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Luciano Pires -
Download do Programa

Luciano Pires: Bom dia, boa tarde, boa noite. Bem-vindo, bem-vinda a mais um LíderCast, o PodCast que trata de liderança e empreendedorismo, com gente que faz acontecer. No programa de hoje, temos Henrique Prata, o homem que fundou o Hospital do Câncer de Barretos. E hoje, Hospital do Amor. Uma história de empreendedorismo, mas, acima de tudo, de fé, e de amor ao próximo.

Muito bem, mais um LíderCast. Quanta honra cara. Esse aqui, eu estou atrás dele há uns 3 ou 4 anos, desde que ele deu uma entrevista histórica lá no Roda Vida. Mas, o homem tem uma agenda aí. A gente foi cruzando, no fim, deu certo. Estamos aqui nós dois. Olha, são 3 perguntas fundamentais no LíderCast, é só essas 3 você tem que seguir na risca. O resto, você pode chutar à vontade. Mas essas 3, por favor, siga lá. Primeira, seu nome, sua idade, e o que você faz?

Henrique Prata: Meu nome é Henrique Duarte Prata. Minha idade é 66 anos. A minha formação profissional, sou fazendeiro. E paralelamente me tornei um gestor de hospital. Tenho duas profissões. Uma escolhida por mim, e outra, pelo destino.

Luciano Pires: Uma, você cuida de bicho. E outra, você cuida de gente. É isso?

Henrique Prata: É, exatamente isso.

Luciano Pires: Que bom recebe-lo aqui. Muito obrigado pela sua disponibilidade. Você nasceu onde?

Henrique Prata: Eu nasci em São Paulo. Meus pais estavam fazendo a tese de doutorado, em 1951. Eu nasci em 52. Meu pai e minha mãe são médicos, formados na USP em São Paulo. Meu pai formou em 49. Em 51, já era doutor em Medicina. Tinha título acadêmico, um homem extremante acadêmico, um homem muito culto, mas que vinha de um DNA de uma família que tinha conhecimento e sabedoria, mas, para tratar preferencialmente os pobres. Nenhum segmento, nenhuma origem do nosso DNA na família, gostou de tratar Medicina de dinheiro. Foi sempre a vocação de tratar de doentes. Começou com a minha bisavó, depois meu avô, depois meu pai. E eu nem sabia dessa história, estourou em mim também essa virtude, em um determinado momento da vida. E aí estou com duas profissões. Cultivo o hábito da minha profissão, tenho muito orgulho do campo. Moro na roça ainda, não moro na cidade.

Luciano Pires: sua bisavó começou aquela atividade aqui no Brasil?

Henrique Prata: Minha bisavó, agora é um momento histórico que vai ter em Sergipe. Minha bisavó fez a primeira casa de Misericórdia em 1919, no interior de Sergipe. Ela era uma mulher muito temente a Deus, muito religiosa. E abrigava os… naquela época, tinha muita tuberculose, e ela abrigava os tuberculosos na casa dela, nos quartos de hóspedes, nos lugares todos. O marido foi vendo aquela vontade dela cada vez maior, e construiu a primeira casa de Misericórdia. 18 leitos, em Simão Dias, interior de Sergipe. A primeira casa de saúde no interior do Estado.

Luciano Pires: O que que eles estavam fazendo no interior de Sergipe, em 1919?

Henrique Prata: Meu avô era um comerciante, um homem de negócios. Meu bisavô, Coronel Felisberto, e a minha bisavó chamava dona Anaora Prata. Uma história de uma família muito temente a Deus, muito religiosa, e praticante do ato de acolher e cuidar do próximo. Depois o filho dela, o Ranolfo Prata, meu avô, fez Medicina em 1920, no Rio de Janeiro, que era onde tinha a melhor escola na época. E se torna Doutor em Medicina, em 1922. Não era um homem que ficou só no conhecimento superficial da Medicina. E também foi ser médico do Serviço Público em Sergipe, depois em Santos, homens de prestação de serviço de Medicina Pública. Com todo conhecimento, naquela época era raríssimo o título de Doutor. Meu pai se forma em 49 na USP, meu pai e minha mãe. E também se tornam Doutor em Medicina, e não preferenciou tratar ninguém por dinheiro. Preferenciou cuidar dos serviços, com todo conhecimento, dos serviços públicos. Atender todas as pessoas.

E aí, nasce nele, a vontade de fazer um projeto para o câncer, porque nos anos 60, não tinha nem asfalto do interior para São Paulo. E todo paciente do interior do Estado de São Paulo, na época, Barretos é 425 quilômetros de São Paulo. A demanda daqueles pacientes que chegam com câncer na Santa Casa, nos hospitais em Barretos, em Itambé, Catanduva, que ele foi diretor da Santa Casa, diretor Clínico, ele via que metade daquelas pessoas, eram encaminhadas… de cada 10 que ele encaminhava para São Paulo, 5 voltava no dia seguinte. Não se acostumava, o caipira, não se acostumava em ficar em São Paulo, se tratar em São Paulo.

E ele enche então de compaixão, e meu avô tinha posses, deu uma ajuda para cada genro, na época, e meu pai então cria o primeiro serviço no interior do país, em 1962, de câncer.

Luciano Pires: Lá em Barretos já?

Henrique Prata: Em Barretos, já em Barretos.

Luciano Pires: Como é que vocês foram para Barretos?

Henrique Prata: Então, porque meus avós maternos, meu avô, era um homem… Meu pai e minha mãe já tinham 5 filhos aqui em São Paulo, naquele tempo, em 54. E era muito difícil criar os filhos, eles dois ocupados, dois médicos ocupados em hospital, eles achavam que a qualidade de vida no interior seria muito melhor para criar os filhos. Então, eles vão para o interior, onde morava meu avô materno, Antenor Duarte Vilela.

Esse meu avô, foi o responsável pela minha formação, até de caráter mesmo. Porque era um homem de uma família também muito humilde, pobre, que ficou muito rico na época dele…

Luciano Pires: Com o que? Café?

Henrique Prata: Com boi. Ele era de Sacramento, Minas, nos anos 32 ele veio para Barretos, era um homem que sabia, aprendeu a ganhar dinheiro trabalhando, com muito suor. Tinha um ponto de pouso, quando casou, o pai dele deu uma chácara na estrada, e minha avó fazia queijo, vendia queijo na cidade. Ele tirava leite, e deixava as boiadas dormirem de pouso, as boiadas comitivas, por terra. Então era um homem do campo na raiz mesmo. Mas, um homem que tinha uma visão muito grande, uma inteligência muito grande. E também meus avós maternos, extremamente, muito religiosos. Meu avô era espirita, a formação dele toda foi na escola de Ranolfo Bassanuti, mas, era um homem humanista no último. Minha avó muito católica, muito religiosa. Então, nós tivemos uma forma de ser, mesmo quando eu já me tornei um moço, eu vi aquele… era o homem mais rico daquela cidade, daquela região. Um homem que não tinha nada, absolutamente nada, e começou a puxar boi na estrada de comitiva. Depois, começou a pegar dinheiro com os capitalistas para comprar o boi e revender. Aprendeu a comprar e vender. E foi se tornando um homem dinâmico, rico, e tal. E ficou muito rico, e ele cultivou os netos, a família, a capacidade de nunca deixar o dinheiro ser o valor na vida, mais do que ele pudesse ser. Ele sempre teria que ser uma coisa secundaria, terciária na vida. O valor era todas as pessoas serem tratadas iguais, todas as pessoas serem iguais.

Então, tive uma base muito boa de formação, mas, uma base melhor para ser um bom gestor.

Luciano Pires: Meu, estou falando com um típico caipira. Eu sou de Bauru, então estou entendendo perfeitamente o que você está falando aí. Para você que é novinho, que está nos ouvindo aqui, cara, vir de Bauru, vir de Barretos para São Paulo nos anos 60, era uma aventura, cara. Eu cheguei a vir de trem, dormindo dentro do trem. Era uma festa. Mas, era uma beleza. Isso que você está falando para mim soa como música para os meus ouvidos, essa história toda da visão humanista, sabe, de não deixar o dinheiro ser a coisa mais poderosa. Isso é tão bom, que eu vou fazer uma mudança no programa aqui. Lalá, por favor, vamos trocar essa trilha sonora do fundo, bota aquela violinha, deixa a violinha tocando, que vai ficar o nosso plano de fundo aqui, bem interior, caipira.

Você então cresce em Barretos.

Henrique Prata: Eu cresço em Barretos. Como meu ídolo era meu avô, eu perguntei para ele assim, eu queria copiar o caminho da vida dele. Então ia na escola, via os professor me ensinando, os professor tudo de carrinho velho, aqueles professor tudo com dificuldade. Nossa, meu avô não estudou tanto, na época fez só o colegial. E se tornou um homem tão rico, tão dinâmico, tão capaz, tão inteligente. Eu não vou perder muito tempo na escola. E com incentivo até, com cuidado que eu quase todo dia ia para a fazenda com ele, eu saía da escola, ao invés de eu ir fazer tarefa em casa, eu ia para a fazenda com ele. Que era 10 quilômetros da cidade. Nas férias, eu ficava 30 dias, 60 dias, na fazenda com ele.

Depois quando moço, comecei a comercializar boi com ele, comprar boi magro, e vender boi gordo. Com 12 anos, eu era uma pessoa que tinha o tempo todo muito ocupado, entre tapeava nos estudos, e trabalhava muito já. Eu, com 11 anos, eu acordava 4 horas da manhã, 5 horas eu estava num curral, em um frigorífico perto, que ele tinha um frigorifico fechado, perto da minha escola, eu tirava leite de 14/15 vacas de manhã cedo. Eu tinha um senhor que só piava as vacas, amarrava os bezerros nas vacas. E eu entrava e tirava o leite, depois eu ia para a aula.

Então, trabalhava, comecei a trabalhar acho que com 11 para 12 anos, eu trabalhava todo dia 5 horas da manhã.

Luciano Pires: E não era por precisão? Era por gosto?

Henrique Prata: Não, mas é por buscar, almejar o caminho do meu avô, que era um homem que aprendeu a trabalhar muito cedo, ter responsabilidade muito cedo. Com 15 anos, eu chamei meu pai, peço para ele me emancipar, e eu paro de estudar. Tamanho o número de negócios que eu já tinha. Aquelas vacas, cada 90 dias que eu vendia o leite para sorveteria, para as minhas tias, para família, eu tirava leite de 14/15 vacas, isso um menino de 11, 12 anos. Aí com 15 anos eu já tinha meus negocinhos, aí eu achei que era homem. Falei, “pai, me emancipa aí, que eu vou andar mais rápido desse lado da vida, do negócio”.

Luciano Pires: Seus irmãos estavam com você lá, na mesma época?

Henrique Prata: Estavam, mas todos, nenhum seguiu esse caminho.

Luciano Pires: Isso que eu ia te perguntar. Esse bichinho desse empreendedorismo, eles não têm?

Henrique Prata: Não, nenhum deles. Nenhum deles tiveram isso. Nem meus primos, nem meus irmãos.

Luciano Pires: Deixa eu fazer uma provocação para você. Esse programa aqui faz voltas. A gente vai, cada vez que você dá um insight, eu faço uma volta aqui. Como é que um cara que é criado na mesma família, mesmo lugar, mesmo sangue, comer da mesma comida, com o mesmo carinho, sai de um jeito, e os outros que estão do lado dele, sai de outro jeito. O que que explica essa…? O que que você acha que explica isso?

Henrique Prata: Olha, eu vou te falar, tem um livro que eu tive o prazer de ver que você está com o meu primeiro livro, Acima de tudo, o amor. Mas, tem um segundo livro, que você vai entender, segundo livro chama Providencias. Você vai entender, porque tem uma carta de punho da minha mãe, que ela e meu pai sabiam que eu ia servir a Deus, no dia que eu nasci. No dia que eu nasci. Eles dois guardaram, escreveram, que naquele dia, eles viram uma luz. Que aquele filho nasceu com o coração valente, para servir a Deus. Assim, a carta tá aí.

Luciano Pires: Tem uma carta dessas para os seus irmãos também?

Henrique Prata: Não teve, para ninguém. Nenhum deles, tiveram 5 filhos. E isso eu to dizendo para você entender, onde foi a profundidade do sentimento de um pai, uma mãe, extremamente também católicos, extremamente espiritual, são famílias de devoção muito forte a Deus. E que, os valores que eles sentiram no meu nascimento, foi impressionante, porque eles escreveram. E me entregaram, quando eu fiz 18 anos. Que com 18 anos, eu entrei em um conflito assim, eu vi que eu já tinha muita decisão, já era um homem de negócio, e sempre fui muito preocupado em, por eu não ser estudioso, a simplificar, queria sempre achar uma maneira de simplificar o velho testamento, porque era muito complexo para mim, por não ter cultura, e ter dificuldade para ler.

Luciano Pires: Entender, sim.

Henrique Prata: E eu queria, eu entrei em uma concepção, que eu queria, quando eu fiz 18 anos, eu queria já servir a Deus. Eu falava para a minha mãe, “espera aí”. Uma pessoa que tem, eu percebia que eu tinha muitos dons, muitos talentos, uma capacidade diferente da média das pessoas de trabalhar, responsabilidade muito maior do que todos meus amigos, eu falei, “isso não é só para mim, porque eu tenho que também, de uma maneira, encontrar uma forma de devolver todos essa alegria que eu tenho de viver, essa capacidade de negócios”. Com 18 anos, eu era um homem de negócios, eu plantava já 200 alqueires de lavoura. Eu já tinha plantado 50 mil pés de laranja. Eu era um homem, com 18 anos.

E aí minha mãe entrega uma carta para mim. Aquela carta teve um significado muito pequeno naquele momento, porque eu estava ansioso de me aprofundar também `nessa… de forma que cada um nasce com um dom. É isso que você está me perguntando.

