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Luciano Pires -

Luciano           Muito bem, bem vindo a mais um LíderCast, hoje eu tenho aqui junto comigo, trancado dentro desse ambiente maravilhoso do nosso estúdio do Café Brasil, um sujeito que eu conheço desde 2007, 2008, por aí e cheguei nele por uma necessidade de negócios, vai dar um papo legal aqui. Primeira pergunta que é aquela fundamental, aliás, são três, como é seu nome, sua idade, o que é que você faz?

Leandro          Sou Leandro Martorani, tenho 33 anos e sou um dos sócios da Le Mídia.

Luciano           O que é a Le Mídia, Leandro?

Leandro          Le Mídia é um terceirizador de departamento comercial para veículo de mídia. Na verdade a palavra terceirizador foi criada para explicar para um sujeito chamado Luciano Pires o que a Le Mídia fazia.

Luciano           Deixa eu contar aqui como  é que eu cheguei nele para a gente  poder entender porque eu trouxe esse cara aqui. Quando eu botei o Café Brasil no ar, a gente estava tentando trabalhar na monetização do Café Brasil, de podcast, aquela coisa complicada de sempre, um dia eu recebi um comunicado de uma revista, à qual eu colaborava, dizendo que ela tinha terceirizado a área comercial dela e que a partir de então quem faria todo o trabalho comercial seria uma empresa chamada Le Mídia, liguei para eles, falei que história é essa? Ah pô a Le Mídia é um pessoal que eles fazem esse trabalho… Eu fui tentar entender o que era, entrei no site para ver o que era e entendi que eles tinham encontrado om nicho interessante que era oferecer esse trabalho de comercial para as empresas que não tem bala na agulha para manter um departamento comercial, então uma pequena revista de nicho, uma revista para criadores de rã, que tem ali 3000 exemplares por mês, ela não consegue manter um departamento comercial, então o dono tem que escrever, tem que limpar o chão, tem que atender o telefone e tem que sair com a malinha para fazer a venda e sempre é muito complicado você, como independente, entrar numa grande agência de publicidade e tudo mais. E na cabeça do Leandro surgiu aí uma oportunidade que era, na verdade, reunir as duas mil revistas de criadores de rã, sapo, borboleta, lagartixa do Brasil e de repente não era mais uma revistinha de 3000 exemplares de um cara que eu não sei quem é, mas era um pool de revistas que começava a ficar apetitoso e aí ele abria caminho para entrar dentro das grandes agências e poder chegar na frente de um grande anunciante e oferecer um pool de coisas legais. Acertei na…?

Leandro          É exatamente isso, eu tinha sido convidado para ser diretor comercial de uma revista, que por acaso é essa revista à qual você colaborava, que era a revista L’uomo, que infelizmente não está mais no mercado, não por um problema comercial e eu não aceitei na época a proposta e o dono da editora que era um querido, que é um querido amigo e um sujeito muito insistente, ficou tentando bolar junto comigo como que eu poderia colaborar comercialmente para a revista e daí eu inventei essa história de terceirizar o departamento comercial, com isso eu ganhei em doação o departamento comercial dele e comecei a operar esse departamento comercial e em pouco tempo foi fácil de observar que uma revista só nichada que naquele caso era uma revista de moda masculina, quer dizer, algo muito específico no Brasil, não teria sucesso comercial sozinha, e aí a gente abriu para outros veículos e começamos representar formando um pool de veículos, num primeiro momento só impressos e  depois a coisa foi crescendo e aí, se eu não me engano, se eu não me engano não, com certeza, o primeiro digital que a gente começou a trabalhar foi o Café Brasil e eu me lembro que na época eu chegava para falar com o diretor de mídia de agência digital, eu falava eu vim aqui te apresentar o podcast, o sujeito chegava para mim e falava assim, pode quem? O que você está falando?

Luciano           Ai que dificuldade, eu fui lá, eu marquei uma reunião com eles e falei, quero conversar com vocês e apresentar um negócio, e eu apresentei para eles um treco louco, que não tinha nada a ver com o negócio de vocês, mas o meu raciocínio era o seguinte, esses caras já estão entrando nas agências, já estão falando com os mídias, a hora que ele terminar de apresentar as revistas todas, ele vai puxar um papelzinho e falar, bom, além disso, tem um outro treco aqui chamado podcast Café Brasil e na minha cabeça eu não tinha nem muita ilusão de que aquilo ia dar muito certo, mas o que na verdade eu queria mesmo era esse trabalho que eu chamei de polinização, era alguém visitando as agências e falando do podcast, podcast, podcast, Café Brasil, Café Brasil, Café Brasil, falei olha, mesmo que não venda nada, pelo menos está anunciado que existe um treco chamado podcast e o Café Brasil está batendo ali, eu falei, ao longo do tempo essa coisa vai acontecer. E para a minha surpresa, logo no começo eles me aparecem lá com uma proposta de fazer alguma coisa para o Itaú Cultural e para o Auditório Ibirapuera…

Leandro          O primeiro foi Itaú Cultural, eu me lembro que eu apresentei e a agente de marketing, que é uma pessoa absolutamente especial e eu chamo de pra frentona, ela realmente aceita desafios de mídia e entende que determinadas coisas vão ter sucesso assim como teve o podcast, ela comprou a nossa apresentação e falou, “tamo” junto e por um… na época, uma audiência ainda em crescimento e um valor também que não era nada absurdo, ela topou a empreitada e começou com a gente, quando o Itaú, se eu não me engano, um  ano depois, o Itaú assumiu a mantenedoria do Auditório Ibirapuera e daí a gente conseguiu crescer um pouquinho o nosso projeto dentro do Itaú Cultural e o Auditório Ibirapuera, trazendo o Auditório como patrocinador também e aí que se vão 7, 8 anos.

Luciano           … é, 7, 8 anos lá e uma parceria que tem funcionado sempre muito bem, até porque o Itaú Cultural é um patrocinador do sonhos de um projeto como é o Café Brasil, o que eu quero lá? Alguém interessado em cultura, pô é esse cara que eu quero aqui, mas vamos adiante, o que você fazia antes de abrir a Le Mídia, você estava… Além de ser playboy o que mais você fazia?

Leandro          Puta, playboy acho que é a única coisa que eu não fui, o Leandro começou a trabalhar com 14 anos, numa empresa, bom, o Leandro nunca trabalhou com alguma coisa que não fosse comunicação, então eu comecei a trabalhar com 14 anos numa empresa de comunicação visual, cuja alguns dos sócios eram da minha família e eu achei que eu ia ser um playboy, que eu ia chegar lá e ia ter uma secretária e uma mesa e  daí eu cheguei lá, eu ganhei um uniforme, uma furadeira, uma parafusadeira e um chefe e eu segurava parafuso para aquele cara parafusar, eu era assistente do parafusador e com isso eu perdi um teco dos meus dedos que se recompuseram durante a vida. Foi demais! Trabalhei lá acho que até uns 18 anos e daí resolvi que queria tentar a vida longe da minha família, vamos dizer e fui  fazer um monte de coisa. Fui estagiário de agência de propaganda pequena, fui estagiário de agência de propaganda média, grande, o mais legal é que o fundador da agência pequena que eu fui estagiário, hoje é meu sócio, então eu construí uma história junto com esse cara, um cara especial, chamado Ricardo Diniz, me ensinou pra burro, dali eu fui trabalhar com uma turma que possivelmente você conheça muito bem, que foi a Web Motors, e eu garoto com 20 anos, fui ser estagiário da Web Motors, para começar a trabalhar com um negócio que pouco se sabia na época, que era internet, internet para o setor automotivo menos ainda, me lembro de reuniões com grandes jornais de São Paulo e os diretores comerciais falavam que eu era maluco, que nunca que as pessoas iam deixar de anunciar seus carros nos jornais de domingo para colocar alguma coisa na internet e não sei o que eles fazem hoje, possivelmente não sejam mais diretores comerciais de nada e  lá eu virei mídia, lá eu comecei a trabalhar com mídia, não fazia a mínima ideia do que eu estava fazendo…

