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Luciano Pires -
Download do Programa

Narrador: Bem-vindo ao LíderCast, o podcast para quem quer saber mais sobre liderança. Apresentação, Luciano Pires.

Luciano Pires: Bom dia, boa tarde, boa noite. Bem-vindo, bem-vinda a mais um LíderCast, um podcast que trata de liderança e empreendedorismo, com gente que faz acontecer. No programa de hoje trazemos Thalis Antunes, gestor de conteúdo da Campus Party, que tinha tudo para ser um nerd, mas voou alto e hoje coordena o conteúdo do principal acontecimento tecnológico realizado no Brasil. Este não é um programa de entrevistas, não tem perguntas programadas, nem roteiro definido. É um bate-papo informal com gente que faz acontecer, que vai para lugares onde nem eu, nem meu convidado imaginamos. Por isso, eu não me limito a fazer perguntas, mas dou meus pitacos também. Você está entendendo? Não é uma entrevista. É um bate-papo. O LíderCast é lançado por temporadas. Os assinantes da Confraria Café Brasil e do Café Brasil Premium tem acesso imediato à temporada completa, assim que ela é lançada. São mais de 24 horas de conteúdo de uma vez só, cara. Os não assinantes receberão os programas gratuitamente, um por semana. Para assinar acesse cafebrasilpremium.com.br. Esta 10ª temporada do LíderCast chega até você com o apoio da Nakata, que é líder em componentes de suspensão. Cuide bem de seu carro com as dicas do blog.nakata.com br. Muito bem, mais um LíderCast. Este aqui acontece em função de um daqueles encontros que o destino traça na vida da gente, um encontro em Porto Velho, veja só, durante uma Campus Party. A gente senta, troca uma ideia e dali a pouquinho, dá uma afinidade. Eu falei: meu, vamos trocar uma ideia, vamos conversar. Aqui nesse programa são três perguntas fundamentais, que são as únicas que você tem que se preocupar em acertar na mosca e dali para frente, o resto a gente vai se virando. O seu nome, a sua idade e o que é que você faz?

Thalis Antunes: Meu nome, Thalis Antunes de Sousa. Eu tenho 33 anos e minha formação, eu sou engenheiro de computação. Mas atualmente eu estou trabalhando como gerente de conteúdo e comunidades da Campus Party do Brasil.

Luciano Pires: Gerente de conteúdo e comunidades da Campus Party do Brasil. Olha só. Olha a figura que vem me aparecer aqui. Com uma pinta meio de nerd, mas que nessa altura já não é mais nerd, já extrapolou. Você nasceu onde, hein Thalis?

Thalis Antunes: Eu nasci numa cidadezinha no norte de Minas, chamada Janaúba.

Luciano Pires: Janaúba?

Thalis Antunes: Janaúba.

Luciano Pires: Cara, é grande?

Thalis Antunes: Não, 70 mil habitantes. Uma cidade pequena. Uma cidade que fica no sertão, no norte mineiro ali né, depois de Montes Claros, um pouco.

Luciano Pires: Sim. Você… o que seu pai, sua mãe, faziam?

Thalis Antunes: Meu pai, ele é agricultor, a minha mãe trabalha com ele também. Eles… nós temos uma pequena propriedade lá na cidade mesmo.

Luciano Pires: São brasileiros mesmo?

Thalis Antunes: São, são brasileiros mesmo. Minha mãe nascida em Porteirinha, meu pai lá em Janaúba mesmo. E os dois, eles trabalham mais na roça. O meu pai tem um caminhão também, é caminhoneiro e minha mãe ajuda ele nessa luta aí.

Luciano Pires: Tem irmãos?

Thalis Antunes: Tenho dois irmãos.

Luciano Pires: Dois irmãos mais velhos, mais moços?

Thalis Antunes: Eu sou o mais velho, eu tenho um irmão mais novo, o Thomas, que mora aqui em São Paulo comigo. E um irmão do meio, o Thiago.

Luciano Pires: Como que era o teu apelido quando você era molequinho.

Thalis Antunes: Cara, se eu te falar que eu nunca tive apelido?

Luciano Pires: Nunca teve?

Thalis Antunes: Nunca. Nunca.

Luciano Pires: O pessoal chamava: Thalis, Thalis.

Thalis Antunes: Thalis e pronto, só. Thalis.

Luciano Pires: Bom, então, o que o Thalis queria ser quando era criança, cara, lá no norte de Minas?

Thalis Antunes: Lá no norte de Minas, bah cara, eu tenho uma história bem legal, que assim, com 7 anos o meu pai me perguntou se eu queria um MSX ou se eu queria um Atari. Eu acho que aquilo mudou muito assim, todo o resto, né? Então com 7 anos eu peguei o meu primeiro computador, um MSX, aí eu apaixonei com isso e…

Luciano Pires: Você morava na cidade ou na roça?

Thalis Antunes: Na cidade e a gente tinha um sítio também na roça, lá.

Luciano Pires: Um sítio. Tá.

Thalis Antunes: Um pequeno sítio, uma propriedade lá, que cria gado, planta banana, algumas coisas lá.

Luciano Pires: E de onde o teu pai tirou essa ideia do Atari e do MSX?

Thalis Antunes: Um tio meu, ele já faleceu, o Jurandir, ele trabalhava na Semp Toshiba, na verdade, na Toshiba, ele trabalhava com transformador, essas coisas. E ele fazia algumas viagens para o Japão, ele rodava bastante, era um cara mais técnico lá. E ele tinha um MSX e estava querendo se desfazer desse MSX e aí ele foi e perguntou, para ver se o meu pai não tinha interesse, que ele achava que seria bom para os filhos dele.

Luciano Pires: Você já tinha visto aquilo?

Thalis Antunes: Não.

Luciano Pires: Um belo dia chegou uma caixa?

Thalis Antunes: Chegou uma caixa, ligamos o computador, para começar a usar.

Luciano Pires: E aí a tua vida mudou?

Thalis Antunes: Com certeza. Os jogos vinham em fita cassete ainda. A maioria do pessoal eu acho que nem conhece isso. Mas ao invés de a gente baixar da internet, ao invés de fazer algum download em alguma loja do aplicativo, a gente tinha uma fita cassete e você tinha anotado qual era a posição inicial do jogo, você rodava até aquela posição e começava a jogar.

Luciano Pires: Cara, eu sou do Atari, que tinha como coisa mais emocionante, era uma galinha que tinha que cruzar a rua. Você tinha que fazer uma galinhazinha cruzar a rua, que os carros vinham passando e não podiam pegar a galinha, cara. Aqueles joguinhos. Cara, era o início daquilo tudo. E que foi fascinante, porque a gente viu aquilo. Antes eram os fliperamas. A gente ia na maquininha do fliperama, brincar lá. Depois começou a chegar e virou essa loucura, que hoje é uma indústria gigantesca. Mas você bateu o olho naquele bichinho e quando você ligou e começou a ver aquilo, você pensou: é isso que eu quero fazer quando eu crescer?

Thalis Antunes: Não. Aí, lógico, a primeira coisa que a gente fazia eram os jogos, não tinha jeito. Eu, o irmão do meio, o menor. Ele tinha acabado de nascer, estava com dois anos, não fazia nada ainda. Mas o meu irmão do meio, a gente começava a jogar. E aí, igual você falou: eram jogos que quem hoje em dia vai olhar: ah, idiota. Mas a gente ficava entretido naquilo ali um bom tempo. E aí meu pai começou a gostar muito também. A gente começou a estudar um pouco com livros. Naquela época não tinha a opção da internet, então…

Luciano Pires: Que ano era isso.

Thalis Antunes: Isso? 94. 92 na verdade, quando nós pegamos o primeiro. E aí, em 94 já estava um pouco mais evoluído.

Luciano Pires: Mas você bateu o olho naquilo e falou: cara, é isso que eu quero fazer quando crescer? Quero trabalhar com esse treco aí?

Thalis Antunes: Com certeza. E trabalhei a vida inteira com isso, de alguma forma, utilizando tecnologias.

Luciano Pires: Você começou a trabalhar antes de estudar isso, o que você fez? Como é que…

Thalis Antunes: Eu comecei…

Luciano Pires: Você fez um cursinho de informática?

Thalis Antunes: Não, não, sempre autodidata assim, em quase tudo. Com 7 a gente ganhou o primeiro, com 12 começamos a estudar. O meu pai também começou a mexer. E como a cidade é muito pequena, as pessoas ficavam sabendo que a gente tinha computador e que sabia mexer. E aí as empresas que precisavam de alguma coisa, sempre procuravam. Então, o meu pai acabou até abrindo um pequeno negócio para poder começar a prestar serviço e entregar suprimento para as pessoas, que aí tinha aqueles papeis, fita para impressora, papel, disquete, essas coisas, ele começou a querer vender.

Luciano Pires: Que legal, cara. A partir de uma oportunidade do seu tio, acaba virando um negócio de família.

Thalis Antunes: Total.

Luciano Pires: E aí, cara. E você chega lá, você tem que fazer uma… você tem que fazer uma escola.

Thalis Antunes: Sim.

Luciano Pires: No segmento. Imagino que na tua cidade não devia ter.

Thalis Antunes: Lá, eu comecei – com 9 anos, mais ou menos – eu comecei a dar aula de informática para algumas pessoas, só para ajudar.

Luciano Pires: Com 9 anos?

Thalis Antunes: Com 9 anos. Eu lembro que o doutor Getúlio era o meu primeiro cliente, vamos dizer assim, um advogado, que ele sempre me pedia para ajudá-lo. Até que teve um dia, ele falou: cara, eu estou com vergonha de te pedir isso, toda vez que você vier aqui, eu vou te pagar R$5,00 a hora, que era 5% de um salário mínimo naquela época. E aí assim: toda vez que eu te chamar, eu vou te pagar. Que aí ele não ficaria incomodado de chamar para ajudá-lo. E eu dava aula de word station, WS, que era um editor de texto dentro do DOS, sem interface gráfica, sem mouse, sem nada. E isso tudo aprendendo sozinho, trocando ideia com meu pai, com meus irmãos, que não tinha muita gente que conhecia na cidade. Eu só fui fazer um curso técnico de informática quando eu cheguei no ensino médio. Na minha cidade não tinha. Mas aí apareceu uma escola de fora que dava um curso EAD, que eles vinham a cada 15 dias na cidade, para poder dar esse curso técnico em informática. Eu fiz uma prova, consegui uma bolsa para poder fazer lá. E aí eu consegui. Aí eu comecei a entender que o ensino formal era importante também. Foi quando eu comecei a fazer alguma coisa na área.

