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Luciano Pires -
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Este episódio do LíderCast chega a você com apoio da Siemens.

Inteligência Artificial… O que era ficção, agora é realidade. As máquinas aprendem e fazem os ajustes necessários enquanto a fabricação ainda está em andamento. Em 2020, estima-se que 85% das interações entre consumidores e marcas serão feitas por meio de Inteligência Artificial, um segmento que receberá investimentos de 23 bilhões de dólares até 2023. Sabe o que isso significa? Maior produtividade, maior receita. A Inteligência Artificial não tem volta, vai revolucionar a execução de tarefas tradicionais.

Os pesquisadores da Siemens estudam as redes neurais desde a década de 1990, e estão na linha de frente da Inteligência Artificial. Desenvolveram O MindSphere, o sistema operacional aberto em nuvem da Siemens, baseado em Internet das Coisas (IoT), que pode ser utilizado para conectar indústrias, sistemas e máquinas. Cara, é o futuro agora!

Conheça mais em siemens.com.br ou o Facebook Siemens no Brasil.

 

Bom dia, boa tarde, boa noite. Bem-vindo, bem-vinda a mais um LíderCast, o PodCast que trata de liderança e empreendedorismo, com gente que faz acontecer. Hoje temos Pedro Hipólito, SEO da Five Thousand Miles, empresa portuguesa que se especializou em facilitar o desenvolvimento de negócios internacionais. Um cara globalizado, uma conversa muito nutritiva.

Muito bem, mais um LíderCast, vamos lá. Esse aqui foi assim. Eu recebi um e-mail de um cara que eu nunca vi na minha vida, Andrew. “Luciano, trabalho aqui em uma empresa em Portugal, a gente queria saber como que faz para participar”. Bom, eu vou resumir o assunto, né? Esse aqui é o nosso primeiro LíderCast overseas.

Pedro Hipólito: Exatamente!

Luciano Pires: Eu não vou dizer que é internacional, porque a gente já teve aqui uma argentina. Então, deu outro país, já veio alguém. Mas, é a primeira vez que vem overseas. Então, eu vou fazer para você três perguntas que são fundamentais. Dali para frente, é nosso bate-papo. E as perguntas são, seu nome, sua idade, e o que é que você faz.

Pedro Hipólito: Meu nome é Pedro Hipólito. Eu tenho 46 anos, e sou empresário. Tenho uma empresa de desenvolvimento de negócios internacionais.

Luciano Pires: que está sediada onde?

Pedro Hipólito: Em Lisboa. Mas temos também escritórios na Nigéria, e na África do Sul. Estamos agora prestes a abrir em São Paulo também, aqui no Brasil.

Luciano Pires: Bem-vindo, cara.

Pedro Hipólito: Obrigado.

Luciano Pires: Pedro Hipólito, você nasceu onde?

Pedro Hipólito: Em Moçambique. Nasci em Moçambique, ainda antes da descolonização, quando Moçambique era parte de Portugal.

Luciano Pires: Maputo?

Pedro Hipólito: É, em Maputo. E é daí que vem o nome da minha empresa, porque a minha empresa chama-se Five Thousand Miles, e é a ligação, a distância exata entre Lisboa e Maputo.

Luciano Pires: Ah, que legal. Eu achei que era por causa da música. Lembra do Five Thousand Miles, Five Thousand Miles…

Pedro Hipólito: Não, não tem razoes culturais.

Luciano Pires: Pensei que tinha.

Pedro Hipólito: Mas, é interessante, porque entre Lisboa e Maputo, são Five Thousand Miles. Entre Lisboa, e São Paulo, também são Five Thousand Miles. E mais interessante. Entre Maputo, e São Paulo, também são. É quase uma coisa assim mística.

Luciano Pires: Cara, é, você tem um triangulo aí que…

Pedro Hipólito: É incrível.

Luciano Pires: Acredite nele, né?

Pedro Hipólito: É incrível.

Luciano Pires: Você tem irmãos? Tem a sua família grande?

Pedro Hipólito: Sim, sou irmão mais velho. Depois tem a minha irmã, que também nasceu em Moçambique. E meu irmão já nasceu em Portugal, o mais novo. Somos três.

Luciano Pires: O que que seus pais faziam?

Pedro Hipólito: Meus pais eram dois professores. Meu pai era professor universitário, de engenharia hidráulica. E a minha mãe, era professora de engenharia química.

Luciano Pires: E a origem do seu pai e sua mãe?

Pedro Hipólito: São portugueses também. Foram para Moçambique muito novos. Porque ambos meus avós, do lado da minha mãe, e do lado do meu pai, saíram de Portugal ainda muito novos, e levaram os filhos bebês com eles para Moçambique. Separadamente, as duas famílias. E, portanto, tanto a minha mãe, como meu pai, cresceram em Moçambique. E depois eu nasci lá, e meus irmãos.

Luciano Pires: Na relação de colônia com…

Pedro Hipólito: Sim, era natural, os portugueses trabalharem em Moçambique, porque era parte do território de Portugal nessa altura.

Luciano Pires: Sim. E tem uma história fascinante. Aliás, hoje, hoje, saiu um Café Brasil 660, que é meu outro PodCast, chamado Na esquina da sua casa, que é baseado em uma ação que nós estamos fazendo humanitária, depois do furacão de Moçambique. Então, tem algumas pessoas que a gente atua em conjunto aqui, que trabalham lá também como missionarias, etc. e tal. E estão ajudando. E eu conto a história do que aconteceu em Moçambique. Tem um depoimento de uma missionária que trabalhava, muito legal. É uma terra… cara, Moçambique tem história.

Pedro Hipólito: Sim.

Luciano Pires: Moçambique tem história, cara. E tem… bom, eu não vou me aprofundar aqui, porque eu não sou o cara de lá, né? Mas, como é seu apelido, quando você era criança?

Pedro Hipólito: Toda gente me chamava Pedro sempre.

Luciano Pires: Era Pedrinho?

Pedro Hipólito: É, me chamava Pedro. E ainda hoje mesmo no mundo dos negócios, a gente me trata por Pedro, uma forma muito simples.

Luciano Pires: O que que o Pedrinho queria ser quando crescesse?

Pedro Hipólito: Bom, eu quando era muito novo, eu queria ser veterinário. Porque eu sempre tive essa inclinação de ajudar os mais fracos, e, de certa forma, via os animais nessa altura, como esse objeto, que precisava de ajuda. Então, durante muitos anos, eu quis ser veterinário. Até já ser adolescente, tinha 16 anos, ainda queria ser veterinário.

Luciano Pires: Sim. Você está falando de 30 anos atrás.

Pedro Hipólito: Sim.

Luciano Pires: eu imagino que Moçambique, Maputo, 30 anos atrás, era mais problema do que é hoje. Quer dizer, menos desenvolvido, menos… é um país africano, com todas as dificuldades que a África tem historicamente. E você vivia em uma bolha? Havia uma bolha?

Pedro Hipólito: É interessante a história da minha família, eu posso contar. Por exemplo, do lado da minha mãe, do lado materno, o meu avô era o engenheiro responsável pela construção do caminho de ferro. E o caminho de ferro, é sempre o limite da civilização. Quando está pela linha, onde acaba o caminho de ferro, estamos a falar dos anos 60, acaba a civilização, porque ninguém vai para lá do comboio. Então, a minha mãe, meus avós, irmã dela, minha tia, viviam no meio do mato, no meio do que nós podemos chamar da savana. Pegar espingardas, e caçar leões, a frente da casa. E voltar para almoçar. Portanto, temos fotografias incríveis da família com a mesa no meio da savana, sem nada a volta. Nada. Em toda volta, a minha avó, meu avô, e as duas filhas. E a espingarda encostada na mesa, almoçando na rua.

Luciano Pires: Eram desbravadores. E na África!

Pedro Hipólito: Sim. Em Moçambique, portanto, muito longe da Europa, é mesmo no Sul da África. E, portanto, isso que dá minha família, dá a vontade de estar onde as outras pessoas não vão. Do ir longe, do ir procurar. Isso é muito natural da minha família. Eu herdei um pouco essa veia.

Luciano Pires: O primeiro contato que eu tive com você, foi um post seu, falando viaje, como que é, aprenda sobre a NASA. Viaje no tempo, viaje no espaço, e conheça pessoas de outras áreas.

Pedro Hipólito: Sim. Porque uma das coisas, posso falar da sociedade portuguesa, porque do Brasil não conheço suficientemente bem. Já vim 10 vezes ao Brasil, mas não posso conhecer mais do que você. Mas eu penso que as pessoas em Portugal, e na África, Nigéria, que eu conheço muito bem, África do Sul. Eu costumo dizer, que as pessoas vivem em um raio de 50 quilômetros. Entre a casa e o escritório, há 50 quilômetros no máximo. E todos os problemas, toda a vida daquela pessoa, é um raio de 50 quilômetros a volta da casa dela. E dentro desse raio, as pessoas estão sempre a olhar para os pés e para o chão, e pensar, “a casa está limpa? O jantar está pronto? Os meninos vieram da escola? Houve um problema na freguesia, no meu vizinho”. Esquecem que o nosso planeta não é nada, mesmo todo planeta não é nada. Então, quando nós percebemos essa dimensão, e conseguimos projetar a nossa cabeça para fora dos 50 quilômetros, tudo que nos aflige, todos os nossos problemas, quase que desaparecem, porque são irrelevantes na verdade. Se agora cair um raio, nós dois morremos queimados, não acontece nada.

Luciano Pires: E o mundo continua.

Pedro Hipólito: Não acontece nada. Nós não somos importantes. Tanto que quando nós percebemos que não somos importantes, somos todos muito mais felizes, muito mais criativos. Podemos arriscar muito mais, não é? E, portanto, toda a nossa mensagem, toda a nossa empresa, funciona nessa ótima. Sai desses 50 quilômetros.

Luciano Pires: Você ouvinte, está ouvindo as palavras de um sujeito que é descendente de uma turma, que 500 anos atrás entrou em um navio, falou, “o que tem do outro lado? Não sei. Vamos embora!”.

Pedro Hipólito: É isso.

Luciano Pires: Querida, quando que eu volto? Não tenho ideia. Pega o dinheiro, e fica com você, porque eu não sei se volto. E era assim, que se atirava no mar, e vamos descobrir o que que tem para lá. Mas, vamos voltar atrás então. Você queria ser o que quando crescesse?

