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Luciano Pires -

Luciano           Bem-vindo, bem-vinda a mais um Líder Cast. É interessante a forma como eu encontro as pessoas para vir conversar comigo aqui. Essa pessoa que está aqui hoje comigo, a gente nunca se conheceu pessoalmente, sempre virtualmente, mas antes até de ser virtualmente foi através de pessoas que falavam da gente um para o outro. Eu faço um evento com um cliente meu, uns 4 anos atrás, talvez assim e lá pelas tantas a gente conversando, ele começa a me contar sobre um processo de mudança na empresa que ele estava envolvido com um sistema de gerenciamento, um treco chamado “metanoia” e me dá um livro de presente, você precisa conhecer  esse cara. Passa o tempo, eu vou ter contato com um outro cliente meu que veio e a mesma coisa, pô, eu também estou envolvido com o negócio da metanoia, aí eu vou participar de um evento, ele está lá no evento também, a gente nunca se viu pessoalmente até que um ouvinte do Líder Cast me manda, o Alan, me manda um e-mail, cara, você precisa falar com ele, eu falei, ah,  se você tiver contato, me bota o contato, o Alan me bota em contato, nós trocamos 2, 3 e-mails, de repente já estamos aqui sentados, um do lado do outro, já almoçamos juntos, já viramos amigos e vai ser um papo muito interessante hoje aqui, então eu vou àquelas 3 perguntas, que eu sempre costumo dizer que são as 3 mais difíceis do programa, que é: como é seu nome, qual é a sua idade e o que é que você faz?

Roberto           Muito bom. Primeiro, Luciano, obrigado por estar aqui, eu acho que estivemos juntos em saguões de hotéis, salas de aeroportos, sei lá aonde, e de fato a gente nunca teve, mas tem o seu dia, chegado o dia…

Luciano           Se você fosse uma loura maravilhosa, eu teria reparado.

Roberto           … pois é, nem descreva para o ouvinte não ficar desapontado. Mas você pergunta o nome, a idade…

Luciano           Sim… e o que é que você faz.

Roberto           … e o que é que eu faço. Roberto Adami Tranjan, 59 anos e eu… a minha missão é fazer com que as pessoas enxerguem aquilo que é essencial.

Luciano           “Pessoas enxerguem aquilo que é essencial”. Você é pastor?

Roberto           Não.

Luciano           Você é padre?

Roberto           Não.

Luciano           Você é filósofo?

Roberto           Não, como formação não.

Luciano           O que é que você faz, cara? Que a gente consiga compreender…

Roberto           Enxergar o essencial

Luciano           … você é um consultor, é isso? O que é que você faz?

Roberto           Fui, durante 14 anos consultor e foi a partir daí que eu recolhi todo o material e todas as observações e todos os estudos para preparar o que veio a ser então a metanoia, vem a ser a metanoia, que já existe também há 14 anos. Então eu tive um primeiro ciclo de 14 anos que era consultoria, muito próximo de líderes de empresas, de empreendedores, reconhecendo a história de cada um, os altos e baixos e tem tentando compreender as razões dos altos e as razões da baixa. E depois de 14 anos num processo de educação, então hoje eu escrevo, escritor, educador, conferencista.

Luciano           Deixa eu ir lá atrás então, vou pegar o Tranjan lá atrás, voltar lá para os anos 70, quando ele deve ter entrado na universidade, alguma coisa por 75, 76, você devia estar na universidade. E eu adivinho isso tudo porque tenho a tua idade, então não deve ser muito diferente não. O que é que você fez, você estudou o que? Você tinha como sonho ser o que na vida, qual era…?

Roberto           Eu vim do interior do estado do Paraná, embora eu seja paulista de São José do Rio Preto, mas a minha família morava por lá, meu pai passou por grandes dificuldades, a família…

Luciano           Aonde?

Roberto           … a cidade do Paraná? Paraíso do Norte. E grandes dificuldades e a família, uma irmã foi para um lado, outro foi para o outro, eu vim para São Paulo morar com a avó, isso com 14 anos, comecei a trabalhar como office boy, mas aquele garoto que vivia nos quintais do interior, vivendo a liberdade do interior foi chocante aquela estação rodoviária da Júlio Preste, aonde eu não sabia como é que atravessava a rua…

Luciano           Você estava sozinho?

Roberto           … eu cheguei com minha mãe, mas ela veio para me trazer e depois fiquei por aqui morando com a minha avó, mas o mais chocante foi trabalhar numa empresa, quando você…

Luciano           Espera um pouquinho, antes disso, tem que voltar atrás, tenho que ir lá atrás, você está me dizendo que você com 14 anos, que é o momento em que o filho vendo o pai, aquele ícone, o pai deixa de ser, aos 14 anos, meu pai não é mais um super herói, já é aminha relação com ele já muda um pouco, ele vai voltar a ser super herói quando eu fizer 50 anos na frente, ai eu olho para ao meu pai e falo, cara, que avião, mas aos 14 anos começa aquele conflito, mas é uma idade em que começa a ficar claro que o pai é um modelo para o que eu quero e para o que eu não quero ser e nesse momento você perde a figura paterna e nesse momento a sua mãe te traz aqui, te larga e fala, papai e mamãe estão fora…

Roberto           Estão fora da jogada.

Luciano           Para um garoto de 14 anos, que devia ter um núcleo familiar, você falou que tinha irmã e tudo mais, isso se rompe de uma hora para outra. Como é que foi isso, como é que lida com isso?

Roberto           Eu acho que isso é a base de tudo que vem depois, o é a história hoje o que será ainda, porque de fato, tudo desmoronou meu pai não foi uma referência, aliás, meu pai é aquele que vivia sempre a situação da escassez, ele corria sempre atrás do dinheiro e nunca alcançava, ele passou uma vida correndo atrás do dinheiro e não alcançava e também vim fazer as pazes com ele ainda em vida muito depois, mas demorou, foi um bocado de tempo e eu queria ser alguma coisa muito diferente do que era aquela vida de correr atrás do dinheiro, uma vida na escassez, então eu queria uma coisa diferente disso e é interessante como a metanoia se configura como algo diferente disso, porque a gente prega a abundância, não prega a escassez, então tem um olhar muito deferente. Você sabe que você está me fazendo essas perguntas e há muito pouco tempo eu me dei conta um pouco das relações de uma coisa com outra, eu não tinha me dado conta dessas relações, mas é isso mesmo e o chocante foi, ao trabalhar numa empresa, perceber que você tem que se enquadrar numa porção de coisas.

Luciano           Isso como office boy?

Roberto           Como office boy, depois em seguida fui prosperando, mas tem um fato interessante nesse início de carreira e aí  eu já devia ter uns 15 para 16, por ai mesmo, 15 anos, 16, que foi um roubo que teve na empresa e todo mundo foi revistado, Luciano, você não sabe o  que significa isso, você ser revistado…

Luciano           Você sentir que há uma suspeita de que você pode…

Roberto           … pode ser considerado um ladrão. Isso foi muito chocante, então eu… e amigos teus é que te revistam, porque é o cara que está lá, pago para… então aquilo foi muito chocante para mim, tanto que a metanoia, ela prega uma relação de confiança, a confiança sobre o controle e não o controle sobre a confiança, essa é uma das coisas que a gente prega no nosso processo, então essas coisas foram marcantes e, bom, e mesmo assim há signos, viagem no trabalho de…

Luciano           E você ali começa, cresce na empresa, vai, fica lá mais um tempo, 14 anos.

Roberto           14 anos na empresa e saí muito bem aprovado, eu tive uma ascensão muito grande e várias funções, saí já quase diretor, quase na diretoria com cerca de 30 anos.

Luciano           Com que idade você assumiu um equipe para comandar?

Roberto           Com 20 anos eu já tinha uma equipe, já tinha uma equipe de quase 20 pessoas, com 20 anos.

Luciano           Então vamos falar um pouquinho disso aí, que isso aí me interessa muito, esse momento da transição, quer dizer, você é mocinho, com seus cowboys, todos os seus amigos mocinhos e no dia seguinte você é índio no meio dos mocinhos, ou seja, você é promovido, ganhou o título de coordenador, chefe, supervisor, sei lá que título você tinha e no dia seguinte você entra para trabalhar e nota que os olhares são diferentes, nota que as pessoas já não falam claramente o que falavam para você, você já não é convidado para aquele almoço, aquele amigo que se abria com você se abre um pouco menos e você passa a ser visto como algo diferente por aquele grupo do qual você fazia parte até o dia anterior. Como é que é essa transição, de repente você chega lá e fala, bom, agora não sou só eu, não é só meu chefe dando ordem para mim, é eu comandando esses caras estão aqui esperando eu dar alguma ordem, como é que é, você foi treinado para isso, alguém te contou como é que era?

Roberto           Não, ninguém contou não, você entra lá na raça e vai se virando e você vai descobrindo que quanto mais você prospera, mais sozinho você fica e isso é o que vai acontecendo, ou você vai mudando um pouco também, mas tem uma coisa interessante, eu era um líder que eu não gostava da secretária e se você lembrar dessa época, na década de 70, vê  se você lembra, Luciano, tinha as baias e tinha uma secretária na porta e você era resguardado por uma secretária o tempo todo…

Luciano           Sim, uma rottweiler né?

Roberto           … do gerente…

Luciano           Rottweiler ali que todo mundo tinha medo dela.

Roberto           … medo, a secretária sempre… transferia para ela o poder que seria seu…

Luciano           Eu vou trazer aqui alguma ainda, eu quero um dia entrevistar aqui uma secretária dessas de carreira, legal e tudo para conversar sobre essa questão do poder da secretária, porque tem um poder absoluto que em muitos momentos é maior até que o poder do chefe…

Roberto           Mas não tenha dúvida disso…

Luciano           … ela controla o que ele vai ver, quem vai falar com ele, tudo mais, tem um negócio ali que, cara, é impressionante.

