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Luciano Pires -

Luciano          Muito bem, mais um LíderCast, eu tenho diante de mim hoje aqui uma visita interessante, que eu conheci por uma troca de e-mails, ou troca no Facebook, eu não sei quem é, não sei o que faz, ela pega e manda uma mensagem para mim e fala olha, eu tenho uma ideia interessante de um assunto que é muito caro a mim que é essa questão do empreendedorismo envolvendo crianças, quando ela falou eu falei deixa eu dar uma cutucada, quem sabe eu tenho a chance de convidá-la e ela vindo a São Paulo a gente vai trocar uma ideia. Então hoje o programa vai tratar sobre vários temas e um deles é esse: empreendedorismo infantil. Vou fazer para você três perguntas fundamentais que são as mais difíceis do programa, depois a gente tira de letra, tá? Seu nome, sua idade e o que é que você faz?

Bárbara          Bom, meu nome é Bárbara Stock, eu digo que eu sou empreendedora e aprendedora serial, mãe criativa e empresária.

Luciano          A idade é um negócio complicado para mulher.

Bárbara          A idade é um pouco tensa, mas 29 anos. Vou trintar esse ano.

Luciano          Você vai fazer 30 este ano?

Bárbara          30 este ano.

Luciano          Está no auge. Trinta anos é o auge das mulheres, é quando elas ficam mais bonitas, mais experientes e tudo mais. O dia que você chegar em 60, aí você vai ficar com vergonha de falar eu tenho 60. Então Bárbara, você mandou para mim algumas coisas legais, primeiro essa coisa do empreendedor serial, eu dei uma cutucada, eu vi que você tem uma série de empreendimentos, me conta um pouquinho dessa história antes de a gente entrar no tema específico que é a coisa das crianças. O que você anda fazendo? Você é uma empreendedora.

Bárbara          Eu sou uma empreendedora nata, eu queria até fazer um teste Luciano, se eu puder, porque aconteceu uma coisa muito engraçada, no domingo eu vi o Ricardo Jordão compartilhando um vídeo que ele fala do que o empreendedor tem que fazer na segunda feira, logo quando ele acorda e ele falou, você tem que ter coragem, primeiro de tudo o empreendedor tem que ser corajoso. Se você está seguindo líderes motivacionais que não falam que a primeira coisa que você deve ter  é coragem, você não está seguindo as pessoas certas. Então, você tem que chegar na segunda feira de manhã e mandar um e-mail para uma pessoa que você tem certeza que não vai te responder, o cara que você acha que é inalcançável e aí eu falei cara, acho que eu sou muito maluca mesmo porque eu sempre mandei e-mail para todo mundo, inclusive foi o que aconteceu com você. Falei: eu quero muito ter um espaço no LíderCast para falar um pouquinho dos meus projetos, principalmente de educação infantil empreendedora e eu saio mesmo mandando e enfim, entrando e tentando acessar as pessoas que são importantes para que fomente o, enfim, os projetos.

Luciano          O negócio é chutar no gol…

Bárbara          É, o negócio é chutar no gol.

Luciano          … chuta no gol, chuta, chuta uma hora a bola entra, entendeu? Se você não chuta e fica esperando o momento exato, aí vai ser mais complicado, vai chutando, vai chutando uma hora a bola entra, mas aí, me conta.

Bárbara          Exatamente. Bom, eu empreendo, enfim, eu costumo dizer que eu empreendo desde os 12 anos porque eu trabalho na empresa do meu pai, comecei a trabalhar na empresa do meu pai com 12 anos, só que vários amigos meus, quando eu conto isso, dizem que é mentira minha, que eu empreendo desde que eu nasci. Inclusive com 4 anos eu estudava numa escola e a minha irmã em outra e vendia uma batatinha, tipo essa batata chips, na minha escola e não vendia na escola da minha irmã e a minha irmã sempre foi apaixonada pela batatinha e aí ela sempre me dava o dinheiro para que na hora na minha merenda eu comprasse a batatinha e levasse para ela, o que eu vi? Que as  amigas dela estavam querendo a batatinha, então eu comecei a ganhar dinheiro, na época era cruzeiros, eu nem sei dizer quanto hoje porque eu não me lembro, mas porque eu vendia e botava uns cruzeiros acima para ganhar um dinheirinho, isso eu tinha uns 4 anos, estudava no Rosalina, então enfim, acho que eu nasci empreendedora, mas com 12 anos oficialmente eu comecei a trabalhar na empresa do meu pai, meu pai tem um buffet, que hoje uma é ramificação, uma empresa minha, é uma ramificação da empresa do meu pai e meu pai faz grandes banquetes, fez feijoada da Mangueira para seis mil pessoas durante muitos anos, enfim, Vila Isabel, grandes banquetes em geral. Há quatro anos eu, enfim, eu casei, fui morar em Recife, o meu ex esposo, ele  é engenheiro e aí ele foi transferido para o Porto de Suape, parei com tudo, parei de trabalhar e fui acompanhar meu ex esposo, me divorciei, há quatro anos voltei para o Rio de Janeiro e quando chegou lá eu já não tinha mais nada  porque me formei na faculdade, me formei em Ciências Sociais, me habilitei em produção e política cultural para trabalhar com eventos por conta da empresa do meu pai e larguei tudo, fui morar em Recife, então quando eu voltei, voltei, enfim, quem sou eu, o que eu vou fazer e com um bebê…

Luciano          Quanto tempo levou esse hiato seu? Entre sair do que você estava fazendo e voltar quanto tempo levou?

Bárbara          … 3 anos e meio, mais ou menos…

Luciano          3 anos e meio você ficou fora do mercado.

Bárbara          … isso, fora, totalmente fora. É assim, eu não consigo ficar parada, então eu morava em Recife, tinha o meu bebê, mas sempre que eu podia eu arrumava alguma coisa para fazer lá, inclusive trabalhei com eventos, cheguei a tirar SUSEP para trabalhar com seguro, sempre inventando, não consigo ficar parada. Mas nada que eu pudesse dar um afinco porque eu tinha um bebê, porque eu morava, enfim, longe dos meus pais, longe de tudo e era bem complicado, eu era bem nova também, para os padrões de hoje em dia, de ter filho, casar, morar sozinha e aí quando eu voltei, eu voltei meio perdida, eu falei meu Deus e agora? Com um bebê, divorciada e sem nada, sem um negócio, enfim, a empresa do meu pai, minha irmã já estava tocando, então já não tinha mais cargo para mim, do que eu fazia e aí conversando com a minha irmã ela falou cara, vamos fazer o que a gente sabe de melhor, vamos pegar o buffet do papai e vamos vender festa, a gente vende para ele e assim, pega um percentual para a gente e o resto para ele. Só que começou a não dar certo, porque a gente começou a fazer muito diferente do papai, ele sempre fez para grandes empresas, grande banquete e a gente atendia muito pessoa física e eventos menores e aí era muita finger food, muita assim, bem diferenciado dele, aí ele teve uma hora que ele falou, eu quero pedir demissão de vocês, eu não aguento mais trabalhar com vocês, vocês vão ter o buffet de vocês e eu vou ter o meu e a amizade continua e a família continua e dali a gente falou, então vamos parar, porque como é que a gente vai ficar sem papai, a estrutura toda é dele, cozinha industrial é dele, tudo é dele, só que a gente tinha alguns eventos fechados, a gente falou não, então vamos cumprir esses eventos e quando acabar, acabou, só que nada, porque você trabalha em evento, você fecha outros eventos desse evento e a gente falou ah cara, a gente poxa, faz isso desde que a gente se entende por gente, cresceu dentro disso, então vamos tocar o nosso buffet, papai toca o dele e hoje isso dá muito certo, já são quase quatro anos assim e a gente ajuda o papai e papai ajuda a gente, enfim, o buffet graças a Deus vem crescendo, “Stock e Sabor” é um nome bem forte no Rio de Janeiro, a gente já tem o nosso espaço no mercado e cada vez a gente trabalha mais para melhorar.

Luciano          Legal.

