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Luciano Pires -
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Luciano Pires: Bom dia, boa tarde, boa noite. Bem-vindo, bem-vinda a mais um LíderCast, o PodCast que trata de liderança e empreendedorismo, com gente que faz acontecer. Hoje, o convidado é Paulo Vieira, que está afrente da Next Academy, maior empresa de desenvolvimento de atletas da América latina, que leva jovens brasileiros para times em todo mundo.

Muito bem, mais um LíderCast. Esse aqui chega por intermédio de pessoas que nos ouvem, e que mandam e-mail dizendo, “olha, eu conheço um cara legal, era legal você falar com ele”. “Pô, manda aí, vamos trocar uma ideia”. Esse aqui foi difícil hein cara. Só para vocês terem uma ideia, hoje é um domingo, são 10 horas da noite, eu estou chegando de Bauru depois de uma viagem de 6 horas, e nós tivemos que gravar agora, porque daqui há pouco, 1 e pouco da manhã, ele está embarcando de volta para?

Paulo Vieira: Fortaleza.

Luciano Pires: Para Fortaleza, isso aí. Então, são 3 as perguntas fundamentais que eu vou te fazer agora, e as únicas 3 que você sabe que não pode errar, né?

Paulo Vieira: Certo.

Luciano Pires: Seu nome, sua idade, e o que é que você faz.

Paulo Vieira: Muito bom. Primeiro de tudo, é um prazer estar aqui com você. Difícil esse, nós tivemos que remarcar. Mas, que bom que a gente fez dar certo. Bom, sou Paulo Vieira, tenho 28 anos, e hoje, eu faço com que os meus sonhos, e os sonhos das pessoas ao meu redor, eles possam ser realizados. Isso é o que eu faço hoje, no meu dia a dia.

Luciano Pires: Isso tem cara de autoajuda, cara, né? Será que é? Vamos ver se é.

Paulo Vieira: Não sou muito fã.

Luciano Pires: Vamos ver se é. Nasceu onde, Paulo?

Paulo Vieira: Fortaleza.

Luciano Pires: Fortaleza. Ô terra boa, bicho.

Paulo Vieira: Terrinha do sol.

Luciano Pires: Muito legal. Você tem irmãos?

Paulo Vieira: Tenho um irmão mais velho, 34 anos. Sou natural de Fortaleza, vivi lá minha vida quase toda.

Luciano Pires: Seus pais faziam ou fazem o que?

Paulo Vieira: Meu pai, falecido hoje, mas, ele era técnico de engenharia civil da prefeitura de Fortaleza. E minha mãe, nós sempre tivemos um comercio próprio, um armazém de material de construção.

Luciano Pires: Sua mãe que tocava?

Paulo Vieira: Isso.

Luciano Pires: A veia empreendedora?

Paulo Vieira: é, demorou a tocar em mim, mas, eu acho que agora está dando certo.

Luciano Pires: Que legal, que legal. E como que era seu apelido, quando você era criancinha?

Paulo Vieira: Na época de futebol, já rolou alguns. Já rolou Marcelinho Carioca, na época que eu raspei o cabelo. Pé de anjo.

Luciano Pires: Bom, tirando uns quilinhos aí, você fica igualzinho ele, bicho.

Paulo Vieira: Eu acho que se emagrecer uns 6 quilos, acho que dá para voltar.

Luciano Pires: O que que o Marcelinho queria ser, quando crescesse?

Paulo Vieira: Jogador de futebol. Sempre trilhei meu caminho, para ser jogador de futebol.

Luciano Pires: Então cara, aos 28 anos de idade, era para estar no auge cara, jogando no Barcelona, cara, ganhando em Euros. E aí?

Paulo Vieira: é, era para estar no auge. Algumas coisas fizeram com que a vida tomasse um outro sentido para mim, principalmente quando eu perdi meu pai em 2014. Daí eu entendi que o futebol, eu passei a entender que futebol na verdade, era um sonho do meu pai. Não era um sonho tão forte para mim.

Luciano Pires: Esse seu sonho de criança de futebol, você foi firme, você foi seguir o caminho? Você foi jogar, foi treinar?

Paulo Vieira: Te digo que até os 20 anos de idade, era correndo atrás de clube, correndo atrás de peneira, né, teste de futebol.

Luciano Pires: Você passou por todo o processo de escolinha de futebol?

Paulo Vieira: Até aceitar que eu tinha falhado nesse processo. Até aceitar que eu não tinha o potencial necessário para fazer dar certo, no ramo do futebol.

Luciano Pires: Que idade que você tomou essa conclusão?

Paulo Vieira: 20 anos de idade.

Luciano Pires: Quando seu pai morreu?

Paulo Vieira: não.

Luciano Pires: Não.

Paulo Vieira: Meu pai morreu em 2014. 20 anos, era 2010, né? 2010, exato.

Luciano Pires: Tá. 4 anos antes dele morrer. Ele estava contigo nesse processo de fazer o jogador de futebol?

Paulo Vieira: Sempre. Em todos os momentos, ele esteve comigo, me incentivando, muitas vezes não deixando eu desistir, quando eu queria desistir. E me mostrando que, “não, vamos por aqui, que, de repente, poder dar certo”.

Luciano Pires: Me fala uma coisa, cara. Quando você encarou essa história toda de ser jogador de futebol. O que que você faz com a educação formal, tradicional, que é o ginásio, colégio, aquela coisa toda antiga. Como é que você… o que que você fez?

Paulo Vieira: eis o grande ponto que mudou minha vida. Em 2010, falar bem a verdade, eu, algumas pessoas perguntam, “Paulo, mas hoje tu tá aqui, como que foi?”. Isso tudo começa de 2010. Eu julgo que começa em 2010, que foi quando eu tinha ingressado em uma universidade lá em Fortaleza, estava jogando pelo time na universidade, por isso eu era bolsista. Porque senão, era uma faculdade particular.

Luciano Pires: Amador, você era amador? Jogador amador?

Paulo Vieira: Isso, jogador amador. E foi quando surgiu a oportunidade de eu poder ir estudar nos Estados Unidos, através do futebol. Então, foi ali um momento onde, segundo Flavio Augusto da Silva, um ponto de inflexão na minha vida, né, que mudou o rumo na minha vida, e ali foi o meu último suspiro em relação ao futebol. Afinal de contas, a oportunidade surgiu por causa do futebol. Por isso que eu fui convidado a integrar um time em uma universidade nos Estados Unidos, com uma bolsa de estudos 100%.

Luciano Pires: Então, até então, até essa época, você tem 20 anos.

Paulo Vieira: 20 anos.

Luciano Pires: 20 anos de idade. Até essa época, você estava empenhado no negócio de virar um jogador de futebol profissional?

Paulo Vieira: Confesso que em 2010, eu jogava em um clube chamado Tiradentes, o Tigre da Polícia Militar do Ceará. E ali eu entendi que, as condições que estavam sendo propostas para mim, a perspectiva de futuro que eu tinha em relação ao futebol, aquilo não ia me trazer o que eu achava que ia no período, no prazo que eu havia estipulado. Então ali, eu passei a dedicar menos tempo ao futebol, e mais tempo ao estudo. Então, na verdade, mais tempo a faculdade. Não diria assim…

Luciano Pires: Quer dizer, o sonho de me tornar um astro, começou a morrer ali?

Paulo Vieira: Começou.

Luciano Pires: Vamos explorar esse negócio, que isso é muito bom, cara. Isso é muito bom. Vem cá, o pai empenhado em fazer… Você jogava bem? Era bom de bola?

Paulo Vieira: Digamos que, eu não era um craque, mas eu era um excelente primeiro volante.

Luciano Pires: É?

Paulo Vieira: Era.

Luciano Pires: Seu pai, empenhado em fazer você crescer. Você devia estar evoluindo ali, ocupando espaço, né? Esse investiu, com que idade você começou no futebol? 10 anos de idade, escolinha?

Paulo Vieira: 11 anos.

Luciano Pires: 11 anos.

Paulo Vieira: Exatamente 11 anos.

Luciano Pires: Dos 11 aos 20. Quer dizer, pô, foram 9 anos ali de construção de um sonho, né?

Paulo Vieira: Sim.

Luciano Pires: Como é que é esse momento do, sabe, o click?

Paulo Vieira: É que, na verdade, eu tinha que tomar uma decisão que iria desapontar outras pessoas. Mas, eu tinha que, sabe, 20 anos de idade, eu entendi que não era mais um garoto de 15/16, querendo ir para uma base de algum clube. E, eu tive que chegar para o meu pai, e dizer, pai, não vai rolar. Não vai rolar. E aí entra o destino, né? Que quando eu me saí do clube, foi o momento que eu me aproximei mais da faculdade, interagi mais com pessoas. Passei a fazer parte do time da faculdade, que antes eu não fazia parte por causa do clube. E no time da faculdade, apareceu a oportunidade para que eu fosse para os Estados Unidos, para jogar futebol.

Luciano Pires: Qual foi a reação do seu pai, quando você chegou para ele, falou, “pai, eu vou para outro caminho”.

Paulo Vieira: Primeira reação foi assim, de decepção. Porque…

Luciano Pires: Eu estou te perguntando, porque você falou que o sonho era mais dele, do que seu.

Paulo Vieira: Eu acho que era mais dele… acho não, tenho certeza que era mais dele, do que meu.

Luciano Pires: Ele entendeu, tentou te convencer? Como que foi?

Paulo Vieira: Não, meu pai nunca tentou me convencer de nada. Sempre entendeu que a educação que ele me deu, era suficiente para eu poder tomar as minhas decisões. Ele só me perguntou, tem certeza? Eu disse, “tenho, tenho certeza”. Então, fechado, e vamos trabalhar para fazer esse outro lado da vida dar certo.

Luciano Pires: Que aí você escolheu uma faculdade de que?

Paulo Vieira: Em Fortaleza, eu fiz Educação Física. Não foi o que eu fiz nos Estados Unidos.

Luciano Pires: Era o que eu esperava que você dissesse. Educação Física, estou no futebol, seu caminho era aquele lá, né?

Paulo Vieira: Exato, não podia sair daquilo.

Luciano Pires: E você recebeu um convite de uma universidade americana, ou você entrou em um projeto para ir para lá? De onde nasceu a…

Paulo Vieira: Eu tinha um amigo que jogava futebol na universidade, lá nos Estados Unidos, e ele já me conhecia, a gente já tinha jogado junto, ele me perguntou, “Paulo, você tem um vídeo de você jogando?”. “Tenho”. “Me manda”. Mandei o vídeo. Alguns meses depois, ele falou, “Paulo, olhou seu e-mail esses dias, não?”. “Não”. “Aconselho que você dê uma olhada”. E quando eu abri, tinha uma proposta para que eu pudesse ir para uma universidade no Kansas, no Estado do Kansas, com uma bolsa de 70%. Ali, eu disse que assim, não teria condições financeiras para isso. Minha família, ela não tinha um porte financeiro tão bom…

Luciano Pires: Para bancar os 30%.

Paulo Vieira: Exatamente.

Luciano Pires: Esse convite veio da faculdade? Não teve intermediário nenhum?

Paulo Vieira: Não.

Luciano Pires: Nenhum intermediário?

Paulo Vieira: Não.

Luciano Pires: Teu amigo mostrou lá, o pessoal, moleque é bom de bola, chama ele aí.

