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Luciano Pires -
Download do Programa

O VOUCHER QUE O EDUARDO CITA NO FINAL DO PROGRAMA É cafebrasil19

Luciano Pires: Bom dia, boa tarde, boa noite. Bem-vindo, bem-vinda, a mais um LíderCast, o PodCast que trata de liderança e empreendedorismo, com gente que faz acontecer. O convidado de hoje, é Eduardo Albano, diretor de conteúdo da Ubook, plataforma que está revolucionando o consumo de audiolivros, e não só deles, no Brasil.

Muito bem, mais um LíderCast. Temos aqui, um daqueles casos que chegam até mim via uma assessoria de imprensa, que manda um comunicado qualquer, falando de alguma coisa que está acontecendo. Eu dou uma investigada, bom. E o interessante, é que, hoje, é um ensaio que eu já tinha feito há bastante tempo, de conversar com a turma dessa empresa, que vai estar aqui conosco hoje. E acabou que, por um caminho torto, a gente acabou chegando aqui hoje.

Então, são 3 perguntas fundamentais aqui, as únicas que você não pode errar, na abertura do programa. Depois, você pode chutar à vontade. Agora não. E as três são as seguintes. Eu quero saber seu nome, sua idade, e o que você faz.

Eduardo Albano: Bom, vamos lá. Eu sou Eduardo Albano, eu tenho 36 anos, eu sou cofundador do ubook.com, que é uma plataforma que começou com audiolivro, aqui no Brasil. A gente começou em 2014, bem focado em audiolivro. E agora, a gente tem uma gama de conteúdo de todo tipo. Tem PodCast, tem notícias em áudio. Tem, a gente se posiciona muito com entretenimento em áudio. Tem news, e tem livro digital, e revista digitais também.

Luciano Pires: Maravilha, estamos na nova mídia, isso é muito bom, cara. Você nasceu onde?

Eduardo Albano: Eu nasci no Rio de Janeiro. Uma fase da minha vida, jovem, eu vim morar em São Paulo. Tinha 24 anos, passei 7 aqui. Achei que nunca mais ia voltar para o Rio. Casei com uma paulista, e voltei para o Rio.

Luciano Pires: Nós vamos especular isso aí. Eu vou saber de você. O que seu pai e sua mãe faziam?

Eduardo Albano: Meu pai, era bancário. E minha mãe, pedagoga. Cuidava mais da casa, mas, estava sempre envolvida em projetos de educação.

Luciano Pires: Nenhum dos dois era empreendedor?

Eduardo Albano: Nenhum dos dois. O meu pai, mesmo ele sendo bancário, do Banco do Brasil, ele sempre me incentivou a empreender. Então desde cedo, ele sempre teve uns trabalhos paralelos, acho que ele trabalhava 6 horas por dia, que é uma carga horária de banco. E aí, no tempo que sobrava, ele sempre procurava fazer algum empreendimento fora, e eu ia com ele. Então, acho que isso aí me incentivou muito mesmo.

Luciano Pires: Você tem irmãos?

Eduardo Albano: Tenho uma irmã, que é psicóloga.

Luciano Pires: Como era seu apelido, quando você era molequinho?

Eduardo Albano: Meu apelido é Dudu, e na rua eu tenho um apelido que é Oca, mas, todo mundo me chama de Dudu.

Luciano Pires: O que que o Dudu queria ser quando crescesse, cara?

Eduardo Albano: O Dudu queria ser empresário.

Luciano Pires: É mesmo?

Eduardo Albano: Sempre quis.

Luciano Pires: Dono da firma, aquela coisa, pô, ou dono da firma.

Eduardo Albano: Sempre quis empreender. Isso daí, era uma coisa que sempre tinha na minha cabeça, assim.

Luciano Pires: Na hora de decidir o que que você ia estudar, ou você ia tirar diploma de que, o que que veio pela frente?

Eduardo Albano: É, isso foi uma confusão na minha cabeça, porque eu comecei a trabalhar com informática. Então, quando eu era bem garoto assim, eu consertava computador. Poucas pessoas tinham computador. Quem tinha computador, não sabia muito lidar com os problemas. E eu cobrava para resolver esses problemas. E aí eu fui, iniciei a minha carreira, até os 25 anos, 26, trabalhando na parte técnica mesmo. E, por mais que eu trabalhasse em algumas empresas no setor de tecnologia, eu tinha por fora ali a minha empresinha, que fazia cabeamento, desmontava e montava computador, consertava o computador dos amigos. Muitas vezes, dos diretores das empresas que eu trabalhava, eu sempre fazia uma grana extra, com isso daí.

Luciano Pires: Era uma empresa do eu sozinho.

Eduardo Albano: Eu sozinho, era mesmo.

Luciano Pires: Mas, isso aí influenciou no seu… você foi estudar o que?

Eduardo Albano: Influenciou. Primeiro, eu fui estudar tecnologia da informação. Depois, análise de sistemas, e depois administração. Não terminei nenhuma faculdade. Eu fiz 6 anos de faculdade, fiz todas até a metade. Quando eu estava na faculdade de administração, eu estava em uma empresa, em um canal de televisão, que se chamava TV JB, e eu fui promovido. Foi a época que eu vim para São Paulo. E eu, com 24 anos, promovido a diretor técnico, acabou que eu larguei a faculdade. Então, depois daí, quando esse projeto acabou, não deu certo por várias questões, eu decidi montar uma empresa aqui no Rio, de desenvolvimento de aplicativo. Primeiro, um site de busca de preço de material de construção. Aí navegou, tal. Mas aí, essa coisa do aplicativo de internet estava começando a bombar. Eu via que os meus desenvolvedores, tinham know-how disso. Comecei a oferecer em agência de publicidade, e a partir daí, eu sempre quis empreender.

Luciano Pires: Muito bom. Deixa eu voltar lá atrás, na sua… TV JB. JB, Jornal do Brasil.

Eduardo Albano: Isso.

Luciano Pires: Jornal do Brasil, para a garotada mais nova aí, o Jornal do Brasil foi um ícone da imprensa brasileira, em vários sentidos. Desde lançar layouts, o design do jornal de uma forma revolucionária, as pessoas que trabalhavam lá, o [aplouch], reportagens fabulosas, e o impacto na cultura brasileira, que é um negócio fenomenal. E é um case maravilhoso, de destruição de marca, porque ele vai, chega em um auge, e depois ele começa a “desmilinguir”, vai quebrando, quebrando. E esse lance da TV JB, já era uma coisa visionária, não é? Era, ele estava abrindo portas para outro caminho. Eu me lembro quando ela foi lançada, eu falei cara, os caras abriam uma alternativa para as TVs tradicionais, esse bicho vai pegar. A Abril, tentando fazer a TV Abril, etc. e tal. E no fim, não deu, né, cara? Tinha tudo para dar certo, acabou que não deu, né? Por que que não deu, hein?

Eduardo Albano: Olha, primeiro, tem várias coisas do modelo ali, que eu acho que era um pouco confusos.

Luciano Pires: Que ano que era isso? Você lembra?

Eduardo Albano: Isso era em 2006/2007. O que que acontece ali naquela fase? A televisão já estava passando por uma transformação. O modelo que eles pegaram, eles arredaram um canal de televisão de cobertura nacional. Então, era como se eles tivessem contratado as 24 horas desse canal. E tentaram uma proposta muito diferente, que era legal, era trazer alguma experiência do que tinha na TV a cabo, mas, para a TV aberta. Mas aí, tem uma série de barreiras. Colocaram um diretor muito bom afrente do projeto, que era o Guga de Oliveira. O Guga, ele entrou no projeto fundo, colocou no ar, foi tudo maravilhoso. No auge ali, ele teve um infarto, teve que ficar internado 4 meses. Aí começaram alguns problemas de gestão. Não tinha canal aberto em São Paulo, que São Paulo é o que move o canal de publicidade.

Então, é muito difícil você chegar em uma agência de publicidade, a sede era aqui em São Paulo, mesmo que você tenha uma programação, uma produção de conteúdo, e tentar vender algum espaço publicitário para algum canal de televisão que não é de São Paulo, é uma luta muito difícil.

Então assim, foi uma série de fatores, que eu acho que… um pouco de gestão, com um pouco do modelo de negócio não estar muito bem estruturado. Mas, é uma pena, porque aí foi o sonho de muitas pessoas, e é difícil a gente ver um projeto acabando. Eu vi começar, eu participei do dia zero, e participei do fechamento de devolver os estúdios, que eram os estudos do GGP, do Gugu Liberato lá em Alphaville. Eu que devolvi para eles. Então, é uma pena, porque foi um projeto que eu vi começar, e acabar, em 1 ano e meio.

Luciano Pires: E você que é uma coisa interessante, o insight que a gente tira aqui, um programa de empreendedorismo e liderança, né? Na teoria, vocês tinham tudo na mão. Porque, conteúdo não era o problema. Geração de conteúdo, vocês tinham. A experiência com comunicação, não era problema. Vocês tinham também. Grana, me parece que no começou tinha, lá no final… tinha grana. Tinha gente, tinha liderança. Você está dizendo para mim, que um infarto é o começo da derrocada, né?

Eduardo Albano: É, eu acho que aquele time já começa a se perder. Eu acho que sim, eu acredito muito que toda empresa é espelhada no líder que tem. Então até no Ubook, quando a gente vê isso, alguma área, quando sai algum líder de uma determinada área, a gente procura ou primeiro procurar uma liderança interna, alguém que está ali na equipe, e a gente puxar para a liderança. Porque, se você deixa sem líder, você deixa sem espelho. E aí, eu acho que as coisas não andam bem, quando não tem…

Luciano Pires: Quando você foi contratado lá no… você foi para o JB, e depois para a TV JB, como que foi isso?

Eduardo Albano: Não, vamos lá. É uma história um pouquinho antes. Eu comecei de estagiário em um provedor de internet, que a holding, que era dona do JB, investia. Então era Docs Investimentos, ela era dona de um provedor de internet, dona do Jornal do Brasil. Essa equipe técnica do provedor de internet, começou a cuidar da equipe técnica do Jornal do Brasil. Só, que eu comecei… e eu atendia os donos, que era essa holding. Então, eu sempre trabalhei nessa holding, que era Docs Investimentos. Eles tinham vários negócios, tinham academias no Rio, tinham estaleiros, e tal. E pela minha sorte, que é um período que eu falo assim, você sempre quis ser empreendedor, você passou 8 anos em um grupo trabalhando de uma maneira formal, mas, me deu muita experiência, porque a cada ano eu estava em um negócio diferente. Então, nesse grupo, eu passei pela estação do corpo, que era um complexo de academias, e tinha um restaurante, tudo. Era um complexo de negócios de entretenimento, lá no Rio, bem grande. Passei pelo Jornal do Brasil. Passei pelos estaleiros, mas, eu sempre ficava ligado a holding, que era essa holding. E aí com o tempo, quando eles montaram a TV, eu estava trabalhando dentro da holding, comecei a atender a equipe que ia montar mesmo. Que a estrutura, Luciano, foi montada bem do zero. Então, eu vi o primeiro equipamento a ser comprado, vi a primeira câmera a ser comprada. E nisso, eu comecei a ajudar ali desde o início, desde o início fui me envolvendo, porque TV é uma coisa apaixonante. Eu vejo que você gosta disso, pela quantidade de equipamentos que você tem aqui. E aí quando eu vi, eu já estava com o meu tempo totalmente tomado. Aí que eu embarquei nesse projeto.

