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Luciano Pires -
Download do Programa

Luciano Pires: Bom dia, boa tarde, boa noite. Bem-vindo, bem-vinda a mais um LíderCast, o PodCast que trata de liderança e empreendedorismo, com gente que faz acontecer. No programa de hoje, temos Parker Treacy, norte americano do setor automotivo financeiro, graduado pelas universidades Duke, e Harvard, e que decide empreender no Brasil.

Muito bem, mais um LíderCast, e sempre lembrando de mencionar como que a gente encontrou esse convidado. É mais um que veio pelas mãos da Growth Comunicação, que tem seus clientes. Gostou, trouxe cliente aqui, a gente contou histórias legais. Acho que o pessoal gostou, e eles estão me sugerindo. E, conforme vão aparecendo sugestões, eu vou aceitando. Hoje vai ser meio internacional o negócio aqui. Olha, tem 3 perguntas, que são as únicas que são obrigatórias aqui nesse programa, e que você não pode chutar. Essas, tem que ser… O resto, você pode chutar à vontade. E as perguntas são, eu preciso saber seu nome, sua idade, e o que que você faz.

Parker Treacy: Beleza. Sou Parker Treacy, sou americano, por isso esse sotaque diferente. Tenho 35 anos, eu sou fundador na Cobli, uma startup de veículos.

Luciano Pires: Então, estou falando com Parker, que tem uma startup de conectividade de veículos. Essa é boa. Vamos voltar para o comecinho lá. Você nasceu onde?

Parker Treacy: Sou de Boston.

Luciano Pires: Tá cheio de brasileiro lá, sabia?

Parker Treacy: Tá cheio de brasileiro. Aquela cidade de Minas, Presidente Valadares, algo assim.

Luciano Pires: Governador Valadares. Não foi promovido. Risos.

Parker Treacy: Nossa, é todo mundo de lá. Eu fui para BH uma outra vez, e todos os Uber’s, “ah cara, você morava em Boston”. Faz sentido.

Luciano Pires: Quanto tempo faz que você está no Brasil?

Parker Treacy: Faz 5 anos. Será esse ano, que São Paulo será a cidade que aliás tem mais tempo tem com adulto. No mais, são pessoal para mim.

Luciano Pires: Quando você veio para cá, você não tava mais em Boston? Você já não estava mais em Boston?

Parker Treacy: Eu vim de Boston.

Luciano Pires: Você veio de lá. Deixa eu voltar atrás. Você tem irmãos?

Parker Treacy: Tenho.

Luciano Pires: Quantos irmãos?

Parker Treacy: Tenho 2, eu sou o mais velho.

Luciano Pires: E seu pai, sua mãe, fazem ou faziam o que?

Parker Treacy: Então, meu pai é do Canadá, e minha mãe de Hong Kong. Os dois se conheceram na faculdade no Canadá, se mudaram para Boston, que meu pai fez um pit de (inint) [00:02:40.06], e dali virou um professor. Minha mãe, virou uma jornalista.

Luciano Pires: Nenhum dos dois trabalhava independente? Não eram empreendedores?

Parker Treacy: Não eram empreendedores. Mas daí na primeira metade da minha vida, ele foi professor. E dali saiu, eu presumo que ele ficou chateado como acadêmico, ele abriu uma consultoria pequena. Então, foi um tipo de empreendedorismo, mas não de tecnologia, startup, mais high do que hoje em dia.

Luciano Pires: Legal. Qual era seu nickname, quando você era criancinha, quando você era pequenininho?

Parker Treacy: Eu nunca tive um nickname, porque eu sempre fui o único Parker.

Luciano Pires: Era o Parker.

Parker Treacy: É.

Luciano Pires: Então o que que o little Parker queria ser, quando crescesse?

Parker Treacy: A primeira coisa que eu queria ser, eu lembro que isso foi uma história que minha mãe, ama contar para as pessoas. Que eu queria ser um professor de Caratê. Porque cara, com 3, 4 anos, o cara mais legal do mundo é um ninja, e você vê 2 vezes por mês. E daí meu pai me forçou a trabalhar durante o verão, acho que desde os 7, 8 anos.

Então eu fui carpinteiro, eu fui um cara que faz paredes, a gente chama stonemasons. E daí eu fui um cara que faz mudanças, de cada, fabrica, coisa assim.

Luciano Pires: Trabalho duro. Você tava carregando coisas…

Parker Treacy: Foi bem, tipo, blue color. Eu acho que foi uma grande parte da minha formação como pessoa.

Luciano Pires: E você falou uma coisa interessante. Seu pai te forçou.

Parker Treacy: Sim, para burro. Ele é de uma família muito simples, obviamente não sou de uma família (inint) [00:04:38.28], tenho pais (inint) [00:04:40.23], etc. Mas ele é bem culto, assim. Tem esse nível de nunca perder o contato, foi um assunto muito importante para ele.

Luciano Pires: Você tem filhos?

Parker Treacy: Não.

Luciano Pires: Quando tiver, você vai fazer isso com seu filho também?

Parker Treacy: Acho que sim. Acho que especialmente, cara, eu chuto que meus filhos vão fazer escolas muito boas, etc., e muito fácil para perder esse contado com pessoas. Eu acho que você prende muito, especialmente eu prefiro pessoas que são mais culturalmente assim, do que outras. Eu consigo interagir com qualquer pessoa, mas, eu cresci com isso, como uma imagem de boa. Sem ser de pessoas feliz, alguma coisa assim.

Luciano Pires: Sim, eu to entendendo o que você está dizendo. Quer dizer, você tava no meio das pessoas que estão fazendo acontecer no dia a dia, não importa se a pessoa era, tinha alto nível intelectual. São pessoas que estão trabalhando para construir alguma…

Parker Treacy: Eu acho que foi menos social. Foi muito mais, eu gostei de fazer coisas física, no começo. Tipo, (inint) [00:05:47.25], foi o carpinteiro, foi a imagem do que eu queria fazer no futuro. Eu lembro que minha mãe sempre ria sobre isso. Meu pai, ficou com orgulho, etc.

Luciano Pires: Deixa eu corrigir uma coisa que eu falei aqui, que eu já to vendo que vai ter nego caindo na minha cola. Quando eu falei negócio do alto nível intelectual, na verdade, eu tava querendo fazer uma diferenciação entre o ambiente acadêmico, o ambiente dos pensadores, o ambiente do cara que está dentro do escritório pensando para realizar. E o outro ambiente, onde você fisicamente tá exercendo seu dia a dia, que é onde você disse que você trabalhou bastante lá. A sua cultura, é muito diferente da nossa aqui. A cultura norte-americana, é muito diferente da cultura brasileira. Quando você fala carpinteiro, a visão do carpinteiro lá, é diferente do carpinteiro aqui. O carpinteiro aqui, é um profissional… lá todo mundo, Harrison Ford é carpinteiro, e usa isso como… “é meu hobby”, eu construo com as minhas mãos. E acho que essa coisa do “do it yourself” nos Estados Unidos, tem uma pegada que no Brasil não tem. Ainda não tem. Aqui a gente não conseguiu adotar isso. E até entendendo o que você está dizendo. Isso do ponto de vista profissional, de trazer essa ideia de contato com as pessoas, deve ser muito rico.

Mas, de novo, passou a época do ninja. Você ali, como carpinteiro trabalhando, apareceu alguma coisa que você viu e falou, “quero ser isso, vou estudar para ser engenheiro, para ser médico”?.

Parker Treacy: A resposta curta, é não. Eu fui para o ensino médio, fui para a faculdade, estudei matemática. E a única razão de eu estudar matemática, é porque eu achei que as pessoas mais inteligentes, sempre fizeram matemática. Então, eu falei, “puts cara, eu sou uma pessoa inteligente, eu devo fazer sim”. Então, foi muito menos racional, nunca foi minha inspiração, “poxa, é exatamente o que eu quero saber, vamos workback, workin”. Todos os passos que tem que fazer, para chegar lá.

Luciano Pires: Quer dizer, você não foi fazer matemática, com intenção de me formar para ser alguma coisa. Tá.

Parker Treacy: Não. E também, meu pai virou um professor. Então talvez, seja uma boa profissão.

Luciano Pires: Professor.

Parker Treacy: É. Então foi muito focado no dia a dia, sem um plano muito grande, muito elegante.

Luciano Pires: Sim. Você se forma em Boston?

Parker Treacy: Eu fiz Duke University, fiquei em Carolina do Norte.

Luciano Pires: Carolina do Norte. Eu tive lá, fiz alguns trabalhos na Carolina do Norte, e sofri, viu. Sofri, porque o sotaque deles é um negócio terrível. Eu, com meu inglês torto, tendo que interagir com eles com um sotaque muito pesado.

Parker Treacy: Com eles?

Luciano Pires: A Carolina do Norte, um sotaque deles.

Parker Treacy: Ah, timbre das pessoas.

Luciano Pires: Eles começam a conversar entre eles, você não entende mais nada que está acontecendo lá. Mas foi interessante. Você se forma então, tira o seu certificado em matemático, math, e tem que fazer alguma coisa na vida, ou trabalhar com alguma coisa. O que que apareceu para você?

Parker Treacy: Eu acho que isso foi a época que mais mudou a direção da minha vida.

Luciano Pires: Que ano era?

Parker Treacy: Eu me formei em 2006. Então em 2005, quando você começa a pensar, “cara, o que eu vou fazer na vida?”. Eu estava fazendo um estudo não de trabalho, não foi jornalismo, por exemplo, onde você ouve o que você vai fazer depois. Então fui meio perdido. E cara, falei com bastante amigos, talvez trabalhar com banco, consultoria, coisas que estavam super high. E foi meu pai que, “poxa cara, você deve abrir uma empresa”. Eu falei, “nem considerei que isso seja uma opção”. E ele nunca explicou super bem o raciocínio dele, porque ele estava me colocando nessa direção. Mas cara, eu me empolguei. Eu lembro que isso foi bem antes. O Facebook, não foi algo muito grande, não foi super conhecido. Foi bem antes do high, foi antes do segundo high. O primeiro high foi em 99.

Luciano Pires: Até estourar a bolha.

Parker Treacy: E daí, eu penso bastante sobre isso hoje em dia. Porque ele me empurrou tanto para esse lado, eu achei alguma coisa que ele sempre queria fazer, e ele queria participar, como um pai comigo durante essa viagem.