Luciano Pires: E aí você foi fazer uma universidade, uma coisa assim?

Thalis Antunes: Depois eu, logo que eu terminei o curso técnico, eu fui fazer uma faculdade de Engenharia de Computação, que era da mesma instituição, mas numa cidade vizinha aqui, já era Montes Claros, que fica a 136 quilômetros de lá de Janaúba.

Luciano Pires: Teu certificado então é de engenheiro de computação?

Thalis Antunes: É. Técnico em informática e também depois, eu fiz Engenharia de Computação.

Luciano Pires: Tá. E aí você olhou para isso e falou: muito bem, eu vou mergulhar para trabalhar nisso aí. Volto para a minha cidadezinha para trabalhar lá ou vou voar? O que passou na tua cabeça?

Thalis Antunes: Na verdade, eu, apesar de estudar em Montes Claros, que é uma cidade cento e poucos quilômetros de distância, eu continuava morando na minha cidade. Até hoje existem esses ônibus lá, a gente tinha uma Associação dos Estudantes, onde a gente fazia a gestão, de levar as pessoas para estudar e voltar, todos os dias. Então a gente demorava aí, duas horas para ir, duas horas para voltar. E aí eu continuei prestando serviço na minha própria cidade. Eu tive um desafio, um prefeito lá ganhou a eleição e me procuraram para um cargo técnico dentro da prefeitura, para poder ser o coordenador da área de TI da prefeitura. Então eu aceitei. E aí eu comecei a fazer a gestão ali, nós tínhamos 2.500 funcionários, mais ou menos. E aí tinha que fazer a gestão junto com a equipe de todo o parque tecnológico. Eu fiquei dois meses nesse cargo. E aí ele me promoveu para ser diretor administrativo. Ele achou que eu tinha uma pegada, para poder auxiliá-lo dentro de gestão de outras coisas.

Luciano Pires: Saiu fora da TI então? Foi cuidar de gente.

Thalis Antunes: É. Mas mexer com gente e ainda com o olhinho ali na TI. Mas coisas menos técnicas. Eu acho que foi um pouco mais para gestão. E aí eu comecei a entender que o que eu gostava também era de ajudar pessoas e ajudar a cidade de alguma forma. Eu percebi que dentro da prefeitura, eu conseguiria ajudar. E aí eu lembrei de um problema sério que a gente tinha, que eu ia todos os dias, quatro horas do meu dia, eu perdia dentro de um ônibus, para ir para a cidade vizinha. Eu percebi que dava para a gente poder trabalhar e tentar trazer instituições de ensino para a nossa cidade. Aí eu fiz um projeto junto com a secretária de planejamento da época para tentar trazer o Instituto Federal ou a Universidade Federal para lá, que na minha cidade já tinha uma conversa de trazer, de implantar. E acabou que os dois deu certo.

Luciano Pires: Legal.

Thalis Antunes: E isso é bem legal. Você participar de um projeto e você ver que o legado ficou lá.

Luciano Pires: Como é que aconteceu o salto para a capital aqui, para São Paulo?

Thalis Antunes: Tá. Para São Paulo, o que aconteceu? Eu acho que é um pouco culpa do meu irmão caçula também. Ele estudava no interior do Paraná, ele tinha feito lá pelo SISU a faculdade dele, ele tinha conseguido passar lá para Engenharia Eletrônica. E aí ele percebeu que aí não ia rolar, de ele exercer a profissão de engenheiro eletrônico. E aí ele ficou falando várias vezes: ah, eu quero ir para São Paulo. Eu quero ir para São Paulo. E eu já tinha o costume muito de vim a São Paulo para participar de eventos. E aí, na hora que eu coloquei na ponta do lápis o que eu gastava com hotel, com tudo aqui em São Paulo, cara, compensava ajudar meu irmão, a gente alugar um espaço, alugar um apartamento e eu continuar trabalhando em Janaúba e uma época do ano, eu ficar aqui em São Paulo.

Luciano Pires: Quanto tempo de lá para cá, cara? Você vinha de busão? 17 horas? O que é?

Thalis Antunes: Cara, dá mais ou menos isso, 17, 18 horas se você vir de busão. Em Montes Claros tem um aeroporto, então dá para você pegar um voo lá. Hoje em dia, eu não encaro de busão mais.

Luciano Pires: Busão não mais?

Thalis Antunes: Não dá, não dá. Nem de carro. Eu não tenho esse pique, dá 1.100 quilômetros. Não rola, né? E aí eu… de lá para cá você vir de avião de Montes Claros, dá três horas. Mais duas horas para chegar na minha cidade. Então, se vier de avião, cinco, seis horas de viagem. Então, bem apertado.

Luciano Pires: Aí você veio para cá, então? Mudou para cá? Ou você ficou trabalhando e vinha de quando em quando para cá?

Thalis Antunes: É. Eu vinha de quando em quando e o meu irmão morando aqui. E aí eu comecei a participar de mais eventos e dando palestras.

Luciano Pires: Aqui

Thalis Antunes: Aqui, em outros lugares, dando palestras. Tem um evento que eu sou voluntário, que eu sempre ajudo lá, em Foz do Iguaçu, dando palestra lá.

Luciano Pires: Que evento que é?

Thalis Antunes: Latinoware.

Luciano Pires: Latinoware?

Thalis Antunes: Congresso Latino Americano de Software Livre e Tecnologias Abertas. Tem 15 anos que a gente faz, tem oito que eu sou voluntário lá e ajudando nos eventos, em Porto Alegre, no FISL lá, em Floripa, em algum outro evento. E aí, de tanto eu ir em eventos, eu acabei um dia parando na Campus Party, isso foi em 2014. Eu estava na prefeitura ainda, eu lembro que foi no início de 2014. Um cara me chamou, mandou uma mensagem, falou assim: eu queria fazer uma call contigo. Queria chamar no Skype para a gente trocar uma ideia a respeito de um evento aqui, eu queria que você viesse e era Campus Party. Aí ele me apresentou, falou que ele queria que eu viesse na Campus Party para poder participar de um hackathon, porque ele ficou sabendo que eu tinha um conhecimento técnico na área de internet das coisas.

Luciano Pires: Ele estava te convidando para vir participar…

Thalis Antunes: Para participar.

Luciano Pires: Participar da Campus Party?

Thalis Antunes: Isso.

Luciano Pires: Em 2014?

Thalis Antunes: 2014.

Luciano Pires: A Campus Party estava no auge?

Thalis Antunes: Aham.

Luciano Pires: Estava no auge?

Thalis Antunes: Isso mesmo. Aí era CPBR…

Luciano Pires: Você sabia o que era? Você conhecia a Campus Party?

Thalis Antunes: Não, nunca tinha vindo na Campus Party. Sabia o que tinha na TV. E aí, na hora que ele me convidou, eu falei que eu não queria vir. Que eu não queria vir nesse evento, que as pessoas vão só para ficar jogando o dia inteiro e que eu tinha mais o que fazer. Aí eu dei essa resposta para ele. Ele ficou puto da vida e falou: cara, você não conhece. Como é que você está falando isso e tal? Vem, não sei o que. Eu falei: tá. Eu vou. Eu vou. Eu vou. Eu falei: então eu vou te dar esse voto de confiança. E desde então, eu não faltei em mais nenhuma Campus Party. Então assim, ele… eu vim, participei do hackathon. Eu nunca tinha participado de um hackathon ainda. Ganhei. Eu participei de dois nesta competição. Nós ganhamos os dois, a equipe que eu montei.

Luciano Pires: Para quem está ouvindo a gente e não sabe o que é, hackathon é uma palavra que une hacker com maratona. Então é uma maratona de hackeamento, quando o pessoal senta e desenvolve projetos em questão de horas. Todo mundo no mesmo lugar e tem um desafio e o projeto é desenvolvido ali, todo mundo junto, em volta de uma mesa lá, os computadores. Então, o pessoal se desloca para lá com os seus computadores embaixo do braço, senta numa mesa. Você chega lá, aquele lugar é uma loucura, cada um com um computador de um jeito diferente, com as roupas mais diferentes. E aquilo vira uma bagunça durante um período. No final, tem uma apresentação do que foi criado ali, né?

Thalis Antunes: Isso mesmo. E no caso específico, como era um desafio relacionado à rotina, à internet das coisas, tem que envolver hardware, de alguma forma. Então, você fazer um software beleza, você está com o seu notebook ali, você está com tudo que você precisa. Como era de hardware, eu tive que trazer uma mala com toda a tranqueira que eu achava que eu ia precisar para poder fazer alguma solução. E aí a coisa muda um pouco. Além de você ter que desenvolver, você ainda montar algo físico, montar algum produto ali.

Luciano Pires: Em horas, né?

Thalis Antunes: Em horas, em horas.

Luciano Pires: Algumas horas.

Thalis Antunes: Algumas horas. É. No caso, dentro da Campus, a gente geralmente faz em… chega a 48 horas, 72, um tempo maior. Porque é um evento que dura mais tempo.

Luciano Pires: E aí, cara, como é que foi o salto de participante da Campus para passar a fazer parte dela?

