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Luciano Pires -
Download do Programa

Luciano Pires: Bom dia, boa tarde, boa noite. Bem-vindo, bem-vinda a mais um LíderCast, o PodCast que trata de liderança e empreendedorismo, com gente que faz acontecer. No programa de hoje, eu trago João Kepler, especialista em empreendedorismo, startups, marketing e vendas. Premiado como o melhor investidor anjo do Brasil, pelo startup awards.

Muito bem, mais um LíderCast. Esse aqui tá ensaiado há bastante tempo, porque eu cruzo com essa figura para lá, e para cá. É um evento aqui, é um evento ali. Eu vejo livro dele, vejo o filho dele. Eu quase viajo com ele. E a gente acabou que não conseguiu se acertar, mas recentemente a gente se cruzou em uma gravação, um entrando outro saindo.

João Kepler: Uma gravação do Magaldi e do Salibi.

Luciano Pires: Exatamente. E cara, me dá seu número, vou te chamar. Deu certo, estamos aqui. Você vai começar um LíderCast agora, um programa que só tem 3 perguntas que são fundamentais, e as únicas que você não pode chutar. O resto, fique à vontade.

João Kepler: Pode mentir?

Luciano Pires: O resto, você faz o que você quiser. Mas essas 3 não. Seu nome, sua idade, e o que que você faz.

João Kepler: Cara, meu nome é João Kepler, eu tenho 50 anos, e hoje, eu faço investimento em startups.

Luciano Pires: Você é um anjo?

João Kepler: eu sou um anjo. Anjo, não demônio, anjo.

Luciano Pires: Legal, vai render o papo aqui. Você nasceu onde João?

João Kepler: Cara, eu nasci em Macapá, no Amapá.

Luciano Pires: Caramba, 50 anos atas já tinha? Risos. Macapá?

João Kepler: Meu pai trabalhava em uma companhia energética, CHESF na época. Depois ele foi, empreendeu, saiu da empresa e empreendeu. Montou empresa de prestação de serviço em Belém do Pará. Eu fui toda minha infância e adolescência em Belém do Pará.

Luciano Pires: Você só nasceu em Macapá. Dali você foi para Belém?

João Kepler: É, até uns 6/7 anos.

Luciano Pires: Bem criança. Tem irmãos?

João Kepler: Tenho, somos 6 ao todo. Os homens com K, 3 homens. E as mulheres com C, 3 mulheres. São 6.

Luciano Pires: Que legal. Sua mãe fazia o que?

João Kepler: Minha mãe sempre foi dona de casa, mas sempre empreendedora. Vendedora. Minha mãe vendia tudo. Meu pai, um empresário bem-sucedido, mas minha mãe nunca dependeu do dinheiro dele. Sempre correu atrás do próprio sustento dela. Então ela fazia coisas…

Luciano Pires: Essas perguntas são para descobrir de onde vem o seu DNA. E qual o caldo que te formou. Por isso essa ideia aqui.

João Kepler: Legal.

Luciano Pires: Como que era seu apelido quando você era criança?

João Kepler: Kepler, meu nome, é um nome esquisito. Nome complicado. As pessoas me chamam de Kleper, Kleber. Então, é klepinho, daí ficou Pinho.

Luciano Pires: O que que o Pinho queria ser, quando crescesse?

João Kepler: O Pinho é um cara que não gostava muito de estudar, não queria nada que desse muito trabalho de ter que pensar. Nada do que eu faço hoje, eu imaginei há alguns anos atrás. Impressionante isso. O Pinho queria ser um empresário.

Luciano Pires: Não, dono da firma.

João Kepler: Isso. Eu queria bem por aí. Mas, eu comecei muito cedo, porque meu pai não me dava nada. Meu pai era um cara super bem de vida, estruturado, mas ele dizia, se vira, não vou te dar. Não me dava mesmo, e não tá nem aí.

Luciano Pires: Fez assim com todos os filhos?

João Kepler: todos os filhos, e comigo mais, porque eu sou caçula. Então ele aprimorou comigo a raiva.

Luciano Pires: O caçula é o mais bajulado.

João Kepler: No meu caso foi ao contrário. O velho Braga, vivo até hoje, velho Braga, 87 anos. Velho Braga não me dava nada. Ele tinha dinheiro, não me dava. Todos os meus amigos na escola tinham roupa bonita, carro não sei o que. Eu não tinha nada disso, não me dava mesmo, e tinha orgulho de não me dar. E aí passei um tempão magoado com ele, por conta disso, que eu não entendia que ele estava fazendo aquilo para o meu bem. Depois que eu tive meu primeiro filho, cacete.

Luciano Pires: Essa era a pergunta que eu ia fazer para você agora. Quando você olha para trás hoje, e vê seu pai velho…

João Kepler: Herói do cacete. É um herói. Porque ele teve coragem de fazer, o que os outros pais não faziam naquela época. Era muita proteção.

Luciano Pires: Você consegue se imaginar com 6 filhos?

João Kepler: Não. Ele é um guerreiro, muito guerreiro.

Luciano Pires: Que loucura, bicho.

João Kepler: Você tem 3 também, né?

Luciano Pires: Tenho 2. E olhe lá. E me imaginar hoje com 5, 6 filhos, não dá nem para pagar isso mais. Que loucura, né?

João Kepler: Não, mas nada contra quem tem também. É a responsabilidade.

Luciano Pires: A gente fala, o mundo tá mais rico, tudo mais rápido, e é muito mais difícil ter mais filho. Não é porque eu não quero. É muito mais caro ter mais filho, muito mais difícil educar mais filhos, do que era naquela época. Você em Belém, tinha que resolver para que lado você ia, oque que você ia fazer da vida. Você começou a trabalhar cedo?

João Kepler: Muito cedo. 11 anos. Isso foi uma necessidade na verdade, porque meu pai não me dava, não me dava mesada, não me dava nada. Eu comecei a ter que me virar. E fazia venda de revista, de não sei o que, vendia as coisas. E no prédio que eu morava, morava bem, mas não tinha o que meus amigos tinham. Tive que me virar por conta própria, e sair fazendo. E fui buscando meu espaço, até que eu decidi, pedi a ele para ser office boy da empresa dele, né? Ele disse, tá bom, mas você vai ralar. Vai entrar como office boy, não vai ter benefício nenhum, vai ter que dar horário experiente. Eu fui lá, fui fazer. Fui na área de informática, que estava começando, aquela história de computador, muitos, muitos anos atrás. Era CP 500, não sei nem se era, era outro anterior. Não me pergunta muito o ano, que eu sou ruim de ano. Mas, bom, o que aconteceu foi que eu entrei lá como office boy, com 11 anos. Hoje eu tenho 50, 40 anos atrás. E começando, já peguei mecanografia, peguei um monte de coisa, a tecnologia chegando. E aí fui embora, gostei daquela história de trabalhar, goste daquilo, salário de nada, fazia mandado, carregava papel. Sempre parava na área dos caras que faziam sistema, tal, de controles. Aí passei pela contabilidade, comecei a gostar daquilo, ver como funcionava.

Luciano Pires: Chega a hora de você escolher uma universidade, um diploma.

João Kepler: Antes disso, né. Eu estudava, e nunca fui um bom estudante, um bom aluno, mas eu sempre me safada, passava de ano. E comecei a entrar um pouco mais nesse mundo, de datilografia. Então datilografava trabalho para os alunos da escola, que não queriam escrever. Eu fazia o trabalho deles. Comecei a ganhar dinheiro muito cedo com isso. Depois passei a digitar livros para quem escrevia livros, datilografado, para botar no computadorzinho, na fita cassete, fui avançando, até que fiz um curso de basic, comecei a desenvolver basic, aquele negócio de dentista. Marcar hora, agenda de dentista. Então vendia esse softwarezinho. Montei a Kepler Soft. E aí foi.

Luciano Pires: então já estava lá, o bichinho já estava lá.

João Kepler: estava lá.

Luciano Pires: Você sabe que você me deu um insight legal. Eu to me lembrando aqui. Recentemente…

João Kepler: Eu sou mais velho que tu, né?

Luciano Pires: Nada, que mais velho que eu. Eu tenho 62 amigo.

João Kepler: 12 na minha frente.

Luciano Pires: É, to na sua frente. Eu fiz recentemente um evento de comemoração de formatura, 40 anos de formatura, e reuniu a turma toda. Aquela molecada daquela época. Foi tudo os velhos de 60 anos de idade. É interessante, porque junta uma turma que não se vê há 40, 45 anos, e naquela turma estão os caras brilhantes, que eram os gaviões na escola.

João Kepler: Em todos os sentidos. Que pegavam mais.

Luciano Pires: E o fundão da sala. Aqueles manés do fundo, que ficavam fazendo putaria, aquela coisa. E a hora que você vai ver essa turma toda, não aconteceu nada com os brilhantes. Nenhum deles foi parar em Harvard, virou SEO da empresa, o cacete, tá milionário. E onde que estão os caras bem-sucedidos? No meio dos caras que estavam no fundão da sala. Mas cara, espera um pouquinho. Quer dizer, o ir bem na escola, se matar de aprender, ser o cara mais brilhante na escola, não determina se ele vai ser o cara. Você era o cara que se virava, estava no fundo, agora, é um investidor anjo aqui.

João Kepler: Mas se você for olhar, eu fui testado o tempo todo, as minhas habilidades, minhas competências. Eu tive que desenvolver outras competências. Essa galera que só faz estudar, não desenvolve outras coisas.

Luciano Pires: Fica no livro.

João Kepler: fica lá, na teoria. Exatamente. Na pratica, a teoria é outra coisa, sempre. Não que você não tem que ter teoria. Você tem que ter conhecimento, não só em formação.

Luciano Pires: Até para entender porque você está reagindo dessa forma.

João Kepler: Claro, mas isso eu só fui aprender depois. Porque a necessidade de ter que aprender. Então virei um escritor serial, 6 livros, o cacete, mas foi depois.

Luciano Pires: Com uma puta bagagem.

João Kepler: De ter feito. Mas o bacana, que se você for olhar, quando você começou a gostar de ler? Aos 35 anos de idade, só. Olha quanto tempo eu perdi. Então, aos 35 comecei a ler de fato livros, e coisas interessantes, não somente gibis. E comecei a escrever. Despertou, os insights começaram a chegar, e comecei a desenvolver mais habilidades.

Luciano Pires: Na hora de você escolher seu diploma, seria de que?

João Kepler: Administrador. Você fala assim, acadêmico?

Luciano Pires: Só na hora de ir para universidade. Preciso escolher um curso.

João Kepler: Foi assim, eu tinha que fazer um. Meu pai exigia, minha mãe exigia, não foi porque eu quis. Fui para administração.

Luciano Pires: que é um puta coringa, né?

João Kepler: É. O problema na administração, você é ensinado para administrar as coisas dos outros, não as suas. É a grande verdade, até hoje. E aí…

Luciano Pires: Não existe a disciplina empreendedorismo nessa idade.