Bárbara          E lá em Recife ainda, voltando a Recife, meu filho, ele estava numa escola montessoriana e só que ele sempre foi viciado em chupeta e teve um dia que ele veio chupando uma chupeta que não era a dele e eu fiquei meio… sabe mãe de primeira viagem? Um pouco neurótica. Você começa a achar, enfim, um monte de coisa e aí eu comecei ah mas isso não está certo, poxa a criança vai com uma, vem com outra e aí uma amiga minha que hoje é minha sócia, a Sandra, ela falou Babi, tem uma amiga minha que mora nos EUA e ela vende umas chupetas que tem o nome do bebê e a gravação é a laser, então você pode esterilizar, pode fazer o que for que o nome não sai. Falei ah, eu preciso dessa chupeta para o meu filho, logo em seguida ele teve uma bactéria no queixinho dele e agravou e aí eu lembro que a pediatra podia subir para o cérebro, aí eu já pensei, pronto, vou ter um filho… é, mãe de primeira viagem, enfim, tem pediatras que aterrorizam mães como mães de primeira viagem principalmente e aí quando eu descobri a Carla, eu descobri a chupeta falei cara… comecei a procurar aqui no Brasil, não tinha, tinha uma empresa só, bem pequena e assim caseira, de Santa Catarina e eu falei cara, espera aí, eu não vou só comprar para o meu filho, vou trazer isso para o Brasil porque isso é um nicho de mercado incrível, quantas mães não estão vivendo isso que eu vivi? E ali em paralelo, eu ainda morando em Recife, eu comecei a importar essas chupetas para tentar trazer para o Brasil, aí…

Luciano          Mas espera, deixa eu entender, você tem que importar a chupeta com o nome gravado?

Bárbara          … chupeta com o nome, é, quando eu comecei era exatamente assim, então a gente fazia, já tinha a  encomenda, eu ia, entrava em contato com a Carla direto lá com a empresa, trazia e importada com o nome, só que importação aqui no Brasil não era de maneira, enfim, a gente trazia por navio, essas coisas, demorava muito, às vezes 2, 3 meses e aí uma coisa que estava tendo muita demanda, a gente não conseguia atender, tipo uma coisa que eu poderia estar gerando mesmo uma receita, eu não conseguia porque pela demora, e aí a gente começou a fazer o que? Pegar uma sigla, a gente chama de MARCEL que são as letras que mais saem em nome de bebê, M, A, R, C, E, L e aí dessa sigla a gente começou a pegar todos os nomes que eram mais comuns, Mateus, que é o nome do meu filho, Bernardo, Arthur, tudo que entrava ali naquela sigla a gente começou a trazer bastante chupetas, então começamos a ficar com bastante estoque dos nomes comuns, os nomes diferenciados continuavam demorando, até que a gente descobriu a máquina que gravava, enfim, aí foi crescendo, a gente começou a fazer feira de gestante e bebê rodando o Brasil inteiro…

Luciano          Vocês trouxeram a máquina para o Brasil?

Bárbara          … trouxemos a máquina para o Brasil, na verdade a gente comprou a máquina, alguém já tinha feito a importação, já tinha feito o trabalho sujo, o trabalho difícil para a gente, quando a gente chegou a ter capital mesmo para investir na máquina, enfim, e aí a gente começou a rodar o Brasil fazendo feira de bebê e gestante aí começou a ser muito sucesso, a gente praticamente levou chupeta com nome para o Brasil inteiro e foi até da onde surgiu as direções empreendedoras que eu aplico no meu filho, porque eu passava uma semana fora, em qualquer lugar do Brasil e uma semana em casa com ele. Meu filho tinha 3, tinha 3 para 4 anos, então ele sentia muita falta de mim e eu sentia muita falta dele, ao mesmo tempo eu não achava justo tirar ele da escola para levar ele, viver como um nômade comigo, embora hoje eu me arrependa, hoje eu faria isso, tenho certeza que eu educaria bem o meu filho, enfim, e aí nisso surgiu as direções empreendedoras a noite nessas viagens minhas porque eu entendi que era uma maneira de aproximar meu filho do meu mundo, do que era empreendedorismo e aumentar o elo entre eu e ele, ali eu falava tudo para o meu filho, até os problemas que eu passava mas sempre, óbvio, sempre de uma maneira amena, sempre calma, nunca nervosa e…

Luciano          Já tinha outro marido? Já tinha namorado…

Bárbara          … não, não tinha…

Luciano          … você estava sozinha, era você e ele.

Bárbara          … eu e ele e meus pais que me ajudam muito.

Luciano          Mas vamos lá, vamos voltar para aquela tua aventura, então você tinha um buffet, que tocava com a sua irmã e ao mesmo tempo uma empresa de chupeta…

Bárbara          Chupeta com nome.

Luciano          … quando você estava correndo atrás da chupeta você não estava no buffet?

Bárbara          Não, aí eu tinha… sempre tenho sócio em tudo o que eu faço, não entro em nada sozinha…

Luciano          Havia um acordo ali então?

Bárbara          … havia um acordo…

Luciano          … eu vou cuidar dos dois lados. Você então, de repente, você estava tocando duas empresas?

Bárbara          Duas empresas.

Luciano          Quanto tempo foi isso depois que você voltou lá de Recife?

Bárbara          Meses, pouquinho tempo, dois a três meses depois eu já estava abrindo o buffet  com a Flávia.

Luciano          E aí em seguida foi a…

Bárbara          A chupeta eu comecei a abrir, na verdade, ainda em Recife, só que quando me divorciei, ainda estava muito no início, a gente pesquisando, a ideia um pouco que morreu e aí eu voltei e foi um processo complicado para mim, então eu levei também um pouquinho mais de tempo do que o buffet, acredito que uns seis meses para ligar para a Sandra e falar amiga, olha só, eu estou no Rio, você  está em Recife, mas vamos tocar nossa ideia? Vamos. E aí tocamos e…

Luciano          Então aí de repente você está com duas empresas, uma delas é prestação de serviços, comida, que eu diria que se existe uma definição para mim do que é inferno, é trabalhar com comida, eu não sei se tem coisa pior do que trabalhar com comida…

Bárbara          É bem complicado.

Luciano          … porque você tem um cliente que está botando dentro da boca aquilo que você faz e aquilo para dar rolo é dois segundos, então um lado é prestação de serviço com comida e o outro lado você está vendendo um produto…

Bárbara          Exatamente.

Luciano          … que também para criança, etc e tal,  então você tem dois empreendimentos que não tem liga um com o outro, são duas coisas totalmente diferentes, o processo é diferente, o jeito da fazer negócio é diferente, a relação com o cliente é tudo diferente, como é que você estava lidando com esses dois mundos, primeiro, onde é que você aprendeu isso? É aquela menininha de 4 anos que vendia batatinha?

Bárbara          Não, foi a menininha de 14 anos quando o meu primeiro sogro, meu primeiro namorado, ele sempre foi empresário e ele uma vez virou para mim e falou assim, olha, se eu puder te passar alguma coisa, é uma frase só, que você grave e aí ele falou: “nunca tenha uma bica te dando água, porque se faltar água nessa bica, você passa sede, sempre tenha mais de um negócio” e eu cresci, desde os 14 anos  com essa coisa na cabeça, nunca tenho uma bica e eu, como filha de pai empresário, eu já vi meu pai passar altos e baixos e muitos baixos, aqui no Brasil a gente, um empresário passa muitos baixos. Dizer que são flores é mentira, todo mundo sabe que não, é muito difícil empreender aqui, seriamente é muito difícil, então eu acreditava que o erro do meu pai, eu sempre acreditei que o erro do meu pai era justamente esse: só ter uma bica. E aí foi uma questão de oportunidade de mercado também para mim. Assim eu, se eu pudesse escolher, eu não escolheria duas bicas tão diferentes, como você falou, produto e prestação de serviço, mas como eu tive ali a oportunidade bateu na minha porta, eu sempre tive…

Luciano          Que é uma característica do empreendedor, quer dizer…

Bárbara          … o dom de perceber a oportunidade…

Luciano          … exatamente, chegou pega, chegou ela pega.

Bárbara          … exatamente.

Luciano          Esse lance que você falou da bica é interessante, a versão da bica que você tem eu tenho como não bote todos os ovos num cesto só, põe em vários cestos porque se um cesto cair tem ovo no outro. Que é um lance interessante, quer dizer, várias fontes de income, o que é uma coisa, numa sociedade como a brasileira, complicada, porque aqui é o seguinte, se eu tiver emprego é um emprego, vou ter que me desdobrar para conseguir, além do meu empregoe nós aqui estamos falando para todo tipo de gente, estou conversando com você aqui, quem está ouvindo a gente tem de tudo, tem o cara que vai montar seu próprio negócio, tem o cara que é empregado numa empresa e esse desdobrar-se é um negócio complicado, como é que faz para ser mãe e tocar dois negócios um deles que te exige que viagem pelo país afora, onde é que você arrumou esse tempo aí?

Bárbara          Então…

Luciano          Aliás, que escolha é essa de você olhar e falar tem um bebê em casa e eu tenho meu lado profissa e aí?

Bárbara          … eu coloquei uma meta, eu falei, eu preciso chegar em um milhão líquido quando eu tiver 30 anos, que aí tudo o que e não estou dando de atenção ao meu filho hoje, eu nesse um milhão com 30 anos, eu vou poder viajar o mundo com ele, fazer o que for porque eu vou estar desfrutando de renda passiva, então…

Luciano          Um milhão guardado.

Bárbara          … um milhão guardado, um milhão líquido, guardado para começar minha renda passiva, minha liberdade financeira.

