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Luciano Pires -

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Luciano                Muito bem, de volta a mais um LíderCast, eu recebo hoje aqui um convidado muito interessante, que chega para mim através do podcast Café Brasil, primeiro como um fã e depois como um… é quase um colaborador, porque o que ele manda de mensagem é brincadeira, a gente acaba trocando bastante ideia lá. Mas vamos às três perguntas fundamentais do programa: eu quero saber seu nome, sua idade e o que é que você faz?

Ronny                  Bom, bom dia, boa tarde e boa noite, não queria perder a oportunidade de falar isso. O meu nome é Ronny Clayton, eu tenho 37 anos e, primeiramente eu sou marido da Ana Paula, pai da Sara, pai da Julia, pastor batista. Sou palhaço também, trabalho com o conselho municipal de saúde da minha cidade, de Cerquilho e também faço muitos trabalhos voluntários em escolas, palestras para professores, alunos, diretores, faço também viagens humanitárias para a África, especialmente em Moçambique, eu fui chamado, a primeira vez, em Moçambique em 2010, não sabia o que ia encontrar e depois adotei o país no meu coração e estou indo para a quarta viagem para Moçambique nesse próximo ano em março.

Luciano                Vocês estão vendo o naipe dos ouvintes do Café Brasil? A gente é assim, cada lugar que você cutuca tem uma surpresa, tem uma história fantástica. Se dissessem para mim que eu ia entrevistar um palhaço, pastor e educador e sei lá o que mais, você fala não, não dá para misturar essas coisas.

Ronny                  Eu esqueci umas coisas…

Luciano                Tem mais?

Ronny                  … tem mais, porque eu trabalho, eu sou presidente de uma associação de igrejas da minha região, que é Sorocaba, então são 42 cidades, são 43 igrejas, eu sou presidente dessa associação e também sou secretário de uma associação de pastores da minha cidade também.

Luciano                E que hora você dorme?

Ronny                  Não, eu consigo dividir bem o meu tempo.

Luciano                Legal, vamos…

Ronny                  Algumas vezes dá um pouco de dificuldade assim de agenda, mas eu fui criando mecanismo para me policiar para poder fazer tudo.

Luciano                … bom, você sabe como é que é o LíderCast, o pano de fundo da gente aqui é liderança e empreendedorismo. Na verdade eu gosto de conversar com gente que faz acontecer, você já deu, pela introdução, a gente já sabe que é um cara que faz muito acontecer. :Eu quero explorar um pouco as suas motivações, essa tua história toda e vou buscar lá no começo. Vamos lá, como é que começa o Ronny Clayton, aliás vai ser um tal de “porta”, “porco”, “Fernando” aqui que vai ficar insuportável, porque esse negócio pega, a gente quando conversa um com o outro, pintou um “R” puxado ali, todo mundo pega, mas vamos adiante, como é que começa o Ronny Clayton?

Ronny                  Então, o Ronny Clayton, aliás eu queria voltar ainda mais um pouquinho atrás, eu sou filho de baianos, meu pai foi o primeiro da família dele, o segundo da família dele a vir para São Paulo, na cidade de Mauá, aqui na grande São Paulo e  ele logo conseguiu um emprego numa empresa que hoje, infelizmente, pelas deficiências do nosso país a empresa foi embora, que era a Phillips do Brasil, que tinha milhares de funcionários, meu pai era funcionários da Phillips e foi trazendo a família, foi trazendo a família. Na minha casa morou quarenta pessoas de quando eu nasci até 16 anos, moraram quareta pessoas, gente que passou um ano, dois anos, seis meses e até o que ficou mais, ficou acho que oito anos.

Luciano                Conhecidos, o que era isso?

Ronny                  Parente, vai trazendo parente, vai vindo, vai ficando e tal então, e o meu sobrenome é D’Ajuda, então talvez eu seja um predestinado, um pastor com sobrenome D’Ajuda. E aí o que acontece? Na escola, na primeira série, eu tinha um amigo, o nome dela era Esmerai e a família dele era muito grande e pelo que eu entendi, ele era uma família assim de muita necessidade e eu não passava necessidade, meu pai tinha um bom emprego e tal e começou ali, o Esmerai dormia na sala…

Luciano                Na tua casa.

Ronny                  … não, ele dormia na sala da escola…

Luciano                Na sala da escola.

Ronny                  … no primeiro ano do ensino básico, ele dormia na sala e eu achava aquilo muito estranho e tal e eu achava que ele dormia porque ele estava com muita fome. Sei que depois do intervalo ele ia bem, depois do recreio e ali começou um sentimento assim, eu não podia comer na escola porque eu tinha comido em casa. Se eu comesse na escola, eu ia deixar aqueles que tinham necessidade que não iam conseguir comer, então talvez eu tenha comido na escola a vida inteira, talvez seis, sete vezes quando eu estava com muita fome e tal. Então, começou ali o meu sentimento assim de ajudar as pessoas. O meu objetivo sempre foi esse, sempre foi ajudar as pessoas, então logo eu comecei a me envolver com as coisas, sempre me envolvia nas coisas da escola, tudo o que tinha na escola eu me envolvia, eu fui para a igreja batista quando eu tinha um ano, então na igreja eu fui sempre muito envolvido, trabalhando com tudo e na rua, eu  levava os amigos para comer em casa, minha mãe ficava louca, sempre tinha um amigo em casa comendo ou…

Luciano                Seus pais eram batistas? Eles já eram…

Ronny                  Minha mãe era batista…

Luciano                Sua mãe…

Ronny                  … minha mãe era batista e aí chega um ponto crucial, que foi um divisor de águas muito grande porque meu pai era alcoólatra, mas alcoólatra mesmo, de verdade. Meu pai acordava de manhã e já tomava uma e ele, meu pai, faleceu quando eu tinha 11 anos, então a partir dali eu me apeguei muito mais com a minha mãe, a gente está junto e poder conversava muito, batia muito papo, contava todas as minhas coisas e ali foi começando um sentimento assim de querer estar mais próximo das pessoas, que eu tinha perdido meu pai e eu queria mais ajudar as pessoas e eu tomei a decisão de ser pastor com 14 anos. Eu fui  numa viagem missionária, uma viagem da igreja e lá eu tomei a decisão, conversei com uma outra missionária e falei olha, eu quero ser pastor. Por quê? Porque eu compartilhei a palavra de Deus com uma pessoa e ela… eu falei para ela assim olha, você é uma pessoa que precisa de Deus, eu estou vendo e ela falou sim eu quero Deus na minha vida e eu orei com ela e ela ficou muito feliz naquele momento e ali abriu a minha mente naquele momento e eu queria ver mais isso, eu queria compartilhar mais a palavra de Deus e aí eu, a partir daquele dia, eu comecei a pregar, eu comecei a pregar na igreja lá, na frente da igreja, trinta, quarenta, cem pessoas, com 14, 15 anos  eu já pregava, hoje tenho 37, então eu tenho 22 anos que eu vou à frente de público falar, pregar, abrir a bíblia, estudar e pregar, então ali começou o meu ministério mesmo começou quando eu tinha uns 14 anos mais ou menos.

Luciano                Você encarou aquilo como uma missão de vida e encarou aquilo como… seria o seu ganha pão, seria seu trabalho, seria seu emprego, como é que você viu isso? Tipo assim o que você vai ser na vida quando crescer, você que tem 14 anos?

Ronny                  Pastor.

Luciano                Mas você vai ganhar dinheiro com isso?

Ronny                  Não.

Luciano                Você vai ficar rico com isso?

Ronny                  Não também.

Luciano                Você vai conseguir criar uma família etc. e tal?

Ronny                  Aí sim.

Luciano                Sendo pastor?

Ronny                  Aí sim, então, eu tinha, quando eu entendo que aquilo seria a minha missão, eu segui em frente, eu continuei estudando, eu fui para trabalhar numa empresa, quando eu fiz 19 anos, eu fui para o seminário, continuei trabalhando, mas nada me empolgava, nada me dava mais empolgação ou motivação que não seguir a minha missão, quando eu terminei, antes de eu terminar a faculdade, já no segundo ano, eu fui trabalhar na igreja como funcionário da igreja, registrado, carteira assinada e tudo mais, para poder pagar os estudos.

Luciano                Nós estamos falando anos 90…

Ronny                  Mais ou menos.

Luciano                … por aí né? E o tênis Nike? Cadê o tênis Nike, cadê a balada com “as mina”?

Ronny                  Não tinha.

Luciano                … cadê o goró?

Ronny                  Não tive, nunca tive isso, eu nunca bebi, nunca fumei, nunca bebi. Aliás, eu tenho uma palestra que eu dou para jovens, eu acabei de ministrar para trezentos agora e eu começo falando assim, olha, meu nome é Ronny, eu tenho 37 anos e eu quero falar para vocês e eu não quero risada agora, dou aquela piada assim e falo olha, eu nunca bebi, eu nunca fumei e eu nunca dormi com outra mulher que não fosse a minha esposa. Aí eles dão risada, tal e ela também, nunca dormiu com nenhum outro homem que não fosse o marido dela e na noite de núpcias, aí eles ficam fissurados, querendo saber que história é essa, como é que pode isso acontecer, então essas coisas que você falou, tênis Nike e tal, eu até tive porque a minha mãe, meu pai trabalhava na empresa, tinha um bom emprego. Quando ele morreu, minha mãe ficou pensionista, então a gente tinha condição de sobreviver bem, eu só tenho um irmão, então a gente foi bem cuidado.

Luciano                Teu irmão também seguiu o caminho?

Ronny                  Não, meu irmão, quando abriu uma casa de show em Mauá, que chamava “Coqueluche”, aí ele resolveu seguir a “Coqueluche”, hoje ele tem a família dele, tem dois filhos, mas ele não seguiu firme na religião, nós fomos batizamos no mesmo dia, mas aí ele seguiu outro caminho, era jogador de futebol e foi jogador de futebol até 20 anos.

Luciano                Esse bebeu, fumou e deve ter dormindo com a mulherada.

Ronny                  A minha cunhada, quando eles casaram, ela estava grávida.

Luciano                É então, e aí cara, vem cá, dois caras, que idade ele tem, o seu irmão?

Ronny                  Ele tem 39, 40 agora…

Luciano                40, você tem 37…

Ronny                  … fez ontem 40 anos.

Luciano                … e é o irmão mais velho, inclusive, que é o modelo, que a garotada segue lá, os dois criados no mesmo ambiente, os dois perdem o pai jovens, ele tinha 14, você tinha 11 anos, a mãe é que fazia a educação dos dois e os dois crescem e vai um para cada lado.