Thalis Antunes: Tá. Isso, eu continuei fazendo algumas coisas lá em Minas, até ajudando o pessoal em algumas ações de governo mesmo, ajudando a fazer eventos lá, promovendo eventos. E na Campus Party… e na primeira Campus Party Minas, eu fui convidado para poder dar uma palestra lá. Era uma palestra/workshop. E aí eu combinei com um pessoal para poder dar essa palestra/workshop. Acabou que faltando poucos dias, eu tive um certo desentendimento de horas. Eu fiquei puto da vida e falei assim: ah, cancela a minha palestra que eu não vou. Eu não quero ir e tal. Não vou mexer com isso mais. E aí eu falei que eu não ia dar a palestra e mandei cancelar. E realmente eu não dei a palestra. E aconteceu o mesmo com um amigo meu, que me chamou da primeira vez. Me mandou uma mensagem: vai ser a primeira Campus Party na sua casa e tal. A gente vai se ver lá. Eu falei: não, eu não vou. Aí ele falou: como você não vai? É na sua casa, é em BH. A primeira vez que vai ter uma Campus Party em Minas Gerais. Você tem que ir. Eu lembro que assim, era no domingo, antes da edição. Me encheu as paciências e falou assim: vai, cara. Eu falei assim: mas nem ingresso eu tenho. Ele falou: não, vai, que lá a gente vê. Aí eu fui na Campus. Cheguei na Campus Minas, sem ingresso, sem nada. Mandei a mensagem para ele, eu falei: cara, eu estou aqui e tal. Me arruma um [inint 00:18:11] para eu pelo menos, ver a Campus. Ele falou assim: eu não vou na Campus. E quem vai te receber é o Paco Ragageles, que é o fundador da Campus Party, um espanhol, não sei, você deve ter conhecido ele…

Luciano Pires: Pessoalmente eu não conheci não. Eu conheço de nome e tudo mais. Mas pessoalmente não.

Thalis Antunes: Ele… ele… e aí, a pessoa que veio me receber foi ele. Que eu também, eu conhecia ele de nome, de trocar alguma ideia nunca. E aí ele veio, me colocou para dentro, falou assim: ah, você que é o Thalis, amigo do Davi e tal? Eu preciso conversar contigo. Aí ele foi e me fez uma proposta para poder trabalhar na Campus Party, com comunidades. Porque o Davi já tinha me indicado para ele. Falou que eu era uma pessoa que conseguia trabalhar bem com comunidades, com pessoas, em ajudar elas de alguma forma, a participar da Campus Party. E isso…

Luciano Pires: Que ano foi isso?

Thalis Antunes: Foi novembro de 2016.

Luciano Pires: 16?

Thalis Antunes: É. Que aí eu entrei como um assistente de conteúdos para poder cuidar só das comunidades. E aí eu falei com ele que eu não ia deixar de fazer minhas coisas como engenheiro para poder viver disso. Mas eu poderia ficar dois meses com ele para fazer a CPBR10, que era a Campus Party 2017. Então eu ia ficar dezembro e janeiro, entregar a edição e tocar a minha vida, continuar fazendo as coisas de engenheiro. E como você viu…

Luciano Pires: Não parou mais?

Thalis Antunes: Isso não foi bem assim, né?

Luciano Pires: Não, isso é um excelente sinal, né cara?

Thalis Antunes: É.

Luciano Pires: É um bom sinal, né?

Thalis Antunes: É.

Luciano Pires: Pô, que interessante.

Thalis Antunes: Vicia, né?

Luciano Pires: Thalis, o que é a Campus Party, cara?

Thalis Antunes: O que é a Campus Party?

Luciano Pires: o que é a Campus Party? Para quem não está no ramo, para quem está ouvindo a gente aqui, só vê na televisão aquela loucura. O que é isso, cara?

Thalis Antunes: Tá. Para responder o que é a Campus Party, eu acho que eu tenho que voltar um pouco e responder o que são comunidades, principalmente no ramo de… de…comunidades no geral, né? Então, comunidades, a definição mais simples que eu acho é assim: são grupos de pessoas, que essas pessoas têm algum interesse em comum. Então têm comunidades de podcasts, têm comunidades de empreendedores, de diversos ramos. E essas comunidades, elas podem lembrar um pouco antigamente, o pessoal fazia muito associações, fazia uma coisa mais formal. Hoje em dia, existem muitas comunidades, que elas são informais, que às vezes têm que formalizar. Mas na sua grande maioria são informais. A Campus Party, ela é um hub de comunidades, que elas executam eventos e/ou geram conteúdo. Então, se essas comunidades, elas geram conteúdo de alguma forma ou fazem eventos ou os dois juntos, elas são as comunidades que elas têm que estar dentro da Campus Party e geralmente são as que estão. Então quando você pega essas comunidades, elas juntam, elas fazem aquela bagunça na Campus Party, que não é só um evento de tecnologia. As pessoas…

Luciano Pires: Então vamos entender. Quando você fala hub. Hub é um local de encontros?

Thalis Antunes: Isso.

Luciano Pires: É um local de encontros. Então, por exemplo, São Paulo é um hub aéreo brasileiro?

Thalis Antunes: Sim.

Luciano Pires: Os voos vêm tudo para cá e daqui saem. Então, um hub é São Paulo, outro hub é Brasília, têm hubs lá, ali as coisas chegam e ali elas saem. No caso da Campus Party é um hub de tecnologia. E aí vem a comunidade dos gamers, a comunidade dos youtubers, a comunidade dos programadores, a comunidade dessa turma toda, conectada de alguma forma, com tecnologia. E ali eles se reúnem para fazer a bagunça deles?

Thalis Antunes: Isso. Você reúne as pessoas e a mágica acontece. Isso aí é fato.

Luciano Pires: Quem já foi sabe o que é. Porque você imagina o seguinte – eu vou te dar o meu bisu de fora aqui, tá? Eu não sou de nenhuma comunidade dessa aí, eu estou véio pra cacete. Então, eu só vejo a molecada fazer a bagunça lá – você imagina um lugar imenso, que não tem paredes. Não existem paredes lá. Você chega lá e tem milhares de mesas, aquelas mesas, quando abre a Campus Party, as mesas estão limpas. E as comunidades chegam e colocam em cima da mesa, a sua estação de trabalho. Então você chega lá, tem um monte de estações de trabalho, uma do lado da outra, com seus enfeitinhos, com as suas brincadeirinhas, com as suas cores, etc. e tal. E um grupo de gente fazendo coisas. E você chega lá, tem uma molecada de fone de ouvido, jogando game. O outro está dançando na outra ponta. Outro está conversando aqui. E essa molecada está produzindo alguma coisa, que a gente nunca sabe direito o que é. Mas a energia que acontece naquele lugar, você entra, você toma um susto. Porque, cara, todo mundo fazendo algo acontecer. E a gente, que não é do ramo, olha de fora: pô, esses caras vieram aqui para jogar game. Vieram aqui para ficar jogando videogame. Quem é que sai da casa dele, para se deslocar para cá, para botar um computador e ficar jogando videogame? Não é bem isso, né?

Thalis Antunes: Não.

Luciano Pires: Esse conceito vem de fora?

Thalis Antunes: Esse conceito, eu acredito que assim, existe, na hora que você passa na mídia, por exemplo, o que você tem que fazer? Você tem que mostrar o que as pessoas vão ter um pouco de empatia, o que elas vão querer, vão se identificar de alguma forma. Então, na maioria das vezes, dependendo do canal de comunicação, mostra-se muito gamer. Quando começou essa onda das startups, aí começaram a mostrar muitas startups. Então, hoje em dia, tem muitos locais que falam que é um evento de startups. Sim. Tem startups, tem games, tem tudo. Então eu acho que é muito da dificuldade de você definir o que é o evento em poucas palavras, em poucos segundos, que é o que você tem na mídia. E é o que você falou, fisicamente falando, a estrutura física da Campus Party é bem assustadora. Muitas pessoas me falam, elas falam assim: mas esse tanto de computador, como é que vocês fazem para arrumar? Eu falei: não, a gente não arruma. As mesas estão vazias e as pessoas trazem. E na hora que você pega uma edição igual a de São Paulo, que tem 5 mil pontos de rede cabeada, que é outro detalhe, que a nossa não é nem WiFi, a gente usa cabo mesmo. É uma pequena grande operação de guerra aí, né?

Luciano Pires: Imagino, cara. Um canal de internet gigantesco. E uma característica interessante da Campus Party em São Paulo é que – eu não sei se continua assim – ela oferece um acampamento. Quer dizer, as pessoas vão para lá, acampam numa área. Quando eu falo em acampar, é dentro de uma barraca. Monta uma barraca, fica naquela barraca durante os dias da duração da Campus Party. E aquilo passa a ser a casa delas. Quer dizer, tudo acontece ali, toma banho lá, almoça lá, janta lá, dorme lá e trabalha lá. Então, o pessoal se entrega com uma… cara, eu só me lembro de escoteiro fazendo isso. Quando eu era escoteiro lá em Bauru, a entrega nesse nível. Vocês… quando foi a primeira?

Thalis Antunes: A primeira Campus Party no Brasil, ela aconteceu em fevereiro de 2008, na Bienal, aqui pertinho, no Ibirapuera.

Luciano Pires: Aqui no Ibirapuera? Já era esse modelo?

Thalis Antunes: Já era esse modelo. Foi a primeira fora da Espanha, inclusive.

Luciano Pires: Sim. Então, isso que eu queria, investigar essa origem dela. Ela chega para o Brasil por intermédio do Pablo?

Thalis Antunes: Paco.

Luciano Pires: Ô, desculpe.

Thalis Antunes: É. Do Paco.

Luciano Pires: Deixa eu voltar aqui. Ela chega no Brasil por intermédio do Paco, que traz um modelo que já existia na Espanha?

Thalis Antunes: Isso mesmo. Têm algumas pessoas aqui no Brasil que conheciam. Eu acho que o Marcelo Branco é um dos principais caras aí, que conhecia o modelo da Espanha. Ele morava lá e aí conversou com o Paco, conversou com o Francesco também, que é o atual presidente do Instituto Campus Party. Está nessa história desde quando surgiu na Espanha. Ele fala: cara, nós temos que levar para o Brasil. Então eles queriam trazer aqui para o Brasil, queriam fazer uma primeira edição. Fizeram a primeira lá no Ibirapuera – eu não estava nela, ainda não, era bem distante da minha realidade, inclusive, vim numa Campus Party – e essa foi a primeira edição fora da Espanha. E daí em diante, começou a esparramar em outros locais.

