceu lá? Nada, só curti. Não, esse lance de você estar sozinha e tomar decisões por tua conta, sem ter papai, mamãe atrás…

Viviano              Tem que se virar…

Luciano             … faz toda a diferença.

Viviani               … e lá que eu tive o meu primeiro celular, então na Colômbia eu me conectei à internet, pela primeira vez na vida e na Nova Zelândia eu comprei o meu primeiro celular que já  tinha SMS, já era uma coisa meio tecnológica, até eu então eu relutava, falava imagina celular, isso é bobagem.

Luciano             O que é que você queria ser quando crescesse, criancinha você queria ser igual seu pai no banco, aos 16…

Viviani               Mais ou menos, criancinha eu olhava meu pai e falava ah eu vou trabalhar que eu isso, que eu aquilo, mas o que eu queria mesmo era ser piloto de fórmula 1, quando eu pequenininha, vamos culpar o Ayrton Senna por isso.

Luciano             Você não é a única não. Depois. Aos 16, aí você volta ao Brasil.

Viviani               Aos 16 eu acho que eu não pensava nisso, eu sabia que eu ia trabalhar muito, trabalhar e estudar, voltei para o Brasil, terminei a escola, olhei em volta falei…

Luciano             O que é que você fez? Que escola? Escola de quê?

Viviani               Terminei a escola normal, ensino médio, que é o colegial. Terminei, olhei em volta e falei tá, o que eu quero fazer pelo resto da minha vida, não sei. Mas o que eu gosto hoje? De festa, lógico, 17, 18 anos, que eu gosto? De sair. Quem faz festa estuda o quê? Não sei. Ai tem um curso de eventos na Anhembi Morumbi, fui fazer um curso de organização e gestão de eventos, de dois anos, foi legal porque me abriu para outras profissões. Ali que eu descobri o que era relações públicas, que eu vi o que eu ia fazer depois. Aí me apaixonei pela história toda, por comunicação, uma época achei que eu faria jornalismo, mas a RP era mais a minha cara mesmo, foi legal então ter esse interlúdio aí desse curso, conheci um monte de gente, amigos que são com quem eu convivo até hoje, bastante e conheci quem viria a ser o meu marido, mas ainda não. Fui fazer relações públicas, então comecei a fazer RP, eliminei um monte de matérias porque já tinha feito essa…

Luciano             Isso que eu ia te perguntar, então não foram dois mais três, ou dois mais quatro, foram…

Viviani               Foram dois mais quatro, só que esses quatro foram mais suaves, porque o primeiro ano eu ia uma ou duas vezes por semana na escola, na faculdade, aí fui para a FAAP, fazer relações públicas lá e aí comecei a fazer a faculdade, que ano que eu estava? Eu estava indo para o TCC e comecei a namorar esse que até então era o meu amigo, que eu conheci na primeira faculdade, engravidei, e ele morando em Santos, ele é de lá, eu falei poxa, eu vou terminar essa faculdade, como é que eu vou…? Não, vou fazer tudo, vou fazer, vou acontecer, faltando um mês para o meu filho  nascer eu falei quer saber? Eu vou parar tudo, vou suspender e vou ser mãe por um ano. Então tranquei a faculdade, mudei, na verdade não foi tão assim, tem uma historinha no meio de tudo, falei bom vou mudar para Santos então. E nessas de mudar para Santos, fecha mudança, enfim, caixa,  compra apartamento,  define onde vai morar, reforma…

Luciano             Espera aí, muda antes ou depois do filho?

Viviani               … então antes, estou grávida, querendo fazer faculdade, mudar de cidade, fazer tudo ao  mesmo tempo agora, eu me achava muito adulta, eu tinha 22 quando eu engravidei, 23 quando ele nasceu e ainda me acho adulta, até hoje, é engraçado isso, que eu fico pensando, gente, daqui a dez anos acho que eu vou olhar para trás e falar nossa Viviane, que é que você estava pensando. Bom, então no dia que eu estava fechando a minha mudança, faltavam dez dias para a data previsão de nascimento do meu filho, esvaziei gaveta e minha mãe estava de mudança também, então ninguém pode me ajudar, não tive muito apoio da família nesse momento e levantava, subia, agachava, mexia caixa, revisava coisa, à noite eu não conseguia dormir tendo contração e liguei para a médica de manhã e falei olha, não estou legal. Ela falou vem me ver. Cheguei no hospital ela falou você pode se internar aqui? Falei posso. Porque seu filho vai nascer, você já está com dilatação, sua doida, você induziu seu parto. Falei nossa. Ela falou como é que você vai fazer a mudança faltando dez dias? Falei, eu não fazia ideia do que era uma gravidez, um parto. Bom, consegui ter parto normal, que era uma coisa que eu queria muito, só que não fui aquela mãe de bolsinha para a maternidade, as roupas do meu filho não estavam nem lavadas, estavam dentro de caixa, então quando, então quando eu tive essa notícia você vai parir hoje, eu liguei mãe, seguinte, eu acho que na caixa tal tem roupa do bebê, pega, lava, seca e traz, porque ele está nascendo, foi uma aventura e aí dez dias depois, porque dez dias em São Paulo até ter toas as aprovações médicas e tal e aí sim, fui para Santos finalmente.

Luciano             Então deixa eu voltar atrás ali e eu quero cutucar você um pouquinho. Você está lá fazendo a tua… estudando aquilo que você achou que você ia fazer, fica grávida e chega num determinado momento que você vai ter que tomar uma decisão, não vou terminar a faculdade, vou parar e vou suspender essa minha vida profissional para me dedicar a ser mãe durante um ano. Como é que é essa tomada de decisão, isso é sozinho ou alguém te ajuda, como é que você abre mão dessa coisa da ambição profissional para ser mãe?

Viviane              As pessoa tentam te ajudar…

Luciano             Só uma coisa, se tivesse 53 anos, eu entenderia, se naquela época você… dá para entender,  era outro mindset, mas com 33…

Viviane              23 eu tinha.

Luciano             Eu digo hoje, com 33 você tomar essa decisão… é pouco tempo atrás, mudou a cabeça de todo mundo, como é que foi?

Viviane              … as pessoas tentam te ajudar, elas te orientam, pai, mãe, mas você absorve aquilo que você quer, eu não, vou fazer tudo até a hora que eu olhei em volta e falei gente, não estou dando conta, eu lembro que o meu pai me deu um conselho, eu fiquei, eu lamentava muito, faltava só o TCC na faculdade, então estava muito perto do fim, eu lembro que eu já tinha o grupo formado de TCC e o meu grupo falou não, a gente faz para você, vai pondo seu nome, quando  der você vem. Eu falei não é meu jeito, eu sou mão na massa, eu gosto de fazer, eu não vou me sentir bem tendo um TCC terceirizado sabe, não é isso, não sou eu e ter um filho também mais ou menos e enquanto eu estou fazendo também não era eu, eu queria me dedicar integralmente, aquilo foi uma ótima decisão, porque depois que ele nasceu, ai que eu fui entender a coisa toda, eu não sabia o que era um parto, menos ainda o que era cuidar de um filho, então não foi uma decisão rápida, eu fui teimosa até o final.

Luciano             Teu marido?

Viviane              Ah ele era novo também, tinha um ano mais velho que eu, ele já meu ex marido, ele é um ano mais velho do que eu apenas, então ele super me apoiava em tudo, a gente teve uma parceria muito legal, ele então não interferia nisso, se eu dissesse eu vou fazer tudo, ele ia falar eu vou te apoiar até o fim. Então nesse sentido foi um cara bem legal, porque se ele tivesse colocado uma pressão de não, você tem que largar, aí pode ser que eu tivesse insistido até o fim para dizer não, espera aí, esse aqui é o meu espaço, ninguém vai interferir, então foi uma decisão minha, bem minha.

Luciano             Deixa eu botar um insight meu aqui, aliás deixa eu… isso aqui não é entrevista, é um bate papo, vou falar isso aqui porque tem nego que não entende, tem cara que vem ouvir isso aqui acostumado a ouvir entrevista, onde o jornalista pergunta e a pessoa responde, aqui não é, isso aqui é bate papo e tem vez que eu falo de montão porque eu vou dar o meu insight também quando você me inspira eu quero dar  um insight aqui. Eu fiz um pouco diferente, eu vim para São Paulo, morei aqui…

Viviane              De onde?

Luciano             … de Bauru, eu conheci minha esposa ela tinha 13 anos, eu tinha 16, eu  vim para São Paulo e …

Viviane              E eu me achando nova.

Luciano             … e eu vim para São Paulo, namorico de interior, ficamos ali 9 anos, depois eu vim para São Paulo, casei, trouxe ela para cá e eu cometi uma idiotice que hoje eu jamais faria, mas naquela época era assim a educação e eu fiz tudo isso para ela não ir trabalhar, porque arrumar um emprego não sei aonde, andar em São Paulo, de ônibus, a gente sem carro, era uma coisa complicada e eu pô… de certa maneira eu manipulei as coisas para que ela não fosse e que ela não mergulhasse no universo profissional e aí quando pinta o primeiro filho, aí acabou, virou mãe, aí mãe é trabalho para a vida inteira e acabou que eu acabei provocando de ela não ter ido e hoje eu me arrependo brutalmente e não tem mais volta, o que passou, passou então o insight que fica aqui, se você casou… hoje mudou muito, não dá para você chegar e um falar para o outro não faça, não tem mais isso, mas naquela época existia essa coisa da pressão, então eu me arrependo hoje profundamente de não ter, naquela época, falado vai, tem que ir e vai quebrar a cara e vai  pegar ônibus e vai se arrebentar do outro lado porque faz parte do crescimento, eu garotão, não tinha  ideia. Eu me arrependo muito disso.