Pedro Hipólito: Veterinário.

Luciano Pires: Veterinário, perfeito. E você foi se preparar para isso?

Pedro Hipólito: Não, porque eu quando estava ainda no [LICEU], eu ainda era da área de ciências. Portanto, procurava ter acesso ao curso de veterinária. Mas aí nos meus 15, 16 anos, aliás, um pouco antes disso, desde os 12, eu comecei a perceber que ter dinheiro e ter recursos, é crítico. Não é porque um missionário sozinho, um veterinário sozinho, um médico sozinho, ajuda 3 pessoas. Mas um milionário, pode ajudar 10 mil todos os dias. E então quando eu percebi isso, disse, estou fazendo um erro de estratégia. Eu quero contratar veterinários. Eu quero poder ter efeito escala. Então, a minha cabeça começou a mudar, e dizer, não, eu tenho que ter sucesso nos negócios. E a partir daí, me tornei muito chato nessa área.

Luciano Pires: Você fez o [LICEU] lá? Em Maputo.

Pedro Hipólito: Já em Portugal.

Luciano Pires: Com que idade você saiu?

Pedro Hipólito: Eu voltei com 6 anos de Maputo.

Luciano Pires: Ah, então você, a sua adolescência toda, já foi em Lisboa?

Pedro Hipólito: É. E como meus pais eram professores, e davam muita atenção a educação, quando há um processo de volta, volta sem nada, porque a casa fica, o carro fica, não é possível trazer muito, e, portanto, volta-se quase do zero. E então os meus pais, apesar de tudo, com muita dificuldade, e tendo deixado tudo para trás em outro país, tinham que pôr a minha e meus irmãos, na melhor escola de Lisboa. O que quer dizer, que todos nossos amigos eram milionários, e nós éramos os que vieram da África, nós éramos os africanos. Classe média, africanos, éramos estranhos para eles. E isso veio a contar muito, foi muito sofrimento na altura, porque eu sentia a diferença. Embora eu sou branco como os outros, eu sentia a diferença. Mas ajudou muito na minha vida mais tarde, ao perceber isso. Espera lá, se eu tiver os recursos financeiros, eu consigo jogar esse jogo, e consigo ter um impacto.

Luciano Pires: que ano era isso?

Pedro Hipólito: Eu nasci em 71, fiquei até 78 comecei a voltar.

Luciano Pires: Estou tentando lembrar quando foi a revolução dos cravos.

Pedro Hipólito: Foi 74.

Luciano Pires: Quer dizer, você voltou 4 anos depois de uma virada…

Pedro Hipólito: É, já em descolonização, tudo.

Luciano Pires: Sim. E um momento em que Portugal estava tentando encontrar ainda o que que era essa coisa nova, esse modelo novo que vinha aí.

Pedro Hipólito: Certo.

Luciano Pires: Muito bom. E aí, como é que você… você já botou esse teu mindset de que, vamos ver se eu acerto aqui. Já tinha um mindset, de que você não iria trabalhar para alguém, não iria ser funcionário de uma empresa, mas, você ia montar seu próprio negócio, para poder ampliar, era isso?

Pedro Hipólito: Sim, era um pouco isso, mas, não necessariamente com pressa para fazer isso. O que eu queria mesmo, era conseguir ter recursos, estatuto, para ter impacto. E então, quando eu percebi que essa estratégia doutrinária, era uma estratégia de certa forma romântica, eu disse, eu tenho que fazer o jogo de gente mais poderosa, depois usar esses recursos para o que eu quiser. Então, comecei a pensar quais são as alternativas nos negócios. Tenho que estudar gestão, abandonei toda a área científica, e fui estudar economia, na altura. Formei-me em economista. Depois estava com (inint) [00:12:59.21] GSM, os primeiros telemóveis, celular, e eu entrei na empresa que lançou os celulares em Portugal. Logo, quando ainda era uma startup. Fiz dois anos disso. Depois, fui estudar gestão outra vez, fui fazer meu MBA ainda em Portugal. E fui o melhor aluno, e fui contratado pela Mckinsey que é a consultora mais prestigiada. Mckinsey Company.

Luciano Pires: Sim. E aí, você ficou com…

Pedro Hipólito: Isso deu um grande salto. Porque consultor é mais prestígio.

Luciano Pires: E outra, te dá oportunidade de navegar em todos os seguimentos da economia. Cada dia, você estava em uma empresa diferente, em um tipo de negócio diferente, né?

Pedro Hipólito: Por um lado isso, e por outro lado, acabou a conversa do, “ah, o coitadinho que vem da África”. Acabou nesse momento, porque a Mckinsey concorre em dez mil pessoas, para escolherem uma. É um Harvard da consultoria. Super bem pago, tanto que a partir desse momento, passei a ganhar mais dinheiro do que todos os meus outros colegas. Tinha um emprego com mais prestígio. E, portanto, o que eu dizia, passou a ser ouvido. Aí eu percebi, “estou a chegar, ainda não cheguei, mas, estou chegando, né? Está a acontecer qualquer coisa”.

Luciano Pires: Não, isso que você está falando é instigante, porque você encontra um tipo de um preconceito social, que você não poderia vencer, até porque você, tinha uma diferença de classe. Ou seja, já há uma diferença social grande ali. E, fica claro para você, que só ultrapasso se eu for melhor que essa turma aí. E, o jeito de mostrar que eu sou melhor, conseguir o melhor emprego, me preparar mais, saber mais, e é por aí.

Pedro Hipólito: Isso. E por isso eu tenho um pouco essa mensagem também, eu costumo dizer isso, pois posso contar um pouco mais a frente, umas coisas que nós fazemos. Mas, eu tenho essa mensagem para os jovens. É que, demora um tempo, mas é possível virar o jogo, é possível virar o jogo. Eu acho que muito os jovens, pelo menos eu sinto isso na Europa, pensam, não há hipóteses, ao poderosos, e a nós. Então, nós que não somos poderosos, vamos beber cerveja, vamos tocar guitarra, vamos viver peace and love. E vamos protestar, e vamos desistir do jogo. Passamos a ser eles os poderosos, nós o povo. Não é? E eu acho que a minha mensagem é, não é bem assim, porque se a pessoa for melhor aluna, melhor aluno pode parecer careta, né? Pode parecer chato. Mas, é uma estratégia também. É uma estratégia de dizer, eu vou dar a volta nesses caras. E de repente, dá mesmo, porque quando acabam a universidade, os pais deles já não contam.

Luciano Pires: Legal. Mas me diga uma coisa. Você está lá então como um consultor da Mckinsey, e eu imagino que deve ter um bichinho do empreendedorismo na sua veia, né?

Pedro Hipólito: Sim.

Luciano Pires: Um dia farei meu negócio. Você já tinha essa visão de que…

Pedro Hipólito: É, eu posso dizer que o tempo que eu estive na Mckinsey, que foi quatro anos, foi de um sofrimento profundo. Era muito útil para mim, mas, eu não tenho a mínima identidade com aquele mundo da consultoria, porque eu gosto de construir. E quando se está em um projeto de consultoria, contratado por uma grande empresa, faz três meses e depois muda. Está sempre com a sensação que está a abandonar o filho, não é? É como ter filhos, e deixar na rua. Então, ao fim de três, quatro anos, eu estava cansado, e queria mesmo poder gerir uma coisa em permanência. Eu fazia projetos em Portugal e na Polônia em simultâneo.

Luciano Pires: Portugal e Polônia?

Pedro Hipólito: É. Ainda gerava mais na reta final, nos últimos anos, ainda gerava mais desapego, em que eu sentia estudar recomendações, mas nem sei se vão ser implementadas. Se vai ter um impacto.

Luciano Pires: Sei. Você pegou a transição do Euro?

Pedro Hipólito: Sim.

Luciano Pires: com que idade?

Pedro Hipólito: Foi em 2002… tinha 28.

Luciano Pires: Você já era consultor, com essa idade? Ainda não?

Pedro Hipólito: Foi precisamente quando eu fiz a transição. Porque quando eu estava na Mckinsey, um dos meus clientes me convidou para passar a diretor de estratégia. Uma das maiores empresas…

Luciano Pires: E foi na transição para o Euro, né?

Pedro Hipólito: Foi.

Luciano Pires: Vamos dar uma desviada no assunto aqui, vou aproveitar você aqui, que eu preciso matar algumas curiosidades aqui. Eu sei que a chegada do Euro, a comunidade europeia, quando se junta, e monta o esquema todo com o Euro, cada país teve um impacto diferente, diversos impactos, né? E acho que Portugal sofreu um impacto grande lá. E eu me lembro que uma vez eu vi um comparativo de como é que cada país tinha reagido aquela entrada de recursos. Que a moeda muda, de repente, fica pau a pau, muda tudo, entram recursos, né? Por exemplo, a Irlanda pegou dinheiro, e foi fazer rodovias, foi cuidar da infraestrutura e tudo mais, cada país tomou de um jeito. E Portugal deu uma virada, mas não decolou. Os outros decolaram, né?

Pedro Hipólito: É verdade.

Luciano Pires: Como é que, o que aconteceu lá? Conta um pouquinho dessa história para nós aí.

Pedro Hipólito: Bom, a entrada na União Europeia e no Euro, isso não é popular, mas acho que foi positivo para Portugal. Trouxe muitos desafios também. Porque um dos instrumentos que os países soberanos têm, é poder desvalorizar a própria moeda. Então, quando o Estado, quando o governo quer aumentar a competitividade das empresas para exportar, desvaloriza a própria moeda. Quer dizer, que tudo que está no país, fica mais barato, e, portanto, é mais fácil de exportar. Mas isso é um pouco fazer “batota”, né? Porque ao final, está a desvalorizar todos os salários, as pessoas não percebem isso, mas, é isso que está acontecendo no dia a dia. Então eu acho que para haver esse instrumento, é muito duro, mas obriga a acordar para a realidade. Portugal fez um pouco também esses investimentos, por exemplo, a rede de estradas de Portugal. (Inint) [00:18:50.16], é a segunda maior qualidade do mundo, a seguir o Qatar. E, para ter uma noção, gastou-se fortunas a fazer estradas, gastou-se muito dinheiro em educação, portanto, a população portuguesa foi toda educada em massa, com muita qualidade. E há uma classe média muito grande, que não havia antes. Nós portugueses, em 1960, eram pobres. E, hoje em dia, muito menos. E, portanto, a qualidade de vida dos portugueses, eu julgo que melhorou. O país endividou-se muito. Agora, há uma certa cultura socialista em Portugal, que trava um pouco a competitividade das empresas.