Luciano           Eu estava muito próximo naquela época, era a época que eu estava na Dana e a gente se aproximou muito do projeto da Web Motors, porque era um projeto inovador, era uma coisa maluca, eu me lembro das discussões que apareceram quando surgiu a Web Motors, que aquela ideia era o seguinte: as pessoas vão comprar carro pela internet, não é isso, a gente sabe hoje que não é isso, eu não vou comprar um carro na internet, eu vou acessar as informações, vou fazer uma pesquisa, vou definir as melhores opções e aí é que eu vou lá comprar o carro, mas na época não era assim que se enxergava, se via como compra, quero comprar um carro pela internet era um baita absurdo, imaginar isso numa  época de… o máximo que a gente conseguia pensar era no “Primeira Mão”, era com a cabeça do “Primeira Mão”, do jornal “Primeira Mão”, vem esses malucos com essa ideia da Web Motors e eu me lembro que aquilo foi uma loucura, porque a Web Motors era um dos grandes signos daquela época do nascimento da internet no Brasil né? E era um grupo de moleques, era uma molecada, Silvio, a turma toda lá…

Leandro          Daniel Viunisk, Fernando Ortenblad, gente muito competente que é até hoje. Eu me lembro quando eu fui fazer minha entrevista para ser estagiário, me falaram que eu ia ter uma entrevista com o presidente da Web Motors e a Web Motors tinha sido comprada pelo ABN, então eu estava indo fazer uma entrevista com o cara que eu nem lembro que cargo ele tinha dentro da ABN, mas hipoteticamente superintendente e daí eu comentei com meu pai que é executivo de uma multinacional onde se trabalha de terno e gravata, ele falou para mim, você vai lá de terno e gravata e eu cheguei lá e  dou de cara com o Silvio, de calça jeans e camiseta e daí eu me senti o próprio vendedor de enciclopédia lá e aquela cara me fez perguntas que eu não me recordo exatamente, mas eram todas absurdas, nenhuma delas tinha a ver com a meu histórico profissional, mas foi muito legal e eu fui contratado para ser estagiário e eu achei que eu ia aprender sendo estagiário e eu sentei lá e no dia seguinte eu tinha um monte de trabalho para fazer e acho que isso fez eu gostar ainda mais do negócio. Ali eu aprendi um pouco do que era mídia e foi muito interessante porque eu tinha um professor de faculdade que na época tinha acabado de sair da globo, que era um diretor de merchandising na globo, foi diretor de merchandising muitos anos, da rede globo e na minha sala de aula na faculdade não tinha nenhum mídia, então tinha um monte de gente de criação, tinha gente de atendimento mas não tinha ninguém de mídia e esse cara de alguma forma me adotou e me ensinou pra burro, um cara chamado Douglas Murtoco, um profissional assim excepcional, professor maravilhoso, colega de sala de aula de um dos sócios da Le Mídia, que  é o Luis Fernando Marques, também é professor universitário. Então ali eu aprendi pra caramba e pouco tempo depois eu recebi uma missão do Silvio e do Silvio de Barros, fundador da Web Motors e Daniel Viunisk que na época era gerente da Web Motors, pedindo para que eu fizesse a capilarização da audiência da Web Motors…

Luciano           O que será que é isso?

Leandro          … naquele dia eu não fazia a mínima ideia do que era capilarização, mas basicamente o que acontecia? Com a evolução da internet, as grandes metrópoles tinham uma audiência razoável e por consequência tinham um número razoável de carros anunciados, com a compra, quando o banco comprou a Web Motors, o banco estava comprando uma empresa de classificados, aí já tinha desmistificado o que a Web Motors fazia e a gente tinha vestido ela realmente como classificados, a gente precisava de audiência de outros lugares que não fossem metrópoles porque o banco ia bater na porta daquele lojista lá do interior de não se de onde para que ele anunciasse os carros dele na Web Motors e não adiantava nada ele anunciar e a comunidade local não buscar carros na Web Motors, então eu fiquei aí um bom tempo, talvez um ano, viajando o Brasil batendo nas portas dos jornais. Então, eu chegava numa cidade pequenininha, batia na porta do jornal e dizia para o cidadão que eu queria ser a página de classificados dele e ali recomeçava toda a minha explicação do que era a internet, do que a Web Motors fazia, geralmente quem cuidava daquilo era o sobrinho do vizinho do primo do irmão de alguém e a gente queria criar ali um canalzinho e foi um baita sucesso graças a Deus foi um trabalho muito legal.

Luciano           Foi. A Web Motors é um grande, é um dos grandes cases aqui nacionais e aí é uma coisa interessante que eu me lembro hoje, quando a gente olha aqui, outro dia eu fui fazer, eu tenho um…. eu sempre compro carro no mesmo lugar, com o mesmo cara lá que é um cara que atende a gente super bem e eu estava vendo ele trabalhar, a gente fazendo uma pesquisa ali, cara a Web Motors é ferramenta de trabalho diário dele, ele não vive sem aquilo e ele era uma loja de carros que no começo se achou ameaçada, quando surgiu a Web Motors, porra esses caras vão perder meu negócio e as lojas reagiram muito mal àquilo porque era um concorrente que surgia e hoje aquilo que era um concorrente virou uma ferramenta dos caras, trabalham em parceria e tudo mais. Mas aí, você vai na Web Motors e aí, chega até onde na Web Motors? Vira o mídia da Web Motors?

Leandro          Eu fui mídia da Web Motors e na época que eu virei mídia da Web Motors, os fundadores saíram e pouco tempo depois sai o gerente de marketing e o gerente de produtos que eram os caras que mais sabiam do negócio fora os fundadores e eles me convidaram para fazer um trabalho junto com eles, eu já estava a fim de um outro desafio, naquele momento eu tive a certeza, nada contra, mas que eu não servia para ser o funcionário de um banco e entrar nos padrões do banco, para aquele momento, porque realmente era imprimir a cultura do bancário, para o profissional de internet, que era um conflito cultural monstruoso, lá a gente, pouca gente não precisava, não podia ir trabalhar de bermuda, por exemplo, então você tinha um monte de gente lá que podia trabalhar de bermuda, não tinha problema nenhum, o cara que mais entendia de tecnologia devia ter 19 anos e o banco trazia uma cultura diferente, aquilo me incomodou naquele momento, apesar de ter adorado trabalhar, na época Banco Real, era ABN Amro Real, era divertidíssimo, um baita de um patrão, foi acho que do mesmo jeito que em um momento eu decidi que aquilo não era para mim naquele momento da minha vida, também eu posso dizer que foi o melhor patrão que eu tive na vida, foi único que me fez pensar em abandonar o meu lado empreendedor, ali poderia ter uma carreia, eu contei para o meu pai e para a minha mãe, que eu estava saindo do banco, os dois carreiristas de multinacional, ficaram de cabelo em pé.

Luciano           Quando você estava lá você ficou com uma liderança, você ficou liderando equipe e tudo mais ou não chegou a esse ponto na Web Motors?

Leandro          Luciano, eu acho que liderança, ela vai muito além do cargo, eu nunca tive o cargo de líder de equipe na Web Motors, e também não acho que liderança é uma característica sempre boa para uma pessoa, mas é uma característica e acho que eu tenho essa característica e no momento onde os fundadores e os gerentes saíram, eu me lembro de eu chegar para o vice presidente da Web Motors que era um executivo do banco que pouco sabia sobre internet e eu era estagiário, bati na porta da sala dele e ele perguntou meu nome no dia e eu falei para ele, olha eu sei que vocês estão preocupados porque vocês acham que precisam ir para o mercado, eles até comentaram isso um dia, ir para o mercado buscar gente para substituir essas pessoas, mas tenho certeza, eles prepararam muito bem essa equipe que está aqui que sabe o que está fazendo e a gente ali, não só eu, mas toda aquela turma assumiu a liderança do que era a Web Motors e foi muito, muito legal.