Ronny                  Totalmente…

Luciano                Não que um virou bandido o outro virou santo, não, os dois seguiram dois caminhos distintos, completamente separados um do outro, embora venham da mesma família, a mesma educação, o mesmo ambiente, se bobear a mesma escola e etc e tal. Me explica isso.

Ronny                  Então, quando eu tomei essa decisão…

Luciano                Só um segundo, é um desafio que eu vou falar para você aqui agora, mas eu quero que você tente seguir, tira Deus da jogada, não quero que você bote no colo de Deus nenhuma responsabilidade, eu quero saber esse ser humano que está na minha frente aqui.

Ronny                  … foi isso mesmo que você está falando, ser humano, porque eu vi, Luciano, eu vou tentar não me emocionar, meu pai era alcoólatra, entendeu? Eu não vou conseguir não me emocionar, meu pai era alcoólatra, eu vi meu pai, meu pai, por exemplo, um dia, a gente morava num barraco grande, um barraco grande, com três divisórias e tal…

Luciano                Que cabia 40 pessoas.

Ronny                  … é, cabia 40 pessoas, eu vi meu pai deitado na urina dele, minha mãe me chamou um dia, eu estava entrando em casa ela falou não, não entra agora, meu pai estava deitado na urina dele, meu pai acordou um dia e urinou no fogão da casa, entendeu? Meu pai… uma vez eu entrei no quarto dele fiquei assim, era barraco mas tinha um lado restrito do casal, eu entrei no quarto, a parede inteira estava toda urinada, eu vi meu pai perder dinheiro, eu vi meu pai, eu era chacota da rua com 9, 10 anos porque meu pai perdia todo o salário no bar, então eu falei eu não quero isso, eu não quero aquela visão que eu tinha, aquela visão que meu pai tinha um ótimo emprego, os amigos dele tinham carro, tinha uma casa melhor do que a nossa, usava roupa melhor do que a nossa, tal, tinha um ótimo emprego, falei eu não posso ter isso, eu não quero ser assim…

Luciano                Teu irmão viu a mesma coisa…

Ronny                  … viu a mesma coisa…

Luciano                … mas na cabeça dele…

Ronny                  … ele …

Luciano                … não foi o impacto que você sentiu.

Ronny                  … não foi porque, por exemplo, a primeira vez que ele colocou uma bebida na geladeira, eu tive que segurar a minha mãe. Ele colocou uma garrafa de cerveja, não me lembro, eu tive que segurar a minha mãe assim, mas segurar mesmo, com força, porque minha mãe ficou transtornada, ela ficou cega naquela hora, eu falei eu não posso fazer isso, eu tenho a escolha, eu sempre tive esse pensamento, eu tenho uma escolha, então o que eu vou escolher? Eu vou escolher seguir outro caminho, totalmente diferente, então você falou para tirar Deus, esse é o pensamento de ser humano, de pessoa, de hoje eu sinto muito mais falta do meu pai, com 37 anos, do que quando eu tinha 10, 11, por quê? Eu não chorei quando meu pai morreu, eu estava tão revoltado quando ele morreu, depois eu fiz algumas vezes terapia, eu fiquei tão revoltado que no dia eu não chorei, tanto que assim, nesse negócio de memória seletiva, no dia que meu pai morreu eu não lembro quase nada, sumiu tudo, desapareceu, depois de um ano e meio, doios anos que aí veio aquele sentimento, eu não tenho meu pai mais, porque aí foi que eu chorei e tal, então foi muito forte isso, então a partir dessa divisão assim, da minha vida, antes da morte do meu pai e depois da morte do meu pai, falei eu não quero isso, eu quero viver uma vida diferente.

Luciano                Então é uma coisa interessante que você está colocando aí que é como é que é o modelo, como é que a gente pode ter um modelo de vida, que os americanos chamam de role model. Eu olho para alguém que é meu modelo e vou seguir essa pessoa, evidentemente na vida de uma criança o pai sempre tem uma presença muito grande, quer dizer, eu olho para o meu pai, para talvez seja o modelo daquilo que eu quero ser, mas pode ser também o modelo daquilo que eu não quero ser, eu acho que é fantástico, eu fico muito mais fascinado pelos modelos que mostram o que a gente não deve fazer do que o modelo que deve, que mostra aquilo que eu devo fazer, até porque eu não acredito muito nisso…

Ronny                  Meu pai tinha modelos impressionantes, por exemplo, meu pai, ele era alcoólatra mas nunca perdeu um dia de serviço, você não gosta dessa palavra serviço, não é? Nunca perdeu um dia de trabalho, quando o Lula ia para aporta da fábrica dele, ele dava um jeito e nunca fez greve, ele furava todos os piquetes, porque ele falava assim, eu só tenho esse emprego, se eu perder esse o Lula não vai me dar outro e a Ciça vai adorar, que meu pai era petista, mas daquele petista bravo mesmo…

Luciano                Por isso que bebia.

Ronny                  … essa foi boa, então, mas eu era, até o mensalão eu era petista também daqueles de colocar adesivo no carro e tudo, então meu pai tinha modelos assim. Por exemplo, meu pai construiu, morava em barraco, construiu a primeira casa ali do lado, pequena, depois construiu uma casa que é a casa que meu irmão mora hoje. Depois que meu pai morreu vários amigos dele foram levar dinheiro em casa, que ele tinha emprestado, a gente não pagou nenhuma conta que meu pai deixou, meu pai não deixou conta em lugar nenhum, não deixou dívida, não deixou nada, entendeu? Então…

Luciano                Teu pai era um grande homem?

Ronny                  … grande homem.

Luciano                O que aconteceu com ele?

Ronny                  Ele fez escolhas erradas.

Luciano                Não é muito simples isso?

Ronny                  Não sei…

Luciano                Escolhi errado, eu tenho julgamento, eu sei, será que isso é uma doença?

Ronny                  Eu acho que assim, uma das coisas que eu percebo no meu pai, ele era fraco de opinião em algumas coisas. Ele parou de beber algumas vezes e era muito mais forte do que ele, só que assim, por exemplo, no trabalho, ele era  focado, ele fazia bem o trabalho, ele ganhava prêmios no trabalho por…

Luciano                Ele não ia trabalhar de porre…

Ronny                  … no finalzinho ele ia, como ele tinha muitos amigos, eu nunca, olha eu já fui em velório de muita gente, já fui em velórios, faço muitos velórios que eu sou pastor, já fui em velórios de político, com muita gente, mas poucos velórios eu fui até hoje, com tanta gente que tinha no velório do meu pai, porque ele tinha muitos amigos e os amigos dos trabalho começaram a esconder ele bêbado no trabalho, ele estava perto ali de ser mandado embora e perder tudo o que tinha construído naquele tempo, então assim, eu acho que tem um pouco de doença, tem um pouco de espírito, não de coisa espiritual, mas da presença de espírito mesmo que ele foi perdendo a capacidade de discernir o que era certo e o que era errado.

Luciano                Ele desistiu em algum momento, talvez.

Ronny                  Ah desistiu, desistiu, eu acho que desistiu porque ele ficou sem beber um tempo e foi terrível, me lembro, como eu falei aquelas memórias seletivas, eu me lembro de um dia, ele trabalhava por horário, dois dias à noite, dois dias de manhã e tal e aconteceu que teve uma crise muito grande e as empresas reduziram a jornada de trabalho, ele trabalhava só seis horas por dia, então ele saía, por exemplo, segunda feira seis da manhã e voltava só quinta feira à meia noite. Esse período ele passava bebendo, bebendo muito, mas teve  esse período que ele não, não vou beber mais, então ele ficou quatro dias deitado, então hora ele pedia água, hora ele pedia coberta, hora ele pedia para tirar, hora pedia para levar o ventilador, bebia litros e litros de água e aquela desintoxicação, aquela coisa terrível e tal, a partir daquele período, ele ficou ali talvez uns dois, três meses sem beber, devagarzinho foi bebendo jurubeba, aí depois foi para Cavalinho, 3 Fazendas, 51, Velho Barreiro e aí foi tudo de novo. Foi terrível.

Luciano                Que história fantástica, mas é aquilo que eu estava te falando, então ficou aquela história do modelo que é o pai como modelo daquilo que eu não quero ser em algumas coisas, em outras coisas acho que…

Ronny                  Por exemplo, a criação dos filhos, eu fui criado o seguinte, eu não me lembro de comer de colher, por exemplo, na minha casa é garfo e faca, todo mundo sentado na mesa, antes de comer faz uma oração, ninguém comia assistindo televisão. Se eu falasse para o meu pai assim, vamos subir lá em cima, ele nem olhava para mim, o negócio tinha que falar o português correto, ele que me ensinou, eu e o meu irmão, a ler e escrever com cinco anos cada um, então essa parte da beleza da criação dos filhos, meu pai era muito intenso, então se ele estava bem, ele estava com a gente e ele estava mesmo, não era meio, ele estava mesmo. A gente chegava num lugar, Luciano, é muito engraçado isso, ia num lugar que ninguém nunca viu meu pai, ninguém nunca viu, passava dez minutos estava todo mundo em volta dele ouvindo as histórias dele contar.

Luciano                Era uma pessoa nutritiva.

Ronny                  Exatamente.

Luciano                E o outro lado era destrutivo.

Ronny                  Exatamente.

Luciano                Auto destrutivo assim.

Ronny                  Depois a gente encontrou bilhetes dele, coisas lindas escritas sabe, ele tinha aquela letra desenhada, aquela coisa bonita.

Luciano                Eu fico imaginando o seguinte, que quantos casos como esse do seu pai, existem por aí e que hoje a vida deve ter feito com que você, de repente, seja o cara que as pessoas procuram porque tem um problema igual àquele que você teve.

Ronny                  Eu costumo falar, não sei se… eu costumo falar o seguinte, que eu tenho, eu cheiro a álcool, porque se tem um lugar que tem dez pessoas, chega um bêbado, ele vem me abraçar, ele vem para perto de mim, ele vem conversar comigo. Quando eu ia para a faculdade, eu pegava trem ali de Mauá para Santo André, sempre tinha um bêbado que sentava do meu lado. Eu já fui em muitos lugares, eu trabalhava na favela em Mauá, sempre gostei de favela, ia muito  em favela, fiquei muito em favela, então a gente ia, tinha uma casa que eu ia pegava o cara, tirava de lá, levava para a casa de alguém, levava para a casa de um parente, entrava no bar, então sempre tem alguém com problema de  alcoolismo, hoje agora está aumentando muito a questão de drogas, há poucos dias uma mãe trouxe um filho para mim e eu fiquei muito impressionado. Ele falou pastor, eu estou na cocaína, estou no álcool e sempre aparece, sempre aparece,  então eu vou tentando ajudar de acordo com aquilo que eu tenho de  experiência e eu falo isso para eles, de experiência e também nos meios que vão podendo ajudar hoje em dia.