Luciano Pires: Ainda, né?

Pedro Hipólito: É. Ainda, por exemplo, a Irlanda, tem muitos sistemas de competitividade fiscal, falou na Irlanda, para atrair os Googles, os Facebooks. A sede no Facebook na Europa, é na Irlanda. Por que? Por razoes fiscais. Em Portugal, ainda há muitos anticorpos a ajudar as grandes empresas, a ajudar o empresário. Há muita resistência a isso. E, portanto, quando há resistência a isso, não acontece.

Luciano Pires: Claro, o dinheiro vai procurar onde é mais seguro.

Pedro Hipólito: Claro, é como a água, vai sempre por onde está mais inclinado.

Luciano Pires: Claro. Mas interessante. E depois, Portugal passou por um período de crises complicadas. Eu tive lá, eu fiz alguns trabalhos lá, e eu vi que ela era o seguinte. De repente, estava muito bem, daí dava uma queda, depois voltava um pouquinho, dava uma queda outra vez, né? E é um país pequeno, e eu estou te especulando aqui, porque nós estamos no Brasil aqui, e, o Brasil está discutindo agora. Então, temos que educar, mais dinheiro na educação, infraestrutura. A gente está discutindo aqui, o que Portugal me parece que fez lá, quando ele recebeu aquela… Entrou na União Europeia, Portugal resolveu esses problemas todos. E, mesmo assim, não se tornou o Éden. Portugal, não virou o Éden. Educou todo mundo, arrumou infraestrutura, e continuou tendo problemas, né?

Pedro Hipólito: Sim.

Luciano Pires: E você me deu uma pista. Quer dizer, me parece que tem essa visão socialista, parece que impediu o país de decolar, né?

Pedro Hipólito: Mas, só uma nota. É verdade isso, a visão socialista impede os grandes rasgos empresariais. Trava um pouco isso. Mas, trata bem da classe média. Em Portugal, há pouca pobreza, a segurança é total. Eu posso por um relógio de R$ 20 mil euros no pulso, e sair de casa as 2 da manhã, ir passear, e não vai acontecer nada. Garantido, não vai acontecer. Não é? E se acontecer, dá um “terrefo” no cara, e ele vai embora, não vai dar um tiro. Portanto, para a classe média, é um bom país. É um país que oferece qualidade de vida para a classe média. Quem quer segurança, quem quer empregos bem pagos, não é milionário, mas bem pagos, quem quer hospitais que funcionam, boas escolas, isso há em Portugal. É muito boa a qualidade de vida.

Luciano Pires: Quer dizer, o segredo é encontrar esse… onde está esse equilíbrio, né?

Pedro Hipólito: Depende do objetivo de cada um. A minha visão é essa. Depende do objetivo de cada um. Se está a jogar para a classe média, tem um ótimo veículo em Portugal. Se está a jogar para ser o próximo Bill Gates, o lugar não é ali, não é? E, portanto, quer dizer, as coisas têm sempre dois lados.

Luciano Pires: Entendi. Muito bem, você quatro anos depois de consultor, você decide que vai…

Pedro Hipólito: Juntar-me a um dos meus clientes.

Luciano Pires: Exatamente. Então, você buscou um segmento onde você queria atuar? Você estava na sua… eu vou trabalhar na área de desenvolvimento de negócios? Estava claro para você, o que você ia fazer?

Pedro Hipólito: Eu comecei a fazer isso um pouco, quando eu fui logo para o MBA, porque eu sabia que aquilo, mais uma vez, eu precisava daquela ferramenta para me destacar. E então, quando eu fui fazer o MBA, eu antes de começar, listei as cinquenta disciplinas, as cinquenta carreiras, e disse, essas vinte e cinco, não quero nem saber. Essas vinte e cinco, vou ser o melhor. E essas vinte cinco, era tudo que era estratégia, finanças, estatística, microeconomia, macroeconomia. Isso criou um perfil em mim. Quando eu depois fui para a consultoria, para a Mckinsey, esse perfil ia comigo. Portanto, a Mckinsey faz projetos de estratégia, tanto que alavancava exatamente esse perfil. E eu vejo logo, disso que cria sempre fazer, se possíveis projetos que tivessem tecnologia, e empresas ou startups, ou não muito grandes, porque eu queria mesmo ter impactos nessas… Importante, sempre tive essa preocupação em ter um percurso muito coerente, né?

Luciano Pires: Me dá um… você me deu um insight muito interessante. Deixa eu explorar um pouquinho mais. Quando você pega as cinquenta cadeiras, e você separa vinte e cinco, que não quero nem saber, e vinte e cinco eu quero saber, qual foi o drive que você usou para descartar algumas, e pegar outras? Por exemplo, eu vou pegar as coisas que eu gosto, ou não, eu não gosto de economia, mas, eu preciso fazer…

Pedro Hipólito: Isso.

Luciano Pires: Como que foi o seu drive para escolher?

Pedro Hipólito: A minha sugestão para aqueles que são mais jovens, e estão nesse processo, é que tem que construir um perfil. Eles têm que construir um perfil. Acho que um bom exemplo, é pensar assim: um grande jogador de futebol, Cristiano Ronaldo, não é bom em basquete. Mas, ele é conhecido por jogar muito bem futebol. Se alguém põe um cesto de basquete, no meio de um campo de futebol, o Cristiano acabou, já não vai ser a superestrela. Nós, para sermos bons, temos que fazer uma escolha. A palavra certa, é escolha. E isso é uma das coisas que eu vejo através da cultura de hoje em dia, pouco fomentada. As pessoas…

Luciano Pires: É genérico.

Pedro Hipólito: É, vou viver a vida, eu quero experimentar o mundo, eu quero ter experiências diversificadas. Mas há uma altura que a pessoa diz, “eu vou fazer uma escolha, consciente, e vou criar um perfil para mim”.

Luciano Pires: É uma inversão. Eu me lembro o seguinte. Muito tempo atrás, essa ideia de quero viver a vida e vou explorar o mundo, acontecia depois que eu me aposentasse. Eu construí minha carreira, ganhei dinheiro, agora eu vou visitar o mundo, etc. e tal. E hoje inverteu. É a molecada de 22 anos, que quer primeiro essa curtição toda, e depois vou me virar, para fazer…

Pedro Hipólito: Depois vai dizer mais tarde que não há oportunidades. E não é não haver oportunidades. Quem tem as oportunidades, não consegue perceber quem é aquela pessoa a frente dele. Eu tenho uma oportunidade para dar a alguém. Eu vou procurar uma pessoa que se encaixa naquela oportunidade, porque uma empresa como a minha, nós temos que criar oportunidades. E as outras também. Quem é que vai apanhar a oportunidade? É a pessoa que tem um perfil, que eu consigo dizer, “esse cara é tipicamente a pessoa que faz isso. Então, eu vou dar para ele”. Quando tem um perfil muito vago, é muito difícil fazer encaixar essas peças do puzzle. É muito difícil. Portanto, é importante fazer uma escolha. A escolha pode ser o que a pessoa quiser, mas, tem que ser firme.

Luciano Pires: Sim. Você se juntou então a um cliente.

Pedro Hipólito: É, isso é um processo normal da saída do mundo da consultoria.

Luciano Pires: Então vamos lá. Você está há quatro anos em uma consultoria jovem, ganhando muito bem, com toda segurança, não digo toda segurança, mas, se você é tão bom como você dizia que era, e você foi escolhido em dez mil, como aquele cara que entrou. Quer dizer, você é bom, está agregando valor, está com bolsa salário, e tudo mais, e um belo dia falou, “bom, eu vou abandonar isso tudo, para abraçar algo que é o risco, com outro nome”. É um risco imenso embrulhado. Como é que… você já estava casado?

Pedro Hipólito: Não. E aí que está a chave. Portanto, eu tinha uma namorada, que hoje é minha mulher a altura, e a (inint) [00:26:40.16] da Mckinsey é supercompetitiva lá na consultoria. E como eu tinha dito, eu fazia projetos ao mesmo tempo, em paralelo, em Portugal e na Polônia. Estava sempre no avião. Então, eu não tinha tempo para minha namorada. Eu ia almoçar com ela, sentávamos, isso é muito estranho de dizer hoje em dia. Mas, eu sentava e dizia, fala o que você tem para dizer em dez minutos. Você tem dez minutos para você. E contava. E ao fim de dez minutos, dizia, “não tenho mais tempo, falamos outro dia, porque eu não tenho tempo para isso”. Então, havia muita tensão, não é, de não ter tempo para as pessoas.

Luciano Pires: ela era apaixonada, hein.

Pedro Hipólito: É. eu sei disso, tenho essa gratidão. Estou muito grato. E, portanto, eu tinha essa dificuldade de conseguir conjugar os dois mundos. E via a minha volta, dentro da Mckinsey, muita gente divorciado, muita gente que tinha desistido da família. E pensei, tenho que fazer uma escolha agora. Mas foi difícil fazer escolha. Recebi uma proposta de um dos meus clientes, que os clientes é muito normal pensar, porque eu vou pagar a Mckinsey para trazer esse tipo, né? Vou contratar ele direto. Custa um décimo do preço, do que pagar a consultora. E tem a mesma pessoa. Então isso é um processo normal. E um dia fizeram uma proposta, eu disse que não, para me tonar diretor de estratégia de uma grande empresa em Portugal, mas no outro dia seguinte, uma semana depois, estava saindo do escritório as quatro da manhã, a minha frente ia um partner, Mercedes escamutiável, amanhecer as quatro da manhã, eu pensei, rapaz, eu não quero ser esse cara. Eu não quero sair as quatro da manhã do escritório, nem que seja em um Rolls Royce. Não quero. Então no outro dia de manhã, nem dormi, fui para casa, chuveiro, oito da manhã estava a ligar para a Sherman, dessa empresa, a dizer, “ainda dá tempo?”. “Com certeza, pode começar, ainda não escolhemos mais ninguém. Ainda bem que mudou de opinião”. E assim foi, mudei para indústria, tornei-me diretor de estratégia de uma empresa portuguesa grande.