Paulo Vieira: Pode mandar a proposta. E aí, eu me vi em uma outra bifurcação, onde eu tinha que decidir se eu ia ser só mais um que ia dizer, “ah, isso não é para mim. É muito caro”. E foi ali que eu tomei algumas… passei a ter um entendimento maior, sobre algumas decisões que eu precisava tomar. E eu disse sim para ele, sem ter dinheiro, sem ter passaporte, quanto menos visto. Ou até outras documentações que eu precisava ter na época. Ele, “você tem certeza, posso contar com você?”. “Pode, pode contar comigo. Quando que eu preciso estar ali?”. Isso era em outubro de 2010. Ele, “Paulo, dia primeiro de agosto, ele precisa estar aqui, de 2011”.

Luciano Pires: O convite veio em outubro, para você estar lá em agosto?

Paulo Vieira: Exato.

Luciano Pires: Bom, teve tempo.

Paulo Vieira: Tive tempo. Tinha tempo, não tinha tanta disposição para dar um jeito, mas, tinha tempo. Mas ali quando eu comuniquei meus pais, eu vi no rosto do meu pai, e eu já tinha tido esse entendimento, que era minha última cartada por causa da idade. O futebol, a cultura do futebol aqui no Brasil, se você não tiver, com 18 anos, se você já não estiver no clube de ponta, não dá mais, você está velho demais. E ali era minha última cartada, e eu tinha que dar um jeito de fazer aquilo dar certo.

Luciano Pires: Então, você falou ali atrás do ponto de inflexão, né? São aqueles momentos que a vida da gente vem andando, e, de repente, ela vira por causa de uma decisão que você toma ali. E você tem uma decisão com esse peso, que significaria, não é só que eu vou mudar de emprego, vou jogar em outro time, não. Eu vou sair do meu país, vou para o lugar totalmente distante, diferente do que eu estou aqui. Isso é uma decisão complicada de se tomar sozinho, aos 20 anos de idade. Como é que foi o processo, cara? Você tomou essa decisão junto com alguém, ou foi sua?

Paulo Vieira: Foi minha. Uma das coisas que na minha casa eu sempre me orgulhei, foi, “gente, fiquem tranquilos, se eu quebrar a cara, fui eu quem escolhi. Se eu der certo, fui eu quem escolhi”. Então, naquela época, eu já tinha esse entendimento de que eu tinha que construir a minha vida. Ah, lógico, você sempre escuta seus pais, meu irmão, alguns amigos mais próximos, mas, a decisão era minha. E ali eu tomei a decisão antes de falar com meus pais, de que, “não, eu vou, pode marcar aí como certo, de que eu estarei aí em agosto de 2011”.

Luciano Pires: Qual foi a reação deles?

Paulo Vieira: Beleza, como é que tu vai para os Estados Unidos?

Luciano Pires: Seu duro.

Paulo Vieira: Vai andando? Como é que vai? E isso passou uma semana, né, e aí eu estava indo atrás de emprego, e não tinha especialidade nenhuma, sabe? Ia jogar futebol, não tinha um curso técnico, algo, nada desse tipo.

Luciano Pires: E outra, era um emprego para durar 7 meses.

Paulo Vieira: Exato. 7 meses. 8 meses, né? E ali juntei meus currículos, uma parte ali com currículos, comecei a andar no meu bairro, todo e qualquer tipo de comercio que eu via que tinha possibilidade de entregar um currículo, eu entregava. E naquela época eu lembro que, até hoje, na verdade, eu sou um apaixonado por carros. E eu passei em frente a um lava-jato, e tinha um jaguar, lindo, lindo, lindo. E eu parei na frente do lava-jato, e vi, e acho que o dono, gerente do local, ele falou, “gostou do carro?”. “Gostei, lindo demais”. “olha aqui de perto”. Ele perguntou, “você gosta muito de carro?”. “gosto”. “Quer trabalhar aqui?”. Eu, estou precisando de emprego, esta pasta aqui é de currículo. Ele, “bom, eu estou precisando de mais pessoas, a gente está expandindo, o lava-jato está crescendo, a gente precisa de mais pessoas para lavar carros. Topa?”. Na hora, começo amanhã? Ele, “não, vai em casa, troca de roupa e volta”.

Luciano Pires: Para começar ali. E lavando o Jaguar, por acaso?

Paulo Vieira: Não, não comecei no Jaguar. Não tinha experiência nenhuma lavando carro, lavava o carro do lado de casa, mas, não com a técnica que era necessário ter.

Luciano Pires: Cara, mas lavador de carro bicho? Não era muito pouquinho para a sua ambição?

Paulo Vieira: Mas eu estava há uma semana, que naquela época eu achava que eu estava, meu Deus, eu não vou conseguir nada. E quando surgiu a primeira oportunidade, eu disse, “eu preciso começar em algum lugar”.

Luciano Pires: Você falou para ele que você ia ficar 6/7 meses só?

Paulo Vieira: Não. Não falei, fiquei na minha. E ele também, ele falou, são R$ 490,00 reais, por mês, com essa carga horária. Se não me engano, era de 15 as 19 horas. R$ 490,00 reais, para mim, eu disse, “bom, meio período, de repente eu consigo algo pela manhã”. Depois que eu recebi o primeiro salário Luciano, eu fiz as contas, e eu vi que não ia dar para cobrir os 30%. E aí eu tive que rever minhas opções.

Luciano Pires: É que quando você fala de 30% lá, você está falando de uma anualidade, né?

Paulo Vieira: Exato.

Luciano Pires: É um ano? É um caminhão de dinheiro.

Paulo Vieira: Exato. Na época, era aproximadamente U$ 5 mil dólares. Eram U$ 4 mil e pouquinho, R$ 5 mil dólares.

Luciano Pires: U$ 5 mil dólares que você ia ter que juntar, para pagar a escola.

Paulo Vieira: A escola. Mas, logico, a escola cobria alimentação, dormitório.

Luciano Pires: Sim, você ia estar jogando para eles.

Paulo Vieira: Exato. Então esse era o total que eu precisava pagar. E ali foi quando eu comecei a buscar outras opções. E foi quando eu consegui um emprego em uma loja de roupas, lá em um shopping de Fortaleza.

Luciano Pires: Vendedor de roupa?

Paulo Vieira: Vendedor de roupa em um shopping de Fortaleza.

Luciano Pires: Com um salário de?

Paulo Vieira: R$ 1 mil reais fixo, e comissão.

Luciano Pires: Tá, já deu um upgrade aí.

Paulo Vieira: Deu um upgrade.

Luciano Pires: Isso faltando o que? 6 meses para você viajar?

Paulo Vieira: 6 meses, e eu tenho que juntar pelo menos R$ 14 mil reais.

Luciano Pires: Bom, não ia dar, né?

Paulo Vieira: Não ia dar. E aí eu entendi que bom, eu posso me garantir aqui com os R$ 1 mil reais, mais R$ 490,00. R$ 1.490,00, não vai dar. E ali eu fui apresentado a um plano de condicionamento, se eu vendesse muito, eu ganhava muito. Se eu vendesse pouco, eu ganhava só o mínimo ali. E ali, foi o primeiro momento que o lado vendedor aflorou em mim. Dos 6 meses que eu trabalhei lá, 5 meses eu fiquei em primeiro lugar, no último mês eu fiquei em segundo lugar de vendas em Fortaleza, na loja de roupa. E aí eu tirava um bom salário, tirava R$ 2.500,00, R$ 3.500,00 enfim, dependia.

Luciano Pires: Você triplicou o salário então?

Paulo Vieira: Exato.

Luciano Pires: E para você, isso foi uma surpresa, porque essa veia da venda, estava na sua mãe? Sua mãe era vendedora?

Paulo Vieira: Ela é vendedora, sabe vender, sabe negociar. Mas isso não tinha passado para mim não.

Luciano Pires: Seu pai não?

Paulo Vieira: Meu pai não. E o mais engraçado, é que os meses foram passando, eu continuava, e aí foi bom, porque eu tive que mudar o horário do lava-jato. E aí eu falei com chefe na época e disse, “olha, arrumei esse outro emprego”, aí eu expliquei tudo para ele, ele, “não, tudo bem, vamos mudar sua carga horária”, mas, a carga horária que eu tenho disponível, é de 5 as 14″. Eu não tenho opção.

Luciano Pires: 5 o que?

Paulo Vieira: 5 da manhã, as 14 horas.

Luciano Pires: 5 da manhã, as 14 horas.

Paulo Vieira: Porque no shopping, eu pegava as 16 horas, e ia até as 22. Então, eu passei 6 meses da minha vida, trabalhando das 5 às 14, e vendendo roupa das 16 às 22. Tudo isso por um sonho, né?

Luciano Pires: Bora, é o sonho que move a gente.

Paulo Vieira: E foi bem-sucedido. Em julho de 2011, foi o último mês que eu trabalhei, eu trabalhei metade do mês, que eu tinha marcado visto. Nesse meio tempo, eu arrumei minha documentação, e tudo. E no dia 6 de agosto de 2011, eu cheguei nos Estados Unidos.

Luciano Pires: Você juntou o dinheiro?

Paulo Vieira: Juntei dinheiro.

Luciano Pires: Conseguiu juntar dinheiro, legal.

Paulo Vieira: Juntei cerca de R$ 18 mil reais. E aí deu para pagar passagem, toda a taxa de passaporte, visto, tudo. Tive que ir em Recife para tirar o visto. E cheguei nos Estados Unidos, sem falar inglês.

Luciano Pires: Você já tinha viajado para fora do país?

Paulo Vieira: Não.

Luciano Pires: Você chegou lá cru.

Paulo Vieira: Perdido.

Luciano Pires: Teu amigo estava te esperando no aeroporto, pelo menos isso?

Paulo Vieira: O treinador estava. Meu amigo estava treinando.

Luciano Pires: O treinador? Que não falava português?

Paulo Vieira: Não. Americano, falava inglês. E eu vi ele com a plaquinha, eu disse é aquele ali. Na hora que eu cheguei “oi”, ele “hi”. Falou lá o que ele tinha que falar, que eu não lembro o que ele disse, e também não entendi o que ele falou. Mas, eu lembro que o aeroporto que eu desci ficava há 1 hora e meia da cidade. Foi 1 hora e meia calado. Eu olhava para ele, ele apontava algumas coisas para eu dar uma olhada e tudo, mas, nada mais que isso.

Luciano Pires: Aí você começou a sentir o tamanho da trolha que você tinha se metido.

Paulo Vieira: Durante 1 hora e meia, foi 1 hora e meia pensando o que que eu estou fazendo aqui. Que loucura é essa, como é que eu estou num país que eu não entendo uma palavra. Mas é aquele negócio, eu tinha entendido que era minha última cartada.

Luciano Pires: E você chegou lá, era um alojamento?

Paulo Vieira: A universidade, ela tem um campus muito bem-estruturado.

Luciano Pires: Sim, que você fica no quarto com alguém. E te botaram com brasileiro lá, não?

Paulo Vieira: Tinha brasileiro, eu fiquei com brasileiro durante 2 meses só. Porque como eu não sabia nada de inglês, se eu ficasse durante mais tempo, eu também não ia conseguir desenvolver o inglês.

Luciano Pires: E como é que você ia fazer? Porque você ia ter que estudar lá cara. Sem inglês. O que que você fez? Primeiro, você fez um curso de inglês?

Paulo Vieira: Fiz em paralelo, lá.

Luciano Pires: Aqui não?

Paulo Vieira: Aqui eu trabalhava Luciano, o dia inteiro. Aqui eu tinha uma função. Juntar o dinheiro. E lá, o treinador ele sabia que eu não falava inglês, mas ele montou uma carga horária em um período da tarde, para eu ter aulas de inglês. Além do meu curso. Que eu escolhi que fosse administração.

Luciano Pires: E você chegou, os treinamentos já estavam rolando?

Paulo Vieira: Já. Começou no dia primeiro de agosto.

