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Luciano Pires -
Download do Programa

Luciano Pires: Muito bem, mais um LíderCast nesse período aqui de São Paulo. Isso aqui é uma loucura, cara. Ontem estava 40 graus. Hoje de manhã estava 22. Agora está 35. Minha voz foi para o saco. Mas eu não posso interromper a sequência de trabalho, senão a temporada não fica pronta. Então eu estou gravando assim mesmo. Você vai ter que aturar essa voz aqui um pouco. Aliás, ela fica bonita, porque na hora de você falar, dá para fazer uns efeitos assim: bom dia, boa tarde, boa noite. Coisa que eu não faria se não estivesse com a voz assim. Eu estou com um convidado aqui que vem de um lugar quente pra cacete. E que está reclamando do calor de São Paulo. Então vocês vão sentir a pegada aqui. Três perguntas fundamentais, as únicas que você não pode chutar aqui no programa. Eu preciso saber do seu nome, a sua idade e o que é que você faz?

Ronaldo Tenório: Eu sou Ronaldo Tenório, eu tenho 33 anos. E sou fundador de uma startup chamada Hand Talk, que faz acessibilidade em LIBRAS.

Luciano Pires: E que lugar quente é esse que você veio?

Ronaldo Tenório: Eu vim de Maceió.

Luciano Pires: Legal.

Ronaldo Tenório: Terra boa, praias bonitas, gente muito receptiva.

Luciano Pires: Grande abraço para o meu amigo Eliezer Sedon. A dica que eu sempre costumo dar aqui é como você chegou. Como que ele chegou aqui? Esse foi um fato interessante. Ele mandou um e-mail para mim como ouvinte do Café Brasil, adorando, dizendo que ouvia. Contou no e-mail um pedacinho do que ele fazia. Quando ele terminou, eu mandei a resposta para ele e falei: cara, você tem café no bule para fazer um LíderCast. Vem para São Paulo. Estou indo para aí. Eu falei: então vamos aproveitar e gravar aqui. Você nasceu onde?

Ronaldo Tenório: Eu nasci em Maceió mesmo.

Luciano Pires: É de lá mesmo? Quem nasce em Maceió é o quê?

Ronaldo Tenório: Maceioense.

Luciano Pires: Maceioense?

Ronaldo Tenório: Exato.

Luciano Pires: O que seu pai e sua mãe faziam, fazem?

Ronaldo Tenório: O meu pai é empreendedor, tem uma padaria lá em Maceió. E minha mãe também é empreendedora, artista plástica e trabalha com artesanato.

Luciano Pires: Que legal. Você tem irmãos?

Ronaldo Tenório: Tenho duas irmãs.

Luciano Pires: Mais velhas, mais novas?

Ronaldo Tenório: Mais novas. Uma de 19 e outra de 32.

Luciano Pires: Que legal, cara. Qual era o teu apelido quando você era molequinho?

Ronaldo Tenório: Cara…

Luciano Pires: Pode falar.

Ronaldo Tenório: Eu tinha a orelha um pouco avantajada e era mais magro. Então hoje eu acho que eu cresci em volta da orelha. Então, deu certo. Hoje eu não tenho mais. Mas era Orelhão mesmo.

Luciano Pires: A tese do Jô Soares é que a gente nasce com orelha de adulto já. Aí vai crescendo e ela vai diminuindo.

Ronaldo Tenório: Orelhão e Mãozinha. Talvez a Mãozinha, que eu tenho uma mão grande. E veio de alguma forma, fazer sentido agora, quando eu trabalho para a língua de sinais com surdos. E que eu preciso utilizar as mãos em tecnologia para resolver esse problema. Então casou hoje.

Luciano Pires: Então era Orelhão ou Mãozinha?

Ronaldo Tenório: Isso. Só bullying.

Luciano Pires: Alguma fase da vida mudou de Orelhão para Mãozinha ou era ao mesmo tempo?

Ronaldo Tenório: Não. Geralmente surge na época de colégio. Então as crianças cometem tanto bullying que… elas nem sabem o que estão fazendo. Mas foi bacana, porque eu levei na esportiva e levo até hoje.

Luciano Pires: Você leva na esportiva, você desarma. O bullying é desarmado por você não… se você ficar puto com o apelido aí que pega.

Ronaldo Tenório: Aí que pega.

Luciano Pires: Aí é que fica. O que o Orelhão queria ser quando crescesse?

Ronaldo Tenório: Então, eu queria ser engenheiro. Fiz publicidade, fiz computação e me formei em publicidade. Então eu tinha aquela visão de construir algo. Eu ficava encantado com a construção, com projetar algo. Eu sempre tive isso na minha cabeça.

Luciano Pires: Engenharia civil, então?

Ronaldo Tenório: E queria ser engenheiro civil. E a partir do momento que eu estava na minha adolescência, eu comecei a me apaixonar por tecnologia. Porque na época do MIRC. E eu tinha um computador na casa do meu tio, que a gente só podia usar no final de semana, por conta do preço da ligação. Porque usava o telefone para poder fazer, entrar na internet. E eu esperava aquela horinha lá, porque os meus primos usavam computador. Então eu esperava aquela meia hora. Meia hora para cada um. E muitas vezes, quando chegava na minha meia hora, o meu tio ia lá e desligava o computador, dizia que estava bom demais. E aí aquela sede por conhecer algo novo e pesquisar, investigar algo na internet. Aquilo me apaixonou também. Então aí eu comecei a inclinar e tentar, dizer: cara, eu gosto de projetar coisas. Gosto da web e adoro comunicação. Então essas três coisas foram se juntar um pouco mais tarde.

Luciano Pires: Mas isso não apontou para você o caminho ainda? Você foi fazer publicidade por quê?

Ronaldo Tenório: Então, uma coisa que para mim foi supercomplicada – e que eu acho que para a maioria dos jovens também – é que a gente é obrigado a escolher uma profissão quando a gente é muito imaturo ainda.

Luciano Pires: Exatamente.

Ronaldo Tenório: Então, naquele momento eu não sabia muito bem o que eu queria. Eu acho que as escolas precisariam investir cada vez mais em mostrar o que são as profissões, trazer pessoas profissionais para dentro das escolas, para incentivar as crianças. Hoje em dia o mundo com tantas informações, as pessoas são malucas. Não sabem para onde ir. Então, eu me perdi um pouco. Eu me formei no colégio, fiz meu vestibular para engenharia civil. E eu assim, sempre fui um aluno que tirava notas boas. E a grande aposta até do colégio. E perdi meu vestibular.

Luciano Pires: Perdeu como?

Ronaldo Tenório: Na redação. Eu escrevi uma piada na redação e não podia, figura de linguagem e tal. E eu terminei sendo eliminado. E cara, para mim, aquilo foi um baque. Porque eu era a aposta da família, meus pais não são formados. Então, meus tios são médicos. Então, meu pai queria que o filho dele tivesse uma profissão e tal. E o que aconteceu foi que eu fui uma decepção. Passei daquela pessoa que ia conquistar e que iria ser o orgulho da família, para uma decepção momentânea. E foi muito complicado. Mas aquilo foi excelente para mim, porque eu consegui refletir sobre o que eu queria. E hoje não sou engenheiro, graças àquela piada.

Luciano Pires: Que idade você estava?

Ronaldo Tenório: Aquilo eu estava com 17 anos. 17 para 18 anos.

Luciano Pires: E você já entendia a dimensão: eu sou a promessa da turma, a expectativa em cima de mim? Ou foi na base do foda-se? Não passou, eu vou tentar outra vez e dane-se?

Ronaldo Tenório: Então, eu estava carregando o peso da responsabilidade. Por que… não tanto pela escola e tal, pelos amigos. Mas pela minha família. Por eu dizer: agora é a hora de eu fazer a diferença e mostrar que a grana que os meus pais investiram valeu a pena, sabe? E não deu certo. Eu passei um ano lá, nesse intervalo, estudando para o próximo vestibular. O próximo vestibular ia acontecer, universidade federal, só acontecia de ano em ano. A única universidade federal que tinha lá em Maceió. E aí, cara, eu comecei a fazer outros vestibulares de faculdades públicas. Desculpa. Faculdades privadas. E numa delas eu resolvi cursar um curso de sistema de informação e tal. Foi ali que eu percebi: cara, aquela minha paixão por tecnologia tem como transformar em alguma profissão. E passei em alguns vestibulares, inclusive na universidade federal, em Ciência da Computação lá em Alagoas, chamada UFAL. E lá eu comecei a cursar Ciência da Computação. Comecei a trabalhar com desenvolvimento de sites. Naquele momento – eu acho que era 2006, talvez, 2004, 05, por aí – comecei a me aproximar cada vez mais da tecnologia como uma profissão. Comecei a desenvolver sites. Até que eu desenvolvi para agência de marketing, eles me contrataram e disseram: cara, eu quero que você trabalhe aqui. A gente está fazendo muito trabalho para algumas empresas e queria que você trabalhasse aqui. E aí eu comecei a estagiar na verdade, lá. Eu ganhava muito pouco como estagiário. Dava para pagar o lanche, transporte. Mas aquilo foi uma escola para mim. Foi onde eu resolvi também, eu disse: cara, isso aqui é algo que eu também gosto. A comunicação é algo que me atrai também. Então assim, eu fui me descobrindo na medida em que as experiências foram me proporcionando uma convivência com cada área. Não era algo que estava na minha cabeça. Engenheiro, talvez, pela ideia de projetar, de planejar. Comunicação pelo fato de eu ser muito ligado a pessoas. Então eu tenho muito essa sensibilidade com pessoas. E a tecnologia por ser uma paixão. Eu disse: cara, tecnologia pode proporcionar coisas magníficas. E daí eu estagiei nessa empresa. Foi onde eu comecei a entrar para o mundo da comunicação. E eu estava fazendo Ciência da Computação e estagiando na agência de marketing, tentando unir essas minhas paixões e tentando me encontrar. E eis que teve um evento em Gramado, Festival Mundial de Publicidade, que eu disse: cara, uns amigos meus estão indo. Eu vou para ver o que dá. Eu sempre fui aquele cara de tentar experimentar coisas diferentes e tal. E como eu tinha essa paixão por comunicação também, eu disse: cara, eu vou lá. E voltei de lá encantado. Eu disse: cara, eu acho que eu gosto de tecnologia, mas eu não sou programador. E o curso lá era para ser pesquisador, cientista da computação. Minha praia, talvez, com tecnologia é talvez, misturando com comunicação.