Luciano Pires: Sim.

Henrique Prata: eu tinha curiosidade, mas porque que eu sou diferente dos meus irmãos, dos meus primos? E porque eu tenho vontade de tudo agradecer a Deus? Então, porque eu tenho isso tão forte, entendeu? E nessa concepção, essa carta ficou guardada depois que eu li com 18 anos, e só fui ter posse dessa carta, há 3 anos atrás.

Luciano Pires: Com 63.

Henrique Prata: Com 63 anos, a minha ex-esposa manda uns restos de coisas, relógios, coisas que estavam no cofre para mim, e aí vem essa carta. E a carta então entra no livro, a providencia, de uma maneira muito oportuna de ver o que aconteceu na minha vida. Porque a mim mesmo, sempre me impressionou o fato de eu ter essa vontade tremenda de servir a Deus. Mas, eu queria servir a Deus todos os dias. Eu não queria servir a Deus em alguma coisa esporadicamente, no fim de semana. Eu queria falar, “mas como? Deus me deu tanta coisa, eu preciso dar um jeito de fazer alguma coisa para me comunicar com ele melhor todo dia, mostrar à gratidão que eu tenho, pela vida que ele me deu”. Que eu percebi que eu tinha uma força de trabalho, e uma capacidade maior que a das pessoas.

Luciano Pires: Deixa eu botar um insight aqui, que você está me dando aqui. Eu sempre faço isso aqui, tá? Porque tem um monte de gente ouvindo a gente aqui, que não acredita em Deus, ou que tem outro tipo de…

Henrique Prata: Tem os que acreditam, outros não.

Luciano Pires: Tem outro tipo de pensamento, coisa e tal. E eu sempre digo aqui o seguinte, que mesmo que você não acredite em Deus, cara, o fato de você Henrique acreditar dessa forma, e ele te influenciar da forma como influenciou, fez com que você fizesse coisas que impactaram a vida de milhões de pessoas, milhares de pessoas. Então mesmo que eu não acredite, eu tenho que respeitar o fato do que aconteceu com você, para você acreditar nele. Porque o resultado disso, foi a obra que você acabou construindo, e essa história toda que você tem para contar para nós.

Henrique Prata: Esse livro A Providencia, Luciano, a livro A Providencia, olha, eu duvido quem leu os dois livros que eu escrevi, que não acredita em Deus, que não vai acreditar. Duvido. Porque é unanime as cartas que eu recebi. O primeiro livro já vendeu 250 mil cópias.

Luciano Pires: Aquele que eu tenho lá?

Henrique Prata: É, aquele lá. E o segundo vendeu acho que umas 70, 80 mil cópias. O primeiro livro, é tão verdadeiro a concepção dele, que eu conto no segundo livro, faço a conta da Providencia, porque a maior força dele, é a capacidade de falar sobre a minha fé, a fé dos meus pais, a fé da minha família, e a concepção que a obra é de Deus, porque ela é uma obra de amor. Por que que ela é de amor? Porque o dinheiro nunca prevaleceu na nossa família, e o dinheiro nunca prevaleceu no nosso projeto, porque nós temos hoje, atualmente, para as pessoas, “não, isso aconteceu lá atrás”. Não, hoje fechei o balanço faltando R$ 24.500.000,00 por mês, porque eu toco uma obra que custa R$ 38 milhões por mês, pela fé, e o SUS me paga R$ 15 milhões. Então, faltou R$ 25 milhões por mês, esse mês falta R$ 26 milhões por mês, e eu faço o melhor remédio, a melhor tecnologia, desafio que tem um serviço privado em São Paulo que faz a Medicina que nós fazemos. A Medicina mais completa, personalizada de câncer na América Latina, é a nossa. A mais conceituada que existe, que é séria, é a nossa. Com a qualidade mais honesta possível, mas perante a quem essa Medicina é verdade? Perante a Deus. Porque perante aos homens não tem reconhecimento, perante aos governos, vamos dizer, não tem reconhecimento. Há 57 anos atrás quando meu pai criou essa Medicina, tinha obrigatoriedade de todos serem tratados iguais, e todos serem tratados com a primeira disciplina de ser tratado com amor, com respeito pelo nome, pela dignidade que cada um é irmão. Então, não existe esse papo com nós, que por não ter dinheiro, que não faz o que é melhor. Não, nós não temos dinheiro, e fazemos o que é melhor. Mas, fazemos o que é melhor mesmo. Nós damos imunoterapia, e nenhum serviço público do país dá essa imunoterapia, um remédio que é a última geração de tratamento de câncer, para criança, para adulto.

Então, não é fato de… nós estamos falando de uma obra que tem 57 anos, no mesmo eixo, no mesmo princípio dos meus valores. Isso é uma obra só de amor. E se ela é de amor, ela é de Deus.

Luciano Pires: E que um plano de negócios por si só, não explica. Porque plano por plano, cara, todo mundo tem plano. Não é só o plano. Deixa eu te falar uma coisa aqui. Eu fui visitar, estava lá na Itália, visitando a Itália. Entrei no Vaticano, estava naqueles lugares maravilhosos. Vi aquelas construções malucas, aquele negócio todo. Cara, como é que os caras constroem um negócio desses? Como é possível fazer uma obra desse tamanho? Naquela época, que não tinha tecnologia, como é que os caras faziam isso aqui? E a conclusão que eu cheguei no final, é que só dava para fazer, porque eles usavam sangue, porque tinha sangue. Porque eles matavam o cara para fazer, e tinham escravos para construir aquelas coisas monumentais, que hoje é impossível fazer.

Então, a conclusão que eu chego lá, só a engenharia não explica, só o plano de negócios não explica. Matemática sozinha, não explica. Tem que haver uma força maior, né? Naquela época, havia essa força maior, que cara, eu to fazendo isso aqui em homenagem a um ser, eu vou construir o Parthenon, 4 mil anos atrás. Você fala, cara, impossível fazer. Eu acho que com você, a coisa funciona igual. O que te move não é a matemática, isso é tudo ferramenta. Plano de negócios, é ferramenta.

Henrique Prata: Você na Europa, você falou uma coisa que me impressionou a primeira vez que eu fui. Eu falei assim, “desaprenderam engenharia, depois que há 2 mil anos antes de Cristo, ou há 4 mil anos atrás, ou 2 mil anos agora”…

Luciano Pires: O Aqueduto está em pé até hoje.

Henrique Prata: Eu fui agora para Israel, ano retrasado, eu falei assim, “não, a engenharia de hoje, é medíocre perto do que era antigamente. Medíocre, até”. Tamanha era a capacidade, sem nenhuma ferramenta, deles terem tão exato, e as obras tão monstruosas, né?

Luciano Pires: Você foi para Machu Picchu?

Henrique Prata: Não, não fui.

Luciano Pires: Machu Picchu, Egito, e a hora que você vê aquelas pedras assentadas, uma em cima da outra, e você não consegue passar um papel no meio, milimetricamente, fala, “cara, os caras fizeram isso aqui em volta de uma montanha, cara, há3 mil anos atrás”. Quer dizer, alguma coisa além os levava a fazer aquilo. Acho que essa é a mesma coisa que acontece com você.

Henrique Prata: É uma concepção, por exemplo, eu falo muita coisa que a fé é uma força de amor, capa de mover montanhas, e de fazer o impossível, porque na concepção da maioria das pessoas, o que é capaz de mover as coisas, de fazer as coisas, é o dinheiro. E não é desculpa. Na minha concepção, não existe desculpa operante a Deus, essa miséria que vive esses pobres na rua, na miséria que é os doentes, para terrem dignidade para se tratarem, morrem esperando tudo diagnóstico na fila. E quando tem diagnóstico, morre esperando cirurgia. E esse rio de dinheiro desviado para todo lado aí que você vê, sem nenhum foco honesto em cima do que é o direito dos pobres, na concepção de um país que tem uma das maiores arrecadações de impostos do mundo. E a concepção de fazer as coisas honestas não é privilégio aqui, não é virtude. Raríssimos são os políticos que tem esse…

Luciano Pires: Nós vamos voltar nisso aí. Deixa eu voltar lá atrás, pegar você com 18 anos de idade, um garoto de negócios, já fazendo acontecer, pintando, bordando, vendendo boi, emancipado, etc. e tal. Você tem essa luz que diz, “cara, eu preciso botar isso aqui a serviço da… como você falou, a serviço de Deus, etc. e tal”. E, naturalmente, acho que surge essa ideia de que eu vou botar esse talento para a saúde, é isso? Para fazer alguma coisa na área de saúde, para ajudar as pessoas com saúde. Foi isso que passou pela…

Henrique Prata: Essa passagem é interessante, você vai ler no livro, que foi assim. Eu tinha criação de homem de negócios, ganhar dinheiro. E uma família que era virtuosa também em caridade. Mas, a virtude de você ganhar dinheiro, é de você ter para você, e ajudar algo nos outros. O meu pai, não era essa atitude. Meu pai, era servir acima de tudo e qualquer coisa, a honestidade, fazer certo para todos, o que é certo. E nunca pensar no dinheiro. O dinheiro não… o dinheiro para o meu pai, não valia um rolo de papel higiênico não valia um saco de dinheiro. Valia mais que um saco de dinheiro. E ele queria ter o direito de exercer o juramento dele, a profissão dele, em cuidar de todos, não só de quem o dinheiro podia pagar. E aí ele então leva um projeto dando um prejuízo durante 25 anos. Quando foi em 1988, (vozes sobrepostas).

Luciano Pires: Mas o que que era o projeto dele?

Henrique Prata: O hospital dele de câncer.

Luciano Pires: Ele cria o hospital? Ele constrói o hospital?

Henrique Prata: Ele cria, ele e minha mãe criaram esse hospital chamado São Judas.

Luciano Pires: Desembolsaram para construir o hospital, isso?

Henrique Prata: Minha mãe desembolsou dinheiro da minha mãe, que tinha dinheiro. Ele não tinha. E construiu o hospital. Aí o hospital foi rodando em vermelho, em vermelho. Hoje, eu to te falando, o hospital roda R$ 24 milhões hoje, em vermelho. Naquele tempo, proporcionalmente, o hospital era 10% do tamanho que ele é hoje. Mas, ele… esse vermelho, ele ia no bolso da minha mãe. Então ele sangrou muito o bolso da família da minha mãe, que tinha dinheiro, que tinha boi. Minha mãe, de 5 irmãs, era a única que não tinha dinheiro, porque o dinheiro estava no hospital.

Então, eu com essa formação financeira, ganhador de dinheiro, eu tinha jurado que um dia meu pai teve um enfarte, e a sociedade me obrigou a assumir o hospital. Eu falei, “não, essa missão ideal dele. A minha, eu vou ganhar dinheiro, e ajudar aos pobres, mas, não vou tocar um negócio que só dá prejuízo”. Aí que você tem que entender, mais ou menos o que você falou, porque que as pessoas fazem isso. Porque meu pai tinha uma profunda intimidade, um profundo sentimento de amor, para servir a Deus, que o dinheiro nunca foi fonte de pensamento para ele do que é certo fazer. Ele fazia o que era certo, e acabou, para todos.

E aí eu tinha uma contestação, eu era o primeiro, eu só respeitava muito, tinha uma boa formação de não julgar, mas, eu contestava. Eu falava assim, “eu não acho certo você fazer isso com o dinheiro da minha mãe, porque ela está ficando dura, sem recursos, as irmãs todas estão ricas, e os irmãos meus também”. Aí um dia ele teve enfarte, e eles quiseram me obrigar a assumir o hospital, por aquele período. Eu falei, “bispo…”, eu tinha por formação também muito religiosa, eu tinha um bispo como diretor espiritual meu, na época, o bispo da minha cidade. E o bispo falou, “olha Henrique, não há outra maneira, você vai ter que acudir o hospital por um período”. Eu falei, “olha bispo, só com uma condição. Se meu pai não sair do enfarte, eu fecho e ponho fogo nisso, porque eu não vou tocar isso. Agora, eu tenho respeito dele fazer o que ele quiser da vida dele, mas tocar um negócio para atender só pobre, só SUS, e viver a vida desse jeito, isso eu não vou fazer”. Que Deus o tire logo dessa agonia, porque eu não toco isso. Eu fecho, e ponho fogo.

Bom, olha o destino. Passado um determinado tempo, 3 anos depois, em 1998…

Luciano Pires: Você assumiu?

Henrique Prata: Aí o hospital quebrou. Meu pai ficou sem pagar os fornecedores.

Luciano Pires: E naquele período, quando você estava… você assumiu?

Henrique Prata: Não, quando ele teve enfarte, eu assumi por 60, 90 dias.

Luciano Pires: Tá. Só para entender. Você então, você teve ali uma experiência já de gestão de um…

Henrique Prata: E odiei, porque o negócio dava prejuízo assim, sem nexo. Eu falei, “mas que homem louco meu pai, fazer isso. Qual o sentimento que uma pessoa pode ter, para levar a vida trabalhando com prejuízo”. Aí que você tem que entender a profundidade da intimidade que ele tinha com Deus, porque senão, ele não tinha força para fazer isso.

Luciano Pires: Era missão.