Luciano Pires: Termina uma feira. Qual é o resultado de uma Campus Party, cara? Quando você chega no final, que você fala: pô, foi fantástica. Qual é o resultado dela?

Thalis Antunes: É. O resultado da Campus Party, é intangível. Você vê… nós temos uma preocupação muito grande de gestão de legado. Então nós nos conectamos com essas pessoas e queremos que elas continuem conectadas entre si. E aqui no Brasil tem um modelo bem diferente do que acontece em outros países. Que aqui no Brasil, nós temos a edição em São Paulo e temos edições regionais. Então já tivemos edição em Recife, Salvador, Natal, BH, em Brasília. E agora, em Porto Velho, que foi onde eu te conheci.

Luciano Pires: Você me conheceu lá, né?

Thalis Antunes: A gente mora até próximo, vamos dizer assim.

Luciano Pires: E fomos nos conhecer em Porto Velho.

Thalis Antunes: Nos conhecer em Porto Velho.

Luciano Pires: Mas é assim, né?

Thalis Antunes: E aí quando a gente acaba uma edição, é muito difícil de você falar o que fica. Mas uma coisa a gente tem certeza que planta na cabeça das pessoas: inquietude. Você fala assim: acabou isso aqui e agora? Então assim, eu até estava falando isso com alguns… com o dono de um grupo escolar lá de Porto Velho. Eu falei: cara – que ele apoiou a Campus Party, patrocinou, montou lá o stand dele, levou os alunos, fomentou – eu falei: cara, você arrumou um problema. Porque se você não souber fazer a gestão dos alunos na segunda-feira, quando acabar a Campus Party, é perigoso ter evasão escolar. Então, ao invés de ele fazer captação de alunos, se ele não tomar cuidado e não tentar levar um pouco desse espírito daquela bagunça ali, de as pessoas criarem coisas para a sala de aula, você tem um problema, né? Então, o que a gente quer é que as pessoas se conectem e gerem coisas. De um tempo para cá, a gente começou a deixar um legado físico, que é o laboratório, que inclusive a Raquel trabalha, que você conhece ela também. Ela trabalha montando uma rede de laboratórios, que não é uma franquia. A gente não vende nada. A gente só montou o modelo que funciona. A gente faz essa gestão de conectar laboratórios um com o outro. E são laboratórios onde a gente tem robótica, nós temos drones, impressão 3D.

Luciano Pires: Mas esse laboratório fica lá? Ficou um laboratório em Porto Velho?

Thalis Antunes: Sim. Sim, em Porto Velho, na verdade a gente está montando esse laboratório lá.

Luciano Pires: Onde?

Thalis Antunes: Em Porto Velho tem alguns lugares que nós estamos montando. Então tem um pessoal do Tribunal de Justiça lá, está com a intenção de montar 35 laboratórios no estado inteiro. Já tem um piloto que está sendo montado lá na Usina Geral, que é uma usina hidrelétrica, que é grande, que tem lá no Rio Madeira, onde eles já estavam montando um laboratório de robótica, na Escola Tiradentes, que é uma localidade lá próxima. E aí nós estamos entrando com a modalidade nossa, com a metodologia nossa, para poder ajudá-los e conectar com os outros laboratórios.

Luciano Pires: Então, deixa eu ver se eu consigo destrinchar um pouco mais essa coisa aí, que ela é complicada, cara. Vocês são uma empresa de eventos?

Thalis Antunes: Sim.

Luciano Pires: É uma empresa de eventos. Tá. Você organiza eventos. Então, o teu negócio é pegar uma folha de papel em branco, sentar e desenhar o evento. Vai ser desse tamanho, vai ser em tal lugar. Nós vamos ter que ter segurança, energia. Vamos ter que ter acesso para o pessoal, pa-pa-pa, que é o grande lance. Se lá dentro do evento vai ter um show de rock, um show gospel, um encontro nacional dos evangélicos ou a Campus Party, isso é indiferente? Porque a mecânica do evento é evento, né? E você fala para mim que agora, vocês estão deixando um legado de um laboratório num dos lugares. Quer dizer, isso extrapola em muito a função de uma empresa de eventos, né? E exige, inclusive, que você tenha uma consultoria, uma assessoria técnica, etc. e tal. Vocês são os caras que vão orientar como que monta um laboratório. Como que é isso? O lugar que você trabalha? O que ele é? Você fala que é um instituto?

Thalis Antunes: Tá. Nós temos o Instituto Campus Party, que foi o Instituto instituído na primeira Campus Party para poder fazer essa gestão de legado e deixar alguma coisa para a sociedade. Então, dentro do Instituto Campus Party, nós entregamos ingressos gratuitamente para jovens e adolescentes e também até pessoas já formadas, que não têm condições de estar ali. Essas pessoas, elas entram com o ingresso como se fosse pago, então, quem está ali não tem um preconceito de que se essa pessoa comprou ou não ingresso. As barracas são iguais. Então, se a pessoa comprou ingresso ou não, a barraca é igualzinha. Então, a casa de todo mundo é igual. E aí, esse instituto, ele precisa ter uma empresa, que essa empresa é quem faz parte…

Luciano Pires: Essa operação?

Thalis Antunes: Essa operação. Aqui no Brasil, quem detém os direitos no Brasil, na Argentina – estamos conversando também para ver Estados Unidos, Canadá e outros lugares – é uma empresa chamada MCI, que é MCI Brasil. A gente faz, sei lá, 550 eventos por ano, de todo tipo. Só que a Campus Party, ela é que ela é tratada pela MCI como um evento proprietário. Então ela tem um cuidado muito grande de ter pessoas dentro da equipe que só fazem isso, que são…

Luciano Pires: Você trabalha na MCI?

Thalis Antunes: Eu fico dentro da MCI e faço…

Luciano Pires: Mas você é funcionário do Instituto?

Thalis Antunes: Faço só Campus Party. E eu sou funcionário da MCI.

Luciano Pires: Da MCI?

Thalis Antunes: É. Só que aí eu faço só Campus Party. Então hoje em dia, eu não faço outro evento, justamente por essa complexidade. Só que quem leva a Campus Party para uma região, quem recebe a candidatura da cidade, do estado, analisa se vai dar para implantar ou não e quem decide é o Instituto Campus Party.

Luciano Pires: E que é onde está o Paco?

Thalis Antunes: Que é onde está o Francesco.

Luciano Pires: O Francesco junto com o Paco, lá?

Thalis Antunes: O Francesco, o Paco…

Luciano Pires: Então, a MCI operacionaliza e a parte estratégica quem define é o Instituto. Agora eu consegui entender a jogada. Quem é que faz o filtro para decidir conteúdo dentro da Campus Party, é o Instituto ou a MCI?

Thalis Antunes: Somos nós da MCI.

Luciano Pires: Da MCI?

Thalis Antunes: É.

Luciano Pires: Tá. Os garderlines que o Instituto deu para vocês?

Thalis Antunes: Isso. Total. Que aí é onde eu trabalho, que é o setor meu, que é comunidades e os conteúdos.

Luciano Pires: Tá, tá. E você falou que ali você é exclusivamente Campus Party. Quantas acontecem por ano?

Thalis Antunes: Este ano nós tivemos até então, nós fizemos a Campus Party São Paulo, Natal, a Campus Party de Brasília, de Salvador, de Porto Velho e tem mais a Campus Party de Belo Horizonte.

Luciano Pires: Seis nesse ano?

Thalis Antunes: Neste ano.

Luciano Pires: E o ano passado foi assim também?

Thalis Antunes: Não. O ano passado foi mais, porque nós fizemos um modelo diferente no estado de Minas, onde nós tivemos as Campus Night. Então nós temos a Campus grande, que é de São Paulo, que a Campus Brasil. Temos as Campus Party regionais, que é onde você foi em Rondônia, BH, tudo é regional, que é um pouco… é o mesmo modelo de São Paulo, um pouco menor. Temos a Campus Party Weekend, que o ano passado a gente fez uma em Pato Branco, no Paraná. E temos também as Campus Party Day, Campus Day e Campus Night. Que em Minas, o ano passado, a gente fez seis Campus Night.

Luciano Pires: E a duração dela é uma noite?

Thalis Antunes: É. É.

Luciano Pires: Ela acontece na última noite?

Thalis Antunes: Última noite.

Luciano Pires: Imagino que a estrutura, tudo muito menor. Um evento mais simples.

Thalis Antunes: É. Mais simples. E a ideia em Minas foi fazer um engajamento no interior de Minas, para levar as pessoas para BH. Funcionou muito bem.

Luciano Pires: Tá. Me fala desse público que vocês… quando ela nasceu… eu fico imaginando que quando aquilo era uma novidade, tudo, foi em dois mil e?

Thalis Antunes: Oito. 2008 no Brasil, 98 na Espanha.

Luciano Pires: É. 2008 no Brasil, o bicho já estava pegando. Já tinha internet, já tinha tudo. Já estava tudo bem avançado. Eu imagino que o pessoal que é do ramo já conhecia como era lá fora. Isso aqui teve um grande interesse nela. Ela veio num crescendo? Como é que foi isso aí? A Campus Party foi um estrondo quando aconteceu? Porque eu me lembro, em termos de mídia, cara, foi um negócio genial. Desde a primeira vez eu sempre acompanhei bastante mídia em cima da Campus Party. Muito badalada ela lá. Mas ela cresceu realmente como evento? Do tipo, você ter que sair do espaço e ter que ir ampliando? Como é que foi?

Thalis Antunes: Sim. Este ano, por exemplo, nós mudamos – para o ano que vem – a gente vai mudar de espaço. Estamos saindo do Anhembi e indo para outro espaço. E cogitou-se a possibilidade de, talvez, fazer onde foi a primeira. A gente falou assim: vamos olhar tecnicamente falando, se dá. E realmente ia ser um esforço muito grande conseguir encaixar lá, porque o evento cresceu muito. Então, o evento ele chegou a ser feito na Bienal, eu acho que dois anos só. Depois já teve que ir para o Anhembi.

