Lidercast
Podpesquisa 2018
Podpesquisa 2018
Em sua quarta edição, a PodPesquisa 2018 recebeu mais ...

Ver mais

Como decidi em quem votarei para Presidente
Como decidi em quem votarei para Presidente
Não sei se estou certo, não fui pela emoção, não estou ...

Ver mais

Democracia, Tolerância e Censura
Democracia, Tolerância e Censura
O que distingue uma democracia de uma ditadura é a ...

Ver mais

O dia seguinte
O dia seguinte
Com o aumento considerável do mercado de palestrantes ...

Ver mais

643 – Dominando a Civilidade
643 – Dominando a Civilidade
Vivemos uma epidemia de incivilidade que ...

Ver mais

642 – A caverna de todos nós
642 – A caverna de todos nós
Olhe em volta, quanta gente precisando de ajuda, quanta ...

Ver mais

641 – O delito de ser livre
641 – O delito de ser livre
Na ofensiva contra a liberdade, fica cada vez mais ...

Ver mais

640 – O monumento à incompetência
640 – O monumento à incompetência
É muito fácil e confortável examinar o passado com os ...

Ver mais

LíderCast 135 – Thalis Antunes
LíderCast 135 – Thalis Antunes
Gestor de Conteúdo da Campus Party, que tinha tudo para ...

Ver mais

LíderCast 134 – Diego Porto Perez
LíderCast 134 – Diego Porto Perez
O elétrico Secretário de Esportes do Governo de ...

Ver mais

LíderCast 133 – Dennis Campos e Cláudio Alves
LíderCast 133 – Dennis Campos e Cláudio Alves
Empreendedores que criam no grande ABC uma agência de ...

Ver mais

LíderCast 132 – Alessandro Loiola
LíderCast 132 – Alessandro Loiola
Médico, escritor, um intelectual inquieto, capaz de ...

Ver mais

Cafezinho Live – Como será o Brasil com Bolsonaro
Cafezinho Live – Como será o Brasil com Bolsonaro
Um bate papo entre Adalberto Piotto, Carlos Nepomuceno ...

Ver mais

046 – Para quem vai anular o voto
046 – Para quem vai anular o voto
Fiz um vídeo desenhando claramente o que acontece com ...

Ver mais

Confraria Café Brasil
Confraria Café Brasil
A Confraria Café Brasil nasceu para conectar pessoas ...

Ver mais

Videocast Nakata T02 10
Videocast Nakata T02 10
Videocast Nakata Temporada 02 Episódio 10 - Hábitos ...

Ver mais

O mundo platônico e suas consequências
Carlos Nepomuceno
Live de terça O mundo platônico e suas consequências Live de terçaO mundo platônico e suas consequênciasTENHA VISÃO MAIS SOFISTICADA SOBRE O NOVO SÉCULO!TURMA PERMANENTE, COMECE HOJE!"O ...

Ver mais

O Trivium – uma introdução
Alexandre Gomes
As Sete Artes Liberais era a forma que os jovens eram preparados desde a Antiguidade até a alta Idade Média para educação superior. E a introdução nas Sete Artes era pelo Trivium, um método que ...

Ver mais

Live de terça – a liderança liberal
Carlos Nepomuceno
Live de terçaA liderança liberalTENHA VISÃO MAIS SOFISTICADA SOBRE O NOVO SÉCULO!TURMA PERMANENTE, COMECE HOJE!"O curso me ajudou a pensar o digital como meio e não fim". – JEAN ...

Ver mais

A Tribo da Política – ou a Democracia das Identidades
Alessandro Loiola
Talvez nunca antes na história desses país os recorrentes embates na Internet tenham mostrado de modo tão claro nossa admirável habilidade de nos submetermos à polarização político-ideológica. ...

Ver mais

Cafezinho 132 – Os cagonautas
Cafezinho 132 – Os cagonautas
Seu chefe é um cagonauta? Hummmm...tome cuidado, viu?

Ver mais

Cafezinho 131 – Compartilhe!
Cafezinho 131 – Compartilhe!
Seja a mídia que você quer ver no mundo

Ver mais

Cafezinho 130 – Juniorização
Cafezinho 130 – Juniorização
Está dada vez mais difícil falar com o Presidente, o ...

Ver mais

Cafezinho 129 – Minority Report Tropical
Cafezinho 129 – Minority Report Tropical
O Brasil se transformou na República do Futuro do Subjuntivo.

Ver mais

LíderCast 133 – Dennis Campos e Cláudio Alves

LíderCast 133 – Dennis Campos e Cláudio Alves

Luciano Pires -
Download do Programa

Narrador: Bem-vindo ao LiderCast, o podcast para quem quer saber mais sobre liderança. Apresentação, Luciano Pires.

Luciano Pires: Bom dia, boa tarde, boa noite. Bem-vindo, bem-vinda a mais um LiderCast, um podcast que trata de liderança e empreendedorismo, com gente que faz acontecer. No programa de hoje temos Dennis Campos e Claudio Alves, empreendedores que criam no Grande ABC, uma agência de Comunicação, saindo do zero e experimentando os obstáculos de todos os empreendedores brasileiros. É gente que nem a gente. Este não é um programa de entrevistas, não tem perguntas programadas, nem roteiro definido. É um bate-papo informal com gente que faz acontecer, que vai para lugares onde nem eu, nem meu convidado imaginamos. Por isso, eu não me limito a fazer perguntas, mas dou meus pitacos também. Você está entendendo? Não é uma entrevista. É um bate-papo. O LiderCast é lançado por temporadas. Os assinantes da Confraria Café Brasil e do Café Brasil Premium tem acesso imediato à temporada completa, assim que ela é lançada. São mais de 24 horas de conteúdo de uma vez só, cara. Os não assinantes receberão os programas gratuitamente, um por semana. Para assinar acesse cafebrasilpremium.com.br. Esta 10ª temporada do LiderCast chega até você com o apoio da Nakata, que é líder em componentes de suspensão. Cuide bem de seu carro com as dicas do blog.nakata.com br. Muito bem, mais um LiderCast. Vocês sabem como que é a pegada desse programa aqui. A gente não tem a ideia trazer estrelas, ficar aqui falando com aquele modelinho que tem no mercado aí, que você pega um cara, o cara vem e fala: eu era pobrezinho. Eu nasci na favela. Eu não tinha nada. Eu cresci do meu esforço. Fiquei rico. Hoje eu sou um fodão. E se eu sou, você pode ser também. Esse é o modelinho que tem aí fora. E não é o modelo do LiderCast. O modelo do LiderCast é falar com pessoas para tentar entender o que as motiva a fazer acontecer. E a ideia é trazer gente como a gente. Hoje eu estou aqui com um exemplo muito bom nisso aí. Esses dois chegaram aqui comigo. Porque um deles se meteu a mandar um e-mail para mim cheio de bla-bla-bla, nhe-nhe-nhe. Porque eu faço, eu posso, eu tenho. Eu quero estar aí um dia. Eu falei: então vem. Vem cá e vamos ver o que vai acontecer aqui. Tenho uma dupla aqui na minha frente. Vocês sabem qual é a pergunta tradicional, aquelas que vocês não podem errar. Então, um de cada vez. Eu quero saber o nome, idade e o que você faz?

Dennis Campos: Beleza. Eu acho que eu sou o que escreveu o e-mail. O que se atreveu a isso. Meu nome é Dennis Campos. Eu tenho 32 anos. E para resumir, a gente ajuda empresas a vender pela internet.

Claudio Alves: Eu sou Claudio Alves, tenho 35 anos, casado, pai da Ana Carolina, que é o que me motiva a acordar todo dia cedo para fazer as coisas acontecerem.

Luciano Pires: Você já tem a maior das motivações. Você não tem filho?

Dennis Campos: Não, não tenho.

Luciano Pires: Não tem?

Dennis Campos: Ainda não.

Luciano Pires: Vocês são de onde?

Claudio Alves: Eu sou de Santo André. Nasci em São Caetano e moro em Santo André.

Dennis Campos: E eu nasci e moro em Ribeirão Pires.

Luciano Pires: Ribeirão Pires, vocês estão ali…

Dennis Campos: Em São Paulo.

Luciano Pires: É. Estão ali no ABC, estão ali pertinho do ABC, né?

Dennis Campos: Isso.

Luciano Pires: Daquele lado lá, né? E daí cara, vamos lá, começar lá do comecinho. Formação dos dois? Vocês vêm da família? O pai e mãe faziam o quê? Ou faz o quê?

Claudio Alves: Bom, minha mãe assim, uma guerreira. O meu pai, quando eu tinha mais ou menos 11 anos, abandonou a gente. Viciado em jogo.

Luciano Pires: Mais uma história de pai viciado em jogo no LiderCast, cara.

Claudio Alves: E assim, minha mãe sempre um exemplo muito grande de força, batalha. Passamos por diversas juntos e…

Luciano Pires: Quantos são em casa?

Claudio Alves: Eu e meu irmão. Meu irmão é oito anos mais velho do que eu. Só que também, por ali, um destino ali, ele casou muito cedo. Ficou eu e minha mãe só, correndo aí para fazer as coisas acontecerem. E até esses dias eu estava dando um exemplo para a minha filha, que ali, falei: pô, vamos trabalhar lá com a gente, têm umas possibilidades lá. E você não quer, de jeito nenhum. Aí, numa pizza lá num sábado à noite, eu falei: é mãe, você lembra lá naquela época, que eu ficava numa lojinha lá em Mauá, na época, que a gente acabou morando em Mauá um período. E aí a gente ficava na lojinha. Eu ficava na lojinha sozinho, com 11, 12 anos, vendendo gelinho, pipa, pião. E não ganhava nada. A minha filha hoje – eu brincando com ela – eu falei: vai trabalhar lá, que eu vou te dar R$10,00 para você trabalhar lá. E ela não quer. Fala: caramba.

Luciano Pires: Que idade ela tem?

Claudio Alves: 14 anos. Vai fazer 15. Então assim, a história que eu tenho da minha mãe é sempre motivadora, batalhadora ao extremo.

Luciano Pires: O que sua mãe fazia? Trabalhava com quê?

Claudio Alves: Minha mãe, a família toda nordestina, Pernambuco. A minha avó também já veio com um histórico, trouxe a família toda do Pernambuco para morar para cá, buscando melhora de vida. A minha mãe veio muito pequena, não…

Luciano Pires: E teu avô?

Claudio Alves: Meu avô morreu, cara. Morreu nessa vinda para cá. E aonde minha avó que criou todos os filhos.

Luciano Pires: Quer dizer, você vem com essa conversa toda de girl power. É a história da tua vida?

Claudio Alves: Mais ou menos.

Luciano Pires: Você é o cara do girl power. A avó e a mãe segurando…

Claudio Alves: São as inspirações.

Luciano Pires: Que legal, véio.

Claudio Alves: E assim, é muito bacana porque, cara, a minha avó trazia a família toda do nordeste para poder dar uma chance, para cá. Então, ela era o pontode encontro para os familiares virem tentar alguma coisa para cá. Ixe, criou um monte de parente para cá. Vinha, dava uma força. E colocava aí para seguir o caminho. E aí minha mãe, nessa fase, a gente passou por muita dificuldade. Não é falar disso, mas ela suou muito camisa para poder manter tanto eu como meu irmão nesse período. O meu irmão quando fez 18 anos, casou. E ficou a gente. E aí então, a história que eu tenho de família, assim, é essa. O meu pai eu via muito pouco. O vício do jogo acabou aí, acabando com toda a estrutura familiar aí, que o pessoal acha normal. Eu hoje tento retribuir para a minha filha, tudo que eu não tive. Mais ou menos isso, Luciano.

Luciano Pires: Ah, que história.

Dennis Campos: Dessa nem eu sabia. O meu pai, ele se aposentou pela COSIPA. Não sei se você chegou a conhecer?

Luciano Pires: Sim.

Dennis Campos: Companhia Siderúrgica Paulista. Ele aposentou cedo, eu acho que com 42 anos. Ele era mecânico lá. E a minha mãe trabalhou na BROSOL, que era uma indústria de… fazia carburadores e tal.

Luciano Pires: Um dia a Dana comprou, enquanto eu estava lá.

Dennis Campos: Que um dia a Dana comprou. E aí a minha mãe trabalhou por um tempo lá. Eu acho que depois que ela casou, acho que mais um, dois anos só. E passou a ser dona de casa. Então, minha família é um pouco – como que eu posso dizer? – eu acho que está dentro do padrão que se espera por tradicional. Então, sempre tive pai e mãe dentro de casa.

Luciano Pires: Quantos irmãos?

Dennis Campos: Eu tenho um irmão só. Hoje tenho um sobrinho lá também, que mora praticamente com a gente. O meu pai sempre… nunca tive luxo em casa, nem nada, assim. Foi tipo um padrão bem normal da sociedade, assim. E eu lembro até que meu irmão sempre me inspirava muito. Então, meu pai trabalhou em siderúrgica, aí meu irmão foi fazer SENAI e falou: ah não, eu vou arrumar um emprego por ali e tal. E foi metalúrgico por muito tempo. O meu irmão é sete anos mais velho que eu. Quando eu estava na idade, eu fui fazer SENAI, seguindo os passos do meu irmão. Só que aí não deu muito certo. Eu lembro que eu trabalhei sete meses com isso. E eu era conhecido como o matão da firma. Então, não estava dando muito certo. Assim que eu tive a primeira oportunidade, eu passei na faculdade, eu saí dessa.

Luciano Pires: Então você tinha como paradigma o seu pai, que trabalhava numa grande empresa e a sua mãe, que trabalhou em empresa também e depois foi dona de casa. Quer dizer, não tinha… nenhum tinha um empreendedor na família? Para mirar o empreendedor e falar: cara, eu, quando eu crescer, eu quero ser dono da firma?

Claudio Alves: Eu, na verdade assim, a minha família inteira, tanto minha avó quanto a minha mãe era… eu considero elas muito empreendedoras. A minha avó sempre teve restaurante, bar. Minha mãe no mesmo patamar. Cozinham muito bem. Isso vem de família. Então, elas sempre tiveram esses empreendimentos. Bar. O meu pai também, na época que era casado com a minha mãe, também eles tiveram bar juntos. E era aquela luta diária.

Luciano Pires: Ainda bem que o seu pai não bebia, né cara?

Claudio Alves: Não bebia.

Luciano Pires: Era jogo, né? Senão ia consumir o bar.

Claudio Alves: Não, mas aí era outro problema. Todo o faturamento do bar ia no jogo. Ia no jogo.

Luciano Pires: Sabe que esse negócio é tão… é tão… a gente fala muito a respeito disso e parece que é uma coisa meio distante, meio de literatura e tudo mais. E de repente, senta gente… você eu acho que é o segundo ou terceiro que senta aqui para conversar comigo e tem um histórico do pai que jogava, que perdeu tudo, que desestabilizou a família e desmontou tudo por vício de jogo. Isso é um negócio importante, cara. É um negócio muito grave.

Claudio Alves: Cara, e é muito engraçado, Luciano. Porque assim, a gente… eu quando falo isso para as pessoas, as pessoas não botam uma fé. Luciano, o meu pai ele é muito trabalhador. Muito, muito, muito, que você não tem noção. Ele, por exemplo, passa um final de semana inteiro jogando, sem dormir, só ali jogando. Chega na segunda, cedo, de manhã, ele vai trabalhar, cara.

Luciano Pires: Ele continua jogando?

Claudio Alves: Continua jogando.

Luciano Pires: É um vício que não tem jeito?

Claudio Alves: Não tem. Eu acredito que não deve ter cura, cara. Alguma coisa nesse sentido aí, porque eu acho que o estímulo de achar que vai ganhar, achar que vai ganhar não para. Não para.

Luciano Pires: Que coisa. Que coisa, né? Bom, e aí? O que vocês iam ser quando crescessem?

Dennis Campos: Cara…

Luciano Pires: Bom, pelo shape aqui, jogador de futebol?

Dennis Campos: Não, eu nunca tive essa vontade, acredita? Sério cara. Quando eu tinha uns sete, eu acho: quero ser desenhista. Mas aí passou um tempinho, eu vi que eu não tinha tato nenhum para o desenho. E aí, quando eu tinha uns 12, eu tive um grupo de samba. E aí, aquela coisa: ah, eu quero ser famoso. Eu quero…

Luciano Pires: Com 12 anos de idade?

Dennis Campos: Com 12 anos de idade.

Luciano Pires: Você tocava o quê?

Dennis Campos: Eu tocava – na época – eu tocava reco-reco e tocava teclado, que estava na moda lá, então solo de teclado no começo e tal. E depois eu aprendi o cavaquinho, que eu toco até hoje. E aí como eu tinha um irmão mais velho, então era o meu passaporte para: ah, vai ter uma festinha ali. Aí eu ia junto, o meu irmão me levava. Vai ter… a gente vai tocar em tal casa noturna. Aí eu ia, o meu irmão me levava. E aí acho que era a minha ambição, por volta ali, até uns 14 anos, mais ou menos. Depois…

Luciano Pires: Mas se tocava em casa noturna era quase… era semiprofissional o grupo? O que era? Era um grupo pra valer?

Dennis Campos: Era um grupo. Era um grupo pra valer. E aí estava até indo. A gente perdeu a mão na hora que o violonista chegou e falou assim: estou indo para um outro grupo, melhor e tal. E aí, quando ele deixou, aí meio que deu uma desestabilizada. Não tinha tanto violonista naquela época. Ou pelo menos, não na nossa área ali. E aí acabou ficando esse sonho.

Luciano Pires: E foi substituído pelo quê?

Dennis Campos: Cara, na sequência foi quando eu entrei no SENAI. E aí entra aquele sonho de trabalhar em empresa grande, Scania, Volks. Eu visitei algumas empresas também, Voigt e tal. Eu falei: beleza, eu acho que eu achei a veia, né? Então comecei, saí, estava terminando o SENAI, entrei numa empresa nova e…

Luciano Pires: Só uma dica aqui, para quem está ouvindo a gente não é de São Paulo. Quando a gente fala que os caras são do ABC. O ABC, a presença lá, quando ele fala Volks, Ford, Scania, GM é lá que está o anel das grandes empresas da produção de veículos no Brasil, está ali. Então, falar o nome dessas empresas, lá é sagrado, né? Porque as cidades cresceram em volta daquele cinturão metalúrgico ali, né?

Dennis Campos: Cara, eu acho que era até o sonho dos meus pais verem eu numa empresa dessas. Que nem, eu tenho um primo que trabalha na Volks, é um orgulho, né? Então… e aí passou um tempo, eu entrei para trabalhar e eu vi que eu era o matão da turma, cara. Tipo, eu ia fazer uma peça, matava. Dava prejuízo para a empresa. Eu falei: cara, isso não é para mim. Ainda bem que eu percebi rápido. Foi sete meses, assim. E eu lembro que a minha válvula de escape, que eu falei: já sei, eu vou tentar passar num técnico no SENAI, que aí sendo técnico, eu saio da operação e vou… talvez eu não seja tão ruim como técnico. E aí eu estudava. Então era uma máquina, eu trabalhava com CNC, que é um…

Luciano Pires: É um torno…

Dennis Campos: Era uma fresadora.

Luciano Pires: Era uma fresadora?

Dennis Campos: Isso. Então eu trabalhava com CNC. Eu botava a máquina para rodar e ficava estudando, para ver se eu passava na prova. Quando eu não passei, caiu o mundo. Eu falei: cara, eu não passei. E agora? Qual o plano B? Aí eu pedi demissão na empresa, eu vi que não era para mim.

Luciano Pires: Que empresa era?