Luciano           Porque o fedelho entrou na sala e foi falar. Então deixa eu te contar umas historinhas aqui que é legal para quem está ouvindo a gente aqui, tem muito disso. Tem muita gente que tem umas histórias, eu tenho pelo menos duas histórias muito legais sobre essa questão do fedelho ir tomar as coisas na mão e mandar fazer acontecer, quando eu entrei na Dana, uma indústria de autopeças e tudo mais, eu fui trabalhar lá, eu era um garotão, tinha 20 e poucos anos, não me lembro a idade, 24, 25 anos, uma coisa assim, 26 e eu entrei lá como desenhista de catálogo, sem saber onde é que eu estava me metendo. Chego lá de repente num lugar e eu fui descobrir que eu estava ocupando lugar de um cara quando esse cara voltou das  férias dele e o cara chegou, eu não sabia que ele existia, ele não sabia que eu estava lá, ele chegou eu já estava sentado lá que é uma mesa do lado dele e, aí de repente esse cara era supervisor, eu entrei como desenhista e eu senti que os caras estavam me botando para eu tomar conta desses caras, como? Eu não tenho a menor ideia, e eu olhei aquilo, mas esse cara é supervisor, eu sou um mané aqui, não teve dúvida, fui no RH, pedi uma papeleta de promoção, subi no meu chefe, que era um português, sentei na frente dele e falei olha, acontece o seguinte, estou lá o cara vem responder para mim, o cara era supervisor, eu sou um mané aqui, eu tenho que ser no mínimo supervisor, então eu já preenchi o papel aqui eu queria que você assinasse para mim, o português ah perfeitamente pegou e assinou e eu me promovi de cargo, promovi de sala, eu não cheguei a ganhar o primeiro salário, o contrato que eu entrei na empresa, um mês depois já era chefe porque eu peguei a papeleta na mão e eu fui na casa dele, sentei na mesa dele e para mim isso era a coisa mais natural do mundo, hoje quando eu lembro disso eu falo, meu, mas que que eu tinha na cabeça de fazer uma loucura dessa? O cara podia ter rasgado aquele papel, mandar eu procurar a minha turma, mas eu fiz e deu certo. A outra história, eu fazia o jornal interno da empresa, a empresa tinha várias unidades no Brasil, uma unidade era em Porto Alegre, eu fazia um jornal eu era o Pinhão, era um jornal super conceituado lá dentro, tinha bastante coisa lá e eu ia sempre para Porto Alegre trabalhar e ficava lá e ficava numa sala da chefia lá, sala da diretoria, eu como diretor da empresa, um belo dia, estou sentado na sala, abre a porta, entra uma menina linda pela porta, por favor, você é o Luciano né?  Falei, sou. Posso entrar para conversar com você? Pode, perfeitamente. Olha eu admiro demais o trabalho que você faz, admiro demais o jornal, achei muito legal, eu tinha que vir aqui falar para você. Essa menina era telefonista temporária, ela foi contratada para ser telefonista temporária da empresa e a hora que ela me viu sentado ela entrou na sala para falar para mim que ela adorava o trabalho e eu fiquei com aquilo na cabeça, falei o que é isso? Como é que alguém entra na sala para falar um negócio desse ai? Não demorou muito tempo, eu chamei essa menina para trabalhar na minha área e essa menina hoje, é a Julia Lima, hoje é empreendedora pelo mundo inteiro, montou uma empresa, viaja o mundo inteiro, virou palestrante, o diabo aí, faz acontecer, pinta e borda e ela conta muito essa história para as pessoas, que tem a ver com essa coisa do fedelho entrar na sala para se meter a falar alguma coisa quando ninguém pediu para ele falar e entre tomar uma porrada e correr o risco, ele prefere o risco, de onde vem isso?

Leandro          Acho que a liberdade que o jovem tem traz um pouco dessa possibilidade mesmo de você bater na porta de alguém que não te chamou e falar, oi, tudo bem? Eu estou aqui. Olha eu sei fazer isso daqui, serve para alguma coisa? Ou deixa aqui que eu faço e eu sempre gostei muito desse negócio do “deixa aqui que eu faço” o que me trouxe um monte de problema durante a vida também, porque você acaba assumindo um monte de coisa que não é o que você deveria assumir, mas eu sempre gostei muito disso, acho que é um pouco do empreendedor mesmo que mora dentro do ser humano…

Luciano           É uma soma de irresponsabilidade porque você não avalia o risco, já que eu estou aqui vou fazer, aliás, você nem tem condições de avaliar o risco porque você não passou, você não tomou o grande esporro da sua vida, você não viu ninguém ser arrasado na sua frente, o cara que está sentado lá trata você numa boa, não é um cavalo e você como um garotão vai lá, abre a boca e fala o que tem que falar…

Leandro          Acho que você está acostumado a tratar com alguém muito superior a você quando você é jovem, porque até aquele momento você sempre tratou com o teu pai e uma pessoa como eu, que sempre tive muito respeito pelos meus pais, tratava com qualquer outra pessoa com o mesmo respeito, mas também com a mesma liberdade que eu sempre tive com os meus pais de poder falar o que eu achava que deveria falar naquele momento, isso somado à falta de responsabilidade, sem dúvida cria uma química interessante.

Luciano           … interessante, isso é uma dica sobre liderança que é fundamental, que é a de você, como é que é? Não sabendo que era impossível foi lá e fez, aí o cara vira, como é que você falou uma coisa dessa? Falei e acabou que deu e que funcionou.

Leandro          Acho que o oportunismo é um negócio legal também, acho que o…

Luciano           Na verdade não é oportunismo, na verdade é o teu senso de oportunidade que é você sacou a chance, vai e faz, não deixa a bola quicando. Mas aí você tem que ter algumas coisas, ou você é um puta de um irresponsável, é irreverente, vai lá e assume e se der deu, se não der, também dane-se, ou você tem uma puta auto confiança, que fala eu sou o cara que vou fazer acontecer e tenho tanta confiança que pode jogar no meu colo que deixa comigo.

Leandro          E acho que o cara que tem esses dois é um grande empreendedor.

Luciano           E é o cara que eu quero trabalhando comigo. É, é o cara que você quer trabalhando com você e essa característica que a gente vê que anda meio difícil de encontrar.

Leandro          Tem uma definição de Harvard, que eu acho demais, que é a definição de empreendedorismo, que é a busca incessante por oportunidades independente dos recursos disponíveis e acho que fedelho que entra numa sala e sugere, ou pede, ou intima, dependendo do ímpeto que ele tem naquele momento, ele está sendo um baita empreendedor, porque ele não sabe se ele tem os recursos disponíveis, mas ele está buscando uma oportunidade que apareceu ali naquele momento e tentando agarrar ela da forma que ele tem disponível, com a ferramenta que ele tem disponível que é a palavra, que é chegar lá e falar, oi, tudo bem, eu sei.

Luciano           E tem outra coisa legal, quer dizer, ele pode falar a bobagem que ele quiser, porque ele não é um sujeito de 45 anos, 30 anos de experiência que já fez todas as cagadas da vida e não vai falar de uma cagada, esse moleque não fez ainda, então ele pode falar toda a bobagem e aí eu quero inverter a história, vou aproveitar esse papo, esse gancho que você deu aqui que é o seguinte. Nós já temos mais de 30 anos, nós dois e é legal falar do fedelho de 18 anos, de 19 anos que chegou lá e aí eu quero voltar para esse cara de trinta e tanto que é o chefe que está sentado lá e entrou o fedelho. Tem muita gente que não gosta, tem muita gente que corta a asa, tem muito cara que, ah você não tem experiência nenhuma, moleque, não me enche o saco, eu sei o que foi assim, já passei por isso e já fiz e perde a chance de rever alguns conceitos. Tem uma das minhas palestras que eu falo sobre a importância que você tem hoje em dia de medir consequências, quando você pega um cara que é uma puta “véia” como nós e fala, bom cara, eu já tenho experiência, eu já fiz, eu não meço mais consequência, eu já sei como é que é, eu já fiz, então vamos fazer, porque eu já conheço e o mundo mudou completamente, se você não mede de novo as consequências você pode fazer de novo aquela coisa que deu tão certo semana passada e vai quebrar a cara agora porque o mundo mudou ontem a noite. Então o recado para essa moçada de trinta e tanto, dos chefes que estão aí, abre a porta para essa molecada entrar e ouça o que eles tem para dizer, por mais abobrinha que eles tenham a dizer, é que nem educar filho.

