Assine o Café Brasil
Lidercast
Culpa e vergonha
Culpa e vergonha
Culpa e vergonha. Um artigo de 2007 revela o tamanho da ...

Ver mais

Por que eu?
Por que eu?
Ela foi a primeira mulher a assumir publicamente que ...

Ver mais

Cobertor de solteiro
Cobertor de solteiro
Cobertor de solteiro. Isca intelectual de Luciano Pires ...

Ver mais

O véinho
O véinho
Isca intelectual de Luciano Pires que pergunta: que ...

Ver mais

538 – Caçadores da verdade perdida
538 – Caçadores da verdade perdida
Podcast Café Brasil 538 - Caçadores da verdade perdida. ...

Ver mais

537 – VAMO, VAMO CHAPE
537 – VAMO, VAMO CHAPE
Podcast Café Brasil 537 - Vamo,vamo, Chape. Este é um ...

Ver mais

536 – A política da pós-verdade
536 – A política da pós-verdade
Podcast Café Brasil 536 - A política da pós-verdade. ...

Ver mais

535 – Hallelujah
535 – Hallelujah
Podcast Café Brasil 535 - Hallelujah. Poucos dias atrás ...

Ver mais

LíderCast 052 – Thiago Oliveira
LíderCast 052 – Thiago Oliveira
LiderCast 052 - Hoje vamos conversar com Thiago ...

Ver mais

LíderCast 050 – Bia Pacheco
LíderCast 050 – Bia Pacheco
LiderCast 050 - Hoje vamos conversar com Bia Pacheco, ...

Ver mais

LíderCast 051 – Edu Lyra
LíderCast 051 – Edu Lyra
LiderCast 051 - Hoje conversaremos com Edu Lyra, um ...

Ver mais

LíderCast 049 – Luciano Dias Pires
LíderCast 049 – Luciano Dias Pires
Lídercast 049 - Neste programa Luciano Pires conversa ...

Ver mais

045 – Recuperando do trauma
045 – Recuperando do trauma
Quando terminar o trauma, quando o Brasil sair deste ...

Ver mais

Vem Pra Rua!
Vem Pra Rua!
Um recado para os reacionários que NÃO vão às ruas dia ...

Ver mais

44 – Tudo bem se me convém – Palestra no Epicentro
44 – Tudo bem se me convém – Palestra no Epicentro
Apresentação de Luciano Pires no Epicentro em Campos de ...

Ver mais

43 – Gloria Alvarez – Sobre República e Populismo
43 – Gloria Alvarez – Sobre República e Populismo
Gloria Alvarez, do Movimento Cívico Nacional da ...

Ver mais

A carta que mudou a minha vida
Mauro Segura
Transformação
Mauro Segura conta em vídeo uma história pessoal, que teve origem numa carta recebida há 30 anos.

Ver mais

Tempo de escolher
Tom Coelho
Sete Vidas
“Um homem não é grande pelo que faz, mas pelo que renuncia.” (Albert Schweitzer)   Muitos amigos leitores têm solicitado minha opinião acerca de qual rumo dar às suas carreiras. Alguns ...

Ver mais

O caso é o caso
Fernando Lopes
Iscas Politicrônicas
Sobre a morte do assassino nojento, tudo já já foi dito; Fidel Castro foi tarde e deve estar devidamente instalado no caldeirão-suíte número 13, com aquecedor forte, decoração vermelha e vista ...

Ver mais

SmartCamp: as startups transformam o mundo
Mauro Segura
Transformação
Vivemos o boom das startups no Brasil e no mundo. O que está por trás disso? Mauro Segura esteve no SmartCamp, que é uma competição global de startups, e fez um vídeo contando a sua experiência.

Ver mais

LíderCast 043 – Claudio Tomanini

LíderCast 043 – Claudio Tomanini

Luciano Pires -

Luciano          Bem vindo a mais um LíderCast. Tenho diante de mim aqui, eu diria que era uma grande figura se ele não tivesse 1.62m de altura. Mas é uma grande figura, o ego tem uns 12 metros de altura, então está de bom tamanho. Aquelas três perguntas básicas que são as perguntas mais difíceis desse programa eu vou fazer para você agora, você está preparado?

Cláudio          Totalmente

Luciano          Como é seu nome, que idade você tem e o que é que você faz?

Cláudio          Antes de responder tudo isso eu tenho que dizer o seguinte, que Deus nunca dá duas coisas grandes para o mesmo homem, por isso que ele me deu um ego grande…

Luciano          Muito bem… você aprender isso, intelecto você podia ter dito. Uma grande força de vontade, uma grande bondade.

Cláudio          … aliás, antes de me apresentar tenho que falar o seguinte, algumas carreiras a gente escolha e assim como o Luciano, primeiro, você deu aula já, Luciano?

Luciano          Não, eu nunca dei aula.

Cláudio          Faz 21 anos que eu dou aula. Palestra, quanto tempo você faz?

Luciano          Ah faz vinte e porrada.

Cláudio          Eu, faz uns 10 anos. Você já foi diretor de empresa.

Luciano          Já fui diretor de empresa.

Cláudio          De marketing?

Luciano          De marketing, na área de comunicação.

Cláudio          Tal qual eu fui, você sabe que uma característica que eu vejo comum entre os profissionais de marketing, de vendas que é professor e palestrante, precisam ser um pouco narcisistas e egocêntricos e óbvio, ter um ego grande, se não você não consegue atuar com isso, mas pois bem, é Cláudio Tomanini, eu tenho 55 anos recém feitos agora no dia 6 de janeiro, olha como é que o ego é grande, no dia 6 de janeiro que é dia de reis…

Luciano          Muito bem, está explicado.

Cláudio          … entendeu? Não são três reis magos, o quarto nasceu 1961 anos depois e o que eu faço da vida? Eu fiz uma carreira na área comercial, apesar de ter exercido, de ter estudado durante um bom tempo aí, a área médica, eu acabei migrando, indo trabalhar dentro de um laboratório farmacêutico, do laboratório farmacêutico me identifiquei com a área comercial, fui trabalhar numa área de tecnologia quando computadores não existiam ainda, era só mainframes…

Luciano          Que idade você tinha?

Cláudio          … tinha 22 para 23 anos.

Luciano          Você se formou em que antes disso?

Cláudio          Eu fiz cinco anos de medicina, depois migrei para publicidade e propaganda porque acabei sendo legível para uma vaga dentro da Johnson & Johnson…

Luciano          Cinco anos de medicina. Cinco anos de medicina e depois migra para publicidade e propaganda, muito bem. Que idade você tinha quando você decidiu essa migração?

Cláudio          20 para 21 anos.

Luciano          20 para 21 anos, a hora que você deu a notícia para o seu pai e para a sua mãe que você estava largando a medicina para entrar para propaganda e publicidade, o que aconteceu?

Cláudio          Ah isso foi muito fácil explicar, primeiro que eu tinha 50% de bolsa, os outros 50% eu tinha que pagar. Veja, uma condição extremamente humilde, meu pai tem o primário, assim como minha mãe, morávamos, fui criado lá no Campo Limpo, um bairro na periferia de São Paulo…

Luciano          O que seu pai fazia?

Cláudio          Meu pai tinha uma profissão maravilhosa, tem porque eles são vivos, graças a Deus, meu pai era cartazista. Cartazista, alguém lembra o que é? E vitrinista.

Luciano          Sim.

Cláudio          Então ele fazia o cartaz a mão, eu me lembro de preencher faixas junto com ele, falava vai preenchendo aqui, minha caligrafia, que você viu aqui….

Luciano          É, caprichada.

Cláudio          … isso aqui é decorrente dele, alguém falou, alguém já falou assim para mim, você fez o curso do professor Di Franco? Eu falei não, nunca passei nem perto, mas trabalho com caneta tinteiro e tal, que veio de olhar ele fazer todos tipos de letra e etc.

Luciano          Você que está nos ouvindo aí não tem a menor ideia do que seja Di Franco, Di Franco é uma coisa da pré história que a gente fazia junto com as aulas de datilografia, numa época em que havia cartazistas, não é isso?

Cláudio          Isso.

Luciano          E que a gente mandava consertar o sapato, levava o sapato para arrumar a sola do sapato.

Cláudio          Caderno de caligrafia.

Luciano          Mandava afiar faca, lembra daquela época? Faz tempo. Mas termina, você veio de uma família humilde.

Cláudio          Então nessa condição e obviamente ao entrar na faculdade lá, a condição era muito paupérrima para fazer, mesmo com a bolsa tinha dificuldade, fiquei devendo dois anos de faculdade, então o que eu fazia para ganhar a vida? Uma das coisas era trabalhar vendendo avental para os próprios alunos que precisavam comprar o avental desde o primeiro ano, então eu ia lá no centro da cidade, no Bráz, comprava os aventais e vendia para os alunos, arrumei uma bordadeira, ela bordava, então para ganhar um dinheirinho. Aí descobri que eu podia trabalhar na lanchonete lá da frente porque aí o cara me dava o almoço e ainda uma graninha legal, eu atendia a garotada lá, então na minha hora de almoço, nas janelas eu ia ajudar o cara da lanchonete, mas não era… então olha quanta coisa, aí eu descobri que eu podia ir a alguns lugares na Santa Cecília ali que vendia equipamentos médicos como o estetoscópio, o laringoscópio, os  cuf e aí comercializava. Você vê uma coisa, quando a gente acaba deixando de lado aquilo que está no teu DNA, depois você tem que acabar voltando, caso contrário a tua profissão acaba não andando. Então, nunca foi problema de eu falar para os meus pais o que eu ia fazer, de que forma que eu ia trabalhar, muito pelo contrário, meu pai sempre me disse uma coisa, se você fizer com o coração, fizer com ética, com respeito, seja a profissão que você escolher, você vai ter sucesso nisso.

Luciano          Mas espera um pouquinho, pai e mãe humildes e de repente a perspectiva de que o filho vai se tornar doutor, olha como é bonito isso, olha como doutor é bom de falar, fala o doutor.

Cláudio          Doutor.

Luciano          Como é bom hein, doutor é um negócio que enche a boca, imagina pais humildes, meu filho vai ser doutor, eu não consigo imaginar nada mais fantástico do que isso trinta, quarenta anos atrás e de repente você chega para eles e fala não é mais doutor, agora é… não dá nem para explicar o que é, publicidade e propaganda.

Cláudio          Não, era vendas, eu tinha que fazer uma faculdade.

Luciano          Então não serei mais doutor, agora serei vendedor.

Cláudio          Vendedor.

Luciano          Não houve um…

Cláudio          No final da a mesma coisa, doutor – vendedor.

Luciano          Vendedor. Mas a mamãe não deu uma tremida lá na hora… ela falou filho, você tem certeza dessa loucura que você vai fazer?

Cláudio          Acredite se quiser, não. Não porque ela sabia dos… o quanto que era difícil fazer isso, comprar um livro de anatomia, fisiopatologia que eu tinha que pegar emprestado tal, o quanto que era frustrante, tanto que eu nunca disse… ela falou você tá fazendo a faculdade mesmo? Eu falei não, acho que nem to indo porque não dá para pagar aquilo agora tal, então durante muitos anos eu fui enrolando para não gerar frustração, porque ela falava assim, sabe qual que seria a maior frustração? Você entrar numa escola dessa e eu não poder pagar, ah ai eu falava não, tudo bem, mas olha…

Luciano          Para você não foi uma pancada, você falar não, o sonho do doutor deixa de lado e agora vou ser vendedor?