Roberto           … e eu, para aumentar mais o problema que você levante, eu não queria secretária, eu queria trabalhar numa mesa junto com meus colaboradores, então eu queria trabalhar junto com eles, eu não queria, então isso…

Luciano           Por quê? Vergonha, o que era?

Roberto           Não, vontade de estar junto, de interagir que é o que a gente prega hoje, que é acabar com as caixinhas, fazer uma relação mais horizontal, eu já pensava isso naquela época, que não devia ter os compartimentos, as escadinhas.

Luciano           Aquela sala legal, tem os amigos tudo sentados, aquele muquifo, um empilhado em cima do outro, aí te abrem uma sala só para você, com ar condicionado, com a secretária na frente ali, abrir mão disso cara? Pô, como é que é?

Roberto           E digo para você, você sabe que até hoje eu não tenho sala, até hoje eu não tenho, os metanoicos eles sabem, eu digo assim, se você tem a sua sala,  desfaça, tudo o que você  não precisa ter é uma sala de trabalho, porque você tem que estar aonde o cliente está e aonde a tua equipe está, é isso que você tem que fazer, então até hoje eu não tenho sala, aprendi a trabalhar sem sala.

Luciano           Eu tenho um case interessante nisso aí, que é lá nos anos 90, foi 96, 93, eu não me lembro exatamente quando foi, a gente mudou. A gente trabalhava, era uma fábrica grande, eu já era diretor na época, tinha uma equipe legal, uma equipe grande ali e a gente trabalhava num lugar tudo meio nas coxas montados lá, um belo dia a gente muda para um local novo, perto de Alphaville, inclusive e eu ganho um andar inteirinho para fazer o escritório do jeito que eu queria fazer o escritório. Eu chamo a arquiteta e desenho junto com ela o escritório que para mim era o escritório dos meus sonhos, era um escritório que eu tinha a minha sala vidrada, de dentro dela eu via todo mundo, era a única sala que estava fechada, uma sala de reunião muito interessante, que naquela  época eu já botei mesa de ping-pong, saco de box, aquela coisa toda e o resto era um, não tinha nem baia, eram mesas grandes onde tinha cada um tinha uma estação e o meu conceito lá era o seguinte, era sentir aquela coisa do mercado persa, eu quero ouvir grito, eu quero ouvir telefone tocando, eu quero ouvir nego falando alto, eu quero essa energia toda, eu precisava dela para ter essa sensação de que as coisas estão acontecendo, e quanto mais tinha, mais feliz eu ficava porque eu via aquele povo e todo mundo agitava, então tinha um maluco que incendiava todo mundo e eu acreditava que aquilo criava uma energia e que essa energia é fundamental para um brasileiro funcionar, não dá para botar o cara trancado num lugar quietinho e foi fantástico, foi um, puta, foi maravilhoso aquilo até que um dia a gente mudou e na mudança eu fui parar na ala da diretoria e minha turma ficou num outro lugar e se  desmanchou completamente, apesar de eu estar numa puta sala maravilhosa, secretária, eu lá no segundo andar, a minha turminha foi para outro lugar, isso foi mortal e não havia como voltar atrás porque eu já tinha ido para um outro esquema e foi mortal, quando a gente perdeu esse respirar o mesmo ar que eu acho que é isso que você está falando…

Roberto           É exatamente isso que você está falando

Luciano           … junto com a turma e vivendo a mesma vibe, a vibe é igual.

Roberto           É, você sabe que a minha carreira termina de executivo exatamente por isso eu era gerente regional e era candidato à diretoria e eu notava que diretores ficavam fechados em salas de reunião dias inteiros, com fumaças de cigarro, que na época…

Luciano           Empresa de que que era?

Roberto           Instituição financeira, instituição financeira que fuma-se muito, bebe-se muito depois que termina o expediente e eu falei nossa, isso vai ser o meu futuro, eu não quero isso e era uma carreira cobiçada, diretoria, vai ficar dentro de sala de reunião, mas eu queria o contato com as pessoas, sejam elas os clientes ou os colaboradores, ia perder o contato e ia ficar confinado. Então aí eu peço a conta e vou seguir a carreira de consultor.

Luciano           Você pede demissão pra tocar o seu próprio negócio.

Roberto           Para tocar o meu próprio negócio.

Luciano           Quantas pessoas disseram para você que você estava ficando louco?

Roberto           Aha muitas, muitas, porque eu era a famosa promessa e por mais que nós falávamos a pouco que com a ascensão você perde alguns amigos, mas você também ganha muito a admiração de amigos que veem a sua trajetória sendo bem conduzida, bem sucedida, tem os que te admiram, então esses chegam e falam, você está ficando maluco de largar um emprego desse, você é a bola da vez e você vai embora, falei assim, mas eu, alguma coisa me diz que não é mais aqui que meu coração vai pulsar daqui para a frente.

Luciano           Me conta um pouco sobre esse processo de decisão, que idade você tinha?

Roberto           28, 29 anos é quando começa a coceira de agora está na hora de partir, por volta de 29, 30.

Luciano           Estava casado?

Roberto           Não.

Luciano           solteiro, sem filhos e tudo  mais. Muito bem. Mas já beirando os 30 anos, quer dizer quanto mais passa a idade, mais difícil é tomar uma decisão dessa ai. Mas como é que é o processo de julgamento e tomada de decisão nessa hora quando você olha ali e fala, tenho toda a segurança do mundo, tenho uma baita carreira pela frente, vou ganhar uma… vou ser promovido para diretor, o salário vai crescer, eu vou ter o carro e eu resolvo que eu não quero isso e vou mergulhar num buraco negro, que não tenho nenhuma segurança. A partir de amanhã eu não tenho uma instituição, se eu der errado eu quebro e vou ter que voltar humilhado pedir emprego aqui e você diante dessas oportunidades escolhe a mais arriscada, como é que é esse processo de…

Roberto           E tem um dado adicional, colegas vieram comigo. Então colegas da minha equipe, nós vamos juntos e aí aumenta a responsabilidade porque você fala, puxa eu estou subindo uma escada que eu não sei aonde é que vai dar.

Luciano           E como é que é esse processo de tomada de decisão para essa avaliação que você bate o olho e ala assim, tá legal, eu vou. Quanto tem de irresponsabilidade nessa tua decisão, pelo fato de você ser um garotão, garotão… eu posso errar à vontade, chuta acabou, quanto tem de irresponsabilidade e quanto tem de análise racional que fala, não, ali está o meu futuro. Quanto é cada coisa dessa?

Roberto           Luciano, de racional nada, se não você não faz, não é uma análise racional, não é uma coisa que você põe no papel e faz um planejamento estratégico, não é nada disso, é uma coisa extremamente intuitiva, com algum componente emocional, mas muito de intuição e alguma coisa que te diz que é isso que você tem que fazer.

Luciano           Você comprou essa intuição aonde? Tem alguma ideia disso? Vem em caixa, vem em lata? Como é que é isso?

Roberto           Não… aí é que ela vem da história, quando você faz aquela pergunta lá de trás, mas eu não me dava conta disso não, pouco tempo eu comecei a fazer as correlações, mas é uma coisa que vem lá de trás, tem alguma coisa que diz, tem algo que você tem que fazer, é como se fosse uma chama…

Luciano           Um propósito.

Roberto           Uma chama que está dentro, um chamado que está fora, como é que você junta essas duas coisas, a chama que está dentro, que começa a se apagar quando você não está vivendo aquilo que você tem que viver…

Luciano           O Max fala alguma coisa, Max Gehringer, pra mim, ele falou, eu nunca mais esqueci, até comentei na entrevista dele aqui, você sabe que chegou a hora quando você acorda de manhã e fala, puta vida vou ter que ir trabalhar, cara. Lá vou eu de novo, ele falou, quando isso acontece chegou a hora, chegou a hora de você trocar.

Roberto           … isso é um bom indicador, estava um pouco por ai.

Luciano           E aí você então monta uma consultoria.

Roberto           Uma consultoria, consultoria com alguns parceiros que trabalhavam comigo, começamos e é o que você falou, a remuneração era um tanque de gasolina por semana, para poder circular, então…

Luciano           Consultoria financeira?

Roberto           Consultoria, começamos em instituição financeira, viemos muito da vocação financeira, então era consultoria financeira, começamos por ai…

Luciano           Você ia arrumar a casa dos clientes, é isso?

Roberto           Isso, ia arrumar a casa dos clientes até descobrir, e aí entra em cena a minha primeira abordagem se transforma em livro que é uma empresa não tem só corpo, ela tem mente e alma também, que é a empresa de corpo, mente e alma, então assim, até descobrir que, puxa, estou ficando bom de corpo, mas espera aí, isso não segura a tríade, não segura o equilíbrio, a empresa tem alma e a empresa tem mente, não tem só corpo e as finanças é muito a parte corpo, tangível, concreta, visível e aí eu percebia que você não ganha o jogo estabelecendo o placar, vamos ganhar de 3×0, que é o que as empresas às vezes fazem, são os orçamentos, os planos de meta, não, você ganha o jogo não é estabelecendo o placar, é trabalhando a equipe, preparando a equipe, tática de jogo…

Luciano           Vocês sabe que eu vi uma entrevista recente de um lutador do UFC, eu não consigo me lembrar o nome dele agora, mas era um desses  que iam disputar ai, uma disputa de título, alguma coisa assim e ele comentando, ele falando, ah, Donald Cerrone, é um lutador, respeitável, tudo, tentou o titulo agora, perdeu mas… ele contando sobre o processo dele, esses caras vivem uma vida que é uma coisa maluca, que o treinamento para um lutador de UFC que vai entrar lá naquele ring, vai tomar porrada que nem um maluco e ele tem ali 15 minutos, 20 minutos para resolver a vida dele, é uma loucura, então ele contando desse momento, eu estou me preparando para entrar no rinque, então ele falou, o que eu fiz nos últimos 3, 4 meses? Eu preparei o meu corpo e a hora que eu subo no rinque eu estou tinindo no corpo, então o que é o momento? São 80% o meu corpo, 20% minha cabeça, quando eu entro no rinque, inverte, passa a ser 20% meu corpo e 80% minha cabeça, quem vai fazer eu ganhar a luta vai ser a minha cabeça, não vai ser meu corpo.