Leandro          Eu ainda não tenho filho, mas eu costumo dizer para todo mundo que me pergunta, o que você pode dizer sobre a experiência que você ganhou nesses anos? Afinal com 33 anos eu tenho 19 anos de profissão, começando aos 14. Eu costumo dizer que cada ano que passa, eu descubro que eu me tornei mais inexperiente, porque você vai conversar hoje com uma criança, eu passei os últimos dias viajando com alguns casais de amigos com filhos de 2 e 3 anos e aquela molecada pega um smartphone e sai apertando…

Luciano           E te ensina…

Leandro          … e é uma loucura, você se sente o perfeito idiota, mas o idiota bom sabe, o idiota falando assim, caramba, a hora que esse moleque começar a funcionar de verdade, a hora que ele souber o que ele está fazendo, ele vai mudar o mundo e eu…

Luciano           Mas é uma inversão que você vê hoje, os netos ensinando os avós, ensinando o avô em coisa que é importante, como é que usa esse tal de zapzap, o molequinho pega daqui e ele faz tudo aquilo, então há uma inversão, essa moçada mais jovem ensinando os mais velhos. Mas deixa eu retomar a tua história aqui para voltar, eu estou procurando, cercando você até chegar no momento em que você virou dono do negócio, você sai lá da Web Motors…

Leandro          Eu saio da Web Motors, trabalho por algum tempo com os gerentes que tinham saído um pouco antes de mim e eles tinham tido uma atitude super empreendedora, eles estavam montando um portal chamado na época “Dieta e Saúde”, que depois tornou “Minha Vida” e  que é do grupo que eram os primórdios da Web Motors que também são os sócios do E-Carros, que hoje é o maior concorrente da Web Motors. Eu trabalhei com eles vendendo espaço publicitário no canal de carros do UOL, que eles fizeram? Eles bateram na porta da UOL e falaram, UOL, eu quero comprar a tua barra de classificados, pegaram aquilo, compraram no atacado e foram vender no varejo e eles precisavam de alguém que tivesse com tempo e saco para sair na rua batendo de loja em loja de carro falando, oi amigo, você quer comprar um espacinho aqui? E esse alguém é esse que vos fala. Foi o Leandro lá bater na porta das lojas de carro e isso foi muito interessante porque eu já tinha sido vendedor lá na empresa da minha família e tal e ali nascia uma oportunidade, eu acho que foi a primeira vez que eu me vi empreendedor com responsabilidade, eu já tinha empreendido com pequenas coisas durante a vida, mas nada sério, ali eu olhei e falei assim, cara, eu estou conhecendo um mercado, eu acho que a primeira coisa que você olha quando você se torna um profissional, é: eu conheço de alguma coisa e ali eu estava conhecendo realmente o mercado automotivo, o marketing, o vendedor, o lojista de carro, eu falei, bom, eu posso voltar lá naquele cara que eu fui estagiário, numa agência de propaganda, lá atrás quando eu tinha 17 anos e sugerir para ele montar uma agência de propaganda focada em lojista de carro, por que? Porque chegava na loja de carro, vendia lá aquele espacinho publicitário para ele, ele não tinha o que colocar ali, eu convencia literalmente aquele cara que ele precisava anunciar, ele saia dali convencido, só que ele não sabia o que ele estava fazendo de verdade, então eu pensei, pô, existe uma oportunidade aí para alguém que tem uma visão de comunicação pensar por esse cara e daí bati na porta lá do Ricardo Diniz, sugeri para ele que a gente montasse a Castanho & Diniz, que era uma agência minha e dele, que nasceu dentro da Richard & Richard Publicidade, que é uma agência dele, é dele até hoje e usava um pouco da mão de obra da Richard, quer dizer, a gente não tinha grandes investimentos, até porque não tinha dinheiro também, e começava a trabalhar com lojistas de carros, foi muito legal, até eu descobrir que eu não conseguia atender dois lojistas da mesma região, porque eles eram concorrentes e eu não podia pensar estrategicamente a comunicação de um cara que estava dividindo o mesmo quarteirão do outro e a gente conseguiu ter algum sucesso, a agência durou três anos e depois faliu e acho que essa falência foi a melhor experiência profissional que eu tive até hoje.

Luciano           Eu quero saber, me fala dela, vamos lá.

Leandro          Que aconteceu? A gente, depois que descobriu que um lojista do lado do outro não poderiam ser atendidos pela mesma agência, tínhamos uma estrutura pequena mas muito rentável, eu, no alto dos meus vinte e alguns anos, gastava todo o dinheiro que eu ganhava, era uma máquina de gastar dinheiro, você tem um monte de ideia, quando você tem vinte e poucos anos você tem um monte de ideia, cada hora que passa você tem uma ideia e simplesmente a gente perdeu nossos dois maiores clientes na mesma semana, uma coisa que era praticamente impossível, a gente tinha um grande varejista de automóveis usados, um cara que vendia mil e poucos carros por mês e esse cara, ele financiava para um banco chamado Banco Real, ABN e o banco, na época, (0:28:32.2 não posso falar isso… )

Luciano           (0:28:40.1 não fala que banco é……

Leandro          (0:28:43.7 boa…)

Luciano           (0:28:44.2 não fala que banco é…

Leandro          A gente perdeu as duas maiores contas da agência na mesma semana, que parecia absurdo aconteceu, então a gente atendia, na época um grande varejista de automóveis, que vendia mil e poucos carros por mês e esse cara atingiu um número de valor, um valor financiado, por um determinado banco que fazia com que fizesse sentido para o banco patrocinar as publicidades dele, só que uma vez patrocinado, como o número de publicidade era muito grande, o investimento era muito grande, ele também se interessou em ajudar esse varejista a planejar e executar essa publicidade e quem foi fazer isso foi a agência do banco e a gente perdeu esse cara, que é um grande amigo meu, passei o reveillon agora, encontrei ele, é um querido amigo mas na época não fazia sentido, o investimento dele o banco ia pagar, ele foi para o lado de lá e na mesma semana nós atendíamos, na época, a parte de carros esportivos da Mitsubishi, do Eduardo Souza Ramos, chamava Mitch Racing, era um projeto super legal, capitaneado pelo filho do Eduardo, que também se chama Eduardo e pelo Guilherme Spinelli, o piloto de rally e tal e….

Luciano           Com patrocínio da Dana, o diretor de marketing era eu, é isso aí, é isso mesmo.

Leandro          … e na época ele, o volume de carros esportivos vendidos começou a crescer e os concessionários resolveram que queriam também vender esses carros esportivos e à medida que os carros passaram a ser vendidos nas concessionárias, aquela estrutura passou a não funcionar mais e a agência que atendia a Mitsubishi e as concessionárias era uma agência gigantesca, isso até hoje, super competente e que fazia um trabalho melhor do que o nosso e ali eu perdia o meu maior cliente, na verdade, e a gente ficou meio apavorado ali com uma estrutura já e tal. E mesmo assim a gente tentou sustentar aquela estrutura durante um tempo com uma licença poética que o jovem tem de acreditar que tudo vai dar certo e onde a falta de experiência faz falta e ali a gente ficou alguns meses acumulando dívidas, o dinheiro…

Luciano           Como é que é a história? Você entrou no buraco e não parou de cavar…

Leandro          … não parou de cavar…

Luciano           … para de cavar, não, não paro, continua cavando.

Leandro          … até que eu acordei um dia e falei, bom, esse troço não vai funcionar mais e na época até o meu antigo sócio, meu grande amigo Ricardo Diniz resolveu continuar mais um tempo com a agência, não deu certo mesmo, mas ele tinha um outro negócio que era a Richard publicidade, eu não e daí eu saí daquilo…

Luciano           Que idade você tinha?

Leandro          … eu tinha acho que 23 anos ali, 22, 23 anos.

Luciano           Então vamos lá, deixa eu explorar isso aqui um pouquinho, um garotão de 23 anos, meio playboy porque gastava tudo o que ganhava, bem sucedido porque estava conseguindo coisas legais, um belo dia acorda de manhã e tem um choque de realidade, trombei com a realidade, não vai rolar. Isso é uma puta decepção, isso é um desmoronamento terrível porque você olha para aquilo tudo e fala, cara, fracassei, aos 23 anos, como é que você lida com essa consciência de que não vai dar e tem que falar para aquele moleque com gás todo e fala, não adianta continuar, para de cavar, desista, parte para outro caminho, bota uma pá de cal em cima e segue adiante, como é que foi isso?