Luciano Pires: Botar ela a serviço da comunicação.

Ronaldo Tenório: Exatamente. E aí voltei do festival disposto a sair da faculdade. No 3º ano de faculdade, faltava um ano para me formar. E daí eu disse: cara é isso que eu quero. E aí eu tentei uma transferência para uma faculdade particular. E aí veio a primeira grande decisão difícil que eu tive que tomar: que era sair de uma universidade federal, onde estava todo mundo satisfeito comigo, minha família e tal. O meu filho está fazendo uma universidade federal. E eu teria que passar a fazer uma particular e tentar de alguma forma, bancar aquilo. Eu não tinha condições de bancar. Os meus pais também não. Talvez o meu pai poderia, com muito sacrifício. Aí eu liguei para o meu pai e para a minha mãe, dizendo…

Luciano Pires: Por que você ligou? Onde você estava?

Ronaldo Tenório: Eu estava dentro da sala de aula. Eu saí disposto a mudar de faculdade. Porque eu já não estava mais aguentando, era muito cálculo para mim.

Luciano Pires: Você não esperou chegar em casa para falar com eles?

Ronaldo Tenório: Não, não, não. Eu disse: cara…

Luciano Pires: Ligou dali?

Ronaldo Tenório: Dentro da sala de aula. Eu saí, eu disse: cara, eu quero fazer comunicação. E a tecnologia que eu gosto ela é muito mais de como eu uso a tecnologia do que programar. E eu poderia ter parceiros desenvolvedores muito bons ao meu lado. E daí eu ganhava na época – até para um estagiário eu ganhava bem – eu ganhava R$700,00 como estagiário, levando em consideração que isso era 10 anos atrás. E eu disse: cara. Liguei para o meu pai. O meu pai: filho, você vai perder três anos da sua vida. Eu disse: pai, eu vou deixar de perder mais um. Porque se eu continuar mais um para me formar, eu vou me formar numa coisa que talvez não é exatamente aquilo que eu quero. E ele disse: cara, eu já paguei colégio a vida toda para você. Só quem faz faculdade particular é quem pode pagar, é quem trabalha e tal. E meu pai tinha aquela visão mais conservadora. E eu disse: pai pode deixar que eu pago a minha faculdade. E na época a faculdade era quase os 700 e sobrava quase nada. E aí eu comecei a cursar. Na verdade, eu fiquei tentando transferência e não conseguia essa transferência. Eu ligava tanto para a secretária lá, que quando eu falava: alô. Ela já sabia meu nome: oi Ronaldo, tudo bom? E eu disse: e aí, conseguiu a vaga? Ela disse: eu estou tentando falar com o coordenador aqui e tal. Passou um mês de aula, porque eu estava tentando transferência. Ela disse: já tem muito tempo que começaram as aulas. Eu talvez não vou conseguir lhe transferir. E chegou um dia que aí ela me ligou e disse: Ronaldo, consegui a sua vaga. Eu saí, peguei um ônibus, fui para a outra faculdade. Cheguei lá, fiz minha inscrição, superfeliz. Ela disse: começou a aula aqui, acabou de começar a aula. Quer ir lá assistir? Eu disse: cara, já perdi um mês de aula. Vou lá. E lá, o que mudou a história da minha vida foi nessa primeira aula, que eu tive ideia da Hand Talk, que é hoje o negócio que eu toco e que já impactou mais de seis milhões de pessoas no Brasil, que a gente ganhou esse prêmio da ONU, do MIT. E foi simplesmente uma decisão arriscada, de uma transição que eu também estava com medo. Mas eu sabia que o que eu queria talvez, era trabalhar com comunicação e tecnologia. E deu supercerto, fundei uma agência de propaganda, que estava dando supercerto, até a hora de eu tirar da gaveta a ideia que eu tive lá no curso e colocar ela em prática.

Luciano Pires: Me fala dessa ideia aí, cara. Porque eu estava imaginando o seguinte, que você ia falar: entrei, comecei a fazer o meu curso, conheci uns carinhas, pa-pa-pa. Um belo dia eu fui num evento, vi num evento e tive a ideia. Mas você está dizendo para mim que foi no primeiro dia, da primeira aula?

Ronaldo Tenório: Exatamente.

Luciano Pires: Como que é isso, cara?

Ronaldo Tenório: Porque eu fiquei pensando: cara, se eu não tivesse tido a coragem de mudar, eu jamais teria tido a ideia. Jamais o professor teria me estimulado a ter aquela ideia naquele momento. Então eu acho que…

Luciano Pires: O que foi esse estímulo, cara? Me conta da ideia. Eu quero saber o momento que ela surge.

Ronaldo Tenório: Eu acho que a criatividade, ela é uma soma      das experiências de vida que você tem. Então assim, o que acontecia? Eu vinha de uma família de classe média. Obviamente passei por adversidades, não tantas, mas sempre tive a sensibilidade de saber, de entender problemas das pessoas do meu lado. Então, era um desafio de criatividade para criar um produto inovador, que envolvesse comunicação. Eu disse: cara, se é para criar algo inovador envolvendo comunicação, eu vou misturar com tecnologia e comunicação, que eu acho que vai dar uma coisa boa. E vou tentar fazer isso para pessoas que necessitam de alguma forma. E comecei a pesquisar sobre a situação de deficiência. Eu não tinha ninguém na família com deficiência auditiva, que foi o que eu escolhi para tentar resolver. E simplesmente pratiquei um pouco de empatia. Eu olhei para o lado e disse: cara… comecei a pesquisar sobre deficiência física, deficiência auditiva, visual. E quando eu cheguei nos surdos eu disse: como que essa galera se comunica em casa, na escola? Já que ele se comunica em LIBRAS e nós ouvintes, em português? E eu comecei pensar: cara, como que essa turma se comunica? Então eu comecei a pesquisar, entender um pouco melhor dessa problemática e vi que existia uma barreira gigantesca de comunicação entre surdos e ouvintes. A maioria dos surdos não compreende o português aqui no Brasil, por exemplo. E nós ouvintes, a maioria, não sabemos comunicar em LIBRAS.

Luciano Pires: Quer dizer, então não foi uma inspiração divina que apareceu naquele momento? Você recebeu um desafio e foi trabalhar nesse desafio. E aí que surge a ideia desse projeto?

Ronaldo Tenório: Exato. Então, eu acho que foi olhar para o lado, perceber problemas. Ter a sensibilidade de enxergar que eles existiam. E dizer: cara, eu acho que unindo isso com aquilo e com a capacidade de execução que a gente tem talvez a gente consiga resolver. Mas foi por ingenuidade. Porque eu não sabia o tamanho da montanha que eu ia escalar. Talvez se eu soubesse, eu teria desistido. E naquele momento, a gente tinha que inventar ideias malucas, que não necessariamente teriam que ser colocadas em prática. E daí cada um criou a sua ideia. O projeto aconteceu lá, de forma conceitual. E eu vou repetir, beleza?

Luciano Pires: De forma conceitual

Ronaldo Tenório: E o projeto aconteceu lá, de forma conceitual. E a ideia ficou guardada como outras ideias que eu tenho até hoje, guardada. E aí, cara, eis que em 2012 já, quatro anos depois dessa ideia, eu já estava com a minha agência, dando supercerto, de publicidade. Eu estava gerenciando além de publicidade off-line, gestão de redes sociais no Orkut. Então eu fui pioneiro lá em Maceió, a gerir conta de Orkut de empresas. Então, sempre com aquele pensamento em unir tecnologia com comunicação. Então a gente sempre teve essa pegada digital. A agência deu supercerto, ganhando prêmios, tendo crescimento interessante. E eis que um dia, o Carlos me procurou; o meu sócio hoje. E ele era um cara que eu fazia… terceirizava muita coisa digital na agência. Ele disse: cara, acabei de fazer um curso de desenvolvimento de aplicativos. E estou louco aqui para desenvolver um projeto bacana. Vamos ver se tem algum cliente seu que quer fazer um projeto? Na hora eu parei e disse assim: cara, eu tenho uma ideia, que eu acho que chegou a hora. Eu acho que a gente poderia fazer acontecer e ajudar muita gente. E aí ele foi lá na agência na hora. Eu apresentei a ele a ideia. E ele achou fantástica também. Ele disse: cara, eu acho que a gente pode tentar fazer isso.