Roberto           É isso ai.

Luciano           Fantástico

Roberto           Fantástico, fantástico e é isso, nos negócios é assim também, você pode preparar toda a sua estrutura e a sua infraestrutura, suas instalações, tudo isso, mas o que vai fazer a diferença é a alma que está presente naquele tipo de negócio e a mente que está presente naquele tipo de negócio.

Luciano           Qual foi o insight que te levou a essa conclusão, você contou para mim na hora do almoço aquele negócio do de manhã e de tarde.

Roberto           Então, Luciano, eu fui sempre observador e de prestar atenção e tentar aprender com o mercado, com os clientes e eu notava o seguinte, aí nós estamos agora em década de 80, você deve lembrar que nós vivíamos todos os planos ortodoxos e heterodoxos da economia, inflação, então uma economia muito complicada…

Luciano           80% de inflação ao mês, 2600, quase 3000 ao ano, o que para quem é jovem talvez, a gente não dá para fazer, não dá para calcular o que é isso, é impossível para quem não viveu o que nós vivemos naquela época, imaginar o que seja 80% ao mês, é uma coisa que de manhã você compra e a noite você não compra mais, subiu ao longo do dia o preço. É uma coisa brutal. Mas era assim que a gente vivia.

Roberto           … taxa de juros elevadíssima, uma taxa de desemprego elevadíssima, quando eu vejo a economia de hoje, para quem passou aquela, me parece que a gente está no céu de brigadeiro, claro, céu de brigadeiro não é, é só para fazer o paralelo, em absoluto não é, mas eu notava que tinha empresários, então ia na parte da manhã numa empresa e o cara estava reclamando da vida e está difícil e está desempregando e tem que mandar gente embora,  muito parecido com isso que a gente vê e na parte da tarde eu ia numa outra empresa, num outro bairro em São Paulo e era o contrário, abrindo filial, expandindo, importando máquina, eu falava ué, o que é que tem de diferente do empresário da manhã para o empresário da tarde? Claro, vinham as respostas…

Luciano           O mercado é o mesmo, o ambiente é o mesmo, a inflação é a mesma, o presidente é o mesmo, é tudo igual

Roberto           … a mesma economia, a mesma taxa de juros, a mesma taxa de câmbio, o que é que tem de diferente? Bom, aí vinham algumas respostas mais simplistas, o ramo de atividade, todos falavam para mim, ah no meu ramo de atividade você não conhece, ele é muito predatório, a concorrência é brava, então eu falava não, deve ter algo que faz uma diferença que não é o ramo de atividade, que não é a economia e aí eu… e sim, o que faz a diferença que não é a economia, que não é o ramo de atividade, é uma qualidade de olhar que o da manhã tem que o da tarde não tem, ou melhor, que o da  tarde tem que o da manhã não tem,  é uma qualidade de olhar, tem alguma coisa do lado de dentro que não é do lado de fora, já que do lado de fora é igual para todo mundo, só pode fazer a diferença alguma coisa do lado de dentro e esse lado de dentro eu vou olhar através do qual você enxerga a realidade, metanoia ela surge disso, que metanoia é mudança de modelo mental, é uma palavra de origem grega, que significa meta é além, é um olhar além  do tradicional, além do convencional, como é que eu enxergo além do  convencional? Existe o aqui e o acolá, como é que eu enxergo o acolá, porque o aqui está posto, ele é isso, ele é o que sempre foi, a economia é isso, ela é sempre isso, ela tem os altos, tem os baixos e sempre será assim, então o que vai fazer a diferença é essa qualidade de olhar, nessa hora eu começo a questionar o trabalho da consultoria até porque eu deixava empresas extremamente bem aparelhadas durante um ano, um ano e meio ou dois, depois eu era solicitado a refazer tudo porque assim, uma empresa não caminha além do modelo mental do líder, porque o modelo mental do líder vai fazer com que a empresa recue.

Luciano           Isso é uma coisa que eu ia perguntar para você, você quando falou aquela história da diferença da empresa da manhã para a empresa da tarde era o olhar, eu ia te perguntar, olhar de quem, cara pálida, da empresa como um todo ou de algum elemento da empresa?…

Roberto           Do líder.

Luciano           … e está claro para mim que você coloca como sendo o líder, quer dizer,  é de cima para baixo.

Roberto           É de cima para baixo, é do líder que tem a capacidade de influenciar ou persuadir, porque também a qualidade do olhar faz a diferença de um com outro…

Luciano           E contaminar, ele contamina, ele contamina né?

Roberto            Ele contamina, se ele tem um olhar de escassez. Voltando para a história da escassez, agora vamos lembrar lá do meu pai, se ele tem uma história de escassez, ele vai infectar todos com esse olhar de escassez, todos vão ficar contaminados, é só uma questão de tempo. Eu notava, por exemplo, que o líder que passava dificuldade gostava de ler jornal antes de trabalhar então ele já começava na seção das  concordatas e das falências, ele já começava mal, ele não confiava em ninguém que trabalhava com ele  porque tinha muito medo de ser roubado e de acontecer algum problema, ele não tinha confiança, ele achava que o cliente, aquele cara que quando você dava a mão, ele queria o braço, então você percebe que é um conjunto de crenças que forma a construção de uma realidade e você vive nessa realidade, que ela não  é verdadeira mas é a sua realidade, portanto verdadeira para quem a tem.

Luciano           Interessante. Na minha palestra do Everest eu tenho um momento ali que eu comento o questionamento que o pessoal fazia para mim, o que faz um louco querer ir para um lugar desse, você é maluco? Vai para nova York, vai para Paris, você vai se meter no Everest? Passar frio, comer mal, vomitar, correr risco de vida, você é um puta louco, o que leva um cara a tomar uma decisão dessa, tem que ser muito maluco, e ali eu dou um exemplo, eu falo, cara, eu tive 12 meses de preparação para pensar muito bem nisso, até porque todo mundo me falou que aquela viagem era 90% cabeça, 10% corpo e eu durante 12 meses me preparei para isso e uma das coisas fundamentais para esse preparo foi escolher com que olhar eu ia entrar na trilha, então a hora que eu botar o pé na trilha, qual é o meu olhar, então a primeira coisa óbvia que veio é o seguinte: você tem um olhar crítico que vai fazer você voltar vivo, então entra na trilha com olhar crítico que você volta para a casa vivo, porque o que o olhar crítico vai fazer? Ele vai te parar cada vez que você falar para o cara, não vai por ai, não é assim, você olha, você usa a tua lógica, você pensa logicamente naquilo e fala não, não vou por aí, com olhar crítico você volta vivo para a casa e a minha avaliação era a seguinte, se eu botar o olhar crítico eu não vou sair de Katmandu, eu não vou entrar no primeiro avião, porque só o primeiro avião já é um risco de cair no aeroporto. O resto dali para frente é só o inferno, não tem como entrar criticamente numa trilha dessa. A única escolha que eu tinha era optar por outro olhar que era o olhar criativo, então falo o seguinte, olha, eu preciso manter o olhar crítico para me trazer de volta mas ele não pode ser o drive da viagem, o drive tem que ser o criativo, o que que é o olhar criativo? É o olhar da emoção, que você imagina, que você desenha as coisas, eu falei, então o que eu fiz durante 12 meses? Foi transladar de um para o outro, então o dia que eu entendi que eu estava entrando com olhar criativo, mudou a viagem, porque era aquela história, eu estou andando aqui, com ânsia de vômito, dói tudo, eu estou fodido, aí eu parava, olhava para cima, via o Everest, maravilhoso, 8 mil metros de altura, vinha uma vozinha no meu ouvido e falava assim, bicho, sabe onde você está? Você está no Everest, o sonho da tua vida, meu, tem que doer, porque a dor, isso tudo que você está passando, esse perrengue todo é o que você vai superar, então é legal e aquilo me dava força para continuar, então foi a escolha por um olhar que determinou o que ia ser aquela minha realidade. Então o pessoal me pergunta, você voltaria lá? Eu falo, voltaria para lá 1000 vezes se eu conseguisse nas 1000, entrar com o olhar criativo. O ponto que eu quero colocar para você aqui que tem tudo a ver com o que você está dizendo é o seguinte, isso é uma escolha, ninguém desenhou o mundo não é bom ou ruim, o mundo é, quem dá sentido a ele é o teu olhar, você escolhe e o cara que escolhe esse olhar que você falou, o olhar da escassez, ele define o mundo que ele vai viver e é isso, não confio em ninguém, todo mundo vai me roubar, todo mundo é bandido, é insuportável viver com gente assim, mas de novo, isso é uma escolha.

Roberto           É uma escolha.

Luciano           E aí como se resolve isso? Mudando o modelo mental.

Roberto           O modelo mental e lembrando, você colocou uma coisa legal, você falou de uma outra maneira a questão do aqui e do acolá, o aqui é essas coisas, as dificuldades, os obstáculos estão aí, não vamos nos livrar deles graças a Deus, porque a gente precisa deles até para a gente refinar, o aqui e o acolá, o acolá é esse olhar, então assim, como é que a gente leva isso? Conhecimento é o que você falou do olhar crítico e fé, ou o nome que você queira dar para não ficar também uma coisa religiosa, que é aquilo de você enxergar o que você ainda não viu, essa é a definição de fé, enxergar o que você ainda não viu, mas que você já construiu mentalmente aquilo que você quer fazer, você provavelmente já tinha construído mentalmente o Everest.