Leandro          Eu vou te contar o que aconteceu e depois eu vou te contar porque aconteceu. O que aconteceu foi o seguinte: eu não parei de cavar, eu comecei a cavar para o lado contrário, porque se tinha um lado dando errado e eu tinha gás cavando para aquele lado que estava dando errado, eu só tinha que virar para o lado contrário e era uma outra oportunidade, poderia dar certo ou poderia dar errado, mas era tudo novo, o lado contrário era todo novo, então eu simplesmente peguei toda aquela energia que eu tinha e virei para o lado contrário, eu, entre a hora que eu resolvi fechar a agência e a hora que eu comuniquei o meu sócio e fui embora, peguei as minhas coisas da agência, foram 16 horas, eu acordei e quando eu fui dormir naquele dia eu não era mais sócio e não tinha mais nada meu dentro da agência e dali eu saí e fui para a casa dos meus pais, na época eu morava na mesma rua que os meus pais e eu fui para a casa dos meus pais, na verdade pedir auxílio financeiro para eles, falei bom, eu tenho uma dívida agora para pagar, eu resolvi, primeiro eu resolvi, agora a dívida não cresce mais, então eu tenho uma dívida para pagar, eu vou pedir auxílio financeiro para os meus pais, sentei com eles na mesa,  contei a história para eles, eles não se conformavam com o negócio, porque eu não tinha contado para ninguém, eu tenho um grande defeito, eu não falo dos meus problemas, eu quero me manter otimista e para se manter otimista você nunca fala dos seus problemas, nem com você mesmo as vezes, que pode ser um grande defeito. Eu contei para eles, eles ficaram super assustados e no final da história deram risada da minha cara e falaram bom, você foi muito competente com a idade que você tem para conquistar essa dívida, eu não tenho dúvida que essa competência bem direcionada e com o juízo que você tem, tem que ter ganho com esse problema, você vai resolver o problema e ali a minha mãe lembrou de uma pessoa que estava montando, uma amiga dela estava montando uma produtora de vídeo e que tinha comentado com ela que precisava de alguém para fazer o comercial para ela, ela mandou um e-mail, não lembro, ligou, mandou uma mensagem, eu não me recordo qual foi a ferramenta que era usada na época para isso, para essa pessoa, eu sei dizer que no outro dia, as 4 da tarde, era uma sexta feira, eu tinha acabado, fazia meses que eu tinha conhecido a minha mulher e eu me lembro que eu dividi muito isso com ela naquele momento e eu fui fazer uma entrevista com essa pessoa e daí eu fui contratado, então eu costumo dizer que eu nunca fiquei mais de 24 horas sem trabalhar desde o dia que eu comecei a trabalhar, porque eu tinha saído da agência a noite, pegado minhas coisas e ido para a casa dos meus pais, lá na casa dos meus pais eles me indicaram, eu fui trabalhar nessa produtora de vídeo.

Luciano           Que sorte hein?

Leandro          Sorte não né? Sorte não. Eu ainda não sei quem foi o esportista que falou, mas tem a história do “quanto mais eu treino, mais sorte eu tenho”.

Luciano           Eu faço isso em todos os programas, toda a entrevista que vem aqui chega um determinado momento que eu jogo isso na cara do sujeito falo puta sorte, você é rabudo hein cara?

Leandro          Mas vou te falar um negócio sincero, eu acho que um pouco de sorte todo mundo tem que ter, eu acho que tem alguns momentos da vida que podia ser você, podia ser o outro e aconteceu alguma coisa e foi você, uma das coisas que talvez tenha sido sorte, nesse momento, fui lá trabalhar na produtora, foi legal pra caramba, uma equipe demais, eu não fazia a mínima ideia do que era um vídeo e ela tinha acabado de sair de uma sociedade, precisava de cliente, eu me lembro o primeiro vídeo que eu vendi e foi dois dias depois que eu fui trabalhar com ela, tipo na terça feira, eu fui visitar o Eduardo Souza Ramos, lá da Mitch, falei bicho preciso te vender um vídeo, ele falou cara, mas eu tenho uma concessionária de carro, eu não compro vídeo, falei, mas você também tem uma banda de rock, não tem? Tenho. Falei, você já pensou em ter um clip, cara? Imagina você ter um DVD seu. E ele ficou encantado com aquele negócio, como a produtora era pequena, a gente conseguia viabilizar alguma coisa com custo…

Luciano           Com um custo mais baixo.

Leandro          … mais razoável e ali eu vendi para ele o clip dele, num DVD cheio de monstro assim que todo mundo que pega aquele DVD fala, pô, mas você guarda isso daqui? Eu falo pô, isso aqui me deu uma sorte do caramba. E ali eu ganhei a confiança da dona da produtora porque ela tinha contratado o filho de uma conhecida dela, que alguém, que a própria mãe tinha dito que sabia vender alguma coisa, mas minha mãe acha que eu sou lindo e eu sei que eu não sou, então eu tinha que provar alguma coisa para ela.

Luciano           Você e o Lewandowski

Leandro          É, maravilhosos.

Luciano           E aí?

Leandro          E aí foi muito legal, eu conheci uma cliente, na época, que estava, era dona de um spa urbano e estava aumentando representativamente o spa dela, tinha um plano bem ambicioso de montar o maior spa urbano da América Latina, e eu atendi ela como cliente da produtora e num determinado momento essa pessoa me convidou para ser diretor de marketing do spa. Que é o Spa Hara, fica, para quem conhece bem São Paulo, ficava na Avenida Europa, entre o MIS e a Ferrari, era um lugar super legal e eu ajudei ela em tudo, da obra, construí o spa literalmente até fazer toda a comunicação e tal e fiquei lá durante um bom tempo e foi lá que eu conheci o José La Monica, dono da Editora La Monica, como anunciante, quer dizer, eu anunciava o spa na revista L’Uomo, que você escrevia para trazer um publico masculino que era o leitor da revista e foi daí que saiu o projeto da Le Mídia que é uma das coisas que eu empreendi nesse tempo todo entre outras, eu adoro ter um site business também.

Luciano           Mas aí você então resolve montar aquele negócio e num determinado dia você acorda de manhã e fala, muito bem, agora eu sou o dono. Tem uma moçadinha aqui que trabalha para mim e as decisões que eu tomo aqui são decisões que vão afetar todo mundo, não é mais eu sozinho, não sou só eu, vou ou não vou, faço ou não faço, pego não pego, eu tenho um sócio aqui, nós dois só, não é mais, agora virou um business do qual você é dono do business. Você devia ter vinte e o que?

Leandro          Eu tinha 25 anos. Foi um ano. 24 para 25. Acho que eu não tinha 25, eu não me lembro, 24 ou 25 anos.

Luciano           Pois é, não era um business que você herdou do seu pai, não era o business que sua família fazia, era uma coisa aliás que não existia e você bota em pé um negócio que não existia. E aí cara, de onde vem, como é que é isso ai, como é  que você projeta uma coisa que não existe e parte para jogar o teu futuro em cima de uma coisa tão maluca assim, tão arriscada assim?

Leandro          Essa história ela seria mais interessante se eu dissesse que eu tinha planejado tudo e que era, tinha o melhor business plan do mundo, mas também seria mais mentirosa do planeta, a grande verdade é que tudo foi muito orgânico, então o La Monica me convida para ser diretor, eu não topei e daí a gente, num jantar, inventa a história, eu proponho para ele, falo, deixa eu terceirizar o departamento comercial da sua revista.

Luciano           Mas você estava trabalhando nessa época?

Leandro          Eu estava saindo, eu estava…

Luciano           Saindo lá do negócio do spa.