Dennis Campos: Era uma empresa pequena de… sei lá, 10 funcionários. Uma metalúrgica pequena. E aí eu estava no ensino médio, no 3º ano. Estava aquele alvoroço na sala de… todas as meninas falando: ah, qual faculdade você vai prestar? Qual vestibular e tal? E eu não tinha perspectiva, porque eu não tinha dinheiro. Eu não estava trabalhando. Os meus pais não podiam pagar. E aí apareceu um papel na minha mão, um papelzinho abençoado, do Programa Escola da Família. Que era um programa do governo federal, que eu nem sei se existe ainda.

Luciano Pires: Que ano era isso?

Dennis Campos: 2003. Aí nesse papel tinha uma série de cursos. E falava assim: você pode passar com sua nota – do ENEM não – era o SARESP na época, alguma coisa assim. Você vai lá, presta uma prova na faculdade. E você tem que trabalhar no final de semana para pagar a sua faculdade. Então, você vai ensinar alguém a fazer alguma coisa. Eu falei: beleza. Minha chance. E era aquele monte de cursos. Eu escolhi Publicidade por acaso, porque eu fui por eliminação. Eu falei: cara, até agora eu não estava pensando nisso. O que eu ia fazer? Aí eu comecei a eliminar. Eu falei: não gosto de conta. E aí eu comecei a eliminar matemática, engenharia de não sei o que, não sei das quantas, contabilidade e tal. Não estava na época a fim de ensinar. Hoje eu gosto. Na época eu não gostava nada. Então comecei a eliminar. Aí eliminei português e tal, todas as outras matérias, sobrou Turismo e Publicidade. Aí tirei Turismo, que eu falei: deve ter muita história, se bobear é um pouquinho chato. Aí tirei Turismo, fiquei com Publicidade. Em dois meses eu falei: cara, me achei. E foi aí que eu conheci o Claudio.

Luciano Pires: No mesmo curso?

Dennis Campos: Mesmo curso, mesma sala.

Luciano Pires: E o teu lado? O que foi? Você queria ser o que quando crescesse?

Claudio Alves: Então, Luciano. Eu já era meio… já tinha algumas coisas em mente. Eu queria ser professor de Educação Física, porque eu pratico artes marciais e queria seguir para poder dar aula nisso. Também teve um período que eu fui estudar música, cavaco também, na época, lá no ABC, pagode…

Luciano Pires: É o que…

Dennis Campos: Samba era o que pegava e você… então cheguei a estudar música também. E já pensava em ser publicitário. Eu gostava muito de anúncio de televisão. Então eu queria porque queria fazer. Na verdade, assim, os anúncios da Nike me chamavam muito a atenção. Porque eram muito impactantes eles visualmente. Então, eu queria porque queria fazer isso. Quando lá em 2003 foi quando a gente foi prestar. Eu também fiquei sabendo por um primo, na mesma faculdade, que ia ter esse programa chamado Escola da Família, que a gente tinha que trabalhar aos finais de semana para poder pagar a faculdade. Eu tenho um primo na família que é muito estudioso, passou FATEC e tal. Ele falou: cara, vamos lá fazer isso aí. Ele estava na época exata de fazer os vestibulares. E eu já tinha me formado em 2000, em 2001 fiz um técnico também, pelo governo, através de uma oportunidade que aparecia. Aí eu fiz webdesigner em 2001. Quando foi em 2003, no final, ele veio com esse mesmo papel, que ele também morava em Ribeirão. Então eu acho que a faculdade foi fazer essa divulgação lá em Ribeirão para poder participar desse programa, que eu acho que tinha uma quantidade também. Então, aí o meu primo me deu essa folha, esse papel, falando. Eu falei: ah, meu, eu vou lá, né? A minha filha vai nascer. Eu preciso…

Luciano Pires: Você estava casado, já?

Claudio Alves: Não, eu namorava há três anos. Há três anos. E aí minha esposa ficou grávida na época. Eu falei: meu, minha filha vai nascer. Eu preciso dar um jeito na vida, né? Trabalhei tanto na Cimemark quanto no Grupo Pão de Açúcar, ali, naqueles trabalhos ali de atendimento ao cliente. Eu falei: cara, eu preciso dar um jeito na minha vida. E aí fui prestar. E também passei. Eu passei acho que… eu lembro que eu ainda dei um Pelé no meu primo que era estudioso, passei na frente dele. E acabei pegando uma vaga também nesse vestibular aí.

Luciano Pires: Por que Publicidade?

Claudio Alves: Porque eu já queria fazer Publicidade.

Luciano Pires: Queria seguir nesse caminho?

Claudio Alves: Queria seguir. Eu lembro que eu acho que eu coloquei Turismo também. Porque assim como o Dennis, eu eliminei a parte de matemática, que eu não gostava. Mas eu fui para passar para Publicidade, entendeu? Aí, foi aí que nos conhecemos, na faculdade.

Luciano Pires: Aí vocês se conhecem na faculdade. Muito bem. E aí, qual era a ideia lá? Vocês estavam trabalhando em alguma outra coisa, quando estavam na faculdade? Só nessa coisa do fim de semana, para poder pagar a faculdade? Vocês não tinham trabalho?

Claudio Alves: Não. Eu trabalhava. Porque eu já estava constituindo família. A minha filha nasceu logo no começo de 2004.

Luciano Pires: A faculdade era à noite?

Claudio Alves: De manhã.

Luciano Pires: De manhã? E trabalho à tarde?

Claudio Alves: Eu optei por não estudar à noite, porque eu falei: cara, à noite é só bagunça. A galera não quer nada com nada. Se eu não agarrar essa oportunidade para fazer acontecer. Eu falei: não, vou estudar de manhã, para poder aproveitar. E aí eu trabalhava de noite. De tarde. De tarde até a noite.

Luciano Pires: Que idade você tinha?

Claudio Alves: 21.

Luciano Pires: Como é que é aos 21 anos, lá no ABC, você trabalhar de manhã. Aliás, estudar de manhã, trabalhar à tarde estar preocupado com a filha que vai nascer e não viver essa vida de 21 anos de hoje?

Claudio Alves: Cara…

Luciano Pires: Que é balada, balada, balada…

Claudio Alves: Cara, eu vou te falar que assim: não deu muito tempo, Luciano. Porque assim, quando minha esposa engravidou, eu falei: cara, agora tem que correr, não adianta. Não tem o que fazer. E quando apareceu a oportunidade de ir fazer a faculdade, eu falei: meu, ou é isso aí ou é isso aí. Eu tenho que fazer alguma coisa para poder acontecer.

Luciano Pires: Por que ela engravidou?

Claudio Alves: Por que, Luciano?

Luciano Pires: Não. O ato em si, eu compreendo. Eu quero saber o seguinte: qual foi o cuidado que não foi tomado para evitar a gravidez?

Claudio Alves: Não foi tomado. Não tomamos.

Luciano Pires: Não tinham cuidado? Vocês jogavam no risco?

Claudio Alves: Jogava no risco.

Luciano Pires: Tá. Quando aconteceu, como é que foi dar a notícia para a família, de que…

Claudio Alves: Cara, a minha… assim, para a minha mãe cara, a minha mãe foi sempre muito parceira. Ela falou: filhão…

Luciano Pires: Vamos nessa…

Claudio Alves: Agora, tudo aquilo que eu fui para você, você tem que ser para a sua filha aí, entendeu? A minha mãe acolheu muito bem. Os pais dela na verdade, ela tinha… o pai não gostou muito. E o irmão – que era meio rebeldão – também… mas aí eu fui lá e falei que: sou homem, que ia cumprir com o meu papel. E aí…

Luciano Pires: Deixa eu especular um pouquinho. Isso é muito bom, cara. Isso é coisa muito boa. Cara, 21 anos de idade, bicho. Puta moleque, tocando a vida lá. Tá certo, você naquela época já tinha uma carga de responsabilidade diferente…

Claudio Alves: Sim.

Luciano Pires: Dos flocos de neve de hoje em dia…

Claudio Alves: Sim.

Luciano Pires: Que moram em casa, moram com o papai, com a mamãe e só querem saber de bagunçar.

Claudio Alves: Tem tudo…

Luciano Pires: Mas como é que é isso, cara? De repente ter essa… você amadureceu quantos anos em dois dias? Ao receber a notícia e ter que ir para casa dos pais dela, olhar na cara do seu futuro sogro e falar: seu… olha o que eu fiz?

Claudio Alves: Seu Antônio.

Luciano Pires: Seu Antônio, olha o que eu fiz?

Claudio Alves: Na verdade assim, quem falou para a família primeiro foi ela e depois…

Luciano Pires: Claro.

Claudio Alves: Porque assim, a gente já namorava. Já tinha um convívio com a família. E aí assim, a mãe dela apoiou muito, as irmãs também apoiaram. Ficou ali, um conflito ali. Mas assim, eles sabiam que não era um qualquer, não era um moleque.

Luciano Pires: Não era um maluco? Sim.

Claudio Alves: Não era um maloqueiro que zoou a filha deles. Então, a gente teve ali um suporte muito grande da família, tanto por parte da família dela. Tanto que moramos um período na casa deles, dois cômodos lá. E, Luciano, foi meio pancada, cara. Porque assim, não deu tempo de ter noção do seguinte: pô, o Dennis é quatro anos mais novo, mas assim a faixa etária da faculdade era isso daí. E eu ia para a faculdade para realmente tentar fazer a diferença, cara. E assim, meu, a gente brinca que lá na nossa sala, 70% era de Ribeirão, que estava lá. E muitos, também na mesma oportunidade que a gente. O cara acordava às sete horas da manhã para sair de Ribeirão, ia lá para dormir na sala. Isso me incomodava. Tem – até hoje – tem gente que eu não sei o nome, da minha sala, porque eu não me conformava. E aí, Luciano, isso me incomodava, cara. E até eu falava para o Dennis, eu falava: caraca, Dennis, esse povo que está aí não quer nada com nada. Não está agarrando a oportunidade.

Dennis Campos: Ficava nos joguinhos lá.

Claudio Alves: Ficava nos joguinhos, na sala. Eu falava: cara… eu nem conversava com esse povo. Porque eu ficava meio bravo com isso, entendeu? Porque eu acho que a necessidade que eu tinha era tão grande, de fazer a coisa acontecer, que eu não admitia o povo não estar dando uma atenção para aquela oportunidade. E aí assim, realmente, pô, a galera ia para uma balada, eu não ia para a balada. Eu tinha outros objetivos, ficar com a minha família e tal. Teve… teve isso aí então, de diferente, do que… a galera de hoje é mais… tem a proteção maior. E eu tento passar isso para a minha filha. E nem sempre é bem visto. Nem por ela e nem pela mãe. Porque a mãe tenta passar…

Luciano Pires: Cara, é resistir a um ambiente. E é difícil a molecada resistir ao ambiente que ela está. Porque seu eu estou no meio da zoeira é muito fácil eu ser… cara, como é que eu mudo um hábito, se todo mundo que está em volta de mim tem aquele hábito? É complicado, cara. Você tem que ter uma força de vontade ou um senso de responsabilidade brutal para não entrar na bagunça. Aí é o segredo.

Claudio Alves: E foi pensando nisso que eu evitei estudar à noite. Eu falei: não, eu não vou estudar à noite, porque eu sei que a bagunça é muito forte. A galera quer… pô, hoje faculdade, eu acho que os bares faturam mais de dia de semana, durante a faculdade, do que ao final de semana. Então eu falei: não, não quero isso. Eu vou focar para tentar resolver aí o que eu preciso resolver.

Luciano Pires: Tá certo. E aí lá no curso vocês se encontraram? Era aquilo mesmo, cara? Publicidade era o negócio?

Dennis Campos: Cara, a gente começou e aí o primeiro semestre era aquela coisa, ainda você não sabe muito para onde vai e tal. Aí cada um estava num grupo ainda, na época da faculdade. E no segundo semestre o Claudio, já meio frustrado ali com algumas pessoas da turma dele, estava na turma do joguinho, não sei o que, ele falou: cara, você não quer vim para o nosso grupo não e tal? Aí eu falei: ah, beleza, né? Tipo, o meu grupo não estava legal e a gente começou…

Luciano Pires: O que era grupo?

Claudio Alves: As agências, por que…

Luciano Pires: Ah, vocês formavam uma…

Dennis Campos: Isso.

Claudio Alves: No curso de Publicidade, ao invés de grupos, são agências.

Luciano Pires: Tá. E aí juntava uma turminha, que fazia uma agência?

Dennis Campos: Juntava uma turminha, que fazia uma agência, que durava, pelo menos, um semestre. Então… e aí, nessa agência, cada um com as suas funções. Ah, você é o designer, você é o que faz a criação, você faz o planejamento e tal. E aí a gente começou a fazer alguns trabalhos. O primeiro foi bem bacana. E cada vez mais a gente foi se entrosando, enquanto o resto da sala ficava migrando de uma para outra, a gente conseguiu ali, já ter uma sintonia e fazer cada vez um trabalho melhor que o outro. E aí a gente começou a se empolgar com essa ideia, sabe, de: cara, vamos. O trabalho desse semestre a gente vai ser o melhor. E a gente chegava no final do semestre, o pessoal estava esperando para ver o trabalho da nossa agência. Porque a gente sempre vinha com um negócio diferente, vinha com uma pitada nova. E aí foi que a gente começou a pegar gosto pela coisa mesmo. Foi bem legal nessa época.

Luciano Pires: Que legal.

Claudio Alves: E assim, já o empreendedorismo já começou lá nesse período. Porque a minha primeira agência, no período da faculdade, não rolou. Ah não, não gostei disso e tal. Se desfez. Eu falei: não, pera aí, que eu vou ir buscar algumas pessoas. Aí eu falei: pô, esse neguinho é enjoado, cara. Eu falo neguinho porque é meu irmão. Então ele me chama de gordo, eu posso chamar ele de neguinho.

Luciano Pires: Eu estou aqui diante de um gordo e um magro. E o branco e o neguinho, né?

Claudio Alves: Quando a gente vai dar as palestras, a gente fala: para diferenciar, o Dennis é o magro e preto. O Claudio é o branco e gordo. Fica mais fácil para o pessoal entender.

Luciano Pires: Bullying para todo mundo.

Claudio Alves: Bullying para todo mundo. Para todo mundo. Bullying para todo mundo. E aí assim, aí eu já selecionei. Aí a parceria começou desde esse período. Meu, a gente ali na entrega, na dedicação. Eu via que ele também se dedicava muito. Assim como eu, buscava alguma coisa. Ele também se dedicava. E aí, cara, amizade surgiu e transcendeu aí, tanto a faculdade, trabalhamos juntos.

Luciano Pires: E vocês sacaram ali nesse período de vocês lá, que isso podia ser o negócio de vocês? Quer dizer, o diploma na mão significaria partir para ganhar a vida nesse ramo de publicidade e propaganda? Ou o diploma era só aquela prestação de contas para a família, para depois ver o que dá na vida?

Dennis Campos: Não. No meu caso não, cara. Eu ainda não tinha a visão do empreendedorismo, embora sempre quis ser empreendedor. Eu falava muito para o Claudio, eu falei: cara, vou ser empreendedor. Eu sou empreendedor da vez. Mas eu ainda não sei como. Só que eu ainda tinha a ideia, na época da faculdade, aquele mito de querer trabalhar numa agência grande. Então, eu lembro até que eu, no segundo ano da faculdade, eu arrumei um estágio no SESC. E aí eu trabalhei lá por um tempo e tal, trabalhando com artes, mandando currículo, portfolio, pastinha debaixo do braço, vai num lugar, vai no outro. Levei para a DM9, levei para uma outra agência, que fazia a Polenghi na época. Cheguei a ter contato com o Washington Olivetto, usando uma tática parecida à que eu usei para estar aqui.

Luciano Pires: Você entrou em contato com ele?

Dennis Campos: Entrei.

Luciano Pires: Mas sabe o que tem de legal aqui? Eu estou ouvindo você falar. Você é o Zé. Um puta de um Zé. Por que é um Zé? Vem do ABC, cara, faz uma faculdade que não tem nenhum nome.

Dennis Campos: Não tem nome.

Luciano Pires: Não tem nome nenhum. É mais um Zé, como todos os outros Zés que estão por aí. É neguinho, brasileiro e: vou sair por aí. Então, quer dizer, a fila de gente parecida com você é gigantesca. Quantos neguinhos não estavam batendo e branquinhos não estavam batendo lá na DM9, com um curriculozinho chumbrega embaixo do braço, falando: eu quero trabalhar aí. Quer dizer, é um universo de gente. E a maioria absoluta não conseguiu nada. E você está começando a me contar como que você chegou no Washington Olivetto. Já tem um diferencial aí que é interessante, que já explica algumas coisas. Como é que foi? Conta aí para a gente saber.

Dennis Campos: Cara, eu trabalhei no SESC. Aí, quando eu estava saindo, eu ganhei um presente, que era um livro, que chamava Os Piores Textos de Washington Olivetto. É um livro preto, escrito com letras brancas. Só isso. E aí, na última página do livro, tinha lá um negócio para você destacar e mandar uma carta para ele. Falar o que você achou do livro, tal, não sei o quê. E aquela época, eu estava começando a internet, tipo, popularizar mesmo. Se a gente falar aí de 2006, eu acho. É. Tipo, já tinha algumas coisas, mas assim, não estava como é hoje, mídias sociais e tudo mais. Eu falei: cara, eu vou escrever uma… não, tinha um e-mail, na verdade. Minto. Tinha um e-mail para você escrever para ele. Aí eu falei: não, eu vou fazer diferente. Quando todo mundo mandaria um e-mail, eu vou mandar uma carta. E aí eu fiz um envelope preto, escrito: os piores comentários de Dennis Campos. E aí coloquei dentro e tal, não sei o que e falei que gostaria de conhecer, visitar a agência, que eu queria trabalhar lá e tudo mais. E eu até brinquei na época, que eu falei assim: entre os meus sonhos é trabalhar na W, na W/Brasil e tirar uma foto com Rogério Ceni. As minhas aspirações da época. E aí eu lembro que ele comentou: para vir aqui, você fala com a minha assistente.

Luciano Pires: Ele respondeu?

Dennis Campos: Respondeu.

Luciano Pires: Em carta?

Dennis Campos: Em carta. Chegou um envelope da W/Brasil em casa, assinado por ele e tal. Eu falei: cara… na hora que chegou esse negócio, imagina, tipo: terminando a faculdade. Eu dava pulos assim. Eu levei para a faculdade no outro dia, para mostrar para a professora e tudo mais. E aí nisso que ele respondeu, aí ele falou assim: para conversar, para vim aqui na agência, você fala com a minha assistente, está aqui o telefone, está aqui o nome dela, e-mail, tal. E marca uma visita. E se você quiser um goleiro de verdade, eu te arrumo. Porque ele é corintiano.

Luciano Pires: Porque ele é corintiano, claro.

Dennis Campos: Aí ele falou: eu falo com o Dida. Aí eu falei: cara, deixa quieto. Aí fui lá, cheguei na…

Luciano Pires: Que ano era isso?

Dennis Campos: Isso era 2006, 2007, mais ou menos.

Luciano Pires: 2006… quando foi aquele jogo de Corinthians e São Paulo, que o Raí bateu dois pênaltis e o Dida pegou os dois, no mesmo jogo?

Dennis Campos: Foi no começo dos anos 2000, por aí.

Luciano Pires: Foi por aí? É. É. Para quem não sabe o que é isso aí, nós estamos falando de uma época que tinha uma rivalidade grande ali, com uns timões legais.

Claudio Alves: Times de verdade.

