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Luciano Pires -
Download do Programa

Luciano Pires: Bom dia, boa tarde, boa noite. Bem-vindo, bem-vinda a mais um LíderCast, o PodCast que trata de liderança e empreendedorismo com gente que faz acontecer. No programa de hoje Willians Fiori, professor, podcaster e profissional de marketing em vendas da área de saúde, que se especializou em Gerontologia. Uma conversa fascinante sobre aquilo que alguns chamam de melhor idade, mas que é na verdade, a “envelhecência”. Muito bem, mais um LíderCast. Esse aqui é daqueles que aparece das minhas caçadas pelas mídias sociais. Eu estou ali, mexendo aqui, mexendo ali e encontro um PodCast interessante, dou uma olhadinha nos tweets do cara. Eu falei: esse cara trata de um assunto que é cada dia mais importante para a sociedade. E mais importante para mim, que eu já entrei na alça de mira dele lá. Então, as três primeiras perguntas que você sabe que já são aquelas fundamentais: o seu nome, a sua idade e o que você faz?

Willians Fiori: Bom, primeiro: obrigado pelo convite aí. Meu nome é Willians Fiori, eu tenho 43 anos e atualmente eu faço um monte de coisa. Eu sou host e criador do GeroCast, que é um PodCast voltado para a longevidade. Eu sou professor convidado e professor residente no Hospital Albert Einstein, com o tema envelhecimento também. Então eu coordeno hoje lá uma parte do tema Economia da Longevidade. Que é um tema bastante complexo. E trabalho numa empresa privada que importa produtos para idosos também, inclusive para incontinência urinária, que é um tema que eu lido há bastante tempo também. Então é meio multifacetada aí a minha vida.

Luciano Pires: Que legal. Bom, quem me escuta sabe: eu tenho 63 anos de idade. Logo eu sou target do trabalho que ele faz aqui. Tudo que é gero hoje me chama a atenção. Se é gero, eu preciso dar uma olhada lá e ver como que é, como que vai ser meu futuro ali. Vamos começar do começo. Você nasceu onde?

Willians Fiori: Eu nasci em Ourinhos, divisa com o Paraná.

Luciano Pires: Mais um porta, porco, Fernando. Nasceu em Ourinhos?

Willians Fiori: Ourinhos.

Luciano Pires: Tem irmãos?

Willians Fiori: Tenho. Eu tenho uma irmã.

Luciano Pires: Uma irmã?

Willians Fiori: Isso.

Luciano Pires: Seu pai e sua mãe faziam o quê? Ou fazem o quê?

Willians Fiori: Meu pai ainda – ele se aposentou e ele voltou a trabalhar – meu pai é caminhoneiro.

Luciano Pires: Caminhoneiro?

Willians Fiori: É. Mora no Mato Grosso. E minha mãe é dona de casa, mora lá em Ourinhos ainda. Então eu sou de uma família bastante comum e bastante simples.

Luciano Pires: São separados, então, seu pai e sua mãe?

Willians Fiori: São separados.

Luciano Pires: Seus pais se separaram, que idade você tinha?

Willians Fiori: Eles separaram não faz muito tempo não. Faz mais ou menos uns 10 anos que eles se separaram.

Luciano Pires: Você já estava…

Willians Fiori: Já estava morando em São Paulo fazia bastante tempo já.

Luciano Pires: Legal. O teu apelido quando era criança, como que era?

Willians Fiori: Cara, Lombriga.

Luciano Pires: Lombriga.

Willians Fiori: Não parece. Mas eu já fui um cara muito magro.

Luciano Pires: Eu também fui cara. Eu fui magro e cabeludo. Você vê que coisa. O que a idade faz com a gente.

Willians Fiori: Minha avó ficava me dando Biotônico, aí…

Luciano Pires: Sim. Eu também tomei muito Biotônico Fontoura cara. Me fala uma coisa: o que o Lombriga queria ser quando crescesse?

Willians Fiori: Cara, numa cidade como Ourinhos, assim, é difícil. A perspectiva de trabalho e de vida, na verdade, ela é muito ali, local. É trabalhar no comércio, ser policial militar. Coisas bastante comuns assim.

Luciano Pires: Coisa do interior.

Willians Fiori: Exatamente.

Luciano Pires: Interior. Quem vem do interior. Quem está no interior. É a vidinha pequenininha do interior.

Willians Fiori: Então você não tem muita perspectiva, assim. Fica meio que naquele âmbito comum ali mesmo.

Luciano Pires: Não tinha. Porque isso está mudando bastante, muito, agora.

Willians Fiori: Sim.

Luciano Pires: Porque com essa história toda de internet, com essas conexões, eu tenho tido cada surpresa aí. Que eu viajo o Brasil inteiro fazendo palestras. Eu me enfio em cada fim de mundo. E é sempre surpreendente, cara. Você chega lá, tem uma ilha de tecnologia, num lugar que não era para ter nada. Eu fui para o interior do Mato Grosso, aquela cidade lá do interior, no meio do negócio. Eu vou visitar um laboratório de análises químicas.

Willians Fiori: Tem uma puta tecnologia ferrada lá.

Luciano Pires: Você olha para aquilo: cara, o que é isso?

Willians Fiori: Eles têm um polo de tecnologia ferrado lá.

Luciano Pires: O cara que está tomando conta, formado em não sei o que, pós-doutor de não sei onde. Então, o interior está perdendo já aquela história. O que não pega lá? Você fala: me formo em propaganda e quero trabalhar no interior. É complicado. É muito reduzido esse mundo aí. Mas nas outras… médico pode ir muito bem, engenheiro.

Willians Fiori: Sim. Hoje tem uma migração contrária. Muita gente saindo da grande cidade e indo para o interior para trabalhar.

Luciano Pires: Sim. E com a conectividade, acabou o rolo lá.

Willians Fiori: Exatamente.

Luciano Pires: Mas aí você foi perseguir esse sonho? Esse teu sonho, o que você fez para ir atrás? Você era muito pequenininho? O que era?

Willians Fiori: Cara, na verdade assim: eu muito cedo ainda me interessei pela música, quando moleque, autodidata; tinha um violão do meu avô jogado lá e eu comecei a tocar. Só que no interior você não tem – ainda mais nos anos, no final da década de 80, início dos anos 90 – não existia internet. Então assim, as coisas que você tinha eram emprestadas e tal. E aí eu queria vim para São Paulo para estudar música. Ainda com 15 anos de idade. Eu não sei que maluquice que deu na minha mãe. Com 16 anos, tinha um amigo da família que tinha uma marmoraria aqui em São Paulo e aí ele me chamou para vim morar aqui, para trabalhar como aprendiz da marmoraria. Eu falei: putz, isso é uma oportunidade para mim ir para um lugar lá. E meio que em alguma hora, eu estudar música e tal. Aí eu vim com 16 anos, sozinho, para São Paulo.

Luciano Pires: Que ano era?

Willians Fiori: Foi em 1994.

Luciano Pires: 94 você estava chegando em São Paulo?

Willians Fiori: 94. É.

Luciano Pires: Cara, você junto com o Fernando Henrique Cardoso.

Willians Fiori: Exatamente.

Luciano Pires: Era o começo da gestão do FHC.

Willians Fiori: 1994.

Luciano Pires: Você veio para estudar também?

Willians Fiori: Eu vim para estudar. E a minha ideia era fazer a Universidade Livre de Música, a qual eu acabei fazendo. Eu queria fazer faculdade de música e tal. E aí trabalhando, carregando pedra nessa marmoraria. Trabalho superpesado. Aos finais de semana, montei uma bandinha e tocava nos jazz da vida aí no [inint 00:06:16] que tinha lá na [inint 00:06:19], no Sanja, Café Piu.

Luciano Pires: Eu ouvi falar do Piu Piu. O famoso Piu Piu.

Willians Fiori: E aí a gente acabou meio que conhecendo um monte de gente aí. A música na verdade, foi o que me trouxe aí para São Paulo na verdade.

Luciano Pires: Você chegou em algum momento a imaginar que o teu futuro estava nela, para ganhar dinheiro inclusive?

Willians Fiori: Cara, todo músico sonha em viver de música. Eu acredito – eu tenho um grande amigo, que é o Zé Eduardo Martins, que hoje ele toca, é músico de rua pelo mundo – eu acredito que meu fim pode ser isso ainda, em algum momento, sabe? Viver de música, quando você estiver mais tranquilo. Mas eu queria muito assim, viver. Você viver da sua própria arte, eu acho que é uma dádiva. Eu falo assim: a grande maioria das pessoas que trabalham em grandes empresas e tal, ninguém quer… você fala assim: qual seu sonho? Onde você gostaria de morrer? Ninguém quer morrer no escritório. Você pergunta para um artista, todo mundo responde: eu quero morrer no palco.

Luciano Pires: É verdade.

Willians Fiori: Então assim: é diferente esse tesão. Então eu acho que a arte tem isso, que eu acho que é genial.

Luciano Pires: Eu acho que é uma questão de você calibrar as expectativas. Eu consigo viver de arte sem ter que ser a Beyoncé.

Willians Fiori: Sim, sim.

Luciano Pires: Na cabeça de todo mundo: sucesso. Não. Espera um pouquinho, talvez dê para seguir por um caminho alternativo, que é aquele que eu chamo do mainstream. Não é o mainstream, não é o underground. É o mainstream. E ali você com alguma organização, você, talvez, possa fazer acontecer. Tem bastante gente fazendo acontecer.

Willians Fiori: Sim, sim.

Luciano Pires: É dura. É uma vida de muito trabalho, cara, porque ninguém está na sombra. Hoje em dia ninguém fica na sombra. Mas aí você então, se forma e pega o diploma de músico?

Willians Fiori: Sim, sim.

Luciano Pires: O que alguém faz com o diploma de músico, cara?

Willians Fiori: Cara, aí que é o problema. Ou você vai ser professor de música, que é algo bem complexo. Ou você vai tocar coisa que você não quer tocar. Você vai tocar, às vezes, com artistas que você não tem muita intimidade. Porque assim: eu era músico de jazz. Então assim, é muito complexo. É difícil viver de música. E viver de música instrumental.

Luciano Pires: Você vai tocar numa banda de um pagodeiro.

Willians Fiori: Exatamente.

Luciano Pires: Com o teu background de música…

Willians Fiori: Você tem que desaprender música. Então assim…

Luciano Pires: Ou então botar o jazz no pagode, cara.

Willians Fiori: Exatamente. Eu acho que hoje, talvez, eu iria para fora. Eu tenho grandes amigos que foram para fora. E lá, nos Estados Unidos mesmo, você tem um campo de trabalho para a música instrumental. Tem muita gente boa, muito brasileiro bom lá. Não é à toa que o Ivan Lins está há anos lá e tocando em todos os festivais de jazz, como o Djavan também. Então, os caras têm muito mais nome lá do que aqui inclusive.

Luciano Pires: Sim. Eu acabei de ler a biografia do Marcos Mazzola, produtor. E o Mazzola conta lá. Ele está falando de anos 80 e 90. Como os brasileiros foram conquistando lugar lá fora. Como que eles foram se apoderando. Ele fala: eu levei Martinho da Vila para Montreux, para um festival de jazz. Martinho da Vila cara. E aquilo arrebentou. E os próprios caras do festival falaram: eu não consigo acreditar que um sujeito desconhecido seja capaz de fazer o que o Martinho da Vila está fazendo com esse povo aqui. Todo mundo em pé, não deixando o cara sair do palco. É muito legal ler, se puder, tiver a chance. Eu quero comentar com vocês aqui. É a biografia do Marcos Mazzola. Não vou me lembrar agora do nome da biografia. Não vou me lembrar do nome. Eu não vou lembrar agora. Mas fica a dica. Depois eu ponho aqui o link para esse livro. E aí cara, você foi trabalhar tocando na noite?

Willians Fiori: Sim. E aí tocando na noite, chega uma hora que a água bate na bunda, em algum momento e você precisa ganhar mais dinheiro. Então…

Luciano Pires: Quanto ganha quem trabalha na noite, cara?

Willians Fiori: Cara, dependendo do que você vai tocar, às vezes, o que você gasta de estacionamento, com isso tudo não paga o cachê. E sem falar que os caras não querem pagar nada de cachê. E fora a pressão que você tinha de Ordem dos Músicos do Brasil. Então você tinha que estar com a carteirinha em dia, pagar. Ou seja, não é somente ir. Você tem toda uma parte burocrática aí, para tocar no Brasil e que era… hoje está mais tranquilo. Mas era bem complexo isso.