João Kepler: Imagina. Eu olhei tudo aquilo, perto do que eu fazia, era muito diferente. Processos, métodos, o cacete. Ajudou, porque eu vi um outro mundo que eu não conhecia. Mas, foi difícil. Meu novo livro, é um livro de gestão. Olha que loucura. Depois de tantos anos, com prefacio Jorge Paulo Lemos. Quem diria.

Luciano Pires: eu costumo dizer o seguinte, cara. A grande vantagem de uma universidade dessa, de fazer economia, administração, de afazer alguma parte de engenharia, é que ela te ensina a falar a língua dos índios. Você é mocinho, eu sou cowboy, e lá estão os índios. Eu aprendo a falar a língua deles. Eu aprendi isso na raça, porque eu sou um cara de comunicação em marketing, cartunista e o cacete, fui parar dentro de uma indústria de autopeças, onde é o mundo da engenharia. E chego eu lá falando de marketing. A gente fala de números românticos, né, contra um engenheiro que metia uma planilha na tela, e me destruía. E eu não tinha feito nada de preparação na minha vida, para aprender a falar a língua deles. Se eu tivesse um diploma, eu sou marketing, mas minha formação é administração com pós em marketing, era outra conversa. Até eu aprender a língua dos caras, foram anos ali.

Mas eu costumo brincar que é assim. Você pega seu diploma, em Belém?

João Kepler: É, exatamente. E aí na metade do caminho, na verdade, eu fui para os Estados Unidos. Fui estudar business. Fui, porque lá tinha uma vibe, que os jovens de Belém iam morar no Rio, ou fazer alguma coisa no Rio, ou em Miami. E eu fui para Miami.

Luciano Pires: Tá tão pertinho.

João Kepler: Pertinho para caramba, 5 horas. Eu fui para Miami.

Luciano Pires: Mas sem terminar o… você tinha terminado?

João Kepler: Não tinha terminado não.

Luciano Pires: E você foi para lá, terminar lá?

João Kepler: Fazer business né? Então fiz inglês, business, e fiquei. Fiz universidade de Miami, e fiquei e fiz lá. Mas o seguinte, sem dinheiro. Porque minha mãe que por trás me ajudava. Meu pai, nada.

Luciano Pires: Você tem um major em business?

João Kepler: Tenho não. Eu não tenho esse 5 não sei o que, 2 não sei o que. Não tenho nada disso não. Tenho da vida, serve da vida?

Luciano Pires: Puta se serve. Aquilo que eu falo. O dia que acabar energia, esses são os caras que vão sobrar vivos. É o cara que aprendeu a fazer na porrada.

João Kepler: Casca grossa.

Luciano Pires: Quanto tempo você ficou nos Estados Unidos?

João Kepler: eu fiquei 2 anos. O que aconteceu. Ou eu trabalhava, porque eu não tinha mais como me sustentar. Eu fazia alguns bicos, freela e tal. Ou eu ficava lá trabalhando, e aí tinha que me legalizar, tudo mais. Aí eu vim passar um Thanksgiving, eu vim ao Brasil passar um breakzinho, um período, um feriado. E eu tinha um irmão que morava em Maceió, tinha um irmão que morava lá, tinha uma madeireira e tal. E ele rapaz, vem passear aqui em Maceió, que coisa linda. Cheguei lá…

Luciano Pires: Encontrou uma moça.

João Kepler: Foi. Risos. Você sabe dessa história?

Luciano Pires: eu não sei dessa história.

João Kepler: Eu não contei essa história em lugar nenhum. Você está puxando coisa que ninguém sabe.

Luciano Pires: bicho, eu não sei dessa história, mas isso é roteiro hollywoodiano. Claro que o cara encontrou uma madame, e a vida dele vira.

João Kepler: eu to até hoje com a madame.

Luciano Pires: Que loucura. A vida é encontros, cara.

João Kepler: é. E aí eu voltei, mandei meu currículo para um grupo empresarial lá. O João Lira, pai da Teresa Collor. E pronto, mandei, entrei no grupo para ser coordenador de CPD. Centro de Processamento de Dados. Era um aquariozão, os caras de overfore, digitando um monte de… não era nada interligado. E eu tinha acabado de vir dos estados Unidos, com todo aquele conceito. Fui contratado como coordenador de CPD.

Luciano Pires: Que idade você tinha?

João Kepler: Isso era 89/90. Então comecei a trabalhar, depois virei gerente, consultor. Ah, não quero mais trabalhar para ninguém. Foi o único trabalho que eu tive carteira assinada na minha vida.

Luciano Pires: quanto tempo você ficou?

João Kepler: Fiquei 4 anos.

Luciano Pires: Então, essa sua decisão de, tá, a gente entendeu. Você foi para lá atrás de uma dona. Ficar perto da moça.

João Kepler: E a oportunidade era trabalhar.

Luciano Pires: Exatamente. Então essa sua ideia de que, eu vou entrar em uma grande empresa, vou fazer uma carreira em uma grande empresa, mas, você tinha ideia de que essa carreira, não seria uma carreira de 20 anos. Eu vou ficar aqui algum tempo.

João Kepler: Não, não sabia. Eu digo, vou experimentar isso, porque eu nunca tinha tido essa oportunidade. Vou experimentar para ver o que é, qual é do mundo corporativo, né.

Luciano Pires: gostou?

João Kepler: Cara, em um primeiro momento, gostei. Foi um susto, porque era tudo muito novo. Aprendi para caramba. Logo depois, comecei a enjoar daquela fofocalhada, não sei o que, puta merda. Chefe aqui.

Luciano Pires: a gente chama de comedia corporativa.

João Kepler: Chefe para lá, chefe para cá. Muito chefe. Enfim, aquelas coisas todas. E diretor disso, daquilo, paparicar A, B. Isso não dá para mim. Eu queria prestar serviço mesmo.

Eu implantei na época do downsizing, que os computadores grandes começaram a ficar pequenos, redes. Comecei a implantar isso, deu certo, comecei a implantar em outras empresas que não tinham isso, também deu certo. Outros grupos empresariais. Fui fazendo consultoria. E engatei, pedi para sair.

Luciano Pires: Então você começou a construir uma opção fora, enquanto você estava dentro da empresa?

João Kepler: Sim, claro. Minha vida sempre foi assim.

Luciano Pires: Você não pulou do carro, dane-se.

João Kepler: Não pulei. Eu nunca pulo, nunca me jogo no penhasco. Como dizem, (inint) [00:15:37.22] é se jogar do penhasco. Eu digo, velho, sem paraquedas, não faça isso. Não faça isso.

Luciano Pires: Grande amigo meu, Sidnei, ele falou isso para mim uma vez, que eu nunca mais esqueci. Falou cara, você tá num carro, a 120 por hora. Você não pode pular para outro que está a 60. Faz o de 60 chegar a 120, quando tiver lado a lado, você pula de um para outro. Aí você vai embora. Mas não pule, se não tiver ali. Então, construa esse segundo carro, quando chegar ao lado do outro, você pula e vai embora. Foi isso que você fez?

João Kepler: eu digo sempre isso para os empreendedores. Não joga seu emprego, não aperta o botão eject, para não dizer outra coisa agora. Calma. Constrói, veja se é isso que você quer mesmo, valida, que é validando que se aprende. Então você testa, testa, e vai. Foi o que aconteceu comigo, eu fiz isso na pratica. Quando eu digo que eu fiz isso na pratica, porque eu sou um cara da pratica. E passo, grande parte do que eu falo, a maioria das coisas que eu falo hoje, é baseado naquilo que eu vivi, que eu fiz.

Luciano Pires: Você montou uma empresa, uma consultoria para… Você era um lone ranger?

João Kepler: O que é isso?

Luciano Pires: Lobo solitário.

João Kepler: Alone ranger. Ah.

Luciano Pires: Lone ranger, é o ranger sozinho, que é o zorro, né? Era o americano. Mas a gente pode traduzir como lobo solitário. Você estava sozinho? Você e você.

João Kepler: Eu sozinho.

Luciano Pires: Quer dizer, você não montou uma empresa?

João Kepler: Depois eu montei, tive sócio. Mas em um primeiro momento, sozinho.

Luciano Pires: Deixa eu pegar esse momento da fagulha. Você monta um negócio, começa a funcionar, você sai da empresa, está lá. Eu entendo que em um determinado momento, você fica lá. Eu sou limitado, não consigo crescer se eu ficar sozinho. Eu precisarei montar um negócio. Vou ter que montar uma empresa. Vou ter que arrumar um sócio, um lugar, custo, funcionário, etc. e tal. Como é que essa conclusão chegou na sua frente?

João Kepler: Competência complementar. Eu não tinha determinadas competências, eu tinha que aprender algumas coisas quer eu não sabia fazer. Tinha deixado de desenvolver, programar software, né, finanças, essas coisas sempre eu só busquei sócios na complementaridade do que eu não gostava de fazer.

Sempre fui um cara de marketing, vendas. Vendas principalmente. Apesar de saber, eu não gosto de número, mas, eu sou obrigado hoje a ver números toda semana. Vejo balanço, leio balanço. Não tem mais esse negócio, ah, eu não faço porque não gosto. Você faz o que gosta, mas também você não vai negligenciar outras coisas. Naquela época, eu achei interessante ter sócio complementares, e sempre trouxe um cara para ocupar uma dificuldade que eu tinha. No caso, desenvolvimento de sistemas. Outro caso, finanças, em outra oportunidade. Foi isso que eu fiz.

Luciano Pires: Por que você trouxe como sócio? Deixa eu elaborar melhor a pergunta. Eu posso pegar um cara como esse, contratar para trabalhar comigo, fazer um bem bolado com o cara. Somos os dois independentes.

João Kepler: Eu sou um colaborativo, Luciano.

Luciano Pires: O sócio, é aquela história o seguinte. Cara, somos nós dois, é um casamento. Eu vou me casar com você.

João Kepler: É um casamento sem sexo.

Luciano Pires: Exatamente. Casamento sem sexo. E é difícil cara, achar sócio é jogo duro. Por que você opta por isso?

João Kepler: Porque eu sou um cara muito tranquilo, muito flexível. Eu me adapto fácil a qualquer ambiente, qualquer situação. Eu sou um cara maleável, eu negócio fácil. Eu faço uma adaptação fácil. Então o cara ser meu sócio, é muito fácil, porque eu consigo me adaptar ao momento, a situação. E eu gosto de colaborar, eu gosto de dividir. Eu não gosto de ganhar sozinho. Nunca tive ego, traz para mim que eu resolvo. Tem que passar por mim, para eu assinar. Não, nunca tive. Cara, sua área é essa, vai lá, toca, vai, vem, me passa report aqui, vamos lá, vamos trabalhar.