Luciano Pires: Legal. Eu vou fazer uma pausa na nossa história, eu vou voltar um pouquinho atrás. Porque é a primeira vez que eu pego um norte-americano nativo, e fresquinho. Quer dizer, você não é um norte-americano que está no Brasil há 40 anos. Você tá aqui há 5 anos, você estava lá, vivendo aquilo lá.

Deixa eu voltar um pouco atrás, para matar um pouco da minha curiosidade. Que idade você tinha em 2001?

Parker Treacy: 18.

Luciano Pires: Você tinha 18 anos. Me conta um pouquinho do nine eleven, para um americano de 18 anos.

Parker Treacy: Cara, a única coisa que eu lembro, estava no ensino médio. Eu estava exatamente…eu acho que foi o único momento, onde eu lembro exatamente onde eu estava.

Luciano Pires: Nós também aqui. Todo mundo se lembra onde estava no momento das…

Parker Treacy: Eu acho que eu não tive nenhum outro momento, que quando isso aconteceu, onde você estava, descrever a situação. Eu estava entrando no prédio da escola, foi tipo 8 horas, entrando na escola, e todo mundo chocado, contando a história. E daí todas as aulas foram canceladas, e todo mundo pensando, cara, tinha tantos sentimentos, eu não sabia o que eu devo pensar, sentir, na época. Eu lembro o próximo dia, que eu acho que isso foi meio aleatório, mas preciso declarar para o draft. Sabe o draft?

Luciano Pires: Não, o que que é?

Parker Treacy: Draft, você declara que, “eu estou disponível, eu sou um homem com mais de 18 anos, eu estou disponível para ir para o Exército, se eles me chamarem”. Então vira uma loteria, porque tem o Exército, as pessoas que vão lá de natureza, mas se precisar de mais 100 mil pessoas, eu declaro que eu sou de corpo funcional, etc. No próximo dia eu assinei a carta.

Luciano Pires: Mas isso aconteceu com você, independente do nine eleven? Era época de você assinar?

Parker Treacy: É. Então eu acho que foi totalmente aleatório, porque eu estava com 18 anos, eu vou ter… E o Exército vai para a escola, para passar as cartas, para assinar as cartas, e você vai ficar na loteria. (Inint) [00:12:36.21] em dois dias, e daí começou a me impactar mais forte.

Luciano Pires: O que que vai acontecer comigo.

Parker Treacy: Cara, eu talvez não vou para a faculdade. Eu vou, tipo, entrar o draft, e eu vou para… não sei, para qual país. Na época, eu nunca ouvi alguém falar. Então foram muitas coisas, porque teve essa imagem, que isso é muito impactante comigo. Não é imagem na televisão, coisa assim.

Luciano Pires: Eu imagino, deixa eu te contar uma passagem que aconteceu comigo, lá nos Estados Unidos. Eu estava a trabalho, fiquei 30 dias em Whitmore, Indiana, uma cidadezinha muito pequena, Whitmore. Se não me engano, era janeiro de 91, alguma coisa assim, e eu estava em um mercado. Eu estava em um Target, um mercado da vida qualquer, eu estava lá fazendo uma compra. E, de repente, eu vi que todo mundo parou, e começou a olhar os televisores. Todos os televisores. Então, imagina aquela parede com todos os televisores, todo mundo parado na frente, olhando. E o Bush ali, fazendo uma declaração, e anunciando a desert storm. Eu to arrepiado, to todo arrepiado. E, eu vendo aqui, e naquele momento na televisão, dizendo o seguinte. Aconteceu assim, nós vamos ser obrigados a atacar, então to comunicando a vocês, que a partir de hoje, nós estamos em guerra. Eu olhei aquilo, falei cara, eu estou em um país que está entrando em guerra. Eu estou perto de uma base, Wright Patterson, vai cair aqui a primeira bomba, né? Eu que não era americano, era um brasileiro que estava lá, eu sofri um impacto gigantesco, de imaginar que tudo aquilo que eu via pela televisão acontecer, eu tava no território que, mesmo que a guerra não fosse ali, aquele povo estaria entrando em um conflito. E para mim, foi um impacto gigantesco.

Agora, imagina um garoto de 18 anos de idade, ver seu país sendo atacado, descobrindo no dia seguinte que aquilo foi um atentado terrorista, e que você podia no dia seguinte, ser mandado para a guerra. Eu não consigo ter a dimensão do que seria estar na sua pele, num momento como esse.

Parker Treacy: Porque não foi só o medo. Também foi como sendo um americano, tendo o orgulho, a necessidade para servir também. Foi animador, e assustador, ao mesmo tempo. Que vivendo em Boston, eu conheço, um pai de um amigo estava em um avião. A gente teve um vizinho que foi separado de um kill na minha cidade, que é interior, estava no avião. Porque cara, sair de Boston…

Luciano Pires: Exatamente.

Parker Treacy: Saiu da minha cidade. Então, estatisticamente, foi provável que eu vou conhecer pessoas.

Luciano Pires: Que coisa impressionante. Bom, viajamos. Vamos voltar. Que isso não aconteça mais.

Bom, você tá lá, começando a sua vida. Eu to tentando buscar aqui a sua rede empreendedor, aquele sujeito que vai lá na frente, e imagina, eu vou ter uma rede, vou criar uma startup. Como é que você vai chegando próximo disso? Me conta onde vai aparecer essa ideia de que eu posso ganhar… Eu não preciso ser empregado, eu não preciso estar em uma grande empresa. Eu posso criar um negócio, que não existe.

Parker Treacy: A Cobli é minha segunda empresa. Então começou com 22 anos. Eu achei, como eles são do meu pai me empurrando para esse lado, que eu acho que algo ele sempre teve o sonho de fazer. E cara, a vida nunca deixou ele fazer, do jeito que ele queria. E outra, cara, sempre foi um… não sei, uma pessoa mais criativa, pessoas que sempre teve ideias, as vezes loucas, e super diferentes. Então, eu sempre me… eu tinha muito orgulho de ser diferente. Aliás, de não ser tão diferente. De ter ideias diferentes, para ter um outro nível de criatividade, coisa assim. Então, encaixou muito bem. Olha, todo mundo está indo para o banco. Eu me animei muito, só para não ir para o banco, ao invés de empreender. Foi muito mais, eu quero sair do grupo, da multidão, que me animou mais.

E aí meu pai, que foi a conexão perfeita das duas coisas, eu resolvi fazer.

Luciano Pires: O que que foi a primeira empresa? Qual foi a primeira empresa?

Parker Treacy: Foi uma financeira de veículos.

Luciano Pires: Uma financeira de veículos.

Parker Treacy: É, de todas as coisas. A ideia foi principalmente, isso é o começo do meu interesse no Brasil, aleatoriamente, que a ideia foi, “olha, tem tantos imigrantes novos nos Estados Unidos, e eles tem zero, em termos de produtos financeiros”. Isso falta muito, eles ganham uma renda boa, mas cara, não tem jeito para comprar um carro.

Luciano Pires: Você tá me falando de imigrantes legais, e ilegais.

Parker Treacy: Os dois.

Luciano Pires: Os dois tipos de imigrantes.

Parker Treacy: é, os dois. Especificamente imigrantes da América Latina, que nos Estados Unidos chamamos de imigrantes mais pobres. Por exemplo, indianos, chineses, normalmente vem para trabalhar em tecnologia. Então, eles viram americanos muito rápido, porque eles vêm sofisticados já. Eu vi uma super oportunidade nisso, e a gente viu tudo. Cara, faz cartão de credito, faz empréstimo para casa, carro, etc.

Luciano Pires: E lá você pode montar uma financeira?

Parker Treacy: Teve duas razoes que a gente escolheu essa ideia. A primeira, foi, em termos de regulamento, foi mais simples. E, eu não estudei MBA, eu nunca tive nada. Então, gente, foi eu e mais dois amigos tentando entender o mundo, rapidinho, sabe?

Então, foi um regulamento relativamente simples. Então, isso foi, por muito a primeira razão. E segundo, todos os imigrantes precisam de carro. Cara sobrevive sem cartão, (inint) [00:18:38.16]. Ninguém compra casa. E também eu vi para tudo, foi a única coisa necessária. Porque grande parte deles, são jardineiros, consultoras, etc., cara, são vidas que estão vivendo dentro do carro, atrás de clientes. Não é tipo, dentro do escritório.

Luciano Pires: Até porque o desenho arquitetônico dos Estados Unidos, é complicado. Você sem carro nos Estados Unidos, é um problema. Você não sai daqui, vou andar até ali. Não. É tudo muito distante. Vocês têm uma arquitetura, que é completamente diferente da nossa. Aqui a gente construiu tudo apertadinho, tudo juntinho, tudo pertinho. E lá, é tudo muito distante. Então esse é um ponto interessante. Um imigrante não consegue trabalhar e viver, sem ter carro lá. E para comprar o carro, ele não tem o dinheiro para isso.

Parker Treacy: Exato. Eu vi que teve umas mafiazinhas, de tipo, da comunidade brasileira. Tem um brasileiro que tem uma grana, que compra um carro, isso na época, faz 13 anos, ele está fazendo Uber com um puta preço, para todos os brasileiros. Cara, totalmente trambicando. É um trambiqueiro, porque, não devem… para pagar um taxista, cara, vai gastar 100 dólares por dia. E ganham 100 dólares por dia. Então eu vi muitas coisas, muita falha de mercado. E daí a gente pegou algum dinheiro de friends and family, e a gente foi. E a coisa muito boa de começar, essas pessoas pagam empréstimo muito bem. O portfólio de empréstimos foi excelente. Começando, eu fui muito com a mão na massa, eu fiz tudo. Eu retomei um carro de um inadimplente, que na partida de ser uma financeira, eu fiz isso. Só um ano depois, que eu aprendi que isso foi super ilegal, não sabia. Eu sabia zero, de business, de coisas. Então a gente fez várias coisas, de vamos aprender no caminho, e graças a Deus, a gente não pisou na bola, e todo mundo morreu. Graças a Deus. Tem várias coisas erradas.

Luciano Pires: Você falou uma coisa interessante. Quer dizer, esse povo paga o empréstimo.

Parker Treacy: Paga.

Luciano Pires: Eles pagam religiosamente. Eu não vou me lembrar agora, eu confundi um nome aqui, eu não vou me lembrar. Você deve ter estudado, um indiano que montou aquele banco para pessoas de baixíssima renda.

Parker Treacy: Grameen Bank.