Luciano            eu já tinha me visto no campo base, eu tinha me visto, a primeira visão que eu tive era eu morrendo na montanha, quando começou era assim, puta, vou cair, vou me matar, e foi assim, imagina que lugar louco, puta eu vou me estrepar lá, e essa coisa só muda no dia que eu chamo um cara, mais novo que eu, que foi para lá e o cara vem na minha casa, senta na minha frente com o álbum de fotografias e me conta tudo aquilo que eu não conseguia pegar lendo um livro e aí eu pergunto ele me responde, nesse momento esse cara me dá toda a confiança que eu precisava e ele muda meu olhar. A partir do momento que eu  converso com ele falo pô, então dá pra fazer, a hora que ele vai embora da minha casa eu falo pô, daquele dia em diante eu passo a enxergar só o sucesso da viagem e não mais eu morto caído num canto lá.

Roberto           Então, você está colocando uma coisa interessante, duas palavras importantes para entender isso, que se você ficar com o olhar só no aqui, onde mora a escassez, quem governa é o medo e você teve medo, pelo que você está relatando você teve medo, mas aí o que aconteceu? No acolá é que está o desejo o desejo mora no acolá, o desejo mora lá onde o olhar enxerga o que não está posto. Bom, essa luta do desejo e do medo nós a vivemos todos os dias, a gente não se livra dela, nós só temos que fazer uma coisinha. Gostaria que os nossos amigos ouvintes pegassem essa: bota o desejo na frente do medo, nunca o medo na frente do desejo, que isso é que faz você subir uma escada sem saber onde é que vai dar.Aos 30 anos pedi a conta do emprego e é o desejo na frente do medo, porque se o medo tomar conta, a gente não sai do lugar.

Luciano           É, se você for olhar todas as histórias das grandes conquistas da humanidade é isso, o que é que explica um cara se enfiar no deserto de Gobi, durante 2 anos em busca de um pedaço de osso e que vai fazer esse cara fazer a descoberta de um dinossauro que… cara, tem que ser muito louco para ir, um cara que vai, atravessa o oceano num barquinho, o cara que vai para a lua, vou entrar numa lata que vai me levar para a lua e não tenho certeza se  eu volto ou não, as caravelas, vou me lançar no oceano e eu não sei se eu vou voltar para a casa. Aliás tem uma história até muito legal que eles colocam, são os ingleses que, eu vi um anúncio do cara procurando gente para ir para a Antártida e ele fala, olha, é uma viagem é só aventura, vai passar frio, vai comer mal, vai ter um risco de vida gigantesco e nós vamos pagar você antes de você sair para você pegar o teu dinheiro e dar  para a tua família porque não há garantia nenhuma que você volte e aparecem 5 mil candidatos para ir. E você fala, quem é o louco? Não cara, é o cara que vê essa loucura e fala, eu serei… Um exemplo que está acontecendo agora, você viu que saiu um projeto para escolher gente que quer ir para Marte e que não vai voltar para a terra, quem embarcar só tem ida, teve 20 mil inscritos, todo mundo quer ir, eu quero ir, mas você não vai voltar mais, dane-se, pela conquista dessa coisa fantástica eu estou disposto a não voltar mais para o lugar onde eu nasci. O que é isso né? Desejo à frente do medo.

Roberto           É… o desejo na frente do medo e de viver uma experiência.

Luciano           Agora, o único jeito de você sair vivo de uma história dessa é você estar  preparado, porque quando você fala assim o cara ah  tá legal, então a partir de amanhã eu vou meter a cara, vai  se ferrar…

Roberto           Aí entra o conhecimento, conhecimento e fé, lembra do binômio conhecimento e fé, ai entra o conhecimento, não pode ser um suicida, tem que ter conhecimento, tem que ter alicerce, tem que ter base, tem que estudar, tem que aprender, isso não está descartado.

Luciano           E aí o dia que você tem esse insight então que nasce esse conceito da metanoia e você se vê… é interessante que é uma mudança de realidade, porque até então você trabalhava com uma planilha Excel, aliás, era Lotus 123, era Lotus 123, onde você punha 1+1 dava 2, não tinha erro se não der 2 está errado. E aí você sai disso e passa para um universo que não cabe mais na planilha, você está lidando agora com quereres, poderes, dores, intenções, mau humor, inveja, cobiça, amor e cara, eu sou um cara do mercado financeiro, acostumado a lidar com planilhas e a agora eu entrei nessa coisa maluca, como é que é esse momento de transição quando você olha para isso e fala, meu negócio está mudando e agora eu mergulho num universo onde as coisas não são mais mensuráveis, ao menos da forma como era. Como é que você… que eu acho que aí entra a metanoia, você desenvolve isso, como é que  é?

Roberto           Ela vem aparecendo, quando vem a abordagem da empresa de corpo, mente e alma, ainda na metodologia da consultoria e com ela a mexer no terreno da alma, no terreno da mente e começa a perceber que tem significado essas outras pontas da tríade, tem muito mais significado, tem muito mais coisas além dos números e que os números não mostram, que os números não declaram e que tem mais coisas para a gente entender e que essas outras coisas às vezes são aonde está a essência do negócio.

Luciano           Eu uso um exemplo numa outra palestra minha também que eu falo sobre isso, falo cara, se você tentar traduzir a tua vida em números, você vai ter momentos que você vai… são conclusões malucas, por exemplo, 2001 o ataque às Torres Gêmeas, vamos traduzir isso em números? Vamos: 3000 mortos, 2 aviões, 13 sequestradores, foi isso aquele evento? Cara…

Roberto           Aquilo foi uma mudança.

Luciano           …mudou a história da humanidade aquilo, quando eu traduzo em números…

Roberto           Você perde isso.

Luciano           … 3000 mil mortos, 2 aviões, 13 sequestradores, não é isso, isso é a parte menos importante até da história, legal, isso criou o fato, mas olha o tamanho daquilo, a consequência mudou a história da humanidade a partir do momento em que eu saio da simples mensuração e parto para as consequências, na economia. Tem o Bastiat que escreveu um livro fantástico chamado “O que se viu e o que não se vê”, onde ele fala exatamente isso, fala, você está lidando com sistema econômico onde é muito fácil você só olhar para as coisas que eu consigo medir, quando na verdade as consequências delas é que vão dar, vão definir, então você toma uma medida agora, imediata, do agora, faz alguma coisa, manda embora, troca e esquece que lá na frente nós vamos ter uma conta para pagar com desdobramentos que são incontroláveis aí o cara quebra e não sabe porque quebrou.

Roberto           É, nós estamos chegando numa terceira ruptura, estou vivendo agora o início de uma nova fase, estou de novo subindo uma escada sem saber onde vai dar, adiantando um pouquinho, nossa conversa um pouco randômica, ela vai para a frente, vai para trás, mas depois quando surge a metanoia, surge um processo de educação que substitui um processo de consultoria, que ao invés de trabalhar o sistema organizacional, vai trabalhar o modelo mental do líder. Muito bem, então já pinta essas coisas todas, mas o que está pintando agora é uma outra coisa, só para pegar a história das finanças lá de trás, onde ela acaba agora, é o desenvolvimento econômico em prol do desenvolvimento humano e não o inverso, porque o que aconteceu com o nosso capitalismo, Luciano, é que perdemos o pé, o desenvolvimento econômico foi mais importante que o desenvolvimento humano, não era para ter sido isso, não era a ideia do Adam Smith, não era ideia do Keynes. Invertemos, então assim, a economia prevalece sobre o humano, mas o humano é a razão de ser, de nós estarmos aqui, é o humano e a economia é um meio através do qual a gente cria o desenvolvimento humano, mas se você olhar por ai, nesse momento de demissões, nesse momento de crise e de falta… a economia está prevalecendo, dane-se o humano.

Luciano           É porque o olhar é exatamente esse ponto, é o olhar naquilo que dá para medir, ou seja, eu estou numa bolsa de valores, eu tenho que pagar os dividendos dos meus acionistas, se eu for mal, o meu acionista se livra das minhas ações, vai cair o preço, isso aqui vai desmontar em tudo e quebrei, porque eu trabalhei 26 anos numa multinacional, eu sei qual era a pressão que existia ali, era uma pressão que quando você apertava, apertava, cara o negócio é o resultado, é o número no fim do dia todo o resto é consequência disso, de novo, vou para uma outra palestra minha, naquela do “Gente Nutritiva”, que eu desenho uma empresa e falo o seguinte, olha, toda a empresa tem alguns pilares, não importa o que é, não me interessa se você tem um carrinho de cachorro quente ou se você é uma multinacional, tem pilares, um pilar é a produção, um pilar do RH, o pilar do marketing, o pilar… são pilares que mantém a empresa funcionando ali e esses pilares sustentam o lucro, então está tudo pousado em cima daquilo, então se você não tiver esses pilares o lucro cai, eu falo, esse é o modelo que todo mundo vende para você até aparecer uma crise, quando a crise aparece, o que acontece? Os caras começam a derrubar pilar. Ó está em crise, então corta o RH, corta o marketing, não tem mais dinheiro do cafezinho, sabe aquela creche que a gente ajuda porque nossa empresa tem uma visão pela sociedade? Corta o cacete da creche, não tem mais dinheiro para creche, mas como cara? Esses nossos cursos…

Roberto           E as crianças?

Luciano           …   não tem cara, corta que não tem como dar lucro, e ai eu faço a pergunta, vem cá, quem sustenta quem? E aí eu inverto a coisa, esses pilares só existem porque eles estão apoiados no lucro, se você tirar o lucro cai o pilar, então a conversa é uma e a realidade é outra, quando chega a crise é que aparece. Então se eu tenho uma cultura que define claramente o que eu sou, ou seja, eu meço lucratividade na minha empresa olhando para o lucro social, o lucro cultural, lucro ambiental, lucro dinheiro financeiro e isso está claro para mim, eu não posso simplesmente abrir mão de 3 deles para ficar só com o lucro financeiro.