Luciano Pires: Você não está tocando na noite mais nada, hoje?

Willians Fiori: Não, não. Hoje a música…

Luciano Pires: E você não tem contato com quem toca hoje?

Willians Fiori: Tenho. Tenho contato.

Luciano Pires: O que é um cachê de um músico hoje em dia, cara?

Willians Fiori: Cara depende. Se o cara for tocar com um sertanejo hoje, ele vai ganhar em torno de mil reais por show.

Luciano Pires: Por show?

Willians Fiori: Por show.

Luciano Pires: Isso numa banda?

Willians Fiori: Numa banda top.

Luciano Pires: Numa banda que está no topo. Então se o cara fizer 10 shows por mês, ele ganha 10 paus por mês.

Willians Fiori: Exatamente. Eu estou falando músico…

Luciano Pires: Cara que está lá em cima.

Willians Fiori: Na noite aí, um músico vai tocar num barzinho, ele vai ganhar sei lá, 200 reais, 300 reais no máximo, para tocar por noite.

Luciano Pires: Tá. Realmente é pesado. Tá bom. É pouco tempo as horas que ele fica lá. Não é uma coisa de oito horas. Mas quando você bota no papel é duro você programar a tua vida em função de um cachê de músico.

Willians Fiori: E o investimento que o músico tem. Cara, geralmente você quer ter um bom instrumento. Às vezes o cara vai ter um bom violão que custa 15, 20 mil reais. O cara vai ter um bom teclado que vai custar isso também. Então assim: um investimento de um músico é alto. Equipamento de áudio é bastante caro. E não é somente no Brasil, por causa de imposto não. No mundo todo é caro. Então, sei lá uma Fender americana, nos Estados Unidos, vai custar cinco mil dólares. Que é caro inclusive lá também. Então assim, não tem muita diferença.

Luciano Pires: Quer dizer é muito difícil viver de música no Brasil, mas não é impossível?

Willians Fiori: Não é impossível. Não.

Luciano Pires: Mas também não é uma baba. Não basta saber cantar e saber tocar, que você vai sair fazendo sucesso. Não vai?

Willians Fiori: Não. E sem falar que você tem aí os caras que não cobram nada. Assim: o problema não é você. O grande problema é os caras que vão tocar por qualquer coisa: a troco da comida, a troco da bebida. Então assim, a concorrência é difícil.

Luciano Pires: Quando você viu que não ia dar, o que aconteceu cara?

Willians Fiori: Cara, aí eu falei: eu preciso dar um jeito.

Luciano Pires: Solteiro?

Willians Fiori: Sim. Atualmente casado.

Luciano Pires: Na época?

Willians Fiori: Nessa época eu estava solteiro. Eu falei: eu preciso dar um jeito nisso aí. E aí fui trabalhar numa empresa. Eu fui trabalhar na Editora Globo como operador de telemarketing nos anos 90. Vendendo revista Marie Claire, Criativa, Gibi da Turma da Mônica, Pequenas Empresas e Grandes Negócios e aquela revista de inglês Speak Up.

Luciano Pires: Speak Up. Por telefone?

Willians Fiori: Exatamente. Nem existia esse termo: telemarketing. Era televendas. Aí eu fui trabalhar ali. E foi meu primeiro contato, de alguma forma, com a publicidade, talvez. Então foi um grande aprendizado inclusive para mim, para aprender a ser vendedor. Porque vender revista por telefone, usando ainda – não tinha internet – página amarela. E a gente trabalhava com sistema de prefixo. Então, por exemplo, aqui na zona sul era 53 alguma coisa, sei lá, 5442. Então, 5442-1001, 5442-1002, você ia discando e aumentando o final. Então caía…

Luciano Pires: Cai onde cai…

Willians Fiori: Não tinha…

Luciano Pires: Quero falar com alguém.

Willians Fiori: Não tinha name. Vai e aí vendia.

Luciano Pires: Cara, que loucura.

Willians Fiori: Você não sabia o que ia vender. Se era uma senhora, você ia falar de Marie Claire, Criativa. Você tem filhos? Tenho. Tem gibi. Tem esposo? Tem alguma revista de automóvel, enfim. Então assim.

Luciano Pires: Quanto tempo você ficou nessa?

Willians Fiori: Cara, eu fiquei mais ou menos dois anos nisso aí.

Luciano Pires: E aí?

Willians Fiori: Foi um aprendizado interessante. Valeu muito à pena. Eu aprendi o que era vender de fato. Porque nessa empresa na verdade, prestava serviço para a Editora Globo. Depois eu fui vender outras coisas no meio do caminho. Eu fui vender Leite Paulista, assinatura de leite. Inclusive aqui na região, que a gente está aqui. A gente ligava. Por exemplo, aqui é uma região que na época, você tinha poucos mercados aqui. A pessoa, ela não queria sair para buscar leite na padaria, no mercado de manhã. Então a gente vendia um serviço que todo dia o leite chegava de manhã para ela.

Luciano Pires: Que era a coisa mais normal do mundo em Ourinhos.

Willians Fiori: Sim.

Luciano Pires: Em Bauru também era, cara. Alô molecada que está nos ouvindo aqui, a situação era a seguinte: mamãe acordava de manhã, ia lá, abria porta da casa e na soleira da porta tinha duas garrafinhas de leite, de vidro, com uma tampinha de alumínio em cima, que o leiteiro colocava. E estava lá a garrafinha. Ela abria a porta e estava. Não ia ninguém pegar a garrafinha. Hoje em dia não passa pela cabeça você botar uma garrafinha de leite e ficar lá. Alguém vai levar embora.

Willians Fiori: Exatamente.

Luciano Pires: E naquela época, era assinatura já cara. Estou falando de 30, 40 anos atrás.

Willians Fiori: É. Hoje que tem esses box e tal. Isso já tinha. Depois a gente foi criando outros serviços. Tinha assinatura de suco de laranja. Foi se criando outras coisas aí.

Luciano Pires: Que ano era isso? 98?

Willians Fiori: 98, mais ou menos.

Luciano Pires: Você vê. E nós estamos retomando tudo isso agora.

Willians Fiori: Sim.

Luciano Pires: Está tudo voltando com força redobrada, para tudo assinar outra vez.

Willians Fiori: Exatamente.

Luciano Pires: Bom, e aí cara? Vamos ver o que vai acontecer. Onde você vai parar?

Willians Fiori: Cara é muito louco. Porque você sai da música e vai caminhando. E aí eu fui ter o meu primeiro contato. Aí eu fui trabalhar na American Express, que era de cartões.

Luciano Pires: Como é que você lidava com a frustração de não estar fazendo aquilo que você estudou para fazer?

Willians Fiori: A música?

Luciano Pires: É. Adorava tocar. Puta frustração, cara.

Willians Fiori: Era mais tranquilo, porque era uma questão de sobrevivência. Cara, quando você está numa situação de sobrevivência, você não se dá ao direito de ter luxo de: oh, eu não estou vivendo da minha arte. Isso é…

Luciano Pires: Abraham Maslow.

Willians Fiori: Sim. Não.

Luciano Pires: Não dá para pensar em fazer amor quando você está com fome.

Willians Fiori: Não. Cara quer ver um negócio interessante? Durante dois anos, nessa época aí, 97, 98, eu morei numa barraca de camping no fundo do quintal de um amigo meu no Campo Limpo. Não tinha grana nem para pagar pensão. O cara falou: tem um terreno aqui. Que era a casa dele. Tem um bambuzal aqui. A gente comprou uma barraca. Lembra do Sé? O antigo Sé? Eu acho que hoje é Extra. A gente comprou ali no Sé Campo Limpo. E eu morei dois anos na barraca. Então assim, eu não tinha muito o que escolher. Então era o momento para…

Luciano Pires: Deixa eu te fazer uma provocação?

Willians Fiori: Sim.

Luciano Pires: Você tem saudade dessa época?

Willians Fiori: Cara, eu acho assim: não é saudade. Mas eu acho assim, quando a gente fala assim: quando que é feliz ou não? Olhando para aquela época, eu nunca reclamei assim: olha que merda que eu estou.

Luciano Pires: Você está combinando algumas coisas. É um garotão. Eu tenho o tempo que eu quiser. Eu tenho aquela irresponsabilidade da juventude. Eu tenho preocupação só comigo. Outra: eu estou na barraca, com o meu violão. Os meus amigos aqui. Bota uma cervejinha na frente, acabou, bicho. A minha vida está resolvida. Provavelmente alguns dos momentos mais legais que você se lembra hoje, foi naquela época que não tinha grana, cara. Por que a gente vivia aquilo intensamente.

Willians Fiori: Não. O fato de você não ter nada, você não tem problema. O seu problema ali, ele é mínimo. Então assim: foi uma época de muito aprendizado. É lógico, você passa uns perrengues. Mas eu acho que é um aprendizado. Hoje eu olho para trás e eu falo: se precisasse voltar, eu voltaria numa boa. Eu não tenho… eu meio que fui forjado sabe? Poderia ter me enveredado pelo mundo das drogas, fazer merda por aí. Mas não. Eu foquei naquilo que tinha que focar e fui tocando a vida.

Luciano Pires: Sim. E aí onde você foi parar?

Willians Fiori: Cara, aí trabalhando nessa empresa de cartões; eu tive uma oportunidade de fazer a empresa bancar um curso de Publicidade, que era bastante interessante.

Luciano Pires: Você tem duas formações então? Você formou em Música e Publicidade?

Willians Fiori: Sim. Música e Publicidade. E aí eu abracei essa ideia e fui fazer. Eu era o único cara na época que não tinha condição nem de comprar… estavam começando os computadores. O pessoal tinha aqueles Toshiba, aqueles primeiros Macbooks. Mackbooks não, os Notebooks. E eu era o único que entrava com caderno, provavelmente, ali. E aí, eu saindo dali, tive a oportunidade de trabalhar numa…

Luciano Pires: Agência?

Willians Fiori: Numa empresa… não. Nunca fui para agência. Numa empresa na área de saúde, Nomart, que era uma empresa de material hospitalar. Então assim: já era exótico você trabalhar com material hospitalar em publicidade. Fazer publicidade para hospital. Então assim: para mim foi bastante interessante isso.

Luciano Pires: Você fez tua carreira no marketing corporativo então?

Willians Fiori: Sim, sim. A minha carreira na publicidade, ela vem sempre atrelada à área de saúde especificamente, que é um dos campos mais difíceis na publicidade. E depois me enveredando aí por…

Luciano Pires: A minha foi assim também. Mais difícil que a tua, porque a minha era autopeças. Então… foi laboratório que você trabalhou?

Willians Fiori: Sim. Trabalhei em laboratório.

Luciano Pires: O laboratório tem um marketing com uma disciplina. Se não tiver marketing não vai vender. Autopeças não, cara. Autopeças; dane-se cara. Tem que vender que vender para montadora. E o marketing você trata no pontapé. Então foram 26 anos ali de quebra pau. Você não conseguia justificar aquele budget lá.

Willians Fiori: Você é sempre o cara que gasta. Não existe o…

Luciano Pires: O engenheiro chega lá com a planilha, mostrando toda a economia que o processo novo que ele implementou está fazendo. E o mané do marketing vai lá dizer como que vai gastar o dinheiro do cara, pagando menininha numa feira que ele vai fazer, numa exposição, em evento e não sei o quê. Esses merdas aí que gastam dinheiro. A vida inteira tomando porrada assim. Mas eu não reclamo não, viu? Cara, ali você se encontrou?

Willians Fiori: Sim. Aí eu vi que a publicidade, a propaganda era bastante bacana. Curtia muito fazer. E como eu tinha essa pegada de vendas também eu queria meio que ter uma cara em vendas. Então eu comecei a fazer uma interface e sempre queria estar com a equipe de vendas. Sabe aquele cara? Geralmente, a equipe de marketing, existe uma briga entre vendas e marketing. Como eu vim de vendas, eu tinha essa cabeça de entender de como era a rua. Porque o marketing das empresas, ele pensa só na marca, no branding e tal. E eu queria juntar essas duas coisas.

Luciano Pires: É o intangível e o tangível.

Willians Fiori: Exatamente.

Luciano Pires: Me dá a planilha de vendas aí, deixa eu ver os números. E o marketing de vendas: vamos investir em algo que…

Willians Fiori: É responder para vendar o por que, para que, o que você vai me ajudar? Eu acho que isso que é importante.

Luciano Pires: Você foi cliente de agência de publicidade nessa época?

Willians Fiori: Sim.

Luciano Pires: Coitada da agência, bicho.