Luciano                Vamos lá, vamos explorar lá atrás um pouquinho mais. Então você, aos 14 anos volta daquela viagem que você fez…

Ronny                  A decisão foi na viagem.

Luciano                … toma a decisão de que você vai ser pastor, seu pai já tinha morrido…

Ronny                  Já tinha morrido.

Luciano                … você tinha só sua mãe e você chegou em casa e contou para a sua mãe, mãe decidi o que eu vou ser quando crescer,  eu vou ser pastor, qual foi a reação da sua mãe?

Ronny                  Minha mãe deu risada e ela fez de tudo para eu desistir.

Luciano                Pois é. Por quê?

Ronny                  Porque a vida de pastor é uma vida de muita abnegação.

Luciano                Ela sabia disso?

Ronny                  Ela sabia, ela tinha, tem porque ela convive nas igrejas  com pastores e tal e ela achava que pastor era uma vida sem futuro, que uma vida que não tinha… que eu ia sofrer muito, então nenhuma mãe quer que o filho sofra.

Luciano                Seus amigos, com quem você jogava bola, que era molecada que você circulava e que um queria ser astronauta, outro queria ser estrela do rock, outro queria ser jogador de futebol, um queria ser médico, engenheiro e você entra no meio e fala, vou ser pastor, como é que era o…

Ronny                  Sempre tinha alguma risada, ah pastorzinho, depois de muito tempo, assim de sempre quando eu falava que ia ser pastor tinha aquele negócio de pastorzinho, ó o pastorzinho chegou ai, quando alguém falava palavrão, alguma coisa assim, ó, não fala palavrão não que o pastorzinho está ai, não conta essa piada não que o pastorzinho está aí, mas eu entendia que eu tinha uma missão e eu ia ser pastor mesmo. Eu nunca projetei ser outra coisa que não ser pastor. Eu fui trabalhar, trabalhei na 25 de Março, trabalhei na Ultragaz, trabalhei, mas até terminar a faculdade. Dois anos antes de terminar a faculdade eu já não trabalhava mais em empresa, já trabalhava só para a igreja.

Luciano                É, eu tive alguns contatos com a igreja batista, eu fiz algumas palestras, foi muito interessante. Uma delas que eu fui fazer foi um evento grande da igreja batista, aqui em São Paulo, tinham lá 500 pessoas na plateia e a minha palestra é o jeitão que eu sou, sai palavrão, tem sacanagem, não tem nada de agressivo, mas tem coisas que é do dia a dia, estou falando e vou falar merda, vou falar bosta, aquela coisa toda e eu fui no pastor chefe que me chamou lá e falei, eu falo umas coisas, ele falou eu já te conheço, sei como é que é, pode ir na boa que… e foi fantástico, foi uma delícia e ali eu conheci alguns trabalhos interessantes e pude ver um determinado tipo de… eu não sei se é essa palavra, mas acho que ela cabe muito bem, de profissionalismo da igreja batista que eu não via em outras organizações, falei esses caras são sérios, esses caras estão fazendo um negócio ali com começo, meio  fim  notei que ali no meio batista tinha algumas cabeças muito pensantes, muito legais ali, uma delas é o Ed René Kivitz, com quem eu tive… escreveu no site, a gente bateu um papo, é brilhante, eu falei pô, tem coisas legais acontecendo aí…

Ronny                  A igreja batista da Água Branca, não é?

Luciano                … Água Branca, exatamente, tem coisas legais acontecendo aí, tem gente com cabeça e embora esteja se dedicando a um mundo que não é necessariamente o meu, só para você entender a minha… eu já falei isso no programa várias vezes, quer dizer, até os 18 anos eu ia à igreja, missa todo domingo, a dona Helena pegando no meu pé e eu indo na missa. Aos 18 anos eu paro, falo cara, não está batendo, essas coisas daquele senhor velhinho que fica dando ordem que me ama mas não quer que eu  me ferre, isso não está bom, não está certo isso aí, eu vou botar no armário  e um belo dia eu retomo essa história toda e então não vou dizer que eu  me desliguei, eu não frequentei mais a igreja a partir dos 18 anos, minha esposa também não e meus dois filhos também não. A gente fez o básico, quer dizer, eu batizei, fiz tudo certinho com eles e não optei por seguir nenhuma religião, até porque eu botei na minha cabeça  o seguinte, eu vou tratar religião que nem eu tratei jazz, quando eu era moleque era música popular brasileira, depois rock, jazz e música clássica e eu falei, eu comecei a gostar de jazz o dia que eu fiquei maduro para entender aquilo, música clássica a mesma coisa, o que é isso? Ópera então, agora eu estou abraçando a ópera, mas eu entendi que aquilo era um crescimento, o dia que eu falei eu estou maduro para entender do que se trata, eu passei a curtir aquilo e abracei e falei, acho que essa parte do espiritual vai ser a mesma coisa, vai chegar uma hora que eu vou falar cheguei num momento da minha vida em que esse é o caminho, respeito profundamente quem está envolvido, eu respeito o trabalho que fazem e fiz minhas escolhas, não fico fazendo chacota, não sou um ateu que mete a boca, eu consigo separar muito bem aquele que está explorando essa coisa do espiritual para ganhar vantagem, ganhar dinheiro dos outros, daqueles que escolheram nisso o caminho para a paz, para dar um conforto espiritual e tudo mais…

Ronny                  Ajudar o próximo.

Luciano                … ajudar o próximo e tudo mais. Então, só para a gente situar aqui, tem gente que me ouve que não sabe  muito bem e vai ter gente que vai estranhar quando eu falei para você no começo, tira Deus da jogada. Esse meu “tira Deus da jogada” é uma tentativa de dizer o seguinte, não assuma respostas fáceis, do tipo foi Deus que quis, foi graças a Deus, foi por Deus, eu não posso porque Deus não deixa, eu ganhei porque Deus me deu o UFC só ganhei a luta e moí o cara de porrada e ganhei o título porque foi Deus que me fez bater no outro.

Ronny                  Eu não uso, eu tenho até uma coisa assim, talvez as pessoas que vão ouvir vão perceber que eu não tenho uma coisa que é muito comum que é o evangeliquez, existe esse idioma, evangeliquez, todo é na graça, na bênção, na unção, não sei o que, o irmão, o varão, essa coisa, eu não uso esse tipo de coisa, mesmo porque eu estou em vários lugares, então vou em lugares que eu não posso me portar assim. Então, por exemplo, eu costumo falar na câmara municipal, então eu vou lá na câmara municipal, peço a tribuna livre, porque eu sou pastor e também porque eu sou eleitor, então tenho direito a usar a tribuna livre, então eu vou lá e dou uma palavra como pastor, uma palavra também de esperança, uma palavra de desafio, numa câmara municipal, por exemplo, era a primeira seção do ano, onde eu morava antes, na cidade de Buri, uma cidade pequena aqui do interior de São Paulo, eu fiquei cinco anos lá e na câmara eu falei assim, queridos vereadores, vocês vão assumir agora essa próxima legislatura então vamos fazer o seguinte? Não vendam a moral da nossa cidade, vai chegar alguém, senhor vereador, te oferecendo um carro para você aprovar determinado projeto, então não vendam a moral da nossa cidade, não se vendam, sigam firmes, então, essa é uma palavra que eu posso falar em qualquer lugar, independente se eu colocar Deus ou não na história.

Luciano                Até porque você, quando usa aí o evangeliquez, você alimenta uma série de preconceitos e isso é ruim.

Ronny                  Exatamente.

Luciano                Vamos ao business…

Ronny                  Business.

Luciano                … vamos falar de negócio, eu quero saber de  business. Você está a frente de uma igreja, é isso?

Ronny                  De uma igreja, eu sou…

Luciano                Como é que chama ali, é uma congregação? Como é isso?

Ronny                  … é uma igreja, é a primeira igreja batista de Cerquilho.

Luciano                Primeira igreja batista de Cerquilho, você é o…

Ronny                  Pastor presidente.

Luciano                … pastor presidente, tá. Você reporta para quem?

Ronny                  Ninguém.

Luciano                Quem é teu chefe?

Ronny                  Não tenho chefe.

Luciano                Quem é que… tem um tipo, um regional…

Ronny                  Não…

Luciano                … que vai lá…

Ronny                  … isso é interessante, a igreja batista não tem isso, não existe a igreja batista, existem as igrejas batistas, cada igreja batista é totalmente independente, ela tem o seu CNPJ, seu estatuto, a sua conta no banco, tudo isso, tudo certinho. Então a igreja batista funciona tudo através do voto, então cada membro tem direito a voz e voto, a não ser os menores de idade, não podem ser votados para diretoria porque envolve repartições públicas, mas tudo na igreja batista é através do voto.

Luciano                Quer dizer, você tem ali, evidentemente existe uma constituição, uma série de regras…

Ronny                  É um estatuto da igreja.

Luciano                … é o estatuto da igreja batista como um todo…

Ronny                  Não.

Luciano                … e você como um, eu estou tentando entender, é uma franquia?

Ronny                  Não, não é franquia.

Luciano                … não é uma franquia? O que você tem?

Ronny                  Vamos lá, vamos ver como é que começa uma igreja, vamos começar uma igreja do zero.

Luciano                Eu estou até pensando em fazer a igreja do pocotó do último dia.