Luciano          Que idade você tinha quando você botou essa meta?

Bárbara          28, 27 para 28, na verdade.

Luciano          Você botou dois anos e pouco para juntar um milhão de reais, ta.

Bárbara          Coisa pouca, mas eu sou empreendedora, empreendedora…

Luciano          Quanto é que você já tinha quando você botou um milhão?

Bárbara          Se eu te disser zero reais.

Luciano          Só para a gente saber dimensionar, então você…

Bárbara          Eu tenho que ser sincera aqui com quem está ouvindo.

Luciano          … você saiu de zero, vou sair de zero para um milhão em dois anos e pouquinho.

Bárbara          Mas eu vou te dizer que eu consegui piorar bastante isso, hoje eu preferia estar no zero, porque eu quebrei também uma empresa nesse meio tempo, com 28 para 29 eu fiz o favor de quebrar uma empresa, então eu digo que do zero para um milhão eu saí do menos 300 mil, mais ou menos, que a empresa acumulou para agora um milhão de novo.

Luciano          Então vamos lá, vamos voltar ali atrás então. Da onde veio esse número um milhão?

Bárbara          Da minha cabeça, eu comecei a fazer cálculos de o que eu vou fazer, o que eu preciso, quanto dinheiro eu preciso ter para começar a render juros, aí enfim, eu não tinha muita noção de investimento, hoje eu tenho bem mais também mas assim, ainda falta muito, falei o que eu preciso para viver de juros desse mínimo, do mínimo, do mínimo, vamos botar, caderneta de poupança, que eu consiga com esse juros viver e aí o que entrar, porque eu enfim, empresária, uma vez empresária sempre, nunca tive a ideia de deixar de ser empreendedora nem empresária, eu só queria diminuir a minha carga de trabalho para dar atenção ao meu filho, hoje, Luciano, eu não faria isso.  É assim, eu faço de uma maneira bem diferente, continuo trabalhando muito, hardork papai, como diz Murilo Gun, mas eu tenho tempo do Mateus, até criei uma metodologia para isso, para administrar a empresa e meu filho.

Luciano          Que idade ele tem hoje?

Bárbara          Ele vai fazer 6 anos, tem 5, vai fazer 6 em maio, dia 15 de maio.

Luciano          Legal, você  está… nós estamos com… está rápida a coisa acontecendo, porque são time friends pequenininhos, dois anos e tudo mais. Mas aí você bota aquela meta e fala muito bem, preciso buscar um milhão e vou começar a buscar esse milhão com a minha…

Bárbara          Com as minhas empresas, tipos de negócio.

Luciano          … com meus próprios negócios. Você quebrou depois de definir essa meta do um milhão?

Bárbara          Bem depois, eu defini a meta…

Luciano          Que empresa foi essa que você quebrou?

Bárbara          … eu quebrei a Carlota…

Luciano          O que é?

Bárbara          A Clube Binkie, era a empresa que a gente tinha de chupeta com nome, em determinado momento a Clube Binkie começou a crescer bastante como eu te falei, a gente tinha uma demanda muito boa, fazer feira no Brasil inteiro e aí…

Luciano          Só chupeta com nome?

Bárbara          Só chupeta com nome.

Luciano          Você não diversificou isso nunca?

Bárbara          Nunca, não, diversifiquei quando eu comprei a Carlota, mas até então era só chupeta com nome, inclusive quando eu fui fazer a primeira feira de bebê e gestante, só para quem não tem ideia, uma feira de bebê e gestante, o aluguel de um stand mínimo, de seis metros quadrados, equivale a lotes na zona sul do Rio Janeiro, mês inteiro de aluguel e quando eu fui, meu pai falava para mim, olhava para mim e falava, você é maluca. Ele não podia me olhar, eu fugia do meu pai, que era você é maluca pelo menos vinte vezes no dia e aí a minha sócia chegou de Recife para fazer a feira comigo e ele não satisfeito em falar que eu era maluca, ele começava a dizer para a minha sócia, ela é maluca, você está vindo para cá, mas ela é maluca e nessa primeira feira, eu tendo certeza que eu era maluca, porque de tanto que você ouve, você acredita, eu falei pronto, se eu tirar o dinheiro de stand eu estou satisfeita, não preciso nem tirar a mercadoria porque enfim, eu vou testar mercado, era o meu MVP, era a minha chance de MVP, eu quando comecei a empreender eu não tinha, eu fazia canvas já tudo mas não tinha essa coisa de planejar muito bem antes, porque eu acho que eu pegava muito do meu pai, por isso… o pai é um exemplo, o pai é um modelo e isso também é uma das coisas que me fez bolar e fazer essa metodologia de educação empreendedora infantil, porque meu pai sempre empreendeu na cara e na coragem eu achava que aquilo era certo, então meu MVP já era assim, dando a cara a tapa, ali na feira…

Luciano          Vamos dar um time aqui, vocês estão vendo que a moça é uma metralhadora, ela começou aqui meio tímida, agora a bichinha já está voando alto aqui, você já está entrando assim nuns temas interessantes, o que é MVP e o que é canvas? Rapidinho, só rapidinho.

Bárbara          Ah desculpa, o canvas na verdade ele é um plano de negócio só que dinâmico, curto, é uma metodologia que o Alexander Ostewalder, eu não sei falar direito o nome, perdão, ele criou uma metodologia de fazer um plano de negócios simplificado, um plano de negócios dinâmico. Eu Bárbara, nem gosto de fazer no computador, eu pego aquela folha de papel que é tipo cartolina, mas maior e faço meu canvas ali, que ali eu brinco com meus post its, eu tiro, eu coloco. Então o plano de negócios que você pode mudar, não é engessado como um plano de negócios tradicional e o MVP é a validação do seu negócio, é quando você faz um teste para ver a aceitação no mercado, só que eu já fazia isso não testando antes de testar literalmente, eu já entrava dando a cara a tapa.

Luciano          E aí vamos na história da Carlota, o que era a Carlota?

Bárbara          Não aí era Clube Binkie ainda, que era a chupeta com nome e aí nessa primeira feira eu falei pronto, se eu tirar o investimento do stand eu estou no lucro, porque aí eu, enfim, perco dinheiro que eu investi em…

Luciano          Produtos.

Bárbara          … em produtos, essas coisas, mas pelo menos eu vou testar o meu mercado, era o meu MVP,  já arriscando dinheiro…

Luciano          Que é um lance interessante que você está colocando aí, eu pratico muito isso aí também, de encarar o seguinte, olha o dinheiro que não voltou, o lucro que eu deixei de ter, ou o dinheiro que ficou lá, eu encaro meu investimento em alguma outra coisa. Então, por exemplo, olha fui fazer uma palestra, não cobrei nada, fui gratuito e ainda gastei a gasolina, gastei o estacionamento e tive que comer, cara, tomei um preju, mas eu considero esse preju como parte do investimento no marketing das pessoas que vão me ver, etc e tal, é um exemplo bem idiota, mas eu faço isso muito…

Bárbara          Não, mas é uma boa analogia.

Luciano          … que você fala então é legal, que o dinheiro que não voltou o que é? É o dinheiro que eu coloquei no marketing para que as pessoas me conheçam, esse custo de eu adquirir essa experiência e tudo mais, tem gente que não faz isso, que não encara isso como um custo, encara como perda…

Bárbara          Não não como prejuízo.

Luciano          … como perda, perdi, não é preju, alguma coisa você aprendeu ali.

Bárbara          Mas aí já é uma primeira característica de que a pessoa não tem perfil empreendedor, que ela ainda precisa trabalhar, eu acredito que todo mundo possa ter o perfil empreendedor, quem quiser pode ter, ah mas eu não tenho, é só desenvolver, mas a pessoa que já pensa assim, é uma pessoa que tem que ser mais desenvolvida ainda.

Luciano          Quer dizer, o empreendedor é um cara que lida muito bem com a perda, que ele não considera perda…

Bárbara          Que ele não considera perda, exatamente, é um investimento…

Luciano          … vou perder, legal, perder faz parte do processo.

Bárbara          … é um risco calculado, empreendedor é o cara que ele vive de risco, as pessoas falam, ah mas empreender é muito arriscado, gente, viver é muito arriscado, sério, a gente sai, às vezes até em casa já é arriscado, só que o empreendedor, acho que a diferença entre um empreendedor bem sucedido e mal sucedido é saber calcular os riscos, coisa que eu aprendi levando muito tombo, porque eu quero minimizar para o máximo de crianças, inclusive para o meu filho, sim, com meus tombos eu não quero que ele tombe também, mas eu aprendi, enfim.

Luciano          Vamos quebrar a Carlota?