Luciano Pires: Então vamos lá. Eu quero saber como que é você acordar de manhã, primeiro dia, vai tomar aquele café da manhã, não tem nada. Vai lá, e de repente, tem a chuteirinha, tem o calçãozinho, tem a meia deles, tudo deles. Você veste aquilo lá, e está caminhando para entrar em um campo.

Paulo Vieira: E aí você se vê jogador profissional. A rotina de um atleta em uma universidade de ponta, nos Estados Unidos, é uma rotina de atleta profissional. Principalmente, para temporada.

Luciano Pires: Qual sua sensação? Quero saber você entrando… eu não sei se era um túnel, como que era. Mas, você sair de dentro de um estádio, que por menor que seja, é aquela organização americana. Está a molecada, todo mundo falando inglês, e você chegando ali, e o brasileiro baixinho, moreninho, com a roupa dos americanos. Como é que é?

Paulo Vieira: Primeiro de tudo é o clima, né? Que quando eu cheguei, eu lembro até hoje, estava fazendo 16 graus, e eu de Fortaleza que faz 32 o ano inteiro. Até chovendo, de madrugada, o horário que você for lá, está 32 graus. Quando eu cheguei, 16 graus, eu disse, aqui eu não vou conseguir jogar futebol. Então, meu primeiro treino, eu lembro muito bem, o treino começava as 5:45 da manhã.

Luciano Pires: caceta.

Paulo Vieira: Eu cheguei num dia 4 da tarde, então fiquei aquele período ali no dormitório, arrumando minhas coisas, e capotei, dormi. Coloquei o despertador para o dia seguinte, 5 horas, 5:45 eu estava lá no campo. Mas, realmente esse trajeto que você sai do dormitório, você chega na parte esportiva da universidade, você se veste, vai ali, e está todo mundo te olhando, tu é um novato, tá todo mundo falando alguma coisa, e tu tá ali calado, sem entender nada.

Luciano Pires: Até que a bola chega nos seus pés.

Paulo Vieira: Torcendo para que a bola chegue nos pés.

Luciano Pires: E quando a bola chega no seu pé?

Paulo Vieira: Não chegou, que o treino de pré-temporada, é só treino físico. Então, treino absurdo.

Luciano Pires: Não deu nem para dar uma desbundada nos caras lá?

Paulo Vieira: Nada. Foram 10 dias sem tocar em bola. Mas para mim Luciano, ali era uma realização de m sonho. Cara, estrutura de outro mundo, assim, algo que eu pelo menos só vi em filmes, e eu estava tendo acesso a viver aquilo. Não simplesmente ouvir a história de quem viveu, mas, eu vivenciar tudo aquilo ali.

Luciano Pires: E com uma carga gigantesca no teu ombro, porque é você, e você. E a hora que a bola chegasse no pé, ia ter que dar certo.

Paulo Vieira: tinha que dar certo. Não tinha opção.

Luciano Pires: Porque olha o esforço que um monte de gente fez, inclusive eles, de acreditar em um vídeo, e te chamar para lá, para cair no seu pé, e o cara era um zé ruela, né?

Paulo Vieira: Exato. Era uma reponsabilidade muito grande, eu tinha entendido isso. Então, eu me preparei para chegar lá, e independente de qual dificuldade eu ia ter que enfrentar, se fosse comida, se fosse clima, até entrosamento com os outros jogadores da universidade, que eu ia dar meu jeito. Mas, não foi tão terrível quanto eu imaginava.

Luciano Pires: Você tinha jogadores brasileiros no time?

Paulo Vieira: Tinha, tinham 4 brasileiros. Isso fez total diferença.

Luciano Pires: Imagino.

Paulo Vieira: Para adaptação.

Luciano Pires: Já estavam lá há bem mais tempo? Estavam enturmados.

Paulo Vieira: Estavam há 6 meses, 1 ano. Algo assim. Mas, os americanos, eles sabem te receber. Quando eles entendem que tu é parte deles, a recepção é totalmente diferente.

Luciano Pires: Você é um negócio, cara. Ele não te vê como… chegou um mané aqui. Ele te vê como um negócio. Vem vindo um business aí. Esse é o cara que vem para a gente ganhar o campeonato. E aí encara-se de uma outra forma. É parte de um todo ali, né? Eles vão te tratar muito bem para isso aí. Primeiro dia de bola nos pés. Isso que eu quero saber. Que eu tive lá nos Estados Unidos também cara, eu também fui para lá, viajei, fiquei… morei 30 dias em um lugar, viajei bastante para lá, e nesse período todo, eu pude morar em uma cidade pequena lá. Também fui jogar bola com os caras, tudo, e os caras tudo curioso para ver, o que que vai acontecer quando a bola cair no pé do brasileiro. Pô, no pé do brasileiro! E era futebol de homem e mulher, todo mundo junto. Homem e mulher junto. E era uma doideira, então eu todo cheio de dedos, pô, não vou dividir bola com mulher. E os caras não queriam saber, era tudo igual lá. E era engraçado a expectativa. A hora que a bola cair no pé do brasileiro.

Meu filho foi para lá também, foi para Chicago, e ficou… foi estudar, fazer uma época de estudo, e também teve um problema muito sério para se enturmar na escola. Era uma escola, foi bem complicado lá, até o dia que a bola caiu no pé dele, cara. E a hora que botaram uma bola de futebol no pé do moleque, mudou tudo, mudou tudo. Mudou a relação com todo mundo. Eu fui ver ele jogar, fui lá ver, e no meio daqueles nó cego, realente o moleque jogava bola, né? E aí começou, mudou, era outra coisa. A partir daquele dia que a bola caiu no pé dele, ele era outro tipo de gente. Era encarado de outra forma. Todo mundo que não falava com ele, veio falar. Então ele ganhou. Como é que foi com você, cara?

Paulo Vieira: Eu tive a sorte de chegar em uma cidade pequena. Então, a comunidade ela te abraça muito bem. No primeiro treino coletivo do nosso time, os jornais foram, a rádio foi, e até hoje eu tenho a foto de eu dando entrevista para a rádio, como destaque do treino.

Luciano Pires: Em que idioma, cara?

Paulo Vieira: Não, com um brasileiro que estava lá do meu lado, o cara ia perguntando. Ele me dizia o que o cara estava perguntando, eu respondia em português, ele traduzia isso para o inglês. Mas, no primeiro treino, eu estava preparado fisicamente, emocionalmente falando. O time tinha me recebido muito bem, e eu estava com a expectativa exatamente disso, de mostrar o porquê que eu estava ali. Afinal de contas, era uma bolsa alta, considerada alta, 70%. E foi incrível, foi incrível. Foi um momento onde ali eu entendi que eu ia me dar bem nos Estados Unidos. Realmente, teve um momento de apreensão, enquanto a bola não rolou. Mas, a preocupação que os caras tiveram de realmente me ambientar, me deixar a vontade para que isso acontecesse, foi primordial para que acontecesse o que aconteceu.

Luciano Pires: Você sabe que isso é uma característica interessante, que eu trabalhei durante 26 anos em uma empresa de capital norte-americano, depois ela foi comprada, virou multinacional. Então eu trabalhei muito com os americanos, a vida toda com os americanos. Fevereiro do ano passado, eu fui para os Estados Unidos também, fazer um evento lá. Trabalhar num puta evento de palestrantes. Então eu sou palestrante, no meio de 300 palestrantes. E ali eu pude comprovar mais uma vez isso, né? Esses caras, quando eles se juntam para montar uma equipe, para conquistar alguma coisa, todo mundo quer que todo mundo de certo. Eles querem que dê certo. Então, eles vão te jogar para cima. É para cima, cara. Se você fizer uma cagada, eles vão vir e vão falar de você, vão falar da sua cagada. Não vão dizer que você é um cagão. Eles vão falar da cagada que você fez, vamos arrumar isso aí, porque a gente quer dar certo. Então, isso que você está falando aí, é fundamental. Quer dizer, os caras prepararam a base, para receber muito bem um cara, porque eles querem que esse cara de certo. Que sabem que se você der certo, o time vai bem. Então, não tem essa história de vou puxar o tapete, vou sacanear o cara. Tem uma outra visão, que é aquela que eu falei do business. Nós vamos conquistar alguma coisa, e precisamos que cada um tenha o melhor de si.

Paulo Vieira: Mas interessante você falar isso, é que infelizmente essa não é a cultura dentro do futebol no Brasil. E eu não estava acostumado com isso. Então, eu estranhava a preocupação, o carinho que eles tinham, de me mostrar que ó, a gente tá aqui para te dar todo suporte.

Luciano Pires: Te facilitar. Eu vou te facilitar o que for possível.

Paulo Vieira: Exato. Mas é incrível. O que os caras fazem nos Estados Unidos, o que eles se metem a fazer, os caras fazem bem-feito. Então, eu pude começar a ver isso, eu passei 4 anos e 6 meses nos Estados Unidos, e ali eu tinha entendido já que é, realmente os caras aqui fazem algo para dar certo.

Luciano Pires: E eu vou ter que entrar na vibe deles.

Paulo Vieira: Exato, é uma cultura diferente. Uma cultura diferente, na qual eu não estava acostumado, por ter vivido a minha vida inteira aqui.

Luciano Pires: Qual foi o curso que você começou?

Paulo Vieira: Fiz Administração, e durante… ali no meio tempo, eu descobri que eu tinha possibilidade de fazer um outro curso, que fosse da mesma área. Então hoje, eu sou formado em administração, e sou formado em finanças também.

Luciano Pires: 2 majors, ou 1 major e 1 minor?

Paulo Vieira: 1 major e 1 minor.

Luciano Pires: Tá. Então você fez administração com especialização depois em finanças.

Paulo Vieira: Exatamente. Minor em finanças.

Luciano Pires: Começou a se transformar em um business, um homem de business. Ficou 4 anos?

Paulo Vieira: 4 anos.

Luciano Pires: Jogou os 4 anos?

Paulo Vieira: Joguei os 4 anos.

Luciano Pires: Foi legal, foi bem, virou titular do time?

Paulo Vieira: Sensacional. Eu confesso que na minha última temporada, que foi a temporada de 2014, foi a temporada que eu perdi meu pai. Então, eu inclusive atrasei minha viagem, e eu liguei para o treinador e falei, “olha, aconteceu isso, não estou preparado emocionalmente, afinal de contas, eu tive que passar 3 meses dentro de um hospital. Então, fisicamente, eu também não estava preparado”. E nesse momento, me provaram de novo, que os caras estavam do meu lado. Eles disseram, “Paulo, vem, a gente vai te preparar para que você esteja bem durante a temporada”. E voltei para os Estados Unidos, e foi a última temporada. Acho que eu passei 6 jogos sem atuar como titular. E nos jogos restantes, eu fui titular, como graças a Deus já vinha sendo nos últimos 3 anos.

Luciano Pires: Ali está cheio de olheiro lá. Eles estão tudo lá, porque a universidade é o celeiro para …

Paulo Vieira: Exatamente.

Luciano Pires: Você chegou a ter algum convite? Alguém te procurou lá para…?

Paulo Vieira: No final da última temporada, eu recebi duas cartas, me convidando para ser avaliado. Mas ali eu já tinha decidido que eu não queria.

Luciano Pires: Você queria voltar para o Brasil?

Paulo Vieira: Não. Não queria voltar para o Brasil. Eu queria seguir onde eu estava estudando, para me tornar um profissional daquela área. Então, eu nem cheguei a persuadir, “ah, vou fazer um teste”. Outros brasileiros foram. Hoje, um cara que é meu sócio na empresa onde a gente está, jogou futebol profissionalmente lá nos Estados Unidos. E foi o mesmo clube que também me fez a carta, me entregou uma carta-convite para ser avaliado.

Luciano Pires: Você estava com 24 anos?