Willians Fiori: Eu era o inferno na vida dos caras.

Luciano Pires: Eu, puta cara, o que eu infernizei os caras. Porque eles estavam acostumados a vim na empresa e tratar com engenheiro. Botava um engenheiro na frente do cara, o cara soltava lá um Band-Aid, 40% com dégradé de não sei o que, acabou a conversa cara. Os caras entravam. Quando eu entrei, eu tinha todo embasamento ali. Aí foi um inferno. Porque os caras vinham, jogavam a conversa. E a conversa não passava. Eu ia para cima dos caras e: cara pode acabar com isso, vou nesse valor. Mas o que eu briguei, cara. Até acertar numa agência que entendeu o jogo e fazia o jogo a quatro mãos, sabe? E aí a gente conseguiu funcionar direitinho.

Willians Fiori: Porque a agência, geralmente, ela já chega já com um nível de autoridade ali, que a empresa acaba engolindo. Então esse tem que ser o budget e tal. E eu acabava colocando: olha, não é bem assim que funciona. Eu acho que tem esse caminho aqui também. Então vamos pensar diferente disso também. Mas era divertido isso aí.

Luciano Pires: Vamos lá, eu quero chegar nos velhinhos cara. Como é que os velhinhos se aproximam de você?

Willians Fiori: Cara, surgiu em 2003 na verdade.

Luciano Pires: 2003?

Willians Fiori: 2003. Eu estava trabalhando na Johnson na época com a Ethical Medical, que é fio de sutura.

Luciano Pires: Sempre no marketing?

Willians Fiori: Sempre no marketing. Nessa época na Johnson, eu estava em vendas e marketing. E eu recebi uma proposta de uma empresa de fralda geriátrica para ir lá desenvolver um trabalho junto a médicos e de alguma forma, criar um branding aí junto a esses profissionais. Em 2003 não se falava nesse tema tão difícil que é a incontinência urinária e tal. E eu aceitei o desafio e fui para lá, entendeu? Só que o meu primeiro contato na verdade, foi justamente num evento, num Congresso Brasileiro de Geriatria. A gente foi participar. Aí eu tive um contato com profissionais de saúde. Que como eu já lidava com outros profissionais, eu falei: normal, faz parte isso. Eu já sei como que é a tocada já. Eu vi que aqueles caras ali tinham uma coisa diferente. Primeiro: você não tinha quase pessoas idosas. O geriatra não é um cara idoso. É um cara bastante jovem, hoje em dia. E era uma galera que tinha um tesão muito grande naquele tema ali. E com menos vaidade. Eu lidei com pessoa de cardio, com pessoa de neuro, que tem uma vaidade bastante grande, essas especialidades. E a geriatria não. E ali começou a nascer meio que um…

Luciano Pires: Um propósito.

Willians Fiori: Um propósito, uma paixão. E, de alguma forma, eu vi que eu poderia meio que aprender muito com aqueles caras ali. Então onde nasceu de fato, foi o seguinte: a gente estava patrocinando um curso. O primeiro curso de especialização em Gerontologia na UNIFESP.

Luciano Pires: Você estava trabalhando com eles? Você foi contratado e foi trabalhar nessa empresa de fralda geriátrica?

Willians Fiori: Fui contratado. Fui trabalhar. Exatamente. Eu fui. E a gente estava patrocinando um curso de especialização na UNIFESP. E geralmente, a indústria, ela vai no primeiro dia e no último dia, para fazer abertura e fechamento. E no primeiro dia eu fui lá na abertura e eu perguntei para a coordenadora – que é a Naira Dutra, que é uma baita de uma… eu falo assim: que ela é o papa da gerontologia no Brasil até hoje – e eu perguntei para ela se eu poderia assistir algumas aulas. Que eu queria entender melhor. Moral da história: foram seis meses de curso. Eu fiz todas as aulas.

Luciano Pires: Que legal.

Willians Fiori: Só não recebi o certificado.

Luciano Pires: Era um curso de quê?

Willians Fiori: Especialização em Gerontologia.

Luciano Pires: E para profissionais?

Willians Fiori: Para profissionais multidisciplinares. Tinha médico, enfermeiro, nutri.

Luciano Pires: Mas sempre de saúde.

Willians Fiori: Sempre.

Luciano Pires: Se um advogado quisesse fazer, ele poderia?

Willians Fiori: Poderia. Gerontologia pode.

Luciano Pires: Legal.

Willians Fiori: E aí acabei assistindo todas as aulas ali. E eu falei: putz, isso é muito legal. E aí comecei – como a geriatria, a gerontologia é um universo bastante pequeno – eu comecei a conhecer todo mundo. E comecei a fazer amizade, conhecer o povo todo aí. E aí foi nascendo, paralelamente, além do trabalho que eu já fazia; uma paixão pessoal.

Luciano Pires: Isso em 2003?

Willians Fiori: 2003.

Luciano Pires: 2003. A gerontologia ainda não era – como não é ainda hoje – uma especialidade que está brilhando. Você fala de um neuro, o cara fala: um neuro. O cardio. Gerontologia está esquecidinha, num cantinho ali. Que eu acho que é uma tendência que tende a mudar bastante, porque a sociedade está envelhecendo. Mas explica para mim – ou para nós que estamos ouvindo – o que é a gerontologia? Quando você falou para mim agora que um advogado poderia fazer, eu falo: então não é coisa de médico?

Willians Fiori: Não. A geriatria é o médico. O médico geriatra, que estuda patologia de doenças ou doenças crônicas do idoso. A gerontologia é a ciência que estuda as questões sociais desse indivíduo. Então você… por exemplo, qual que é a importância de um advogado gerontólogo? Um advogado gerontólogo, ele vai poder, por exemplo, quando uma família vai fazer uma intervenção num idoso que tem demência. Ou quando vai fazer um testamento vital. O advogado, se ele tem esse entender dos aspectos gerontológicos, existe campo para isso hoje, muito grande.

Luciano Pires: Eu já comecei a entender de montão aqui. Então vamos lá: geriatria é medicina. Gerontologia é comportamento.

Willians Fiori: Comportamento e questões sociais. Você tem assistente social. Você tem, por exemplo, eu tenho uma aluna minha no Einstein, que é a Flávia Ranieri, que é arquiteta. Ela ganhou um prêmio na CASACOR o ano passado, como melhor estúdio da CASACOR. Então hoje, ela desenvolve projetos para casas, para residências voltadas às necessidades de mobilidade reduzida, às vezes, desse indivíduo, que ele tem em casa.

Luciano Pires: Que legal.

Willians Fiori: Então assim: não tem trava. Todas as áreas podem.

Luciano Pires: Tem um texto muito legal, de algum tempo atrás, que eu li. Quem escreveu foi o Carpinejar, Fabrício Carpinejar.

Willians Fiori: Sim, sim. Eu estive com ele há um mês atrás. A gente palestrou junto em Fortaleza.

Luciano Pires: Ele escreveu um texto há um tempo atrás contando da relação dele com o pai dele velhinho…

Willians Fiori: E com a mãe dele…

Luciano Pires: O pai dele era velhinho. E ele instalando corrimãos na casa dele, para que o pai e a mãe pegassem naquele corrimão ali. Ele falou: cara e aquilo – para mim – era como se fosse o meu braço. Era o meu braço que estava lá para que eles pudessem… cara, o texto é lindo. É um texto muito legal. Que quando eu li aquilo lá me deu a dimensão. Eu falei: esse cara está falando de preparar a casa para alguém de idade. Que é uma coisa que não passa pela cabeça da gente. Casa de dois andares. Vamos lá cara. Tem escada? Dane-se se tem escada. Eu tenho 30 anos de escada. Eu subo e desço. Não tem problema nenhum. Quando começa a chegar à idade que você começa a se antenar. Espera um pouquinho. É melhor uma casa térrea. É melhor ter corrimão.

Willians Fiori: Às vezes muda para um apartamento.

Luciano Pires: É melhor. Entendeu? Por quê? Porque a pessoa está ficando velha. E é uma coisa que a gente, jovem, não costuma pensar a respeito. Espera aí, mas como assim? Eu vou parar de ouvir? Vai reduzir a minha visão? A minha mobilidade vai ficar ruim? Isso não passa pela minha cabeça. Quando começa a acontecer… eu costumo dizer que a primeira sensação que eu tive – eu pessoalmente tive – de que eu estava envelhecendo foi quando começou a cair coisa da minha mão. Começou a cair. Cai a chave do carro. Eu falava: mas como que caiu? Caiu. Por quê? Porque eu estou envelhecendo. E é aquela bobagem. Que caía alguma coisa uma, duas vezes da minha mão, eu falava: mas o que é isso? E aí eu fui entendendo. Eu falei: opa; estou começando a não ter mais aquela… vou levantar da cadeira. Eu já não levanto mais como eu levantava.

Willians Fiori: Dá aquela tontura às vezes.

Luciano Pires: A perna já está doendo onde não doía. E aí você começa então a entender. O intestino já não funciona como funcionava. Eu vou dormir, já dói coisa que não doía.

Willians Fiori: Às vezes, você precisa dormir mais do que antes. A gente não…

Luciano Pires: Mas aí começa a cair uma ficha: cara, eu estou ficando velho, bicho. E talvez, eu não possa fazer coisas que eu fazia até então, com um pé nas costas. Eu não posso mais jogar bola. Porque se eu cair como eu caía, eu vou me arrebentar e não vai ter conserto.

Willians Fiori: Um grande erro nosso, hoje, social, que é atribuir o envelhecimento ativo – que está muito na moda falar – que o envelhecimento ativo é quem pratica esporte. Não é. A coisa mais importante para um idoso é justamente ter sua autonomia. Então, aquela idosa que ela vai para o supermercado fazer compras ou mesmo ela que vai levar a neta na escola, isso é escolha dela. Você quer matar um idoso? Tira a autonomia dele. Não deixa ele fazer mais nada, coloca na frente de uma TV. Então, autonomia. Todos nós temos algum velho em casa, algum idoso. E às vezes, a gente quer meio que ser meio uma muleta para ele. Não deixar fazer mais. Isso é péssimo.

Luciano Pires: Cara, o meu pai completou 93 anos e vai renovar a carteira de motorista. Está um fuzuê lá em casa.

Willians Fiori: Você quer matar ele? Não deixa ele fazer. Porque é tirar a vida dele.

Luciano Pires: Está um fuzuê lá em casa, que está todo mundo horrorizado, porque, cara, aos 93 você já não tem o… ele: minha cabeça está boa, eu escuto bem, eu vejo tudo bem. Eu falo: pai, mas e o reflexo? Você vai esquecer. Aí na hora que você bater o carro vão dizer que a culpa é tua porque é velho.

Willians Fiori: Sim.

Luciano Pires: Então está uma discussão agora na família que é essa: deixa? Vai para cima fazer pressão para ele não? E ele pega o carro e vai fazer as coisas dele, cara. Ele faz o jornal.

Willians Fiori: Teve uma coisa. A minha avó teve uma queda. Ela teve que parar de cozinhar. Ela amava cozinhar. Quando ela parou de cozinhar é como se tivesse tirado a vida dela. Então assim, o Japão hoje, o governo incentiva os idosos acima de 80 anos, que são superidosos, a renovar a carta. Porque é eles que movimentam a economia do automobilismo. Então assim, desde que ele tenha capacidade cognitiva, não tem problema nenhum. Quando a gente pega índices inclusive, de batidas de carro e tal, os idosos são muito mais cuidadosos do que jovens.

Luciano Pires: Basta olhar a seguradora.

Willians Fiori: Exatamente.

Luciano Pires: A seguradora sabe disso e põe isso na conta.

Willians Fiori: Isso. Exatamente. Eu até brinco: a gente tem hoje 50 milhões de pessoas acima de 50 anos no Brasil. E são consumidores. E as empresas, a indústria, ignoram 50 milhões de consumidores. Então é gritante.

Luciano Pires: Eu fui fazer um evento nos Estados Unidos em fevereiro do ano passado lá, de palestrantes. E um dos caras que subiu para palestrar foi um cara especializado nessa questão toda. E ele falando da realidade americana, ele falou: olha o que vai acontecer nos próximos 10 anos. Então ele botou uns números da quantidade de aposentados que entrariam na aposentadoria. E que para uma sociedade como a americana, é diferente da brasileira. Chega uma época da vida que esse pessoal já tem tudo. Está com a casa paga, está tudo pronto. Agora esses caras vão gastar. E nós não temos uma economia voltada para essa turma.

Willians Fiori: Você não tem produtos.