Ronny                  … então vamos lá, vamos começar, vou ensinar para você como é que abre uma igreja batista. Vamos começar do começo: eu sou pastor da primeira igreja batista de Cerquilho, eu decido abrir uma igreja em Tietê, então eu começo a ir lá, fazer algumas reuniões numa casa, ou talvez num comércio, talvez numa escola, reúne algumas pessoas. Bom, já temos aqui 40 pessoas frequentando essa igreja, domingo a domingo, tal, precisamos alugar um salão, reúne ali as pessoas olha, a gente precisa de dois mil por mês, então essas pessoas tem capacidade, então a gente vai fazer isso, a igreja mãe, que é a primeira igreja batista de Cerquilho aluga esse salão no nome da igreja tal e começa a funcionar uma congregação. A gente chama de congregação, quando aquela igreja tem capacidade financeira de se manter sozinha. Então, já tem pessoas, capacidade financeira e capacidade de reprodução, ela também já pode formar uma outra igreja, então vai ser chamado um concílio de pastores que vai avaliar se o que eles estão aprendendo é realmente a doutrina batista e aí vai ser feita uma assembleia, aquela ata vai ser levada no cartório e junto com isso vai o estatuto que diz o que? Esse estatuto são como se fosse o contrato social da empresa, é tratado exatamente como contrato social, depois do novo código civil, foi preciso a gente fazer algumas adaptações para poder não constar no estatuto alguma coisa que fira a constituição, que atrapalhe o contato com as repartições públicas. Feito o estatuto, a igreja está legalizada, pode requerer o seu CNPJ e aí começa a igreja definitivamente, uma igreja batista não existe uma regional, não existe um chefe, eu não tenho que me reportar a ninguém, porém nem tudo são flores, porque no estatuto diz: o pastor, a maioria das igrejas batistas, o  pastor é o presidente, mas pode ter igreja que ele seja pastor e não seja o presidente, então o estatuto diz, enquanto a igreja tiver pastor, ele será o presidente. Aí vem uma frase que é cruel para ser pastor batista, até quando bem servir, então quer dizer o seguinte: Luciano, você é da minha igreja, você levanta numa assembleia regular, porque tem assembleias regulares, eu quero pedir uma conversa sobre o futuro do ministério do pastor Ronny aqui nesta igreja e aí está bom, aí vai ser convocada uma assembleia extraordinária com o prazo legal de trinta dias, olha eu acho que já acabou o tempo do pastor Ronny aqui, alguém apoia? Ah eu apoio, os favoráveis levantem a mão direita, levantou a mão, a maioria ganhou…

Luciano                Quem é esse povo que está sentado lá, são os fieis?

Ronny                  … são os membros da igreja…

Luciano                São os membros da igreja.

Ronny                  … os membros da igreja batista definem como e quando vai ter pastor e os rumos da igreja.

Luciano                Para eu ter voto nessa assembleia, eu tenho que pagar alguma coisa?

Ronny                  Não, não tem que pagar nada.

Luciano                Eu tenho que assinar um contrato, eu tenho que….

Ronny                  Não, tem que ser membro da igreja

Luciano                O que eu faço? Tem uma ficha de inscrição?

Ronny                  Existe algumas formas, por exemplo, se você não era de nenhuma igreja e você veio para a nossa igreja, você vai ser batizado, você é batizado, passa a ser membro da igreja. Se você veio de outra igreja, você traz uma carta de recomendação, então é assim, a minha igreja entra em contato com a sua e pede uma carta, olha essa pessoa estava aqui, era idônea, foi batizado, está tudo certinho com ele…

Luciano                Isso de batista para batista.

Ronny                  … de batista para batista. De outras igrejas não, não tem essa comunicação.

Luciano                Vai ter que ser batizado.

Ronny                  Algumas igrejas não são batizados.

Luciano                Sou umbandista.

Ronny                  Vai ser batizado.

Luciano                Vou ser batizado.

Ronny                  Vai ser batizado.

Luciano                Tá.

Ronny                  Até de outras igrejas, não só umbandista, por exemplo, se vier de uma igreja, é comum vir de outras igrejas, por exemplo, universal, a pessoa, eu tinha uma pessoa na nossa igreja lá em Mauá, que ela foi batizada oito vezes na igreja universal, tinha batismo ela ia lá e se batizava, mas o que acontece? Ela não sabia o que era o batismo, na nossa igreja, quando a pessoa quer, ela vem para a igreja, ela vai ter aulas, vai ter encontros comigo, ela vai entender o que é o batismo.

Luciano                Ela achava que o batismo era que nem banho, não dura…

Ronny                  É, mais ou menos…

Luciano                … tem que tomar todo dia se não não dura.

Ronny                  … então, mas tomou oito, aí o que acontece? Ela vem para a minha sala, que é a sala de novos membros, ela vai estudar comigo, puxa mas é isso que é o batismo? Eu não sabia, então agora eu quero ser batizada, porque agora eu sei o que é o batismo. Por isso a igreja batista não batiza criancinhas, só batiza pessoas que entendem porque o que está acontecendo, esse é o nosso… a minha filha tem 9 anos, eu batizei ela há pouco tempo, mas ela fez o curso e não sou eu que decido não, é tudo através do voto, na frente da igreja, as pessoas tem liberdade de perguntar para ela, por que você quer fazer isso? Porque eu entendo e ela explica tudo certinho, então tudo na igreja batista é através do voto.

Luciano                Vamos continuar no business, vamos ao business. Muito bem, você então, você está administrando uma igreja que deve ter ali, tem seus funcionários, tem a mulher da limpeza, tem o aluguel que tem que pagar etc. e tal, você tem um balancete para fechar no fim do mês e esse balancete é as entradas e saídas que estão ali na igreja, você não tem remessa de lucros para lugar nenhum?

Ronny                  Nenhum.

Luciano                Você não paga alguma coisa para a federação das igrejas batistas do Brasil?

Ronny                  Isso aí é assim, é uma colaboração voluntária…

Luciano                Que a igreja dá…

Ronny                  … que a igreja dá, nós somos divididos assim, associação, da qual eu sou presidente, que é regional, convenção batista do estado de São Paulo e convenção batista brasileira, então para a convenção batista do estado de São Paulo, o ideal seria 10% dos dízimos, para que a convenção possa abrir novas  igrejas, investir em outras coisas, então é só isso, mas não é obrigatório, não é obrigatório, é uma contribuição.

Luciano                Como é que você motiva, você não tem uma meta para cumprir lá?

Ronny                  Não tenho meta.

Luciano                Você não tem meta, quer dizer…

Ronny                  Eu tenho um orçamento que eu preciso chegar nele.

Luciano                Você tem que pagar as contas, mas meta você não tem, não cumpriu a meta não vão trocar o pastor nem vão fechar a igreja…

Ronny                  Não.

Luciano                Tem algumas que trabalham com metas, é um grande negócio.

Ronny                  Aí é quando é só negócio.

Luciano                Pois é, esse é o grande problema, quer dizer, você, esse é um ponto que eu queria tratar com você, você da mesma forma que o filho do bêbado sofre um baita bullyng quando ele entra num ambiente onde todo mundo aponta e fala esse é o filho do bêbado, o pastor está enfiado num ambiente que tem um monte de pastor, com P maiúsculo, com p minúsculo etc. e tal e o que aparece muito na mídia são as histórias que vem ai desse grande negócio, onde eu vou lá e arranco o que você não tem de dinheiro para tocar o meu próprio negócio, para comprar a minha emissora de televisão, para comprar o meu avião, minha fazenda, etc e tal. Fico milionário e dane-se o povo que está precisando lá, isso é uma exploração, chega a ser indigna. Mas e se é pastor também, eu vou dar um exemplo que acontece comigo, do palestrante, eu vou num evento tem três palestrantes, antes de mim entra um cara horroroso, faz uma palestra péssima, ruim e eu fico constrangido de ver aquilo lá, me dá vergonha alheia e aí quando chega a minha vez, sobre o apresentador e fala bom, agora vem o próximo palestrante e eu já subo com a marca do cara que saiu antes de mim, é o que deve acontecer com você, quer dizer eu sou o pastor…

Ronny                  O tempo inteiro.

Luciano                … opa… como é que é isso aí? Como é que vocês lidam com isso imaginando que não há um conselho dos pastores que reúna todos os tipos de pastores, que pode apontar o dedo e dizer você está fazendo a coisa errada, não, cada um toca o seu lado, como é que você lida com isso, com esse preconceito, com essa marca?

Ronny                  Não é uma coisa muito fácil, por exemplo, a primeira vez que eu fui comprar um carro, o primeiro carro que eu tive, que depois de ser casado, eu comprei o carro da igreja, a igreja tinha um carro, era um Fiat Uno 88, 4 mil reais e aí a gente fez um empréstimo, consegui comprar esse carro, na troca do carro, eu cheguei na loja nove horas da manhã, não sei se eu posso falar o nome da loja…

Luciano                Não precisa falar.

Ronny                  … mas eu cheguei na loja nove horas da manhã…

Luciano                Poder pode, mas não precisa.

Ronny                  … tá, até gostaria, mas não vou falar…

Luciano                Você que sabe.

Ronny                  … mas nove horas da manhã eu cheguei na loja, nome limpo, renda compatível, declaração de imposto de renda, tudo certinho, escolhi o carro, um Gol 2004, já era um avanço, quem tinha um Fiat 88 e aí eu falei, tudo certinho, fizemos lá, preenchi a papelada, tudo certo, nenhum problema, deu 10 horas, 11 horas, meio dia, fui almoçar num shopping perto, com a minha esposa, voltei, 3 da tarde a mulher falou assim, Ronny, é o seguinte, sem o fiador você não vai conseguir. Eu falei, mas por quê? Ela falou olha, eu vou falar a verdade para você, quando eu coloco aqui ”pastor”, não aprova. Na hora eu quis brigar, eu falei não, mas se eu tenho o nome limpo, não tem motivo, isso é preconceito, eu liguei para um amigo, que na época era o tesoureiro da minha igreja e aí ele foi até lá e aí ele assinou e eu pude comprar o carro. Então, isso acontece toda hora. O que eu decidi é o seguinte, eu vou ser o Ronny, eu vou fazer o meu trabalho, eu vou ser eu e eu vou esperar que as coisas aconteçam dessa forma, se tem… eu não fico falando mal de igreja tal, igreja tal, eu não fico falando mal de ninguém, eu vou fazer o meu trabalho, eu vou numa escola dar palestra, eu me apresentou, sou o pastor Ronny, tal, tal tal, eu vou fazer o meu trabalho e vou deixar que as pessoas julguem.

Luciano                Isso é um negócio muito louco, porque o teu trabalho… eu acho que o maior fundamento do teu trabalho é confiança…

Ronny                  Exatamente.

Luciano                … as pessoas…

Ronny                  É só confiança.

Luciano                … as pessoas tem que confiar.

Ronny                  Tem que confiar.