Luciano Pires: Isso. E ele monta o banco, e ele diz, quando eu comecei meu projeto, todo mundo disse para mim que eu ia quebrar a cara, porque as pessoas não iam ter dinheiro para me pagar. E ele foi, então o sujeito ia fazer empréstimo com ele, ele chamava a esposa do sujeito, e punha ela no jogo. E ele falou, meu nível de inadimplência, é baixíssima, porque o pessoal pobre é que paga. Quem me dá chapéu são os grandões, que tem muito dinheiro. Os pobres pagam muito, que é bem interessante. E a financeira andou, foi bem?

Parker Treacy: Foi bem. Hoje em dia, somos a décima maior financeira independente dos Estados Unidos.

Luciano Pires: Continua aberta então, continua funcionando?

Parker Treacy: Sou ainda um board member, sou o maior acionista da empresa hoje. Sim, décima maior financeira dos Estados Unidos, de carro.

Luciano Pires: Que legal. Então, financia automóveis para imigrantes.

Parker Treacy: Hoje em dia, provavelmente 50% são imigrantes. E daí tem vários outros segmentos, que a gente financia. E a gente trabalha em 20 estados diferentes.

Luciano Pires: Que legal. Como chama a empresa?

Parker Treacy: First Help Financial.

Luciano Pires: Que legal.

Parker Treacy: Até hoje, acho que a gente deve ter 30, 40 brasileiros trabalhando lá. 10 mil clientes brasileiros. Uma coisa engraçada, eu sempre queria, e voltando para Governador Valadares, eu sempre quis ir, e falar em First Help Financial, porque eu garanto que vai, muitas pessoas vão conhecer. Cara, o único player fora de vão achar outros jeitos de achar dinheiro, não vão fazer coisas legais, vão tipo, quebrar o coelho se não pagar, etc. Então eu sempre quis ir falar com as pessoas.

Luciano Pires: Muito bem. E aí, porque que você foi montar uma outra coisa?

Parker Treacy: Eu, então, os primeiros 4 anos da empresa, foram difíceis. Porque eu também estava montando uma financeira durante a crise de subprimes, de 2008. Então misso foi um outro sofrimento pesado. Porque a única coisa que foi sofrimento, é que eu preciso demitir os cofundadores. Todo mundo, todo mundo saiu. Eu fiquei porque o meu pai, os pais deles não investiram nada, e também porque eu fiquei meio preso. E na época, foi para isso que a empresa vai parar, mas tem empréstimos, eu preciso pegar o dinheiro. Estava meio preso. Então eu tinha demitido o time de 7, 8 pessoas. Fiquei lá com 1 funcionaria, que é uma brasileira que ainda trabalha lá hoje. E daí eu apliquei para o business school. Puts cara, eu entendo muito de financeira de carros, e entendo zero do resto do mundo. Cara, eu devo estudar mais, para entender o que eu quero fazer. E uma super ironia, é que o mês que eu estava entrando, eu passei na Harvard Business School, o mês que eu estava entrando, a gente recebeu um puta investimento da Wells Fargo. Segundo maior banco dos Estados Unidos.

Luciano Pires: Vocês estavam procurando, estavam abrindo a empresa para receber.

Parker Treacy: Super, porque a gente precisava de dinheiro para escalar, em termos de receber investimento na época, foi gigantesco, para a gente. E a gente começou a escalar. Então tudo isso começou no Business School. Então quando eu saí do Business School, em 2012, eu ainda estava na empresa por mais 1 ano e meio, 2 anos. Mas eu estava contratando pessoas, operacionalmente melhores que eu. Eu queria empreender de novo, porque agora eu tinha uma grana para investir, tinha um monte de ideias, porque agora a Business School, abre seus olhos muito para o mundo, viagem para burro, culturas diferentes. Eu de verdade, comecei a aprender português, porque eu estava aprendendo um tipo de piada dentro do escritório. O escritório hoje em dia é em Boston. Eu estava pensando, o que eu vou fazer próximo? Eu sou uma pessoa que faz coisas ligados ao automotivo, e logística. Então, cara, eu acho que não é inteligente eu sair do que eu entendo super bem. E obviamente, dando o melhor no Brasil, foi a única coisa que eu foquei bastante.

Luciano Pires: Você já estava com a ideia de vir para cá?

Parker Treacy: No Business School, eu fiquei muito animado dessa ideia. Então, eu usei o MBA para estudar o Brasil, porque tem vários brasileiros, tem professor brasileiro, etc. E coisa que eu utilizei para burro. Foi, todo mundo responde, quando você tiver um e-mail de uma faculdade. Quando esse e-mail some, ninguém responde mais.

Luciano Pires: Essa dica é excelente.

Parker Treacy: Eu estava sempre fazendo calls de e-mail, para o país inteiro. Então cara, para todo mundo, eu fiz meu estagio de Business School no Rio. Eu fiz um projeto no Brasil, maior montadora aqui no Brasil, acho que terceiro maior do mundo. Eu abri muitas portas, porque eu sabia que todo mundo responde. Todo mundo quer te dar…

Luciano Pires: imagina entrar um e-mail na sua caixa postal, assim: [email protected] Cara, tenho que olhar o que é isso aqui. Eu tenho que ver o que é isso aqui. Harvard, eu tenho que ver. Interessante. Mas, você mandava os e-mails, dizendo o que? Você tava pedindo informações?

Parker Treacy: Cara, o que faltei, eu não entendi nada. Então ao fim do dia, obviamente, eu vou disfarçar o que eu queria, mas o que eu queria, eu queria praticar português, e entender o Brasil. Porque na época, nada da internet, especialmente o inglês, como o Brasil funciona, de natureza, foi alguém muito bom. Mas cara, eu preciso ir, conhecer pessoas, e entender.

Luciano Pires: Que pena que você não conhecia o Café Brasil, o PodCast Café Brasil. O que tem de americano aprendendo a falar português, a conhecer o Brasil através de PodCasts, é impressionante. Porque ele torna muito familiarizável, você ouvir o texto na sua frente, você ouvindo a pessoa falar, ajuda bastante. Mas, na época, você não conhecia. Você hoje…

Parker Treacy: Mas cara, foi meio agressivo, querendo entender todas as coisas, etc. E que eu vi, que tudo em automotivo é ruim. E logística. Tudo chega devagar, é caro, ninguém é animado com qualquer serviço, etc. E eu queria fazer uma ideia que foi muito mais ligado com tecnologia, do que uma financeira. Muito mais uma financeira, do que empresa de (inint) [00:28:23.01].

E daí, eu vi também as pessoas que saem da USP, UFSCAR, ITA, são pessoas absurdamente capacitadas. Absurdamente. E especialmente na época, não teve um Nubank, Stone da vida, lugares que hoje em dia tem. Os caras viam uma puta oportunidade, vamos criar uma tecnologia muito legal, que pode mudar como logística, funciona. Então foi muito sonho, vamos fazer algo de grande impacto, que vai mudar o mundo. Brilhar os olhos, sabe.

Luciano Pires: Me explica melhor, qual era o problema que você queria resolver? Quando você fala, tornar a logística melhor, isso é muito broden, é muito… Deixa eu entender, qual era o problema?

Parker Treacy: O problema, então, eu fiz várias visitas em empresas pequenas.

Luciano Pires: Lá?

Parker Treacy: Não, aqui.

Luciano Pires: Aqui.

Parker Treacy: É, eu já entendo os Estados Unidos super bem.

Luciano Pires: Deixa eu só entender uma coisa aqui. Você vem para o Brasil, sem saber direito o que é que você ia montar. Que você tinha uma ideia, estou indo, vou procurar o problema que eu posso resolver no Brasil. Foi isso?

Parker Treacy: Fo isso, mas lembra, bem focado em automotiva e logística. Só teve algumas ideias, não foi, “vamos mudar tudo no mesmo tempo”.

Luciano Pires: Ok. Me dá o foco, qual era o problema que você encontrou?

Parker Treacy: Claro. Eu visitei algumas empresas pequenas, que tem uma frota. Que eu vi, que vão falar, você tem uma empresa de instalador de ar, e você tem 30 veículos. Tem que fazer 50 visitas por dia. Como funciona? Até hoje em dia? Funciona o seguinte. Todo mundo tem um walk talk, e foi, onde está? Chegou? Atende. Cliente está muito chateado. Cara, tem combustível, blá blá blá. Para 30 pessoas, normalmente tem 5 analistas de walk talk tentando comunicar. E daí, esses analistas recebem ligações de clientes sempre chateados, sempre, provavelmente você já pediu alguém para instalar ar, boa sorte. O cara vai chegar, tipo, melhor coisa, em 2 dias, se ele ainda chegar.

Eu vi, se todo mundo tivesse os dados desses veículos, não vai acontecer. Então na hora da entrega, esse cara está no caminho, vai chegar em 23 minutos na sua casa. Que beleza. Não vai precisar de 5 caras de walk talk escrevendo num papel, brigando com todo mundo. Simplesmente, é um sistema que consegue simplesmente onde os caras ficam. E alguns outros knowledges, em qual outro eles devem fazer a visita. É algo muito simples para fazer. Consegue totalmente mudar várias coisas. A produtividade dessas empresas pequenas, o custo para eles fornecerem os serviços, e a relação com o cliente final. Então, isso foi o que eu quis resolver. Essa coisa ligada com cost, walk talk, motorista, cliente, todo mundo chateado sempre. Tipo, faz 2 meses que eu instalei NET na minha casa, e foi… eu marquei, tenho uma janela de 4 a 6 horas. Eu fiquei em casa sem internet. Fiquei lá por 6 horas, eu liguei 5 vezes superchateado. Fui para o trabalho, agendei para a próxima semana. Mesma coisa. 6 horas passaram, liguei várias vezes, fiquei puto no telefone, e daí o cara chega 2 horas atrasado. Olha, eu gastei 14 horas, muita emoção, eu odeio a marca da NET agora por causa disso, eles gastaram minimamente 2 horas de call center. E cara, uma caída da merca deles, eu estou contando essa história aqui.

Luciano Pires: Sim, foi ruim para todo mundo.

Parker Treacy: Para todo mundo. E se os dois soubessem, cadê o carro? Eu vou esperar, vou gastar 30 minutos, eu não vou fazer nenhuma ligação, e não vou ficar puto, falando muita merda da NET. Então, resolve tão bem, simplesmente para ter mais transparência de informação.

Luciano Pires: Você vê como é a coisa. Você tá falando isso para mim, e eu estou visualizando eu chamando um Uber, e olhando no meu aplicativo, e vendo o automóvel chegando, o carro que está chegando. Ele chega em 4 minutos, 3 minutos, 2 minutos. Isso mudou completamente a minha relação com o transporte.