Luciano Pires: Você saiu de um triturador, né? Isso a gente vê muito no cinema. A gente pensa que isso aí, não é bem assim, mas é verdade, é um triturador. Quer dizer, você está em um universo tão competitivo, que se você der um passo a menos, se está todo mundo a 180, eu vou a 120, você ficou para trás, e foi atropelado. Então, se você não tem o espírito para o jogo, e o que eu sempre digo aqui cara. Dá para ter espírito para esse jogo, com 22 anos de idade, com 25. Que aí, eu sou melhor que o mundo inteiro, eu sou invencível, ninguém ganha de mim. Cara, aos 35, aos 40, a conta começa a aparecer. Aí você vai olhar para trás, “cara, quanto tempo eu…”.

Pedro Hipólito: A dificuldade da consultoria, é que não é escalável. Porque o cliente contrata você, e você leva mais três júniores para trabalhar. Mas, eu quero você, não pode dizer, “eu vou mandar outro cara”. Eu quero mesmo uma pessoa específica. E então, não é escalável. Uma pessoa que tem uma fábrica que faz camisetas, não é, tem 300 empregados, e mesmo que ele não vá trabalhar, eles continuam a produzir as camisetas. Consultoria, é o nome da pessoa individual.

Luciano Pires: É a inteligência. Seu produto é a inteligência, cara.

Pedro Hipólito: Portanto, não há maneira, pode ter 50 anos, não consegue escalar. E está sempre igual.

Luciano Pires: Bom, você então para trabalhar em outra empresa. Continua como empregado.

Pedro Hipólito: Sim, exatamente.

Luciano Pires: Como empregado em outra empresa, tá.

Pedro Hipólito: E aí teve uma proposta, mais tarde, de uma empresa que gera os sistemas de pagamentos em Portugal. E tive uma proposta da Paypal, para administração da Paypal. Paypal Europa. Viver em Luxemburgo, e ir para a administração da Paypal Europa, que é um sistema de pagamentos pela internet, Paypal. Eu falei…

Luciano Pires: [Elon Musk]. Ela que botou, ela que jogou ele para cima.

Pedro Hipólito: Essa empresa mesmo. Eu fui a Luxemburgo, mas eu não gostei nada daquilo. O salário era três vezes o que eu ganhava em Portugal, mas eu não gostei nada da vida de Luxemburgo. Ninguém ri, ninguém fala, tudo muito limpo, tudo muito seco. E eu não me senti…

Luciano Pires: É que se você der um espirro ali, os franceses falam saúde. Os espanhóis falam saúde. Aquilo é tão pequeno, que não tem nada.

Pedro Hipólito: Não tem espaço.

Luciano Pires: É muito pequeno.

Pedro Hipólito: Então, falei para a minha mulher na altura. O dinheiro é muito bom, mas eu não estou a gostar nada disso. E ela disse, não tem que ir, não é por causa do dinheiro. Não tem que ir. Fala na empresa onde você está, que é a [Cirus], se há alguma possibilidade de ter onde está coisas parecidas com aquela. Eu pensei, então por que me interessa ir para a Paypal? Bom, porque é internacional, porque é uma marca global. Então, voltei atrás, fui falar com Sherman, e disse, “eu gostaria de fazer uma proposta para você. Eu já não saio, mas, você me dá carta branca para criar uma empresa subsidiária, separada completamente, eu vou ser o SEO, para internacionalizar a [Cirus], essa empresa.

Luciano Pires: De pagamentos, que você falou.

Pedro Hipólito: De pagamentos.

Luciano Pires: Já era um começo de uma fintech, alguma coisa assim?

Pedro Hipólito: É a maior empresa portuguesa de transações eletrônicas. Na altura, fazia 2 bilhões de transcoes por ano.

Luciano Pires: Já com transações eletrônicas lá atrás?

Pedro Hipólito: Sim.

Luciano Pires: Nós estamos falando de que ano? Dois mil e?

Pedro Hipólito: Nesta altura, estávamos em 2009. Mas isso é uma empresa muito inovadora, né? O primeiro carregamento de telemóveis no ATM, o ATM é uma caixa, foi feito por essa empresa, no mundo. Primeiro carregamento de um caixa, foi feito ali. Já tinha pagamentos com telemóvel na altura, é muito inovador. Então, combinamos isso. Tá bom, você vai poder montar sua empresa aqui, diz que não há Paypal, e vai montar uma subsidiária internacional, que não tinha nada, que era só eu, e que depois fomos desenvolvendo, até tornar uma empresa [rolvente], com negócios na Polônia, na Angola, Moçambique.

Luciano Pires: Também pagamento eletrônico?

Pedro Hipólito: Também de pagamentos eletrônicos, mas, fora de Portugal. O eu disse foi, “essa empresa tem tanto sucesso em Portugal, eu quero fazer a mesma coisa lá fora”. Mas, como tinha esse bicho de querer ser dono da empresa, houve uma altura que eu tentei comprar uma parte do capital. E fiz uma proposta para comprar uma parte do capital management buyout. Como não deu, eu já tinha os investidores, lancei a minha própria empresa.

Luciano Pires: Você desistiu, para lançar essa empresa?

Pedro Hipólito: Saltei fora.

Luciano Pires: Saiu fora, de novo.

Pedro Hipólito: Sim, com salário super, casado, com dois filhos, e com 45 anos na altura. Na altura, tinha 44.

Luciano Pires: Tinha que ser um português, porque bicho, isso é a mesma coisa que entrar em um barco, e vai para o oceano, e não sabe onde vai chegar, cara.

Pedro Hipólito: Sim. Toda gente a volta, você está louco. Salário grande mesmo, salário grande.

Luciano Pires: E você larga tudo, para montar uma empresa do zero?

Pedro Hipólito: Do zero.

Luciano Pires: Em que segmento?

Pedro Hipólito: Nós, o que fazemos, é desenvolvimento de negócios internacionais.

Luciano Pires: É a Five…

Pedro Hipólito: Five Thousand Miles.

Luciano Pires: Já era ela?

Pedro Hipólito: É, foi essa que eu criei.

Luciano Pires: E você, era uma empresa para que? Qual foi seu business?

Pedro Hipólito: Foi o seguinte. Quando eu fiz essa internacionalização da [Cirus], eu tive muito sucesso. Como estava a dizer, entramos na Angola, em Moçambique, Nigéria, Argélia, Polônia, Romênia, muito rápido. E estávamos a faturar muito dinheiro, já no quinto ano de empresa. Eu percebi que eu sei fazer isso. Eu sei pegar, talvez por causa da minha herança familiar, do meu DNA, eu sei pegar numa coisa que só vive em um país, e pôr em outro. Eu sei fazer isso. Então pensei, porque vou estar focado em fintech, porque vou estar focado em tecnologia de pagamentos, e não vou fazer tudo, qualquer setor? E foi essa ideia. Então falei com os investidores que estavam comigo para fazer a compra daquela ideia, a minha ideia. Vamos fazer isso.

Luciano Pires: Uma empresa para fomentar negócios, e quer dizer, você é uma…

Pedro Hipólito: É uma agencia de desenvolvimento.

Luciano Pires: Eu estou tentando encontrar esse termo. Quando você fala agencia de desenvolvimento, ela fica muito [broad]. Mas, você cuida de startups, por exemplo? Se aparecer uma startups?

Pedro Hipólito: Até indivíduos, se for preciso. Mas indivíduos nós fazemos por causa da nossa responsabilidade social.

Luciano Pires: Entendi.

Pedro Hipólito: Voltamos quase ao princípio da história da veterinária. Mas agora, temos programas fortes de responsabilidade social, para ajudar as pessoas. Tivemos muito sucesso nessa empresa, ela cresceu muito. Como sou eu em Portugal sozinho, nós hoje temos um escritório muito grande em Portugal. Temos um grande escritório na Nigéria, estamos já começando na África do Sul também.

Luciano Pires: Cara, tem uma coisa que você falou aí, que para mim, é fascinante bicho. Que você monta a empresa, você trabalhando lá, mas cara, você tem uma cultura. Sou português, estou trabalhando aqui, estou desenvolvendo tudo em Portugal, e de repente, você vai para a Polônia. Nem o idioma chega perto, até o idioma é tudo ao contrário. Quer dizer, há uma cultura totalmente diferente da cultura na qual você vive. Quer dizer, independente do desafio de você implementar um business, fazer um business funcionar, também tem um desafio cultural brutal, que é você interagir com essas culturas. E aí você vai para a África, você vai para a Nigéria. Que cara, Polônia tá no Polo Norte, Nigéria tá no Polo Sul.

Pedro Hipólito: Mas, o ser humano, é tudo igual.

Luciano Pires: Então, isso que eu queria pegar, essa pegada sua. Como é que você trata essa questão de trombar em uma barreira cultural, e se chegar?

Pedro Hipólito: Não há barreira cultural. Eu costumo dizer que a barreira cultural, é um mito. Porque o ser humano, é tudo exatamente igual. Só na fachada, é que é diferente. Um (inint) [00:36:32.29] pode ser mais frio, ou um português mais frio, ou um brasileiro mais alegre, mais comunicador. Mas, por dentro, toda gente quer a mesma coisa, quer ter segurança, quer que os filhos tenham saúde, quer ter um dinheiro mínimo para ter conforto, quer ser respeitado. E tudo isso, se resume em uma coisa, que é ter relevância social. Todas as pessoas querem ter relevância social. Ninguém gosta de ser desprezado, não é? Eu acho que a maior parte das pessoas, prefere levar uma [taréia], do que deixar ter voz, do que ninguém ouve.

Luciano Pires: Muito pior do que você ser contestado, é a indiferença. É você sentir que há uma indiferença, isso é muito ruim.

Pedro Hipólito: Essa é a chave dos negócios todos. É essa. É perceber que todas as pessoas querem exatamente a mesma coisa. E, portanto, qualquer processo comercial, é exatamente igual.

Luciano Pires: E você monta a sua proposta de valor, em cima desse valor básico que é a relevância.

Pedro Hipólito: Daquela pessoa. Não é porque não existem empresas. O que existem, é pessoas. Uma empresa, é um conjunto de gestores. Depois, dá-se um nome, chama-se BMW, chama-se Mercedes. Tá bem. Mas é um conjunto de pessoas.