Paulo Vieira: 24 anos.

Luciano Pires: E aos 24 anos, você toma uma outra decisão. Eu vou aposentar a chuteira, e vou pegar a gravata.

Paulo Vieira: Exato. E foi isso que aconteceu. Com 1 mês e meio depois que eu me formei, eu consegui a licença lá para trabalhar legalmente, depois de estar formado. Em 1 mês e meio, eu já estava como gerente financeiro regional de uma empresa do ramo alimentício, lá nos Estados Unidos. Uma das maiores empresas do ramo alimentício dos Estados Unidos. Chama Kroger, é a concorrente direta do Walmart, quando se trata de ramo alimentício.

Luciano Pires: Pô, que legal cara. Na cidade mesmo?

Paulo Vieira: Não, na cidade vizinha, em Salina, uma cidade pequena também, mas a cidade vizinha de onde era a minha faculdade.

Luciano Pires: Muito bem, estou aqui nos Estados Unidos, arrumei meu emprego legal aqui, mas meu pai morreu, minha mãe está sozinha, meu irmão está sozinho lá. O que que eu faço da minha vida, cara? Para onde é que eu vou levar minha vida?

Paulo Vieira: Ali, eu tinha decidido que eu ia mudar a minha vida, e a vida da minha família, até então. Como que eu mudava isso? Financeiramente falando. E eu tinha um baita salário lá nos Estados Unidos, ganhava U$ 5 mil dólares por mês, aproximadamente. E, que na verdade, líquido era U$ 4 mil, porque quando transferiam o dinheiro para a minha vida, U$ 1 mil dólares já saia automaticamente para a conta da minha mãe. Então eu vivi minha vida, com U$ 4 mil dólares. Até que, eu saí da primeira empresa, e me mudei para o Arizona. Saí do Kansas, e fui para o Arizona.

Luciano Pires: O que foi? Convite?

Paulo Vieira: Não, não estava rolando lá nessa empresa, não tinha futuro, não tinha perspectiva.

Luciano Pires: Você não tinha na cabeça o bichinho do empreendedorismo ainda?

Paulo Vieira: Não.

Luciano Pires: Não estava na ideia de montar nada?

Paulo Vieira: Não, estava ali de ganhar dinheiro, como um funcionário de uma grande empresa.

Luciano Pires: Tá. Totalmente enturmado?

Paulo Vieira: Totalmente.

Luciano Pires: Cultura americana, tudo?

Paulo Vieira: Não, eu amo aquele lugar. Eu amo o Brasil, mas aquele lugar é fantástico. Me recebeu muito bem, e eu sou muito grato a isso. As pessoas que conviveram comigo, e fizeram parte desses 4 anos e meio aí.

Luciano Pires: Que ano nós estamos? 2005?

Paulo Vieira: 2015.

Luciano Pires: Ah, 2010, evidente. Estava com 2000 na cabeça. 2015 então.

Paulo Vieira: 2015. E em agosto de 2015, eu fui morar no Arizona, porque tinha um brasileiro lá, morando lá, trabalhando. E ele me falou que era um salário até maior que o salário que eu tinha, e que ia conseguir falar com o gerente, e me colocar lá.

Luciano Pires: Mesma área, finanças também?

Paulo Vieira: Não, aí eu fui trabalhar em um call center. Mas, pagavam mais. E naquele momento, eu vi que o dinheiro estava fazendo diferença na vida da minha família.

Luciano Pires: Call center, fazendo o que?

Paulo Vieira: Atendendo clientes brasileiros. Era uma empresa chamada GoDaddy, uma empresa que…

Luciano Pires: Eu sei, é meu primeiro… a URL, acho que a primeira que eu comprei, foi…

Paulo Vieira: Foi de lá, né?

Luciano Pires: meueverest.com. Eu comprei da GoDaddy.

Paulo Vieira: Muito bom. Barato, inclusive. Deve ter sido.

Luciano Pires: Cara, você atender telefone, ia ganhar U$ 6 mil dólares, isso?

Paulo Vieira: U$ 6.660,00 dólares.

Luciano Pires: Atender no 0800, no call center.

Paulo Vieira: No call center. O cliente estava aqui no Brasil, ligava no número que tem lá no site, mas a base da GoDaddy, era no Arizona.

Luciano Pires: Você atendia brasileiros, então? Você atendia português. Quem falava língua portuguesa, você atendia.

Paulo Vieira: Exato. Durante 1 mês, eu trabalhei no setor americano, que era uma fase de treinamento. E esse salário, ele só era possível, por causa das vendas, né? O salário fixo não era esse, mas, o salário com as comissões de venda, era possível chegar a U$ 6.500,00, até U$ 7 mil dólares por mês. E ali foi outro momento marcante para a minha vida. Porque eu vi que eu estava mudando a vida da minha família, mas a minha estava estagnada. E eu descobri que dinheiro não era tudo. Estava no Arizona, nos Estados Unidos, país que muita gente queria estar lá, ganhando um bom salário, ajudando financeiramente minha família, e eu não estava satisfeito. Isso aqui não é para mim. Não vim para os Estados para jogar futebol, me formar, estar trabalhando no call center, e ali comecei a avaliar minhas opções. E eu acredito que eu tinha desistido já um pouco ali de estar sozinho nos Estados Unidos. Morava com meu amigo brasileiro, mas não era o que eu queria para o resto da minha vida. Afinal de contas, ali eu já tinha 25 anos, faço aniversário em julho, 2015, eu já tinha 25 anos. E ali eu comecei a fazer pesquisa sobre processos de treinee no Brasil, diversas empresas, porque…

Luciano Pires: Você pensou em voltar então?

Paulo Vieira: Pensei em voltar.

Luciano Pires: Você botou na cabeça que era aqui que você queria expandir.

Paulo Vieira: Era aqui que eu queria estar como um funcionário, dentro de uma grande empresa, para eu ganhar um grande salário. Aqui, pelo menos, eu estava mais próximo da minha família. E foi isso que eu fiz. Me inscrevi em diversos processos. Quando as pessoas entraram em contato, eu expliquei que eu estava nos Estados Unidos. Até as fases finais desse processo seletivo, eles foram todos realizados via Skype, via Hangout, para que as pessoas me conhecessem, fossem me avaliando. E, no final das contas, eu vim parar em São Paulo, em outubro de 2015, novembro de 2015, para falar a verdade, para realizar…

Luciano Pires: Anteontem.

Paulo Vieira: É, para realizar o processo seletivo em 6 empresas. Não me recordo o nome de todas elas agora, mas, foram 6 empresas. E assim, tirei licença da empresa, da GoDaddy, falei para eles que eu ia no Brasil, tinha que ir no Brasil. Não disse o motivo, e tudo, mas, me concederam a licença. E eu fiz as contas, preciso no Brasil de 4 dias, marquei minha passagem de volta para o Arizona, com 7 dias, que era o tempo que eles tinham me dado total. Vim para São Paulo, realizei os processos, passei em uns, não passei em outros. E tinha passado, tinha alcançado o objetivo que eu queria, desde o início. Passar em um processo de treinee para uma multinacional, para uma grande empresa.

Luciano Pires: Onde você não ia ganhar U$ 6 mil dólares por mês.

Paulo Vieira: Onde eu não ia. Mas…

Luciano Pires: Você balanceou isso tudo.

Paulo Vieira: Eu ia estar no Brasil, ia estar próximo da minha família.

Luciano Pires: Sim, mas com uma redução legal.

Paulo Vieira: Exato.

Luciano Pires: Até porque não dá para fazer as contas. 6 vezes 4, 24. Se você fizer essa conta, aí que não dá nunca.

Paulo Vieira: Aí você fica louco.

Luciano Pires: Nem R$ 6 mil reais, talvez. Nem isso ia dar aqui.

Paulo Vieira: Mas a única conta que eu fazia era. Eu entrego U$ 1 mil dólares para a minha mãe, isso convertido dá praticamente R$ 3 mil reais. Eu vou ter condições de dar R$ 3 mil reais para a minha mãe, ganhando salário aqui no Brasil? Não, não vou ter. Não naquela condição. E ali eu vi os dias passando, recebi os resultados, informei eles também que eu tinha passagem, que se eu passasse, eu não iria voltar. E que bom que foram pessoas muito compreensivas, e me deram resultado positivo e negativo de algumas empresas, de imediato, praticamente de imediato, com 2 dias ali. E eu tinha que decidir se nas empresas que eu tinha passado, se valia a pena para eu ficar no Brasil, ou, se eu voltava para os Estados Unidos com um único intuito de ter dinheiro para poder ajudar a minha família. Resultado de tudo isso, não fiquei em São Paulo, nos processos seletivos que eu havia passado. Não voltei para os Estados Unidos, e fui para Fortaleza, a convite do então hoje meu sócio, para se juntar a empresa que ele tinha aberto, praticamente fazendo o mesmo sistema que a gente faz hoje, para que os atletas possam ir estudar e jogar futebol nos Estados Unidos, chamada Next.

Luciano Pires: Estava nascendo a empresa?

Paulo Vieira: Tinha acabado de abrir, estava com 5 meses de empresa aberta.

Luciano Pires: Você tinha 3 opções. Você escolheu a mais desgraçada, a mais incerta, porque estava perto da sua família, era isso?

Paulo Vieira: Isso, lá em Fortaleza.

Luciano Pires: O que foi? Foi uma decisão emocional?

Paulo Vieira: Foi uma decisão emocional.

Luciano Pires: Não foi racional, foi emocional.

Paulo Vieira: não. Se fosse pensar, financeiramente falando, eu tinha que voltar para os Estados Unidos. Se eu fosse pensar ali, de repente, em uma proposta de estar em uma multinacional, eu tinha que ficar em São Paulo. E, eu escolhi voltar para Fortaleza, para a Next em Fortaleza, para trabalhar no setor comercial, já que eu achava que eu sabia vender, devido as experiências anteriores.

Luciano Pires: E você vai para lá o que? Como sócio dele, ou como funcionário? Como que você foi?

Paulo Vieira: Luciano, como treinee júnior, em um setor comercial. O estepe básico ali.

Luciano Pires: Em uma empresa que tinha 5 meses de vida.

Paulo Vieira: Em uma empresa com 5 meses de vida. Isso minha mãe passou 2 meses sem falar comigo.

Luciano Pires: Imagino cara, que você chutou tudo para o alto outra vez, né?

Paulo Vieira: Exato. Mas foi isso que mudou minha vida de novo.

Luciano Pires: Como é que se toma uma decisão como essa? Tem que ser muito maluco para tomar uma decisão. Ou, tem uma luz, ou é uma luz. Ou você acorda um dia, e fala, “cara…”. Por isso que eu te perguntei. É emocional essa decisão? É pela emoção, o que que era?

Paulo Vieira: Foi visão. Foi visão. Eu…

Luciano Pires: Você confiava nesse seu amigo?

Paulo Vieira: Confio até hoje, cegamente. A gente se formou junto nos Estados Unidos, ele largou o sonho dele de futebol também, para abrir a empresa no Brasil, em Fortaleza.

Luciano Pires: Já veio com a ideia desse negócio para cá.

Paulo Vieira: De abrir uma franquia, né.

Luciano Pires: Que era…

Paulo Vieira: A Next.

Luciano Pires: Levar a garotada para os Estados Unidos.

Paulo Vieira: Para fazer o processo que nós fizemos.

Luciano Pires: Não tinha nada disso no Brasil?

Paulo Vieira: Acho que tinha algumas outras empresas. Em Fortaleza, não tinha. Então, era um oceano azul, né. E eu acompanhei a abertura da empresa, ajudei de alguma maneira, mesmo à distância, mas estava próximo. E quando eu cheguei em São Paulo, eu entendi que cara, não vou ficar aqui em São Paulo sozinho de novo, para dar minha cara a tapa de novo, para me aventurar de novo. Se eu vou fazer isso, eu vou fazer para mim.