Henrique Prata: Era missionário. Aí quando foi 3 anos depois, aí ele quebrou, porque veio aquela inflação do Funaro, 50%, 80%, ele perdeu… aí ele demorava 3, 4 meses depois do faturamento para receber do governo, o governo era sempre irresponsável, com os pagamentos dele na saúde, e aí ele então entra em falência, ficou 6 meses sem pagar médico, fornecedor, nada, não pagou ninguém 6 meses, só os funcionários.  E aí o bispo entra na minha casa, depois de 4 anos, e fala, “olha, agora a coisa se agravou”. É porque o curador da fundação, da igreja católica, é o bispo. E ele por coincidência, era meu diretor espiritual. O que criou a Rede Vida de Televisão, ciou a cidade de Maria, uma cidade religiosa. Ele falava, “Henrique, você vai ter que agora acudir seu pai. Não é nem hospital, que o hospital você vai fechar. Mas seu pai está com o nome no cartório, não paga ninguém há 6 meses, está tudo apontado. Você tem muitos talentos, você é um bom comerciante, é um bom fazendeiro, você tem que ajudar seu pai”. Eu falei, “bom, vou obedecer, porque é meu pai dom Antônio, mas, eu quero só fazer um pacto em família. Nós vamos assinar um documento, que eu fecho essa porcaria”. E aí assinamos um documento, que quando eu vendesse os bens, aí eu tive que vender terra da minha mãe. Gado, acabou. Aí vendi terra, paguei o aval do meu pai, e quando deu 7 meses, eu enxerguei a função de fechar o hospital. Quando eu enxergo a função de fechar o hospital, eu fui no meu pai no sétimo mês, mais ou menos, falei, “pai, daqui 30 dias mais ou menos, nós vamos fechar o hospital”. Eu vendi, paguei tudo que estava no cartório no seu aval. Agora, os bens que não tem aval vai ficar para falência, vai ficar para os credores. E nós vamos fechar essa porcaria. Meu pai, “perfeito”. Ele não era muito carinhoso, de ficar abraçando, beijando. Mas, ele veio, me abraçou, me deu um beijo na testa e falou, “meu filho, primeira vez que eu tenho que te agradecer, porque você trabalhou para mim, não trabalhou para a sua mãe. Esse foi um trabalho exclusivo meu. Eu estava preocupado, esses não são seus ideais, não são seus valores, não é sua profissão. Você vai cuidar da sua fazenda, seus negócios, você parou”. Eu tinha um comercio de compra de gado. “Volta para lá, e vamos fechar logo isso aqui”.

Naquela mesma noite, eu sento com 16 médicos, as cirurgias, tinha só 2 salas cirúrgicas, sento com 16 médicos, achando que, nunca mais olho na cara desses trouxa aqui. Que eu tinha dado o golpe neles quando eu entrei no hospital. Assim, eu falei, vocês querem avalizar o hospital, ou vocês querem perdoar a dívida? Era 30% já a dívida. Não, se você entrar… eu era um bom nome, né, de crédito. Se você entrar, nós perdoamos a dívida. Já diminuiu 30% da dívida. Mas, eu tinha feito um pacto que eu ia fechar o hospital, e eles não sabiam.

E naquela noite, eu só dei satisfação assim, que uma reunião mensal que eu fazia com os médicos, ouvia as atitudes deles. E na hora de sair, um médico mais velho da equipe, me pegou pelo braço e falou, “vem aqui, que eu quero te mostrar um negócio para você”. Ninguém sabia que eu ia fechar o hospital. Mas eu já tinha determinado para fechar o hospital. Já tinha dado todas as atitudes e canetadas para fechar. Aí o Zé Elias Meziaro, esse médico, me chama em uma sala de curativo. Eu falei, “cara, eu não entro aí”. A cirurgia tinha acabado 11 e meia da noite, era meia noite, ele querendo que eu entrasse no centro cirúrgico. Eu falei, “eu não vejo sangue, eu desmaio, eu sou todo avesso a sangue”. Aí o médico falou, “não, você vem aqui, que você vai ver uma coisa que você não vai acreditar”. Falei, “o que que é?”. “Vem aqui”. Fui na sala de curativo, ele falou, “você vai tirar essa luz aqui, e vai pôr esse foco, abriu um catalogo assim, tinha um foco, um carimbo de U$ 5.500 dólares, o preço do foco. Foco cirúrgico. Eu vou transformar essa sala de curativo, em uma sala de cirurgia, e pequena cirurgia. E esse paciente aqui, ele é cirurgião de tórax, esse paciente que veio hoje aqui, com câncer de pulmão, se ele for operar em São Paulo é 120 dias, e Jaú é 90 dias. Aqui é 65 dias. Nos 3 lugares que ele tem porta aberta para operar, nos 3 ele morre antes da cirurgia. E só você pode salvar ele. Se você por esse foco aqui, eu adianto a fila, ponho as pequenas cirurgias aqui, deixo as grandes cirurgias lá, e opero ele com 30 dias, você dá sobrevida de 2, 3 anos, ou, cura ele. E se esperar 65 dias, esse câncer dele, ele está morto, e nenhum médico salva ele. Você, como leigo, salva ele. Falei, você está brincando, sou filho de pai, mãe. Médico nenhum falou que um leigo salva vida. Que eu também tinha poder de salvar vida.

Luciano Pires: Era um administrador.

Henrique Prata: Era um administrador. E aí cara, naquela noite, você não acredita. Aquele ódio que eu tinha, trabalhando por razão, ódio daquilo tudo que nós já tinha passado, acordei de manhã cedo, sonhei de noite com o hospital, com a planta do hospital, que eu não conhecia essa planta. De um novo hospital que meu pai queria fazer, completo, prevenção, tratamento, ensino, pesquisa. E já tinha esse projeto há 10 anos, eu nunca vi, porque eu era criado com meu avô. E sonhei com o projeto, e acordei impregnado, que eu também ia salvar vida. Que eu também ia ser médico, salvar vida, porque eu podia fazer uma coisa que nenhum médico podia fazer.

Ele ainda usou eu e seu pai juntos, não damos conta de salvar mais vida que você, que fizer uma sala cirúrgica para adiantar a fila do câncer. O câncer de pulmão é muito evasivo, as pessoas morrem por demorar a se tratar. Aquela palavra dele, um leigo salvar vida, mudou radicalmente, do ódio para o amor, a minha vida. Nasceu um amor, uma performance completamente diferente do universo que eu estava.

Luciano Pires: Você viu a pessoa? Você viu o paciente? Você chegou a conhecer?

Henrique Prata: Não, eu vi o caderno preto dele.

Luciano Pires: Ele te explicou…

Henrique Prata: Ele foi muito hábil. É um libanês, um bom vendedor, ele levou o foco dentro do caderno, e mostrou a lista, ele atendeu 10 pacientes de pulmão naquele dia. E esse último que tinha que operar mais rápido que os outros, podiam esperar. Ele falou, “ninguém salva esse cara em lugar nenhum. Você salva ele”. Me deu a sentença que eu também salvava vida. Falei, poxa vida, eu não estudei, 15 anos parei de estudar, eu ter mais capacidade de salvar uma vida do que os caras que estudaram, eu falei, “mas isso está errado. Eu sou filho de pai e mãe médico, nunca ninguém falou isso para mim”.

Luciano Pires: Ele te deu uma percepção de valo que você não tinha. Você nunca imaginava, você nunca tinha imaginado, que o seu trabalho podia ter esse valor. O teu trabalho então era o seguinte: eu preciso arrumar dinheiro, para pagar os médicos.

Henrique Prata: E aí sabe como que isso é o fator mais importante? Porque eu me impregnei de amor. Eu acreditei que eu também tinha um dom que eu não sabia. Eu não sabia que eu podia salvar vidas, ninguém me falou isso para mim. Nunca, senti também nenhum prazer de falar isso, e sentir isso. Nasceu por ele falar assim, “você pode salvar vida”. A virtude do livro, Acima de tudo amor, hoje eu tenho mais de 150 pessoas, que assumiram gestão de saúde, empresários, com a mesma sentença que eu recebi. Que ali naquele livro eu explico, claramente, como é que cada um de nós podemos se sentir mais íntimos de Deus, de servir a Deus.

Luciano Pires: Que idade você tinha?

Henrique Prata: Eu tinha, nessa época, eu tinha uns 35 ou 37 anos. Não me lembro.

Luciano Pires: Quer dizer, dá para a gente dizer que você…

Henrique Prata: 37 anos.

Luciano Pires: Você encontrou seu proposito naquele dia, naquela noite.

Henrique Prata: E antes, eu procurei vários propósitos de servir a Deus. Eu quis ser catequista, sabe, eu queria uma atribuição dia a dia, mas, falasse assim, “aqui você não quer absolutamente”. Esse negócio do meu pai, isso eu não quero, porque isso é contra meus princípios, meus valores. Mas, então, por isso que a transformação, quando o amor nasce no coração, ele é inexplicável, porque é inexplicável você saber porque que você passou a sentir aquilo, daquela dimensão que eu senti. Meu pai tinha um hospital de 2 mil metros quadrados, o São Judas, hospitalzinho dele, e o sonho dele era construir um de 35. Em Barretos, eu construí um de 120 mil metros quadrados.

Hoje tem 200 mil metros quadrados construídos daquele sonho.

Luciano Pires: Daquele dia lá.

Henrique Prata: Daquele dia.

Luciano Pires: eu conversei aqui há pouco tempo atrás, com uns grandes empreendedores brasileiros, o João Kepler. E ele estava me contando que ele preparou toda a ideia do projeto dele, foi para os Estados Unidos para conseguir dinheiro. Chegou lá na bancada, os caras destruíram ele, porque ele não tinha o que apresentar. Só que quando terminou, um dos investidores chamou ele, vem tomar um café comigo. E na conversa daquele café, esse cara fez uma pergunta para ele. E aquela pergunta, virou a vida do cara de ponta-cabeça. Porque o cara colocou de uma forma tal, que quando ele parou para pensar, ele falou, cara, tudo o que eu fiz aqui está erado. Ele volta, e muda a história da vida dele, a partir de uma pergunta.

Você, o cara te pega, leva em uma sala, te mostra uma situação, e destrava alguma coisa. Aí entra tudo, tudo faz sentido.

Henrique Prata: Aí eu só pude entender isso agora, com essa força, porque a carta da minha mãe, é dizendo que eu fui escolhido por Deus, porque eu nasci com o coração valente. Deus, não escolhe quem é coração frouxo, e quem não é valente, para servir a obra dele. E aí nessa concepção do motivo de eu entender essas coisas que aconteceram comigo, é uma concepção que é muito bem explicada pela fé. Muito bem para mim, vem muito de encontro com os meus valores, da minha fé. Porque não podia ser verdade, eu achava que eu não ia ser uma pessoa muito útil, de servir a Deus, porque eu era pecador, eu era um cara que cometia os pecados comum da juventude, que tinha fraquezas, e tal.

Mas, quando você amadurece, cresce, e vai entendendo como é que Deus escolhe os seus enviados, para a missão de mostrar a dimensão do amor, porque essa missão do meu pai, que não é do meu pai, é da minha bisavó. Nós estamos pegando o fato da minha bisavó, que é de 100 anos atrás, que é estarrecedor eu saber que eu tenho o mesmo DNA deles. É uma coisa que é uma família com um traço…

Luciano Pires: Tem um gene aí no meio.

Henrique Prata: É um traço de um DNA humanística. Porque minha avó não era médica, minha bisavó não era médica. E ela acolhia os pacientes na casa dela. A quem ela agradava acolhendo os pacientes na casa dela? A Deus. Uma mulher extremamente temente a Deus.

Luciano Pires: Sim, porque quem está em volta, diz que é louco. O pessoal em volta, diz, “essa mulher é louca. Bota esse povo na casa dela”.

Henrique Prata: Era a mulher mais rica da cidade. Ela tinha 16 pacientes na casa dela, por dia. E até um ponto que o marido falou, não, aqui em casa… Começou com 1, 2, 3, quando viu, tinha 16. Aí ele fez 18 leitos de enfermaria no hospital, e fez um hospital para ela.

Luciano Pires: Você, naquele dia que você acorda com essa luz, você acorda de manhã, volta para a sua vida, que até então o que que era? Minha vida, eu tenho meus negócios, estou tocando minhas coisas, e to dando um jeito de resolver essa encrenca do meu pai, e fechar essa coisa toda. No dia seguinte, você acorda e fala, muito bem, essa opção de fechar não existe mais. Agora, eu vou é não só continuar, como ampliar esse trabalho do meu pai. De novo, você tinha uma vida, com seus bois, etc. e tal. E, de repente, surge essa outra missão, que não é uma missão pequena. Isso aqui ia te tomar um tempo, ia te tomar uma energia, e tudo mais. Como é que você equilibrou os seus 2 lados? Porque aqui, você só ia gastar dinheiro. Aqui no seu lado, você ganhava dinheiro. Como que era?

Henrique Prata: Antes disso, tem uma história para melhorar a sua pergunta. Antes disso, foi assim. O meu diretor espiritual, o bispo, isso foi um conselho do meu pai. Meu pai falou assim, meu filho, quando você fizer 18 anos, você vai ver que a vida vai começar a dar algumas coisas de dúvidas, de muitas coisas. Ou, você vai escolher um diretor espiritual, um homem de testemunho de vida santa, de valores honestos, para alimentar, conversar, abrir as suas angustias, suas dificuldades. Ou, você vai procurar um psiquiatra, psicólogo, em um determinado tempo da vida. Não tem quem escapa das dúvidas, nas fases que a vida pega a gente.

Eu falei, qual que você escolheu o caminho? Ele falou, “escolhi um apoio de um monge, da praça de São Bento, dom Daniel”, que era um diretor espiritual dele, desde moço.

Luciano Pires: O que você chama de diretor, hoje em dia, a gente chama de mentor. Um mentor espiritual.

Henrique Prata: É, na minha… mentor espiritual. Aí eu escolhi meu bispo, porque ele um dia chegou para mim, ele era um homem muito alegre, o homem mais feliz que eu já vi na minha vida. A gente almoçava e jantava, acabava, ele tinha que cantar. Tudo, ele era alegria, cantar. Aí eu ficava impressionado, que ele era muito dinâmico, capaz demais, fez muito pela igreja. E ele falou, meu filho, um dia, quando ele chegou em Barretos, ele procurou, viu a sociedade toda, ele falou, quero conhecer esse moço que é muito dinâmico, Henrique Prata.