Luciano Pires: É um conjunto de pessoas, fazendo alguma coisa.

Pedro Hipólito: Sim. Portanto, é tratar cada pessoa como uma pessoa, e um Nigeriano, é exatamente igual a um polaco. Ambos querem as mesmas coisas. Fisicamente são diferentes, culturalmente são diferentes. Em termos de estudos, educação, são diferentes. Mas, o ser humano, é exatamente igual. Todas as pessoas são iguais.

Luciano Pires: É verdade.

Pedro Hipólito: Até o maior missionário, o maior criminoso, são iguais, querem a mesma coisa, exatamente.

Luciano Pires: Muito bem, você está no LíderCast, que é um PodCast focado em liderança e empreendedorismo, que proporciona conversas nutritivas com gente que está aí para provocar mudanças. O LíderCast faz parte do Café Brasil Premium, a nossa Netflix do conhecimento, que redefine o termo estudar. Ao transformar o seu smartphone em uma plataforma de aprendizado continuo. Você pratica uma espécie de MLA, Master Life Administration, recebendo conteúdo pertinente, de aplicação prática e imediata, que agrega valor ao seu tempo de vida.

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Quando você foi montar o seu próprio negócio, você vinha de um ambiente corporativo, onde se você tem um problema jurídico, tem um advogado para resolver. Se você tem um problema de pagamento, tem a tesouraria. Tudo está… E quando você monta seu próprio negócio, é você. Ou você monta uma estrutura como essa, ou você começa a ter que se envolver com coisa que você nem faz ideia que existia. Aqui no Brasil é um pesadelo. Eu converso muito com o pessoal de empreendedorismo, onde a pessoa é um artista, ele tem uma ideia maravilhosa, monta um negócio dele, e descobre que ele vai ter que lidar com pagamentos. E aí a vida fica um inferno, porque aquilo que ele gosta de fazer, que é a arte dele, ele tem que abrir mão, para poder cuidar do próprio negócio dele lá. Você previu esse impacto, você saboia que isso ia acontecer? Ou, como você já estava com muitos anos de consultoria, você já nasceu preparado para enfrentar isso tudo? Já nascei com uma estrutura. Como que você fez?

Pedro Hipólito: Eu tenho uma maneira de fazer negócios, que é sem pressa. Eu por exemplo, estou agora a abrir o Brasil, e venho para estar um mês. A maior parte das pessoas, não percebe isso. Mas por que um mês no Brasil? Vai estar 3 dias, fala com advogado, volta. Faz outra vez, para assinar os papéis, e volta. Mas, eu quero sentir a cultura, e quero estar aqui. E a minha família nesse momento também está aqui. Não está comigo, está em um resort no Norte, mas também está aqui, e viemos todos. E quando eu criei a empresa, foi igual. Eu criei sem pressa. Eu dizia que nos primeiros seis meses, não me interessa vender nada. Mas esse ponto, e essa pergunta é crítica, é superimportante para todos aqueles que querem ter empreendedorismo. Por quanto se começa uma empresa, não há e-mail, não há internet. Para ter internet, eu vou ter que ligar para os caras. Pois é, mas é dois dias. Vou ter que registrar a empresa, mais três dias no registro. Mas é rápido. É rápido, mas são três dias que foram, né?

Luciano Pires: Sim.

Pedro Hipólito: Vou ter que arranjar um advogado. Qual advogado, onde está? Falar com vários. Mas, três, quatro dias, se perderam. Vou ter que desenhar uma marca. Onde está o designer, onde está o logo? Mais uma semana que foi. E, portanto, quando se cria a empresa, a pessoa vem com muita energia, porque acredita que aquilo tem muito potencial, mas todo o tempo dos primeiros dois, três meses, vai ser consumido em processos burocráticos. Registro das finanças, registro da segurança social. Ninguém percebe qual é o seu miolo de negócio. Passa a vida a explicar para os outros. E aí muita gente começa a perder aquela paixão, porque ao fiel cabo, transforma-se quase em um gestor de burocracias.

Luciano Pires: Eu conheço dezenas de altos executivos, que chegam em uma parte da carreira da vida deles, chegou a hora de parar, para, sai da empresa, aluga um escritório, contrata uma secretária, senta lá, e anuncia a todo mundo, “agora eu sou um consultor”, achando que no dia seguinte vai começar a pingar clientes, e não acontece nada.

Pedro Hipólito: É isso. E, portanto, é preciso estar preparado para isso. De começar sem nada. E todos os aspectos tecnológicos, escolher um escritório demora muito tempo. A pessoa diz assim, mas vou escolher um escritório. Sim, vai ter que ver trinta escritórios, para escolher um. Isso são lá quinze dias. Quinze dias que não está a produzir nada, não está a vender, não está a fazer nada. E, portanto, essa pergunta é crítica, e é super útil para qualquer pessoa que quer lançar-se em uma carreira de empresário. De fato, no início, só montar a infraestrutura mínima, vai consumir tudo. Website, não é negócio, tem que ter. Vai gastar mais três semanas, a fazer. “Ah não, contrato uns caras”. “Ah, contrata? Quais são eles? Onde estão eles?”. Depois vem com propostas do Websites, vários tipos de Websites. Tem que escolher. E não consegue trabalhar. Eu costumo dizer que durante três meses, não vai conseguir trabalhar. Está cansadíssimo, e diz, “eu não produzi nada. Estou exausto”.

Luciano Pires: E aí dá aquele apavoro, porque o dinheiro só sai.

Pedro Hipólito: Vai acabar.

Luciano Pires: E quando é que começa a entrar. E quando começa a entrar, não entra na velocidade que você imaginava. Empreendedorismo, é um negócio complicado.

Pedro Hipólito: Eu estou a dizer três meses, mas, eu acho que mais realista é seis meses neste processo. Seis meses queimados. Os primeiros seis meses, queimados. Exaustão, sem servir clientes, sem ganhar dinheiro. É isso. Depois começa, não é?

Luciano Pires: Quanto tempo tem a empresa?

Pedro Hipólito: Neste momento, tem três anos e meio.

Luciano Pires: Pô, é muito nova. E você falou que tem escritório onde?

Pedro Hipólito: Temos em Portugal, em Portugal temos vinte e cinco colaboradores. Na Nigéria temos doze colaboradores.

Luciano Pires: Quando você fala colaboradores.

Pedro Hipólito: Empregados.

Luciano Pires: Empregados mesmo? Com papel assinado e tudo mais?

Pedro Hipólito: Sim.

Luciano Pires: Mas não é consultor que você agrega?

Pedro Hipólito: E temos empregados que ganham mais que o presidente de Portugal. Muito jovens, com menos de 30 anos. Portanto, com tudo certo, tudo pago. Nós temos 40 colaboradores hoje. Em 3 anos e meio, temos 40 colaboradores. Agora, vamos abrir aqui no Brasil.

Luciano Pires: O que que você veio procurar aqui no Brasil?

Pedro Hipólito: Bom, nós, em abril do ano passado…

Luciano Pires: … Deixa eu fazer uma pergunta anterior a essa aí. Você está lá agitando nos ares europeus, africanos e tudo mais. Quando você olha de lá para cá, Brasil, o que que você vê? O que que passa pela cabeça de alguém, com a sua formação, quando olha para Brasil? O que que chega até você?

Pedro Hipólito: Para mim, eu vejo talento. Acho que os brasileiros são muito talentosos. Acho empresas grandes.

Luciano Pires: Para ver talentos, você tem que ter experiência com os brasileiros. Você tem que imaginar de onde vem essa visão de que brasileiro é talentoso? É porque você acha a música bonita, futebol é bonito, o que que é?

Pedro Hipólito: Claro, no futebol e na música, evidente. Mas, por exemplo, eu vejo que o Brasil tem muita experiência na área do marketing. Portanto, eu acho que tem grandes empresas, Procter&Gamble, as Telecoms, as Vivos, Claros, e trabalham bem. O marketing de comunicações são muito sofisticados nisso, muito mais sofisticados do que os europeus. Também um pouco cultural, talvez, porque o brasileiro comunica com facilidade. Mas, eu vejo talento na gestão empresarial, sobretudo no lado das vendas e do marketing. Vejo isso. E depois, vejo empresas de grande dimensão, e vejo um país muito autossuficiente, o mercado interno tem dimensão suficiente para sustentar as empresas locais.

Luciano Pires: Você achou que chegou a hora de ir para o Brasil? Foi assim? Agora é a hora de ir para lá?

Pedro Hipólito: Não. Portanto, eu quando criei minha empresa, eu não saí de uma empresa grande, para gerir uma empresa pequena. Portanto, eu quando criei Five Thousand Miles, eu percebia que essa Five Thousand Miles ia ser uma empresa global. Não tenho dúvidas que vai ser. Eu tenho agora 46, quando tiver 65, 66, vai ser uma empresa enorme, global, em 100 países. Vai ser. Não tem já… Nos primeiros três anos, podia ter dúvidas. Hoje, já não tenho. E, portanto, todo o nosso, nós costumamos dizer que nós não estamos a construir uma conta bancária. Nós estamos a construir uma empresa. E, portanto, tudo o que ganhamos, reinvestimos. Tudo que geramos, contratamos mais pessoas, abrimos mais escritórios, compramos mais equipamentos, tudo do melhor que há. Os nossos carros em Portugal, da equipe, são BMWs. É isso que nós estamos a falar. O escritório da Nigéria, tem qualidade, exatamente igual a Portugal. Não é um escritório de terceira, porque é na África. Portanto, nós investimos a sério em infraestrutura, mas a sério mesmo. Toda gente tem computadores Macintosh novos em folha. Toda gente tem Iphones. Ah, mas é porteiro. Tem Iphone. Todos os nigerianos, todos os africanos do nosso escritório da Nigéria e da África do Sul, tem o direito a treino uma vez por ano em Portugal, tudo pago. “Ah, mas é só um turista”. Não interessa. Então, um turista Nigeriano, entra em um avião, vem, fica em um hotel de categoria, em Portugal, tudo pago, a ver como gerimos frotas de carros em Portugal. É incrível o impacto que nós temos. É incrível.

Luciano Pires: Quando você manda ele de volta, ele vai com a cabeça virada cara.

