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Luciano Pires -

Luciano          Bom dia, boa tarde e boa noite, bem vindo, bem vinda a mais um LíderCast. Eu sou Luciano Pires e trago a você um podcast que trata de liderança e empreendedorismo com gente que faz acontecer. Este não é um programa de entrevistas, não tem perguntas programadas nem roteiro definido, é um bate papo com gente que faz acontecer e é bate papo mesmo, informal e sem amarras, que vai para lugares onde nem eu nem o meu convidado imagina.

Hoje converso com o Leo Lins, um comediante que decidiu um dia que seria comediante e estudou para isso inclusive, escrevendo dois livros a respeito. Muito bem, mais um LíderCast daqueles que falam com pessoas jovens que estão fazendo acontecer. A pessoa que está aqui agora eu conheci há alguns minutos antes de a gente começar a gravar, mas eu já o conheço de outros carnavais, eu tenho visto na televisão, eu tenho acompanhado o trabalho dele e ele desenvolve uma coisa que para mim é muito cara, que é o estudar a teoria do humor. A minha raiz é de cartunista, eu desde moleque sempre me fascinou esse lance entender como fazer as pessoas rirem, um negócio que para mim é sagrado, eu gosto demais e eu sempre procurei alguém que estivesse mergulhado nessa coisa de estudo dessa teoria e todo mundo que veio aqui conversar comigo eu sempre perguntava quem é bom, me deram a dica, então estou aqui diante dele, bem vindo ao nosso LíderCast. As primeiras 3 perguntas são perigosíssimas, cuidado para não errar, eu vou fazê-las agora. Eu quero saber seu nome, sua idade e o que é que você faz?

Léo                 Meu nome é Leonardo de Lima Borges Lins, vulgo Léo Lins, vulgo alguns xingamentos por quem não gosta de mim. Idade: 33 anos, 3 de setembro de 82 e a terceira?

Luciano          O que é que você faz?

Léo                 O que eu faço? Sou comediante stand up e hoje trabalho na televisão também no programa The noite do SBT e mais alguns livros que eu também lancei e infelizmente não sou cartunista, adoraria saber desenhar, mas eu não tenho esse dom.

Luciano          Mas dá para aprender. E aí Léo, vamos conversar um pouquinho aqui, eu quero voltar um pouco na tua origem, você é de onde?

Léo                 Eu sou do Rio de Janeiro.

Luciano          Carioca?

Léo                 Sou carioca, nascido e criado no Rio, mas morei muito tempo em Curitiba também, fui para lá com 14 anos, terminei o segundo grau, fiz faculdade em Curitiba e iniciei a minha carreira artística em Curitiba também, depois voltei para o Rio.

Luciano          Engraçado, eu não sei o que se passa no Brasil, mas o humor do Brasil ele está lá em Recife, ele está em Fortaleza e tem um núcleo em Curitiba.

Léo                 É muito curioso isso.

Luciano          Tem gente fazendo lá, o Diogo Portugal que veio aqui, nasceu lá.

Léo                 Sim, o Diogo é um dos pioneiros do stand up aqui no Brasil e ele ajudou muito esse movimento do stand up e isso reforçou muito Curitiba. Curitiba realmente, por muito tempo e acho que até hoje se você for ver, está mais forte que no Rio, por exemplo, o Rio de Janeiro tinha o “Comédia em Pé”, que é o grupo que eu fiz parte que fez muitos shows pelo Rio, tinha época que a gente fazia 10 shows por semana, era mais show do que dia, às vezes fazia 3, cheguei a fazer 4 shows num dia e hoje o grupo, acho que nesse exato instante está até parado e Curitiba continua com seu núcleo lá, então é uma coisa doida mesmo.

Luciano          E o Rio de Janeiro é a casa do Pasquim, é a casa do deboche, é a casa de onde saíram, pô, da rede globo, que é de onde saíram um monte de comediantes, é interessante isso, mas a gente vai falar um pouco mais disso ao longo do caminho aqui. Quero saber de onde você  veio lá, você já falou do Rio, o que você fez, você estudou para que?

Léo                 Cara eu fiz educação física, tive aquela fase onde ninguém sabe mais ou menos o que vai ser, se quer ser atleta, quer ser não sei o que, quer ser engenheiro, eu não tinha… eu acabei optando por fazer educação física, uma coisa que me ajudou muito em Curitiba, quando eu fui morar em Curitiba, no segundo grau, eu fui numa fase meio… aquela adolescência que é sempre uma fase difícil para todo mundo, eu tinha 14 anos, 13, 14 e demorei muito a me adaptar lá, o curitibano realmente é fechado e a adolescência já é uma fase mais complicada, então eu meio que acabei ficando meio isolado, mais fechado realmente porque tipo tinha gente que, você está numa roda, isso era uma coisa normal lá em Curitiba, por exemplo, você está numa roda, 5 pessoas, chega um de fora, ele conhece 4 mas não conhece a quinta, ele cumprimentava 1, 2, 3, pulava o que não conhecia, cumprimentava o 4, fingia que você não estava ali, aconteceu isso algumas vezes comigo e eu falei ah, então não quer falar comigo, então também não falo contigo, me isolei. Hoje em dia eu ia saber lidar de boa com isso, ia falar ou, não em viu aqui, ia desenrolar isso daí, mas aí adolescente acabei meio que me isolando, uma coisa que me ajudou muito, eu odiava Curitiba, odiava, que queria ir embora de lá, eu me alistei no exército como voluntário quando eu fiz 18, eu preferi ir para a guerra do que continuar em Curitiba.

Luciano          Então o cara sai do Rio de Janeiro, com praia, 40 graus e se enfia em Curitiba, aquele inverno terrível.

Léo                 Era muito frio nessa época mesmo e as pessoas também, mas depois, quando eu entrei na…. aí eu comecei a fazer capoeira enquanto estava no segundo grau e a capoeira foi o que me ajudou, foi ali onde eu conheci a galera, ia para a roda domingo, treinava sábado, treinava, faltava à aula para ir treinar capoeira e aí eu falei ah, o que eu vou… vou fazer educação física, eu quero dar aula de capoeira.

Luciano          O esporte como elemento de socialização.

Léo                 Foi, também, sem sombra de dúvida, a capoeira me ajudou muito, sou muito grato à capoeira, acho que foi a primeira vez também que eu tive que estar, sei lá, entre aspas no centro da atenção, quando tinha roda na rua, então você jogando com alguém, tem várias pessoas olhando, então acho que o meu primeiro público foi como capoeirista…

Luciano          Até porque o cara olha e vê… o que esse alemão de olho claro está jogando…

Léo                 É verdade, tem gente que fala para mim, você não tem muita cara de humorista, o que dirá de professor de capoeira, aí mesmo é que eu não tenho credibilidade. E aí fiz educação física na faculdade conheci uma galera muito legal, estava todo mundo entrando, então foi, acho que no próprio meio da educação física já é um pessoal mais aberto  e tal, fiz muitas amizades que eu tenho até hoje e na faculdade cheguei a dar aula de educação física, embora eu voltei a minha formação mais para a área pedagógica, de colégio, falei não, agora eu quero dar aula em colégio também, mas continuei com a capoeira. Comecei a escrever piada na faculdade.

Luciano          Então espera ai, então antes de você chegar… espera um pouquinho. Nesse momento tinha claro para você, você já tinha na frente o que você queria ser quando crescesse? Antes da piada começar, você…

Léo                 Era dar aula de capoeira, era ser professor.

Luciano          … serei professor, quando crescer, pai, mãe, eu vou ser professor de capoeira. É isso?

Léo                 Era isso.

Luciano          Era isso?

Léo                 14, 15, 16, 17, 18 era isso, eu queria dar aula de capoeira e talvez no exterior, era a minha ideia, dando certo eu vou para o exterior dar aula, que tem menos professores de capoeira, então viajar também, eu gosto muito de viajar e já tinha alguns conhecidos que estavam também fazendo isso, hoje tem uma galera que treinava comigo, tem uns morando em Londres, em Portugal, na Espanha, essa era a minha meta, vou dar aula, começo aqui, depois quem sabe,dando certo, vou dar aula no exterior, na faculdade enquanto estava lá concluindo minha formação para seguir essa… que até então era, o meu sonho até então era esse, eu, com 17 para 18, meu primeiro contato na área artística foi com mágica, eu gostava muito da baralho e tal, já gostava de mágica, comecei a assistir alguns especiais na TV, até do David Blaine na época, o primeiro dele, vendo aquele especial dele eu consegui, não descobrir, depois que eu estudei muito a  mágica, eu formulei alguns métodos para fazer alguns truques que ele tinha feito naquele especial de TV sabe, de a pessoa escolher uma carta, ele terminava com ela dobrada na boca, tossindo, tirando a carta da boca e eu bolei um método de fazer aquilo.

Luciano          Você não foi estudar a mágica, você começou a inventar…

Léo                 É eu comecei a ver e tentar, como é que ele fez isso? E aí depois que eu pesquisei eu consegui criar o mesmo efeito através de outro método, foi isso que eu vi e gostei muito da mágica, eu já adorava baralho, eu tenho um Ás de espada tatuado, adoro baralho, desde moleque eu passava… Rio de Janeiro, você falou 40 graus, às vezes eu ficava jogando baralho com o meu avô e aí fui estudar mágica, comecei a fazer alguns shows de mágica, mais evento em empresas, ia de mesa em mesa, fazendo o que a gente chama de close up, que é baralho, moeda, coisas pequenas, por muito tempo eu estudei, depois estudei um pouquinho de mágica de palco, mas era mais o close up, mais baralho.

Luciano          O close up me deixa nervoso.

Léo                 Você fica como é que ele… te dá raiva.

Luciano          Na minha cara, eu fico de olho, eu agora pego, e o cara faz e você… E é uma puta habilidade, é um negócio que eu respeito muito, os caras que veem fazer close up que não está no palco, dependendo de traquitana, está na tua frente, na tua cara e te dá um nó, puta isso é genial, muito legal.

Léo                 Eu adoro muito, eu continuo treinando por hobbie, hoje em dia, eu já dei algumas conferências para mágicos, de escrever algumas conferências, meio que uma palestra para mágico que a gente chama de conferência e já tem mais de 10 anos que eu estudo mágica, foi o meu primeiro contato em plateias e tal, só que a mágica…

Luciano          Em matéria de mágico…

Léo                 … nas conferências sim, nos shows não, mas a mágica, no meu caso, tinha alguns problemas, um deles: eu nunca gostei de fazer, e acho que isso em uns lados ajuda em outros lados atrapalha, na mágica, por exemplo, acho que atrapalhou, eu não quero fazer o que ah, isso aqui o público vai gosta, não, eu quero fazer o que eu gosto, por exemplo baralho, eu  adoro baralho, no Brasil não é tão popular, as pessoas não tem tanto o hábito de jogar jogo, não tem cassino, jogo é proibido…

Luciano          Já foi mais, na época dos nossos pais era.

Léo                 … já foi mais…

Luciano          Hoje em dia caiu muito.