Parker Treacy: É o fim do dia, fazer a mesma coisa, para veículos comerciais. Como o Uber fez para taxi. Quão digitalizado, com dados abertos, com muita transparência, cara, as pessoas consomem mais, ficam mais felizes.

Luciano Pires: Que ano era isso?

Parker Treacy: A gente começou a construir no fim de 15.

Luciano Pires: 2015. Você já tinha tecnologia bem desenvolvida. Já tinha tecnologia para isso tudo?

Parker Treacy: Não.

Luciano Pires: Não tinha? Você teve que buscar? Por exemplo, em 2015 já tinha o Waze, o Waze já estava aí. Já tinha toda a parte de GPS, já estava tudo dominado, né? O que que era o nó? Qual era a complicação que você encontrou? Porque to imaginando o seguinte. Tua empresa, é uma empresa de logística, e comunicação.

Parker Treacy: É, o mundo está chamando telemetria. O rastreamento.

Luciano Pires: Logística, e comunicação. Telemetria, tá legal. Eu imagino que você vai encontrar um cliente que tenha seus veículos, tenha sua empresa, e você vai aparecer ali, com um aparelhinho pequeninho, nos seus veículos, instala esse software. Aqui tá sua central de monitoramento. Pague-me um mensal para utilizar meu sistema. É mais ou menos assim?

Parker Treacy: É, exatamente. Então, cara, o que a gente lançou na primeira vez, foi muito enxuto, foi muito simples. Não teve (inint), nós estávamos fazendo relatório de PowerPoint, passando por e-mail, relatórios de cases que eles fizeram, etc. Mas, o que a gente viu, que…

Luciano Pires: A empresa nasceu aqui no Brasil?

Parker Treacy: 100% aqui.

Luciano Pires: Você não trouxe um modelo de lá, para implementar aqui?

Parker Treacy: Não, a gente teve algumas empresas de lá, que são muito parecidos com o que a gente faz, que são de logística, tecnologia, provavelmente nunca ouvi, que são (inint) [00:35:08.01], que são as duas muito grandes. Mas, cara, e também está chegando ILT, internet das coisas. Porque internet das coisas, o que o conceito quer fazer? Eu quero digitalizar o mundo off-line. Quero virar esse mundo online, agora com mis informação. Se você consegue medir, consegue melhorar. Consegue mais base possível. Então a gente queria criar o sistema de ILT mais simples, para na América Latina, que é o nosso, onde estamos virando, tem 27 milhões de veículos comerciais, e 90% deles usam nada. É Walk Talk. É muito fácil criar um sistema muito melhor do que Walk Talk, muito mais barato.

Luciano Pires: Eu só conhecia coisas parecidas com isso que você falou, eu trabalhei durante muito tempo no mercado automotivo. Auto Parts. Eu trabalhava com pessoal de frotas, tudo mais. E há muito tempo, existe monitoramento de caminhões, para entrega e tudo mais, até por problema de segurança, então a gente já sabe, isso tem há muito tempo. E quando nasceu, eram projetos caríssimos, porque aquilo era por satélite, era um transmissor, era um negócio pavoroso. Que hoje já mudou muito, e hoje já tá muito simples. Mas, eu vi isso muito para caminhões, para ônibus, né?

Eu não tinha visto isso, para, como você falou, para uma empresa pequena de 30 veículos aqui, que está se organizando aqui. E quando você veio vender esse projeto, vocês vieram com dinheiro para bancar, ou você teve que montar um business plan, para mostrar aporte em algum lugar?

Parker Treacy: Estamos, a gente tem pouco dinheiro de investimento, mas grande parte do dinheiro até hoje, é meu.

Luciano Pires: É seu?

Parker Treacy: É meu. Então, isso é um outro assunto de cultura que eu acho muito importante, skin on the game.

Luciano Pires: Skin on the game, Taleb.

Parker Treacy: Cara, isso foi muito importante. Até hoje, investi quase toda a liquidez, que eu tinha, foi para a empresa.

Luciano Pires: Eu só vou dar uma pausa aqui. Tem gente que tá ouvindo que não sabe. Skin on the game, que se a gente fizer uma tradução de pé quebrado para português, quer dizer, é botar pele no jogo, é botar carne, entrar com tudo. Ou seja, você tá no jogo, entre em campo, e bote a tua vida, teu risco, teu dinheiro, põe tudo, entre no jogo para valer, né? E tá entrando muito na moda esse termo agora, porque o Taleb, que é um escritor famoso, escreveu um livro, e botou a tese dele do skin on the game. Até vai sair um PodCast já já meu, a respeito. Mas, é interessante, que isso até aparecendo cada vez mais. Quer dizer, é aquela história, eu não sou o dono que contrata pessoas e manda fazer, e fica olhando o dinheiro vir. Eu entro, corro o risco, vou tomar porrada, vou quebrar a cara, e daí que vem o senso de honor trip, o aprendizado, e tudo mais.

Parker Treacy: Cria um centro muito interessante. Senso de, você precisa ter medo de falhar, isso é o skin on the game, e também precisa o balanço de uma imaginação, e uma animação do futuro incrível. E você precisa ter os dois, na minha opinião. Muito só tem animação do futuro, e falta do skin on the game. Então, é muito mais como os bankers durante o subprime, a crise de subprime nos Estados Unidos, fala que eu não sei, heads and tails, em português, mas, head I win, tails I loose. Porque eu só tenho para subir, eu não tenho para descer. Então enfim, algo muito importante para mim, sempre tentando criar essa dinâmica entro do time.

Mas enfim, onde estávamos?

Luciano Pires: Eu estava falando com você, do dinheiro, do seu business plan, e do dinheiro para investir nesse…

Parker Treacy: Sim. O investimento, ainda hoje, não tem muito investimento no Brasil. Tem alguns fundos, que são muito profissionais, mas o tamanho do país, o tamanho da indústria de startup, sai muito pouco ainda. É muito pouco ainda. Eu já tinha uma empresa bem-sucedida, então eu resolvi. Mas puts cara, eu acredito muito nisso, eu quero ter muito skin on the game, para culturalmente, para as pessoas que estão ao redor de mim, então misso foi muito importante.

Luciano Pires: Como que foi sua primeira venda aqui? Porque o seguinte, eu imagino que na tua primeira venda, eu não sei se você já tinha seu produto pronto. Eu acho que talvez você tivesse uma ideia, e foi buscar seu primeiro cliente. E você chega lá falando português, senhorrr, por favorr, como foi?

Parker Treacy: Cara, foi muito engraçado. Foi literalmente antes de a gente lançar, em 2016, e a gente teve um insight, alguém ligou do nada. Puta cara, como esse cara pegou nosso telefone? Não teve vendedores, zero.

Luciano Pires: Vocês não estavam divulgando nada?

Parker Treacy: Cara, teve um site, mas divulgação e marketing, zero. E foi uma frota pequena em Guarulhos, que se chama Petrosim. Cara, tomara que ele esteja escutando tudo isso.

Luciano Pires: Petrosim?

Parker Treacy: Petrosim. É bem perto do aeroporto. E ele ligou, “e aí? Cara, vi o produto, quero. Quanto é?”. Quanto é? Quanto é? Risos. Eu não sabia. Eu não sabia nada. Então a gente aprendeu muito com ele, tomara que ele não tenha sofrido tanto no começo.

Luciano Pires: Me conta dele, o que que foi que colocou para ir atrás? Qual foi o desespero dele, para ir atrás de vocês? Porque eu imagino que ele devia estar procurando algo. Não existia nada no mercado.

Parker Treacy: Eu conto isso depois. Mas ele estava, grande parte, não confia nos motoristas. Então eu quero entender onde eles estão. Eles não fazem entrega, o carro não volta, eu não confio nesse cara, então ele queria visibilidade, porque ele não confia nos motoristas. E depois, ele achou muita malandragem dentro da frota. Na verdade, eu acho que empresa de carro, de destruição de peças, de aeroporto. Daí, então isso foi um dia muito emocionante, a gente ainda tem um contrato, um quadrado no escritório, com o momento importante da empresa.

Luciano Pires: Número um, sim.

Parker Treacy: Hoje a gente tem mil empresas dentro da base.

Luciano Pires: Mil?

Parker Treacy: Mil empresas.

Luciano Pires: Em 3 anos?

Parker Treacy: Na verdade, estamos vendendo por dois.

Luciano Pires: Dois anos?

Parker Treacy: É. Essa venda aconteceu muito antes. Aleatoriamente o cara achou o site, ligou, e foi assim.

Luciano Pires: Quais foram os problemas que vocês foram encontrando aqui no Brasil, na hora de implementar? Imagino o seguinte. A comunicação do seu sistema, é via satélite, o que que é?

Parker Treacy: Todos os dispositivos têm um chip dentro.

Luciano Pires: É rede 3G, 4G?

Parker Treacy: E a gente usa tudo. Depende muito, porque ao fim do dia, a gente quer minimizar custo para o usuário final. E também, minimizar a invasão. Então a gente não quer instalar cosa, mandar para espaço, pluga, está lá.

Luciano Pires: Entrei no pátio da minha empresa, eu vou pelo wifi da empresa, isso? Como é que é? Deixa eu só entender essa…

Parker Treacy: Através de um chip celular.

Luciano Pires: Eu entendo. Então você está pela rede de celular do cliente. Quer dizer, o veículo é um celular ambulante?

Parker Treacy: Certamente. Então você localiza pelo GPS, onde ele está se movimentando. Isso é celurômetro. E também estar conectado com alguns sistemas do carro. Então, a gente entende revoluções, nível de bateria, coisa assim. Coisa mais básica. E daí a gente vira isso para inteligência, para ele fazer revisões melhores.

Luciano Pires: Então, isso que eu queria te perguntar agora. Tem outra pontinha, que é o seguinte. Uma coisa é você olhar, eu vejo painel, to entendendo tudo que está acontecendo. Você comentou um negócio, que eu vou retomar agora. O algoritmo que define para ele, escuta, quem deve ir agora atender é fulano, é esse, não aquele, a ordem é essa. Vocês foram desenvolver esse algoritmo também? Como que você fez para…

Parker Treacy: Sim. O algoritmo sim, mas como fazer ele academicamente não, porque o cacheiro viajante, o travelling sales monogram. Que simplesmente, quando a gente consegue otimizar, por exemplo, se eu tiver 10 veículos, preciso fazer 100 entregas, com várias cidades diferentes, minimiza os quilômetros andados do sistema. Esse é o problema. Minimiza o tempo necessário. Ou minimiza os carros necessários, dentro de um tempo. Então a gente faz um algoritmo que já existe há muitos anos academicamente, mas adaptado para nosso sistema em cima dos dados do dispositivo.