Luciano                E você lida com pessoas que não confiam, esse exemplo que você acabou de dar, eu não vou confiar em você, não vou te vender o carro, então aquilo que é tua alma, que é tua matéria prima principal, aquilo que é tua alma, é aquilo que você encontra como contestação lá fora, quer dizer, eu não confio em você, não quero te ver, não quero fazer negócio, não quero conversar com você e é muito louco, porque…

Ronny                  É o tempo inteiro assim, por exemplo, roubaram esse Gol, roubaram, esse Gol deixei na porta da casa da minha mãe, roubaram. Tinha seguro graças a Deus e aí eu cheguei na delegacia sete horas da manhã, tinha uma senhora lá na delegacia, você sabe como é que é, uma boa vontade, passou longe, nome, Ronny Clayton D’Ajuda. Profissão? Pastor. Ela olhou assim para mim, pastor não é profissão. Você não faz mais nada? Eu falei não, é que eu sou pastor, esse é o meu trabalho. Mas pastor não é profissão e continuou fazendo o cadastro e daqui a pouco ela falou, terminou, ela falou, mas o seguinte, vamos ter que achar uma profissãozinha aí, tem que achar uma profissãozinha, porque pastor não posso colocar, ou seja, qualquer profissãozinha, a visão dela, era melhor do que ser pastor, eu falei olha, algumas vezes, por exemplo, eu sou tratado no INSS como autônomo, não tem padre, pastor não tem um código dessa profissão, então a gente usa autônomo, eu falei então você tem que colocar autônomo, porque eu já estava com o carro roubado, já estava desesperado…

Luciano                Você tem um salário?

Ronny                  … tenho salário…

Luciano                Você tem uma carteira assinada de igreja?

Ronny                  Não, não existe, pastor não pode ter carteira assinada.

Luciano                Tá, você está como autônomo então, a igreja te paga como autônomo.

Ronny                  Como autônomo.

Luciano                É isso?

Ronny                  … é…

Luciano                … aquele recebi de autônomo e tal que você faz. Você vai se aposentar pelo INSS?

Ronny                  Pelo INSS.

Luciano                Não tem um plano de previdência da igreja, nada disso?

Ronny                  Da igreja não tem, eu pago por fora.

Luciano                Você faz o teu por fora.

Ronny                  Eu tenho um seguro de vida e um plano de previdência. Isso é muito difícil, Luciano, porque essa é a visão que a gente tem hoje, mas a gente tem muitos pastores que trabalharam dedicaram muito, que estão em asilos hoje porque não tem nem casa.

Luciano                Eu trouxe aqui na primeira temporada do LíderCast um padre, você deve ter ouvido…

Ronny                  Eu ouvi, gostei bastante.

Luciano                … foi muito legal e a coisa que mais me marcou ali que eu nunca mais vou me esquecer, que quando eu perguntei para ele como é que vai ser lá na frente e ele me falou, eu vou para uma casa de retiro de padres velhos, eu como assim? Você não vai para a tua família? Que família?

Ronny                  Não tem família.

Luciano                Porque eu não formei família, não me casei, eu não tenho filho, não tenho família eu vou lá e lá termina a vida de um padre. Fazendo o que? Rezando junto com os outros velhinhos que estão ali também. E aquilo botou diante de mim uma coisa, cara, estou falando com um moleque de 30 anos, que tem como perspectiva daqui a 50 anos ir parar num asilo de padre. Pastor é um pouco diferente porque você vai ter família, você é casado…

Ronny                  Muito bem casado.

Luciano                … você tem filhos e o dia que você precisar sair de lá a tua família está lá junto com você, é claro, todo mundo vai sofrer igual mas você não sai de lá para um asilo, você sai para o seio da tua família e se quiser fazer alguma coisa na vida vai ser, vai ser pedreiro, vai ser escritor, vai ser palestrante, vai ser palhaço, sei lá o que você vai resolver, então tem uma diferença muito grande, mas de qualquer forma fica aquela perspectiva de que no conceito da igreja católica há uma grande organização por trás definindo isso, aquilo tudo, não essa independência que você colocou da igreja batista…

Ronny                  É, isso é que é uma coisa difícil assim. Agora a gente está criando, nós tivemos até um… alguns casos muito difíceis assim, Luciano, porque nós estamos aí há dois anos pastores que se suicidaram, algo muito difícil para a gente e aí surgiu agora, porque é hábito nosso só fechar a porta quando o ladrão entra, então está surgindo vários movimentos de como a gente vai cuidar dos pastores, porque um pastor morreu, e aí? Em Boituva, do lado da minha igreja, por exemplo, o pastor morreu, ele não tinha nada, não tinha casa e agora? E a viúva? Então juntou, isso foi bonito, juntou duas igrejas e construíram uma casa para a viúva, isso foi muito bom, mas e igreja que não pode? Então está surgindo aí um movimento e a gente está tentando se mobilizar para daqui 30, 40 anos,  a gente tenha condição de acolher esses pastores, porque também assim, o pastor mora, muitos pastores moram em casa pastoral, que a igreja cede a casa  para o pastor, ele fica ali 20, 30 anos, depois também não administrou também para ter uma casa dele então como é que a gente vai fazer isso, onde é que a gente vai colocar ele, pode ter família mas também pode ter… não ter pensado nisso, então hoje os pastores mais novos e os mais experientes também estão tentando criar mecanismos que possa ajudar esse pastor no futuro…

Luciano                Que é a única forma de você conseguir alguma forma é juntando essas forças todas.

Ronny                  Exatamente. Graças a Deus eu não vou, graças a Deus, você falou para tirar Deus da história… mas assim, meu pai trabalhava na Phillips, pelo esforço do meu pai a gente tinha uma casa, minha mãe ficou bem tranquila na vida nesse ponto, minha mãe comprou um apartamento, então o que ela fez, então para ninguém brigar, são dois filhos, você fica com a casa, você fica com o apartamento, acabou e faz o que quiser, então esse apartamento está lá no Espírito Santo, está lá alugado, fica lá e um dia se eu precisar eu tenho para onde ir.

Luciano                Interessante isso. Dá para a gente ficar aqui horas e horas falando desse business porque isso é interessante. Você vê, eu faço o programa mais voltado para o mundo dos negócio e no fundo você tem que tratar aquilo como um negócio senão, não sobrevive, embora o teu resultado final, que é aquilo a primeira pergunta que e fiz para você: para quem você reporta? Para ninguém. Como é que você mede…

Ronny                  Esse “para ninguém”, espera um pouquinho, deixa eu só falar, sempre tem os membros.

Luciano                … claro, não, mas é o seguinte, numa escala de hierarquia, tem o bispo, tem o arcebispo…

Ronny                  Não tem.

Luciano                … e eu ia, a segunda pergunta é a seguinte, e como é que você reporta o sucesso ou não do teu negócio, quer dizer, você não conta o dinheiro no banco para saber se deu lucro, esse mês temos tanto lucro, não é retorno do investimento, como é que você contabiliza os sucesso do teu negócio, é pelo número de almas salvas, como é que se contabiliza isso?

Ronny                  Várias coisas, então assim, por exemplo, o que é um ministério que está frutífero? Então são várias coisas, quando eu cheguei na minha igreja, por exemplo, era uma igreja que estava desacreditada na cidade, era uma igreja que tinha passado por um problema muito sério com o antigo pastor, já tinha um templo construído há mais ou menos aí 10 anos, nunca tinha sido pintado, nem por dentro e nem por fora, bancos de mais de 20 anos, aqueles bancos de madeira, complicado, tudo muito difícil de fazer, então eu cheguei com a visão de fora, eu falei irmãos, precisamos arrecadar tanto nesse próximo mês para poder pintar aqui, dar um jeito. Colocamos uma meta, então a meta é essa, pintar por dentro, em um mês conseguimos pintar por dentro. Eu cheguei  em abril, em agosto a igreja tinha um forro feito de um feltro, era um tecido, cada vez que eu entrava na igreja, falava meu Deus, isso aqui um dia vai pegar fogo, eu vou estar aqui e tal, aí eu cheguei na igreja falei irmãos o seguinte, são 12 mil reais, precisamos comprar um forro, aquele forro de isopor, anti-chamas e tal. Pastor, mas não tem como, não dá, a gente é pouca gente eu falei não, vai dar, parcelamos e tal, conseguimos colocar esse forro, custou 12 mil reais, com esses 12 mil a gente fez um pequeno escritório para mim, que não tinha escritório a igreja, eu gosto de trabalhar na igreja, passado um tempo eu recebi um pintor lá na igreja para pintar por fora e aí ele falou, cobro 7 mil reais, falei não tenho esse dinheiro, estava numa lanchonete um dia, a serindipidade…

Luciano                Serendipidade.

Ronny                  … serendipidade, o rapaz bateu no meu ombro e falou, você é o pastor Ronny? Falei sou, é o seguinte, eu vou pintar a sua igreja. Falei como assim? Não, eu sou pintor e o senhor compra a tinta que eu vou pintar a sua igreja de graça, porque eu sou pintor, pode perguntar para fulano lá, eu fui perguntar, o cara é pintor, muito bom pintor, eu cheguei na  igreja e falei irmãos, precisamos de tinta e  foi bem interessante, eu comprei uma tinta um pouco menos assim, não era uma Suvinil, não era uma tinta assim, ele falou pastor, faz 10 anos que não pinta essa igreja, nunca foi pintada, vai por uma tinta dessa? Vai queimar o seu filme, aí eu pensei bem, mas não tinha dinheiro, voltei na loja, eu comprei 6 latas, voltei, troquei por 2 Suvinil, mandei o cara pintar, cheguei na igreja irmãos, o negócio é o seguinte, não dá  para pintar com tinta porcaria, vamos pintar com tinta boa, foram quinze latas de tinta Suvinil, de onde veio o dinheiro? Da motivação das pessoas verem que estava lá, então eu não fico medindo o meu sucesso, mas eu vou colocando metas, então precisamos comprar as cadeiras, são 200 cadeiras, o meu templo é um templo grande, 27 metros por 15, é um templo grande, precisamos compara cadeiras, falei vamos comprar 100 cadeiras, levantou uma irmã, já motivada pelas coisas que vinham acontecendo, falou assim, pastor, mas por que comprar 100? Vamos comprar 200, falei é irmã, realmente, vamos comprar 200, aí lançamos o desafio, então veio motivação, com isso um templo mais arrumado, com departamento infantil mais arrumado, que a minha esposa que toma conta, com um lugar mais aprazível lá fora, colocamos flores no muro, isso faz com que mais pessoas venham, as pessoas vêm e aí a coisa vai acontecendo.

Luciano                Quer dizer, essa é uma medida que é o crescimento, você falou frutífera, frutífera, vamos ampliando, vão chegando mais membros e…

Ronny                  Mais membros e a igreja vai avançando, eu também tenho assim, eu entendo que o meu trabalho não é só na igreja, eu sou pastor da cidade, então eu dou palestra na escola, agora nós fizemos um coral, foi muito legal, fizemos um coral de natal, fomos nas escolas apresentar um coral, então a gente está indo em todos os lugares, então o pessoal me vê na escola, me vê no conselho de educação, me vê na prefeitura, me vê na câmara municipal…

Luciano                Querem ver o que esse cara está fazendo.