Léo                 … mas não é, entende, o baralho virou ou é coisa de bêbado para jogar truco, jogar sueca, depende do estado, ou é coisa de velho, jogar buraco, tranca, é meio que isso, então as pessoas não tem esse hábito, diferente dos EUA, que tem, já tem-se o hábito de jogar baralho, então isso prejudica, atrapalha muito a popularização, digamos até, da arte e o close up já te limita ainda mais porque você só pode fazer de mesa em mesa, ah porque você não faz palco? Eu não gosto. Um mercado enorme é o mercado infantil, mercado de show infantil para criança, que não era a minha praia também, o pessoal aha porque não faz, não gosto, gosto de baralho. Então por eu querer fazer o que eu gostava, me limitava, mas eu falei não, é isso que eu quero e ponto, então nesse ponto a mágica me limitou, no stand up eu segui fazendo o que eu gosto de deu certo, o stand up estava até começando quando eu comecei, também faz 10 anos, me dei bem, a mágica tinha esse problema, mas foi o que me deu um primeiro contato com o público também…

Luciano          E aí a história de escrever piada, como é que é isso?

Léo                 …  comecei a escrever  piada inspirado pela série do Seinfield, é o Jerry Seinfield, que é um comediante stand up americano, ele tinha uma série que fez muito sucesso na década de 90 ali nos EUA e eu lembro que quando eu vi a série, ela tinha alguns momentos que ele aparecia fazendo stand up, que eu até então nem sabia que aquilo era stand up comedy, não sabia, isso foi em noventa e… final de 98, 99, eu não sabia e eu achava muito  legal, falei pô, ele não está contando piada, entrou o português e o papagaio na padaria, não, ele está contando coisas…

Luciano          A vida dele.

Léo                 … a vida dele com piadas, com coisas engraçadas e eu achei aquilo sensacional, para mim eu falei, nossa isso é demais e eu sempre fui meio que o engraçado da turma, sempre fui…

Luciano          Você tinha alguma referência de comediante brasileiro que você olhasse, por exemplo, se você perguntar na minha época eu vou falar, a minha época é a época do Golias, época do Zé Vasconcelos, etc e tal que já não é a tua, essa turma já estava velha na tua época, mas você tinha uma referência?

Léo                 … eu gostava muito da Escolinha, gostava muito da Escolinha, via, o Golias eu adoro o Golias, A Praça é Nossa eu via muito, a velha surda, nossa o…

Luciano          Roni Rios.

Léo                 … o Roni Rios era demais.

Luciano          Aliás, ali tem alguns dos maiores gênios da comédia, que você pega um Zé Bonitinho, você pega o Roni Rios, a capacidade que esses caras tinham de criar e repetir a mesma piada toda semana e você olhava para aquilo que fala essa graça não cansa e era uma coisa que nunca foi apelativo, você pega o Golias, o Golias, como é que o cara pode ser engraçado daquele jeito.

Léo                 É a repetição é o Chaves, o Chaves até hoje acontece um negócio você sabem agora vai entrar a dona Florinda vai achar que o seu Madruga vai bater, vai aparecer o Kiko, vai aparecer o Chaves e você ri é muito bom, é bem isso, você sabe o que vai acontecer, é demais, muito bom.

Luciano          E se você voltar atrás, se você voltar atrás no tempo e for buscar, outro dia eu peguei uma sequência do Chaplin e publiquei no Facebook, falei assim moçada, isso aqui está completando 90 anos, olha isso aqui e tente não rir e  é uma sequência que ele sobe para fazer uma luta e eu falo, eu boto, quem inventou o UFC foi… e ele aparece e aquilo é engraçadíssimo e já era engraçado há 100 anos e continua engraçado igual até hoje, quer dizer, o Gordo e o Magro, não sei se você viu, na minha sala lá tem os dois sentadão lá…

Léo                 Eu vi.

Luciano          … aquilo até hoje, então há uma coisa universal nessa coisa da pantomima, da graça que …

Léo                 O Abbot e Costello, também tem uns números muito bons, tem um até que fizeram uma versão aqui, chama Who’s on First, que é quem está na primeira, na primeira base, Rue é o nome do jogador, quem está na primeira? Fizeram uma versão com japonês, não mas quem está na segunda, e qual? Não, o qual está no… é muito bom esse número deles, é atemporal, esse aí você pode traduzir no futuro para esperanto, para a língua que for que vai funcionar.

 

Luciano          E vai funcionar.

Léo                 É, é demais.

Luciano          Mas me fala  lá, e você resolveu que você ia fazer aquilo que o Seinfield estava fazendo?

Léo                 É, é, eu comecei a ver e aí, como não tinha stand up isso foi, eu lembro quando eu comecei a escrever, foi no meu segundo ano da faculdade, então foi 2001, não tinha shows de stand up no Brasil e eu comecei a escrever sem pretensão de fazer também, a minha ideia era muito menor, a minha ideia era o que? Eu falei ah, vou começar a tentar escrever essas coisas engraçadas que eu penso, que passam na minha cabeça, falei muitas vezes em roda de amigo, falava alguma coisa engraçada e tal, falei vou começar a montar isso ai e vou tentar, no final da faculdade, tem o segundo, terceiro, quarto ano,  vou tentar ter um livrinho de piadas, essa era a minha ideia, ah se eu chegar na formatura e ter um livro de piada, legal. E aí comecei a escrever, durante as aulas eu pensava piada, ás vezes pegava um tema ou alguma coisa que eu vi na mídia, ou alguma coisa da aula e tentava escrever a piada, sem técnica, tentar escrever do jeito que eu achava que era, fui escrevendo, aí foi 2001, 2, 3, escrevendo sem pretensão e mostrando para amigos, eu ficava passando ás vezes, pô vê isso aí que eu escrevi e tal, umas eram boas, outras eram ruins, obviamente que olhando hoje com olhar profissional, todas eram ruins, todas iam precisar de uma lapidação, de uma edição, te um trabalho que depois eu vim a descobrir como fazer, o que me fez querer subir no palco e contar piada? Uma vez eu assisti um festival de mágica onde o MC, ele  estava fazendo mágica e contando piadas etc e eu falei pô, eu acho que dá para fazer isso porque eu posso contar algumas piadas, posso fazer um número ou outro que seja até cômico mesmo, não preciso de nada e nesse mesmo ano, isso foi 2004, ia ter um… eu assisti esse festival em São Paulo e ia ter um festival em Curitiba, onde eu estava fazendo parte da organização e ainda não tinha um mestre de cerimônia e aí eu falei para o pessoal pô, já tem um mestre de cerimônia? Não tem, eu falei porra, posso ser o mestre de cerimônia? Ah pode, vai lá e aí eu escrevi um stand up sobre mágica, umas piadas sobre os tipos de mágica, mágico no palco etc, que estava acontecendo no mundo da mágica eu ia ter 5, 6 entradas ao longo do show, em uma eu fiz stand up, numa outra eu fiz uma mágica cômica, numa outra eu contei piada, piada mesmo, no que eu fui melhor, eu me saí melhor, o que mais me deu vontade desseguir fazendo foi o stand up que eu até nunca tinha feito, eu fiz isso daí final de 2004 e eu falei pô, preciso fazer mais, eu gostei muito, é muito legal isso, eu tenho que… quero seguir fazendo isso, então a mágica também me proporcionou  a primeira oportunidade num palco contando piada.

Luciano          E fala uma coisa para mim, ali naquele momento, você vai subir no palco pela primeira vez, quer dizer, não foi um palquinho do boteco da esquina, não foi uma coisa que você começou no clube com seus amigos, não foi um negócio, você já de repente entrou para valer, quer dizer, tua estreia no palco foi no palco com tudo girando em torno de você, porque se você é o apresentador é você que dá o ritmo, etc e tal, como é que é isso? Subir num palco assim pela primeira vez já para… porque dizem que o maior medo do ser humano é falar em público, falar em público já é um problema agora, fazer rir o público ou subir num palco com essa missão de fazer rir, deve ser muito pior e você de repente chega e aí?

Léo                 Óbvio que tinha um nervosismo, sem sombra de dúvida, isso foi no Teatro Londrina, em Curitiba e eu não era a mesma pressão, digamos, de quando você sobe para, como apenas um comediante, porque aí você está subindo para fazer rir, ali eu estando como mestre de cerimônia, você pode assumir uma postura até mais neutra, o mestre de cerimônia tem, ele pode assumir essa posição, ele tem esse aval, digamos assim, não vou dizer que mais ou menos foi o que eu fiz ali, na verdade como eu estava começando eu falei bom, eu quero contar piada, se eles rirem ótimo, algumas funcionaram, outra não tanto, mas o stand up foi bem legal, teve outras entradas que eu fiz que ah, não eu contando piada não foi tão bom, eu não, sabe eu acho que eu entregava melhor, o que a gente chama de delivery, de  entrega do texto, eu entreguei melhor do que eu escrevi em vez de só subir e contar uma piada. Mas foi uma responsabilidade grande que é o que eu te falei, eu percebi que no stand up foi o que eu, não sei se a vontade me fez fazer melhor a parte do stand up.

Luciano          Que idade você tinha ali?

Léo                 Eu tinha, foi 2004, 22 anos, 22 e aí eu, no ano seguinte, eu comecei a ir atrás de outros lugares, não era um teatro grande, devia ter, devia ser um teatro de 200 pessoas, cento e poucas pessoas, então também foi um começo que eu acho importante ter esse começo gradual, até para mim foi tudo muito um degrau depois do outro, não teve um warp zone, um negócio que me teletransportou e o que eu acho que te ajuda, te ajuda muito até, até a parte de TV, eu fui aparecendo aos poucos, primeiro eu fui num programa, depois no outro, não foi um negócio que da noite para o dia, não foi um big brother, foi bem gradual, eu fiz essa daí, aí eu falei bom, preciso, para eu melhorar, eu preciso aprender isso aqui, aí eu fui pesquisar stand up, aí eu descobri que lá fora, que os EUA tinham livros sobre isso, o americano é impressionante, ele cria métodos para tudo, se você falar eu quero pescar atum, deve ter um livro de pesa de atum, qual isca usar, como fazer, qual vara, qual rio, qual época do ano, tudo e aí tinham livros, como fazer stand up não sei o que, a técnica tal e eu falei caramba, porra tenho que comprar isso, para mim na época ainda era uma coisa distante que eu comecei a pesquisar, isso eu boto até no meu primeiro livro porque ás vezes, hoje a internet até já, a globalização está muito maior do que 10, 11 anos  atrás, então não é tão distante mas para mim na época… e não, foi tipo era 40 reais o livro, com frete, você não pagava imposto, é livro, então 50 reais era muito barato,  é barato entre aspas, aí mandei vir uns livros de fora, depois dessa primeira apresentação falei bom, preciso estudar isso aqui, peguei uns dois livros, li, fui lendo com dicionário tal, na época o que eu não entendia eu ia traduzindo e tal…

Luciano          Mas o que era aquilo que você estava fazendo, já era uma visão de que você falou pô, isso aqui talvez possa ser minha carreira no futuro ou você tinha, já tinha atropelado a questão do professor de…

Léo                 … sim, é, foi legal você… quando eu comecei a trabalhar com essa  parte artística, eu comecei a pô, eu não quero ser professor de capoeira, eu quero fazer show, é isso que eu queria, antes de me formar já era isso que eu queria, mudou dentro da faculdade, tanto que eu cheguei a dar aula e tal mas quando eu me formei aí eu falei para mim mesmo, agora é show, agora é minha carreira artística, então quando eu terminei a faculdade…

Luciano          O livrinho de piada tinha virado uma coisa muito maior.