Luciano Pires: Me dá números hoje. Quando você fala: cresceu muito. O que é? Que tamanho a Campus Party?

Thalis Antunes: Hoje nós estamos falando aí de 60 mil metros quadrados.

Luciano Pires: 60 mil metros quadrados, 5 mil pontos…

Thalis Antunes: 5 mil pontos de rede. Estamos falando 8 mil campuseiros acampados, de 12 mil na arena, que é onde ficam os computadores.

Luciano Pires: Cara, 8 mil acampados, bicho?

Thalis Antunes: 8 mil acampados.

Luciano Pires: Eu estava com 600 aqui na cabeça. Pô, deve ter uns 600.

Thalis Antunes: Não, não.

Luciano Pires: 8 mil caras acampados?

Thalis Antunes: É. Em Porto Velho deu mais mil. É que ali tinha mais de um acampamento, tinha mais de um espaço. Então, tinha muita gente.

Luciano Pires: Tem estrutura para esse acampamento? Porque você monta o acampamento dentro de uma área de exposições.

Thalis Antunes: Isso, isso. A gente tem que montar banheiro, a gente tem que montar banheiro masculino e feminino, segurança, revista. Todo o sistema de segurança para poder garantir que todo mundo ali vai agir bem dentro do evento. Então assim, é uma operação de guerra. Nós abrimos ela… a do próximo ano, por exemplo, a gente vai abrir no dia 11, meio dia, a gente começa a receber as caravanas. Que as caravanas chegam 24 horas antes de começar o evento.

Luciano Pires: Antes da abertura da feira?

Thalis Antunes: É. 24 horas antes. Já começa a chegar ônibus. As pessoas já se acomodarem. E a gente só fecha no dia 17, meio dia, que no caso é no domingo. A gente abre numa segunda e fecha só no domingo.

Luciano Pires: Ela abre dia 12 e vai até dia 17. São cinco dias de feira?

Thalis Antunes: Cinco dias. Só que as caravanas costumam chegar antes…

Luciano Pires: Chegam do interior…

Thalis Antunes: O camping já está aberto, um dia antes.

Luciano Pires: Tá. Só para terminar com aqueles números lá. No final das contas, quantas pessoas terão passado pela Campus Party?

Thalis Antunes: Sim. Aí nós temos, dentro das missões do Instituto Campus Party também democratizar, o que está sendo discutido, o que está sendo criado lá. Então, assim como a gente tem o camping, que é onde as pessoas dormem, temos a arena, que é onde tem os palcos temáticos, o palco principal e as bancadas, onde as pessoas ficam produzindo coisas. Nós temos também uma área open, que realmente é aberta, gratuita e qualquer pessoa pode ter acesso, independente de idade ou conhecimento técnico. Nessa área open é onde a gente tem… nós chegamos a mais de 100 mil pessoas circulando ali durante todos os dias. Então é um vão bem grande e nós conseguimos colocar pílulas ali para que as pessoas, elas tenham um primeiro acesso e saibam que aquele mundo existe. Às vezes tem muita gente – eu, por exemplo, quando eu peguei o meu primeiro MSX eu não fazia ideia do que era aquilo – hoje em dia, eu tenho certeza que têm várias crianças, vários adolescentes ou até adultos que não sabem e que lá vai ser o primeiro contato.

Luciano Pires: O stand do teu patrocinador que está na área livre, ele também está na área fechada?

Thalis Antunes: Depende do foco do patrocinador. Tem patrocinador, que ele quer acessar as pessoas que estão só acampadas, por exemplo. Tem patrocinador que quer acessar só as pessoas que estão na arena e estão produzindo coisas. E outros querem acessar o público em geral. Então, vai depender muito do foco dele e do tipo de ativação que ele vai fazer.

Luciano Pires: Tá. E eu, quando eu chegar lá, eu devo esperar encontrar tudo que diz respeito a computador, internet. O que tem? O que esse universo abarca? Telefonia? O que abarca?

Thalis Antunes: É. Hoje em dia, quer dizer, as temáticas que vem sempre na Campus Party, nós temos aí: ciência, tecnologia. Temos, se você for dividir nos palcos, antigamente, o palco de ciência pura. Hoje em dia o palco como STEAM, Ciência, Tecnologia, Engenharia, Arte, Matemática. Então, a gente trata como tudo junto para poder ensinar. Nós temos um palco de makers, que são pessoas que fazem coisas. De colders, que são desenvolvedores utilizando código. Temos palco de criativos, de entretenimento. Então tem diversas áreas, onde a pessoa pode tentar se encontrar ali dentro.

Luciano Pires: Se eu for um maluco por drones e eu for na Campus Party? Eu fico louco na Campus Party?

Thalis Antunes: É. Inclusive até na área open, a gente já tem alguma coisa. Nós temos uma arena de drones ali fora. Então na área open a gente tem a arena de drones. Temos o Campus Makers, que é onde você não só vai assistir a palestra, mas você vai conseguir fazer coisas. Então, você pode pilotar um drone pela primeira vez. Gostou disso. Você pode ir na área maker e cortar o seu drone numa máquina de cortar a laser, por exemplo, e fazer seu próprio drone. Tudo vai depender do interesse da pessoa. E o principal é: na Campus você encontra as pessoas que sabem fazer essas coisas e que querem compartilhar. Que eu acho que o principal é você encontrar isso.

Luciano Pires: Esse é o grande lance, cara.

Thalis Antunes: É. Esse é o grande lance.

Luciano Pires: A Campus Party, ela é menos o conteúdo em si e mais a capacidade de conectar as pessoas que sabem com as que querem entender. Então é a troca. É o caminho de troca das coisas lá. Isso que é…

Thalis Antunes: Total, total.

Luciano Pires: Isso que é genial, cara. Me fala uma coisa, em termos de quando você desenha o evento. Quer dizer, eu quero participar do evento. Eu vou acessar o site, vou fazer minha inscrição e vou receber um menu, um cardápio de eventos. E aí, nesse cardápio vai constar o quê? O que vai ter lá, que eu posso falar: eu quero fazer. O que eu encontro ali.

Thalis Antunes: Tá. Dentro da Campus Party, a partir do momento que você está lá dentro, seja como palestrante, como ouvinte, como campuseiro, que a gente chama aí, carinhosamente. Aí você pode fazer qualquer coisa que estiver dentro da programação. Então você pode fazer um workshop, você não precisa de pagar mais. Você pode assistir uma palestra. Você pode fazer qualquer coisa que te interesse. E, inclusive, se não tiver nada que te interessa lá, você pode ir lá e fazer o seu próprio conteúdo, compartilhar o seu próprio conteúdo com as pessoas.

Luciano Pires: De que jeito?

Thalis Antunes: Na própria Campus Party tem um site nosso, tem um call for papers lá, onde qualquer pessoa pode ir lá e falar assim: eu acho que a programação sua não está legal. E eu quero falar sobre tal coisa, que eu vejo que isso está em alta e eu quero compartilhar o conhecimento.

Luciano Pires: E aí ele vai ser encaixado.

Thalis Antunes: Aí a gente passa para uma curadoria e aí a gente tenta encaixá-lo seja para dar uma palestra no próprio palco, junto com os outros palestrantes que a gente está trazendo, ou um workshop que seja.

Luciano Pires: Então, pelo que eu vi lá nos desenhos. Você tem vários mini palcos e tem um grande palco.

Thalis Antunes: Isto.

Luciano Pires: O palco principal, onde acontecem os grandes eventos e esses mini palcos, acontecem essas coisas mais temáticas. E cada um desses mini palcos, ele tem um tema, como você definiu aí, né? Além disso, me parece que eu vi micro palcos.

Thalis Antunes: Sim, sim.

Luciano Pires: Que são menores do que aqueles ainda, que acontece que eles reúnem 16, 20 caras ali. E ali está rolando coisa. Tem um cara ali fazendo uma palestra e mostrando coisas, né?

Thalis Antunes: É. Hoje nós temos o que você falou: os palcos. Temos as áreas de workshop oficiais. E temos também um espaço que são as bancadas de comunidades. Então nós temos as bancadas especiais, onde as comunidades falavam assim: tudo bem, a gente quer ir no palco. A gente quer fazer conteúdo aqui todos os dias, o tempo todo. Então a gente organiza isso junto com a comunidade, indexa todo aquele conteúdo que está rolando nesses espaços menores, igual você falou: para 20 pessoas. Esse é o limite nosso. E isso vai para a programação oficial. Então, assim como a palestra do palco principal está na programação, aquela pessoa que está fazendo conteúdo ali na bancada também, ele está na programação.

Luciano Pires: E eu bati o olho ali, quero assistir, chego lá na hora, entro e não tem erro, sento ali e assisto o que eu quiser.

Thalis Antunes: Pode ir. Isso mesmo. As pessoas são muito abertas. Eu tenho certeza que dificilmente você vai achar alguém dentro da Campus Party que você fala assim: cara, me ajuda a fazer tal coisa? Se alguém te para lá e fala assim: olha, eu quero virar podcast. Como é que eu faço? Com certeza, você ajuda muita gente lá. Eu sei de várias pessoas que você poderia ajudar.

Luciano Pires: Vai ter um wokshop na quinta-feira, tal hora, vai lá que vai ter, ele vai acontecer assim.

Thalis Antunes: Isso. Então o espírito é esse, de você ou estar no palco principal com um magistral, sei lá, vem um engenheiro da NASA lá, mostrando a vida dele…

Luciano Pires: Isso era outra coisa que eu queria comentar contigo. Quem são as pessoas que estão nesses palcos? Então eu já sei que eu, como um franco atirador, eu posso de repente, estar num micro palco desses fazendo uma apresentação de uma ideia qualquer. Quando você cresce para os palcos temáticos, já tem que ter uma certa, um norte ali. Quem são as pessoas que estão nesses palcos?