Luciano Pires: Para a minha empresa, meu negócio.

Paulo Vieira: O que não era minha empresa ainda. Pelo menos, não no papel.

Luciano Pires: Isso aconteceu comigo também, só que foi de um jeito diferente. Depois de 26 anos em uma empresa, eu com 52 anos de idade, diretorzão, meu chefe era o presidente da empresa, eu superbem. Salário de multinacional, a empresa quebra nos Estados Unidos, começa a diminuir aqui no Brasil. Vai para as cucuias, a minha área de Marketing acabou aqui. E aí eu tive que tomar uma decisão. 52 anos de idade, pego meu currículo e vou arrumar, com esse baita currículo meu, um puta emprego de diretor em uma outra multinacional, ou chuto tudo, e vou cuidar do meu negócio. E eu escolhi cuidar do meu negócio. Que bom. E montei isso que você está vendo aqui.

Paulo Vieira: Por isso que eu estou aqui hoje. Então, que bom.

Luciano Pires: E são decisões que tem, racionalmente ela não se explica. Agora, do ponto de vista de, a visão, acho que pode dar certo.

Paulo Vieira: Se a gente parar para pensar, Luciano, a minha ida para os Estados Unidos, ela não tinha um fundamento racional. Vamos lá, eu não falava inglês, eu não tinha o dinheiro, eu não tinha uma base nos Estados Unidos. A minha família não tinha condição financeira para que se algo desse errado, eu tivesse suporte deles. Mas, eu fui.

Luciano Pires: Mas, você tinha 20 anos de idade, e também não tinha uma opção melhor aqui.

Paulo Vieira: Exato.

Luciano Pires: Então, não é tão maluco.

Paulo Vieira: A volta para o Brasil, praticamente a mesma coisa. Eu sabia que com meu currículo, e com as minhas competências, eu ia conseguir alguma coisa em Fortaleza. Eu não tinha tentado nada em Fortaleza. Tentei tudo de multinacionais, que são sediadas em São Paulo. São Paulo, Espirito Santo. Mas, eu sabia, eu tinha essa convicção de que eu ia, algo eu ia arranjar em Fortaleza, se desse errado com a Next. E voltei para Fortaleza, para trabalhar no setor comercial, sem um salário fixo, onde meu salário era totalmente variável, isso ia depender da minha produção.

Luciano Pires: E a sua produção era conquistar…?

Paulo Vieira: Captar novos clientes, novos atletas.

Luciano Pires: E o desenho lá, o que que é? Uma empresa que faz a conexão desses atletas com as universidades dos Estados Unidos? Assim?

Paulo Vieira: O que que é a Next? A Next é uma empresa que hoje a gente trabalha com uma preparação de um desenvolvimento desses atletas que tem, almejam, que tem o sonho de jogar e estudar nos Estados Unidos. A Next hoje tem contato com mais de 1500 universidades nos Estados Unidos inteiro, e hoje a gente já tem um bom relacionamento para que o atleta vá para lá amparado. Então, qual que é a nossa função? Selecionar os melhores daqui, dentro de cada unidade, dentro de cada cidade. Prepará-los, com aulas de inglês, que são terceirizados com uma outra empresa. E com os treinamentos de futebol, para que os caras estejam habituados a realidade do futebol nos Estados Unidos. É totalmente diferente da realidade aqui no Brasil. E esse processo normalmente, ele dura aí, a depender do nível futebolístico do atleta, do nível de inglês do atleta, mas, a gente tem um tempo médio de 12 a 14 meses, para que o atleta ele consiga uma proposta, dentro das condições que ele quer, que a família quer, e que ele está apresentando, em termos de potencial, para que ele possa ir estudar nos Estados Unidos.

Luciano Pires: E você é o cara que esparrama o currículo desse garoto, pelas universidades todas?

Paulo Vieira: Na verdade, eu faço a primeira captação. Eu fazia, na época, a primeira captação.

Luciano Pires: O que que é a primeira captação?

Paulo Vieira: Entrar em contato com todo e qualquer jovem que joga futebol, na cidade de Fortaleza, para explicar que existe essa possibilidade. As pessoas não conhecem até hoje, são 3 anos de empresa, nossa equipe comercial muitas vezes entra em contato com o atleta, e o cara nunca ouviu falar. Assim, é uma infinidade de potenciais atletas, que queiram essa oportunidade. Então o setor comercial da gente é isso, é um comercial ativo, que a gente busca explanar a oportunidade para o atleta. E, no final de tudo, a gente faz uma entrevista com ele, para que a gente possa avaliar também se é um cara que vale a pena a gente abrir essa oportunidade, afinal de contas, é o nosso nome em jogo.

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Tem um negócio então. De repente, você se vê sentado numa casa humilde da periferia, seu Zé, dona Maria, e o Zezinho sentado ali os 3. E você abre um negócio, eu vim explicar para vocês o que que se trata aqui.

Paulo Vieira: A única diferença, é que era no nosso escritório físico.

Luciano Pires: Você convidava o pessoal para ir lá, para mostrar…

Paulo Vieira: A família ia até lá.

Luciano Pires: Como é que você encarava… deixa eu ver se eu consigo entender aqui. De quem você ganhava dinheiro? A empresa ganha dinheiro de quem? Desse garoto que paga para estar lá? Da universidade que vai buscá-lo? Do passe dele, quando ele ficar… Como é que funciona esse processo?

Paulo Vieira: Da família.

Luciano Pires: É como se fosse um intercambio?

Paulo Vieira: A família investe em um serviço que será prestado, de treinamentos, de curso de inglês, e toda a parte acadêmica, de suporte acadêmico, que a nossa empresa tem capacidade de dar. E orientação para que ele possa conseguir o resultado final, que é o embarque para os Estados Unidos. Naquele momento, Luciano, eu estava maravilhado como eu estou hoje, para falar dos Estados Unidos. Para falar do que aquilo tinha transformado minha vida. Então, o atleta ele sentava na minha frente, a família sentava na minha frente…

Luciano Pires: O olho começava a brilhar, e ninguém segura.

Paulo Vieira: Ninguém segura. Então, não é que é fácil, mas, vender o que você compra, acredita, que eu iria de novo, é realmente fascinante.

Luciano Pires: Mas esse é o grande insight né? Quer dizer, se você tem um cara que, eu sou advogado do produto, não porque quanto mais eu vender, mais eu vou ganhar. É porque eu experimentei, porque eu sou resultado dele, o que aconteceu, eu vi acontecer comigo, e sei que isso pode acontecer. Isso é contagiante.

Paulo Vieira: E aí contava minha história em cada entrevista, em cada reunião que eu tinha com a família. E o que me surpreendia, é que as pessoas queriam aquilo, não sabiam que era possível, e quando se é apresentado, muitas vezes a pessoa até, “isso aqui está bom demais para ser verdade”. Mas é verdade. Hoje a Next tem 36 unidades no país inteiro, no Brasil inteiro. Eu já estou na minha quarta unidade. Mas tudo começou realmente no setor comercial.

Luciano Pires: Então, deixa eu explorar você mais um pouquinho aqui. O produto que você trabalha, é uma puta promessa, entendeu? Você está trabalhando, você não está, vou vender para o seu filho, aula de inglês. Não é isso. Você está oferecendo para o cara, um futuro, a sua vida. “Olha, eu vou te levar para um lugar, que se você, se der tudo certo, você vai ganhar em dólar”. Para aquela família, normalmente família humilde, né? Acho que a maioria deve ser assim, né? E você está oferecendo para eles, um… é impensável. Então, o risco desse negócio virar uma frustração, é fenomenal, né? Como é que vocês lidam com isso, cara?

Paulo Vieira: O nível de responsabilidade é muito grande, Luciano. E a gente sabe do que que a gente está falando, quando se trata de sentar na frente de uma família, que independente da condição financeira, mas que todo pai, toda mãe, enfim, todo responsável por uma criança, quer o melhor para aquela criança, aquele garoto. E a gente tinha que falar a realidade, e eu acho que esse é o ponto fundamental para fazer com que o negócio dê certo. Nós não somos vendedores, aquele vendedor que faz de tudo para tu compre o produto dele. Que vai ali explanar todas as qualidades, tudo o que pode vir. Cara, a gente vende uma possibilidade de um futuro melhor. A gente vende, hoje a Next a gente fala que a gente vende realmente futuro.

Luciano Pires: Eu recebi um e-mail de uma ouvinte minha, faz alguns anos. E ela me contando que ela estava assim, passando por um momento da vida, a família em um momento enlouquecedor da família deles, porque o sobrinho dela estava na peneira do Corinthians. E ela que levava ele na peneira, e que naquela semana, o garoto ia para a peneira, e o resultado daquilo ia mudar a vida da família. E quando ela falava, deve ter uns 15, que se o moleque der certo, a família, muda a vida da família. E eu lembro que eu fiquei tão impressionado com aquele texto dela, porque eu falava, cara, olha o nível de expectativa que todo mundo tem, colocado em um garoto de 10, 12 anos de idade. Esse moleque vai entrar com uma carga nas costas dele, que é um negócio horroroso. Se ele não passar na peneira, imagina aquele povo todo borocochado.

Paulo Vieira: A frustração ia ser gigante.

Luciano Pires: Que coisa horrorosa. E eu sei que ele não passou na peneira. Ela me escrevendo brochada, vamos começar tudo de novo, etc. e tal. Quer dizer, lida-se com alguma coisa além, não é se o moleque vai ser competente ou não, tem um pai, tem uma mãe, você está lidando com a vida das pessoas. Cara, isso é de uma responsabilidade.

Paulo Vieira: E é necessário sempre, que haja um alinhamento de expectativa. O garoto, ele não entra na Next, e, no próximo mês ele vai embarcar. Não. São levados em consideração uma série de fatores. Nível de inglês, nível de futebol, onde que a gente vai precisar atacar, para que ele possa se desenvolver. E quando não é da noite para o dia, facilita. Porque os pais entendem que, é um processo.

Luciano Pires: Aquilo é um processo.

Paulo Vieira: Então, não existem certezas. O garoto, ele não entra na Next, com a certeza de que ele vá para os Estados Unidos.

Luciano Pires: Pode ser que ele não vá.

Paulo Vieira: Exato. A ida dele, não está condicionada a nossa empresa. Não somos nós quem decidimos. Nós não somos donos de faculdade, ou escola nos Estados Unidos. A gente vai fazer a preparação da maneira que a gente sabe fazer, para que ele esteja apto a receber essas propostas, que vira o dos treinadores americanos.

Luciano Pires: Você falou que vocês estão com várias. Quantas são hoje no Brasil?

Paulo Vieira: Hoje são aproximadamente 36 unidades no Brasil.

Luciano Pires: Então você está hoje regimentando garotos do Brasil inteirinho?

Paulo Vieira: É uma franquia. Então hoje, as 4 unidades que estão sob meu controle, são Fortaleza, Recife, Brasília e Salvador. As demais, tem outros donos, outros franqueados.

Luciano Pires: Quantos garotos tem nesse pacote, cara?

Paulo Vieira: Posso te falar que em Fortaleza, a gente tem 150 atletas. Em Salvador, 170 atletas. Em Recife, cerca de 130, em Brasília, que a gente iniciou agora, a gente deve estar chegando próximo dos 100 atletas.

Luciano Pires: quanto dura esse ciclo. Esses 170 estarão lá por um ciclo que durará o que?

Paulo Vieira: Eu não consigo te dizer exatamente, porque todo dia pode entrar um atleta novo. Mas, a vida de um atleta dentro da Next, está bem, praticamente 100% de acerto, que dure 1 ano.