Léo                 É verdade, eu falei não, agora eu quero fazer show, aí abandonei a carreira de professor, comecei a estudar, escrever piada, estudar mágica, eu escrevia piada mas isso, como o stand up ainda não tinha, não tinha um show de stand up, eu sou de teatro, não fiz teatro, então para mim ainda era mais distante, eu estava indo com a mágica e eu fazia mágica com humor, a comédia ela foi crescendo, durante a faculdade de educação física, aí ela ganhou mais influência na mágica e depois ela passou a mágica e passou tudo e eu segui com a  comédia.

Luciano          E você um lobo solitário, não tinha uma patota fazendo isso, você não tinha um grupo, vou me encontrar nesse fim de semana com a turma do stand up para a gente conversar, você estava sozinho.

Léo                 Estava sozinho, estava sozinho, depois começou a ter algumas coisas ali na internet, eu fiz essa primeira vez, eu assisti o primeiro Risorama, que foi um festival, é um festival que o Diogo Portugal organiza em Curitiba ele fez o Risorama, o primeiro acho que foi em 2004 também, esse eu fui assistir, até falo com ele hoje, eu falo a primeira vez que eu vi o Diogo foi ali e  quem estava fazendo stand up  nesse festival foi o Diogo Portugal, Bruno Mota e o Fernando Ceilão, quem mais fez stand up mesmo foi até o Fernando Ceilão que a maioria nem conhece hoje porque ele parou, é um cara que eu acho que se tivesse seguido, mas ele parou, depois ficou na dele, também não se misturou com ninguém, até voltou depois de alguns anos, parou de novo, enfim, o Diogo e o Bruno Mota mesclavam ainda muito piada, por uma questão, acho até, de necessidade porque era muito novo, o público ainda não, sabe, eu acho que foi uma transição do contador de piada para o stand up, então esse processo foi vindo aos poucos.

Luciano          Explicita um pouco mais essa diferençado stand up e o contador de piada.

Léo                 A piada, ela tem um ponto de vista próprio já, ela é muito simples, a pessoa, o contador de piada, ele sobe e fala, ah entrou o português, o alemão e italiano e o grupo de canibal, nem lembro piada hoje em dia, estou dando um exemplo, o canibal, o que você vai querer? Ela tem o ponto de vista dela, ela não está… isso daí é um caso isolado, tipo ninguém está falando ah isso é o que ele acha do povo alemão, não, não é o que eu acho di povo alemão, isso é uma piada, ela tem um ponto de vista isolado, é algo muito simples, ela tem  um começo, um fim muito claro, o stand up ele tem um ponto de vista próprio, é a sua visão do mundo e o stand up tem uma autora americana, Jodie Carter, ela fala que ele é a forma mais condensada de humor que existe, por quê? Porque o cara que faz um personagem, por exemplo, você entra, você tem os trejeitos do personagem, uma roupa, o maneirismo, então primeiro você ambienta o público de quem é o personagem, você precisa estabelecer essa atmosfera, tudo bom, eu estava surfando, então ele é surfista, entrou com a prancha, pô ai teve o negócio de Mariana agora, achei que era pororoca, enfim, você pega algum…

Luciano          A Praça é Nossa.

Léo                 … é, o stand up é a piada pela piada, você não tem compromisso com mais nada, entendeu? Eu posso estar falando de surf e no momento seguinte eu posso mudar para, pô, astronauta na lua e no momento seguinte mudar para passeio com cachorro, pô mas como é que vai de um assunto para o outro? Indo, muda, acabou, é assim que a gente conversa às vezes, a gente está conversando aqui você pô, ontem você viu a propaganda nova do shampoo e acabou, o assunto era comédia, mudou para shampoo, de shampoo vai para… é assim que são as conversas humanos, você não precisa de um link, você não precisa não, eu preciso fazer uma transição de comédia para shampoo, então vou.. não, é óbvio que isso ajuda num show, o show fica mais…

Luciano          Fluido.

Léo                 … é, fica mais… exatamente. Mas é a piada pela piada no stand up, você não te compromisso com mais nada, então termina uma pode entrar outra, termina uma entra outra, e aí vem a formulinha que é setup paint, que é….

Luciano          sim, a gente vai falar dela um pouco mais aqui, então você está falando uma coisa importante para a gente entender aqui, porque é o seguinte, como eu falei para você o nosso histórico, eu até comentei isso com o Diogo, quer dizer, eu sou de uma época, a minha escola, se posso dizer assim, se eu fosse fazer stand up hoje a minha escola seria o Zé Vasconcelos, seria o Ronald Golias, etc e tal que contavam histórias longuíssimas…

Léo                 Exatamente.

Luciano          … eram histórias super compridas com momentos em que você ria muito no meio e aquilo era muito comprido, então o cara é capaz de subir no palco e contar, tem aquela história famosa lá que o Zé Vasconcelos, quando ele faz o locutor gago narrando um jogo de futebol, aquilo é super comprido e é a piada é igual, quer dizer, é um gago narrando jogo de futebol, mas aquilo demora um monte, quer dizer, não tem aquele momento que vai falar bom, agora chegou no final da piada e a surpresa, aquilo vai… então seria um storytelling gigantesco e hoje em dia é uma metralhadora, hoje você vê o cara sobre no palco na frente do microfone, aquilo é uma metralhadora, parece que a função é a seguinte, eu preciso tirar a maior quantidade de risadas possíveis por segundo da plateia.

Léo                 É mais ou menos isso. No stand up a gente tem em média aí, é uma risada a cada tipo 7, 8 segundos, essa é mais ou menos a média, porque o preparo, esse preparo que você falou que lá era longuíssimo, ele leva 10, 15 segundos, no máximo, no máximo 20, mas isso já é um preparo longo e aí tem que vim já uma, duas ou três piadas, então quando você põe na média é uma risada a cada 7, 8 segundos,  é um ritmo muito forte e eu acho que ele parte do sucesso do stand up também se você reparar hoje é muito mais acelerado o nosso ritmo de vida.

Luciano          É isso que eu ia te comentar, quer dizer, se a gente trouxesse o modelo como aquele modelo do Zé Vasconcelos para hoje, talvez ele não rolasse com essa plateia…

Léo                 É lento.

Luciano          … exatamente, por ser lento demais ele não rolaria com essa plateia e a gente até vê essa… se eu fosse montar uma curva eu veria isso acontecer ao longo do tempo, então eu saio do Zé Vasconcelos lá atrás, Chico Anysio naquela época que o próprio Mieli fazia isso também contava as histórias todas, o Jô soares no começo era assim e você vê que com o tempo vão surgindo outros caras que já começam a fazer a transição, quando você traz um Costinha, o Costinha já vem com histórias mais curtas, o Ary Toledo, o Ary Toledo é uma sequência de piadas do começo ao fim e parece que essa coisa vai havendo uma transição no meio do caminho até chegar no começo dos anos, ou ao longo dos anos 90, quando pinta a molecada mais nova. Quem olha de longe fala o seguinte, pô mas é a mesma história, tem um cara em pé no palco, na frente do microfone que o Zé Vasconcelos já fazia em 1960, mas não é a mesma coisa.

Léo                 Não, sem sombra de dúvida, é bem isso que você falou, é outro ritmo, principalmente o ritmo e as histórias, algo que o stand up trouxe também é muito verdadeiro, outra frase que tem é que o stand up é a coisa mais próxima da verdade que tem, ali tanto faz, você pode… o Chico Anysio tem uma piada de arma, que ah ele é a única criança do bairro que tinha uma arma, depois enfim, a piada é que ele matou outras crianças com a arma, obviamente que ele não fez isso, o stand up até permite, óbvio, você pode a piada parte da graça da piada é o exagero, essa é uma ferramenta, a hipérbole, mas o stand up ele é muito próximo da verdade,  se  eu… eu não vou mudar de time ou de religião para agradar a uma plateia, eu não  vou, eu sou Botafogo, eu não vou fazer um se eu ver que tem muito corintiano aqui, a maioria é Corinthians, então vou falar que eu sou Corinthians hoje, então eu sou corintiano… ah não, você não pode fazer isso, não é um personagem.

Luciano          É por isso que o stand uper, a figura do stand up, ele tem uma projeção diferente do palhaço em si, então por exemplo, eu não conseguiria ver o Zé Vasconcelos apresentando um talk show, apresentando uma festa do Oscar, apresentando ou dando opiniões políticas como a gente vê, você pega lá o CK nos EUA, porra, aquilo os caras vão pedir opinião política para ele e tem vários lugares pô na Itália é um comediante que vai virar um partido político e tudo mais e aqui no Brasil, quando você pega um cara que nem o Rafinha e ele sobe no palco e fala aquelas barbaridades que ele fala lá e ele tenta dizer que aquilo não é exatamente aquilo que ele pensa, ele está fazendo piada, mas o público quando ouve aquilo fala cara, essa é a opinião do cara, se ele fala que ele vai comer ali o bebê, é porque é isso que ele pensa e aí dá aquela baita confusão gigantesca porque está sempre muito perto da verdade, pode ser isso?

Léo                 Pode ser, agora, a questão é a seguinte o personagem ou o contador de piadas, aquilo funciona como um escudo, aquilo te protege, se ele fala que ah o meu personagem agora é o taradão e aí fala ah eu vou comer todo mundo, ah mas ele pode, é o taradão, é o personagem e aí as pessoas relevam,  às vezes é a mesma piada vai ser relevada porque é um personagem, por isso que a gente fala que o stand up não é difícil porque é a sua cara que está ali, é a sua, você está dando sua cara a tapa, embora seja próximo da verdade, é o que eu te falei, tem um exagero, tem um momento que a gente chama de distorção cômica, que é onde você foge da realidade, é isso que as pessoas têm que entender, é uma piada, é um piada, ela não é 100% que ele vai fazer, ele não vai sair dali e pegar uma grávida e abusar da grávida, não, essa é a distorção cômica, se ele realmente fizesse isso, entendeu, aí você fala não tem piada, ele realmente faz isso.

Luciano          Que pode ser uma distorção de mau gosto…

Léo                 Sim.

Luciano          … que é essa questão toda, quando vieram perguntar para mim, vieram me perguntar na época, eu até escrevi um texto, falei para mim é uma questão só de mau gosto, aquilo foi mau gosto, o sujeito pode ser grosseiro, pode ser mau educado, mas aquilo pode ser a praia dele, então por exemplo, se você pegar um stand uper americano hoje em dia, pega lá o Chris Rock, assiste o que o cara fala de absurdo naquele palco, eu falei um cara desse falar o que ele fala lá, aqui no Brasil, esse cara ia ser apedrejado, porque agora fica muito claro que ele fala aqueles absurdos todos porque ele está em cima de um palco representando um papel e a hora que ele desce ele já não é mais aquela coisa absurda que está lá.