Eu peguei, me senti importante. O bispo queria me conhecer. Ele falou, “meu filho, eu fiz uma pesquisa na cidade, e descobri que você é um moço que mais prosperou na sua geração, que você é um talento, que você é um homem bom, mas, que você é um talento imenso para mexer com boi, com fazenda. Seu avô enche a boca para falar de você. De 23 netos, você é o preferido. Mas, você não tem isso tudo, você não pode ter todos esses dons, só para ganhar dinheiro. Você também precisa por um pouquinho dele para ajudar, servir a Deus”.

E me dá uma missão. Eu fiquei orgulhoso. Senhor está achando que eu tenho mais capacidade ainda? Então vem me ajudar. Eu fui construir uma cidade religiosa de formação de freiras. Chama cidade de Maria, perto de Barretos. É uma cidade de 9 congregações religiosas, que se formam freiras para servir ao mundo. Na África, no mundo inteiro. Vem 9 congregações do mundo inteiro para Barretos, com as formações delas. E eu me senti então, já o rei da cocada. Não, então também agora, eu vou trabalhar com meus negócios, e vou servir a Deus. Antes de trabalhar no hospital, 7 anos antes.

Então, ele tinha muita influência nesse conceito, de me chamar, me valorizou muito, de eu também ter muitos dons, não só para ganhar dinheiro. Que eu também poderia servir a Deus. Comecei com ele lá na cidade religiosa dele. Acabei de construir espaço de eventos, para fazer manutenção. E que lá eu tinha uma profundação, aprofundei os conhecimentos espirituais meu. De formação, de valores, entendi mais, estudei mais o evangelho, e cresci mais na minha vida espiritual. E fiquei do lado dele, a minha opção foi ficar do lado de um homem, que tinha o testemunho de uma alegria, de um sentimento que é maior do que todo dinheiro do mundo, se tivesse. Mais alegre, mais feliz. Aniversário dele, vinha 50 ônibus, de onde ele morou na vida, vinha gente para passar aniversário dele, porque ele tinha muitas famílias, muitos filhos. E eu considerava ele meu pai espiritual.

Então, essa minha dedicação a obra, a entrega de servir a Deus, estava também no meu DNA de todos os lados, e tive a felicidade de não ter uma orientação de ir procurar um psiquiatra, psicólogo, que eu ia pagar para…

Luciano Pires: Na época do hospital, quando você decidiu que ia tocar o hospital, você ainda tinha contato com ele? 7 anos depois, você foi consultá-lo?

Henrique Prata: Não, ele me obrigou a ir para o hospital.

Luciano Pires: Não, mas para você ajudar seu pai ali.

Henrique Prata: Sim.

Luciano Pires: Mas, a hora que você fala, bom, eu não só vou ajudar, não vou fechar, e vou continuar.

Henrique Prata: Ele falou, “o Espirito Santo te iluminou. O Espirito Santo te iluminou, para você ter agora esse sentimento que não foi mais um pedido, e nem uma obrigação de filho, e nem um pedido do seu diretor espiritual. Vou a sua agora, seu sentimento de amor.” Ele falou, “siga que é verdade, vai fazer o que você sente”.

Eu fui fazer o que eu sinto, o projeto do meu pai era 35 mil metros quadrados. Eu construí 120 mil. Nunca peguei um tijolo, nunca financiei um tijolo, um prego. Maior acervo tecnológico de saúde que existe de câncer na América Latina, tá lá naquela cidade. Nuca financiei um tijolo. Então eu era um missionário, eu sabia que por sentimento tão profundo de amor que eu tive, que eu era um missionário. Que eu tinha que seguir aquele amor.

Luciano Pires: O projeto do seu pai, já era o Hospital do Câncer de Barretos?

Henrique Prata: Já.

Luciano Pires: Com 35 mil metros?

Henrique Prata: Não, ele tinha um hospitalzinho de 2 mil metros. Aí o sonho dele, era os 35 mil.

Luciano Pires: O Hospital do Câncer de Barretos?

Henrique Prata: O Hospital do Câncer de Barretos.

Luciano Pires: Tá. Você pega aquilo, pega aquele projeto dele, dá uma olhada naquilo e fala, “muito bem, nós vamos não só não fechar, como nós vamos ampliar”.

Henrique Prata: Aí ele não deixou. Aí ele falou, “eu vou te internar, porque ontem você estava sem saco, equilibrado. Até ontem, você era uma pessoa racional, inteligente. Agora, você vem aqui…”, que no outro dia, 24 horas… Isso foi de madrugada.

Luciano Pires: Depois daquele abraço. 24 horas depois daquele abraço.

Henrique Prata: Aí depois daquele abraço, ele falou, “eu sou o presidente da instituição. Isso não são seus valores, não são seus ideais. Eu não quis que nenhum filho fosse médico, para a Medicina do dinheiro não enlouquecer, não embedecer vocês. Eu pedi a Deus que nenhum fosse médico. Agora, você lidar com médico, eu não permito. Você nunca vai lidar com médico”. Que ele sofreu uma decepção tremenda de ver que a Medicina do dinheiro corrompia os valores.

Aí a honestidade da Medicina, quando a pessoa tem dinheiro, faz 10 vezes mais do que precisa fazer, porque ele tem dinheiro. E ele então com essa decepção, pede a Deus que nenhum filho seja médico. E quando eu me pus a fazer isso, ele ficou 3 dias brigado comigo. Não me atendia o telefone, deu carta de demissão, se eu falasse no assunto. Até um dia, no terceiro dia, eu peguei ele na curva. Ele foi acertar uma conta com a minha mãe, e ele falou para mim assim, ele saiu, acabamos de acertar as contas, dos pagamentos da minha mãe com ele. Aí eu falei, “pai, eu sempre respeitei o senhor, sendo um homem temente a Deus, um homem honesto, serviu a Deus. Mas, toda pessoa, senhor me cria uma decepção, que o senhor não tem tamanho essa decepção. O homem que serve a Deus não é gosta. Só ele pode servir. Senhor está me tulindo o direito de salvar vidas. Senhor e minha mãe nunca falou que eu tinha esse dom, que eu tinha esse direito. E agora, se eu posso querer salvar vida, senhor quer me tulir? Então, senhor não é o homem que eu imaginava que fosse, um homem de Deus não faz isso que o senhor está fazendo comigo”.

Aí ele falou, “então, se você tiver uma razão concreta, cientificamente concreta, para dar mão a esse sonho…”, porque eu sonhei com a planta. Eu tinha uma coisa muito próxima do meu pai. Ele falou, “se você tiver uma coisa real, eu te deixo você ver a planta. Mas, enquanto você não tiver, você não abre a boca, não fala disso”. Eu desci o elevador do prédio do meu escritório, um primo meu muito rico, tinha 50 mil bois esse primo. Ele passou na rua, eu abanei a mão para ele, ele parou. Falei, “Maurício, vamos tirar, vamos fazer um plano, criei na hora um plano. Vamos fazer um modelo igualzinho ao Einstein, que é os judeus, e o Sírio que são os libanês, vamos fazer um hospital caipira só dos boiadeiros. Com o nome do meu avô, e nome do seu pai?”. O pai dele, era o homem mais rico da cidade naquela época. Falei, “vamos fazer nós…”, o pai dele também tinha morrido. Ele falou, “se for para tirar a sujeira que põe na rua”, porque o ambulatório do meu pai, o hospital de 2 mil metros, cabia 50 pessoas, chegava 200.

Ele falou, “se for para tirar aquele povo da rua, tomando, que ficava de guarda-sol na rua, tomando soro”, porque não tinha jeito de entrar para dentro do hospital. Porque sempre foi proibido tratar câncer no país. E aí ele falou, “se for para você tirar aquela sujeira, eu te dou o dinheiro, e toco a obra”, porque eu detestava construção.

E ele então, tudo isso está no livro que você comprou. Aí eu falo, “bom, nasceu o primeiro apoio”. Ele falou, “eu quero U$ 10 mil dólares seu, Mauricio, e U$ 10 mil da sua mãe”. Ele falou, “tá dado. Mas, para essa obra, eu quero te ajudar”. Ainda se ofereceu para trabalhar para mim.

Liguei para o meu pai, falei, “primeira prova concreta, tá na mão. Quero ir hoje aí”. Ele falou, “vem depois do Jornal Nacional”. Aí quando ele abriu a porta, viu o Maurício, ele quase desmaiou, porque era o homem mais rico da cidade.

Luciano Pires: Levou ele com você?

Henrique Prata: Levei ele comigo. Aí levei meu primo comigo, e falei, “pai, o Maurício já me deu U$ 20 mil dólares, vai ajudar eu a arrumar mais U$ 500 mil dólares, para levantar o primeiro prédio. E, ele vai tocar a obra. Tem alguma dúvida que eu tenho prova concreta na mão?”. Aí o velho abaixou a cabeça, e falou, “Meu Deus”. Ele foi no escritório, a hora que ele abriu o cofre, tirou a planta, a planta estava guardada fazia 10 anos, porque ele ia em Brasília, só tinha orçamento para aqueles anões, tudo roubado o dinheiro.

Luciano Pires: Ele ia pedir recurso.

Henrique Prata: Só tomava coice na cara. Nunca apareceu recurso para ele. Aí ele pega, e o Maurício vê a planta, na hora que eu vi a planta, eu falei, “é o que eu sonhei. Eu vi essa planta no sonho”. Eu falei, “eu tenho que fazer esse projeto”. Eu falei, “pai, pode fechar a planta. Eu vou fazer isso aí”. Ele falou, “da onde?”. Eu falei, “não me pergunta da onde. Eu não sei, mas, vou fazer. Por amor, eu vou fazer”. E aí eu saí com essa planta debaixo do braço, com esse meu primo Maurício. Vieram amigos do pai dele, amigos do meu avô. Em 20 dias, nós levantamos U$ 440 mil dólares, pegando U$ 10 mil dólares de cada fazendeiro, no orgulho de ter um hospital dos caipiras, dos boiadeiros.

Então, nasceu o hospital. Eu não inventei nada, mas, eu criei na hora do aperto, porque meu pai me deu um xeque-mate. Aí quando me apertam muito, eu crio mais rápido as coisas. Aí eu peguei, criei essa ideia, e não fiz nada diferente de ninguém. Eu copiei o modelo do Sírio, do Einstein, mas, para os caipiras. E quem fez o resto? Os caipiras pobres. Hoje tem 850 municípios fazendo leilão de gado para me ajudar, a pagar esses R$ 25 milhões por mês, para construir o Hospital da Amazônia, que eu construí agora. Em 2 anos, eu construí um hospital de R$ 110 milhões, em 2 anos, atuação 100%, 70% dos pobres, de uma cabeça de bezerro, você entendeu?

Luciano Pires: Sim.

Henrique Prata: Então, é uma verdade absoluta, o sentimento de amor que existe nas pessoas, de ajudar o que é sério, e o que vai fazer a Medicina, uma coisa honesta para todos.

Luciano Pires: Desde que tenha um brilho para você seguir. Se você olha, eu tenho um brilho, to sentindo que tem uma verdade ali, que tem alguém disposto a fazer. Tem uma liderança, as pessoas vão, as pessoas seguem.

 

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Meu caro, vamos lá. Essa sua história é magnífica, né?

Henrique Prata: Tem muita história, né?

Luciano Pires: Deixa eu pegar no seu pé agora, para ver o seguinte aqui. Meu caro, cidade do interior, cidade pequena, você estava em Barretos, que não é nem um grande centro, não é uma Campinas, não é São José do Rio Preto. É uma pequena cidade no interior. E vem com essa ideia de que, vou botar um hospital do câncer, naquela pequena cidade ali.

Muito bem. Você consegue levantar o dinheiro necessário para aquilo, mas, eu imagino que você não monta um hospital, simplesmente porque quer fazer um hospital. Construir um hospital, quer dizer, não é um hospital genérico para atender quem está machucado. É um hospital do câncer. Não é só dizer, quero fazer, e sai fazendo. Você tem que se, não só se submeter, você tem que submeter a uma série de regras, você tem que… alguns organismos têm que ir lá para dar o aval. Pode ser, não pode, etc. e tal. Você tem que lidar com um monte de corporações, para poder juntar isso tudo aí. E acho que tem uma orquestração gigantesca. Quer dizer, uma coisa é a obra física que o engenheiro faz. A outra coisa, é botar esse treco em funcionamento, com protocolos, medicina de altíssimo nível, etc. e tal.

Você não é um cara que estava… essa não era sua praia. Você é um administrador. Você é um administrador.

Henrique Prata: Eu sou um homem do campo. Um peão.

Luciano Pires: Você tem que se cercar de gente capaz de te dar, montar uma equipe capaz de construir isso. Como é que você faz esse negócio acontecer?

Henrique Prata: Aí que vem o caminho, como é que é o designo da vida. A criação do meu avô, que me deu essa capacidade de ser um bom gestor na área de saúde, sem estudo. Vou te falar 3 coisas, que vão te impressionar imenso aqui. Meu avô me falou quando eu era moço, quando eu tinha 12 anos, que eu só ia mandar, se eu soubesse fazer. Então, eu com 12 anos, eu já plantava capim, aprendi a fazer cerca, punha a mão na massa, no campo. Eu queria ser mandão, eu tinha dom de mandar, então, eu tive que aprender a domar vaca para dar leite, domar burro para andar. Eu com 15 anos, me tornei um trabalhador braçal do melhor que você possa imaginar. Porque eu tinha que aprender para eu poder dar ordem, se eu pudesse, para depois saber mandar. Quando eu entro no hospital, eu trago essa cultura da minha criação. Meu pai, quando era vivo, me ensinava que eu para ser sério, tinha que seguir tais protocolos. Quais? Eu tinha que fazer o caminho de câncer, devia ser o caminho que tivesse prevenção, tratamento, ensino e pesquisa.