Ronny                  … então, espera aí, tem alguma coisa…

Luciano                Chegar perto dele.

Ronny                  … então tem alguma coisa acontecendo, vê o meu Facebook, então… constantemente eu recebo mensagens, pastor tudo bem? Quero ir na sua igreja, como é que é? E tal, então as coisas vão acontecendo.

Luciano                É um marketing interessante esse teu aí, que é o marketing da, como é que eu vou dizer, não tem propaganda envolvida nessa história, não tem publicidade, não tem propaganda, tem o teu tête a tête e aí é o que a gente chama de under vertising, sabe, é eu lá arregaçar a manga e…

Ronny                  Só que aí eu vou criando. Eu desenvolvi o seguinte, eu vou criando oportunidades, então eu penso muito em oportunidades, você fez alguns programas sobre isso, então eu crio oportunidade. Eu vi uma revista regional num balcão, eu olhei para a revista falei meu, um dia eu queria escrever um artigo nessa revista aí, chama “Evidência”, peguei a revista, é muito bem feita, Luciano, muito bem feita, material de primeira, muito distribuída, muito legal, é distribuição gratuita, cada um paga lá a sua propaganda, mandei um e-mail, falei olha, eu faço viagens para a África tal, queria saber se você podiam fazer uma notinha aí? Ela ligou na secretaria de educação e eu vou muito na secretaria da educação, sou parceiro deles de verdade, faço muita coisa com eles, falou justamente com a Ângela, que é uma pessoa que virou minha parceira mesmo, não, pastor Ronny? Pode fazer tranquilo. Pediram material, eu mandei, mandei material para, sei lá, meia página, a moça ligou e falou pastor, nós vamos te dar uma página, aí mandei material, foto, texto e tal, daqui a pouco ela mandou, nós vamos te dar duas páginas, então ganhei duas páginas de uma revista regional que muita gente viu, a cidade inteira viu, foi comentado, então você vai criando oportunidades.

Luciano                Isso assim. E aí, vamos entrar na África?

Ronny                  Vamos na África.

Luciano                Muito bem, eu vou fazer a pergunta com a característica que eu tenho aqui que é muito transparente, Ronny, o Brasil fodido e tu vai gastar tempo na África? Tu vai gastar energia na África? Tu vai lá na África quando o Brasil está fodido, me conta essa história.

Ronny                  Então é assim, tem um pastor, o nome dele é Fabiano, Fabiano Araújo, ele está hoje em Botsuana e ele falou olha, eu vou fazer uma viagem para a África em novembro de 2010 e eu falei, bom eu não tenho dinheiro para ir, mas você quer ir? Coloca aí como objetivo e vai. Eu falei então está bom. Cheguei para a minha igreja, minha igreja também não tinha dinheiro, igreja pequena e aí falou bom, vamos lá, se for para ir, os recursos vão aparecer, eu comecei a falar para os amigos, falei olha, quero ir para a África, vai ter uma missão lá, eu sou palhaço, quero fazer trabalho com as crianças, dar palestra para adolescentes, palestra no seminário e tal e aí foi aparecendo e consegui os primeiros cinco mil reais e fui para Moçambique, chegando lá, Luciano, é uma pancada, não sei se você já foi na África alguma vez?

Luciano                Eu estive na África, mas não tão profundamente como eu gostaria de ter ido.

Ronny                  Eu vou sempre para Moçambique, é uma pancada, um soco na boca do estômago porque o que a rede globo mostra, o que as televisões mostram sobre a África, quando eu cheguei lá eu vi outra coisa, tem muita miséria realmente, Moçambique é um dos dez países com menor índice de desenvolvimento humano, está ali entre o quarto, o terceiro, mais ou menos, mas só que eu via algo que eu não via, uma alegria impressionante, o povo contagiante, o pessoal te toca, conversa, te abraça, toda hora canta, dança, tem um projeto que eu visito lá que é visitando doentes de AIDS, você chega na casa da  pessoa, ela vai pegar o banquinho,  o único banquinho que ela tem, ela coloca para você sentar e ela vai sentar no chão, porque ela só tem aquele banquinho e ela te trata com tanto carinho… Então eu fui ver coisas que eu não via em lugar nenhum, aquilo me fascinou e eu fiquei impressionado com tudo aquilo, tinha algumas coisas que eu vou com a câmera para tirar foto e aí eu desisto porque eu falo não, se alguém quer ver isso vai ter que vir aqui porque eu não vou mostrar para ninguém e aí foi criando esse desejo, então eu fiquei lá vinte dias, o meu grupo se dividiu, meu grupo ia para a África do Sul e aconteceu um problema na África do Sul, uma pessoa nossa lá teve três aneurismas, foi uma coisa impressionante, mas ela está viva hoje e voltou para Botsuana e aí o grupo falou o seguinte, nós iríamos para a África do Sul e agora não vai dar mais, está um problema vamos lá, vamos fazer outras coisas, aí eu tomei a decisão, não, eu vou ficar aqui em Moçambique sozinho e vou ficar aqui e aí meu grupo foi embora e eu fiquei lá em Moçambique mais dez dias e aí foi maravilhoso, que eu fui dormir na aldeia, que meu grupo não queria dormir na aldeia, porque é pancada, fui dormir na aldeia, sem energia, sem água encanada, sem esgoto, sem banheiro, sem nada.

Luciano                Falando que idioma?

Ronny                  Moçambique fala português, só que fala um dialeto que chama “chisena”, então sempre tem alguém que fala português que pode traduzir, então fui dormir na aldeia, eu fui visitar os doentes de AIDS, eu fui no hospital, então eu fui fazer o que o meu grupo não quis fazer, quando eu voltei eu entendi muito bem uma coisa, eu posso até mandar um dinheiro para lá, eu posso mandar recurso, mas eu não vou mandar eu, porque a minha presença é que faz a diferença. Eu cheguei num lugar, numa aldeia, me apresentei para o líder, o líder da igreja lá e  eu falei olha, eu sou palhaço, eu quero fazer um trabalho com as crianças, ele ligou para a minha chefe, falou viu, o pastor chegou aqui e ele falou que é palhaço, o que é palhaço? Ele não sabia o que era, não é trabalho com as crianças, é pintura, falou assim, pintura, aí eu me pintei e tal, ele tem seis filhos, eu saí com os filhos dele, andando pela aldeia, saí com seis, quando eu cheguei no lugar tinha duzentas crianças, então é inexplicável esse sentimento de você estar ali, poder ver aquelas crianças eu marquei a vida daquelas crianças. Quando elas estiverem adultas, elas vão saber que foi ali um palhaço que falou coisas para elas, que conversou com elas, que entregou uma bala, é comum a gente entregar um pirulito e eles não saber o que fazem com o pirulito, teve um que pegou o pirulito, a gente pediu para jogar o lixo no saco, eles jogaram o pirulito fora porque eles não sabiam o que era, acharam que era para brincar, então eu fui motivado. Então eu voltei em 2012, voltei em 2015 e agora em 2016, em março eu vou embarcar com dez pessoas, que também foram motivados pelo meu trabalho.

Luciano                Ronny, eu quero falar de motivação com você, quanto disso é por eles que estão lá, quanto disso é por você?

Ronny                  É difícil de falar, é difícil de falar, eu cada vez que eu vou, eu volto mudado, transformado por alguma coisa que eu vi além, da última vez agora eu fui num velório e um velório na África é um negócio absurdo e eu volto transformado, quando eu estou aqui, eu penso que eu vou para lá, eu penso que eu  vou porque eu quero ir, porque eu gosto de ir e tal, quando eu estou lá e eu abraço tudo aquilo, eu percebo que eu estou fazendo pouco ainda, que eu poderia fazer mais, então talvez 50% de cada um. Porque eu não tenho benefício nenhum, eu não ganho nada para ir, eu não ganho nada de ninguém, eu não volto com dinheiro, porque com quem vai me buscar no aeroporto tem que levar dinheiro para pagar o estacionamento porque eu volto sem nenhum dólar, sem nada, zerado, todo dinheiro arrecadado é usado na viagem para abençoar as pessoas lá e tal, eu não volto com nada, não tem nenhum benefício.

Luciano                Por que não fazer isso no interior do Maranhão?

Ronny                  Porque tem bastante gente fazendo, tem bastante gente fazendo, então eu converso com as pessoas e falam, ah pastor que legal, você vai para a África e tal, que bom a sua coragem. Eu falo não, não é coragem, você também pode ir. Ah não, eu não. Porque o preconceito, Luciano, é muito grande, eu levei uma enfermeira, na segunda viagem eu levei uma enfermeira, médicos falaram para ela não vai, porque você vai pegar uma doença brava. O pessoal fala isso, então aqui no Brasil, eu não consigo mensurar muito, a gente tem aí o Bolsa Família, tem tantas coisas, é bem possível, em São Paulo, vamos pegar um exemplo prático, São Paulo tem média de 2,5, 2,7 médicos por 1000 habitantes, Moçambique tem um médico, clínico geral para 30000 habitantes, é possível que uma pessoa cresça, nasça, morra sem ter visto um médico, médico de verdade atender a ela, então eu vou fazendo coisas. Aqui no Brasil tem muitas possibilidades e lá não tem mesmo.

Luciano                Pois é, eu tenho na minha palestra do Everest eu falo isso, tem um momento que eu comento lá da… a região que eu estive e tudo mais e que eu voltei para o Brasil era abril de 2001e eu chego no Brasil em plena campanha eleitoral e a primeira campanha que o Lula ganhou onde o mote da campanha é que o Brasil era um país de 40 milhões de miseráveis e eu falei, cada pessoa que chegava perto de mim aqui e dizia que o Brasil era um país de miseráveis eu dava risada, porque eu estava acabando de chegar de um lugar…

Ronny                  Que é miserável.