Roberto           Até porque um alimenta o outro.

Luciano           E quando isso acontece significa que era papo furado.

Roberto           Exatamente.

Luciano           Que é o que a gente mais vê, né?

Roberto           Mas esse é o grande ponto, então são duas coisas aí, uma o olhar de escassez prevalece nessa hora ele fica descarado, é ainda o olhar de escassez e falta uma palavrinha fundamental para a vida e para os negócios: coerência. Aí você percebe que não havia coerência, havia discurso mas não havia coerência.

Luciano           Que é o que mais há.

Roberto           Que é o que mais há.

Luciano           Fantástico.

Roberto           E nós precisamos recuperar isso, esse olhar de abundância, essa coerência e botar o desenvolvimento econômico a favor do humano, porque a crise é justamente essa inversão.

Luciano           Você sabe que é uma discussão muito interessante esse assunto aí nesse mundo da internet agora, o mundo internético desses grandes processos de trabalhar com criação de conteúdo, que é aquilo que eu faço hoje, vender conteúdo pela internet, etc e tal, onde há uma discussão muito grande que é o choque da economia da escassez com a economia da abundância. A economia da escassez faz o seguinte, compre agora, acaba sábado, se não for até sábado não vai ter mais, cuidado, aproveite a oportunidade, se não for agora você dançou, essa economia antiga da escassez que tromba quando a gente entra no mercado e que, eu não tenho mais estoques, não é que eu vou ter 3 canetas se você não comprar as 3 vai sobrar 0, não, eu tenho um arquivo no éter, que se você comprar 10, continua tendo o arquivo, compra mil, continua tendo o arquivo, não há mais a escassez do produto de conteúdo, portanto não há sentido você dizer só até sábado, porque não importa o que você quiser, tem sempre no estoque aqui. Isso está sendo um impacto brutal nas empresas, porque são dois discursos totalmente diferentes, e que começam um contaminar o outro no dia a dia. Então vou ter um exemplo que eu gosto muito, vou fazer palestra, tem vários palestrantes ai que eu gosto, um deles é o Dado Shneider e o Dado começa a palestra dele pedindo para o pessoal, falar o seguinte, vamos começar a palestra, celular, quem tem celular, levanta, todo mundo levanta o celular e aí você espera que ele diga o que? Por favor desligue ou bote o celular no mute que é para não atrapalhar a palestra, e  ele fala muito bem, vocês tem celular, por favor, filmem minha palestra, tuitem a palestra, bota no Facebook essa palestra porque quanto mais vocês fizerem, mais vocês vão me divulgar e mais gente vai me conhecer, por favor, abundância e tem cara que chega lá e a primeira coisa que ele fala, não filme, proibido filmar, desligue, não pode ver. E são duas cabeças distintas, duas economias distintas, uma antenada, até porque você fala não filma, aí é que todo mundo vai filmar, a abundância contra a escassez…

Roberto           Perfeito.

Luciano           … num mundo que está mudando abruptamente, onde de repente eu começo a … estava falando disso no almoço né? A tratar essa coisa da precificação das coisas, então eu não pago um tostão pelo podcast que o Luciano Pires põe no ar porque essa coisa é gratuita, isso é download gratuito, onde já se viu que eu vou pagar, não vou pagar coisa nenhuma, mas eu compro um CD, porque eu consigo pegar na mão essa coisa de plástico, esse disquinho, legal, eu consigo entender que vale 40 reais, eu pago o livro do Luciano por 35 reais porque eu consigo pegar esse negócio na minha mão, esse papel e eu ponho ali no meu armário, então eu consigo ver, portanto eu consigo pagar, eu pago 10 reais por uma cerveja quente na balada porque eu consigo pegar aquela lata e consigo sentir e agora? E essas coisas que eu não consigo sentir, tua criação intelectual, o trabalho que você teve para elaborar aquele e-book que você põe no ar e que o cara pirateia e manda para todo mundo porque não há o menor sentido em pagar essa coisa porque não tem papel, não consigo pegar, de novo, tangível intangível.

Roberto           Tangível e intangível, aqui e acolá e tem mais um binômio para a gente colocar no meio dessa história toda, sujeito e objeto. A economia da escassez transforma o ser humano em objeto, por exemplo, por que as pessoas são mandadas embora? Na maior parte das vezes porque ela é vista como um item de custo, ela é uma coisa, você precisa se desfazer dela porque ela vai te custar, ela não é um ser humano, ela é uma coisa e você precisa se desfazer. O mundo que a gente está entrando, essa nova economia, tende a ser, ainda tem um pouco dessa mistura que você está colocando, nós estamos exatamente o embate entre uma e outra, mas tende a ser a economia do sujeito, o sujeito pelo sujeito, então eu quero o podcast do Luciano Pires por conta do Luciano Pires, ele não é uma coisa, ele não vai ser um CD, ele vai ser o Luciano Pires com a inspiração que ele tem, com a inteligência que ele tem e o que eu posso interagir com o Luciano Pires. É uma relação sujeito/sujeito que precisa ser conquistada.

Luciano           É uma mudança de modelo mental que muda o conceito de posse, o que significa posse de um aparelho celular, significa que esse aparelho que está na minha mão, de plástico e que está no meu bolso, se ele estiver na minha mão, de plástico no meu bolso eu tenho a posse desse equipamento e de repente você está falando para mim que eu estou lidando com bites, que estão na nuvem e que ão estão no meu bolso. Por exemplo, eu não compro mais DVD, eu troquei comprar DVD’s e ter minha coleção maravilhosa de DVD’s, por assinar a NetFlix, nenhum filme da NetFlix é meu, eu não possuo nenhum dele, o que eu possuo? Acesso até eles, isso dá um conflito na minha cabeça porque eu gosto muito de olhar para a minha coleção de DVD’s e falar, cara, olha quanto filme eu tenho e de repente, ontem eu estava olhando isso, um monte de CD na minha casa, eu olhando aquilo e falando, cara, há um ano eu não pego um CD dali, eu nem tenho mais saco para levantar para tirar um CD, apertar o botão, ligar coisa e botar lá, sabe o que eu faço? Eu vou na televisão a cabo, boto em música, anos 70 e deixo tocando, que o que me interessa? O prazer de ter acesso àquilo e,  eventualmente, se eu quero uma determinada música, lá vou eu para a internet, vou procurar no Youtube, vou ouvir de alguma forma, Soundcloud da vida, os esquemas de streaming, entro no ITunes, compro o que eu quiser no ITunes e tenho aquilo tudo comigo ali, mas de novo, se eu perder meu celular eu dancei, se o meu queimar eu dancei, se apagar na nuvem eu dancei, então esse conceito do que é  posse…

Roberto           E do que é propriedade…

Luciano           … exatamente sabe, o que me interessa? Ter acesso, usufruir o bem e não ter o bem para mim. Interessante, o Murilo Gun fez um trabalho legal sobre isso ai, essa a gente economia da… fez uma entrevista aqui, ele fala na entrevista, cara, eu não quero ter um sofá, eu quero ter acesso ao sofá, para mim o sofá devia ser da empresa que fabrica sofá, eu vou lá, eu alugo o sofá, uso o sofá, um belo dia mudou o sofá, a empresa vem aqui, tira o sofá velho e bota um sofá novo e eu estou comprando o usufruto do sofá e não o sofá.

Roberto           É isso aí.

Luciano           Jamais jogar no rio, não vou jogar num rio o sofá velho porque a empresa vai  pegar de volta para reciclar, cara isso é uma revolução.

Roberto           O Tom Peters dizia, se você puder, alugue seus sapatos. Alugue seus sapatos, não tenha, alugue, mais ou menos a história do sofá que o Murilo falou, quer dizer, o que vale não é mais a propriedade, a posse,  é o acesso, acesso é até melhor do que posse, é você acessar aquilo que você  gosta.

Luciano           Usufruto, é usufruto.

Roberto           E a gente passa a entrar no mundo dos sujeitos e não dos objetos, eu acho que é uma coisa que precisa ser corrigida porque o ser humano não pode ser tratado como objeto, uma das coisas que mexeu muito comigo quando eu migrei da consultoria para a educação, foi ler um livro do Paulo Freire chamado “Educação e Mudança”, um livrinho desse tamanhozinho, mas tem uma frase lá que virou uma chave na minha cabeça, ele dizia assim: “o ser humano é objeto por distorção e sujeito por vocação”. Eu falei é isso, a vocação do ser humano é ser humano, essa é a busca de todos nós, é triste quando a gente vê as pessoas ainda levando vida de objeto, você pega aí no trânsito, a correria, o consumo, levando vida de objeto, mas a nossa vocação é de ser humano e nós precisamos recuperar a nossa vocação de ser humano e as empresas, eu acho que é um grande ambiente para a gente fazer isso, acho que é o ugar apropriado para isso, se o líder comprar essa ideia.

Luciano           Então, isso que eu ia te perguntar, como é que você leva esse discurso para dentro de uma área financeira, onde tem um controler sentado ali, cujo bônus é calculado pelos números finais, cuja função é cortar, cortar, cortar, cortar, cortar, adaptar, fazer com que esses números funcionem e a vida dela gira em torno de uma planilha, ele não tem um componente nessa planilha que seja a mensuração desses intangíveis aí, essa é a preocupação do líder máximo, que vai chamar o pessoal do RH, que vai botar essa turma toda, da turma do marketing, que eu vou investir dinheiro sem saber direito o retorno que isso traz e gera um conflito das empresas, mas de repente você chega lá com a tua proposta e bota na mesa e na sua frente está o CFO…

Roberto           Esse não vai ser o cara que vai comprar a ideia, quem vai comprar a ideia é o big boss, é o líder principal que ai comprar a ideia e que ele respeite e valorize o papel desse controler, mas que ele compreenda que ele é um terço da tríade, ele é para trabalhar  o tamanho do corpo e cuidar do corpo e zelar por ele, mas é um terço.

