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Luciano Pires -

apoio dkt

Luciano          Muito bem, mais um Líder Cast, esse aqui é, você vê como as coisas acontecem, essa pessoa que eu estou trazendo aqui hoje, fui fazer uma palestra num evento recente sobre produtividade, terminei de fazer a palestra, a hora que eu estou saindo lá, ela me procura, Luciano, e começa a conversar comigo rapidamente, eu falei, acho que tem café nesse bule aí. Eu vou convidá-la para bater um papo com a gente aqui porque o tema que ela vai trazer para nós é um tema que para mim é fundamental para quem pensa em liderança, empreendedorismo, especialmente quem quer ser líder da sua própria vida, então vamos àquelas três perguntas mais difíceis do programa, aliás, a do meio é a pior de todas: como é seu nome?

Roberta          Roberta Omeltech.

Luciano          Que idade?

Roberta          32.

Luciano          Muito bem. E o que é que você faz?

Roberta          Eu, o que eu faço? Eu ajudo as pessoas a potencializarem o que elas tem de melhor.

Luciano          E o que é isso? Você é médica, você é psicóloga? O que você faz?

Roberta          Eu sou coaching e palestrante e tudo começou olhando para o bolso das pessoas, mas antes de olhar para o bolso, foi com a experiência que eu mesma tive com isso.

Luciano          Me conta essa experiência, o que é que foi?

Roberta          Na verdade, Luciano, há uns anos eu tinha três grandes sonhos, assim, e eu imagino que a maioria das pessoas que estejam nos ouvindo também tenham sonhos e um dos meus maiores sonhos era me livrar de um relacionamento extremamente conturbado, difícil, desgastante e aí eu comecei a perceber, depois obviamente, o quando esse relacionamento me desgastava, me desgastou e as fugas que eu tinha, então emocionalmente desestruturada eu comecei a perceber que as minhas fugas eram comida e compras, então para eu ter momentos de satisfação, eu corria para comer, eu corria para comprar e eu não sabia o porque de tudo aquilo, porque eu não entendia.

Luciano          Tudo isso por causa de um homem é?

Roberta          De uma frustração de um relacionamento com um homem.

Luciano          Eita vida. A mulherada sofre na mão dos homens, mas os homens sofrem na mão da mulherada também. Então vai.

Roberta          Todo mundo.

Luciano          Mas e aí, conta um pouquinho mais disso aí que é legal saber a sua origem, você se formou em que?

Roberta          Publicidade e propaganda.

Luciano          Tá. Aqui em São Paulo mesmo?

Roberta          Sim, aqui em São Paulo, sempre fui da área comercial, minha última experiência no mundo corporativo foi vendendo sonhos, eu vendia festas de casamento.

Luciano          Festa de casamento.

Roberta          Pois é. Que é uma indústria aqui no Brasil e em São Paulo…

Luciano          Mas como é e de vez em quando tem um cara que pega os dinheiro de todas as noivas e foge, e sai fora.

Roberta          É isso.

Luciano          Eu sei que isso acontece.

Roberta.         Tem, tem também.

Luciano          Mas então me conta aí, que você falou um negócio muito legal aí, quer dizer, de repente você se vê diante de um desafio que é perceber que tinha um vampiro te vampirizando, você estava refém desse relacionamento, não quero entrar em detalhes aqui e via que fugia na comida e nas compras.

Roberta          É, porque eram momentos de prazer, compensações que entre aspas, eu falava assim, bom, são momentos de alegria e até eu chegar com 24 anos a pesar 130 quilos, isso significa, para quem está nos ouvindo, é um sobrepeso de 65 quilos a mais do que eu tenho hoje.

Luciano          Com 24 anos, 8 anos atrás…

Roberta          Com 24 anos.

Luciano          … 8 anos atrás você tinha 65 quilos a mais do que tem hoje.

Roberta          Uma pessoa ou duas, dependendo se for uma criança.

Luciano          É quem perde 65 quilos tem que fazer um atestado de óbito da parte que perdeu porque é sum ser humano que se foi.

Roberta          Exatamente.

Luciano          Mas e aí, aí você me fala desse momento da luz aí, quando chega… o momento que dá o clique, que você fala, eu tenho que sair dessa. O que foi? Como é que foi isso?

Roberta          Eu sempre trabalhando na área comercial, eu sempre tive essa motivação gigantesca do superar resultados, entregar meta, fazer além de tudo aquilo na minha vida profissional e eu comecei a ver que na minha vida pessoal a coisa não estava andando, eu falava, uai, mas se eu faço com a vida profissional, se eu ajudo as pessoas, sou boa conselheira como as pessoas dizem, mas eu preciso mudar a minha história. Os anos foram passando, eu fiquei com essa pessoa quase sete anos e chegou o momento que virou, que eu definitivamente cansei, eu vi que eu não tinha alguém do meu lado que era meu parceiro, que era meu amigo, nada e aí eu decidi, eu falei assim, não, a coisa vai mudar, chega, a gente teve uma situação de desrespeito e eu falei bom, daqui para a frente o pior vai acontecer, então antes que aconteça o pior eu vou pular fora e aí eu decidi, antes de dar um fim nesse relacionamento, de passar  por um processo de emagrecimento, tinha feito mil coisas assim, eu era praticamente uma endocrinologista, porque eu conhecia os remédios, as fórmulas e tudo mais e eu decidi, eu falei eu vou mudar a minha história, eu vou ser feliz, porque eu estava completamente desestruturada, então relacionamento, bolso e saúde, com 24 anos. E completamente…

Luciano          Mas de onde vem isso? Vem do nada essa tua ideia, você procurou alguém, você foi buscar…

Roberta          Não…

Luciano          … socorro, o que foi? Você fez uma reflexão? Como é que foi?

Roberta          … de dentro, foi de dentro assim, eu comecei, aquilo muito forte, eu sempre fui muito intensa, eu sempre, para mim, Luciano, é muito claro que a área comercial ela está totalmente ligada às emoções, então eu voa o quanto eu estava crescendo na área comercial, meu relacionamento com os meus clientes, mas isso estava comprometendo o meu trabalho, porque emocionalmente, fora do meu trabalho, eu estava descompensada, então aquilo começou a atrapalhar meu trabalho e eu comecei a ficar endividada e aí eu comecei a estourar cartão, limite de banco e aí eu não conseguia bater meta e aí eu não tinha comissão e aquilo começou a atrapalhar, eu falei não, espera aí, essa não sou eu, eu sou a Roberta que supera, eu sou a Roberta que dá a volta por cima, que bate meta, que dobra meta, eu falei, eu quero por a minha vida em ordem, então eu sempre tive essa força, essa fé dentro de mim, o que está errado? Vou para cima e não dava mais. Eu vi que o cara não queria nada com nada, não ia mudar, a gente não muda ninguém e eu falei assim, bom, já que ele não vai mudar, mudo eu e aí se o reflexo da minha mudança for para ele benéfico e para nós, ok, se não eu estou fora. E aí eu passei por um processo de emagrecimento, depois de um ano, resgate da auto estima, alegria, eu só andava de preto, nada contra quem só anda de roupa escura, mas era uma fuga que eu tinha, porque eu queria sempre me esconder, endividada, endividada e aí eu falei assim, bom, eu trabalhava numa empresa de vendas e eu precisava aumentar a minha renda e eu comecei a vender pão de mel, comecei a vender bijuteria e correr e ele, de final de semana, poxa, mas você não fica em casa, você vai lá para a 25 e tal, eu falei, amigo, estou endividada, eu preciso pagar as minhas contas, estou com o nome sujo, estou toda ferrada, não tenho família rica, pai me dá dinheiro. E ele não me ajudava e para mim assim, nos últimos meses que nós estávamos juntos, que juntos entre aspas, mas eu passando pelo processo de emagrecimento, as minhas amigas me incentivando, nossa que máximo, olha como você está bem, ele não era capaz às vezes de me pegar no ponto de ônibus, porque eu não tinha carro nessa época, chovendo num sábado, eu falava, olha, estou chegando, você me pega no ponto que eu estou com um monte de  sacola? Se vira, não foi você que foi para a 25? Aí eu falei, espera aí, eu estou dando a volta por cima, eu vou escrever uma nova história, eu quero ser feliz, eu falei, meu quero que esse cara se dane, eu falei,  então eu vou sair fora, tanto é que quando eu pus um fim no relacionamento ele não acreditou e eu  falei para ele, eu vou ser  feliz, eu quero conhecer o que é felicidade, eu quero ter liberdade, eu quero sorrir, eu quero ter amigos novamente, eu deixei a minha vida e aí eu escrevi uma nova história, eu vi que eu comecei a viver uma nova vida e foi um processo, foi um processo porque foram dois anos para pagar as minhas contas, foram dois anos trabalhando em dois empregos, sete dias por semana. Mas, eu trabalhava com tanta alegria, porque eu sempre tive muito foco e determinação porque eu sabia o alvo de onde eu queria chegar, eu falei eu vou chegar, eu vou limpar meu nome, eu vou ser feliz, a coisa vai acontecer e isso tudo foi acontecendo junto com o meu trabalho de sonhos. Só que eu comecei a ver, Luciano, assim, eu trabalhando em dois empregos e eu vendendo festas de casamento, eu comecei a observar os casais brigando, então assim, aí mas olha, eu vou pagar tanto do bem casado, ai eu vou pagar tanto da festa, pô, eu vou ter um prejuízo então? Vou pagar mais que você? E aquilo para mim começou a ficar muito estranho…