É assim até hoje, com meu sócio atual. Hoje eu tenho 1 sócio, que é o Pierre, e tenho um grupo empresarial, que é grupo BMG de Minas, supertradicional, também meu sócio. Então imagina o que que é lidar com um grupo de 100 anos. Então você imagina o que eu enfrento.

Luciano Pires: Você estava com 20 e poucos anos lá atrás.

João Kepler: Eu trouxe para o presente.

Luciano Pires: Sim. Você estava com 20 e poucos anos, e você decide montar uma empresa. Vamos ali. E eu vou te descrever um quadro que é muito comum hoje em dia. Eu tenho um talento, eu tenho uma ideia, eu sou muito bom naquilo que eu faço, eu acho que essa ideia pode ser um puta de um produto maravilhoso, e eu vou montar uma empresa. Eu, ou eu não sei, eu esqueço, eu não quero pensar ao respeito, que a hora que eu montar uma empresa, eu tenho que pagar conta, tenho que ter contador, tenho que cuidar da água, luz.

João Kepler: Não pensei nada disso.

Luciano Pires: Isso que eu ia te perguntar.

João Kepler: Justamente, porque eu precisava emitir nota fiscal. Eu fazia esse trabalho de consultoria, sem estruturar. E aí cara, precisa de nota, empresa. E tinha um serviço que era desenvolvimento de software, e tal. Eu trouxe um cara para desenvolver comigo aquilo ali, montar uma empresa, uma secretaria e fui embora.

Não foi porque eu pensei, estruturei, planejei, nada. Foi acontecendo, eu fui correndo atrás do rabo. Fui montando, estruturando conforme a necessidade, que a demanda.

Luciano Pires: Como que você faz, quando você está a diante de uma… Você acabou de comentar a história que você hoje tem que olhar números, coisa que você odiava fazer. E você precisa disso. Você dedica tempo para desenvolver essa habilidade? Você vai estudar?

João Kepler: eu estudo.

Luciano Pires: Você vai atrás, você desenvolve essa habilidade?

João Kepler: Desenvolvo, tive que fazer, mesmo não gostando. Eu desenvolvo, vou buscar. Eu tenho pelo menos, eu não sei. Uma das minhas características, pessoa que convive comigo sabe, cara, eu não sei. Não tenho esse negócio, eu sei de tudo. Nada. Não sei. Eu digo assim, eu sou anjo, meu sócio é venture captor. Então muitas coisas, termos não sei o que, eu não sei.

Eu até brinco, quando a gente faz evento internacional, que eu tenho que ser speaker. Meu inglês é normal. Eu digo, meu inglês é Joel Santana. Eu já começo brincando, para o cara saber, a expectativa é menor.

Então, eu sempre surpreendo, no sentido de que eu sou um cara assim, minha natureza é essa.

Luciano Pires: Se você subir no palco, e não tentar interpretar um personagem cara, a transparência é ser você, é uma puta arma para você falar em público. Isso é fantástico.

João Kepler: E aí eu procurei, como diz meu filho, eu tenho um cinto de habilidades, e botar as habilidades ali. E pronto.

Luciano Pires: Você estava nessa época em Maceió?

João Kepler: Maceió. Me casei, tal.

Luciano Pires: Você está em uma pequena capital do Nordeste do Brasil. Em uma época que não acontecia nada nas pequenas capitais do Nordeste do Brasil. É Rio e São Paulo para acontecer, para explodir, é Rio e São Paulo. Hoje mudou muito. Hoje acontece muita coisa. Em todos os lugares do Brasil, tem coisa acontecendo para todo canto. Cada vez que eu viajo, eu volto mais surpreso ainda, né? Só para dar um break. Eu fui fazer uma campus party em Porto Velho. Porto Velho, cara. Porto Velho. Chego em Porto Velho, 6 mil pessoas, mil caras acampados, e os moleque fazendo robótica. Em Porto Velho. Que é um lugar que você tá aqui em São Paulo, você fala, é até preconceito isso. Mas cara, é muito longe. Acabou, não tem mais fronteira.

João Kepler: Lá é longe de quem, de que? Né?

Luciano Pires: Eu até brinquei na palestra. Cheguei para os caras, é o seguinte.

João Kepler: Se você tá em Belém, não é longe. Se você tá aqui, é longe. Mas, longe de que?

Luciano Pires: Eu fui fazer a palestra, falei assim, “olha, vocês fiquem aí, porque eu moro na puta que pariu”.

João Kepler: É verdade.

Luciano Pires: Doo ponto de vista de vocês, quem tá na puta que pariu sou eu.

João Kepler: Isso aí.

Luciano Pires: Essa barreira caiu toda. Ainda mais na sua época, não era assim.

João Kepler: então Luciano. Antes de falar da minha época, eu preciso te dizer uma coisa que me lembrou. Me deu um insight que você tá falando, é a mais pura verdade. Mas como que você tem 400 empresas no portfólio, como que você conseguiu investir em 400 startups?

Antes de entrar na sociedade com o Pierre, eu tinha 40. Por que? Justamente porque eu ia buscar oportunidade onde ninguém ia. Eu ia lá em Roraima. Ia lá no Mato Grosso, Cuiabá. Eu ia buscar oportunidade, não ali em Rio, São Paulo. Eu ia buscar lá. Então, sempre tive essa ação de fazer acontecer, de buscar oportunidade. E foi assim naquela época. Como eu me virei em uma cidade tão pequena? Sabe aquela história dos vendedores de sapato?

Luciano Pires: Sei, que chegando no lugar, ninguém usa sapato.

João Kepler: São 2 vendedores.

Luciano Pires: Um fala, estamos fodido. Ninguém usa sapato. Outro fala, meu, olha que puta mercado, ninguém tem sapato.

João Kepler: Manda um caminhão para cá, que eu vou vender tudo. Foi isso. Eu olhei dessa forma. Manda um caminhão para cá, que eu vou vender tudo. Ninguém fazia. Lá você é um, aqui você é mais um. São Paulo, você é mais um. Lá você é um.

Então, eu usei essas habilidades, né. Eu li livros antes de muita gente. Como influenciar pessoas, e fazer amigos. E todos esses livros. Já começando a ler de forma…

Luciano Pires: Tem um livro do Seth Goldin chamado O Vale, que ele fala o seguinte. Você tem que ser o melhor no seu mundo. Você tem que ser o melhor do mundo. Seja o melhor do mundo. Como cara? Espera um pouquinho, que mundo é esse? Aquele mundo. Estou em Maceió, e sou vendedor de coco na praia. O melhor vendedor de coco no meu mundo, sou eu. Amanhã, sou o melhor das praias todas, depois sou o melhor da cidade. Eu sou o melhor do Estado, do Brasil, melhor do mundo.

João Kepler: Desde que, sabendo também, isso seja na perspectiva do outro, não só na sua.

Luciano Pires: É claro.

João Kepler: É claro, senão o cara fica com a bola, se acha. Porque tem muito cara boçal, se acha… Meu LíderCast é o melhor do mundo. Não é assim. É o que os outros acham que é, é. Então beleza. É a mesma coisa, quando a gente fala de valores de empresa. O cara diz eu acho que ela vale 10 milhões. Mas quem paga isso?

Luciano Pires: Vale para tudo isso, até para vender carro hoje em dia. Me fala uma ciosa, essa primeira empresa que você montou, era uma empresa de consultoria na área de software? Era hardware ou software?

João Kepler: Software. Primeiro começou software, depois entrou para hardware. Aí ia lá, aqueles computadores cobras não sei o que. Depois saí dessa história de hardware, nunca gostei de nada tangível, físico.

Luciano Pires: Mas você ficou no TI?

João Kepler: Fiquei no TI. Até hoje, os startups hoje, de certa forma é TI.

Luciano Pires: E você vai nessa até quando?

João Kepler: Cara, passou muita coisa. Tem várias histórias no meio do caminho. Mas, meu braço de vendas, eu encontrei um cara, um pastinha, me vendendo eletrodoméstico. Um dia encontrei um cara vendendo eletrodoméstico, e digo, você vende para quem? Vendo para uma empresa de São Paulo, ou Vitoria, sei lá onde é. Eu digo, mas o que que é?  Uma pastinha cheia de foto de eletrodoméstico. Eu falei, caramba, em quantos vocês são? Nós somos 20 aqui. Quem é o líder, comecei a cascavilhar, e vi que era uma empresa, tipo uma distribuidora, que vendia porta a porta. Aí eu comecei a descobrir que tinha indústrias começando a fazer isso. Eu digo, fui na indústria e peguei para mim esse negócio, no sentido de começar a vender, porque eu gostava de vender. E montei um time, cheguei a ter 1500 vendedores porta a porta no Nordeste inteiro.

Paralelo a isso, montei uma empresa de cartão convenio Nubank, há muitos anos atrás, para atender meus vendedores. Então, comecei a criar produtos, para atender minha equipe de vendas, tal. Terminou criando um cartão convenio, foi um dos maiores do Nordeste.

Luciano Pires: Cara, 1500 vendedores? Evidentemente não era CLT isso.

João Kepler: Não.

Luciano Pires: Era tudo, cara um com sua microempresa lá.

João Kepler: Microempresa, profissional.

Luciano Pires: Com pastinha na mão vendendo. Você passou a vender para um monte de…

João Kepler: Não, só uma marca. Eu tinha uma marca. O vendedor podia vender para várias marcas que ele quisesse. Eu era representante oficial de uma marca.

Luciano Pires: Ok. E ali…

João Kepler: Direto da Fábrica, para o consumidor final. Sem passar pelo varejo. Imagina que loucura.

Luciano Pires: Isso era um abriga. Eu estava em autopeças, e autopeças tinha essa puta ameaça. Um 3 setps, com ameaça de virar 2, e o cara que vau perder. Era uma briga sem tamanho aquilo.

João Kepler: Então, naquela época não tinha muito digital. O cara da loja não sabia muito o que fazer, como ter outros canais. Ele queria montar equipe dele, mas não sabia gerenciar. A liderança de fazer, de gerenciar 1500 pessoas, era uma loucura. Eu fazia reuniões, aprendi a palestrara aí. Eu levava meu time para ver palestras de Claudio Diogo, Carlos Riudoffi, Godri, e hoje são todos meus amigos. Eu estava na plateia com a minha equipe. Aprendi a fazer palestra. Chegava na minha convenção, todo mês eu fazia, de vendas e tal. Desligava a luz, entrava com uma moto. Cara, sabe como é? Entrei na vibe desse negócio. Foi daí que veio minha pegada de comunicador. De falar para essas pessoas, treinar, de ser treinador dessas pessoas.

Luciano Pires: Mas você não tornou isso uma profissão?