Viviane              Não, eu tenho um insight, me lembro de outra coisa até, bom, em muitas questões a gente ainda vive no “é assim” e por isso a gente segue fazendo, eram quinze coisas na minha mente, mas a minha ordem cronológica, a minha mãe tem sempre morou, a gente está em Moema, não sei se cabe aqui, estamos em Moema, o estúdio fica em Moema em São Paulo, minha mãe cresceu aqui no bairro e ela tinha dois irmãos, ela é filha mais nova, um irmão no meio, uma irmã mais velha e ela conta que o irmão dela saia para brincar na rua e ela tinha que ficar lavando a louça depois do almoço e ela entendeu isso, ela entendeu que isso não era legal para ela. Então, quando ela me teve, eu tenho só um ano e meio de diferença do meu irmão, sou mais nova, ela falou vou criar os dois como se eles fossem iguais, como se eles tivessem a mesma idade e o mesmo sexo e não importa, não vai ter distinção nenhuma, então eu de forma alguma sofri isso que ela passou, eu fui entender o que, ah feminismo e toda essa história agora, agora enfim, nos últimos dez anos, com todo esse movimento feminista que vem acontecendo. Aí eu fui identificando coisas que aconteceram ao longo da vida, mas dentro da minha família, principalmente em relação à minha mãe não houve. Meu pai sim, quando eu fui trabalhar pela primeira vez, eu sempre tive muito claro para mim que eu ia trabalhar e estudar, assim que eu entrei na faculdade fui trabalhar, fui dar aula de inglês e espanhol, porque tinha morado na Colômbia, na Nova Zelândia, enfim, era uma competência que eu tinha, queria trabalhar, foi isso, também aqui em Moema, fui dar aula e quando eu comecei com essa história, aí mudei para um outro trabalho onde eu ia trabalhar mais tempo, meu pai falou fica em casa, eu pago seu salário, nossa, arranjei uma briga de um tamanho e acho que hoje ele teria se arrependido se eu tivesse entrado nessa, assim como você falou. Então eu acho que essa impetuosidade já existia e esse querer fazer, essa ansiedade em acontecer, mas enfim, aí veio meu filho eu falei não, isso aqui é mais importante do que todo o resto, ele não vai ser recém nascido bebezinho, um aninho de novo, então tive a coragem de trancar a faculdade.

Luciano             Essa decisão que você tomou, menina de 23 anos que chega em casa, com um bebê os braços e olha para aquele bebê e fala muito bem, este é o foco, é aqui que eu vou ficar, tranco aquele meu projeto e vou me dedicar a esse aqui, você tomou isso de forma consciente e você se sentiu bem tomando essa decisão e aquilo bastava para você?

Viviane              Tomando a decisão sim, só que bom, primeiro mês de bebê, loucura, aquela coisa toda, mas meu bebê era muito bonzinho, com dois meses ele dormia a noite inteira e também dormia durante o dia e na hora que esse bebê dormia, eu olhava em volta e falava o que eu faço agora? O bebê dormiu, está tudo certo, a que eu dedico meu tempo? Então eu tive momento ocioso que eu acho que eu nunca tinha experimentado até então, foi uma experiência nova, estar fazendo nada e também me redescobrindo, porque eu já não tinha mais 20, eu já tinha 23, eu era uma mulher casada, morava em outra cidade, em Santos,  então eu não sabia nem direito o que vestir, quem sou eu  agora? O que é que eu gosto de fazer? Porque eu gostava de trabalhar e estudar, mas isso se interrompeu e agora? Onde é que eu me encaixo? E esse processo de onde é que eu me encaixo demorou alguns anos para ficar claro e muito do esclarecimento veio da parte profissional, para mim, então acho que essa questão de trabalho sempre pautou bastante a minha vida. Bom, voltei para a faculdade um ano depois, estudando à noite. Então ia dormir, eu estava na faculdade,  foi bem tranquilo, de novo, a parceria com o pai dele era ótima, então ele cuidava, sempre me apoiando, enquanto eu fazia esse TCC, aí virou uma monografia, já não tinha grupo, não tinha entrosamento, enquanto eu fazia esse TCC também abri uma agência de comunicação para tentar oferecer um serviço em Santos, que até então não tinha…

Luciano             Sim, mas então, aí vem a outra pergunta, seu pai trabalhava num banco, seu pai era um assalariado, sua mãe era uma empreendedora, é isso, não é? E você nesse momento teve que olhar e falar muito bem, não estarei trabalhando numa empresa com CLT, com salário, etc. e tal, vou montar meu próprio negócio. Quando foi isso? Dois mil e?

Viviane              Oito.

Luciano             2008 que você montou um negócio em 2008?

Viviane              Que eu montei um negócio.

Luciano             Deixa eu me lembrar 2008, 2008 é o segundo mandato do Lula…

Viviane              Bolha imobiliária nos EUA.

Luciano             2008 foi o ano que acabou tudo em setembro, quando foi que você montou seu negócio?

Viviane              Ah não lembro exatamente o mês,  meu filho nasceu em setembro de 2007, então 2008.. eu acho, provavelmente por aí, segundo semestre de 2008…

Luciano             Quando o mundo acabou.

Viviane              … e uma das coisas que eu estava fazendo, uma das principais  na verdade, era uma agência de comunicação, mas eu captava recursos para projetos incentivados, incentivo fiscal é só lucro real e para você conseguir incentivar você precisa ter lucro, ninguém estava lucrando, então assim, foi o caos, então não foi um momento bom para aquilo que eu estava montando, me virei como eu pude por algum tempo, rendeu algum dinheiro, mas de repente veio aquela bolha do…

Luciano             Subprime nos EUA.

Viviane              … não, não é nem isso, veio aquela onda, não a bolha, vamos corrigir, das compras coletivas, surgiu um Peixe Urbano, de repente surgiu o Groupon e quinhentos outros sites, eu falei gente, alguém vai ter que fazer isso em Santos. Que seja eu, então eu não qualificava assim, não sabia, mas eu era empreendedora e aí fui, pesquisei um,  pesquisei outro, descobri que meu amigo meu trabalhava no Groupon, lancei um outro site, menor, em Santos, como se  fosse a minha filial e comecei a trabalhar aquilo, mas rápido eu consegui entender que não ia ter para todo mundo…

Luciano             Pausa, como assim “lancei um site”, você ligou para o teu primo que fazia site e falou Zé faz para mim, como é que foi?

Viviane              Não, lancei um site que já existia, encontrei um cara que tinha lançado dentre os 500 que tinham sido lançados, conheci um, acertei com ele, a gente fechou um acordo, bom vai ser assim, vai ser assado, claro que ele não cumpriu boa parte do acordo, era uma coisa super informal, falei vou abrir a cidade de Santos, vou trazer ofertas de Santos, a gente põe no ar e o que girar disso eu ganho e enfim, não foi bem assim que funcionou, na hora que a coisa começou a não funcionar muito bem do lado dele, eu já tinha o Groupon me assediando, vem, só que lá no Groupon eu não seria uma empreendedora, eu seria uma funcionária CLT, claro, com comissões e tal porque era justamente a parte de vendas, mas quando eu entendi que esse cara ia furar comigo desse primeiro site menor eu falei eu vou, então entrei no Groupon. Ali eu já estava formada, meu filho já estava um pouco maiorzinho, comecei a trabalhar a baixada santista, em três meses eu fui promovida, comecei assim, vendedora padrão, em três meses eu virei coordenadora, mais uns seis meses virei citimanager, que eles chamavam gerente da cidade e fiquei nessa posição por uns dois anos, foi um trabalho bem legal, então ali eu pude me inserir em Santos, porque eu tinha que fazer esses contatos comerciais, comecei a criar contato com as pessoas, então a cidade deu uma outra conotação para mim, mas eu sentia muita falta da mentalidade paulistana talvez, é diferente.

Luciano             É outro drive, é outra velocidade aqui e depois que você pega a velocidade daqui você não tem jeito, eu costumo brincar, você vem para São Paulo você é obrigado a andar a 180 por hora, não tem como, quando você sai daqui vai para o interior você cai por 80 por hora e está tudo bem, porque todo mundo está andando a 80, não é nenhum demérito nisso, o page deles é assim. Quando você volta para São Paulo você sente a pancada, tem que acelerar de novo, é assim porque é a personalidade da cidade é assim, se você for para Nova York é igual, você vai para uma grande capital é assim.

Viviane              Não é muito salubre.

Luciano             Eu vim para cá com 18 anos, então aqui quer dizer, eu sou muito mais paulistano do que bauruense, minha família está inteira em Bauru, eu volto para Bauru, passo o final de semana lá, depois de oito horas em Bauru você já começa a se coçar, que que tem para fazer aqui.

Viviane              Que nem eu com o bebê dormindo, e agora o que é que eu faço com esse tempo livre? Ninguém buzinou, não aconteceu nada.

Luciano             A gente só vai sacar isso lá na frente. Lá quando você estiver com seus 60 que vai começar a doer um negócio, você fala eu podia ter mexido um pouco mais, eu podia… mas faz parte, mas vamos lá, continua tua história. Então você virou uma executiva na empresa, cresceu rapidamente lá dentro.