Luciano Pires: Saudade daquele futebol. Só vou contar uma história que é uma delícia, cara. É maravilhosa. Você me lembrou agora isso aí. Eu nunca contei. É que essa é boa de contar. Eu tinha um amigo que tinha uns esquemas lá no São Paulo – corintiano que nem eu – ele conhecia um monte de gente do São Paulo. Ele me ligou e falou: bicho, eu consegui ingresso. Ia ter um puta jogão do Corinthians e São Paulo. Ele: eu consegui ingresso para o jogo. É o seguinte: é no camarote do São Paulo. E nós dois corintianos. Você tem algum problema? Eu falei: bicho, como é que eu vou fazer? Não. Mas vamos lá. A gente vai, fica quieto e assiste o jogo. Lá fomos nós dois, de carro, entramos de carro lá dentro. Chegamos, um puta camarote maravilhoso, grande. Todos os são-paulinos lá dentro. E nós dois, corintianos, sentados no meio. Então, na hora de começar o jogo, aquela bagunça toda. A gente pega e senta. Eu sento aqui e ele senta quatro caras, quatro são-paulinos depois, senta ele ali. Estamos os dois ali, para ver o jogo. E do lado de fora, aquela frente de vidro, do lado de fora, só corintiano. E os corintianos batendo no vidro e xingando. E eu lá dentro, sendo xingado pelos corintianos lá fora. Bom, começa o jogo, vai embora, o jogo rolando e não sei o quê. E a gente não podia gritar, não podia torcer. Ficava naquela lá. Pênalti. Pênalti para o São Paulo. O Raí pega a bola e vai bater. Bate o pênalti e o Dida pega, cara. No que ele bateu e o Dida pegou, que foi aquela gritaria, nós dois: e agora, cara? E os dois, quietos.

Claudio Alves: Xingou junto, para extravasar.

Luciano Pires: Passa uns minutos, outro pênalti. O Raí bota a bola, chuta e o Dida pega de novo, cara. Quando o Dida pegou o segundo pênalti, cara, que os são-paulinos, tudo… esse meu amigo levanta e grita: mas que filho da puta. Por sorte, ninguém entendeu o que era o filho da puta dele. Se ele estava xingando o Dida. E na verdade era o filha da puta de bom, aquele cara que… filha da puta, pegou a bola. E só eu que sabia que ele era corintiano. E os dois no meio daquele povo. Cara, foi uma situação, que eu olhei para ele e falei: se esse cara gritar vai ser um horror. Nós vamos apanhar que nem loucos aqui dentro. Mas foi uma… eu lembrei disso que você falou aqui, era um são-paulino falando de Dida. Naquela época o Dida virou um horror dos são-paulinos. Mas vamos embora, vai.

Claudio Alves: Só fazendo um adendo, Luciano. Eu sou corintiano e todo esse tamanho. De tanto almoço que eu ganhei do Dennis, contra o time dele.

Luciano Pires: Ah, então está explicado. Mas e aí, você foi lá ver, foi lá visitar o Washington?

Dennis Campos: Fui, cara. Aí chegou lá, eu pensei que seria eu visitando o Washington. Mas aí era uma visita que já era programada na W, que tipo, vai umas 15 pessoas, que faziam um tour pela agência. Mas não deixou de ser legal, né? Aí cheguei lá, ele estava no cantinho dele, fumando charutão e tal. Só deu uma cumprimentada rápida. Aí eu me apresentei. Ele: opa, beleza. Ele assinou o meu livro. E basicamente ficou nisso. Eu falei: ah, legal. Aí você volta para a faculdade naquela euforia, tal, mas você fala: ah tá, agora eu estou na vida normal de novo, né? E aí eu continuei mandando portfolio e tal. E até em um que eu mandei para a DM9, aí o cara mandou um feedback, falou: cara, seu portfolio está muito mala direta, tal. Procura fazer algumas coisas mais assim e tal. Só que eu saquei que eu não tinha o feeling para aquilo. Eu falei: opa, talvez… eu vou me esforçar mais, lógico. Mas talvez, esse não seja o caminho, né? E aí, depois do SESC eu trabalhei em “n” lugares. A namorada até fala, que mede minha idade pelo tanto de lugares que eu trabalhei. Porque eu trabalhei numa gráfica, eu trabalhei numa escola de inglês, trabalhei numa agência de comunicação, onde todo mundo lá era assessor de imprensa, só eu que era publicitário. Na época, eu já estava fazendo a pós. E eu era o profissional de marketing lá e fazia tudo.

Luciano Pires: Você já tinha se formado?

Dennis Campos: Já tinha me formado.

Luciano Pires: E aí vocês perderam contato, os dois?

Claudio Alves: Não, não, não. Porque foi assim, Luciano, a gente… que nem, assim como… o Dennis, a gente se via sempre na faculdade. Porém, cada um no seu trabalho. Aí eu trabalhei – como eu te falei – trabalhei no Grupo Pão de Açúcar, no Extra lá de Santo André um período. Trabalhava, faculdade, ia para o trabalho. E depois, aos finais de semana ainda ia trabalhar e depois entrava no serviço. Porque a gente trabalhava de final de semana para poder pagar a faculdade. Aí assim, também trabalhei em agência. Eu trabalhei em empresas cuidando do departamento de marketing. Quando foi em 2009, não, 2008, eu arrumei emprego numa empresa. Eu fui gerente de marketing. Eu trabalhava numa agência, estágio, seis horas.

Luciano Pires: Lá no ABC?

Claudio Alves: Lá no ABC. Não, agência lá no Tatuapé.

Luciano Pires: Mas nada de nome. Nada de nome?

Claudio Alves: Não era glamour. Mas assim, todo mundo da faculdade – como você deve saber – queria porque queria trabalhar nas agências grandes. Eu sempre ali, naquela luta, num período que fiquei desempregado, trabalhei três meses de graça na agência da faculdade, para ter experiencia, para ter o que apresentar. Aguentava um lazarento lá, que se achava o filha da mãe, era o Washington Olivetto lá da faculdade, que na verdade, não era bem por aí. Mas assim, eu precisava disso, porque também tinha que ter o que apresentar. Aí até utilizo isso para o pessoal que trabalha. Eu falo: cara você reclama muito das coisas. E vocês não sabem o que é aguentar três meses para ter uma peça veiculada, para você falar: isso aqui funcionou. Isso é um resultado. Não, hoje a galera quando manda currículo de estágio lá, salários altíssimos e não tem experiencia nenhuma e não se propõe. Você entendeu? Em fazer algo de diferente. Aí, nesse período, quando estava no último ano, eu entrei numa agência, que eu cuidava ali da parte já digital. E fui chamado para cuidar do marketing de uma rede de lojas de surf e uma marca de skate, que era tudo o mesmo grupo.

Luciano Pires: Virou cliente?

Claudio Alves: Na verdade não. Não era. Eu mandei alguns currículos e essa empresa me chamou. Eu conhecia algumas pessoas do mercado de skate. Com esse tamainho aqui também você pode… você fala: esse gordo não anda de skate. Esse gordo anda de skate. E aí eu conheci um pessoal que falou: pô, lá na empresa está precisando. Por que você não vai lá? Fui lá, fiz a entrevista, virei gerente de marketing dessa rede. E aí fazendo a pós nessa mesma faculdade, a gente junto, o Dennis também foi, porque a gente também pegou uma promoção lá na faculdade. Aí já emendamos a pós-graduação.

Dennis Campos: R$288,00.

Claudio Alves: Era mais ou menos isso.

Dennis Campos: Para ex-aluno…

Claudio Alves: Não tinha, Luciano. A gente agarrava as oportunidades, cara. E era uma oportunidade. Pô, já vamos ter um diferencial no currículo. Vamos para cima. E aí, eu cuidando do marketing dessa empresa, eu cheguei e falei para o Dennis: Dennis, vamos, que eu estou precisando de um assistente lá. E lá, meu, é o trampo. O meu patrão é um empreendedor master e tal, vamos para cima que a gente vai trabalhar junto.

Dennis Campos: Primeira enrascada que ele me pôs.

Claudio Alves: Ele vive falando que é mais ou menos isso. E aí a gente teve uma experiência muito grande nessa empresa. Eu trabalhei lá três anos, o Dennis eu acho que uns dois anos e meio. E isso nos fortaleceu. Porque era o tipo do empresário ali, do dono da empresa que, cara, você tem um canivete e tem que fazer o negócio acontecer. E isso vai dando uma casca grossa para a gente.

Luciano Pires: Claro.

Claudio Alves: Tem que ir se virando. Foi aí quando a gente foi mandado embora dessa empresa, porque essa empresa – acredito que por gestão – faliu. Primeiro saiu o Dennis e depois saiu eu. E a gente pegava alguns freelances. Aí teve um final de semana lá, eu tive uma ideia, que a maioria das ideias de empreendimento vêm de mim. Eu tenho que convencer o Dennis para o Dennis abraçar a ideia. Eu falei: negão, é o seguinte, cara, eu estou com uma ideia aqui, que a gente vai ficar rico. Sempre mais ou menos, nessa linha. Aí eu falei para ele. Eu falei: Dennis, vamos juntar os freelances e vamos dar uma cara de agência. Pô, quantas empresas pequenas têm, que precisa do nosso serviço? Só que o cara não tem a ideia do que é uma agência, do que é uma gráfica, do que é uma empresa de produção de camiseta, de comunicação visual. Beleza. Aí a gente falou. Aí o Dennis falou: ah, vamos, né? Estava ali, na merda, Luciano. Precisava. O seguro desemprego acabando. Os freelances estavam pequenininhos. Ele falou: vamos abraçar. Aí a gente tinha uma rede de network muito bacana com os nossos fornecedores dessa empresa. Por quê? O cara espremia os fornecedores ao extremo e quem tinha que passar o pano era o Claudio Dumont, que era o gerente de marketing, para poder ali, apaziguar com os fornecedores. Aí eu falei: Dennis, mas não tem dinheiro. Não temos nada. Vamos trocar uma ideia com esses fornecedores aí, se eles não querem ser nossos fornecedores para atender esses clientes. Aí chegamos para a gráfica e falamos: cara, doa lá 7 mil flyers para mim, porque eu preciso distribuir para fazer a minha empresa acontecer. Aí ele falou: pô, não Claudio, eu doo e tal. Aí o Dennis tinha contato com quem distribuía os panfletos nessa empresa. Ele foi lá e negociou: pô, cara, preciso fazer uma distribuição de 7 mil flyers assim, assim, assado e…

Dennis Campos: Não tenho dinheiro.

Claudio Alves: Só que a gente não tem dinheiro. Pô, tem como fazer alguma coisa aí? Não, beleza, eu faço um boleto para 30 dias. Aí beleza.

Luciano Pires: E vocês constituíram a empresa? Constituíram?

Claudio Alves: Não, nessa época não. Nessa época a gente deu uma cara de empresa para os freelances que a gente pegava. Aí a gente foi buscar os 7 mil flyers, que o nosso parceiro lá doou para a gente. Só que chegou lá, ele fez 21 mil flyers. Não fez só 7. E aí já tínhamos outro problema. Porque a gente já tinha negociado com o fornecedor a entrega de 7. Fomos lá, negociamos de novo: só que aí tem que ser 30 e 60, porque senão eu não consigo te pagar. Aí a gente distribuiu esses flyers e ficamos com mil. Ele distribuiu 20 mil. Tivemos 4 pedidos. Fez o que, uns R$1.500,00, isso aí com as camisetas…

Dennis Campos: No máximo.

Claudio Alves: No máximo isso. Eu com a minha filha, correndo. Com o seguro desemprego rolando, ali já finalizando.

Luciano Pires: Ou seja, a primeira grande jogada de marketing, que os especialistas de marketing fizeram. Sentiram na pele o que é ser cliente.

Claudio Alves: O que é ser cliente.

Luciano Pires: Não deu.

Claudio Alves: Não. Mas só que aí é aquela história, né Luciano, retroceder nunca, render-se jamais. Pegamos aqueles mil flyers que sobrou, eu falei assim: Dennis, seguinte, cara, vamos entregar isso aí de porta em porta e vamos fazer acontecer. Foi cada um de um lado de uma rua, de uma avenida lá em Santo André, muito grande e começamos a distribuir. Ah, preciso de um cartão de visita. Pedi na hora, Luciano. Eu acho que isso nem deve ter mais hoje.

Dennis Campos: E aí os caras chegavam ainda e falavam assim: ah, faz o seguinte, me dá seu cartão. Aí a gente não tinha cartão. A gente vendia cartão. A gente pegava o flyer e falava: ah, então, o nosso cartão acabou. Mas esse número aqui você me acha. E nessa época, o que a gente fez? Como a gente não tinha recurso, dinheiro mesmo, a gente colocou um site no ar. O Claudio fazia site. A gente, com R$60,00, que foi o preço na época lá, de registrar o domínio e pagar a hospedagem. Foi o que a gente começou a empresa. O resto foi na cara e na coragem

Claudio Alves: Isso a gente até contou numa palestra que a gente deu em Mauá, que assim, o investimento foi R$60,00, um celular de 75…

Dennis Campos: Não, foi 110 parcelado em 10.

Claudio Alves: 110 parcelado em 10. E um celular daqueles que tocavam… a gente chamava de pi-ri-ri. Que a gente ganhou da minha mãe. Cada celular tinha dois chips. Então, a gente tinha todas as operadoras, para poder ligar para todo mundo, com desconto. E aí fomos entregar esses flyers mão a mão. O Dennis ruim pra caramba no comercial. Porque o Dennis não é tendo de ficar fazendo o lobby ali, conversar e tal. Então não fez… assim, o Dennis… eu fechei alguns cartões, algumas fachadas ali. E aí o Dennis pegou…

Dennis Campos: Não, ainda teve dois casos nisso. Teve um da fachada, que o cara chegou e falou assim: ah, eu quero uma fachada, tal. Vocês fazem? Fazemos. Mede ali para mim aquele espaço. E cadê a trena? Aí a gente atravessou do outro lado da rua, um chamou o outro, contou as moedinhas, comprou uma trena para medir a fachada. Beleza. Mas ainda nesse dia a gente saiu com R$1.000,00 de pedido, se eu não me engano. E teve um outro caso, que a gente, no começo, cartão de visita, a gente pagava. A gente pegava a metade do cliente. Porque a gente também não tinha recurso e tinha que acertar a gráfica. Então, teve um cara que ficou muito bravo da vida comigo. Porque eu fui pedir 50% de um cartão, que era R$70,00.

Claudio Alves: Na época eu acho que era 60.

Dennis Campos: Aí ele ligou para o Cláudio espumando. Eu falei: Claudio, passa um pano aí, que o cara está bravo, cara. E aí o cara bravo e tal, não sei o que, beleza. Acertamos, conseguimos pegar, entregamos o cartão. E assim foi indo, cara. Aí depois de uns seis meses que a gente foi…

Luciano Pires: Puta, não era mais fácil você arrumar emprego num lugar aí e resolver com mais segurança?

Claudio Alves: É o que todo mundo fala, né Luciano? É o que todo mundo fala. A minha mãe ficou maluca. Acredito que pelo lado dele lá também, a turma xingou pra caramba. Só que assim, o que nos traumatizou foi o seguinte: esse nosso patrão, no último emprego nosso aí, de estrada, não pagou ninguém. Não pagou ninguém.

Luciano Pires: Botou todo mundo na rua?

Claudio Alves: Todo mundo na rua e quem queria, metia no pau, para ver se recebia alguma coisa. E assim, pô, eu tinha um cargo de liderança lá, era gerente de marketing, junto com as estratégias. A gente fez acontecer lá, implementamos alguns projetos que trouxe muito retorno para ele. E nada. Falou: acabou a empresa. Mandou todo mundo embora. Pagou ali uma mixaria. Pô, se você quiser receber o resto, vai atrás dos seus direitos. E aí, não só nós, como a maioria dos funcionários de mais tempo foi. Aí eu falei: cara, se um dia eu for empresário, tudo que esse filho da puta foi comigo, desculpa…

Luciano Pires: Não, pode. Pode falar.

Claudio Alves: A gente não quer ser com os nossos funcionários. E aí a gente começou, cara. No início…

Luciano Pires: Então, num mundo onde a gente vê a discussão, a molecada: porra, estou fazendo a minha startup e vou criar um aplicativo e tenho como objetivo vende-lo por um bilhão de dólares para o Google o mês que vem e vou fazer meu escritório num coworking e vou fazer meu business plan. Vocês vêm falar de cartão de visita. Vender cartão de visita de R$70,00, cara.

Claudio Alves: Sim. Aí assim, a gente pegou, começou a tomar um corpo. Porque a gente trabalhava, o Dennis na casa dele, eu da minha. De vez em quando a gente se encontrava para ir fazer essa distribuição, jogava meio período videogame, meio período ia entregar flyer. Pegava os pedidos, vinha, fazia os trabalhos e ia entregar.

Dennis Campos: Pera aí, deixa eu só fazer um parêntese da empresa que a gente trabalhou. O cara, ele tinha tão esse espírito de: só eu ganho ou: você não pode estar melhor que eu ou querer ganhar pequenas vantagens. Teve uma época, que foi um final de ano: vamos fazer bazares para levantar uma grana no final do ano. Aí beleza. E aí, ele colocou pessoas estratégicas em escolas de samba, onde eram os bazares, tipo um feirão de roupas. E eram eu acho que quatro bazares por final de semana. Eu cuidava de um, o Claudio de outro, mais colegas de outro e tal. E a meta era um milhão com esses bazares. Chegou… quando bateu eu acho que uns 800 mil, que ele viu que ele ia ter que pagar uma grana muito grande…

Claudio Alves: Uma comissão a mais para a gente…

Dennis Campos: Para todo mundo que estava trabalhando, ele se auto sabotou. Então a…

Claudio Alves: Falou para a pessoa não mandar mercadoria para os lugares que a gente ia fazer essa ação para a loja.

Dennis Campos: Tem noção, Luciano?

Luciano Pires: Para não ter que pagar?

Claudio Alves: Para não ter que pagar comissão.

Dennis Campos: Para não ter que pagar comissão.

Luciano Pires: Isso é uma doença, cara.

Claudio Alves: Mas eu ainda tenho muito a agradecer a ele, tá? Porque tudo que eu passei lá fez com que a gente ficasse casca grossa.

Luciano Pires: Então, mas tem uma característica que eu estou vendo no papo de vocês. É o seguinte: é que vocês foram encontrando o seu caminho pela exclusão. Olha, eu não sei direito o que eu vou ser. Mas o que eu não quero ser eu já sei. Que curso eu vou fazer?  Eu não quero, não quero, não quero. Sobrou esse, né? Como que é lá em casa? O meu pai jogava. Isso eu não quero ser. Esse bandido que trabalhou, esse cara eu não quero ser. E ao separar aquilo que eu não quero ser, você acaba encontrando um caminho que leva perto do que você quer ser. Bom, e aí? Acha que vai dar? Constitui a empresa pra valer, como que faz?

Claudio Alves: Começamos a tomar um corpo. Que aí começou a pegar um pouco de freelances a mais. Eu falei: cara, não dá para ficar recebendo gente em casa.

Luciano Pires: Eram só vocês dois?

Claudio Alves: Só.

Dennis Campos: Só nós dois.

Claudio Alves: Aí eu falei: cara, a gente vai precisar alugar um salão, uma sala, alguma coisa. Aí fui. A minha mãe tem uma casa, que é alugada. E a gente foi para dois cômodos embaixo dessa casa, montamos o nosso escritório e começamos ali a atender. Aí começou a tomar uma proporção um pouco maior.

Luciano Pires: Já tinha CNPJ e tudo?

Claudio Alves: Fizemos o CNPJ numa permuta. Fomos atender um contador. Cara… eu falei assim: você abre empresa, tal? Você está precisando de um site? Vamos fazer uma permuta? Não, demorou. Eu preciso. Fizemos. E constituímos a empresa com o quê? Uns 4 meses.