Nós não poderíamos falar que nós somos certos, sem provar o que nós fazemos. E nós, para fazer o que é certo, precisamos atrelar a assistência com pesquisa.

Luciano Pires: Repete para mim os 4 pontos. Prevenção…

Henrique Prata: A ancora do câncer, o escopo do câncer, teria que ser baseado em conceitos assim. Você tinha que fazer a prevenção, era a ancora do câncer, porque ela ia tratar o câncer na fase mais barata e mais de cura. O tratamento, era a conduta mais disciplinar da conduta, onde só a medicina privada, só faz o tratamento. Se você reparar…

Luciano Pires: Isso que eu ia dizer a você. A gente só consegue enxergar a função tratamento.

Henrique Prata: Não, a função tratamento. Mas não. O que é certo em câncer, é começar no rastreamento organizado, preventivo do câncer, no tratamento, no ensino, e na pesquisa. Se você tivesse isso, ele falou, persegue esse norte, porque esse norte vai fazer você ser conhecido e respeitado no mundo inteiro.

E agora saiu uma pesquisa, chama Scimago, o órgão mais importante de pesquisa do mundo na Inglaterra. E notifica, primeiro centro mis importante de ciência em pesquisa na América Latina? Hospital do Câncer de Barretos. O centro mais importante de ciência e pesquisa no Brasil? Hospital do Câncer de Barretos. Quer dizer, eu segui a cartilha do meu pai na risca.

Luciano Pires: Só um insight com você. Quando você define esses 4 pontos que seu pai falou com você, isso é mais que um hospital.

Henrique Prata: Muito mais.

Luciano Pires: Isso é muito maior que o hospital.

Henrique Prata: Muito maior que hospital. Hospital do dinheiro, é aquele que você entra lá, o cara te dá o melhor remédio, põe na melhor máquina, esse é o hospital de tratamento de câncer. Mas, isso aí, não é sério. Isso aí meia boca, porque isso aí não contribui para nada, cientificamente não prova nada. Você tá com sintomas. Você tem que ser, em câncer, sério o suficiente, para que todos se beneficiem de você. Então, o que que aconteceu? Eu persisti esse caminho, e fui seguindo a disciplina de um homem acadêmico, por isso ele tinha essa visão tão profunda, até 97. Aí, ele morre, em 97. O que que eu fiz? Em 99, até 2005, eu visitei 21 países no mundo, sobre o que é câncer. Aí eu falei…

Luciano Pires: Para ver como eles tratavam?

Henrique Prata: Não. Para ver quais protocolos que eram, existiam deles. Quais os valores que eram honestos no tratamento de câncer. Incrível, que em uma dessas idas minha para os Estados Unidos, a primeira grande porta que foi aberta para mim, foi feita pelo doutor Buzaid, daqui de São Paulo, que tinham recém vindo da especialidade dele, da oncologia dele, do maior centro de câncer do mundo, que era o MD Anderson, em Houston. Então, doutor Buzaid teve a residência dele lá, e eu tinha relação com… meu corpo clinico tinha relação com ele, e eu falei, “olha, eu to sem norte. Meu pai morreu, eu quero saber o que é certo, no melhor lugar de tratamento no mundo”. E daí desse lugar, eu fui para vários outros lugares.

Bom, eu segui então o princípio que meu avô falou, “como que você vai dar palpite em uma coisa que você não tem nem referência de saber o que é certo?”. Então, eu fui entendendo o que era certo em prevenção, em tratamento, em estudos, em pesquisa, para mim depois falar para a minha equipe, “eu sei agora o que eu quero, e não vocês vão falar o que é certo só. Eu vou somar com vocês o que é certo”. Então eu levava 5, 6 diretores comigo, 5, 6 especialidades de câncer, e entrava em profundas discussões sobre qual o plano diretor que eu deveria seguir.

Hoje o plano diretor número 1 do hospital, é a prevenção e diagnóstico. Então, eu estou hoje em 11 Estados, somando a força hoje com a consciência, melhorou muito a política dos parlamentares. Tem exemplos assim, um exemplo impressionante que foi o Estado do Amapá, que a consciência de todos os parlamentares, cada um deu R$ 2 milhões, e eu montei um centro de rastreamento organizado para o Estado inteiro, com diagnóstico, e assistência de pequena e média cirurgia, dentro do centro Leito Dia.

Isso eu já estou em 11 Estados, fazendo isso.

Luciano Pires: Isso é um ponto importante, que a gente conversou aquele dia com o Ronaldo. Eu estava batendo papo com o Ronaldo, e ele falou exatamente essa coisa, que uma dificuldade, ele deu exemplo do Amazonas. Cara, não adianta nada eu construir só um hospital em Manaus, porque eu tenho que atender o ribeirinho que fica 12 horas de barco. Então, só o hospital na capital, eu tenho que desmembrar essa coisa, eu tenho que ir para o interior, tenho que ir para os pequenos centros.

Henrique Prata: Antes de vir agora a grande parceria com o Ministério Público do Trabalho, pela pessoa do doutor Ronaldo Lira, veio para nós antes a Avon, que tinha um (inint) de parte do lucro, investir em prevenção de câncer de mama.

Luciano Pires: Avon?

Henrique Prata: Avon. A Avon investiu conosco, nos últimos 10 anos, U$ 15 milhões de dólares, que é onde eu mais cresci expansão de prevenção de câncer, uma carreta-móvel no raio de 500 mil habitantes. E um centro de recepção do paciente que tivesse uma lesão para aprofundar conhecimento. Biopsia, e pequeno e médio tratamento de câncer, de cura.

Aí veio empresários, veio políticos, e veio o Ministério Público do Trabalho. Ministério Público do Trabalho agora, montamos um projeto grande aqui em Campinas, de prevenção. Grande de pesquisa em Barretos, a terceira fase de animal. Nenhum serviço na América Latina tem uma pesquisa completa como nós temos. Nenhum, não existe na América Latina ninguém que tem o centro de pesquisa que nós temos. A última fase que tinha, o Ministério do Trabalho colocou R$ 40 milhões de pesquisa conosco, lá em Barretos, que é pesquisa de animal.

E aí o Ministério Público do Trabalho do Acre também nos contemplou com dinheiro para pôr 3 carretas no Estado do Acre, de rastreamento organizado. E assim, nós estamos em toda Rondônia, em todo Acre, em todo Amapá. Estamos indo esse ano para toda Roraima. Estamos em metade do Mato Grosso do Sul, estamos 1/3 do Estado do São Paulo, 1/3 de Goiás, 70/80% do Estado da Bahia, Sergipe. Nós estamos crescendo esse trabalho.

Luciano Pires: Quando você fala nós estamos, esse nós, é essa organização que você tem em Barretos?

Henrique Prata: É a organização no melhor plano de câncer que eu tenho hoje, que é a prevenção.

Luciano Pires: Pois é. Mas, eu digo assim. Quando você vai para o Amapá, aquilo que está construído no Amapá, que eu não sei o que você tem lá. Você tem…

Henrique Prata: É o Hospital do Amor. É um prédio de 3 mil metros quadrados…

Luciano Pires: Que é do Hospital do Amor?

Henrique Prata: Que tem todos os equipamentos para diagnóstico, para biopsia, e para tratamento de cirurgia de pequeno e médio porte.

Luciano Pires: Não é um convenio que você fez com alguém? Você vai lá, e põe o seu…

Henrique Prata: Não, não, é 100% SUS.

Luciano Pires: Ok.

Henrique Prata: Atendendo a população SUS. Nosso foco é 100% SUS. E o impressionante desses projetos, é que está vindo uma consciência muito forte, pela capacidade hoje que nós estamos vendendo muito bem para os parlamentares de vários Estados, a doar as emendas individuais, ou emenda coletiva do Estado, em favor da prevenção. Sabe por que? Teve um simpósio agora nos Estados Unidos, 17 de maio de 2017. O maior centro de pesquisa, que é o MCA, mais o MD Anderson, anunciaram uma curva do câncer, que em 2050 que é amanhã, já está aí, de cada 2, um trata de câncer. E não existe 1 país no mundo que tem o PIV para tratar o câncer, do valor que é o custo do tratamento do câncer. Que o melhor caminho, melhor receita, era investir em prevenção. E que o melhor projeto do mundo privado que eles conheceram, era o nosso.

Tinham 50 países nos Estados Unidos, teve que falar que quem está no rumo certo é Barretos, porque dinheiro, não é plano de governo, é plano privado, de uma sociedade civil, que se organizou e investe em prevenção de câncer de colo de útero e mama.

Qual a prova que nós sabemos o que é certo? Pela prova da ciência da pesquisa que nós praticamos. Barretos tem um raio de 450 mil habitantes, chama [ANADIR] de Barretos, na região de Barretos. Fazem 6 anos, que não existe um… Fazem 15 anos que nós estamos rastreando o câncer lá, precoce. Prevenção de câncer de mama e colo de útero. Fazem 6 anos que não tem, no alvo nosso que é população C e D, que é periferia, não tem 1 município que tem 1 mulher com câncer avançado para se tratar mais. Tem câncer só na fase inicial, uma fase que é ambulatório, que opera de manhã e vai embora a tarde. E que esse câncer, me custa R$ 10 mil reais, durante 6 meses que eu vou cuidar dessa mulher. E, quando aquele câncer passa dessa fase, ele custa para mim R$ 160 mil reais. O governo só me paga 30% do que custa. O governo está congelado há 16 anos a tabela SUS, tanto que quebrou tudo as Santas Casas, como quebrou todos os serviços públicos, por interesse que a Medicina privada beneficia dessa rede de oferta que não se trata, não tem rede, não tem lugar para tratar pelas vias públicas.

Então, muita gente teve de fazer plano de saúde, ou quem não tem morre nas filas, esperando pelas filas, você entendeu? Então, essa sacanagem da Medicina do dinheiro, que além de ter todo o campo dela, ainda invadiu o serviço, o direito da Medicina pública, ter sustentação. Como é que elas invadiram? Elas invadiram, privando o direito de termos o mínimo correção monetária, nesses 16 anos. Quando o Serra, foi o melhor gestor do país em saúde, o Serra saiu do governo, ele deixou uma cesárea custando R$ 120,00 reais. Faz 16 anos, a cesárea hoje custa R$ 120,00 reais. Ele deixou a consulta do médico a 16 anos atrás, valendo R$ 10,00 reais. Hoje, vale R$ 10,00 reais. Passou 1 milhão de pessoas lá no Ministério, e ninguém registrou o serviço público. Para que? Para esse serviço público migrar para o privado, para sobrar dinheiro para eles roubarem o quanto que eles roubaram. Você entendeu aonde pegou o bicho aí na história? E quebrou o sistema público.

Fora disso, o médico dentro dos hospitais das Santas Casas, também tiveram benessias de trabalhar não presencial, a distância. E aí o que que aconteceu? As Santas Casas, o pouco remuneração que tinha via SUS, os médicos tinham prerrogativa de ficar no serviço provado, aonde quisesse, e atender na hora que ele quisesse o paciente no SUS. Então, é uma… juntou a fome com a vontade de comer, e as pessoas morrem miseravelmente, sem ter que morrer. Por toda essa drástica que se criou na rede pública, de saber desmontar o serviço, quando o melhor plano de saúde do mundo, que eu já estudei, é o plano do SUS.

E aí fizeram, mineram ele, com inteligência da ambição da Medicina privada do dinheiro. Porque tem a Medicina privada humanista, idealista, mas, tem a Medicina privada que predomina, que só pensa em dinheiro, e destrói o que é bom no serviço público, para sobrar tudo no bolso dela, para todo mundo ir migrar para ela.

Luciano Pires: E eu como usuário e paciente, eu não posso fazer nada. Eu não posso fazer greve, eu não posso fazer nada, eu não tenho o que fazer aqui. Mas aí você agita tanto, você faz tanto barulho, você faz tanta encrenca…

Henrique Prata: Eu bato demais, bato pesado mesmo.

Luciano Pires: Que um belo dia, chega para você um convite, para assumir o Ministério da Saúde. Afinal de contas, você já não viu a encrenca toda? Vem cá cara, assume essa encrenca aqui. E eu me lembro que o seu nome surgiu muito forte…

Henrique Prata: Forte nas redes sociais.

Luciano Pires: Mas surgiu muito forte.

Henrique Prata: Não no meio próprio.

Luciano Pires: Mas surgiu muito forte, o seu nome estava lá, no momento chave em que assumia um cara que dizia que ia mudar essa encrenca toda que estava aí. E você é um homem atraente para botar lá, para dizer que quer mudar, né? Eu me lembro que quando seu nome apareceu, foi… eu não sei porque que eu estou com aquela Roda Viva na cabeça, mas me parece que foi na mesma época.

Henrique Prata: Não, faz tempo.

Luciano Pires: Foi pouco depois?

Henrique Prata: Foi 3 anos depois.

Luciano Pires: Daquela Roda Viva?

Henrique Prata: É. A minha… o meu nome surgiu, porque a Janaína foi com o capitão Augusto em Barretos, um pouco antes do Bolsonaro chegar, e chegou para mim e falou assim, “Prata, tem uma comissão de avaliação de governo, que está sendo feita por uma equipe de confiança do Bolsonaro, e que nós temos certeza que não funciona no país. Nós não queremos que vem para essa gestão nova do governo”. “Qual que é Janaína?”. “Nós não queremos que seja nem político, o Ministro da Saúde, e nem médico, porque o corporativismo dos dois lados, fizeram essa desgraça que está na saúde”. A Janaína bate pesado, mais que eu, eu acho.

Luciano Pires: Sentou nessa cadeirinha que você está aí, viu? Já teve aqui comigo.