Viviane              Cresci, aí chegou um ponto que não tinha mais como crescer na baixada santista e eu estava incomodada com aquilo, queria mais e vim aqui para São Paulo e falei gente, o seguinte, chefes no Groupon, tinha uma diretora que até hoje é minha amiga e falei Ju, não estou cabendo na cidade, quero mais. Ela, vem para São Paulo falei está bom, a gente montou um esquema em que eu conseguia trabalhar, até então era homeoffice, estava em Santos, não tinha escritório lá,  trabalhava dois dias por semana lá e três aqui, então segunda e sexta lá, fugia do trânsito principal dormia uma ou duas noites em São Paulo, o que era maravilhoso, porque era o dia que eu estava sem filho, que eu estava na minha cidade, podia… então eu tinha o melhor dos dois mundos, eu tinha final de semana na praia com a minha família e tinha também a parte dinâmica de trabalho de São Paulo e foi legal, durou mais ou menos um ano nessa posição. Fechei ofertas bem legais e aí a empresa passou por algumas mudanças, dentre elas a saída era comercial, virei marketing, a pessoa que estava acima de mim não entendia muito o que eu fazia, falei isso aqui vai ter um prazo de validade, eu tenho que sair e eu também entendia que Santos não ia ter mercado para mim, dificilmente eu ia conseguir uma outra coisa nesse esquema trabalhando de casa, então coloquei meu apartamento de Santos à venda,  a contragosto do meu ex marido e eu tinha colocado como prazo…

Luciano             Ele já era ex?

Viviane              … não…

Luciano             Ainda não.

Viviane              … ele ainda era atual, a contragosto do marido…

Luciano             Você botou o apartamento à venda a …

Viviane              …. contragosto do meu marido à época.

Luciano             Parece a mulher do Lula, você parece a Marisa, que faz negócio contra… eu não sabia de nada.

Viviane              Meu marido sabia de tudo. Se ele disser que não estou aqui vivinha para… bom, e aí comecei a olhar em volta, falei gente, onde é que eu vou, onde é que eu vou ter uma oportunidade para mim, com o que é que eu vou trabalhar e coloquei esse apartamento a venda, consegui vender no domingo eu assinei a escritura, passei para o nome da pessoa, chequei em São Paulo segunda, esse chefe me chama e me demite, eu falei maravilhoso, era o que eu precisava, porque enfim, CLT, estava na empresa há uns três anos…

Luciano             Mais um caso de gente que agradece a Deus por ter sido demitido aqui no LíderCast. Você não é a primeira que surge aqui e fala o seguinte: a hora que eu fui mandado embora eu falei meu, graças, era a melhor coisa que podia ter acontecido comigo. É impressionante, aquilo que para muita gente parece como sendo aquele momento em que você, perdi, não sou mais aceito, meu Deus como é que eu vou contar em casa, etc. e tal,  para algumas pessoas era tudo o que eu precisava, era esse empurrão, você vai ser um caso igual. E aí, você é demitida e aí?

Viviane              Eu já queria sair dali, vendi o apartamento, vou para São Paulo, passei uma semana em Santos, olhei em volta, onde é que eu estava com a cabeça em achar que vou morar em São Paulo de novo, eu estou maluca? Para aquela cidade, viver aquela loucura, olha que delícia esse lugar, andar na praia, então eu vivi Santos de novo, eu tive a chance, saí do stress paulistano, enfim, eu trabalho no Groupon como em qualquer startup, porque eles eram uma startup, era muito puxado, muitas horas, muito demandante e quando eu me vi ali em Santos de fato falei não, eu vou ficar aqui mesmo, então depois de alguns meses, bom me mudei, entreguei o apartamento, fomos morar na minha sogra que tinha um apartamento, enfim, dois quartos livres, a gente foi para lá e comecei a procurar apartamento, achei um apartamento legal, falei ah pronto, então vou fazer essa reforma, tinha todo o dinheiro da recisão, vou fazer uma reforma, vou mudar para o meu apartamento e assim que eu me mudar eu começo a procurar trabalho, isso durou o quê? Nem um mês, me liga a Monise, que trabalhou comigo no Groupon e falou Vivi, eu estou trabalhando numa empresa super legal, acabaram de lançar e enfim, apenas começaram e precisam de alguém. Eu estou saindo, não vou poder ficar, mas eu quero te indicar, eu falei está bom, então me liga a Candice Pascoal e Candice Pascoal me liga por Skype, ela estava na Holanda, me contou que era o Kickante, uau, aquilo brilhou os meus olhos, ela que idealizou, ela que imaginou tudo, então ela também contava com uma paixão muito grande, ela falou a gente vai por isso no ar e eu preciso de alguém para parear comigo…

Luciano             Que ano era isso? 2013

Viviane              … 13.

Luciano             É 2013.

Viviane              Final de 2013. Preciso de alguém para parear comigo nisso, vem, aí eu falei, ela bom, quanto você estava ganhando, falei. Ela não, não consigo pagar nem metade disso. Falei vou trabalhar da minha casa, em paz aqui em Santos, você me paga o que você quiser, me paga só pelo resultado eu vou ser feliz da vida, então fui para ganhar 40% do que eu ganhava até então, só que eu poderia trabalhar de casa 100% do tempo e ter aquela chance primeiro, de ter o meu negócio que era o que eu já queria desde antes do Groupon e trabalhar de casa, viver Santos, cuidar do meu filho e estar ali.

Luciano             A proposta dela era para você entrar como sócia de uma startup.

Viviane              Exatamente.

Luciano             Era uma startup.

Viviane              Exatamente, como cofundadora, é uma startup ainda.

Luciano             Essa ideia era o modelo que ela viu em algum lugar e trouxe para cá? Como é que era, como é que nasceu essa história?

Viviane              De Kickante, você quer dizer?

Luciano             Kickante, é. Quando você fala que ela te contou a coisa com paixão, da onde veio isso? De onde veio essa história?

Viviane              Eu posso, bom, tem dois, a história tem dois lados, do meu lado eu já imaginava, já tinha visto alguma coisa de crowd imobiliário, que acontecia na Índia, então várias pessoas se reuniam e falavam a gente queria um prédio aqui, nós somos famílias de tantas pessoas, a gente quer que o prédio seja assim, assim assado, eu quero que esse cara seja meu vizinho sim, concordo com isso e a gente topa pagar até tanto, juntavam todo mundo, chegavam numa incorporadora e falavam vem cá, esse é o caminho, é isso que a gente quer, então tinha uma plataforma que reunia essas pessoas, que organizava essa demanda, eu olhei aquilo e falei gente, isso é incrível e de certa forma tem a ver com compras coletivas e eu já tinha trabalhado com captação de recursos, então quando ela chegou com essa proposta eu falei gente, é isso, é exatamente o que eu imaginava.

Luciano             Então você acaba de definir rapidamente o que é o tal do crowdfunding, que esse termo aparece no Brasil aqui, a turma o que é isso? Crowdfunding crowd é multidão, funding é juntar o dinheiro, então um monte de gente se junta, junta o dinheiro e pega isso e faz alguma coisa.

Viviane              Exatamente. É que na verdade, na Kikcante é o inverso, alguém propõe um objetivo e as pessoas colocam dinheiro, então era um pouco diferente do que eu tinha imaginado. Do lado da Candice, bom, a Candice é brasileira, baiana de Juazeiro, cresceu em Salvador e muito nova foi morar fora, já enfim, com essa cabeça empreendedora. Foi para Nova York, trabalhou como executiva em várias multinacionais, também na área de captação de recursos, também com música e ela queria, bom, ela também teve filho, deu uma pausa e falou como é que eu vou me organizar agora para ter um negócio meu que eu consiga ter essa liberdade, a mesma liberdade que eu estava buscando, o filho dela é mais novo do que o meu apesar de ela ser um pouco mais velha, ele era pequenininho ainda quando a gente lançou e ela também queria devolver para o Brasil, ela falou poxa, eu fiz uma carreira fora, mas o meu país precisa de um monte de coisa e o crowdfunding no Brasil até então era muito incipiente, as plataformas lançavam 40 campanhas por mês, hoje a Kickante põe 1500 campanhas no ar por mês…

Luciano             Mês?

Viviane              … mês, já foram mais de 50 mil campanhas…

Luciano             Nós vamos chegar lá.

Viviane              … vamos chegar lá, essa atualidade, mas enfim, então a Candice me explicou o que tinha de diferente, campanhas flexíveis, doação parcelada e o tamanho do impacto que isso podia ter. Como era um trabalho Brasil, não importa onde eu estivesse, poderia estar no Acre fazendo esse mesmo trabalho, viajo bastante atualmente, estive em Cuiabá recentemente, semana que vem vou para BH, de BH vou para Gramado, não, semana que vem vou para Aracaju, depois Gramado, então assim, estou numa fase de bastante viagens por conta disso e começamos e a coisa foi crescendo, e chegamos à atualidade, e aí no meio disso tudo um monte de coisa acontece na vida pessoal.

Luciano             Mas vamos ali, vamos ali um pouquinho só, deixa eu só estressar um pouquinho essa coisa do crowdfunding e tudo mais. Kickante é uma empresa que faz vaquinha, a vaquinha é o jeito mais fácil de entender, moçada, vamos juntar uma graninha para poder fazer alguma coisa? Esse é o conceito. Eu vou dar a minha experiência com a Kickante, eu estou aqui trabalhando no meu dia a dia, eu recebo um contato da Kickante, que entra em contato comigo e fala pô Luciano, nós somos a Kickante, a gente trabalha assim, você não quer? Pega o teu projeto ai, vamos fazer o teu projeto e eu não tinha projeto nenhum para fazer, mas quando eles explicaram para mim o que é, eu falei pô que coisa interessante, que que é isso na verdade? Eu vou propor ao pessoal que me segue, que ouve meu podcast, que me lê e etc. e tal, uma vaquinha, juntar uma grana para poder construir alguma coisa que na verdade o que eu vou propor, eu vou propor a eles que eu vou lançar um livro e eu vou vender o livro adiantado, então se X pessoas comprar o livro, eu consigo levantar uma grana suficiente para fazer o livro e botei o projeto, fiz e nasceu o livro do Café Brasil 10 anos, o DVD com os 500 programas e tudo mais, foi muito legal, foi um projeto bem interessante e para mim foi muito confortável porque o Kickante me deu toda a base, a única coisa que eu precisei foi criar uma ideia, entrar no site de vocês e montar, apertar um botão e deixar a coisa rolar e cruzar os dedos ali para conseguir juntar essa grana,  quer dizer, do ponto e vista do conceito não tem muito segredo, é muito legal, mas é um negócio interessante porque ele abre um universo de possibilidades para gente que não tinha a menor ideia de como fazer uma ideia maluca acontecer, virar realidade e tem cases ali que são cases inacreditáveis, o que eu vi que eu fiquei enlouquecido foi um não era um zoológico, era uma coisa relacionado com animais…

Viviane              Essa é a maior campanha da América Latina.