Pedro Hipólito: Não nunca vi uma empresa internacional que fizesse isso. Não existe. E por isso eu sei que aquilo que nós temos a fazer, é diferente. E então, nós sempre tivemos essa ambição do crescimento. Começamos só em Portugal muito rápido. Abrimos um escritório na Nigéria, que é o Brasil da África, tem 200 milhões de habitantes. É o Brasil da África, é muito semelhante em muitas coisas. Abrimos aí. E depois iniciamos assim, temos que continuar a crescer. Então, em abril do ano passado, em 2018, já tínhamos o escritório da Nigéria, com 10 pessoas. Já tínhamos 20 pessoas a trabalhar em Portugal, continuávamos a reportar, mas não é criar essas duas maiores. Essas duas tem que continuar a crescer. Mas, nós temos é que criar mais empresas. Qual é a próxima? E pensarmos, bom, um mercado com grande dimensão parecido com o da Nigéria, é o Brasil. Mais sofisticado, uma Nigéria mais sofisticada. E então, decidimos, vamos fazer uma experiência. E então comecei a criar em Portugal uma equipe, que hoje tem 4 pessoas full time, para gerir negócios com empresas brasileiras. E tivemos muito sucesso nisso. Portanto, nós a partir de Portugal, pusemos 2 portugueses e 2 brasileiros nessa equipe. 4 pessoas. E durante um ano, começamos a fazer negócios com empresas brasileiras. E por isso hoje, eu sei já, sem dúvida absolutamente nenhuma, que o mercado do Brasil para nós, vai ser um sucesso, porque tenho 4 pessoas a partir de Portugal que nunca a cá vieram – 2 são brasileiros, mas os outros 2 nunca a cá vieram, a gerir empresas brasileiras a partir de lá, negócios bons, e tentar decorrer bem.

Luciano Pires: Me dá um exemplo, que tipo de negócio? Você não é uma empresa que vende leite. Você não é uma empresa que monta uma manufatura. Você gere negócios. Me dá um exemplo, não precisa dar nome da empresa.

Pedro Hipólito: Não vou dar a marca, mas por exemplo, no Brasil, há empresas que faturam mais de U$ 1 bilhão de dólares, que fazem equipamentos agrícolas. Ok? Máquinas para agricultura, e vivem quase só do mercado brasileiro. Qual é o potencial dessa mesma empresa, se estiver na Nigéria? É duplicar. Enquanto eles aqui estão a gerir para aumentar 5% as vendas, porque já está tudo feito, se for para a Nigéria, pode fazer outro U$ 1 bilhão.

Luciano Pires: E você é o canal para…

Pedro Hipólito: E agora, tem duas maneiras. Ou ele vai sozinho, ou vai conosco. Essas duas coisas que eu tenho que fazer. Portanto, nosso processo é muito simples. Você quer continuar aqui, ou quer ir para o outro lado? O outro lado eu tenho, não é ir para a França, onde está tudo por fazer em África. Isto é intuitivo. Então diz assim, Ok, África, o que é parecido com Brasil é Nigéria. Ah, eu tenho um escritório. Não é uma ideia, eu tenho uma infraestrutura, com carros, pessoas, computadores, com telemóveis, aviões a voar para frente e para trás. Temos infraestrutura. Portanto, uma grande empresa, ou faz sozinha, ou faz em cima dessa infraestrutura. Isso é um exemplo de um projeto que fizemos com muito sucesso, com uma empresa enorme brasileira de equipamentos agrícolas. Temos outro na África do Sul, de uma empresa brasileira, que é um dos maiores, ou é o maior, ou segundo maior fabricante de aço para indústria automóvel no Brasil, uma empresa gigante. E tinha interesse no continente africano. Quando percebe que nós podemos ajudar, fez uma parceria conosco para África do Sul. Fizemos projetos na área dos sapatos também. E, portanto, ficou muito bem esses 12 meses, entre abril de 2018 e abril de 2019, e a nossa cultura é sempre muito participada. Nós temos uma reunião de managers, em termos de managers todos da empresa. E o Brasil está a correr bem. Vamos a ter sucesso. O que que fazemos? Qual o próximo passo? Intuitivo, próximo passo é ter uma empresa no Brasil. Então vamos começar. E é isso que agora eu vim cá fazer.

Luciano Pires: Vai montar escritório. Já escolheu onde vai ser?

Pedro Hipólito: Escritório ainda não. Primeiro vou fazer os registros todos da empresa, é o mais importante, tratar das formalidades todas. Depois é que vamos tratar do escritório, mas, vai ser com certeza, em uma zona nobre. Um escritório de melhor qualidade. Muito pequeno, para começar eu não quero um escritório grande. Muito pequeno, mas muito nobre. É isso.

Luciano Pires: Me fala uma coisa. Esse programa é um programa sobre liderança e empreendedorismo. Do ponto de vista do empreendedorismo, a gente já cutucou bastante aqui, deixa eu te explorar um pouco essa questão de liderança, e tudo mais. Eu imagino, pelo que eu estou vendo de você, sua energia, jeito de falar, suas ideias todas, não dá para montar uma empresa com um cara como você a frente, com gente tradicional trabalhando lá. O pessoal que quer chegar as 8, sair as 18, tudo certinho. Tem que vir com fogo no rabo, né?

Pedro Hipólito: Completo.

Luciano Pires: Como é que você desenhou seu processo de pesquisa, de sondagem, seleção, recrutamento, de contratação? Como que ele é? Como que você faz isso?

Pedro Hipólito: Isso é muito interessante, e vou falar no desafio da criação da empresa. Quando o empresário começa sozinho, uma das coisas mais difíceis, e até quase um pouco vergonhosas, é recrutar o primeiro empregado. Que você vai pôr um anúncio. Quando vem o candidato, escritório em prédio de prestígio, é (inint) [00:52:59.04]. Chega lá, abre a porta, estou sozinho, né? Espera lá, está vazio, tem uma pessoa sozinha. E eu quero que vá mudar para aqui, por que? Então, esse desafio de explicar uma visão, no princípio, é difícil. É quase uma vergonha, porque nós sabemos que quando a porta abrir, esse cara vai ter um choque.

Luciano Pires: Eu estou imaginando um jesuíta na África, tentando converter uma tribo africana. Cara, eu tenho que vender algo que…

Pedro Hipólito: Imagina em Lisboa. Eu sou sonho em um escritório, aparece um candidato que viu negócios internacionais, abre a porta, e quando abre a porta, estou só eu, uma mesa no meio deum escritório todo vazio, não é? Epa, deixa eu tentar vender meu negócio, minha ideia.

Luciano Pires: É a tua primeira venda.

Pedro Hipólito: Então qual foi a tática que eu decidi fazer nessa altura? Eu percebi, isso vai ser difícil, atrair as melhores pessoas, porque ninguém percebe meu negócio, ninguém tinha essa marca, ninguém… é difícil. Então, só uma maneira, é transparência total. Vamos começar a filmar tudo, vamos começar a fotografar tudo, vamos começar a usar seu show mídia, e pronto, quem gosta, gosta. Quem não gosta, também não faz cá falta. Mas vai saber antes de se candidatar. Então, através deste processo, eu posso dizer que nos últimos… desde o início de 2018, nós contratamos 22 ou 23 pessoas, que vieram falar conosco, sem nenhum anúncio de recrutamento, a dizer, eu vejo você no Instagram, eu vejo você no Youtube, eu quero trabalhar com você. E isto foi uma coisa que me ajudou muito a crescer, foi essa transparência. É o que é, não vamos fingir que é melhor, nem pior. É assim. Quando a pessoa chega, já não estranha, já conhece as caras, já conhece o escritório, já sabe que temos uma cultura um pouco agressiva também. Já sabe.

Luciano Pires: E você teve que expor isso tudo, através das mídias. Eu até dei uma olhada, o seu Instagram é bem interessante, porque você tem uma misturada lá. Tem você em uma reunião com um sujeito, de repente, está saltando em um lugar lá. Você com a sua esposa. Quer dizer, a persona do Pedro, está absolutamente incluída no processo. Não é uma empresa que tem um [sherman]. Você é a empresa.

Pedro Hipólito: Isso por que? Porque se nós formos ver no Instagram, o meu agora não sei decor. Mas, a Coca-Cola, que é uma das maiores marcas mundiais, eu juro que nem 3 milhões de followers tem. A Kylie Jenner tem mais de 100 milhões, o Cristiano Ronaldo tem 150 milhões. As pessoas querem se ligar com pessoas, não querem se ligar com empresas.

Luciano Pires: Com organizações.

Pedro Hipólito: E, portanto, quem melhor do que o SEO, do que o presidente, para conseguir explicar a sua visão na primeira pessoa. E toda a gente que me escreve, eu respondo. É incrível. Às vezes eu estou em casa, 11 da noite, meia noite, a responder mensagens no Instagram. Larga esses caras. Se a pessoa perdeu tempo para escrever para mim, eu vou responder para ele. Ah, mas não interessa nada. Eu respondo a toda gente. Se tiver mil mensagens, eu respondo as mil.

Luciano Pires: Eu ainda consigo fazer isso com e-mail. Com as mídias sociais, eu não consegui mais.

Pedro Hipólito: Eu só não respondo se a mensagem da pessoa não tiver nenhum conteúdo. Se a mensagem da pessoa for “olá, tudo bem?”. Se for só isso, é difícil eu responder, porque eu vou iniciar uma conversa que eu não sei para onde vai. Mas, se a pessoa disser “olá, meu nome é José Carlos, eu quero fazer isto, aquilo”. Eu vou ler, e vou responder. Posso não responder logo naquele dia, mas respondo na manhã, depois de amanhã. E tenho essa preocupação. Vem dos genes da empresa, da necessidade de ser transparente.

Luciano Pires: Como é que você vai fazer, a hora que crescer, a ponto do volume de mensagens for não gerenciável, né? Vai botar uma inteligência artificial ali, para falar por você?

Pedro Hipólito: Não, mas por exemplo, pode haver critérios de meritocracia, dizer, fazemos um post. Durante uma hora a seguir, estou disponível a responder a tudo. Não é? Já sei que não chega a responder, mas, se você fizer um comentário rápido, em 1 hora. Eu vejo, por exemplo, esse cenário é uma solução viável, né?