João Kepler: Tornei. Depois tornei. Tanto é que eu virei a chave, né? Depois que a fábrica, os americanos compraram essa empresa no Brasil, essa fábrica, meio que aportaram esse processo de venda direta, por conta dos conflitos, modelos eles mudaram. E, automaticamente, no meu cartão convenio, que era cartão de credito, os governos e prefeituras começaram a descontar na folha, e não repassava o dinheiro. Naquela época, não tinha lei de responsabilidade fiscal. E aí fiquei meio que pedalando. Tinha que pagar os fornecedores, as lojas, e não recebia. Então cara, foi duas porradas de uma vez só. Quebrei lindo. De um lado, acabou a fonte. De outro lado, não me repassava. Passei um tempão administrando, criei coragem, desliguei a luz, sem quebrar na verdade, mas desliguei a luz, de uma operação, de outra, e fui embora. Aí o que eu tinha? Tinha uma vocação, que era negócio de eventos, de festas que eu fazia. Era sócio de eventos e tal. Tinha um site de vendas de ingressos também, para esses eventos. Sempre construí negócios complementares aos meus. Preciso de um site para vender ingresso da minha própria festa.

Eu sempre criei negócios paralelos, para ajudar, e isso foi muito bacana, foi inteligente até determinado momento. Foi com esse site de ingressos, que chegou a ser um site nacional chamado show de ingresso. Foi com esse site que eu encontrei o mundo do investimento. Então paralelo a isso, eu fazia palestras. Lembra o cara que eu KLA, que eu levava minha equipe para Comandatuba, sei lá onde, ver a palestra dos meninos. Até que um dia, eu estava no evento, ele me encontrou, rapaz, lembra de mim? Lembro, eu sustentava vocês, eu levava um monte de gente. De cliente, terminei virando…

Luciano Pires: Palestrando. Você estava no palco.

João Kepler: Foi ele que me levou para lá. Disse que era um evento pequenininho. Quando cheguei lá, teatro Rebouças, 720 empresários, tive que enfrentar aquele público. Não foi fácil. Mas, tem 9 anos. E de lá para cá, não parei.

Luciano Pires: Me conta desse lance do mundo do investimento cara, que isso aí…

João Kepler: Então, essa empresa de ingressos, cresceu muito. Ela passou a ser meu principal business.

Luciano Pires: Quando você fala empresa, tinha um CNPJ certinho. Empresa com site. A cara dela era o site, e a operação era o site.

João Kepler: Certinho, com site. Passou a ser meu principal business. Palestras e isso, palestras e isso. Até que eu descobri que tinha um fundo no Brasil, novo, de investimento em startups, eu não sabia nem o que era startups, empresa de tecnologia. Eu apliquei, recebi um não. Ah tá bom, onde que tem no mundo? No Silicon Valley. Eu fui no Silicon Valley, porque eu botei na cabeça que eu faria investimento para essa empresa, sem saber o porquê eu precisava de investimento. Eu simplesmente faturava muito bem, tinha 3 escritórios, 40 colaboradores, um negócio enorme, já crescendo muito, mas eu achava que se eu tivesse um investidor… eu sempre colocava na cabeça que se eu tivesse um sobrenome, sabe, um carimbo, eu achava que isso era importante. E fui buscar isso. Cheguei nesse fundo, recebi outro não, assim como eu tinha recebido.

Luciano Pires: Você tinha um business plan?

João Kepler: Tinha um PowerPoint tosco. Não sabia nem o que era isso, para ser sincero. Não sabia o que era startup. Eu levei um PowerPoint tosco, achando que estava abafando. Recebi não. E aí tinha um cara na mesa, que era investidor desse fundo, me chamou para conversar, tomar um café. Ele disse, você não recebeu porque você não é lean, você é um cara levado, um monte de sopa de letrinha que eu não entendi nada do que ele me disse. Ele viu que eu não entendia, e começou a me explicar com calma.

Luciano Pires: Ele falou pit, você falou saúde.

João Kepler: Por exemplo, isso foi 2007.

Luciano Pires: Isso lá, um cara lá nos Estados Unidos.

João Kepler: No Silicon Valley mesmo. No fundo Axel. E aí pronto. Depois disso ele fez uma mentoria, sem eu saber o que era uma mentoria. Ele me disse que meu negócio era B2C. Ah entendi. Porque que você não vende seu software, para seu concorrente. Por que, ele fez uma pergunta. Porque, isso não passa na minha cabeça. Como eu vou dar meu software… Claro, para você ganhar dinheiro. Ele não tem… eu mostrei os concorrentes para ele. Ele disse, os caras não têm a tecnologia que você tem. Naquela época eu não tinha login, senha. Meu software era onde click to buy, já naquela época. Cara, dá software para seu concorrente. Vira uma plataforma B2B. Ganha em percentual menor, mas ganhe sem fazer nada. Então eu terminei ficando com uma salinha.

Luciano Pires: Seu produto não é vender ingresso. Seu produto é o software. Você deu um passo atrás.

João Kepler: Um passo atrás, me estruturei, gastei muito menos dinheiro, botei uma salinha de 3X4, com 3 pessoas, e virei uma plataforma de ingressos, de e-commerce de ingressos.

Luciano Pires: A partir de um insight.

João Kepler: De uma mentoria, de um insight que o cara me deu, uma pergunta que ele me fez. Eu digo assim, uma pergunta bem-feita, a resposta pode ser matadora, pode transformar sua vida. E foi isso que aconteceu.

Luciano Pires: Vamos falar, que você tá me deixando…

João Kepler: Excitado.

Luciano Pires: Excitado no Brasil é feio. Excited fica mais bonito. Me fala um pouquinho desse café que você teve com esse cara. Você estava numa posição que muita gente tá hoje em dia. eu montei minha startup, to com uma puta ideia, vou montar um negócio e vou vender por 1 bilhão de dólares para o Google daqui 1 ano. Eu chego lá com meu PowerPoint tosco. E tem muita gente que ainda está nessa, porque ainda não tem uma bíblia de passo a passo. Cada caso, é um caso. Me fala desse café que você teve com esse cara. Quais foram as luzes que esse cara te deu, e que eu poderia usar hoje em dia, eu to te ouvindo no PodCast, e quero seguir esse caminho. Quais são essas luzes.

João Kepler: Ele apontou uns 5 itens, tecnicamente falando, e que me surpreendeu muito, porque ele foi muito pontual em cima do meu PowerPoint tosco, mais o software que eu fiz a demonstração, ele foi muito pontual. Então eu disse a estrutura que eu tinha, ele falou, você tem gorduras estruturais. Você tem 2 pessoas para café, uma atendente de telefone. Você tem prédios, capital tangível. Isso, capital tangível e intangível naquela época, era bicho. Eu não sabia qual era a diferença. Eu não entendia que o capital intelectual era mais importante do que o não intelectual. Hoje eu sei. Mas, naquela época, eu não sabia. Então para mim era escritório com fachada, com uniforme de funcionários. Custo fixo gigantesco, e ele teve, ele viu isso. Você tem isso. Mas não tem que ter? Não tem que ter. ele me levou para ver outras empresas de tickets na cidade, depois. Ele me levou. Era um escritório, um colaborativo. Naquela época, já tinha coworking. Ou seja, mas como que esse cara trabalha um monte de empresa aqui?

Luciano Pires: Que é uma paulada. Para nós que fomos educados, protege seu negócio, não deixa ninguém ver. O cara, abre essa merda, cara. Deixa todo mundo ver. Quanto mais gente puder colaborar.

João Kepler: Hoje é colaborativo, naquela época não era. Então peguei um cara que me ajudou. Ele falou isso. Ele falou que meu custo de aquisição de cliente é alto, porque ele viu o quanto eu faturava, e o quanto eu tinha de margem, e quanto eu precisava gatar de marketing, ou de esforço de vendas, para ter um cliente. CAC. Custo de Aquisição de Cliente. Se você tá me ouvindo, não souber o que é CAC, procure saber, que realmente é um KPI fundamental.

E aí eu não sabia como calculava CAC, fui aprender. Quanto tempo aquele cliente fica com você. Quantos ingressos ele compra. Ele começou a me explicar um monte de coisa, que eu não tinha modelo enxuto de gestão. Eu não aplicava nenhum modelo moderno de gestão. O meu planejamento era estratégico, 5 anos. Você tá louco, planejamento de 5 anos não existe nos Estados Unidos. Você pode até… você tem que planejar todo ano. São coisas que eu não estava acostumado a ouvir. Foram 5, 6 coisas que ele me disse, que mudou minha vida completamente, principalmente a pergunta que dizia assim: “cara, porque que você, no lugar de fazer venda para o consumidor final, você não vende para seu concorrente?”. Aquilo ali foi na hora um insight matador. Mudei o game todo. Imagina, tinha 3 escritórios, 40 pessoas, de repente fui para uma salinha, 3X4, com 4 pessoas.

Luciano Pires: do ponto de vista de faturamento para você.

João Kepler: Meu faturamento aumentou muito, mas a minha margem. Na verdade, a margem aumentou, meu percentual diminuiu.

Luciano Pires: Seu custo foi reduzido brutalmente.

João Kepler: Passei a ganhar mais dinheiro no final das contas. Passei a ganhar muito mais dinheiro. Eu estava andamento com muito menos faturamento, ganhava muito mais dinheiro.

Luciano Pires: Gerenciando muito menos transações. 3 transações.

João Kepler: 3 pessoas.

Luciano Pires: Eu digo o seguinte. Você vendeu seu software para quantos clientes?

João Kepler: Não vendi, aluguei.

Luciano Pires: Alugou para quantos clientes?

João Kepler: (Inint) [00:37:05.11], ganhava com o cara.

Luciano Pires: Isso aí, 4, 5, 6. Então eram 4, 5, 6 transações. Não eram mais 20, 30 mil por mês.

João Kepler: Na verdade, eram as mesmas transações, mas eles cuidavam disso. Eles tinham atendimento, tinham custo de tudo isso aí. De trazer cliente. Eu não.

Luciano Pires: O software é seu.

João Kepler: É 24 por 7, software proprietário. 24 por 7, tinha que deixar funcionando, esse era meu contrato. E pronto, foi isso que aconteceu, foi isso que eu entendi o que que é a força de um mentor. E aí cara, eu comecei a fazer a mesma coisa que ele fez comigo, em outros empreendedores. Porque eu sempre tive essa pegada de ajudar as pessoas. Eu sempre ajudei muita gente.

Luciano Pires: então, nós estamos chegando em uma hora, que vai ter uma nova guinada na sua vida.

João Kepler: Mas, a guinada principal foi em cima.

Luciano Pires: Então, você senta ali, passa por uma experiência transformadora, a partir de alguém que tem conhecimento, que tem uma visão, está fora do negócio, consegue ver o jogo de longe, te dá aquela dica. Você monta seu próprio negócio, o negócio começa a andar. Quando é que é o momento em que você começa, você entende que a sua passagem entre o dono da empresa que está ganhando dinheiro aluando software, para o que virá a ser um investidor anjo lá na frente. Como é esse rito de passagem?