Cláudio          … acredite que não, quando eu vislumbrei o seguinte, quando eu fui fazer esse programa jovens médicos na Johnson e eu vi quanto que ganha aquele cara ali, ah ele ganha, salário de hoje, sete mil reais, tem carro da companhia, tem plano de assistência médica, tem benefícios e ainda pode comprar os produtos na lojinha, tinha isso antigamente, a lojinha da empresa com preço de custo, se você quiser você pode até revender, inclusive fralda que era caro, podia comprar por 30, 40% e comercializar isso aí. Eu falei o seguinte, gente eu vou ter que fazer o quinto, o sexto, o R1, o R2, são quatro, daqui a pouco até montar o consultório, vou ser refém de plano de assistência médica, que já era o caso, então daqui a cinco anos eu posso ganhar o que eu posso ganhar hoje, não numa visão imediatista, mas na hora que eu… e eu estava casando, garoto, novinho ah, que inclusive foi legal, porque durou dez anos, mais do que a faculdade, eu como é que eu posso fazer para ganhar esse dinheiro? E aí eu vi que aquilo lá era muito legal, então não, não foi frustrado, apesar de que até hoje, eu estou com 55 anos, até hoje as pessoas dizem o seguinte: mas vendedor? Vendedor é para quem não dá certo em nada na vida, que é a visão destorcida, porque você vê que o cara vai trabalhar em vendas até arrumar um emprego e aí a gente verifica que muito poucos fizeram disto, de fato, uma carreira e muitas vezes a vida te conduz a isso, mas olha que curioso, nesse intermédio eu fui trabalhar numa rádio, que tinha uma rádio em Santos depois tinha uma em Campinas e eu acabei durante um período pequeno, à noite, fazendo locução, fazendo “boa noite pra vocês, que bom tá aqui junto com vocês, as românticas que vão tocar em Tóquio, Nova York, Londres e aqui na sua rádio que explode em seu coração”. Então você pode imaginar isso? E aí com dezenove anos o glamour da rádio que todo mundo imaginava que não era o cara de 1.60m, era o cara de dois metros de altura, olhos verdes, barriga tanquinho e que falava de uma forma mais glamorosa…

Luciano          Meu amigo Irineu conta umas histórias maravilhosas, que o Irineu também, é bem alto, o Irineu tem um metro e…

Cláudio          sessenta e oito…

Luciano          … e aí ele falava, a mulherada ouvia aquele vozeirão e aí quando eu chagava lá ela olhava aquilo e falava não é possível.

Cláudio          Não é possível. Aliás o Irineu eu conheço dessa época, de muito tempo atrás, trabalhando, mas eu naveguei por muito pouco tempo isso, então não podia, não podia ser isso, mas tem uma história muito legal disso, que eu não conto em palestra e talvez até nem você, que é meu amigo, sabe disso: eu tenho dislexia, dificuldade de aprendizado tal e a dislexia me dava gagueira e a gagueira fazia que em qualquer situação de pressão eu ga… ga.. gaguejasse mu…muito. Quando fui fazer fono da prefeitura, inclusive a única coisa que a mulher falou para mim foi não vai ter problema nenhum, você vai conseguir reprogramar, então a dislexia vai ser uma coisa que você nem vai notar que teve, porque você reprograma a tua cabeça, agora, o da gagueira você vai amenizar, mas toda vez que você ficar nervoso, dá pra notar claramente, você vai conseguir ter, então você pode fazer qualquer coisa da vida, menos ganhar a vida falando.

Luciano          E hoje o cara é professor e palestrante e foi radialista.

Cláudio          E é muito legal isso porque eu adoraria encontrar ela pra dizer vem cá, não é o que você diz que eu sou capaz, mas é o que eu quero, é o que eu sou capaz e sem fazer conselho de auto ajuda nisso, é verdade, a vida inteira tudo aquilo que diziam não dava, eu queria e eu acho que isso foram desafios que foram colocados na vida. Se eu falo esse negócio, dá pra fazer palestra só disso é que eu nunca quis ir trabalhar por esse apelo, mas você imagina que eu estava no incêndio do Joelma, no primeiro de fevereiro de 74 e fui uma das poucas pessoas que saiu de lá sem um único arranhão, onde falavam o seguinte, como pode? Eu digo, meus anjinhos da guarda, São José e todos os outros estavam… ah mas não estavam olhando para os outros? Falei não sei se estava olhando para os outros, mas para mim eles estavam e conduzido… e conduzido.

Luciano          Espera ai que eu vou querer saber dessa história do incêndio, mas antes disso eu quero voltar naquela fono, você vê a importância, se você fosse um sujeito que não acreditasse em sim mesmo, um cara inseguro e tudo mais, aquela mulher tinha acabado com a tua vida no momento em que ela disse para você que você vai fazer qualquer coisa na vida menos ganhar dinheiro falando, ela tinha, não vou dizer acabado com a tua vida, mas teria levado você para um outro caminho porque você ia incorporar aquilo e falar bom, a doutora disse que eu não sou capaz, não é? Você vê como é pesado isso? Como é que essa mulher pode ter influenciado a vida de muito mais gente que se não teve a segurança que você teve, partiu para um caminho que não era o…

Cláudio          Olha, se isso chamar segurança, eu não sei o nome que dava pra isso, eu lembro que chorei, que fiquei triste pra caramba e além disso, outras situações na vida que te fazem também chorar, ficar triste e etc. Você fala ah havia uma luz interior, eu não sei como é que chama isso, eu sei que a vida vai te colocando algumas coisas, vão desenhando algumas coisas que você quer percorrer aquele caminho, mesmo com medo, porque eu fala não, você tinha segurança, mentira, eu tinha medo, eu tinha insegurança, a única coisa que eu não queria era desistir, porque eu acho que o grande apelo disso foi quando eu tinha uns 10 anos que a minha mãe, meu pai trabalhava numa empresa que era Mitch e a empresa faliu, meu pai ficou sem salário seis, sete meses, nós tínhamos 10, 11 anos e o meu pai, eu peguei ele chorando, eu sou mais velho de cinco irmãos, ele falou o seguinte, eu estou… para a minha mãe, que homem incompetente que eu sou que eu não consigo nem trazer comida para dentro de casa. E eu escutei aquilo e eu fui lá, abracei e falei pai, não se preocupa não porque um dia eu vou ganhar muito dinheiro e nunca vai faltar comida. Eu acho que isto dai tem uma implicação muito legal, primeiro que eu tenho um pai, uma mãe maravilhosos, uma mãe mais enérgica, mas dada ao ponto certinho, um pai mais amigo no ponto certinho e que cinco filhos foram criados desta forma, com dignidade absurda, a casa da minha mãe dava enchente, era a primeira casa que esvaziava a água e ela fazia todo o pessoal da rua, que era uma favela do lado de baixo, viesse para dentro da minha casa onde ela acolhia todo mundo e só na hora… que demorava três, quatro dias, que acabava a água ela deixava as crianças ir para lá, então esse conceito de união, de família de assistencialismo até, nós aprendemos o seguinte, que com muito pouco pode ser dividido, quer dizer, eu aprendi não, eu vivi, porque tem gente…

Luciano          Generosidade.

Cláudio          … eu acredito que muito do meu caráter vem disso, apesar de que muita gente que me conhece vai falar, ah Cláudio, mas você é muito metido. Eu falei sou mesmo cara, tudo que eu tinha que ser humilde eu já fui, agora eu gosto só de coisa boa, não gosto de coisa meia boca não. Ah mas você é muito bravo nas coisas, eu falei não, eu só não consigo entender o cara que é preguiçoso, eu tenho dificuldade disso, de executivo enrolão pra caramba, de executivo de oba-oba, porque a vida mostra que não é isso que vai conduzir alguém ao sucesso, mas é em cima de muito trabalho e dedicação, então é um emaranhado disto que faz, eu não iria acreditar nela porque eu tinha que acreditar em mim, agora, se chamava acreditar, eu só tinha medo e é aí onde que vai, de voltar àquela situação que era do que? O que me impulsionava pra a frente era o que eu tinha visto lá atrás, eu não queria passar fome, eu não queria que a minha família passasse isso e aquilo me conduziu é para falar cara vai, por que? Não tem jeito de ser menos do que o que tinha, então continua e se vai dando certo, vai dando certo.

Luciano          Legal. Quem está ouvindo a gente aqui está desesperado para ouvir a história do Joelma lá, então vamos lá. Joelma foi um incêndio, aliás São Paulo teve dois incêndios icônicos nos anos 70, que foi o Andraus e o Joelma, foram duas tragédias gigantescas na cidade de São Paulo, que foram transmitidas pela televisão, então juntou tudo porque era a primeira vez que acontecia um incêndio dessas dimensões transmitido ao vivo pela televisão, pela mídia como um todo, o pessoal se jogando lá do alto, foi um negócio pavoroso aqui que marcou realmente a cidade de São Paulo e o Joelma foi o pior dos dois né?

Cláudio          312 mortos.

Luciano          Pois é, foi terrível aquilo e você estava lá. Que idade você tinha?

Cláudio          74 eu tinha 13 anos.

Luciano          Fazendo o que lá?

Cláudio          Eu era office-boy, eu comecei a trabalhar com 9 anos, doze registrado, não é essa estupidez que tem hoje que ala que jovem não pode, você vê “uns cavalão”, de 1,80m, com 16, 17 anos dizendo que não pode trabalhar, mas enfim, não vamos entrar nessa. Eu, o meu pai me deixou ali na porta, tinha um banco, se não me falha a memória, era o Crefisul, eu lembro que tinha a poupança Continental no andar de baixo e Crefisul, eu fui pagar conta da empresa que me deixou lá, aquelas coisas que office-boy fazia, tinha uma lanchonete no sétimo andar, eu fui lá tomar o café da manhã, pão com manteiga, que até hoje adoro, com café com leite…

Luciano          Deixa eu só situar um pouquinho mais as pessoas aqui porque a turma que é de fora não sabe muito bem dessa história aqui, mas o Joelma, ele está situado num lugar interessante da cidade, porque quando você fala que era um prédio, as pessoas falam, São Paulo, logo imagina um prédio do lado do outro, tudo do ladinho, naquele lugar, naquele centrão, não é assim, o Joelma está num lugar que ele está sozinho, é o único prédio, numa espécie de um vale e quando você olha você vê aquilo tudo baixinho e de repente levanta um prédio sozinho ali no meio.

Cláudio          … aliás vamos lembrar que ali é o Vale.

Luciano          é o Vale…

Cláudio          … do Anhangabaú

Luciano          Vale do Anhangabaú e ali é… ali naquele lugar era o único prédio que tinha ali.

Cláudio          … o único.

Luciano          Então quando você olha de longe, você vê aquele vale e um prédio em pé e de repente esse prédio pega fogo.

Cláudio          Que aliás, interessante que você passa, eu passo direto ali, é um prédio pequeninho hoje, é um prédio pequeno, se não me falha a memória, vinte, vinte e dois andares, só que antigamente as escadas magirus, que aliás eu acho que até hoje, que tem um outro perfil de tecnologia, a escada magirus não  chega até em cima e na ocasião do incêndio, os helicópteros não conseguiam se aproximar pela…

Luciano          Pelo calor.

Cláudio          … pelo calor, os materiais eram altamente inflamáveis e etc, não tinha as portas corta incêndio e tal, enfim, ali deu um novo modelo dentro dos prédios, que primeiro foi o Andraus, depois foi esse e aí foi refeito todo  plano de construção de edifícios, a partir disso, quer dizer a história mostra isso, você precisa ter um caos, passar por um caos para ter uma mudança, porque até então a mudança só incomoda, até a hora  que você fala não, ela é necessária para fazer uma coisa que nós estamos falando até, que é fazer o que? Antever o problema.