Mas, o que eu tinha antes de experiência, com esses canais de mídia, era cuidar dos grandes portais do JB Online. E quando eu saí da TV, eu fiquei um tempo no Jornal do Brasil Online, Gazeta Mercantil Online, e Invest News Online, que era do mesmo grupo.

Luciano Pires: E quebrou tudo junto, né?

Eduardo Albano: É, não quebrou tudo junto não. Ah, esses portais sim, realmente isso daí foi. Porque aí eu acho que eram umas coisas, como que eu posso dizer assim, já estava quebrado, praticamente. Veio um empreendedor ali, tentando levantar. Mas, já estava com um passado tão comprometido. Eu lembro que tinha bloqueios judiciais, de coisas que eram muito do passado, que não eram nem dessa gestão nova, e que atrapalhavam muito aquela operação ali. Mas, isso me deu uma experiência no mundo de mídia, muito boa. Porque eram portais com acesso muito grandes.

Luciano Pires: Que coisa, a gente olha de fora, e fala o seguinte, “cara como que é que uma Varig, uma marca como essa consegue… como que a marca como Mappin, começa…”. Cara, a marca, é só marca bicho. Se você tiver um passado desse enrolado assim, custa muito mais caro desenrolar, do que apaga, quebra isso aí, vamos fazer um negócio novo aí. Mas legal. Você então estava aqui em São Paulo, veio para São Paulo cuidar aqui.

Eduardo Albano: Eu fiquei em São Paulo.

Luciano Pires: Tá. Quando terminou seu contrato, você saiu do grupo tudo, continuou aqui em São Paulo?

Eduardo Albano: Eu continuei um período nesses portais. Eu acho, se não me engano, eu fiquei uns 8 meses. Mas, eu já estava muito com aquela coisa ali, de falar assim, “olha, eu quero empreender”.

Luciano Pires: Então, deixa eu cutucar aqui. Quando foi que o bichinho do empreendedorismo chegou para você e falou, “meu, é hora de… se eu tiver que me matar, que seja pelo meu negócio”. Quando é que foi que isso começou? Você achou um nicho e falou, “cara, ali dá para eu fazer alguma coisa”.

Eduardo Albano: Isso, foi mais ou menos isso. Tinha um dos diretores desse grupo, que sempre me falava assim, “vai empreender, porque se você fica com carteira assinada, vai ser muito difícil você chegar em algum lugar. E eu vejo que você é empreendedor. Esquece a carteira de trabalho, monta uma empresa”. Alguns anos antes disso, tá, 1 ano antes, por aí. E isso ficou na minha cabeça, esse conselho que eu recebi dele.

E quando vi um negócio, sendo montado do zero, eu vi ele sendo desmontado também, eu falei, “opa, tem alguns caminhos ali que eu aprendi já nessa experiência, que eu podia fazer diferente”. Eu comecei a ver, a perceber no mercado, o crescimento da internet, e o crescimento de busca de informação. E aí eu saí do grupo, esse diretor tinha saído também, que é o Welington Pinho, e ele falou assim, “você saiu, o que que você vai fazer agora?”. Eu falei, “eu vou empreender”. Ele falou, “mas você tem dinheiro?”. Eu falei, “não”. “Então, como que você vai empreender?”. “Eu vou tentar aqui, estou com umas ideias, assim, assim”. Ele falou, “não, mas eu posso ser seu investidor”. Eu falei, “beleza”. A gente já se entendia.

Luciano Pires: Que presentão, cara. Deixa eu te perguntar uma coisa aqui. Como é que você lidou com a… eu imagino, cara, o tamanho da frustração que deve ser, você ser o cara que vai entregar a chave, e que vai fechar o projeto, no qual… Quando tempo você ficou envolvido?

Eduardo Albano: 1 ano e meio, eu acho.

Luciano Pires: 1 ano e meio, mas tirando do chão para criar, e você é o cara que vai entregar a chave. Eu imagino que você saiu de lá, abaixo de zero, não é cara?

Eduardo Albano: Cara, não saí. O dia mais difícil, não foi esse não. O dia mais difícil, foi olhar a minha equipe lá, que tinha 200 pessoas, e demitir todo mundo de uma vez só. Falar assim, “o sonho acabou hoje”. Esse foi o mais difícil. Depois dali, o meu senso de responsabilidade falou mais alto. Então, o que eu achei legal, foi assim. Olha, você deixou seu patrimônio, porque eles não deixaram só estúdio. Deixaram estúdio com equipamento, com um monte de coisa, e tal. Então aqui, eu estou te devolvendo tudo, da maneira com que a gente buscou. Por mais que a responsabilidade não era minha, direto, eu tinha participado ali desde o início. E aí os gestores ali, o Amandio, que é o irmão do Gugu que cuidava na época. Eu falei para ele, “olha, eu vou te entregar tudo da maneira com que você entregou”. E aí na verdade, quando a gente entregou tudo, faltou um computador, só. Essa foi minha frustração, de eu não ter entregue tudo completo. Mas, a gente chegou à conclusão, que foi um computador que foi meio sucateado, não foi nada que sumiu. Mas, eu também achei aquilo ali um empreendimento de organizar tudo, entregar uma coisa grande, eram estúdios grandes. Então, assumi aquela responsabilidade ali. E o que, fora que alguns fornecedores, que tinha ali naquele final, algum problema de pagamento, eu consegui usar do momento que eu estava, para ajudar a quitar a dívida, com o que fosse, com o que tinha ali na época. Lógico, que muito alinhado com os donos, com gestores. Mas olha, eu estou te devendo tanto, eu tenho equipamento que pode te pagar uma parte. E aí, fazendo essa negociação. Então, tudo para mim, foi negociação e foi aprendizado. E aí, isso eu te digo que não foi frustrante, porque o que vale é a gente fechar bem alguma coisa, algum ciclo.

Luciano Pires: Sim. Você resolveu bem na sua cabeça, a questão de fazer parte de um fracasso, e de falar, “cara, eu tenho uma parte minha aí dentro, eu dancei também”. Você não levou isso com você?

Eduardo Albano: Sim, sim.

Luciano Pires: Como, “cara, eu fiz o melhor que eu podia, dei o melhor de mim. Fracassou, mas, não sou eu o elemento do…”.

Eduardo Albano: Eu sempre tive na minha cabeça, o procurar levar o lado bom das coisas. Aí depois disso, eu montei, essas empresas que eu te falei que eu montei, não deram certo também, entendeu? Então assim, não foi tanto aquela coisa lá, o impacto tão grande como foi o projeto anterior, mas elas também não deram certo. Eu passei por essa fase de fracasso. E eu justamente comecei a trabalhar com meu sócio, que eu já conhecia ele do meio de mídia, porque ele estava com uma operação de uma rádio no Rio, a Jovem Pan, que estava muito mal. Eu fui para lá, ajudar ele a resolver. Então assim, a minha experiência que eu tive anterior, eu já consegui usar para ajudar um amigo meu, e aí a gente começar a procurar caminho, vende para um grupo, não vende. Então, acabou fechando. Mas, eu te digo assim, que eu usei muito da experiência que eu tinha, para…

Luciano Pires: Não se perde nada, né cara.

Eduardo Albano: Não se perde nada.

Luciano Pires: Tem gente que fica falando, ah cara, meus anos perdidos. Não foi perdido cara. O que você aprendeu ali, se você não foi ignorante a ponto de não usar o aprendizado, cara, falhei, quebrei, o que que eu aprendi com isso? E usar na sequência, tudo isso vem para bem. Te cria um repertório.

Eduardo Albano: é um acréscimo. Quando a gente está no conforto, a gente não cresce. A gente só cresce no…

Luciano Pires: Como que é? É o Washington Olivetto que falava. Se está tudo certinho, tá tudo indo bem, tudo tranquilo, você tem que ficar preocupado, porque não está acontecendo nada.

Eduardo Albano: A gente não está prendendo nada, é isso mesmo.

Luciano Pires: Então você sai, esse seu amigo surge, ele entra com a grana.

Eduardo Albano: Mas do que? Espera aí. Ah, das empresas de São Paulo.

Luciano Pires: Você vai montar seu primeiro negócio.

Eduardo Albano: A gente montou um primeiro plano de negócios, foi para busca de preço de material de construção. Uma época que o mercado estava muito aquecido. O Lula com aqueles planos de incentivo à moradia, facilitando acesso ao crédito de imóvel, e qualquer imóvel quando ele é ocupado, desde o aluguel até venda, você tem que passar em uma loja de material de construção. A gente falou, “pô, esse é o momento desse mercado, vamos fazer usando como benchmark o Buscapé, mas um Buscapé de nicho, focado em material de construção. Eu me associei a ANAMACO, que é a entidade de classe do meio de material de construção. E consegui fazer um plano de negócios muito bom, assim, para assinatura. A gente começou a aparecer muito. A gente começou a colocar algumas lojas grandes, mas, a coisa não dava dinheiro. Por que? Porque as lojas de material de construção naquela época, não precisavam pagar. Eles abriam a porta, e já saiam vendendo, porque o mercado estava muito aquecido. Então, para que eles iam pagar anúncio, para um site, para divulgar seus preços assim? E aí, a gente foi vendo que foi ficando difícil o negócio, ficando difícil, mas a gente olhou e falou, pô, a gente está com um time de desenvolvedores aqui, com um pessoal de desenvolvimento, que não era grande. Acho que na época tinha 4 pessoas, mas a gente pode começar a desenvolver outros projetos. E aí como eu já tinha um acesso a esse pessoal de mídia, eu comecei a atender agência de publicidade, e fazer aplicativo por demanda. E fiz para grandes marcas assim, isso aí foi uma fase muito boa da minha vida, assim, até da empresa.

Só que não estava dando, a gente via que era uma coisa que não ia longe.

Luciano Pires: Não escalava.