Dennis Campos: Foi. É, foi por aí. Uns 4 meses.

Claudio Alves: Uns 4 meses. Não tínhamos a ideia de realmente constituir a empresa. E aí começou. A coisa começou a tomar uma proporção maior.

Luciano Pires: Que ano era isso?

Claudio Alves: 2012.

Dennis Campos: 2011 a gente começou a trabalhar por conta, 2012 a gente foi, que abriu a…

Claudio Alves: Abriu a empresa.

Dennis Campos: Abriu a empresa.

Luciano Pires: E aí começou a surgir uma despesa fixa?

Claudio Alves: Fixa.

Luciano Pires: Que até então vocês não tinham?

Claudio Alves: Não tinha. Não tinha.

Luciano Pires: Isso é um outro patamar. Aí você começa a descobrir que não basta terminar o mês e ir virando. Tem conta que vai vencer.

Claudio Alves: Vai vencer.

Luciano Pires: E que tem que pagar, cara.

Claudio Alves: Tem que pagar.

Luciano Pires: Isso, normalmente, é uma porrada, né? Porque a gente não está acostumado a lidar com esse tipo de… como empresa. Em casa sim. Em casa eu sei o que tem. Mas como empresa…

Claudio Alves: Não…

Luciano Pires: Quando começa a chegar, você: meu…

Claudio Alves: E assim, na verdade, no primeiro ano, foi, cara…o Dennis recebia um mês, no outro mês eu. Ah, o Dennis tinha o processo dele para receber. Ele deixou de tirar o salário. Eu tirava o meu, porque a minha família estava lá e precisava fazer as coisas. A minha esposa, Vanessa, tinha o emprego fixo dela, que dava uma parte da sustentabilidade da família, mas a gente ficava sempre ali, para fazer a coisa acontecer.

Luciano Pires: Vocês botaram um time frame ali, tipo assim, se esse negócio não rolar em dois anos…

Claudio Alves: Todo mês, todo mês tinha time frame. Esse mês eu acho que vai. Não dá. Parece… pô, se o Dennis arrumar um serviço, eu acho que o Dennis vai. Se eu arrumar… porque não tinha muito isso. Só que aí começou a tomar uma proporção maior. Porque a gente queria dar o atendimento de agência para esses clientes menores, que não sabiam o que era um atendimento de agência. Aí a gente começou a fidelizar alguns clientes. Ah, pô, aí indicava. Aí começou a ficar um pouco maior.

Dennis Campos: A gente foi indo, até o momento que viu que não dava mais para desistir. No começo eu ainda pensava: se eu arrumar um emprego, se eu fizer um bico, eu coloco dinheiro na agência e tal. Então a gente ainda ia negociando opções. Aí chegou uma hora que a gente começou a fidelizar cliente, começou a aparecer mais gente e tal. Que por mais que ainda não se pagasse, por mais que um ainda tampasse, tipo, puxasse um teco da coberta e o outro ficasse de fora e tal, cobria o sol com a peneira. Mas a gente foi indo até chegar o momento que falou: opa, agora a gente não tem outro caminho. Tem que ir.

Claudio Alves: Aí a gente teve a primeira virada no nosso negócio. Nós conhecemos, fizemos assim, um relacionamento sempre muito bom com quem a gente trabalhava. Quando deu… quando faltava eu acho que um ou dois meses para a gente completar um ano de empresa. Empresa, quando a gente falou que ia fazer esses freelances juntos. Um amigo nosso, que trabalhou nessa empresa chegou e falou: cara, eu estava trabalhando com marketing digital. Eu tenho know-how, vocês têm o know-how de agência. Vamos nos juntar, para poder montar uma agência de marketing digital e fazer. Como que funciona isso daí? Aí ele nos explicou. Pô, eu vendo planos de marketing de busca, SO, não sei se vocês conhecem? Para quem não conhece é preparar os sites para mecanismo de busca, por R$1.500,00. Aí eu parei, fiz uma conta, eu falei: não, pera aí, para eu fazer R$1.500,00 por mês, eu tenho que vender cartão de visita pra caramba. Então eu acho que aí dá um negócio. Aí falei para o Dennis: neguinho, vamos ver o que é isso aí, que o nosso antigo sócio tem para oferecer. Aí ele mostrou. Eu falei: olha, eu não conheço disso, você conhece. Eu posso vender, o Dennis tem uma aptidão muito boa para redação, para escrever. Ele faz essa parte e você cuida da parte técnica. Beleza. Fechamos essa parceria. Não constituímos uma outra empresa, porque o nosso sócio também estava num processo de…

Dennis Campos: Trabalhista.

Claudio Alves: Trabalhista com a antiga empresa. E aí começou a tomar uma proporção maior, porque aí a gente começou a atender alguns clientes. Logo na primeira semana fui lá, já fechei três, quatro clientes. E já deu um boom de faturamento. Porém, os empreendedores master, fechamos, vai, dois clientes, fomos lá e contratamos dois estagiários. Então, ou seja, já…

Dennis Campos: Porque o negócio vai crescer. Porque está indo para o caminho. É agora e a gente coloca… tem todo um plano na cabeça.

Luciano Pires: Quer dizer, antes de ganhar, vocês assumiram o risco de investir na empresa para crescer mais?

Claudio Alves: Tinha três pessoas para receber da empresa. Que éramos os três sócios, mais aluguel, mais internet, mais tudo. E a gente foi lá e já…

Dennis Campos: Contratou dois estagiários.

Claudio Alves: Dois estagiários. Ou seja, cabeçada que todo mundo que está empreendendo e não tem conhecimento vai dar. Aí, o que aconteceu? A gente começou a tomar… montamos uma carteira de clientes, com a parte digital, que a gente vinha fazendo. Porém, todo o conhecimento técnico ficava com esse nosso sócio, amigo nosso hoje. A gente bate muito papo com ele. Só que aí, no final do ano de 2013; 2013, ele… a gente não tinha uma retirada assim: ah não, vamos tirar 5 paus por mês. Não dava. Porque a empresa não faturava para ter isso. E ele tinha uma filha, separado da mulher e ele precisava ir atrás de grana. Ele chegou um belo dia lá e falou para a gente: estou saindo da empresa. Não, minto.

Dennis Campos: Não. Antes disso, ele passou a sumir. Então assim, ele tinha uns surtos lá, discutia com a mulher e tal. E aí ela falava: eu vou tomar a filha de você. Que não sei o que, tal. E ele sumia. Ele perdia o rumo. Desligava o telefone. Não parava em casa. E só ele tinha o conhecimento.

Claudio Alves: E os nossos clientes esperando os resultados que estavam na mão dele.

Dennis Campos: Chegou uma época que ele chegou a ficar duas semanas sumido. A gente falou: cara, e agora?

Claudio Alves: Não tinha mais o que falar para os nossos clientes.

Dennis Campos: Até que chegou… fala aí.

Claudio Alves: Chegava para o cliente: pô e aí? Tal campanha, como que vai fazer? Nós: ah, beleza. Aí chegou uma hora, eu falei assim: estamos com um problema assim, assim, assado. Precisamos resolver. Te peço mais uma semana. Porque senão, a gente ia perder todos aqueles contratos. E aí o nosso sócio chegou e falou assim: cara, eu vou trabalhar para tal empresa. Que era um cliente nosso. Me chamou para trabalhar. Para mim vai ser melhor. Porque eu preciso levar um sustento para a minha casa, tal. A gente já ia para rachar a empresa. Eu falei: não, vamos cara, cada um pega seu cliente e vamos nos virar.

Dennis Campos: Aí o Claudio, aí assim, na hora que ele falou assim: cara, então, aconteceu isso. O lado ruim é que eu vou levar o cliente junto. Eu falei: vai com Deus, cara. Aí ele: não, mas vocês não acham ruim? Eu falei: não. Cara, tá certo. Vê o que é melhor para a sua filha. Eu louco para já, tipo… eu falei: cara, vai com Deus. De verdade mesmo. Tipo, foi o melhor para ele.

Claudio Alves: E foi o melhor para nós também.

Dennis Campos: E o melhor para a gente. Só que aí nessa hora, um olhou para a cara do outro e falou: e agora?

Claudio Alves: O que a gente faz agora para poder dar resultado para esses clientes? Aí cara, arregaçamos as mangas, fomos lá, aprendemos o serviço em dois meses. Fizemos…

Luciano Pires: Vocês que aprenderam a fazer a parte técnica?

Claudio Alves: A parte técnica. E nós não tínhamos conhecimento.

Luciano Pires: Foram estudar em cima disso aí? Tá.

Claudio Alves: Dois meses intensos de estudo e já aplicando para os nossos clientes. Ou seja, teve cliente que a gente deu seis vezes mais resultado do que a gente já dava. E aí a gente: pô, pera aí. Tinha algumas falhas lá. Porque assim, o nosso sócio tinha os problemas dele e acabava não passando para a gente. E aí foi aonde começou a escalar a empresa. Porque são contratos maiores. Já não era mais R$1.500,00. Já tinha contratos maiores. A gente começou…

Luciano Pires: Quer dizer, aquela tragédia que era para terminar a empresa foi o que faltava para vocês…

Claudio Alves: Dar uma alavancada.

Luciano Pires: Dar uma alavancada.

Claudio Alves: Dar uma alavancada.

Dennis Campos: Talvez ali a gente estivesse até acomodado, sabe? Está num ponto de: ah, beleza. Tá. É isso aqui mesmo. Não sei o quê. Precisava de um novo cutucão. E aí foi quando…

Claudio Alves: E aí assim, a gente começou a tomar esse aumento de faturamento com os clientes. Aí gente falou: pô, mas pera aí. Só para você entender: a gente fazia a preparação dos sites para poder ter resultado no Google. Marketing de busca. E aí a gente começou a estudar outras coisas, que eram mais valiosas, estratégias que vinham de fora, automação de marketing, funil de vendas. E aí eu falei: Dennis, vamos ter que mudar de novo, cara. Já aprendemos isso. Vamos começar a aplicar isso aí para os nossos clientes. E aí começamos a migrar.

Luciano Pires: Para marketing digital pra valer? Inbound?

Claudio Alves: Na verdade assim, o Inbound em si Luciano, porém com as estratégias mais voltadas para funil de vendas. E a gente percebia que isso já era muito mais caro do que a gente cobrava no serviço lá atrás. Aí o cara que sempre ia encher o saco do Dennis: Dennis, não, nós temos que mudar. Vamos fazer uma outra coisa e tal. Não deixamos de atender os nossos clientes com…

Luciano Pires: Com a parte de criação, do SO?

Dennis Campos: Não, lá atrás, com a parte gráfica. Não deixamos. Ainda ficamos atendendo por um bom tempo. Com a parte de SO, de links patrocinados, a gente tem a agência até hoje. A agência, ela funciona aí quase que 80% lá só com a equipe. E nós começamos a prestar consultorias com a parte de funil de vendas. Porque aí a gente pegou o nosso melhor, que é a parte estratégica, junto com essa parte de funil de vendas e começamos a trabalhar com isso.

Luciano Pires: Que não tinha nada a ver com aquilo que os dois moleques sonharam lá atrás, quando começaram a…

Claudio Alves: Nada, nada a ver.

Luciano Pires: A trabalhar…

Claudio Alves: Nada a ver.

Luciano Pires: Nem existia. Não é que já tinha. Nem existia.

Claudio Alves: Nem existia. Nem existia.

Luciano Pires: Muito bem. Que tamanho está a empresa hoje?

Claudio Alves: Ah, continua sendo uma empresa de pequeno porte. Mas hoje a gente tem núcleos dentro da nossa empresa. A gente atende – se eu não me engano, eu acho – dois ou três clientes que têm um pedido recorrente da parte gráfica. Aí a gente foi dando bandeiras para cada frente, porém, com objetivos diferentes, o mesmo CNPJ, mas com bandeiras diferentes. Aí tem agência de marketing digital, que a gente atende a parte de marketing de busca. E nós dois prestamos consultorias para clientes que estão com problemas de vendas. A gente chega com estratégias de vendas. Pode ser tanto offline quanto online. A maioria dos nossos clientes são voltados para o online. Porém, quando o cliente precisa de alguma estratégia offline também a gente agrega.

Luciano Pires: E a atuação de vocês é regional? É ali na região?

Claudio Alves: Não, nós atendemos clientes até fora do Brasil.

Luciano Pires: É? Pô, que legal.

Dennis Campos: Principalmente consultoria, que aí faz um Skype ali. Na verdade, é um Zoom, outra ferramenta, mas aí a gente conversa e tal. Define estratégia e vai conversando tudo remoto. Então…

Luciano Pires: Pô, quem diria hein, cara? Que interessante. Que interessante. Vem cá, vocês estavam comentando comigo ali, antes da gente entrar aqui, que vocês estão desenvolvendo uns projetos aí…

Claudio Alves: Paralelos.

Luciano Pires: Paralelos. Buscando assinatura recorrente, que é um negócio interessantíssimo, que é para onde o mundo está indo. O que está rolando aí?

Claudio Alves: O que a gente teve como ideia, Luciano? A gente percebeu que toda empresa, se não está na internet, precisa estar na internet. Isso é fato. Só que é o maior medo do empresário, não sabe como lidar com internet, não sabe se é muito caro. É difícil de mexer.

Dennis Campos: Eu não vou ter tempo para isso. Eu tenho que cuidar do meu negócio. Então…

Luciano Pires: Eu tenho um sobrinho que faz muito mais barato…

Claudio Alves: E aí, o que a gente pensou? A gente pensou: pô, todo modelo de negócio tende a direcionar para uma recorrência. Isso é fato. Todas as empresas estão buscando isso. Até as grandes têm recorrências de formas diferentes. A Apple, o iPhone é uma recorrência. Todo ano tem que trocar, que senão você está ultrapassado. Então a gente começou a pensar algo dessa maneira.

Luciano Pires: Só uma pausa. Para quem não está familiar com essa história toda aqui, a recorrência é o seguinte: ao invés de você comprar um carro e ter um carro, você vai alugar um carro e vai pagar por mês, para ter usufruto do carro. Então, você não possui mais o bem, você possui o direito de acessar o bem. Então, você assina para receber o vinho na sua casa, para receber fruta em casa, para receber a revista em casa, para receber o serviço. Você assina Netflix. Tudo isso é recorrência. No final do mês você faz a conta e você descobre que você está gastando uma grana de assinatura de um monte de coisinha que você usufrui, mas não é dono de nada daquilo. Então você não compra mais o CD, você assina Spotify. Então essa é a economia, é para esse lado que a economia está indo. Então, quando se fala em recorrência, o que tem acontecido no mercado agora é que muita gente já descobriu essa necessidade, inclusive eu, com o Brasil Premium. É um projeto de assinatura recorrente. E está tudo caminhando para ele. Estão vindo as coisas mais estapafúrdias que você puder imaginar. Os negos já estão criando projeto de assinatura. E os especialistas dizem que o mundo vai inteirinho para aí. Vai chegar um momento que você não terá um móvel na sua casa. Você fará uma assinatura e receberá um sofá na sua casa. Esse sofá não é teu. Você apenas paga para usá-lo. Ou quando ele ficar velho, o cara que fabrica…

Dennis Campos: Você troca…

Luciano Pires: Vai lá, tira o sofá, bota o sofá novo. E você nunca vai ter que bancar aquele investimento e a depreciação desses bens.

Dennis Campos: Exato. E a gente descobriu isso porque uma das coisas que a gente sentia muito é que a gente foi caminhando para oferecer serviços não elitizados, mas assim, são serviços mais estratégicos, que a empresa tem que ter uma maturidade para contratar o nosso serviço de consultoria, por exemplo. Mas sempre chegava alguém e falava: ah, eu sei que você trabalha com marketing. E eu estou começando aqui uma lojinha. Eu estou começando a vender doce. Ah, eu abri um restaurante. E às vezes, não eram clientes que encaixavam na consultoria. Então a gente pensou: a gente precisa de alguma coisa para oferecer também para esses caras, para eles darem o primeiro passo. E aí, até inclusive, o nome da nossa recorrência, que é a Primeiro Passo Online, onde a gente entrega um site para o cara e tem ali um portal de membros, onde a gente ensina essa pessoa também a dar os primeiros passos, como que cria uma fanpage, como que você faz um primeiro anúncio no Facebook, como que você utiliza seu site para gerar conteúdo, gerar negócios.

Luciano Pires: O que é a recorrência? É um curso? Eu pago por um curso? O que é?

Claudio Alves: Na verdade é assim, você vai pagar uma mensalidade, aonde você vai ter um site com todos os serviços de hospedagem, manutenção. E a gente disponibiliza um treinamento para que ele impulsione o negócio dele na internet.

Luciano Pires: Quer dizer, eu não tenho que pagar para você fazer o site para mim. É isso? Eu não vou desembolsar uma grana para você construir o meu site?

Claudio Alves: Exato. Exato. Exato. Porque isso é uma das barreiras que a gente identificou estudando o público mais iniciante com empreendedorismo. Tinha: pô, eu não tenho 5, R$10.000,00 para investir num site. Então, você vai pagar uma mensalidade, o plano começa em R$97,00 e ele já tem isso. O site dele e uma ferramenta para ele poder impulsionar isso na internet. A pessoa que não consegue nos contratar para consultoria ou a agência, para executar isso, ela vai ter ali o que ela consegue executar para começar a fazer o negócio dela girar através da internet.

Luciano Pires: Entendi. Sim.

Claudio Alves: Você entendeu?

Luciano Pires: E já lançaram isso aí?

Claudio Alves: Já. Está no ar.

Luciano Pires: Como é que é? Como é que é? Tem mercado para isso, cara?

Dennis Campos: Tem cara, muito.

Luciano Pires: Porque é o seguinte: você quando fala que vai lidar com gente que não tem 5 paus para pagar para fazer um site, normalmente esse é um povo que está contando tostão e que não consegue dar valor a essas coisas intangíveis. Que você vai falar: porra, investe aqui. Puta, que investir, cara? Eu vou botar esse dinheiro para pagar a conta da água, a conta da luz. Não é nem que ele não quer fazer. Eles não têm bala na agulha para poder falar isso: estou investindo 10 mil num site, por que… cara, cadê o site? Você nem vê esse negócio, né? Então, eu imagino que seja um público muito complicado de você fazer uma venda. Você tem até que desempenhar o papel de um evangelizador.

Claudio Alves: Exatamente isso.

Luciano Pires: Você tem que chegar lá, evangelizar o cara.

Claudio Alves: Exatamente isso.

Luciano Pires: Mostrar para o cara, para ele, que ele tem algo que ele não sabe que precisa. E convencê-lo a gastar um dinheiro em algo que ele não sabia que existia, né?

Claudio Alves: Exato.

Luciano Pires: Como que é esse jogo, cara?

Claudio Alves: Só para você ter uma ideia: hoje o SEBRAE tem uma pesquisa que aponta que 14% das empresas possuem site próprio. Das pequenas…

Dennis Campos: PME.

Claudio Alves: PME. Não tem o seu site próprio. Então a gente identificou: pô, pera aí…

Luciano Pires: Pera aí, 14 não tem?

Claudio Alves: Não, 14% tem. Quer dizer que 85% não tem o seu site próprio. Então foi aí que a gente teve a ideia de montar o formato de uma startup. Por que a ideia é o quê? Meu, você tem, você quer utilizar por um mês, você vai usar um mês. Você paga lá os R$97,00. Em 7 dias você tem o seu site pronto. Você não precisa ficar você mesmo atualizando. Porque a gente sabe que têm soluções que você faz de graça. Porém, o empresário tem tempo de ficar atualizando seu próprio site?

Luciano Pires: Não, não.