Luciano           Você sabe que na minha época de empresa era legal? Nós tínhamos, tinha um conflito com a controladoria que era um negócio terrível, eu era o cara do marketing, o desgraçado que gastava com uma competência brutal, todo dinheiro que os outros coitados batalhavam para ganhar, então os engenheiros, o pessoal da produção se matavam para ganhar dinheiro, caía na minha mão eu era o maluco que ia lá gastar aquela coisa de bobagem, era esse o conceito que tinha ali e no meio do caminho tinha um CFO com quem eu ia brigar e bater com os caras lá e eu me lembro que eu fazia as reuniões com a minha turma e o pessoal puto da vida porque cortou coisa e que pô, eu vou lá, eu vou falar com o cara, eu falava bicho, essa é a função dele, esse é o cara que ganha para botar o pé da gente no chão, se esse cara não fizer o papel dele, nós vamos voar que nem uns loucos aqui, tem que ter alguém para chegar e falar, atenção, pé no chão…

Roberto           Alguém acelera, alguém pisa no breque…

Luciano           … e eu vou ter que convencê-lo de que vale a pena, se eu não conseguir convencê-lo, alguma coisa está acontecendo, ou ele é um idiota ou eu não tenho argumentação suficiente para mostrar o valor daquilo que eu quero fazer, então era aquela história, se você está pedindo para mim 100 mil reais para gastar na construção daquele pequeno stand, naquela feira, contratação da menina, a recepcionista e os cafezinhos que você vai dar para os caras, só que com 100 mil reais eu arrumo o torno, aquele torno que está fodido lá, eu vou arrumar o torno, então eu tenho que escolher, ou  eu dou 100 mil reais para você torrar com as meninas e fazer aquela bagunça, ou eu conserto o torno e esse era o pau geral  o tempo inteiro e eu era obrigado a mostrar para ele que havia um valor naquele dinheiro que foi torrado com uma bobeira e o torno eram coisas que competiam uma com a outra, mas na cabeça do cara do dinheiro, só tem 100 mil, dou para quem? Vai para que lado, e o outro lado, que essa é a definição das prioridades. Interessante.

Roberto           E aí o controle é importante. Agora deixa eu falar uma coisinha interessante que você está  colocando. E eu me lembro no tempo das reuniões que participei de muitas no tempo da consultoria e eu me lembro assim, reunião para as metas e resultados, então ia o cara de vendas, ia o cara do financeiro levaras planilhas do plano de  metas, às vezes  o do marketing, bom, aí fazia a reunião, aí depois a reunião porque a produtividade não  está boa, a produção não está boa, aí ia o cara da fábrica, da indústria, ia o de suprimentos e de compra, o financeiro com a sua planilha, às vezes ia o de vendas, ou não ia, e etc. Reunião para  falar das pessoas, só ia o RH, não ia mais ninguém, essa é a distorção ainda, estou voltando de novo no sujeito e  objeto, essa distorção ainda quando é para tratar de gente, a turma não vai para a reunião, para tratar de números, de metas, de compra, então essa é as mudanças que precisam ser feitas.

Luciano           Porque turma do RH é bobagem.

Roberto           Pois é, mas a única fonte confiável de desempenho e resultados, ainda são as pessoas.

Luciano           É terrível né. Eu me lembro das altas discussões que a gente fazia, nós fizemos, teve uma época lá em que eu subi, virei diretor e acabei indo parar no board da empresa e a gente fazia as reuniões ali e eu dizia para os caras, eu falava, eu só vou acreditar na boa intenção de vocês o dia que tiver um vice-presidente de RH aqui sentado nesta mesa e tendo voz de comando, tendo poder de voto, na hora que botar aqui, vamos falar de estratégia? Cadê o VP de RH, capaz de vetar ou de dar uma se não tiver, o resto é conversa, nós estamos tomando decisões aqui sem ter a coisa mais importante que é a definição das pessoas que estão aqui e normalmente não é assim, é a menina do RH, a menina do RH aqui, você acaba lidando com gente que é um incômodo, a minha empresa é fantástica, pena que tem gente, puta, pena que tem gente, se não tivesse gente seria maravilhosa, que máquina, olha que maravilha, mas tem gente, aí eu sou obrigado a lidar com essas coisas terríveis. Bom, quando você vai vender o teu produto, você está vendendo, o que você oferece? 3 ou 4 vezes você já falou de educador, você vai lá para dar aula, o que que é o teu negócio?

Roberto           É um processo de educação aonde as pessoas são postas a viver experiências para experimentar outros pontos de vista que não aquele que ela já adota na liderança dela ou no negócio dela, para avaliar o tipo de resultado que dá a experiência de um outro ponto de vista e dizer, eu quero ou eu não quero, porque educação para mim é isso, educação é você colocar alguém numa experiência que ele possa, ele, avaliar e tomar uma decisão dizendo, isso é o que eu quero, gostei disso, se funcionou aqui eu vou experimentar lá na minha empresa.

Luciano           Dá um exemplo palpável.

Roberto           Palpável…

Luciano           Com uma área da empresa, o que é isso?

Roberto           Eu levo o grupo de líderes para Atibaia, que é onde acontece, eu fico uma semana com eles lá, nessa semana eles são postos, desfiados em algumas experiências, essa experiência é viver uma nova economia, é viver uma outra abordagem, é experimentar um olhar de abundância, é experimentar você compreender a empresa com corpo, mente e alma, como organismo vivo, é…

Luciano           Você vai mandar os caras treparem na árvore, nadar no rio, remar na canoa, subir a cachoeira, pular do bungjumping, é isso?

Roberto           Não… eles são postos em experiências mas não dessas radicais que você está colocando, não que eu não ache que no fundo, não sei, não mexo com isso, mas são experiências de…

Luciano           Do tipo assim, o cara de finanças tomar uma decisão de marketing? O cara de marketing tomar uma decisão de finanças.

Roberto           São várias configurações nesse sentido, sim, isso muito de mudar o olhar muito, de experimentar um novo olhar muito. É sempre muito esse movimento e isso acontece num processo de um ano, então você.. não é uma coisa de uma hora para outra.

Luciano           E a mudança vai ser, não é uma mudança que você vê, passei um fim de semana trancado com ele e mudei, não, ela é paulatina né?

Roberto           Depois de um mês eu estou junto de novo, e aí vamos lá de novo, depois de um mês eu estou junto de novo, porque isso significa uma mudança, você tem que mudar hábitos, você tem que mudar a tua agenda de líder, você tem que colocar virtudes aonde os vícios estão tomando conta, o desejo no lugar do medo, isso é imprescindível, o desejo vai ter que despertar no lugar do medo.

Luciano           Alguns exemplos que você deu aí, você estava falando, vem o cara do financeiro e tudo, o que me leva a creditar que você está tratando de uma empresa perfeitamente configurada, uma empresa, não vou dizer grande, uma empresa média, mas toda arrumadinha, tem os seus departamentos, mas eu imagino que você lida com uma porrada de empreendedores que a família é que está á frente, é aquela bagunça, chama o financeiro é o Zé, agora RH também é o Zé, eu quero o cara da logística é o Zé também e a  Maria que é a esposa do Zé que é a minha sobrinha e não há essa configuração tão clara como de uma empresa e você entra nesse ambiente também, como é que é lidar com essa coisa onde você está lidando com a família e com o dono, um tipo de dinâmica ali dentro que é totalmente diferente da dinâmica de uma empresa onde tem um dono que eu não sei quem é, tem o acionista e eu sou um peão no meio dessa história toda, como é que é essa diferença?

Roberto           Empresa brasileira é muito familiar, a questão da família é muito presente, então nessa hora sempre, se a gente pode colocar a família no processo, a gente coloca a família no processo, tem uma grande vantagem a empresa familiar, ela já traz valores familiares que em geral são bons para dentro da empresa e que você pode juntar esses valores familiares com os valores da equipe de trabalho e transformar essa empresa não numa organização, como a ciência da administração ensina, mas como uma comunidade de trabalho, diferente, porque organização é organograma, metas, objetivos, etc etc, comunidade de trabalho valores, propósitos, relacionamento, confiança.

Luciano           Você está falando do Google? Eu estou falando o seguinte, o discurso das empresas aí dos Googles da vida, os Facebook, que são essas coisas da nova economia onde o cara vai trabalhar quando quer, do jeito que quer, de bermuda, que tem um violãozinho para ele tocar, que pinta para a gente como sendo esse caos maluco e que na verdade não é caos coisa nenhuma, isso é uma casca de marketing que é ali, mas embaixo dela tem uns puta processo colocado, tem que dar resultado, tem que cumprir prazo e tudo mais, quer dizer, só se discute o marketing que é muito parecido com isso, você acaba de  descortinar, somos aqui uma grande comunidade, quem é seu chefe? Não temos chefe, o chefe aqui é meu colega, mas como é que é a dinâmica de trabalho? Que dia é a reunião? A reunião acontece quando dá, cara, viva o caos…

Roberto           Bom, o Google veio muito depois de quando eu pregava isso, mas esse modelo mais, vamos chamar de anárquico, não sei, esse modelo mais… não é bem isso, é o que você falou, o modelo de trabalho ele  tem muito mais disciplina do que o modelo organizacional tradicional, ele tem muito mais compromisso do que o modelo tradicional, a equipe é muito mais de devotos do que do  modelo tradicional e  as pessoas são muito mais impulsionadas por uma força mais interna do que as que vem de fora, salário, bônus, essas coisas todas são importantes mas não é o que movimenta as pessoas, então isso tudo no fundo cria uma cultura de trabalho e de negócios que funciona numa nova economia, que é essa é a cultura que nós precisamos, onde as pessoas são sujeito e não são objeto, onde a abundância prevalece e não a escassez, onde a farta conta mais do que a falta, é onde você fala mais de farta do que de falta, então essa é que são as mudanças, onde o trabalho é mais oba do que ufa, onde é gostoso trabalhar, então é esse conjunto, é isso que nós criamos, nós criamos uma cultura que promove esse tipo de coisa. E assim, o mundo pode ser essa encrenca, mas que aquela empresa seja um lugar legal para trabalhar, ela não é uma bolha isolada do mundo, ela vai ser, de certa maneira, afetada, mas lá dentro o líder pode assegurar um ambiente de trabalho que seja…

Luciano           Você falou uma coisa na hora do almoço, a gente já tocou rápido no assunto aqui mas eu queria voltar porque aquilo me impressionou bastante quando você falou do cara do período da manhã que quebrou, que é um horror e o do período da tarde que é o da escassez e você falou que tem um jeito diferente que esses caras saem de casa de manhã, um sai de casa dizendo o que e o outro sai de casa dizendo o que é.