João Kepler: Tem uma guinada que foi dada, a partir também de uma outra oportunidade. De eu investir também, de fazer investimento lá fora também. Uma empresa de ingresso como a nossa. Então, eu investi, eu fui buscar, terminei deixando, né.

Luciano Pires: Apareceu alguém?

João Kepler: Apareceu, o mesmo cara que me deu mentoria, me ofereceu uma oportunidade de fazer investimento, porque ele era investidor anjo, além de ser… Ele me deu oportunidade de investir 25 mil dólares, que ele também estava entrando como investidor. 100 mil no total, 4 amigos. Eu sou investidor anjo. Mas como é isso? Então, em um outro dia, um outro momento, ele me explicou o que que era esse angel investor. Eu não entendia nem… anjo? Como que é esse negócio?

Luciano Pires: Chegamos em um momento crucial desse programa, que é o momento em que João Kepler, que é um investidor anjo, vai contar para nós o que que é investidor anjo. Vamos lá. Lembre-se que tem uma porrada de gente ouvindo, que nunca ouviu isso na vida. É a primeira vez. Que capso é investidor anjo?

João Kepler: A mesma surpresa de quem está nos ouvindo, que nunca ouviu, foi a mesma minha naquela hora. Que capso é isso, como que você dá 25 mil dólares para o cara? Que contrato você tem? Você é sócio, você ganha dividendos? Você vai ter salário, como que é? Eu achava que eu ia ser sócio. Não, não é nada disso. Preste atenção, e começou a me explicar. Veja, eu tenho uma expertise, de anos e anos de trabalho, eu tenho track recorde de ter passado por grandes empresas, no caso dele, tal. Tenho um pouco de dinheiro, que eu ganhei, e eu dou para esse empreendedor que eu escolhi, o projeto que eu escolhi, eu dou um pouco de dinheiro, que é pouco dinheiro no começo, e muita mentoria, aquilo que ele tinha feito comigo, lembra?

Eu, cara, faz sentido. Quer dizer então, que é muito mais forte o skill, conhecimento, networking que você tem, do que propriamente dinheiro. É, tá bom. Aceitei.

Luciano Pires: qual é esse contrato, que você vai fazer com a pessoa?

João Kepler: hoje, trazendo para o dia de hoje, o Brasil não tem ainda, até hoje, um…

Luciano Pires: A figura legal.

João Kepler: Até tem a figura legal do investidor anjo, da Lei complementar 155. Só que a receita vai dar porrada. Se você usar esse contrato, você é tributado para cacete. É massacrado. E a gente usa o que? Usa mútuo conversível, que é um contrato de empréstimo. É como se eu tivesse emprestando para o cara. Então, não existe reflexo tributário trabalhista nesse sentido. Então, é isso que a gente usa, e assim que a gente trabalha.

Luciano Pires: Tá. Mas então, termina de me explicar. Não consegui entender ainda o investidor anjo. Alguém tem uma empresa, eu tenho uma empresa, eu tenho um lava jato revolucionário. To ali, não consigo crescer, to pequenininho, quero expandir. Eu tenho uma visão que esse negócio pode crescer, e to na sua frente ali. Eu, com meu pequeno PowerPoint, bem-feitinho.

João Kepler: Se tiver bem-feitinho, se tiver racional, o que eu vou ver, é qual racional que você tá dizendo. Faz sentido? Você vai crescer realmente, se atochar dinheiro?

Luciano Pires: Para você, não importa se eu tenho um negócio de criação de peixe, se é um lava-jato, um escritório de advocacia. Você não tá preocupado qual é, em que tipo de negócio eu to metido.

João Kepler: No meu caso, no caso da nossa empresa, a gente olha se esse negócio tem uma pegada tecnológica, se é mesmo um canal de vendas, um canal digital. Por exemplo, sua empresa tem que caber no celular. Se sua empresa couber no celular, não importa o que você faz, é possível a gente conversar. Então tem que ter, no nosso caso como é startup, esse é meu expertise, meu conhecimento. Tem investidor, é por tese. Cada um tem sua tese, e se aprimorou a tese ao longo dos anos. Eu to há 10 anos fazendo isso. Eu to aprimorando a tese, apanhando. Em 400 empresas, a gente perdeu 19, e saiu em 12. Então, já tem um resultado nesses últimos anos. Então, voltando lá atrás, eu aprendi a fazer investimentos, 8 meses depois ele me liga, se eu não quero vender aqueles mesmos 25, por 100. 4 vezes mais. Uau, isso funciona. Isso dá certo.

Luciano Pires: quanto tempo depois?

João Kepler: 7 meses depois.

Luciano Pires: Você tá falando em dólar.

João Kepler: em dólar, a coisa lá fora. Mas eu achava aquilo um absurdo, e na verdade virou uma coisa comum, porque lá eles têm muitas saídas, muitas jogadas, e no Brasil, agora que a gente tá tendo… Nessas 12 exit que nós temos, mais da metade foi nos Estados Unidos, que a gente investe lá. Nós temos 140 empresas americanas.

Luciano Pires: volta para o meu lava jato. Ele cabe no celular. Que perguntas você vai fazer para mim?

João Kepler: Eu vou olhar para que que você precisa do dinheiro, para que que você quer fazer com ele? Vou ver se você tem competência, o que que aconteceu até hoje com seu lava jato. Qual é seu custo. Qual seu burn, o quanto você queima de gordura por mês. Se tá breakvado, se não está. Breakvado, eu digo ponto de equilíbrio, caso tenha gente que não saiba.

Luciano Pires: Se o negócio tá se pagando, se ele tá equilibrado.

João Kepler: Onde que você vai aplicar o dinheiro, porque papel cabe tudo. Então, eu faço algumas simulações. Você precisa de 100 mil para marketing? Cara, vamos testar 10 mil, ver se vai? Se der o ROI que você quer, a gente continua. Então assim, a gente tem toda estratégia do negócio do business. Mas, antes do business em si, isso que eu queria te falar, são as pessoas que fazem o business. Se aquele empreendedor realmente vai entregar aquilo que ele quer fazer. Se tem condição daquele negócio dar certo. Porque não adianta nada, você pode ter um LíderCast desse, ter um estúdio igual a esse aqui cara. Mas é você o cara, sabe? Você pode ir para qualquer, pode ir para a Tailândia, você vai fazer lá. Então poxa.

Luciano Pires: Claro, você tem que saber, como que eu vou dizer isso. Você tá procurando coisas que o dinheiro não compra. Você é o cara que vai colocar dinheiro e expertise no negócio, mas, te interessa primeiro, as coisas que o dinheiro não compra. Eu não consigo comprar.

João Kepler: É capital intelectual, e até comportamento também. Se é um cara arrogante, cheio de marra, se é um cara que não ouve, mais boca do que ouvidos. Tem 2 orelhas e 1 boca. Então, tem um monte de situações e comportamentos, que a gente observa. Se o cara aceta suas orientações, suas críticas, se responde suas perguntas. Então tudo isso são detalhes, que relacionamento, no early state, que é início da operação, eu to falando do investimento no começo, da operação do cara.

Luciano Pires: Isso era uma outra pergunta que eu ia fazer. Quer dizer, a princípio, quando a gente bota esse assunto na mesa, dá impressão que é o seguinte. Eu vou procurar um investidor anjo, se eu tiver um negócio no papel, e uma ideia para fazer acontecer. Não aconteceu nada ainda, ela vai nascer. Mas, existe a opção que esse negócio já existe, está andando, e eu quero ir para um outro patamar.

João Kepler: nesse caso, tem vários tipos, vários estágios do investimento. Tem o primeiro estágio, que é a família, amigos, do seu próprio bolso.

Luciano Pires: Que é o Cig Money.

João Kepler: Não, antes disso. Muito antes disso. Cig Money, já é depois da minha frase. E aí, muitas vezes, tem aquela história do 30 a 30. Ou seja, você pede para o time emprestar 30 mil, por 30% dos negócios, porque não sabe o que é investimento profissional, e quer ser sócio de 30%. Isso não existe no mundo profissional. Você pega 5, 7%, mas não 30%. Isso não existe. E aí você vai crescendo, tirar a ideia do papel, tira do PowerPoint, tira do papel. Vai, faz um protótipo, e vai embora.

Aí você entra na aceleradora, na incubadora, começa a faturar, porque o melhor dinheiro é do cliente. Aí começa a entrar o dinheirinho, chegou àquela hora que você precisa do dinheiro para equilibrar as contas, ou então para crescer. É nessa hora que você procura o investidor anjo, que é o próximo dinheiro, 50, 100, 200 mil, aquele dinheiro para equilibrar as contas.

Luciano Pires: Quer dizer, o investidor anjo, é aquele cara que quer o negócio andando de alguma forma.

João Kepler: Existe.

Luciano Pires: eu não to vendo um sonho. To vendo algo…

João Kepler: Real. Mas, não precisa estar 100% pronto. No estágio que eu to, a gente chama de pré Cid, a gente chama de negócio breakvado, ponto de equilíbrio, e o dinheiro é só para marketing e vendas, para crescer.

E aí tem estágio Cid, depois do nosso. Estagio série A, B, C, D, private equity, IPO. Que é no caso do Brasil, nós temos a Stone, a PagSeguro, que já fizeram IPO. Empresas que saíram de pequenas, e se transformaram em grandes negócios.

Luciano Pires: IPO é quando se abre para a bolsa, e aí o céu é o limite.

João Kepler: todo mundo compra, e aí o faz me rir vem.

Luciano Pires: Como é que é a remuneração do investidor anjo? Ele tem um pedaço da empresa?

João Kepler: ele tem um equity proporcional ao dinheiro que ele botou, baseado no valor da empresa. Então a empresa vale 1 milhão, ele botou 100 mil, ele tem 10%.

Luciano Pires: Se um ano vender por 10 milhões.

João Kepler: ele multiplicou por 10, os 100 mil dele.

Luciano Pires: Tem todo interesse naquele negócio.

João Kepler: Claro, por isso é angel investidor. O nome é investidor anjo. Ele pega na mão, vai junto, chora junto, sofre junto. E guerra.

Luciano Pires: Muito bem, você está no LíderCast, que é um PodCast focado em liderança e empreendedorismo, que proporciona conversas nutritivas com gente que está aí para provocar mudanças. O LíderCast faz parte do Café Brasil Premium, a nossa Netflix do conhecimento, que redefine o termo estudar. Ao transformar o seu smartphone em uma plataforma de aprendizado continuo. Você pratica uma espécie de MLA, Master Life Administration, recebendo conteúdo pertinente, de aplicação prática e imediata, que agrega valor ao seu tempo de vida.

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João, esse negócio virou uma febre.

João Kepler: qual dos dois?