Luciano          Exatamente. Ninguém muda quando vê as coisas, só muda quando sente o calor, essa é essa coisa. Mas vai lá, você estava lá, o garotão, seu pai te deixou…

Cláudio         Meu pai me deixou lá, ele trabalhava na Rua Direita, numa loja chamada Binoca, que era antiga, fazia os cartazes lá, na época que tinha a Eron, que tinha o Rei, que eu adorava, o Rei da Linguiça, o Rei da Linguiça e ali perto, perto da Bolsa de Valores, tinha o Rei da Salsicha, eu adorava ir para o centro da cidade porque eram umas coisas, as coisas legais estavam no centro da cidade, você fala onde que tinha a melhor coxinha, no centro da cidade, o melhor cachorro quente, centro da cidade…

Luciano          O Rei do Mate…

Cláudio          … o Rei do Mate no centro da cidade…

Luciano          O Gato que Ri…

Cláudio          … o centro da cidade era uma coisa muito interessante, tem, mas enfim, aí eu subi, estava tomando café e aí você escuta fogo, fogo, fogo, fogo, fogo, o anjinho da guarda diz o seguinte: espera para ver o que dá, espera para ver o que dá…

Luciano          Mas você estava na lanchonete que é, primeiro, segundo andar?

Cláudio          … no sétimo…

Luciano          Ah, sétimo andar. Pô, estava alto já.

Cláudio          … é, e o… mas o curioso que o incêndio começou no sétimo andar e aí vai, vai, vai, não vai, no resumo da história, quando ele começou a invadir o sétimo andar, porque era de baixo para cima, mas ele subiu muito rápido, o sétimo andar… eu saí e fui uma das últimas, talvez a última pessoa a sair, o bombeiro me pegou achando que eu estava com alguma coisa, falei não tenho nada, está tudo bem, obviamente na minha passagem entre o carro do bombeiro até o carro da ambulância, só para ver se eu estava bem, colocaram oxigênio, tal…caiu pelo menos uns dois corpos do meu lado, quer dizer, corpos não, pessoas né, eu lembro que a impressão que tinha, essa bexiga quando você joga com água e faz… é o barulho é igual e a situação é muito igual, eu até olhei aquilo e fui para a ponte, falei não, tudo bem, acredite uma coisa, devia ter mais ou menos o que? Um milhão de pessoas olhando aquilo, parados, se não tinha isso tinha perto disso…

Luciano          Parou o centro.

Cláudio          … o meu pai me achou no viaduto, num canto, sentado chorando, me achou no meio de tanta gente, ele foi falou como? Eu falei não sei, eu sei que eu vim e já sabia que você estava aqui em cima, me pegou, foi embora. Agora, olha como é que é a inteligência emocional de pai e mãe, me acolheu, chorou junto comigo, está tudo bem filho? Está. Pôxa, que Deus proteja todo mundo ali porque, enfim tal, no dia seguinte eu sempre quis ter uma bicicleta, eu não poda ter uma bicicleta, uma bicicleta, ele e minha mãe me pegaram, olha, cinco filhos, me pegaram, finalzinho de tarde, seis e meia da tarde, eles tinham um carrinho, que era um Fusca AX 6373, eu lembro até a placa do Fusca, cara me veio agora na memória, um azul. Nós fomos no Mappin, que é lá perto, passamos pelo, olha isto, passamos pelo incêndio ali, pelo… o rescaldo do incêndio ali, passamos, fomos para o Mappin, na Praça Ramos, naquele elevador pantográfico lá, você lembra disso daí né?

Luciano          Lembro, perfeitamente.

Cláudio          … é, que era o primeiro andar, louça, móveis, não sei o que. Segundo andar e o cara lá fazendo isso daí, me levou para a loja e falou, escolhe a bicicleta filho, falei por quê? Porque nós não demos para você no dia do aniversário porque não dava, mas nós vamos comprar essa bicicleta para você hoje, já estava previsto que nós íamos comprar a bicicleta. Olha o legal disto, então eu comprei uma Berlineta, Berlineta, olha que coisa maravilhosa, tinha… você virava o guidão para ficar mais baixo, mais alto ali só com uma travinha, então a imagem que acabou ficando para mim foi o seguinte: incêndio me deu recompensa. A vida me deu recompensa. Então nunca passei por uma situação ruim na vida que não tivesse depois uma grande recompensa, isto é o mais legal, mas você fala assim ah, você é iluminado. Não, eu não acredito que o Homem lá em cima fala aquele lá eu vou fazer sofrer, aquele lá eu vou fazer… não, mas é como que você faz a leitura da tua vida, alguns poderiam fazer a leitura de ah foi tudo ruim, que não… a lembrança que eu tenho não é do incêndio, não me deixou trauma nenhum, a lembrança que eu tenho é: eu ganhei uma bicicleta no dia 2 de fevereiro de 74, olha que legal isso daí.

Luciano          Quando estava todo mundo chorando os mortos…

Cláudio          Não sei porque…

Luciano          … você tinha 13 anos.

Cláudio          … é, porque na minha cabeça não era isto, eu passei por uma emoção forte, até então nossa, e no dia seguinte ganhei uma bicicleta, sabe como é que é? Que que um garoto de 13 anos até vai fazer com isso daí? Nada. Lembrar da recompensa.

Luciano          Mas vamos lá, voltamos lá, você fez então a tua escola, fez o teu curso de publicidade e propaganda, foi isso?

Cláudio          Fiz lá na FIAM-FMU.

Luciano          Sim, se formou e foi trabalhar onde?

Cláudio          Eu estava na Johnson, aí eu recebi um convite lá, um cara falou ó, tem uma vaga lá de cara de vendas na ADP Systems, o maior bureau de serviços do mundo, uma empresa que era em New Jersey, no EUA e aí fui lá fazer a entrevista, eram duas empresas, duas, tinha a Cybron Kerr e eu vou explicar o porque que eu repeti de novo, é a ADP Systems, então a primeira que eu fui Cybron Kerr, porque Cybron Kerr é em Guarulhos e o salário era muito legal, tinha carro da companhia, tal e fui lá e fui na DP porque eu falei, vai ficar como backup, porque eu queria sair da condição de propaganda, tal para fazer uma carreira mais ascendente nisso, não daquela multinacional.

Luciano          Você era o que nesse momento lá na Johnson?

Cláudio          Propagandista.

Luciano          Propagandista.

Cláudio          É, que é o rap.

Luciano          Pega a malinha e lá vou eu…

Cláudio          Isto, vou lá eu falar de fisiopatologia com um visual age na mão que…

Luciano          Quer dizer, você não se livrou dos médicos?

Cláudio          … não e falava assim, olha que legal, falava doutor, Nisoral aumenta permeabilidade da membrana celular, o senhor já teve a oportunidade de utilizar um produto como um antifúngico como esse aqui? Ele é totalmente novo, olha como é que você apresentava e hoje o bait marketing de vendas continua sendo o laboratório farmacêutico, em controles, em processo, tudo, tudo, na aula que eu dou eu uso essas bases e olha que curioso, o processo de vendas de trinta e poucos anos atrás, 70% das empresas ainda não tem aquilo que os laboratórios tinham, e como evoluiu isso daí, laboratórios, Ambev, e aí vai embora, mas pois bem e aí eu fui na Cybron Kerr, o salário era maior, vaga legal…

Luciano          Também era no segmento de medicina, tudo médico?

Cláudio          Era, Cybron Kerr vendia equipamento para consultório de odontologia, eu ia ter que falar com os dentistas e com equipamento de ponta que era, tal. Bom, legal, passei por uma entrevista, duas entrevistas, número de candidatos foi cada vez diminuindo mais, trezentos candidatos, duzentos, cem, cinquenta, trinta, dois. Dois, fui para entrevista com o presidente lá e aí saí de lá ele falou ok, qualquer coisa a gente chama, aí veio… esperei, o outro cara também saiu, foi embora, o diretor de RH falou o seguinte, frasão, “espera um pouquinho só”, falo por que? Eu quero te falar uma coisa, olha ai de novo hein, de novo, lembra da fono? Então, de novo, ele veio e falou Cláudio, infelizmente você não foi aprovado, agora, o motivo que você não foi aprovado eu vou te dizer porque eu acho um absurdo, isso aqui não vai ser a empresa que eu vou querer trabalhar, ainda mais, isso aqui foi a gota d’água do que eu escutei, ele falou que ele não queria te contratar porque você parecia ser um rapaz muito bom, competente, etc e eu validei que entre os candidatos você é o cara mais preparado para esse mercado, pela tua formação, pelo teu conhecimento, pelo jeito de falar e etc, etc, pela tua disciplina, nunca chegava atrasado, não vamos questionar isso, porque ele fala que eu sempre chego….

Luciano          Mudou bastante, mudou bastante.

Cludio            … mas ele não te admitiu porque ele falou o seguinte, que você não tinha altura para ser vendedor, que o vendedor tinha que ser alto para mostrar poder, para intimidar o cliente, por isso o conceito da venda agressiva e ele achou que você não poderia jamais ser vendedor, inclusive ele falava uma coisa, falou fazia medicina, queria saber como um cara da tua altura ia operar , porque a mesa de operação era maior e eu achei aquilo… mas eu posso dizer uma coisa para você garoto? Não desiste disto não, porque você tem esse talento, vai embora, continua. Você lembra da fono? Olha ai, de novo eu recebi um feedback negativo, dizendo que não dava e um outro cara dando um apoio.

Luciano          Que não tinha obrigação nenhuma de fazer isso para você.

Cláudio          Não, mas ele ficou indignado e achou aquilo um absurdo, mas me lembro dele até hoje, pois encontrei com ele, mandei o primeiro livro que eu escrevi, eu mandei para ele, com uma dedicatória dizendo que ele tinha uma parte muito importante da minha vida estava lá e o livro chamava “Gigantes das Vendas” que era junto com outros caras, foi o primeiro a ser publicado, onde que eu tinha uma parte lá que era minha e eu falei, olha o paradoxo, hoje eu estou num livro que chama “Gigante das Vendas” e ele depois me ligou me dando um obrigado disso daí. Mas olha como é que a vida vai te colocando, mas enfim, aí fui trabalhar na DP, os primeiros dois, três meses lá dentro desesperado porque eu vendia o almoço para comprar a janta e falei o seguinte, eu não nasci para isso, pelo amor de Deus eu não estou ganhando dinheiro, porque ali era um salário pequeno, eu saí de um salário grande, mas com uma perspectiva de ganho grande e eu via cara ganhando dinheiro pra caramba, quarto mês nada, quinto mês quase nada, sexto mês e cara, não dava para pagar a prestação do apartamento que eu tinha comprado, sétimo mês eu falei: preciso arrumar um emprego, não vai dar, não vai dar, naquele hiato de desespero, o meu chefe, Marcelo Escorel Costa, um cara que jogava basquete no Pinheiros, profissionalmente, tal, imagina, ele falou assim: Claudinho, falei não Marcelo, estou desesperado, ele falou calma, planta, aí ele fez lá, falou assim, isso aqui é um laguinho, quanto mais você coloca aqui, até a hora que o laguinho vai transbordar, ele fez isso didaticamente comigo, teu laguinho está faltando pouco, não desiste agora, porque senão alguém vai colher o que você fez, não desiste, mas não deu quarenta e cinco dias comecei a vender e com resultado legal, o resultado disso foi o seguinte: no ano seguinte, eu era o terceiro de cinquenta caras, o terceiro em vendas,  no ano seguinte, segundo em vendas e depois, durante cinco, seis anos eu me mantive entre primeiro e segundo em vendas, acabei alcançando o recorde mundial, porque a ADP era uma empresa multinacional, mundial de vendas, alcançando o valor de 759% da cota. Hoje eu, como executivo de vendas que fui, consultor de vendas eu falo o seguinte, alguém tem 750% da cota, consegue bater, é porque fizeram a cota dele errada, mas eu fui buscar com muito empenho aquilo lá para conseguir ter o grande sucesso.