Luciano          Começa assim, já começou assim o casamento.

Roberta          … e eu pensando, poxa, mas se na hora da festa está dando pau, pô, mas o casamento vai ser… a convivência… e eu comecei a ver a inversão de valores, porque que a maioria das pessoas faziam festa, não tinha o valor do matrimônio, mas porque elas queriam mostrar a festa para as pessoas. Eu já estava solteira nessa época e aí um dia uma colega minha da faculdade falou, Roberta, tenho que te apresentar um amigo que vai ser seu marido. Eu falei, de jeito nenhum, meu foco é emagrecer e pagar minhas contas, não quero conhecer ninguém, falei já fala para a pessoa que eu não tenho dinheiro para nada. Por quê? Porque eu estava machucada e eu não queria, eu falei, eu não posso entrar em nenhuma situação que me tire do foco, eu preciso vender, vender, vender, vender, vender, vender, é isso que eu tenho que fazer e quando eu comecei a ver esses casais brigando e eu ralando sete dias por semana eu falei não, está muito estranho isso aqui. Só que em meio a tudo isso apareceu meu atual marido e aí quando a gente se conheceu, eu já logo falei para ele, amigo, é o seguinte, não tenho nada a te oferecer, só tenho um par de olhos verdes, não tenho dinheiro para nada, não tenho carro, trabalho sete dias por semana, então assim, vê aí o que você quer, mas eu não quero namorar ninguém, porque para mim, Luciano, foi muito difícil essa questão, a questão não é só você ter a restrição no nome, não não. É a  consequência disso, você ser cobrada, as ligações, você não ter  dinheiro para nada, você passar vontade e tal, tudo isso emocionalmente me cansou, me desgastou e eu falei não, eu quero reconstruir, eu quero fazer tudo novo de uma forma diferente.

Luciano          Você vinha de um tsunami de emoções então, porque você estava fora do peso, quer dizer, esteticamente você estava mal, você tinha alguém que não amava você, você estava… o  coração estava mal, o trabalho estava mal, estava tudo ruim, quer dizer, dali você podia ter pulado do Viaduto do Chá, teria todas as razões para isso não é? Mas resolveu que não ia fazer isso e que ia virar o jogo. Pô, legal, parabéns, com 24 anos? Parabéns, eu não sei de onde vem essa força aí, mas acho que ela explica uma pancada de coisa ai. Mas então, eu estou querendo que você conte essa história toda para a gente entender de onde vem essa tua visão que de repente desemboca numa coisa que começa a ajudar as outras pessoas. Eu até agora não contei o que é o assunto, mas vamos chegar nele aqui. Mas como é que chega? Como é que você chega aí nesse, fala olha, encontrei um caminho e é nesse tema que eu vou trabalhar? Como é que foi?

Roberta          Então, eu fiquei quatro anos vendendo sonhos e vendo os casais. Eu trabalhava numa empresa familiar bem grande e eu não tinha mais para onde crescer, então eu nessa empresa eu tive a oportunidade de ganhar dinheiro de verdade, arrumar minha vida, comprar um carro, casar, comprar apartamento e eu falei, uau, só que a minha motivação era me desenvolver, crescer mais e uma empresa familiar lá, eu não teria mais esse espaço e aí o meu esposo, que é meu sócio, ele falou para mim, por que você não faz palestra de finanças para casais? Já que você está falando que esses casais brigam tanto por causa de dinheiro e você não quer que eles briguem, então, e casamento é uma indústria, vamos juntar uma coisa com a outra. E eu, imagina, isso não tem nada a ver. Não, eu acho que tem. E várias pessoas começaram a nos incentivar, o meu esposo é contador e administrador e aí ele falou bom, eu venho com a base de finanças, você com a tua experiência pessoal, oratória e tudo mais e vai dar samba, e eu falei nossa, uau, só que para mim, Luciano, era algo muito distante, porque os meus sonhos eram: emagrecer, limpar meu nome e ficar tranquila e me livrar do falecido que está vivo, só que eu nunca imaginei ser empreendedora, ser palestrante, eu não sabia nem que mundo era esse e aí eu me desliguei dessa empresa porque não ia crescer, as coisas não iam acontecer lá e comecei a fazer palestras de finanças para casais, porque na época a minha intenção era salvar os casamentos, eu queria ajudar essas pessoas a não se separarem quando elas voltam da lua de mel, ou um ano depois, porque eu falava assim, gente, eles precisam de organização financeira, não tinha noção do que era educação financeira, de que não existia isso no Brasil e eu fui aprofundar, estudar e olha meu pensamento na época: bom, se casamento é uma indústria, eu vou fazer palestra de finanças para casais, uau, nunca mais eu vou ter dívida na minha vida, vou ficar rica. Completamente um engano. Por quê? Porque o momento do casal é naquela ocasião é sonho, eu quero fazer uma festa, ele vende a mãe, a sogra, o apartamento, faz acordo, ele quer a festa, ele não quer pensar se ele precisa se planejar, se organizar, alguns sim, mas a grande maioria: vamos do jeito que dá…

Luciano          Ele quer a festa, o que vier depois se ajeita.

Roberta          … exatamente e aí, por muito tempo a gente tentou cobrar e aí foi o início, fui buscando  parceiros, falar com um, falar com outro, as palestras, as pessoas amavam, aplaudiam, mas ninguém pagava, eu pedia às vezes um quilo de alimento, ninguém levava. Eu falei, gente mas não é possível! Se casamento é uma indústria, como que eu não consigo ganhar dinheiro com isso? E aí demorou para eu entender que eram outros pontos, que era uma questão comportamental ou que eram valores, que era uma série de outras coisas, só que eu fui parar na televisão, me indicaram, uma amiga falou, Rô, você tem que ir para um programa de mulheres a tarde falar de educação financeira e eu, imagina, sou publicitária, só tem a minha história. Não, mas você vai contar como que você fez durante esses anos para por a sua vida em ordem, falei não, mas quem tem que ir é o meu marido, que é o Bruno, ele que é contador e o diretor do programa falou não, a gente precisa de uma mulher, no programa da tarde para falar com a dona de casa, tem que ser uma mulher e aí eu comecei a ter contato com isso, comecei a dar dicas de finanças num programa da tarde e aí…

Luciano          Aonde? Que programa?

Roberta          … na Gazeta, no “Mulheres”, da Kátia Fonseca. E ali, Luciano, foi exatamente o que você falou há pouco assim, eu comecei a ver que meu coração nunca esteve na grana, acho que por tudo isso que eu passei, então, enfim, mas eu comecei a ver o quanto eu podia ajudar as pessoas, o que estava por trás de um problema financeiro, o que uma questão financeira arrebenta a pessoa dos pés á cabeça, casamento e aí eu comecei a ver, a gente lançou um quadro, na época chamado “Consultório Financeiro”, tipo uma Super Nani do dinheiro. Eu ia na casa dos telespectadores, então eu comecei a ver assim, que o meu legado é que aquilo que a vida estava me proporcionando era ser um canal para ajudar essas pessoas, numa linguagem fácil, porque a gente vive num país que não tem educação financeira, é um assunto que a grande maioria tem dificuldade, então as pessoas não querem a planilha, elas não querem uma linguagem, muitas vezes, de alguém técnico, elas querem alguém que viveu e fale de uma forma fácil.