Luciano Pires: Sim.

Pedro Hipólito: Procura-me em uma rede onde eu estou menos ativo. No Instagram não pode ter muito volume, mas dizer, se você me comentar no Twitter, eu vou estar mais atento, porque tem menos tráfego. Há soluções para encontrar essa voz. E depois nós temos também uma equipe de mídia interna, e quem quiser pode escrever para a empresa, eles veem tudo mesmo. Nós temos 4 pessoas em tempo inteiro, que só fazem mídia.

Luciano Pires: Sim, você está usando todas as ferramentas novas, que estão aí para… Muito legal. Termina o processo da contratação. Você me deu uma ideia. As pessoas, botei transparência, as pessoas… Mas e na hora de alguém aparecer? O que que você está buscando nessa pessoa? Eu preciso conversar com a pessoa, você vai se preocupar onde ela estudou? Você faz como o Google, que me contaram que o pessoal lá inverte o currículo, pega o currículo, põe de ponta cabeça, e começa pelos hobbies da pessoa, para depois chegar na formação dela.

Pedro Hipólito: Para nós, a formação não interessa quase nada. Para mim, a formação não interessa quase nada.

Luciano Pires: A escola, o diploma, certificado, nada.

Pedro Hipólito: Sim, interessa pouco. Pode interessar em casos pontuais, mas, não é o mais importante. Nós vamos sempre atentar em encontrar os valores da pessoa, e ver se é compatível com os nossos. Então, nós temos cinco valores, que começam com as iniciais da palavra Pedro. P-E-D-R-O. P é Paixão, essa pessoa tem paixão. Imagina um cara muito mole, não vai dar, porque vai ser cilindrado. Paixão. A segunda é Ética. O D é Dominance, tem que ter personalidade dominadora. O R, é resiliência. Tem que resistir ao estresse. E o O, é ownership, tem que ter essa sensação de ser dono da empresa, o próprio também. Nós vamos procurar se a pessoa tem essas cinco coisas. E isso também é público, está nas redes sociais. A política de remuneração, está nas redes sociais. Qual é o salário, está nas redes sociais. É transparência o mais que nós conseguimos.

Luciano Pires: É interessante, eu vou ler para quem está nos ouvindo aqui. Eu fiz um post antes de vir para cá, porque eu entrei, quando me disseram, falei, “quem é esse Pedro? É grande, baixo, preto, branco, o que que é? Deixa eu ver quem é”. E, dei de cara com um post no Instagram, que eu achei interessante, acabei fazendo um post meu no Facebook, dizendo assim. “Estou em semanas intensas de gravação da temporada 12 do LíderCast. Hoje tenho um internacional, com Pedro Hipólito, SEO da Five Thousand Miles, multinacional especializada no desenvolvimento de negócios internacionais, sediada em Lisboa. O Pedro, tem a maior página de negócios no Instagram em Portugal, onde publica pérolas como esta aqui”. E aí eu publiquei, o que me interessou está em inglês lá, eu trouxe para português. “Cinco táticas para desenvolver seu cérebro. Primeiro, viaje e conheça pessoas que vivem em países distantes. Segundo, estude o universo. Planetas, galáxias, física, aprenda sobre as missões da NASA. Viaje para fora do planeta. Terceiro, estude história, viaje no tempo. Quarto, leia biografias de super-humanos. Encontre-se com pessoas fantásticas, enquanto viaje no tempo. E quinto, encontre-se e converse com pessoas que sejam diferentes de você. As que tem ideias interessantes, particularmente as que são apaixonadas e obcecadas com aquilo que estão fazendo. Pare de viver confinado em um raio de 50 quilômetros ao redor de sua casa, onde você se move constantemente olhando para seus pés”. E aí eu comentei, “eu já gostei desse cara”.

Pedro Hipólito: Obrigado.

Luciano Pires: Muito legal, porque você botou em cima da questão da viagem, extrapolou. Quer dizer, vou viajar no tempo, no espaço, e nas épocas. Muito legal cara.

Pedro Hipólito: É ter espírito aberto. A fiel cabo, é isso que nós procuramos.

Luciano Pires: É um desbravador.

Pedro Hipólito: Porque repara, é muito difícil em uma organização como a nossa. Nós dizemos assim, espera lá. Se nós abríssemos um negócio no Brasil? 3 ou 4 pessoas? Não vai dar, vai ser complicado, você vai perder dinheiro. Já vai tirar energia a toda gente. Eu quero pessoas que digam, “vamos encontrar a solução”. E se é interessante, temos que pensar se é no Brasil, ou se é na Índia, mas, é interessante. Vamos analisar, e vamos procurar a solução.

Luciano Pires: Que olhe o obstáculo como um desafio a ser vencido. Apareceu um obstáculo, vou ganhar dele. Não é a que, “tem um obstáculo, que saco, não vai dar”.

Pedro Hipólito: É isso. Pessoas que são capazes de dizer, “vai resultar, vamos conseguir fazer acontecer”. Porque não podemos ter o sonho de ser gigantes, com pessoas que pensam pequeno. Não é possível.

Luciano Pires: Não dá mesmo.

Pedro Hipólito: Não dá mesmo. É isso. E por isso, é que nós tentamos, esse exercício que está nesse post são coisas que nós também fazemos internamente com a nossa equipe. É, vamos alargar nosso horizonte, vamos pensar em coisas diferentes. E tudo o que vocês quiserem construir, podem construir aqui dentro, não precisa procurar lá fora. Ah, mas eu gostaria não sei o que. Vamos ver se isso encaixa, não é? Vamos dar essa possibilidade.

Luciano Pires: Você está dando para esse pessoal, a chance que te deram lá atrás. Alguém acreditou em você, “cara, vai montar seu negócio aqui”. E deixa a pessoa voar, né?

Pedro Hipólito: É isso. E se tiver resultados, tem muitas recompensas. É isso.

Luciano Pires: Muito bem. O que que eu tenho que fazer, para não quebrar a cara contigo? Você me trouxe, apostou em mim, o que que eu preciso fazer agora, para manter a…

Pedro Hipólito: Um colaborador nosso, um empregado nosso.

Luciano Pires: Eu quero saber o que que eu preciso fazer, para continuar sendo. Uma coisa é dar resultado. Dê resultado. Eu posso dar resultado sendo um canalha. Eu posso dar resultado mentindo, etc. e tal.

Pedro Hipólito: Os resultados são muito importantes para nós, primeiro. Segundo, estes valores, esses cinco valores que eu disse, com as iniciais Pedro, são a segunda característica. Quem tiver, é parecido conosco. E nós temos pessoas, que se tiverem ouvindo vão saber na nossa empresa, que todos os dias durante meses, eu digo para eles, “você está fora do target, você está a falhar, tem que mudar isso, aquilo”. E por que que a pessoa continua? Porque a pessoa tem prêmios e bônus? Porque eu sei que a intenção é correta. Ela está a tentar recuperar uma dificuldade, ultrapassar uma dificuldade. Com lealdade, e é fiel. Eu não estou a conseguir, mas, eu vou. E vejo a pessoa na luta, a pessoa fica com ar cansado, mas está na luta. E eu sei que se eu continuar, vai um dia que resulta.

Luciano Pires: Eu tenho um dito que eu uso, que eu sempre usei a vida toda com as pessoas que trabalhavam comigo. Sempre contratei, falei, olha aqui. “Eu nunca vou te mandar embora por uma deficiência técnica sua. Não é porque você fez malfeito alguma coisa, ou porque você tecnicamente é deficiente, até porque isso a gente ensina. Você não vai perder seu emprego, por uma atitude que você tomou. Eu vou ser implacável quanto pior for essa atitude”. E as pessoas não dão muita atenção para isso. Quer dizer, eu fico colocando toda a minha energia para desenvolver habilidades técnicas, para ser muito bom naquilo que eu faço, quando tem uma atitude que está por trás, que é aquilo que você acabou de falar. Quer dizer, o cara não conseguiu fazer, mas, espera um pouquinho. Qual é a atitude que está por trás dele? É a atitude de buscar acerto, é atitude de ser transparente, correto, eu quero esse cara comigo.

Pedro Hipólito: Isso. Ainda hoje, é interessante, porque nós hoje, houve dois colaboradores nossos, que nós temos, dois colaboradores nossos, um deles muito sênior, que geriram mal um projeto. Eu posso dizer assim, porque sabe, geriram mal um projeto. E isso, esta semana, entre ontem e hoje, nós só por causa disso, perdemos 25 mil euros. É bastante dinheiro, estamos a falar de R$ 100 mil reais. E eu estava a mandar uma mensagem para todo meu grupo de management, dizendo que hoje é um dia muito bom, porque a empresa consegue perder R$ 100 mil reais, sem ninguém ficar nervoso, sem ninguém ficar zangado, sem ninguém ficar chateado, e, portanto, acho que é um dia muito bom na nossa empresa. E reforçar que é o nosso compromisso de ética, não é de distinguir a intensão da pessoa. Uma coisa é perder R$ 100 mil reais para um ladrão. Outra coisa, é perder R$ 100 mil reais, para alguém que está a tentar, fazer um projeto difícil, escorregou, caiu, partiu.

Luciano Pires: E se essa pessoa tiver a luz de olhar para esse erro agora, e falar, “muito bem, a empresa vai aprender com aquilo. Vamos todos aprender com o que aconteceu lá, para não repetir”. Você acabou ganhando investimento, né?

Pedro Hipólito: Sem dúvidas. Mas antes disso, o ser capaz de perder, sem ficar irritado, sem ficar nervoso, sem ver um grito, uma discussão. É muito dinheiro, R$ 100 mil reais assim, de um dia para outro, é muito dinheiro. Mas nós conseguimos ter esse impacto. Tranquilo, com toda a gente a perceber que a intensão era boa. Acho que é um marco importante ético na empresa. Estava a dizer, acho que é uma vitória ética nesta empresa. Que é fácil o empresário ficar louco, não é? (Inint) [01:06:04.09] fora, não é?