Leandro          … eu estava, é, o que aconteceu? Lá no spa eu anunciando na editora La Monica, o dono da editora, o José La Monica foi um dia conhecer o spa, porque se interessou e queria, pô, um spa que atende homens e lá eu fui receber, foi legal, e a gente acabou ficando amigo, ele um pouco mais velho que eu, mas a gente tinha um monte de interesse em comum, ele gostava muito de automóvel, eu também gostava muito de automóvel, a gente batia papo, gostava muito de relógio também e um dia ele me pede a indicação de uma gerente de marketing da editora dele, isso eu trabalhava na Hara e eu indiquei, na época a minha namorada, que hoje é minha mulher e ela foi ser gerente de marketing, isso fez com que eu me aproximasse muito do La Monica, quer dizer, eu era amigo do dono da editora que a minha mulher trabalhava. Às sextas feiras eu passava lá para pegar ela, para sair para jantar e encontrava ele, ia mais cedo, batia papo, era uma relação muito gostosa e chegou num determinado momento, depois que o spa estava em pé e estava funcionando, o desafio de comunicação era um desafio muito pequeno, porque era um negócio que tinha uma operação meio mecânica, um negócio de varejo, que depois que começou a funcionar, funcionava muito bem, diga-se de passagem, e daí a gente saiu para jantar e foi num jantar, a história da Le Mídia, ela nasce num jantar, então vamos fazer isso, vamos fazer aquilo, mas isso não quero, aquilo eu quero, eu disse para ele, eu terceirizo, terceiriza departamento comercial da L’Uomo comigo e ele comprou a minha história, porque o que acontecia? Eu precisava, naquela época, eu estava pagando dívida da agência lá, tudo isso acontece em um ano e meio, então eu tinha muita dívida para pagar ainda, eu não tinha… eu estava duro e o que eu precisava para montar a Le Mídia, que eu não sabia, eu precisava de um cliente, naquele momento nasce a ideia, e o cliente está parado na minha frente, qual foi o pedido dele? Leandro, eu tenho pessoas trabalhando nesse negócio hoje e eu não acho justo eu tirar essas pessoas porque elas estão lá há não muito tempo e elas estão fazendo um bom trabalho, então eu quero que você absorva essas pessoas, eis que, quem era o diretor, para quem não conhece a estrutura comercial de uma editora, ela, na maioria das vezes ela tem um diretor comercial da editora e cada título tem o seu diretor comercial, naquele momento o La Monica me convidava para ser diretor comercial da editora e existia um diretor comercial do título, que era um cara chamado Luis Fernando Marques, o Luizão, que é o meu sócio na Le Mídia, eu brinco que eu herdei o Luizão, eis que aparece lá o Luizão, diretor comercial e a gente sentou, para bater papo, falamos bom, vamos fazer o negócio juntos e aí a gente resolve montar a Le Mídia, que na época não chamava Le Mídia, não tinha nome, não tinha nada, era a terceirização do departamento comercial da L’Uomo. Essa turma, ela basicamente financiou, de forma orgânica, o nascimento da Le Mídia, então ali foi um espaço emprestado dentro da agência de propaganda da amiga do dono da editora, e tudo com custo muito baixo, do gato escaldado que tinha falido já por conta de um custo alto, então tudo é… o La Monica tem uma frase que eu adoro, que é “a demanda paga a conta” tudo sempre baseado no que a demanda provinha de dinheiro para poder assumir determinados custos e a coisa foi andando e foi completamente orgânica, então quando você me pergunta quando nasce o chefe, o dono,  o empregador, eu vou te responder: eu acho que nasce na primeira dúvida que eu não tinha ninguém para perguntar qual era a resposta, então tudo ia muito bem, só que em determinados momentos eu tinha uma dúvida, eu faço A ou faço B agora? E daí eu, durante a vida toda eu tinha um chefe, que eu falava e aí chefe, eu faço A ou faço B?

Luciano           E bom isso

Leandro          É maravilhoso, é maravilhoso, ter para quem perguntar…

Luciano           Puta como é bom, como é que eu faço? Tá bom, o cara fazia a escolha por você e se der errado você está dividindo responsabilidade e tudo mais, nessa hora bate  o negócio chamado solidão empresarial, entendeu? Eu tenho um texto muito legal, um texto meu que fez um baita barulho que chama “Solidão Empresarial”, que eu conto exatamente isso, falo cara, estou lá, tenho que tomar uma decisão e não encontro ninguém com quem dividir, porque meus pares não estão a par, mas de repente eu tenho um amigo, que não é o cara do mesmo negócio e faz outra coisa na vida, mas é o cara para quem eu ligo e falo, Zé, eu tenho que tomar uma decisão, me dá uma dica e ele sem saber do meu trabalho, do que eu faço aqui, ele me dá uma luz e é o momento em que ele me ajuda a superar essa coisa da solidão empresarial, que não é só de empreendedor, você tem presidentes de grandes empresas que sofrem de solidão empresarial, de um grande business, um executivo de banco,  esse cara pode acontecer, tomar a decisão e não ter para quem perguntar.

Leandro          Cara, eu tinha ali um negócio interessante porque a maioria dos meus amigos não são empreendedores, então dos amigos não funcionava, o meu pai não é empreendedor, ele é um executivo carreirista que trabalha com uma coisa que não tem nada a ver com comunicação, então também para ele não funcionava, só que eu tinha trabalhado com um cara que eu admiro demais, até hoje, e é informalmente o meu mentor profissional, que é o Daniel Viunisk, que é o gerente de marketing lá da Web Motors que é um cara pouquíssimo mais velho que eu, mas tecnicamente muito mais preparado, então na grande… a gente faz essa mentoria dele muito informal mas na maioria das vezes eu acabo levando um tema para ele e a gente  acaba debatendo esse tema e ele, de alguma forma, me auxiliou em várias dúvidas que eu tive. Mas também tenho eu assumir que várias delas não teve ninguém para me auxiliar e a solidão empresarial como você disse agora, pegou de verdade e daí eu acho que é uma mistura de feeling com pesquisa, eu acho que a curiosidade faz com que a gente busque informação, então um pouco de feeling misturado com pesquisa fez com que eu encontrasse a maioria das respostas certas e também as respostas erradas, quer dizer, eu acho que o empreendedor, ele tem que estar disposto a dar com a cara da parede, o empreendedor que achar que a vida dele vai ser uma maravilha, tem que arrumar um padrão, se não ele está no caminho errado.

Luciano           Boa, essa é boa. Outro dia eu escrevi um outro artigo também falando sobre bungee jump e wingsuit, eu fazia um exemplo falando o seguinte, olha, entrei num grupo de discussão para falar sobre essa coisa e os caras discutindo se existe empreendedorismo dentro de uma empresa onde você tem dono e você é o cara que responde, você é um executivo, eu sou executivo numa grande indústria, dá para ser empreendedor? O intra empreendedor ou empreendedor é aquele cara que é dono do próprio negócio, tinha uma discussão lá então que tinha os dois tipos de empreendedorismo e ai eu dei minha definição, falei tem dois empreendedorismos, um é o empreendedorismo do bumgee jump e o outro é da wingsuit, qual é a diferença? Bungee jump, você sobe numa ponte, salta, é um maluco, é um louco o cara que sobe na ponte e que salta daquela ponte com um elástico amarrado no pé, tem que ser muito louco para fazer isso, é um puta risco fazer e tem gente que vai e faz, pula então, se der errado o que acontece, você desloca uma vértebra, desloca o pescoço, mas tem um elástico segurando você o tempo todo, você tem o elástico, por mais que dê  errado, só se arrebentar o elástico é que eu morro, mas se eu pular errado e tudo, vai acontecer  que eu vou cair de mau jeito, mas o elástico me segura.

Leandro          Risco calculado.

Luciano           Tem alguém atrás, tem alguém atrás segurando. Wingsuit, eu salto do alto do penhasco com a minha roupa de vôo e se der errado eu morro, não tem elástico, não tem onde, os dois são loucos, os dois estão correndo risco, os dois estão fazendo uma coisa que pode dar um resultado muito ruim, os dois tem que ter muita coragem para fazer, tem que ter essa coisa de, pô, eu voou subir, vou me atirar no espaço, só que um se atira com o elástico, que é o executivo da grande empresa, e o outro se atira, que é o nosso caso, eu sou dono do meu negócio, se der errado eu dancei, então eu dizia o seguinte, o que define o empreendedor é a capacidade que ele tem de correr risco, eu posso correr risco com elástico no pé e posso correr o risco com o wingsuit. Um corre muito mais risco do que o outro, dá para dizer que um é mais empreendedor que o outro? Eu diria que não, os dois são empreendedores, mas um tem um pouco mais de conforto, porque se der errado a empresa segura, a empresa dá um jeito, tem o advogado da empresa, tem gente em volta para me ajudar, agora nós, empreendedores tocando nosso negócio sozinhos, aí o bicho pega e tem que ter um pouco de coragem para levantar de manhã da cama e falar, meu, lá vou eu de novo assumir um compromisso, mais um compromisso ao longo do dia.