Luciano             … que arrecadou quanto?

Viviane              1 milhão e 6 mil reais…

Luciano             Para fazer?

Viviane              …  para comprar um terreno novo para colocar quase 300 animais selvagens, dentre eles 12 leões. Então eles estão hoje em Cotia e a cidade chegou no entorno daquilo, o espaço ficou pequeno, mais animais chegam e eles falaram, o lugar está estressante para eles, tem buzina de carro, um leão não lida bem com isso, imagina 12? E a gente precisa de um santuário novo e aí eles comparam um terreno no sul de Minas, agora estão numa fase de construção dos recintos, tem que levar esses animais para lá que também é um processo bem longo e foi uma campanha muito legal, assim, até voltando um pouco à sua história, a gente te procurou e te convidou porque você tinha potencial, a gente conseguiu identificar isso analisando as suas redes sociais, então esse cara tem audiência, as pessoas estão interessadas no que ele quer dizer e talvez você não se fizesse essa pergunta ou criasse projetos além porque de fato não tinha o dinheiro ali disponível quando você pensa ah, vou publicar um livro, vou ter que investir do meu bolso 15, 20, 30 mil reais ou vou pedir emprestado no banco, não, livro nem dá dinheiro, a gente sabe disso, então a gente acaba deixando os nossos projetos, os sonhos que a gente tem adormecidos por falta de oportunidade e aí quando a gente ligou para você e falou você tem potencial e com esse número de seguidores você deve conseguir arrecadar tanto, a gente tem uma conta meio mágica que a gente faz que depende de muitas variáveis, mas enfim, que a rigor se cumpre, você falou poxa, nem tenho projeto e no fim tinha, então o ponto é se eu tivesse essa grana, se eu tivesse 20, 30 mil, o que é que eu realizaria? E como isso interessa ao meu público, porque afinal a gente depende também de eles concordarem,  eles quererem por o dinheiro ali, então tem que ser legal para o outro lado.

Luciano             Deixa eu te dar mais um insight ai, eu tive dois problemas quando vocês ligaram para mim, um problema era não ter um projeto evidente, depois eu pensei um pouquinho, o projeto nasceu em 15 segundos….

Viviane              Ah, se você me der 20, 30 mil agora eu consigo criar várias coisas.

Luciano             … e o outro é uma questão cultural que para mim foi a maior  barreira para vencer, como é que  eu vou pedir dinheiro para os outros para fazer um negócio meu? Não dá, não se passa… eu vou contar por aí vão dizer que eu estou esmolando, bom, isso é uma briga cultural gigantesca que tem muito a ver com o Brasil, se você for nos EUA isso não tem lá, lá é outro papo, os nego juntam e dão o dinheiro lá que é uma beleza, aqui é muito diferente, porque aqui eu tenho, até hoje eu tenho gente que me acusa, escreve para mim todo mês me chamando de mendigo, que eu sou pidão, que eu estou pedindo dinheiro, etc. e tal, então vencer esse primeiro momento que foi vergonhoso até, como é que eu vou falar que eu estou pedindo dinheiro para fazer um negócio e não era nem tanta grana assim, fala pô, tá legal, vou precisar de um milhão e meio para erguer um prédio é uma coisa, agora, 30 conto para fazer um livro sabe, isso aí você pega aqui, dá um jeitinho e faz  ali, foi duro vencer essa  questão e eu imagino que esse problema que aconteceu comigo vocês devem encontrar com muita gente.

Viviane              É uma questão interessante pelo seguinte, porque que você vai querer publicar um livro que não interessa ás pessoas? Como é que você vai saber se o livro interessa antes de apresentá-lo? A campanha te permite isso, então você fala… Eu tenho um amigo pessoal, amigo do meu pai, trabalhou com ele, enfim, um cara que tem dinheiro, ele poderia bancar o próprio livro, ele vai lançar em breve, uma campanha na Kickante, ele escreve contos, ele é judeu e toda sexta feira ele escreve para o Sabá e as pessoas falam poxa, você devia publicar um livro, ele fala eu não sinto essa necessidade, não faço questão, seria legal ter tudo reunido, agora, não quero investir 20 mil, 30 mil nisso, se é para vender 500 livros, eu publico, então vamos lá, vem cá turma que está dizendo que eu deveria publicar, se vocês querem mesmo esse aqui é o caminho. Se eu bater essa meta eu vou publicar, então ele está lançando uma campanha tudo ou nada mesmo sabendo que ele poderia bancar esse livro porque tem um colaborativo por trás, a beleza da coisa é justamente essa, a sua relevância, poxa, ele poderia, por vaidade, ter publicado um livro há muitos anos, mas não é essa a ideia, a ideia é ter uma troca de fato, criar algo colaborativo, então a gente trata muito livro, CD, quando eu falo em CD a gente tem, sei lá, um monte de nome forte, Elza Soares fez para venda de DVD, Leila Pinheiro, Lobão e cria uma interação muito legal com quem está do outro lado, então ao invés de esse artista ficar esperando uma gravadora, uma editora virem bancar ou ele tirar do  próprio bolso e arriscar, porque bom, por mais que a pessoa tenha dinheiro, 20, 30 mil reais para algo que não funciona, é dinheiro.

Luciano             Para ficar empilhado em casa, não alcançar nada.

Viviane              Exato, monte de livro, pensa a frustração de ter um monte de livro impresso guardado no seu armário, não é legal, ninguém quer isso, então a gente inverte esse processo, em vez de você criar o produto e depois gerar demanda, você antecipa essa demanda, você antecipa o marketing, você tem o feedback, mas você consegue oferecer coisas como recompensa, então Leila e Lobão, os dois me relataram a mesma coisa, teve uma pessoa que entrou e contribuiu com muito, no caso da Leila foram 15 mil reais, ela é amiga pessoal dessa mulher hoje, porque ela falou sou super fá sua, sempre quis, vem aqui tocar em casa, essa era a cota dos 15 mil e a última vez que eu encontrei a Leila ela falou, olha, amanhã ela vai fazer uma cirurgia no joelho, dois anos depois da campanha, então cria uma possibilidade de interação única, de repente você tem uma pessoa que te admira loucamente de outro lado que você não sabia e você dá a chance.

Luciano             Aconteceu comigo, um terço do que eu levantei lá foi um cara que doou e acho que eu já contei essa história, esse cara deu a doação, foram 10 mil reais que entraram lá, vocês chamam de doação? Não né?

Viviane              Contribuição.

Luciano             Contribuição.

Viviane              Doação pode ser…

Luciano             Entra uma contribuição de 10 mil reais, quando eu olhei falei pô, esse cara errou, ele digitou um zero a mais, ele não viu e deu uma merda e mandei um e-mail para o cara, você está ficando louco? E ele olha quem está falando, louco é você, você me ajudou a orientar uma porrada de coisas que eu tinha, acho que merece e merece mais até, se precisar você me avisa ai que vai ter mais, aí cai a real, você fala não é possível que alguém possa valorizar meu trabalho a tal ponto… e aí por causa disso nasce  o livro, nasce toda essa coisa, então…

Viviane              É muito mais do que só dinheiro que uma campanha te traz.

Luciano             Sem dúvida.

Viviane              De repente esse cara nunca teria vindo e te contado essa história, olha a riqueza disso.

Luciano             Sim e eu imagino que para ele, na hora que ele recebeu o livro na mão dele que ele falou, esse livro nasceu e tem um monte de gente recebendo isso aqui porque tem uma contribuição minha aqui que é a mesma coisa que acontece com aqueles… não me lembro quantos foram, 180 caras que estão no livro, você abre o livro e tem o nomezinho de cada um e eles me procuram, quando me encontram, meu nome está no livro e fala com o maior orgulho do livro, do nome dele estar ali, que é aquela coisa de você, eu faço parte de alguma coisa que eu acho que tem valor, então poder fazer parte disso é muito legal. Há um tempo atrás o Corinthians lançou um projeto que deve ter vindo de algum lugar que foi um projeto genial, que era o seguinte, ele te oferecia, vendia para você uma cota para você botar o teu nome no ladrilho em uma parede dentro do Corinthians lá e imediatamente eu comprei um ladrilho pra o meu pai, mandei para ele a foto, seu nome num ladrilho lá no estádio antigo do Corinthians, lá no Tatuapé e meu pai ficou super feliz, aí você fala olha só, o que era o lance aqui? Eu quero ter meu nome em alguma coisa que eu amo, alguma coisa que eu acho que tem valor e uma contribuição, por menorzinha que seja,  se mil caras derem, você tem a coisa feita lá.

Viviane              Essa é a beleza do colaborativo.

Luciano             Vocês devem ter cases fabulosos ali.