Claudio Alves: Então a gente já fez essa solução, tem uma equipe de suporte que vai receber as suas informações, coloca no ar. Então, de uma forma bem prática. Ah, Claudio, a minha empresa quebrou. Não tem contrato. Pode cancelar e tal. A gente já está ciente disso. Estamos seguindo também os modelos de recorrência. Eu não consigo ficar amarrado à Netflix por dois anos. Eu não quero isso. Eu quero pagar enquanto eu quero usar. A gente fez exatamente isso com a ferramenta. Disponibilizar um acesso às empresas, que elas não teriam. Você entendeu? Então, você falou: pô, é chato lidar com esse público. É. Porque eles não têm o conhecimento. Então, esse portal de treinamento, junto desse pacote, a gente vai catequizar essas pessoas: você precisa estar na internet.

Luciano Pires: Quer dizer, e vocês só conseguiram fazer isso, porque você tinha uma estrutura preparada para isso. Quer dizer, você não foi contratar um designer para fazer esse trabalho?

Dennis Campos: Não, não.

Luciano Pires: Você pegou o que você já tinha lá?

Dennis Campos: Como sempre, a gente pegou o que tinha lá à mão.

Luciano Pires: Então, vocês fizeram uma mudança de modelo de negócio. É isso? Você pegou aquilo que você já tinha. Como é que eu posso aproveitar melhor essa estrutura? O mesmo design que eu tinha, que eu vendia o site para o Seu Osvaldo, eu vou usar agora nesse meu microprojeto de mini sites?

Dennis Campos: A gente migrou de modelo de negócio ao longo da nossa carreira. E a gente migrou também do que a gente entrega. Então, começamos lá no cartão de visita, aí depois migramos para um formato de free mensal, que eram os serviços de marketing de busca. Depois migramos para a consultoria, que é um outro tipo de trabalho. Eu posso trabalhar um mês para a pessoa enquanto… ad eternum…

Claudio Alves: Têm clientes que a gente atende, vai, um ano. Mas num formato de consultoria: tem que fazer isso e tal. A gente entrega uma parte, o cliente entrega outra. E aí, a gente agregou… assim, esse projeto, Luciano, a gente está lidando totalmente aparte da nossa empresa. Então tem uma estrutura, um organismo todo separado, algumas mãos de obras é a agência mesmo que faz, porém, ela está rodando aparte, você entendeu? E é algo que a gente, validando isso que a gente já tem ali clientes que já estão utilizando a ferramenta, a gente vai realmente ter que montar uma estrutura. Porque a demanda que vai vim vai ser muito grande.

Luciano Pires: E eu imagino que vocês também têm que criar um sistema replicável muito rapidamente. Quer dizer, não é aquela história, põe o papel branco aqui na minha frente, eu vou desenhar do zero o site para o A, para o B, para o C e para o D. Não?

Claudio Alves: Não. A gente já deixou isso já num formato onde alguns templates prontos, onde o cliente escolhe qual. É aquele? A gente customiza aquele template. Então, é uma forma mais rápida de eu poder entregar isso para o cliente.

Dennis Campos: É isso que possibilita que em 7 dias a gente consegue subir um site. Você entrou, preencheu ali as informações, por exemplo, nome da sua empresa, conta aqui sua história, fala um pouco dos seus serviços, tal. Ok. Mandou, as informações estão certas, em 7 dias, a gente consegue colocar no ar.

Claudio Alves: Foi uma maneira mais rápida de a gente enxugar todos os custos e entregar uma solução muito bacana para os nossos clientes.

Luciano Pires: Onde é que o calo aperta hoje em dia, cara? Vocês? Lá atrás era o seguinte: eu não tinha o dinheiro para comprar o jantar. E eu tinha que me virar para comprar, para ganhar, senão, não janto hoje, né? Onde é que pega hoje? Cara, a gente estava conversando ali, vocês chegaram e vieram falar, eu já estava trocando ideia com vocês, sobre essa dificuldade do criador, que cria o seu próprio negócio e tem que escalar essa criação. E ao escalar a criação, ele acaba perdendo o controle daquilo. Eu dei o meu exemplo, eu falei: cara, eu não consigo passar o meu texto para alguém fazer para mim. Dá mais trabalho eu pegar o texto de alguém e adaptar para mim, do que eu fazer do zero. Só que isso tem um limite. Eu não consigo ir além daquilo que eu faço todo mês. E o meu desafio é: como é que eu escalo? O negócio está totalmente baseado em mim como o artista, né?

Claudio Alves: Assim, o que a gente fez para esse modelo de negócio, a gente criou processos para todas as funções dentro desse negócio. Todos. Porque assim, você falou: onde o calo aperta? O nosso calo aperta com mão de obra, cara, com funcionário. A gente está num país que tem um desemprego enorme. E assim, as pessoas não querem se qualificar, não querem passar por determinada situação. A gente recebe currículo lá. A nossa empresa é pequena, mas a gente recebe, em média aí, vai, uns 50 currículos por semana. E você vai ver, o pessoal está pedindo salário de um sênior, uma pessoa super avançada e não tem o que entregar. Você entendeu? Então…

Luciano Pires: Sim. E vocês têm ainda uma outra coisa interessante, deixa eu usar um exemplo aqui. Eu tenho um pessoal amigo meu, que montou também uma empresa, startup, com uns negócios novos, uma proposta nova, bem legal. E que tinha tudo para dar muito certo. Aí vieram aqui, sentaram comigo, vamos conversar, eu vou fazer, na-na-na. E a recomendação que eu dei para eles foi a seguinte: cara, puxa o freio, não caia no canto da sereia, porque a hora que vocês apresentarem o projeto, ele é muito legal. E vai chover cliente. Vocês não peguem mais cliente do que vocês podem. Porque é o seguinte, vocês vão ficar tão inebriados com isso e vão pegar tanto cliente, que vocês não vão conseguir crescer na velocidade de atendimento. E vocês vão implodir.

Claudio Alves: Exato.

Luciano Pires: Cara, e não deu outra. E não deu outra. Porque a hora que sai cliente da esquina, começa a chegar clientão, empresa de marca e tudo, é irresistível, cara, você acaba pegando. E aí tem que fazer acontecer. E a velocidade que você tem para trazer gente para dentro do projeto, mesmo que seja: olha, são só programadores. Não, cara, não são só programadores. São programadores que têm que ter a minha cultura, que têm que entrar no meu… que têm que ser no meu ritmo, etc. e tal. E essa turma não está aí dando sopa, esperando você ligar, né?

Dennis Campos: Cara, o que a gente fez foi, então, essa velocidade de escala, por causa de mão de obra, o que a gente fez foi o seguinte: esse projeto, a gente colocou um limite mês, de sites para subir enquanto… e aí vai escalando aos poucos, né? E até com as nossas consultorias também. A gente tem uma agenda de entrada de clientes e até está procurando soluções alternativas. A gente está, por exemplo, fazendo uma mentoria, onde eu consigo orientar mais pessoas…

Claudio Alves: Por um custo mais baixo.

Dennis Campos: Por um custo mais baixo…

Claudio Alves: Do que a gente cobra na consultoria, para poder atender uma quantidade maior de pessoas. Você entendeu? Que nem, o Dennis falou: os nossos sites. A gente não consegue fazer mais do que 90 sites por mês. Então isso já está lá, planejado um tempo que vai se gastar para produzir cada site, para que isso não gere esse problema que aconteceu com a pessoa que você deu o exemplo aí. Então, a gente está muito seguro do que a gente quer. As metas estão riscadas, quais são, o que a gente quer alcançar, para que o canto da sereia não desvirtue o que a gente está imaginando. Então, a gente foi muito por esse lado. Entendeu?

Luciano Pires: Pô, que legal. Essa que é a grande dificuldade hoje em dia, você manter o pé no chão, cara. Porque como eu falei, é tão… tem tanto glamour, né cara? Essa história do: vou criar o meu aplicativo para ficar bilionário. É tão chamativo isso, que você vê a moçada se arrebentando aí. E não é à toa que você pega o SEBRAE e a quantidade de empresa que nasce e morre no Brasil, um negócio impressionante.

Claudio Alves: Todo ano, quando passa o ano, a gente comemora, Luciano. Porque a gente está deixando a estatística para trás, entendeu?

Luciano Pires: Sim, sim. É uma vitória. Vocês estão há quanto tempo já? Cinco?

Claudio Alves: Não. Seis anos.

Luciano Pires: Ah, já… que legal, cara.

Claudio Alves: Seis anos. Já passamos as estatísticas dos cinco anos. Vamos ver se a gente passa dos 10, né?

Luciano Pires: Não, tomara que dê certo, cara. Se vocês abraçarem bem essa coisa da recorrência. Eu já defini que para mim, o futuro, o meu futuro é o Premium. É o Café Brasil Premium. É nele que eu estou apostando todas as fichas. E estou sentindo uma mudança até física no negócio. Quer dizer, o meu grande tesão da vida é dar palestra. E já está me enchendo o saco, cara. Porque a hora que eu estou lá no fim do mundo, fazendo a palestra, que é um negócio que eu amo fazer. Na minha cabeça está: bicho, eu podia estar produzindo conteúdo, cara. Eu podia estar no meu escritório. Vocês viram aqui como é que eu estou montado, né? Não é igual eu sentar num hotel, abrir o meu laptop e falar: vou produzir. Não, bicho. Quando eu abro aqui, essas oito telas e bah… a produtividade é um negócio maluco. É tão maluco que me motiva. É tão fácil fazer. Está tão montado para… como é que eu vou dizer? É como se eu tivesse 10 instrumentos e fosse produzir uma música tocando os 10 ao mesmo tempo. Isso é tão fascinante, que pô, eu sento ali, eu não vejo o tempo passar.

Dennis Campos: Cara, eu sou totalmente ao contrário, sabia? Eu preciso escrever, sento com uma tela só. Eu trabalho com duas. Sento com uma tela só, desligo a segunda, fone na orelha e foco total. Porque senão…

Luciano Pires: Cara, eu não consigo. E aí é o que eu falei para vocês da mudança física, né? Pela primeira vez eu estou tendo a sensação de que estar na rua, fazendo palestra para a turma, que é algo que eu amo fazer…

Claudio Alves: Não é tão produtivo?

Luciano Pires: Não é tão produtivo. E se perigar, não vai me dar tanto prazer, quanto é agora estar produzindo e apertar um botão e chup e a turma receber aquela coisa toda lá.

Claudio Alves: Sim. Você impacta muito mais pessoas, né?

Luciano Pires: Sim. E é uma mudança de paradigma isso aí cara. Porque pô, eu faço palestra há 30 anos. E falei: eu vou morrer onde? Eu vou morrer num palco. Eu vou ficar velho, eu vou morrer num palco, fazendo palestra. E agora, de repente, eu falo: não bicho, eu tenho uma forma de eu atingir mais pessoas, de um jeito diferente. Mas que não demanda eu carregar 100 quilos para Fortaleza. Para eu carregar 100 quilos para Lucas do Rio Verde.

Dennis Campos: O foco mudou, né?

Luciano Pires: Então as coisas… e isso tudo a tecnologia que fez com que acontecesse. Então, eu estou vendo com muita simpatia essa questão toda da assinatura recorrente, porque ela torna acessível, algo que até então era absolutamente inacessível. E essa jogada que vocês fizeram aí, eu estou ouvindo e falando: cara, imagina, cara. Cidade do interior, o pessoal, todo mundo com seu próprio negócio ali, com aquele sitezinho, não sei o quê. Que tudo bem, tem uns menininhos que fazem sitezinho. Mas de repente vem um pessoal e fala: olha, não é só o sitezinho. É o site e…

Claudio Alves: Isso aqui.

Luciano Pires: A mecânica para funcionar. E ensinar você a fazer funcionar. E tem um conhecimento agregado naquilo lá.

Claudio Alves: Sim. Porque a gente coloca nesse portal, o que a gente executa para os nossos clientes. Foi uma maneira também, de a gente escalar o nosso conhecimento, você entendeu? Então, a pessoa que está contratando a ferramenta, vai ter esse suporte do que? Eu validei isso com os meus clientes, você pode aplicar que funciona para o seu. Para o seu negócio também.

Luciano Pires: Sim. Vocês estão oferecendo conteúdo também, cara. Além da ferramenta em si…

Claudio Alves: Também.

Luciano Pires: Para ela… pô, muito legal. Diretamente do ABC, para mudar o mundo, cara. Que legal. Como é que chama a empresa?

Dennis Campos: Primeiro Passo Online.

Luciano Pires: Primeiro Passo Online. Já tem www? Primeiro Passo Online?

Dennis Campos: Já. Está funcionando já há alguns meses.

Luciano Pires: Pô, que legal, cara. Que legal. E quem estiver interessado entra lá: o moçada, quero…

Dennis Campos: primeiropassoonline.com.br. E aí lá tem tudo explicado. Você escolhe o modelo, você já navega pelos modelos. Ah, eu gostei desse. Eu tenho uma pet shop. Esse daqui faz mais sentido e tal.

Claudio Alves: E os autônomos têm um problema muito grande de não ter como fazer isso daí. A gente já tem alguns modelos específicos para autônomos, dentista, advogado, médicos, que tem ali um consultório pequeno. Já pode ter o site em 7 dias e começar a aproveitar a internet.

Luciano Pires: Pô, que legal, cara. Você que está ouvindo o LiderCast aí, é o seguinte: eu não sei o que é esse negócio deles. Eu não vi. Eu não fui atrás. Não sei se esse treco funciona. Não sei se é bom. Eu não tenho a menor ideia do que é. Mas a intenção de trazer vocês aqui era para ver essa história do empreendedor que começa… pô, vocês começaram, eu não vou dizer que abaixo de zero, mas estava pertinho.

Claudio Alves: Olha, Luciano, estava no 0,5.

Luciano Pires: Não, estava pertinho. E passaram por um perrengue grande. Quer dizer, não foi uma coisa que: eu tive uma ideia genial, estou abaixo do zero, bota a ideia e daí explode. Não foi assim. Não explodiu.

Claudio Alves: Não, a gente…

Luciano Pires: Vocês estão construindo a coisa passo a passo, né?

Dennis Campos: Exato.

Luciano Pires: É a cara do empreendedor brasileiro.

Claudio Alves: Que sofre, né?

Luciano Pires: Não, e parabéns a vocês. Vocês estão com seis anos de empresa e com esse gás todo aí de mudar modelo de negócio no meio do caminho e criar coisas novas. E uma coisa legal que você falou, que me chamou a atenção é o fato de vocês terem criado um núcleo para essa coisa nova que vai nascer. Quer dizer, a empresa continua andando. O negócio de vocês continua andando. E o núcleo, que é onde… estão plantando ali. E se aquilo germinar e crescer, talvez ele tome conta do restante, né?

Claudio Alves: Exato. Não, mas vai germinar.

Luciano Pires: Não, claro.

Claudio Alves: A gente colocou já algumas metas.

Dennis Campos: A meta social eu acho que é a mais legal.

Claudio Alves: A meta social é legal, cara. Assim, você comentou de palestra. E você nos inspira muito. É nosso mentor sem nem saber, porque a gente acompanha muito você. E num dos episódios aí, para trás, do Café que a gente ouviu, você falava o seguinte: pô, o que você está fazendo diferente nesse mundão? Você veio aqui à toa? Você está plantando alguma coisa? E há duas semanas atrás, a gente fez algo que assim, a sensação foi muito melhor do que quando a gente está palestrando sobre marketing, sobre vendas. Foi muito bacana. Mas a gente foi palestrar lá na prefeitura de Mauá, para a Secretaria de Desenvolvimento Social. Então, olha o problema que eles têm. Eles dão muitos treinamentos, capacitam muito essas pessoas que estão desempregadas. Mas não tem emprego.

Dennis Campos: Não tem onde colocar as pessoas.

Claudio Alves: Então, é uma vaga que surge para 300, 500 pessoas que vão lá para participar dessa vaga. Aí ela viu uma palestra do Dennis, que o Dennis foi fazer uma palestra na faculdade, motivando a galera para poder…

Dennis Campos: Não, foi na prefeitura mesmo.

Claudio Alves: Foi na prefeitura?

Dennis Campos: Foi. Eu fui dar uma palestra gratuita na prefeitura no final do ano passado, que era para, justamente, para esse pessoal que está desempregado e tal. Para falar um pouco de empreendedorismo. E ela falou: lembra aquele seminário? Beleza. Tem uma galera aqui, que a Secretaria atende. E a gente precisar dar uma nova fonte de – não só de renda – uma esperança para essa galera. E aí ela falou assim: como vocês falam de empreendedorismo, talvez seja um caminho para a gente conseguir aumentar a renda desse pessoal, por mais que a gente não tenha emprego. Porque a gente capacita e não tem onde colocar.

Claudio Alves: Porque na verdade, você foi lá para a prefeitura falar exatamente como a gente montou a empresa. Que é isso que a gente contou aqui, com R$60,00 e parcela de tudo quanto a gente… a gente foi atrás de montar a nossa empresa.

Dennis Campos: E aí a gente reuniu uma galera lá da Secretaria. A gente fez um workshop de dois dias com esse pessoal. Então tinha domésticas, um cara que cortava o cabelo na casa dele, teve um outro que… tinha uma galera que vendia bolo, que vendia salgado e tal. Então, era um pessoal que é totalmente fora do nosso público. Mas que a gente foi dar umas dicas, de falar assim: é possível. Eu consegui. Você consegue. Sabe? Tipo… e aqui está o caminho. Então, a gente tinha umas ideias com eles, para fazer um negócio diferente. Como que você se diferencia. A gente saiu com uma ideia com o rapaz que era cabeleireiro. Falou: cara, porque você não vai até a pessoa cortar o cabelo dela, ao invés de você querer montar o seu salão? Você não precisa desse investimento agora. E aí acaba com o problema da pessoa de chegar à noite em casa e ela não ter mais um salão aberto, uma…

Claudio Alves: A experiência da barbearia para a pessoa. Então, a gente… foi sensacional, Luciano, porque a gente via, quando a gente começou a palestra, a gente via o desespero das pessoas, entendeu? Que estava ali, mas não acreditando muito, que seria mais alguma coisa transformadora. E a gente deixou bem claro: não vamos ensinar mais uma profissão para vocês. Porque tinha gente lá que tinha feito 4, 5, 6 cursos de capacitação e não se recolocava no mercado. Então a gente foi e falou: olha, é possível você ter uma fonte de renda que não é a carteira assinada. Você entendeu? E a gente brincou até. Porque tinha alguns adolescentes lá. Eu falei: meu, imagina quando que essa pessoa vai se aposentar aqui? Se vai se aposentar? Porque a gente não sabe o que vai acontecer com a loucura que está esse Brasil. Então aí, a gente viu o brilho no olho dessas pessoas, que deu uma motivação muito grande por aquilo que a gente fez. Aí eu lembrei do episódio na hora, eu falei: pô, eu consegui plantar uma sementinha no coração daquelas pessoas ali, de esperança.

Luciano Pires: Isso é um bichinho que quando morde, cara… esse bichinho desse tesão aí, sabe, de você ver o brilho no olho das pessoas, quando ele morde é jogo duro. Você não larga mais, cara. Você não larga mais.

Dennis Campos: E até para a Primeiro Passo, o que a gente fez? A cada 100 sites vendidos, a gente vai dar um site para uma ONG.

Luciano Pires: Legal.

Dennis Campos: Então a gente já tem duas ONGs já que tem. A Maternizar…

Claudio Alves: A Maternizar é uma ONG que ela ajuda as pessoas que querem adotar uma criança. Que também, no Brasil, é difícil de conseguir adotar uma criança, por mais que essa criança precise. Eu não vou entrar nesses méritos.