Luciano Pires: Pausa. Que ideia que você apresentou para ele? O que você mostrou para ele? Falou: senta aqui que eu vou te mostrar uma coisa. Eu estou com uma ideia assim. Me descreve essa ideia.

Ronaldo Tenório: Eu disse: velho, eu tenho uma ideia de um aplicativo que precisa ter um personagem virtual que faça traduções em tempo real para LIBRAS, que é língua de sinais. Usando movimentos, expressão facial e isso, sei lá, um tradutor de áudio, texto, que eu acho que a gente consegue fazer e ajudar um pouco na comunicação entre surdos e ouvintes. E ele disse: e agora? Como é que a gente vai fazer esse personagem? Eu não entendo nada de 3D. E eu disse: cara, vamos procurar alguém. E achamos o Tadeu, nosso sócio também. O Tadeu tinha acabado de vir do Canadá. Fazia efeitos especiais para filmes lá de fora. Um cara que entende muito de 3D.

Luciano Pires: Lá em Maceió?

Ronaldo Tenório: Lá em Maceió. Ele se casou, foi morar no Canadá. Passou um ano e pouco no Canadá e voltou. E ele disse: tem um carinha aqui que acabou de voltar do Canadá, que eu acho que ele sabe muita coisa. Eu disse: velho, traz e fala que não tem grana. Assim, é um projeto e que a gente vai talvez, inscrever isso num desafio para ver se rola. E aí ele aceitou a ideia. Ele disse: cara, pelo propósito, eu quero fazer parte disso. E eu estava tocando paralelamente esse projeto. Em paralelo à agência. E o Carlos disse: cara, tem um prêmio que vai acontecer agora, um desafio de startups. Eu não sabia nem muito bem o que era startup, o que era investimento anjo, o que era. Vai acontecer agora em 2012, em agosto.

Luciano Pires: É isso que eu ia te perguntar. Vocês não prepararam um business plain. Vocês sentaram para fazer o aplicativo?

Ronaldo Tenório: Exatamente.

Luciano Pires: Vamos criar o aplicativo. Você não tinha uma visão de business ainda? Isso não é um negócio?

Ronaldo Tenório: Ainda não.

Luciano Pires: Qual era o objetivo?

Ronaldo Tenório: A gente sabia que em algum momento daria para transformar isso num negócio. Mas a princípio era um desafio tecnológico de resolver um grande problema. E aí foi onde começou a nossa saga aí, que a gente fez um protótipo em três meses, mais ou menos, dois, três meses, que era o tempo para esse desafio. E resolvemos apresentar. Foi a nossa primeira apresentação em público. E a galera aplaudiu de pé no final. Muita gente emocionada. A gente não tinha noção do que as pessoas iriam achar. E a gente apresentou lá, disse o que a Hand Talk poderia fazer. Via o futuro também. A gente pode traduzir vídeos futuramente. Talvez apertando o controle remoto você ativaria o Hugo, que é o nosso intérprete virtual, numa TV, traduzindo filmes, novelas, sites. Então a gente mostrou o leque que a gente poderia alcançar. Mas a princípio, ainda era algo muito simples. Era um aplicativo gratuito, que iria ajudar de alguma forma na comunicação entre surdos e ouvintes. E a gente apresentou, ganhamos o prêmio lá em Maceió. Recebemos o investimento anjo, que era uma coisa que eu não conhecia muito. E não sabia muito bem o que era, como era. E foram cinco investidores, que disseram: a gente acredita no que vocês estão fazendo. Agora vocês têm a missão de lançar esse aplicativo oficialmente em um ano e a gente investe em vocês.

Luciano Pires: Para quem não é do ramo e está ouvindo a gente aí. Investimento anjo – você já deve ter concluído o que é, mas não custa explicar – alguém tem um projeto interessante, que precisa de recursos para ser viabilizado. E alguém tem dinheiro e está disposto a bancar essas ideias com esses recursos. Essa pessoa que tem esse dinheiro, num primeiro momento é um investidor anjo, que ele vai lá para… é como um anjo mesmo. Ele chega para te dar condições de você preparar. Você não vai construir uma empresa ainda. Você está tangibilizando uma ideia. E para isso, usando o dinheiro do investidor anjo. Ela funcionando e dando certo, aí parte para incubadora, para aquela coisa toda lá. Mas esse inicial é o tal do seed money, o dinheiro de iniciar a plantação.

Ronaldo Tenório: Exato. O investidor anjo, ele entra naquele estágio inicial do negócio, geralmente para acreditar, até muitas vezes mais do que você no seu negócio. Então, eu por mim, iria tocar aquele projeto paralelamente. Mas quando recebi a grana e tive que abrir depois a empresa, lançar o aplicativo, eu disse: cara, a brincadeira ficou séria. E aí a gente lançou o aplicativo um ano depois, em 2013 oficialmente. O aplicativo está bombando hoje, tem mais de dois milhões de downloads. É uma espécie de Google Tradutor para a língua de sinais, chama Hand Talk também.

Luciano Pires: Hand Talk?

Ronaldo Tenório: Exato. E o Hugo é o carinha lá que faz as traduções em 3D, muito bacana. E a gente lançou o aplicativo e com o aplicativo veio uma gigantesca exposição. De uma hora para outra a gente estava nos principais veículos de comunicação, em capas de revistas, portais de notícias. E a gente estava ganhando um prêmio lá em Abu Dhabi. A gente foi para Abu Dhabi como finalista de um prêmio da ONU. É como se fosse o Oscar dos aplicativos. E chegando lá, cara… só em estar lá já impressionou a gente. Isso era 2013. Do meu lado tinha um japonês e do outro um alemão. Então eu disse: a gente não vai ganhar esse negócio aqui. E a gente, vindo de Maceió. Cara, está bom demais isso aqui já, conhecer essa turma. E a gente apresentou lá. E a Hand Talk foi eleita. O aplicativo da Hand Talk foi eleito o melhor aplicativo do mundo. Mais de 15 mil inscritos.

Luciano Pires: Que ano foi isso?

Ronaldo Tenório: 2013.

Luciano Pires: Cacetada bicho. Os moleques de Maceió.

Ronaldo Tenório: E a gente percebeu que a solução que a gente criou ganharia uma proporção maior do que a gente imaginava. Que o problema que a gente estava resolvendo, a gente não estava resolvendo só para o Brasil. A gente poderia resolver isso no mundo. E aí abriu a cabeça da gente. A gente voltou de Abu Dhabi dizendo: cara… eu disse: eu vou vender a minha agência. Os meninos: eu vou sair do meu emprego. Vamos focar 100% na Hand Talk, porque ela precisa mais da gente do que o tempo que a gente está dando para ela.

Luciano Pires: Volta um pouquinho ali atrás. O investidor anjo aparece por causa do prêmio que vocês ganharam? Houve uma primeira exposição, vocês ganharam um prêmio lá em Maceió. E aí facilitou o surgimento? Como é que foi? Como é que vocês chegaram nele?

Ronaldo Tenório: Os investidores anjos surgiram, eles eram da banca de avaliação do primeiro prêmio, lá em Maceió. E uma das premiações era receber um investimento, um aporte. E foi bacana, porque eles acreditaram e eles fizeram a gente levar a sério aquela ideia. Porque antes era um projeto. Não tinha empresa, não tinha nada. Era um protótipo simples. E a gente disse: vamos vender essa ideia aqui. Se rolar, se deu certo, deu. O não a gente já tem. Então a gente foi muito nisso: cara, o não a gente já tem. Vamos nos inscrever aqui nesse desafio, nesse prêmio. Que foi a nossa forma de fazer a nossa validação. Então a gente ganhou esses prêmios todos. Isso fez com que a gente tivesse que investir em algo também sustentável, para transformar a Hand Talk num negócio, já que o aplicativo era gratuito.

Luciano Pires: Eu quero chegar num insight aqui que é o seguinte: vocês não eram um caramujo enfiado dentro da casca lá e escondido. Vocês tiveram que se abrir. E ao abrir, vocês mostraram que tinham um projeto na mão. Ou seja, tem uma parte ali que faz parte do projeto. Que o pessoal pensa o seguinte: eu tenho uma puta ideia, sou um puta programador, sou criativo. Crio o meu produto e ele vai acontecer. Não, não vai.