Luciano Pires: O negócio do startup, acabou virando um carimbo, que tudo é startup, somos startupeiros, co-work para cá, para lá. Virou uma loucura isso aí, qualquer moleque que saiu da escola, já está pronto para começar sua startup. Isso por um lado é bom, porque abre uma oportunidade para muita gente. Por outro lado, é um saco, porque vira um rotulo, acaba aparecendo um monte de aventureiros. A gente sabe como funciona essa coisa. Vira moda, é terrível. Onde que o Brasil tá, nesse mundo do startup. Deixa eu te dizer porque eu to fazendo essa pergunta. Quando você bota assunto relacionado à internet, o Brasil é impressionante, os números são absurdos. Te conte a história do PodCast. O americano chega falando em 5 mil, eu tenho 50 mil. Um Youtuber brasileiro, tem 15 milhões de seguidores, um americano fodido tem 5 milhões.

João Kepler: Esse é o mercado.

Luciano Pires: Então, nós somos fantásticos. Quando a gente pega esse universo de startup, põe dentro da caixa, e você é um cara que está acostumado a ver lá fora tudo. Onde é que o Brasil tá nessa…

João Kepler: Então, a gente tá há 5 anos atrasados ainda. Crescendo muito. Hoje, um empreendedor brasileiro não é mais desinformado como era há 4 anos atrás. A gente tá muito melhor preparado, a gente tá entendendo o que precisa fazer, como tem que apresentar. Não é mais o PowerPoint, é tudo no racional, DEC. Já sabe, tem meu livro, por exemplo, Smart Money, que ajudou muita gente.

Luciano Pires: Essa é a próxima pegada.

João Kepler: Mas enfim, nós temos 1 bilhão de investimento em venture captor no Brasil, precisa de 5 bi para atender as startups que existem. Enquanto que nos Estados Unidos tem muito mais dinheiro, do que startups. Aqui tem muito mais startups, do que dinheiro. Essa equação, esse equilíbrio, precisa acontecer. Mas, qual é a situação da vibe? Dessa moda que você tá falando? É uma verdade, porém, é uma verdade que ajuda o desenvolvimento hoje. Quando que na minha época, para empreender, era muito difícil, quando eu comecei.

Luciano Pires: O dono da firma. Fazer uma firma.

João Kepler: Era difícil para caramba, e não tinha esses modelos, métodos todos ágeis, e tal. E eles tem. Então esses empreendedores hoje, eles conseguem fazer negócio. Eu digo sempre, basta um celular, um banheiro limpinho, uma tomada e um wi-fi, você monta uma startup. Muito rápido, muito fácil. Então, por conta disso, muita gente apareceu, muito aventureiro apareceu. Mas, a gente está tendo um amadurecimento, uma seleção natural, um amadurecimento importante hoje no processo. Então, nós temos universidades fazendo cursos de empreendedorismo, MBA de gestão, MBA de investimento, muita coisa acontecendo. Muita gente tem bancos fazendo investimento em venture captur. Nós temos prédios inteiros, tudo isso vai ajudando. Por isso que a gente chama de ecossistema, porque tem todo… Quando eu digo assim, ah, mas o Silicon Valley, é uma cultura. Não é um local. A cultura, todo mundo é colaborativo, um ajuda o outro. Ali tem um investidor, ali tem empreendedor, ali tem a universidade. Ali tem tudo. Tudo você encontra ali, para que aquele negócio de certo, com mindset de mercado. Para que aquela coisa funcione. Por exemplo, o cara que você falou do lava jato. Lava jato, estacionamento, enfim, lava jato. Ele vai falar com parente dele sobre o projeto do lava jato, botar um lava jato no celular, isso não funciona, ninguém vai usar. Vai ser difícil você convencer uma pessoa que não entende. Quando você vai no ecossistema, todo mundo fala sua língua. Todo mundo quer saber como a coisa funciona, porque quer participar disso. Isso é muito bom. Então as pessoas perguntam, você vai conseguir chegar nas mil empresas. Vou. Por que? Porque tem projetos. Eu só não sei se a empresa vai ter dinheiro para bancar os mil projetos. Mas que tem, tem. Que tem projeto para que a gente investe, tem. Imagina o seguinte, se você pega um milhão de reais, e dá para 3, 4 empresas, no lugar de dar só para uma, quanto de emprego você tá gerando? Quanto de negócios e oportunidades, desenvolvimento econômico, você tá gerando? Quantas empresas não morrem no período de 2 anos, e você bota um dinheirinho, 100, 200 mil, para ela sobreviver, passar do vale da morte? Isso é muito importante. Tanto é que o governo está olhando para isso, todo mundo está olhando para isso.

Luciano Pires: O impacto social é um negócio brutal.

João Kepler: E as vezes, João, qual a idade média do empreendedor brasileiro? 38 anos.

Luciano Pires: que é um cara maduro. Não é moleque.

João Kepler: Isso que eu to falando. Não é só o cara da garagem, o molequinho que saiu da faculdade.

Luciano Pires: Me fala do seu livro.

João Kepler: O livro foi baseado em 10 anos de experiência, e perguntas que eu recebi. João, onde eu encontro investidor? João, como que eu faço para apresentar meu projeto para você? João, sabe aquelas perguntas que a gente recebe? Eu comecei a anotar, e a responder. Eu juntei, tenho mania de anotar as coisas, juntei tudo e botei no livro.

Luciano Pires: Chamado Smart Money.

João Kepler: Smart Money. A arte de atrair investidores, e dinheiro inteligente para o seu negócio. Por que atrair investidores? Porque eu digo o seguinte. Se você tem um baita projeto, você não tem que ficar, investe em mim não. Você tem que atrair o cara. Sabe aquela bonitona que fica ali, e no charme dela, você vai falar com ela? É isso. O empreendedor que tem um bom negócio, ele tem que atrair o interesse do investidor, porque o investidor sofre de um negócio chamado fomo. Sabe o que é fomo? Fier of Missing Out. Medo de Perder uma Oportunidade.

Luciano Pires: Para você que tá me ouvindo, é o fomo que faz você dormir tarde, e acordar desesperado, que não olhou sua rede social, e passou um monte de coisa que você perdeu ali. É fomo. Meu, tá acontecendo um monte de coisa, eu pulei isso.

João Kepler: Principalmente se envolve dinheiro. Puts, perdi a oportunidade de investir, porque o negócio ficou milionário. Aconteceu comigo no Uber, em outras empresas que eu não entrei, porque perdi oportunidade. Achei que não ia rolar, que não ia virar, perdi. Então assim, quando um cara me apresenta um negócio hoje, ele sabe me atrair, minha atenção seja no elevador, no pit de elevador, pit de banheiro, que já aconteceu comigo, xixi pit. Seja em qualquer coisa.

Luciano Pires: Quem não sabe o que é pit, é o seguinte. Eu tenho 3 minutos para convencer.

João Kepler: 3 não, 40 segundos.

Luciano Pires: 40 segundos, inflação tá brava.

Jo8o Kepler: Elevador é menos que isso.

Luciano Pires: 40 segundos para convencer o João a me ouvir.

João Kepler: O que que você diria? Se eu tivesse que investir no LíderCast, o que você falaria para mim?

Luciano Pires: No Café Brasil. Puta cara, eu não pensei no meu pit ainda. Mas eu tenho um negócio voltado para educação, fodido, no seu celular, e que vai transformar seu jeito de ver o mundo, e de tomar decisão no dia a dia.

João Kepler: É mais ou menos isso. Só que é mais ainda carregado no problema. Você sabe o problema que você tem de não ter tempo para sentar, ler um livro? Eu tenho um jeito de você conseguir fazer isso. Ou seja, problema/solução. Isso é pit. Aí tem cara que chega para mim, eu sou formado em Harvard, tenho não sei o que. Velho, e daí? O que que eu tenho a ver com isso? Informação serve para você, não para mim.

Luciano Pires: (inint) [00:55:02.05] escreveu isso, há muito tempo atrás. Ele diz o seguinte. O povo não quer Deus, o povo quer um milagre. Legal, já sei que você é foda. O que tem aí?

João Kepler: é na sua perspectiva, eu quero saber na minha. Porque que eu tenho que olhar para você? Você tem que ser atraente nesse sentido. O livro fala disso, é muito forte nesse sentido, de como você ser irresistível na visão do investidor, e não na sua visão. Por que eu recebi investimento quando eu fui buscar lá atrás? Porque eu achava que eu era aquilo, todos os slides eram baseados naquilo que eu acreditava, e na verdade eu tinha que mostrar outras coisas.

Luciano Pires: Você tinha que mostrar o que ele quer ver, e não o que você quer mostrar.

João Kepler: Comunicação é o que as pessoas entendem, não o que você fala, não tem isso?

Luciano Pires: Esse é teu livro mais recente.

João Kepler: O próximo é em maio. O próximo é de gestão.

Luciano Pires: Que você falou lá. Me fala uma coisa nessa questão do… já estamos partindo aqui, chegando para os finalmentes. Ainda tem, vou te dizer quanto tem aqui. Tem um tempinho legal, dá uns 20 minutos aqui. Nesse ecossistema, tem que se criar uma geração de investidor anjo. Ah, eu sou tio da padaria, tenho grana, e vou virar investidor. Não é assim.

João Kepler: Você vai perder dinheiro.

Luciano Pires: Não tem uma escola, eu quero aprender para ter um diploma de investidor anjo. Tem uma elite, eu não quero chamar de elite porque esse nome não é bom. Mas, tem uma camada nesse ecossistema, que é a camada dos investidores anjo. O que que coloca alguém dentro dessa camada. Qual é a predisposição, qual a formação.

 

João Kepler: Vamos lá. Nos Estados Unidos, por exemplo, se você tiver dinheiro, muitas vezes você não consegue investir. Porque lá sim tem uma camada, uma elite que tem as prioridades, que recebe os melhores deals, as melhores oportunidades. Lá tem, aqui não temos isso. Aqui, como tem mais projeto do que dinheiro, o dinheiro é bem-vindo. O problema é que o investidor quer fazer isso sozinho. O empresário, o executivo, um cara que tem um dinheiro reservado, ele quer tirar o dinheiro da poupança, da reserva, do CDI dele, e quer colocar em uma startup, em uma empresa de um cara que diz que esse negócio é incrível, que vai resolver sei lá o que. E ele acreditou, vai, perde o dinheiro. Então, o que está acontecendo hoje é isso. Se você está nos ouvindo e quer virar investidor, a minha dica é o seguinte. Estude o assunto, leia livros sobre o assunto. E principalmente, você quer investir, converse com vários investidores, a diferença de um empresário para um investidor, totalmente diferente. Um empresário tradicional, ele quer ser sócio. Ele entra com você aqui no Café Brasil, ele quer ser sócio do Café Brasil, quer 30, 40, 50%, e quer ganhar dividendos do resultado do Café Brasil. O investidor não quer isso. O investidor quer que o Café Brasil tenha valores muito maiores daqui há 3 anos, não recebe dividendos, e tem percentual pequeno. Ele tá mais preocupado em multiplicar o quanto ele colocou, do que efetivamente ser seu sócio no percentual. Ele quer saber se vai dar ordem em você, quem vai determinar. Nada. Ele quer resultado. Investidor é assim. A diferença básica, é essa.