Luciano Pires: Então está na hora de fazer palestra para o pessoal de mais idade. Agência de viagem se preparar para gente de mais idade. Tudo se preparar. Porque vai vim um monte de gente com dinheiro para gastar.

Willians Fiori: Exatamente.

Luciano Pires: Não é o caso do Brasil. Porque aqui a maioria não vai ter dinheiro para gastar.

Willians Fiori: Mas tem. Mas a gente tem que entender…

Luciano Pires: Mas comparado com os americanos…

Willians Fiori: Não…

Luciano Pires: É um número muito menor aqui?

Willians Fiori: Sim.

Luciano Pires: Mas de qualquer forma, isso está chegando. Deixa eu voltar um pouco atrás aqui. Vamos definir um termo aqui. Eu não quero falar velho. Porque velho… cara, eu sou velho.

Willians Fiori: É difícil. Você sabe que tem uma coisa? A discussão. Não sei como chama. É velho, terceira idade, melhor idade? Uma coisa que eu tenho certeza: não é melhor idade.

Luciano Pires: Eu sei que não é.

Willians Fiori: Melhor idade não é. Mas você já tem a quarta idade, que são as pessoas acima de 80 anos.

Luciano Pires: Então, vamos combinar entre nós aqui? Como é que você se refere a essas pessoas? Você chama velho?

Willians Fiori: Quem atua na geriatria, gerontologia não tem problema falar de velho.

Luciano Pires: Velho. Tá bom.

Willians Fiori: Para algumas pessoas é ofensa isso. Então assim, o termo que a gente utiliza às vezes é idoso. Então depende muito. Vai muito de pessoa para pessoa. Podemos chamar de idoso.

Luciano Pires: Idoso?

Willians Fiori: Ou sênior. Porque eu gosto da palavra sênior. Sabe por quê? Nos Estados Unidos ou qualquer… uma grande empresa, quando você tem o melhor gerente de marketing, é o gerente sênior. O nosso português não ajuda. A gente não vai chamar gerente idoso.

Luciano Pires: É tudo ruim isso aí. Idoso me dá a impressão de alguém que eu tenho que pegar no braço e levar. Velho não cara. Velho pode ser tudo. Velho é tudo. Eu vou usar é velho. Pronto. Vamos embora. Me parece que andou acontecendo alguma reclassificação para definir o quanto é velho. Há um tempo atrás, 60 anos de idade era algo, quando você cruzava a barreira para ficar velho.

Willians Fiori: Exatamente.

Luciano Pires: Parece que houve uma reclassificação agora?

Willians Fiori: Sim. Dos países considerados de primeiro mundo. Lá é mais de 65. O Brasil ainda é mais de 60 anos.

Luciano Pires: Mais de 60?

Willians Fiori: Mais de 60 anos.

Luciano Pires: Inclusive eu senti isso muito nos aviões. Quando eu fiz 60 anos eu falava: agora eu posso ser o primeiro a entrar no avião. E agora já criaram a categoria do super velho.

Willians Fiori: Sim. Quem tem mais de 80.

Luciano Pires: Quem tem mais de 80 está na frente dos de 60 lá. Mas então, existe então essa classificação?

Willians Fiori: Existe.

Luciano Pires: No Brasil, você passou de 60, você oficialmente…

Willians Fiori: Tecnicamente é idoso.

Luciano Pires: Entrou na envelhecência?

Willians Fiori: Exatamente.

Luciano Pires: Perfeitamente. E aí como isso é tratado, cara? Eu não sei se você se aprofunda nisso – mas provavelmente sim – a legislação, eu sei que ela tem algumas coisas, que ela trata desse indivíduo mais velho, ela trata assim: agora você pode parar o carro num lugar mais perto. Você pode entrar mais cedo no avião. Você pode pagar menos no cinema.

Willians Fiori: A questão dos direitos.

Luciano Pires: Você pode pegar ônibus sem pagar. Mas que mais tem além disso aí, cara? Tem outros direitos? Tem alguma outra coisa que a sociedade fez para melhorar a qualidade de vida desse povo?

Willians Fiori: Então, o Brasil hoje – a gente tem uma mania de ficar falando mal do Brasil – é a melhor política pública para o idoso no mundo, provavelmente, é aqui no Brasil.

Luciano Pires: É mesmo?

Willians Fiori: É. O que falta, às vezes é aplicar ela. Não falta lei aqui. Falta a gente aplicar ela direito. Mas no Brasil a gente tem uma legislação bastante interessante de proteção ao idoso. Então é bem interessante. Uma coisa que a gente tem lutado bastante hoje, quando se fala em idoso é de dar voz para eles. A gente fala assim: porque a gente tem que dar voz para os idosos. Aí fala assim: a Fernanda Montenegro ela tem voz. Mas ela sempre teve voz. Ela não precisa ter voz. Eu estou falando daquele idoso comum, que mora na periferia.

Luciano Pires: A voz da Fernanda não veio com a idade dela.

Willians Fiori: Exatamente.

Luciano Pires: Ela já existia antes de ela ficar velha.

Willians Fiori: Então assim, a gente tem a tendência a dar voz para quem sempre teve voz. Eu acho que aquele idoso comum, ele precisa ser ouvido. Porque mesmo os profissionais de saúde querem decidir como que… eu vou dar o exemplo mesmo do seu pai. A gente quer decidir quando que ele vai parar de dirigir, o que ele vai comer, que hora que ele vai dormir, se ele vai viajar. Ou seja, a gente quer decidir tudo por eles. Mas eu acho que se a gente pudesse dar essa autonomia para eles fazerem as próprias escolhas é bastante…

Luciano Pires: Desde que ele esteja em condições de tomar as decisões dele lá?

Willians Fiori: Sim, sim. Porque hoje você tem um grande problema nas famílias – que os idosos envelhecem – que é um idoso cuidando de outro idoso. Então não é incomum você ver. Eu vi um caso em Joinville, de uma senhora de 96, que cuidava do filho com Alzheimer com 75.

Luciano Pires: Que coisa cara.

Willians Fiori: Então assim, a gente tem uma inversão também. Então assim, quando a gente fala em legislação, a gente tem bastante proteção. O Brasil, ele é um exemplo para o mundo nisso também.

Luciano Pires: Quer dizer, as leis estão aí?

Willians Fiori: Estão aí.

Luciano Pires: Tem uma questão cultural agora aqui. Eu fiz um trabalho grande com o Orlando Villas-Boas. E o Orlando Villas-Boas já estava velhinho, já era o fim da vida dele. Foram – eu acho – os últimos cinco ou seis anos da vida dele. E tive a chance de viajar com ele e tudo, visitar a casa dele. Ele contava histórias do arco da velha, das coisas que aconteceram com ele. E uma das coisas que ele batia muito era a forma como os índios tratam os idosos. Ele falava: numa tribo de índio, quando o cara é um idoso, ele ganha o status de… ele é o sábio. Então ele é tratado de uma forma, com toda reverência. Os caras têm um puta de um respeito pelo mais velho. O mais velho tem voz, ele toma as decisões e tudo mais. E ele falou: quando chega na sociedade isso é invertido. Ele falou: velho eles jogam para um canto. Bota ele para jogar bocha com os amigos dele lá. Larga ele num canto. Cuidado para não deixar ele mexer em dinheiro. Porque eles vão ferrar a vida da gente. E há uma cultura de que o velho é o cara para ser encostado e ficar lá.

Willians Fiori: Final de vida, uma coisa que é… eu vou fazer uma pergunta para você, direta: como que você se imagina aos 90 anos?

Luciano Pires: Morrendo num palco. No meio de uma palestra. A hora que eu levantar a mão para contar uma história, pof. Cai duro lá.

Willians Fiori: Imagina só…

Luciano Pires: Ou então fazer o seguinte: se eu sentir que eu estou no fim, que eu estou no meu caminho final, com alguma doença irreversível, alguma coisa assim, eu vou voltar para o Everest – onde eu fui – e vou só subir. Subo e fico lá, cara. Encerro lá.

Willians Fiori: Porque imagina só: você faz 60 anos. Até os 90, você vai ter mais 30 anos. Quando a gente olha isso, 30 anos a mais de vida é uma nova juventude. Dá para você casar de novo, dá para fazer universidade, mudar de profissão. Fazer mil coisas. E hoje a gente não pensa nisso. Eu acho que a gente ter propósito, inclusive de pensar assim: o que eu quero ser quando eu envelhecer? Essa é uma pergunta bastante importante. Porque nunca a gente está preparado para chegar lá. E assim, duas notícias, a boa e a ruim. A boa: a gente vai chegar. A ruim: a gente vai chegar. Tudo depende…

Luciano Pires: Sim. E vamos chegar longe. Eu estou trabalhando com a expectativa de 100 anos.

Willians Fiori: Exatamente. A expectativa de vida hoje já está em 82.

Luciano Pires: Meu pai está com 93 e a milhão. Minha mãe está com 89 e a milhão. Meu avô morreu com 102, minha avó com 90 e cacetada. É um povo longevo ali. E eu acredito que os filhos vão mais longe ainda. Quer dizer, eu devo chegar até os 100.

Willians Fiori: Não dá para a gente pensar em chegar aos 60 anos e falar: agora eu vou me aposentar. Porque daí eu vou ficar 30 anos deitado na rede. Não dá. Então assim, por isso até as discussões que a gente tem hoje, de previdência e tal. Não entra na minha cabeça como que as pessoas ainda querem entrar nessa paranoia.

Luciano Pires: Sim. Um dinheirinho para se encostar. Não dá.

Willians Fiori: Não, não, não.

Luciano Pires: É isso que mata. Eu acho que é isso que mata. No momento em que você não tem mais… olha: eu preciso ter uma meta. Eu preciso ter alguma coisa para entregar.

Willians Fiori: Sim.

Luciano Pires: Eu tenho dia para entregar. Eu tenho hora para fazer. Então isso me faz levantar e me faz querer fazer. Eu levanto mal de manhã, eu estou com dor. Cara, eu chego aqui no escritório, sentei na cadeira, some tudo. E aí eu viro uma máquina de produção, que chega no final de semana eu fico louco. Esse fim de semana eu fiz um teste, esse aqui. Eu fiquei sábado em casa, inteirinho, em casa. Eu moro aqui, há 60 metros do escritório. Então o que eu faço? Eu acordo sábado de manhã e venho para cá. Fico aqui até a hora do almoço. Eu vou almoçar. Volto, se bobear. E esse sábado eu falei: eu não vou. Vou ficar em casa. Cara, que agonia, bicho. Chega uma hora que eu já estou com o saco cheio de estar sentado vendo televisão. De saco cheio de ler alguma coisa. Acabei de comer, já me deu um puta sono, eu já quero dormir. E aí se eu dormir eu acordo zonzo, tonto pra cacete. Eu falei: não serve para mim ficar parado lá em casa. Serve para mim é demanda. E eu acho que essa demandada é que me faz continuar.

Willians Fiori: Motiva. Motiva a continuar.

Luciano Pires: Meu pai faz um jornal há 44 anos. Todo mês ele faz. Com 93 anos de idade. Ele faz o jornal inteirinho. E aquilo é a vida dele. Se tirar o jornal dele, acabou. Então eu me miro muito naquele exemplo lá. E eu acho que as pessoas deviam pensar assim também. Não é que eu vou me aposentar para parar. Começar outra…

Willians Fiori: Não. Eu conheci um senhor, que está com oitenta e poucos anos agora, que ele foi fazer medicina depois dos 70. E a ideia dele não é: eu vou agora clinicar. Não. É para estar vivo. Ele falou: eu sempre sonhei em ser médico. Mas eu acabei virando funcionário público. E por uma questão financeira não dava para fazer as duas coisas. Depois que me aposentei, resolvi realizar meu sonho.

Luciano Pires: Que legal.

Willians Fiori: Então assim: voltar para a universidade. Você estudar, aprender uma nova língua.

Luciano Pires: Estar no meio da molecada.

Willians Fiori: Exatamente. Eu acho que isso é superimportante.