Luciano          Uma fórmula, elas querem uma fórmula para dar certo.

Roberta          Exato.

Luciano          Eu vou entrar mais fundo nisso aí, mas antes eu não vou perder a chance de explorar você um pouquinho mais, porque tem um tema que você falou para mim, é superinteressante aqui: você teve um homem na tua vida que quase te destruiu…

Roberta          Sim.

Luciano          … e em seguida teve um outro homem que te levantou…

Roberta          É.

Luciano          … o primeiro com que idade você começou o relacionamento com ele? Quantos anos você tinha? No primeiro, o vampiro.

Roberta          17.

Luciano          Você tinha 17 foi até os?

Roberta          24.

Luciano          24, foram 7 anos com ele. O segundo que idade você tinha?

Roberta          27.

Luciano          3 anos depois, legal e está com ele até hoje etc e tal.

Roberta          Sim.

Luciano          Muito bem. Um vampiro e um anjo, eu vou falar com todas as letras, qual foi a cagada que você fez para escolher o vampiro e qual foi a luz que te baixou para você achar um anjo lá na frente, eram dois seres humanos, dois homens, eu não sei se você se apaixonou pelos dois, não quero entrar nesse detalhe, mas eu quero saber o seguinte, por que é que você errou no primeiro e o que te levou a acertar no  segundo? Era porque você estava mais velha, mais madura, sabia o que queria, no primeiro você era uma criança etc e tal, explora um pouquinho isso ai.

Roberta          No vampiro eu estava sem autoestima, completamente assim, ah não tem tu, vai tu mesmo…

Luciano          Com 17 anos você já estava gordinha?

Roberta          … já estava começando, já estava começando e era alguém que assim, eu fui me acomodando, era um cara boa pinta, fazia academia e eu acho que eu me acomodei assim, eu olho, olhando hoje para trás, até você falando essa coisa do vampiro, que eu nunca tinha parado para pensar nisso, foi um momento da minha vida que eu falo assim, como foi isso que aconteceu? Eu tinha que passar, mas ele era aquelas coisas assim, a gente era paquerinha de infância, a mesma turma e todo mundo foi meio que me empurrando para ele e foi rolando, acho que… eu nunca fui baladeira, então eu acho que aconteceu ali, porque amiguinho da turma, não tem tu vai tu mesmo, acho que vocês combinam, quando eu fui ver, a vida passou e aí você fala assim, poxa Roberta, mas como que passam quase sete anos e você não percebe? Que é o que eu digo hoje, quando você está dentro do problema, às vezes passam trinta anos e você não vê, porque eu vejo que eu fiquei completamente cega, a falta do respeito do amor próprio, a falta da estima, o de lembrar os meus valores, eu não lembrava mais quem eu era, o brilho no olhar…

Luciano          E é uma questão do hábito também. O hábito explica qualquer absurdo, quer dizer, depois que isso entra na tua rotina. Você vai conversar com uma mulher que apanha do marido há 35 anos, você fala para ela, d. Maria, por que a senhora não larga esse cara? 35 anos que esse cara bate na senhora. Ah mas sabe como é, não sei o que, você não consegue entender isso, entrou na rotina, virou hábito, o hábito explica todo o absurdo até que alguém de fora chega e fala meu, o que é isso? Para te acordar. No teu caso esse alguém não veio de fora, foi um chacoalhão que você teve dentro de você. E aí, o anjo? Você já está escolada, acabou de passar por uma encrenca daquele tamanho, aparece outro na tua frente, com a mesma conversinha, e aí, por que esse deu uma luz e você falou, pô, esse é o cara?

Roberta          Eu tinha muito claro na minha cabeça e eu falava, por isso que eu digo assim, a palavra tem poder, o que você pede, independente do que você peça, vem. E eu falava, se a vida não me trouxer alguém que seja companheiro, que cresça comigo, que me impulsione, que seja meu amigo, que acredite em mim e me respeite, eu fico sozinha. E aí apareceu o Bruno, que era alguém fisicamente completamente diferente do que eu imaginaria como um homem assim, mas uma pessoa que foi chegando como um amigo, como é que você está? O que você faz? Nossa você tem talento. Começou a olhar qualidade na Roberta que nem eu mesma lembrava…

Luciano          A autoestima. Estava levantando a autoestima.

Roberta          … e assim, quando ele começou, poxa, vamos nos conhecer, a gente ficou três meses conversando pelo MSN, antes de nos conhecermos pessoalmente, então a gente trocou assim aquela coisa do: poxa, quem é você e na sua essência, e a verdade de tudo, eu tinha muito claro aquilo que eu não queria, porque eu sabia tudo o que eu já tinha passado, então eu falava não, isso eu não quero, o meu foco agora é me livrar das encrencas e das consequências das minhas atitudes lá atrás, você está a fim? Eu não sei teu momento de vida, mas o que eu quero é isso. E quando a gente se conheceu, eu também já tinha passado por outras experiências ruins e quando a gente se conheceu foi uma coisa que eu vejo que assim, a vida falou não, vocês precisam se unir, porque ele tinha algumas outras questões, eu também e aí quando a gente foi ver, já começamos a namorar…

Luciano          Vida era o nome daquela amiga sua que te ligou? Vou te apresentar o cara, ela chamava vida?

Roberta          … não, e aí essa…

Luciano          Porque ela sacou né?

Roberta          … essa minha amiga falou assim, porque o Bruno era mulherengo, ele era terrível, baladeiro de segunda a segunda, então ele era o oposto do que eu estava vivendo e quando essa minha amiga falou assim, ah, olha no Orkut, meu amigo e eu olhei eu falei, ô amiga, você não está  entendendo, eu acabei de  sair de uma bomba, eu não vou começar a namorar um cara que é da noitada, que eu não tenho grana, meu dinheiro é para por a minha vida em ordem em dois anos, eu não vou me envolver com esse cara, eu falei, eu vou ter problema para a minha vida. Não, mas você vai ver, ele é isso, ele é aquilo, e aí fez aquilo, troca o Orkut, adiciona, começa a conversar e eu completamente fechada, falei não quero, não quero, não quero, e quando a gente se conheceu pessoalmente, quinze dias depois foi aniversário dele, no mesmo mês eu ia fazer uma cirurgia e assim, foi louco, assim, foi mágico mesmo porque a gente, quando se conheceu pessoalmente, parecia que a gente já tinha contato há muitos anos, cumplicidade, coisas em comum e a partir de então eu tinha alguém do meu lado que me elogiava, que falava assim, uau, você trabalha em dois empregos? Cara você tem foco hein? Como é que você aguenta? Até quando você vai aguentar isso, pô mas é isso aí, eu venho te buscar, porque imagina, meia noite você vai sair e pegar ônibus na Consolação, não, eu venho aqui, ele  saía de Interlagos, e assim, eu nunca tive esse cuidado.

Luciano          Quer dizer, eu sou de uma geração mais antiga que a sua, bem  antiga, na minha criação é tão natural, é tão natural você imaginar que um homem vai buscar a amada que está de noite sozinha em tal lugar, é tão natural imaginar que vai, quando você fala para mim que o cara fala se vira, quem mandou você ir, isso é um idiota, bom, mas existem essas coisas, não é?

Roberta          Sim.

Luciano          Bom, legal, mas vamos retomar então nosso caminho lá, vamos voltar naquele caminho que agora eu quero ir mais fundo aqui no que realmente me fez trazer você aqui, até então, até agora não sabia de nada da sua vida, agora que eu estou aprendendo. Mas essa questão toda da vida financeira, ah isso é uma loucura, eu tenho  experimentado todo tipo de acontecimentos ao longo da vida, relacionados a ter muito dinheiro, não ter nenhum dinheiro, estar prestes a quebrar, virar empreendedor, ser executivo, ter salário, não ter salário, isso é uma gangorra que a vida da gente vira uma bagunça, também ter saído, não era do zero, eu não fui o pobre favelado, mas eu tinha uma família de classe média para baixo, tive educação, tudo o que eu consegui na vida foi trabalhando, dinheiro que eu ganhei foi trabalhando honestamente, então sei dar valor a esse esforço e tudo mais, mas também sei que muitas trombadas que eu dei foi por não ter absolutamente nenhum contato com qualquer coisa relacionada a uma educação financeira, a pensar lá na frente, a imaginar o que vai ser,  se guarda, se não guarda, onde põe, como é que faz e nunca tive nada disso, nem sei onde procurar esse tipo de coisa, hoje está mudando bastante, já tem bastante lugar que você encontra, mas a  consciência me aprece que não existe ainda, a molecada não está nem aí e o que vier é lucro, principalmente agora que papai e mamãe estão aí ajudando, como é que esse teu trabalho desenvolve, fala desde o comecinho, o que você  montou, como é que você desenvolve esse teu trabalho, você não dá consultoria financeira, você na verdade alerta as  pessoas para esse caminho, é isso?