Bárbara          É, vamos quebrar a Carlota. E aí na primeira feira, ainda Clube Binkie, eu não perdi dinheiro, a louca que meu pai olhava e falava você é maluca, faturei 12 mil na primeira feira, só com chupeta, nem a administração da feira acreditou que eu fiz 12 mil só com chupeta e aí eu falei não cara, isso aqui é o mercado, não tem nada, só tinha a gente no Brasil fazendo feira, só tinha uma empresa que vendia essa chupeta que ficava aqui no Brasil, que ficava lá no sul, falei isso é um grande mercado e aí comecei a explorar feira, feira e feira, quando a Clube Binkie começou a crescer, a gente teve a oportunidade de conhecer a Carlota Bolota que é uma empresa aqui de São Paulo. Carlota Bolota Joias que na verdade chegou a ser o maior portal de joias infantis do Brasil e a ex proprietária da Carlota falou olha Bárbara, eu estou grávida, eu não estou mais segurando a onda, eu não tenho mais condição de viajar o Brasil, eu entendo que aonde está a minha empresa eu ainda não posso deixar funcionário indo, porque a gente estava falando de joia, ouro 18 e eu vi que a Clube Binkie tem um perfil muito bacana, será que não está na hora de vocês crescerem e assumirem a Carlota, ah que o coração bateu mais forte pela Carlota, enfim, eu falei, está na hora de alçar voos maiores, só que eu não calculei, porque ela estava grávida, ela tinha um mês para vender a empresa, então assim, eu fiz o maior erro que… eu tenho vergonha de  assumir, mas eu preciso assumir porque é uma maneira de botar para fora também, eu, como empreendedora de muito tempo, eu enfim, eu fui infantil, pela empolgação, por ver o que era a Carlota e aí não calculei, não fiz nada direito pum! Comprei a Carlota no susto, eu e Sandra, compramos a Carlota no susto, foi um investimento muito alto e isso foi em 2014, 2015 o Brasil entrou numa crise brava, todos sabemos, para quem vendia para consumidor final, ficou muito complicado e eu não vendia utilidade, eu vendia futilidade, não é que era futilidade, não era necessidade…

Luciano          Gênero de primeira necessidade, não era isso.

Bárbara          … as pessoas passavam na Carlota e falavam, meu Deus, eu vou sonhar, mas eu não vou comprar isso agora não, eu vou comprar o que o neném está precisando, então era a frase que eu mais ouvia, as pessoas…

Luciano          Eram joias para criança?

Bárbara          … joias para crianças …

Luciano          Joias para crianças.

Bárbara          … e acessórios, não era só joias, aí a gente vendia tapa fralda, tudo, porta certidão de nascimento de prata, enfim, era tudo muito lindo, mas muita ostentação, não era todo o público que estava mais disposto a pagar, então o que a gente estava faturando na Carlota não dava para a gente pagar, terminar de pagar a ex proprietária, mas sobreviver, lucro eu nem pensava, mas a gente não estava mais conseguindo sobreviver pagando os fornecedores mais a ex proprietária e fazer feira.

Luciano          Quer dizer, qualquer um quebraria…

Bárbara          Qualquer um quebraria.

Luciano          … nessa situação, não é que você comprou, fez uma mudança estratégica no negócio e quebrou….

Bárbara          … e quebrou, não, não.

Luciano          … não? O negócio continuou como era…

Bárbara          Continuou como era.

Luciano          … vinha vindo ele estava… e se você tivesse feito uma avaliação do negócio na época, você não compraria?

Bárbara          Não, eu não sei se eu não compraria ou se eu teria tido mais pulso de fazer uma outra oferta, eu acho que eu tentaria, porque era um negócio muito bom, eu acho que eu tentaria metade do valor que aí teria dado certo.

Luciano          Me fala então essa lição que você aprendeu ali, o que faltou? Faltou uma due diligence, faltou um estudo, faltou um canvas o que faltou ali?

Bárbara          Faltou tudo, faltou o estudo, faltou o canvas, mas principalmente faltou maturidade da minha parte, eu deixei a emoção, o empreendedor nunca pode deixar a emoção falar mais alto do que a razão, nunca.

Luciano          Como que…

Bárbara          Uma coisa é fazer com amor, outra coisa é deixar a emoção dominar.

Luciano          Como é que você vai falar para o empreendedor deixar a emoção de lado se empreender é pura, empreender é uma loucura, é aquilo que você falou no começo, é loucura. Eu não consigo ver loucura que não seja emoção, revestida de alguma outra característica, quer dizer, eu tenho que pegar esse vulcão de emoções e tentar organizar isso numa direção, tenho que botar numa direção, é complicado. Ontem eu estava discutindo com a minha filha, ela está querendo trocar o carro e estava procurando, ela quer o Cinquecento, achou um Cinquecento vermelho, não sei o que, pai, trouxe para mim, aí eu liguei para o cara e o cara, vem aqui ver o carro, eu falei para ela, então você vai lá com o teu namorado, vai lá ver o carro e depois você me conta, mas eu falei para ela, não se apaixone pelo carro pelo amor de Deus, você não pode ir lá apaixonada pelo carro para chegar lá e falar é esse, porque você não vai ver mais nada, você não vai enxergar mais nada, você só vai ver a beleza, a loucura, vai chegar aqui, vai comprar na loucura e não vai mais pensar, porque a paixão pelo objeto tomou conta de você, que deve ter acontecido com você lá, quer dizer, me apaixonei pela oportunidade e vamos embora e de repente quebra a cara.

Bárbara          É, eu só aprendi, na verdade, que na verdade para você empreender você tem que ter um propósito, seu propósito tem que ser muito forte, sim, hoje eu descobri o meu propósito de vida e aí quando você tem um propósito, o dinheiro vem como consequência, na época da Carlota eu não estava falando disso, eu estava botando dinheiro onde? Eu tinha que pagar a Carlota para poder ter um negócio e ali tem emoção na frente, eu não estava sendo empresária, o empresário ele não pode, quando ele está falando de dinheiro a gente não pode fazer isso, uma coisa é quando, por exemplo, hoje o meu projeto de educação infantil empreendedora, ele está todo direitinho, canvas,  MVP,  mapa mental, tudo o que você possa imaginar e eu estou falando ali é o meu propósito de vida, eu tenho que diminuir as chances de erro das crianças empreendedoras de amanhã. Poxa Bárbara, mas você está querendo botar a criança… sim, eu estou, porque empreendedorismo é estilo de vida, não é empreendedorismo não é necessariamente ter um negócio, empreendedorismo é você ser  protagonista da sua vida, é você ter as rédeas da  sua vida, é você ter maturidade emocional para lidar com derrota mas sempre almejar a vitória, não é aquela coisa do ah, perder ou ganhar o importante é competir, não é competir, o importante é ganhar, só que quando você perder, porque para alguém ganhar, alguém teu que perder e  vai ter vezes que vi ser você que vai perder e você  é criança, enfim, eu participava de olimpíada na escola, eu perdia para caramba, porque eu era asmática e não podia fazer nada, a aula de educação física, quando eu ia para a olimpíada, coitada, eu era uma looser, uma perdedora.

Luciano          Você sabe que eu tenho umas experiências legais também na escola, que era uma coisa que depois que a gente cresce que a gente olha para trás e repara naquelas coisas que aconteciam, quando você é moleque, faz parte, então eu jogava futebol no time da escola lá, eu tinha o que? 10, 11 anos, tinha nosso time de futebol e tinha um garoto que jogava muito bem no time e cada vez que o time perdia ele chorava, o cara tinha uma gana para ganhar o jogo que eu olhava aquilo e falava que absurdo, isso aqui é só um jogo, estamos jogando futebol e o cara entrava em campo com um desespero para ganhar, que ele chorava, terminava o jogo ele não ganhou, ele chorava e eu não conseguia entender o que era aquilo, falava cara, como alguém está chorando? Anos depois é que eu fui sacar, quer dizer, o volume de entrega que o cara tinha, o propósito que ele tinha diante dele, eu sou um vencedor, eu vim para ganhar, eu não vim para competir e se eu não ganhar eu não consegui ser bem sucedido, quer dizer, tem um certo ponto que isso  é  legal, depois vira doença. Mas uma coisa que eu queria te dar uma provocada, está cheio de gente por aí dizendo o seguinte, se você quiser você pode. Se você tiver um propósito e um sonho e você for atrás você vai conseguir e a maioria dos exemplos que a gente vê em todo lugar, você liga o rádio, liga a televisão, pega revista, compra as revistas de empreendedorismo, vai nos eventos, está cheio de nego fodidão, “os bom”, o cara que começou uma startup do nada e hoje é bilionário, outro que não sei o que, só tem exemplo de gente boa e aí um mané está sentado na plateia, olha aquilo e fala meu, se eles dão certo eu vou dar também, o cara entra e quebra a cara, porque não é porque você quer, você pode, isso é papo furado, o querer é poder é relativo, querer é importante, tem uma força, ela te empurra, ela te orienta, te motiva, mas não quer dizer que você pode e diante desse desafio de estar no Brasil, que o negócio é complicado, como é que você lida com isso, com essa história desse ímpeto de vou fazer e quebro?