Luciano Pires: Muito bem. Você está no LíderCast, um PodCast focado em liderança e empreendedorismo, que proporciona conversas nutritivas, com gente que está aí para provocar mudanças. O LíderCast faz parte do Café Brasil Premium, a nossa Netflix do conhecimento, que redefine o termo estudar, ao transformar o seu smartphone em uma plataforma de aprendizado contínuo. Você pratica uma espécie de MLA, Master Life Administration, recebendo conteúdo pertinente, de aplicação prática e imediata, que agrega valor ao seu tempo de vida. São vídeocasts, sumários de livros, PodCasts, e-books, eventos presenciais e a participação em uma comunidade nutritiva, onde você faz um networking com gente como você, interessada em crescer. Acesse cafedegraça.com para experimentar o Premium por um mês, sem pagar. Outro dia eu chamei o Uber aqui veio… uma hora qualquer eu conto minhas experiências de Uber, eu só ando de Uber Black, que as experiências com os outros foram terríveis. Com o Black sempre funcionou… chamo o Black e estaciona um Mercedes aqui, preto. Entro no Mercedes: um senhorzinho. Sabe? De gravata borboleta, todo arrumadinho, eu olhei para ele, uns 78 anos de idade, uma coisa assim.

Willians Fiori: Parece coisa de filme.

Luciano Pires: Eu olhei para ele: como vai o senhor? Vamos conversar? O que é isso aqui? Ele falou: estou aposentado. Sou eu e minha mulher lá em casa. Entre ficar sentado em casa olhando para a parede ou para a televisão e estar aqui conversando com as pessoas e tendo hora. Eu faço o meu horário. Eu trabalho quando eu quero. Isso aqui para mim é um prazer. Eu estou tocando minha vida aqui. Não é por dinheiro. Eu não estou aqui por dinheiro não. Eu estou aqui para…

Willians Fiori: Isso é social.

Luciano Pires: Isso aí. Para me envolver. Isso me mantém vivo. E eu acho que esse ponto é interessante. O que bota em perspectiva uma outra coisa que você falou: que é a coisa da autonomia. Quer dizer, eu não consigo fazer isso se eu não tiver autonomia. Um mínimo de autonomia. Se eu não consigo andar, eu não consigo me ocupar com coisa nenhuma. Como que é esse mercado interno aí?

Willians Fiori: Tem uma coisa interessante, quando a gente está falando da questão social, que é, por exemplo, idoso que vai todo dia no mercado. E o mercado é frequentado bastante por idoso. E o próprio mercado não enxerga esse cara como shopper. E isso é muito bizarro. Eu discuto muito isso com o board de grandes supermercados. Ele vai ali, às vezes, para comprar uma cabeça de alho. Mas por que esse cara fica na fila? Na verdade, o único bom dia que ele vai ter, às vezes, naquela semana é do caixa do supermercado. Nova Iorque, eles fizeram um trabalho interessante, que foi a primeira cidade Amiga do Idoso do mundo. Eles pegaram algumas regiões que tinham mais idosos. E, por exemplo, das duas da tarde às cinco da tarde, os cafés, tudo que movimentava a região, os idosos tinham 50% de desconto.

Luciano Pires: Que legal.

Willians Fiori: O que foi interessante? Gerou uma economia muito grande, porque o idoso, ele ia ali e ele passava o dia. Você vai num Pão de Açúcar hoje, no café, está lotado de idoso. Quem banca aquilo ali é praticamente o idoso. Eles movimentavam praticamente aquela economia ali. Para o estabelecimento era importante por quê? O custo fixo dele não muda, ele está aberto. Então para ele era interessante porque estava movimentando também. E para o idoso, a questão social. Então assim: existem hoje algumas maneiras, quando a gente está falando de autonomia, a gente antecipar isso também. A gente pensar assim: o que eu preciso ter para ter autonomia? A regra que a gente não segue: que é ter uma boa alimentação, que é a gente praticar atividade física, dormir pelo menos oito horas por noite.

Luciano Pires: É aquilo que eu sempre repito: para daqui a 40 anos, você vai estar morando no corpo que você está construindo hoje.

Willians Fiori: Exatamente.

Luciano Pires: Então você tem 25 e está aí largadão, fumando pra cacete, bebendo, passando o dia jogando videogame. Daqui a 40 anos é o seu corpo que… outro dia eu até falei isso num programa. Eu estava conversando com o meu cunhado e a gente falando – nós dois – a gente morava junto em Bauru, somos amigos de infância. E a gente era o dia inteiro jogando bola, na piscina. Era uma demanda física gigante que a gente tinha lá. Não tinha nada de academia, nada disso. Era nós. E eu falo: é por isso que nós estamos assim, bem hoje, com a idade, a gente não aparenta o que a gente tem. Porque nós estamos consumindo a energia que a gente construiu lá atrás.

Willians Fiori: Exatamente.

Luciano Pires: Ao passo que os nossos filhos estão dentro de casa, vendo videogame. Vai na academia. Se bobear vai e volta e não está nem aí. Não estão preocupados em criar aquela estrutura muscular. Toda aquela estrutura que vai segurar o pepino lá na frente.

Willians Fiori: Andar a pé. Hoje a cidade no Brasil que mais se envelhece bem hoje é Veranópolis, no Rio Grande do Sul. É a cidade mais envelhecida do Brasil.

Luciano Pires: É mesmo? Não sabia disso não.

Willians Fiori: A expectativa de vida lá já está em 88 anos. Por quê? Porque os caras têm um bom estilo de vida, fazem atividade física. Não é ir para a academia. Os caras estão num ambiente rural. Isso ajuda também. O cara produz a própria comida. Então tudo isso ainda é um bom indicativo de construção também.

Luciano Pires: Me fala um pouco mais da questão social do idoso. Empresas não querem empregar quem tem mais de 40 anos de idade. Não querem. Não querem. Você chega com o teu currículo lá, você entra numa sala que tem a molecada de 20, 30 e um senhorzinho de 50, ele já dançou. Por quê? Porque culturalmente é assim. Você olha para aquilo e fala: esse cara já está… já tem as manias dele. Já tem as dores que o moleque não tem. Não tem disposição para ficar ouvindo ordem de moleque. Eu vou botar ele para responder para um moleque de 30, vai ser o caos. Então há todo um complicador social que trabalha contra esse cara de mais idade. O que significa que deveria haver uma mudança…

Willians Fiori: Cultural.

Luciano Pires: Cultural. Na cultura do dia a dia. Eu não sei se isso vem acontecendo. Sinceramente, eu não consigo enxergar se está acontecendo ou não.

Willians Fiori: É interessante. Porque o RH hoje começa a ter um problema. A gente hoje já tem 50 milhões de pessoas acima de 50 anos. Isso dá mais ou menos em torno de vinte e poucos por cento da população. Em 2030 a gente vai chegar a 70 milhões, que dá 37%, mais ou menos. Eu estou falando que a cada 10 pessoas, daqui a 10 anos, daqui a 10 anos no Brasil, de cada 10 pessoas, 4 terão mais de 50 anos. A minha pergunta é: as empresas vão contratar quem? Que não vai ter jovem. Hoje a gente tem alguns projetos. Um projeto que eu vi nascer de perto, que é o MaturiJobs.

Luciano Pires: Como se chama?

Willians Fiori: MaturiJobs.

Luciano Pires: MaturiJobs?

Willians Fiori: Isso. Que é o Morris que toca; que é como se fosse uma Cato para pessoas acima de 50 anos.

Luciano Pires: Eu mandei um convite para o Morris para vim fazer um LíderCast. E ele respondeu assim: o que é LíderCast? E eu mandei para ele o link e ele não respondeu mais. Ele deve estar assustado.

Willians Fiori: Eu vou puxar a orelha dele, que inclusive eu avisei hoje no grupo que a gente participa junto lá, que eu ia estar aqui. E assim: é um projeto que eu vi nascer de perto, literalmente. Antes ele tinha um projeto social, depois acabou virando isso. Que ele faz esse link hoje entre as empresas e as pessoas acima de 50 anos. A gente tem um problema cultural hoje.

Luciano Pires: Esse site – eu não quero falar agência – é uma agência de emprego para gente mais velha. É isso aí?

Willians Fiori: Não somente uma agência. Mas a ideia ali é ele fazer encontros com pessoas maduras. O cara que quer empreender. O cara que quer buscar um trabalho. Ou às vezes você tem um cara que quer virar um consultor. Meio que ele é um hubby para esse cara com mais de 50 anos. Porque chega uma hora… eu vou pegar, sei lá, você pega um executivo que comanda uma grande empresa. O cara chega aos 50 anos, ele é obrigado às vezes a se aposentar. E você quer matar alguém? Você fala assim: agora você não vai poder mais trabalhar.

Luciano Pires: Isso aí.

Willians Fiori: E aí o mercado não aceita mais ele. O cara não quer ficar dentro de casa. O cara não quer fazer igual a esse senhor, ir no Uber. Ou seja, ele fica ali, ele se sente rejeitado. O cara perde o crachá. Então você perder ali o seu… o Willians que trabalhava em tal lugar. Entendeu? Então você perdeu seu sobrenome.

Luciano Pires: Sobrenome corporativo.

Willians Fiori: Exatamente.

Luciano Pires: Esse é o problema.

Willians Fiori: Então hoje a gente tem um problema muito sério que é: a gente tem uma cultura ainda da década de 70, que é aquela questão mais industrial, que é do jovem, da força de trabalho. Vem mudando hoje o perfil. Você tem menos jovens na sociedade. A maioria dos jovens hoje, ele não quer…

Luciano Pires: Ele quer ser youtuber.

Willians Fiori: Não, não quer ter regra.

Luciano Pires: Ele quer ser youtuber e jogar game. Ganhar dinheiro jogando game.

Willians Fiori: O cara, por qualquer coisa fala: não quero mais trabalhar. Eu penso assim: você pega ainda o padrão europeu, americano, de pessoas que trabalham 20, 30 anos na mesma empresa e tem um baita de um orgulho. Aqui, o jovem acha muito mais legal pular de mês em mês, do que construir experiências.

Luciano Pires: Foi incutido na cabeça dessa molecada toda, no final dos anos 90, pelos coachs da época todos, que o que eles falavam? Precisa ter multi experiências. Então – eu ouvi isso textualmente – você não pode ficar mais de cinco anos numa empresa. Tem que saltar de uma para outra. Porque na hora que aparecer o teu currículo na mão de um headhunter, ele vai olhar: esse cara é um acomodado. Como eu, 26 anos na mesma empresa. Eu sou um puta de um acomodado. O que é uma tremenda de uma bobagem.

Willians Fiori: Sim. Sim. Se você olha para fora é ao contrário. Eu estou na mesma empresa – entre idas e vindas – desde 2003. No mesmo mercado. E o bacana é que você constrói uma história nisso. É onde você vira referência.

Luciano Pires: O networking, que é fundamental.

Willians Fiori: Exatamente. E assim, você acaba discutindo com propriedade as coisas. Ali você defende de fato ali, o que você está falando.  E as empresas hoje, elas têm um problema muito sério no RH – que já tem algumas experiências interessantes – que é de trazer pessoas mais velhas para trabalhar com mais jovens. Porque esse cara mais velho, ele tem uma coisa interessante. Ele não tem mais vaidade. Ele tem uma inteligência emocional que a grande maioria dos jovens não tem. E ele consegue trazer, de alguma forma, para a empresa, uma serenidade que é difícil você ter hoje.

Luciano Pires: É. Essa inteligência emocional que você falou é um negócio fundamental, que é a capacidade de lidar com o erro, com o fracasso, com a incomodação. O jovem: já me incomodou, não quero mais quero ir-me embora. O velhinho: faz parte. Não deu certo? Faz parte. Eu vou voltar outra vez.

Willians Fiori: Você aprende. Você aprende a levar não. Você aprende a colocar o seu ponto de vista.

Luciano Pires: Você está com o couro grosso cara. O couro está grosso. Pode bater que eu já apanhei a vida inteira aqui.

Willians Fiori: Sim. Exatamente. Eu passei por quatro transições de empresas entre compras e vendas. E a pior coisa para qualquer profissional é quando você é comprado, quando você é vendido e tal. E assim: eu aprendi muito a você mudar. E isso é muito legal. Então eu acho que só a maturidade que traz isso para a gente.

Luciano Pires: Sim, sim. E valorizar essa questão da maturidade, que é a grande mudança cultural.

Willians Fiori: Exatamente.

Luciano Pires: O que essa empresa… tem uma pressão para redução de custo. Então eu vou pegar o velhinho de 20 e vou trocar por dois moleques de cinco cada um. Baixei 10. E boto dois moleques com gás, que vão fazer acontecer. Junto com o velhinho foi embora o conhecimento, a história. Foi embora toda… parte da cultura vai embora. E essas coisas você não repõe esse negócio.

Willians Fiori: Esquece.

Luciano Pires: Não dá para ser reposto.

Willians Fiori: O maior bem que uma empresa tem é o capital pessoal, ali. O capital social, que são as pessoas. E se ela perde isso aí… e agora a gente chega num ponto, onde que eu não tenho mais jovem para contratar. Aí começa a inverter isso.