Luciano          Você falou esse negócio do laguinho, eu bati um papo outro dia com o nosso amigo Max Gehringher e eu estava questionando o Max para ele me contar como é que foi a história dele, como é que ele se tornou um dos maiores palestrantes do país, tudo mais e o Max me contou um negócio interessante lá que ele estava dizendo o seguinte. Ele falou, quando eu comecei a fazer palestra eu sofria muito, porque eu ia, fazia palestra, todo mundo adorava, terminava os caras vinham conversavam comigo e não rolava nada e não chamava de novo, não acontecia outra e eu fui fazendo aquilo e falava, não vai dar certo esse negócio aqui, eu vou, todo mundo adora mas não chama de novo  e não acontece, até que um dia, de repente eu acordei e a roda começou a girar, ele falou: e de repente, do nada, começaram a me chamar de novo. Então, eu havia construído uma massa crítica, que estava esparramada e que de repente aquilo juntou e transbordou o laguinho, do jeito que você falou, e ele falou, aí a roda começou a girar e eu comecei a entrar num processo de uma coisa…. só que tive que passar durante três, quatro, cinco, seis anos aquela agonia de saber que todo mundo adorava e que não rolava nada na sequência, que eu acho esse conceito interessante de encher o laguinho, eu falo muito sobre essa coisa da paciência, quando o pessoal vem me… a garotada vem perguntar para mim, pô como é que faz? Quero construir minha carreira. Eu falo olha, tem um negócio que você não consegue forçar e esse negócio chama-se tempo, você tem que dar tempo ao tempo, não adianta você começar agora achando que em uma semana, em um mês, que é o problema dessa molecada hoje em dia, eu quero já, eu quero agora, eu quero o maior salário, eu quero cargo, eu quero tudo já. Não tem já, leva tempo, tudo leva tempo.

Cláudio          Luciano, tem uma coisa que é muito interessante. Tudo bem, a garotada dessa faixa de idade de hoje, que é assim, eu tenho uma filha de 25 que mora na Nova Zelândia e ela é uma antecipadora de tudo, ela estava bem aqui, ela é também da área de saúde, se formou, foi para a Nestlé, foi fazer um estágio na área de venda, você nasceu para isto e foi ser representante, a mesma coisa que eu fiz, incrível, mesmo ganhando bem falou eu não quero viver aqui mais, foi para a Nova Zelândia, trabalhou num subemprego até para subsistir, enquanto fazia o mestrado lá, então foi trabalhar em loja, e agora trabalha lá como gestora de marketing numa empresa que atua toda a Ásia e Oceania e está feliz para caramba. Pegou seu visto de trabalho, ela é antecipadora, fala inglês, fala espanhol, falou agora preciso fazer mandarim, falou pai, é difícil para caramba, mas eu tenho que fazer esse negócio como objetivo, então vai trilhando. Então tem alguns que são, ela também é ansiosa, quer o resultado de curto prazo, mas são fazedores, são antecipadores de muitas coisas, em tecnologia sabem utilizar, sabem ser multidisciplinar, coisa que nós fomos educados no passado a dizer o seguinte: você está estudando, então desliga a televisão, desliga o som e dê foco nisso daqui. Hoje a garotada e a gente vê que muitos conseguem com grande êxito, conheço meninos que entraram em medicina, são… eles conseguem mexer no computador, falar no WhatsApp, fazer, assistir televisão, assistir o Friends que é um programa antigo para caramba e eles adoram isso daqui, escutar Led Zepelin que é paradoxal, Deep Purple e o caramba, porque não é da geração deles, mas eles gostam de escutar e estudar e prestar atenção…

Luciano          Enquanto passa o pé no cachorro.

Cláudio          … enquanto passa o pé no cachorro, então essa condição de multidisciplinaridade é uma coisa muito legal, porque no meu tempo, no teu tempo, eu digo de rapaz da mesma faixa de idade, diziam o seguinte para a gente: vá trabalhar numa empresa, tenha carteira assinada, para você se aposentar, fique o tempo maior, quanto mais tempo você ficar na empresa, mais o dono vai gostar de você, a empresa vai gostar de você…

Luciano          De preferência no Banco do Brasil.

Cláudio          … ah não, aí seria fazer a carreira, mas aí era mais conhecido se fosse uma cidade pequena, era o cara do Banco do Brasil, era o delegado e o padre da cidade.

Luciano          E a cafetina.

Cláudio          É, isso.

Luciano          A dona do puteiro.

Cláudio          É, que a gente traçava quando era moleque. Você estudou no Mackenzie…

Luciano          Estudei, volta…

Cláudio          Você está lembrando do Makcenzie, da tia Olga…

Luciano          Volta lá. Eu não sei o que é Tia Olga, vamos voltar lá…

Cláudio          É, depois a gente pode entrevistar…

Luciano          Certo, volta lá, aquela história que eu estava falando com você, da questão do tempo e da maturação, que você, isso você, por mais que você queira, você não consegue eliminar a equação tempo do processo.

Cláudio          Não.

Luciano          O laguinho tem que encher.

Cláudio          Tem. O que a gente pode fazer, obviamente, que antes o tempo era de dez qualquer coisa, dez anos, dez meses, não importa, hoje a gente pode fazer uma abreviação disso para quatro, cinco, mas de qualquer forma precisa. Você vê uma coisa, conseguiu antecipar o tempo de tudo, mas se um nenê nasce antes dos nove meses, ele não nasce completo, tirar um nenê com cinco, seis meses, sete meses, ele  vai nascer com algum problema ou vai precisar de uma intervenção ali para que seja estabelecido de energia para que ele tenha sobrevida, não é vida.

Luciano          Vamos elaborar isso um pouquinho mais, o pessoal que está ouvindo a gente, uns contestam esse tipo de coisa, então eu falo o seguinte, se a gente comparar como era a dificuldade nossa quando nós tínhamos vinte vinte e poucos anos, então por exemplo, para eu poder estudar um determinado tema, eu tinha alguns caminhos. Ou eu vou pegar a Barsa, ou vou pegar a Enciclopédia Conhecer, ou vou entrar na biblioteca, ou eu vou ler dois, três, quatro, cinco livros, vou ter que fazer uma pesquisa na unha, vai ser um negócio complicado, que demandava um tempo muito maior do que demanda hoje. Então para eu ter acesso para um volume de informação que eu tenho hoje, dava muito mais trabalho, demorava muito mais e às vezes eu nem chegava até lá, porque eu não conseguia nem encontrar a informação. Hoje a tecnologia te bota na mão ferramentas que você tem acesso a qualquer informação no menor prazo possível, então eu não tenho mais que me deslocar até a biblioteca, eu ganhei esse tempo, eu não preciso mais nem ler um livro inteiro, eu já encontro canais que me mostram a sinopse e o que interessa ali, eu ganho tempo. Eu tenho tecnologia que me permite juntar as coisas e o computador faz o trabalho de processamento que eu teria que fazer na mão, ele faz hoje e eu consigo tirar uma planilha ali onde eu tenho tudo relacionado ali, ou seja, eu consegui, em função da tecnologia, reduzir muito o tempo de garimpagem, o tempo de busca, mas o tempo de processamento aqui dentro dessa caixa que está aqui no cérebro, eu não consegui, isso aqui tem uma questão física, o volume de informação que eu consigo jogar aqui dentro não aumentou, o cérebro está do mesmo tamanho, ele é igual ao que era antigamente, então, é, eu não consigo ampliar, eu tenho um tempo de reflexão, eu tenho um tempo de timing que eu preciso…. elaborar, então não dá para pular isso, isso que eu quero dizer para você, quando eu falo o seguinte, tem que ter tempo, eu digo o seguinte, você tem  que refletir a respeito, tem que parar para pensar, tem que elaborar a informação.

Cláudio          Eu vou discordar de alguma coisa tua aqui. Primeiro o seguinte: quanto mais informação você busca em multidisciplinaridade nisto, maior são os sinapses que você gera, ele gera uma estrutura e é mais ou menos o seguinte, quanto mais informação se coloca para o cérebro e mais velocidade você coloca, mais ele é habilitado para pensar mais rápido e para fazer conexões mais rápidas, isso é provado cientificamente. Neurocientistas provam isso daí, como é que é criado isto, quando você tem coisas por hábito, o hábito fica lá, estabelecido, mas quando você cria um novo modelo para quebrar com esse hábito, ele se sobrepõe através de outras sinapses e outros mecanismos aqui, aonde mostra o seguinte, está lá aquela forma lenta de você fazer, mas você conseguiu sobrepor com uma outra sinapse, a forma mais ágil, mais  rápida de pensar. Quando você estimula aqui, o outro continua lá, aquela outra forma mais lenta, mas se sobrepõe e leva vantagem aquele que trouxe maior benefício para você, mais beneficie para você, então o nosso cérebro, isso é comprovado, nós usamos ainda uma quantidade muito pequena dele, ele pode ser expandido, ele pode ser expandido e como é que você expande ele? Não é assistindo televisão, quer dizer, televisão não expande? Expande, numa velocidade pequena, só que você está sendo receptivo naquilo, você precisa ser estimulado, a estimulado, exatamente isso, a sinapse, ela precisa ser estimulada, você faz isso aqui, a leitura, a leitura é um negócio fantástico, porque ela faz você navegar e criar imaginação daquilo, a imagem é a que você vai criar dentro da sua cabeça, não é a que está vindo pelos seus olhos…

Luciano          É a mágica do podcast.

Cláudio          … do podcast, isto…

Luciano          É a mágica do podcast.

Cláudio          … daquela que eu falo desse jeito e você mulher do outro lado nem sabe como sou.

Luciano          Ou é a sua cabeça que você vai montar a imagem que está sendo colocada ali.

Cláudio          Isto.

Luciano          Eu entendo, eu não sei se nós estamos falando da mesma coisa, vamos tentar chegar, vamos elaborar bastante isso aqui. É evidente que esse treino e essa capacidade que a gente tem de elaborar e trazer mais coisas vai determinar uma capacidade maior de você tomara decisão lá na frente e tudo mais, eu vejo alguns riscos que é você, de repente, começar a lidar com o superficial, quer dizer, você não mergulhou mais fundo e eu fiz tão rápido que eu tomei a decisão e ela não foi até o fundo, ela não cuidou da antecipação, qual é a próxima jogada? Eu estou tão focado no agora que eu esqueci de imaginar a próxima jogada lá na frente.

Cláudio          Tá, isso tem muito do que a gente tem visto aí dessas ações messiânicas até de auto ajuda, dizendo que o passado não importa, que o futuro não importa, o importante é o hoje, viva o agora, seja forte no agora e eu tenho vontade de subir no palco e dar um tapa na orelha do cara que fala um negócio desse porque é o seguinte, o passado… é mais ou menos o seguinte, dizer que a história não conta…

Luciano          Sim, aquilo que te fez, aquilo que te construiu e te trouxe até aqui, se você não tem consciência de como é que eu cheguei aqui e o que me trouxe até aqui…

Cláudio          Casuísmo

Luciano          … é, eu sem história eu repito a cagada, eu faço tudo de novo…

Cláudio          … por isso, falam de viver agora…

Luciano          … você que gosta tanto da etimologia da palavra, se eu não sei como é que aquilo foi construído, eu perco uma chance de entender melhor o que aquele conceito está sendo colocado ali.