Leandro          E na maioria das vezes, que a gente na Le Mídia tem gente que colabora com a gente lá e quando eu tomo uma atitude, eu não tomo uma atitude do Leandro, eu tomo uma atitude de um monte de gente, das pessoas que trabalham comigo, da família das pessoas que trabalham comigo, então a responsabilidade é realmente muito grande, mas eu concordo, eu acho que o empreendedorismo ele não é só por um empresário, eu acho que existe sim o executivo empreendedor, eu tenho uma passagem bastante interessante nesse sentido. Eu trabalhava na Hara e a Hara veio basicamente seis meses depois deu eu ter fechado a agência.Eu tinha passado um tempo na produtora de vídeo e o que eu ganhava na Hara era exatamente o quanto eu precisava pagar da minha dívida, para que ela tivesse um prazo razoável dentro das minhas metas e tal, só que eu precisava viver, então não tinha… a minha vida não se resumia a pagar aquela dívida, e daí eu me lembro que na obra da Hara tinham duas salas meio perdidas lá, uma era um alojamento, mas elas eram do lado da recepção, elas eram duas salas escondidas ao lado da recepção, e eu me lembro de chamar a dona do negócio e falar para ela, olha, tenho uma ideia, derrubar essas paredes aqui e vamos criar um microshopping, a gente vai alugar essa sala por semana para que empresas venham aqui vender os produtos dela e  lá a gente teve algumas das melhores marcas do Brasil, criando lojas semanais, era um espaço itinerante e um segundo espaço, onde marcas lançariam produtos, quer dizer, um era uma loja, varejo e o outro um espaço de eventos, vamos chamar assim e nesse espaço a gente teve lançamento de automóvel, de perfume, de um monte de coisa e ali  eu propus para ela que eu fosse sócio daquele negócio, mas aí foi uma mistura de bungee jump com wingsuit que era o risco era dela, o risco financeiro era dela, mas o risco de ganho era meu, porque era o único jeito que eu encontrava de me manter empregado, pagando a dívida e ganhar um extra para poder viver…

Luciano           Isso é um sonho, quer dizer, eu compartilho o prejuízo e fico bem com o lucro, que maravilha isso aí.

Leandro          Exatamente.

Luciano           Você falou agora pouco ai que  você vai lá tomar as decisões, você tem as pessoas que estão com você, as famílias das pessoas e tudo mais, mas cara, você é um empresário brasileiro, você é um capitalista nojento, você anda num puta carrão, você tem um baita relojão, baita de um  playboy, milionário, que explora seus funcionários, que paga pouco para todo mundo, que quer ganhar muito dinheiro para cuidar da sua vida e gastar, seu coxinha. E aí.

Leandro          Qual é o botão que eu aperto para me transformar nesse cara aí? Eu quero ser esse cara, fora a parte de pagar pouco, que eu gosto da ideia de pagar bem, cara, você pensa num negócio, pagar pouco é muito chato, tem que pagar bem as pessoas que trabalham com você, porque as pessoas que trabalham com você, elas compartilham de um terço do seu dia, você imagina você conviver com pessoas tristes, porque são mal remuneradas, um terço do seu dia, outro um terço você dorme e o outro terço você faz mais um monte de coisa, quer dizer, é muito chato. A grande verdade é que o empresário brasileiro é um baita de um herói, porque você conviver com a instabilidade econômica que a gente tem no país é surreal, hoje eu fui, há pouco, encontrei uma pessoa num bate papo e daí ele falou para mim, poxa, Leandro, como você vê esse momento de crise do Brasil, eu defini pra ele da seguinte forma, eu acho que a crise é muito parecida com um vestibular de uma dessas universidades concorridas, a vaga existe, são poucas, quem ganha? Quem estuda mais. Então eu acho que o empresário brasileiro é o cara que precisa trabalhar o dobro para ganhar metade do que deveria, eu não acredito muito nesse modelo do paga pouco que é bastante usado pela maioria das empresas do Brasil, eu gosto que todo mundo seja bem remunerado e dentro das minhas possibilidades eu tento fazer isso e de alguma forma eu acredito em meritocracia num modelo meio Lemann da vida, o Leman para quem não  conhece, estou dizendo do Jorge Paulo Lemann, modelo Ambev, Ambev aí, onde você torna a pessoa que trabalha com você sócia  do negócio, mas eu gosto dos vidaholics e não dos workaholics, porque eu também acho que você tem que trabalhar muito mas você também tem que viver muito, porque se não você se torna um sujeito chato, aquele cara que 10 da noite está no escritório, 6 da manhã ele está no escritório, ele não vai num teatro, ele não assiste televisão, ele não faz nada…

Luciano           Mais ou menos eu. Eu tenho um casal de conhecidos que quando eu trabalhava na empresa eles foram transferidos para a Alemanha, jovens ainda, um casal jovem, foi para a Alemanha com um bebê pequenininho, foram para lá e passaram a trabalhar na fábrica da Alemanha, ficaram lá um bom período e a gente… escreviam para mim, ouviam o programa, um negócio legal, voltaram para o Brasil, 4, 5 anos depois, voltaram para Porto Alegre, ficaram lá, vamos trabalhar de novo, bom, passou um período, pediram demissão e voltaram para a Alemanha, sem ter o emprego na Alemanha, voltaram para lá de outro jeito para trabalhar e aí me escreveram, falei, que decisão é essa? Ele falou, é o seguinte, no Brasil eu não tenho tempo, eu trabalho que nem um alucinado, eu não tenho tempo, eu chego em casa 8 horas da noite acabado, eu e minha mulher, os dois acabados, meu filho já está dormindo, eu não tenho tempo de ficar com eles. Na Alemanha eu chego as 4 horas da tarde do trabalho, eu tenho vida com o meu filho, eu saio, eu vou, eu tenho tempo para fazer as coisas, eu não sou um alucinado de um trabalhador porque eu não preciso  ser isso, eu consigo ter aqui uma qualidade de vida que eu não consigo ter no Brasil e esse cara abriu uma perspectiva para a gente que é um negócio maluco porque nós que não vivemos isso, a gente não consegue imaginar o que será que é. Eu fui convidado para ir trabalhar nos EUA, em Toledo, Ohio, queriam me levar para lá, eu peguei e falei, eu vou aí, vou ficar um mês aí para a gente ver como é que é e fui trabalhar e fiquei lá, desse um mês eu fiquei uma semana trabalhado no headquarter, puta prédio maravilhoso e aí a primeira coisa que apareceu, eu  entrei naquele negócio, aquelas baias baixinhas, bem daquelas coisas americanas, de filme americano, eu entro lá, pô aquele povo trabalhando, quando eu vou conversar com os caras, todo mundo falando baixo, e o cara vem conversar com você e fala baixo, que é isso? Por que todo mundo fala baixo desse jeito? Para o outro não escutar. Aí eu falei, isso não está legal, aí eu reparei o seguinte, não tem telefone tocando, você não escutava barulho de telefone tocar, pô, esse baita silêncio, todo mundo falando baixinho, que coisa é essa? Aí eu pego um dos caras e o cara vai me ciceronear para eu visitar as empresas e tal, passamos lá, ficamos tarde de montão, chegamos lá 5 horas da  tarde e para eles acaba 4, chegamos no escritório 5 horas da tarde, não tinha mais ninguém, aquilo vazio, eu entro na baia do cara e na tela dele, em cima da mesa dele, tinha lá uns 25 post its que a secretária deixou com todo mundo que ligou e todo mundo que queria falar com ele, estava tudo lá e eu entrei, quando eu vi aquilo, eu virei para o cara e falei me desculpa, eu sacaneei teu dia, ele  não, não se preocupa. Eu saí de lá, fui embora, frio desgraçado com neve e a hora que eu fui sair estava trancada a porta de saída, eu peguei, não conseguia, precisava de alguém para abrir para mim, eu voltei na sala do cara, a hora que eu entro na baia do cara, ele está sentado jogando paciência. Com aqueles post its berrando, pelo amor de Deus, liga para mim e o cara jogando paciência, quando eu olhei aquilo eu falei, isso não é para mim, eu não vou conseguir sobreviver aqui, eu quero barulho, eu quero feira livre, eu quero adrenalina, eu quero os negos gritando, eu quero barulho, 4:30 da tarde eu estou desesperado para voltar porque eu sei que 8 horas da noite eu vou estar aqui baleando e se bobear eu estou te ligando, Leandro, que horas… 9 horas da noite da quarta feira não tem time, e a gente não consegue comparar o que será que é essa vida num ambiente tão diferente do nosso aqui, porque nós fomos educados para ser assim no Brasil e talvez é por isso que não muda, por falta de comparação de ter esse outro parâmetro, a gente acaba não mudando.