Ronaldo Tenório: Não, o produto não vende por si só assim, tão fácil. Tem que ser muito bom. Tem que ser um produto de uma capilaridade absurda. Mas ideia sozinha não vale nada. Eu acho que a gente precisa de execução para ela valer alguma coisa. Então eu acho que a gente teve uma grande ideia e teve uma excelente execução. Então a gente construiu um time muito bom. E com um time muito bom a gente faz coisas excelentes. Então é isso que eu prezo até hoje na Hand Talk. Em selecionar cada pessoa. Passar por mim também essa seleção. Porque uma pessoa triple way que a gente chama, aquele cara fora da curva, ele vale mais do que três medianos, entendeu? Então, aí a gente estava naquele momento de repercussão, o aplicativo superconhecido, muitos downloads. A galera usando. Depoimentos emocionantes, de chorar. Eu posso contar aqui um depoimento para vocês. Mas a gente ainda não estava monetizando. Como negócio ainda não estava tendo muito sucesso. E eu sou empreendedor de impacto social, o setor 2.5, que é aquele que está entre o 2º e o 3º setor. Não somos uma ONG, nem somos negócio convencional. A gente dá o impacto que a ONG dá e tem um retorno que o negócio convencional consegue ter. Mas estava faltando. Essa balança estava desequilibrada. Estava dando impacto, mas não estava tendo retorno. E foi nesse momento de 2014 que a gente criou um plugin para os sites. Eu disse: cara, a maioria dos surdos não consegue ler. É uma questão fonética. Aprender a ler e escrever é ouvindo. E o surdo tem mais dificuldade. A primeira língua que o surdo aprende é LIBRAS e ela é a língua oficial. Então, por vários motivos, a maioria dos surdos não tem um conhecimento profundo da língua escrita do seu país. E é até estranho. As pessoas falam: eles não enxergam? Como que não vai ler? Mas tem várias questões culturais, educativas e também cognitivas. Eu disse: cara, se a internet está escrita, muitas das vezes. Os sites, sei lá, textos. Os surdos não conseguem entender. Como que eles navegam? Então eu percebi que a internet estava praticamente off-line para os surdos. Eu disse: se eu criar um plugin da Hand Talk? Um botãozinho lá, que o surdo vai lá, ativa e clica nos textos e traduz tudo automaticamente para LIBRAS? E a gente lançou esse plugin. É uma ferramenta. E daí foi onde a gente conseguiu a sustentabilidade para transformar a Hand Talk num negócio.

Luciano Pires: Que ano foi isso?

Ronaldo Tenório: 2014. Um ano depois do lançamento do aplicativo. A grana tinha acabado. Geralmente quando a grana acaba a gente tem as melhores ideias.

Luciano Pires: É isso aí. Não foram vocês que me ligaram oferecendo para botar no portal, cara, no Café Brasil?

Ronaldo Tenório: Talvez sim. Talvez sim.

Luciano Pires: Eu acho que alguém me ligou para me propor, que ia colocar um personagem. Eu não vou me lembrar agora se era o Hugo. Que era um sisteminha que você colocava ali. E ele passaria a traduzir para surdos.

Ronaldo Tenório: Provavelmente foi a gente.

Luciano Pires: Sabe que eu acho que foi, cara. É que a minha vida inteira, eu só apanho de cara de TI, entendeu? Eu tomo surra dos caras. São os klingons. Eu tomo surra de klingon a vida inteira. Então, quando vocês ligaram, eu devia estar tão atarantado com os caras, que eu não consegui fazer a coisa evoluir.

Ronaldo Tenório: É. E talvez a gente estava num momento tão inicial assim, que talvez até aquela, talvez, não seria a hora certa. Mas naquele momento, a gente começou a testar, validar isso. E startups e negócios inovadores tem muito essa questão de testar, validar, aprender e tal rapidamente. E aí a gente começou a implementar em grandes empresas. O desafio foi conseguir a primeira grande. E conseguimos.

Luciano Pires: Como? Como?

Ronaldo Tenório: Cara, a gente cedeu para alguns portais, alguns veículos de comunicação que tinham uma repercussão boa. Com isso deu visibilidade. Com visibilidade, as empresas se interessaram.

Luciano Pires: Vamos lá, um insight então. Você pegou teu produto, deu de graça para que ele ficasse conhecido? A partir daí algumas empresas se interessaram e aí você pode começar a desenvolver o negócio. É isso?

Ronaldo Tenório: Exato. Na verdade, é sempre difícil vender o primeiro produto, em qualquer negócio que você esteja. Principalmente para outras empresas. Porque o cara vai perguntar: quem vocês já atendem? Aí você vai dizer: não, eu não atendo ninguém. Entendeu? Então, você vai desvalorizar muitas vezes, o seu produto. Então a gente usou essa estratégia de ter alguns parceiros para gerar visibilidade e aí gerar negócio. E daí deu certo. A gente já está hoje com mais de 150 médias e grandes empresas. Empresas gigantescas. No portfólio das grandes áreas que você imaginar. E foi onde a gente conseguiu essa sustentabilidade. Porque lá em 2014, a conta não estava mais fechando. A grana do investimento anjo tinha acabado. A gente precisava de um modelo de negócio sustentável. E daí deu supercerto. Foi nesse momento que a gente ultrapassou o chamado Vale da Morte das startups, que é aquele vale perigoso, onde o produto é lançado. Os primeiros adeptos vêm. Mas se os próximos não vierem, você corre um sério risco de ficar estagnado ali            e não fazer o negócio decolar com a escalabilidade que você precisa. E daí lançamos essa solução. Deu supercerto. E eu tive a grande honra em 2016. Eu recebi um convite, cara, dizendo assim… primeiro eu ganhei um prêmio do MIT Brasil, os 10 empreendedores abaixo de 35 anos aqui no Brasil. Que para mim foi uma honra, com empreendedores do meu lado, que eu sempre admirei, tive como referência. E algumas pessoas do Brasil poderiam ser selecionadas para a premiação global. Só que isso nunca tinha acontecido. Eu disse: não vai ser agora que isso vai acontecer. Mas sem pretensão nenhuma, fiz uma apresentação lá e me ligaram depois dessa premiação no Brasil. Dizendo: a gente gostou bastante do teu perfil e eu queria fazer uma entrevista de duas horas aqui com você, vou lhe sugar e saber tudo sobre sua vida, para saber se você pode ser um dos inovadores abaixo de 35 anos do prêmio do MIT global. E aí eu me assustei. O meu inglês não era tão bom, ainda mais ou menos. Eu disse: cara, eu vou ter que fazer uma apresentação lá. E eles me selecionaram como um dos 35 jovens mais inovadores do mundo. Fui lá no MIT, fiz a apresentação. Subi no mesmo palco que o Zuckerberg subiu, que os caras do Google subiram. Fui o primeiro brasileiro da história e o único latino-americano da premiação.

Luciano Pires: Puta. Mas que ano foi isso?

Ronaldo Tenório: 2016.

Luciano Pires: Que loucura, bicho. Para quem não é do ramo. Vamos lá de novo. MIT é o Massachusetts Institute of Technology, que é mais ou menos o Vaticano da tecnologia. Quando você pensar em tecnologia e tudo, tem um Vaticano. O Vaticano é lá, é o MIT. Ali estão as grandes figuras. Aquilo é o máximo.

Ronaldo Tenório: É a referência global em inovação. E de uma hora para outra, eu estava lá do lado desses caras. E eu disse: cara, a gente pode exportar solução brasileira para o mundo. Não necessariamente importar somente. Então, a gente tem tecnologia para competir de igual para igual com qualquer país do mundo. Brasileiro é muito criativo, muito batalhador. O nordestino, ele é muito batalhador também. Eu tenho um time fantástico lá em Maceió. Tenho aqui em São Paulo também. E assim, a gente tinha pessoas boas, uma ideia boa e estava resolvendo um problema que os outros países não estavam resolvendo. Aí os caras perguntam: por que essa ideia surgiu no Brasil? Cara, porque talvez, a gente enfrenta mais problemas sociais. A gente percebe mais essas diferenças. A gente tem um monte de problema para resolver. Então, talvez, a sensibilidade em mim me tocou muito mais. Porque se eu fosse suíço, talvez, lá tem pouco problema para resolver. Então, eu percebi esse problema, que foi mais grave talvez aqui, pelas disparidades. E daí resolvi fazer algo. E aquela velha história: cara, vamos escalando essa montanha. Vamos fazer isso acontecer. Só para você ter uma ideia, a gente trabalhou com inteligência artificial. A gente trabalha com as novas tecnologias há muito tempo. Antes mesmo de estar aí na mídia. Há dois, três anos, que a gente trabalha com inteligência artificial.

Luciano Pires: Como é que isso vira um business, cara? Como é que isso vira um business capaz de te sustentar, te dar dinheiro?

Ronaldo Tenório: Então, esse foi sempre o grande desafio: mostrar para as organizações que o que eu estava fazendo era uma oportunidade também de negócio, uma oportunidade de mercado para as organizações. Não somente algo que as empresas iriam fazer para os surdos, mas sim para elas também. Porque o negócio de impacto sou eu. A empresa que eu vendo é convencional. O cara quer duas coisas: ou diminuir os custos ou aumentar o lucro. Aumentar as vendas. Então, eu tinha que demonstrar de alguma forma que isso era uma oportunidade para ele. Acessibilidade hoje é uma legislação. Existem legislações para acessibilidade. E também, trazer inovação como um diferencial competitivo, um diferencial no mercado. Você se comunicar com 10 milhões de pessoas que tem deficiência auditiva no Brasil, que hoje as organizações não se comunicam. Então a gente percebeu que a gente tinha uma oportunidade para as organizações também.

Luciano Pires: O modelo seria: eu vou vender a licença para utilizar o software. É isso?