Cláudio          … por isso que eu gosto, não da palavra decisão, mas de estruturar caminho, também da etimologia, porque decisão é de ruptura, ruptura decisão, eu gosto de trilhar o caminho muito mais eficiente, bom, qual é o caminho que você vai trilhar, não é? Qual é a decisão que você vai tomar? Qual é o caminho que você vai seguir? Isto é muito legal.

Luciano          Sabe um negócio bem legal que você falou aí, essa história toda do viver agora e o futuro não interessa e o passado não interessa, eu até entendo isso mas a minha percepção que eu tenho dessa história é de um outro jeito, até usei isso bastante num podcast, vou usar num trabalho que eu estou fazendo agora, qual é a questão do agora? Não é a questão de que o que veio antes não importa e o que vem na frente deixa para depois, é o seguinte: viver agora significa se você está agora, mergulhe intensamente nesse momento, entendeu? Eu estou sentado aqui, aliás, uma das razões do LíderCast ser do jeito que é, é o fato de eu estar na tua frente aqui, eu estou  batendo na tua perna, é o tapa que eu estou dando na tua perna, eu estou vendo o teu olho, eu estou vendo como é…. eu não estou te entrevistando por Skype, entendeu? Eu estou fazendo o seguinte, esse momento que nós estamos trancados aqui, acabou o mundo lá fora, é 100% de mergulho no nosso papo aqui e eu acho…

Luciano          Você está falando de dedicação.

Luciano          … e  eu acho que isso aqui você transfere pra o cara que está ouvindo, ele sabe perfeitamente o que  é uma entrevista por Skype e o que é uma entrevista de nós dois um olhando para o outro aqui e você pegando o copo e eu vejo como é que você pega, a hora que você olha para lá, nota um negócio, então é o seguinte, já que eu estou aqui com você, eu vou mergulhar profundamente, intensamente, isso para mim é viver o agora, não vou estar navegando por ai, eu não estou falando com você aqui preocupado com o telefone que vai tocar, com o e-mail que entrou, não, desligamos tudo, nesse momento intensamente, isso para mim é….  e os caras confundem as coisas, ele vem e fala o seguinte: não, viva agora, mas viva agora até onde? Quanto que eu devo mergulhar para poder tirar de você nesse momento aqui 100%, ou mais, 150% da nossa conversa.

Cláudio          Legal, mas para nós fica fácil disso que nós vivemos e trabalhamos com isso daqui, agora eu acho nefasto demais falar isso para as pessoas sem explicar por que, faz com que ela acredite o seguinte: não o amanhã, então vamos viver o agora e aí o que acontece com o antes, que já entrevistei, eu entrevistei, por que que você comprou isso se a tua renda não é… o carro de sessenta meses e você ganha mil e quinhentos reais, ah não, porque se eu não comprar agora eu não sei o que vai ser amanhã, então é melhor comprar agora, que é a música do Vandré, “quem sabe faz a hora não espera acontecer”, por isso que ele ficou pirado, porque estava errado. A leitura que  fizeram da música dele, aí vai o cara falar não, e se você não puder pagar, ah eu devolvo o carro, mas pode acontecer ir para o SPC, o cara fala, vou para o Serasa, falei querido, mas você não faz um planejamento disso? Não, fazer planejamento, eu não sei se eu vou estar vivo amanhã, e por que que você cometeu isso? A gente verifica que uma parte substancial da sociedade age de forma inconsequente, esperando o seguinte: se amanhã não der, amanhã não der dane-se, eu tomo uma cerveja. Para que? Para comemorar que não deu, então é uma vida inconsequente, sem planejamento, sem estrutura, claro que eu não sei se eu vou sair daqui e vou morrer, mas que vida, que legado que você vai deixar simplesmente de pensar no agora sem fazer uma construção desse futuro que é maravilhoso, aquilo que aconteceu comigo com dez anos fez eu olhar o futuro, falei cara, eu não quero isto agora, eu terei que fazer, realizar para que isto não faça parte do meu presente mais, então a mim foi importante tudo aquilo, quando eu fui trabalhar na empresa A, na empresa B, o do laguinho, se eu pensasse no agora eu tinha ido embora, dá desespero, dá, da vontade de terminar, sim, mas não porque logo mais se você continuar fazendo competência e vai melhorando isso, porque você vai treinando cada vez mais, você pode realizar.

Luciano          É o segredo, o segredo dessa história toda é você se preparar para poder analisar o laguinho e chegar à conclusão seguinte, esse lago não vai encher nunca, está na hora de cair fora, to me enchendo de informação e dados e está demais, para, chegou a hora de parar de me entupir de informação porque agora eu tenho que agir, tenho que fazer acontecer e o que eu estou vendo aqui é que não tem futuro, então vou parar de cavar o buraco porque se não eu vou morrer aqui.

Cláudio          Tem um amigo que é engenheiro…

Luciano          E é difícil fazer isso com 16 anos.

Cláudio          difícil

Luciano          Tem que olhar pra trás e falar legal, o investimento já deu, está na hora de parar e partir para outra.

Cláudio          A minha filha, 17 entrou na faculdade, o menino, o Eduardo com 17 está fazendo cursinho pra faculdade. Eu queria muito que ele não entrasse na faculdade aos 20 anos, paradoxo, dou aula há tanto tempo, cara com 17 o cara sabe o que quer, até a hora que o Eduardo falou agora para mim, ah pai eu quero fazer uma adm, falei por que administração, por que é mais fácil? Ele falou ah não, não é mais fácil, é porque ele é faixa preta de taekwondo, agora ele dá aula, ganha o dinheiro dele, ele falou eu quero montar academia, e montar academia eu vou precisar ter conceito de administração, falei mas você não tem que focar no que você está fazendo? Ele falou pai, se eu não for o melhor, eu contrato melhor para trabalhar como professor na minha academia, agora se eu não souber administrar eu não tenho dinheiro para contratar o melhor para trabalhar na minha academia, eu falei opa, está começando a pensar legal, agora estou entendendo por que que você tem que fazer faculdade e quando que você quer montar? Bom, se eu for fazer isso, no quarto ano de administração eu vou estar com tanto, entro já no segundo para terceiro dan, é nesse período que eu quero começar a montar, aliás, como é que você vai querer montar? Ele falou não, quero montar com você, eu parei, como comigo? É, porque eu vou precisar de um investidor para colocar o dinheiro lá, porque afinal de contas o retorno sobre investimento demora um pouco mais, sabe como é que é isso né? Mas e aí fazendo um paralelo a isso, eu tenho um amigo meu que é engenheiro e ele falou, o filho dele que está há 28 anos falou assim, imagina, o meu filho se formou em administração, começou medicina parou, foi fazer administração, continua, fez administração, aí foi fazer outra faculdade, fez direito, aí estava fazendo pós graduação, parou a pós graduação e foi fazer odontologia e agora está com 29 anos e está acabando odontologia e eu perguntei para ele o que você vai fazer agora, ele falou agora é isso mesmo que eu quero, eu vou trabalhar de assistente de um cara, não remunerado, porque eu vou ser estagiário dele porque eu quero fazer especialização que são mais dois anos de estética, ele falou espera aí, 29, 30, 31 você acha que eu vou ter que te sustentar até 31 anos? Ah ele falou não pai, é que…  mas a angústia dele sabe qual que era? Que ele fala que não está preparado para trabalhar, então ele só está estudando, estudando, estudando, estudando e estudando e o pai falou uma coisa que eu concordei em gênero, número e grau: ele falou legal, estudar é importantíssimo, mas fazer também é e se você não fizer, não for um fazedor, não adianta nada você simplesmente achar que ainda não está preparado, sabe por que? Porque eu tenho cinquenta anos, o pai falando para mim, cinquenta e poucos anos e eu sempre acho que eu não  estou preparado, mas nunca deixei de trabalhar, eu fui trabalhar e estudar, então está na hora de você começar a ganhar dinheiro, moleque.

Luciano          É isso aí, que é um pensamento interessante, eu vou trazer aqui para conversar com a gente as pessoas que tenham trabalho muito interessante nesse sentido de sabe, dessa mudança de gerações e esse conceito de que eu vou o Dado Snheider tem uma palestra maravilhosa que ele fala sobre isso ai, ele fala faz tuas contas aí, você vai sustentar teu filho até os oitenta anos, oitenta e cinco, como cara, aí ele começa a mostrar, aquilo é um mundo novo que está aí. Para, a gente já esta fugindo aqui da história. Deixa eu voltar lá atrás…

Cláudio          Mas que depois a gente pode conversar disso, porque eu não concordo absolutamente nenhum pouco disso.

Luciano          … deixa eu voltar lá pra trás, eu quero voltar lá e dizer o seguinte aqui, houve um momento em que você então, estando lá na empresa, trabalhando ali, você deixou de ser o vendedor para ser o chefe dos vendedores, você foi promovido e no dia seguinte você voltou para trabalhar e descobriu que você não era mais índio, agora você era mocinho, ou o oposto, você não era mais mocinho, você era índio e você entrou ali, aqueles mesmos caras que ontem estavam com você, contando história, já não contavam mais as histórias, você já não era convidado para aquele almoço, eles te olhavam de um jeito diferente e tinha mudado tudo, você agora era chefe. Você se preparou para isso ou alguém te contou como é que seria, você foi guindado para isso com um monitor te contando o que ia acontecer ou isso aconteceu e seja como Deus quiser?

Cláudio          Nós estamos falando de 88, eu já vem na minha memória isso…

Luciano          Que idade a sua?

Cláudio          … eu estava fazendo pós graduação na Escola Superior de Propaganda e Marketing, pós graduação em marketing e negócios, eu estava com…

Luciano          Trinta e…

Cláudio          … não, não, vinte e pouco, 28 anos, 27, 28 anos, é porque eu fui diretor com 31, então 27, 28 anos, com sucesso em vendas, você pode imaginar? Eu tinha Opala Diplomata 4 portas,depois tive um XR3…

Luciano          Isso seria um Camaro amarelo hoje…

Cláudio          … Camaro amarelo, muito legal e acabei ganhando muito dinheiro com vendas e quando fui para essa função até, até disseram o seguinte: você vai deixar de ganhar o dinheiro que você está ganhando, agora pelo coletivo, falei ah, mas eu quero fazer carreira disso, teve gente até que achou que eu estava sendo maluco, mas eu sabia que se não fosse eu, alguém iria assumir aquele cargo lá e talvez fosse fazer as mudanças que eu achei que deveria de fazer. A pós graduação acabou me abrindo bastante a  cabeça e eu comecei a montar um plano de negócio que era dar aula, dar aula é um plano de negócio como se eu fosse o gestor, o que eu teria que fazer? Então quando eu assumi, o plano estava quase pronto, porque eu passei um ano e meio ali desenvolvendo isso dentro da escola, então… e dentro da realidade o plano era da empresa que eu trabalhava, eu sei disso, junto com os outros alunos, então quando eu entrei eu sabia muito bem o que tinha que fazer porque eu tinha preparado esse caminho dentro do mundo acadêmico, claro que para você colocar ele em prática você vai ter que… o plano não traz emoção, você vai ter que colocar emoção, tal, mas eu me recordo que uma das determinações lá era mudar a política de comissão, que na época era possível fazer isso e ele falou, como política de comissão, portanto é o seguinte, agora nós temos teto e dia 31 tem que entrar o pedido dessa forma, porque antes tinha um negócio chamado pedido engavetado, porque o cara não ganhava mais, então ele engavetava o pedido esperava virar o mês para colocar o pedido porque ele já entrava com cota coberta, porra Cláudio, como é que você está acabando, antes você fazia isso, então, antes eu era vendedor, agora eu sou gerente, é mas você mudou, falei claro que mudou, agora sou gerente, ah não acho isso correto, mas por que que você fazia? Falei, porque antes não existia nenhuma regra para determinar isto, e agora estou determinando. É, você mudou mesmo nesse cargo, falei claro que mudei, por isso que eu sou gerente. Então a cota está aqui, imagina que antes o cara tinha… o cara que trabalhava e acompanhava o cliente, o mesmo valor do cara que vendia uma vez só e a empresa ia resolver o pepino, então ele vai ter duas… duas divisões de comissão, uma de venda, outra de pós venda, pô cara, você ferrou a gente, agora a gente vai ter que acompanhar o cliente durante todo o tempo? Sim, porque eu tinha aprendido uma coisa, na escola, life time velho, qual é o valor do cliente no tempo? Eu tinha aprendido de KPIs key performance indicators, como é que eram os indicadores de performance…

Luciano          Customer relationship management.