Henrique Prata: É uma querida ela. E aí ela falou assim, então, o nome mais cotado, que tem que ser técnico, é você, porque você não é nem político, nem médico. Você tem prova de gestão de 30 anos, com credibilidade, com respeito, com valores da Medicina Pública. Então, você tem que se preparar, que você vai ser o Ministro”. Falei, “Janaína, tem alguma coisa errada aí, que eu posso te falar. Eu não tenho ninguém preparado para assumir, correr atrás de R$ 25 milhões por mês aqui no meu lugar. E eu não tenho vocação de tolerar, eu escrevo muito curto, sou uma pessoa que não tolero fazer média, brincando, não faço política e não faço agrado para ninguém do que é certo, e do que é errado. E eu não vou aguentar, não tenho vocação para aguentar ordem de cima para baixo política. Política não me manda”. Então, ela falou, “mas é por isso tudo, e tal. Se prepara”. Aí o Bolsonaro chegou 2 horas depois, ela contou para o Bolsonaro na minha frente. Eu pulei antes, falei, “Bolsonaro, a Janaína tá falando isso…”.

Luciano Pires: Isso lá em Barretos?

Henrique Prata: Isso lá em Barretos.

Luciano Pires: Foram te visitar lá.

Henrique Prata: Dentro do hospital. E falei, “eu me comprometo de corpo e alma, a te ajudar, no que, como eu estou ajudando. Não tem condições de pensar nisso, e tudo mais, mas, eu me comprometo a te ajudar”. E ele não abriu a boca, não falou que era certo, errado, não falou nada. Ouviu e ficou quieto. Mas eu defendi, e vomitei o que eu escrevi na Veja, nas páginas amarelas, contei aquela história, das benessias da Medicina privada, não pagar imposto, ter direito a tomar imposto de todo mundo para eles, não atender assistência, e ser filantrópico. Tudo que é errado nesse país, eu vomitei assim, em 5 minutos para ele. Aí ele ouviu, tudo mais, e foi embora. Aí cara, esse trem entrou, no dia seguinte, entrou no zap da vida. Só que ninguém sabia, há 4 anos atrás, o Serra já tinha me colocado eu, sem direito, ele abriu mão de todos os ministérios, menos da saúde, que o Ministério da Saúde, eu seria o ministro dele. Mas não teve zap, ninguém tinha rede social, porque era uma conversa entre eu e ele só. Ele abriu mão de todos os, fez acordo com tudo menos na saúde, porque ele falou que ele queria ver o peso da minha mão, porque eu ia debruçar o que está errado.

Ele sabia que eu carrego uma angustia no peito de ver a barbaridade, o crime que existe contra a saúde pública, financiado as benessias da Medicina privada. Eu não tolero isso, isso para mim é uma covardia das maiores que existe na minha vida. Eu sei que se Deus permitisse que eu entrasse em uma roubada dessa, eu viro do avesso os absurdos que tem aí. Eu não aceito, é tudo mordomia, os doutores do rei… Vou te fazer uma comparação. Quando eu fui para Israel, eu estudei a história de Erodes com os médicos que cuidavam dele. É a mesma história de hoje, do Brasil. Os médicos que cuidam do presidente, são os mesmos que cuidavam de Erodes. Eles não pagavam imposto, e se beneficiavam do imposto dos outros para eles. Assim é hoje a saúde, quem manda nas leis e nos processos de saúde no país, são os doutores que cuidam dos reis.

Luciano Pires: E laboratórios, e todo mundo.

Henrique Prata: Não, nem laboratórios, são médicos mesmo. Os médicos que põe a mão, que cuidam deles. E aí meu filho, tem 1 milhão de injustiça nessa história, 1 milhão de injustiça, não é 100 mil injustiça, é 1 milhão de favores e benéssias, que a Medicina privada tem, desde quando ela começou no Itamar, com vários projetos desenvolvidos para elas, para si próprio. Não paga os impostos, e ainda se beneficiam do imposto de terceiros, que eu tenho direito de buscar, e você também tem.

Eles não atendem 1 paciente, na fila morrendo pelo SUS, e são filantrópicos. Quer dizer, que país de merda que é essa história aqui, você entendeu? Cadê, se sentar um homem que tem culhão, tem que acabar com isso, você entendeu? Que que é isso, esse país é de brincadeira, de mentira.

Luciano Pires: Como é que se combate isso, Henrique?

Henrique Prata: Combate isso? Enfrentando.

Luciano Pires: Deixa eu melhorar essa pergunta aqui. Você está vendo o que está acontecendo em 6 meses de governo, em alguns lugares que se botou a mão. Coisas que são muito menores que a Medicina, em ligares que você pega uma pasta como o que está acontecendo com as artes, com teatro, tudo, está uma gritaria porque estão mexendo em um pequeno…

Henrique Prata: As caixas pretas.

Luciano Pires: Caixas pretas. Se você for se meter, cara, esse negócio é meio mafioso, isso aí deve dar risco de vida, deve dar uma encrenca sem tamanho.

Henrique Prata: Mas vale a pena morrer por isso, se for preciso. Porque tem que escancarar essa… 1 milhão de conchaves que tem por debaixo do tapete aqui, você entendeu? 1 milhão de conchaves de histórias, que a Medicina, o dinheiro da Medicina pública, é todo ele em detrimento da Medicina privada, você entendeu? Eu provo isso cientificamente em cada setor.

E não bastasse tudo isso, você vê só. Hoje, por exemplo, quer falir o sistema de Santas Casas, de serviço, para favorecer quantas, não to tirando o direito, porque fechou uma porta, abriu outra. Quando os serviços hoje que você vê de crescimentos, de investimentos de fundo só comprando hospitais, montando clinicas populares, por que? Porque quebraram, faliram o sistema público, através de benessias para o que o dinheiro da saúde pública vai direto para o bolso deles. Você entendeu? É uma em cima da outra. Está tudo escondido embaixo do tapete, tudo escondido debaixo, sabe? Então é isso. Um dia que anunciaram, um dia eu fiz uma matéria no Valor Econômico, porque estava lá o Capitão Augusto, não sei mais quem. Então, um grupo de gente, o repórter me ligou do Valor Econômico, falou, “Henrique, acabaram de falar que os 5 primeiros Ministros que já estão confirmados, você está confirmado na saúde”. “Ninguém falou nada para mim, mas, se Deus permitir que eu ponha a mão nisso, cara, você pode saber que eu viro isso do avesso. Eu regaço o que está aí. Não sobra pena sobre pena aqui em cima desse país, entendeu? Porque eu sei tudo o que está escondido debaixo das leis que trucidou a Medicina privada”.

Aí que sai depois a matéria, 2 meses depois, que está tudo errado, essa matéria da página amarela da Veja. Que eu denunciei abertamente uma parte, eu denunciei uma parte do que eu sei, das mordomias, das injustiças sociais que esse país vive.

Luciano Pires: Quais foram as consequências dessa… Porque você não está falando isso aqui pela primeira vez, né?

Henrique Prata: Não. Talvez com essa ênfase… Eu já falei essa comissão do Senado, da Câmara, mas falo berrando, não falo nesse tom que eu to falando com você. Porque isso me deixa puto da vida. Eu trabalho só na saúde, faz 30 anos na Medicina pública, e só vendo mordomia do dinheiro público indo para privada, você entendeu? Até que ponto. Agora, a última mordomia que eu to sabendo, quer dizer, eu não tenho esse fato concreto na mão.

Luciano Pires: Cuidado.

Henrique Prata:  Não pode falar?

Luciano Pires: Poder, pode. Cuidado você.

Henrique Prata: Eu tenho cuidado, eu tenho esperança que as pessoas abrem o olho, e não façam mais injustiça do que já existe.

Agora, o Governo de São Paulo, vem um empresário no Governo de São Paulo. O cara que é inteligente, empresário, não é político. Eu falei nossa, o plano de governo super bem feito.

Luciano Pires: Você está falando do Dória?

Henrique Prata: Do Dória. Vem ele, o plano de governo dele, quem fez, foi o cara que eu mais respeito da Medicina privada, da inteligência da Medicina privada, chama Polaro, doutor Polaro. Foi secretário de saúde dele no município de São Paulo. Desenhou um plano perfeito, para reestruturar a saúde pública do Estado de São Paulo.

Aí, me saiu agora uma notícia, eu não confirmei ainda, mas, me saiu, que a Secretaria de São Paulo fez um convenio com o Einstein, para fazer telemedicina. Telemedicina não está aprovado em lugar nenhum do mundo. Não tem 1 país de primeiro mundo, ou de quinto mundo, que aprovou essa Medicina. Ele pega agora, contrata o Einstein, para fazer telemedicina, não só para São Paulo, mas, para o Brasil inteiro. Quer dizer, se esse desvio de conduta for verdade, é uma tristeza imensa no meu coração, de achar que o cara não teve… Eu sempre tive esperança que ele seja uma visão de empresário, e não de político, cara. E se ele fizer isso, ele tá enfiando o pé na teia, tá se amarrando, porque ele vai se arrebentar, porque isso não tem cabimento surgir uma atitude de você investir um dinheiro público em um projeto, que não tem aprovação científica em lugar nenhum do mundo. Não é um [gradline], não é código de ouro em lugar nenhum. Não tem nada, tá nascendo essa pesquisa, e o cara fala, “encomenda um plano para fazer isso”. Nem serve para o Estado de São Paulo, nem serve para o Brasil.

Então, eu quero acreditar que o dinheiro público, tem que ir na veia do pobre. Não é para ir na veia do rico, que tem convenio, e que tem particular. Então, se eu ver um desvio de recurso público para outras situações, que é mascarada, eu vou levantar bandeira e vou denunciar. Porque não vem misturar, porque isso é atitude política, não é atitude empresarial. Você entendeu? Eu respeito, um homem de bom caráter, o secretário José Henrique. O João Doria, não tenho nada contra ele, mas, não pode comprar, não pode jogar errado o dinheiro público, nos caminhos erados. Não existe isso sério em lugar nenhum do mundo.

E aí estão me falando isso, me falaram agora isso. Eu falei, “se for verdade, eu vou levantar uma bandeira imensa contra isso”.

Luciano Pires: Henrique, essas coisas só acontecem, porque a sociedade ignora, absolutamente.

Henrique Prata: Ignora, não chega nela.

Luciano Pires: E quando chega, chega em um linguajar que não dá para entender.

Henrique Prata: Chega na tapeação política. É uma tapeação, o povo é tapeado. O povo é iludido por tapeação, sabe? Por isso que eu achei que o Joao Doria estava salvo, de não entrar, não ser político, para não entrar nesse engodo de mentira de político. O político, na hora que vai se eleger, ele mente até onde não pode mais mentir, mas, ele mente. Agora, porque é mentira, como vai cumprir mentira, você entendeu?

Então, eu espero que não seja… se for isso verdade, vai haver uma contestação da classe médica científica, que prova que isso é dinheiro jogado no ralo. E é assim, que me decepciona de ver que o país não é sério, e que as coisas não são sérias. Eu, como tenho essa vocação de cuidar dos pobres, eu não aceito ver barbaridades demagógicas, políticas, e ficar calado. Não vou ficar calado. Então, hoje as redes sociais, nós não precisamos de televisão, não precisamos de ninguém.

Luciano Pires: É lá que tem acontecido.

Henrique Prata: Se eu tiver prova concreta, eu vou grudando as coisas, nós vamos pôr fogo no mundo.

Luciano Pires: Vamos criar o MSL – Movimento Saúde Livre, no Brasil, para fazer barulho.

Henrique Prata: Rapaz do céu, eu falo assim, poxa vida. Eu não tinha todo conhecimento de saúde nos últimos 30 anos. Só câncer. 2 anos e meio para cá, eu assumi toda gestão de saúde básica. A saúde primaria, secundaria, e terciária. Eu me tornei um PHD de conhecimento de saúde hoje.

Luciano Pires: Administração de saúde.

Henrique Prata: De tudo. Eu tenho, a saúde básica, os postinhos de saúde do meu município, é gestão minha. A saúde secundária, que é exames, são minha. A Santa Casa, alta complexidade, é minha. Então, nada disso assumi por amor, assumi pela dor. Mas, depois que eu assumi, eu reverti. Eu inverti do negativo, para positivo. Então, eu tenho uma experiência de gestão, que ninguém tem no país. Não tem ninguém que tenha a gestão que eu tenho. Eu tenho completa gestão da saúde básica, até alta especialidade. Então por isso, eu adquiri um conhecimento, para você ver como isso não é à toa. Esse ano eu estou ajudando 5 Estados a reestruturar a saúde nos Estados. Pelo menos, estou dando os planos diretor para eles, os caminhos para eles.

Luciano Pires: Para o Governo do Estado?

Henrique Prata: O Governo do Estado.

Luciano Pires: Quer dizer, tem políticos com consciência.

Henrique Prata: Todo mundo que entrou novo, quer mudar a consciência de saúde do Estado. O primeiro que foi para Barretos, foi com 23 pessoas do staff do Estado, foi o governador de Sergipe. O segundo, foi o governador de Goiás, Ronaldo Caiado. O terceiro, foi de Tocantins. O quarto, foi do Acre, do Macapá. Quer dizer, são pessoas que estão procurando achar uma solução, de mudar o conceito e a formula de tratar o SUS.

Luciano Pires: Isso era uma pergunta que eu ia te fazer, porque é o seguinte. Você cria uma ilha de excelência lá em Barretos, né.

Henrique Prata: De tudo, não só câncer, de tudo.

Luciano Pires: Em Barretos, você tem uma ilha de excelência de saúde ali em Barretos. Cara, se eu estou em Piauí, e quero inventar, é muito mais fácil eu olhar aquela ilha de excelência, e trazer para cá, e copiar aqui. Tá pronto, fala a minha língua, no meu país, e o cara fez lá, eu vou fazer aqui também. E eu ia te perguntar. Tem muita gente indo lá ver, além do governador. O governador que acabou de assumir, tá legal. O cara vai lá, vê, é difícil, não sei se esse negócio vai acontecer. Mas, além do governador, existem Henriques Pratas pelo Brasil, que estão indo lá olhar você, e fala, “cara…”.