Luciano Pires: E aí surge um elemento mitológico na conversa, um bicho chamado unicórnio. Que aparece, hoje todo mundo, unicórnio. O que que é unicórnio?

João Kepler: Unicórnio é aquela empresa que escalou, que cresceu exponencial, que começou a faturar milhões e milhões. Onde mais e mais fundos de investimento começaram a fazer rodadas de investimentos, série A, B, C, D. Ou seja, quem entrou lá atrás, tem o upside, tem um ganho muito grande, porque entrou com valores pequenos, hoje ela tá milionária. Tem empresa nossa que a gente entrou com 1 milhão, hoje ela vale 120 milhões. Ela já cresceu 120 vezes. Então, isso é um grande upside, porque rodadas estão sendo feitas. Essa empresa vai crescer e dobrar de tamanho, e ela vai virar uma empresa bilionária em dólar. Aí se chama unicórnio, porque é muito pouca. No Brasil, a gente tem 8 unicórnios.

Luciano Pires: Quem são?

João Kepler: Vou lembrar. 99 Taxi, Stone, PagSeguro.

Luciano Pires: Uber já é unicórnio?

João Kepler: É, mas não brasileiro. Brasileiro nós temos Nubank, Arco que é uma empresa de educação, que ela tem um software que fez abrir IPO na bolsa de Nasdaq. Ifood, temos várias empresas que já estão chamado unicórnio, na casa de 1 bilhão de dólares, de valuation.

Luciano Pires: que hoje em dia tem fila de gente querendo investir. Se eles quiserem.

João Kepler: As próximas rodadas. Por isso elas valem tanto. Pode não fazer sentido, por exemplo, a WeWork tem uma valuation maior, que ela é um espaço colaborativo, do que a Regus, que é uma empresa de serviço compartilhado, de escritório compartilhado, de muitos anos. Mas, a Regus investe em infraestrutura mesmo. A WeWork não. Ela pega um prédio aluga, e boom.

Luciano Pires: é real state.

João Kepler: Exato, ela não quer ter imobilizado, ela quer alugar aquilo, realugar para 500 pessoas, e vamos embora. O valuation dela, é muito maior, porque é serviço. Vou te dar um exemplo real. Eu recentemente fui visitar uma loja em São Paulo de um SEO que é conhecido meu, que a gente tá analisando esse projeto, ele montou uma loja 100% autônoma. Ou seja, você entra com celular, reconhecimento fácil, não tem atendente, não tem caixa. Você pega o produto, põe na sacola, vai embora, já debita do seu cartão. Não tem ninguém lá dentro. É você e o produto, você escolhe e vai embora. Então assim, o que que é o grande business desse negócio dele? É aquela loja? Não. É o que?

Luciano Pires: A experiência.

João Kepler: Experiência do consumidor. Então, todas as lojas precisam ter essa experiência. Como que faz para ter essa experiência? Contrata ele, porque ele já montou o modelo, já fez um showroom. Então, ele tem um pack de serviços.

Luciano Pires: O capital intelectual dele, vale muito mais do que a loja em si.

João Kepler: Então as pessoas acham, João, você investiu na loja. Cara, to investindo no capital intelectual, no business, no projeto, que vale muito mais para mim, do que efetivamente uma loja aqui, outra ali. Porque você imagina um grande grupo querer montar isso em escala. Claro que ele vai poder vender escala, software, serviço. Coloca control C control V, e vai embora. As pessoas do mundo tradicional, não conseguem perceber isso.

Muita gente falou comigo sabe o que? Ah João, é desemprego que você tá gerando. Você sabe quantas pessoas tem por trás da cortina, para poder montar isso daí, para funcionar software, vigilância, reposição. Ah velho.

Luciano Pires: Você levanta um tema que é um negócio fantástico. Outro dia, eu vi uma discussão nos Estados Unidos, não, é um vídeo. Eu vou me lembrar o nome dos caras agora. Um deles é o Ben Shapiro, me esqueci o nome do outro. Eles estão ali fazendo uma discussão, e aparece o assunto dos caminhos autônomos nos Estados Unidos, que tem um investimento supergrande. O que vai acontecer? Os caminhões vão ser autônomo, não tem mais motorista, o caminhão vai economizar mais, menos acidente. E o cara fala, “cara, eu sou radicalmente contra isso, porque vocês vão botar 10 milhões de profissionais na rua”. Que são os caras que vivem de dirigir caminhão. Então um negócio desses implementado, vai ser um terror, vai ter um custo social brutal, e eu sou contra esse negócio. Então é uma visão, que quando você olha, ela tem uma certa coerência. Esse negócio vai destruir tudo. Mas você fala o seguinte. A Volkswagen, nos anos 80, tinha 80 mil funcionários aqui no Brasil. Hoje tem 15 mil. Onde foram parar os 65 mil que tinha lá? Morreram?

João Kepler: Tá tudo na fila de desempregado? Não.

Luciano Pires: O que aconteceu com essa turma? Provavelmente, ela é absorvida em outro tipo de coisa, inclusive coisas que eles não faziam ideia que existia. Não podia imaginar que 5 anos atrás, que eu teria um cara no farol vendendo pen drive. O que que é isso?

João Kepler: Até pouco tempo ele vendia CD. Antes, não tinha nem CD, era fica cassete TDK 90. Risos.

Luciano Pires: O que me traz uma pergunta, que para você vai ser uma delícia essa pergunta aqui. Você mantém seu negócio anterior, o negócio que você tinha? Você hoje só faz investimento anjo?

João Kepler: Eu só faço investimento. Eu faço algumas conferencias, investimento, e escrevo livros.

Luciano Pires: Você navega.

João Kepler: Mas eu parei, porque meu filho montou um site de venda de ingressos. Não, antes disso, eu tinha dito a ele, toma conta do meu… meu filho de 20 anos, ele tinha 16. Toma conta desse portal, dessa plataforma. Não, eu não quero sua empresa, vou montar uma concorrente. E montou uma concorrente. Então assim, a história que eu comecei conversando com você, se repetiu. Eu virei um pai que não dou nada também. E ele corre atrás, vai buscar. Todos os meus 3 filhos são assim. Eles buscam, baseado no fato de eu não ter dado fácil, eles vão buscar, porque tem necessidade de ter as coisas.

Luciano Pires: Legal. Mas então, o que eu queria pegar aqui. Você então, como palestrante, como um cara que circula muito por aí, você sai fora do ecossistema, da startup, e vai para o ecossistema antigo. Então, amanhã você tá fazendo uma palestra na Unilever. Depois amanhã você tá na rede de ferrovias.

João Kepler: E de fato, estarei amanhã em uma empresa bem tradicional de segurança eletrônica, cancela, sei lá o que.

Luciano Pires: Então, você saiu de um mundo, que é esse mundo da loucura, o futuro, e veio para o passado. Não é um passado ruim. É o passado tradicional, o modelo do Luca di Paccioli. O cara que criou há 500 anos atrás, um modelo de entrada e saída, na contabilidade, onde eu troco serviço por dinheiro. E você sai de um mundo onde a ideia vale, e o prédio não vale, para um mundo onde o prédio ainda vale. E nós estamos vivendo um momento, que para mim é um momento precioso, de transição. Quer dizer, um mundo está indo para o outro. Tá aparecendo uma geração nova, que não fala mais a língua daquele mundo antigo. Essa geração vai trabalhar no mundo antigo, com a cabeça do mundo novo. Bicho, é uma loucura. Eu trombo em um presidente que tem 60 anos de idade que não consegue entender, vira uma zona que nós estamos vivendo agora.

Algumas pessoas dizem que isso é questão geracional, acho bobagem, não é, para mim é questão de tecnologia, do quando é que você nasceu, qual é a tecnologia que você tomou contato com o mundo? O moleque de 2 anos de idade, mexendo no celular, esse moleque é um avião. Vai ganhar de mim. E a hora que esse moleque chega perto de mim, ele vem trabalhar comigo, são 2 mundos totalmente diferentes. Você está navegando nos dois.

João Kepler: Exato.

Luciano Pires: Como que você está enxergando esse atrito, que isso pode ser um horror, pode impedir uma porrada de coisas, ou não. Ou pode criar empresas que vão arrebentar lá na frente, que alguém soube enxergar essa molecada esquisita, e fazer com que eles virem o motor do negócio. Essa molecada esquisita, é inovação, representada em pessoa.

João Kepler: Você respondeu, mas eu vou tentar clarear um pouco para quem está assistindo, o que eu acho, da minha perspectiva, de quem tá vendo esses dois mundos. Primeiro, que lá atrás, é sempre assim. Inovação chega, e a mão de obra tem que adaptar a inovação. Sempre vai ser assim, desde a revolução industrial, sempre assim. E tá sendo assim hoje. A gente quando pega uma loja como a Zaith, a gente está vendo que o trabalho tá mudando, é outro tipo de emprego, outro tipo de trabalho. Se a Volkswagen tem menos colaboradores do que hoje, certamente esses caras estão trabalhando em outras coisas. Não estão todos desempregados ou falecidos. Estão trabalhando em outras coisas. Emprego, grande parte das profissões que vão nascer em 2019/2020, não existe ainda. E assim é no trabalho, assim é na oportunidade de mercado. Quando esses meninos chegam, dizem assim, eles inventam, os jovens de 30 anos inventam, por exemplo, um negócio para você abrir sua casa, alguém dormir na sua casa, e cobrar como se fosse hotel. Cara, isso não existe, impossível. Como é que você vai abrir sua casa? Airbnb. Você aperta um botão, chama… um Uber. Então tudo isso foi acontecendo nos últimos 7, 8 anos para cá. O celular permitiu fazer isso, e essas coisas foram acontecendo. Mas, eu vou te dar alguns exemplos do que a velha economia, está entendendo a nova economia. Eu já vejo empresários muito preocupados com isso, e se relacionando, antenado, com esses startups. E elas se convergem, não tem mais competição. Você vê os bancos e as fintechs? Estão convergindo, fazendo business. Antes, era uma briga, hoje não é mais. Vamos lá. Você chega em um hotel, 10 horas da noite em um hotel, sai no outro dia 6horas da manhã. Você paga quanto para ficar no hotel? 1 diária. E você ficou 24 horas? Não. Você paga por hora. Existe modelo de rupção de hotelaria, pagar por hora. Por que não é famoso? Porque os hotéis não querem. Então, o que que esses caras fazem? Pegam quarto ociosos, empurram hora, e tá ficando famosos isso. É uma desrupção.

Então, tem várias coisas acontecendo hoje na economia, que não dá mais para o empresário dizer, no meu business, isso não vai acontecer.  E vai acontecer, e você vai ser atropelado.