Léo                 Esse é outro problema, é você descontextualizar, quando uma coisa é você ver o tom, ver a forma que a pessoa entregou, que ela acabou de falar, quando você pega aquilo e põe escrito, aí você já não tem mais o tom de voz, não tem mais interpretação, aí começa muito….

Luciano          Aí você entra no Facebook.

Léo                 … exatamente, tem piadas minhas que eu só faço no show, eu não posso nem escrever, porque se eu escrever isso vai dar margem a outra interpretação, vai dar margem a outro problema, tem piada que eu só conto… eu gosto de temas pesados de humor negro, particularmente eu gosto, teve o terremoto no Japão, quando aconteceu isso em 2011, eu fiz algumas piadas no dia, eu vi que estava acontecendo, teve terremoto, teve no Twitter, teve bastante twit na época e aí pensei em umas e fiz no dia, no palco, eu nem tinha visto imagem nem nada, depois que eu vi e aí fiz meio que um set sobre aquele terremoto tsunami no Japão, filmei, postei no Youtube na época, um monte de gente veio me atacar, dois anos depois, quando teve a chance de eu ir para o Japão fazer show, fizeram movimento, um abaixo assinado, pegaram esse vídeo, reeditaram ele, aí á tiraram de contexto, botaram imagem do terremoto com a música triste, aí vinha, veja a opinião do Léo Lins sobre isso, aí entrava as piadas, não, eu não fui no escombro contar piada, eu estou no palco contando piada e que muita gente confunde é que muita gente acha que a piada, o cara está fazendo isso porque ele está fazendo chacota da situação, ele está denegrindo a situação, não é…

Luciano          Está humilhando…

Léo                 … exato, e não é, é a nossa forma de arte.

Luciano          E nesse mundo agora do politicamente correto, cada vez é mais difícil.

Léo                 Por que que um  pintor pode fazer uma pintura sobre uma guerra, sobre um crime, sobre a violência, o pintor pode pintar, o poeta pode fazer uma poesia, comediante não pode fazer uma piada, por que a piada é vista como… entendeu? Ah a pintura é para demonstrar o que aconteceu para as pessoas poderem ver, a piada não, a piada é para fazer chacota, não é.

Luciano          O humor agride, é aquela história…

Léo                 Sim, toda piada tem um alvo, outra frase famosa também.

Luciano          O humor é uma deformação da realidade, você deforma a realidade e você transforma em ridículo aquilo que muitas vezes é muito sério, então você fazer uma piada em cima da… agora com o problema que aconteceu lá em Mariana, aconteceu o problema em Mariana, aquele rolo todo, na mesma semana do problema, o negócio está acontecendo, eu recebo, vem um cartoon para mim e o cartoon é a Dilma do lado do piloto de um helicóptero e a Dilma falando o seguinte: nunca vi um mar de lama desse tamanho na minha vida e o piloto diz, presidente, nós não saímos de Brasília ainda. É genial a piada, é genial a piada…

Léo                 Eu nem tinha ouvido essa.

Luciano          … eu não publiquei, quando o cartoon apareceu eu falei mas é genial e eu não publiquei, falei se eu botar isso aqui nesse momento que estava todo mundo com o sentimento à flor da pele, aquela destruição, gente morrendo e tudo mais, o cartoon vem na minha mão, genial e eu não publiquei porque eu falei, eu não me sinto, vou esperar passar um pouco de tempo, quando passa um pouco de tempo ai eu publico, eu não publiquei até hoje porque aí perdeu o timing da piada.

Léo                 Exato.

Luciano          Como é complicado isso

Léo                 É complicado

Luciano          Se não é naquela hora, você perde.

Léo                 Se fizer hoje vão falar, tinha que ter feito na época.

Luciano          Se você fizer na época você toma porrada.

Léo                 Exato. É difícil.

Luciano          Vamos voltar ali, Léo, esse programa aqui você sabe o que é, isso aqui é empreendedorismo e liderança, então eu gosto de conversar com as pessoas sobre aquilo que elas estão fazendo acontecer, como é o processo de tomada de decisão, o julgamento é uma decisão delas. Mas aí você, eu quero voltar ali atrás, você começa a escrever, você sobe no palco e decide que vai se tornar um comediante, um stand uper e tudo mais. E a primeira providência que você faz, que é fundamental, você vai estudar o assunto, ou seja, você não nasceu com aquilo, quando eu conversei com o Diogo, o Diogo eu já era engraçado, eu já pintava, eu não fui estudar nada, eu subi no  palco e comecei a contar o que eu sou, não houve, ele falou, só muito tempo depois é que eu fui ler alguma coisa recente, ele falou, é diferente por exemplo do Léo, o Léo olhou e falou o seguinte, é isso que eu vou fazer e o Léo foi estudar pra fazer aquilo lá e quem olha de fora fala pô, esse cara tem o talento. Aí você fala não, espera um pouquinho, está legal, eu era o cara engraçado da turma mas para subir no palco e poder não só subir para contar piada que eu ouvi lá fora, mas escrever a própria, criar a piada, você teve que descobrir como é que isso funcionava, não é?

Léo                 Sim.

Luciano          E partiu para o estudo, primeira coisa, não tinha nada no Brasil, você foi buscar lá fora e aí você começa a estudar e daí? Você acha que aquilo podia dar dinheiro e podia ser o seu sustento?

Léo                 Eu comecei despretensiosamente, comecei fazendo o que eu queria, o que eu gostava, eu tive prazer fazendo aquilo e falei…

Luciano          Você trabalhava com alguma coisa?

Léo                 … eu cheguei, depois que eu me formei, eu cheguei a dar aula uma vez ou outra porque precisava da renda, o meu pai ficou desempregado nessa época e a minha mãe já não trabalhava, meu irmão era bem mais novo, estava no colégio e aí eu não ganhando dinheiro falei não tem como, aí eu cheguei a pegar algumas turmas para dar aula ainda também para conseguir ter um mínimo de renda e me sustentar, mas era muito pouco, mas para mim não bastava, para mim bastava se eu conseguisse ganhar o mínimo para me sustentar e fazer o que eu queria, estava bom, era isso que eu queria, tanto que por um tempo eu fui fazendo stnad up, dando aula, cheguei a pensar em um momento eu cheguei… não sabia se ia dar certo isso, estava começando esse negócio de stand up, eu estava fazendo show, mas ganhava muito pouco, tinha vezes que o show ia legal, num bar dava 90 pessoas, na semana seguinte dava 7, aconteceu, na outra não tinha, cancelou, tem 2, então eu ainda dava aula, cheguei a começar a cogitar seguir uma carreira também na minha formação, pensei tentar fazer um mestrado e aí comecei a pensar em alguma coisa…

Luciano          Que é o plano B.

Léo                 … é, o plano B, era o plano B, comecei ah numa dessa vou tentar o mestrado na área da educação, aí peguei uma turma, sétima série, entreguei 50 currículos em tudo quanto é lugar, mandei, enviei, bati de porta em porta, ninguém me chamou, aí eu falei bom, eu vou dará aula nem que seja de graça, fui num colégio falei eu quero dar aula de graça, eu tenho um projeto de mestrado, preciso de uma turma, fiquei dando aula para eles enquanto eu ainda fazia show, levando essas duas coisas em paralelo…

Luciano          Educação física?

Léo                 … educação física. E cheguei a estudar, meus pais me enchiam para fazer concurso, mas quando eu fui fazer educação física eu já não tive tanto apoio da família, para contar piada menos ainda.

Luciano          Pois é, esse é um ponto interessante, como é que você chega  para o teu pai, pelo que você contou aqui agora, quer dizer, não era uma família rica, você não era entupido de dinheiro.

Léo                 Uma família normal, classe média, não era…

Luciano          E aí de repente, seu pai investindo, etc e tal e você chega lá e fala pai, muito bem, não vou mais jogar capoeira, agora eu vou escrever piada, como é que você sai do armário assim? Como foi isso aí?

Léo                 Acho que como foi sendo um processo meio gradual, foi mágica, eles foram ver, ás vezes ele falava mas você acha que isso aí vai te levar à algum lugar, não sei o que, eles nunca me proibiram, até porque não ia adiantar também, entendeu? Eu fiz uma escola de circo também, durante a faculdade, comecei a cuspir fogo, peguei fogo na cara uma vez, então eu dei um pouquinho de problema para eles.

Luciano          Eles viram você atuando?

Léo                 Já me viram, mas…

Luciano          Na época, eles viram você fazendo a mágica e etc e tal.

Léo                 … a mágica eu fazia assim para eles às vezes também.

Luciano          mas no olhar assim para falar pô, esse cara tem… esse moleque tem talento…

Léo                 Eles nunca me proibiram, mas também chegaram ás vezes aha pô, viram o livro de mágica e compraram, ó a gente comprou para você, então estimularam em certo ponto, não me… acho que talvez foi assim, ah, sei lá tipo acho que na cabeça deles talvez foi ah, deixa aí para ver o que vai…

Luciano          Uma hora vai cansar e…

Léo                 … exato, mas sempre postura, faz concurso, estuda, faz concurso, estuda… sempre martelaram isso na minha cabeça, não por nada, na minha família quase todo mundo foi pra o exército e o meu pai é o único que não, um outro irmão dele foi, a irmã casou com o cara que é militar, o outro os filhos foram para o exército e ele pô, tu não está vendo quanto eu me ferrei, me dou mal, não sei o que, não aprendeu comigo? Pô, paisinho, se eu tivesse ouvido meu pai, ele vinha com aquelas histórias e eu hoje, se eu tivesse ouvido meu pai, eu estava mal…

Luciano          Isso que eu ia perguntar para você, quer dizer, você consegue se enxergar dentro de um gabinete?

Léo                 Nossa, de jeito nenhum, eu cheguei a estudar numa época, porque eu falei está bom, vocês querem eu vou estudar para talvez fazer um concurso. Eu comecei a estudar para fazer um concurso de polícia rodoviária, nossa, imagine eu policial rodoviário, não ia dar certo, de jeito nenhum, eu ia parar os caras para fazer piada, não ia ter a menor credibilidade, hoje eu não me vejo, de forma alguma, de forma alguma, eu acho que eu seria muito… eu ia ser triste fazendo isso sabe, não é o que eu queria.

Luciano          Você estava lá, devia estar com 23, 24 anos.