Luciano Pires: Sim, sim. E aí você vai ter que lidar com aquela história: vou trazer um velhinho para enfiar dentro de uma estrutura jovem. Porque eu só contratei jovem até hoje. Agora vai vir um velhinho. E o velhinho tem outro ritmo. Tem outras coisas. Tem outras demandas. Têm outras…

Willians Fiori: Prioridades.

Luciano Pires: E aí que eu acho que é uma inteligência que nós não conseguimos construir ainda. Que é a inteligência da liderança que vai… eu vou gerenciar esse grupo onde tem os carinhas de 50, 60 e a molecada de vinte e poucos. Tem faíscas ainda no meio?

Willians Fiori: Sim.

Luciano Pires: É complicado.

Willians Fiori: Você tem um abismo de geração.

Luciano Pires: Sim, sim. E aí a demanda de repente é a mesma, eu quero que os dois reajam igual. Não vão reagir. E se eu não tiver a manha da liderança certa, eu vou demandar igual dos dois. E não é assim que funciona.

Willians Fiori: Exatamente.

Luciano Pires: Cara, quanta coisa para ser feita, bicho. Que coisa.

Willians Fiori: Tem muita coisa.

Luciano Pires: Você está na área de saúde?

Willians Fiori: Estou. Atualmente…

Luciano Pires: Me fala um pouco dessa questão do mundo da saúde brasileiro, voltado para o pessoal de mais idade? Como que está isso hoje? Funciona? Não funciona? Eu estou te perguntando por uma razão. Eu assisti com muita curiosidade o nascimento e o crescimento do Prevent Sênior.

Willians Fiori: Eu fui no lançamento em 2006. Já estava lá.

Luciano Pires: Quando eu fui naquele negócio eu falei: o que esse cara está fazendo? Um plano de saúde para velhinho? Por quê? Porque ser velhinho num plano de saúde normal, você está fodido cara. Porque os valores são absurdos. Aquilo é praticamente impossível. E aí nasce um treco voltado para velhinho, que eu olhei aquilo e falei: bom, isso deve ser alguma xepa. Alguma xepa que os caras têm aí. Até que um dia, um amigo meu, com 69 anos de idade me liga e fala: cara eu troquei de plano. Estou ultra satisfeito.

Willians Fiori: Sim. Provavelmente o dele era muito mais caro.

Luciano Pires: Eu falei: cara, espera aí. Ele falou: eu precisei, fui bem tratado, fui no hospital, pa-pa-pa. Eu falei: uh… olha aí. Alguma coisa está acontecendo. Mas não me aprofundei. Mas isso me deixou curioso.

Willians Fiori: Uma coisa interessante. A Prevent Sênior nasceu em 2006. Eu estava numa feira hospitalar. E o dono…

Luciano Pires: Atenção: você não tem nada a ver com eles?

Willians Fiori: Não.

Luciano Pires: Eu também não tenho.

Willians Fiori: Não.

Luciano Pires: Não tem patrocínio nenhum.

Willians Fiori: Não. Mas eu conto o case deles nas minhas aulas.

Luciano Pires: Por favor.

Willians Fiori: Nasceu em 2006. Eu conheci o dono, o Fernando. O cara me convidou – como eu estava numa empresa – para ir lá, para ver o lançamento. Era no Sancta Maggiore primeiro, ali do lado da Beneficência Portuguesa. Era um prédio de 12 andares, um esqueleto, sem equipamento, sem cliente. Na época eu pensei duas coisas: ou esse cara é um gênio ou esse cara é um maluco. Por quê? Quando você faz 59 anos, o seu plano, ele não sobe o preço. Ele te expulsa. Então assim: você pegava as grandes empresas, seguradoras, plano de saúde, todos eles dizem que o idoso dá trabalho, que é doença crônica, que é muito caro e tal. Há 30 anos é assim. Não é algo novo não. E esse cara queria abraçar justamente o que ninguém queria. Essa era a pergunta. O que aconteceu de lá para cá? Faz 12 anos isso. De lá para cá, ele hoje tem 500 mil clientes acima de 60 anos. Só está na cidade de São Paulo e Baixada Santista. Está chegando a 10 hospitais agora. Fatura 2.5 bilhões de reais. A minha pergunta é: se em 12 anos os outros não fizeram nada, por quê? Bom, primeiro: falar de envelhecimento não é sexy. Esse cara entendeu…

Luciano Pires: Não é sexy?

Willians Fiori: Não é sexy. Esse cara entendeu que esse público não é o cara que tem grana ou quem mora na favela. Porque na Prevent Sênior tem algo interessante. Você tem ali, por exemplo, aquele idoso que mora nos Jardins, que pagava quase 10 mil reais numa Sul América e migra para lá. E você tem aquela idosa que mora na periferia, que a família se junta todo mundo para pagar 800 reais para ela e ela chega de busão. Então assim, o target dele não é classe social. O target dele na verdade é o público.

Luciano Pires: É idade. É idade mesmo.

Willians Fiori: É idade. E o segredo na verdade, é isso aí. Assim como a gente tem um outro exemplo, por exemplo, a Ultrafarma, que o cara fatura 1.5 bilhão de reais com quatro lojas. Enquanto você tem uma Drogaria São Paulo que fatura 4 bilhões com 4.500 lojas. Então quando a gente olha como case de negócio é bastante interessante.

Luciano Pires: Voltado para esse público.

Willians Fiori: Quem não olha para esse público hoje… eu tenho bastante contato com gente que tem empreendido para esse público. Tem muita gente muito satisfeita. Mas assim, falta serviço. Então você tem exemplo de startups maravilhosas, a própria MaturiJobs, que tem ido muito bem, ou mesmo Eu Vou, que é um serviço, como se fosse um Uber, na verdade, voltado só para esse público, lá no interior.

Luciano Pires: Como chama?

Willians Fiori: Eu Vou.

Luciano Pires: Eu Vou?

Willians Fiori: Eu Vou.

Luciano Pires: Que legal.

Willians Fiori: São dois irmãos que criaram, super jovens. Eles criaram. E os motoristas são treinados. Eles fazem não somente leva e traz desses idosos, seja para um passeio, seja para o médico. Imagina só, vamos dizer assim: você tem alguém na família que tem vontade de ir para Aparecida do Norte. Ninguém na família tem tempo para levar, muitas vezes, o idoso ali.

Luciano Pires: Ele vai.

Willians Fiori: Ele vai. Eles são treinados. E assim, super funciona. Então quando a gente olha para o business aí, que é algo que eu tenho me debruçado há tempo aí…

Luciano Pires: Teve um outro pessoal que montou – eu não me lembro se era uma rede na época – era uma escola – o termo não é informática – uma escola para botar os velhinhos dentro da tecnologia. Ensinar…

Willians Fiori: Sim. Tem até o Sênior Geek.

Luciano Pires: Como que é o nome?

Willians Fiori: Sênior Geek.

Luciano Pires: Sênior Geek é o nome?

Willians Fiori: Você tem duas coisas bem legais. Tem o Sênior Geek, que é aula de tecnologias para idosos, que é o Dudu que toca isso hoje. E você tem o Isis Game, que é o Fábio Horta, que é um cara que desenvolveu uma plataforma de ensinar programação de jogos para idosos, que nunca tiveram contato com tecnologia.

Luciano Pires: Que legal, cara.

Willians Fiori: O que acontece? Ele pega esses idosos que nunca mexeram com computador. Em seis meses, esse cara está programando jogos para os netos.

Luciano Pires: E esse cara tem um atributo que a molecada não tem: tempo.

Willians Fiori: E dinheiro, às vezes.

Luciano Pires: Tempo, cara.

Willians Fiori: Exatamente.

Luciano Pires: Puta, que genial bicho. Sabe por que esse negócio é genial? Para quem não está vendo aqui, eu peguei na minha mão o meu iPhone. Cara, isso aqui é um instrumento de libertação como nunca houve na história da humanidade. Ele me dá a mim aqui, liberdade para pedir o que eu quiser, falar com quem eu quiser, fazer o que eu quiser, na minha mão, no celular. A maioria dos velhinhos que eu tenho contato, eu tenho um monte de cara que me procura e vem me falar: meu pai tem a tua idade. O meu pai não sabe nem ligar o celular. E você está envolvido com tudo. Eu queria que fosse assim. Eu falo: cara, os velhinhos não sacaram ainda a importância que é você saber lidar com isso aqui.

Willians Fiori: E quando eles conhecem… uma coisa que é importante, para os jovens, muitas vezes a tecnologia é uma prisão. Para o idoso é uma libertação. É o contrário. Porque esse cara vai falar com o neto que mora na Austrália, vai usar o Skype. Ele descobriu que o Google ele pode pesquisar qualquer coisa.

Luciano Pires: Ele tem um aplicativo que ele manda vim na casa dele o que ele quiser. Ele pode comprar. Manda vir o que ele quiser.

Willians Fiori: Exatamente.

Luciano Pires: Eu estava dando uma olhada – você deve saber – tem um pessoal que está fabricando celulares para velho.

Willians Fiori: Sim.

Luciano Pires: Onde o número é grande. O teclado é grande. Tudo é grande para facilitar o pessoal utilizar aquilo lá.

Willians Fiori: Hoje você tem skin, por exemplo, o iPhone é apropriado para idosos. Você tem menos informações ali, com botões maiores e tal. Então sim, você tem várias coisas da tecnologia voltadas para esses caras também.

Luciano Pires: Sim. Esse povo está reunido em algum lugar, cara? Essa moçadinha desses aplicativos que você falou?

Willians Fiori: Sim. Estão.

Luciano Pires: Há um local onde essa turma se reúne?

Willians Fiori: Tem. Na verdade, assim: você tem hoje uma plataforma americana chama Aging 2.0.

Luciano Pires: Aging em inglês, a-g-i-n-g 2.0.

Willians Fiori: Isso, 2.0. Que é uma plataforma do Vale do Silício que desenvolve hoje lá projetos voltados… somente empreendedorismo voltado para isso. Você tem o Silver Valley, que é como se fosse o Vale do Silício na França. Eu estou dando exemplos de fora. E no Brasil a gente tem hoje o Aging e tem um grupo que eu criei que chama Envelhecimento 2.0 – há cinco anos atrás – que reúne toda essa turma aí.

Luciano Pires: Onde esse grupo está?

Willians Fiori: É um grupo no WhatsApp, fechado. E a gente tem um grupo no Facebook também. E ali foi nascendo um monte de coisa. Então, por exemplo, MaturiJobs nasceu ali, o Isis Game nasceu ali, o Eu Vou estar ali. Então assim, você tem, por exemplo, um residencial, que é um resort em Araraquara, chama Tranquilitá, que é maravilhoso, que está ali também. Então você tem hoje muita coisa acontecendo. E como empreender é muitas vezes, uma coisa muito solitária, então a gente faz muita troca de informação. E é um tema bastante…

Luciano Pires: E olha que coisa interessante que você está levantando aqui. Quer dizer, esse mundo aqui, que está na moda falar de startup, falar dessas loucuras todas aí, ele é focado em jovem.

Willians Fiori: Em tecnologia.

Luciano Pires: Fazer para jovem, tecnologia para game. E só se fala nisso. E não está se olhando… não está se olhando… alguns estão olhando para um outro público, que é esse que vai crescer barbaramente e que no Brasil tem duas conotações. A gente tem aqui uma… e aí entra a discussão de desigualdade no Brasil. É uma desigualdade social muito grande, que faz com que quando você extratifica os velhinhos, a maior parte é gente que não vai ter grana para porra nenhuma. A maior parte não vai ter.

Willians Fiori: Sim. Mas eles são arrimo de família. Isso é importante dizer.

Luciano Pires: Mas não vai ter grana. O dinheiro dele está contadinho e está usado para comprar comida. Ele não tem dinheiro para sair, dizer: vou viajar. Não tem. Mas há uma parte grande que tem. Que é o pessoal que vai ter a grana para poder fazer. Mesmo essa parte grande, se você… desculpe. Essa minoria que tem a grana já é um número substancial de pessoas?

Willians Fiori: Sim.

Luciano Pires: Capaz de sustentar essas coisas que estão nascendo.

Willians Fiori: Quer ver um negócio interessante? No Brasil hoje, os idosos movimentaram em 2018 um trilhão de reais, 28% de toda a economia quem movimenta são eles.

Luciano Pires: Um trilhão de reais?

Willians Fiori: Isso.