Leandro          É, eu fui, durante a maioria da minha carreira o workaholic perfeito, eu gosto pra caçamba de trabalhar, sabe, pode falar cacete aqui né?

Luciano           Pode.

Leandro          Ah que bom! É, eu gosto pra cacete de trabalhar, até voltei de férias anteontem, comentei com o sócio, puta eu estou com uma vontade de trabalhar. Ele olhou para a minha cara e falou, mas você é maluco mesmo. Eu gosto demais, mas eu também aprendi a ter vida, eu estava comentando contigo, quando eu tinha pouquíssimo tempo de namoro quando eu abri a Le Mídia, então eu trabalhava na Le Mídia 12 horas por dia, ia para a casa, às vezes a minha namorada estava lá e eu ficava trabalhando mais 4, 5 horas em casa todo dia, até que o negócio começasse a funcionar, precisava de muita energia e naquela época, é o que você falou, eu chegava em casa eu ia pagar as contas, não foram poucas vezes que todo mundo foi embora, eu peguei um rodo e fui passar pano no chão, eu não tinha dinheiro para pagar ninguém e já tinha sido escaldado de um negócio complicado, então quando casei, a minha agora minha mulher falou para mim, olha, mas quando a gente casar vai ser assim? E quando eu fui me casar eu fiz um exercício, sem querer, muito interessante, eu estava construindo uma casa, na época, eu tinha me proposto a viajar uma semana sozinho antes do meu casamento para fazer um retiro espiritual, que de espiritual não tinha nada, era só um retiro…

Luciano           Tipo assim Las Vegas…

Leandro          … não, era sozinho de verdade, fui para o interior de São Paulo e depois eu me casaria e ia ficar um mês de lua de mel, bom, somando tudo isso dava uns 60 dias fora do escritório, aquilo me deixava assim, eu acho que eu não dormi seis meses antes do negócio, desesperado, eu ficava pensando, quando eu voltar ferrou, eu vou ter perdido 20 contratos, vai estar uma algazarra isso daqui e eu fui, porque não tinha jeito, eu fui mesmo, eu fui resolver problema da construção da casa, fui fazer minha viagem antes de casar, daí casei, bom, passei o tal dos 60 dias fora e acho que durante esses…. minha mulher tinha pedido para que eu não atendesse nenhuma ligação, vou dizer que não fiz nada durante 60 dias, talvez eu tenha respondido 4 e-mails e feito 3 ligações, quando eu voltei, eu tive a maior surpresa da minha vida, tudo continuava igual. Eu tinha sido fundamental na criação daquele negócio, mas um negócio bom, ele não precisa do gestor o tempo todo em cima dele, quer dizer, as pessoas que estão ali, se você é um gestor que tem determinada competência, você soube contratar as pessoas que estão lá e aquelas pessoas, elas sabem o que elas tem para fazer, elas são responsáveis pelo resultado daquele negócio, se a remuneração dessas pessoas é feita em cima de meritocracia, melhor ainda, elas não vão deixar a peteca cair, talvez falte um pouco de inovação, quando você perde, quando o gestor não está na ativa? Talvez sim, mas ali eu descobri, caramba como eu sou substituível e o pior, eu sou substituível por ninguém, porque ninguém tinha ficado na minha cadeira durante aqueles 60 dias e tinha tudo funcionando e depois daquele dia eu me transformei no vidaholic que de vez em quando bota a capa do super herói para virar whorkaholic e que bota todo mundo que está no time para funcionar junto, de vez em quando é colocado na cadeira do whorkaholic porque esse é um outro papel interessante, quando você faz com que as pessoas que trabalham contigo façam você trabalhar mais e isso é muito legal, quando elas sentem necessidade, falam olha, você está precisando entrar no jogo para me ajudar em determinada coisa, ou eu estou entrando no jogo e vou te ajudar em determinada outra coisa, mas que também tem vida, então hoje eu faço o possível e quase o impossível para não ligar o computador no final de semana e eu acho  que o meu formato de gestão, ele é baseado em muita  coisa que eu aprendo fora do escritório, então eu acho que eu preciso viver para ser um empresário que gera um resultado razoável. Razoável não, bom.

Luciano           Muito bom. Vamos partir para os finalmentes. Leandro, está nos ouvindo aqui um garoto, uma menina de 24, 25 anos, ele está no busão, ela está no busão, indo para o trabalho, voltando do trabalho, o trabalho é uma encheção de saco, não é o negócio que ela quer fazer, que ele quer fazer, ele liga a televisão é só merda acontecendo, entrou no ano aqui duro, sem grana, sem dinheiro para pagar as coisas ele olha para a frente só vê gritaria. O que esse moleque faz? O que essa menina faz?

Leandro          Faz pelo menos duas vezes por semana alguma coisa na qual ela é muito boa, para ter auto confiança. Não conheço ninguém que tenha auto confiança e tenha depressão, não conheço ninguém que tenha auto confiança e não saiba o que fazer. Conheço um monte de gente que tem auto confiança e faz coisas erradas, mas não tem problema fazer errado, errar é legal, errar  é descobrir que tem um outro lado que é o certo, agora, não fica pensando, não fica vivendo a coisa ruim, não fica vivendo o problema, eu acho que o otimismo é que também provém da auto confiança nesse caso é o melhor caminho, então a minha sugestão para essa pessoa é faça alguma coisa na qual você é bom, não importa o que seja, você sabe fazer brigadeiro, faz duas vezes por semana brigadeiro, serve para os teus colegas só para eles falarem, que do cacete  esse brigadeiro e aquilo vai inflar o teu ego e o ego inflado, depois não vai servir só para o brigadeiro, vai servir para um monte de outras coisas.

Luciano           Que ele contamina né?

Leandro          Contamina, contamina, como a alegria, acho que não tem uma pessoa alegre que não contamine o ambiente, se eu não me engano, o Lemman uma vez falou, “eu prefiro ser otimista porque eu não conheço muitos pessimistas bem sucedidos”, então eu acho que o otimismo ele é a chave de tudo, eu, por exemplo, faço também todo o possível para não assistir noticiário, fora uma informação política geralmente relevante, eu acho que o resto é informação pequena, média ou grande, feita para vender notícia, eu conheço um pouco desse negócio de comunicação e sei o quanto aquilo é explorado para que o público ache interessante, então ei prefiro conhecer um pouquinho do que eu su  capaz de fazer e fazer muito dessa coisa.

Luciano           Muito bem, grande Leandro, valeu o papo, uma conversa interessante, acaba sendo legal porque a gente acaba aprendendo coisas sobre as pessoas que eu conheço há bastante tempo e que nesse papo aqui surgem ângulos que a gente nunca sentou para conversar, nós nunca falamos dessas coisas durante um almoço e é para isso que serve o LíderCast, especialmente porque tem gente ouvindo aqui e aprendendo algumas lições legais. Muito obrigado por ter vindo, por favor, continue vendendo bastante as propagandas do Café Brasil e do LíderCast e vamos ver se a gente emplaca aí 2016 e faz a coisa acontecer.

Leandro          Foi incrível participar de verdade de um projeto que eu participo do lado de fora há tanto tempo, eu espero que consiga pelo menos que seja uma pessoa inspirar, para que essa pessoa possa inspirar uma outra pessoa daqui a algum tempo. Parabéns e espero realmente que 2016 seja maravilhoso, nós vamos fazer de tudo para que seja de verdade.

Luciano           Um abraço.

 

Transcrição: Mari Camargo