Luciano Pires: Essa ciência, você foi buscar onde? Que você é um matemático, você não é um cara de TI. Você não é de TI. Você foi montar essa sua inteligência do seu sistema, você foi buscar lá fora? Você contratou?

Parker Treacy: Cara, eu to em um time 100% brasileiro.

Luciano Pires: Desenvolveu aqui?

Parker Treacy: Tudo aqui. Cara, como eu falei, tem pessoas incríveis aqui no Brasil, e falta oportunidades incríveis. Então nunca foi um problema não de não achar pessoas de altíssima capacidade. Nunca. Eu acho que isso é a melhor parte do Brasil, profissionalmente, as pessoas aqui são incríveis. E a concorrência é menor aqui, de tipo, a gente não perde pessoas todo dia para o Google. E nos Estados Unidos vai perder, porque o Google é muito mais sexy a etapa. Então, cara, podia atrair pessoas incríveis, e eu sempre fico animado do nível de pessoa que fica na Cobli. É incrível. É incrível mesmo.

Luciano Pires: Interessante.

Muito bem, você está no LíderCast, que é um PodCast focado em liderança e empreendedorismo, que proporciona conversas nutritivas, com gente que está aí para provocar mudanças. O LíderCast, faz parte do Café Brasil Premium, a nossa Netflix do conhecimento, que redefine o termo estudar, ao transformar o seu smatphone de uma plataforma de aprendizado contínuo. Você pratica uma espécie de MLA, Master Life Administration, recebendo conteúdo pertinente de aplicação prática e imediata, que agrega valor ao seu tempo de vida. São VideoCasts, são sumários de livros, são PodCasts, são e-books, são eventos presenciais, e a participação de uma comunidade nutritiva, onde você faz um network que não tem em outro lugar. Acesse cafedegraca.com, para experimentar o Premium por 1 mês, sem pagar.

Você sabe que a gente tem uma discussão aqui, se existe ou não um jeito brasileiro de trabalhar. Eu não estou nem discutindo culturas, é claro que tem. Se você for na Índia, funciona de um jeito, na França de outro jeito, isso no Brasil também é, mas parece que tem um algo mais, tem um jeito brasileiro de trabalhar. A empresa que eu trabalhei, era uma empresa norte americana, Dana Corporation, tava aqui no Brasil também. Então eu atuei durante muito tempo com os americanos, trabalhei lá, com americano aqui. E, a gente via nitidamente, que há uma diferença entre o profissional brasileiro, e o profissional americano. Cada um, é melhor em alguma coisa, cada um faz de uma certa forma, e o brasileiro tem muito aquela coisa do “dar um jeito”. Eu até conto uma história interessante, que eu recebi uma carta, um e-mail que mandou para mim, uma leitora minha, contando que a filha dela foi trabalhar no Mc Donald’s nos Estados Unidos. Uma loja no Mc Donald’s, né. E estava trabalhando na loja, e um belo dia, quebrou a máquina de picar cebola, chamaram o técnico, o técnico não vinha, e não tinha cebola picada.

Parker Treacy: Está chegando a gambiarra.

Luciano Pires: E aí ela pegou a faca, e começou a picar cebola com a mão. O pessoal olhou aquilo, como assim? Escuta, no Brasil é assim. Não tem, a gente se vira e faz. E todo mundo… Então, esse vamos dar um jeito de fazer acontecer, me parece que é um espirito muito brasileiro nisso. Mas, isso sou eu dizendo. Você como americano, você consegue enxergar alguma coisa assim?

Parker Treacy: Cara, esse é um bom ponto de cultura. Então, duas respostas para isso. Primeiro, sim. Eu acho que especialmente para as pessoas que a gente contrata, que são pessoas superinteligentes, supermotivadas, etc., sim. Eles têm uma cultura melhor que americano, de a gente vai conseguir, ponto fechado. Vamos dar um jeito, e especialmente das barreiras que existe. Então essa é a parte muito boa. Obviamente tem que controlar, para não fazer uma cagada infinitamente muito grande, para entender limites, coisa assim. Mas cara, de verdade, isso vai sair. Ponto. Mas, outra parte, tem uma relação diferente com a empresa. Por várias razoes, eu acho. Historicamente, no Brasil, a divisão entre dono e funcionário, foi muito grande, muito grande. E nunca teve um alinhamento cultural normalmente. Cara, a lei trabalhista fala, cara, a empresa tá aqui para te machucar, e o governo está aqui, para te proteger. Então, é muito importante para, especialmente as pessoas que tem bastante experiência, mudar essa perspectiva. Por exemplo, eu acho que 50% das pessoas na Cobli, são acionistas. Mais uma coisa de skin on the game. E isso é muito importante. Mas isso, é só um pensamento de mudar, que cara, estamos aqui para criar algo especial. Não é para, ah, lei trabalhista, 8 horas. Cara, pode ficar 1 hora, pode ficar 20 horas. Estamos aqui para entregar algo incrível, estamos aqui para, faz para mudar a vida do cliente. Cada vez mais se a gente consegue criar esse valor para o cliente, cada vez mais a empresa vai crescer.

E o momento que ela tem um estagiário, não está pensando, cara, hoje vou melhorar a vida do cliente, é momento você estraga a cultura, o alinhamento. Estamos aqui para criar valor.

Luciano Pires: Sim. Eu não sei se você está, mas, com certeza você está acompanhando o momento que o Brasil passa, as discussões políticas e tudo mais, e você deve ter visto recentemente a discussão que aconteceu quando tiraram a obrigatoriedade de visto dos americanos para o Brasil. Então, americano não precisa mais de visa, para vir para o Brasil. E começou uma gritaria aqui, porque, como assim? Nós temos que ter visto para viajar para lá? E aí apareceu uma discussão muito interessante, do pessoal dizendo o seguinte. Cara, então é capaz de amanhã começar a ter milhões de americanos vindo para o Brasil, para buscar trabalhar no Brasil, porque aqui tem CLT, aqui tem férias, 13º, aqui tem mil proteções, e a gente sabe que isso não vai acontecer. O contrário que vai acontecer, os brasileiros saindo daqui, para ir para lá, para um país que não tem nenhuma garantia, como nós temos aqui. Quer dizer, aquilo tudo que é construído para nos proteger, não existe lá. E, no entanto, ninguém quer vir de lá para cá. O pessoal que ir daqui, para lá, porque lá você tem uma economia muito mais… é tudo muito mais fácil, é tudo muito mais simples, é tudo muito mais… há uma relação de confiança com as pessoas, que Brasil ainda não tem. Aqui, eu tenho que provar que eu sou honesto, e lá eu tenho que mostrar que eu sou bandido. É mais ou menos assim. Então, é assim que funciona.

Eu consigo montar uma empresa lá em alguns minutos, pela internet, e aqui é um horror. Eu tenho que carimbar, e provar que eu estou vivo, e tudo mais. Então, há um custo Brasil, que é um negócio impressionante aqui, e que na verdade nos trava aqui. Do ponto de vista de um empreendedor, que empreendeu lá, e empreendeu aqui. Como é que… você se assustou, quando trombou com esse custo do Brasil aqui? Quando chegou aqui, vamos montar um negócio no Brasil, começou a entender, chama-se manicômio tributário. Sabe o que é manicômio? Uma casa de loucos. Esse manicômio tributário brasileiro, essas regras, isso te assustou de alguma forma, quando você veio? Só para complementar a pergunta. E você veio sozinho, ou veio outro americano com você?

Parker Treacy: Sozinho.

Luciano Pires: Você chegou sozinho aqui, tá. Te assustou de alguma forma isso?

Parker Treacy: A única coisa que, a mim começando, tudo foi muito assustador. Cara, você fica entendendo tudo melhor, e criando uma infraestrutura, para resolver as coisas. Mas, a parte pior, é lei trabalhista. Por muito. Porque tipo, um golpe que eu sempre senti nos Estados Unidos, lei trabalhista não existe. Então pode demitir alguém, e não deve nada. Paga 1 dólar para a pessoa, a pessoa recebe 1 dólar, e vai pagar os impostos deles.

Luciano Pires: País de terceiro mundo, é uma coisa.

Parker Treacy: O que é muito, o golpe do governo, em termo de lei trabalhista, vou falar talvez não mexendo bem com detalhes, mas também vou pagar 1 real. E daí você, o funcionário para receber 75 centavos. Mas eu preciso pagar 75 centavos em cima. Mas o funcionário sente que não, eu paguei 25% de imposto. Mas não, você pagou 65%, porque o que saiu para você, enquanto você recebeu, não faz diferença se eu paguei para o governo. Mesma coisa, saiu quando você recebeu. Então, o governo faz muitas coisas para disfarçar o nível de imposto, que ao fim do dia, os consumidores pagam tudo. E funciona, eles pagam tudo, tudo. Então isso é muito chato, porque literalmente, minimiza dinheiro para a pessoa. Se o Brasil pagasse a mesma taxa média de impostos de renda, cara, vai ganhar o dobro. A gente paga metade. Nos Estados Unidos, já um país com impostos muito altos. Então, obviamente fazendo todas as coisas, eu fiquei com medo de fazer… cara, eu fiz todos os documentos errados no começo. Fui eu fazendo, imagina, uma folha de pagamento, carne e leão, essas coisas. Cara, eu não entendo nada disso.

Luciano Pires: Eu fui assistir uma, na verdade eu não fui assistir, eu estava envolvido naquele projeto na época, mas eu recebi um material de uma apresentação, a BMW foi inaugurar uma fábrica em Santa Catarina. E no dia da apresentação, e tudo mais, estava os jornalistas e tudo mais, estava o presidente da BMW, não me lembro se era alemão, o que que era, ele vem lá, e ele começa a apresentação dele colocando um chat na parede, no PowerPoint, com todas as licenças que ele teve que tirar, para poder abrir a fábrica lá. E ele colocou aquilo, isso aqui é um negócio tão absurdo, o trabalho, eles não faziam ideia do volume de trabalho burocrático que eles teriam que cumprir, para conseguir a licença de instalar a fábrica. Então isso aconteceu ali em Santa Catarina. Pouco antes disso, eu to lá em Santa Catarina trabalhando, aparece, to num restaurante, apareceu uns amigos no restaurante, com dos belgas. Os dois belgas sentam ali, a gente começa a conversar, e os belgas contando que eles estavam fazendo, eles vieram no Brasil, e faziam o seguinte. Eles visitavam sua empresa em Santa Catarina, “o que que você fabrica aqui”? Eu fabrico copos. Perfeitamente. Quanto custa o copo? O copo custa 20 centavos. Por quanto você vende o copo? Eu vendo por 80 centavos. Legal. Então você ganha 60 centavos por copo, perfeitamente. Eu vou propor uma coisa a você. Fecha a sua empresa, abre a sua empresa na Bélgica, aqui está o mapa da Bélgica, nós temos essas regiões, põe a sua empresa onde você quiser, nós vamos te dar isenção de imposto, você vai poder montar sua empresa. E, vamos garantir a você, o faturamento, e que você ganhar os mesmos 60 centavos que você ganha aqui, você vai ganhar lá. Eles contando isso, eu falei, cara, mas sem imposto, sem nada. O que que vocês estão querendo? Ele disse assim, emprego. O que que vocês vieram buscar no Brasil? Jobs, nós viemos buscar jobs. Nós precisamos levar empregos para lá.