Léo                 É eu terminei com 23… estava com por aí…

Luciano          23, 24. Muito bem, chega uma hora que você tem que tomara conta da tua vida, papai está lá mas agora preciso voar, eu preciso voar, uma hora qualquer eu vou ter que casar, um dia vou ter que me ajeitar e eu vou ter que tomar as rédeas da minha vida e agora eu não  sei se essa coisa de risco com a qual eu estou me envolvendo ela se sustenta ou não. Pintou esse pensamento? Chegou uma hora que você falou…

Léo                 Pintou, eu tive quase um… eu tive meio que uma depressão uma época aí também, tem uns problemas psicológicos, quem vê minhas piadas isso é mais claro ainda, quando eu terminei de seguir o que eu queria, mas ainda peguei uma coisa ou outra, quando meu pai ficou desempregado foi aí que eu falei não dá, eu estava em Curitiba ainda, falei estou voltando para o Rio, porque morava num apartamento muito pequeno, mas era um gasto ainda assim, eles falaram não, calma, vamos sei lá, seu avô ainda pode ajudar a gente, não sei  que e o que eu fiz nessa época que é exatamente o que você falou, pô, bom, você precisa fazer alguma coisa, eu falei bom, eu estava investindo todas as fichas aqui, escrevia piada, treinava mágica, passava o dia inteiro, li muito, muito livro, principalmente de mágica, que tinha mais nessa época, fazia mais mágica e eu falei eu preciso abrir outras portas, eu não sei qual vai dar certo, então o que eu fui, foi me dar mais opções, que foi bom, vou voltar a dar aula, então pode ser que a capoeira, querendo ou não, eu gosto, então cheguei a pegar um negócio para dar aula, comecei a talvez cogitar seguir… tentar o mestrado na área de educação, falei bom, preciso de uma turma aqui nem que seja de graça, eu vou dar aula para talvez tentar seguir isso, fazer um projeto e vou estudar para um concurso, que sei lá, o show não deu certo, a aula não deu certo, o projeto não deu certo, vou tentar o concurso… o concurso não deu certo, bom uma hora alguma coisa tem que dar, então eu abri mais opções, foi isso que aconteceu, nessa mesma época, enquanto eu ainda dava aula voluntário, estudava para um, talvez um concurso e fazia shows, eu comecei a… apareceu um bar em Curitiba que o cara apostou na gente e era um bar legal, então estava eu e outros humoristas começando e ali começou a entrar um… ali eu comecei a ter um mínimo de renda para me sustentar e não precisar de mais nada.

Luciano          Fazendo stand up?

Léo                 Fazendo stand up e aí eu falei ah, agora está bom, agora não preciso de mais nada, aí eu pa…

Luciano          Tinha público?

Léo                 … tinha, tinha público, já dava… é o que eu falei, era um mínimo, sei lá, às vezes dava 800 ou mil e pouquinho no mês, mas já dava para eu pagar um aluguel e segurar a onda, então eu falei, agora acabou, aí eu… só concluí ainda de dar aula voluntário porque  eu assumi com a turma o compromisso, mas já ia para com isso, tanto que depois parei, larguei mão de concurso, larguei mão de  estudar para isso e falei agora acabou, já deu para… já dá para eu seguir aqui e aí foi…

Luciano          Aí você botou na cabeça é isso que eu vou ser…

Léo                 … aí eu falei não, agora é o stand up e seguir fazendo isso…

Luciano          … você estava isso em Curitiba ainda?

Léo                 … isso em Curitiba ainda.

Luciano          Aí você está em Curitiba que por mais que seja legal é uma praça pequena, não ia te dar projeção nacional e tudo mais e acho que nessa época você começa a ver pipocar o stand up em outros lugares do país não é? Como é que foi essa coisa que te empurra para São Paulo ou para o Rio, como é que é isso?

Léo                 Eu já conhecia algumas outras pessoas do meio, a gente já se conhecia, popr conta de Orkut, começou a ter grupos no Orkut, o pessoal começou a postar vídeo no Youtube, então foi começando a rolar uma conversa de internet, era muito pouca gente, então quando via caramba, em mais um cara fazendo isso e tal, em Curitiba tinha o Diogo que fazia stand up, tinha um outro pessoal que fazia personagem, Hélio Barbosa, Fábio Silvestre, fazia um personagem Marcos N e no Rio começou o Comédia em Pé e em São Paulo o Clube da Comédia, isso estamos em 2005, que é quando começa o Comédia em Pé e alguns meses depois o Clube da Comédia, então o pessoal meio que se conhece, nessa época digamos que eram 15 pessoas no Brasil fazendo…

Luciano          Já tinha o Terça Insana, não tinha?

Léo                 O Terça Insana sim, o Terça Insana é meio que um precursor até de show em bares e etc, abriu portas para isso, sem sombra de dúvida e nessa época era muito pouca gente, eram quinze pessoas mais ou menos fazendo stand up, 2005, 2006, 2007, aí nessa época começa o pessoal… principalmente quem está em São Paulo, São Paulo e Rio, mas no caso mais São Paulo, eu comecei a ver o pessoal entrar para… um ia para o… participar de um programa na rádio ou então para a MTV, teve um pessoal que entrou para o CQC, teve um pessoal… Rafinha, Danilo, Oscar estavam no CQC, outro entrou num programa da MTV, a Calabresa participou lá, outro foi para o Pânico e tinha um pessoal do Rio que já estava na Globo, entrava no Zorra, gravava na GNT e eu comecei a ver esse movimento que começou ali em 2007 e tal e eu falei caramba, não estou… o cara já está num programa… o cara foi lá, assistiu, viu o show dele, chamou, fez um teste e eu falei pô, mas eu não estou nem sabendo que… eu não chego nem a saber que vai ter um teste e eu falei aqui em Curitiba ninguém vai me ver, ninguém, eu tenho que sair daqui, aqui não vai dar certo, está todo mundo começando a crescer, entrar, a ter uma projeção maior e eu aqui em Curitiba não vai vingar nada não.

Luciano          Você chegou a vir aqui nessa época fazer alguma coisa em São Paulo?

Léo                 Em São Paulo eu vim muito pouco, eu vim muito pouco, São Paulo e Rio, no Rio eu tinha família eu já ia mais, então eu troquei mais figurinha no Rio…

Luciano          Chegou a fazer alguma apresentação lá, chegou a se apresentar?

Léo                 No Rio eu fiz, São Paulo eu até demorei a vir porque o que acontecia? Rio e São Paulo, o polo de stand up nessa época era Rio, São Paulo e Curitiba, Curitiba, o Diogo foi mesmo o pioneiro nisso, ele levava o pessoal para fazer lá, tinha apoio, conseguia um hotel, pagava um cachezinho, levava a galera, quando a gente começou a fazer show num bar, era o Santa Marca que tem até hoje lá em Curitiba, eu falei a gente tem que trazer gente de fora também para fazer aqui porque não tem humorista, isso vai ajudar, tem muito pouco, vai ajudar ter uma novidade no show e tal e principalmente o Diogo também já fazia isso, falei a gente tem que ter um show legal, vamos trazer gente, levamos o pessoal do Rio, o dono do bar topou investir, ele falou não, vamos lá a gente entrou junto, trouxe o pessoal. Em Rio e São Paulo não tinha isso, você tinha que vir por sua conta, tipo paga a sua gasolina, paga o seu hotel, faz o que você quiser, se vira para chegar no show, se vira para ir embora e o cachê é 50 pratas, então … então eu não vinha, eu não vinha por conta disso, falei não, a gente arruma a maior condição, dá todo um suporte para o pessoal, mas isso por quê? Porque Rio e São Paulo era vitrine, tinha mais gente, era a lei de mercado, não há essa necessidade, Curitiba ninguém quer ir lá para Curitiba, então se você quiser que eu vá, arruma as condições para eu ir, informalmente era meio que isso e no Rio, como eu tinha família, acabei fazendo mais no Rio, São Paulo muito pouco. Comecei a ver esse movimento acontecer, falei preciso sair de Curitiba, vou para Rio ou São Paulo, essa era a minha meta, a minha ideia a princípio era São Paulo, falei acho que São Paulo vai ter mais mercado, só que aí no Rio surgiu um furo de pauta num teatro. O Comédia em Pé ia viajar e ia ficar a pauta vaga, o pessoal lá começou… a produtora que era do Comédia em Pé pegou um pessoal, vamos montar um grupo para ficar aqui nesse tempo? Aí um amigo meu Felipe… falou pô o Léo também está querendo vir fazer show. Ah mas o Léo é de Curitiba. Não, mas ele vem, ele vai vim? Vai, ele falou que quer. E aí falaram assim topa? Falei topo, eu entro, vamos embora. E aí comecei a fazer um show semanal no Rio e Curitiba, eu ficava indo e voltando de ônibus, então eram duas noites da semana dormindo em ônibus, fiquei assim uns seis, oito meses fazendo isso. Aí o Comédia em Pé voltou, me chamaram para entrar no grupo, o Comédia em Pé viajou, pintou o furo de pauta, quando eles voltaram o grupo que eu estava continuou no outro teatro, o Comédia em Pé continuou e me chamou, então eu estava com dois shows no Rio e um em Curitiba, semanal e continuei, falei vamos embora, eu faço. Fiquei fazendo isso e aí gradualmente eu fui saindo de Curitiba, porque os shows no Rio foram começando a aumentar, foi tendo mais demanda e eu acabei saindo de Curitiba e voltei para o Rio e o plano de São Paulo acabou caindo. Falei bom, agora estou aqui, está tendo um monte de show aqui, estou ganhando dinheiro aqui, estou num grupo bom, a gente está com projeção, vamos embora, tenho minha família toda, queria voltar para o Rio também, acabei ficando no Rio, só que o Rio de Janeiro, depois aí acabei vindo para São Paulo também meio que naturalmente, o Rio ele é só rede globo, ponto. São Paulo você tem o SBT, a Record, a MTV, pô, a Bandeirantes, também a globo, o mercado é muito maior, tanto que eu acho… o pessoal quando conversa, pô, por que no Rio não… que eu te falei que o movimento no Rio parece que não vai, na minha visão o pessoal do Rio de Janeiro, que até fiz parte do grupo Comédia em Pé junto, eles acham que ah é porque aqui não pegou porque outros grupos fortes não vieram e tal… Não sei o que, eu acho essa é uma tese, a outra é ah porque não teve no bar, o carioca ele gosta de ir no bar para beber, ele não quer ver show, então começou a ter show em teatro e o bar é que ajuda a popularizar, então como não teve no bar, na minha opinião é o seguinte, em Curitiba começou fazendo o Diogo que era formado em administração, eu que era professor de capoeira e de educação física, aí a gente foi para o bar, a gente não era de teatro, a gente começou a fazer no bar, em São Paulo o Rafinha é jornalista, o Danilo é publicitário, o outro era.. tinha outro ator mas o pessoal foi também para o bar, mas a principal diferença é do Rio não é nem a questão do bar, para mim todos já eram atores quando começou o movimento lá, o Cláudio Torres Gonzaga era chefe de redação do Zorra Total, o cara já era um cargo muito alto, o Fábio Porchat já era redator da Globo, Fernando Caruso trabalhava no Zorra Total, nessa época era o único rosto famoso da comédia e o Paulo Carvalho era um ator que já tinha gravado um monte de novela, que era a formação do grupo e eles já tinham contato em teatro, todos já eram de teatro, então ia no teatro e todos já tinham uma certa exposição e contato em mídia, o Fernando já estava na TV, então para mim gerou um abismo muito grande desse grupo para os outros que estavam vindo, não era nem questão de ser bom, os caras já tinham anúncio na rede globo, então como é que você vai competir com isso? Não tem como, então para mim pulou a etapa, para mim isso não é nem que não teve o bar, eles poderiam até ter ido para o bar, não ia adiantar, outros grupos no Rio e para mim acho que se fosse ia ter gente para ver também, não acho que o cara só vai em bar para beber, eu acho que para mim é, pulou essa etapa, foi direto para a 2 e aí dificultou muito esse abismo, por isso que até hoje…

Luciano          A cena carioca…

Léo                 … é muito fraca…

Luciano          … fraca.