Luciano Pires: Sim. É complicadíssimo.

Claudio Alves: Eu nem tenho esse conhecimento. Mas ajuda uma ONG com isso.

Dennis Campos: E a Casa do Jardim.

Claudio Alves: E a Casa do Jardim, que é o nosso novo projeto. Cara, que a gente ficou apaixonado. Porque a ideia deles é mostrar – só para você ter uma ideia – lá em Santo André, essa ONG, eles tiram as crianças das favelas de Santo André e levam para o bairro nobre, aonde eles dão uma causa: o que vocês veem lá, não é só aquilo…

Dennis Campos: Não é só aquilo que existe no mundo.

Claudio Alves: Então vocês vêm para cá, vocês têm alimentação, vocês têm curso, têm atividades para vocês acreditarem num futuro. Então a gente sempre quis ajudar as pessoas nesse sentido. Porque você ir lá e doar uma cesta básica, não significa que você está ajudando. E aí essa ONG é sensacional, Luciano. Eles dão uma visão para as crianças…

Luciano Pires: De que há um mundo possível lá fora e que você talvez não precisa almejar ir para lá. O que você tem que almejar é transformar a tua realidade aqui, naquilo que você viu lá.

Claudio Alves: E olha, Luciano, se você um dia, se você quiser conhecer. A Katia, ela contou algumas histórias para a gente.

Luciano Pires: Eu quero a Katia aqui, nesse banquinho aí.

Claudio Alves: A gente veio pensando nisso, sabia? A gente veio pensando nisso. Porque assim, ela conta algumas histórias que você não acredita. Não acredita que aquela criança…

Luciano Pires: Já está convidada.

Dennis Campos: E ela é uma pessoa… cara, você dá muita risada com ela. Ela vai chegar com o boné para trás. Às vezes, você chega lá, ela está jogando as crianças para cima e está fazendo…

Claudio Alves: Ela é empreendedora. Ela é líder. Ela é líder, você entendeu? Vai totalmente fora da curva. Briga com prefeitura, briga com traficante, briga com dono de boca, para poder tirar a criança para levar lá, para mostrar algo bom.

Luciano Pires: Está cheio de gente assim, cara. Teve alguém que chorou com a Neide aí não chorou? O LiderCast 100?

Dennis Campos: Somos dois.

Luciano Pires: Então, tá cheio de Neides no Brasil aí, cara. O que a gente tem que fazer é dar um apoio para essa turma toda. E fazer a parte que nos cabe aqui. A minha é essa aqui, é abrir o microfone e contar as histórias e imaginar que tem um neguinho lá ouvindo e falando: caralho, esses caras foram. Eu vou nesse caminho também, cara. Pô, que ideia genial. E as coisas vão acontecendo. E é por aí mesmo, né? Quem quiser achar vocês então, vamos lá, de novo?

Dennis Campos: Vamos lá: Dennis Campos. No Instagram está denniscamposmkt, de marketing, com dois N.

Luciano Pires: Esse Dennis tem dois N?

Dennis Campos: Isso, denniscamposmkt no Instagram. O site é primeiropassoonline.com.br.

Luciano Pires: E a empresa, se quiser a empresa é o mesmo site, da empresa de vocês?

Dennis Campos: Não, agencialab.com.br.

Luciano Pires: Tá. Ok.

Claudio Alves: Eu no Instagram está como claudio.alves83. Facebook também, a mesma coisa. E o site da agencialab.com.br.

Luciano Pires: Repete.

Dennis Campos: primeiropassoonline.com.br

Luciano Pires: Então, é aqueles nomezinhos bem curtinhos, que é facinho. Aquela URL facinha de a gente escrever: primeiropassoonline.com.br

Dennis Campos: Exato.

Luciano Pires: Ah, eu vou lá visitar. Vou dar uma olhada. Parabéns a vocês aí, cara.

Dennis Campos: Por favor.

Luciano Pires: E se tiver alguma entidade aí que queira se cadastrar para ver se ganha um site online…

Dennis Campos: Pode. Escreve para a gente que…

Claudio Alves: Escreve para a gente que é assim, eu acredito que vai… o programa tem uma audiência muito bacana. Mas se a gente comprar a ideia da ONG ta

Narrador: Bem-vindo ao LiderCast, o podcast para quem quer saber mais sobre liderança. Apresentação, Luciano Pires.

Luciano Pires: Bom dia, boa tarde, boa noite. Bem-vindo, bem-vinda a mais um LiderCast, um podcast que trata de liderança e empreendedorismo, com gente que faz acontecer. No programa de hoje temos Dennis Campos e Claudio Alves, empreendedores que criam no Grande ABC, uma agência de Comunicação, saindo do zero e experimentando os obstáculos de todos os empreendedores brasileiros. É gente que nem a gente. Este não é um programa de entrevistas, não tem perguntas programadas, nem roteiro definido. É um bate-papo informal com gente que faz acontecer, que vai para lugares onde nem eu, nem meu convidado imaginamos. Por isso, eu não me limito a fazer perguntas, mas dou meus pitacos também. Você está entendendo? Não é uma entrevista. É um bate-papo. O LiderCast é lançado por temporadas. Os assinantes da Confraria Café Brasil e do Café Brasil Premium tem acesso imediato à temporada completa, assim que ela é lançada. São mais de 24 horas de conteúdo de uma vez só, cara. Os não assinantes receberão os programas gratuitamente, um por semana. Para assinar acesse cafebrasilpremium.com.br. Esta 10ª temporada do LiderCast chega até você com o apoio da Nakata, que é líder em componentes de suspensão. Cuide bem de seu carro com as dicas do blog.nakata.com br. Muito bem, mais um LiderCast. Vocês sabem como que é a pegada desse programa aqui. A gente não tem a ideia trazer estrelas, ficar aqui falando com aquele modelinho que tem no mercado aí, que você pega um cara, o cara vem e fala: eu era pobrezinho. Eu nasci na favela. Eu não tinha nada. Eu cresci do meu esforço. Fiquei rico. Hoje eu sou um fodão. E se eu sou, você pode ser também. Esse é o modelinho que tem aí fora. E não é o modelo do LiderCast. O modelo do LiderCast é falar com pessoas para tentar entender o que as motiva a fazer acontecer. E a ideia é trazer gente como a gente. Hoje eu estou aqui com um exemplo muito bom nisso aí. Esses dois chegaram aqui comigo. Porque um deles se meteu a mandar um e-mail para mim cheio de bla-bla-bla, nhe-nhe-nhe. Porque eu faço, eu posso, eu tenho. Eu quero estar aí um dia. Eu falei: então vem. Vem cá e vamos ver o que vai acontecer aqui. Tenho uma dupla aqui na minha frente. Vocês sabem qual é a pergunta tradicional, aquelas que vocês não podem errar. Então, um de cada vez. Eu quero saber o nome, idade e o que você faz?

Dennis Campos: Beleza. Eu acho que eu sou o que escreveu o e-mail. O que se atreveu a isso. Meu nome é Dennis Campos. Eu tenho 32 anos. E para resumir, a gente ajuda empresas a vender pela internet.

Claudio Alves: Eu sou Claudio Alves, tenho 35 anos, casado, pai da Ana Carolina, que é o que me motiva a acordar todo dia cedo para fazer as coisas acontecerem.

Luciano Pires: Você já tem a maior das motivações. Você não tem filho?

Dennis Campos: Não, não tenho.

Luciano Pires: Não tem?

Dennis Campos: Ainda não.

Luciano Pires: Vocês são de onde?

Claudio Alves: Eu sou de Santo André. Nasci em São Caetano e moro em Santo André.

Dennis Campos: E eu nasci e moro em Ribeirão Pires.

Luciano Pires: Ribeirão Pires, vocês estão ali…

Dennis Campos: Em São Paulo.

Luciano Pires: É. Estão ali no ABC, estão ali pertinho do ABC, né?

Dennis Campos: Isso.

Luciano Pires: Daquele lado lá, né? E daí cara, vamos lá, começar lá do comecinho. Formação dos dois? Vocês vêm da família? O pai e mãe faziam o quê? Ou faz o quê?

Claudio Alves: Bom, minha mãe assim, uma guerreira. O meu pai, quando eu tinha mais ou menos 11 anos, abandonou a gente. Viciado em jogo.

Luciano Pires: Mais uma história de pai viciado em jogo no LiderCast, cara.

Claudio Alves: E assim, minha mãe sempre um exemplo muito grande de força, batalha. Passamos por diversas juntos e…

Luciano Pires: Quantos são em casa?

Claudio Alves: Eu e meu irmão. Meu irmão é oito anos mais velho do que eu. Só que também, por ali, um destino ali, ele casou muito cedo. Ficou eu e minha mãe só, correndo aí para fazer as coisas acontecerem. E até esses dias eu estava dando um exemplo para a minha filha, que ali, falei: pô, vamos trabalhar lá com a gente, têm umas possibilidades lá. E você não quer, de jeito nenhum. Aí, numa pizza lá num sábado à noite, eu falei: é mãe, você lembra lá naquela época, que eu ficava numa lojinha lá em Mauá, na época, que a gente acabou morando em Mauá um período. E aí a gente ficava na lojinha. Eu ficava na lojinha sozinho, com 11, 12 anos, vendendo gelinho, pipa, pião. E não ganhava nada. A minha filha hoje – eu brincando com ela – eu falei: vai trabalhar lá, que eu vou te dar R$10,00 para você trabalhar lá. E ela não quer. Fala: caramba.

Luciano Pires: Que idade ela tem?

Claudio Alves: 14 anos. Vai fazer 15. Então assim, a história que eu tenho da minha mãe é sempre motivadora, batalhadora ao extremo.

Luciano Pires: O que sua mãe fazia? Trabalhava com quê?

Claudio Alves: Minha mãe, a família toda nordestina, Pernambuco. A minha avó também já veio com um histórico, trouxe a família toda do Pernambuco para morar para cá, buscando melhora de vida. A minha mãe veio muito pequena, não…

Luciano Pires: E teu avô?

Claudio Alves: Meu avô morreu, cara. Morreu nessa vinda para cá. E aonde minha avó que criou todos os filhos.

Luciano Pires: Quer dizer, você vem com essa conversa toda de girl power. É a história da tua vida?

Claudio Alves: Mais ou menos.

Luciano Pires: Você é o cara do girl power. A avó e a mãe segurando…

Claudio Alves: São as inspirações.

Luciano Pires: Que legal, véio.

Claudio Alves: E assim, é muito bacana porque, cara, a minha avó trazia a família toda do nordeste para poder dar uma chance, para cá. Então, ela era o pontode encontro para os familiares virem tentar alguma coisa para cá. Ixe, criou um monte de parente para cá. Vinha, dava uma força. E colocava aí para seguir o caminho. E aí minha mãe, nessa fase, a gente passou por muita dificuldade. Não é falar disso, mas ela suou muito camisa para poder manter tanto eu como meu irmão nesse período. O meu irmão quando fez 18 anos, casou. E ficou a gente. E aí então, a história que eu tenho de família, assim, é essa. O meu pai eu via muito pouco. O vício do jogo acabou aí, acabando com toda a estrutura familiar aí, que o pessoal acha normal. Eu hoje tento retribuir para a minha filha, tudo que eu não tive. Mais ou menos isso, Luciano.

Luciano Pires: Ah, que história.

Dennis Campos: Dessa nem eu sabia. O meu pai, ele se aposentou pela COSIPA. Não sei se você chegou a conhecer?

Luciano Pires: Sim.

Dennis Campos: Companhia Siderúrgica Paulista. Ele aposentou cedo, eu acho que com 42 anos. Ele era mecânico lá. E a minha mãe trabalhou na BROSOL, que era uma indústria de… fazia carburadores e tal.

Luciano Pires: Um dia a Dana comprou, enquanto eu estava lá.

Dennis Campos: Que um dia a Dana comprou. E aí a minha mãe trabalhou por um tempo lá. Eu acho que depois que ela casou, acho que mais um, dois anos só. E passou a ser dona de casa. Então, minha família é um pouco – como que eu posso dizer? – eu acho que está dentro do padrão que se espera por tradicional. Então, sempre tive pai e mãe dentro de casa.

Luciano Pires: Quantos irmãos?

Dennis Campos: Eu tenho um irmão só. Hoje tenho um sobrinho lá também, que mora praticamente com a gente. O meu pai sempre… nunca tive luxo em casa, nem nada, assim. Foi tipo um padrão bem normal da sociedade, assim. E eu lembro até que meu irmão sempre me inspirava muito. Então, meu pai trabalhou em siderúrgica, aí meu irmão foi fazer SENAI e falou: ah não, eu vou arrumar um emprego por ali e tal. E foi metalúrgico por muito tempo. O meu irmão é sete anos mais velho que eu. Quando eu estava na idade, eu fui fazer SENAI, seguindo os passos do meu irmão. Só que aí não deu muito certo. Eu lembro que eu trabalhei sete meses com isso. E eu era conhecido como o matão da firma. Então, não estava dando muito certo. Assim que eu tive a primeira oportunidade, eu passei na faculdade, eu saí dessa.

Luciano Pires: Então você tinha como paradigma o seu pai, que trabalhava numa grande empresa e a sua mãe, que trabalhou em empresa também e depois foi dona de casa. Quer dizer, não tinha… nenhum tinha um empreendedor na família? Para mirar o empreendedor e falar: cara, eu, quando eu crescer, eu quero ser dono da firma?

Claudio Alves: Eu, na verdade assim, a minha família inteira, tanto minha avó quanto a minha mãe era… eu considero elas muito empreendedoras. A minha avó sempre teve restaurante, bar. Minha mãe no mesmo patamar. Cozinham muito bem. Isso vem de família. Então, elas sempre tiveram esses empreendimentos. Bar. O meu pai também, na época que era casado com a minha mãe, também eles tiveram bar juntos. E era aquela luta diária.

Luciano Pires: Ainda bem que o seu pai não bebia, né cara?

Claudio Alves: Não bebia.

Luciano Pires: Era jogo, né? Senão ia consumir o bar.

Claudio Alves: Não, mas aí era outro problema. Todo o faturamento do bar ia no jogo. Ia no jogo.

Luciano Pires: Sabe que esse negócio é tão… é tão… a gente fala muito a respeito disso e parece que é uma coisa meio distante, meio de literatura e tudo mais. E de repente, senta gente… você eu acho que é o segundo ou terceiro que senta aqui para conversar comigo e tem um histórico do pai que jogava, que perdeu tudo, que desestabilizou a família e desmontou tudo por vício de jogo. Isso é um negócio importante, cara. É um negócio muito grave.

Claudio Alves: Cara, e é muito engraçado, Luciano. Porque assim, a gente… eu quando falo isso para as pessoas, as pessoas não botam uma fé. Luciano, o meu pai ele é muito trabalhador. Muito, muito, muito, que você não tem noção. Ele, por exemplo, passa um final de semana inteiro jogando, sem dormir, só ali jogando. Chega na segunda, cedo, de manhã, ele vai trabalhar, cara.

Luciano Pires: Ele continua jogando?

Claudio Alves: Continua jogando.

Luciano Pires: É um vício que não tem jeito?

Claudio Alves: Não tem. Eu acredito que não deve ter cura, cara. Alguma coisa nesse sentido aí, porque eu acho que o estímulo de achar que vai ganhar, achar que vai ganhar não para. Não para.

Luciano Pires: Que coisa. Que coisa, né? Bom, e aí? O que vocês iam ser quando crescessem?

Dennis Campos: Cara…

Luciano Pires: Bom, pelo shape aqui, jogador de futebol?

Dennis Campos: Não, eu nunca tive essa vontade, acredita? Sério cara. Quando eu tinha uns sete, eu acho: quero ser desenhista. Mas aí passou um tempinho, eu vi que eu não tinha tato nenhum para o desenho. E aí, quando eu tinha uns 12, eu tive um grupo de samba. E aí, aquela coisa: ah, eu quero ser famoso. Eu quero…

Luciano Pires: Com 12 anos de idade?

Dennis Campos: Com 12 anos de idade.

Luciano Pires: Você tocava o quê?

Dennis Campos: Eu tocava – na época – eu tocava reco-reco e tocava teclado, que estava na moda lá, então solo de teclado no começo e tal. E depois eu aprendi o cavaquinho, que eu toco até hoje. E aí como eu tinha um irmão mais velho, então era o meu passaporte para: ah, vai ter uma festinha ali. Aí eu ia junto, o meu irmão me levava. Vai ter… a gente vai tocar em tal casa noturna. Aí eu ia, o meu irmão me levava. E aí acho que era a minha ambição, por volta ali, até uns 14 anos, mais ou menos. Depois…

Luciano Pires: Mas se tocava em casa noturna era quase… era semiprofissional o grupo? O que era? Era um grupo pra valer?

Dennis Campos: Era um grupo. Era um grupo pra valer. E aí estava até indo. A gente perdeu a mão na hora que o violonista chegou e falou assim: estou indo para um outro grupo, melhor e tal. E aí, quando ele deixou, aí meio que deu uma desestabilizada. Não tinha tanto violonista naquela época. Ou pelo menos, não na nossa área ali. E aí acabou ficando esse sonho.

Luciano Pires: E foi substituído pelo quê?

Dennis Campos: Cara, na sequência foi quando eu entrei no SENAI. E aí entra aquele sonho de trabalhar em empresa grande, Scania, Volks. Eu visitei algumas empresas também, Voigt e tal. Eu falei: beleza, eu acho que eu achei a veia, né? Então comecei, saí, estava terminando o SENAI, entrei numa empresa nova e…

Luciano Pires: Só uma dica aqui, para quem está ouvindo a gente não é de São Paulo. Quando a gente fala que os caras são do ABC. O ABC, a presença lá, quando ele fala Volks, Ford, Scania, GM é lá que está o anel das grandes empresas da produção de veículos no Brasil, está ali. Então, falar o nome dessas empresas, lá é sagrado, né? Porque as cidades cresceram em volta daquele cinturão metalúrgico ali, né?

Dennis Campos: Cara, eu acho que era até o sonho dos meus pais verem eu numa empresa dessas. Que nem, eu tenho um primo que trabalha na Volks, é um orgulho, né? Então… e aí passou um tempo, eu entrei para trabalhar e eu vi que eu era o matão da turma, cara. Tipo, eu ia fazer uma peça, matava. Dava prejuízo para a empresa. Eu falei: cara, isso não é para mim. Ainda bem que eu percebi rápido. Foi sete meses, assim. E eu lembro que a minha válvula de escape, que eu falei: já sei, eu vou tentar passar num técnico no SENAI, que aí sendo técnico, eu saio da operação e vou… talvez eu não seja tão ruim como técnico. E aí eu estudava. Então era uma máquina, eu trabalhava com CNC, que é um…

Luciano Pires: É um torno…

Dennis Campos: Era uma fresadora.

Luciano Pires: Era uma fresadora?

Dennis Campos: Isso. Então eu trabalhava com CNC. Eu botava a máquina para rodar e ficava estudando, para ver se eu passava na prova. Quando eu não passei, caiu o mundo. Eu falei: cara, eu não passei. E agora? Qual o plano B? Aí eu pedi demissão na empresa, eu vi que não era para mim.

Luciano Pires: Que empresa era?

Dennis Campos: Era uma empresa pequena de… sei lá, 10 funcionários. Uma metalúrgica pequena. E aí eu estava no ensino médio, no 3º ano. Estava aquele alvoroço na sala de… todas as meninas falando: ah, qual faculdade você vai prestar? Qual vestibular e tal? E eu não tinha perspectiva, porque eu não tinha dinheiro. Eu não estava trabalhando. Os meus pais não podiam pagar. E aí apareceu um papel na minha mão, um papelzinho abençoado, do Programa Escola da Família. Que era um programa do governo federal, que eu nem sei se existe ainda.