Cláudio          … e eu falei, essa porra dá para fazer aqui, ah você virou acadêmico, não, eu vi que eu poderia melhorar a performance daquilo, tanto que num período de um ano e meio depois me chamaram para ser diretor numa outra empresa e levar essas políticas para lá, porque já tinha processo…

Luciano          …legal, mas me conta aqui e ai, e esse lance de, de repente, você virou o rei da cocada preta, você era o chefe dos caras e você ia ter que começar a lidar com quereres e deveres de caras que até ontem eram teus amigos, estavam conversando com você, uma história e agora você não é mais, agora você é chefe. De novo, você foi preparado para isso ou essa bomba explodiu na sua mão e você falou bom, o que eu faço amanhã de manhã, boto uma gravata? Isso eu fiz quando eu assumi e o dia seguinte eu estava aqui, estava de gravata. Falei bom, botei a gravata mudou tudo, agora cheguei de manhã, falei, primeira coisa que eu vou fazer vou ler o jornal, porque acho que isso é o que um chefe faz, e aí você descobre que não é porra nenhuma disso ai.

Cláudio          Vou lembrar, resumindo a história aí, eu vou lembrar que aconteceu na empresa seguinte que eu fui, que foi pouco tempo depois, já como diretor. A empresa grande pra caramba, com faturamento muito grande, maior revendedor IBM da América Latina, eles contrataram um CEO, um diretor de operações e um diretor de marketing e vendas, diretor de marketing e vendas era eu, este diretor de operações, ele era general reformado, general reformado, o outro cara, o CEO, era brigadeiro reformado, olha que interessante, formação pesada, mas conheciam de tecnologia com profundidade e tudo, cinco meses, quatro meses depois sabe como é que o pessoal me chamava? De general branquinho, porque o outro cara, o nome dele era Branco e era um cara grandão, forte pra caramba, já de uma idade, me chamavam de general branquinho…

Luciano          Sim, você era o mini general

Cláudio          … é, é isso aí, era o seguinte, sabe aquele “O Meu malvado Favorito”? Era mais ou menos assim, legal, estamos aqui, somos um time, não, eu não concordo, legal, me diz porque você não concorda, não, não concordo, então legal, então prepara um trabalho, mostra porque você não concorda, a gente pode realinhar, não tem problema…

Luciano          Da onde veio isso, que eu quero saber catso, de onde veio isso, de repente você começa a dar ordem para os caras, começa a receber os caras e ninguém te treinou para isso?

Cláudio          … cara, mas é a escola…

Luciano          Você tinha feito…

Cláudio          … eu estava numa escola de negócios, onde tinha lá diretor, tinha gerente, eu estou dizendo num período que pós graduação era uma coisa altamente elitizada, década de 80, eu estava fazendo na melhor escola de marketing e negócios que tinha, que era a ESPM, eu tinha…

Luciano          Seus colegas eram.. sim

Cláudio          … tive aula com os cobrões do caramba do mercado que eram caras feras, que levavam você para conhecer a empresa, então você ia.. fui visitar a Coca-Cola, eu fui visitar não sei o que, eles traziam o diretor de marketing, um diretor de vendas, o diretor de não sei o que das multinacionais…

Luciano          Ai chegou um dia…

Cláudio          … e eu olhava aquilo lá e… cara, olha como é que o cara faz…

Luciano          Ai chegou um dia e você teve que mandar o cara embora…

Cláudio          … é, no caso dessa empresa foram 220 caras.

Luciano          Você teve que mandar o primeiro embora, mandar 220 embora é fácil, o primeiro é foda. Como é que você dormiu aquela noite sabendo que no dia seguinte você ia mandar um cara embora, como é que foi isso?

Cláudio          Muito bem. Não tive problema, acredite, não, porque era junto com cara de RH, eu queria saber qual que era o cara de menor performance,  porque ele estava na menor performance, então eu tinha que justificar, então, até o porque disso daí e se existia possibilidade de ascensão desse cara, de ele melhorar isto, às vezes tinha, mas tinha um outro que valia um investimento maior que o dele, então quando eu demiti um cara, aliás o primeiro foi muito fácil, porque o primeiro foi um gerente de vendas e eu foi bem baseado nisso aqui, aonde que estão os relatórios dos produtos que estão em consignação em cliente para demonstração? Ah não sei. Foi a tua equipe que levou, aonde que está. Porra, já falei que eu não sei cara. Eu preciso desse relatório em 48 horas. Está brincando, nem em um mês eu consigo. Falei então, eu preciso em 48 horas, porque nós temos mais de um milhão de reais fora e você não está sabendo onde que está, aonde está, aliás esse notebook que está na sua mão, o que é? Não, é que eu peguei de um cliente porque o meu quebrou, esse daqui eu sei que  é consignação. E quem te autorizou a fazer? Não, porque eu sou gerente, eu posso fazer isso. Pode, você sabe onde estão os outros. Não. E por que a tua equipe está com esse resultado aqui? Não porque o mercado está ruim e tal e a concorrência está maior. O que você vai fazer? Não sei, não tenho bola de cristal. Foi muito fácil, foi muito fácil, o primeiro eu fiz sorrindo. Sorrindo, com alegria no coração. O segundo fazia parte da equipe dele também foi com alegria, o duro foi quando chegou a fase que o CEO chegou para mim e falou o seguinte: nós estamos reorientando toda a companhia, a distribuição de equipamentos não vai ser uma coisa viável, nós chegamos à conclusão e eu queria que você fizesse o seguinte: o diretor de RH saiu para ir para o banco, que tinha um banco na ocasião, e você vai ter que fazer a gentileza de demitir todos os caras que estão aí, são 185, sendo que da tua equipe são 7, isso já tinha sido definido, você pode fazer isso com todo mundo? Como é que você quer que eu vou com megafone e demito todo mundo?

Luciano          Não, tem que chamar um por um e conversar com todos.

Cláudio          Falei, um por um não dá tempo, você não vai conseguir fazer isso…nós temos essa semana para fazer. Eu falei, mas isto não é legal, não é legal. Então eu chamei o pessoal no auditório, todos, inclusive os funcionários, dizendo qual era a situação, a reorientação que a companhia tinha, eu pedi para o presidente ir lá falar, o CEO, ele falou não, não tenho tempo para fazer isso, falei você vai deixar a bucha comigo? Ele falou, é para isso que você é pago. Eu falei, entendi, eu não sou pago para fazer isso mas está bom, vamos lá. Fui lá, conversei com o pessoal, com uma super dignidade, falei olha, que uma parcela nós vamos ter que reduzir isso aqui e o critério adotado para isto é um critério muitas vezes até subjetivo e aí contei um pouquinho da minha história, que às vezes eu fui rejeitado que não sei o que, que aconteceu isso, tal tal, que eu estava lá, mas que também não seria ali que eu continuaria na minha carreira, porque eu esperava que o presidente estivesse aqui para falar e ele não está, eu esperava que o RH estivesse aqui para falar com você, mas a missão foi dada a mim. Não digo que eu estou no mesmo papel de vocês porque eu ainda estou empregado e vários de vocês vão sair daqui sem esse emprego, eu não vou conseguir falar individualmente, então amanhã eu vou chamar as pessoas daqui, aí os caras começaram, não, amanhã não, já resolve isso hoje, já resolve isso hoje e eu vi que o cara que estava falando isto era um cara que não ia para a rua, não porque para fazer isso aqui, então sai já, porque se não eu já peço a conta. Eu falei calma, se vocês.. não, porque tem que resolver, começou a gritar ali dentro, quase que num ato de desespero, eu falei olha, eu vou poder falar uma coisa que, você é um dos caras que está fora, não estava, mas está pelo teu comportamento, não é de criar instabilidade aqui dentro, então você é um cara, você já pode ir porque você já está demitido, quando aos demais o seguinte, isso aqui é horrível fazer isto, mas eu vou ter que mostrar uma lista e aqueles que tiverem mais dificuldades eu pediria a gentileza de vir falar comigo, então alguns vieram, recebi até ameaça do gerente, do cara lá, foi muito difícil porque não te  ensinam a fazer isto e eu não sabia se esse era o melhor modelo, se era o pior modelo e até hoje não sei se foi o melhor modelo,  se foi o pior modelo, mas fui incumbido de fazer um negócio desse, a situação muito difícil, tinha cara que vinha chorando falando pô, eu tenho família para cuidar, como é que eu faço? Eu falei, eu quero entender isso, como é que funciona, de que jeito tal, porque eu posso realinhar, então óbvio, alguns que comprovadamente tinham uma situação difícil que precisavam de um tempo para se reposicionar, isso representou umas dez pessoas, eu realinhei, esperei, veio lá uma menina e falou o seguinte: olha, eu acabei de engravidar, falei bom, você já não pode ir para a rua porque a lei já determina que você não pode ir. Enfim, e é muito legal, porque nesse processo descobre algumas pessoas que não foram para a lista, a lista, e que eram totalmente elegíveis para ir, e algumas que foram…

Luciano          Sim, porque é aquela história, você botou todo mundo numa situação limite e ali as pessoas se revelam, todo mundo se revela naquele momento lá.

Cláudio          … foi muito interessante isso porque…

Luciano          Isso é um lance interessante da crise, quando a crise surge, ela coloca a gente, eu tenho uma história legal quando eu fui para o Everest, eu estava conversando com um dos caras, eu estava lá no campo base, essas coisas que você não entende, que você fala só louco faz isso. Eu estava lá no campo base conversando com um alpinista que estava liderando um time que ia subir até o topo do Everest, e ele estava contando para nós o seguinte, ele falou quando a gente chega lá em cima, no 7 mil, 7 mil e pouco, que a gente entra na zona da morte, não tem mais teatro, você começa a ver como a pessoa é de verdade, ninguém mais consegue fingir aquilo que não é. O covarde mostra que é covarde,  o corajoso… não tem mais como fingir, que é o momento da crise, chegou naquele momento em que nós estamos aqui todo mundo pressionado, as  pessoas começam a se revelar e ali você vê que foi o que aconteceu com você, começou a aparecer claramente aqueles que deveriam estar… sido eleitos. Bom, deixa eu chegar mais… caminhando aqui para o finalmente.