Luciano Pires: São 12 meses. Achei que era até mais, cara.

Paulo Vieira: Não.

Luciano Pires: Achei que era até mais.

Paulo Vieira: Isso não tem, imagina a gente pegar um garoto que está com um sonho. Luciano, a gente muda de ideia de sábado para segunda. Imagina se passar mais de 1 ano. Então, durante 1 ano, ele está sendo injetado uma carga ali de conteúdo sobre os Estados Unidos.

Luciano Pires: Ele está na escola tradicional dele, está estudando normal, e aí com você ele vai ter treinamento físico, vai ter treinamento prático de futebol, vai aprender inglês, e vai ter alguma coisa da cultura norte-americana, tudo sendo colocado para eles ali.

Paulo Vieira: Exato, através de cursos, de palestras, eventos onde treinadores americanos venha até a nossa cidade, para ter o contato direto com esses atletas. Então, de verdade, o cara, ele não vai como eu fui, totalmente despreparado. Ele vai sabendo que ele vai encontrar lá. Hoje a gente tem uma preocupação muito grande de entregar o que a gente vende. Infelizmente, serão os 170 atletas que irão embarcar? Infelizmente, não.

Luciano Pires: Que idade tem essa garotada?

Paulo Vieira: Entre, hoje, a faixa etária que a gente trabalha na Next, é entre 14 anos, e 23 anos.

Luciano Pires: Tem uma história no futebol brasileiro, que o futebol decaiu, e decaiu, não adianta você falar para mim, decaiu. Você está falando com um cara que viu Rivelino, eu vi Pelé jogar, eu vi Pelé no campo jogando, vi em campo. Vi Rivelino, vi Falcão, vi o que você puder falar, aí. Vi esses caras que não são jogadores, eram mágicos, eram magos. E vi um futebol que não tem nada a ver com esse futebol que se jogou, nada. Absolutamente nada, não tem mais nada a ver. Tanto que eu brochei, não quero mais saber de futebol, parei, não tenho mais saco para futebol. Hoje, eu sigo MMA, UFC, porque lá os caras dão o sangue. Entendeu? Aqui é muita tatuagem, muito cabelinho, muita frescura, muita grana, e muita frescura, sabe? Ah, eu estou cansado, porque tem jogo quarta e domingo. Bom, mas tem uma história aí, de que grande parte dessa mudança no futebol brasileiro que aconteceu, foi o fato da garotada talentosa ir embora do Brasil muito cedo. Não deu tempo de formar. O moleque assina contrato com 10 anos de idade. Já está preso em um time qualquer né?

Paulo Vieira: Pré-contrato, né.

Luciano Pires: É assim que funciona? Porque eu imagino o seguinte. Vocês tiveram que entrar em um mundo do futebol também. Eu imagino que você compete com olheiros de outros lugares. Está todo mundo lá. Aparece um moleque talentoso. De quem é esse moleque? Quem vai cuidar dele? E esse é um mundo meio complicado, não é não, cara?

Paulo Vieira: É. Assim, o nosso público, a Next, ela não é excludista. Então, tem desde o cara que nunca jogou em uma categoria de base, até o cara que está com 21 anos, já tentou tudo, como eu tentei. E não existe escolinha para garoto, acho que até mais de 17 anos, não existe escolinha. Mas, o cara quer o futebol. Então onde que o cara se encaixa com o futebol? Hoje a Next a gente consegue dar uma esperança, uma possibilidade, de que ele busque o futebol atrelado a educação. O que que acontece Luciano? Nós temos, muitas vezes, nós temos 2 tipos de clientes. Nós temos os pais que tem uma visão voltada para o estudo. Nós temos o atleta que muitas vezes, falar a verdade, muitas vezes o cara não quer saber do estudo. Quer saber da bola que ele vai jogar. Então hoje a gente, como você falou, é uma baita de uma oportunidade, porque engloba 2 dos principais temas: futebol e educação. Então, quando um pai ele enxerga o real valor de que o filho dele, de repente, tem a oportunidade de ir para os Estados Unidos jogar futebol, que é a realização do sonho dele. E continuar na educação, e de um alto nível, a gente está falando de um país de primeiro mundo, muitas vezes surgem propostas, e o pai, ele rejeita. Ele não.

Luciano Pires: O garoto está encaminhado para cá.

Paulo Vieira: Encaminhado para cá. Ele vê futuro naquilo. Porque de fato, é uma excelente oportunidade. E eu acredito muito que pode, tem a capacidade de mudar a vida de quem quer que mude. Como eu te falei, não são todos que entram na Next, e tem entendimento completo de que isso está ligado a educação, que vai exigir dele a educação. Muitas pessoas querem ir ali jogar futebol. E não é isso.

Luciano Pires: Sim, e lá nos Estados Unidos, os caras levam muito a sério isso.

Paulo Vieira: Levam, você sabe que levam muito a sério. Mas existe sim essa competição. Mas essa competição ela existe para o atleta, não para a Next. Nós somos muito bem resolvidos sobre, “cara, vai estar aqui, quem quer estar aqui”.

Luciano Pires: O foco de vocês é Estados Unidos.

Paulo Vieira: É Estados Unidos.

Luciano Pires: Para time brasileiro, para… Não dei certo lá. Tem algum canal para times brasileiros, para encaminhar essa garotada para outra…

Paulo Vieira: Nós não somos empresários. Mas assim…

Luciano Pires: Você não é dono do passe de ninguém.

Paulo Vieira: Não. Mas a gente acaba possibilitando, porque você imagina, lá em Fortaleza, constantemente, nós temos amistosos com categoria de base, seja do Ceará, seja Fortaleza, seja Ferroviário. Em Salvador da mesma forma, Recife mesma forma. Então, existem as possibilidades. Sempre tem alguém observando, sempre tem alguém olhando. E já aconteceu esse tipo de abordagem de um olheiro do clube, de um coordenador técnico do clube.

Luciano Pires: Vai lá ver o treino de vocês.

Paulo Vieira: Exato. E já aconteceu de levarem os atletas. Nós, não somos donos de ninguém.

Luciano Pires: Vai nascer um Next Futebol Clube um dia? Já passou pela cabeça isso, não?

Paulo Vieira: A Next, na verdade, a gente tem…

Luciano Pires: Deixa eu melhorar a pergunta. Porque tem coisas que são interessantes cara, e que a gente vê que lá fora é muito comum, e no Brasil isso praticamente não acontece. Que é, aliás, o basquete passou a ter muito disso, o vôlei teve muito disso, quando empresas vão lá em campo, por uma série de razões. Uma das razões principais, é que cria um puta de um marketing. Então, tem empresas que encamparam times de basquete, de vôlei, que jogaram a marca dela, ficou conhecida nacionalmente, porque ela patrocinava um time, e o time estava lá dentro da estrutura dela. No futebol isso é muito mais difícil de acontecer. Então, tem alguns casos aqui no Brasil, teve o Barueri, teve aqui os times aqui, que empresários foram lá, montaram um time, e o cara chegou quase a disputar, chegou na final do campeonato. Mas, é um negócio que não se multiplicou no Brasil. A gente não vê, por exemplo, o Flavio Augusto. O Flavio Augusto vai lá, sai do Brasil, e compra um time de futebol, e trata aquilo como um business cara. Isso é um negócio para ele. E você olha para o Brasil, fala bicho, aqui é um horror. Todos os times de futebol fodido, time com 30 milhões de torcedores, e lá quebrado, não consegue pagar as contas, é um horror. Cada vez que entra uma diretoria, entra um bandido novo lá, um negócio é terrível. É um amadorismo, na terra do futebol.

E eu não vi aparecer desenhos de empresários que olhasse, cara, vamos montar um negócio, com começo, meio e fim. Um projeto, que vai durar X anos, e que passará a dar continuidade. Aconteceu com o Barueri, Presidente Prudente, eu não me lembro. Eram duas cidades que o cara mudou de cidade, levou o time junto, e tratou aquilo como um negócio ali. E eu vejo uma oportunidade gigantesca de uma coisa dessa acontecer no Brasil, e não acontece nada. Parece que é uma barreira de entrada, que não deixa que você profissionalize a gestão do negócio.

Paulo Vieira: E existe. Onde a gente, eu pelo menos tenho essa visão, de que onde existem amadores, existe espaço para que você seja profissional. No meio do futebol, existe sim. Existem barreiras, que não facilitam, muito menos possibilitam a entrada de um business assim. A Next iniciou ano passado, o Next Academy Palm Beach, um time profissional, nos Estados Unidos.

Luciano Pires: De vocês?

Paulo Vieira: Isso. Exatamente. Não vou te falar que não já passou na cabeça dos diretores hoje da Next, passou. Vai acontecer? A gente não consegue te dizer isso hoje. Mas existe sim a possibilidade, sempre existe a possibilidade de que algo assim seja feito, porque como você falou, é uma oportunidade de mercado tremenda. Profissionalizar um esporte inteiro que na sua maior parte é amador, são clubes profissionais.

Luciano Pires: Com gestão amadora.

Paulo Vieira: Sim, exatamente. Mas isso, é um movimento que não é fácil, devido ao mundo do futebol, ao mundo dos dirigentes que colocam os objetivos deles, acima de um clube. Que são diferentes do Flavio Augusto. Flavio Augusto é o dono do time. É um business, é uma empresa.

Luciano Pires: Tem que dar certo, e tem que no final do ano, ter um [ROA], um monte de coisa lá, né? 3 anos de empresa, isso?

Paulo Vieira: 3 anos.

Luciano Pires: 3 anos.

Paulo Vieira: De franquia, né? A Next, ela já existe, digamos assim, de uma maneira um pouco mais amadora, desde 2009.

Luciano Pires: Você hoje é sócio? O que que você faz lá?

Paulo Vieira: Sou franqueado. Sou sócio dessas 4 unidades que eu te citei.

Luciano Pires: São suas então. Então, você hoje é dono de um business.

Paulo Vieira: Exato.

Luciano Pires: É dono do negócio?

Paulo Vieira: Exato.

Luciano Pires: Tá bem?

Paulo Vieira: Tá excelente.

Luciano Pires: Tá dando para mandar U$ 1 mil dólares para a mãe, no final do mês?

Paulo Vieira: Tá. Hoje já está dando. Quando eu voltei para o Brasil no final de 2015, início de 2016, no primeiro mês não deu não. E aí gerou uma briga incrível. Mas hoje, graças a Deus, eu consigo. Por isso que eu estou te dizendo, não era autoajuda. Hoje, para eu mudar a vida de outras pessoas, eu preciso mudar a minha vida primeiro.

Luciano Pires: Agora deu para entender, porque é o produto que você vende, realmente cara, quando ele dá certo… mesmo que não dê. Se depois de 1 ano, o garoto passar e falar, “não deu”, ele sai de lá com um puta aprendizado, ele sai de lá com uma porrada de coisa, que ele não teria indo na… como você foi.

Paulo Vieira: Mas esse índice é muito baixo. A Next, a gente não vende uma abertura para os Estados Unidos, para que o cara vá fazer aquele intercambio normal, de 3 meses, ou 6 meses, quem dirá 1 ano. A oportunidade é dada para, seja para o Ensino Médio, garoto que está aqui, de repente, no 1o ano do ensino médio, ele pode ir concluir o ensino médio nos Estados Unidos. E já fazer essa transição para a universidade. Ou, o cara que já terminou o ensino médio, e quer ir fazer uma faculdade nos Estados Unidos, jogando futebol, não abrindo mão de estar realizando, estar correndo atrás do sonho dele. Então, é uma oportunidade de 4, 5 anos, dependendo do curso que o cara escolhe, para onde ele vai. Como que vai ser o pós-faculdade, pós-formatura, né? Se vai para um clube, se vai trabalhar na área que se formou. Isso são infinitas possibilidades. Assim como foram para mim.