Viviane              Tem um rapaz que ganhou uma bolsa para ir para MIT, enfim, morava numa comunidade super pobre e ganhou a bolsa integral, ela ia ser bancado o tempo todo lá, hospedagem e comida e o curso, super inteligente, mas ele não tinha dinheiro para a passagem, coisa de cinco, seis mil reais, lançou uma campanha, teve dois apoiadores que contribuíram com valor alto, algo que surpreendeu ele, não conheço essas pessoas, ligou para esses caras e falou vem cá, muito prazer, obrigado e eles disseram olha, a gente quer apostar em você, eu quero te acompanhar esse tempo todo no MIT e quando você voltar eu garanto o investimento em seja lá o que for que você vai criar. Então enfim, tem muita história muito legal, Candice está publicando um livro agora, chamado “Seu Sonho tem Futuro” e esse livro reúne várias dessas histórias e ela organizou essas histórias de forma a ilustrar uma metodologia que ela tem, que ela usou para criar a Kickante e várias empresas que ela criou mundo afora, então a ideia é que as pessoas, é aquele bom e velho pensamento que a gente não tem, assim como você não tinha o projeto do livro, em geral a gente não para pra pensar,  se eu pudesse fazer o que eu quisesse hoje o que seria? Qual meu sonho? É viver do meu hobby, é sei lá, fazer cerâmica que eu adoro e faço, não sei, viver de skate ou viver do surf, ou o que que eu gostaria de fazer? Queria ser um escritor? Como é que eu faço pra chegar lá? Em geral as pessoas abandonam isso como uma possibilidade e o que ela criou é muito mais do que só uma inspiração, ah está aqui minha história bonita, eu nasci, hoje sou um milionário, a gente até falou um pouco disso agora há pouco, mas ela cria a metodologia para você conseguir chegar lá, então esse é que é um caminho, é assim que você tem que seguir, é isso que você tem  que fazer, tem até um capítulo meu lá dentro, inclusive, chamado “Como fechar um negócio que parecia impossível”, que ele já deu certo no final do título do capítulo, então tem insights de várias pessoas, um caminho bem legal, nesse momento ele está em pré venda na Kickante, possivelmente quando esse LíderCast vá ao ar ele já esteja nas livrarias, então é algo bem bacana a ideia com esse livro, de novo, não é nem ganhar dinheiro, toda a receita que for gerada vai ser revertida em livros para jovens carentes, então ali tem um conteúdo bem legal assim que é…

Luciano             Me fala um pouquinho então dessa história de botar essa startup, a Candice te liga e te propõe um projeto que não tem um escritório, não tem um prédio, não tem 25 caras trabalhando, não tem nada.

Viviane              Não, até tinha um prédio, só que eu não viria a trabalhar no prédio,  eu ainda falei…

Luciano             Já tinha, já nasceu com investimento assim, ele nasceu com investimento?

Viviane              Nasceu com investimento.

Luciano             Como é que é isso? De onde veio essa grana?

Viviane              Essa grana especificamente veio de pessoas que já trabalharam com a Candice, que já confiavam muito no trabalho dela, investidores de fora, pessoas físicas, individuais.

Luciano             Ela conseguiu anjos então, investidores, ela montou um business plan?

Viviane              Ela sabe o que faz. Leiam o livro.

Luciano             Preciso conhecer essa figura.

Viviane              Ela é ótima vale a pena. Então ela… não, tinha o escritório onde trabalhava o Diogo, que é irmão da Candice, que é também nosso sócio fundador na Kickante e ela me fez toda essa proposta, acho que isso era quarta feira, eu falei tá, deixa eu pensar, deixa eu me organizar, eu queria passar mais um mês. Ela não, um mês não, preciso de você segunda, quero uma resposta até sexta. Falei tá bom, deixa eu ir amanhã então até o escritório, deixa eu ver  onde eu estou entrando, então fui ali, conheci o Diogo, conheci detalhes de tudo, falei tá bom, topei, vamos embora. Então foi isso, a gente começou sim com investimento inicial, claro que a construção da plataforma também antecede o lançamento, para você…

Luciano             Sim, que eu imaginei, aí é que foi um investimento importante.

Viviane              Exatamente, o principal na parte do código e esse investimento recorrente, a gente continua criando novas formas de conversão, então às vezes a gente, enfim, tem um insight ou cria algum sisteminha, testa em uma campanha, fala isso funciona muito bem, vamos testar em outro por amostragem? Funcionou em três, quatro ou cinco, transforma isso em padrão na plataforma, sobe para todo mundo isso faz com que a conversão cresça muito, então…

Luciano             Uma coisa que eu ia te perguntar, como vocês não estavam baseados num… vocês não importaram um modelo? Não trouxeram um modelo que existia na Holanda para cá?

Viviane              A gente combinou um modelo, então no Brasil não existiam campanhas flexíveis que é aquela que você mesmo sem bater a meta fica com o valor arrecadado, a gente trouxe campanha flexível, no Brasil a gente parcela tudo, tudo é parcelável, só que doação não era até então, nenhuma plataforma parcelava, então a gente trouxe isso de parcelar a sua contribuição, você parcela em seis vezes, mas o criador da campanha recebe à vista, que é uma funcionalidade super brasileira que não existia em nenhuma plataforma.

Luciano             Aí já tem uma operação financeira nessa história toda aí.

Viviane              Exato, e também já virou outra coisa, nenhuma outra plataforma no mundo funciona dessa forma, funcionava, pelo menos, até então, a gente criou o recorrente, nenhum a outra no Brasil tinha, a gente criou também os eventos do bem, que é quando você permite que um terceiro arrecade para você, então vou trazer como exemplo, esse cara que contribuiu com 10 mil reais na sua campanha, de repente é aniversário dele lá, estou fazendo, sei lá, 10 anos de casado, ou 10 anos que eu saí da lama que  eu estava mal e ouvindo esse podcast me salvei, quero que você faça uma contribuição aqui em comemoração, ele divulga para a rede dele, ele faz o barulho do outro lado e o dinheiro vem para você, isso é muito popular com  ONG’s, com organizações sociais, então é meu aniversário, ou nasceu meu filho mas eu não preciso de fralda, mas essa creche aqui precisa, doe esse dinheiro que vai direto para lá, então você transforma o cara que está do outro lado como um agente arrecadador também.

Luciano             Vocês definiram um… tinha um time framing tipo assim, nós vamos botar o negócio no ar, inaugura agora e nós temos X tempo para decidir se vai dar certo ou não, vocês começaram assim?

Viviane              A gente já decidiu que ia dar certo.

Luciano             Já de cara? Quando é que vocês tiveram certeza que deu certo?

Viviane              Antes de começar. O plano era muito bom, você não entra num negócio desse tamanho achando que pode dar errado, o plano, enfim, tinha um método, a gente dentro da Kickante tem processos muito claros, imagina que hoje são 1500 campanhas no ar. A gente tem um time de 10 pessoas fixas Kickante e alguns, enfim, terceirizados,  como assessoria de imprensa que te procurou, enfim, então para gerir tudo isso a gente precisa de processos e métricas muito claras, inclusive porque hoje em dia todo mundo trabalha das suas casas, a gente chegou a ter um escritório, um escritório grande com uma turma e a gente entendeu que o modelo home office era mais legal, até porque eu tenho, por exemplo, uma pessoa que faz CEO pra gente que fica no Rio e ela é fantástica nisso, o nosso principal desenvolvedor fica em Santa Catarina…

Luciano             Você vê que interessante, o meu está em Natal, no Rio Grande do Norte, não tem mais fronteira né.

Viviane              Ou seja, então, agora por que que eu vou ficar procurando profissionais em São Paulo que consigam chegar nesse escritório, nesse horário, para quê? Chegou um ponto que eu vi que boa parte das pessoas já estavam em casa, a gente falou vamos adotar esse modelo, está ótimo. Eu estou em São Paulo enfim, economicamente, comercialmente é o principal mercado, como eu faço justamente a parte de desenvolvimento de negócios, é conveniente que eu esteja aqui…

Luciano             Vocês não tem uma sede hoje?

Viviane              Atualmente não.

Luciano             Não tem uma sede, se eu quiser ir lá na Kickante eu não consigo ir.

Viviane              Não.

Luciano             Isso é radical.

Viviane              Não, você vai em kickante.com.br

Luciano             Nem um WeWork da vida? Você não tem um lugar lá de cowork? Quando precisa você arruma um lugar?

Viviane              A gente vai para um café maravilhoso, algum lugar bem mais legal que um escritório, então a gente tem, claro, um endereço comercial, mas pró-forma.

Luciano             Como é que funciona o RH de uma empresa com essa formatação?

Viviane              Bom, terceirizado também.

Luciano             Vocês fazem uma reunião de quando em quando? Junta a turma toda?

Viviane              Sim.

Luciano             Com que periodicidade isso acontece?

Viviane              Candice está chegando agora no Brasil e a gente vai se reunir, os  três sócios, eu ela e o Diogo, em Aracaju, olha que maravilhoso, a gente escolhe um lugar legal.

Luciano             Mas a turminha, os dez fixos, como é que vocês fazem?

Viviane              Não, é raro que todo mundo se encontre porque está cada um em um estado, então o que a gente tem são metas e métricas  muito claras para cada profissional, o que você precisa entregar e quando, então muitos deles nem interagem entre si porque não tem, não, na verdade eu estou pensando, todos interagem entre si, retiro o que eu disse.

Luciano             Mas é uma interação, no Skype, digital, ao vivo não tem ninguém se vendo? Não tem ninguém se olhando ali.

Viviane              Não, a gente tentou otimizar isso, sempre que alguém vai viajar, então se eu vou para o Rio eu tento encontrar a pessoa que está lá, se eu vou para o sul eu convido quem está lá, chamo para os eventos, para as palestras.

Luciano             Vocês já são a realidade de algo que lá atrás a gente dizia, um dia será assim. Vocês já nasceram praticamente assim ou a partir do momento que vocês decidiram que não precisa mais de um prédio.