Cláudio          Te contar uma coisa, dois anos depois, saí daquela empresa, fui para outra, fui demitido e eu senti na pele o que é ser demitido, só que demitido com 34 anos, 34, 35… a condição onde que eu tinha um bom carro, o top, morava num baita de um apartamento, andava com os melhores relógios, porque eu ganhava bem, um status do caramba, era professor de escola de primeira linha, então você fala, se foi demitido, azar deles,  o mercado agora vai bater na minha porta, amanhã, amanhã vai ter fila de empregadores na minha porta, passa um mês nada, passa dois meses, eu falo deve ser.. o mercado não está bem, vou descansar um pouco, vou viajar. Fui viajar e na viagem detonei dinheiro, porque é claro, você não está… você ainda está no conflito espiritual do ruim e do bom. Aí volta, trinta dias depois, feliz de comprar tantas coisas e disse bom, acho que talvez tenham me chamado, eu não vi, porque eu estava viajando e passa o quarto mês, aí passa o quinto mês, aí passa o sexto, o sétimo, oitavo, até a hora que você tem amigos para dizer o seguinte para você, o problema não está no mercado, está em você, naquilo que você é bom, legal, mas naquilo que você o  bom também te trouxe um lado ruim, que é o lado da arrogância, o lado disso, daquilo, o lado daquilo lá, que você… e que você vai ter que repensar você mesmo e foi uma coisa interessantíssima essa….

Luciano          Introspecção.

Cláudio          … é, essa introspecção, onde você vai ter que refletir sobre o seu eu, que até então e era um cara de sucesso e buscar a leitura lá do passado, daquele menino de dez anos que falou que queria ter sucesso, daquele que passou pelo incêndio, daquele que fez as trocas de profissões, de atividades e falar eu acho que talvez tenha sido a hora que eu mais chorei na vida, mais desespero me deu, porque é o encontro de você com você, não é porque você perdeu isso, porque você perdeu aquilo…

Luciano          É um momento que desmonta tudo, sabe que eu tenho, às vezes eu paro para pensar sobre isso aí também, fico pensando aqui e hoje eu sou empreendedor, como você, tenho meu próprio negócio como você tem o seu próprio negócio, eu dependo de mim, eu não tenho chefe, as decisões que eu tomo aqui, o meu futuro vai estar, não tem uma empresa para recorrer, sou eu e eu, sou eu e eu. E às vezes o mercado está ruim, o mercado está mal e tem mês aqui que eu falo pô, não sei o que vai acontecer no mês que vem, eu não sei se isso aqui vai estar em pé, eu não sei se eu não fiz uma loucura, etc  e tal e a coisa que me dá mais medo nesse processo todo não é de repente descobrir que eu estou duro, que eu estou sem dinheiro, que eu estou… que vou ter que começar de novo, não é nada disso, eu tenho um puta medo de quebrar a confiança em mim mesmo sabe, de falar eu sou um merda, puta, acabo de descobrir que nada daquilo que eu imaginava eu sou, sou um bosta e essa consciência do ser um merda me transforma num merda, mudar o jeito que eu sou, mudar as coisas que eu acredito e de repente você… é como se fosse o jogador de futebol que de repente perde o talento e passa a jogar mal, e você: como assim, o cara jogava bem até ontem, o que foi? Não, ele perdeu a confiança nele, agora ele entra e não sabe mais jogar bola.

Cláudio          Comigo é o contrário, para o mesmo efeito, a me preocupo demais quando eu falo assim, eu sou bom pra caralho, nossa eu sou muito bom, eu sou muito bom, nossa, não tem cara melhor, para fazer isso que eu faço ninguém é melhor professor do que eu, ninguém é melhor não sei o que, eu tenho medo disto, porque todas as vezes que eu tive este pico, de egocentrismo, foi exatamente onde que eu me dei mal na vida, na vida pessoal, na vida profissional.

Luciano          Quando você falou que você chorou pra cacete, foi o momento em que você descobriu que estava nu…

Cláudio          … então, das minhas limitações, de que eu precisava fazer mais, de que e precisava fazer, porque eu achava que eu era bom pra caraca, que era um absurdo, como é que não iam querer um cara tão novo, com tanto talento e que era comprovado esse talento, dentro da escola, pô eu era aluno, a escola, quatro professores vieram me convidar para ser professor, falei eu professor? É, porque você tem que dar aula para a gente, você é muito competente, aliás você é uma inspiração para os jovens de hoje e eu achava que i’m the best…

Luciano          O balão enchendo.

Cláudio          … i’m the best fuck the rest, e tudo, solteiro, que as meninas olhavam pra você assim falando nossa, ele é demais, nossa, olha o talento dele, e aí o diretor: você é demais, não sei o que você é demais, e aí não sei o que, você é demais, quando você perde isso você vai buscar e fala caramba, aonde eu errei? E é legal descobrir. É legal descobrir, eu esqueci a minha própria origem, que me fez chegar a isto.

Luciano          Isso aí, me dá o recado, a jogada que sempre faço aqui, ouvindo nós aqui tem um garoto, uma menina de 23, 24 anos, num busão, com fone de ouvido ouvindo a gente conversar, indo para o trabalho que não necessariamente gosta do trabalho mas que ali ele quer crescer etc e tal e ele descobre que ele é bom, ele sabe  que ele é bom, ele sabe  que ele sabe fazer, etc e tal, passa o recado aí para esse menino para essa menina.

Cláudio          Legal, bom, primeiro que você nunca é tão bom naquilo que você não precise melhorar, segundo, se você é muito bom naquilo, pode, aí do teu lado pode ter alguém que é bem melhor que você e o bom, ele quer um aprendizado constante, ele não vai parar nunca, isso é o que torna alguém excelente, como os esportistas, o que faz, o cara treina, treina, treina e o dia que ele acha que é bom o suficiente, ele para de treinar e é aonde que acaba mudando tudo aquilo, e fazer o negócio com paixão, isso sem ser palavra feita, paixão, afã, tesão de verdade.

Luciano          Me fala de arrogância e humildade.

Cláudio          Legal, a arrogância é você achar que o mundo se basta para você, que você já é o detentor de tudo e que não há ninguém que consiga superar você naquilo e que se você não está conseguindo é porque o mundo ainda não está preparado para reconhecer um grande talento.

Luciano          Que injustiça não? Que coisa mais injusta.

Cláudio          Que injustiça. Legal, e o talento, quando você descobre, entender que eu fui ajudado, eu lembrei disto, por vários outros executivos quando era garoto e que me impulsionavam ou como aquela fono, queriam me colocar para baixo, interessante é saber o que eu, aí já com sucesso, vou passar deste legado para o outro, para me tornar inesquecível para essa outra pessoa, mesmo sendo bravo com que dignidade que eu vou ser bravo com ela e quanto eu vou estar explicando aquilo para ela, então essa é uma busca dizendo que  o sucesso é você dar continuidade nele através de outras pessoas, ajudando elas a alcançarem esse sucesso, a realização delas vai te fazer feliz e outra, vai te dar dinheiro também, é óbvio, porque você vai ter mais seguidores, mais seguidores em cima disso.

Luciano          Deixa eu só ir para o final aqui agora, está na hora de a gente terminar aqui, mas eu, teve um tema que… você entrou na minha sala ali a gente começou a conversar e esse tema veio, esse tema dá um outro programa de uma hora e cacetada, mas eu quero só um finalzinho para a gente fechar aqui, você entrou, você estava indignado, porra! Falando em evento que você estava, um curso da escola que você foi dar aula, e to com o saco cheio de dar aula de marketing porque toda essa história de marketing que o pessoal está usando aí, acabou, essa história já era, os caras quebraram tudo, não existe mais e todo mundo acha que tudo isso está acontecendo foi… os grandes sucessos foram planejados e não é nada disso, fala um pouquinho dessa percepção, atenção, um professor de pós graduação de marketing em instituições como Fundação Getúlio Vargas etc e tal, vai nos dar um depoimento agora sobre dar aula de marketing nestes dias.

Cláudio          Bom, eu dou duas cadeiras na GV, o MBA de marketing, a cadeira de gestão de marketing e no gestão estratégica de negócios eu dou gestão estratégica de vendas, tão óbvio, tem formação ali em marketing e tudo, mas eu tenho me visto aqui usando as mesmas coisas que usavam na década de 50, que o professor Herman Richter me deu aula na GV, na década de 80 ali, aliás grande Herman Richter, “Surfando nas Ondas do Mercado”, é o último livro dele, é que me dava falando 4p e que ele já destruiu o 4 P quando ele apresentou os 4 C’s, os 4 A’s, falando de Michael Porter, com 5 forças competitivas e sabendo que o Michael Porter faliu recentemente e falando de matriz e swatch, que é legal mas aí vem aquilo lá de matriz BCG de vaca leiteira, produtos estrela, produtos abacaxi, de matriz de ansof e um monte de outras porreta ai no mercado…

Luciano          Que desembocam em oceano azul, tem cisne negro.

Cláudio          … oceano azul, isto, no cisne negro, boa isso daí, e que vai na nhoca do sucesso, tudo isso aí, planejamento, vamos ar aula de planejamento, core business, core competencies, tá legal, e aí, por uma carga d’água eu, indo para a aula, aliás antes de ir para a aula eu estava lembrando o seguinte,  eu estava falando de carro com um amigo meu e eu falei, porra espera aí, mas a BMW não começou fabricando carro, ela fabricava hélice de motor de avião e aí com o tratado de Versalhes ela não pode mais fabricar aquilo, ela vai fabricar não sei o que, até a hora que migrou para carro, quando você vai lembrar de Sonny, Akio Morita, você vai verificar como é que ele fez o seguinte e que o Steve Jobs na verdade pegou a ideia do Akio Morita, ele mesmo falou, e só colocou na tecnologia nano e não sei o que, falei porra, espera aí, então vamos entender uma coisa, esse negócio de core business, core competencies, como é que a GE começou, como é que outras empresas começaram, como é que a Mangels começou vendendo balde, aqui no Brasil, balde, balde de flan… flamb acho que chama aquele negócio, como é que é?

Luciano          Flandres

Cláudio          Flandres…

Luciano          Sim, folha de flandres.

Cláudio          Folha de flandres, Mangels, nenhuma falou assim não, meu core business é esse, meu core competencie é este, porque se não elas teriam quebrado, nem existiriam mais, de várias, várias empresas no mercado, até do cara que fez gilete, que ele começou com uma coisa e depois foi para outra, então espera aí, até onde que vale esse negócio de core business, core competencie? E aí você vai verificar os maiores milionários do mundo, como é que é o core business, core competencie deles? Ó da época, ah não, cada um tenta achar a razão, depois que ela teve sucesso, aí você acha core business core competencie, mas você acha que os caras lá foram falar não, core business, core comptencie meu, o Bill Gates, não meu core business, meu core competencie é esse, minha visão de futuro para daqui vinte anos, nós vamos ser o que, nossos princípios, valores…

Luciano          É o diretor de arte que cria o logotipo e depois encontra uma explicação e esta curva que você está vendo aqui tem a ver com o torno que a vida nos dá etc e tal, este vermelho tem a ver com o sangue… Depois de criado ele cria a explicação.