Roberta          Na verdade também é consultoria financeira, mas eu faço as palestras em relação à conscientização das finanças, por que que eu cuido? Então assim, a pessoa física pode nos procurar para fazer um trabalho de coaching ou de consultoria financeira e as empresas nos procuram hoje porque a gente começou, eu ralando entendendo e olhando, a gente começou a mostrar para um do corporativo porque é importante cuidar da saúde financeira de um colaborador, que a base para mim, Luciano, hoje eu vejo, por tudo que eu passei, são as emoções, é mudança de comportamento e também uma questão cultural. A gente vive num país que não tem educação financeira. Tem uma pesquisa que saiu há 15 dias, do SERASA, 63% das famílias brasileiras estão endividadas, então assim, existe um problema tamanho, as pessoas não foram educadas a isso e aí você é educado a que? Você tem que ter, você tem que ter, você tem que ter porque seu amigo tem, porque seu chefe tem, como que você não tem e aí você tem o poder da internet que piora isso, para quem não tem um bom uso. Então assim, coloque no Facebook, em qualquer rede social eu você tem, que você está ali, que você está comendo e não sei o quê e muitas vezes você está vivendo uma vida que não é  atua vida real, então a compra, a relação com a comida é uma fuga para muita coisa, então hoje eu vejo completamente distorcidos os padrões comportamentais. Nesse período eu estudei sobre educação financeira, obviamente, fiz cursos de PNL, fiz coaching, fiz teatro, eu fui entender, fui entender assim, o que é isso? E hoje eu vejo que a questão com as compras é uma doença, chama-se “oniomania”, o HC já faz tratamento.

Luciano          Oniomania.

Roberta          Oniomania.

Luciano          Oniomania é o comprador compulsivo.

Roberta          Exatamente, inclusive existem clínicas que fazem tratamento de pessoas com problemas de dependência química que também tratam pessoas com problemas de compulsão por comprar, psicologia positiva também faz o tratamento dessas pessoas que são compulsivas por compras, tem grupos de tratamento aqui em São Paulo, chamado DA, devedores anônimos e eles seguem muito…

Luciano          Eu estou nesse, opa.

Roberta          … eles seguem os passos do AA, eu não compro só por hoje e eu sei, porque eu já fui como voluntária nesse grupo. Então assim, o que eu mais vejo é a grande maioria das pessoas numa sociedade mascarada e aí todos esses problemas ficam lá quietinhos, Ninguém quer andar no meio da Paulista e falar estou super endividado, estourei no cartão e tal, tal tal. Pode ser má administração financeira, pode ser falta de conhecimento, mas pelo que eu estudo e pela experiência das pessoas que eu venho atendendo, é completamente comportamental, como que é a sua relação com o dinheiro? Como que você foi educado? Então assim, o cara não tinha nada, saiu do buraco, ele começou a ter grana, pronto, eu vou torrar, porque esse dinheiro nunca vai acabar, então a gente começou a trabalhar essa questão comportamental e o grande diferencial para nós no trabalho, é a abordagem, a maneira como eu falo desse assunto, porque é um assunto chato falar.. ah vamos falar de finanças, vamos falar de dinheiro, ah que saco, não quero falar. Ixi, não mexe nisso que vai mexer no vespeiro, eu e meu marido não podemos falar de dinheiro que dá pau, é assim o que a gente escuta, só que quando eu começo a contar a minha história, as pessoas começam a falar uau, eu também estou cheio de problema porque a raiz, a questão financeira ela é a ponta do iceberg, quando a gente começa aprofundar, entender a raiz, a gente vê a questão comportamental, o quanto isso está invertido, o quanto às vezes você tem uma questão, um problema no teu casamento que você não tem coragem de olhar no olho e resolver e aí o que você faz? Vou para o shopping, deixa eu dar mais um cartão para a minha esposa e por aí vai e aí a gente entra nos fatores assim do “eu mereço” no  mundo corporativo então assim nossa, trabalhei vinte horas por dia, eu mereço ir no japonês, eu mereço comprar cinco calças, a gente merece ser feliz. Mas, você tem que ser feliz com aquilo que você dá conta, porque não adianta nada você ir ver o Mickey e  quando você voltar você fala assim, nossa, o dólar está a R$ 4,00, o que aconteceu? Mas vai me dizer que você não sabia, então você foi lá, curtiu, não se planejou, aí chega a sua fatura e aí pronto, aquilo que você curtiu cai pelo ralo, porque aí você está todo arrebentado, então eu vejo que as pessoas ficam desestruturadas, a questão financeira ela abala sim, mas nem todos estão preparados para olhar para isso.

Luciano          Bom, você sabe que o LíderCast é um programa que fala de empreendedorismo e liderança, que são duas coisas que estão ligadas e não é necessariamente a liderança do chefe, do chefe que está no alto do organograma, é liderança de quem quer tomar conta da sua própria vida, é o empreendedorismo de quem quer fazer acontecer, não necessariamente montar minha própria empresa, mas eu quero fazer acontecer, posso ser padre da igreja,  quero fazer acontecer, eu seria um empreendedor da igreja e me parece que um dos pilares da liderança e do empreendedorismo é você ter controle sobre essa questão financeira, se você não tem controle nela, nada mais anda,  porque aquele projeto maluco, ele é  inexequível, ou você montou o teu negócio, não tem grana para começar, não tem nem onde buscar essa grana, você de repente até consegue, entra numa dívida tremenda, daqui a pouco o teu esforço vai ser utilizado para pagar a dívida e não mais para fazer o teu negócio crescer e ir adiante. Como é que é, dá uma aulinha para a gente ai, como é que começa esse pensamento financeiro, quer dizer: eu hoje não tenho preocupação nenhuma, vamos lá, aquele exercício que eu gosto de fazer aqui, nós estamos falando aqui, do outro lado do microfone tem uma pessoa, uma pessoinha com 24 anos, num busão, indo trabalhar, vai ganhar o seu salariozinho, está preocupado, está estudando e tem sonhos e a grana é curta e etc e tal, com que é que essa pessoa deve começar a se preocupar agora para quando ela tiver 45 ela olhar para trás e falar, puta, ainda bem que eu me preocupei com isso ou aquilo, o que você tem a dizer?

Roberta          A primeira coisa que eu acredito é assim, muitas vezes as pessoas falam do sonho e o sonho, ele fica muito na nuvem, ah eu tenho sonhos, eu tenho sonhos, coloco o sonho no papel, porque o sonho, ele é o combustível, aquilo que assim, ele tem que virar uma meta, o sonho ele tem que sair da sua cabeça e do coração e ir para o papel, para virar meta de curto, médio e longo prazo, então por que as pessoas não guardam dinheiro? Porque não tem propósito, ah você guarda dinheiro por quê? Ah, não sei porque, eu guardo. Não, não, olha lá o que você anotou, então assim, o que você quer realizar?  Uma pessoa com 24 anos, quais são os seus sonhos? Escreve lá, quero comprar um carro, quero estudar, enfim, é o seu sonho, não importa o tamanho, só que coloque tempo para as coisas acontecerem, às vezes as pessoas falam ah, quero comprar um carro, quando? Ah, um dia. Então tá, daqui 30 anos? Não, seja específico e coloque metas…

Luciano          Isso é um trechinho da minha palestra do Everest que eu estou contando da minha viagem e tudo mais e começo a dar sentido para as coisas, quando aparece uma data e aquele sonho vira meta e ali eu comento essa história de você botar data e digo o seguinte, é imprescindível você colocar uma data e não importa quando vai ser essa data, então se você tem 20 anos e bota como o teu sonho de vida é aos 85 estar morando na China, ponha data no teu sonho, mas 65 anos na frente? Não importa, ponha data, porque se você definir que daqui a 65 anos você quer estar morando na China e resolver hoje gastar dinheiro e tempo para aprender um idioma, que idioma você vai escolher? É francês? É russo? Não, eu vou aprender chinês porque daqui a 60 anos eu vou estar morando lá, então automaticamente, quando você define um ponto no horizonte que você quer atingir, você começa a movimentar os esforços da tua vida naquela direção…

Roberta          Exatamente

Luciano          … e a gente, de repente você fala, como é que isso está acontecendo? Claro, está acontecendo porque eu vi uma luz e sei que é lá que eu quero chegar, então eu começo a fazer escolhas até inconscientemente naquela direção.