Viviane              Exatamente, então essa coisa do “um dia”, isso me traz até o meu momento presente, eu tinha para mim, um dia eu vou fazer cerâmica, no dia em que eu tiver o meu ano sabático, quando está um monte de condição, falei quer saber, um dia é hoje, vou começar a fazer cerâmica amanhã, não tem isso de um dia, isso é algo que eu aprendi muito com a Candice, essa dinâmica de pensamento de o que a gente quer fazer é isso, vamos fazer agora, aqui, estão aqui os passos e os prazos para aquilo, então tudo uma questão de organização, você consegue fazer o que você quiser.

Luciano             Tem uma área agora dentro do Café Brasil Premium de um livro chamado “#Now”, agora, chama Agora, onde ele define, a capa do livro é um barato, que são dois círculos, tem uma intersecção, um deles é passado, o outro é futuro e no meio está o now e ele diz o seguinte, o único lugar que você consegue agir, o passado é legal, maravilhoso, o futuro também é mas só dá para agir no now, no aqui e agora e  aí ele define o que é um agorista, eu sou um agorista, que é o cara que tem essa, tem que estar mexendo, tudo o que eu quero é estar agitando e fazendo acontecer.

Viviane              Em Bauru não acontece tanto, nem em Santos.

Luciano             Pois é, não, o pior é que agora já acontece, você viu, eu estou com um cara em Natal, você está com outro no interior de não sei onde, caíram as barreiras todas, porque  antigamente, olha que legal que nós estamos falando aqui, antigamente numa pequena cidade eu era obrigado a encontrar um emprego numa empresa que estava lá e aí me formei, eu até tive um psicólogo que veio aqui, numa cidadezinha do interior, mas o que é que faz  um psicólogo numa cidade pequena, hoje em dia esse cara está conectado com o mundo, ele tem um business que é um business de internet e esse cara não interessa mais onde ele está, ou  seja, caíram todas as barreiras e hoje qualquer sujeito em qualquer lugar do Brasil pode montar um baita de um negócio, não tem mais limitação, não é? Quer dizer, isso é uma perspectiva com a qual eu tenho dificuldade de conviver. Estou com 61 anos, estou super antenado e mesmo assim é difícil para mim entender. Eu recebi aqui duas meninas de uma, fiz um LíderCast com elas e eu comecei o LíderCast não entendendo o que elas faziam e no final da entrevista, da conversa eu continuava não entendendo o que elas faziam e aí quando eu comentei isso elas falaram então você está certo, porque se você tivesse terminado a conversa conosco e tivesse dito ah, agora entendi, tinha algum problema, porque a ideia é não compreender, então você vai para essa coisa de WeWork, essas startups, essas empresas, eu falo mas o que é isso? Que loucura que está acontecendo? É um mundo completamente distinto, mas eu vou te explorar mais um pouquinho: como é que você, vocês derrubaram todas essas coisas, então meta para bater, trabalho de equipe, o work sem estar um interagindo com o outro, tudo de longe…

Viviane              Interagindo sim, à distância.

Luciano             … à distância, como é que é?

Viviane              Eu falo com a Candice todos os dias o dia inteiro, é muito WhatsApp e assim, no começo da Kickante nem tinha chamada por WhatsApp, não tinha vídeo por WhatsApp, então as facilidades só foram sendo geradas e enfim, aumentando essa interação.

Luciano             Quer dizer, a tecnologia vocês estão usando ela totalmente a favor de um business.

Viviane              O tempo todo, exato, depende totalmente de internet, 70% das contribuições da plataforma vem das redes sociais, então de fato, depende desse movimento todo que a gente vê e é um movimento que só cresce, portanto a perspectiva é aumentar.

Luciano             Quanto tempo tem a Kickante?

Viviane              4 anos em outubro de 2017.

Luciano             Vocês medem o crescimento de vocês por projeto, por dinheiro? Como é que você mede? Das duas formas?

Viviane              Das duas formas, são QPA’s diferentes…

Luciano             Não vamos falar de grana, vamos falar de projeto, como é que é essa curva de crescimento de vocês aí de, porque imagino que você deve ter tido uma dificuldade de quebrar uma cultura, no momento em que quebra a cultura, começa a vir um monte de gente, é isso?

Viviane              Nesse momento a gente fez um investimento em marketing, o nosso grande desafio é massificar o conceito, hoje 1500 campanhas, poxa, que legal, bastante coisa. Quantos brasileiros tem projeto engavetado? Isso é muito pouco em relação ao que pode se tornar.

Luciano             Mas 1500 campanhas por mês é muita coisa. São 50 por dia.

Viviane              Quantos brasileiros a gente tem? Não é tanto assim, então a gente entende que isso pode impactar muito mais gente, na Kickante a gente acredita que o acesso ao dinheiro, ao recurso deve ser descentralizado, e a melhor maneira de você fazer isso é permitir que as pessoas, os indivíduos definam o que vai ser financiado ou não, tirar isso da mão de uma, duas, três grandes empresas ou grandes fortunas e fazer com que pessoas contribuam com projetos de pessoas, então a gente criou uma plataforma para facilitar isso, só que a gente sabe que tem muita gente por aí que tem projeto e não sabe o que fazer com ele, então esse é o nosso esforço, fazer com que essas pessoas ouçam o que a gente tem a dizer. A gente chegou, no começo, a investir bastante em marketing para atrair essas campanhas, só que trazia muita campanha pequenininha, nem pequenininha, campanha que não arrecadava nada, o cara falava é de graça, vou por e pronto. Exige um esforço, você fez uma campanha, você sabe, então a gente começou a fazer um esforço inteligente, então é isso, a gente analisa os dados e pivota muito rápido, ou seja, toma uma decisão de mudar a atitude em relação àquilo porque não estava dando certo, muita campanha que não arrecada nada? Não. Quem pode arrecadar? Quem tem já seguidores, quem tem redes sociais porque esse cara, você por exemplo, tem, vamos supor, um mailing de 20 mil pessoas e 200 mil ouvintes, leitores por mês. Quando você faz uma campanha e você mostra o dia a dia, esse cara acompanha, ele compreende muito melhor do que eu mandando e-mail e falando olha que bacana, do que eu fazendo anúncio em redes sociais, então a gente adotou essa estratégia, vamos buscar os vip’s , que a gente chama e foi isso que aconteceu com você, a gente te convidou a lançar uma campanha, você tem potencial e funcionou, aplicando bem os passos  todos de divulgação, de repetição, a campanha funciona e o seu público com certeza já entende muito mais de crowdfunding do que a média nacional, então essa estratégia que a gente tem hoje e esse é o nosso desafio,  enfim, para sempre.

Luciano             Muito bem, tem alguém ouvindo a gente aqui que está se coçando todo porque tem um projeto em mãos e você sabe que quando a gente tem um projeto é um filho, e filho não tem defeito, então filho jamais, ele é lindo, maravilhoso. Vamos fazer aqui uma sequência com umas recomendações que você nos dê aqui, é legal que de repente alguém vai escutar aqui, pode nascer alguma coisa boa. Quais são os passos, o que alguém que tem um projeto deve fazer antes de chegar na Kickante. Depois que estiver na Kickante a gente fala na sequência.

Viviane              Antes de chegar na Kickante: dentro da Kickante, o que você vai fazer é adaptar o seu projeto para a plataforma digital, a gente é uma plataforma de captação, então você não precisa descrever o seu projeto inteiro para mim, Kickante, nem para o potencial apoiador, antes disso você precisa ter um orçamento bom, saber quanto, qual o valor mínimo necessário para que o seu projeto exista e ai tem aquele pessoal que fala não, isso é para eu gravar meu CD ou publicar meu livro, 100 mil reais está maravilhoso porque eu faço o primeiro show, a primeira viagem. 100 mim reais para publicar o disco é muito, você com 20, com 30 consegue lançar o disco, publicar o livro. Agora o show, o marketing, isso é o segundo passo, então vamos pensar em uma meta que seja o mínimo necessário, fazer o orçamento mais enxuto possível, esse é um primeiro e ter um orçamento firme, fornecedores bons, porque lá na frente quando você tiver arrecadado você consiga entregar isso om segurança. Depois descrever bem esse projeto, ilustrar é muito importante, você mostrar qual vai ser a capa desse… mesmo que seja uma capa ilustrativa, qual vai ser a capa, qual vai ser o nome, o que você vai entregar, a gente está muito habituado a uma relação de compra…

Luciano             Você tem até que tangibilizar essa ideia, como é que eu enxergo o que vai ter ali.

Viviane              … exato, tangibilizar é quando a gente fala em tangibilizar um livro, um CD, é fácil, quando eu falo em tangibilizar uma ONG que precisa de dinheiro para poder continuar cuidando de crianças o desafio é maior, então a gente busca, nesse segundo caso criar histórias, contar histórias felizes, então olha, essa é a Mariazinha, Mariazinha perdeu o pai, perdeu a mãe, veio parar aqui na creche, cresceu, foi bem atendida, a gente cuidou dela por X anos, foi para a escola,  hoje ela é dentista, está super bem de vida, está aqui ela feliz e sorridente. Só que a gente tem outras mil crianças nessa condição e hoje a gente só tem dinheiro para cuidar de 500, aí você entendeu, aí você tem um número, você tem um norte, então o seu desafio é contar no topo da campanha qual é o seu objetivo, a pessoa que acessa uma página de campanha, ela não quer saber, ah eu sou Viviane, eu fui para a Colômbia, isso não importa, importa que eu vou publicar um livro amanhã, se  você vier agora vai pagar menos e o tema é o maior legal eu sei que te interessa. Poxa me interessei, quero saber mais dela. Lá embaixo vai ter mais sobre mim, então você precisa ter um projeto completo para depois transformar ele em algo mais objetivo, em uma página de campanha, então antes de você chegar na Kickante, define a sua meta, define as recompensas, se ponha no lugar do outro, quem eu acredito que vai contribuir com meu projeto e porquê. Então a pessoa que se interessa pelo tema e não me conhece…

Luciano             Como é que eu vou agregar valor a alguém a ponto desse alguém botar o dinheiro no bolso, tirar o dinheiro do bolso e entregar para mim, se eu for dizer para um cara o seguinte: vou montar uma campanha para passar minhas férias na Ilha de Bali, experimentando as ondas da ilha, eu vou fazer uma curtição, não vou vender nada porque eu estou agregando valor só para mim, não é?