Eduardo Albano: Não escalava. É igual desenvolvimento de site, que tinha na época. Aí depois a coisa vai ficando, tal. Foi quando o Flávio que é meu sócio hoje no Ubook, falou, “pô Edu, eu estou com uma operação aqui da Jovem Pan, que está muito grande. E eu tenho uns portais da internet, que eu não estou dando conta de tudo. Você já é empreendedor, vem para cá part time, vem me ajudar, tal”. E aí eu mantive minha empresa em São Paulo, fui para o Rio para ajudar ele, e aí a gente, você começa a se envolver. Quando eu vi, eu estava envolvido junto com ele, ajudando ele a resolver os problemas ali da Jovem Pan na época, do Rio. E de um barato.com, que é um site que era do grupo dele lá, tinha outros sócios e tal.

Luciano Pires: Era busca de preço também, comparação de preço, era isso?

Eduardo Albano: Era leilão de centavos. E agora tem plano de incentivos, cashback, tem outras coisas. E aí a Jovem Pan foi outra mídia que, é incrível, porque a gente vê canal de televisão, e hoje tem muitos passando por necessidade, quem não tem um negócio fora para oxigenar, acaba tendo dificuldade. E aí eu falei para ele, falei, “Flávio, olha, eu sou empreendedor. Eu não vou ficar aqui trabalhando para você”. E chegou uma hora que estava difícil manter minha empresa lá em São Paulo, e eu no Rio. Eu fechei a empresa lá em São Paulo, não, aqui em São Paulo. Eu fechei a empresa em São Paulo, comecei a ajudar ele, e aí naquele momento difícil, a gente fechou tudo. Quando olhou, fechou a Jovem Pan, tirou do ar, foi aquela coisa. Eu vi um filme se repetir aí, em proporção menor. A Jovem Pan do Rio, obviamente, né. E aí a gente olhou e falou assim, “o que que a gente vai fazer com esses estúdios aí?”. Estava com estúdio montadinho, equipamento, contato com narrador, tal. E aí tem essa questão da palavra da moda, que é resiliência. E o Flavio começou a falar, “cara, eu escuto áudio bom direto, não vejo audiolivro aqui no Brasil. Eu acho que o modelo de negócios de repente não combina, vamos estudar isso?”. E a gente começou a estudar, estudar, estudar. A gente pegou um PowerPoint, foi na primeira Bienal do Rio, já com o Ubook esboçado, no PowerPoint. As editoras falaram, “ih, audiolivro, sai. Investe o dinheiro de vocês em outra coisa”.

Luciano Pires: Que ano era isso?

Eduardo Albano: Isso em 2013, para 14. Eles, olha, sai, isso não dá certo, já tentaram. Tem até editora que tem CD gravado. A gente pensou, pô, porque que não dá certo? A gente via no mundo acontecendo, né. E a gente começou a estudar o modelo de negócios. Aí a gente estava naquela época que estava crescendo acesso à internet móvel. Os celulares estavam voltando a crescer, né, porque celular lançou, era tijolão, depois ficou pequenininho, depois vieram os smartphones, e começou a crescer de novo. A gente falou, olha, eu acho que tem um modelo aí. E a gente já tinha muito contato com operadora de telefonia. O Flavio, principalmente, pelas outras empresas dele lá. A gente falou, a operadora de telefonia pode ser o canal de distribuição, perfeito. O acesso à internet, está ficando resolvido, porque naquela época já estava ficando popular. E o dispositivo de consumo não pode ser CD, porque ninguém ouve CD, e não dá para vender CD em livraria. E a gente, isso para a gente, olha, o maior erro desse modelo de audiolivro, é vender CD em livraria.

Luciano Pires: Que legal, é um momento de transição de tecnologia. Vocês estão bem na mudança. Já tem gente atenta, está mudando.

Eduardo Albano: E por que? Por causa de uma derrota. Assim, se for pensar, por causa de uma coisa que aconteceu, que chamou a atenção da gente, para o mercado.

Luciano Pires: Você tinha com você, toda a parte de produção pronta. Toda a parte de geração de conteúdo e produção, você tinha. Você tinha uma indústria na mão. E não tinha, que produto que vai sair. Não existia esse produto ainda.

Eduardo Albano: Não existia.

Luciano Pires: Eu, na época…

Eduardo Albano: A gente estava pensando em montar uma rádio online, que seria um PodCast.

Luciano Pires: Pois é, cara. O que eu vi de gente montar, e quebrar a cara, porque não tem escala também. Eu, na época, você lembra aquele livro, O Guia Politicamente Incorreto da História do Brasil, que explodiu, do Leandro Narloch. Eu, na época, eu fui chamado para diretor da Cultura, Livraria Cultura. Entrou um francês lá “amalocado”, que resolveu montar lá dentro, uma área de internet lá dentro, com produtos digitais e tudo mais. Criou uma ideia lá, me chamou, falou, “Luciano, eu quero lançar um audiolivro, do guia Politicamente Incorreto da História do Brasil, e é a sua cara, cara. Você tem que ser o cara para fazer a locução, por causa do PodCast que eu fazia lá. “Pô, eu nunca fiz audiolivro. Como que é isso aí?”. “Não…”. “Tá bom, vamos fazer, né?”. Aí peguei, gravei. Gravei ele inteirinho, e acabou que a gente lançou. Então, o que que ele fez? Ele lançou um aplicativo, com o livro dentro, e lançou a versão em CD. A versão em CD era vendida por aqueles R$ 30,00 reais de sempre lá, vinha na caixinha, bonitinha, com CD e tudo mais. E o aplicativo era vendido a R$ 8,00 reais, sei lá, uma bobagem qualquer. E aí ele chegou comigo, sentou e falou, “o que que você quer? Você quer um cache para gravar? Ou você quer participação nos lucros?”. “Bicho, eu quero participação nos lucros, negócio é muito novo. Nunca vi um tostão de nada”. Foi lançado, desapareceu do mercado, não tem mais. Aquele trabalho todo de locução, foram 11 horas de locução, acabou que não deu mais. Aí a empresa que lançou nós tentamos retomar. Eu falei com Leandro Narloch, que é o autor. Vamos retomar esse negócio. Falei com a empresa, “ah, precisamos fazer uma revisão no texto, não sei o que”. Mandaram para mim cara, um calhamaço de revisão. Eu falei, “bom, legal, eu vou entrar em estúdio, vai custar uns R$ 2 mil reais para fazer essa revisão toda”. “Então não queremos”, largou e morreu tudo. Tipo assim, não vou gastar tempo com isso aí, porque é uma bobagem, que esse negócio não dá em nada. E aquilo tudo se perdeu.

E para mim, ficou um gosto meio de, cabo de guarda-chuva na boca, porque ficou muito claro que o CD não era o bicho, vender CD em livraria não ia dar certo nunca. E o aplicativo, não estava resolvido. Um aplicativo de R$ 8,00 reais, um livro de R$ 8,00 reais, não estava. Onde eu ia ganhar, o autor ganhava 10%, não dá. Então aquilo, eu falei, “cara, não está resolvido essa questão ainda”. E era exatamente no período que vocês estavam começando a organizar a Ubook. Vocês foram pegar algum modelo lá de fora, para replicar aqui? Como que foi isso?

Eduardo Albano: Sim, no início a gente pensou em pegar o modelo lá de fora, para replicar. Uma das coisas que a gente viu, era barreira das editoras em gravarem o conteúdo, porque esses R$ 2 mil reais, para quem não tem receita nenhuma, é um dinheiro muito alto. A gente falou, não, essa foi a maior quebra de barreira que a gente teve. Nós gravamos o conteúdo, e a gente vai entregar pronto o conteúdo. A editora não tem que investir absolutamente nada. E esse continua sendo o nosso modelo, até hoje. A gente começou a estudar o modelo lá fora, só que a gente viu que aqui no Brasil, o brasileiro ele não gosta de ficar limitado. Então, a gente estava vendo o Deezer, o Spotfy, e o Netflix crescendo muito. E a gente falou, olha, o modelo tem que ser ilimitado, de acesso. A Audiobooks, é concorrente nossa, você compra assinatura e tem direito a um crédito só. E lá fora, tinham muitos players de venda avulsa, de audiolivro, que você comprava digital na internet, baixava. Mas, ou você fazia uma assinatura, que você tinha direito a um só. A gente falou, isso não vai pegar aqui no Brasil. A gente apostou para o modelo de all you can eat, que é o nosso modelo atual. Então, a gente olhou benchmarking de alguns players fora, e conseguiu trazer o modelo aqui para o Brasil. E a outra coisa que a gente vê, é que o brasileiro não era “bancarisado”, e aí a falta de “bancarização” falta cartão de crédito, falta tudo. Então a gente, “pô, mas ele coloca dinheiro no celular”. Então, celular além de ser canal de mídia, o canal de consumo, ele é um meio de pagamento. E aí a gente apostou nesse modelo, e começou cobrando até por semana. Então, hoje no Ubook, você compra pagando por semana, compra usando ponto de programa de fidelização. Você paga no boleto, paga em cartão de crédito. A gente conseguiu fazer um modelo que a gente facilitou o meio de pagamento, que qualquer tipo de meio de pagamento, você consegue fazer assinatura. E fora do Brasil, não tem isso.

Então, foi uma junção assim. A gente viu que estava dando certo lá fora, e viu o que que o Brasil precisava, para o negócio ter sucesso.

Luciano Pires: Vocês estão usando alguma fintech para isso, ou você desenvolveu dentro de casa uma solução?

Eduardo Albano: Não. A solução, essas soluções, elas são soluções prontas, né? São basicamente pacotes, para cada… Agora, tirando com operadora de telefonia, tem a nossa equipe técnica, que desenvolveu. Então assim, para cada gateway de pagamento, a gente tem um desenvolvimento novo, mas, com algum player do mercado, que entenda disso também junto. Porque tem questão de segurança, dados do usuário, essas coisas. A gente usa alguns gateways de pagamento, não usa só um, para cartão de crédito. Então, eu acho que hoje no mercado, o mercado por ter tanta fintech, por ter tanta empresa, eu acho que essa é a parte mais tranquila assim, porque tem muita solução já.

Luciano Pires: Legal. Mas quando vocês foram montar então o modelo de negócios, você topicalizou alguma coisa que tinha lá fora. Quer dizer, do ponto de vista de tecnologia, era olhar o que tinha, e meio que replicar aqui, né? E aí você tem que adaptar isso, ao mercado brasileiro, e tudo mais. Vamos lá. O mercado de livro no Brasil, o mercado de segmento de livro, é uma coisa assim, antes de jurássico, né? Antes do jurássico, teve. Acho que ele é o Pleistoceno, alguma coisa assim. É muito velho cara, é defasado, é ruim, é burro, é mal feito, cara, meu Deus do céu, eu não sei se tem alguma coisa pior que isso, né.

Eduardo Albano: Você já trabalhou com livro?