Roberta          Sim, esse lance, quando você me perguntou, qual foi a luz, porque eu sempre tive sonhos, quando alguém me perguntava, há uns anos, qual é seu sonho? Meu sonho é ser feliz. Como? Eu quero pagar as minhas contas, eu quero tirar tudo aquilo que fica me assombrando, então para quem está nos ouvindo, quem você é e onde você quer chegar? É uma pergunta que parece óbvia, mas para muitas pessoas é difícil de responder, porque muita gente está no automático, deixa a vida me levar, hoje eu estou no mundo corporativo, estou trabalhando, ok, nunca vou sair desse emprego, cuidado, você pode sair amanhã, o que você está fazendo hoje? E anotar, seja num telefone, seja num papel, enfim, crie o seu método, o que funciona para você, mas registra em algum lugar, porque o dia a dia consome então você fala, ah eu tenho tudo na cabeça, você não lembra o que você comeu há dois, três dias. Então a gente tem que ser muito específico porque isso é o combustível e saber quanto custa seu sonho, então assim, quanto custa o seu custo fixo, quanto você paga de água, luz, o que você tem que pagar todo mês? E oque você recebe todo mês? É conta de mais e menos, não tem segredo, 1+1 sempre será 2, as pessoas querem criar fórmulas mirabolantes, mas o número é o número, é igual conta que teu avô fazia, só pensar assim, meu avô teve 17 filhos e ninguém passou fome, todo mundo se virou, ah mas era uma outra época, mas era planejado, era organizado, não dava um passo à frente.

Luciano          E tem mais uma coisa importante hoje que é o seguinte: os vendedores, entre aspas, eu vou botar entre aspas aqui, porque até é injusto com os vendedores, mas os vendedores sabem dessa conta que você vai fazer e eles dão um jeito de fazer com que caiba no teu orçamento aquela loucura que eles querem te vender, então eles vão pegar um negócio que custa 10, vão fazer com que ele custe 80 e você paga em 25 prestações minúsculas de x reais e você olha a conta, pô, R$ 16,00 por mês cabe no meu orçamento, logo eu vou comprar, essa é a cultura brasileira, essa é a  cultura, então eu compro tudo o que eu  quiser porque é um pedacinho que cabe no meu orçamento e daqui a 6 meses, 10 anos, sei lá, eu consegui terminar de pagar isso aqui, me parece que essa é a cultura que nós construímos no Brasil e um belo dia você vai olhar e falar, pô, mas porque o meu dinheiro não está dando? É porque ele está sendo consumido por pedacinhos e mais pedacinhos que você somou.

Roberta          Sim, é a torneirinha. Eu falo assim, aquele vazamento pequenininho que você não dá importância, então a torneira está lá pingando um pouquinho, ah mas é só um pouquinho, então é como você tentar passar, pegar um ônibus e falar, eu não tenho dinheiro para a passagem, eu não tenho os 3 e pouco, tá, ele vai mandar você descer do ônibus e às vezes as pessoas não dão valor para o pequeno, ah não, mas é só R$ 3,00 reais, são só 10 parcelinhas de 30, é 30 por mês, só que aí numa saída no shopping, você faz 5 compras de R$ 30,00 cada uma por mês, então já não são mais 30, são 150. Então as pessoas, elas pensam muito no hoje, eu quero agora, ah quando você quer comprar um carro? Ah hoje, eu cansei de andar de trem, eu quero comprar um carro agora, vamos? 80 vezes, tudo bem, justamente por quê? Por não pensar, por não parar para respirar e planejar, então assim, tudo bem, eu quero um carro, será que se eu esperar seis meses vai ficar mais bacana? Poxa, vou receber meu décimo terceiro, 50%  disso eu vou por umas contas em ordem, 30% eu vou comprar umas roupas  porque está meio bagunçado meu guarda roupa, eu preciso me vestir bem, 20% eu vou guardar, que a maioria faz? Recebi o décimo, vou torrar, porque eu mereço, afinal de contas num ano de crise eu preciso torrar minha grana, vive-se muitos momentos e esquece do futuro e aí perde oportunidade e o futuro que eu estou falando, às vezes é futuro daqui a seis meses e para muitas pessoas, às vezes, o futuro daqui seis meses, um ano, é pensar muito longo, quem dirá você falar 5 anos, 10 anos e eu vejo muito isso no empreendedorismo.

Luciano          Especialmente se você tem 24 anos, quer dizer, você pegar alguém que tem 21, 22, 23, 17 e falar cara, começa a se mexer agora para que daqui a 30 anos… ô cara, meu você está louco, 30 anos é outra época, é outro mundo! Para mim que estou aqui agora, olho para trás e falo,30 anos é… é assim que vai e eu hoje, eu vou fazer 60 no ano que vem, então eu olho para trás e falo o seguinte, quanta coisa eu deixei de fazer porque eu não comecei mais cedo, se eu com 19 anos tivesse começado a dar aquela graninha que um belo dia eu comecei lá na frente a guardar para fazer o meu plano de aposentadoria etc e tal, que fosse um dinheirinho de nada, olha o quanto eu teria hoje, mas como é que você enfia isso na cabeça de um garoto, de uma menina de 19 anos eu precisa de tudo agora, nesse mundo que nós estamos vivendo hoje, que é o hoje do agora, eu quero emprego agora, aliás eu quero cargo agora, eu quero salário agora, eu quero a vaga agora, eu quero tudo agora, como é que você lida com essa coisa?

Roberta          Eu acredito também, Luciano, na questão do auto-conhecimento, hoje assim, hoje está um modismo do coaching, hoje então assim, cada esquina que você vai está todo mundo, ah eu sou coach isso está se perdendo, infelizmente, mas a essência do coaching em relação ao auto-conhecimento eu acho que é fundamental, porque uma pessoa com 17, uma pessoa com 60, nem sempre elas se conhecem o suficiente para tomarem decisões e saberem se aquilo que elas estão fazendo faz sentido. Eu acredito que se você mostra para a pessoa possibilidades dela se conhecer, dela olhar para dentro de si e falar, uau, isso faz sentido, isso é para mim, eu tenho propósito, eu amo a palavra propósito, também está no modismo, mas eu já uso essa palavra propósito há muito tempo, então assim, qual é o teu propósito com 17 anos? Qual é o teu legado? Ah eu quero montar uma startup. Uau, bacana, o que você quer mostrar para as pessoas? Por que? Dependendo do que você criar, você quer que dure só seis meses? Você quer só que seja onda, mais uma modinha ou não? Você quer pensar num negócio bacana, robusto, crescer para baixo que é crescer com raiz e falar uau, meu negócio começou pequenininho, mas já exista há três anos, cinco anos e eu vejo que a gente está numa sociedade onde as pessoas não querem pagar o preço. Então assim, elas não conseguem entender que existe uma trajetória, que existe um tempo para as coisas acontecerem e falando de empreendedorismo, tem muita gente assim poxa, eu vou abrir meu negócio, que o meu amigo, ele tem uma pizzaria lá no bairro tal, há trinta anos, ele ganha muito dinheiro, então eu também vou abrir uma pizzaria aqui no meu bairro, então a pessoa se compara, então quer dizer, ela não usa aquela história como uma inspiração e uma referência, mas ela fala assim não, se aquele amigo que já está há trinta anos ganha dinheiro, por que não vai acontecer comigo? Só que não sabe como a história daquela pessoa começou, não entende, é o agora e aí onde um monte de gente quebra, se frustra, por que tem tanta gente nessas  gerações diferentes que vem uau, quero fazer um negócio, passa um tempo, você vai conversar com a pessoa ela  caiu,  ela está frustrada, decepcionada, porque não teve a base, que é o planejamento, que é a organização, que é o simples, as pessoas….