Thalis Antunes: Tá. Esses palcos, nós temos pessoas que elas são técnicas, então elas têm um conhecimento técnico e ela quer compartilhar. Então, se tem uma pessoa que é um desenvolvedor muito bom, de uma empresa, um freelancer, o que seja. E ele tem o costume de mostrar alguma tecnologia específica e essa tecnologia está em auge, a gente coloca esse cara para dar palestra ou mulher, o que seja.

Luciano Pires: Vocês vão convidar? Como que é essa mecânica?

Thalis Antunes: Nós podemos convidar. Então têm pessoas que às vezes, nunca foram na Campus e uma hora recebe um convite. Nós também podemos colocar pessoas. Na de São Paulo acontece muito isso. Nós pegamos quem… às vezes é um cara que submeteu sua palestra lá em Rondônia ou lá em Natal. Deu uma palestra, foi boa. A gente traz ele para São Paulo também. Então, já têm algumas pessoas que fizeram isso, inclusive. Então, tem de todo tipo. E você consegue chutar aí quantos palestrantes, nós temos em São Paulo, por exemplo?

Luciano Pires: Cara, o quê? 200?

Thalis Antunes: 900.

Luciano Pires: Cara…

Thalis Antunes: Hoje, já confirmados – olha quanto tempo falta para o evento – nós já temos por volta de 100 palestrantes confirmados.

Luciano Pires: A gente não falou aqui. Nós estamos há quanto tempo do evento? Vai ser em janeiro, fevereiro?

Thalis Antunes: É. O evento vai ser de 12 a 17 de fevereiro.

Luciano Pires: Fevereiro?

Thalis Antunes: É.

Luciano Pires: Nós estamos em setembro, vai.

Thalis Antunes: Nós estamos começando setembro aqui.

Luciano Pires: E você já tem quantos confirmados?

Thalis Antunes: 100 confirmados.

Luciano Pires: 100?

Thalis Antunes: 100 palestrantes confirmados. Então assim, e isso sem contar com a quantidade de pessoas que já submeteram atividades. Já querem dar palestra e tudo, né?

Luciano Pires: Pô, que legal, cara. É genial. Eu, o que me atraiu quando eu fui? A primeira vez que eu fui eu tomei um susto. Que eu fui como um podcaster num evento que tinha sido tomado pelos podcasters. Tinha aquela bancada gigantesca, todo mundo lá. Foi um negócio genial. E aquilo era aquela agitação toda. E eu entrei e eu tomei um choque com aquele caos. Que aquilo é absolutamente caótico. Mas é um caótico organizado. Quer dizer, aquele caos é parte. A energia existe por causa do caos. Se não tivesse esse caos, eu acho que caía muito. A gente perderia muito em termos de energia ali. E o que me deixou assim… eu venho do segmento de autopeças. Eu trabalhei durante muito tempo em autopeças. Fiz muita feira de autopeças. Muita. Cara. Salão de Automóveis, Autopar. Muita coisa que eu fiz. E a gente discutia, eu defendia o budget para participar das feiras, porque eu dizia o seguinte, cara: por que estar numa feira dessas? Por que estar num evento desses? É a chance que eu tenho de, em uma semana, me encontrar com todos os clientes que eu não vou me encontrar ao longo do ano. De encontrar todas as pessoas, que às vezes, eu não consigo falar ao longo de um ano. Eu não consigo viajar, visitar todo mundo. E ali a gente tinha a chance de se encontrar com todo mundo. Quer dizer, é uma coisa concentrada. Saía de lá com a cabeça a milhão de tanto encontro que acontecia lá. Me parece que a Campus Party vai além disso. Porque além de eu estar lá para ver as empresas que me interessam, os caras que me interessam; também do meu lado, tem um cara muito parecido comigo, que eu nunca vi na minha vida e quando eu encontro com ele, os dois tem o mesmo interesse e ali nascem coisas malucas. Eu imagino o que deve ter surgido de empresas ali, a partir dos contatos que o pessoal faz.

Thalis Antunes: Empresas. Já teve até casamento na própria Campus Party, no palco principal. Já teve de tudo ali.

Luciano Pires: E vocês trazem gente de fora, vêm palestrantes de fora para cá?

Thalis Antunes: Também.

Luciano Pires: Todo ano vem?

Thalis Antunes: Vem. A gente sempre traz palestrantes que são internacionais. Agora, inclusive, o primeiro que a gente anunciou foi o Ivair Gontijo. Não sei se você conhece ele?

Luciano Pires: Não.

Thalis Antunes: Ele é um cara que ele é engenheiro da NASA, ele é físico de formação e engenheiro da NASA hoje em dia. E ele trabalhou naquele projeto da Curiosity, aquele jipinho que foi lá para Marte. Então ele foi um dos caras responsáveis por fazer o mecanismo do radar que foi utilizado no pouso. Então assim, é uma coisa bem, bem, específica. E ele trabalhou nisso. E agora ele está no projeto Marte2020 e no mês que ele vai vir aqui para a Campus, vai ser o mês que ele vai estar fazendo a entrega do projeto lá. E é um cara que é brasileiro.

Luciano Pires: Que legal, cara.

Thalis Antunes: Ele é um cara comum, uma pessoa comum, que conseguiu chegar…

Luciano Pires: Até lá…

Thalis Antunes: Fazer coisa extraordinárias. Eu acho que nós estamos muito com essa pegada nessa próxima Campus Party. De pegar pessoas que são muito boas, mas que inspira também as pessoas a chegarem…

Luciano Pires: Thalis, esse programa aqui é um programa de liderança e empreendedorismo. Evidentemente a Campus Party, o que tem de empreendedorismo lá, eu acho que é o que mais tem lá dentro. Mas fala para mim do evento como evento em si, cara. Um evento desse é um evento milionário, envolve muita grana, envolve muita gente, envolve muita energia que vai lá. E eu imagino que todo ano, isso não é uma coisa que você lança e está feito. Não, cara, tem que começar, tem que ir atrás, né? E eu me lembro que ao longo do caminho houve algumas mudanças, até de modelo de negócio.

Thalis Antunes: Sim.

Luciano Pires: Vocês, em 2015 mudou tudo. 16 aí retomou ali na frente, a coisa continuou a andar. Como que é essa tua constituição dessa tua equipe? Terminou a Campus Party de São Paulo, vamos começar a pensar na próxima. É uma folha de papel em branco em cima da mesa ou é uma folha de papel já desenhada toda, em cima da mesa, onde você fala: bom, esta é a do ano passado. Vamos dar uma melhoradinha para o ano que vem? Ou tem aquela ideia do cara: tem que revolucionar esse treco aqui? Vamos mudar. Como é que funciona essa…

Thalis Antunes: É. Nós temos, que vem do Global, vem da Campus Party Global, que é do Instituto. Nós temos as diretrizes de temáticas centrais. Mas a gente costuma mudar bastante de uma edição para outra. Apesar que os palcos, os nomes, a gente costuma durar um certo tempo. Então, a gente não costuma fazer muitas mudanças nos palcos temáticos. Mas é praticamente pegar uma folha em branco e começar do zero. A gente não perde a essência, porque a equipe que faz – nós temos uma equipe fixa – então, hoje, dentro da MCI, a gente tem uma equipe lá de quase 30 pessoas que só faz Campus Party. A gente está começando a fazer alguns outros eventos também, proprietários, mas até então é mais Campus Party. E essa equipe, ela é um trator assim, a gente consegue fazer edições muito próximas uma da outra. A gente consegue ter a capacidade de mudar o espaço e a gente começar do zero novamente. E como eu disse: sem perder a essência. Então, sempre tem coisa nova. Mas para o campuseiro, para quem está lá, ele percebe as novidades, mas percebe que é Campus Party. Então assim, não pode também mudar a ponto de que as pessoas chegam lá e falam assim: putz isso aqui não é Campus Party mais. Então, não pode chegar a esse ponto. E antigamente, igual você citou o exemplo aí de 2015, teve uma mudança. A própria Campus Party, o próprio Instituto Campus Party, ele executava o evento. E a gente tinha uma edição em São Paulo e também uma edição em Recife. E aí teve uma mudança de modelo, onde queria expandir, queria chegar em outros lugares do mundo e aí optou-se para colocar uma empresa igual a MCI.

Luciano Pires: Para execução?

Thalis Antunes: Para execução. Que na verdade, ela acaba sendo sócia do negócio.

Luciano Pires: Digamos que eu seja o prefeito de Macaé, e eu queria uma Campus Party em Macaé. Como é que funciona isso aqui? Qual é o critério que vocês usam para botar uma Campus Party em Porto Velho, cara? De onde vem isso? É uma oportunidade que surge para vocês? Ou vocês conscientemente dão uma mapeada e falam: ali tem que ter alguma, para a gente conquistar aquele terreno? Como que é isso?

Thalis Antunes: Hoje, se a gente pegar, deve ter aí, no mínimo, uma dúzia de cidades que estão com candidaturas para poder…

Luciano Pires: Uma dúzia?

Thalis Antunes: É. Para poder ter Campus Party. Então, geralmente, a instituição, seja o governo ou quem quer receber aquela Campus Party, ela faz uma candidatura, em algumas cidades parte de Campus, eles já vieram em São Paulo e falou: pô, eu quero na minha cidade também e tudo. Então, parte da comunidade local. Essa candidatura a gente analisa a capacidade dessa cidade, de receber a Campus Party. O quão tem… o número de pessoas que tem lá que são engajadas, que poderiam continuar isso depois, a ter um legado. Que também não adianta você colocar num local que não tem… que não vai ter continuidade. Então, lá em Rondônia, por exemplo, em Rondônia eles tinham um evento lá, que é a Infoparty, que foi um evento feito pelo governo do estado, foi feito por dois anos. E aí o governo nos procurou. Procurou o Instituto Campus Party, para poder ver a possibilidade de um dia transformar a Infoparty para Campus Party. E aí nós analisamos bem, vimos que tinha uma quantidade interessante de pessoas de lá, que já vinham para cá, inclusive eu já tinha conhecido alguns que já tinham vindo na Campus Party de São Paulo, vieram de ônibus, uns três dias de ônibus, para poder chegar aqui, para poder ter esse contato. E aí com isso, a gente analisou que lá seria um local para poder implantar. Mas tem outras cidades no Brasil que com certeza tem condições. E qualquer um que tiver interesse de trazer é só nos procurar. Procurar o Instituto Campus Party.