Luciano Pires: Muito, cara. Eu to te falando porque eu já fiz isso muito, já quebrei a cara de todo jeito, com editora, sem editora, direto, cara, é um horror. E tem mil explicações para isso, né? Desde o tamanho que o país tem, que logisticamente o Brasil é um desastre, né cara? Mandar um livro daqui para Belém do Pará, fica mais caro do que o livro em si, né? Então, tem aquela história, o livro é caro, porque não vende. Não vende, porque é caro. As editoras não… tem um modelo de negócios que é um horror, onde o cara que escreve o livro ganha 10% do preço de capa. Só vai receber daqui há 120 dias. E aí o cara quer consignado, cara, é um pavor isso. Não tem como dar certo esse negócio, né? Quando você entra em um sistema como o de vocês, que tira fora toda a questão logística, não tem mais Correios, não tem mais que levar um objeto físico a ninguém. Quer dizer, apertar um botão, a coisa está resolvida, você tirou da frente uma barreira gigantesca com relação a essa questão de consumo de livro.

E tem uma segunda barreira, que é o seguinte. O brasileiro não gosta muito de ler, aquela conversa toda. Não tem…

Eduardo Albano: Isso eu descordo um pouco.

Luciano Pires: Eu to te colocando aqui. Não gosto de ler, etc. e tal. Então você dá um livro, é muito grande, não vou ler, quero uma coisa rápida, etc. e tal. E você também tira essa barreira, porque você faz um negócio que é audível. Eu vou usar áudio. Então, você não gosta de ler? Escuta. Escutar, todo mundo escuta, né? Como é que vocês consideraram isso, na hora que você foi montar o seu modelo de negócios? Se não tinha nada para você se basear, como é que vocês botaram uma folha de papel na frente, e falaram o seguinte, “nós vamos vender X, faturar Y, em cima de algo que só tinha barreiras, que quando você desmontou, apareceu um negócio novo que não tem nem como olhar”. Já tem alguém fazendo, era zero. Como é que você parte do zero para um…?

Eduardo Albano: A nossa maior vantagem, é que a gente não era do mercado de livros. Então, a gente não viu barreiras, entendeu?

Luciano Pires: Legal.

Eduardo Albano: E o que que a gente viu? A gente viu oportunidade.

Luciano Pires: Como que é? Não sabendo que era impossível, foi lá e fez.

Eduardo Albano: Exatamente. Todo mundo do mercado falou para a gente que era impossível. Mas, a gente não se conformou. A gente viu aí que tinha no mercado algumas editoras grandes, que gravaram sei lá, cerca de 100 livros. A gente falou, “a primeira coisa que a gente tem que fazer, é pegar esses livros, e já colocar na plataforma, porque o nosso assinante tem que saber”. A gente começou o negócio testando.

Então quando a gente colocou para vender, a primeira versão, a gente começou a tomar pau em lojas de aplicativo. Mas, o pau era interessante, que era assim, adorei, vou continuar assinando mais, quando tiver mais conteúdo. Não era assim, é horrível, a experiência não é igual à do livro, entendeu? Então a gente viu o seguinte, tem tração, e a gente está conseguindo resolver um problema das pessoas.

Tinha acabado de sair uma pesquisa uma época, que a média do brasileiro no transito, era de 40 a 50 minutos. A gente falou, “pô, é aí que a gente entra”. E derrubando algumas crenças, que assim, o brasileiro não lê será? Está todo mundo com smartphone na mão, lendo o tempo todo, em rede social. Ele não está lendo livro, né? E aí o cara que não tem hábito de ler livro, adianta você entregar um livro na mão dele?

Luciano Pires: Não.

Eduardo Albano: Não adianta. E aí o que a gente falou, foi o seguinte. “Olha, o audiolivro ele é uma porta de entrada para o livro”. Então, eu entrego para ele um conteúdo ali, de uma maneira que ele está acostumado a ouvir, que hoje você olha na rua, está todo mundo com fone de ouvido. Você pode olhar a quantidade de pessoas que estão com fone de ouvido. Então, a gente viu que a oportunidade estava justamente ali. Só que a gente precisava de conteúdo. A gente precisava entregar cada vez mais, e mais, e mais conteúdo. Então assim, foi uma soma de fatores, e o fato predominante, era da gente não ser do mercado de livros, que eu acho que encorajou a gente, de não enxergar todas essas barreiras.

Depois que a gente começou a conhecer o mercado de livros, e aí eu concordo com você, a gente viu, cara, isso é uma loucura. Como que essas empresas tem um produto consignado, não investe em estoque, e não conseguem gerir isso?

Luciano Pires: E quebram, né?

Eduardo Albano: E quebram. E com essas margens todas, entendeu? E aí a gente sempre pensa, olha, vamos pensar diferente. Vamos juntar. E até tem outros cases no mercado, tem a Tag Livros, outros, que o pessoal não era do mercado de livros. Aí você vê, ah não, os caras reinventaram o clube do livro. O Gustavo, aquela turma da Tag. É, eles reinventaram o clube de livros, qual o problema? Mas, eles conseguiram fazer uma base com milhares de assinantes, e coisas que ninguém no mercado fez. Por que? Porque falava, “ah não, vai ser igual o círculo do livro”. Eles fizeram uma coisa no modelo totalmente atual, e que deu certo. E eu comparo isso com a gente, assim. Então, acho que é uma nova fase do mercado também.

E o que falta no Brasil, ao meu ver, dando a minha opinião sobre o mercado, é biblioteca, e livraria. Porque se você coloca 23% das cidades brasileiras, só tem livraria. Biblioteca, nem se fala, aí eu nem sei. Deve ser um número até menor. Você vê todos os países com índice de leitura alto, tem biblioteca e livraria mais espalhado pelo país. Tem mais acesso a isso. E aqui no Brasil, falta isso. Por que? Porque as grandes editoras, se acomodaram em vender para as grandes redes. E falaram, “não, vender de uma em uma, pode dar mais trabalho”. Mas também, você deixa de receber de uma grande dessa, abala toda a cadeia, e foi o que aconteceu.

E a crise no mercado de livro, agora vendo um dado importante da Nielsen, que acabou de sair, mesmo com essa crise, mesmo com tudo, o mercado vinha crescendo ano a ano, 7%, 8%. E esse ano, mesmo com essa crise toda, ainda cresceu 1%. E aí a gente mostra, crise não é do mercado do livro. A crise, não é do livro. As pessoas estão interessadas em ler. As pessoas querem consumir conteúdo.

Luciano Pires: É o modelo de negócios, cara.

Eduardo Albano: Mas as pessoas têm que ter acesso ao conteúdo.

Luciano Pires: Ele é [auto fático], ele se devora. Ele (inint) [00:36:39.23] a si mesmo, e aí nós vemos o que está acontecendo aí, cara. Acaba livraria a todo momento. As grandes livrarias não estão aguentando.

Eduardo Albano: Tá faltando até rede pequena.

Luciano Pires: Que vai funcionar num pequeno nicho também, né?

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Vou voltar àquela pergunta que eu fiz ali atrás, que a gente acabou desviando ela aqui. Que é aquela história de você botar um papel em branco na sua frente, e falar, “acabo de criar um negócio que não existe, e eu preciso pôr um número aqui”. Até para ir no banco emprestar dinheiro, né? Como é que vocês fizeram para, cara, eu quero saber o seguinte aqui. Eu fiz algumas coisas parecidas, também montei um projeto de assinatura, tudo. Um belo dia, eu sentei e falei, “bom, quantos assinantes eu terei daqui há 1 ano?”. Cara, não tenho a menor ideia, mas tem que chutar um número, né? Bota um número aí, e aí lá na frente a gente vai ver se esse número é bom, ou não, né? Como é que vocês fizeram para elaborar isso?

Eduardo Albano: Assim, nesse ponto, a gente tinha um pouco de experiência com assinatura. Pela experiência que eu tinha, e que o Flávio também tinha, de outros mercados, e de assinatura, então, tinha algumas mídias que a gente sabia mais ou menos a taxa de conversão. É logico que o assunto e o tipo de produto que você está vendendo, ele conta muito. Mas, a gente já tinha alguma métrica sim, de volume. “Olha, se eu investir tanto em mídia”, porque a gente não ia para a Globo, porque a gente não tinha dinheiro. A gente não ia fazer mídia em rádio, porque a gente não tinha dinheiro. Então, a gente começou a fazer mídia na internet, em operadoras de telefonia, e pagando CPA, que é o custo por aquisição também. Então, meio que, por mais que tenha o cancelamento imediato, tal, que sobe um pouco o preço da mídia, você deve entender muito bem disso, a gente consegue ali ter uma métrica do quanto que a gente ia ter. A gente só não sabia o quanto que a gente ia conseguir escalar. Que esse era o problema, porque se é um mercado que não existe, a gente não ia conseguir escalar nunca. E para a nossa sorte, mundialmente, o mercado de audiolivros, começou a virar moda. Então, a gente foi para Frankfurt em 2015, falava um pouquinho de audiolivro. A gente foi em 2016, já falava mais. Já teve um evento lá, sobe audiolivro. 2017, 18, parece que é o assunto principal, entendeu? 1 dia antes. Então, a gente pegou uma ascensão desse mercado, e a gente percebeu também, que quem está evoluído nesse mercado? Eu posso esquecer algum país, mas, eu vou falar os principais. Estados Unidos, Inglaterra, Alemanha, e mais algum, estão muito evoluídos na questão de audiolivro. O resto dos países, Espanha, Itália, França, Brasil, México, o catálogo é muito parecido. O que tem de audiolivro disponível no mercado, é muito parecido. Então, são mercados que ainda tem muito potencial de crescimento.

Então, a gente cresceu muito aqui no Brasil, nosso próximo passo agora é América Latina, que a gente já está com escritório na Colômbia, e já está começando a expandir para esses países, que a gente vê que tem essa atuação. Então assim, na hora, lá no início, foi difícil para ter as métricas, para saber o retorno, e tal. Mas, a gente foi sempre usando essas facilidades do meio digital, para calcular. E aí a gente brinca, porque não existe sorte, porque a gente estava trabalhando. Mas assim, aconteceu que o mercado também ajudou a gente a tracionar mais.

Luciano Pires: Vocês devem ter, quando começaram a montar o negócio, montaram o modelo de negócios, devia ter um tripé ali, ou quatro pés ali. Tinha um aparte de produção, que é uma parte que, de certa maneira, vocês estavam bem resguardados, com a parte de… Você tinha a industriazinha. Você tinha o estúdio.

Eduardo Albano: Tinha que pagar a hora do locutor.

Luciano Pires: Você sabia como fazer. Vocês não tiveram que ir comprar de ninguém. Estava lá dentro de casa, você podia resolver isso aí. Você tinha uma parte de distribuição, que aí era uma questão tecnológica que vocês estavam desbravando ali. Mas, à medida que você tivesse o aplicativo na mão, estava resolvido também, que acho que não é só uma coisa de grana para desenvolver, experimentar.