Roberto           Um sai de casa assim, lá vou eu para aquela empresa me encontrar com aquele bando de preguiçosos, sem iniciativa, nada criativos, meu Deus do céu, vai ser duro o dia de hoje e aí ele se depara com um primeiro problema, na guarita, no estacionamento, to falando, tá ai, o cara não tem cabeça mesmo, são todos umas antas e aí passa  o dia… E o outro sai de casa, lá vou eu me encontrar com uma porção de gente inteligente, criativa, com vontade de trabalhar, com vontade de fazer acontecer. Eu não preciso te dizer, Luciano, que o bom dia do primeiro é diferente do bom dia do segundo.

Luciano           Falta um termo que você falou, lá vou eu encontrar com a minha turma, olha que legal, onde é que você está indo? Vou encontrar com a minha turma e nós vamos fazer alguma coisa acontecer.

Roberto           Nós vamos criar alguma coisa juntos.

Luciano           Isso é modelo mental, exatamente modelo mental. E agora vou extrapolar um pouco essa conversa para trazer esse conceito que você está colocando aqui para nível nação, Brasil, o que me parece que está acontecendo com o Brasil hoje, o Brasil perdeu completamente essa ideia de nossa turma vai fazer acontecer e eu, até um tempo atrás, escrevi um artigo que eu fazia uma comparação ali dizendo o seguinte, se você conseguisse transformar a China num ser humano e perguntasse para ele o que é que você quer? Ele diria para você assim: eu quero conquistar o mundo e depois eu vou para Marte e vou conquistar Marte. Se você conseguisse transformar o brasileiro num ser humano e perguntasse o que é que você quer? Ele diria o seguinte: eu quero comprar um carro chinês, bem baratinho, eu quero ter um carro chinês. Há uma diferença de… eu não vou dizer de intenção, mas há uma diferença de visão do grupo, que você vai dizer, o que acontece na China? Na China tem um cara lá que se você não fizer ele te mata, aquilo é um país que é fechado, é um negócio militar, é um regime que vai na porrada, se você tiver mais do que 2 filhos você apanha, o cara  roubou o cara te mata. No Brasil não, no Brasil nós somos todos legais, aqui é tranquilo e tudo mais, mas me parece que em algum momento do projeto isso me parece que acontece depois dos anos 60, porque até… eu consigo olhar para os anos 50 e ver o Brasil dizendo o seguinte: cara, nós vamos conquistar o mundo, nós somos campeões e futebol, tem campeão no tênis, nós somos campeões de basquete, a gente tem um cinema novo dando ideia, pô, nasceu a bossa nova, nós somos o máximo e a gente vai conquistar o mundo e de  repente, depois dos anos 60, essa coisa se perde e eu não consigo encontrar hoje essa coisa do “a turma brasileira” indo conquistar o mundo porque nós estamos batendo um no outro, estamos saindo na porrada aqui e me aprece que esse é o momento que o Brasil vive, onde… eu vou usar o X-Files, a série de televisão, “a verdade está lá fora”, o inimigo está lá fora e nós estamos nos degladiando e quebrando o pau aqui dentro de casa, eu acho que esse marco do cosmo brasileiro se transfere facilmente para dentro de uma empresa, ou o contrário, a soma dos microcosmos das empresas e da comunidade se transformam nessa coisa brasileira onde eu não quero, não confio em você porque você não é o cara legal da minha turma, você está querendo tirar vantagem, não confio e quebra essa coisa da confiança e o Brasil chega nesse momento que está. Como é que você enxerga isso, pensa no Brasil de hoje, como é que você vê essa… ?

Roberto           Bom, claro, propósito é uma palavra importante, nós vivemos hoje uma ausência de propósito, mas não vivemos o pior dos mundos não, nós vivemos um momento significativo da história equivalente ao da independência da Brasil e da proclamação da república. Por quê? Porque rico foi para a cadeia, é inédito, nunca tinha ido até então, isso é novo, isso traz esperança, claro, alguns estão indo embora do Brasil porque está dizendo, eu estou perdendo a credibilidade no Brasil, até rico é ladrão aqui, então o que nós vamos fazer? Depende do olhar, o meu olhar é um olhar positivo no sentido de dizer o seguinte, puxa, está acontecendo uma coisa que nós já sabíamos há muito tempo mas que não rolava, nós já sabíamos lá no governo do Collor mas não rolava, agora está acontecendo, eu olho de uma maneira positiva.

Luciano           Os 3 P’s, no Brasil, cadeia para preto, pobre e puta.

Roberto           Lembra disso? Agora não, agora você põe mais um…

Luciano           Opa, quando você bota o cara, o dono da Odebrecht lá, opa, espera um pouquinho…

Roberto           Alguma coisa mudou…

Luciano           … sim.

Roberto           Nesse sentido. Não tem nada de bonito não para a gente bater palma, mas isso é uma conquista importante, ter uma polícia federal que está funcionando. Agora, eu não acredito, eu lembro de uma frase do Lenin que dizia assim: “As massas são como os trigais, se inclinam ao sabor do vento”. Eu acredito no trabalho de célula, eu acredito que se eu mexer na cabeça daquele líder, essa é o meu propósito de vida, eu mudo aquela comunidade de trabalho de 10 a 1000 ou 10000 pessoas,  o que eu não acho pouca coisa.

Luciano           Até porque quem faz o vento é o líder.

Roberto           É…

Luciano           Quem venta é o líder.

Roberto           É…

Luciano           Ele é que é o cara do vento, né?

Roberto           Isso, então aquele cara, eu quero mexer com a cabeça daquele cara, se eu consigo com ele, mais com ele, mais com ele e uma porção, a gente começa a criar uma porção de células que vai projetar para fora aquilo que está dentro deles, porque o que viveu o inverso, do que ser contaminado pelo que está fora, contagiar o que  está fora com aquilo que nós estamos vivendo, então a gente pode viver as nossas virtudes, a gente pode viver com as nossas disciplinas, com os nossos valores e oferecer isso, ah mas o outro não está agindo da mesma maneira, isso é problema do outro, nós vamos fazer a nossa parte. E se a gente começar a somar as nossas partes, isso começa a criar uma nação diferente dessa que a gente tem hoje.

Luciano           Qual é o maior desafio dessa tua missão, eu imagino que você,  quando entra numa empresa e explica que o objetivo e tudo mais, o pessoal deve achar legal, pô que bonito, que legal, falando de valores etc e tal e aí, vamos fazer? Então vamos, vamos fazer, onde é que mora o maior desafio, eu imagino que seja na execução, é você conseguir sair do discurso e entrar na execução?

Roberto           É no olhar, a execução é o mais simples, Luciano, se você compreende o que e  o porque, o como, que é a execução, é  moleza. O como não é um obstáculo, embora, é muito interessante, quando eles começam no processo eles querem saber o como, eu falo calma…

Luciano           Que é o que dá para ver.

Roberto           … é o que dá para ver, como eu consigo entender a ansiedade, mas eu digo calma, vamos devagar, porque nós precisamos compreender o porque e o que, o como vem depois, primeiro é lá no intangível, lá no acolá, depois nós vamos para o aqui e realizamos no aqui, aquilo que a gente desenhou juntos no acolá, primeiro vamos imaginar juntos, depois a gente desce para o aqui e realiza de verdade e é para valer, eu sempre digo, é para valer, o nosso processo é para valer, não é um processo acadêmico.