Luciano Pires: Eu nem sabia que tinha empresa fazendo o que vocês sabem. Para mim é uma surpresa saber que tem gente trabalhando nesse nível aí. E eu espero que tenha bastante gente conhecendo, e tirando proveito disso. Não tem mulher, é só homem?

Paulo Vieira: Tem, tem sim. Tem turma feminina. Exato.

Luciano Pires: E tem demanda, cara?

Paulo Vieira: Tem. Vamos lá, no entendimento que eu tinha quando eu cheguei lá em 2011, algumas pessoas ainda falavam que soccer era um esporte para mulheres.

Luciano Pires: Lá?

Paulo Vieira: Lá, nos Estados Unidos. E a seleção feminina de futebol lá nos Estados Unidos, é uma das mais fortes do mundo. Então, o futebol, o esporte, ele ganhou muita força de anos para cá. E o futebol feminino ele continuou sendo muito explorado, lá nos Estados Unidos. E tem muita demanda. Quer queira, quer não, Luciano, o Brasil ainda é o país do futebol. Ainda gera essa expectativa. A bola vai cair no pé do brasileiro, e aí? E nós temos grandes talentos aqui, tanto no masculino, quanto no feminino. E hoje a gente consegue explorar sim, esse mercado feminino também, né, são meninas que se o futebol masculino aqui no Brasil é amador, você imagina o feminino. Não tem apoio, não tem patrocínio, não tem a estrutura que o masculino tem. E o masculino ainda é errado, imagina o feminino. Então, é mais uma oportunidade que essas meninas têm, de persuadir o sonho, de buscar ali de fato, a realização. Que muitas delas, a grande maioria das vezes, não tem nem um apoio em casa, né, e precisam buscar ali quebrar barreiras, para que elas possam correr atrás do sonho. Mas, é um mercado que cresce muito, te falo que é um mercado que cresce muito dentro da Next, e lá nos Estados Unidos também. A gente vem buscando cada vez mais possibilitar isso, para que elas tenham essa oportunidade também, assim como os meninos.

Luciano Pires: E vocês vão expandir por franquia?

Paulo Vieira: Isso.

Luciano Pires: Que é uma outra encrenca, né? Teu máster lá, você não tem nada a ver com o máster?

Paulo Vieira: Não. Ainda não.

Luciano Pires: Você ainda não. Mas, tem o máster lá que é teu amigo de lá, e você assumiu ali a franquia.

Paulo Vieira: Exato.

Luciano Pires: A gente não vai ter tempo de falar de franquia aqui, senão isso aqui vai longe. Vira outro programa, só para falar da relação de franquia. Eu queria tentar fazer com você aqui, fazer um fechamento aqui. Vou tentar, hoje eu vou tentar começar um negócio que eu não tenho feito no LíderCast, que é reservar os últimos minutos, para a gente fazer um, meio que um [ropup] aqui, das coisas que a gente falou, e os insights que eu e você tiramos desse papo aqui. Então, vou lançar a peteca, e você me devolve. E se quiser me botar na jogada, também põe, tá? Então vamos ver se a gente consegue fazer uns minutinhos para isso aí. Então, a primeira coisa que para mim fica claro, é aquela história de pegar um garotão, ter que tomar uma decisão com 20 anos de idade. Então, o moleque entra… aos 19, eu tenho que resolver o que que eu vou ser quando crescer. Que universidade que eu vou fazer, onde que eu vou trabalhar. Cara, é uma carga de responsabilidade, que não cabe nas costas de um moleque de 19, né?

Paulo Vieira: A gente não é preparado para isso.

Luciano Pires: Não. E a sociedade exige que você tome essa decisão lá. Então, se eu escolher o curso errado? Eu vou conseguir voltar, fazer um segundo ou terceiro? Tudo bem, o jovem consegue. Mas cara, se você é um duro? Eu não tenho grana, eu tenho que acertar. Muitas vezes, você acaba criando uma situação de, eu tenho que fazer esse curso até o final, porque agora que eu comecei não vai ter volta, e eu me forme em alguma coisa que eu não goste de fazer, porque me obrigaram a tomar uma decisão com 19 anos de idade.

Paulo Vieira: A qual eu não estava preparado.

Luciano Pires: Ninguém nunca está preparado. Então, essa é a primeira coisa. E com você foi um pouco mais complicado, porque a sua decisão, te tirava debaixo da asa do papai e da mamãe.

Paulo Vieira: Tirava totalmente da zona de conforto, apesar de ser desconfortável.

Luciano Pires: Me dá alguns atributos que você acha que você usou, para tomar essa decisão. Você molhou o dedo, botou, o vento bateu, você falou quero. Como que foi?

Paulo Vieira: Cara, a gente vinha conversando até, e você escolhe quando você tem a opção. Quando você não tem opção, você faz aquilo dar certo. Isso me fez pensar que muitas vezes as pessoas dão errado, porque elas têm muitas opções. E você acaba não dando 100% da sua atenção, naquele que pode ser seu plano A. E aí o plano A, normalmente, é o plano que é o seu maior desejo. Normalmente, é o mais difícil, e as dificuldades irão aparecer. “Ah, mas eu tenho aquele outro plano lá…”. Eu não tinha. Os 4 anos e 6 meses nos Estados Unidos, envolveram muitas coisas. Envolveram não ter a grana, até porque R$ 18 mil reais não duram para sempre. Eu tinha contas a pagar, já com os R$ 18 mil reais. Envolveu viajar para os Estados Unidos, sem um puto no bolso. Envolveu ter que realmente, tinha um prazo ali para eu aprender inglês. Mas é isso, eu não tinha opção, Luciano. E eu tinha um sonho, que até então, aquilo ali estava muito vivo dentro da minha cabeça, de jogar futebol.

Luciano Pires: Esse é um insight legal, aquele de olhar e falar o seguinte, “cara, eu não tenho de onde tirar essa grana, eu vou ter que fazer esse dinheiro. Eu tenho 8 meses para fazer o dinheiro, e, pela conta que eu estou fazendo, o trabalho que eu tenho não vai dar para fazer, eu vou ter que me virar”. E, o interessante dessa história toda, foi que deu certo, porque você arrumou uma atividade na qual você não tinha nenhuma experiência, que era vendedor, e onde tinha um salário variável, que dependia do seu esforço.

Paulo Vieira: Exato. O que eu vejo, que as pessoas as vezes querem, é um cenário ideal para que elas deem certo. Cara, não existe cenário ideal. Você tem que criar o cenário, entende? Então ali, eu fui forçado a acreditar num sonho que eu queria viver, e eu tinha que buscar o que fosse necessário ser feito, para que eu tivesse a possibilidade.

Luciano Pires: E o foco legal que você está colocando, o pessoal fica muito preocupado com o fixo, né? E você falou o seguinte, “cara, eu vou pegar esse fixo que não me preenche, e vou fazer acontecer no variável”.

Paulo Vieira: Exato.

Luciano Pires: E aí foi para cima, e virou o campeão de vendas lá. Então tem um insight interessante aí, que você usou aquilo. Você sabia que não ia ficar lá, não era o emprego da sua vida, não era o emprego do seu futuro, mas, você usou como uma ferramenta para juntar o dinheiro que você precisava para ir para lá. Legal.

Paulo Vieira: Eu já tinha entendido que eu não tinha nascido para virar vendedor de roupa.

Luciano Pires: Outro insight legal que você deu, que eu achei interessante, é você dizer o seguinte. Cara, eu estou indo para lá, e na minha cabeça é o seguinte, eu vou entrar de cabeça na cultura deles. Vou falar a comida deles, vou falar a língua deles, vou me adaptar, porque eu estou em um terreno que não é o meu, e se eu resolver que qualquer incômodo que me der aqui, “ah, eu não quero mais. Está doendo, eu estou com saudade, está muito longe, eu não como a comida, vou embora”. Isso não passou pela sua cabeça?

Paulo Vieira: Passou.

Luciano Pires: O desespero de querer voltar.

Paulo Vieira: Mas não tinha…

Luciano Pires: O ficar era mais forte?

Paulo Vieira: Exato. Eu viajei para os Estados Unidos, sabendo que eu não ia voltar. Quando todo mundo me dizia, “eu não te dou 2 meses, tu volta”. Não volto, não tinha perigo de eu voltar. E ali de novo, eu estava disposto a me adaptar, a enfrentar o desafio que fosse aparecer. Primeiro ali, com a língua, com a comida, com alimentação, com a cultura dos outros atletas, a cultura dos Estados Unidos. Viver em um país diferente, uma cidade diferente, longe de tudo o que remetia à minha zona de conforto. E ali foi meu primeiro entendimento, de que nada acontece na zona de conforto. E que você precisa estar disposto, precisa haver uma predisposição, para que você realize coisas grandes.

Luciano Pires: E você levou isso tão adianta cara, que a hora que você chega no final do período, depois de 4 anos, está falando inglês, já tirei meu certificado, eu desisto do futebol, e vou cuidar da minha gravata, ao invés da minha chuteira. E outra, e não foi atrás do… “eu quero o emprego dos meus sonhos em tal lugar”. Você foi onde tinha oportunidade. Tem lá, eu vou lá, e vou fazer bem-feito.

Paulo Vieira: Eu tinha prazo. A licença, ela te dá 1 ano para que tu trabalhe depois da formatura. E aí tu tem que negociar com a sua empresa, para que tu tenha um visto de trabalho permanente ali. Eu tinha um prazo, e eu sabia que eu tinha que fazer algo dar certo de novo, dentro daquele prazo.

Luciano Pires: Com 24 anos.

Paulo Vieira: 24 anos, tornando 25.

Luciano Pires: Outro insight legal aqui, que esse a gente não vai conseguir nunca chegar a uma conclusão. Que é aquele insight do chamado. Diante das 3 opções que eu tenho, 2 são racionais, e uma é totalmente irracional, eu vou na irracional, porque parece que tem um chamado.

Paulo Vieira: É, você falou disso, e isso me trouxe a lembrança de que realmente eu não tomei a decisão sozinho. Eu sou um cara que eu acredito demais em Deus, converso com Deus todos os dias, agradeço.

Luciano Pires: eu ia puxar essa linhazinha agora, porque cara, a maioria absoluta das pessoas que senta na cadeira aqui, Deus. Aparece uma entidade aqui. Não me importa se é Buda, se é Krishina, se é Maomé, não interessa. Tem algo maior, e as pessoas falam o que você está dizendo aqui, agora. Na hora de tomar decisão, eu recorri a esse… Você tem, você é religioso, você segue?

Paulo Vieira: Eu acredito em Deus.

Luciano Pires: Mas você não tem, você não segue ritos e mitos de uma igreja, nada disso.

Paulo Vieira: Não.

Luciano Pires: Você só tem a compreensão de que vamos dar uma mão para o cara lá em cima, que ele me dá uma mãozinha aqui.

Paulo Vieira: O homem é bom. O homem é forte, e esteve comigo em todos os momentos de dificuldade, e de sucesso. Hoje, eu estou me tornando, cada dia que passa, uma pessoa de sucesso. E eu sou muito grato a todas as pessoas que atrapalharam e ajudaram durante esse período da minha vida, de 9 anos. De 2010 para cá, 9 anos.

Luciano Pires: Você é um moleque ainda, cara, você ainda tem muita cara para quebrar ainda.

Paulo Vieira: Graças a Deus, que eu tenho muita cara para quebrar.

Luciano Pires: Tem muita cara para quebrar no caminho aí. Fala uma coisa, o que que vem pela frente aí, cara?