Luciano                … que eu falo o seguinte, você quer ver a miséria, vai ver onde eu fui, porque lá a miséria é o seguinte, é miséria com 15 abaixo de 0 com pedra e gelo, plantando nada dá, não tem horizonte, é tudo para cima, não tem nada na horizontal, é para cima e para baixo, na pedra, não tem carro, não tem roda, é nas costas das pessoas, nas costas do iaque, a pessoa usa a bosta do iaque para acender o fogareiro, eu falei aquilo é um nível de miséria tão brutal que quando a gente volta para o Brasil a gente volta mudado, ou seja, quem vai para um lugar que você foi, o lugar que eu fui, volta para cá e olha para o Brasil e fala, esse país aqui tem que ser abençoado…

Ronny                  Quando eu vou nas escolas, eu falo isso, eu costumo falar isso que eu sou muito abençoado, porque, por exemplo, esse sapato que eu uso, por exemplo, aqui que eu estou usando, é um sapato que custou o valor de alimentar uma família dois meses em Moçambique, entendeu? Então é pobreza mesmo e aqui a gente tem um… eu vejo as pessoas falando ah teve que andar 20 quilômetros para encontrar um hospital, mas lá não tem, entendeu? Não tem, então o país desenvolveu muito desde a primeira viagem, desenvolveu muito, está surgindo uma classe média, porque vai surgindo classe média tal, aumentou muito o número de carros, porque vem carros do Japão principalmente, porque no Japão, quanto mais velho o carro, mais imposto, então o cara tem que trocar de carro, desemboca tudo na África e eles compram pelo site, entra no site, compra o carro, vem pelo navio e eles pegam lá em Moçambique…

Luciano                Interessante.

Ronny                  … é muito interessante porque eles compram carro que custaria 100 reais no Brasil, por 5 mil dólares, então não tem, não tem de onde tirar aquilo, entendeu? Então muita gente me pergunta isso, por que não fazer no Brasil? Porque já tem gente fazendo aqui, tem muita gente, as condições são diferentes, entendeu? Então eu vou para lá e vou continuar indo enquanto eu puder.

Luciano                Muito legal esse trabalho. Se alguém estiver interessado em conhecer isso?

Ronny                  Então, pode acessar o meu Facebook, é Pastor Ronny Clayton, está lá, junto com pastor Ronny Clayton…

Luciano                Como é que escreve o Ronny Clayton?

Ronny                  É bem complicadinho, vamos lá Ronny Clayton é R O dois N’s Y, aí o outro nome é Clayton, C L A Y T O N.

Luciano                Tem dois Y.

Ronny                  Fizeram uma pesquisa, quando mais Y o nome mais pobre, então no meu caso tem dois, então e lá em Moçambique é fantástico, quando eu chego lá é fantástico, maravilhoso.

Luciano                Escuta isso aqui: eu vou soltar aqui o trechinho do Postmodern Jukebox, o palhaço tocando…

Ronny                  Ah o palhaço é legal, legal.

Luciano                Você está ouvindo Postmodern Jukebox e aqui tem um personagem cantando, que é o Puddles, que é um palhaço, isso aqui em 2015, eu descobri essa banda e apresentei num podcast para a turma e os vídeos deles são fantásticos e esse vídeo dessa música aqui em particular, eu fiquei enlouquecido com ele porque quando eu vi a figura do palhaço eu não acreditei naquilo, um cara com quase dois metros de altura e que canta com uma voz maravilhosa, que tem toda uma…

Ronny                  Uns trejeitos…

Luciano   … uma teatralidade que é um negócio fabuloso ali, não dá para tirar o olho dali.

Ronny                  E cantando a música da Lord.

Luciano                … cantando a música da Lord, desse jeito que você está ouvindo aqui. Bom e aí tem uma surpresa, um belo dia você pega e me manda uma foto, conta a história.

Ronny                  É porque quando eu vi a primeira vez essa imagem, eu sempre faço as minhas roupas, minha mãe faz, alguém faz para mim e eu precisava trocar de roupa do palhaço Presuntinho, tem o Facebook também, Presuntinho, o Palhaço Missionário e eu precisava mudar de roupa, quando eu vi esse palhaço eu falei é isso, porque tem o branco, que é muito branco e aí eu falei, o preto não vai ficar legal com a criança, precisa uma cor mais viva, então eu troquei esse preto pelo vermelho e ficou a roupa igual, achei uma costureira…

Luciano                E aí o cara me manda uma foto dele vestido com a roupa do Puddles e fazendo o palhaço…

Ronny                  … Presuntinho.

Luciano                … o Palhaço Presuntinho. O que é essa história do palhaço, você escolheu fazer?

Ronny                  Então, é assim eu ouvi uma vez um pastor falando na igreja sobre ideologias e ele usou uma fantasia e no final ele tirava a fantasia e aquilo mexeu comigo ali de alguma forma, eu devia ter uns 18, 19 anos e um dia eu fui fazer um evento para adolescentes, eu nunca fui palhaço de criança, eu era palhaço de adulto, que é o clown e aí eu corri na 25 de Março, comprei uma roupa que a noite, a tarde, ali finzinho da tarde eu ia fazer apresentação final para fechar um grande evento de adolescentes, tinha lá uns 300 adolescentes e aí eu comprei essa roupa e fui lá e fiz o trabalho, foi fantástico e tal, a partir dali eu comecei, aí fui para orfanato, fui fazer trabalho com adolescentes e tal, com adultos, o cara me chama para falar numa igreja e eu levo o Presuntinho na mala, só que eu não aviso nada, eu levo ele na mala, maquiagem, a roupa, viso ali, fico na minha, quando chega na hora eu falo assim olha, vamos fazer o seguinte, eu vou dar uma saída ali, aí eu acerto com o pessoal da música, o cara começa a tocar uma música muito animada e eu entro por dentro da igreja já de palhaço, às vezes nem o pastor sabia que eu ia entrar de palhaço, então eu comecei a fazer isso, quando eu fui para a África então, aí ganhou mais volume porque eles não veem muitos palhaços lá.

Luciano                Especialmente todo vestido de branco…

Ronny                  Todo vestido de branco agora. Tem fotos lindas assim todo vestido de branco, eu vou em várias escolas lá, então 200, 300 crianças em volta…

Luciano                Você fica curioso aqui, a gente vai publicar essas fotos no roteiro desse programa.

Ronny                  Vai ser muito bom. E aí o Presuntinho ganhou essa nova roupa e agora vai ficar bastante tempo porque é uma roupa que fez muito sucesso.

Luciano                Então Ronny, botar uma roupa de palhaço não faz de você um palhaço…

Ronny                  Não faz.

Luciano                … tem que ter um roteiro, tem que ter um texto, tem que ter um conteúdo, não consigo ver um palhaço pregando o evangelho, não orna né? Tem que ter uma graça, tem que ter alguma coisa conectada ali para você fazer funcionar, como é que você faz isso? De onde vem esse conteúdo para o palhaço, como é que você traduz essa tua questão da espiritualidade porque você bota o palhaço pregador, como é que você falou, o palhaço?…

Ronny                  Missionário.

Luciano                … o palhaço missionário.

Ronny                  É porque eu vestido de palhaço, não sei se você já se vestiu de palhaço, talvez numa palestra você possa pensar em se vestir de palhaço, quando você coloca a roupa, eu coloco a peruca e infelizmente eu ainda não achei um óculos, porque eu tenho que estar de óculos, quando eu coloco o óculos por cima da maquiagem que eu faço, coloco a peruca e tal, tem uma transformação interna, é muito forte, então quando eu me vejo de palhaço, meu semblante muda, a caricatura, o jeito de se mexer, tudo muda, então o que acontece? De palhaço eu posso falar coisas que de pastor eu não posso falar, entendeu? Então por exemplo, tem uma das palestras de palhaço que eu faço, eu falo assim, viu escuta aqui, você veio, vou tentar incorporar um pouco, você veio aqui por livre e espontânea vontade, ninguém mandou você vir aqui e agora a gente está falando, o seu pastor fala alguma coisa, todo mundo fala, você lê a bíblia e não faz o que você mesmo se propôs a fazer e eu é que sou o palhaço? Então, de palhaço eu posso falar isso, com a cara limpa eu não posso chamar ninguém de palhaço, entendeu? Então eu vou fazendo esse contraponto de que se você assumir um compromisso com Deus, com a sua igreja, com a sua família e você não cumpre o seu compromisso, você está fazendo da sua vida uma palhaçada e o que é realidade. Quando eu vou para os adolescentes, eu falo assim viu, você acha que é legal quando a sua professora manda você fazer uma coisa e você não faz, quando você cola na prova? Eles dão risada. Quando você cola na prova, quem está sendo o palhaço? Você ou a professora? Então eu vou tentando colocar essa questão do palhaço e dividindo.

Luciano                O Ronny tem alguns estudos aí que mostram que tem havido uma debandada de jovens das igrejas em geral e não é difícil você chegar nas igrejas e na hora do culto, na hora da missa, eu não sei, realmente eu não frequento para saber, a católica eu ainda vou até por os casamentos e tudo mais, eu vou lá e a gente vê que tem uma moçada lá com os cabelinhos branquinhos, outro dia eu estava lá, eu fui num evento que foi a comemoração de bodas de ouro do meu pai e da minha mãe e eles estavam lá e aí estava todo o pessoal da igreja ajudando em volta lá e era tudo umas senhorinhas de 70, 80 anos e eu estava lá do lado, não lembro quem estava comigo eu falei cara, como é que vai ser a reposição dessa mulherada, porque elas já estão lá no bico do corvo, começa a morrer e eu não estou vendo uma moçada atrás para vir e fazer essa reposição e há alguns estudos que mostram que as igrejas em geral tem perdido a juventude, perde a mão da juventude e não está perdendo porque está perdendo para outra coisa, está perdendo porque há um desinteresse, essa moçada desinteressou e acaba que não vai. Você tem sentido isso, tem um trabalho para capturar essa molecada, como é que vocês tem visto isso?

Ronny                  E muito, tem acontecido muito isso, tem em muitos lugares, muitas igrejas, eu fui pastor de uma igreja, igreja batista em Buri, quando eu cheguei lá, 50% tinha a idade de ser meus avós e um outro tanto idade de ser meus pais, então começamos a fazer um trabalho com a juventude, com adolescentes, com crianças e não tem outro jeito, tem que começar a mostrar que a igreja não é aquilo que foi vendido há 20, 30 anos, porque  era tudo proibido, eu sou de um tempo em que não podia ter bateria na igreja, porque bateria era coisa do diabo, um pastor amigo meu comprou uma bateria e aí deixou lá, ninguém tocava e aí…

Luciano                Naquele tempo era “os crente”.