Luciano Pires: Tem outras na América Latina, aqui?

Thalis Antunes: Tem. Tem. A gente tem a da Argentina. É a MCI também que faz, que não é a mesma equipe Brasil. É a equipe argentina que está fazendo lá, fizeram duas edições, estão indo para a terceira no ano que vem. Até então, na América Latina são essas. Não, tem o México. No México também, está indo para a nona edição e não é o MCI que faz, é outra empresa.

Luciano Pires: Então, deixa eu comentar um pouquinho porque eu convidei o Thalis. Porque ele veio parar aqui. Eles me convidaram, eu fui fazer uma palestra na Campus Party lá de Porto Velho. Eu cheguei lá, eu fui recebido por ele. A gente conversou bastante. Me apresentou como que era a bagunça. Fomos almoçar. Sentei com ele ali e falei: Thalis, pô, teve uma época que podcast tinha uma presença muito grande na Campus Party. Teve lá uma época que teve a bancada dos podcasts, depois teve um cubo. Foi muito legal. E um belo dia essa coisa toda se perdeu. Essa coisa parou. Despareceu e sumiu. O que falta para ter podcast de novo? Ele falou para mim: falta isso aqui, a gente sentar e conversar. E nessa hora baixou em mim o espírito do presidente interino da ABPOD, Associação Brasileira de Podcasters. Eu falei: pô, então pera um pouquinho, Thalis. Você não sabe, mas eu sou o cara que estou aqui como interino, a gente está reorganizando, reordenando a associação. E vem cá, qual é a chance? Ele falou: cara, toda a chance do mundo. Vocês têm um conteúdo que para nós interessa demais. Há essa familiaridade entre as coisas, quer dizer, nós estamos metidos até o pescoço em tecnologia. Eu falei: bicho, vamos sentar e vamos conversar e vamos voltar, cara, vamos fazer e vamos colocar lá outra vez. E hoje a gente sentou. Eu falei: vem cá, cara, quero que você me conte essa história. Essa minha curiosidade pela Campus Party, eu falei: cara, isso dá um LíderCast. O que eu quero saber daqui eu vou falar para as pessoas. Então nós estamos nesse momento conversando, para ver como que a gente consegue organizar, para que na Campus Party que acontece em fevereiro de 2019, a gente tenha de volta, com a importância que merece, a comunidade de podcasters lá, fazer o dia do podcast, alguma coisa assim. A gente não detalhou muito ainda, mas está muito próximo de a gente conseguir fazer uma coisa interessante lá. Muito bem. Eu posso participar da Campus Party como um campuseiro, eu vou lá e acampo e fico lá dentro o tempo todo.

Thalis Antunes: Sim.

Luciano Pires: Posso ser um visitante, que vou lá e visito.

Thalis Antunes: Sim.

Luciano Pires: Quanto custam essas coisas, cara? Quanto eu gasto para participar de uma Campus Party?

Thalis Antunes: Tem algumas formas de você fazer. Mas a forma mais fácil e simples seria a pessoa comprar o ingresso. Então ela compra o ingresso. Hoje o ingresso custa R$250,00 e dá acesso à arena todos os dias. Então ela pode acessar, assistir todas as palestras, os workshops e tudo.

Luciano Pires: Durante cinco dias?

Thalis Antunes: É. Durante todos os dias.

Luciano Pires: Tá. E isso não é o ingresso para eu acampar?

Thalis Antunes: Não, não. Para acampar é mais R$90,00.

Luciano Pires: Isso é o acesso.

Thalis Antunes: Você pode comprar o camping para você poder…

Luciano Pires: 90 por todos os dias?

Thalis Antunes: Por todos os dias. Aí você ganha a barraca. A barraca é sua. Você vai chegar lá, a barraca vai estar montada. Então não tem… que as pessoas não têm o curso que você tem, de escoteiro. Então, não é todo mundo que vai conseguir montar uma barraca. A barraca já está prontinha. E terminando o evento, a barraca pode levar para casa.

Luciano Pires: Ah. É sua? Você ganha a barraca?

Thalis Antunes: Você ganha a barraca.

Luciano Pires: Legal.

Thalis Antunes: Mas essa é a forma mais simples, vamos dizer assim, que você tem o dinheiro, compra e está dentro. Existem outras formas de participar. Então você pode ser voluntário dentro da Campus Party, porque a gente tem um programa de voluntariado.

Luciano Pires: Isso foi um negócio que você comentou comigo, eu achei genial, cara. Você falou que vocês abriram agora a chamada para voluntários e veio um monte de gente de Porto Velho.

Thalis Antunes: Isso.

Luciano Pires: Que vê uma oportunidade gigantesca: cara, eu vou para São Paulo, eles vão me levar, eu vou trabalhar na Campus Party e passo uma semana lá em São Paulo, não só visitando, mas trabalhando efetivamente lá. O que é esse programa de voluntários, cara? Como que é isso aí? O que exige?

Thalis Antunes: Nós temos vários programas. Hoje o voluntariado, a pessoa tem que ser maior de idade, eu acho que a principal exigência é essa. Tem que ser estudante. Então a gente só pega pessoas que estão estudando, que estão fazendo alguma graduação, um curso técnico que seja. E não necessariamente relacionado à tecnologia. Então, a pessoa só mostra interesse, ela redige um pequeno texto, falando por que ela deveria ser voluntária. Se ela já foi voluntária outras vezes ou não em alguma outra coisa. E aí ela tem a oportunidade de trabalhar durante seis horas por dia dentro da Campus Party, nos setores. Então pode trabalhar no setor de tecnologia. Aí eu quero saber como que é montada a rede da Campus. Eu quero ajudar. E aí você pode ficar no setor de tecnologia ou de conteúdo, ajudando os palestrantes nos palcos, ou de produção, ajudando a montagem mesmo, ou na comunicação, redes sociais, imprensa. Têm vários setores que a pessoa pode se candidatar.

Luciano Pires: Ela tem que se virar para chegar em São Paulo?

Thalis Antunes: Sim, sim,

Luciano Pires: E vocês dão a barraca e a alimentação para elas. É isso?

Thalis Antunes: Isso, isso. Passagem a gente não custeia. Até porque a gente trata todo mundo igual. Então se a pessoa é de São Paulo, de qualquer lugar, ela tem que vir para cá…

Luciano Pires: Tem fila de voluntário?

Thalis Antunes: Cara, dá uma média de 15 por vaga. Assim, é uma quantidade bem grande. Mas a pessoa não precisa de comprar o ingresso, a barraca e nem alimentação, além de ter um certificado de voluntariado.

Luciano Pires: E a carga horária é seis horas por dia?

Thalis Antunes: Seis horas por dia.

Luciano Pires: Sobraram 18 horas para ela fazer o que quiser lá dentro da Campus Party.

Thalis Antunes: Fazer o que quiser. Pode distribuir conteúdo e tudo. E dependendo do palco que ela estiver, se ela estiver ajudando ali, ela ainda pode continuar trabalhando e se conectar com alguma pessoa que ele quer. Isso é muito legal.

Luciano Pires: Legal.

Thalis Antunes: E quando você é voluntário, nós… inclusive hoje, eu tenho três pessoas na minha equipe, que eu contratei, no processo seletivo que eu fiz para contratar o último, eu só recebi currículo de ex voluntários. A gente tem essa cultura de pegar pessoas que já trabalharam de alguma forma. E temos outros programas. Então, hoje se você tem uma startup, quer apresentar sua startup na Campus Party, nós damos um espaço lá, um stand para a startup. A gente não cobra dela. E você falou que já trabalhou em feira, em evento. Você sabe o quanto é você…

Luciano Pires: É daí que vem o dinheiro do organizador do evento. A venda de stand.

Thalis Antunes: É.

Luciano Pires: E no teu caso não é isso, não é vendendo stand?

Thalis Antunes: No nosso caso o modelo é um pouco diferente. Aí a gente, para ajudar as startups, a gente chega a um número aí de 70, 80 startups mais ou menos, onde eles se inscrevem, até três membros. Esses membros, eles podem mostrar durante um ou dois dias lá, o projeto. Então, seja startup, se você tiver um projeto universitário e também tem o Campus Filter, que também é um stand. A universidade pode validar aquela ideia ou aquele projeto num formato um pouco diferente, para um público diferente. Que sai um pouco do que tem em congressos e academias.

Luciano Pires: Pô, que legal. Eu vi lá em Porto Velho, a hora que eu saí, estava entrando um grupo de professores. Eram 40 professores de uma escola, que estavam chegando lá, todos juntos e fazendo uma visita guiada na Campus Party. Aqui acontece também isso? Quer dizer, o grupo de escolas vai visitar, professor e tudo mais, né?

Thalis Antunes: É. Esse grupo, eu até recebi eles depois, um grupo de uma universidade local lá. E que eles pediram, eles ficaram perdidos, igual você. Entraram dentro da Campus e falaram assim: e agora? Cadê o manual de instrução?

Luciano Pires: Por onde eu começo?

Thalis Antunes: Cadê o manual? O que eu faço aqui? Para quem é marinheiro de primeira viagem, inclusive a gente tem o Guia do Campuseiro, tem um manual de sobrevivência. Quem vai acampar a primeira vez é bom dar uma lida. O que levar, o que não levar. Por exemplo, a gente dá a barraca, mas a gente não dá o colchão. Então a pessoa tem que saber que ela tem que levar o colchão. E isso é bem legal. A gente poder receber grupos também, poder receber escolas. Inclusive tem escolas que vão para lá sem ingresso, só para ir na área open ali, montam grupos para poder fazer isso. A gente não tem esse tipo de atendimento, das escolas. E principalmente quando é rede pública a gente inclusive costuma fazer… Até alguns palestrantes pedem para poder ir nas escolas próximas de onde está acontecendo o evento para dar palestras e tudo. Lá em Rondônia mesmo o Gabe, Gabriel, não sei você chegou a conhecer ele, que é um dos engenheiros da NASA que a gente trouxe para lá. Que ele deu palestra numas 10 escolas públicas lá.