Luciano Pires: Qual é o indicador que você definiu para você, como seu indicador definitivo de sucesso para o seu negócio? É um número? Você tem um número mágico de, eu quero ser uma empresa de 1 bilhão. Ou, você tem um número de, quero estar em tantos países. Qual é esse indicador que para você…

Pedro Hipólito: Nós olhamos muito para a taxa de crescimento da empresa. Então, por exemplo, poso dizer que em 2017, nós duplicamos 2016, em termos de volumes de negócios. Em 2018, nós triplicamos 2017. E, portanto, 2018, foi 6 vezes 2016. E, portanto, agora, no primeiro trimestre, o primeiro trimestre de 2019, já foi o dobro do primeiro trimestre de 2018. E, portanto, o que nós nos focamos muito, é nosso concorrente é o ano passado. Conseguimos duplicar? É assim. Não interessa muito o que está ao fundo. Eu tenho uma filosofia de vida, que não dá para ver, que é um PodCast. Mas, muitas vezes, nós queremos deslocar um objeto para longe. Isso a gente pensa, “ah, mas temos que andar 1 quilometro com esse objeto, é impossível”. Sim, é impossível, mas não é impossível fazer um toquezinho no objeto.

Luciano Pires: Um passo.

Pedro Hipólito: É. Dá um passo, e amanhã dá outro. E ao fim de 100 dias, já deu 100 passos. Já está mais perto! E, portanto, nós pesamos sempre assim. Não interessa muito, porque isso pode ser desencorajador, por um número muito longe. O que interessa é, estamos a andar na direção certa, estamos a andar rápido. Rápido, na direção certa. Quanto tempo vai demorar desde que se perceba que estamos cada vez mais próximos?

Luciano Pires: E a disciplina de eu vou seguir.

Pedro Hipólito: Tanto que nós, todos os meses, este é o objetivo. Todos os meses, temos que ser maiores do que o mês homólogo. Não há desculpas, o ano correu bem, mas abril foi fraco. Não. Portanto, todos os meses, nós estamos a tentar duplicar o ano anterior, que é muito difícil.

Luciano Pires: Que tamanho está seu negócio hoje? Você pode dizer, em…

Pedro Hipólito: Ano passado, fechamos com 4 milhões de euros. Com vários países.

Luciano Pires: Legal.

Pedro Hipólito: Começa a ter alguma dimensão.

Luciano Pires: Com o aumentar nesse sentido, cara, o negócio vai crescer. Que legal, cara.

Pedro Hipólito: Portanto, é isso que procuramos fazer. E a taxa de crescimento, se quisermos falar, para nós, é a taxa de crescimento, e para mim, crescer menos do que 50% ao ano, não fico contente. O objetivo é crescer 100%, 150%.

Luciano Pires: Tá. Você disse que já veio 10 vezes ao Brasil?

Pedro Hipólito: Talvez.

Luciano Pires: Você vem com frequência?

Pedro Hipólito: Venho todos os anos.

Luciano Pires: O que que você tem visto? Mudou o Brasil, cara? Esse olhar teu, é um olhar não contaminado, tá? O meu, o nosso aqui no Brasil, nós estamos totalmente contaminados.

Pedro Hipólito: O que eu acho, é que há vários “Brasis”. Tenho dificuldade em responder à pergunta, porque o Brasil, são muitos “Brasis”, não é? E acho que nas classes mais baixas, mudou pouco. Acho que nas classes mais altas, tem mudado bastante. Mais sofisticação, mais exposição ao mundo, mais… As elites, acho que estão mais elites globais, isso que eu noto. A elite brasileira, hoje em dia, é uma elite global. Que chega a França, e pode estar com qualquer pessoa. Que tem cultura, que viaja, que tem recursos, que tem empresas grandes. Acho que há uma elite brasileira, que se torna relevante internacionalmente. Chega a qualquer país, e tem relevância social. Não sei, nas classes mais populares, se está a ter impacto. Não noto tanto. Acho que demora mais tempo. É isso que eu sinto.

Luciano Pires: Perfeito. Meu amigo, vamos partir para o nosso finalmente aqui. Você, além do Brasil, qual é a outra frente que você está?

Pedro Hipólito: África do Sul. Queremos chegar ao fim com 4 países, Portugal, Nigéria, África do Sul…

Luciano Pires: Você é um profundo conhecer da África, nessa altura.

Pedro Hipólito: Sim.

Luciano Pires: Por uma coincidência, em um momento que eu estou vivendo aqui agora, eu mergulhei de cabeça na África no últimos 2 ou 3 meses, porque eu estou fazendo uma pesquisa muito grande sobre o que acontece nas sociedades, quando você tem o nós contra eles. Quando você separa a sociedade em um grupo contra o outro, e isso leva consequências que quando chegam ao ápice, são consequências terríveis, né. Eu fui estudar, e um dos momentos, eu fui parar em Ruanda, e fui estudar a questão do genocídio de Ruanda, onde você tem duas culturas que convivem uma do lado da outra, você olha, e não vê diferença de um para outro. Um cria boi, outro planta, mas é a mesma religião, mesma linha, tudo igual. E os dois criam uma situação de ódio, onde um praticamente extermina quase que o outro lá. É absolutamente inexplicável aquilo. E no meio do caminho, os vídeos que eu assisti, tem um dito que o general canadense que estava cuidando da ONU, ele diz o seguinte. Lá nos países desenvolvidos, na Europa, tudo mais, a gente olha para a África e fala o seguinte, “cara, aquilo são tribos. Aquilo sempre foi um matando o outro, e não tem muito mais para fazer por aquilo lá. Aquilo vai ser sempre assim, só tem gente, e tem gente demais lá, né?”. Você, nessa altura, já circulou muito pela África, né? E a África para nós aqui brasileiros, é um mistério. A gente olha de longe, eu não consigo ver. A gente não tem muita penetração lá. Como é que você enxerga a África cara, como é que você que veio lá, vê hoje a África? Aquilo é o celeiro do mundo, cara? Lá que vai explodir? O que que é?

Pedro Hipólito: África, é preciso perceber as dimensões da África. Que tem 1.2 bilhões de pessoas, né? Tem uma dimensão gigante em termos populacionais, e é o continente que mais cresce em população, desde 1955. Portanto, todas as grandes empresas, todas as grandes organizações, vão ter clientes em África, em número relevante. Dito isto, o que está acontecendo em África, é a mesma coisa que aconteceu em outros lugares do mundo, mas com desfazimento histórico temporal. Eu costumo dizer que um general, que as vezes vive em um país africano, agora não quero dizer nenhum país específico, mas tem exemplos típicos do general que é milionário, que tem private jet, tem tudo, “esse general está roubando muito”. Não é muito diferente de um conde português, de um duque na Inglaterra.

Luciano Pires: Na época dele lá atrás.

Pedro Hipólito: Só que são lá há 300 anos atrás. O conde tinha o palácio, por que? “Também era se me roubado”. Ah, é genocídio. O Afonso Henriques matava tudo que era mouros em Portugal. Só que foi há 900 anos, não é? E, portanto, isso é muito da natureza. O que está a acontecer na África já aconteceu na Europa, em períodos defasados. É muito fácil olhar para um país um pouco mais atrasado, e ver o país desenvolvido no passado. Quem estudar história, percebe o que vai acontecer agora, em outro país. E os países africanos começaram a ter o desenvolvimento há 100 anos, não foi mais do que isso. Antes disso, não havia nada, né? Havia as culturas deles, os cais, mas não tinham qualquer infraestrutura, não tinham qualquer equipamento. Tudo isso aconteceu agora.

Luciano Pires: Por isso que os chineses já descobriram, estão de olho. Estão entrando com tudo lá, né?

Pedro Hipólito: Sim. Por também por fenômenos que tem a ver com modelo econômico na China, África facilita certos tipos de negócio que é importante para as empresas chinesas procurarem agora. Mas, o que se passa no continente africano, é o get entre África entre Europa, vai fechar rápido. Entre a África e América Latina, vai fechar rápido. Em termos de PIB, por exemplo, o Brasil tem um PIB maior do que a Nigéria. Mas a seguir, não há nenhum país na América Latina, América do Sul, que tenha PIB superior a Nigéria. Se compararmos, se tivéssemos um ranking em conjunto, América do Sul e África, era Brasil, em seguida era Nigéria. Portanto, esses países já têm dimensão, já tem dimensão. Maior que a Argentina, maior que isso tudo. E, portanto, são economias que começaram quase do zero, há 100 anos atrás, mas estão se desenvolvendo muito rápido. E esse desenvolvimento rápido, que cria oportunidades.

Luciano Pires: Você que está nos ouvindo aí, está louquinho para fazer negócios na África, tem sua grande empresa, temos aqui Five Thousand Miles, para descobrir como que faz. Quem quiser entrar em contato com vocês, conhecer, qual é o caminho?

Pedro Hipólito: O meu nome, pesquisar Pedro Hipólito, vai encontrar as redes sociais. Isso é a maneira mais fácil. Pode ir no Instagram, manda uma mensagem, já está a falar comigo. Como disse, vou responder. Se não, vai ao site da Five Thousand Miles, que é o fivethousandmiles.com. E manda uma mensagem pelo site, para o e-mail que está listado no site.

Luciano Pires: Muito bem. Pedro, prazer imenso conhece-lo.

Pedro Hipólito: Obrigado, gostei muito.

Luciano Pires: 500 anos atrás, um outro Pedro chegou aqui no Brasil…

Pedro Hipólito: E já não voltou!

Luciano Pires: E já viu o que que armou. Espero que a sua vinda, traga realmente para cá essa sua energia aí, para fazer acontecer. Que esses valores que são fundamentais, os valores do Pedro, né, e espero que você tenha muito sucesso cara. E que volte aqui logo mais, para a gente continuar essa história.

Pedro Hipólito: E o próximo PodCast em Portugal, nos vemos lá.

Luciano Pires: Farei lá com o maior prazer. O Café Brasil em Lisboa. Obrigado cara, um grande abraço.

Pedro Hipólito: Obrigado.

Luciano Pires: Muito bem, termina aqui mais um LíderCast. A transcrição deste programa, você encontra no LíderCast.com.br. O LíderCast nasceu da minha obsessão pelos temas liderança e empreendedorismo. É em torno dele, que eu construí minha carreira com mais de mil palestras, nas quais distribuo iscas intelectuais, para provocar equipes e indivíduos, ampliar seus repertórios, e suas capacidades de julgamento e tomada de decisão. Leve o fitness intelectual para a sua empresa. Acesse lucianopires.com.br, e conheça minhas palestras.

 

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