Eduardo Albano: Mas aí, começou 4 sócios. 2 eram desenvolvedores, entendeu? São ainda, estão com a gente. Assim, começou Paulo, Fábio, Flávio e eu. E aí a gente falou, não, vamos chamar os desenvolvedores como sócio também. A gente não tinha dinheiro nenhum, sério, estava assim no zero, abaixo de zero.

Luciano Pires: Ia começar sem grana.

Eduardo Albano: Foi na raça mesmo, sem grana nenhuma.

Luciano Pires: Aí vai trombar em um outro pé do tripé, que é o seguinte. Bom, eu já tenho como produzir o produto, eu tenho como distribuir o produto, eu preciso anunciar esse produto. Eu vou trombar no marketing, né? Marketing é dinheiro. Não tem segredo. Marketing, é grana. Tem que ter grana para fazer marketing, porque preciso tornar isso aqui conhecido, né?

E tem um quarto tripé, que é, cara, depois do marketing, eu quero falar do quarto tripé, que é a curadoria. Sabe? Que vai dar qualidade ao conteúdo que eu estou produzindo ali. Como é que vocês resolveram essa questão do marketing, cara? Eu estou com um negócio lindo, maravilhoso, que ainda é desconhecido. Não dá nem para eu falar como eu falo com meu projeto aqui, o Café Brasil Premium. Eu falo, “é a Netflix do conhecimento”. Já resolveu metade da explicação ali. Vocês não tinham isso. Como é que vocês fizeram para…?

Eduardo Albano: Os primeiros meses foram difíceis. A gente começou negociando, tentando estender o prazo de pagamento dessas mídias. Era uma coisa totalmente Kamikaze, porque a gente estendia os prazos para frente, e aí com o dinheiro que dava, a gente ia conseguindo pagar a mídia. E aí era uma bola assim, era pedalada.

Luciano Pires: Que mídias eram essas?

Eduardo Albano: A gente já tinha relacionamento em algumas mídias digitais, que a gente podia pagar mais à frente, não era pré-pago. E, a gente já tinha relacionamento em algumas operadoras também.

Luciano Pires: Você está falando de portais grandes, do UOL da vida, esse povo todo.

Eduardo Albano: Isso.

Luciano Pires: Você foi para esses portais grandes?

Eduardo Albano: Não, portais mais de ferramenta de buscas, Google, Facebook, essas coisas assim. E aí a gente foi conseguindo abrir uma linha de crédito ali, para conseguir fazer a coisa girar, em grandes empresas. Porque a gente já tinha relacionamento com as grandes empresas, e a vantagem do nosso time também, é que já eram empreendedores mais calejados. Então, a gente já era conhecido no mercado, a gente já tinha experiência do que fazer. Mas, chegou uma hora que estava muito difícil, porque isso a gente faz quando MVP. Que aí faltou uma grana ali, a gente corre, pede aqui para um, para outro. Consegue cobrir.

Luciano Pires: Explica o que é MVP, porque tem gente aqui que não sabe.

Eduardo Albano: Mínimo viável… produto mínimo viável. Em português. E aí com 6 meses de empresa, a gente mostrou tração. A gente mostrou que a nossa base de relacionamentos podia crescer. A gente mostrou que a gente tinha uso, e aí a gente começou a correr atrás de investidor. E aí a gente conseguiu encontrar um investidor, com 6 meses de empresa, que aí ele deu a força para a gente para colocar mídia.

Luciano Pires: Então, esse investidor, era dinheiro para a mídia?

Eduardo Albano: Para a mídia. Basicamente, era mídia, conteúdo, mas era muito para mídia.

Luciano Pires: Eu to entendendo a sua…

Eduardo Albano: Era mais para divulgar.

Luciano Pires: Precisava de dinheiro, para botar no Marketing, porque sem divulgação, você não ia…

Eduardo Albano: Não ia ter dinheiro, e eu não ia conseguir produzir conteúdo. Então, eles viram, é um fundo que era montado por fundador do Booking.com, pelos fundadores do Buscapé, e mais outros empreendedores, eles viram, “olha, esse negócio, é um negócio que pode ser escalável, pode ser global”. Eles acreditaram nisso. Então a gente pegou esse… a gente conseguiu, foi muito rápido. Isso foi uma coisa assim, que eles viram o negócio, foi um processo muito rápido de investimento, que as empresas hoje pensam, pô, como que você consegue um investidor? É difícil de conseguir, sabe? Mas as vezes você consegue ali, está tão engajado na ideia, que aí a coisa vai. E aí a gente começou a investir muito, muito, em divulgação. Aí a conta já começou a fechar assim. Então…

Luciano Pires: Tiveram o retorno que estava esperado ali.

Eduardo Albano: Que estava esperado.

Luciano Pires: Como é que vocês fizeram, com a questão de curadoria de conteúdo, cara?

Eduardo Albano: Então, curadoria de conteúdo. Primeira curadoria, era tudo que tem pronto.

Luciano Pires: O que já está no mercado aí, que eram os patinhos-feio das editoras. Tudo largado, encostado em um canto.

Eduardo Albano: tudo largado, encostado. Aí segundo, para a gente produzir, colocar nosso dinheiro, a gente tinha que ir na editora, negociar o direito, fazer um contrato com a editoria primeiro, né, um contrato guarda-chuva. E tentando pedir direito dos títulos que a gente gostaria de ter.

Só que nem sempre, a gente tinha os títulos que a gente gostaria. E aí essa parte, foi uma parte muito difícil assim, porque era difícil a gente… não tinha tração, não estava dando dinheiro para eles ainda, e falar, ainda quero esse título aqui, era uma coisa meio complicada de se fazer. Mas, acho que aos poucos, a gente foi conseguindo quebrar essa barreira. A gente foi conseguindo assinar mais contrato. A gente teve, por causa de uma visita, um fundo de investimentos, a gente teve uma apresentação para uma pessoa que era muito importante no mercado, que é o Luiz Fernando Pedroso. Que ele foi diretor da Ed Ouro durante muito tempo. Ele tinha acabado de sair da Ed Ouro. E a gente chamou ele para ser nosso conselheiro, sem ter dinheiro para pagar ele. Mas, ele era apaixonado por audiolivro. A Ed Ouro, era uma editora que tentou fazer audiolivro em CD, (inint) [00:47:03.11] lá atrás.  E ele começou a apresentar a gente para as editoras. E aí nisso, com o dinheiro do fundo, com alguém do mercado ali ajudando a gente a abrir portas, tudo, a gente começou a ter um volume de conteúdo, e começou a montar uma área editorial. E a nossa curadoria, ela é muito focada no hábito de consumo. Não quer dizer que um livro foi para a lista da Veja, ou do Publish News, que ele vai dar certo em audiolivro. Entendeu? Então, e aí isso é uma coisa que a gente pega, a gente tem as referências ali, a gente vê o que que está com sucesso, mas, a gente quer se posicionar como Netflix, realmente. Eu quero entregar variedade de conteúdo, e quero entregar produto original também, para o assinante, ele entrar ali, além dos best sellers, beleza. Mas, o nosso foco, é ter uma variedade de conteúdo, e ter uma gama de conteúdo, para que aquela assinatura ali comece a valer a pena.

Luciano Pires: O catálogo de vocês tem hoje o que? Quantos…

Eduardo Albano: Tem mais de… em português, tem mais de 3.500. Em inglês, tem mais de 10.000 livros, porque inglês já tinha muito pronto, então, a gente vai para essas feiras, a gente faz contratos com grandes editoras e grandes distribuidoras. Tem um catálogo muito bom em inglês. Espanhol deve ter por aí, uma carca de 2.000. Então, a gente… e aí tem outras línguas assim, mas, esse ano, o catálogo, ele, o de internacional, está para crescer muito. E do nacional, a gente vem investindo cada vez mais.

Luciano Pires: E o modelo que vocês acabaram escolhendo, é um modelo de assinatura recorrente?

Eduardo Albano: Assinatura recorrente ilimitada.

Luciano Pires: Ilimitada. Assino, pago quanto por mês?

Eduardo Albano: R$ 29,90.

Luciano Pires: R$ 29,90, e escuto o que eu quiser?

Eduardo Albano: O que quiser.

Luciano Pires: O volume que quiser, legal.

Eduardo Albano: Revista, notícia, PodCast, muito livro. A gente produz cerca de 50 aa 60 por mês. Assim, todo dia tem novidade, todo dia tem livro novo. A gente tem, o nosso catálogo, ele é muito dinâmico mesmo. E o que a gente busca é isso, é dar variedade, fazer com que esses R$ 29,90, ele realmente ele tenha muito valor.

Luciano Pires: O que que faz um audiolivro ser bem-sucedido, cara? Deixa eu melhorar essa pergunta, com a tinha experiência. Lá vou eu com meu primeiro livro brasileiro, Pocotó, procurar uma distribuidora de livros, sabe? Então eu vou lá na mulher que era uma das distribuidoras mais conceituadas no Brasil. Chego lá, sento na sala com a mulher, entrego meu livro para ela. Aqui está meu livro. Eu tinha já editado o livro com editora de rádio. A gente soltou o livro, o livro estava pronto. Já tinha ido para as livrarias, tinha estourado de vendas, né? E aí não dava para a gente conduzir o negócio na mão. Ele tinha que ir para uma distribuidora normal. Aí ela pega meu livro e começa a torcer o livro, e começa, “é muito mole, muito branco, muito não sei o que”. “Cara, mas espera um pouquinho. Você não quer saber o conteúdo que tem aí?”. Ela vira para mim e aponta, “tá vendo aquela pilha ali?”. Tinha uns 90 livros. “Tá vendo aquela pilha ali? Essa pilha chegou ontem aqui. Desses 90 que estão aí, 2 vão fazer sucesso. O resto, não vai acontecer nada”. Eu falei, “sim, quais são os 2?”. Ela falou, “não sei, eu estou olhando aqui, estou te dando a tinha dica. Está muito branca a sua capa, está muito mole o livro”. “Cara, mas e o conteúdo?”. “O conteúdo não interessa”. Foi mais ou menos assim. Se tivesse vendendo batata, era igual. Alface, é igual, sabe? Eu fiquei puto, saí de lá puto. Falei, “essa mulher não gosta do que ela faz”, e fiquei enlouquecido. Aí eu fui investigar, para ver o que que faz um livro se transformar em um best seller. E não tem receita, cara, não há nenhuma receita. Ah, é conteúdo. Não é conteúdo, não é. É uma somatória de coisas, que inexplicavelmente, faz com que ele se… tem coisas que ajudam. Se tem um autor de nome, ajuda.

Eduardo Albano: Uma boa capa.