Bárbara          Então, Luciano, eu acredito que querer é poder, só que acho que as pessoas, inclusive eu, a gente confunde muito isso, eu só descobri o que significa o “querer é poder”, em novembro agora do ano passado e eu venho aplicando e a minha vida está mudando, isso eu falo de carteirinha, o querer é poder não é ah eu quero ser milionário, ah eu posso, aí eu vou, abro qualquer negócio sem fazer um plano, sem fazer planejamento aqui no Brasil, a pessoa não calcula tributo, não procura advogado, não procura um contador e depois vem botar a culpa nos empreendedores de palco que agora está tendo, enfim…

Luciano          Sim, empreendedores de palco.

Bárbara          … eu não sou uma empreendedora de palco mas eu defendo muito porque eu acho que se empreendedorismo está na boca da galera, empreendedores mudam o mundo sim, se ele está na boca é por conta dos empreendedores de palco, mas cara, tem um SEBRAE em cada esquina…

Luciano          Só dar um time aqui, empreendedor de palco é um… saíram uns textos agora dizendo o seguinte, tem uma série de pessoas que estão subindo no palco e falando isso que eu falei para você agora aqui…

Bárbara          …  mas não fazem…

Luciano          … viva, vai dar certo, você pode, largue tudo, faça acontecer, vai dar certo, veja as frases do fulano, cicrano, beltrano, quando termina aquilo você está com o fogo aceso e que maravilha e dos mil que estão no palco, dez dão certo, novecentos e noventa quebram e ninguém fala dos novecentos e noventa que quebram, só pegam os dez que deram certo, no próximo evento mostram os dez e aí mais mil vão entrar no rolo e está se discutindo muito até que ponto isso é bom ou isso é ruim, inclusive eu vi agora uma matéria interessante, de Portugal, os portugueses discutindo demais esse assunto sobre empreendedorismo em Portugal e os caras falando o que está acontecendo, que o empreendedorismo aqui virou necessidade, ele não é uma coisa do empreendedor, o cara não tem emprego, não tem o que fazer, ele vai fazer um negócio.

Bárbara          Vai pega a rescisão que ele ficou desempregado e vai abrir alguma coisa.

Luciano          E vai ter que se virar e esse cara não é um empreendedor positivo, que vai fazer o país crescer, esse é o cara que está lá porque não teve alternativa, então ele não tem junto com ele a mecânica, ele não tem aquele ímpeto do crescimento, a primeira chance que tiver ele vai largar aquilo e vai arrumar o emprego dele de volta. Então nesse momento que nós estamos passando no Brasil aqui, pô, taxa de desemprego lá em cima, cheio de gente sem ter o que fazer, é muito fácil sair todo mundo empreendendo e de repente você tem um tsunami de empresa quebrando e para lá e para cá, então como é que você lida com isso, você que agora está se tornando uma pregadora do empreendedorismo para não incorrer nessa coisa do sucesso fácil, da motivação pela motivação?

Bárbara          Então, eu tenho muitos amigos que me procuram pedindo uma espécie de mentoria, não vou falar mentoria porque eu não sou mentora, então seria até rebaixar os mentores, mas assim, pedir conselho, uma pequena consultoria e a primeira coisa que eu falo é, não tem dinheiro vai no SEBRAE, vai no SEBRAE, você tem que ter, para começar qualquer negócio, um contador, imposto, tributação aqui no Brasil quebra empresas legal, quebra mesmo. As pessoas não tem ideia do que é tributação no Brasil, as pessoas não tem ideia sabe, de você pegar uma conta de luz da sua empresa, lá no meu buffet, vamos botar o meu buffet, você pegar uma conta de luz, está lá 1000 reais, impostos 1000 reais, e a  conta vira 2000 e assim, as pessoas começam sem ter essa base, então tem que ter sim um advogado, tem que ter sim um contador, mas quando você quer motivar alguém, você não vai falar… você não vai chegar no palco e vai falar gente, vamos lá, cara e isso está para todo mundo, se você se informar, você vai ser médico, você estuda quantos anos? Seis anos? Faz residência, você vai ser advogado a mesma coisa, você quer ser empreendedor e não estudar nada? Você está de brincadeira e depois botar a culpa nos outros, para mim é fácil, entendeu? Eu não posso colocar a culpa de eu ter quebrado na antiga proprietária, ela não me enganou, a culpa é minha que não tive maturidade, então a mesma coisa eu digo para esses empreendedores com necessidade que quebram, vai se informar antes, ah está desesperador, está desempregado? Está desesperador, a situação está desesperadora aqui no Brasil, eu procuro nem me atentar tanto, não focar nisso assim, eu olho porque a gente tem que estar antenado, mas se a gente focar, a gente se desespera também, até o maior dos otimistas se desespera, então, mas a questão do mindset, do você querer você pode, eu acredito nisso, só que não e um querer, eu quero um milhão, foi meu primeiro querer, eu quero um milhão com 30 anos.

Luciano          Analogia que eu faço é o seguinte, para mim, querer é poder e o poder é um carro e o querer é a gasolina, entendeu? Quando eu falo que querer é poder, o que significa? Se eu quero eu tenho gasolina para por no carro, agora não quer dizer que eu sei dirigir, não quer dizer que eu estou indo para o caminho certo, não quer dizer que eu não vou trombar em alguém, não quer dizer que eu vou me arrebentar, não quer dizer que a gasolina não vai acabar ali na esquina, queira o carro com gasolina é o primeiro passo para você sair andando, depois você tem que planejar o caminho, tem estrada, etc e tal e as pessoas botam, bom, já que eu tenho a gasolina e tenho o carro, lá vou eu.

Bárbara          Eu vejo muita gente procurando nesses eventos ou nesses mentores empreendedores motivacionais, eu não falo que são de palco porque eu acho pejorativo, mas é a solução, eles não são a solução, eles são acender a sua pólvora…

Luciano          A fagulha, né?

Bárbara          … a fagulha, exatamente, eles não tem que ser a solução, eu acho que a frustração vem daí, de você buscar a solução onde não é solução, onde deveria ser o seu start, o seu pô, dá para dar certo. Agora, eu acho que o primeiro ponto para você sempre ser bem sucedido, isso eu descobri em novembro, foi quando eu resolvi profissionalizar a questão do meu projeto de educação infantil empreendedora, que eu descobri que esse era o meu propósito de vida, você precisa solucionar os problemas de alguém, de uma comunidade, de um… que seja de  cinco pessoas, sejam sub nicho, do nicho, o nicho, se você não solucionar problemas, se você não atingir ninguém, ou por uma dor delas, ou pela emoção, você não tem um negócio…

Luciano          Porque você não cria valor para ninguém.

Bárbara          … você não cria valor para ninguém e quando o seu propósito ele é verdadeiro, ele é maior que você, aí você não tem aquela meta, eu quero um milhão, não é o dinheiro, é o que você esta fazendo, as coisas começam a mudar porque quando você tem esse propósito, você fala cara, eu nasci para disseminar o empreendedorismo desde a infância porque eu não quero que o meu filho quebre como eu quebrei, porque eu peguei o exemplo do meu pai, os exemplos errados dele e fui uma replicadora do meu pai enquanto eu poderia ter olhado com visão crítica e já mudar dali, eu não fiz isso, eu fui seguindo os passos do meu pai, o que eu quero? Diminuir os riscos do meu filho. Ah Bárbara, mas você está falando de criança, não, não estou falando de criança, eu estou falando… sim, eu estou falando de criança, desculpa, mas eu não trago ele para o meu mundo, eu vou para o mundo dele, quando eu falo para ele, quando eu ensino o que é combinatividade, é um analogismo que o Murilo Gun criou que é, na verdade, você pegar duas coisas e transformar em algo novo, eu faço isso fazendo analogia aos heróis, que ele é apaixonado pela Marvel, pela Liga da Justiça, pelo Goku, então tudo é sempre no mundo dele, para ele empreender é uma diversão, mas ele faz meta smart, ele faz canvas, ele faz tudo.

Luciano          Legal, me conta essa história, vamos entrar na coisa do empreendedorismo infantil, que é legal isso aí, você foi dormir e um dia você acordou de manhã e falou eureka, achei o propósito, como é que foi isso aí?

Bárbara          Não, eu comecei a aplicar as lições para me aproximar do meu filho, porque era a maneira que eu podia falar das minhas empresas, o que era ter uma empresa com ele, eu estava muito ausente da vida dele, como eu falei eu passava uma semana viajando, uma semana com ele, então as lições, na verdade, foram para aumentar o nosso elo, isso aumentava muito mesmo, a gente foi criando uma conexão muito forte porque ao mesmo tempo eu estava no mundo dele, porque eu sempre me preocupei em levar aquilo para ser infantil, para não tirar a infância dele, então era sempre brincadeira, sempre herói, sempre, enfim….