Aí, você vê que é uma consciência, enquanto um, para montar o negócio, teve que enfrentar, o outro vem aqui, eu não tenho burocracia nenhuma, vem embora, me traga empregos, me traga agitação de trabalho, que para nós está fazendo falta. Então é isso que está faltando para desamarrar o nosso pedaço. Mas eu viajei. Eu…

Parker Treacy: Eu amo reclamar também.

Luciano Pires: Eu fico animado com essa coisa aqui. Mas me conta então, tua empresa hoje, vocês estão com a empresa aqui há 3 anos? 4 anos?

Parker Treacy: 3, 4 anos.

Luciano Pires: Quantas pessoas tem lá hoje, trabalhando?

Parker Treacy: Tem quase 100.

Luciano Pires: Legal. E vocês estão com uma rede de mil clientes?

Parker Treacy: Mil clientes.

Luciano Pires: Perfeitamente. Diga uma coisa. Está acontecendo uma mudança no mercado agora, relacionada a esse seu ramo, que é transporte e logística, meios de logística, onde a pessoa tá começando a perder aquela ideia de que preciso ter um automóvel, eu quero usar um automóvel. Então, a gente chama da Uberizacao, né? As empresas talvez não vão querer mais ter um automóvel, elas vão pegar e vão usar uma frota de alguém. Isso é uma mudança brutal, e já se discutindo até que já tem montadoras, a Volkswagen tá pensando o seguinte. Talvez eu seja uma grande locadora, mais do que um fabricante de veículos, né? Ao invés de vender, eu vou ganhar uma assinatura de todo mundo, né?

Eu imagino que isso vai ter um impacto gigantesco no seu negócio, porque você ao invés de vender para pequenas empresas de 30 automóveis, você vai ter que dividir talvez a um grande hub de locadoras, não sei como funciona isso, mas locação, etc. e tal. Você tá pensando nisso, você enxergou isso, isso é real?

Parker Treacy: É real. É mais ligado com o mercado de consumidor, e a gente tem algumas empresas bem grandes, que ficam bem dentro disso. Por exemplo, à maior locadora aqui do Brasil, usa a Cobli para fazer toda (inint) [00:58:18.04] delas.

Luciano Pires: Ela usa isso. Então quando alugo um carro deles, eles estão sabendo onde eu estou, tem tudo?

Parker Treacy: não, muito mais gente atende a área de, se você for um motorista de Uber, várias cidades aqui no Brasil, a gente faz toda a telemetria inteligência atrás.

Luciano Pires: Você trabalha para o Uber?

Parker Treacy: Não para o Uber, para locadora.

Luciano Pires: Para locadora, tá? E o Uber?

Parker Treacy: Porque 1/3 dos motoristas de Uber, alugam carro.

Luciano Pires: Tá. E Uber conversa com a locadora, não? Ou isso não interessa para o Uber?

Parker Treacy: Eu acho que não interessa tanto para o Uber. É uma espécie de integração, para ligar a pessoa e a placa, mas fora disso, não há grande integração.

Luciano Pires: Que interessante, cara. E você tem grandes clientes, como locadoras?

Parker Treacy: Tem. E tem seguradoras de veículos também. Estamos lançando com cartões de combustível, com empresas que atende tipo ticket. Por exemplo, business nesse segmento.

Mas voltando, todo mundo compartilhando carro, talvez vai ter menos carros no futuro, obviamente um futuro melhor, vai fazer mais com menos, etc. Então quando a gente vê, a gente superquer uma parte dessa mudança. Esse mercado é infinitamente grande, é uma empresa muito grande. E a gente quer criar o nível de tecnologia, que cria informação, e transparência dos veículos, para facilitar isso. Então a gente nunca vai ser um marketplace de tipo, você tem um carro, você tem um frete, vamos fazer o (inint) [00:59:59.14]. É muito mais de, a gente entende onde todos os veículos estão, e a gente consegue fazer deles movimentos otimizados deles, para minimizar ou maximizar qualquer métrica importante para você. Porque dependendo do que você vai fazer, tem métricas muito diferentes. Por exemplo, uma ambulância, contra um instalador de ar, tem métricas muito diferentes.

Luciano Pires: Fascinantes isso. Eu imagino, você deve ter hoje uma… tudo isso passa pela sua central, não? Passa por você de alguma forma, não?

Parker Treacy: Eu pessoalmente?

Luciano Pires: Não, a sua empresa. Eu estou tentando imaginar o seguinte. Você, quando eu compro seu serviço, eu to assinando com você para usar seu software. Vou instalar um hardware na minha empresa, vou botar um aparelhinho nos meus automóveis, e estou fazendo uma comunicação eu, com os meus automóveis.

Parker Treacy: Exatamente.

Luciano Pires: Sua empresa sabe o que está acontecendo aqui, não?

Parker Treacy: A gente tem acesso a todos os dados, obviamente de um jeito anônimo, se alguém roubar nossa base, não vai saber qual carro é de quem. Mas sim, quanto mais a gente coleta, o mais inteligente a gente fica.

Luciano Pires: Quer dizer, você deve ter uma base de informações que é um negócio maravilhoso.

Parker Treacy: É muito grande.

Luciano Pires: Até para entender como que funciona, fluxo de automóvel.

Parker Treacy: A gente tem a maior base de dados tratados, organizados de um jeito que consegue fazer coisas com ciência de dados, de máquina, coisa assim, na América Latina.

Luciano Pires: O Detran não foi te procurar? O pessoal que lida com trânsito nas cidades?

Parker Treacy: É, na verdade, a gente fez um estudo com o governo. Na verdade, foi uma experiência positiva, a gente não pretende virar um fornecedor para o governo. Mas o que a gente fez. Eles recentemente instalaram radares na marginal Tiete. Há obviamente um traçado complexo, etc. Porque eles instalaram radares? Eles querem minimizar o perigo na rua. Então a gente fez um estudo, como foi o fluxo de veículos antes, como foi o fluxo de veículos depois.

A gente sabe que o comportamento mais arriscado, aumenta a probabilidade de ter um acidente, é freando bruscamente, e acelerando bruscamente. Beleza. O que a gente viu depois de instalar todos os radares, foi, todo mundo está indo acima do limite, está indo a 110, em 3 segundos vai para 60, e depois 3 segundos, volta para 110. Isso é brusco para burro. Então o que a gente viu com esses radares, a intenção, foi, “vamos minimizar acidentes?”. Mas o que eles fizeram, eles incentivaram as pessoas a fazer os dois comportamentos mais arriscados que existe. Então subiu 3, 4 vezes, a probabilidade de acidente. Porque o governo faz adesões, não testa nada, por exemplo, cara, eu acho que isso vai ser um feed importante. Beleza Parker, boa ideia. Agora, vamos testar. Vamos ver qual a definição de sucesso das coisas? Métrica 1, 2, 3, beleza. Vamos testar, vamos colocar em veículos, e a gente vai ver. E os dados vai explicar a história, se sua ideia foi ruim ou foi boa. Mas, o governo não tem essa cultura de, cara, eu sinto X. Agora vamos testar para ver se funcionou.

Luciano Pires: Você conhece um escritor chamado Basquiat?

Parker Treacy: O artista?

Luciano Pires: O escritor, não artista. O escritor.

Parker Treacy: Não.

Luciano Pires: É muito anterior ao artista. Basquiat escreveu um livro chamado O que se vê, e o que não se vê. É o nome do livro. E ele fala exatamente disso. A pessoa toma uma decisão para alguma coisa, e isso tem uma consequência que ninguém enxerga a consequência. Então, todo mundo só consegue enxergar, vamos colocar o radar, para o pessoal reduzir a velocidade, e assim eu evito acidentes. E você vem dizer para mim, que o que mais provoca acidentes, é a frenagem rápida, e aceleração, que é o que acontece onde tem radar. Então, eles criam mais a chance do acidente, do que reduz, pensando que estão resolvendo o problema.

Parker Treacy: Cara, é literalmente o ponto do skin on the game. Então, até hoje, os radares estão lá. E skin on the game, que eu consigo fazer (inint) [01:04:22.10], eu não consigo viver com o resultado. Exatamente, eu chuto que um deputado, não entendo os nomes do governo aqui, cara, eu fiz esses radares ali, tá no currículo, ele foi promovido, etc. Mas cara, ele piorou a vida das pessoas em São Paulo. Mas, ele vai ser promovido, porque não é um skin on the game. Eu não preciso viver, nem ver, o resultado. Eu posso the skin on the game.

Luciano Pires: Impressionante. Muito bom cara, que legal. Olha, tem mais um pouquinho, dá para a gente trocar uma ideia. Esse é um programa de liderança e empreendedorismo, tá? Deixa eu explorar você um pouquinho mais nessa questão da liderança. Eu acho que eu vi um insight qualquer, que você montou uns esquemas de gestão na sua empresa, de premiação, eu não quero dizer, premiação não é o negócio. Eu não gosto desse termo. Do reconhecimento, e que tem dois pés colocados no negócio, chamado de meritocracia, que para os norte-americanos. A meritocracia, é parte que vocês nasceram nela, vocês nasceram com ela. E aqui no Brasil, isso é palavrão. Cosia de capitalista, etc. e tal.

O que que você andou fazendo lá, e como é que tá funcionando isso, de retenção de clientes, engajamento, retenção de funcionari0os, engajamento. Como que você tem trabalhado isso?