Luciano Pires: Aí, eu pego e trago o Leandro Narloch aqui, para a gente conversar, um pouquinho antes, logo que lançou. O livro dele estava no máximo, o Guia Politicamente Incorreto. E fiz essa pergunta, “Leandro, o que que fez seu livro fazer sucesso?”. Ele falou, “cara, não sei. É o seguinte, eu lancei o livro, eu era um cara de mercado, de mídia, e eu tinha trabalhado na Veja, na Exame. Quando eu fui lançar meu livro, falei, cara, esses caras vão falar a respeito, lancei o livro no mercado, não aconteceu absolutamente nada. 3 meses depois, o livro estava esquecido em um canto lá. E por uma coisa do destino, não sei por onde veio, o Nelson Motta, e eu não me lembro quem foi o outro aqui em São Paulo, se foi o [Pondera], eu não me lembro quem foi, na mesma semana, comenta o livro em duas notinhas, uma no Globo, e outra acho que na Folha de São Paulo”. Ele falou, “cara, no dia seguinte, começou a escalar, e não parou mais de vender, e foi parar em primeiro lugar”. Será que foi aquelas duas notinhas? Não tem explicação, entendeu? No caso de audiolivro cara, o que que você me diz?

Eduardo Albano: Assim, a parte técnica, que essa coisa que você falou dela amassar, de ver se o papel é pólen, se a capa é mais rígida, se não é, tal. Isso é uma coisa que depois que a gente tem conhecimento, vira meio que um básico também, né? Que hoje, se você fizesse o segundo, terceiro livro, sei lá, você ia ficar mais atento a essas coisas aí, para você falar, fica com uma apresentação melhor.

Então, a gente tem isso aí, fazendo um paralelo, que a gente estava até conversando aqui um pouco antes, sobre estúdio. Tem que ser um estúdio totalmente limpo, não pode ter ruído. Se tiver som demais, pode atrapalhar, porque o pessoal está com fone de ouvido, qualquer ruído que você coloque, vai concorrer com ruído da rua. E as vezes, ele está com um barulhinho de ar condicionado vazando no som, e a pessoa não percebe que tem alguma coisa incomodando, e ela não sabe o que que é, ela acha que o audiolivro é ruim, entendeu? Então, a gente procura tomar muito cuidado com a técnica. Agora, realmente, tem um monte de livro que a gente aposta, acha que vai ser ótimo. Estoura no site, divulga, tal, e não vai. Quando você tem um influenciador ajudando, como o Nelson Motta, isso realmente ajuda muito. Ainda mais o livro físico, que você não sabe quanto tempo a pessoa leu, quantas páginas a pessoa leu. Então, pode ser que nem tem muito livro de Youtuber, que as vezes a gente vê que é um conteúdo totalmente desproporcional para o público que o Youtuber atende, mas, ele coloca para vender, e vende para caramba. Será que as pessoas leem? Não sei, entendeu? Essa que é a coisa. Mas, no digital, a gente consegue ver quantas páginas foram ouvidas, até que capítulo foi ouvido, tudo. E aí eu acho que assim, tem os assuntos da moda, que eu acho que funcionam bem. Então, a gente se baseia. Mas, se você pegar um livro e falar assim, “esse aqui vai ser sucesso”. Às vezes eu posso colocar um narrador, que é subjetivo também, com a voz errada, e eu estrago o livro, entendeu? Então, eu acho que continua sendo subjetivo assim. O gosto do público, o que é popular… Canal de televisão mesmo. Tem (inint) [00:54:33.18] que existe há 50 anos, tem informação de tudo, cansam de lançar programa que não dá certo. E aí eu faço o mesmo comparativo também, com o livro e o mercado. É bem subjetivo.

Luciano Pires: Indústria automotiva, né, cara. Investe bilhões, lança um carro, e o carro não pega.

Eduardo Albano: E o Nelson Motta, quanto será que ele divulgou que não aconteceu nada. A gente sabe os casos de sucesso.

Luciano Pires: Tem um componente chamado sorte aí, que é… Me conta uma coisa aqui. Vocês então botam o projeto, o projeto começa a andar. Quando foi o momento que vocês bateram o olho e falaram, “meu, pegou no breu”. Não vou dizer assim, deu certo, ficamos ricos, não. Quando é que vocês olharam e, vai, isso aqui vai. Está claro que vai, e bota o pé no acelerador, que vai andar. Quando foi esse momento?

Eduardo Albano: Foi quando a gente começou a ver as feiras internacionais, focando em painéis de audiolivros. Focando no audiolivro. Porque você estava falando uma coisa interessante, sobre o mercado de livros. Você fala que é atrasado, e não sei o que. E nesse sentido, eu concordo assim em algumas coisas, pelo seguinte. No que a gente está hoje, no momento que a gente está, que a gente vê o Netflix crescendo e revolucionando a indústria do cinema. Os players de música, o Spotfy entrou, revolucionou, tanto que a Apple acreditava em um modelo de venda avulsa, foi para assinatura. A Disney, fechando acordo com Netflix também, para colocar mais conteúdo em assinatura, tal. A gente começa, pô, porque que o mercado de livros ainda não acredita nesse modelo? Que não é só no Brasil. Ele é um pouco mais atrasado. Ele demora um pouco, para mostrar até porque não tinha muito suporte digital. E o digital está acontecendo agora. A aposta foi muito grande no e-book, mas, o e-book não decolou. E do audiolivro, a gente viu. Pô, o consumo só cresce no mundo. As feiras estão começando a falar. Tem cada vez mais editora procurando a gente, querendo gravar agora, hoje em dia. Então assim, a gente está no mercado certo, na hora certa.

Eu acho que a gente começou a ter essa confiança desde o início, mas, eu acho que a grande virada foi em 2016, talvez, que a gente viu que as feiras de livros mais importantes no mundo, abraçaram o assunto. E aqui no Brasil, não se falava de audiolivro, em 2016. Bienal, e nenhuma feira.

Luciano Pires: 2016 cara, anteontem.

Eduardo Albano: E aí quando a gente viu que as feiras internacionais começaram a falar, a gente falou, “opa, esse é o mercado mesmo, e ele veio para ficar”. Não sei se teve algum ponto antes, mas, a gente estava pensando ontem assim, em uma conversa entre sócios, falando assim, “qual o melhor mercado que tem? É o mercado que você chega lá e não tem concorrente nenhum? O mercado que já tem concorrente?”. É o mercado que tem concorrente. Então, a gente ficou surfando aqui em um mercado, que não tinha concorrente nenhum também. E a gente mostrando a tração do Ubook, e aí vendo todos os aumentos de métricas. Isso a gente tem desde o início. E isso aí, já tinha confiança da gente, que era um mercado que ia crescer. Mas essa coisa de escalar, de falar assim, “é um grande mercado no mundo, imenso, e tal”, acho que veio quando os assuntos começaram a ficar em moda nessas feiras, nesses congressos, nesses eventos. Que aí eu acho que a gente falou, é isso aí mesmo, não tenho dúvida.

Luciano Pires: Você já tem, não sei se existe. Eu sou o cara de PodCast, tá? Eu faço PodCast há 12 anos aqui no Brasil. Então, eu produzo PodCast com pé nas costas. Já tem audiolivro produzido para audiolivro? Que não saia de um livro em papel, que alguém escreveu, para virar audiolivro, e sai direto para audiolivro?

Eduardo Albano: Tem.

Luciano Pires: Já tem gente?

Eduardo Albano: Tem, que lança primeiro audiolivro. Todo escritor, ele quer ter o livro.

Luciano Pires: O livro é cartão de vista. É algo físico, que chama atenção. Que impressiona. Não dá um tostão, não dá para ganhar dinheiro, é um horror, tudo, mas impressiona. Aqui está meu livro, é bonito de…

Eduardo Albano: Isso, Rainha Santos que é um autor, fez muito.

Luciano Pires: Rainha teve aqui.

Eduardo Albano: Teve aqui?

Luciano Pires: Sim.

Eduardo Albano: Então, o Rainha começou lá com a gente. [Inint] tudo. Ele, se tiver ouvindo, ele vai lembrar bem disso aí, porque acabou que a gente ficou amigo. Ele entrou no estúdio para gravar, e a gente falou, “pô Rainha, não dá para você gravar. Eu vou ter que arrumar uma voz para você”. Aí, a gente colocou um narrador padrão para ele. E cara, alguns livros dele depois, eu não sei se todos, mas, a maioria, ele já lançava em áudio primeiro com a gente, depois ele lançava.

Luciano Pires: Quer dizer, não há uma tendência para isso, ainda. Você não tem uma tendência ainda para começar uma produção de…

Eduardo Albano: Só de áudio?

Luciano Pires: É, porque tem uma coisa…

Eduardo Albano: Mas acho que você limita, entendeu?

Luciano Pires: A minha questão que eu to colocando, é o seguinte. O investimento para lançar um audiolivro, é muito menor do que o investimento para lançar um livro. É o seguinte, eu chego aqui, chego com meu conteúdo na mão, sento aqui, gravo, e está feito. Eu não tenho que chamar uma gráfica, mandar imprimir, ter 2 mil exemplares guardado não sei onde, botar em um caminhão.

Eduardo Albano: Copidesque, projeto gráfico.

Luciano Pires: Cara, meu Deus do céu sabe, tem um complicador industrial que é uma coisa bem complicada.

Eduardo Albano: Eu acho que o mercado está evoluindo nisso aí, tá? Tirando a parte do projeto gráfico, copidesque, fica catalográfica, fazer o ISBN, que o audiolivro tem que ter também. Hoje, está surgindo muita plataforma de POD também, que é impressão por demanda. Que assim, já facilita muito a vida do autor. Ah, você, a margem de repente é menor?

Luciano Pires: É, ela joga o preço para cima, fica mais caro o livro.

Eduardo Albano: Mas, eu não sei, porque de repente, você recebe, entendeu? Aquela coisa assim, se você deixar em consignação, demorar 120 dias, e o autor, você sabe disso, ele tem que se divulgar, entendeu? Então assim, tem muita plataforma hoje de auto publicação, que já funciona. Lógico, que não funciona muito, para livros de 600 páginas. E aí cabe, de repente, o autor ali, ele vê como ele adapta o caso dele para isso, pensando também na logística.

Mas assim, eu acho que o caminho está tão pequeno, está tão curto entre os formatos, e voltando naquela coisa. A gente tem que entregar para o leitor, o formato que ele gosta. Eu, por exemplo, não suporto ler livro no celular. Por que? Porque o Facebook me tira, WhatsApp me tira, toca uma ligação. No momento que eu estou parado ali no celular, não é o momento do livro. Mas, tem gente que lê livros inteiros, na tela do celular.

O cara que nunca abriu um livro de papel, ele pode ouvir um livro, e para ele vai ser mais confortável, vai ser um hábito conforme a geração dele. Então assim, eu, como se eu fosse autor, hoje, eu tentaria colocar em todos os formatos, que eu vejo que está muito mais fácil. Assim, os espaços são pequenos do investimento, entendeu? Não é muito maior você fazer um audiolivro, ou muito maior, fazer um projeto gráfico.