Luciano           Deixa eu te contar mais uma experiência minha, porque eu gosto de trazer as coisas aqui para nível do indivíduo e costumo usar os meus exemplos quando eu vivo essas coisas. Eu decidi em meados do ano passado, mais para o final do ano passado que eu ia começar a trabalhar uma mudança de modelo de negócio no que eu faço hoje, então hoje eu sou um cara que vivo de fazer palestra pelo Brasil afora e que quero investir mais na criação de conteúdo para fazer negócio com a internet, então eu quero vender pela internet, quero fazer a coisa assim e aí eu comecei a mexer, então de repente eu reparei que eu já tinha montado uma estrutura aqui, que está prontinha para fazer acontecer, que é o contrário das pessoas que estão aí fora, a maioria não tem nada do que eu tenho aqui e quer começar do 0, então vou começar e vou criar um site e eu já tinha tudo montado aqui, então comecei a contatar gente que conhece esse assunto e trouxe para cá para conversar com 5 ou 6 possíveis fornecedores que iam me ajudar a botar em prática essa ação todinha, desses 5 que vieram aqui, 4 queriam começar agora, cara, você já tem a lista, vamos fazer, porque a gente faz. O quinto que veio aqui, eu expliquei a história ele falou, não, não, eu quero que você faça o seguinte, me contrata para uma consultoria, eu venho aqui, vou fazer 5 reuniões com você e nós vamos discutir se é isso o teu negócio, quem é você, para quem que você vai vender e que tipo de coisa você está fazendo, porque você ainda não sabe, isso que você está contando para mim é legal, palestrante que está indo bem, mas eu não sei se isso se traduz para esse novo mundo e aí falei, puta, é exatamente isso, espera um pouquinho, então eu atrasei minha ação, tive que apagar aquele fogo que era aperta  o botão e vamos fazer, fala não, para tudo e vamos discutir durante 6 meses e no final do ano a gente fez uma reunião e ele apresentou para mim a conclusão do projeto onde não existe nada ali que eu não saiba, porém e quando aquela coisa se organizou como uma história contada, acendeu uma luz para mim maravilhosa, falei cara, olha eu aqui inteirinho, olha o que eu já faço, olha onde eu estou, olha  o que falta fazer, o que eu preciso para atingir aquela área, que foi exatamente essa história sabe, deixa claro o porque fazer, porque que eu estou indo a caminho disso, eu sabia que eu queria mas não sabia o porque e de repente, quando isso fica claro na minha frente, pô, agora passou a fazer todo o sentido do mundo, eu terminar um investimento que eu estava fazendo em tal coisa, eu dedicar um tempo maior para um tipo de coisa que eu não fazia, porque eu estava ocupado com outras e aí essa coisa deixou claro para mim, então eu acho que deve ser muito parecido com esse trabalho que você faz …

Roberto           Você construiu um enredo, uma história, porque o negócio tem que ser uma história, ele é uma história que fecha, você falou ai, isso aqui conversa com isso, fala com isso, isso tudo é uma história, é um enredo, é isso que você fez.

Luciano           Me fala como indivíduo agora, vamos lá, é uma coisa que eu faço em todas as entrevistas que eu venho aqui, quem está nos ouvindo é um garoto, uma menina de 24 anos, está dentro do busão, indo para o trabalho, meio puto da vida porque aquele trabalho não é o que ele quer, o que ela quer, cara, ela tem aquele problema, vai chegar lá, aquele chefe pentelho, ela vai sentar, vai ter que repetir aquilo todo dia, que saco, eu vou morrer nesse lugar aqui, o que eu faço?

Roberto           Primeiro olha para dentro de si mesmo e deixa de olhar para fora, se não a gente só vai ver problema do lado de fora, culpados do lado de fora e toda vez que a gente arranja culpado do lado de fora, a gente deixa de ser criador, que é o que nós somos, e passamos a ser criaturas, então a gente passa a trazer para dentro da gente aquilo que a gente vê do lado de fora. Então primeiro olha para dentro de si mesmo e acredite que você é, agora vou falar para eles, já que você  me pediu, que você é um criador dentro de você mora um criador, doido para pulsar, doido para contar uma história, com vontade de fazer uma diferença muito grande e toda essa força está dentro de você, agora se você olhar para fora você vai perder isso, se você olhar para dentro isso cresce,  essa força de dentro tem que superar os obstáculos de fora, mais uma vez o desejo, porque ele mora dentro, o desejo mora dentro, tem que ser maior do que o medo, você vai sentir medo? Vai, quem é que não sente? Mas boa o desejo na frente, não deixe nunca que o medo seja maior do que o desejo e não perca muito tempo conversando com colegas que vão te desanimar das coisas que pulsam dentro de você, porque gente para botar areia em cima tá cheio…

Luciano           É o que mais tem.

Roberto           … é o que mais tem, então não conversa, escuta a tua voz de dentro, que ela te pede, o que nós chamamos de intuição aquela hora, essa voz interior, voz interior é  o mesmo que vocação, vocação é diferente de profissão, profissão é um meio através do qual você vive a sua vocação, de repente você nem precisa de uma profissão para viver a sua vocação, mas a vocação está na frente da profissão.

Luciano           Uma vez a pessoa em compreendendo o que você acabou de falar e fazendo o exercício interno que é só dela, não dá para pedir para ninguém fazer isso, o máximo que eu posso fazer se eu tiver uma grana é arrumar um terapeuta que vai me ajudar a organizar as minhas ideias, mas você está propondo um mergulho interior, eu chamei de introspecção, eu vou fazer um mergulho introspectivo para me examinar e legal, pô legal, legal, entendi, maravilha, quero ir adiante, qual é a tarefa de casa?

Roberto           Tarefa de casa, primeiro é fazer o mergulho, que nós estamos falando isso mas, pouca gente faz, viu Luciano, de parar consigo mesmo, ficar livre da barulheira, do caótico que está por aí e parar para fazer, só isso já é metade, parar, no  silêncio, o silêncio é de ouro, no silêncio, você com você, a primeira coisa é esse mergulho, esse apaziguamento, essa busca de serenidade, essa calma, porque não é no barulho que nós vamos buscar solução, é nesse apaziguamento, nesse silêncio, isso é o primeiro, porque você vai ficar com você, que a gente pensa que a gente está com a gente mas a gente não está, então você está com você quando você está contigo no silêncio e a partir daí começar a lançar algumas perguntas e mais importante do que as respostas e que nós somos ansiosos por elas, são as perguntas que a gente elabora, essa é a segunda parte, então primeiro o apaziguamento, a calma, o recolhimento, segundo as perguntas que você lança para você mesmo, então: quem eu sou? No que eu sou bom? O que me faz feliz? O que dentro de mim pulsa? O que dentro de mim vibra?…

Luciano           O que eu faria mesmo que não me pagassem por isso?

Roberto           … essa pergunta é sensacional, o que eu faria de graça e não tem dinheiro nenhum do mundo que me compraria isso de mim, porque aí você começa a falar para o seu coração, de verdade e se você conversar com o seu coração de verdade, só vai dar certo, não tem como dar errado, Luciano, a minha indignação do meu trabalho é ver porque tanta gente se gasta tanto na vida quando está tudo lá dentro dela esperando que ela faça esse contato e terceiro e último, depois do recolhimento, depois das boas perguntas é: haja. Ação. Ação, você tem que, de alguma maneira… mas quando você estiver sozinho no seu recolhimento fazendo perguntas, você começou a imaginar, você colocou a imaginação em funcionamento e a imaginação é o reino das possibilidades infinitas, na imaginação vale tudo, você pode imaginar indo para Marte…

Luciano           E prepare-se para se incomodar, porque tem perguntas que são desgraçadas, a gente foge de responder e tem gente até que fala, meu que baita absurdo… Eu fiz um programa agora, vai ao ar, nós estamos gravando aqui mas semana que vem, terça feira vai ao ar um programa chamado “Sobre propósito” qual é o propósito. Ali  eu descrevo essas coisas e lá eu falo assim essas perguntas tem que ser feitas e tudo mais e vou contando ali a… eu faço as perguntas no e eu descrevo uma situação. Você consegue imaginar um cara que pegue as melhores habilidades que ele tem, dedique horas produtivas do seu dia para trabalhar essa habilidade, para alguém que ele não sabe quem é, para alguém que ele nunca vai ver na vida pelo simples tesão de poder fazer aquilo, de mostrar que ele sabe  aquilo lá? Você consegue imaginar hoje em dia alguém fazer? Imagina, ninguém faz isso, ei falo assim, wikipedia, Linux, coisas que estão na cara da gente que você fala, de onde veio isso? Veio de um monte de voluntário, que o cara faz pelo tesão de fazer, quer dizer, eu gosto tanto disso aqui que eu não preciso ser pago não, e a gente pega e constrói uma wikipedia que é uma coisa fabulosa e constrói um sistema operacional chamado Linux que é um monte de gente que não ganhou para fazer aquilo, então é possível existir e você sabe o que remunerou esses caras? Foi o prazer de olhar para aquilo e falar cara, eu faço parte desse processo e não preciso ganhar para isso não, meu tesão está aí e vou dar o melhor de mim, cara isso é um sonho, quem encontra esse caminho, é um sonho e aquele que consegue ganhar dinheiro ser pago para fazer aquilo que ama como é, felizmente o meu caro e acho que é o teu, sabe, amo fazer isso que eu faço aqui, ainda ganho algum dinheiro com isso, cara esse é o melhor dos mundos.

Roberto           Mas é transformar o trabalho num ato de amor, é isso que nós precisamos fazer e alguém vai pagar por isso porque isso tem valor, não é que nós vamos trabalhar por causa disso, mas isso tem valor e alguém vai remunerar por isso.

Luciano           Muito bem, quem quiser ter contato então com metanoia, com o Tranjan, como é que faz, onde é que eu vou? Tem um site? Facebook?…

Roberto           Tem o Facebook Roberto Tranjan…

Luciano           Tranjan com n no final…

Roberto           N de navio, Tranjan. E tem metanoia.net

Luciano           metanoia.net e ali tem uma explicação…

Roberto           Tem, fala do processo da metanoia, o Facebook tem lá as coisas.

Luciano           Se você é líder de uma empresa, se você é dono de uma empresa, se  você é líder de uma equipe, se você quer agitar a cabeça do teu grupo todo,  dá uma olhada no metanoia que é interessante, se você não é nada disso, se você é simplesmente um peão, o carinha que está perdido no meio, olha igual, porque tem dicas fantásticas ali, tem os livros também, então legal cara. Tranjan que gostoso cara essa conversa nossa, muito bom saber que você… Você é de uma cepa muito especial que é a turma que nasceu em 1956, somos nós dois, então é uma turma especial, mas foi um prazer conversar com você aqui, espero que você tenha curtido e vamos levar essa bandeira adiante aí que é valorizar o ser humano ai que acho que é só o caminho para qualquer coisa que seja dar certo.

Roberto           É isso. Parabéns pelo seu trabalho, Luciano.

Luciano           Obrigado. Um abraço.

Transcrição:Mari Camargo