Parker Treacy: Em geral, nossos resultados são excelentes. Então tem 100 pessoas hoje. Provavelmente desde o começo da empresa, até 140, porque obviamente tem demissões, e coisa assim. As pessoas que saíram da empresa, acho que não tem mais que 8, na história da empresa. Então, tem uma retenção muito boa. Mas o que a gente investe muito, é cultura ao fim do dia. Pessoas, cara eu falo isso bastante, o melhor benefício para funcionários, são colegas incríveis. Não assim, (inint) [01:06:26.26] tem que encaixar na vida, etc., mas as pessoas saem de salários muito altos.

Luciano Pires: Ontem à noite, nós fizemos uma live aqui, um bate-papo com várias pessoas da confraria Café Brasil. A gente reuniu 20 pessoas, e estava fazendo uma discussão sobre liderança, e ali alguém surgiu com essa ideia. Fala, ninguém vai embora da empresa, por causa da empresa. Você vai embora, porque você não gosta de algumas pessoas. Eu estou indo embora, porque eu sou maltratado pelo meu chefe, porque meus colegas não dizem nada para mim. Agora, quando eu tenho uma turma legal, colegas legais e um chefe legal, eu acabo ficando ali. Quer dizer, é mais sobre pessoas, do que a empresa em si.

Parker Treacy: E outra coisa então, duas coisas. Tem que ser pessoas inspirados, assumindo capacidade, mas inspirados para fazer coisas legais. Essa impressão, beleza, você pode ter uma visão da empresa muito legal, mas a impressão é, meu chefe é incrível, eu quero ser assim um dia. Isso é a melhor impressão. E o melhor jeito de comunicar, obviamente, faz feedback, faz coisas normais, simplesmente seja um bom role model. E tem role model incríveis, em cada time.

Luciano Pires: Role model, é o modelo. Seja um modelo, seja inspiração.

Parker Treacy: Exatamente. Seja modelo, seja como… é mesma coisa de um pai incrível, que ele não precisa passar um feedback para você, faz isso, não faz isso. Sim, às vezes. Mas a presença dele fazendo a coisa certa, você vê isso todo dia. Tratando as pessoas bem, pagando as contas. Cara, simplesmente a presença de pessoas boas, cria pessoas boas, inspira pessoas.

Luciano Pires: E tá todo mundo de olho, tá todo mundo olhando. Você nunca tá sozinho.

Parker Treacy: É o melhor feedback. O feedback não falado, é o melhor feedback. A presença de pessoas incríveis, é incrível. É viral.

Luciano Pires: Como é que se contrata pessoas incríveis?

Parker Treacy: Cara, é difícil. Mas, eu chuto que 50% das pessoas da Cobli, são forwards, são referências de funções atuais.

Luciano Pires: Eu apostaria que você ia falar isso. Quem é… é gente que trabalha comigo, que conhece meu esquema, que já tem minha cultura, e que ao indicar alguém, vai assumir uma reponsabilidade sobre indicação.

Parker Treacy: A gente investe muito nisso. Obviamente coisa sempre de cara, a gente paga se você trazer alguém. Mas também, a opressão de pessoas, tem que ter dentro de todo mundo. Sim, a gente tem trabalho de opressão de pessoas, mas todo mundo precisa ser envolvido. Skin on the game dessa empresa, é eu sou responsável para montar meu time. Eu sou responsável para todo mundo, ao redor de mim. Eu sou responsável se alguém não está atuando dentro dos valores importantes, e minha reponsabilidade. Olha, tem um babaca. Olha cara, people ups, vai resolver. E não cara, você precisa de uma propriedade. Você precisa, skin on the game, de toda parte da cultura. Não é Parker ditador, faz assim, não faz assim. Isso não se fala. Senão, não consigo pessoas.

Luciano Pires: Tem um termo em inglês, que não foi traduzido para o português, porque é impossível traduzir. Chama-se accountability. Não dá. A gente botou acontabilidade, confundindo com contabilidade. Mas essa questão do accountability, que é a coisa fundamental. Quer dizer, você não tá falando para mim, só de responsabilidade. Você tá falando muito mais que isso. Você tá falando, além da responsabilidade sobre aquilo, eu faço aquilo que eu disse que eu ia fazer, no prazo que eu disse que eu ia fazer, sou transparente, e crio uma relação de confiança em você. Cara, eu sou uma pessoa com accountability. E isso a gente perde muito. Isso era uma outra pergunta que eu ia fazer para você. O brasileiro é muito apaixonado, tem muita paixão. Me apaixono, e do mesmo jeito eu odeio. Então, na hora da tomada de decisões, o que o americano tem de assertividade, de chegar lá… O americano chega na sua frente, diz que você fez uma merda, que o seu trabalho é ruim, que você é um horror, e depois eles saem e vão tomar uma cerveja juntos, não fica nada ali. Porque aquilo é muito claro, que tem uma relação profissional. Aquilo é muito assertivo.

No brasileiro, quando você fala que o meu trabalho foi ruim, eu entendo que eu sou ruim. Você está me ofendendo como pessoa, e mistura tudo, e vira… e vou guardar isso comigo, e na próxima oportunidade, eu vou puxar seu tapete.

Parker Treacy: É um ponto de vista no Brasil. Porque historicamente, não tem cultura dessa transparência extrema, e também tem uma cultura que também não é superaceitável. Então, criando um ambiente com essa transparência, é muito difícil. Temos Kim Scart nos Estados Unidos, ela foi a diretora de recursos humanos da Google, chama de radical cander. Transferência extrema.

Luciano Pires: Sim, eu tenho… eu fiz o sumario desse livro. Sim senhor, eu tenho sumario desse livro em português, e publiquei ele agora em português recentemente. Radical Cander.

Parker Treacy: Mas a complexidade disso, não é superparte do livro, mas a complexidade, você tem dois níveis de servo. Tem o servo animal, que é 100% emoção. Tipo, fire fly, coisas assim. E daí tem o servo robô, que é 100% racional, 0 emoção. A coisa mais complexa disso, você precisa penetrar o cérebro do animal, para chegar ao cérebro do robô, para dar esse tipo, feedback pega como um soco na cara. E você precisa (inint) [01:12:14.03] a pessoa, porque algumas pessoas vão ter um cérebro animal super grosso. Então cara, talvez eu vou precisar gastar meses com você, antes de ter uma conversa difícil. Mas, você precisa correr até lá. Ou, tem outras pessoas, que cara, vamos daí oi, pronto, me solta. Então, isso é muita complexidade, que a gente tenta forçar de dentro de cada time. Você precisa entender a pessoa, fora do escritório. Não precisa sair na balada, obviamente, ambiente profissional. Mas, importante que você tenha essa abertura para a pessoa, porque você nunca vai ter esse nível de transparência. É muito difícil, é algo que, cara, é como cultura em geral. Cultura, se deixado sozinho, vai para o mal. É como um exemplo de uma parede, depois de um tempo, vira uma pilha de areia. Mas uma pilha de areia, nunca vai virar uma parede. Cultura, mesma coisa. Entropia. Então, você precisa sempre ter lembrança do que é importante para esse grupo de pessoas. E cara, único jeito de mudar hábitos, é repetições.

Luciano Pires: Então uma dica interessante, que eu até usei outro dia aqui, que eu não me lembro onde eu vi. Acho que foi em um vídeo que eu assisti, com navy seal, um comandante navy seal, dizendo o seguinte. Fala que o que faz você entrar em forma física, não é ir na academia. Não é ficar na academia. É ir todo dia na academia, um pouquinho de cada vez. É a somatória de todos os dias que você for na academia, que vai fazer você ficar em forma física. Que é exatamente o que você falou, a repetição. Eu vou, eu coloquei, tenho a minha disciplina, e vou repetir isso aqui até eu obter o resultado lá. E se eu tentar fazer tudo agora, de uma vez só, não vou conseguir fazer. Mas você está falando de disciplina, né?

Parker Treacy: Sim. Muito mais, de como mudar hábitos, e criar novos hábitos. Que cara, se você, Parker, pare de fazer X. Provavelmente amanhã vou parar. Mas dali 2 semanas, eu vou voltar, porque é um habito, estou fazendo sem pensar. E precisa dessa repetição sempre, de feedback. Não é bom para você. Não precisa ser dito coisa assim, que fica chato, você para de aceitar o feedback. Mas, pode ser várias lembranças, de isso aqui é importante, isso é um habito ruim, isso é um habito positivo.

Luciano Pires: E você tem que estar com isso impregnado na cultura da sua empresa. E daí vai bater naquele outro ponto que você falou. Por isso que é importante, eu vou buscar um funcionário novo, através das pessoas que já trabalham aqui, que já conhecem a minha cultura, sabem como funciona a empresa, e já sabem que, aquele não vai se adaptar aqui. Eu vou buscar outro.

Parker Treacy: Super. Por exemplo, uma coisa que eu sempre queria fazer, que é impossível fazer, que é fazer uma entrevista com alguém. Eu quero entrevistar seus 3 melhores amigos, que não são membros da sua família. Obviamente que a gente nunca vai fazer. Mas, você está aplicando para a Cobli. Eu não quero falar com você. Eu quero falar, com seus 3 melhores amigos.

Luciano Pires: Sobre mim.

Parker Treacy: Não, eu quero ver quem são eles.

Luciano Pires: Com quem eu ano.

Parker Treacy: Eu não quero falar com Luciano. Eu quero, que a melhor apresentação de quem é você, as pessoas que você escolhe, deixar ao lado de você. Eu amaria fazer uma entrevista. Obviamente a logística, não sei, talvez invasiva demais, mas, cara, prende muito a pessoa. Eu quero conhecer os 3 melhores amigos, que não são membros da família.

Luciano Pires: Você sabe que eu tenho uma recomendação que eu coloco nas… eu escrevo muito nas mídias sociais, tudo mais, e eu sempre mando para as pessoas, dizendo o seguinte. Os cuidados que você tem que tomar, quando tiver em mídia social, para não entrar em fake news, essa coisa toda. Quando você receber uma informação de alguém, procure essa pessoa, entre na página dela, ou entre no Tweet dela, ao invés de olhar, veja quem é que ela retweeta, quem é que ela compartilha. Que tipo de coisa ela tá compartilhando. Isso para mim, é mais importante, do que entender o que que ela é. Quem é que ela… o que que ela tá endossando? E ao você ver, aquilo cai a máscara toda, porque a pessoa se coloca de uma forma, quando você vai ver o que ela tá mandando a diante, ela mostra a verdadeira cara dela. É mais ou menos o que você colocou aí.