Luciano Pires: Se for em demanda, não tem…

Eduardo Albano: Eu penso até que o audiolivro, de repente, é mais caro hoje, para fazer, porque você tem que ter um bom narrador, você tem que ter um bom estúdio, entendeu? E aí aquele fator que a gente estava falando agora há pouco, do barulho do ar condicionado. Botar trilha demais. São técnicas ali, que as vezes atrapalha o livro, e você gasta muito dinheiro para fazer. Então eu não sei assim, se o áudio é o caminho totalmente mais simples. Ele é mais simples para logística, para entrega, para consumo, tudo. Mas, tem muita técnica por trás, para fazer.

Luciano Pires: Sim, interessante. Tem uma mudança cultural vindo aí. Essa molecada que não tem paciência para ler textão, e lê textinho. Então, eu to revendo tudo aquilo que eu to fazendo aqui. E já tirei do meu campo de visão, o livro tradicional. Falei, “se eu fizer o meu próximo, vai servir como cartão de visita”. É só isso, não serve para outra coisa.

Eduardo Albano: Você está em uma… você é um visionário, porque você entrou em uma geração de áudio. Porque a revolução que a gente tem hoje, é do áudio. Se a gente for pensar no Alexa, no Siri, no Google Assistant, todas essas grandes empresas, gigantes, gigantes, estão investindo no áudio, entendeu? Então acho que a nossa grande revolução é o áudio, que você começou a fazer há 10 anos atrás.

Luciano Pires: E as caixinhas inteligentes, não chegaram no Brasil ainda. Não tem nenhuma aqui. Lá, já é uma febre lá fora. Passa a ser seu companheiro em casa, é impressionante o que eles estão fazendo lá fora. E eu estou achando interessante não ter nenhum, o Brasil não ter comprado ainda.

Para quem não sabe o que eu estou falando, as grandes, você vai na Amazon, você vai… Todo mundo está lançando, é uma caixa de som inteligente, que conversa com sistemas operacionais do seu… Então você chega em casa, abre a porta, e a caixinha fala para você, “e aí, bem-vindo”. “Opa, acende a luz aí”. Ela acende. “O que você quer saber hoje?”. “Eu quero saber tal coisa”. “Fulana, tá na hora de tomar banho, tá na hora de levar o cachorro…”. Ela conversa com você, e acaba virando um companheiro do dia a dia.

Eduardo Albano: Como está o tempo? Quais são as principais notícias do dia? Ela vai respondendo.

Luciano Pires: “Toca o PodCast do Luciano aí”, ela começa a tocar. Eu não tenho nem que apertar um botão, nada. Ela passa a ter uma vida. E isso vai levar essa coisa do consumo de áudio, para um nível absurdamente alto.

Eduardo Albano: “Liga o carro, liga o ar condicionado”.

Luciano Pires: Que ele te dá liberdade, dá liberdade. A liberdade de você ouvir, porque tem tanta gente com fone de ouvido na rua? Porque você consegue ouvir andando, é por isso. Porque eu consigo ouvir, enquanto eu estou fazendo alguma outra operação. Isso ampliou, porque… Você estava falando comigo, eu estava lembrando, cara, qual vai ser a grande competição? Seu grande competidor, quem é? É quem consome o seu tempo. Se tem alguém consumindo o tempo que eu usaria para ouvir o audiolivro, esse é meu competidor. Não é nem custo, nada. É tempo. Então, o tempo que eu estou sentado assistindo uma série de um Netflix, é só aquilo, eu não consigo fazer mais nada. Ele tomou meu tempo lá. Então, quanto vale esse tempo que eu vou conseguir… Aí você me dá um audiolivro, eu falo pô, eu consigo estar na fila do banco, e ouvindo audiolivro ao mesmo tempo. Eu consigo estar tomando banho, e ouvindo audiolivro. Então…

Eduardo Albano: Essa questão do momento. Um grande uso do audiolivro, uma pesquisa recente da Audiobook association, audiobook publishers association, alguma coisa assim, o grande uso são das pessoas, primeiro no transito, se locomovendo. Mas, um grande uso de pessoas que usam para relaxar, antes de dormir.

Luciano Pires: Relaxar antes de dormir?

Eduardo Albano: É. Então assim, você já pensou nisso? Você acha que a gente mirou nisso? Não.

Luciano Pires: Nada.

Eduardo Albano: Você fala assim, o audiobook é bom para dormir, a gente fala, “não vamos investir nisso”.

Luciano Pires: Você sabe que tem PodCast feito para isso, cara?

Eduardo Albano: É?

Luciano Pires: Existe PodCast, eu ouvi um americano outro dia, que é engraçadíssimo, o cara vem, é um puta texto, e ele fala devagarinho. Ele faz um PodCast para você dormir. Você começa a ouvir o cara, e dorme ouvindo o cara, porque é feito para isso. Interessante. Bom, vamos lá, vamos partir agora para o nosso caminho de reta final aqui, ó. Quanto tempo faz que a Ubook está no…?

Eduardo Albano: A gente começou a ideia em 2013, e lançou comercialmente no final de 2014.

Luciano Pires: Vocês começaram com a ideia em?

Eduardo Albano: 2013. 1 ano desenvolvendo.

Luciano Pires: E lançaram no final de 2014. Quer dizer, cara, é muito recente. Você vai fazer 5 anos, esse ano aqui. Olha para trás, nesses 5 anos aí. O que que… qual foram os obstáculos que você considera que foram os principais? Considerando que vocês, de novo, vocês já vieram sentados em cima do estúdio com a técnica. Já sabia, já tinha contato com o cara que ia dublar. Toda a parte industrial, vocês tinham resolvido, né? Qual foi o grande nó, que vocês olharam e falaram, “olha, tem um nó importante”. Você já falou de um, que é dinheiro para poder investir em mídia, que vocês resolveram conseguindo um. Mas, o que que foi cara?

Eduardo Albano: O grande nó? Assim, teve uma fase que foi por incrível que pareça, ela foi um modelo de negócios? Não, não foi modelo de negócios, de ser ilimitado, que a gente conseguiu chegar em uma conta, que as editoras ficam quem felizes com o resultado. Mas eu acho que chegou em uma hora, que a gente estava pensando muito, talvez, só em best seller, e aí, mas também era por falta de experiência, a gente viu que não era… Aí a gente conseguiu enxergar, que não era os best sellers do mercado, que funcionavam em áudio. E o áudio, ele tem seus próprios best sellers. Ele tem o tipo de conteúdo, que ele é legal para ouvir no áudio. Então, isso eu te digo, que até a gente pegar essa veia, qual é o conteúdo certo, qual não é. que eu acho que de repente foi muito mais de curadoria ali, eu acho que foi uma fase nebulosa. Mas, a gente conseguiu, graças a sede de tal, conseguiu ir encontrando as respostas disso.

E a gente viu que assim, tem áudio, tem casos de áudios, de livros, que não estavam nem mais no mercado, que estava top 10.

Luciano Pires: E renasce no audiolivro.

Eduardo Albano: E renasce, é isso. A Arte da Guerra é um caso, que é muito ouvido. Acho que as pessoas olham, é um best seller sempre, tal, mas de repente ninguém tinha paciência de ler. E a gente fez 3 versões, para a gente conseguir melhorar o tempo de uso.

Luciano Pires: Como que é isso?

Eduardo Albano: A gente fez 3 versões, a gente retraduziu. A gente pediu para 3 autores, a gente fez uma versão de retradução do original. E aí, o tempo de… tinha muito acesso, e tinha pouco tempo de uso. E a gente falou, “não, não é possível”.

Luciano Pires: Tem alguma coisa que não está retendo.

Eduardo Albano: É a gravação. A gente fez outra gravação. Depois a gente falou, “não, vamos fazer outra tradução”. Foi feita outra gravação, com outra tradução, e conseguiu aumentar mais o tempo do uso. Então, algumas coisas assim, que a gente foi se pegando, porque a gente viu que o quanto era importante a gente trabalhar o conteúdo, naquele formato ali, entendeu? Não é adiantar, chegar assim, vou pegar um livro que está fazendo sucesso.

Luciano Pires: Botar na voz de um cara boa voz, e está resolvido. Não.

Eduardo Albano: É, pois é, porque tem casos de livros de pessoas famosas, que não combinou com o título. Aí você bota a cara do cara, super capa, e tal, mas quando o cara vai narrar, se remete a um programa sei lá, da televisão, que é o que o cara está acostumado a fazer, que não tem nada a ver contigo.

Luciano Pires: Olha, um case para mim, cara, de audiolivro, que para mim, é o the best, é a biografia do Tim Maia, narrada pelo Nelson Motta. E aí aquilo até me inspirou, como é que eu ia fazer na sequência do meu. O que que acontecia ali? Primeiro, que é narrado pelo autor. Segundo, que as histórias que ele conta, ele viveu aquilo tudo. Terceiro, que ele imita o Tim Maia direitinho, né? O que que faltou para aquilo ser um máximo? As músicas lá dentro, que eu sei que se botasse a música, ia ter um puta problema de direito autoral também ali. Mas, eu ouvi aquilo lá, falei cara, sensacional. Eu to ouvindo o Nelson Motta, me contar o livro. Eu peguei para mim essa coisa, e criei um negócio que eu chamei lá na frente, de PodBook. Eu comecei a lançar meus PodBooks. Eu tenho meu livro tradicional, e aí, eu lanço um PodBook. O que que é um PodBook? É a tecnologia do PodCast, aliada ao livro. Então eu venho aqui falando, “eu vou ler para você meu livro, só que eu vou fazer os comentários no meio”. Só que, eu estou lendo, capítulo 1, blá blá blá. Quer saber de uma coisa, cara? O dia que eu escrevi isso aqui, eu estava tão de saco cheio, que eu… E aí eu conto uma história que não está no livro impresso, mas, tem a ver com a minha, o fato de eu ter sido o autor, e tudo mais, né? E aquilo acabou evoluindo para algumas outras coisas aí, que tem tudo a ver com o PodCast.

Eduardo Albano: Acho que tem que ir para o Ubook.

Luciano Pires: E tem um nicho aí maravilhoso, cara, de caminhos, que é uma coisa fascinante, que é aquilo que você falou. Você tá falando para mim, “cara, será que o Sun Tzu, com a Arte da Guerra, não precisa ter uma versão para mulheres, uma versão para jovens, uma versão para velhos”. O velho não quer ouvir o molequinho falando, ele quer ouvir um velho falando. Olha o tamanho que esse negócio fica, cara.

Eduardo Albano: Eu acho que vai chegar lá ainda.

Luciano Pires: Eu acho que vai.