Luciano          E inclusive a capacidade de você entender. O que está acontecendo hoje? Nós temos milhares de exemplos, a gente até falou um pouquinho antes da entrevista a gente conversou a respeito. Onde você vai tem exemplos, então você abre a internet tem a história do ex engraxate que virou presidente, o outro que saiu da favela e virou diretor de não sei o que, o outro que era catador de papel e hoje é dono de uma empresa disso aquilo, quer dizer, onde você olha tem um exemplo, exemplos e mais exemplos de gente que conseguiu dar a volta por cima e se dar muito bem e a  pessoa olha para aquilo e fala ah, com razão, se ele conseguiu eu posso conseguir também. Até outro dia eu fui num evento bem grande e uma palestra foi do Abílio Diniz e o Abílio começa a palestra e ele conta uma história que eu não conhecia, a história dele. Ele  era moleque, morava em São Paulo aqui, estudava num colégio, a família dele não tinha nada demais, não tinha posses nada, ele era gordinho e o esporte da molecada na escola era bater no Abílio, que ele era o cara que apanhava da molecada toda e hoje ele é o poderoso Abílio Diniz, e aí ele para e olha e fala, se eu estou aqui, você também pode, você fala pô, o Abílio Diniz falando um negócio desse, então é irresistível, você olhar para isso e falar, se todo mundo fez, eu posso fazer também, então tudo bem, como exemplo, como inspiração eu acho isso fantástico, agora, tem um lance de botar a mão na massa que também não é só a questão de você planejar e executar aquilo que você planejou, tem um lado que o vento bate, que eu não sei que lado é esse, tem o momento em que as coisas estão acontecendo que talvez não… então tudo aquilo que o Zé fez e que deu muito certo para ele, eu posso fazer igual e quebrar a cara redondamente, tem coisas que compõem esse cenário, sobre as quais a gente não tem nenhum controle. Então o exemplo que aconteceu comigo quando eu abri o Café Brasil, eu trabalhava numa grande indústria, saio da indústria em abril de 2008 e eu já vinha fazendo palestra, então eu fiz uma conta lá, falei bom, se eu empregado aqui nas horas vagas, quando dá eu estou fazendo aí 30 palestras por ano, a hora que eu sair daqui e botar a cara para valer no mercado e disser que eu sou o cara, eu vou fazer 70, 80, 90 palestra e eu saio em agosto de 2008, isso não, abril de 2008, eu saio da empresa, pego o dinheiro, monto  minha editora, lanço três livros e saio para arrebentar a boca do balão e contrato assessoria de imprensa, eu faço uma bagunça gigantesca. Em setembro estoura a crise do sub prime nos EUA e o mundo acaba em setembro, outubro e novembro de 2008, desmanchou tudo e tudo aquilo que eu construí durante alguns meses acabou, zerou e eu tinha feito a tarefa de casa, tudo certinho, tudo certinho, desmoronou de um dia para o outro, eu passei dois anos pagando para trabalhar, consumindo o dinheiro que eu tinha tirado de lá, quer dizer, eu não consigo pegar esse meu exemplo e falar bom, teve outro cara igualzinho a mim que fez a mesma coisa que eu dois anos antes deu certo, porque  não houve uma quebra como houve no meio do caminho, então essas coisas todas tem que ser consideradas, quer dizer, tem um grande lance ai, que as pessoas chamam de sorte, azar, eu não fico muito confortável com isso, mas acho que tem componente importante que é legal, me inspirei com a história da Roberta, achei fantástico, vou fazer igual a ela. Não vai.

Roberta          Até porque, Luciano, eu acredito assim, as pessoas são diferentes, tem talentos diferentes e mais do que isso, tem coisas que a vida quer que você passe, tem experiências que a gente tem que passar que eu tenho que passar, não é o Luciano e que é aprendizado, e que é para a gente se tornar mais forte ou não, enfim, aí cada um encara isso como dentro daquilo que acredita, enfim, mas tem coisas que assim, você planeja por quê? Porque o planejar e porque o organizar? Para diminuir os riscos. Mas, não significa que você está isento deles, poxa, eu planejei, ouvi a palestra da Roberta, ouvi a palestra do Luciano, gravei, escrevi, fiz igualzinho, mas uma pessoa só me ouviu, carisma não dá para comprar, o encantamento, a pessoa que compra o Luciano é Luciano, e eu abro um parêntesis aqui, eu sou fã do Luciano, então assim, quando eu abordei há algumas semanas, eu fui como fã mesmo, tietar e falei assim, Luciano eu adoro seu trabalho, por quê? Porque é alguém que eu acredito, tem verdade, é alguém que tem conteúdo, mas fala com propriedade e eu vejo que hoje as pessoas procuram isso. Elas querem verdade e eu vejo também que tem muita gente se  iludindo com qualquer coisa, então assim, acreditando em qualquer papinho, qualquer curso milagroso, ah  abre um food truck não sei do quê, ah não, abre que você vai ver que você vai bombar, mas nem todo mundo tem talento para o empreendedorismo, às vezes você pode ser um excelente analista financeiro, qual é o problema disso? De você crescer dentro do mundo corporativo, nem todos vão abrir o seu negócio, nem todos vão ser palestrantes e aí é a vida, como você mesmo diz, ela vai te trazer ainda algumas circunstâncias onde você vai conhecendo pessoas, ele vai tirando pessoas vão colocando outras pessoas e as portas vão se abrindo, então eu vejo muito assim que muitas portas se fecharam e muitas se abriram, eu tenho quatro palavras que eu tenho assim cravadas no meu coração há muitos anos: foco, fé, dedicação e relacionamento. E fé não é religião, fé de que você vai fazer o negócio acontecer, fé tipo eu vou, que nem esse evento que o Luciano estava palestrando, eu estava lá babando e eu falei eu vou falar com ele no final, eu vou, quando eu olho para trás, ele está lá sozinho, eu falei é agora a hora, então esse tipo de situação, se eu não tivesse falado com ele naquele minuto, talvez eu não tria uma oportunidade, eu não estaria aqui, então tem muita gente que fala assim que eu sou ousada, eu sou, porque vem um negócio dentro de mim, vai e muitas vezes na vida você tem que se jogar, tem que dar a cara para bater.

Luciano          São encontros. A vida da gente é feita de encontros, há um tempo atrás, eu não lembro quem foi que disse isso ou eu li em algum lugar e o cara fez um comentário depois eu escrevi um texto até a respeito que diz o seguinte: você tem como rotina na sua vida sair toda manhã as 7:30 da manhã para levar o cachorro para fazer xixi, então você sai, vai com o cachorro até a padaria, volta com o cachorro, faz isso todo dia na sua vida, um dia deu um problema qualquer, você errou o horário, perdeu o horário, não tocou o despertador, vocês e atrasou, em vez de sair as 7:30, você saiu as 8 horas com o cachorro e quando chegou na padaria você deu de cara com um sujeito que você nunca tinha visto lá mas que é um sujeito que está lá todo dia nesse horário, como você nunca estava lá nesse horário, você nunca viu, de repente você encontra esse cara, dá um olhar, troca uma palavra, casa com ele, tem filhos, sua vida mudou porque você errou o horário e se expôs a um encontro que você não tinha pensado a respeito e ali o cara diz o seguinte, fala, qual é o segredo da vida, é você se expor ao maior número de encontros possíveis, então se eu tenho como base da minha rotina ficar em casa de noite assistindo televisão, não tem encontro nenhum acontecendo, ou então se eu estiver no computador digitando, eu até tenho um encontro,  mas são virtuais, ao passo que aquele que não para em casa e que está na rua saindo e que bota na cabeça não eu vou, eu vou lá, eu vou botar a minha cara, eu vou ser visto, ele se expõe a encontros e num determinado momento acontece aquela coisa que o pessoal vem dizer, que sorte que você foi  naquela festa hein cara, que sorte que o fulano estava lá, que sorte que ele te viu, que sorte que você foi no evento que o Luciano foi palestrar, que sorte que ele estava sozinho naquele horário, quer dizer, não é que era sorte, é que você se colocou na situação de eu vou me expor para algo que vier e eu acho que isso é fundamental e tem a ver com aquela história do sim, que é, eu tenho que falar mais sins do que nãos, nesse tipo de visão que eu estou colocando para você aqui, quer dizer, estou parado aqui… esse fim de semana eu fiz isso, eu fui para… fui fazer uma palestra em Franca, interior de São Paulo, uma cidade pequena, interior de São Paulo e eu faço o que eu sempre faço, chego lá de tarde, vou para o hotel, normalmente eu fico no hotel, janto no hotel, não quero encheção de saco, eu estava parado no hotel falei, quer saber de uma coisa, eu não vou ficar no hotel coisa nenhuma e fui para a internet, procurei e achei lá o segundo restaurante da cidade, um restaurantezinho chamado “Azul”, falei eu vou lá, puta, mas eu estou cansado, eu vou lá. Chamei um taxi, olha só, com 60 anos você vai entender o que eu estou falando, você está no hotel, vai chamar um taxi, vai pegar o taxi, vai para o restaurante sozinho, vai jantar, tem que chamar o taxi, voltar, que saco isso, eu falei não, mas eu vou e vou e descubro um restaurante maravilhoso, um lugar fantástico, um peixe maravilhoso e volto para o hotel satisfeito, falei que puta descoberta que eu fiz porque eu não fiquei parado, trancado dentro do hotel, ou seja, vou me expor e acho que isso é que falta para muita gente, que o pessoal se recolhe e quer que a coisa aconteça, então vou ganhar na loteria sem apostar e aí?