Léo                 … é muito fraca, porque aí o grupo fez o que ia aconteceu foi, em vez de surgirem outros grupos, o Comédia em Pé mesmo começou a fazer outros lugares, é o que eu te falei, a gente fazia dez shows por semana, então você fala ah o Rio era fraco,  não, o Rio não é fraco, o Rio tem dez shows por semana, só que são todos do mesmo grupo, era ditadura do Comédia em Pé e eu era parte do grupo, então isso, quando o grupo depois foi parando, o pessoal foi indo para outros trabalhos, foi indo para a TV, o Porchat saiu, eu saí, outro saiu, o grupo foi perdendo força, ás vezes respirava mais um pouco mas foi caindo, agora parou e não veio nenhum outro, então por isso a cena carioca é fraca.

Luciano          Fala uma coisa para mim, quando é que pinta na tua cabeça que esse negócio podia virar um business, porque uma coisa é a seguinte, eu sou um artista, eu vendo a minha arte, eu chego lá, faço um show, ganho algum aqui, esquema música de bar, vou no bar toco uma noite, mas aquilo nunca é um business, aquilo é um trabalho que eu faço, agora, dali para ser um business é uma outra história, que o business é aquela coisa planejada, é montar o show, é fazer o show rodar, é ter a exposição na televisão, é ter livro etc e tal. Quando foi que ficou claro para você que você tinha que deixar de ser palhaço sem nenhuma sacanagem, palhaço com todo o respeito que esse termo tem, que você tinha que deixar de ser o palhaço para ser um empreendedor do humor, ou seja, vou montar um business e vou fazer com que isso aqui se transforme num grande negócio, vou ter livro… Quando é que isso apareceu?

Léo                 Eu acho que foi mais ou menos nessa época que eu percebi que eu tinha que sair de Curitiba, foi mais ou menos aí, que aí que eu comecei a falar se eu ficar aqui eu não vou mais para lugar nenhum, vou ficar fazendo show no bar e acabou, não vai ter mais nada e fui para o Rio, depois a gente começou a viajar…  o Comédia em Pé para mim foi muito bom, me ajudou muito, o grupo foi muito bom para a minha carreira, a gente começou a viajar o Brasil inteiro, então ali houve já, a partir dali eu comecei a pensar qual é o próximo passo, eu preciso fazer meu show solo, preciso fazer sozinho, porque eu já tinha outras pessoas começando a fazer, falei pô, eu tenho que fazer isso, o grupo tem força mas eu preciso divulgar o meu nome, então…

Luciano          Começar a criar marca Léo Lins.

Léo                 … exatamente, comecei a fazer muito pouco por uma questão de demanda, eu falei eu não quero fazer um show para vinte pessoas, não era nem questão de ego, é questão de pô, eu vou lá,  vai ser difícil de arrumar um teatro, se eu arrumar posso acabar tendo prejuízo, se for e estiver muito vazio as pessoas podem falar pô, mas foi meio ruim, ou às vezes a atmosfera, o clima fica muito sabe, quase às vezes dá pena, você olha pô, coitado do cara, quinze pessoas, coitado dele. Eu falei ah, eu não quero me expor a isso, eu vou primeiro trabalhando, quando eu tiver uma demanda para viajar mais com o meu show solo eu vou viajar, mas com meu show  solo, eu fazia eventos em empresa, fiz muitos eventos em empresa que aí muitas vezes era realmente sozinho, que também me ajudou, fiz um show, quando possível eu fazia show solo, mas a outra etapa foi isso, falar bom, eu estou em grupo, agora eu preciso crescer com o meu nome, eu não porro ficar dependendo do grupo, aí eu comecei a tentar fazer esses shows sozinho, o que mais ajudou, a outra etapa foi televisão porque…

Luciano          A cara na TV.

Léo                 … porque até então alguém falava ah você pensava em ir para a TV? Não, eu não tinha… quando eu comecei tinha zero pretensão de TV, zero. Por um bom tempo, foi  assim,  mas quando o pessoal entrou, principalmente o CQC, o CQC ajudou muito o stand up também, ajudou muito, ajudou mais ajudou do que atrapalhou, às vezes atrapalhou um pouco também, porque o pessoal começou  ah é só subir no palco e fazer qualquer coisa, não, não é…

Luciano          Que é natural.

Léo                 … que é natural…

Luciano          O meu ramo é ramo de palestra, eu faço palestra e a palestra é a mesma coisa, a palestra ela nasce com meia dúzia de abnegados, os caras vão fazendo, aquele negócio cresce, de repente se transforma num baita business, todo mundo que está em volta e fala meu, para subir aí e fazer essa babaquice eu também faço e aí aparecem milhares de caras fazendo…

Léo                 Descreveu o stand up.

Luciano          … esses caras sujam o mercado que é uma coisa terrível e aí o mercado devagarinho começa a eliminar essa turma…

Léo                 Exatamente.

Luciano          … começa a eliminar e ai ele para de contratar porque o cara é ruim, o cara não consegue mais, só que até isso acontecer tem um… é uma loucura, estraga o  mercado em parte porque cara que contrata e eu vi isso muito acontecer, muito porque de repente virou moda levar nos eventos os cara do stand up, então eu ia fazer a palestra e tinha um cara de stand up e alguns eram muito ruins, o cara subia e não funcionava e aí aquele cara que chamou falou pô, nunca mais eu trago um stand up aqui e o mercado começa a se assentar.

Léo                 É isso, descreveu exatamente o mercado. A TV ajudou muito, o pessoal começou a fazer shows, porra, shows grandes, pô daqui a pouco tem gente fazendo show solo para 800 pessoas, porra mil e não sei quantos, caramba era uma coisa absurda, meu Deus! Nessa época e a TV ajudou a expor muito o pessoal que estava, aí eu falei porra, o meu próximo passo que eu tenho que dar é televisão, eu preciso uma coisa é a gente está fazendo dez shows por semana, mas dez shows você pegava tem duzentos e tantos no mundo eu peguei o que? 3000 pessoas com dez shows cheios com 300 pessoas. 300 pessoas na TV é nada.

Luciano          Como é que você explica o Sérgio Rabelo que é um ícone do stand up do, humor brasileiro e que não tem a cara na TV jamais.

Léo                 É, eu acho que aí vai pela carreira dele, o tempo de carreira, tudo o que ele já fez antes, eu acho que é que nem você pegar, por exemplo, tentando fazer um paralelo, o Racionais MC’s que é para o hip hop, os caras não fazem TV, tem uns que ainda vão, eles não fazem e são sucesso reconhecido e isso no meio e não fazem TV, eu acho que já entra o tempo de carreira, tudo o que a pessoa fez.

Luciano          Mas você sabe que tem uma coisa interessante, eu tenho um exemplo muito interessante, você lembra dos Tribalistas, esses caras não fizeram TV em momento algum, eles lançam aquele negócio, está certo, são três artistas que já consolidados e sem televisão, sem exposição na TV os caras explodem e dá aquele sucesso todo lá, eu estou perguntando para você isso aí porque de repente a TV se transformou num nirvana, eu só posso almejar a ter sucesso se eu conseguir chegar na televisão e de repente não é bem assim, talvez sem chegar lá você possa ter a sua carreira colocada, claro que ela ajuda, ela te dá exposição, ela dá prestígio, a TV dá prestígio, de novo, volta para o mercado de palestra, eu vejo isso acontecer direto, os caras contratam caras de televisão para fazer palestra e o cara chega lá, o cara não é bom, a palestra não é boa, aquilo não é legal, mas era o cara, e aí a plateia fala olha, tudo bem, o papo foi, mas eu vi o cara, tirei uma foto com ele, trouxe prestígio para o evento e esses caras vão lá cobrando cachês gigantescos com base na exposição na televisão.

Léo                 Com certeza, não, outra coisa que ajudou muito o stand up, eu falei assim, foi a internet, foi o Youtube, ajudou muito, muito, o Youtube, assim como a gente fala, o stand up ele é muito democrático, qualquer um pode entrar e fazer, qualquer um, vai professor, administrador, ator, desempregado, qualquer um, você sobe no palco e conta piada.

Luciano          É que nem presidente da república.

Léo Lins         Exatamente. Só que hoje em dia não está tão democrático o presidente, qualquer um faz, é você subir, foi engraçado, legal, valeu, parabéns, continua fazendo, é isso e a internet, o Youtube é isso, você pegou o seu vídeo, joga, aí legal, as pessoas vão comentar, vão compartilhar, então o Youtube ajudou muito, quando o pessoal começou a jogar vídeos no Youtube, é o que você falou, realmente, ele foi algo além da TV, então eu também, eu acho até que eu demorei a botar uns vídeos no Youtube, eu sou meio perfeccionista, falei não, tem que estar legal, não vou botar qualquer coisa e ás vezes é mais importante você, não espera aí, vamos fazer, vamos fazer…

Luciano          Você está falando com um cara que sofre de TOC, eu tenho transtorno obsessivo compulsivo com esse perfeccionismo, você viu a estrutura que eu montei aqui? E os vídeos não vão para o ar, eu falo não está bom, não está legal…

Léo                 Eu falo para mim mesmo, eu falo não, tem que pegar e fazer porque às vezes você vê tanta gente fazendo coisa duvidosa, às vezes ruim e dá certo, ou às vezes a primeira está péssima e a segunda já vem legal, mas eu falo como é que o cara teve coragem, eu não ia fazer isso e tal, mas ele fez e fez a segunda e acabou…

Luciano          Cortou e colou.

Léo                 … exato, às vezes é pegar e fazer, eu estou tentando começar a tentar me cobrar isso, não, faz.

Luciano          Tem um dito que eu sempre costumo usar que eu não aplico para mim que fala o seguinte: se você tem um negócio que você acha que vale a pena fazer, faça nem que seja nas coxas, mas faça, bota no  ar, deixa o pessoal começar a usar e aí você sofistica…

Léo                 É verdade.

Luciano          … e esse é um padrão que tem muita gente fazendo, você olha e fala não pode funcionar e acaba funcionando porque é isso, joga e vamos acertando, que é um modelo muito interessante desses nossos tempo agora, quer dizer, o modelo do experimenta, põe no ar, a gente vai consertando no caminho…

Léo                 É, hoje em dia parece estar… é exato.

Luciano          … antigamente não, planeja, faz tudo direitinho, na hora do lançamento tem que estar redondinho, hoje em dia, bota no ar e…

Léo                 É meio que isso.

Luciano          … o exemplo dos nossos tempos aqui agora, estava vendo isso ontem, você já viu o Antagonista, o site, Antagonista, o que é? São três jornalistas, os caras não tem nenhuma aproximação com internet, nada disso, os três são jornalistas e os três vão, montam um site de notícias onde tem três pessoas fazendo aquilo, botam o negócio pequenininho, que são notinhas pequenininhas e estão com 4 milhões de views, aquilo explode e aí cria um programa chamado lá, reunião de pauta, os três gravando com a camerazinha do computador e aí eu penso em mim aqui eu falo meu, eu preocupado com iluminação, com a câmera, com os ângulos, os caras ligam o computador, gravam aquilo e o importante é o conteúdo que eles estão passando ali, isso é um quebra de paradigma gigantesca…

Léo                 Sem sombra de dúvida.