Viviane              Exato.

Luciano             Então acho que essa primeira coisa é importante, quer dizer, se o projeto que você tem em mãos aí, ele tem algum valor para alguém, essa é a primeira pergunta que tem que fazer, se tive, já tem meio caminho andado.

Viviane              Aí tenta definir bem o “quem” então, essa mesma história sua, ah vou para Bali curtir as ondas, só que eu sou um super fotógrafo e eu estou indo lá para fotografar o campeonato de surf, você vai recebe uma foto minha em alta para por na sua parede. Pô, aí eu vi valor, então vai contribuir com a minha campanha quem se interessa por surf. Onde estão essas pessoas que se interessam por surf, em blogs de surf. Eu tenho seguidores com esse perfil? Ou não? Se você não tiver, aí já é um desafio maior, então esse é o ponto, pensar quem é o público e começar a buscar parceiros que possam trazer mais tráfego para você. No seu caso você já tinha um público muito bem formado, um público conciso, frequente, você está sempre em contato, lançando novos podcast, mas é muito comum uma pessoa chegar para a gente sem nada, sem isso organizado, só que ela tem muita credibilidade, ela tem contatos pessoais, então esse cara de contatos pessoais vai ter que partir muito mais para um WhatsApp.

Luciano             Esse é um ponto que você falou que é fundamental, essa questão de credibilidade, quem é esse mané que bateu aqui para pedir dinheiro?

Viviane              Por que que você é o cara que tem que tirar foto dessa onda e não outro?

Luciano             Quem é esse cara? E eu tive uma experiência muito legal, porque como você falou, essa turma já me conhecia, eu lembro que eu dimensionei um projeto X e o projeto ficou X10, porque era um livro, na minha cabeça tinha 18-0 páginas, quando eu terminei o livro tinha oitocentas e cacetada, era um CD com os programas, deu 3 DVD’s, então era muito mais do que eu tinha imaginado no início e isso atrasou o projeto em cerca de quatro meses e eu não tive ninguém reclamando, mesmo os caras que escreveram para mim, eu de quando em quando eu botava no blog, eu mandava um e-mail, mas tinha gente que não recebia e falava escuta, o que houve com o projeto? Não, dancei porque vou ter que refazer tudo, atrasei e não tive nenhum problema, nenhum stress com a questão do atraso, então essa é a parte importante, essa credibilidade, o que me leva para um outro ponto, que agora eu vou te pegar. Vamos falar um pouco de uma questão ética aqui que teve até alguns acontecimentos recentes aí que levantaram uma… vou te dar a palavra chave: Zebeleu. Zebeleu?

Viviane              Zebeléo.

Luciani              Zebeléo. Foi com vocês?

Viviane              Foi com a gente.

Luciano             Muito bem, para quem não se lembra, Zebeléo é o case da hamburgueria da Bel Pesce, do menino lá do Masterchef, etc e tal que causam uma comoção nacional quando é apresentado como um projeto de três riquinhos, três playboys que querem que você dê dinheiro para eles para montarem uma hamburgueria para curtir a brincadeira deles lá e aquilo…  a consequência daquilo foi impensável, tanto que vocês tinham acho que um dos maiores projetos de vocês era o projeto da Bel Pesce, não foi?  Ele nasceu e bateu todos os recordes e de repente a consequência foi um negócio brutal aí. E em algum momento o crowdfunding foi acusado de ser o responsável por aquilo, eu falei mas o que é isso? E nasceu um falatório, olha aí, então começou a se suspeitar que o crowdfunding é isso, quando na verdade ele é só uma ferramenta mas eu acho que misturou tudo e eu acho que para vocês deve ter sido um problema lidar com essa questão toda aí. Como é que você faz, vamos tentar dividir a pergunta, primeiro: como é que foi essa crise que explode no crowd de vocês e segundo: como é que vocês se preocupam da lisura, da pessoa que está usando, como é que eu faço para saber que esse negócio não é para lavagem de dinheiro, sei á que loucura que é, mas tenta elaborar para mim essa coisa.

Vivian                Legal. Bom, até é engraçado essa história porque um dia antes de estourar essa história toda, Zebeléo, a campanha ir ao ar, saiu uma campanha da, era a Cléo Pires e o Paulo Vilhena, ela como se não tivesse um braço, como se ela fosse uma paratleta e ele também, e aquilo pegou super mal e todo mundo ah que ridículo, que mau gosto, que péssimo. Eu olhei aquilo e falei nossa, como essas coisas viralizam, mal sabia que dois dias depois ia ser comigo, mas enfim, eu ia participar daquilo. Bom, a gente já teve, antes dessa história de Zebeléo, uma campanha de um restaurante chamado La Peruana. La Peruana era um food truck e a Isabel, que é a chefe, ela decidiu montar um restaurante e lançou uma campanha na Kickante, o intuito dela com a campanha da Kickante era gerar marketing para esse imóvel, ela arrecadou com a gente acho que uns 25 mil, ou seja, não foi isso que pagou a reforma, não foi isso que pagou o ponto, 25 mil se custear uma bancada da Tramontina e muito, mas ela usou a campanha como uma forma de primeiro, convidar as pessoas que já seguiam ela nas redes sociais e os foods trucks a gente sabe que se baseiam muito nisso, olha, hoje eu estou esse endereço e tal, priorizar essas pessoas e falar vem cá, você pode vir primeiro, se você contribuir aqui você vem no soft opening e não vai estar aberto para ninguém, só para quem vier pela Kickante. Legal, gosto do que você faz, achei legal, quero ser parte disso. É parecido com a história do livro e a gente também conseguiu um resultado de imprensa muito legal, eu lembro que eu e ela demos uma entrevista para o Conta Corrente do Globo News, deu, enfim uma super projeção, então quando ela abriu o  La Peruana, ele já estava sendo aguardado, as pessoas queriam que aquilo acontecesse. Não tinha nenhuma grande personalidade, então não viralizou mal, foi o restaurante que arrecadou, que lançou, esse ano ele entrou no Bib Michelin que, enfim, são aqueles pequenos notáveis, ou seja, um dia ela pode vir a ter uma estrela no Michelin, ninguém reclamou, ninguém achou ruim, ninguém achou mau. O que aconteceu no caso Zebeléo, foi que a Bel, bom, a Bel tem um público muito fiel que segue ela nas redes sociais, que sempre seguiu, segue até hoje e o Léo tinha uma projeção de massa, de TV, algo muito grande e a gente sabe que quando você chega nesse ponto, e ele tinha torcida contra também, afinal que ele era um Masterchef…

Luciano             Só dá um segundo para mim que pode ter alguém que estava morando em Marte nos últimos dois anos, só para lembrar uma história. A Bel é empreendedora,  a Bel Pesce, etc. e tal menina do vale, etc. e tal e do outro lado o Léo, que tinha acabado de vencer o Masterchef e eles tem um amigo em comum, se conhecem, em três ali começam a conversar e tem a ideia de montar uma hamburgueria com a proposta diferente, juntaram o nome dos três, deu Zebeléo e aí montaram um projeto que era aquele, gente que maravilha e fizeram um vídeo desastrado que contava, vamos lá, que legal, que lindo maravilhoso, vamos juntar dinheiro para fazer um restaurante e aquilo caiu no mercado como os três playboys querem dinheiro para fazer um restaurante, querem que eu pague para ele ter a hamburgueria dele e o bicho pegou.

Viviane              Vamos lá. Eles já tinham, naturalmente, toda a verba para aquilo, quando você apresenta um projeto, parte dele já está estruturado, quando você diz eu vou publicar um livro tal, você tem toda uma história para que aquilo aconteça, quando você tem um projeto de um restaurante e um orçamento, você, com certeza, já investiu, era o caso deles, aquele restaurante ia sair de uma forma ou de outra, com ou sem campanha, a campanha tinha esse viés de marquetear, de falar vem cá, você pode ser o primeiro, você pode interagir com a gente, você curte a Bel, você curte o Léo, você pode entregar recompensas além, até muito como o caso da Leila Pinheiro, como eu falei, um pocket show de 15 mil reais, tem fãs que querem isso e que vão ficar muito felizes em ter isso como recompensa e por outro lado, quem está criando a campanha consegue um ticketmade bem maior do que conseguiria de outra forma, então era muito essa coisa de convidar as pessoas a serem parte de algo antes de todo mundo, serem parte de fato. Essa campanha no primeiro dia, arrecadou muito bem, eles iam bater aquela meta muito rápido, bem rápido mesmo, só que foi uma opção deles por conta de toda a viralização, tirar do ar, a minha sugestão à época, como relações públicas, foi gente, vamos até o fim, essa campanha vai bater a meta, vocês apresentam o resultado positivo assim, haters existirão sempre, eles estão aí, o publico da Bel é muito fiel, só que essa campanha extrapolou esse público, o público do Léo ainda estava em formação, ele era um cara novo na mídia, mas enfim, entre eles optaram por tirar do ar, ok. Essa história me lembra muito quando o Spike Lee lançou uma campanha lá fora, Spike Lee lançou para um filme, olhando para fora, Spike Lee você não precisa, não preciso mas eu quero, me deixa, não quer contribuir, você não tem obrigação nenhuma. Ah mas você é Spike Lee. Sou e estou fazendo essa campanha, com isso vou ter uma liberdade que eu não teria com nenhuma produtora, com nenhum grande distribuidor e etc., aqui eu vou fazer do meu jeito, é isso que eu quero e eu tenho um público, meu público quer ver isso sendo feito do meu jeito. Então a meu ver o caso Zebeléo, voltando até ao que a gente estava falando, na hora de adaptar o projeto ao crowdfunding talvez ele não tenha sido… bom, com certeza ele não foi muito bem sucedido, não comunicou bem o que gostaria, mas fora isso é lícito, eles poderiam arrecadar para esse projeto de uma forma ou de outra, a obrigação de quem lança uma campanha, cumprir com o objetivo, ou seja, publicar o livro, ou CD, ou abrir hamburgueria ou seja lá o que for e entregar as recompensas.