Luciano          Como é o nome dele?

Bárbara          … Mateus.

Luciano          Ai você chegava lá e falava assim: Mateus, mamãe vai falar de fluxo de caixa, como é que era? Eu estou provocando você, como é que é isso ai, como é que você levava isso, como é que é essa transição para essa coisa dos heróis?

Bárbara          … então, eu trabalhava bastante o mindset dele pelas minhas frustrações, assim, quando alguém dizia que eu não conseguia alguma coisa eu falava meu filho, quando alguém disser que você não pode alguma coisa e você  souber que você pode, você manda na sua vida, até porque meu filho, ele tende um pouco a não acreditar nele, isso é uma coisa que eu trabalho muito no Mateus, ele mãe mas eu não sei. Quando ele entrou no judô ele falava o tempo todo para o professor, antes de tentar ele já falava que eu não sei, então eu trabalho muito isso nele, então a minha primeira coisa como empreendedora que eu queria passar para ele era o mindset, a  questão de usar a criatividade, até quando ele quebrou o braço, ele tinha 4 anos, ele  era apaixonado pelo homem de ferro e aí ele com 4 anos quebrou o braço e foi um drama, porque uma criança, um bebezinho, 4 aninhos uma dor danada, eu já quebrei a perna, nossa eu já era bem maior e… e ai eu falei cara, eu vou amenizar isso aí, liguei para um tatuador amigo meu e falei Deo, você não quer… ele é também super fã do homem de ferro, falei Deo o que você acha de fazer o braço do homem de ferro aí no gesso do meu filho? Bárbara, traz ele aqui amanhã, eu não sabia, ele fez como uma tatuagem, levou umas 6 horas, sem brincadeira, mas ele fez…

Luciano          No gesso em cima do gesso?

Bárbara          … a armadura do homem de ferro…

Luciano          Que legal.

Bárbara          … e  aí o meu filho até hoje ele diz que foi o dia mais feliz da vida dele, o dia que ele virou o homem de ferro, então assim, uma coisa que foi ruim, virou  uma coisa boa, então isso que eu sempre procurei, o empreendedor é isso, é tirar de uma necessidade ou de um problema, usar a criatividade e gerar inovação, isso é empreender.

Luciano          Você sabe que eu vi um vídeo recente de uma empresa que faz, como chama, quando você perde a perna você põe uma….

Bárbara          Prótese.

Luciano          … isso, sabe que eu vi um vídeo recente de uma empresa que faz prótese e os caras trabalhando nesse sentido, a prótese não é uma prótese de uma perna, era  uma perna de um super herói, era o braço do homem de ferro, o menino não tinha o braço e de repente colocaram o braço nele, que era o braço de um super herói e aquilo virou uma loucura porque a molecada toda em volta, eu também quero e de repente o menino que tinha um problema, que ele era um menino que não tinha um braço, ele passou a ser o herói da turma…

Bárbara          Passou a ser o herói. Isso é muito legal.

Luciano          … e todo mundo queria o braço igual ao dele, imagina que coisa, como você vira o..

Bárbara          O jogo.

Luciano          … o jogo a  partir de uma visão diferente do problema em si. Muito legal, muito legal. Também tem uma história boa, é um cara que estava andando no avião e uma criancinha enchendo o saco, mas para lá e para cá, enchendo o saco, a criança comendo coisa e com a mão cheia de gordura e vinha na perna do cara, enchendo o saco e todo mundo no avião incomodado porque o moleque enchia o saco de todo mundo e o pai e a mãe nem aí, e aí pô, chegou uma hora a aeromoça veio e falou alguma coisa com o pai e com a mãe e pegou o menininho e levou o menininho lá para a frente e acabou, acabou o rolo todo, aí quando ela voltou o cara falou vem cá, o que…

Bárbara          O que você fez?

Luciano          … o que você falou para o pai e para a mãe? Ela falou, não eu peguei o menininho e levei lá na frente e fui mostrar a cabine para ele e ele está lá, sentou ali e ficou… hoje não pode fazer isso, mas na época podia, ele sentou lá e está olhando a cabine enlouquecido. Mas o que você fez? De onde é que você tirou isso? Ela falou em vez de eu pensar em mim eu pensei no menino, eu olhei para o problema do ponto de vista do garoto e não de quem estava sendo incomodado pelo garoto e ao virar a visão, ela resolve uma encrenca, ao resolver o problema do menino.

Bárbara          Você sabe que agora você falou, eu lembrei que o canvas que eu fiz desse projeto de educação é exatamente o canvas, até é o canvas que o Conrado que fala bastante dele, eu peguei uma metodologia com ele, que é o canvas do ponto de vista do cliente, é muito mais difícil de fazer, do consumidor final. E é muito mais difícil porque aí você vai vendo que muita coisa que você achava genial não funciona, funciona para você, mas não funciona para quem você quer vender, então o que adianta? E é bem mais complicado mas, em compensação, a chance de dar certo também é muito maior, como você falou o caso do menininho, ela não olhou o que estava incomodando a ela e nem, ela olhou…

Luciano          Ela foi resolver o problema do menino e não dos passageiros que estavam lá.

Bárbara          … exatamente, mas aí como que isso virou meu propósito de vida, era uma coisa minha e do meu filho para estreitar a nossa relação que eu estava muito ausente. Só que eu comecei a compartilhar algumas vezes, falava a lição de hoje foi X, a meta smart, por exemplo, quando eu fiz a lição da meta smart para ele não fui eu que falei, meu filho vem cá vamos fazer, não, eu tinha um papel, eu fiz um pretec assim que eu cheguei de Recife…

Luciano          Um Pretec é o curso do SEBRAE.

Bárbara          … é o curso do SEBRAE de empreendedorismo que por sinal, para quem aí é aspirante a empreendedor eu super indico porque dá um norte bem bacana para quem está procurando resposta, enfim. E aí eu tinha acabado de fazer um Pretec e aprendi a meta smart lá, eu ainda não conhecia e aí eu falei, cara, posso levar essa folha? Era um flip chart, aquela folha bem grandona, posso levar  para a minha casa? E o pessoal, pode Bárbara, você que é apaixonada pela meta smart leva. Aí colei no meu quarto, ele tem duas portas, colei numa das portas do meu quarto e meu filho toda vez olhava aquilo mas não perguntava eu também não falava nada, até o dia que ele perguntou, mãe o que é isso? É minha meta. O que é meta? Expliquei o que era meta e qual é sua meta? Eu expliquei qual era a minha meta, ainda era a do milhão, aí ele falou também quero uma meta, falei mas o que  você quer? Eu quero ver o super herói, ele nunca quis ir para a Disney ver o Mickey, ele quer ir para a Marvel. Ai eu falei então vem cá, vamos fazer a sua meta smart e fiz a meta smart dele da Marvel, dali já fiz educação financeira, ele tem o sistema dos potes dele que ele divide a mesada dele, ele, quando trabalha comigo, eu levo às vezes ele para montagem de evento, ele ganha dinheiro, ele não trabalha de graça, sim uma das coisas que meu pai errava comigo, nunca recebi e meu filho recebe, se ele me ajudou ele recebe, se ele lava a louça comigo, ele recebe, tem a bonificação e eu chamo de bonificação e consequência, quando ele faz alguma coisa também ele … enfim, então é assim que eu procuro ensinar a ele, quando virou o meu propósito de vida, foi em novembro do ano passado, eu tive a oportunidade de ir num evento do T. Harv Ecker, é o autor do livro “Segredo da Mente Milionária” e o T. veio aí pelo Brasil, pela primeira vez e única, fazer o intensivo do seminário dele, eu falei pronto, agora eu vou entender porque não deu certo, porque eu não cheguei no meu milhão e estou aqui quebrada, enfim, eu fui buscando, de novo a gente ter as erradas mas eu não sabia, mas lá a minha mente abriu, eu não era, não se tratava de como chegar no um milhão de reais, não se tratava de como ser milionária, se tratava de ter a mente milionária é muito mais do que dinheiro. Ter a mente milionária é ser bondoso, é ter empatia, se colocar no lugar dos outros, é solucionar os problemas dos outros e com isso você gera valor e gerando valor, você gera dinheiro, então assim, é toda uma mudança, para mim foi toda uma mudança de mindset e para muitos empreendedores também porque eu conheço muitos, inclusive  empreendedores bem sucedidos que tem a mesma visão que eu tinha de visar o lucro, fazer muito bem feito, é  óbvio, o serviço, eu sempre fiz, mas eu pensava no dinheiro e quando eu fui lá no evento eu passei a ver que não, primeiro eu tenho que agregar muito nas  pessoas, para as pessoas quererem me dar dinheiro, se você não agregar, por que você vai ganhar? Então a minha meta deixou de ser dinheiro, não é mais um milhão, nem dois milhões nem três milhões, a minha meta é… aí foi eu falei cara, eu tenho direções empreendedoras, tanta gente me procura perguntando qual é a metodologia, cara eu estou falando de criança, de preparar as crianças, os empreendedores, as nossas crianças vão ser os formadores de opinião de amanhã, os nossos políticos de amanhã, os nossos médicos de amanhã, se eles tiverem um mindset de empatia, o mindset do estilo de vida empreendedor mesmo, uma mente milionária, a gente está resolvendo o problema do país, olha  onde a gente está, olha a lama que a gente está, então a gente tem que começar a mudar agora na base, se não mudar na base, não vai ter melhoria amanhã, então eu falei, o  meu propósito de vida é esse, é mudar a base e primeiramente vai ser mudar a base junto com os pais, porque se também os pais não mudarem o mindset não adianta nada lidar com criança, que os pais são os maiores podadores de criança do mundo, a gente acha que não, mas a gente é o que mais…

Bárbara          … exatamente, a gente é o que mais poda aos nossos filhos…

Luciano          Napoleão Bonaparte dizia o seguinte: se você quiser educar uma criança, comece 25 anos antes dela nascer.