Luciano          … deixa eu voltar para essa coisa do empreendedorismo então. Você como empreendedor, então você de repente, você falou legal, então não é mais aquela questão de explorar a coisa do artista, até porque esse modelo do artista antigo já meio que já era, tipo quero fazer minha arte, não me preocupo com a grana, a grana vem e alguém vai tomar conta, isso já foi, e a gente até assistiu “Escolinha do Professor Raimundo”, aquele monte de gente que morreu ali dentro e era a única fonte de renda delas, até o Chico Anysio tinha essa coisa, isso aqui é o que sustenta uma porrada de gente aqui que são os caras que não se preocuparam com essa coisa do empreendedorismo, de novo eu vou voltar para aquela questão do business, quer dizer, como é que você arquitetou essa coisa então? Então você não tem carteira assinada, você não tem uma empresa que paga salário pra você todo dia 15…

Léo                 Eu nunca nem tirei carteira de trabalho, me orgulho disso.

Luciano          … você é um franco atirador e você está vivendo, está ficando velho, daqui a pouco… como  é que você enxergou essa coisa de o que vai ser o meu business, como é que eu vou garantir o meu futuro?

Léo                 Eu acho que foi indo muito um degrau depois do outro e cada vez mais você vai conseguindo enxergar mais longe, antes é, como estava começando era tudo muito escuro e aí achei o show, opa, achei um degrau, fiz o show, legal, está dando certo, achei o bar, estou conseguindo ganhar dinheiro. Aí veio a etapa de não, preciso sair daqui, preciso… é meio que observação também, do seu meio, você fala opa, espera aí, as coisas estão acontecendo ali, é Rio Curitiba, eu vou para lá então, vou para lá e vou fazer o meu trabalho direito, eu escrevia muito nessa época, escrevia demais, continuo, mas stand up eu escrevia toda hora, me obrigava sempre a estar trocando de texto, aí fui para lá, depois falei opa, televisão, eu tenho que fazer a televisão está tendo exposição muito grande, então é tentar você enxergar onde você vai botar o próximo lugar para botar a mão para continuar escalando, opa  é ali, estou vendo que é ali que eu tenho que botar a mão e aí a TV, a primeira oportunidade que eu tive foi como, tipo assim, acho que a hora que eu botar a mão ali, já vai me dar um horizonte maior,  aí eu vou opa, agora par aonde eu vou, então o próximo degrau que eu tinha que subir para poder ver esse horizonte, para mim foi TV, primeira oportunidade foi como redator do programa “Legendários”, com o Mion, até por indicação do Danilo, o Danilo foi sondado para ir para lá, me indicou, a gente começou no stand up na mesma época e a minha carreira na TV devo muito a ele, porque ele que me indicou lá, depois ele que me indicou para um teste no “Agora é Tarde”, então ele me indicou, fui tal, pintou a oportunidade, ele falou olha, é para redação, eu sei que você faz stand up, você trabalha em show, mas é… não é par aparecer, é para você escrever, eu falei não, tudo bem, realmente o que eu quero é estar na frente da câmera, tipo eu quis deixar claro isso para ele mas eu falei não, mas eu vou escrever, o que eu pensei é, ainda não é o que eu quero, mas é um passo a caminho de, me aproximei, eu estou dando um passo a caminho de, que é isso que eu vejo que ás vezes tem algumas pessoas que não, ah não, não é o que eu quero, não é mas você está mais perto, vai e…

Luciano          Até porque você não desviou do caminho…

Léo                 … não desviei do caminho…

Luciano          … pelo contrário,  você está usando uma ferramenta tua, você não foi ser câmera, eu não fui ser iluminador, câmera, diretor, não, eu estou escrevendo, é o teu negócio esse.

Léo                 … e que me ajudou muito porque é diferente também, a minha pegada era muito de stand up que é isso, ali você está escrevendo piadas para outras pessoas, então você tem que pensar no ponto de vista da outra pessoa, eu não estou escrevendo para mim,  é outra linguagem, é que no  stand up é piada por piada, ali não, você vai escrever, às vezes tinha que escrever uma matéria, às vezes tinha que escrever um quadro, então isso foi me dando experiência de TV, de roteiro, que me ajudou depois quando veio o “Agora é Tarde”, que aí pintou a chance de fazer teste para o Agora é Tarde, você quer? Eu falei opa, quero, é para gravar, então agora é mais um passo para fazer o que eu quero, vamos embora, fiz os testes, deu certo, entrei, falei porra, legal, então ali eu consegui chegar no opa, agora cheguei no que eu queria…

Luciano          Você está exposto, teu nome está em evidência.

Léo                 … aí eu comecei a viajar mais com show solo, é aquilo que eu te falei, opa, agora abriu mais o leque.

Luciano          Mas, o “Agora é Tarde” onde é diário?

Léo                 O “Agora é Tarde” a gente começou em 2011…

Luciano          Como diário?

Léo                 … não, a gente começou 2 dias na semana.

Luciano          E agora?

Léo                 A gente começou quarta e quinta, hoje é diário, hoje é diário.

Luciano          Um programa de televisão diário demanda, consome todo mundo, consome muito e ele vai ao vivo?

Léo                 A gente grava, são dois dias de estúdio.

Luciano          São dois… é gravado então? Então é isso que eu queria saber, ele consome dois dias da tua semana?

Léo                 É, o problema é que eu e o Murilo, Murilo Couto, a gente grava estúdio, só que a gente também faz externa, também viajo, para gravar, também muitas vezes o nosso quadro a gente também escreve, a rodada, várias piadas a gente tem que escrever, então eu continuo a escrever, eu gravo estúdio, fora e escrevo, então me ocupa demais…

Luciano          É um buraco negro.

Léo                 … amanhã é domingo eu vou gravar…

Luciano          É um buraco negro, isso eu tive uma época que eu andei testando alguma coisa, eu queria levar para a televisão, fui disposto a comprar um horário numa TV pequena e tudo mais e botar um programa no ar e cheguei até a pensar o Café Brasil etc e tal, a hora que eu vi o tamanho da demanda que aquilo… os caras não, mas é um negócio, eu falei não é simples, é uma puta demanda, eu falei eu vou ter que escolher, se eu abraçar essa demanda eu vou ter que abrir mão de uma porrada de coisa que eu estou fazendo aqui e não estou pronto para isso, essa foi uma das razões para eu não ter ido, inclusive depois eu recebi convites, pô vamos fazer também, eu falei não, ou mergulha de cabeça ou não vai, até porque ele te consome bastante lá, mas dá projeção grande lá.

Léo                 Com certeza.

Luciano          Me fala um pouquinho dos livros, e aí quando é que você acha que chegou a hora de eu escrever sobre a teoria daquilo que eu estou fazendo aqui.

Léo                 Sim, o primeiro livro veio até antes até, foi em 2009, eu ainda não estava nem na TV nem nada, a minha vontade de escrever veio de onde? E aí volta uma coisa que eu acho que todas as experiências que você tem sempre contribuem de alguma forma, a educação física para mim contribuiu muito também, porque o processo que eu tive que passar para escrever uma monografia, o processo de pesquisas, metodologias de pesquisas que você tem que descrever e etc, e quando a gente dá aula, o professor, você tem que elaborar o plano de aula que é descrever o que você vai fazer e tal não sei que e toda essa sistematização me ajudou muito, porque, primeiro show que eu fiz, eu fiz, a primeira vez que eu subi no palco em 2004, eu considero que eu comecei a minha carreira em 2005, que ali que eu subi para fazer só stand up, eu subi, quando eu terminei, eu anotei, eu gravei o show e eu anotava reação por reação, essa piada aqui funcionou assim, essa piada foi legal, depois eu criei uma tabela com uma escala de intensidade para eu ter uma métrica de ah, essa daqui funcionou dois, essa aqui foi cinco, essa aqui foi três, para eu poder ver e ir acertando o meu texto, então eu anotava, fazia anotações depois de cada show, eu tinha eles anotados, como é que foi, quantas pessoas tinham, qual  foi a reação, que aconteceu, etc, etc, etc. Passou, quando chegou, que eu já estava, 2005 para 6, 7, eu já estava há três anos fazendo stand up e não tinha ainda nenhum material em português, não tinha nada e muita gente ah, pô… conversava entre si, ás vezes vinha gente nova ah pô, tem alguma coisa para indicar? Queria fazer, como é que é? Falei pô, não tem nenhum material em português e eu já tinha um monte de coisa anotada, de vários shows, eu falei eu vou transformar isso aqui em livro, eu vou pegar e fazer um material em português para essa galera que está começando, assim eu vou estar contribuindo e estimulando  desenvolvimento do stand up e a ideia de fazer o livro parte dessas anotações, até por isso o livro é “Notas de um Comediante Stand up”, então ele tem uma primeira parte técnica, teórica, onde eu falo primeiro brevemente sobre o stand up, de onde veio para a pessoa se contextualizar, dicas para você entrar no meio, que é isso, é pesquisar, assistir outros comediantes, assistir outros show, estudar o assunto, ler, depois a estrutura de uma piada, que isso foi uma coisa que para mim clareou muito a minha mente, não é escrever, tem uma lógica, a comparação que eu faço é, assim como a gente aprende que no português a frase tem sujeito verbo e predicado, a piada ela tem a estrutura, o setup e o paint, essa é a estrutura mais básica de uma piada. O setup é o preparo, é tudo o que é necessário  para que o final da piada tenha impacto, tudo e apenas o que é necessário, aí você tem algumas regrinhas do setup, ele tem que ser claro, tem que ser econômico, não é mais aquela história longa que a gente fala não, espera aí, você está levando quanto tempo par chegar no paint, estou levando um minuto e dois, falo mas espera aí, para esse paint funcionar você só precisa dessas três 3 frases, então risca e apaga o resto inteiro conta só essas três frases, então é essa que é a mecânica do stand up. O paint tem as regrinhas dele, então ele tem uma primeira parte e a  segunda parte que é totalmente  baseado nessas minhas  experiências e anotações, que aí é coisas em palco, postura em palco, é como ir de um assunto para o outro,  precisa de um link, não precisa, como fazer esse link, é a primeira piada, subir no palco e aí? Eu tenho que cumprimentar a plateia, eu tenho que chegar e já dar uma piada? Eu posso chegar falando, pô fui no zoológico, como abrir um show, é estrutura, como montar uma rotina, rotina a gente chama uma sequência de piadas você vai escrevendo elas, tem um lógica também, você não pode vir com  várias piadas fortes depois um monte fracas e tem piada que ás vezes…

Luciano          A barriga, vai dar a barriga.