Luciano Pires: Em volta? Na região?

Thalis Antunes: Na região.

Luciano Pires: Que legal, cara.

Thalis Antunes: Ele rodou. Ele chegou a rodar até 90, 100 quilômetros de distância para…

Luciano Pires: Então, tem uma dimensão social no projeto de vocês?

Thalis Antunes: Tem, tem.

Luciano Pires: Tem isso também. Pô, que legal.

Thalis Antunes: E essa parte social a gente não costuma levar muito para a mídia. A gente foca mais no evento. E o restante… a parte social a gente só quer fazer mesmo, assim.

Luciano Pires: Sim. Muito bom, cara. Muito bem, vamos lá pelos caminhos agora. Quem quiser saber mais, entrar em contato, se inscrever, assinar, participar, etc. e tal. Vai procurar o quê? Campus Party no Google, tá resolvido?

Thalis Antunes: É. Procurar Campus Party no Google.

Luciano Pires: Nenhum truque?

Thalis Antunes: Não. Se você procurar Campus Party ali já vai aparecer. Se o seu navegador estiver configurado em português, ele vai aparecer brasil.campus-party.org e ali já vai ter todas as informações. Nós temos as redes sociais aí, Twitter, Instagram, Facebook. Eu acho que são as que a gente posta mais coisas.

Luciano Pires: O teu chamado de voluntários vai até quando? Ou já fechou?

Thalis Antunes: Não. O chamado de voluntários ainda está aberto. Ele vai até outubro, mais ou menos.

Luciano Pires: Então vai dar tempo. Quando esse programa aqui for publicado, ainda vai estar aberto o chamado de voluntários?

Thalis Antunes: Sim, sim, sim.

Luciano Pires: E a recomendação para quem quiser visitar é comprar com antecedência? Vai esgotar uma hora ou não esgota?

Thalis Antunes: Sim, sim. Costuma esgotar. Então eu acredito que quando é em dezembro, mais ou menos já costuma esgotar as vagas. Levando em consideração o público nosso, estou falando empreendedores aí, eu também foco bastante no call for paper, se tiver alguém que quiser participar ativamente, se quiser dar uma palestra. A gente tem esse trabalho. Tem algumas comunidades inclusive que ajudam quem quiser dar palestra, para ajudar a escrever, tem o Codamos Club, por exemplo, da Alda, eles têm um trabalho de pessoas que quiserem dar sua palestra pela primeira vez, eles ajudam a escrever, a submeter e tal.

Luciano Pires: Que legal.

Thalis Antunes: E tem várias outras formas, de ir em grupos. Eu acho que principalmente para quem for fora de São Paulo aí, que quiser vir em caravana, a gente tem um programa de caravanas, onde as pessoas podem montar seus grupos e podem vir juntas. Eu acho que aproveita mais ainda.

Luciano Pires: Muito bem. Tudo isso por causa de um almoço em Porto Velho. Cara, olha que loucura, né? Cara, genial. Adorei. Eu tinha… toda essa curiosidade minha aqui é genuína. Eu não estou te perguntando coisas que eu já sabia. Eu não sabia. E falei: deixa eu aproveitar o embalo aqui. Eu acho que deu para ter uma ideia muito legal da dimensão que é esse evento. Qual é a projeção agora, para fevereiro, o que é? Qual é o tema? Qual é o pano de fundo? Tem alguma coisa para chamar a atenção para a feira? Aproveita para vender o peixe agora.

Thalis Antunes: Tá. A edição de São Paulo, eu acredito que é uma edição que ela junta assim, as melhores pessoas de cada área, na edição de São Paulo. Aproveitem para poder ter uma emissão. Então, principalmente quem se acha velho. Você comentou: ah não, eu estou velho. Não sou de comunidade. Cara, nós fazemos algumas emissões de algumas ações dentro da Campus Party para esse público, para as pessoas que já são de um nível um pouco mais alto, sênior, CEOs de empresas, presidentes e tudo. E inclusive dentro da Campus a gente tem um negócio chamado Summits, que é um espaço fechado, com os palestrantes que a gente tem nos palcos, voltado para esse público. Voltado para poder, pessoas que às vezes não iriam na Campus Party. E aproveitem para ter esse contato com o jovem. Se você tiver também algum jovem, filho, alguma coisa, cara, tem que ir na Campus para poder abrir a cabeça. Eu não tenho filho ainda. Mas eu tenho um afilhado. E eu lembro que quando ele fez 11 anos, o meu presente dele foi…

Luciano Pires: Campus Party?

Thalis Antunes: Campus Party. E foi ele que pediu. Ele falou assim: padrinho, me leva. Assim, não era nem… é que menor de idade precisa ter um termo de responsabilidade, alguém tem que ser responsável por ele, porque vai dormir lá. E o moleque enlouqueceu lá dentro. E voltou para casa louco, querendo estudar inglês, querendo estudar mais, querendo fazer as coisas, querendo morar em São Paulo. Depois falou que não queria morar em Janaúba mais, queria morar em São Paulo. E isso é legal. Eu acho que a gente dá um choque nas pessoas, independente da idade, por causa da imersão. Não espere ir na Campus Party sendo uma feira. Não é uma feira que você vai, que tem exposição de coisas.

Luciano Pires: Fica vendo, vendo stand, esse tipo de coisa. Não é isso não.

Thalis Antunes: Não. Não é isso. Não é isso. É um lugar onde você vai ter experiências e conhecer pessoas. Então, eu acho que para quem quer potencializar network, não tem… não é porque eu trabalho lá, mas eu não conheço outro local onde você consegue conectar com tantas pessoas assim e 24 horas.

Luciano Pires: Muito bom.

Thalis Antunes: Eu acho que é isso.

Luciano Pires: Bom, eu espero que nós estejamos juntos lá, de novo. Cara, vamos fazer força para botar os podcasts lá e fazer um evento legal aí, cara, como ela tem sido e continuando essa bala de crescimento. Parabéns pelo trabalho de vocês lá. Eu posso falar de coração, porque eu fui em Porto Velho e vi esse evento acontecendo lá em Porto Velho. Você fala: cara, aquilo é a periferia do Brasil. Está distante de todos os centros. É difícil de chegar lá. E, cara, quantas pessoas lá? Mil? Quantos campuseiros você falou que tinha?

Thalis Antunes: 4.020.

Luciano Pires: 4.020 campuseiros lá em Porto Velho, cara. Sabe? Conectados. E a gente viu lá. E tinha nego fazendo robô e tinha… de tudo acontecia, acontecendo ali em Porto Velho.

Thalis Antunes: É. Lá foi sensacional, assim, e as pessoas querendo participar ativamente. A gente geralmente também faz campeonatos de games. Lá não, lá teve um cara que me procurou e falou: cara, o campeonato seu está pequeno. Nós temos que fazer um campeonato maior, não sei o quê. Me encheu as paciências, fez um campeonato maior. Eu digo: então você faz. Então vamos embora. E lá, cara, foi sensacional.

Luciano Pires: Que legal.

Thalis Antunes: Como você falou, depois que as pessoas fazem em locais que são geograficamente tão distantes, pô…

Luciano Pires: Sim. Há uma fome pelo novo. E quando acontece, eles valorizam bastante. Grande Thalis, obrigado pela visita, cara. Espero que você tenha curtido o papo aqui. Eu acho que deu para dar um painel legal do que é a Campus Party.

Thalis Antunes: Ah, com certeza.

Luciano Pires: Eu espero que vocês tenham sucesso aí, merecido e que continue levando adiante todo esse lado aí tecnologia, lado social, relacionamento, tribos, grupos, comunidades. Isso aí, o futuro está aí.

Thalis Antunes: Com certeza, com certeza. E assim, eu queria agradecer e queria deixar também, talvez, um presente aí para os ouvintes. Se você permitir, eu queria deixar um código de descontos. A gente pode fazer alguma coisa aí…

Luciano Pires: Claro, deixa…

Thalis Antunes: E na hora de você publicar, a gente coloca só para quem… os seus ouvintes aí, que quiserem ir na Campus.

Luciano Pires: Tá. Como é que você vai fazer isso? O que é?

Thalis Antunes: Não, nós vamos fazer um código de desconto, sei lá #cafebrasil…

Luciano Pires: Ok e eu vou colocar…

Thalis Antunes: Ou do cast, né?

Luciano Pires: Quando você me der esse código aqui, eu vou colocar ou na descrição do programa ou então eu vou ver se eu coloco no áudio com você. Se eu conseguir eu coloco dentro do áudio aqui, o código. Tá bom?

Thalis Antunes: Tá bom. Ótimo.

Luciano Pires: Então, maravilha. Obrigado.

Thalis Antunes: Combinado.

Luciano Pires: Grande visita.

Thalis Antunes: Valeu.

Luciano Pires: Muito bem, termina aqui mais um LíderCast, a transcrição deste programa, você encontra no LíderCast.com.br. para ter acesso a esta temporada completa assine o cafebrasilpremium.com.br e receba imediatamente todos os arquivos. Além de ter acesso ao grupo cafebrasil no Telegram, que reúne ouvintes dos podcasts Café Brasil e LíderCast, que discutem em alto nível, temas importantes, compartilhando ideias e recebendo conteúdos exclusivos. Lembre-se: cafebrasilpremium.com.br. Essa temporada chega a você com o apoio da Nakata, que é líder em componentes de suspensão. Cuide bem de seu carro com as dicas do blog.nakata.com.br.

Narrador: Você ouviu LíderCast, com Luciano Pires. Mais uma isca intelectual do Café Brasil. Acompanhe os programas pelo portal cafebrasil.com.br.

 

Você leu a transcrição do episódio 135 do LíderCast, que tem duração de 1 hora, 09 minutos e 18 segundos e pode ser ouvido/baixado de www.LíderCast.com.br

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