Ronaldo Tenório: Exatamente. E aí a gente construiu um modelo de negócio que é bem comum com startups que é SaaS, Software as a Service, que você paga uma mensalidade, uma anuidade, uma taxa recorrente, para que tenha acesso àquele serviço funcionando. Então, para a empresa ter o plugin dentro do site ele paga aquele valor mensal, anual para ter o serviço. Então aquilo deu certo. E esse é o grande desafio para o negócio inovador, é encontrar o modelo de negócio justo     para todo mundo. O surdo, ele é de baixa renda         hoje no Brasil. Seria injusto para mim cobrar do surdo, por dois motivos, primeiro: porque ele tem direito garantido por lei a ter acessibilidade. Então eu estaria cobrando dele uma coisa que ele tem direito gratuito. Não fazia sentido. Segundo: o surdo é de baixa renda. Os surdos não iam conseguir fazer um negócio escalável financeiramente. Então eu disse: cara, quem pode pagar essa conta são empresas que precisam se comunicar com essas pessoas, precisam cumprir uma lei e querem trazer um diferencial inovador. E aí deu certo essa fórmula. Obviamente não deu certo no primeiro dia. A gente mudou muita coisa. E a gente seguiu caminhando e evoluindo sempre, aprendendo com os erros e melhorando a cada dia.

Luciano Pires: Genial essa história. Eu estou aqui viajando, você no palco lá que o Zuckerberg desceu, subiu você, um brasileiro de Maceió, falando inglês com sotaque de nordestino. Isso é um sonho. É até mais do que um sonho. Por que eu não sei se você imaginou isso um dia? Falou: talvez eu chegue lá? Talvez não?

Ronaldo Tenório: Eu sempre pensei grande. Mas eu nunca imaginei deixar um legado tão grande, que a gente está deixando. Hoje a gente estima que tem impactado mais de seis milhões de pessoas no Brasil. E tem histórias, cara, assim. Tem uma história emocionante. Eu estava gravando um programa de televisão ao vivo, na Globo, estava lá. E aí tinha uma moça que trabalhava num salão de beleza que viu a minha entrevista e correu para casa, baixou o aplicativo. Correu para casa. E ela disse: eu vou falar com o meu filho surdo, fazer uma declaração de amor para ele. Ele tem 30 anos. Na época ele tinha 30 anos. Isso tem uns dois anos, 30 anos de idade. Ela disse: eu vou fazer declaração para ele. Correu, chegou em casa, disse que amava o filho. Mostrou para ele no aplicativo. Ele viu, eles se abraçaram, se emocionaram. E ela disse que foi a primeira vez em 30 anos que ela conseguiu de fato, saber que ele estava entendendo o que ela queria dizer. Porque a comunicação em casa não acontecia. Ela só falava em português, ele só em LIBRAS. E esse problema é mais comum do que a gente imagina. E eu acredito que o que a gente está fazendo, muito além, obviamente de ser uma startup escalável, de sucesso e tal. Mas também eu acho que é deixar esse legado nas pessoas. O Hugo não é simplesmente um tradutor. A Hand Talk não faz simplesmente traduções. Mas ela está ajudando a aproximar pessoas através da comunicação. Então, eu tenho esse dever. E aí vem aquela história – resgatando lá – de aproximar pessoas através da comunicação, pela tecnologia. E aí vem comunicação, vem tecnologia. Coisas que eu não sabia muito bem como eu ia somar isso na minha vida profissional. E que eu descobri isso mais tarde. E juntei isso no que hoje eu estou fazendo.

Luciano Pires: Genial. Porque a mesma tecnologia que separa as pessoas, que faz cada um ficar trancado no seu guetozinho lá, no seu quartinho, no seu pedacinho, ela pode realizar esse tipo de milagre. Você está falando aqui, eu estou me lembrando aqui de alguns contatos, algumas coisas. Que eu tive há pouco tempo aqui a Lady Jacob. E a mãe dela sofria de ELA, uma doença que você degenera e fica… só movimentava os olhos. E eles desenvolveram um sistema, que um médico de Campinas tinha desenvolvido que é pelo olhar determinar as letras. E elas começaram a conversar assim. Escreveu três livros de poesia. Ela fazendo poesia olhando para a letra. Uma outra pessoa, um amigo meu, Vagner, que está dentro da Confraria Café Brasil, eles lançaram agora um aplicativo chamado Matraquinha, que é um aplicativo, imagina um aplicativo com frases prontas, para que crianças com autismo consigam se comunicar com os pais. E eles botaram e explodiu. Porque ficou uma coisa extremamente amigável e a criança vem: estou com sede. Ela bate o dedo no estou com sede e consegue dizer que está com sede. Autismo tem vários graus e tem graus que ela simplesmente não consegue se comunicar. E ali passou a gerar comunicação. Quer dizer, é o mesmo tipo de coisa que vocês fizeram. E eles estão fascinados, porque a repercussão que deu foi um negócio brutal. A hora que surgiu, que os pais pegaram aquilo e entregaram para o filho. E o filho vai como se fosse brincar num Tablet e começa: mãe, estou com fome, eu quero ir no banheiro. E pela primeira vez tem a comunicação, só quem sofre no dia a dia essa incapacidade de comunicação e vê a coisa acontecendo é que pode dimensionar.

Ronaldo Tenório: Só para você ter uma ideia, ¼ da população brasileira tem algum tipo de deficiência. Uma a cada quatro pessoas. É muita gente. Só que a gente não enxerga. Vira invisível essas pessoas. Porque nós não passamos pelas mesmas dificuldades. A partir do momento que isso acontece com alguém próximo, a gente começa a olhar de outra forma. E a gente precisa praticar muito mais empatia, ter essa sensibilidade de olhar mais para o lado. Esquecer de só olhar para frente. Ser mais nós e menos eu, sabe?

Luciano Pires: Você foi aprende LIBRAS?

Ronaldo Tenório: Aprendi LIBRAS com o Hugo e com um funcionário da Hand Talk, hoje, sempre quando eu tenho alguma dúvida de sinal eu recorro ao Hugo também. E foi muito bacana, porque eu fui descobrindo esse novo universo, que até eu conhecia muito pouco antes de ter a ideia da Hand Talk.

Luciano Pires: Eu estou falando aqui com ele e eu estou vendo o Hugo. Eu já baixei aqui o aplicativo. Já estou vendo o Hugo. O Hugo é um bonequinho. E é interessante, que você conversa com ele e ele traduz o que você falou aqui para a linguagem de LIBRAS. Você deve ter olhado com interesse o Bolsonaro chegando com uma primeira dama que é LIBRAS até o pescoço. Tudo que ela faz – e ela já anunciou: eu vou me dedicar às pessoas que têm esse tipo de dificuldade – ela é perita em LIBRAS também. Quer dizer, eu imagino que isso deve abrir um canal. Porque nunca se viu tanto. Outro dia – até é interessante – mostraram uma foto para mim aqui, de um evento acontecendo numa dessas casas da assembleia. Não sei o que era. Que tinha a pessoa falando, ao lado da pessoa uma intérprete de LIBRAS e na caixinha, no cantinho da tela, outra intérprete. Então tinham duas LIBRAS ao mesmo tempo com uma pessoa só fazendo discurso. Que é uma tendência mundial.

Ronaldo Tenório: É. Eu acho que a gente vem passando por isso durante os últimos anos, de falar mais sobre diversidade, inclusão, acessibilidade. A mídia está falando muito sobre isso. Eu acho que muito pelo país da gente ser tão diverso. Então, até que enfim nos preocupamos com isso. E isso é natural, assim. Está chegando em todos os lugares. A população está envelhecendo. E com o envelhecimento da população, faz com que nós tenhamos deficiências. O meu avô hoje tem 84 anos e nunca enfrentou problemas de audição. E depois dos 80 ele está usando aquele aparelhinho, entendeu? Então ele virou deficiente com o tempo. Isso é natural, o nosso corpo, ele vai precisando desses recursos para poder melhorar nossa relação. Então, a gente tem que se preocupar com isso, entendeu? Amanhã vão ser nossos pais. Vamos ser nós que estaremos próximos disso, talvez até com algum tipo de deficiência. E a gente vai passar a pensar: cara, eu deveria ter me preocupado com isso antes. Então eu estou tentando construir um mundo para a minha filha no futuro, para os meus pais, para os meus avós. E para todas as outras pessoas que de alguma forma, vão precisar da nossa ferramenta para auxiliar em alguma atividade, das mais simples possíveis do dia a dia. Teve um cara que mandou um depoimento para mim dizendo: cara, eu estou muito feliz aqui, consegui vender um galeto aqui com a ajuda do Hugo. E me agradeceu. Disse que foi um surdo lá comprar um galeto e ele utilizou o Hand Talk e conseguiu vender o galeto. Então assim, uma tarefa supersimples, de vender um galeto. Até uma tarefa de um médico que salvou uma criança que estava com infecção intracraniana, levou para a UTI e conseguiu diagnosticar rapidamente com a ajuda do Hugo. Então assim, dos casos mais simples até os mais graves a gente, no dia a dia mesmo está conseguindo resolver isso, o que é muito bacana e eu acho que a população precisa ter esse comprometimento com o outro e com o futuro. Nós estamos muito acostumados a ser coadjuvantes da nossa vida, sabe? Ver o tempo passar, sair reclamando de tudo. E na hora de fazer acontecer aquela velha história do cafezinho que você fez: os outros. O problema sempre está no outro. A corrupção sempre está no outro. A falta de ação sempre está no outro. Então, eu acredito que a gente precisa ser protagonista da nossa própria história.