Luciano Pires: Isso é a reforma do Paulo Guedes?

Willians Fiori: Exatamente. Quando você olha para eles, aquele idoso que mora aqui em São Paulo, em Capão Redondo, quando alguém fica desempregado na família, quem vai pagar a cesta básica? É esse idoso.

Luciano Pires: É ele.

Willians Fiori: O idoso que mora nos Jardins, quando a empresa da família quebra, quem vai fazer o apoio financeiro é ele. Se você fizer… na verdade, por mais que a gente tenha uma maioria que não tem grana, mas ele tem alguma grana. Eles têm alguma aposentadoria, tem algum rendimento ou trabalha por fora e tal. A Universidade de Oxford, ela fez um ranking que foi muito interessante. Ela pegou todos os idosos no mundo e fez um PIB desses caras. Se os idosos fossem um país no mundo, que país seria esse, sob o ponto de vista econômico? E ranqueou com todos os 10 países mais ricos, por PIB. Os Estados Unidos em primeiro lugar, 16 trilhões de dólares, China em segundo lugar, 9 trilhões de dólares. Economia de longevidade, 3º lugar, 7.1. Os idosos são a 3ª maior economia do planeta. Aí a pergunta era: se eles são a 3ª maior economia do planeta, por que ninguém olha para eles? Porque você tem hoje poucos países…

Luciano Pires: Porque não é sexy.

Willians Fiori: Exatamente.

Luciano Pires: Não é sexy.

Willians Fiori: Não é bonito. O Japão hoje é um polo de tecnologia voltado. Robôs, atendimento. Porque 25% da população tem acima de 80 anos.

Luciano Pires: Eu vi uma matéria recente, que eles estão criando os pets, animais de estimação, que não faz coco, não faz xixi. Não me enche o saco. Tudo isso são virtuais e são vendidos para esses… como companhia para o pessoal de mais idade.

Willians Fiori: Exatamente. Você tem a foquinha – que é superfamosa lá – que é um bicho de pelúcia de estimação. E assim: você tem um baita de um mercado. Você tem muita oportunidade voltada para esse público aí, onde mesmo na área de saúde, ainda falta profissionais. Eu vou dar um exemplo para você. Sabe quantos médicos geriatras a gente tem no Brasil hoje?

Luciano Pires: Não faço ideia.

Willians Fiori: Titulados pela Sociedade Brasileira de Geriatria?

Luciano Pires: Não faço ideia.

Willians Fiori: A gente não tem dois mil médicos no Brasil, titulados, geriatras. Então assim: faltam profissionais inclusive… quem atua na área do envelhecimento não falta trabalho. É uma coisa. Ninguém que atua na área do envelhecimento falta trabalho. Pelo contrário. Eu falo pela minha demanda. Praticamente quem fala de economia da longevidade hoje, tem eu, o professor Jorge Félix da USP e mais umas duas pessoas espalhadas por aí. Então assim: falta gente, inclusive para falar…

Luciano Pires: Para falar a respeito.

Willians Fiori: Para falar a respeito.

Luciano Pires: Eu me lembrei agora de uma experiência pessoal minha aqui. Uma amiga tinha uma lojinha – ela e a mãe tocavam a lojinha, a mãe com setenta e pouquinho lá – e aí o negócio estava indo mal. Não tinha jeito. A lojinha dava mais dor de cabeça do que outra coisa. Ela fechou a lojinha, parou com tudo. E a mãe ficou em casa. E aí ela começou a ter um puta problema, porque a mãe estava em casa. E a mãe em casa e o dia inteiro em casa. Ela trabalhando. Voltava para casa e a mãe estava entrando em depressão e não sei o quê. E aí ela falou: eu preciso arrumar alguma coisa para a minha mãe fazer. E aí trombou com uma puta encrenca. Porque não tinha uma coisa para a mãe dela fazer que não implicasse em levar para não sei onde, outro lado de São Paulo. Era um rolo tremendo que ela não conseguia…

Willians Fiori: Resolver.

Luciano Pires: Ela não tinha grana para falar: vou pagar um cara para levar. Não dava. Então ela falou: eu precisava que tivesse alguma coisa próxima daqui, que eu pudesse sair e levar minha mãe lá. Sei lá, um clube, uma coisa qualquer. E começou a fazer uma pesquisa e não achou. A não ser coisas assim: tem o grupinho das velhinhas da igreja que se reúnem.

Willians Fiori: Isso ela não quer.

Luciano Pires: Eu ouvia muito ela dizer: eu não vou ficar no meio de um monte de velha. Eu não quero ficar no meio de um monte de velha. Então não havia suprimento para uma demanda que está enrustida lá. Eu acho que muita gente deve viver isso: cara, eu estou com um velhinho em casa. O que eu faço com ele?

Willians Fiori: Você tem hoje um serviço – uma amiga desse grupo ela criou – o Sênior Concierge. Um concierge literalmente para pessoas mais velhas.

Luciano Pires: O que é? Um aplicativo também?

Willians Fiori: Não. É um serviço na verdade, que vai desde você ter um serviço de nutricionista para acompanhar essa questão do idoso que está em casa. Ou até mesmo criar atividades de fisioterapia em casa. Ou seja, eu acho que o grande desafio hoje que a gente tem como sociedade não é criar coisas para eles. É a gente inserir eles dentro do que já existe. Não é uma cota idoso.

Luciano Pires: Mas o velhinho de Capão Redondo não vai poder usar esse serviço de concierge de jeito nenhum.

Willians Fiori: Não, mas você, por exemplo, lá no Capão Redondo, por exemplo, você ter um serviço lá na comunidade voltada para isso. Você ter um Centro de Referência do Idoso, por exemplo. É um negócio super legal, super funciona. Por que funciona? Primeiro: é um negócio do governo do estado de São Paulo. Mas é tocado pelo Hospital Santa Catarina. Ou seja, a gestão é uma gestão profissional. Mesmo com pouca verba funciona cara, é impressionante. Entendeu? É muito bacana quando você vê, por exemplo, um lugar como esse, que é o Centro de Referência da Zona Norte, que está dentro do Mandaqui. Você vai lá e você fala: isso não é possível, que um negócio desses é público. Que super funciona. Então assim: você tem alguns exemplos. Nesse caso da sua amiga, por exemplo, que uma demanda que ela tem, às vezes ela não tem uma grana para pagar tão caro. Mas se tivesse alguma coisa viável, ela colocaria. Então falta inclusive quem ofereça isso também.

Luciano Pires: Talvez haja nichos para se construir coisa.

Willians Fiori: Tem.

Luciano Pires: Porque lugar tem.

Willians Fiori: Tem.

Luciano Pires: Eu fiz aqui uma entrevista – saiu na temporada anterior do LíderCast – o Abby Abi, que é um nigeriano que migrou para o Brasil, se ferrou e hoje ele dá aula de inglês para o pessoal. Aula gratuita de inglês. Ele escolhe, vai para uma periferia. Eu falei: como é que você faz? Ele falou: eu chego lá, eu falo com o cara do templo, da igreja, do não sei o quê. Eles me dão a sala. Então eu tenho a sala, eu tenho as condições. Eu vou; junto aquilo e faço acontecer. Existem lugares que poderiam fazer acontecer. O que está faltando é essa… a cultura do criar essas coisas.

Willians Fiori: Inclusive, às vezes, tem coisa do idoso que a gente não olha. Eu tenho uma amiga – que é a Cris Pomerans, que ela é arte-terapeuta – ela faz um trabalho com idosos com Alzheimer no Museu de Escultura Brasileira. Muito interessante. Que ela leva esses idosos para fazer reconhecimento da memória através da escultura e da arte. Cara, um negócio super cool. Ela dá aula de Monet para idosos com Alzheimer. Então assim: às vezes você consegue levar para o idoso, mesmo da periferia, um tipo de informação, ou, às vezes, uma aula de tecnologia, lá para ele, entendeu?

Luciano Pires: Você que é músico. Você chegou a ver aquele vídeo que circulou? Mostrando o idoso com Alzheimer e o cara bota o rock para ele ouvir?

Willians Fiori: Sim. É um documentário da Netflix maravilhoso.

Luciano Pires: Cara, que impressionante.

Willians Fiori: É o poder da música.

Luciano Pires: Eu fico arrepiado quando eu me lembro. O senhorzinho, ele é um negro, completamente desconectado da realidade…

Willians Fiori: Com Alzheimer há vinte anos.

Luciano Pires: Até o cara botar o fone nele. E meter um rock.

Willians Fiori: Exatamente.

Luciano Pires: E bota um rock, ele acende, começa a cantar aquilo

Willians Fiori: Como se ele tivesse reconhecido.

Luciano Pires: Cara, eu estou todo arrepiado. Até o último fio de cabelo.

Willians Fiori: Mas você sabe que estudos que a gente tem hoje sobre o cérebro principalmente. Por que o acontece com o Alzheimer? Você diminui o número de neurônios por falta de proteína. Então, um dos poucos lugares que se preserva é essa área da memória musical. Então isso fica preservado. Por isso que a música hoje, ela é um dos pontos mais interessantes para se lidar com Alzheimer ou com alguns tipos de demência. Então é bem interessante.

Luciano Pires: Cara dá para ir longe com essa…

Willians Fiori: Muita coisa.

Luciano Pires: Dá para ir longe com essa história. Como é que você está vendo esse desafio de lidar com esse… você escolheu esse segmento para ficar nele. Quer dizer, você…

Willians Fiori: É a minha paixão. Independente da minha área de trabalho hoje, por exemplo. É que eu trabalho numa empresa que eu lido com esse tema. E paralelamente hoje no Einstein, eu estou lá tocando esse tema também. Eu tenho meus projetos pessoais.

Luciano Pires: O que você faz especificamente no Einstein?

Willians Fiori: No Einstein eu dou aula na pós-graduação em Gerontologia.

Luciano Pires: Dentro do Einstein?

Willians Fiori: Dentro do Einstein.

Luciano Pires: Eles têm uma universidade dentro lá?

Willians Fiori: O Einstein tem um Instituto de Estudos que têm cursos de pós-graduação, desde enfermagem, medicina, cardio. Hoje provavelmente é a melhor escola de saúde no Brasil. É a do Einstein. A gente tem lá um Centro de Referência interessante. Tem três unidades. Uma na Paulista, uma na Vila Mariana e outra dentro do próprio hospital. Então hoje a gente tem lá quatro turmas, sempre funcionando ao mesmo tempo, num curso de pós-graduação em Gerontologia, com profissionais de médicos a arquitetos a advogados e por aí vai, engenheiros.

Luciano Pires: Você dá aula de que, lá?

Willians Fiori: Eu falo sobre economia da longevidade. Esse é meu tema. O meu tema é economia.

Luciano Pires: Você falou isso lá no início. Se fala muito hoje em economia comportamental. Nós estamos saindo do 1+1=2. Para começar a falar da forma como as pessoas lidam, etc. e tal. A economia comportamental até prêmio Nobel já tem, mais de uma vez. E você está tocando num tema interessante que é esse da economia da longevidade, quer dizer, a economia dos velhinhos. Uma coisa que aqui no Brasil ainda é lenda. Porque, de novo: quando você fala para mim num velhinho e economia, para mim é um velhinho fodido, num cantinho aí com a família tendo que pagar para o velhinho. Porque o velhinho não funciona economicamente mais. E você está abrindo um espaço para uma outra visão dessa história que fala: espera um pouquinho. Tem uma turma que tem alguma condição. Tem algum dinheiro rodando ali. E esse dinheiro tende a crescer muito, porque está aumentando muito o número de velhinhos ali. Qual é a maior barreira que você encontra hoje quando você abre a boca para tratar desse tema, não só no teu curso. Eu digo assim, no teu dia a dia, na empresa, onde você atua? Quando você vai conversar com pessoas para tratar dos seus projetos e tudo mais? Qual é a barreira? É o preconceito? O que é?

Willians Fiori: Eu acho que, primeiro, não é nem nos velhinhos ou a falta de grana. Independente da classe social, eles consomem. Eles são grande parte dos consumidores, que nos Estados Unidos eles chamam Baby Boomers. Eu acho que o grande preconceito hoje é da própria indústria, do próprio serviço, dos negócios. A tomada de decisão, a grande maioria são jovens, das empresas de marketing e tal. Para você ter uma ideia: quando você pega supermercado, hoje o target deles, quando eles vão fazer uma pesquisa é de 18 a 40 anos. Esse é o público que eles fazem a pesquisa ali, os insights. Quando você olha para o público que frequenta é acima de 50. Então assim, não fala lé com cré. Então a gente tem um grande problema aí de preconceito etário, que a gente chama de idadismo. Idadismo é a questão do preconceito etário.