Henrique Prata: O melhor case de induzir as pessoas a ser Henrique Prata, e posso te garantir que tem muito melhores que eu, que foram os que leram meu livro. Despertou a consciência de centenas de empresários, ricos, aposentados, ou novos que não eram aposentados, mas, que nunca se envolveu em gestão de saúde pública. E se despertaram, sabendo que ele poderia salvar vida.

Eu tenho coisas lindas. Começa lá de Uruguaiana, no Rio Grande do Sul, e vai até Manaus. Empresários que estão na gestão de saúde pública, porque estão copiando o modelo Henrique Prata. O gestor, o empresário se ocupar um pouco do tempo dele, que tem religião, servir a Deus. Outros, por agradecimento de alguma forma. Mas, a maioria, foi pego pelo coração, a vontade de também devolver um pouco do que ele já teve de vantagem, de nascer em um berço de ouro, de ter sucesso na vida, em ajudar o próximo, ajudar seu irmão.

Quando a pessoa pensa no seu próximo, como a si mesmo, ela se encontra com Deus. E, quando ela pensa só em si próprio, ela está só com ela mesmo, você entendeu?

Luciano Pires: Que eu acho que essa é a maneira de mudar as coisas. Se você não tem um cara com opinião para quebrar a estrutura de dentro, por dentro, quebrar na porrada por dentro, tem que ser uma pressão debaixo para cima.

Henrique Prata: Só falando um parênteses. O país tá parado. Eu vou no mínimo 15 Estados por mês. Eu ando. Tá tudo parado. Essa Reforma da Previdência. Ou faz essa Reforma, ou o país vai regredir, vai andar de marcha ré.

Luciano Pires: Eu sou empreendedor brasileiro, cara. Eu sei o que está sendo esse ano aqui, porque nós vamos estar tudo em compasso de espera.

Henrique Prata: Espera, tá todo mundo, até acabar essa merda logo.

Luciano Pires: É impressionante. Mas eu estava te perguntando o seguinte aqui. Eu não vejo a pessoa indo para a rua, para gritar pela saúde. Eu não vejo. A turma vai para a rua…

Henrique Prata: Porque eles estão na cama, os que deveriam gritar.

Luciano Pires: Então, mais cara, quem está em volta deles, sabe, quem está em volta de quem está na cama, se eu tenho alguém doente na minha família, eu estou indignado. Minha espoa passou por um processo bem pesado ano passado, ela fez um transplante duplo de rim e fígado ano passado. E a gente recorreu a um braço do SUS, e foi ali que eu descobri que o SUS tem uma estrutura para transplante, que é um negócio, é incrível.

Henrique Prata: Apoiado em cima da Medicina privada.

Luciano Pires: Mas o que aconteceu ali de funcionar, a roda andando, foi um negócio impressionante.

Henrique Prata: Operou onde?

Luciano Pires: No Santa Catarina, que tem, que é administrado pelo Einstein, né? Pelo Einstein, com a Prefeitura de São Paulo. Mas ali eu vi o sistema funcionando. Cara, mas se funciona nesse particular, que é área de transplante, porque que não funciona para todo o resto, né? Porque que ali na esquina tem um outro hospital, com fila na rua, e o pessoal todo arrebentado lá.

Henrique Prata: Eu vou te responder porquê.

Luciano Pires: Deixa eu só terminar meu raciocínio aqui. Todo mundo que estava em volta da minha esposa, que é quem estava doente, cara, estava todo mundo indignado, impressionado. Nós poderíamos ir para as ruas, para gritar pela saúde, e a gente não foi. O doente estava na cama, mas, a gente poderia. E a gente não vê mobilização popular para ir gritar pela saúde.

Henrique Prata: Infelizmente, existe uma forma que eu acho que as famílias muito humildes não têm perna para gritar no município, não tem perna para gritar no Estado, não tem perna de gritar dessa maneira, porque eles são cordeiros que, pela fragilidade própria deles. Quem sofre na saúde, são os pobres. Quem está gritando, que você está vendo a maioria, é a classe média para cima.

Os pobres, são cordeiros, morrem na fila, silenciosamente na fila. São, você vê no câncer, pessoas com 1 ano e meio, 1 ano com diagnostico, sem conseguir operar nesse imenso país, rico, podre como ele é. E a diferença da minha… eles calaram, eles… se você pegar um, quando você fere um rico, ele põe 5 advogados em cima de você, que te tritura, vai na Lei, vai no Governo, para todo lado. Quando você fere um pobre, ele abaixa a cabeça, porque ele não tem força nem de contratar um advogado, nem de saber os direitos dele.

Então, a massa, a pobreza, sempre foi massa de manobra do poder político. E ela é muito iludida. Eu acho assim, nós temos que separar, que o Estado de São Paulo, é um Estado virtuoso em saúde pública, porque o Serra foi a grande alavanca da melhoria da saúde pública no Estado de São Paulo, com exames, diagnósticos rápidos, tratamentos rápidos. Desmontou as filas que tinham para ir para as Santas Casas.

E o gênio de toda política de saúde até hoje, que eu conheço, é o Serra. E melhorou muito o Estado de São Paulo. O Serra fez essa grande alavanca na saúde para o Estado de São Paulo. E o Estado é muito rico. Então, ele tem um diferencial sobre os outros Estados. E queira ou não, por mais que as pesquisas podem indicar alguma fragilidade na saúde do Estado de São Paulo, mas, ele é 10 vezes mais virtuoso do que qualquer outro Estado do país, em relação a Medicina pública.

É carente no que é custo alto, alta complexidade. Emergência e urgência, aí ele é tão podre quanto os outros. Deixou morrer as Santas Casas, injustamente, você entendeu? Porque ele tem dinheiro para isso, e faz dinheiro de…

Luciano Pires: Essa é a pergunta que eu quero te fazer. Que a gente já fez isso com a parte de educação, e a resposta a gente já recebeu. Ouvindo de você. Falta dinheiro para a saúde no Brasil?

Henrique Prata: Não, falta gestão, não é dinheiro.

Luciano Pires: Isso que eu ia te perguntar.

Henrique Prata: Não, de forma nenhuma. Eu…

Luciano Pires: Não se resolve criando imposto novo, para botar mais dinheiro. Não é isso.

Henrique Prata: Não, infelizmente o dinheiro, não existe uma fiscalização, e nem uma educação para melhorar aplicação na ponta do dinheiro, na saúde. Eu to auditando os Estados que eu te falei. Eu cansei de chegar em hospital que deveria custar 10 milhões, custar 20. Cansei de chegar em hospital que deveria custar 15, e custar 45, por não ter gestão. É a casa da mãe Joana. 90% do que está errado na saúde pública, é culpa dos médicos privados, que manipulam, assim, o que dá lucro na saúde privada, na pública? Ah, imagem, diagnósticos, tudo que dá, tá na mão deles. Terceirizado para eles, ou dentro, ou fora da instituição. O que dá prejuízo? Fica para o público, fica para eles, você entendeu?

Então, arrancaram a carne da saúde, da Medicina pública, e deixaram o osso só para a Medicina pública. Nas instalações públicas, nas condições públicas. Elas são pobres, uma parte por culpa do governo, outra parte por culpa de uma classe médica, de uma ambição desvairada, que terceirizou, abusou, e mandam, acham que é deles o serviço público. Então, destruíram o serviço público no financeiro, e na gestão.

Luciano Pires: Você lida com a classe médica o tempo todo na sua vida. Como é que é o seu processo de seleção, para ter esses caras trabalhando com você, lá no seu… Como é que você separa o joio do trigo, e traz para você? Ou deixa eu te… O teu projeto, ele brilha tanto, que eu imagino que ele atrai gente do Brasil inteirinho, que quer estar lá trabalhando com você. Só isso, já tem uma seleção ali. Mas, como é que você lá dentro, seleciona? Você pega currículo, o que que você faz?

Henrique Prata: Eu vou te dar uma prova aqui muito bonita, para ninguém achar que nós somos diferentes de todo mundo. Corremos os riscos dos dois lados. Como nós domos a melhor escola, e o melhor centro de câncer no país, as maiores casuísticas de profissionais no país, de câncer, são nossos médicos.

Então, já aconteceu, uma única vez, de sair de uma vez só 8 médicos, para o serviço privado no Rio de Janeiro. Quiseram montar um serviço de câncer no Rio, eu tinha os médicos meus ganhando R$ 35 mil na média. Um serviço privado, foi lá e buscou por R$ 180 mil por mês.

Luciano Pires: Caramba.

Henrique Prata: E o restante, por R$ 120 mil. O mais baratinho, foi por R$ 70 mil, o dobro que eu pagava. Aí eu perdi, saiu um departamento inteiro. Era um departamento que teve oportunidade de ganhar um rio de dinheiro, um contrato milionário de 5 anos, e eles vieram falar comigo, eu falei, “não, vocês podem ir. Me dá só um prazo aí, de eu… como eu sou uma escola de formação, os meus novos não podiam substituir os Phds que iam sair”. Aí, eu perdi 8 médicos, vieram 8 médicos de fora, que estavam trabalhando em serviço de ganhar R$ 150 mil, R$ 120 mil, R$ 80 mil, R$ 100 mil, e vieram trabalhar para ganhar R$ 35 mil. Porque o DNA deles…

Luciano Pires: Pelo ideal.

Henrique Prata: O DNA deles, viu uma porta aberta naquele lugar, que ele ia pôr a profissão dele, do juramento dele de Hipócrates, na oportunidade única da vida deles, de tratar todas as pessoas iguais. Assim como saiu esses que já estavam lá há 5, 10 anos. As maiores casuísticas de cirurgia, de vídeo, de robótica do país, saíram eles. Aí vem, a providência, me trouxe outros, tão bons quanto eles.

Então, eu gosto de um… a minha fé, me faz eu dormir em paz, e dizer, “a providencia, nunca me faltou”. Se saiu um cara muito bom, por outro lado, vai entrar outro melhor que ele. Ou, eu vou formar um melhor que ele, que eu sou a maior escola de formação de oncologista do país hoje. Maior número de residência hoje, está em Barretos. Por isso que eu estou descentralizando. Tem hospital hoje em Jales, em Porto Velho, eu to indo para Palmas, de assistência, porque eu tenho uma escola grande de formação. Mas, quando sai um PhD, que é esses caras muito famosos, muito competentes, nunca me faltou de vir um melhor que ele. Então, eu tenho que navegar pela fé, não pelo dinheiro, porque quem sou eu para ter dinheiro, para competir com a Medicina privada?

Luciano Pires: Nunca.

Henrique Prata: Mas, a obra, ela atrai as pessoas que tem os mesmos valores. Então essas pessoas tem os mesmos valores, é impressionante, porque na essência são tão tementes a Deus, quanto eu, quanto meu pai. São pessoas que tem uma intimidade de querer, e chega um momento na vida, que não tem dinheiro que vale para ela, a não ser ela pôr o dom dela, a favor de todos, tratar todos iguais. Ter oportunidade de servir com conhecimento a todos, e não aquele que o dinheiro determina.

Então, eu tenho um exército de médicos assim, que veio de onde? Veio do céu, porque eu não tenho capacidade de buscar nenhum deles. Nem dinheiro para buscar eu tenho. Eu nunca fiquei a pé, nunca. Eu tenho 700 médicos na minha rede hoje.

Luciano Pires: Eu não te falei que o nosso papo aqui, era um papo diferenciado. Você viu que a gente deu a volta tremenda, e voltamos para o começo. Voltamos para o comecinho da nossa conversa aqui, e para mim, é muito legal.

Henrique Prata: Muito descontraído o papo.

Luciano Pires: Amigo, você tem R$ 24 milhões de reais para buscar.

Henrique Prata: Por mês!

Luciano Pires: E eu não vou ficar ocupando seu tempo aqui.

Henrique Prata: Não, mas foi um prazer.

Luciano Pires: Deixa eu te falar duas ou três coisinhas aqui. Primeiro que é um puta orgulho para mim, ver um caipira, entendeu, com a linguagem do caipira…

Henrique Prata: Caipira mesmo!

Luciano Pires: Para mim, foi fantástico você dizer para mim, vamos montar o hospital dos caipiras. Eu vou olhar o Einstein, eu vou olhar, e vou montar o hospital dos caipiras, né? E por que que não pode ter o hospital do metalúrgico, hospital do… sabe? Por que que a gente não pode se mobilizar, para que isso aconteça? Você já me deu a tinta, que tem várias pessoas que já atingiram um patamar na vida, que permite a elas dedicar um tempo para algo que elas não pensavam que podiam fazer, e descobre quando lê o seu livro. Me fala quais são os nomes dos livros?

Henrique Prata: O primeiro livro, que eu fiz o caminho de Santiago, para me aprofundar em um conhecimento mais profundo do tempo que passou, eu fiz o caminho de Santiago, chama Acima de Tudo, Amor. Esse livro, conta exatamente, vamos dizer assim, os valores que são idênticos do meu pai como o meu, embora ele seja um acadêmico, científico, e eu seja um caipira analfabeto ainda, que eu estudei pouco. E que na essência, os valores são iguais, principalmente perante a Deus. E o segundo, que chama A Providencia, aí vou te contar para você. O primeiro livro, gerou uma necessidade de fazer um programa de televisão, está na Rede Vida as 10 horas da noite, nos domingos, chama também Acima de Tudo, Amor. Fazem 4 anos o programa. É um sucesso, porque ajudei e ajudo muitas instituições a acharem solução, quando a essência, eu explico para eles, querem ter o que nós temos. Quer ver cair do céu, as bênçãos que cai para nós. Trata as pessoas por amor, trata as pessoas todas iguais. Não arrume desculpa para não fazer o que é certo para uma pessoa, porque ela não tem dinheiro. E aí você vai gozar do mesmo predicado que nós temos, mesmos privilégios que nós temos. E da mesma intimidade que nós temos com Deus.