Luciano Pires: É a esperteza individual versus a estupidez coletiva. Eu sou bom, eu sou honesto, eu sou esperto. Os outros é que são burros, é que são bandidos, entendeu? E aí você cria aquela coisa maluca que é um país, que se você faz uma pesquisa, o brasileiro descreve o brasileiro como o cara mais fantástico do mundo. E ele descreve o Brasil como um país horroroso. E aí você fala: como é que tanta gente excelente constrói um país ruim assim? Tem algum nó no meio do caminho. Esse programa aqui é sobre liderança e empreendedorismo. Então, um garotão ouvindo a gente aqui, ele está nos ouvindo agora. Ele está no busão, está ouvindo a gente aqui. Ele tem um sonho. O sonho dele é criar um aplicativo e daqui a seis meses vender para o Google por dois bilhões de dólares. Esse é o sonho dele. O que esse moleque tem que fazer cara?

Ronaldo Tenório: Primeiro que ele precisa focar no aplicativo e não na venda para o Google. Porque a venda vai ser consequência de um aplicativo bem-feito e bom. Eu acredito que primeiro é ter um poder de execução rápido. A gente chama de errar rápido. Você errar e saber consertar enquanto o trem vai andando. Validar. Tirar a bunda da cadeira e ir lá conversar com os usuários, as pessoas que vão utilizar a ferramenta. Tentar entender qual a dor que eles sentem. Antes disso, você tem que fazer uma espécie de diagnóstico mesmo. E depois você planeja e executa. E aí vai validando, testando e fazendo essa roda girar.

Luciano Pires: Eu tenho uma tese que eu uso que diz o seguinte: faça simples, publique, faça com que as pessoas usem e aí você sofistica. Que é aquilo que eu estava te falando um pouquinho antes, que você sentou lá, eu falei: cara, eu fiz um logotipo. Não está tão bom assim, cara. Podia ser muito melhor o logotipo. Mas estava publicado. Eu soltei o e-book aqui, meu suporte sumário lá. Eu construo aquilo no Word, em cima de um padrãozinho, quando eu terminei, eu salvei no Word, salvo em PDF e está pronto o e-book em PDF. Cara, podia ser mais bonito. Podia. Mas está publicado.

Ronaldo Tenório: Pareto 80/20. Isso aí.

Luciano Pires: Podia. Mas está publicado. Entendeu? E lá na frente, ele vai ficar um pouco mais elaborado. E aí algum dia, alguém vai olhar: cara, como que você consegue fazer um negócio tão legal assim? Eu vou falar: bicho, um dia foi com o pé quebrado, cara. Ruim. Estava malfeito, estava horroroso. Mas estava no ar. E a partir de estar no ar e de você estar usando, você vai sofisticando aquilo. E não fica indefinidamente esperando chegar o ótimo, cara. Só vou botar no ar quando ficar ótimo.

Ronaldo Tenório: Se você não tiver vergonha da primeira versão do que você produziu, você perdeu tempo demais na primeira versão. Então é normal você ir evoluindo, você ir crescendo. E hoje cara, você consegue produzir algo e ir consertando à medida que ele está funcionando. O trem vai andando e você vai consertando. Dá para se fazer isso com tecnologia. Então e principalmente, o que eu diria para essa garotada também, é ter foco. A turma acha que faz, executa, lança e ele vai crescer sozinho e vai bombar sozinho. Então, a execução e o trabalho pós-construção, ele é tão grande ou talvez até maior do que no momento que você desenvolveu. Então tem que ter foco. E tem muita gente que tem muita ideia boa. E as grandes ideias de startups, elas não morrem porque são…

Luciano Pires: Más ideias…

Ronaldo Tenório: São más ideias. Elas morrem por falta de foco, por falta de execução. E daí o cara já acha que não deu certo, ele já vai partir para outra, sabe? Então, eu acho que a gente precisa ter um pouco mais de paciência e resiliência. Entender onde é que você pode chegar. E planejar a execução, cara.

Luciano Pires: Soltei um post sumário agora, cara, do Seth Godin, The Deep, o vale. E ele falou uma frase ali que eu achei uma delícia, ele falou o seguinte: um pica-pau que dá 20 batidas, 20 bicadas em mil árvores. Ele vai pulando de árvore em árvore. Ele morre de fome. Aquele que dá 20 mil bicadas em uma árvore só arruma comida.

Ronaldo Tenório: Exatamente.

Luciano Pires: Entendeu? Que ele está falando exatamente disso, cara: não deu, eu desisto. Que saco. Não vai dar, desiste. Não. Espera um pouquinho até o…

Ronaldo Tenório: É o dig deeper. Você precisa cavar mais profundamente. Aquela parada lá de você ir lá no Google e fazer uma pesquisa rápida       . E muitas vezes, não querer se aprofundar naquele tema. Eu acho que a turma cava pouco hoje, sabe? Ela já vê… a gente é uma geração de mancheteiros. A gente vê uma manchete, acredita naquilo.

Luciano Pires: 140 caracteres.

Ronaldo Tenório: Exato. E eu acho que precisamos cavar mais. Porque poucos são os caras que cavam muito. Se a gente tivesse cavado pouco com a Hand Talk. Se nos primeiros desafios desistisse, outro cara teria colocado a ideia em prática. E hoje a gente está com a empresa super sustentável, de impacto, impactando um monte de gente. Compramos… surgiu um concorrente que a gente comprou, principal concorrente. Recebemos investimento agora de um Family Office para receber investimento dos Estados Unidos. Então graças à resiliência, planejamento, execução. E a ideia, ela foi primordial para aquela fase inicial. E daí ela foi inspiração fazer o resto do processo.

Luciano Pires: Agora, deixa eu te perguntar uma coisa aqui: esse teu projeto, ele não nasceu com o nome de Fale com as Mãos? Em português. Ele nasceu como Hand Talk, que é um nome global, é universal. Já foi pensado, vocês já fizeram pensando nisso?

Ronaldo Tenório: Já.

Luciano Pires: Já?

Ronaldo Tenório: Eu como sou publicitário, então eu já estava acostumado a criar nomes e marcas para várias empresas. Então eu disse: cara, se eu estou fazendo isso, eu tenho que pensar grande. Obviamente com os pés no chão. Mas vamos pensar grande. Então, eu vou criar um nome mais internacional, porque sei lá, talvez eu vou fazer algo fora algum dia. É como a história da Esquina da Bijuteria. Tem uma loja que é Esquina da Bijuteria. Ela ficou grande, teve que mudar de lugar. Saiu da esquina. E aí? Agora ela ficou chamada Esquina da Bijuteria. Mas já não estava mais na esquina. Então ela estava muito… na hora que ele criou aquela marca, o cara estava com a cabeça assim: vamos ser na esquina para sempre. Sabe? E aí o cara cresceu. E ele esqueceu que ele poderia crescer. Então eu acho que a gente tem que pensar isso. Fazer, obviamente, o básico, o rápido, o feito melhor que perfeito. Mas sempre pensando que um dia você pode ser maior do que você é hoje.

Luciano Pires: Isso é fundamental cara. Você está falando no detalhezinho. Quer dizer, dentro do teu projeto, que é um puta projeto de desenvolvimento, tem 3D, tem essa coisa toda. E no meio dele tem uma coisinha chamada nome, que é uma bobagenzinha, uma besteirinha assim. Mas que no fundo é fundamental. Eu gosto de usar o exemplo que eu fiz com o meu próprio projeto. O podcast nasce como Café Brasil. E o fato de ter Brasil no nome, cara, foi absolutamente fundamental para ele explodir. Porque todo mundo que vai, melhores podcasts do Brasil. Podcasts do Brasil. Todo mundo que procura, tem o meu nome lá. E aí lá vem primeiro plano, vem o Café Brasil. Porque ele tem no nome dele, alguma coisa que se tornou uma marca. O cara está no exterior, brasileiro no exterior. Que podcasts tem no Brasil? Eu apareci. Eu vi de cara lá. Uma jogadinha que no nome faz toda a diferença. O LíderCast, cara, nasceu como PodLider. Eu sentado: PodLider, PodLider, PodLider. Cara, esse PodLider. Como que é isso aí? Não vai dar. E se for o contrário? LíderCast. Aí a sonoridade… tem todo um trabalho feito aí para você criar uma marca e virar uma marca. Acaba virando uma marca que é indelével, cara.

Ronaldo Tenório: Exato. Então é um desafio gigante de estar na mente das pessoas com tanta informação que passa na vida dela. E o legal é que a gente criou um personagem que transcende a marca também. O Hugo, ele é muito conhecido. Inclusive a turma me chama de Hugo. Muita gente… tem uma turma, o funcionário da gente parece com o Hugo. Todo mundo chama ele de Hugo. Então, as marcas, naturalmente, elas são muito frias. Corporações, empresas, aquele negócio frio. E criar um personagem que não só é um garoto propaganda, mas também o próprio produto, fez com que a gente quebrasse um pouco desse gelo. Então, o Hugo, a gente conseguiu também fazer dele uma figura referência para que quando as pessoas pensem acessibilidade, lembrem do Hugo como o porta-bandeira da acessibilidade.

Luciano Pires: Tem até humor aqui. Eu estou falando com você aqui, olhando no aplicativo. E o Hugo está com um gorrete de Papai Noel, um gorretezinho de Papai Noel. Por que é Hugo?