Luciano Pires: Boa essa, idadismo?

Willians Fiori: Idadismo.

Luciano Pires: Essa é boa cara.

Willians Fiori: Então assim: eu acredito que existe essa oportunidade. Existe demanda. Existe a oportunidade. Mas falta as pessoas entenderem melhor esse indivíduo aí. Porque assim: eu não posso tratar o idoso, todo mundo igual. Você vai ter um idoso que é superativo. Você vai ter um idoso que não é tão ativo assim. Eu não posso criar uma cota idoso. Eu sou contra esse tipo de Apartheid, assim. Eu acho que é interessante você inserir eles dentro do que já existe. Porque existe oportunidade tanto na área de saúde. Eu vou dar um exemplo para você, a Bio Ritmo, ela criou um projeto chamado Bio Sênior, que era voltado para pessoas acima de 50 anos. Sabe quem paga a conta hoje, praticamente, lá dos negócios deles? Esse público. Porque o jovem, ele faz. Ele quer fazer ali o projeto verão, ele vai fazer um plano de três meses. O idoso ele vai lá, porque o médico falou: ou você faz isso ou você vai morrer. E aí o cara faz plano para dois anos. E assim: do ponto de vista econômico, quem que é mais interessante? Quem faz um plano comigo durante dois anos ou quem fica comigo três meses? Mas é claro que é mais bonito a gente falar com jovem sarado.

Luciano Pires: Toda propaganda é em cima disso aí.

Willians Fiori: Exatamente. Você pega…

Luciano Pires: É o vigor da juventude.

Willians Fiori: É. Eu vi uma discussão lá fora de marketing a respeito de propagandas. Você pega a Porsche, ela usa uns caras super musculosos e tal, na propaganda. E quem compra o Porsche é um cara acima de 55 anos, barrigudo. Entendeu?

Luciano Pires: Sabe o que eu noto aqui? Passou uma Ferrari. Deixa eu emparelhar para ver. Tem um velhinho de cabelo branco.

Willians Fiori: Exatamente.

Luciano Pires: Porque quando o cara tem grana para comprar um carro desses, ele já está… ele não tem grana com 30 anos de idade para comprar…

Willians Fiori: Não. São raros. Então assim: você vê que o target do shopper não é aquele que é bem atendido. Então, olhando hoje, até para o meu perfil de alunos que eu tenho ali, desde engenheiros, gente que está empreendendo. A própria Flávia que é arquiteta, que tem feito um trabalho superbacana, ela virou – é engraçado – ela virou referência. Hoje ela dá aula num monte de lugar sobre como que ela consegue gerar negócio. E falta braço para ela. Porque assim: ela é a única arquiteta no Brasil especialista em envelhecimento.

Luciano Pires: Que legal cara.

Willians Fiori: Então assim: ela consegue atender uma família que tem uma mansão no Morumbi, até mesmo hospital que quer mudar o layout ali, da parte de arquitetura.

Luciano Pires: Até as construtoras já abriram o olho para isso.

Willians Fiori: Já.

Luciano Pires: A construtora vai lançar um prédio. O prédio já…

Willians Fiori: Porto Alegre, a Cyrela já está lançando um condomínio inteiro voltado somente para o público sênior, de alto padrão. Ao mesmo tempo, por exemplo, em João Pessoa o primeiro condomínio público, que o governo do estado fez lá, voltado. É uma vila, na verdade, dos idosos.

Luciano Pires: Para os idosos?

Willians Fiori: É. É bem interessante também. A gente tem bastante coisa rolando ao mesmo tempo.

Luciano Pires: Que legal cara. Que legal saber disso tudo aí, viu? Meu caro, vamos lá. Vamos buscar as dicas aqui, agora, o merchan. Vamos lá. Você faz um PodCast?

Willians Fiori: Sim, sim.

Luciano Pires: Chamado GeroCast?

Willians Fiori: GeroCast.

Luciano Pires: E o tema é exatamente isso que nós estamos falando aqui?

Willians Fiori: Longevidade, saúde.

Luciano Pires: Isso aí. Você leva para lá também convidados para falar a respeito desses temas todos?

Willians Fiori: Sim.

Luciano Pires: Quanto tempo faz que você tem o PodCast?

Willians Fiori: Vai fazer dois anos.

Luciano Pires: Cara não é novinho não. Tem quantos episódios aí?

Willians Fiori: Está com 140 episódios.

Luciano Pires: É semanal?

Willians Fiori: É muito…

Luciano Pires: Quando dá?

Willians Fiori: Eu falo assim: eu não tenho compromisso nenhum. Porque assim: eu fui criando muitas parcerias. Então, por exemplo, eu tenho uma parceria com a TV Câmara com o programa da minha amiga Lina Menezes, que é jornalista super antiga aí, que chama Mais 50, voltado para o público mais 50. Então assim, todo programa lá eu acabo replicando o áudio no GeroCast. Aí eles levaram semana passada o Amyr Klink, por exemplo. Eles levam uns puta caras legais lá para falar de envelhecimento. E ao mesmo tempo, o GeroCast, ele também está em algumas plataformas fora do mundo PodCast. Por que o que eu comecei a observar? O mundo do PodCast, ele é muito fechado na gente. Entendeu? E o público na verdade, do GeroCast, eu não quero nem que o cara fique querendo entender o que é um PodCast. Eu quero que o cara ouça.

Luciano Pires: Aperta o botão aqui e escuta.

Willians Fiori: Exatamente.

Luciano Pires: É SoundCloud…

Willians Fiori: Exatamente.

Luciano Pires: Spotify que está pegando. Youtube, onde tiver facilidade.

Willians Fiori: E eu tenho, por exemplo, portais, envelhecimento.com.br. O cara tem um player lá. Então tem vários portais hoje que o GeroCast está ali hospedado também. Então a ideia é ser um PodCast colaborativo. É um projeto social. A gente não tem ideia de monetizar. Até porque assim: ali os idosos têm voz. Então eu tenho, às vezes, o idoso que manda pelo WhatsApp a história dele. Eu coloco no ar.

Luciano Pires: Que legal.

Willians Fiori: Tem um exemplo interessante, que é de um senhor que ele estava com depressão e ele começou a mandar para mim áudio semanalmente. Eu comecei a colocar no ar. Eu digitava. Ele contava para mim as histórias dele, de criança e as histórias dele como idoso. Então eu falei assim: vamos começar a dar voz para esses caras, independente de onde ele está.

Luciano Pires: Que mais? Onde mais a gente encontra o teu trabalho, vamos lá, além do GeroCast?

Willians Fiori: Além do GeroCast tem o grupo Envelhecimento 2.0, que está lá no Facebook, que reúne profissionais e…

Luciano Pires: É só chegar lá e pedir para entrar?

Willians Fiori: É só pedir para entrar. Não é um grupo tão grande. Hoje a gente tem em torno de 2.500 pessoas ali. Grande parte são pessoas que estão engajadas com esse tema. Tem profissionais de saúde e tal. E aí a gente está pensando em criar a partir de agora um instituto, na verdade, através desse grupo aí. Porque a gente… grande parte hoje dos formadores de opinião no Brasil quanto ao envelhecimento estão ali. Então, a ideia nossa é criar questões sociais agora com o GeroCast e com o grupo também.

Luciano Pires: Maravilha, maravilha. Mais algum lugar? Cadê o livro? Cadê o blog?

Willians Fiori: Cara… ainda falta tempo e falta braço. A gente faz tudo sozinho cara.

Luciano Pires: Eu imagino cara.

Willians Fiori: É complicado. Eu viajo muito na verdade, pela empresa que eu trabalho, para falar de economia da longevidade. Então eu aproveito para meio que disseminar isso também.

Luciano Pires: Qual é a empresa? Me dá o site da empresa, cara.

Willians Fiori: ontex.com. Ontex Global.

Luciano Pires: ontex.com que fabrica fraldas…

Willians Fiori: Que fabrica fraldas adultas, geriátricas e fralda infantil também. É uma empresa belga na verdade.

Luciano Pires: Isso aqui é um merchan. Eu não vou cobrar nada não. Pode falar à vontade, porque merece. Se eles estão te pagando para você fazer esse trabalho social, eles merecem. Tem mais é que divulgar. ontex.com.br.

Willians Fiori: Isso.

Luciano Pires: Fralda geriátrica. Cara, que legal, bicho. Que puta história interessante. Parabéns pelo teu…

Willians Fiori: Eu que agradeço.

Luciano Pires: Pelo teu propósito aí, de você abraçar isso aí. Porque não tem muita gente pensando nos velhinhos cara.

Willians Fiori: Virou paixão. Uma coisa que eu até não comentei. Tem muita coisa acontecendo atualmente. Por exemplo, eu tenho uma amiga que mora aqui do lado. Ela criou o primeiro curso de profissão repórter para pessoas acima de 60 anos. Então assim: tem um monte de coisa acontecendo ao mesmo tempo e é super legal.

Luciano Pires: Mas antes você matou a pau. Antes de você entrar aqui, você falou na mesa lá: falar de velhice não é sexy. Não é hype. Não tem brilho. Não tem purpurina não. Esse negócio fica meio escondido. E nós temos obrigação de trazer isso para primeiro plano e falar sim, cara. Falar bastante. Porque eu acho que esse papo aqui vai ajudar um monte de gente viu bicho, que não está… não se aproximou desse assunto. Eu acho que vai alertar um monte de gente para começar a olhar isso. Inclusive os moleques que estão nos ouvindo aqui, umas meninas de 22 anos de idade, que não pensaram ainda como que elas vão estar daqui a 50 anos. E que, talvez, a partir daqui acenda uma luzinha e fale: deixa eu…

Willians Fiori: É importante ter os capitais. Eu acho que a gente tem que ter o capital social. O capital familiar é superimportante. O capital financeiro é muito importante também. Então assim: se a gente conseguir construir os capitais importantes para a nossa vida, a gente consegue ter uma boa velhice.

Luciano Pires: Segurar lá na frente. E pensar o seguinte: você vai ter que investir agora para algo que você vai usar daqui a 30, 40, 50 anos.

Willians Fiori: Você vai ficar 30 anos usando isso, então…

Luciano Pires: Exatamente.

Willians Fiori: Mais do que a sua juventude toda.

Luciano Pires: É isso aí. Eu sei que falar isso para um jovem é complicado, que ele quer tudo aqui e agora.

Willians Fiori: Exatamente.

Luciano Pires: Cara, guarda um pouquinho. Ou constrói um pouquinho de força etc. e tal. Esse teu abdômen aí, deixa ele tanquinho agora. Porque ele vai segurar o velhinho depois.

Willians Fiori: Não é mais um tiro de 100 metros. Agora é uma maratona de 42 quilômetros. Então assim: antes você vivia, aos 42 anos você tinha a sua área profissional, você começava a se preparar para se aposentar. Agora não. Agora é uma maratona. Você não vai parar mais. Então assim, tem que ter fôlego.

Luciano Pires: Valeu.

Willians Fiori: Obrigado.

Luciano Pires: Cara grande visita. Obrigado. Grande papo. Eu acho que se bobear você vai voltar outra vez. A gente vai pegar um outro tema e aprofundar um pouco mais esse assunto.

Willians Fiori: Dá para a gente discutir aí.

Luciano Pires: E eu vou querer dicas de mais gente. Você falou uns nomes aí que eu vou querer trazer para cá, cara.

Willians Fiori: Sim. Tem muita gente interessante lá no grupo.

Luciano Pires: Que bom.

Willians Fiori: Muita gente que tem feito coisas boas aí.

Luciano Pires: Parabéns pelo teu trabalho aí.

Willians Fiori: Obrigado.

Luciano Pires: Um grande abraço.

Willians Fiori: Valeu gente.

Luciano Pires: Muito bem. Termina aqui mais um LíderCast. A transcrição deste programa você encontra no lidercast.com.br. O LíderCast nasceu da minha obsessão pelos temas liderança e empreendedorismo. É em torno dele que eu construí minha carreira com mais de mil palestras, nas quais distribuo iscas intelectuais para provocar equipes e indivíduos e ampliar seus repertórios e sua capacidade de julgamento e tomada de decisão. Leve o fitness intelectual para a sua empresa. Acesse lucianopires.com.br e conheça minhas palestras.

Locutor: Você ouviu LíderCast com Luciano Pires. Mais uma isca intelectual do Café Brasil. Acompanhe os programas pelo portal cafebrasil.com.br

 

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