Roberta          Falta atitude, falta ação. Você fala isso na sua palestra em relação à motivação, se eu não me engano em algum momento você falou isso, que são os motivos para a ação, quais são os motivos que você tem para agir diferente, às vezes as pessoas falam assim, ah agora nesse momento, ah perdi meu emprego, quero arrumar o emprego dos meus sonhos, você ao menos atualizou seu currículo, você nem se preocupou em fazer um post no Facebook, falar para os seus colegas, eu estou disponível ao mercado, se alguém souber… não, não, não, você está reclamando da vida, trancado em casa, no quarto e só colocando coisa negativa na internet…

Luciano          Isso depois que aconteceu o problema, está acontecendo agora aqui, meu filho, eu estive com ele, ele me ligou essa semana e minha filha também me contando, pai, meus amigos perderam o emprego, eu nunca vi igual, tenho quatro amigos que perderam emprego, estão na rua, um deles aqui é casado, como é que faz e etc e tal, eu falo pô, mas vem cá, antes de perder emprego o que essa molecada fez? A hora que o emprego dançou, tinha alguma alternativa? Tinha um gatilho para ser acionado? Tinha alguma coisa preparada que a hora que dançou aqui eu vou para aquele lugar ou não? E você descobre que não tinha nada. Eu estou no meu emprego e eu não fiz mais nada, eu não fiz mais nada, eu não tenho um plano B, não mantive o contato com mais ninguém, eu me recolhi, não distribuí currículo para lugar nenhum, aliás, como você falou, nem tenho currículo arrumado para funcionar ou não, quer dizer, não tem aquela história, deixa eu prevenir que tem tudo a ver com esse trabalho que você está fazendo da educação financeira, que ela nada mais é do que vou prevenir aquele buraco que vai acontecer lá na frente. Nós estamos em crise, o Brasil está passando uma crise. O Brasil tanto ele está em crise que tem muita gente perdendo emprego, que as empresas estão diminuindo a contratação de palestrantes, os eventos estão ficando menores, tem muito menos evento do que tinha há pouco tempo e a grana fica curta, como é que é, nesses momentos aí de crise, se você perguntar da crise  para mim, eu que sou brasileiro e estou aqui há 60 anos no Brasil, eu te conto história de crise aqui que é inacreditável, essa aqui não é nem de longe a pior que a gente passou, mas é a do momento e do momento é sempre a ruim. Como é que você trabalha com as pessoas nesse momento de crise, como é que você pega esse teu escopo do planejamento financeiro para tratar num país que está em crise?

Roberta          Eu parto sempre do princípio assim, qual é o seu melhor? O que você quer? Porque é nisso que eu acredito e é isso que sempre me moveu, eu acho interessante, as redes sociais assim, na crise, tire o “s” e crie as oportunidades, pô, isso já existe há anos, um monte de gente já falava sobre isso, será que você cria mesmo? Só está fazendo mais da mesma coisa, como que você pode se diferenciar? Então assim, eu o meu papel é provocar, é dar um choque, então tá, você é secretária? Mas muda pelo menos a mesa, fala de uma outra forma, atende o telefone de outro jeito, eu quero instigar a pessoa a tirar o melhor dela, a fazer diferente, a ter brilho no olhar, porque se você não tiver brilho no olhar, você entra em crise com a crise, você se tranca, você não vê oportunidade em nada, você não consegue se expor, qualquer pessoa que você vai falar, até dentro do elevador, nossa que crise, você viu o dólar? Então assim, o que você quer? O que é maior? A crise que está o momento econômico ou os teus sonhos? Onde você quer chegar, porque para mim, Luciano, independente da crise, de quem está no cenário político, os meus sonhos continuam cada vez mais ousados, eu sei onde eu quero chegar, eu estou trabalhando, eu estou ralando, então assim, no momento de crise, você tem que ralar muito mais do que você já ralava, mais pessoas tem que te ver, você tem que conversar com mais pessoas, você tem que ser diferente, tem que ser companhia agradável, eu acho que num momento de crise, as pessoas, elas também ficam cansadas de ouvir sempre: ah porque é crise né? Seja diferente, seja também uma boa companhia.

Luciano          Sem ser o bobalhão, que… não, nada, o que é isso? Não é o que é isso, ela está aí.

Roberta          Não! Seja você, a crise existe sim, estamos num momento econômico delicado também, mas é momento de você também assim, recalcula a rota, faz a coisa diferente, como que você pode ir ao supermercado, poxa, não deu para você comprar aquilo que você gostaria, então compra uma outra coisa, ou compra uma quantidade menor, então assim, tenha ousadia, eu acho que falta o “ir para cima”. Eu não sei se é porque eu tenho isso muito forte dentro de mim, eu sempre tive, então eu vendia produto para advogado, por telefone e eu tinha que arrancar o cartão de crédito do número do cartão do doutor, do juiz, enfim, e o código de segurança, então aquilo para mim foi um aprendizado enorme, porque assim, eu tinha meta para cumprir, eu tinha conta para pagar, mesmo ele falando, imagina, eu não confio, isso é um absurdo e tal, tal, tal, mas eu buscava abordagens diferentes, eu não podia falar do mesmo jeito que todo mundo falava e entrar na pilha. Então eu filtro também com quem eu ando, o que eu leio, o que eu escuto, porque se você absorver tudo aquilo que aí no externo está acontecendo, você não tem força mesmo, os seus pensamentos vão ser cada vez mais, é crise, você está na pior, não vai acontecer, então eu vejo que as pessoas precisam se reinventar, mas se reinventar de verdade, faz um balanço, principalmente para essa época do ano, o que você fez em 2015 que deu certo? Pô, então aperfeiçoa e avança. O que você fez que está errado? Deleta. Porque se não deu certo, por que você vai repetir? Já valeu a experiência, então assim, para mim, se eu tivesse hoje que vender pão de mel de novo, não teria problema nenhum, eu venderia, por quê? Porque eu sei que eu posso ir me reinventando, então eu não posso também assim, eu não  quero ser conhecida como consultora financeira que entrega uma planilha, vê o extrato e até o mês que vem, não, eu quero fazer diferença na vida das pessoas, eu não quero dar o caminho, mas eu quero provocar para que a pessoa fale, uau eu sou essa pessoa.

Luciano          Isso não é papo de autoajuda não?

Roberta          De jeito nenhum.

Luciano          Por que não?

Roberta          Porque eu acredito e eu vejo, acho que mais do que acreditar, eu vejo a transformação na vida das pessoas e eu mostro que assim, não sou eu que dou o caminho, eu provoco para que a pessoa descubra e isso é completamente diferente, uma coisa é você por alguém numa sala e ouvir 6 horas de motivação e pinta e faz piruleta e dá pirulito e todo mundo ri, a outra coisa é você provocar a pessoa a refletir e ela encontrar o caminho e ela encontrar a resposta, é completamente diferente.