Ronaldo Tenório: Cara, Hugo é… essa pergunta aí é uma das principais assim. Eu acho que quando a gente cria, é um nome para o nosso próprio filho. Eu acho que não teve um por que assim, talvez, premeditado. Mas a gente pesquisou. Na verdade, foi a esposa do meu sócio. Ele não tinha nome. Ela: como é o nome desse bonequinho aí? Ele fez: boa pergunta. E ela disse: ele tem cara de Hugo. E aí deu certo. Vamos chamar de Hugo. E o legal, que sem querer, a gente acertou no nome porque, por exemplo, minha irmã morou nos Estados Unidos. O nome dela é Lívia e lá batizaram ela de Lili. O Tadeu, meu sócio, morou no Canadá e nos Estados Unidos, é José Tadeu e ao invés de falar José, a turma chamava ele de Joseph. E tiveram que rebatizar as pessoas com outros nomes. E Hugo é Hugo em qualquer lugar do mundo.

Luciano Pires: Hugo é Hugo.

Ronaldo Tenório: É único. É fácil de falar. É um nome curto. E se você olhar bem – para quem está ouvindo aí e baixar o aplicativo Hand Talk – Hugo, LIBRAS, coloca também na loja e aí você vai achar. Você vai ver que tem cara de Hugo mesmo, não poderia ter outro nome.

Luciano Pires: Que delícia cara. Vem cá, você agora é um cara que navega pelas startups. Você está nesse universo, porque você é chamado para palestrar, você é um dos… deve estar no meio dos gurus aí da startup. É um dos caras que as pessoas querem ouvir. O que você tem sentido aí cara? Porque eu temo às vezes, que o lance da startup vire um outro modismo, sabe? Aquela moda que tudo é startup, todo mundo é startup. E você sabe que no Brasil historicamente, de cada 10 empresas que nascem, 8 vão morrer em um ano. E nenhuma delas ou a maioria delas, não morre porque a ideia é ruim. Morrem porque as pessoas não têm a menor ideia, não sabem nem que tem pagar conta. Não sabe que tem que chamar um… que tem que montar uma área financeira, que tem que cuidar de vendas, de marketing. Elas focam na ideia e acham que a ideia por si vai se efetivar. Você não tem esse medo não, cara? Que essa startup vire aquela coisa maluca do tipo: todo mundo pode, todo mundo consegue. Basta se esforçar. Se você se esforçar você consegue chegar lá. Vai ficar rico, etc. e tal?

Ronaldo Tenório: É. No meio disso tem muita espuma. Tem muita gente falando isso. E aí vem o grande ponto, de você ter foco, cara. Eu sempre fui empreendedor. Nos meus 17 anos – eu esqueci de contar esse trechinho – quando eu estava fazendo o site, que eu encontrei a empresa de marketing que me deu um estágio. Eu estava tentando empreender. Nunca me satisfiz de receber mesada só dos meus pais. E eu disse: cara, eu vou tentar ter uma fonte de receita. Sabe o que eu fiz? Eu disse: espera aí. Isso era 2004, talvez, eu disse: cara, os hotéis precisam de sites. Porque naquela época, o cliente, antes de ir para um hotel ele queria ver fotos do hotel. Saber de algumas coisas do hotel, localização. E os sites lá estavam muito simples. E muitos hotéis nem tinham sites naquela época. E eu disse: eu vou abraçar esse mercado. Eu saí de Pajuçara – para quem conhece Maceió sabe – eu saí de Pajuçara até o final de Jatiúca, que são cinco quilômetros, mais ou menos, a pé, andando de hotel em hotel, tentando vender site para os donos dos hotéis. E recebi 99 nãos. Mas recebi três sins. Eu passei três dias andando, porque eu parava de hotel em hotel. E aí começava no dia seguinte, do próximo hotel. E lá como os hotéis são basicamente todos na orla, eu ia de um por um. E recebia nãos assim, que dava vontade de desistir. Eu dizia: cara, como que o cara me recebe desse jeito, sabe? Eu estou aqui querendo trabalhar, fazer um trabalho e o cara… e eu era jovem, eu estava muito novo. E os caras olhavam: quem é esse garotão que está aí, tentando falar comigo? E desses três sins eu consegui fazer três sites. Eu consegui ter uma receita, montar uma agência digital até o momento de eu ampliar para uma agência de comunicação mesmo, depois. E aí, se eu tivesse desistido naquele momento, sabe? Então, eu acho que essa pegada empreendedora, da resiliência   é algo que você tem que ser persistente. Mas também não pode insistir até o ponto de dizer: já foi o tempo disso. Não dá mais para insistir nisso. E se eu, talvez, não tivesse isso. Se o empreendedor não tiver isso na veia, assim, essa vontade de fazer, de construir algo relevante, ele vai desistir fácil. E aí isso acontece em todos os segmentos e com startup. Porque vira muito moda. O cara está lá dando entrevista e saindo nos principais veículos e tal. E para um cara que não sabe diferenciar isso, o cara fica com o ego lá em cima. E daí esquece de fazer o básico, que é pagar conta no dia a dia, fazer daquilo um negócio. Então, eu consegui diferenciar muito bem isso. Eu sou mentor voluntário de várias startups de negócio de impacto. Ontem inclusive eu estava dando uma mentoria aqui em São Paulo para negócio de impacto da Artemísia, que é uma aceleradora aqui, de impacto. E tentando mostrar para os caras em cima da história que eu tive, não só das coisas boas, mas das coisas ruins, dos meus erros, que foi onde eu mais, talvez, cresci. Como é que esses caras podem fazer algo relevante e de fato, construir algo que deixa algum legado. E aquela galera que está na espuma, navegando por ali, vai desistir rápido. A galera vai embora. E vão ficar os mais fortes.

Luciano Pires: Sim. Você está ouvindo falar um cara que veio de Maceió, sabe? Que está lá na… digamos que se você está falando em termos de Brasil…

Ronaldo Tenório: Caribe brasileiro.

Luciano Pires: É. É uma periferia. A periferia está lá. É uma pequena capital, com todos os problemas de uma pequena capital. Quando comparada com São Paulo ou com o Rio, que sempre foi essa coisa toda. Isso está tudo caindo por terra. Eu fui fazer agora, cerca de dois, três meses uma palestra na Campus Party de Porto Velho. Porto Velho. Se Maceió é longe, Porto Velho… Maceió tem voo fácil. Para chegar em Porto Velho é complicado. E o pessoal da Campus Party me chamou: vamos lá. Como é que vai ser? Estava todo mundo preocupado. Cara, eu chego em Porto Velho, tem seis mil moleques na Campus Party, acampado, mil acampados lá dentro. Evidentemente é uma dimensão reduzida. Mas acontecendo aquilo tudo. E você olha aquilo e fala: cara, eu estou no quintal do Brasil, bicho. Eu estou no interior do interior do Brasil e tem seis mil moleques com drone, com robô, com robótica, inventando, pintando e bordando. Os caras que desenvolveram o meu site são de Natal. Então cara, isso derruba completamente aquela história de que é no eixo Rio/São Paulo que as coisas acontecem.

Ronaldo Tenório: Não tem fronteiras.

Luciano Pires: Não mais. Acabou totalmente.

Ronaldo Tenório: Não mais. Eu consigo tocar um negócio morando em Maceió, vindo uma semaninha por mês para São Paulo, porque meus times, comercial e marketing ficam aqui. Mas eu consigo tocar o negócio à distância. Eu tenho uns 8 aplicativos que eu gerencio basicamente toda a empresa, todos os números. Obviamente são negócios feitos por pessoas. Então, em grandes momentos, a gente precisa estar juntos. Mas eu consigo tocar o negócio escalável. Um negócio que está dando um retorno muito legal, à distância também. Então, a tecnologia proporciona isso. Algo que, imagina você pensar em 10 anos atrás, somente 10 anos atrás. Para você ter uma ideia, o iPhone chegou no Brasil, eu acho que por volta de 10 anos; 2007 ele foi lançado, chegou no Brasil, eu acho que talvez, 2008, 2009. E depois disso, tudo mudou. Então, imagina você pensar isso, o que a tecnologia está proporcionando para a gente. Então, gerir negócios à distância, gerenciar com softwares. E obviamente são pessoas por trás disso, a gente tem que ter uma relação. Mas se torna muito mais fácil. E tem negócios incríveis nos lugares onde você menos imagina. Onde você menos imagina. E essa galera acessa a maior enciclopédia do mundo, que chama Google, que o cara vai lá pesquisa qualquer coisa, um tutorial e aprende a fazer aquilo lá na casa dele, no quintal da casa dele.

Luciano Pires: Sim. Você não acha que você vai sair daqui impune. Você me falou que você tem 7 aplicativos que você está gerindo o seu negócio. Que aplicativos são esses, cara? Dá uma dica para nós. Tira do bolso e conta o que é. Porque eu sei que tem neguinho que vai correndo olhar para ver o que esse cara está fazendo. Como que é isso aí?

Ronaldo Tenório: Beleza. Bom para gestão de processos do meu time eu uso Trello. É muito legal, metodologia kanban, que você vai colocando os processinhos no feito, aquela história a fazer e tal.

Luciano Pires: Trello?