Paulo Vieira: 2019 é o ano daminha vida.

Luciano Pires: É, por que? O que que vai rolar?

Paulo Vieira: Eu acabei de noivar. Tomei uma outra decisão na minha vida. Então, acabei de noivar. Mas, o ano de 2019, ele é um divisor de águas dentro da Next. Tenho números muito bem definidos, sobre o que que eu preciso entregar durante esse ano. E eu sei que entregando esses números, existe uma movimentação bem grande acontecendo nos bastidores, e que isso vai de novo mudar minha vida.

Luciano Pires: Não vou te obrigar a falar o que é aqui não, porque dá azar.

Paulo Vieira: Não faz isso comigo.

Luciano Pires: Eu entendi o que você vai buscar lá. Mas me fala uma coisa aqui. Quem quiser, vamos lá, a molecada que está babando. A molecada não, tem pais nos ouvindo aqui, tem garotada nos ouvindo aqui, tem um monte de gente, que nem sabia direito que esse esquema todo existe. Tem a Next aqui em São Paulo?

Paulo Vieira: Tem.

Luciano Pires: Tem Rio de janeiro?

Paulo Vieira: Sim.

Luciano Pires: Tem todos os Estados grandes, todos eles têm, né?

Paulo Vieira: Hoje a matriz da Next é no Rio de Janeiro. O escritório fica lá na Barra da Tijuca. Aqui em São Paulo, se não me engano, são 10 unidades, no Estado de São Paulo.

Luciano Pires: De novo. Não é uma escolinha de futebol. É uma preparação para um salto maior.

Paulo Vieira: O nome da empresa, Next Academy. É uma academia de futebol. A gente não vai trabalhar o be a bá do futebol, de escolinha.

Luciano Pires: Você não vai ensinar o moleque a tocar na bola, nada disso.

Paulo Vieira: Não, não dá, desculpa. Infelizmente, a gente não consegue.

Luciano Pires: A matéria-prima, já tem que vir, você tem que olhar e falar, bom, o moleque já vem com habilidade.

Paulo Vieira: E a gente vai explorar isso. A gente vai exponenciar o que ele tem de bom, e aprimorar.

Luciano Pires: Vamos bater nessa tecla aqui. Eu não vou botar meu garoto lá, para ele aprender a jogar futebol. Não é isso. Ele vai ter um mergulho em uma cultura, ele vai aprender a adaptar o talento dele a uma cultura, e com foco de jogando nos Estados Unidos, por um período incerto.

Paulo Vieira: Que ele determina.

Luciano Pires: Que nem sei se vai ser profissional ou não. Mas, a experiência em si, é uma experiência que muda a vida da garotada.

Paulo Vieira: Vai mudar, assim como mudou a minha.

Luciano Pires: O que que eu tenho que fazer como um pai interessado em botar meu filho aí?

Paulo Vieira: Hoje, as unidades da Next, elas têm vagas limitadas. A gente, não adianta de nada eu ter 500 atletas na minha unidade, e não entregar 100% do meu melhor para todos os 500.

Luciano Pires: Tem peneira?

Paulo Vieira: Existe, existe seletivas. Inclusive hoje, hoje é domingo. Hoje aconteceu em Brasília, ontem aconteceu em Fortaleza e Salvador. Recife acontece a próxima semana. São Paulo, eu confesso que eu não consigo te dizer, mas, tem tudo isso no nosso site.

Luciano Pires: Sim.

Paulo Vieira: nextacademy.com.br. Lá você vai ter acesso a ter contado direto com todos os franqueados, todas as pessoas que trabalham em cada uma dessas 36 unidades espalhadas no Brasil inteiro. E aí é um processo seletivo. Desde a peneira. Ah, o cara foi aprovado na peneira, ele está dentro da Next? Não. Ele vai passar agora, por uma avaliação acadêmica, onde aí a gente tem uma equipe comercial especializada em fazer essa entrevista, essa avaliação, para que a gente possa determinar se esse atleta ele vai ter acesso a essa oportunidade, ou não.

Luciano Pires: Pergunta que não quer calar. Quanto eu vou gastar para botar meu filho nesse projeto?

Paulo Vieira: quanto você vai gastar? Isso vai depender de cada atleta. A Next hoje, ela não tem um preço fixo, já pré-estipulado. Tudo vai depender do que vai ser necessário para o Luciano. Luciano já fala inglês? Ótimo, então ele vai ter…

Luciano Pires: Não vou precisar do inglês.

Paulo Vieira: Exato. Você vai ter um preço diferente por causa disso. O cara ali precisa de tudo. Então, a Next hoje, ela não tem um preço fixo. Mas, te diria que seria aproximadamente num ticket médio, de R$ 500,00 reais.

Luciano Pires: Isso que eu ia te perguntar. Uma ordem de grandeza, seria por aí, que não é nenhum absurdo. É o que ele gastaria em uma escola normal.

Paulo Vieira: E assim, se a gente parar para pensar, isso é um investimento que vai durar 1 ano. Afinal de contas, a Next é uma prestação de serviço. No momento que o serviço não está sendo prestado, não existe mais pagamento.

Luciano Pires: Repete para mim a idade. A faixa de idade, qual é o mínimo?

Paulo Vieira: 14 anos.

Luciano Pires: 14 anos é o mínimo que o garoto tem que ter para entrar lá. Tá.

Paulo Vieira: Até porque a gente consegue encaminhá-lo ou para o ensino médio, ou para a garotada mais velha, diretamente para a universidade. Então, a gente vai até 23 anos, com essa janela, essa grande porta aberta, para a galera que já tentou futebol, para o pessoal que de repente não é tão bom de futebol, mas, que quer estudar nos Estados Unidos, e consegue jogar. Existem universidades que exigem todos os níveis de atletas. Com as mais diversas possibilidades de bolsas de estudo. E lembrando, é uma bolsa de estudo. Não é uma bolsa de futebol. O cara não vai para lá, para jogar futebol. Vai para lá para estudar, e jogar futebol.

Luciano Pires: Se ele for mal no estudo, ele dança.

Paulo Vieira: Dança.

Luciano Pires: Se for mal no futebol, dança também. Fique bem nas duas coisas, né? Eu trouxe o Rayan Santos aqui, e o Rayan foi lá e acabou virando… entrou em campo para jogar soccer, e acabou virando jogador de futebol americano, para valer. Falou pô, sou magrinho, e sou rápido. Então ele acabou, kicker lá, chutador. E ele colocou muito claramente isso, sabe. A importância que foi o desenvolvimento dele escolar. Então ele conseguiu nas duas pontas. Escolar ele foi muito bem, foi muito bem no esporte.

Paulo Vieira: E eu vou te dizer. Para mim, foi decisivo entender isso de cara. Assim que eu cheguei, eu achava que eu ia jogar futebol, e quando eu cheguei, que eu vi que eu estava arrebentando dentro de campo, e devido muito ao inglês também, eu não estava tão bem dentro da sala de aula, eu estava sendo chamado atenção. “Olha, vai dançar”. “Ah, mas eu sou titular do time absoluto”. Não quero saber disso. Você foi chamado para cá, para dar resultado nos dois âmbitos. Dentro da sala de aula, e dentro de campo. Então, para a galera que tem essa vontade de repente de ir, tem que estar muito ciente disso. Esse é o nosso trabalh. Preparar quem vai, preparar a família, para estar…

Luciano Pires: Que é a grande jogada. Qual é o futuro de um jogador excelente no futebol, que intelectualmente não tem nada? Quando terminar a carreira, quando eu ficar velho, quando não tiver mais força para jogar futebol, o que sobrou para ele cara? Se ele não guardou os milhões muito bem guardado, ele vai se ferrar. E vai ficar à mingua, como a gente vê um monte de jogador.

Paulo Vieira: Nós temos inúmeros casos que isso aconteceu.

Luciano Pires: Sim. Até hoje continua de montão. Os caras se ferraram, não tinham a cultura para tratar o dinheiro. Depois que terminar o futebol, eu vou ser oque? Vou ser técnico. Cara, técnico tem 2 mãos, tem 10 dedos aqui. São 10, e deu. Então, é uma coisa interessante, que você abre uma oportunidade em um lugar, onde se você não é profissa, cara, esqueça. Estou falando de Estados Unidos. Lá, não é meia boca não. Não tem, “acho que vou”. Lá, não fez, não cumpriu, não entregou, você dançou. E é uma cultura que muda a cabeça da gente.

Paulo Vieira: Os Estados Unidos, é o país da oportunidade. Das oportunidades. Mas, para quem está disposto a entregar 100% de profissionalismo, enfim. O sucesso, ele é medido pelo resultado. Então, se você não tem isso, pode ser, “ah, sou excelente nisso, excelente naquilo”. Se você não tem resultado positivo que valide isso, amigão, você não passa de um falastrão.

Luciano Pires: Não tem quebra-galho, não tem jeitinho. Não tem.

Paulo Vieira: não tem jeitinho.

Luciano Pires: Legal. Muito bem meu caro, então está avisado aqui, atenção você que tem, é um jovem ou uma jovem que está disposta a passar por uma experiência, não precisa nem ir para os Estados Unidos. Acho que só esses 12 meses com essa visão do esporte como um business, sabe, do inglês, e dessa coisa de passar cultura totalmente diferente da nossa, acho que já é um banho de conhecimento.

Paulo Vieira: Eu tenho total certeza do impacto positivo que a gente cria na vida de todos que passam ali dentro, independente do embarque do produto final, embarque, estar com a gente, no entendimento que hoje a gente tem do que que significa protagonismo. O que que significa você tomar suas próprias decisões, você construir o seu futuro. Porque as pessoas que hoje estão dentro da Next, estão aplicando isso para a vida delas. É o que eu te disse, eu aplico isso para a minha vida diariamente.

Luciano Pires: Puta papo de autoajuda, cara. Risos.

Paulo Vieira: Para com isso.

Luciano Pires: nextacademy.com.br. Cara, muito legal. Eu espero que vocês continuem com essa ideia de trazer, e trazer de volta essa molecada também, porque a gente precisa ter que impregnar o Brasil, de gente que conseguir ter essa experiência que você teve lá, e trazer de volta para cá, sabe? Não ficar lá. Vai, aprende, toma as porradas lá. Pega a embocadura do que é você trabalhar em um ambiente tão profissional, e vem para cá. E vamos exigir de volta aqui também. Acho que essa contaminação do nosso ambiente amador, esculachado, essa coisa, essa produtividade baixíssima que nós temos aqui, com essa garotada que vem com essa visão diferenciada, é o que vai mudar o futuro do país, cara. Porque continuar levando o que nós levamos aqui, futebol, acho que não muito longe mais não, viu.

Paulo Vieira: E a gente está restringindo ao assunto futebol. Se a gente for aqui falar de outros setores…

Luciano Pires: Dá para ir muito mais longe. Obrigado pela visita, meu amigo. Gostou do papo?

Paulo Vieira: Eu que agradeço Luciano, excelente. Excelente.

Luciano Pires: então sucesso aí, obrigado por ter vindo.

Paulo Vieira: Para a gente.

Luciano Pires: Grande abraço para você.

 

Muito bem, termina aqui mais um LíderCast. A transcrição deste programa, você encontra no lidercast.com.br. O LíderCast nasceu da minha obsessão pelos temas liderança e empreendedorismo. É em torno dele, que eu construí minha carreira com mais de mil palestras, nas quais distribuo iscas intelectuais, para provocar equipes e indivíduos, ampliar seus repertórios, e sua capacidade de julgamento e tomada de decisão. Leve o fitness intelectual para a sua empresa. Acesse lucianopires.com.br, e conheça minhas palestras.

 

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