Bárbara          … os pais, exatamente.

Luciano          Comece 25 anos antes dela nascer, é isso aí, é verdade. Mas e aí? Aí você bolou uma escola, você bolou o que? O que é isso?

Bárbara          Gerou um projeto. É, não, então, não é uma escola, na verdade o projeto é um curso, a priori à distância mesmo, eu peguei tudo o que deu certo, que eu apliquei no meu filho, porque muitas coisas deram errado, eu assumo, confesso, enfim, meu filho foi a minha cobaia e eu desenvolvi uma metodologia a partir daquilo, não existia nada, eu desenvolvi, então coisas deram muito certo, coisas deram errado, eu peguei tudo o que deu certo, lapidei, melhorei e criei uma metodologia, então a metodologia eu falei pronto, não dá para ir para as crianças, porque o problema está nos pais,  eles não tem o mindset, como é que eu vou falar para os filhos? É impossível, não vai dar certo. A criança vai chegar em casa empolgada  e o pai vai falar que mané meta smart, que mané educação financeira, que mané potinho, a gente não tem dinheiro nem para pagar a conta de luz você vai dividir seu dinheiro em potinho? Que sistema de potinho o que? Então eu tenho que trabalhar os pais e qual a melhor maneira de trabalhar os pais? Eles sendo o exemplo, mas junto com os filhos, eu não falo que estreitei a relação, o elo entre mim e o meu filho com as direções? Então a minha ideia é essa, não vai ser só para pai e nem vai ser só para o filho, vai ser um curso de educação à distância para os dois e nesse curso, inclusive, tem, enfim, tem o canvas que eu desenvolvi que é o canvas infantil, tem a meta smart que eu desenvolvi que é a meta smart infantil, tem tudo, ele está tudo dentro do curso, para a meta maior que é quando a gente tiver, é óbvio que eu não estou falando de atingir o Brasil inteiro. É impossível, não estou falando de pegar todo mundo, vamos de nicho, não é todo mundo que vai aceitar, mas enfim, se eu conseguir pegar cem pessoas a princípio, e dessas  cem, se  eu transformar a vida dessas cem pessoas, elas vão evangelizar mais cem, que vão evangelizar mais cem e aí a gente vai começar a fazer um barulho. A minha ideia é essa, é ter um ano de barulho, de mudança de mindset e eu estou preparada porque eu sei que eu vou ouvir crítica e sei que vai ter gente, já tem gente mas você não tira a infância do seu filho? Não, meu filho é uma criança, eu na realidade eu sou criança junto com o meu filho, então não, não tira.

Luciano          Você vai formar coxinhas, você uma meritocrata nojenta, você é uma capitalista selvagem, sua fascista…

Bárbara          É, eu vou ouvir. Eu já ouvi isso.

Luciano          … já deve ter ouvido.

Bárbara          Já, já ouvi, mas eu não me incomodo, enfim, eu ajudo muito as pessoas Luciano, muito mesmo, eu tenho meu dia lá que e o dia só de prestar consultoria aos meus amigos, de graça, a quem me pede, então assim, é a minha consciência muito tranquila, eu sei que eu faço muito mais do que eu recebo, então me chama de coxinha à vontade.

Luciano          Me fala um pouquinho como é o nome desse projeto?

Bárbara          O projeto ainda não tem nome, eu chamo educação infantil empreendedora, porque agora ele está no meu nome, Bárbara Stock Empreendedora.

Luciano          Tem alguma coisa assim em algum lugar, você viu isso nos EUA, em algum lugar, tem alguém trabalhando isso?

Bárbara          Nunca vi, inclusive procurei em Portugal, nos EUA e… tem alguns projetos de educação de empreendedorismo para criança mas nada perto do que eu estou… da minha metodologia, nada, nada, nada, nenhum… nada que use ferramentas como eu vou usar, ferramentas que o empreendedor usa, o mapa mental, uma meta smart, não, Luciano.

Luciano          O que é que teu filho fala disso?

Bárbara          Ele pede, nesse sábado que passou, eu montei um evento, eu falei você não quer ficar brincando com o Gui, que é o primo dele, que ele é apaixonado, não eu quero trabalhar, eu quero ser empreendedor mãe, quero montar com você.

Luciano          Você já viu ele brincando com outras crianças e como é que… se ele brinca diferente, se a conversa dele é diferente, que eu estou imaginando o seguinte, uma criança com a cabeça feita dessa forma, dentro de um grupo de outras crianças que não tem a cabeça feita dessa forma.

Bárbara          A professora dele, foi até bem bacana, porque a professora nova, as aulas começaram agora, a Bianca, ela me chamou para conversar e ela falou, Bárbara, o Mateus é uma criança muito diferenciada, o Mateus, ele fala com a maturidade quase de um adulto mas com a infantilidade de uma criança, ele brinca de massinha, ele brinca de tudo mas a visão dele é uma visão de adulto, ele é muito maduro, ele não se frustra com as coisas, e assim, eu não perguntei nada, ela nem sabe do meu projeto ainda e ela viu isso e eu sinto muito isso no meu filho, meu filho me faz indagações de um adulto, todo mundo comenta, assim se você tiver um dia a oportunidade de conversar com ele, ou qualquer pessoa que esteja nos ouvindo, você vai ver que ele faz indagações de adulto, então eu acho que eu estou dando maturidade a ele, ele é um pouco evangelizador porque ele fala de empreendedorismo na escola, ele não usa a palavra empreendedorismo mas ele fala, uma vez ele falou, mãe eu estou precisando ganhar dinheiro porque eu quero comprar… ele é apaixonado por bonecos raríssimos, o sonho dele é conhecer o Fabrício Marvel que é um youtuber que fala da Marvel, dos bonecos raríssimos, super articulados, enfim, uma criança de cinco anos que é apaixonada e quer ser colecionador de bonecos raríssimos, já não é muito comum e aí ele fala, mãe estou precisando de dinheiro porque eu quero meus bonecos e você está dura, né mãe. Eu falo é filho, mamãe não dá pra comprar bonecos raríssimos articulados para você, então vamos vender, mãe, o que você sabe fazer que eu possa vender? Eu falei ah, a mamãe sabe fazer uns doces, que eu vi que tem umas crianças empreendedoras que trabalham ali na Tijuca e elas vendem para ir para a Disney e aí eu lembrei falei ah filho, mamãe sabe fazer brigadeiro, se você quiser a gente… ele, mãe, mas só brigadeiro não dá o que eu quero, tem que ter mais coisa. Então olha a noção de uma criança de cinco anos, não, só brigadeiro eu não vou conseguir comprar, mas o que a gente pode botar… então você já vê que já está se formando um perfil empreendedor mesmo nele.

Luciano          Interessante. Tem gente que vai ficar enlouquecida com essa história…

Bárbara          Tem gente que vai querer me matar também.