E o segundo, conta detalhado as virtudes. Você já viu provar cientificamente que a fé? O segundo livro, prova cientificamente a fé. O primeiro livro, ele…

Luciano Pires: Como chama o segundo?

Henrique Prata: A Providencia.

Luciano Pires: Alo você que está nos ouvindo aí, e está ouvindo todo dia falar de Previdência. Isso aqui é outra coisa, tá? O Henrique tá falando da Providencia.

Henrique Prata: Providencia. E é interessante, porque o segundo livro, deu para mim relatar alguns fatos, que impressiona a mim mesmo. Que tem muitos Henriques que são mais capazes do que eu, contam cases de sucesso de empresários aposentados ricos, que estavam em Santa Catarina, em Caçador, e fizeram uma revolução na saúde, maior que a minha, proporcionalmente. Em 1 ano, eles fizeram um negócio inimaginável. E tornou o projeto deles o maior case de saúde pública do Estado de Santa Catarina. Exatamente por aprofundar esses valores de saber que um leigo também pode salvar vida.

E eu tenho, acho que com mais alguns anos, eu tenho vontade de escrever um livro, para contar a verdade sobre a Medicina. O que eu tenho visto sobre a Medicina, não vou guardar isso no peito para a vida inteira. Estou juntando provas e fatos, para mim mostrar a podridão da Medicina do dinheiro. E por outro lado, eu tenho, assim, um cuidado muito grande de falar sobre Medicina, porque tem grandes médicos, grandes médicos assim, que trabalham em vários hospitais ricos aqui de São Paulo, que são idênticos ao meu pai. Embora mexam com a Medicina privada, ganham dinheiro na Medicina privada, mas, são humanistas, idealistas, honestos. Tem conhecimento, adoram cuidar, tratam de muitos pobres de graça. Eu não generalizo para as pessoas acharem que eu tenho raiva de médico, não. Eu sou filho de pai e mãe médico, da USP de São Paulo. Eu sou filho de um casal médico, eu não estou denegrindo a classe médica quando eu critico. É que eu tenho um ódio de ver a força do valor que eles impõem sobre o dinheiro.

Luciano Pires: Eu vejo você tentando salvar a classe médica, porque, quando você aponta meia dúzia que estão agindo, tudo, você está ajudando os que não estão.

Henrique Prata: Acho que 70% são homens especiais. O médico, se não for idealista, ele é dinheirista, entendeu? Aí, ele é um monstro que sai fazendo atitudes em favor de si próprio, esquece o próprio paciente. E hoje eu vi uma coisa de um dos maiores empresários aqui, eu não vou nem citar o nome, mas, uma hora eu vou contar o nome dele.

Ele me falou, “se eu não fosse tão rico”, é o homem mais rico do país hoje, se ele fosse pobre, ele era o maior… a Medicina que explora os pobres, ele ia ser o maior guerreiro contra, que ele ia… ele não saberia como lidar, a não ser enfrentando, e no tapa, e no peito, contra essa Medicina, que trata friamente as pessoas na fila da pobreza, morrendo sem assistência. Então, eu falei, “por isso que eu vim te visitar, porque você é um homem que pode me ajudar muito, e infelizmente, os benefícios que a Medicina pública passou para a Medicina privada, tem que reverter isso, porque é confuso”. Você pode ajudar, na mesma lei que você pode ajudar na Medicina pobre, você pode ajudar a Medicina rica. Os caras são insaciáveis, cara. Você entendeu?

Luciano Pires: Você olhou nos olhos dele. Ele vai te ajudar?

Henrique Prata: Vai me ajudar.

Luciano Pires: Ele tá interessado?

Henrique Prata: Está interessado. E vai me ajudar. Já me ajuda em leis fiscais, mas, vai me ajudar muito mais, porque é o maior empresário do país hoje.

Luciano Pires: Que bom cara.

Henrique Prata: To recontando isso assim, porque eu vivo de esperança, que nós podemos juntar forças e oferecer uma honestidade, uma dignidade para tratar os pobres.

Luciano Pires: Cara, você é um clichê do seu pai, bicho. Porque seu pai passou a parte final da vida dele, perdendo dinheiro com o hospital. Você está fazendo igual. Você gera um prejuízo mensal de R$ 24 milhões. Que se você não se mexer, ninguém vai cobrir isso aí. Não é? E os dois, guardada a dimensão…

Henrique Prata: Mas ele, para o idealismo dele, é a profissão e o valor.

Luciano Pires: Sim, você está indo atrás.

Henrique Prata: Ele ia no bolso da minha mãe, porque não tinha esse dom marqueteiro que eu tenho. No fundo, eu sou um marqueteiro também, de vender um sonho, né?

Luciano Pires: Bom, você está na televisão, com aquele programa. Vocês têm os 2 livros. Você está em mídias sociais também, está em… você está em alguma coisa?

Henrique Prata: Não, eu só tenho WhatsApp.

Luciano Pires: Quem quiser conhecer a obra lá, de Barretos?

Henrique Prata: Tem que entrar no site Hospital do Amor.

Luciano Pires: Isso. Só uma coisinha, curiosidade aqui. A mudança do nome do Hospital do Câncer, para Hospital do Amor. Eu me lembro que isso foi um case.

Henrique Prata: Então, isso aí foi uma coisa que eu sempre tive uma dificuldade, para entender como que eu ia fazer, quando eu comecei a descentralizar de Barretos. Porque o hospital virou Hospital de Barretos, em Jales, uma filial. Hospital de Barretos, em Rondônia. Hospital de Barretos, em Tocantins. E aí eu falei, “nossa, tudo vira Hospital de Barretos”. Aí não tava… mas, tava indo desse jeito. Mas, eu tenho um grande admirador, um grande amigo, que é o Washington Olivetto, que é um querido que ama o hospital de paixão. E ele, antes de mudar do Brasil, ele me chamou lá e falou, “olha, eu fiz uma coisa que eu não quero que você discuta comigo. Eu fiz uma pesquisa, pesquisa minha, e que identifica em todos os lugares que você trata os pacientes, só tem uma coisa que é comum, que é ser tratado por amor. Então, todos os hospitais, tem que chamar Hospital do Amor, e parar com esse negócio de Hospital de Barretos”.

Na razão social, ele é Hospital de Câncer de Barretos, fundação Pio XII, tal, na razão social. Mas, na concepção de unificar, e ser uma coisa só, eu falei, acho que você tem razão. Qual é o hospital nesse país, que tem essa prerrogativa de peito aberto, que trata 6 mil pacientes por dia, que pode ir alguém no rádio ou na televisão, e falar, “não, lá no é hospital de amor, lá é hospital do mal, lá é hospital do dinheiro”, você entendeu? Então, essa prerrogativa, essa é a diferença. Nós temos 6 mil usuários por dia, e que todos se identificaram na pesquisa para o Washington, que foram tratados por amor. O Washington falou, “você entendeu, Henrique? Você tem que unificar o Brasil inteiro, que daqui a pouco está Hospital de Barretos, de não sei onde. Está tudo errado. Unifica a palavra-chave, que é a sua sustentação.”. E qual o direito que isso tem? O direito absoluto, porque é um hospital que só trata por amor. O remédio, os equipamentos, instalações, são secundárias.

Luciano Pires: O dinheiro compra. Amor, o dinheiro não compra.

Henrique Prata: Qualquer hospital pode ter. Agora, a relação diferencial nossa, é todas as pessoas serem tratadas por amor. Então eu falei, “Washington, você enxerga mais que eu, que é a forma de explicar as coisas. Quem sou eu, né?”. E ele é muito querido, fez isso por amor. E no fundo, hoje eu vim apresentar o hospital para um empresário, a garantia única que eu tenho de falar, que nós somos um hospital só de amor. Trata as pessoas, com puro amor. Todos. Eu tenho 5 mil colaboradores, não tem 1 que trata uma pessoa diferente da outra. Então, essa prerrogativa…

Luciano Pires: Como é que você faz com essa cultura que está na sua cabeça, que é o seu ser, impregne o pessoal de cima para baixo?

Henrique Prata: É a essência da verdade, que contamina a todos. Não há uma forma das pessoas entendem, pelo que eu falo. Mas sim, pelo que eu faço. E aí entra um funcionário meio assim desconfiado, é mais um hospital, é mais isso. Aí vai ver uma pessoa que não tem nenhum acompanhante, que não tem ninguém cuidando dele, sendo tratado como se fosse da minha família, como se fosse meu pai ou a minha mãe. Aí ele fala, “quem sou eu para tratar essa pessoa, diferente do que essa pessoa está sendo tratada? Não tem nenhum padrinho político, não tem nenhuma família, e esse cara está sendo tratado no colo, por amor?”. Então, lá o cara que tiver metade de atitude boa, e metade ruim, a ruim nunca aparece, não abre lá. Ela pode abrir na rua, menos lá dentro. Porque a proposta é tão honesta, é tão verdadeira, que as pessoas se curvam e ficam iguais. Então, eu desafio passar 6 meses um colaborador meu, que ele tinha um DNA lá forte, ruim, que ele abre ele dentro do hospital. Não abre. Ele não consegue abrir.

Luciano Pires: E se abriu, o sistema expulsa ele de lá.

Henrique Prata: Isso aí, é antes de 24 horas, é médico. Já chegou médico de 2 anos de especialidade por conta do hospital da França, dos Estados Unidos, de algum lugar, e levantou o salto alto lá, eu ponho o pé na bunda dele, em 24 horas está na rua, você entendeu? Um dia meu pai falou, “cara, eu perdi 2 anos de investimento nesse cara”. Eu falei, “quem mandou ele humilhar um paciente meu?”. Humilhou aqui, pagou, sai na hora, entendeu? Não tem um, nesses 30 anos que eu estou lá, não tem um paciente meu que não foi humilhado, que no mesmo dia que não pus para fora aquele médico. Você entendeu? E que é muito pouco. No total de 30 anos, eu pus uns 10 para fora, meio sumariamente.

Luciano Pires: É aquilo que eu te falei. Já tem uma seleção natural ali.

Henrique Prata: Não, é o caminho.

Luciano Pires: Grande Henrique Prata, cara. Que privilegio poder estar com você conversando aqui. Que história fabulosa que você tem para contar. Eu realmente espero que você não só continue crescendo aquilo, como fazendo o que você está fazendo. Essas sementinhas que você está jogando aqui, que germine país a fora. E a gente vai precisar, sabe, de uma ação que venha da sociedade civil, sabe? São brasileiros que vão ter que se mexer, vão ter que se levantar, que não tem que ficar esperando prefeito, governador, vereador, sabe? Vamos fazer acontecer, por conta própria. Você deu a pista, quando você falou, “eu vou montar o hospital do caipira”, sabe? E por que que eu não posso fazer isso na minha cidade também? O caminho está aí. E acho que se alguém quiser saber, o acesso a vocês é muito fácil. Eu quero saber como é que é. Você deve receber o pessoal lá, deve mostrar como que é. Não tem nada trancado, não tem nada fechado. Pelo contrário, né?

Henrique Prata: Não, nós estamos de portas abertas. Agora, estamos com mala direta também, cadastrando pessoas que querem… lá tem doador de R$ 1 real, de R$ 5 reais, de R$ 10 reais.

Luciano Pires: Isso que eu ia te perguntar. Se eu quiser ajudar?

Henrique Prata: As maiores doações que vão para lá, são das pessoas pobres.

Luciano Pires: O caminho é o site? Se eu chegar no site Hospital do Amor, tá ali o caminho para poder ajudar.

Henrique Prata: Você vai achar todo o caminho que você quiser, para nos ajudar, você entendeu? E assim que nós temos navegado, assim que nós estamos crescendo. Quando você cresce, aumenta o prejuízo, mas também aumenta a providencia, e aumenta a benção que nós temos.

Luciano Pires: Meu caro, muito obrigado pelo seu tempo.

Henrique Prata: Obrigado você. Muito gostoso fazer um programa assim, onde você pode abrir o peito, pode colocar livremente as suas angustias. Eu vivo uma luta desenfreada, e infelizmente eu não tenho uma força de fazer essas passeatas, porque o povo que eu represento, são cordeiros, que não tem força nem de pegar um ônibus com dinheiro próprio.

Luciano Pires: Por isso que alguém tem que lutar por eles, né?

Henrique Prata: Que depende de nós. Eu grito por eles, e me sinto abençoado por Deus, porque não temos ninguém, não temos nada. E tenho peitado muita gente, muita coisa. E vou continuar, se Deus quiser, lutando, para que esse país tome juízo. A única coisa que eu quero, que esse país mude agora, com toda esperança que nós temos em cima dele, que todo executivo ponha a mão na consciência, e não faça política, e não faça mais brincadeira com o dinheiro público, porque não tem mais tempo para errar, do tanto que nós já erramos, e o tanto que nós fomos roubados. Que pare isso aí agora, para nós construirmos um país honesto, um país com justiça social. É meu sonho.

Luciano Pires: Tá bom, muito obrigado meu caro, por zelar pela gente. Grande abraço.

Henrique Prata: Obrigado.

Luciano Pires: Muito bem, termina aqui mais um LíderCast. A transcrição deste programa, você encontra no LíderCast.com.br. O LíderCast nasceu da minha obsessão pelos temas liderança e empreendedorismo. É em torno dele, que eu construí minha carreira com mais de mil palestras, nas quais distribuo iscas intelectuais, para provocar equipes e indivíduos, ampliar seus repertórios, e sua capacidade de julgamento e tomada de decisão. Leve o fitness intelectual para a sua empresa. Acesse lucianopires.com.br, e conheça minhas palestras.

 

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