Cláudio          … o meu tem isso, o meu era preto com laranja, agora ele é um azul e eu.. aí perguntaram mas o que é isso aqui? Não, porque a Tomanini agora, eu estou trabalhando não a New Marketing que é minha empresa, mas o meu sobrenome porque acharam que ele era mais forte e o “i” ele está invertido como ponto de exclamação e que reflete isso daqui para que? De tantas dúvidas, você ir para as respostas, que na verdade o mundo, ele é construído para quem faz perguntas, porque resposta vem por decorrência do conhecimento do… eu não sabia que era essa porra não, só falei que ficou bonitinho assim cara, e por que que é esse azul? Não porque na… gostei desse azul, não dá para ficar um pouquinho mais escuro,  que ele está mais claro, e aí você vai vendo suas realizações…

Luciano          Fala a verdade, seja sincero comigo aqui, não dá para cobrar mais caro quando você fala bonito assim? Não dá para… não dá para pegar um… não dá para pegar um bolinho de chocolate com sorvete, transformar em petit gâteau e cobrar mais caro?

Cláudio          Verdade, que muitos caras acham que petit gâteau é um gato pequeno… é um gato pequeno, mas é isso que vai me dando, aí você fala cinco forças competitivas. Força do fornecedor, força do cliente, aí eu sou um supermercado grande e o cara está querendo entrar no mercado e eu falo para ele, quanto custa o produto? Ele, um. Então vou pagar cinquenta. Mas cinquenta não paga o meu custo, ele fala dane-se, você quer entrar aqui é esse valor, ah mas eu fiz um planejamento estratégico dizendo que eu tinha que incorporar valor aqui, então, valor você vai fazer em outro canto, qui não vai fazer porra nenhuma disso não. Então a gente vai vendo como é que vai ficando difuso esse negócio, você acha que aquele senhorzinho do caraca ele, do caraca, da Lojas Riachuelo, que tinha a fábrica de camisas Guararapes e ele próprio disse que cada guerra que o Brasil teve, ele colocou o nome numa empresa dele pra mostrar que era o desafio, que era a guerra, que era vencedor, aí eu pergunto no fundo para ele, mas isso era verdade, ele falou não sei, mas ficou legal essa história que eu contei para você, mas olha aí, ele fala vamos reposicionar a empresa inteira e você vai na Oscar Freire em São Paulo, vai ver a loja da Riachuelo linda pra caramba,  você acha que ele começou com planejamento? Falou um dia terei uma loja… você acha que o Samuel Klein da Casas Bahia, que pegava o carrinho dele lá, ia chegar ao império dele e falar não, é que espera, antes de eu começar a sair da perua aqui para montar minha loja eu vou montar um planejamento estratégico de 20 anos, definir o meu core business, core competencie, porque ele vendia colcha de chenile, você acha que o cara da CVC que pegava o pessoal daqui para ir para Santos em São Paulo, do ABC para ir para Santos, par ao Guarujá, e que muitas vezes ele era o motorista de ônibus, ele falou um dia eu terei uma companhia que será a maior companhia de turismo, tia Augusta não vai existir, Mormark não irá existir, que o Silvio Santos vendendo caneta, aí ia falar um dia eu terei uma TV,  ele mesmo disse…

Luciano          Ele vai construindo…

Cláudio          Sabe porque eu tenho uma TV? Porque me fecharam as portas…

Luciano          … sim e eu tive que encontrar uma saída e eu sou dono de uma TV  agora porque não  encontrava saída.

Cláudio          Você sabe porque a Jequiti, ele falou…

Luciao            Guardando proporção, por que eu tenho um podcast? Porque não tinha porta aberta em lugar nenhum, não tem porta eu vou fazer o meu, por que eu botei o meu portal? Vou fazer o meu.

Cláudio          O cara mais burro vai falar assim: por que eu tenho um podcast? Porque você não conseguiu comprar a Casas Bahia ou porque você não teve a CVC, aquela…

Luciano          Mas deixa eu botar, só para a gente encerrar de vez aqui, você está falando um negócio legal que é essa questão toda de planejamento e eu tenho comigo uma, eu já escrevi um texto e eu botei um material dizendo o seguinte, para mim o que é planejamento? Planejamento é o seguinte, eu vou para a África, não mas que lugar exatamente? Você vai chegar, você vai para a Namíbia, você vai para o Timbucto, você vai para a Rodésia? Não, eu vou para a África. Entendeu, dentro de dez anos eu estarei na África, é para lá que eu estou indo, agora, se eu vou chegar na Namíbia eu não sei direito, mas eu já sei que eu vou para a África, então para mim isso é planejamento, planejamento não é você chegar na minúcia tal e que parto com meu navio e vem uma tempestade, virou tudo, eu cheguei no Brasil achando que eu estava na Índia, porra.

Cláudio          Que foi o caso do descobrimento do Brasil, o cara esteve aqui quatro ou cinco vezes antes e não sabia onde que estava, então…

Luciano          Aí você vai falar, para que serve planejamento num caso como esse aí? Eu sei para que, o planejamento serve o seguinte, planejamento mostra que você tem, você sabe para onde está indo, você consegue chamar as pessoas, você se organiza, você monta o plano tudo e bota o navio e chega no Brasil pensando que estava na Índia.

Cláudio          Deixa eu colocar: um avião não decola sem um plano de voo, a vida não funciona sem um plano de vida, porque ela é mais eficiente, se não você só vive o hoje, então eu não estou aqui destruindo conceito de planejamento de jeito nenhum, eu estou falando que a forma de atribuir assim, eu faço o planejamento, coloco ele dentro da gaveta, até porque planejamento é obra inacabada, é corrida sem linha de chegada, é plano você não faz para acertar, você faz para minimizar substancialmente o erro do caminho…

Luciano          Para saber para que direção você vai, que direção você está indo, você tem que saber a direção.

Cláudio          Quando eu estou sozinho, o plano pode ser até intuitivo, até mental, até num caderno, quando eu tenho cinco funcionários numa empresa, eu chego gente, nós estamos aqui, nós temos que chegar aqui, porque se não a gente não vai chegar a lugar nenhum, agora quando eu tenho cento e vinte, cento e trinta funcionários, é óbvio que eu preciso de um documento, eu preciso explicar para os caras o que é valor, porque se não cada um vai entender valor, é que nem a tua empregada que você fala assim, olha, capricha para fazer a limpeza porque, mas faz com qualidade, qualidade na ótima dela é diferente da tua ótica, se você não explicar para ela qual é a qualidade que você quer, na ótica que você tem, não vai estar, então por isso as empresas tem que ter, eu não estou dizendo que não tem que ter, tem que ter o planejamento sim porque ela já começou a ficar grande e vai se dispersar, ela precisa saber se o DNA do cara que está lá, mesmo sendo um técnico excelente, faz parte do DNA da corporação, se o cara está em linha.

Luciano          A questão toda é você não entender o planejamento como sendo a… é a  solução do problema, montei um plano e agora vai acontecer, e não vai…

Cláudio          É essa daí, é, que eu falar do produto abacaxi, do produto estrela, o que vai fazer, não, é isso aí, é porque…

Luciano          Tem que organizar, se você não tem plano você não tem organização, é organização. Tomanini, espera aí, chegamos no final aqui agora, eu só quero botar uma coisa aqui, já deve ter neguinho ouvindo a gente aqui já porra, esses dois loucos aqui, olha aqui ó, cisne negro, oceano azul, queijo… segredo du sucesso, o  cacete… o seguinte aqui, eu não ignoro nenhuma coisa nessa porque todas elas tem insights, todas tem coisas legais, se você pegar um livrinho babaca como o “Quem comeu meu Queijo” que é um saco, tem insights lá dentro, a questão toda é o seguinte, como é que eu pego essas coisas? Tira os insights que me interessam e vou trabalhar isso ai no meu dia a dia, é como se eu puxasse ferramenta, vou abrir uma caixa de ferramenta, gigantesca e puxo lá de dentro três ou quatro que vão me servir, ou seja, não é desfazer disso tudo, é dizer claramente, nenhum desses processos descritos aí são a solução do mundo, quando você vem e detona o conceito de autoajuda, detona o cara que está falando… espera um pouquinho, todos esses conceitos tem coisas para trazer para a gente, o que você não pode fazer é entregar de corpo e alma para alguém que diz que tem uma solução, que tem uma fórmula mágica e que eu vou resolver teus problemas para você repetir aquilo que eu acho que tem que ser feito, espera aí, não é assim, é cada um vai construir o seu caminho, a vida vai te empurrar para lados que você não tinha a menor ideia, aquilo que deu certíssimo para você, não vai funcionar para mim, não é porque eu sou pior que você, ou melhor que você, é porque o vento vai bater de um lado que não bateu para você e vai bater para mim, então estar antenado para saber o que, quais são as ferramentas que eu vou me servir e saber o seguinte, vou dar um modelo melhor ainda, os ingredientes são os mesmos, o meu pudim é diferente do teu.

Cláudio          Depende da mão.

Luciano          Com o mesmo ingrediente, e eu não posso olhar e falar assim, Tomanini me deu a receita estou com os ingredientes e farei um pudim igual ao dele, não vai sair igual.

Cláudio          Eu resolvo uma coisa aqui, diz para aqueles que acreditam, assim como eu, que Deus encontrou Moisés e mandou dez mandamentos, dez, ele falou se fizer esses dez, as pessoas serão melhores e mais felizes  e  o mundo vai ser bom, cara dez, pensa você aí,  quantos dos dez você lembra de cabeça e  a ordem deles, ó, primeiro, quais são esses dez, segundo, você lembra da ordem deles? Também. Aí vamos, são só dez, vejam desses dez quantos que você não está fazendo, só dez, se o homem lá em cima desce e fala dez e a gente não  consegue fazer, aí eu vejo alguns caras aqui que vão falar o seguinte, qual é o caminho, olha, esse aqui é o segredo do sucesso, o segredo do sucesso, uma palavra que… eu odeio esse negócio, segredo do sucesso, o segredo da felicidade, o segredo… cara, o dia que souberem qual é o segredo disso, a vida perde a essência, porque se não todo mundo vai trilhar o mesmo caminho e aí todo mundo tendo sucesso, você deixa de  ter sucesso porque ele passa a ser o lugar comum, você entra dentro do que é  padrão de mercado e aquilo deixa de ser.

Luciano          Uma sociedade como a nossa, que só expõe o sucesso, ela não expõe fracasso, você vê os cases, são todos, o bilionário que deu certo, a startup que vendeu bilhões, ninguém fala dos outros dois mil e quinhentos que se arrebentaram inteirinho e as lições estão ali, as lições estão ali naqueles que se arrebentaram e que fizeram tudo aquilo que o outro fez e quebraram a cara, então a humildade de reconhecer isso, a humildade de aprender com isso é o que eu acho que é o grande lance. Tomanini san, quem quiser encontra-lo, quem quiser contratá-lo, quem quiser lê-lo, quem quiser saber o que se passa por essa cabeça fervilhante, procura você aonde?

Cláudio          No www.tomanini.com.br.

Luciano          Você está no Facebook?

Cláudio          Estou no Facebook Cláudio Tomanini, na minha fan page, no Twitter, no Instagran.

Luciano          E um monte de livros.

Cláudio          É um monte de livros e no telefone 5052-2923

Luciano          11

Cláudio          Isso, 011 5052-2923

Luciano          Faz como radialista, vamos lá

Cláudio          …isso, você pode ligar agora para 01150522923, isto mesmo, 50522923 ou mande a sua carta, lembra disso?

Luciano          Espera, vou te dar um presente.

Irineu              Satisfação garantida ou seu palestrante não volta, ligue 011 50522923, 50522923. Ligue já.

Luciano          É mole? Bem vindo ao LíderCast.

Irineu             Até mais.

 

Transcrição: Mari Camargo