Ronaldo Tenório: Chama Trello com dois eles. Muito bacana, aplicativo gratuito. E para gestão de processos e atividades do time, excelente. Utilizo Pipedrive, para gestão de vendas. RD Station, para questão de marketing. Analytics muito para analisar todas as estatísticas de traduções. Mês passado agora – a gente está em dezembro – eu estou falando em novembro de 2018 agora, a gente fez 17 milhões de traduções. Então eu acompanho de onde estão vindo essas traduções. Qual a frequência, a quantidade de palavras por tradução e tal.

Luciano Pires: Já está no mundo todo?

Ronaldo Tenório: Hoje Brasil. Hoje está lançando nos Estados Unidos agora em 2019. Tem usuários no mundo todo. Porém, hoje a gente está com LIBRAS. LIBRAS é Língua Brasileira de Sinais. American Sign Language é nossa próxima etapa. É onde a gente vai levar o Hugo para aprender nova língua agora e lançar no ano que vem. E tem mais alguns outros aplicativos. A gente tem alguns sistemas internos. E obviamente aplicativos financeiros, gestão da empresa como um todo. Então, com isso aqui eu consigo saber como está o desempenho do time de vendas. Eu consigo saber como está o desempenho do time de produto, time de marketing. E aqui eu tenho todos os indicadores. Hoje nós somos data driven, movidos a dados. E todas as decisões que a gente toma, cada vez mais nas empresas, a gente tem que olhar para esses números e parar com o achômetro.

Luciano Pires: É isso que eu tento explicar para a minha mãe. Porque eu vou gastar R$6.000,00 num celular novo. E ela fala… eu falo: mãe, a última coisa que eu faço aqui é chamada telefônica. É falar no telefone. Isso aqui não é um aparelho telefônico. É um computador pelo qual eu estou fazendo a gestão da minha vida. Próximos passos, cara? O que vem pela frente aí?

Ronaldo Tenório: Bom, como empreendedor eu quero ainda ajudar outros empreendedores também, principalmente em negócio de impacto. Porque eu acho que o Brasil ainda é muito carente em negócio de impacto. E a gente tem uma oportunidade gigantesca de mudar a vida de muitas pessoas.

Luciano Pires: Você tem um lugar que essas pessoas possam se apresentar para você? Você tem um blog?

Ronaldo Tenório: Pelo Linkedin. Eu acho que pelo Linkedin as pessoas podem…

Luciano Pires: Qual teu Linkedin?

Ronaldo Tenório: Ronaldo Tenório. Olha lá. E faço questão de ajudar. É óbvio que o meu tempo é super limitado. Mas eu sou mentor do Social Good Brasil, que é um programa lá de Florianópolis, um negócio de impacto também; ajudo a turma da Artemísia, do Quintessa, que são aceleradoras de impacto aqui em São Paulo. E tento ajudar a trazer essa turma junto, sabe? E ser referência, você tem… é como diz o tio do Homem Aranha: quantos maiores são seus poderes, maiores são suas responsabilidades. Então, cara, eu tenho uma responsabilidade hoje de trazer essa turma para fazer acontecer. Como no pessoal, eu quero ter mais um ou dois filhos. Então, eu tenho uma filhinha de um ano e seis meses. Ainda estou curtindo essa fase. Quero ter esse tempo também. E eu tento equilibrar muito. Que eu viajo muito. Mas quando estou em casa, curtir também. Que isso é muito importante. Você ter uma base familiar boa. Com o Hand Talk a gente ainda vai lançar o aplicativo agora nos Estados Unidos, em 2019. A gente criou uma ferramenta para tradução de vídeos. Então, o meu grande sonho talvez, é estar numa Netflix, integrado com Youtube, integrado com TV Digital. Fazer que com um simples botão as pessoas consigam…

Luciano Pires: Botar o Hugo do lado lá e assistir um vídeo com o Hugo fazendo a…

Ronaldo Tenório: Automaticamente. E aí o Hugo consegue dar acessibilidade de uma forma absurda, ainda mais. E tem muito desafio. Como empreendedor, todo dia tem um desafio novo. Tem outras ideias na cabeça. Mas eu acho que a gente tem muitos capítulos ainda para passar aqui na Hand Talk e levar essa solução para fora. Exportar solução brasileira. Mostrar que a gente pode competir de igual para igual e fazer o negócio brasileiro ser referência lá fora. A gente já vem tendo, pelas premiações, reconhecimento. E agora a gente vai executar tudo aquilo que nos premiaram e reconheceram. Colocar em prática.

Luciano Pires: Tem um livro vindo aí?

Ronaldo Tenório: Então, algumas pessoas já estão me perguntando sobre isso. Eu gosto de escrever sobre partes da minha história, dos desafios. Está escrito alguns capítulos já. Mas eu acho que ainda faltam muitos. E por isso, eu acho que talvez demore um pouco mais. Mas eu acho que toda experiência de vida, pessoal, profissional, as pessoas que eu conheci, os desafios que eu passei eu acho que me ajudaram bastante. Eu acho que construíram uma história relevante para outras pessoas. E quem sabe, um dia, eu consiga escrever isso e compartilhar com mais pessoas.

Luciano Pires: O que te faz levantar de manhã da cama? Com tesão para derrubar essas barreiras e começar de novo e fazer acontecer? O que te tira da cama assim?

Ronaldo Tenório: Eu acho que é a sede por construir algo grandioso, que deixe um legado significativo na vida das pessoas.

Luciano Pires: Voltamos no Orelhão. O Orelhão abriu o programa. O Orelhão fecha o programa. Você sacou? Que estava lá atrás, cara. Aquele molequinho, com a ideia de: vou construir grandes obras. Está igualzinho aí, cara. Bem legal, bem legal. Cara, seja bem-vindo, viu? Muito legal essas propostas de vocês aí. Tem realmente algumas… quando surgem essas ideias assim, que mudam o mundo, porque muda. Eu vou dizer o seguinte: olha, não mudei o planeta Terra. Mas eu mudei o mundo de um monte de gente. Cada um, de repente… aquela história que você me falou da mãe que vai para casa e usa isso aqui, pela primeira vez, seu contato com o filho. Você mudou o mundo dos dois, o dela e o do filho.

Ronaldo Tenório: De uma pessoa que talvez eu nunca vou chegar a conhecer presencialmente. A gente está causando impacto na vida deles. Isso que é muito louco.

Luciano Pires: E é assim que a gente muda o mundo. É mudando esses pequenos mundos de cada um. No fim, isso dá uma corrente. E eu espero que realmente você tenha esse alcance todo, cara. Isso aqui não é só… não é pelo dinheiro, não é?

Ronaldo Tenório: A gente tem uma moeda que com o negócio de impacto, cara, eu acho que, cara, é… vale muito mais. Cada depoimento que a gente ouve, cada e-mail que eu recebo. A grana, ela vira uma consequência de tudo isso. Você se estimula a fazer algo bem-feito. Obviamente você tem que ter a balança equilibrada. Mas o impacto que a gente está causando. A vontade de fazer, construir algo que jamais algumas pessoas conseguiram fazer, inclusive em países muito mais desenvolvidos que o Brasil. E acho que isso faz a gente se levantar todos os dias com essa vontade.

Luciano Pires: Como é que o Hugo não é indiano, cara? Como é que o Hugo não é chinês? Não é chinês, não é indiano. Mas isso tem tudo a ver cara. Tem tudo a ver inclusive com o que eu faço aqui. Que grande parte do que me move para estar aqui sem voz, fazendo e levando adiante é esse tesão do comentário que alguém vai mandar para mim. Eu vou receber um WhatsApp depois de alguém, emocionado, dizendo: cara, eu ouvi um negócio que você falou. Ouvi um convidado no teu programa. A partir daquilo… hoje de manhã eu recebi um e-mail de uma menina que trabalha com o Fabiano Kalil. Eu fiz um programa com ele aqui sobre educação financeira. Eles montaram um esquema lá, que eles dão uma consultoria financeira de graça. Você entra lá, entra em contato. Eles têm uma época do mês – eu não lembro quando é – que eles se reúnem e dão atendimento. Então forma uma fila e a pessoa senta na frente. Eles dão para a pessoa. Ensinam ela a organizar a vida dela, financeira. E essa menina me escreveu para me agradecer, porque por causa do LíderCast um monte de gente ligou para eles e eles puderam ajudar muita gente com isso. Quer dizer, isso está muito além de fazer um negócio para ganhar dinheiro, cara. Isso é para mudar as coisas, mudar o mundo. E louco é o cara que acha que em louco a ponto de mudar o mundo. Esses são os caras que a gente precisa.

Ronaldo Tenório: E tem uma frase de Gandhi que ele fala: seja a mudança que você quer ver no mundo. Então é isso. A gente tem que agir, fazer acontecer. E fazer diferença, cara. Só assim a gente vai ficar conhecido para o que a gente deixou para as pessoas.

Luciano Pires: Exatamente.

Ronaldo Tenório: Vai embora, mas o legado fica.

Luciano Pires: Grande, bem-vindo ao calor de São Paulo. Aqui dentro está gostosinho. Mas lá fora você vai ver pegar a briga de novo. Boa sorte nesse teu projeto aí, que o 2019 de vocês seja repleto dessas sensações: que estou ajudando as pessoas a alcançar seu sonho, tá bom? Um grande abraço, cara.

Ronaldo Tenório: Obrigado. Eu que agradeço.

Luciano Pires: Um abraço.

Ronaldo Tenório: Um abraço.

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