Luciano          Ou ao menos incomodar com isso.

Roberta          Exatamente.

Luciano          Vou te ensinar um truque para quando fizer essa provocação que eu fiz com você aqui agora, quando alguém falar que você quer papo de autoajuda e você falar não e a pessoa perguntar por que não? Você tira a sua foto com 140 quilos e mostra, fala por causa disso aqui.

Roberta          É isso aí.

Luciano          Bota na cara da pessoa assim e fala, quem é essa? Sou eu. Como é que se perde 65 quilos? Me ensina?

Roberta          Olha…

Luciano          Olha a minha situação, olha a minha situação, como é que eu faço? Eu só tenho que tirar 12 e é um horror, meu Deus do céu, como é que alguém perde 65?

Roberta          Mas é mudança de hábito, parece um negócio, ai isso aí é óbvio, mas assim, é um óbvio que muitas vezes você não faz, é você mudar algumas coisas e fazer o que você tem prazer, então é mudar a qualidade de vida…

Luciano          Espera aí, eu tenho prazer em comer o sorvete de chocolate Bem & Jarry’s…

Roberta          Qual é a quantidade?

Luciano          … é o pote inteiro, o pote dele todinho, eu tenho prazer em sentar na frente da minha televisão, na minha cadeira de massagem e ficar horas ali com aquela massaginha gostosa, eu tenho prazer em comer um belo de um cheeseburger maravilhoso, eu tenho prazer em comer macarronada, andar não me dá prazer, ir na academia não me dá prazer, isso me enche o saco, se é para fazer o que eu tenho prazer, eu vou morrer gordo amanhã.

Roberta          A minha pergunta é: você está feliz do jeito que você está?

Luciano          Ah, médio.

Roberta          Então é assim, eu penso que eu conheço pessoas que são magérrimas, que outras pessoas se incomodam pela magreza e fala, você é muito magra, você tinha que engordar, e a pessoa: mas eu estou bem assim. Eu conheço pessoas que pesam mais de 140 quilos e estão super bem. E aí por que eu te perguntei, você está feliz assim? Porque se para você não é incômodo, meu, que se dane, a questão é: para mim com 24 anos um manequim, uma calça 54, era horrível, eu me incomodava, só que como que uma pessoa com cento e trinta e poucos quilos ia para a esteira? Ei me sentia incomodada, por quê? Porque a gente vive numa sociedade que não acolhe, ela te põe o dedo na cara e fala, ô gorda por que você veio aqui na esteira? Sendo que ao contrário, a recepcionista da academia tinha que abrir os braços e falar, uau, parabéns que você está aqui, seja bem vindo. Não é isso que acontece, então eu vejo assim, tem que ter prazer. Às vezes o prazer para você não é esteira e correr no Ibirapuera, às vezes o prazer para você é lutar…

Luciano          Ben & Jerry’s.

Roberta          … e aí eu aprendi uma coisa uma vez com um professor, que ele falou assim, e eu amei essa frase: Roberta, comida é energia. Falei uau, amei. A comida é energia, você pode comer cinco cheeseburgeres, a questão é…

Luciano          Tem que tirar de dentro…

Roberta          … tem que tirar, agora como vai tirar? Você vai tirar com aquilo que te faz animado, te faz feliz, te dá prazer, então assim, não adianta, eu não acredito naquele endócrino, nutricionista que dá uma folha de filé de frango, alface, manda você ir três vezes para a academia fazer aeróbico, as pessoas são diferentes, então não adianta você tratar todo mundo igual porque não vai dar prazer, então tem gente eu tem prazer em lutar as 6 da manhã e tem outros que tem prazer em ir para o parque as 9 da noite, tem gente que gosta de meditar, o que você gosta de fazer? Eu também adoro comer, só que eu sei que se eu arrebentar de comer como eu comia antes, eu sei do meu passado, eu não quero voltar para lá, então eu sei o que eu preciso fazer, eu amo comida japonesa, eu amo risoto, mas se eu comer risoto com sobremesa todos os dias, eu tenho tendência, a minha genética, tem gente que come um boi e não acontece nada, então assim, se a minha genética não favorece, então eu como e queimo e aí o equilíbrio, acho que esse é o lance, porque a gente trabalha, às vezes a pessoa fala para mim, ah mas eu vou fazer consultoria financeira e eu nunca mais vou comprar uma calça? Não estou falando que você nunca mais vai comprar, qual é o seu momento? Porque espera aí, Luciano, você trabalha o dia inteiro, pega trânsito e viaja e faz… se você não puder comprar um sapato, uma calça e comer um lanche, se mata, porque espera aí, está errado. Então assim, a gente tem que usufruir, a gente tem que ter  prazer, o dinheiro, ele é um meio para você conquistar aquilo que você gosta. Agora, vou comprar sapato, comprei vinte sapatos, então não está no equilíbrio, está desalinhado, então o que é demais, o excesso, o que está por trás do excesso? Começa a se investigar, começa a se perguntar, poxa, por que eu comprei? Eu atendi um cliente outro dia que ele tinha seis macbook, ah eu sou viciado em comprar macbook, mas o que você faz? Eu não sei, eu gosto. E seis macbook. Aí quando a gente começou a conversar e tal, ele olhou, chegou uma hora que ele não tinha mais resposta, ele ficou tão encurralado que ele mesmo não conseguira entender por que ele comprou os seis.

Luciano          É a, como é que chama a doença lá?

Roberta          Oniomania

Luciano          Oniomania

Roberta          E aí ele olhou assim, Roberta, eu comprei seis macbook’ s, por que eu fiz isso? Tem coisas que a gente faz que nem nós mesmos temos as respostas, mas assim, por que seis? O que ele poderia fazer com esse dinheiro dos outros quatro, ou  doar os quatro, ainda brinquei com ele, falei assim, poxa, me dá um que eu levo para o meu marido, ele ama. Não, mas espera aí. Aí um mês e pouco depois ele falou, Roberta, sabe o que eu fiz? Mudei lá os equipamentos da minha empresa, melhorei e levei os macs, os macs estavam na casa dele, guardados sem uso, ele levou para a empresa, então assim, por que o excesso? Então a gente está numa sociedade que vive num momento de compensações, então as pessoas, elas…

Luciano          Vai ver que esse cara é casado com uma vampira e ele desconta comprando macbook, hoje não mais, porque no preço que foi parar o macbook agora, está uma loucura, hoje não dá mais. Legal, legal, Roberta, deixa eu saber então quem tiver interessado em encontrar você,  trocar uma ideia, contratar, saber, se eu tiver uma empresa e quiser uma consultoria, como é que eu acho você?

Roberta          É nas redes sociais e o meu site robertaomeltech.com.br

Luciano          o l m e…

Roberta          o m e l t e c h … o m e l t e c h Roberta Omeltech e em todas as redes sociais, 2016 com novidades no canal do Youtube e tudo mais.

Luciano          De qualquer forma vou botar o link aqui no nosso programa e legal, acho que esse papo aqui dava para ir longe. Diga.

Roberta          Tem três presentes no  site, para as pessoas que estão nos ouvindo, então eles conseguem baixar gratuitamente uma planilha de organização financeira que é super fácil de ser utilizada, tem um e-book também, “Sonhar – Você e o Dinheiro –  Sonhar é o primeiro passo para realizar” e tem um aplicativo para celular, por enquanto para Andróid, chamado “Bufunfa”, muito fácil de ser utilizado, por que o “Bufunfa”? Para ajudar nos seus gastos diários, porque muitas vezes o pessoal escorrega no 20, no 30, no docinho, no café com leite e quando vai ver, numa semana gastou 300, 400 reais a toa, então fazer o controle diário, o acompanhamento do teu extrato semanal, ajuda bastante e o choque com a realidade é o que faz a gente mudar.

Luciano          Legal. É isso aí. Obrigado viu?

Roberta          Muito obrigada, eu agradeço pela oportunidade…

Luciano          Bem vinda.

Roberta          …  pelo convite e estou á disposição de todos.

Luciano          Legal, agora enquanto você fica aí, eu vou conversar com ela para ver como é que eu tiro os 12 quilos.

Transcrição: Mari Camargo