Léo                 … exato, e tem piada que às vezes num set, que é uma rotina, ela ganha força, sozinha ela não funciona, ah então vou jogar fora, não, calma, essa piada num grupo de outras piadas vai funcionar e ela vai ajudar a fazer a outra entrar mais forte, a segunda sem a primeira vai ter menos impacto, então eu destrinchei tudo isso, olhei todas essas anotações, o que foi bom é que eu estava olhando coisas que eu anotei um tempo atrás já comum pouco mais de  experiência para poder lançar o livro, aí lancei ele por uma editora de Curitiba, em 2009, que foi o primeiro de stand up que teve, até hoje é o único livro técnico que tem, por isso que eu falo, foi bom ter lançado porque mesmo sendo ruim é só esse, então não tem comparação, ah é ruim, é ruim mas não tem outro. O outro é meu também, então, falei bom, para não gerar comparação vou lançar outro que também foi baseado nas minhas anotações que ficou muita coisa de fora no primeiro livro, por exemplo show solo, eu fazia muito pouco show solo nessa época e tem toda também uma estrutura, uma coisa é você entrar para dez minutos num palco, outra coisa é para fazer sessenta, setenta, é diferença de um velocista para um maratonista. Se você entrar num show solo metralhando, a plateia vai cansar e vai chegar morta no final, então é uma outra estrutura, como montar o show solo e além disso mais coisas sobre o stand up, muitas, no meu segundo livro, eu coloquei muita técnica de escrita que é uma coisa que no primeiro não tinha, algumas até que eu meio que desenvolvi também, porque uma coisa que muita gente pergunta é, pô mas é para escrever, como é que é? Você tem que estar inspirado? Você tem que… eu acho… tem comediante que fala ah não faço meio no palco, eu subo lá e aí que… eu acho que quem diz que faz quando está inspirado ou faz meio na hora, é preguiça de sentar para escrever, porque o processo mental é o mesmo, processo mental é o mesmo só que se eu sentar e pensar antes e tentar fazer, eu estou só adiantando, no palco se vier mais alguma, opa melhor ganhei mais duas, três piadas, mas eu acho que você não pode sentar a pinos quando tem inspiração, a sua progressão vai ser muito lenta desse jeito, então eu me forçava, não tem que sentar para fazer e aí você tem técnicas para estimular a sua criatividade a chegar no ponto, entendeu? Tem mais de uma delas, tem aliás tem várias técnicas, tem associação, te técnicas de perguntas, basicamente é você pegar um assunto direcionar, você tem que ah, eu vou falar sobre avião, é muito genérico, é muito o conjunto está muito grande, você tem que falar…

Luciano          Avião do Lula, opa.

Léo                 … ah vou falar do avião do Lula, então tá, vice vai falar do avião do Lula, então vamos pesquisar, você quer falar o que do avião do Lula, ah eu vou falar do quanto gasta o avião do Lula, na então tá, então agora termos esse universo de dinheiro, de Lula e de avião, vamos tentar encontrar outras coisas agora paralelas a isso, uma das técnicas é você buscar associações, o que tem associação com Lula? Tem Lula, tem Dilma, tem Mercadante que tem associação com avião, ah avião tem acidente de avião, tem não sei que, tem Mamonas, opa, pode ter uma piada, vou tentar linkar isso aqui, porra, vou tentar linkar Lula com Mamonas, vou tentar pô, porque, vamos ver se tenta botar o Lula em alguma coisa sabe… é você tentar traçar paralelos com assuntos ou perguntas…

Luciano          Conectar os pontos…

Léo                 … conectar pontos…

Luciano          … conectar coisas ali não é?

Léo                 … exato, aí tem várias técnicas para você achar essas conexões e chegar na piada.

Luciano          Mas Léo, o interessante disso que você está falando aí é o pessoal está ouvindo aqui e imaginar cara, quando você vê o sujeito subir no palco para fazer aquele show dele, os dez minutinhos dele lá, não é que o cara está lendo todos que subiu para contar piada, tem um puta de um trabalho por trás…

Léo                 Muito grande.

Luciano          … e tem um trabalho que dependendo, tem cara que você sabe que é naturalmente talentoso que sobre lá numa boa e faz a boa, mas tem cara que trabalha como você fez, de planilhar e chegar lá e falar deixa eu ver como foi a sequência, ver o que é que funcionou e no próximo show eu vou entrar com a  coisa repensada. É parecido com show de banda, que você vê a banda subir, pô os Stones subiram e fizeram um show, está legal, aquelas músicas não estão ali por acaso, não tocaram aquela sequência por acaso…

Léo                 Claro, exatamente, eles não foram na vibe na hora.

Luciano          … não, inclusive tem um vídeo deles aqui, esse que o Scorsese fez que é o show deles bem recente e o Scorsese montou, é um show maravilhoso que eles fizeram que é o primeiro que foi gravado como se fosse cinema e o Scorsese fez aquilo como roteiro de cinema e você assiste um show dos Stones como se fosse um roteiro de cinema e o rolo do show é o set musical, que o Scorsese está desesperado porque o set não fica pronto e o Mick Jager está lá, calma, calma, calma até o set … você fala mas não é possível, os caras não tem isso na cabeça? Não está pronto? Não está pronto, conforme o lugar onde ele vai, eu vou pensar para aquela plateia, isso funciona, isso não funciona, tem ritmo e tem tudo mais.

Léo                 Com certeza, isso tem muito no stand up também, você sentir, você já vê a plateia, a gente fala pô, bar é muito você olhar antes falar hum, o pessoal, você vê média de idade, você vê se tem mais casal, se tem mais homem, se tem mais mulher e tem muitos de você às vezes pescar, eu chamo de pescar, é você bom, tá, eu vou fazer um pouco esse assunto aqui e vou sentir, se está rendendo, eu vou nele, aí se não, eu já vou trocar, às vezes, por exemplo, tem plateia que às vezes… eu já vi acontecer isso em show, você faz uma piada, mais em bar até, você fez uma piada com palavrão ou com uma putaria, às vezes a reação é muito maior do que o resto, muito maior, aí você pô, aí vai da sua escolha de tipo você quer fazer o que você ia fazer e beleza, vou fazer, vão rir ou você quer então fazer o que está funcionando mais e inflamar mais a plateia, vai da sua escolha, aí uma coisa que eu coloco para mim é você, porque o comediante… a gente entre ali, você tem que arrancar risada, é o que você falou, então você fala pô, eu vou ficar fazendo isso aqui  que não está funcionando? Não, vou fazer tipo entregar o que a plateia quer, mas o que eu acho legal… eu passei a colocar objetivos para cada show, se o meu objetivo é testar piadas novas e  aí eu cheguei na hora, mudei para fazer um set que está agradando a plateia, arrebentei foi muito bom, mas eu não testei as piadas que eu queria, então não atingi meu objetivo, então foi ruim.

Luciano          Até porque, não é Léo, que acho que não tem nada de novo o paralelo com a palestra, eu montei minha palestra, e a palestra está toda estruturada e eu sei, esta é a hora que a turma vai rir, esta é a hora que vai ficar todo mundo pensativo, este o momento em que os caras vão ficar putos da vida e quando eu consigo que isso aconteça na hora que eu sei que tem que acontecer, para mim é a vitória, falo pô, esta é a hora que a plateia vai rir, chega naquela hora a plateia vai rir, ah porque você deu esse delay aqui, esse é o espaço que eles vão rir, mas como é que você sabe que eles vão rir? Claro, eu estou preparando para rir e quando isso acontece é porque eu estou conduzindo, a plateia veio para a minha mão e eu estou fazendo com que ela funcione.

Léo                 Perfeito.

Luciano          E quando não vem Léo?

Léo                 Quando não vem…

Luciano          Quando você chega lá, solta a primeira nada, a segunda nada, a terceira e nada, e aí?

Léo                 … olha tem as saídas para isso também, tem suas técnicas, uma delas é ignora e finge que não era para rir, entendeu? Essa é uma saída, isso a gente fala na mágica, por exemplo, ah e se errar a mágica? O espectador não sabe o que você vai fazer, então a mágica não era aqui, a mágica é em outro lugar, ele não sabe o que você está fazendo, finge que não era para rir e atropela, isso ai pode funcionar uma vez ou outra. Outra é assumir o erro, aí você ganha a piada, essa piada foi uma porcaria hein? Nunca mais vou contar, aí funciona, pô você está assumindo o seu erro, aí a risada vem aí, só que isso funciona uma vez também, você não pode na sexta piada, essa daí também foi uma porcaria, 20 minutos, uma eu vou acertar hein gente, então tem essa saída, isso eu falo no livro também, tem algumas, se não está funcionando nada, o que eu falo é sai do palco, então isso aí não é para você.

Luciano          Léo, como é o nome dos dois livros?

Léo                 É “Notas de um Comediante Stand Up” e o outro “Segredos da Comédia Stand Up”.

Luciano          Você está no Facebook?

Léo                 Estou no Facebook, Léo Lins, Twitter, Instagran.

Luciano          Tem o teu site também?

Léo                 Tem o meu site, leolins.com.br, estou começando com um projeto novo aí este ano para rodar com meu segundo show solo chamado “Bullyng Art”.

Luciano          Esse show, você vai fazer o que, ele é um show aberto ao público, você vai para as cidades e…

Léo                 É um show aberto.

Luciano          … quem é que te leva, é uma empresa? É um…

Léo                 Tem produtores locais, eu tenho a minha equipe, a minha produção que às vezes vão atrás e também atendem a demanda de produção local que às vezes vou ter uma pauta aqui e tal, eu viajei muito tempo com o meu show “Piadas Secretas” na verdade ele era um, quando começou a surgir essa demanda, eu senti uma necessidade de mudar o meu material, de melhorar tanto a comunicação visual, falei não, preciso de um outro cartaz, preciso de um sabe…. e aí eu mexi, embalei o show novo e tal, gravei o DVD ano passado, esse “Piadas Secretas” e está para entrar agora no ar e  aí eu aposentei esse material e falei agora eu vou viajar com o segundo, que é o “Bullyng Art” e na minha cabeça eu tenho que fazer ele esse ano e ano que vem, 2016 e 17, quem viu, viu, quem não viu perdeu, a minha ideia é em 2018 fazer outro.

Luciano          E aí só vai ver no Netflix.

Léo                 Só vai ver no Netflix ou no Youtube ou no camelô mais perto de você.

Luciano          Legal Léo, valeu o papo, foi…

Léo                 Pô eu que agradeço…

Luciano          … muito bom, acho que tem é uma pena, que esse assunto do humor é fantástico, você entra…

Léo                 Eu adoro falar disso.

Luciano          … na discussão dessa coisa de você trabalhar e sentar para escrever o negócio e montar a partir de uma folha em branco, isso é genial, eu faço cartoon…

Léo                 E eu admiro muito esse trabalho.

Luciano          … eu diria que em termos de humor o cartoon é o maior desafio que você pode ter, porque ele tem seis segundos para dar certo, bateu o olho, é seis segundos, não deu certo, não funcionou, então eu não  consigo ver nada mais conciso, a concisão do humor do cartoon e para mim é muito caro esse tema então, então conversar com você foi fantástico, muito obrigado.

Léo                 Pô, para mima foi uma honra, quando quiser, pode chamar que para mim, falar de stand up, falar de comédia, de humor…

Luciano          E eu consegui cumprir aqui um objetivo meu, essa é a terceira entrevista que eu faço com gente do humor, eu fiz Murilo Gun, fiz o Diogo Portugal e fiz você,  com leolins.com.br caras de stand up e nenhum dos três contou piada, então eu vou manter assim.

Léo                 Ah mas se bem que humorista de verdade foi só eu, porque o Gun e o Diogo…

Luciano          Contou. Tchau.

Transcrição: Mari Camargo