Luciano             Não tinha nada errado lá, absolutamente nada errado naquele projeto.

Viviane              Ilegalmente não.

Luciano             Nada errado.

Viviane              De comunicação…

Luciano             A base dessa história toda é o seguinte: dá quem quer e acabou e ninguém tem que reclamar disso aí, mas em tempos de mídias sociais, você sabe o que acontece, aquilo virou um carnaval gigantesco. Quando é que acendeu a luz vermelha para vocês de que vai sobrar para nós aqui também?

Viviane              Olha não sobrou para nós…

Luciano             Não, eu não perguntei se sobrou, eu perguntei quando é que acendeu tua luz vermelha de que meu,  esse negócio está atingindo uma dimensão tal, eu cheguei a ler na imprensa os caras tratando o crowdfunding, o problema é o crowdfunding.

Viviane              Eu tive amigos meus que vieram in box para mim: vem cá, você não filtra campanha não? Como é que você deixa isso ir ao ar. Eu falei como assim como é que eu deixo? O que é que tem de errado? Ninguém feriu ninguém, nenhum animal foi morto, mas nenhum animal foi morto no processo, não tem nenhum erro, a gente não faz curadoria na Kickante, esse foi um dos grandes conceitos que a gente trouxe que permitiu também que o crowdfunding alcançasse a dimensão que ele tem, isso porque não sou eu Vivi, nem Candice, nem Kickante que vai definir se você deve ou não arrecadar fundos…

Luciano             Isso é a segunda parte da pergunta que eu te fiz, que é aquela como é que vocês se protegem para que não venha o Pablo Escobar fazer uma….. etc e tal. Como é que você faz.

Viviane              A gente analisa toda a campanha que é lançada, do ponto de vista legal, a gente tem uma blindagem legal na plataforma, então os termos protegem tanto quem está lançando campanha quanto quem está apoiando e a gente só faz repasse do valor ao final da campanha, assim como foi com você, então você termina a campanha, a gente tem mais 15 a 30 dias para terminar de receber esse valor e fazer a checagem legal completa. Então não tem risco, a pessoa não vai conseguir acessar o dinheiro antes do fim, a gente vai fazer essa checagem lá na última ponta, então o que a gente quer é que as pessoas venham, que se  interessem, que tentem fazer o seu sonho dar certo sim e a plataforma vai enviar para essas pessoas muitas dicas e muitas orientações como chegar lá.

Luciano             Isso é uma coisa importante que eu acho que a pessoa que está ouvindo a gente tem que saber aqui, o pessoal do Kickante enche o seu saco com dicas e com e-mails, já publicou tal coisa? Que tal você mandar um e-mail? Já botou no blog? Eles ficam te pentelhando e é legal porque a cada momento surge um negócio que eu não fazia ideia, você já escreveu um post no blog para falar a respeito? Nem pensei nisso, está na hora e eles ficam dando uma série de dicas. Aquilo que funciona para um, aquele cara fez assim, porque você não faz assim também, então tem toda uma consultoria que a gente recebe, não paga nada por isso, porque isso está embutido no projeto, vocês vão ganhar um percentual do projeto, existem dois tipos de projetos e é um projeto que garante que você recebe o dinheiro mesmo que não atinja o patamar e aí tem um percentual maior que fica para o Kickante, que eu não me lembro quanto era e tem outro projeto que é aquele que só paga se atingir, então preciso de 30 mil, arrecado 28, fechou o projeto não deu, o dinheiro volta para todo mundo que fez a doação ali.

Viviane              Se você então realmente precisa dos 30 mil e com 28 não consegue entregar, melhor lançar tudo ou nada, porque a sua obrigação legal vai ser cumprir com esse objetivo e entregar as recompensas, então se com 28 você não publica o CD, não abre a hamburgueria, não publica o livro, é melhor você devolver o dinheiro e se garantir e a gente só ganha sobre o que for, de fato, arrecadado, então nesse caso de devolver dinheiro para todo mundo você não paga nada para a Kickante, então é um negócio sem risco, não tem investimento prévio e a gente vai se dedicar à sua campanha na expectativa de que ela cresça.

Luciano             Muito legal, o conceito é legal, olha, eu estou falando como cliente agora, para mim funcionou muito bem, foi surpreendente, eu tenho um produto que não teria nascido se não fosse o Kickante, não teria o livro dos 10 anos do Café Brasil, não teria DVD, não teria nada disso, aliás, não teria toda a arrumação que eu tive que fazer para montar esse projeto inteirinho e montou a partir do momento em que vocês entraram em contato e vieram me especular aqui. Vamos lá. Partindo para o finalmente, quem tiver a fim de conhecer, saber, tomar contato, primeira coisa, lá num momento qualquer comprar o livro da Candice para entender como é que a coisa funciona, mas hoje, eu entro, acesso o quê? De que forma funciona?

Viviane              Legal, hoje você acessa kickante.com.br, lá em cima tem um “crie sua campanha”, ele vai te dar três opções, crowdfunding, que é esse  que a gente falou, com meta, com prazo, tudo ou nada, ou flexível; clube de contribuição mensal que é aquele que você convida as pessoas a contribuírem mensalmente, ou eventos do bem. Crowdfunding é o carro chefe, é o principal, que foi isso que a gente detalhou mais, então você seleciona ali e a plataforma vai te orientando, então você vai chegar no ponto da meta, putz, não lembro o que a Vivi falou, como é que era mesmo? Vai ter um botãozinho, om linkzinho de orientação, uma interrogação que você vai clicar, vai te direcionar para o nosso blog, vai dar exemplos, vai contar mais para você, então é uma plataforma muito intuitiva, a gente ganhou recentemente um prêmio de Fintech, justamente de User Experience, que é essa usabilidade, a experiência do usuário dentro da plataforma, por conta dessa grande interação, isso é super necessário, um time de 10 pessoas, 1500 campanhas, a plataforma funciona de maneira bem autônoma, então você sozinho consegue acessar e passar passo a passo, criar as recompensas, exemplos de outras campanhas, como criar o texto, como colocar no ar. Se você fizer a lição de casa, se assistir os cursos online que a gente tem no Youtube, se ler o nosso blog, tiver material prontinho, em 15 minutos você sobe todo o material e põe uma campanha para arrecadar e aí divulgar muito, como você falou e ler os nossos e-mails, a mesma atitude que esses e-mails têm em relação a você, criador de campanha, é que você tem que ter com o seu potencial apoiador, repetir, lembrar o cara de maneira criativa, contar de várias formas a mesma história.

Luciano             É muito legal, olha, isso aqui é um programa de liderança e empreendedorismo, então eu acho que isso aqui é uma prestação de serviço para quem é empreendedor, está nos ouvindo aí, quer empreender, não sabe como começar, tem um caminho aqui que pode ser que o crowdfunding seja essa grande saída, você que tem o teu CD para lançar, o teu show para montar, peça de teatro, livro, software para montar, um aplicativo, não tem limite, qualquer ideia que você tiver maluca aí, se ela agregar valor para alguém, tem um espaço para fazer acontecer no Kickante. Olha, adorei esse papo aqui, é bom a gente saber como é que as coisas começam, como é que elas funcionam e saber um pouquinho desse dia a dia, fiquei fascinado com essa história da empresa que não tem uma sede, vocês já estão levando ao extremo essa coisa toda, espero que continue crescendo, eu vejo, pelo que eu tenho visto, cada vez está mais abrangente e que deixo os parabéns para você, manda para a Candice, teu sócio também, que tem um impacto social por trás do trabalho que vocês fazem aí que não se vê, não dá para ver, a gente consegue vero livro pronto, mas o impacto social de transformar aquele sonho de alguém, esse menino do MIT, que você falou, como é que de repente a vida desse moleque mudou e ele volta para cá, um  belo dia esse cara vai ser presidente da república e fazer coisas acontecer por causa de uma ação como essa que aconteceu, um mecenas…

Viviane              Um mecenas que surgiu, que não surgiria de outra forma, que não ia achar ele onde ele estava. A Candice ganhou inclusive, esse ano de 2017, o prêmio da Cartier de iniciativas femininas sociais, então a gente foi para Singapura para defender toda a tese, foi uma experiência bem legal, vários projetos de várias mulheres do mundo inteiro, coisas incríveis, enfim, mulheres que estiverem ouvindo, que tem negócios de impacto social, vale a pena se inscrever, acompanhar, ver as outras histórias que estão lá, são muito inspiradoras e…

Luciano             Aonde estão essas histórias?

Viviane              É da Cartier, aquela marca de joias.

Luciano             Legal. Obrigado pela visita.

Viviane              Eu que agradeço, parabéns também pelo Café Brasil, foi um sucesso a campanha.

Luciano             Daqui a pouco apareço lá com outra campanha.

Viviane              Por favor, estamos esperando.

                                                                                   Transcrição: Mari Camargo