Luciano Pires: Até porque, o exemplo que eu vou usar para você agora, que é o seguinte. Pessoal estava discutindo, vão proibir Uber. Cara, se alguém proibir Uber, vai nascer o Cruber no dia seguinte, e depois o Bruber, depois Muber, porque quem move isso é o usuário, não é o cara que criou aquilo lá. No momento que eu como usuário, senti o gostinho, eu não quero mais a volta. Tentei andar de taxi, para, eu não consigo mais andar de taxi. Então eu não admito mais voltar atrás. E se aparecer um pirata porque não deixaram fazer, eu vou no pirata. Eu como consumidor, vou criar essa onda.

João Kepler: É baseado na necessidade. Antigamente se montava coisa para se vender por impulso. Compre aquilo, preço, produto. Hoje não é mais. O marketing é diferente. Hoje o marketing você faz por emoção, sensações, por envolvimento, engajamento. É outra vibe, baseado nessa nova economia. Você não precisa necessariamente mais ter o produto. Você falou sobre isso. Você não precisa ter o produto. Você quer ter o produto quando você quiser, onde você quiser.

Luciano Pires: Quer ter usufruto dele.

João Kepler: Quer ter usufruto. Não quer ter um aparelho dentro de casa. Você quer ouvir.

Luciano Pires: eu não posso mais te chamar para ouvir minha coleção de CD.

João Kepler: eu vou te chamar sabe de que? De um dinossauro assustado. Que é igual Jorge Paulo Lemos, ele disse isso, to me sentindo dinossauro assustado. Preciso reinventar minhas empresas. Um astro da gestão falar isso.

Luciano Pires: Você sabe a figura que eu usei outro dia para esse negócio? O seguinte. Esses dinossauros estão sendo dizimados, porque apareceu uma geração de velociraptors. Que são menores, são tão ferozes quanto tiranossauros, são muito mais ágeis, atacam em bando, e destroem o dinossauro. Eles vão acabar com o dinossauro. Só que atrás tá vindo bactérias, que vão acabar com os velociraptors. O dinossauro, a Rede Globo, e aparece do velociraptor, vem a Netflix, e começa a comer o cara. E agora tá vindo uma outra coisa por trás, que são esses independentes, né? Você pega um Youtuber que sozinho tem mais audiência que tudo aquilo.

João Kepler: Mas aí fica um oligopólio digital. O que você tá falando é importantíssimo, no seguinte aspecto. O que substituiu a Globo, por um oligopólio, uma coisa grande, estruturada, que é um Google, Netflix. O que que tá acontecendo por trás disso? Os pequenos estão pulverizando. E o que o consumidor quer? Opção. Ele não quer mais só ficar dependendo da Globo não. Ele quer ouvir o Café Brasil, ele quer ouvir.

Luciano Pires: Sim. E é a transição, acho que para mim, essa é a grande revolução. Acontece no Uber, no Airbnb, tudo mais. Os bancos, está acontecendo, televisão está acontecendo, que é o seguinte. O eixo de poder mudou, cara. O poder não é mais do cara que faz a programação, do cara que é o dono do banco. O eixo do poder, passa a ser do consumidor. Quem define é o cara que consome, ele que vai definir se eu mereço o sucesso ou não, a partir das curtidas que ele me fizer. E eu, com meu tamanhinho de nada, de repente vai ter um público para mim. Eu não preciso pensar no negócio para atingir 30 milhões de caras. Eu posso ter um puta negócio com mil caras.

João Kepler: Isso que eu digo para os empresários. Não precisa você fazer uma sapataria, porque você vai competir com um monte. Não precisa você ficar na rua da sapataria, porque tem o Starbucks para provar, em um lugar mais improvável tem um Starbucks. É assim que tem que fazer a coisa. Se você vai fazer uma sapataria, faça só de sapato número 44, para homens que calçam 44. Inchado, velho.

Luciano Pires: Porque já tem massa crítica para isso.

João Kepler: Já tem, porque você vão segmentar, você sabe, job to be done. Qual é o job to be done? Cara, esse cara tem necessidade de comprar aquele sapato. E você vai todo mês mandar sapato para ele usar. São sacadas.

Luciano Pires: Tem outra mudança de mindset importante aí, que é a seguinte. Eu não preciso estar no main stream. Não precisa vender 100 milhões de discos, 30 milhões de discos. Eu não tenho que ser a Madonna, a Lady Gaga, cara. Eu posso me dar muito bem, no que eu chamei de main stream. Aqui eu tenho liberdade, faço negócio com pouca gente. É o modelinho que eu te mostrei do Café Brasil cara.

João Kepler: e faz com prazer, faz bem-feito, e todo mundo gosta. Sem amarras.

Luciano Pires: Se eu não mudar meu mindset eu to fodido, porque meu mindset é o seguinte. Eu quero sucesso, e para mim quanto mais gente… Não. Aqui deu. Para pular daqui para outro ponto, tem que ter outro negócio. Esse aqui não vai aguentar.

João Kepler: Se ele não é escalável. Se ele for escalável, de repente, você está com o Café Brasil, você não é o Café Brasil. Amanhã, ele passa a ser um negócio maior, que de repente você quer ter um valor diferente, ser remunerado por isso. É um outro negócio, não é mais aquele anterior, né? Isso é natural que aconteça. Mas esse mindset é difícil você colocar na cabeça de um empresário. A boa notícia, é que já tá havendo essa relação, essas coisas estão se relacionando, os grandes já estão contratando empresas para melhorarem seus processos de inovação internas, de pessoas, e usando a tecnologia a seu favor, e não contra. E não é a tecnologia o problema, porque investe milhões. Não é isso. É o que a tecnologia pode fazer por ele, o serviço, né?

Luciano Pires: Vou te dar o exemplo, usando o que nós usamos agora pouco. Rede Globo. Implode essa merda, acaba com aquele treco no Rio de Janeiro, aquela coisa horrorosa, aquele custo gigantesco, e fica com a inteligência dela. A Rede Globo é um hub, onde tem um puta monte de produtora independente, com padrão de qualidade definido.

João Kepler: É uma plataforma. E o que você falou é o que eu digo para os empresários. João, para onde eu vou? Transforme em uma plataforma. Ah, é fácil você falar da Apple, que é uma plataforma de… você pluga aplicativos, e lá é fácil você entender a plataforma. Não, quer ver, uma indústria. RedBull, é uma plataforma de negócios. Tudo é plugado lá, virou essencial para a vida de quem faz negócios na Formula 1, time de esporte, plataforma de entretenimento. Virou uma plataforma.

Luciano Pires: E a menor coisa é a bebida.

João Kepler: Exato. O commoditie da bebida. E aí você vê a Rede Globo, que você acabou de falar. Virou hub cara. Até porque não vai ter mais verba, os governos estão cortando. Eu fui para a Osten, estava lá a Globo levando 300 pessoas, para mostrar o mundo digital, o ambiente digital que ela tá montando. Eu digo, assim agora eu quero ver, porque ela tá mostrando o que ela pode fazer no mundo digital, que é um novo estilo de mídia, novas opções de negócios, e de fazer business. Então é isso. As pessoas não podem se acomodar, dizer estou bem, to faturando, minha empresa tá boa, vou passar para meu filho, meu neto. Cara, esqueça, porque ele pode não chegar no neto.

Luciano Pires: Tá vindo um negócio louco aí. Cara, que grande papo. Dava para ir longe aqui. Nós chegamos no final. Meu amigo, quem quiser tomar contato com essas ideias todas, esse negócio maravilhoso, quem quiser apresentar para você. Me dá os caminhos para chegar até você. Primero o livro, tá?

João Kepler: Tá legal. O livro é fácil, em qualquer livraria, eu prefiro que vá na Amazon que é mais fácil. Procura Smart Money, ou espaço João Kepler. Não é João Cleber. Fácil. Para você mandar seu projeto, sua startup, você pode mandar para o bossainvest.com/startups. E aí você vai abrir, vai ver a tese da gente. Não adianta você mandar seu projeto, se não tiver naquela tese. Você manda seu projeto, os analistas vão olhar, e lá na frente a gente vai se encontrar. Agora, nas redes sociais, eu sou @Joãokepler, em qualquer rede social. Eu uso mais, obviamente, o Linkedin, e Instagram.

Luciano Pires: Você não tem seu blog?

João Kepler: Tem meu site. Eu uso mídia como Blog, e ele replica no site. Eu não tenho PodCast. Eu tenho PodCast, mas eu replico essas entrevistas, por exemplo. Eu não tenho uma coisa que eu fique falando. Meu filho do meio é muito antenado, e internauta, antigamente. Eu falo ele de internauta, ele ia me dar uma porrada. Mas, meu moleque do meio, que é desenrolado na internet, mora em Boston, ele fica assim, “pai olha para a câmera, pai não sei o que, pai…”. Ele me provoca, para eu poder ter uma interação maior, engajamento maior com as pessoas que me seguem, etc. Então, to tentando melhorar. To tentando aprimorar esse lado de internet, rede social, tentando responder. Mas, assim como você, eu não tenho uma baita infraestrutura para cuidar disso. Então eu faço o que eu gosto, e eu respondo eu mesmo. Não tenho uma equipe fazendo isso para mim.

Luciano Pires: De novo, vou repetir o que eu falei para você. Isso que você viu de mim, é por convicção. É por intenção. Não é para o… é por intenção.

João Kepler: É por intenção, mas tem uma baita estrutura aqui. Ele montou uma coisa organizada, estruturada. É tudo simples, mas muito organizada.

Luciano Pires: Aquela ideia é o seguinte. Tem um lugar onde eu não venho para trabalhar. Eu venho curtir minha vida, e passo o dia, passo 16 horas aqui feliz da vida. E montei um ambiente que eu queria que…

João Kepler: Quer saber? Você sabe muito mais do que muita gente que senta aqui. Mas você é tão preparado para fazer isso, que você deixa o cara voar, deixa o cara falar. Você interage. Você sabe muitas vezes, muito mais do que o cara tá falando. Isso é muito bom. Poucos tem essa habilidade, e essa humildade, de poder deixar as pessoas expressarem suas opiniões, sem dizer, eu sou o dono da verdade.

Luciano Pires: Bem-vindo ao LíderCast.

João Kepler: Valeu.

Luciano Pires: Grande abraço.

João Kepler: Valeu, obrigado.

Luciano Pires: Que legal. Muito bem, termina aqui mais um LíderCast. A transcrição deste programa, você encontra no LíderCast.com.br. O LíderCast nasceu da minha obsessão pelos temas liderança e empreendedorismo. É em torno dele, que eu construí minha carreira com mais de mil palestras, nas quais distribuo iscas intelectuais, para provocar equipes e indivíduos, ampliar seus repertórios, e suas capacidades de julgamento e tomada de decisão. Leve o fitness intelectual para a sua empresa. Acesse lucianopires.com.br, e conheça minhas palestras.

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