Luciano          … tem, nós estamos num país que proíbe que criança trabalhe e ele coloca o seguinte, quando você falou o seguinte, olha eu tenho um filho de 12 anos  que vai me ajudar no meu negócio, o estado brasileiro coloca essa criança no mesmo nível de uma criança que está numa carvoaria no interior do Brasil sendo explorada e que vai morrer com 18 anos, então eles não conseguem enxergar algo que meu avô tinha como um valor, ter os meus filhos com 10, 11, 12 anos comigo na padaria era parte do processo de manter a integração da família, de mostrar o que é o valor do trabalho e tudo mais, essa coisa se perdeu porque houve alguém que chegou aqui e falou não pode, então é proibido, você não pode nem botar na tua empresa. Eu fazia alguns projetos interessantes há um tempo, com uma empresa que tinha um esquema lá de pegar a garotada da região, que eram crianças, uma vez eu chamei de carentes não, não somos carentes não, somos é outra história, então mas eram crianças que não tinham e eles traziam para a empresa e ali a molecada ia aprender a fazer uma série de coisas, mas aquilo era um medo desgraçado de aquilo ser caracterizado como trabalho porque se fosse trabalho o projeto não ia andar, iam dizer que está explorando e a molecada felicíssima porque e eu conversando com os meninos, em vez de eu estar na rua e encostado num canto, eu estou aqui dentro gerando valor e a molecada orgulhosa de estar fazendo isso, o Brasil destruiu isso, quer dizer, hoje em dia  é proibido…

Bárbara          Um país que prega ignorância, não é interessante para o nosso governo, enfim, não vou entrar em méritos de governo, mas assim, não é interessante que a gente crie isso, eu posso dizer que se eu tenho noção de vida hoje, é porque eu  comecei a trabalhar com 12 anos, com meu pai, porque com 17 eu já ia para a diretoria da Petrobrás fazer reunião com a diretoria, eu não tinha 18, entendeu, eu já lidava com advogado, porque pequena empresa, micro empresa, meu pai era um ME, o dono faz tudo, então ele lidou com contador diretamente, lida com advogado, lida com funcionário diretamente, então eu sempre tive a visão de ser funcionária, porque meu pai me colocava como funcionária mas com a visão de dona, então se eu consigo me colocar no lugar das pessoas, muito ou pouco eu trabalhei com meu pai desde os 12 anos e eu vou, não tem governo que vai me impedir de fazer isso com o meu filho.

Luciano          Você sabe que é uma coisa interessante, todo mundo que eu conversei aqui, todo mundo que eu converso no LíderCast e eu já falei com pessoas de 84 anos até 28, acho que a mais nova tinha 28 anos, o mais velho 84 anos e todos eles, todos eles e eu não escolho, foi assim como você, vem aqui, vamos conversar, todos sentam na cadeirinha e fala eu comecei com 15 anos, eu comecei com 16, eu comecei com 12, 10, 11, todo mundo, lá atrás teve uma experiência onde começou a adquirir responsabilidade como  garotada, o que é um modelo diferente do teu hoje em dia, porque hoje em dia parece que a gente protege, eu não quero deixar meu filho ser explorado de forma alguma, então com 18 anos o moleque não tem nenhuma experiência de coisa nenhuma a não ser jogar vídeo game.

Bárbara          Mas vamos fazer uma analogia aqui? Está tendo agora o The Voice Kids, que está sendo um… o meu filho começou a comentar, porque eu não vejo televisão, então eu nem sabia que estava tendo e aí meu filho começou a falar. Aí eu fui assistir com ele, então agora eu só ligo a televisão para ver o The Voice Kids com ele aos domingos, aquelas crianças, tem criança ali de 6 anos, estão olha, elas começaram, a música é um dom, certo, tem o Master Chef Junior, que teve agora, aquelas, tinha criança de 6, 7 anos, a mesma coisa é empreender, é dom, vem da infância, a gente tem… se não começar da infância, não tem, a mesma coisa, tipo tem um programa de mini chefs, tem um programa de mini cantores, por que não pode ter um programa de mini empreendedores?

Luciano          A pergunta que fica então para quem está nos ouvindo aqui é o seguinte: se  você é pai, se você é mãe, a pergunta é a seguinte, você está criando seu filho para ser o que?

Bárbara          Empreendedor.

Luciano          É?

Bárbara          De si. Ele não precisa ter um negócio, não estou criando meu filho para ser empresário, estou criando meu filho para ser empreendedor, para ser o protagonista da vida dele, literalmente.

Luciano          E não importa se ele vai trabalhar dentro de um grande banco, se ele vai ser um empreendedor de gravata, trabalhando dentro de uma grande empresa ou se ele vai ser dono do seu próprio buffet infantil.

Bárbara          Não importa.

Luciano          É, importa ele ter…

Bárbara          Eu só quero que ele tenha o domínio da vida dele e tenha maturidade de saber lidar com perda, mas sempre buscando a vitória, porque lá em casa nunca você vai me ouvir dizendo para o meu filho, importante é competir, não é competir, o importante é vencer, a gente veio para a vida para vencer, agora tem que saber perder, eu não estou criando meu filho para ser um monstro que só quer vitória, estou criando meu filho para saber perder, mas quando perder, cada vez se levantar mais rápido e treinar mais para vencer.

Luciano          Muito bom. Quem quiser tomar contato com o seu trabalho então, vamos lá, Bárbara, o Stock se escreve como?

Bárbara          S T O C K.

Luciano          Não tem segredo, é Bárbara Stock.

Bárbara          Stock.

Luciano          Tá. E o Facebook é o caminho.

Bárbara          É, o Facebook é o caminho.

Luciano          Tá, você não tem um site ainda?

Bárbara          Não, ainda não, tenho Facebook e o canal do Youtube que a gente vai lançar agora também.

Luciano          Legal, Bárbara, eu quero conhecer, quero saber o que vai rolar e depois eu queria que você me desse algumas dicas aí para eu dar uma… fazer um barulho aí, porque eu acho que isso que você está pregando é realmente aquilo que me é muito caro, eu diria para você que é o seguinte, você está muito além da questão do empreendedorismo, quando você fala dessa coisa de que eu quero formar meu filho para que ele tenha as  rédeas da vida dele nas mãos dele, isso é muito mais do que empreendedorismo, isso é um jeito diferente de você olhar a vida e que vai se aplicar em uma série de outras coisas, mas tem a ver com a sociedade, tem a vem com o futuro que ele vai construir, não importa se, com o que  é que elevai trabalhar, não importa qual é a relação que ele vai ter com os subordinados ou com a chefia dele, se é que ele vai ter isso algum dia, importa é essa consciência de que, como é que é? Eu sempre brinco no programa, não tem essa história de deixa a vida me levar, vida leva eu, quem leva a vida sou eu.

Bárbara          Com certeza, a gente tem que ser protagonista, a gente tem que mandar, até porque a vida é tão curta e teoricamente a gente só tem uma, então…

Luciano          Olha, tem um menino e uma menina de 24 anos ouvindo a gente aqui, está no busão agora, indo para o trabalho, está meio invocada porque o trabalho é um saco e etc e tal e está ouvindo a gente aqui, deixa um recado para ele ou para ela.

Bárbara          Cara, a primeira coisa que você está fazendo de errado, vamos olhar o que está de errado na sua vida, a gente só consegue resolver quando a gente sabe o que está errado, por que você não gosta do seu trabalho? O que está ruim, estar no ônibus? O que está errado lá? Vamos colocar no papel os erros, quando a gente consegue assumir o que a gente… onde a gente está errado, quando a gente consegue enxergar com clareza, que muita gente não tem a clareza de onde está errando, então quando você colocar no papel tudo o que está errado, bota tudo, extravasa, escreve tudo o que esta errado, meu cabelo está errado, escreve, está errado, se está te fazendo mal, está errado, escreve tudo num papel dali já é um ponto principal para você começar a mudar e vai mudando de um em um, não dá para, se tem cinquenta coisas ruins, não dá para você querer mudar cinquenta coisas de uma vez só, você vai se atropelar e não vai mudar nada, então o que eu posso mudar, o que é mais fácil agora? Ah é meu cabelo, então espera aí, o que eu preciso? Ah preciso de uma cabeleireira, ah preciso de dinheiro, então corre atrás disso, aí o segundo, o que está ruim? É o ônibus, eu não quero, não aguento mais ônibus, eu quero… mas também não quero carro porque eu não quero a hora do rush, então o que a gente pode fazer para começar a fugir dessa hora do rush,  é sempre procurar… o problema você tem, a diferença é você olhar por outro ângulo o problema, ao invés de olhar o problema diretamente, você olha  que eu posso fazer para deixar de ter esse problema, essa é a minha dica para você.

Luciano          E eu vou dar um exemplo aqui interessante, você que está no busão aí, que um belo dia você deve ter parado e pensado o seguinte, pô meu, fico uma hora dentro do busão, eu fico quarenta minutos no busão, fico uma hora e meia no busão, perdendo meu tempo de vida, o que eu posso fazer para ganhar o meu tempo de vida, você já tomou uma escolha, você está ouvindo o podcast.

Bárbara          Ouço o podcast, com certeza.

Luciano          Legal, Bárbara, obrigado por você tem vindo.

Bárbara          Muito obrigado.

Luciano          Parabéns pelo trabalho ai. Mateus, manda bala junto com a mãe aí…

Bárbara          Filho, você tem que quebrar tudo, olha a responsabilidade hein.

Luciano          Tchau, tchau.

                                                                                   Transcrição: Mari Camargo