Ronny                  É, “os crente”, os bíblia, os crente. Aí ele comprou uma bateria e deixou lá e o cara levou uma eletrônica para ir começando a acostumar o ouvido das pessoas, começou a tocar a bateria eletrônica, um irmão chegou, aquele velhinho falou assim, pastor eu não vi o demônio, mas eu ouvi, porque ele não viu a bateria, então era o demônio, então hoje, por exemplo, eu não tenho essa linguagem, o evangeliquês, a minha feição, o meu jeito de falar não é também dessa maneira, inclusive eu tenho uma tia que me ouviu pregar a primeira vez, falou que eu tinha mais jeito de pentecostal do que de batista, falar baixinho, aquela coisa toda então vou fazendo o meu trabalho, tenho um trabalho com adolescentes toda sexta feira e que a gente faz jogos no templo, a gente faz brincadeiras, a gente faz caça  ao tesouro e a minha esposa é responsável pelas crianças, então a gente cuida das crianças, dos adolescentes, essa fase de 20 a 30 anos, eu tenho pouquíssimo na igreja, porque foi perdido lá atrás, aí a gente volta no business, porque a minha igreja, eu sou o décimo sexto pastor em 25 anos de história, então foi uma mudança de liderança muito profunda durante esse tempo todo, então agora nós estamos criando raízes e fazendo um trabalho com as crianças, os adolescentes e tal, então tem que cuidar.

Luciano                Quem te indicou para assumir essa igreja?

Ronny                  Quem me indicou foi o pastor Eli Fernandes que é o pastor de igreja batista da Liberdade, aqui em São Paulo, talvez você já tenha ouvido falar dele, é muito amigo do Ed René, a igreja dele foi a igreja mãe dessa igreja, quando essa igreja, a minha igreja de Cerquilho ficou sem pastor, a igreja pediu ajuda e como ele conhecia o meu trabalho que tinha sido feito lá na  outra região, eu cuidava de outras igrejas, a gente pode entrar nessa parte também de coaching gospel, ele conhecia o meu trabalho e aí ele me chamou um dia numa reunião, perguntou como é que eu tinha saído da outra igreja, porque tem que ter idoneidade para assumir outra igreja e aí ele me levou lá, eu fui lá, preguei um dia, fizeram uma reunião, uma reunião com umas 30 pessoas, eles perguntam de tudo, a igreja faz uma avaliação e depois tem uma assembleia extraordinária e eu fui convidado.

Luciano                Legal. Se você fosse seguir um caminho hierárquico, digamos assim, eu vou usar aqui como padrão a igreja católica, você começa lá embaixo e um dia você pode virar papa, estar lá em cima, tem um papa, eu posso chegar até papa, tem um caminho todo a seguir, nada garante que você vá ser o papa mas é possível chegar a ser papa, qual é essa hierarquia na igreja batista, eu quero saber o seguinte aqui, onde é que você tem que estar para um belo dia você olhar para trás e falar meu, que baita carreira e como eu cresci de importância aqui, como meu trabalho foi reconhecido e como é que eu posso hoje desempenhar um papel de definir os rumos dessa igreja, pelo que você me explicou, parece que é impossível isso, não há uma escala para…

Ronny                  Então, porque é assim na igreja batista, a igreja local é que faz as suas definições, então tudo é baseado na igreja local, então tudo é igreja local, tudo é aquela base ali, o que existe é, então por exemplo, eu sou presidente da associação das igrejas, então essa associação promove trabalhos que possam melhorar a igreja local, a convenção batista do estado de São Paulo também faz isso, convenção batista brasileira também faz isso e eu estou envolvido lá, eu gosto disso, então eu sou presidente da associação, por ser presidente da associação, por força do meu ofício eu faço parte de um conselho que é o conselho da convenção batista do estado de São Paulo que define os rumos da denominação no estado de São Paulo, apesar de ser novo e a maioria dos pastores lá tem idade de ser meus pais, eu estou lá inserido, porque eu quero estar, porque eu descobri o seguinte, eu só posso mudar o que eu não concordo na minha denominação e tem muita coisa que eu não concordo, se eu estiver envolvido…

Luciano                Se estiver lá dentro. Como eu já falei, de fora para dentro na porrada você não consegue nada.

Ronny                  … e eu sou daquele assim, desde quando eu comecei a ser pastor, eu comecei ser pastor com 24 anos, eu já era pastor com 24, eu já era líder na denominação com 21 e o meu primeiro cargo na denominação eu tinha 16 anos, na associação que era lá na região de Mauá, do ABC ali, então eu descobri o seguinte, se eu tenho alguma coisa para falar para você eu vou falar para você e eu vou falar no plenário, senhor presidente, igual as regras parlamentares, eu quero a palavra, questão de ordem, eu vou falar o que eu tenho que falar, entendeu? Então eu estou envolvido, só que a minha carreira, o sucesso da minha carreira é a igreja local, isso é a parte do meu trabalho, o meu sucesso vai ser quando eu puder apresentar o bebezinho de uma criança que eu apresentei na igreja. Então aquela criança que eu apresentei bebezinha, quando ela passar toda a vida ali na igreja comigo e ela casar e eu apresentar o bebezinho dela, eu vou falar opa, aqui eu estou legal, eu acho que está indo bem, essa pessoa não se desviou de nenhum caminho, construiu a sua família, então é focado nesse…

Luciano                Legal. Olha, eu acabo até que meio concordando com aquela delegada lá que disse, aquela escrivã que disse que isso não é profissão, ela falou no mau sentido, eu falo para você que isso é no bom sentido, eu não acho que isso seja profissão, isso é um chamado, é um chamamento que eu acho que, de novo, vou de novo tirar Deus da história, não acho que é um chamamento de Deus, é um chamamento interno teu que te impulsiona a querer esse tipo de usar o teu tempo, usar a coisa mais preciosa que você tem na tua vida que é o teu tempo, a tua vida, para se dedicar a melhorar um pouquinho que seja a vida das outras pessoas…

Ronny                  É porque o resultado, Luciano, são coisas que muitas vezes não são palpáveis, então por exemplo, uma mãe, como eu contei no começo, uma mãe que trouxe o filho que estava envolvido com cocaína e álcool, eu tive uma conversa com ele, sabe o que eu falei para ele? Falei assim olha, o que está acontecendo aqui é que você não entendeu que você é homem, que você tem família, você tem que trabalhar, você tem que colocar comida em casa, você tem que encarar a realidade que você é um homem adulto. Foi isso que eu falei para ele, não falei mais nada, orei com ele, ele foi embora, passou uma semana a mãe me ligou, o que o senhor falou para o meu filho? Falei como assim irmã? Porque eu tive o meu filho de volta, ele é aquele que era antes, então um bate papo conseguiu reverter uma situação que achava que era difícil então para mim esse é o sucesso do meu trabalho, eu não vou, no final do mês eu não vou ganhar mais ou menos por estar envolvido com outras coisas, nada mais.

Luciano                É, legal, olha essa nossa conversa aqui, para mim é uma conversa sobre empreendedorismo, tudo o que você falou para mim aí está calcado nessa história do empreendedor mesmo, porque no fundo, no fundo você está sozinho, é uma franquia, você meteu a mão numa franquia mas não tem quase que nenhum suporte…

Ronny                  Não tem suporte.

Luciano                … do franqueador, não há o suporte do franqueador, está aí a franquia, se vira, faz esse negócio dar certo.

Ronny                  Apesar de que a minha igreja, no meu caso, teve um suporte, essa igreja do Eli propôs o seguinte, o meu aluguel é um aluguel caro lá em Cerquilho, a igreja da Liberdade propôs pagar o aluguel, na segunda semana falei não, não queremos nada de ninguém, a gente tem que aprender a caminhar com as nossas pernas e graças a Deus, estou quase há três anos,  nunca precisamos de ajuda externa, a crise veio, apertou um pouco o cinto mas estamos caminhando bem.

Luciano                Aperta para todo lado. Muito bem, eu acho que legal, gostei do papo, você gostou do papo aqui?

Ronny                  Gostei muito.

Luciano                Que bom.

Ronny                  É ser um ouvinte assíduo do Café Brasil, estar lá interagindo o tempo inteiro.

Luciano                Que está fazendo acontecer, isso para mim que é a coisa mais legal, é saber que existem ouvintes como você assim sabe, o que eu tenho lá me ouvindo do outro lado, eu faço sempre uma brincadeira aqui, está me ouvindo um garoto de 24 anos, que está no busão indo trabalhar, fazendo um trabalho que ele não gosta, não, isso é uma provocação que eu uso aqui para provocar o meu entrevistado, existem pessoas me ouvindo que são das mais diversas, eu tenho gente que a moça, semana passada aqui, eu estou indo fazer um doutorado em fisioterapia na Europa, é uma doutora que está me ouvindo, de repente tem alguém fazendo um trabalho como você está fazendo, então é fascinante imaginar que do outro lado do microfone tenha pessoas de todo tipo de formação e com todo tipo de interesse ali e é por isso que a gente faz com que o LíderCast seja essa coisa múltipla, quer dizer, eu tenho aqui, de repente, um empresário de um restaurante, no dia seguinte eu tenho você que é um pastor, daqui a pouco eu vou ter um palhaço profissional que ganha a vida fazendo assim, vou ter uma garota de programa e vou ter todo tipo de gente que está fazendo alguma coisa para melhorar, não só para se dar bem, mas para melhorar o mundo onde vive.

Ronny                  Eu acho que esse é um ponto importante, as pessoas fazem muitas coisas para se dar bem apenas e eu decidi que eu vou fazer o meu trabalho para ajudar as pessoas e eu ganho muito no sentido assim, eu já fiz cinco viagens para o exterior, meu pai era alcoólatra, eu morava num barraco, quando eu penso aonde eu já fui, quando meus amigos, eu tenho vários amigos, Luciano, que estão mortos, que foram para a droga, vários presos, eu nunca fumei maconha, mas eu conheço cheiro de maconha e de várias coisas porque faziam na minha frente.

Luciano                Sim faziam parte da tua vida e você em algum momento teve uma escolha.

Ronny                  Exatamente, então aonde eu cheguei hoje, o que eu já fiz, aonde eu já fui, eu sou muito privilegiado e é a escolha de ajudar as pessoas e uma coisa puxa a outra.

Luciano                Parabéns, por esse talento, porque tem que ter um talento para isso tudo ai. Muito bem, quem quiser te conectar então, vamos lá de novo Facebook…

Ronny                  Vamos lá, quem quiser entender um pouquinho sobre o que eu ando fazendo, eu tinha um perfil, mas eu transformei em página, então é Pastor Ronny Clayton, R O N N Y  C L A Y T O N, Pastor Ronny Clayton lá no Facebook, aí você vai achar lá o Presuntinho o palhaço missionário também e se alguém quiser participar das viagens, tudo o que é investido na viagem é para a viagem, para abençoar as pessoas e está tudo lá.

Luciano                Muito bem, muito obrigado por ter aceito o convite.

Ronny                  Eu que agradeço.

Luciano                E eu vou deixar a você uma saudação cósmica que tem tudo a ver com os nossos tempos aqui: que a força esteja com você.

Ronny                  Que Deus te abençoe, Luciano, muito obrigado.

Luciano                Legal.