Luciano Pires: Que ano era isso?

Dennis Campos: 2003. Aí nesse papel tinha uma série de cursos. E falava assim: você pode passar com sua nota – do ENEM não – era o SARESP na época, alguma coisa assim. Você vai lá, presta uma prova na faculdade. E você tem que trabalhar no final de semana para pagar a sua faculdade. Então, você vai ensinar alguém a fazer alguma coisa. Eu falei: beleza. Minha chance. E era aquele monte de cursos. Eu escolhi Publicidade por acaso, porque eu fui por eliminação. Eu falei: cara, até agora eu não estava pensando nisso. O que eu ia fazer? Aí eu comecei a eliminar. Eu falei: não gosto de conta. E aí eu comecei a eliminar matemática, engenharia de não sei o que, não sei das quantas, contabilidade e tal. Não estava na época a fim de ensinar. Hoje eu gosto. Na época eu não gostava nada. Então comecei a eliminar. Aí eliminei português e tal, todas as outras matérias, sobrou Turismo e Publicidade. Aí tirei Turismo, que eu falei: deve ter muita história, se bobear é um pouquinho chato. Aí tirei Turismo, fiquei com Publicidade. Em dois meses eu falei: cara, me achei. E foi aí que eu conheci o Claudio.

Luciano Pires: No mesmo curso?

Dennis Campos: Mesmo curso, mesma sala.

Luciano Pires: E o teu lado? O que foi? Você queria ser o que quando crescesse?

Claudio Alves: Então, Luciano. Eu já era meio… já tinha algumas coisas em mente. Eu queria ser professor de Educação Física, porque eu pratico artes marciais e queria seguir para poder dar aula nisso. Também teve um período que eu fui estudar música, cavaco também, na época, lá no ABC, pagode…

Luciano Pires: É o que…

Dennis Campos: Samba era o que pegava e você… então cheguei a estudar música também. E já pensava em ser publicitário. Eu gostava muito de anúncio de televisão. Então eu queria porque queria fazer. Na verdade, assim, os anúncios da Nike me chamavam muito a atenção. Porque eram muito impactantes eles visualmente. Então, eu queria porque queria fazer isso. Quando lá em 2003 foi quando a gente foi prestar. Eu também fiquei sabendo por um primo, na mesma faculdade, que ia ter esse programa chamado Escola da Família, que a gente tinha que trabalhar aos finais de semana para poder pagar a faculdade. Eu tenho um primo na família que é muito estudioso, passou FATEC e tal. Ele falou: cara, vamos lá fazer isso aí. Ele estava na época exata de fazer os vestibulares. E eu já tinha me formado em 2000, em 2001 fiz um técnico também, pelo governo, através de uma oportunidade que aparecia. Aí eu fiz webdesigner em 2001. Quando foi em 2003, no final, ele veio com esse mesmo papel, que ele também morava em Ribeirão. Então eu acho que a faculdade foi fazer essa divulgação lá em Ribeirão para poder participar desse programa, que eu acho que tinha uma quantidade também. Então, aí o meu primo me deu essa folha, esse papel, falando. Eu falei: ah, meu, eu vou lá, né? A minha filha vai nascer. Eu preciso…

Luciano Pires: Você estava casado, já?

Claudio Alves: Não, eu namorava há três anos. Há três anos. E aí minha esposa ficou grávida na época. Eu falei: meu, minha filha vai nascer. Eu preciso dar um jeito na vida, né? Trabalhei tanto na Cimemark quanto no Grupo Pão de Açúcar, ali, naqueles trabalhos ali de atendimento ao cliente. Eu falei: cara, eu preciso dar um jeito na minha vida. E aí fui prestar. E também passei. Eu passei acho que… eu lembro que eu ainda dei um Pelé no meu primo que era estudioso, passei na frente dele. E acabei pegando uma vaga também nesse vestibular aí.

Luciano Pires: Por que Publicidade?

Claudio Alves: Porque eu já queria fazer Publicidade.

Luciano Pires: Queria seguir nesse caminho?

Claudio Alves: Queria seguir. Eu lembro que eu acho que eu coloquei Turismo também. Porque assim como o Dennis, eu eliminei a parte de matemática, que eu não gostava. Mas eu fui para passar para Publicidade, entendeu? Aí, foi aí que nos conhecemos, na faculdade.

Luciano Pires: Aí vocês se conhecem na faculdade. Muito bem. E aí, qual era a ideia lá? Vocês estavam trabalhando em alguma outra coisa, quando estavam na faculdade? Só nessa coisa do fim de semana, para poder pagar a faculdade? Vocês não tinham trabalho?

Claudio Alves: Não. Eu trabalhava. Porque eu já estava constituindo família. A minha filha nasceu logo no começo de 2004.

Luciano Pires: A faculdade era à noite?

Claudio Alves: De manhã.

Luciano Pires: De manhã? E trabalho à tarde?

Claudio Alves: Eu optei por não estudar à noite, porque eu falei: cara, à noite é só bagunça. A galera não quer nada com nada. Se eu não agarrar essa oportunidade para fazer acontecer. Eu falei: não, vou estudar de manhã, para poder aproveitar. E aí eu trabalhava de noite. De tarde. De tarde até a noite.

Luciano Pires: Que idade você tinha?

Claudio Alves: 21.

Luciano Pires: Como é que é aos 21 anos, lá no ABC, você trabalhar de manhã. Aliás, estudar de manhã, trabalhar à tarde estar preocupado com a filha que vai nascer e não viver essa vida de 21 anos de hoje?

Claudio Alves: Cara…

Luciano Pires: Que é balada, balada, balada…

Claudio Alves: Cara, eu vou te falar que assim: não deu muito tempo, Luciano. Porque assim, quando minha esposa engravidou, eu falei: cara, agora tem que correr, não adianta. Não tem o que fazer. E quando apareceu a oportunidade de ir fazer a faculdade, eu falei: meu, ou é isso aí ou é isso aí. Eu tenho que fazer alguma coisa para poder acontecer.

Luciano Pires: Por que ela engravidou?

Claudio Alves: Por que, Luciano?

Luciano Pires: Não. O ato em si, eu compreendo. Eu quero saber o seguinte: qual foi o cuidado que não foi tomado para evitar a gravidez?

Claudio Alves: Não foi tomado. Não tomamos.

Luciano Pires: Não tinham cuidado? Vocês jogavam no risco?

Claudio Alves: Jogava no risco.

Luciano Pires: Tá. Quando aconteceu, como é que foi dar a notícia para a família, de que…

Claudio Alves: Cara, a minha… assim, para a minha mãe cara, a minha mãe foi sempre muito parceira. Ela falou: filhão…

Luciano Pires: Vamos nessa…

Claudio Alves: Agora, tudo aquilo que eu fui para você, você tem que ser para a sua filha aí, entendeu? A minha mãe acolheu muito bem. Os pais dela na verdade, ela tinha… o pai não gostou muito. E o irmão – que era meio rebeldão – também… mas aí eu fui lá e falei que: sou homem, que ia cumprir com o meu papel. E aí…

Luciano Pires: Deixa eu especular um pouquinho. Isso é muito bom, cara. Isso é coisa muito boa. Cara, 21 anos de idade, bicho. Puta moleque, tocando a vida lá. Tá certo, você naquela época já tinha uma carga de responsabilidade diferente…

Claudio Alves: Sim.

Luciano Pires: Dos flocos de neve de hoje em dia…

Claudio Alves: Sim.

Luciano Pires: Que moram em casa, moram com o papai, com a mamãe e só querem saber de bagunçar.

Claudio Alves: Tem tudo…

Luciano Pires: Mas como é que é isso, cara? De repente ter essa… você amadureceu quantos anos em dois dias? Ao receber a notícia e ter que ir para casa dos pais dela, olhar na cara do seu futuro sogro e falar: seu… olha o que eu fiz?

Claudio Alves: Seu Antônio.

Luciano Pires: Seu Antônio, olha o que eu fiz?

Claudio Alves: Na verdade assim, quem falou para a família primeiro foi ela e depois…

Luciano Pires: Claro.

Claudio Alves: Porque assim, a gente já namorava. Já tinha um convívio com a família. E aí assim, a mãe dela apoiou muito, as irmãs também apoiaram. Ficou ali, um conflito ali. Mas assim, eles sabiam que não era um qualquer, não era um moleque.

Luciano Pires: Não era um maluco? Sim.

Claudio Alves: Não era um maloqueiro que zoou a filha deles. Então, a gente teve ali um suporte muito grande da família, tanto por parte da família dela. Tanto que moramos um período na casa deles, dois cômodos lá. E, Luciano, foi meio pancada, cara. Porque assim, não deu tempo de ter noção do seguinte: pô, o Dennis é quatro anos mais novo, mas assim a faixa etária da faculdade era isso daí. E eu ia para a faculdade para realmente tentar fazer a diferença, cara. E assim, meu, a gente brinca que lá na nossa sala, 70% era de Ribeirão, que estava lá. E muitos, também na mesma oportunidade que a gente. O cara acordava às sete horas da manhã para sair de Ribeirão, ia lá para dormir na sala. Isso me incomodava. Tem – até hoje – tem gente que eu não sei o nome, da minha sala, porque eu não me conformava. E aí, Luciano, isso me incomodava, cara. E até eu falava para o Dennis, eu falava: caraca, Dennis, esse povo que está aí não quer nada com nada. Não está agarrando a oportunidade.

Dennis Campos: Ficava nos joguinhos lá.

Claudio Alves: Ficava nos joguinhos, na sala. Eu falava: cara… eu nem conversava com esse povo. Porque eu ficava meio bravo com isso, entendeu? Porque eu acho que a necessidade que eu tinha era tão grande, de fazer a coisa acontecer, que eu não admitia o povo não estar dando uma atenção para aquela oportunidade. E aí assim, realmente, pô, a galera ia para uma balada, eu não ia para a balada. Eu tinha outros objetivos, ficar com a minha família e tal. Teve… teve isso aí então, de diferente, do que… a galera de hoje é mais… tem a proteção maior. E eu tento passar isso para a minha filha. E nem sempre é bem visto. Nem por ela e nem pela mãe. Porque a mãe tenta passar…

Luciano Pires: Cara, é resistir a um ambiente. E é difícil a molecada resistir ao ambiente que ela está. Porque seu eu estou no meio da zoeira é muito fácil eu ser… cara, como é que eu mudo um hábito, se todo mundo que está em volta de mim tem aquele hábito? É complicado, cara. Você tem que ter uma força de vontade ou um senso de responsabilidade brutal para não entrar na bagunça. Aí é o segredo.

Claudio Alves: E foi pensando nisso que eu evitei estudar à noite. Eu falei: não, eu não vou estudar à noite, porque eu sei que a bagunça é muito forte. A galera quer… pô, hoje faculdade, eu acho que os bares faturam mais de dia de semana, durante a faculdade, do que ao final de semana. Então eu falei: não, não quero isso. Eu vou focar para tentar resolver aí o que eu preciso resolver.

Luciano Pires: Tá certo. E aí lá no curso vocês se encontraram? Era aquilo mesmo, cara? Publicidade era o negócio?

Dennis Campos: Cara, a gente começou e aí o primeiro semestre era aquela coisa, ainda você não sabe muito para onde vai e tal. Aí cada um estava num grupo ainda, na época da faculdade. E no segundo semestre o Claudio, já meio frustrado ali com algumas pessoas da turma dele, estava na turma do joguinho, não sei o que, ele falou: cara, você não quer vim para o nosso grupo não e tal? Aí eu falei: ah, beleza, né? Tipo, o meu grupo não estava legal e a gente começou…

Luciano Pires: O que era grupo?

Claudio Alves: As agências, por que…

Luciano Pires: Ah, vocês formavam uma…

Dennis Campos: Isso.

Claudio Alves: No curso de Publicidade, ao invés de grupos, são agências.

Luciano Pires: Tá. E aí juntava uma turminha, que fazia uma agência?

Dennis Campos: Juntava uma turminha, que fazia uma agência, que durava, pelo menos, um semestre. Então… e aí, nessa agência, cada um com as suas funções. Ah, você é o designer, você é o que faz a criação, você faz o planejamento e tal. E aí a gente começou a fazer alguns trabalhos. O primeiro foi bem bacana. E cada vez mais a gente foi se entrosando, enquanto o resto da sala ficava migrando de uma para outra, a gente conseguiu ali, já ter uma sintonia e fazer cada vez um trabalho melhor que o outro. E aí a gente começou a se empolgar com essa ideia, sabe, de: cara, vamos. O trabalho desse semestre a gente vai ser o melhor. E a gente chegava no final do semestre, o pessoal estava esperando para ver o trabalho da nossa agência. Porque a gente sempre vinha com um negócio diferente, vinha com uma pitada nova. E aí foi que a gente começou a pegar gosto pela coisa mesmo. Foi bem legal nessa época.

Luciano Pires: Que legal.

Claudio Alves: E assim, já o empreendedorismo já começou lá nesse período. Porque a minha primeira agência, no período da faculdade, não rolou. Ah não, não gostei disso e tal. Se desfez. Eu falei: não, pera aí, que eu vou ir buscar algumas pessoas. Aí eu falei: pô, esse neguinho é enjoado, cara. Eu falo neguinho porque é meu irmão. Então ele me chama de gordo, eu posso chamar ele de neguinho.

Luciano Pires: Eu estou aqui diante de um gordo e um magro. E o branco e o neguinho, né?

Claudio Alves: Quando a gente vai dar as palestras, a gente fala: para diferenciar, o Dennis é o magro e preto. O Claudio é o branco e gordo. Fica mais fácil para o pessoal entender.

Luciano Pires: Bullying para todo mundo.

Claudio Alves: Bullying para todo mundo. Para todo mundo. Bullying para todo mundo. E aí assim, aí eu já selecionei. Aí a parceria começou desde esse período. Meu, a gente ali na entrega, na dedicação. Eu via que ele também se dedicava muito. Assim como eu, buscava alguma coisa. Ele também se dedicava. E aí, cara, amizade surgiu e transcendeu aí, tanto a faculdade, trabalhamos juntos.

Luciano Pires: E vocês sacaram ali nesse período de vocês lá, que isso podia ser o negócio de vocês? Quer dizer, o diploma na mão significaria partir para ganhar a vida nesse ramo de publicidade e propaganda? Ou o diploma era só aquela prestação de contas para a família, para depois ver o que dá na vida?

Dennis Campos: Não. No meu caso não, cara. Eu ainda não tinha a visão do empreendedorismo, embora sempre quis ser empreendedor. Eu falava muito para o Claudio, eu falei: cara, vou ser empreendedor. Eu sou empreendedor da vez. Mas eu ainda não sei como. Só que eu ainda tinha a ideia, na época da faculdade, aquele mito de querer trabalhar numa agência grande. Então, eu lembro até que eu, no segundo ano da faculdade, eu arrumei um estágio no SESC. E aí eu trabalhei lá por um tempo e tal, trabalhando com artes, mandando currículo, portfolio, pastinha debaixo do braço, vai num lugar, vai no outro. Levei para a DM9, levei para uma outra agência, que fazia a Polenghi na época. Cheguei a ter contato com o Washington Olivetto, usando uma tática parecida à que eu usei para estar aqui.

Luciano Pires: Você entrou em contato com ele?

Dennis Campos: Entrei.

Luciano Pires: Mas sabe o que tem de legal aqui? Eu estou ouvindo você falar. Você é o Zé. Um puta de um Zé. Por que é um Zé? Vem do ABC, cara, faz uma faculdade que não tem nenhum nome.

Dennis Campos: Não tem nome.

Luciano Pires: Não tem nome nenhum. É mais um Zé, como todos os outros Zés que estão por aí. É neguinho, brasileiro e: vou sair por aí. Então, quer dizer, a fila de gente parecida com você é gigantesca. Quantos neguinhos não estavam batendo e branquinhos não estavam batendo lá na DM9, com um curriculozinho chumbrega embaixo do braço, falando: eu quero trabalhar aí. Quer dizer, é um universo de gente. E a maioria absoluta não conseguiu nada. E você está começando a me contar como que você chegou no Washington Olivetto. Já tem um diferencial aí que é interessante, que já explica algumas coisas. Como é que foi? Conta aí para a gente saber.

Dennis Campos: Cara, eu trabalhei no SESC. Aí, quando eu estava saindo, eu ganhei um presente, que era um livro, que chamava Os Piores Textos de Washington Olivetto. É um livro preto, escrito com letras brancas. Só isso. E aí, na última página do livro, tinha lá um negócio para você destacar e mandar uma carta para ele. Falar o que você achou do livro, tal, não sei o quê. E aquela época, eu estava começando a internet, tipo, popularizar mesmo. Se a gente falar aí de 2006, eu acho. É. Tipo, já tinha algumas coisas, mas assim, não estava como é hoje, mídias sociais e tudo mais. Eu falei: cara, eu vou escrever uma… não, tinha um e-mail, na verdade. Minto. Tinha um e-mail para você escrever para ele. Aí eu falei: não, eu vou fazer diferente. Quando todo mundo mandaria um e-mail, eu vou mandar uma carta. E aí eu fiz um envelope preto, escrito: os piores comentários de Dennis Campos. E aí coloquei dentro e tal, não sei o que e falei que gostaria de conhecer, visitar a agência, que eu queria trabalhar lá e tudo mais. E eu até brinquei na época, que eu falei assim: entre os meus sonhos é trabalhar na W, na W/Brasil e tirar uma foto com Rogério Ceni. As minhas aspirações da época. E aí eu lembro que ele comentou: para vir aqui, você fala com a minha assistente.

Luciano Pires: Ele respondeu?

Dennis Campos: Respondeu.

Luciano Pires: Em carta?

Dennis Campos: Em carta. Chegou um envelope da W/Brasil em casa, assinado por ele e tal. Eu falei: cara… na hora que chegou esse negócio, imagina, tipo: terminando a faculdade. Eu dava pulos assim. Eu levei para a faculdade no outro dia, para mostrar para a professora e tudo mais. E aí nisso que ele respondeu, aí ele falou assim: para conversar, para vim aqui na agência, você fala com a minha assistente, está aqui o telefone, está aqui o nome dela, e-mail, tal. E marca uma visita. E se você quiser um goleiro de verdade, eu te arrumo. Porque ele é corintiano.

Luciano Pires: Porque ele é corintiano, claro.

Dennis Campos: Aí ele falou: eu falo com o Dida. Aí eu falei: cara, deixa quieto. Aí fui lá, cheguei na…

Luciano Pires: Que ano era isso?

Dennis Campos: Isso era 2006, 2007, mais ou menos.

Luciano Pires: 2006… quando foi aquele jogo de Corinthians e São Paulo, que o Raí bateu dois pênaltis e o Dida pegou os dois, no mesmo jogo?

Dennis Campos: Foi no começo dos anos 2000, por aí.

Luciano Pires: Foi por aí? É. É. Para quem não sabe o que é isso aí, nós estamos falando de uma época que tinha uma rivalidade grande ali, com uns timões legais.

Claudio Alves: Times de verdade.