Eduardo Albano: eu acho que vai. Isso aí, é um caminho. E aí assim, a gente falando do autor, é muito importante o autor narrar. Isso aí era uma coisa que eu sempre falei, olha, o autor ele não aguenta narrar mais de um livro dele mesmo. E aí a Cris, que é a nossa gerente de conteúdo, ela trabalhou na PlugMe lá atrás. Eu acho até que com o mesmo francês que você trabalhou lá nos primórdios do audiolivro em CD. E ela veio para a Ubook, sempre com esse mindset. O autor tem que narrar, o autor tem que narrar. E a gente vê que tem um resultado muito bom, quando o autor narra, por essa licença que o autor tem, de criar um caco no próprio livro.

Luciano Pires: Exatamente.

Eduardo Albano: Porque se é um narrador comum que eu contrato, e coloco ele para narrar, a minha revisão, até a vírgula tem que ser igual. Ele não pode colocar caco, porque a obra é do outro. Agora, quando entra o próprio autor, a gente fala, “olha, você é o autor, a obra é sua. Faça do jeito que você achar melhor”. Lógico, que com direção, com equipe acompanhando também, para não ficar um assunto muito diferente, mas, e isso eu acho que é uma coisa muito importante, muito válida. São outros pontos, são crenças que a gente teve lá atrás, que aí também com o mercado fixando mais maduro, a gente vai vendo que a gente consegue se adaptar.

Luciano Pires: O conceito que eu botei nele foi o seguinte. É o DVD que você compra, e que tem os extras. Comprei um DVD do Bohemian Rhapsody. O filme é maravilhoso, mas bicho, os extras são fantásticos. Eu quero ver os extras. Eu falei, cara, se eu trouxer os extras para dentro do filme? Você vai sentar e vai assistir o filme com os extras junto. É mais ou menos essa história. Para tudo aí, que eu vou te contar o que você não sabia, que é um bastidor do livro. E acabou que funcionou muito bem aí. Cara, muito legal bicho. Me conta uma coisa. Eu quero ser um assinante. Você me deixa experimentar, eu posso testar? Como que eu faço? Primeiro, me dá o endereço. Eu vou para onde?

Eduardo Albano: ubook.com.

Luciano Pires: ubook.com.

Eduardo Albano: Se eu não me engano, tem 7 dias grátis, de teste. A gente pode fazer um espacial, se você quiser eu até gravo de novo aqui, só para te falar, que aí dá um período maior para os seus ouvintes aqui. De repete, a gente cria um voucher aqui.

Luciano Pires: Isso que você está falando aqui, vai para o ar, tá?

Eduardo Albano: Vamos fazer.

Luciano Pires: Você me dá a dica, eu coloco em algum lugar aqui.

Eduardo Albano: A gente coloca um período maior de teste.

Luciano Pires: Legal. Eu tenho necessariamente que baixar um aplicativo?

Eduardo Albano: Não, você pode ouvir no computador. Você pode ouvir no próprio celular, se não tiver espaço para baixar aplicativo. É que se você não tiver espaço no celular para baixar aplicativo, você vai consumir mais dados. Mas, se tiver no wi-fi, não vai consumir dados nenhum. Então, a gente fez o aplicativo pensando justamente em todas as formas de uso. Se você está num wi-fi, você pode baixar os capítulos que você vai ouvir – e está com pouco espaço de memória no celular – você pode baixar um capítulo só. Que você sabe, que ah, eu vou daqui até a faculdade, vou demorar 50 minutos, eu não preciso baixar o livro todo. Baixo um capítulo, e vou. Se tem um pacote de dados maior, você pode ir ouvindo no streaming. Se chegou na faculdade antes da aula, tem wi-fi, e está sem espaço no celular, sem nada ali, você pluga no streaming também. Então, a gente fez penando muito no usuário o tempo todo, ou para não consumir tanto os dados, ou para não consumir a memória do celular, que a gente sabe que isso é um problema hoje.

Luciano Pires: O player para onde eu parei de ouvir? E eu retomo no ponto que eu estava ouvindo?

Eduardo Albano: Retoma. Tem uma coisa muito interessante, que você pode parar e fazer marcação, e digitar, fazer um comentário, tal. Então isso é muito legal, é um recurso que eu, pelo menos, uso muito.

Luciano Pires: Esse arquivo que eu baixei, ficou no meu celular para o resto da vida?

Eduardo Albano: Fica, no (inint) [01:15:08.08] do aplicativo do ubook.

Luciano Pires: Como é que vocês lidam com pirataria, cara?

Eduardo Albano: Ele fica enquanto você é assinante, tá, também. Como que a gente lida com pirataria? Pirataria é um problema mundial.

Luciano Pires: É um MP3 que tem ali dentro?

Eduardo Albano: Não, é um arquivo criptografado que tem ali dentro do nosso aplicativo. Ele não conseguir tirar dali. Mas, o cara que é pirata, ele vai conseguir dar o jeito dele. A gente limita. Outro dia, eu peguei um site de MP3 de livro, eu não vou falar o nome aqui, porque a gente já resolveu, fazendo anúncio no Google, e colocando todos os nossos livros lá, mas, em um preço muito baixo, e fazendo anúncio ainda. Eu procurei saber, “vem aqui, de onde você tem autorização?”. Primeiro eu entrei como consumidor. E assim, o cara foi, fez gravação, não sei como que ele conseguiu, mas, ele fez. E isso é um problema. Mas, a gente pegou, denunciou, entra em contato com a Delegacia Anti Pirataria. O que tem de produtora, de audiolivro hoje no Brasil, se conhece. Então a gente já se fala rapidamente, quando um vê o livro do outro, em um canal que não seja autorizado, a gente, um já avisa para o outro. Já notifica junto. E assim, a gente vai. Mas, a pirataria, infelizmente, é um problema mundial assim. Eu vou te dizer, a gente nem tem tanto problema com isso, de repente, por ser livro.

Luciano Pires: E ficou barato, né cara?

Eduardo Albano: Ficou barato. Igual a música. Acho que o que acabou com a pirataria da música, foi assinatura de R$ 16,90 por mês, você ter 3 milhões de músicas. Vale a pena baixar? Trazer vírus para o computador? E de pirataria, parece um terrorismo, mas, não é. O pirata, ele está interessado em se dar bem, em ganhar dinheiro de uma forma desonesta. Você vai baixar de lá, sabe? É esse que é o cuidado que tem que ter. Tem que ter conscientização também de quem compra.

Luciano Pires: Tá. Então eu fui lá no Ubook, posso ouvir direto, ou posso baixar o aplicativo para o meu celular.

Eduardo Albano: Pode ouvir no computador.

Luciano Pires: Faço assinatura com você, pago R$ 29,90 por mês.

Eduardo Albano: Ou, paga semanalmente, com operadora de telefonia. Deve estar na faixa de R$ 5,00 reais por semana, R$ 6,00, eu não me recordo muito bem. E tem sócio ilimitado.

Luciano Pires: Ok, o que que vem pela frente aí cara?

Eduardo Albano: Notícias, a gente está criando uma área totalmente nova, com muitas notícias. A gente já começou gravando revistas, gravando Jornal Globo diário. E agora, a gente está criando a nova versão que vai sair em março, vai sair mês que vem. O aplicativo, ele já vai estar dividido em áudio book, E-book, e notícias, e PodCasts. A gente se posiciona como agregador de PodCast também. Então, o que a gente quer, é que a pessoa entre ali, e ela tenha uma experiência completa, de áudio. Consiga ter todo tipo de conteúdo, e consiga criar o hábito.

Luciano Pires: Esse negócio de notícias, você vai ter que ter uma editoria?

Eduardo Albano: Temos.

Luciano Pires: Você montou uma redação, com editoria?

Eduardo Albano: Sim.

Luciano Pires: Cara, tá crescendo o negócio, hein cara. Risos.

Eduardo Albano: Tem, porque o que a gente fala assim, aqui no Brasil, como nós fomos os pioneiros, nós somos os maiores hoje, aqui hoje, eu to falando da data de fevereiro de 2019. Não tem nenhum concorrente grande nosso assim, a gente vê que o nosso maior concorrente, é a falta de hábito das pessoas. Então, o que que a gente quer fazer nisso aí? A gente quer criar o hábito das pessoas. Eu quero chamar mais o hábito. E aí para levar para o seu PodCast também, para levar para o livro. Então a nossa grande aposta, é no áudio. É no entretenimento. E aí tem um lugar ali, que as pessoas consigam resolver a vida. Às vezes fica cansativo você ouvir um conteúdo muito longo, durante um tempo. Mas, você vai trabalhar ouvindo um livro, volta ouvindo uma notícia, volta ouvindo uma revista, volta ouvindo um PodCast. E aí, você consegue ter variedade. O que a gente, o nosso desfio hoje, é o hábito de consumo. A gente quer entregar uma experiência de uso ótima, e trazer cada vez mais isso para as pessoas, em um lugar só.

Luciano Pires: Legal cara, parabéns. Vocês estão aí na Vanguarda, né? Meus PodCasts estão lá.

Eduardo Albano: Estão lá.

Luciano Pires: Eu não tenho a menor ideia de acesso.

Eduardo Albano: Eu lembro que o Café Brasil ele tinha uma audiência muito boa. Hoje eu não sei os números, mas era um dos que tinha uma audiência muito boa.

Luciano Pires: Eu não tenho a menor ideia cara, que um problema do PodCast é esse. Tem tantos agregadores por aí, que não tem como saber. Eu vou em um, tem X, Y, não dá para saber quantos são.

Eduardo Albano: O bom que a divulgação, e a parte gratuita do Ubook também. A gente tem livros gratuitos, tem notícias gratuitas, e tem os PodCasts também, que são gratuitos. E aí, você fala, “como que acessa o Ubook? Não precisa pagar para acessar Ubook. Basta que tenha um monte de coisa também legal, que você já pode usar direto lá. Então isso é legal.

Luciano Pires: Maravilha. Cara, parabéns pelo case de vocês.

Eduardo Albano: Obrigado pelo espaço. Estou lisonjeado de vir aqui.

Luciano Pires: Imagina, vocês estão abrindo um caminho legal. E você vai se ouvir no Ubook.

Eduardo Albano: É ruim a gente ouvir a própria voz, mas, eu vou me ouvir.

Luciano Pires: Cara, bem-vindo, obrigado, vamos nos falando.

Eduardo Albano: Estou pronto para a próxima.

Luciano Pires: Bora, estamos aí.

Eduardo Albano: Valeu.

Luciano Pires: Muito bem, termina aqui mais um LíderCast. A transcrição deste programa, você encontra no lidercast.com.br. O LíderCast nasceu da minha obsessão pelos temas liderança e empreendedorismo. É em torno dele, que eu construí minha carreira com mais de mil palestras, nas quais distribuo iscas intelectuais, para provocar equipes e indivíduos, ampliar seus repertórios, e suas capacidades de julgamento e tomada de decisão. Leve o fitness intelectual para a sua empresa. Acesse lucianopires.com.br, e conheça minhas palestras.

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