Parker Treacy: É, então, através das referências de pessoas, é um jeito dessa filtragem. A gente tá aqui, porque a gente gosta muito de você. Então, em termos profissionais, culturalmente, etc. A gente quer mais pessoas como você. E normalmente as pessoas (inint) [01:17:05.04], gostam de outras pessoas assim. É muito simples. Então sim, isso é uma parte muito importante. E sempre fazendo a lembrança da importância do que a gente acredita.

Luciano Pires: Você cursou o que em Harvard? Você fez o curso de que em Harvard?

Parker Treacy: Foi MBA.

Luciano Pires: Você fez MBA em Harvard né? Isso que você tá falando para mim, eu vou até melhorar essa pergunta, que eu faço para muita gente que vem aqui, e senta aqui, e eu pergunto o seguinte aqui. Elas me contam a história da evolução delas na empresa, começaram lá por baixo, e um belo dia, elas assumem um cargo de liderança. Pela primeira vez, elas vão liderar um grupo. E eu sempre pergunto, escuta, quando você chegou na segunda-feira, para os eu primeiro dia com liderança, você tava preparada para aquilo? Alguém te ensinou aquilo? Você recebeu…? E 100% me respondeu, não cara. Eu cheguei lá, e eu tive que aprender na pancada, a partir daquilo que eu via dos líderes que eu… Mas eu nunca tive um treinamento efetivo. E elas me respondem isso, em um mundo onde o que mais se faz hoje em dia, é falar de liderança, ler sobre liderança, workshop de liderança. Só se fala em liderança. E, no entanto, elas vêm me contar que olha, eu não estava preparada, eu sabia que eu podia fazer, assumi, mas no primeiro dia, eu tive que sair para me virar. A pergunta que eu ia fazer para você é a seguinte. Você aprendeu essas coisas em Harvard, como que é?

Parker Treacy: Cara, eu acho que coisas de pessoas, não se aprende nada na faculdade. Na verdade, na Harvard, eu sempre, eles fazem muitas aulas de tipo cultura, feeling, sentimento, mas cara, que besteira. Vai para o trabalha, entrega o importante, trata as pessoas bem, e para de reclamar. Que foi meu… não sei, a cultura da minha família, talvez. Mas, o que eu vi é que… duas coisas, não vou falar mais da cultura. Mas, a coisa complexa de virar um gestor, é que todo mundo se você está abrindo uma empresa, ou está sendo manobrista em qualquer uma, você foi para lá, porque você gosta do trabalho.

Por exemplo, grande parte dos empreendedores, você gosta de fazer o produto. Eu vi a dor, e agora eu gosto de fazer coisa, eu gosto de ficar criativo, e colocar várias peças diferentes, finalmente criar algo especial. Beleza, teve sucesso, expandiu. Amanhã, você vai precisar, e você não vai fazer nada. Então a razão que você começou, foi porque você gosta de criar produto. Mas agora para expandir, e ir para o próximo passo, você precisa gerenciar pessoas. Cara, um bom analista então, as coisas necessárias para ser bom analista, bom gestor, são coisas totalmente diferentes. E daí para o próximo passo, precisa ser um gestor de gestores. Então, cada vez mais que a empresa cresce, você está ficando mais longe da razão original. Que você gostou de fazer X. Então, eu acho que tem (inint) [01:20:09.08] que são muito uteis. Por exemplo, a gente ama (inint) [01:20:14.07], delegação, (inint) [01:20:15.16], cria muita honorship. Mas ao fim do dia cara, o balanço de como a gente conseguiu alinhar pessoas com as métricas que todo mundo estão querendo fazer a mesma coisa, outro lado motivar, e atrair as pessoas para fazerem as coisas, e otimizar o (inint) [01:20:31.07], desse time. Esse balanço é muito sensível, e daí você precisa ser… você gosta do livro high output management, (inint) [01:20:47.20]. Cara, é um livro excelente. Tem 35 anos agora. Mas o que ele falou, é que, só os paranoias, sobrevivem. Então, only the paranoid survive. Porque você, obviamente, uma paranoia saudável, porque você precisa ter uma paranoia de que tudo está quebrando sempre, mas no outro lado, você precisa ter empatia para todo mundo dentro do time, de inspirar eles. E ele balanço, porque sem essa paranoia, lembra, entropia, tudo sempre volta para o mal. Cultura, processos, tecnologia, sempre está indo para o mal. E só essa paranoia que está procurando os buracos na tecnologia, na cultura, e arrumando sempre coisas, que sobrevivem.

Luciano Pires: Vou pegar uma dica, alguém que não pescou o que nós estamos falando aqui. Entropia, é um processo que diz o seguinte. Todo processo complexo, ele se desfaz com o tempo. O sol, tem um sistema entrópico, um dia ele vai apagar. Eu vou morrer, meu corpo humano vai embora, seu automóvel vai embora, porque todos os sistemas complexos, eles vão se desfazendo. E o que a gente pode fazer? Dá para evitar que ele se desfaça? Não, você não consegue, porque tudo é finito. Mas, você consegue fazer com que o avião voe 200 anos, se fizer uma boa manutenção. Se você tratar bem da sua casa, ela dura bastante, seu carro dura bastante, seu corpo. A gente consegue contornar esse processo de entropia, se a gente tiver uma boa manutenção. O problema todo, é fechar os olhos para ele, e achar que eu vou ficar igual, ou, vai tudo funcionar. Um dia a cultura envelhece. E ao não perceber, a gente tá achando que eu vou obter os mesmos resultados que eu sempre obtive, em um mondo que mudou completamente, ali. E a gente vê histórias fantásticas, de gente quebrando para todo lado, sem entender porque que quebra, né? Legal cara.

Parker Treacy: Mas dentro disso também. Isso é um ponto, eu penso muito nesse ponto. Eu amo pensar nesse ponto. Porque o balanço entre sistemas de regras, e sistemas de culturas. Sistemas de regras, cara, melhor exemplo, é o governo. Então, cara, o governo cria decisões estáticas em cima de problemas dinâmicos. E obviamente, quando a dinâmica muda as regras, não pertence mais, não faz sentido. Mas, é uma regra, é fixa, estática. Então por isso o governo sempre está falhando, ninguém diz, olha quão bem o governo foi. A melhoria do governo, nossa cara, que legal. Mas faz isso com pesos e produtos. Porque quando você lidera com cultura, então, cultura, todo mundo quer a mesma coisa. E acredita que o que tem que ser feito, é a coisa certa. Agora, cultura dinâmica. Então, quando tipo, o mercado muda, as coisas muda, a cultura de natureza vai adaptar ao redor disso. E cria muito do (inint) [01:23:39.06], de tipo, (inint) [01:23:41.06] frágil. Ao invés de sistema de cultura, que muito governo, empresas muito mais antigas, é regras. Regras só controlam o mal, não inspira o bem, e não adapta. Enfim, aplica muito, porque obviamente tem que ter algumas regras. Obviamente, não respeito os outros, uso palavrões contra os outros, etc. Mas, fora disso, a liderança tem que ser 100% ligada com cultura. E o momento que a pessoa para de acreditar no coração, o que é importante para a empresa, não é importante para mim, acabou.

Luciano Pires: é verdade.

Parker Treacy: Acabou.

Luciano Pires: Cara, muito legal, que gostoso esse papo, que coisa gostosa. Repita o nome da sua empresa.

Parker Treacy: É COBLI.

Luciano Pires: Digamos que eu quisesse trabalhar na Cobli.

Parker Treacy: Em qual área?

Luciano Pires: Não sei, eu gostei na conversa desse cara, quero ficar perto dele, quero trabalhar na empresa dele. O que que você tá esperando que apareça lá? Não me interessa a área. Eu quero saber assim, que tipo de perfil, que interessa você, a trabalhar na Cobli?

Parker Treacy: Bom cara, tem muitos jeitos de responder essa pergunta. Então, a primeira coisa que a gente gosta de testar na primeira entrevista, a capacidade técnica, seja de programador, até técnica de venda. E daí a gente gosta de testar qual é a sua cultura de natureza. Como você pensa. É muito mais uma pessoa ativa, passiva, muito mais uma pessoa que cria valor ao redor das pessoas, como globo solitário, etc. A gente quer muito entender, qual perfil, quem é você, e se isso encaixa muito bem na nossa cultura. E obviamente termos mais técnicos, que são cases, e coisas assim. Então, a gente tem vários jeitos de filtrar isso, que a gente gosta de testar, sempre tentar ficar mais eficiente nisso, obviamente para escalar.

Luciano Pires: Quem quiser entrar em contato então, vamos lá. O site de vocês é cobli.com.br?

Parker Treacy: É cobli.co. Pode ir para cobli.com.br também.

Luciano Pires: Que também chega lá. Estão no Facebook, no Tweeter?

Parker Treacy: Todas as redes sociais, sempre tem vagas abertas no Linkedin, por exemplo. Mas também cara, pode ir para o site, e a gente recebe um monte de coisa pelo site também.

Luciano Pires: Sim, quero ser seu cliente, o caminho é a mesma coisa.

Parker Treacy: Também, o caminho mais direto é o site, ou pode ligar. A gente tem pessoas muito animadas para falar com você.

Luciano Pires: Cara, grande conversa. Muito obrigado por você ter dedicado o seu tempo aqui, viu. Acho legal, essas histórias são fascinantes. E como te falei, você é o primeiro norte americano fresco que eu pego aqui. Que eu já peguei antigo, que já virou brasileiro. Mas você é o primeiro. Seja bem-vindo meu amigo.

Parker Treacy: Cara, muito obrigado Luciano, é um grande prazer.

Luciano Pires: Sucesso para você.

Parker Treacy: Vem visitar a gente. Somos um time muito pilhado.

Luciano Pires: Eu acho que a área que vocês estão lidando, é uma área fabulosa. Você falou no meio da entrevista aqui, que as possibilidades são praticamente infinitas, lidando com tudo isso ao mesmo tempo. E cara, pelo que eu vi de você aí, não tem erro não. Sucesso.

Parker Treacy: Obrigado, grande prazer cara.

Luciano Pires: Muito bem, termina aqui mais um LíderCast. A transcrição deste programa, você encontra no LíderCast.com.br. O LíderCast nasceu da minha obsessão pelos temas liderança e empreendedorismo. É em torno dele, que eu construí minha carreira com mais de mil palestras, nas quais distribuo iscas intelectuais, para provocar equipes e indivíduos, ampliar seus repertórios, e sua capacidade de julgamento e tomada de decisão. Leve o fitness intelectual para a sua empresa. Acesse lucianopires.com.br, e conheça minhas palestras.

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