Luciano Pires: Saudade daquele futebol. Só vou contar uma história que é uma delícia, cara. É maravilhosa. Você me lembrou agora isso aí. Eu nunca contei. É que essa é boa de contar. Eu tinha um amigo que tinha uns esquemas lá no São Paulo – corintiano que nem eu – ele conhecia um monte de gente do São Paulo. Ele me ligou e falou: bicho, eu consegui ingresso. Ia ter um puta jogão do Corinthians e São Paulo. Ele: eu consegui ingresso para o jogo. É o seguinte: é no camarote do São Paulo. E nós dois corintianos. Você tem algum problema? Eu falei: bicho, como é que eu vou fazer? Não. Mas vamos lá. A gente vai, fica quieto e assiste o jogo. Lá fomos nós dois, de carro, entramos de carro lá dentro. Chegamos, um puta camarote maravilhoso, grande. Todos os são-paulinos lá dentro. E nós dois, corintianos, sentados no meio. Então, na hora de começar o jogo, aquela bagunça toda. A gente pega e senta. Eu sento aqui e ele senta quatro caras, quatro são-paulinos depois, senta ele ali. Estamos os dois ali, para ver o jogo. E do lado de fora, aquela frente de vidro, do lado de fora, só corintiano. E os corintianos batendo no vidro e xingando. E eu lá dentro, sendo xingado pelos corintianos lá fora. Bom, começa o jogo, vai embora, o jogo rolando e não sei o quê. E a gente não podia gritar, não podia torcer. Ficava naquela lá. Pênalti. Pênalti para o São Paulo. O Raí pega a bola e vai bater. Bate o pênalti e o Dida pega, cara. No que ele bateu e o Dida pegou, que foi aquela gritaria, nós dois: e agora, cara? E os dois, quietos.

Claudio Alves: Xingou junto, para extravasar.

Luciano Pires: Passa uns minutos, outro pênalti. O Raí bota a bola, chuta e o Dida pega de novo, cara. Quando o Dida pegou o segundo pênalti, cara, que os são-paulinos, tudo… esse meu amigo levanta e grita: mas que filho da puta. Por sorte, ninguém entendeu o que era o filho da puta dele. Se ele estava xingando o Dida. E na verdade era o filha da puta de bom, aquele cara que… filha da puta, pegou a bola. E só eu que sabia que ele era corintiano. E os dois no meio daquele povo. Cara, foi uma situação, que eu olhei para ele e falei: se esse cara gritar vai ser um horror. Nós vamos apanhar que nem loucos aqui dentro. Mas foi uma… eu lembrei disso que você falou aqui, era um são-paulino falando de Dida. Naquela época o Dida virou um horror dos são-paulinos. Mas vamos embora, vai.

Claudio Alves: Só fazendo um adendo, Luciano. Eu sou corintiano e todo esse tamanho. De tanto almoço que eu ganhei do Dennis, contra o time dele.

Luciano Pires: Ah, então está explicado. Mas e aí, você foi lá ver, foi lá visitar o Washington?

Dennis Campos: Fui, cara. Aí chegou lá, eu pensei que seria eu visitando o Washington. Mas aí era uma visita que já era programada na W, que tipo, vai umas 15 pessoas, que faziam um tour pela agência. Mas não deixou de ser legal, né? Aí cheguei lá, ele estava no cantinho dele, fumando charutão e tal. Só deu uma cumprimentada rápida. Aí eu me apresentei. Ele: opa, beleza. Ele assinou o meu livro. E basicamente ficou nisso. Eu falei: ah, legal. Aí você volta para a faculdade naquela euforia, tal, mas você fala: ah tá, agora eu estou na vida normal de novo, né? E aí eu continuei mandando portfolio e tal. E até em um que eu mandei para a DM9, aí o cara mandou um feedback, falou: cara, seu portfolio está muito mala direta, tal. Procura fazer algumas coisas mais assim e tal. Só que eu saquei que eu não tinha o feeling para aquilo. Eu falei: opa, talvez… eu vou me esforçar mais, lógico. Mas talvez, esse não seja o caminho, né? E aí, depois do SESC eu trabalhei em “n” lugares. A namorada até fala, que mede minha idade pelo tanto de lugares que eu trabalhei. Porque eu trabalhei numa gráfica, eu trabalhei numa escola de inglês, trabalhei numa agência de comunicação, onde todo mundo lá era assessor de imprensa, só eu que era publicitário. Na época, eu já estava fazendo a pós. E eu era o profissional de marketing lá e fazia tudo.

Luciano Pires: Você já tinha se formado?

Dennis Campos: Já tinha me formado.

Luciano Pires: E aí vocês perderam contato, os dois?

Claudio Alves: Não, não, não. Porque foi assim, Luciano, a gente… que nem, assim como… o Dennis, a gente se via sempre na faculdade. Porém, cada um no seu trabalho. Aí eu trabalhei – como eu te falei – trabalhei no Grupo Pão de Açúcar, no Extra lá de Santo André um período. Trabalhava, faculdade, ia para o trabalho. E depois, aos finais de semana ainda ia trabalhar e depois entrava no serviço. Porque a gente trabalhava de final de semana para poder pagar a faculdade. Aí assim, também trabalhei em agência. Eu trabalhei em empresas cuidando do departamento de marketing. Quando foi em 2009, não, 2008, eu arrumei emprego numa empresa. Eu fui gerente de marketing. Eu trabalhava numa agência, estágio, seis horas.

Luciano Pires: Lá no ABC?

Claudio Alves: Lá no ABC. Não, agência lá no Tatuapé.

Luciano Pires: Mas nada de nome. Nada de nome?

Claudio Alves: Não era glamour. Mas assim, todo mundo da faculdade – como você deve saber – queria porque queria trabalhar nas agências grandes. Eu sempre ali, naquela luta, num período que fiquei desempregado, trabalhei três meses de graça na agência da faculdade, para ter experiencia, para ter o que apresentar. Aguentava um lazarento lá, que se achava o filha da mãe, era o Washington Olivetto lá da faculdade, que na verdade, não era bem por aí. Mas assim, eu precisava disso, porque também tinha que ter o que apresentar. Aí até utilizo isso para o pessoal que trabalha. Eu falo: cara você reclama muito das coisas. E vocês não sabem o que é aguentar três meses para ter uma peça veiculada, para você falar: isso aqui funcionou. Isso é um resultado. Não, hoje a galera quando manda currículo de estágio lá, salários altíssimos e não tem experiencia nenhuma e não se propõe. Você entendeu? Em fazer algo de diferente. Aí, nesse período, quando estava no último ano, eu entrei numa agência, que eu cuidava ali da parte já digital. E fui chamado para cuidar do marketing de uma rede de lojas de surf e uma marca de skate, que era tudo o mesmo grupo.

Luciano Pires: Virou cliente?

Claudio Alves: Na verdade não. Não era. Eu mandei alguns currículos e essa empresa me chamou. Eu conhecia algumas pessoas do mercado de skate. Com esse tamainho aqui também você pode… você fala: esse gordo não anda de skate. Esse gordo anda de skate. E aí eu conheci um pessoal que falou: pô, lá na empresa está precisando. Por que você não vai lá? Fui lá, fiz a entrevista, virei gerente de marketing dessa rede. E aí fazendo a pós nessa mesma faculdade, a gente junto, o Dennis também foi, porque a gente também pegou uma promoção lá na faculdade. Aí já emendamos a pós-graduação.

Dennis Campos: R$288,00.

Claudio Alves: Era mais ou menos isso.

Dennis Campos: Para ex-aluno…

Claudio Alves: Não tinha, Luciano. A gente agarrava as oportunidades, cara. E era uma oportunidade. Pô, já vamos ter um diferencial no currículo. Vamos para cima. E aí, eu cuidando do marketing dessa empresa, eu cheguei e falei para o Dennis: Dennis, vamos, que eu estou precisando de um assistente lá. E lá, meu, é o trampo. O meu patrão é um empreendedor master e tal, vamos para cima que a gente vai trabalhar junto.

Dennis Campos: Primeira enrascada que ele me pôs.

Claudio Alves: Ele vive falando que é mais ou menos isso. E aí a gente teve uma experiência muito grande nessa empresa. Eu trabalhei lá três anos, o Dennis eu acho que uns dois anos e meio. E isso nos fortaleceu. Porque era o tipo do empresário ali, do dono da empresa que, cara, você tem um canivete e tem que fazer o negócio acontecer. E isso vai dando uma casca grossa para a gente.

Luciano Pires: Claro.

Claudio Alves: Tem que ir se virando. Foi aí quando a gente foi mandado embora dessa empresa, porque essa empresa – acredito que por gestão – faliu. Primeiro saiu o Dennis e depois saiu eu. E a gente pegava alguns freelances. Aí teve um final de semana lá, eu tive uma ideia, que a maioria das ideias de empreendimento vêm de mim. Eu tenho que convencer o Dennis para o Dennis abraçar a ideia. Eu falei: negão, é o seguinte, cara, eu estou com uma ideia aqui, que a gente vai ficar rico. Sempre mais ou menos, nessa linha. Aí eu falei para ele. Eu falei: Dennis, vamos juntar os freelances e vamos dar uma cara de agência. Pô, quantas empresas pequenas têm, que precisa do nosso serviço? Só que o cara não tem a ideia do que é uma agência, do que é uma gráfica, do que é uma empresa de produção de camiseta, de comunicação visual. Beleza. Aí a gente falou. Aí o Dennis falou: ah, vamos, né? Estava ali, na merda, Luciano. Precisava. O seguro desemprego acabando. Os freelances estavam pequenininhos. Ele falou: vamos abraçar. Aí a gente tinha uma rede de network muito bacana com os nossos fornecedores dessa empresa. Por quê? O cara espremia os fornecedores ao extremo e quem tinha que passar o pano era o Claudio Dumont, que era o gerente de marketing, para poder ali, apaziguar com os fornecedores. Aí eu falei: Dennis, mas não tem dinheiro. Não temos nada. Vamos trocar uma ideia com esses fornecedores aí, se eles não querem ser nossos fornecedores para atender esses clientes. Aí chegamos para a gráfica e falamos: cara, doa lá 7 mil flyers para mim, porque eu preciso distribuir para fazer a minha empresa acontecer. Aí ele falou: pô, não Claudio, eu doo e tal. Aí o Dennis tinha contato com quem distribuía os panfletos nessa empresa. Ele foi lá e negociou: pô, cara, preciso fazer uma distribuição de 7 mil flyers assim, assim, assado e…

Dennis Campos: Não tenho dinheiro.

Claudio Alves: Só que a gente não tem dinheiro. Pô, tem como fazer alguma coisa aí? Não, beleza, eu faço um boleto para 30 dias. Aí beleza.

Luciano Pires: E vocês constituíram a empresa? Constituíram?

Claudio Alves: Não, nessa época não. Nessa época a gente deu uma cara de empresa para os freelances que a gente pegava. Aí a gente foi buscar os 7 mil flyers, que o nosso parceiro lá doou para a gente. Só que chegou lá, ele fez 21 mil flyers. Não fez só 7. E aí já tínhamos outro problema. Porque a gente já tinha negociado com o fornecedor a entrega de 7. Fomos lá, negociamos de novo: só que aí tem que ser 30 e 60, porque senão eu não consigo te pagar. Aí a gente distribuiu esses flyers e ficamos com mil. Ele distribuiu 20 mil. Tivemos 4 pedidos. Fez o que, uns R$1.500,00, isso aí com as camisetas…

Dennis Campos: No máximo.

Claudio Alves: No máximo isso. Eu com a minha filha, correndo. Com o seguro desemprego rolando, ali já finalizando.

Luciano Pires: Ou seja, a primeira grande jogada de marketing, que os especialistas de marketing fizeram. Sentiram na pele o que é ser cliente.

Claudio Alves: O que é ser cliente.

Luciano Pires: Não deu.

Claudio Alves: Não. Mas só que aí é aquela história, né Luciano, retroceder nunca, render-se jamais. Pegamos aqueles mil flyers que sobrou, eu falei assim: Dennis, seguinte, cara, vamos entregar isso aí de porta em porta e vamos fazer acontecer. Foi cada um de um lado de uma rua, de uma avenida lá em Santo André, muito grande e começamos a distribuir. Ah, preciso de um cartão de visita. Pedi na hora, Luciano. Eu acho que isso nem deve ter mais hoje.

Dennis Campos: E aí os caras chegavam ainda e falavam assim: ah, faz o seguinte, me dá seu cartão. Aí a gente não tinha cartão. A gente vendia cartão. A gente pegava o flyer e falava: ah, então, o nosso cartão acabou. Mas esse número aqui você me acha. E nessa época, o que a gente fez? Como a gente não tinha recurso, dinheiro mesmo, a gente colocou um site no ar. O Claudio fazia site. A gente, com R$60,00, que foi o preço na época lá, de registrar o domínio e pagar a hospedagem. Foi o que a gente começou a empresa. O resto foi na cara e na coragem

Claudio Alves: Isso a gente até contou numa palestra que a gente deu em Mauá, que assim, o investimento foi R$60,00, um celular de 75…

Dennis Campos: Não, foi 110 parcelado em 10.

Claudio Alves: 110 parcelado em 10. E um celular daqueles que tocavam… a gente chamava de pi-ri-ri. Que a gente ganhou da minha mãe. Cada celular tinha dois chips. Então, a gente tinha todas as operadoras, para poder ligar para todo mundo, com desconto. E aí fomos entregar esses flyers mão a mão. O Dennis ruim pra caramba no comercial. Porque o Dennis não é tendo de ficar fazendo o lobby ali, conversar e tal. Então não fez… assim, o Dennis… eu fechei alguns cartões, algumas fachadas ali. E aí o Dennis pegou…

Dennis Campos: Não, ainda teve dois casos nisso. Teve um da fachada, que o cara chegou e falou assim: ah, eu quero uma fachada, tal. Vocês fazem? Fazemos. Mede ali para mim aquele espaço. E cadê a trena? Aí a gente atravessou do outro lado da rua, um chamou o outro, contou as moedinhas, comprou uma trena para medir a fachada. Beleza. Mas ainda nesse dia a gente saiu com R$1.000,00 de pedido, se eu não me engano. E teve um outro caso, que a gente, no começo, cartão de visita, a gente pagava. A gente pegava a metade do cliente. Porque a gente também não tinha recurso e tinha que acertar a gráfica. Então, teve um cara que ficou muito bravo da vida comigo. Porque eu fui pedir 50% de um cartão, que era R$70,00.

Claudio Alves: Na época eu acho que era 60.

Dennis Campos: Aí ele ligou para o Cláudio espumando. Eu falei: Claudio, passa um pano aí, que o cara está bravo, cara. E aí o cara bravo e tal, não sei o que, beleza. Acertamos, conseguimos pegar, entregamos o cartão. E assim foi indo, cara. Aí depois de uns seis meses que a gente foi…

Luciano Pires: Puta, não era mais fácil você arrumar emprego num lugar aí e resolver com mais segurança?

Claudio Alves: É o que todo mundo fala, né Luciano? É o que todo mundo fala. A minha mãe ficou maluca. Acredito que pelo lado dele lá também, a turma xingou pra caramba. Só que assim, o que nos traumatizou foi o seguinte: esse nosso patrão, no último emprego nosso aí, de estrada, não pagou ninguém. Não pagou ninguém.

Luciano Pires: Botou todo mundo na rua?

Claudio Alves: Todo mundo na rua e quem queria, metia no pau, para ver se recebia alguma coisa. E assim, pô, eu tinha um cargo de liderança lá, era gerente de marketing, junto com as estratégias. A gente fez acontecer lá, implementamos alguns projetos que trouxe muito retorno para ele. E nada. Falou: acabou a empresa. Mandou todo mundo embora. Pagou ali uma mixaria. Pô, se você quiser receber o resto, vai atrás dos seus direitos. E aí, não só nós, como a maioria dos funcionários de mais tempo foi. Aí eu falei: cara, se um dia eu for empresário, tudo que esse filho da puta foi comigo, desculpa…

Luciano Pires: Não, pode. Pode falar.

Claudio Alves: A gente não quer ser com os nossos funcionários. E aí a gente começou, cara. No início…

Luciano Pires: Então, num mundo onde a gente vê a discussão, a molecada: porra, estou fazendo a minha startup e vou criar um aplicativo e tenho como objetivo vende-lo por um bilhão de dólares para o Google o mês que vem e vou fazer meu escritório num coworking e vou fazer meu business plan. Vocês vêm falar de cartão de visita. Vender cartão de visita de R$70,00, cara.

Claudio Alves: Sim. Aí assim, a gente pegou, começou a tomar um corpo. Porque a gente trabalhava, o Dennis na casa dele, eu da minha. De vez em quando a gente se encontrava para ir fazer essa distribuição, jogava meio período videogame, meio período ia entregar flyer. Pegava os pedidos, vinha, fazia os trabalhos e ia entregar.

Dennis Campos: Pera aí, deixa eu só fazer um parêntese da empresa que a gente trabalhou. O cara, ele tinha tão esse espírito de: só eu ganho ou: você não pode estar melhor que eu ou querer ganhar pequenas vantagens. Teve uma época, que foi um final de ano: vamos fazer bazares para levantar uma grana no final do ano. Aí beleza. E aí, ele colocou pessoas estratégicas em escolas de samba, onde eram os bazares, tipo um feirão de roupas. E eram eu acho que quatro bazares por final de semana. Eu cuidava de um, o Claudio de outro, mais colegas de outro e tal. E a meta era um milhão com esses bazares. Chegou… quando bateu eu acho que uns 800 mil, que ele viu que ele ia ter que pagar uma grana muito grande…

Claudio Alves: Uma comissão a mais para a gente…

Dennis Campos: Para todo mundo que estava trabalhando, ele se auto sabotou. Então a…

Claudio Alves: Falou para a pessoa não mandar mercadoria para os lugares que a gente ia fazer essa ação para a loja.

Dennis Campos: Tem noção, Luciano?

Luciano Pires: Para não ter que pagar?

Claudio Alves: Para não ter que pagar comissão.

Dennis Campos: Para não ter que pagar comissão.

Luciano Pires: Isso é uma doença, cara.

Claudio Alves: Mas eu ainda tenho muito a agradecer a ele, tá? Porque tudo que eu passei lá fez com que a gente ficasse casca grossa.

Luciano Pires: Então, mas tem uma característica que eu estou vendo no papo de vocês. É o seguinte: é que vocês foram encontrando o seu caminho pela exclusão. Olha, eu não sei direito o que eu vou ser. Mas o que eu não quero ser eu já sei. Que curso eu vou fazer?  Eu não quero, não quero, não quero. Sobrou esse, né? Como que é lá em casa? O meu pai jogava. Isso eu não quero ser. Esse bandido que trabalhou, esse cara eu não quero ser. E ao separar aquilo que eu não quero ser, você acaba encontrando um caminho que leva perto do que você quer ser. Bom, e aí? Acha que vai dar? Constitui a empresa pra valer, como que faz?

Claudio Alves: Começamos a tomar um corpo. Que aí começou a pegar um pouco de freelances a mais. Eu falei: cara, não dá para ficar recebendo gente em casa.

Luciano Pires: Eram só vocês dois?

Claudio Alves: Só.

Dennis Campos: Só nós dois.

Claudio Alves: Aí eu falei: cara, a gente vai precisar alugar um salão, uma sala, alguma coisa. Aí fui. A minha mãe tem uma casa, que é alugada. E a gente foi para dois cômodos embaixo dessa casa, montamos o nosso escritório e começamos ali a atender. Aí começou a tomar uma proporção um pouco maior.

Luciano Pires: Já tinha CNPJ e tudo?

Claudio Alves: Fizemos o CNPJ numa permuta. Fomos atender um contador. Cara… eu falei assim: você abre empresa, tal? Você está precisando de um site? Vamos fazer uma permuta? Não, demorou. Eu preciso. Fizemos. E constituímos a empresa com o quê? Uns 4 meses.

Dennis Campos: Foi. É, foi por aí. Uns 4 meses.

Claudio Alves: Uns 4 meses. Não tínhamos a ideia de realmente constituir a empresa. E aí começou. A coisa começou a tomar uma proporção maior.

Luciano Pires: Que ano era isso?

Claudio Alves: 2012.

Dennis Campos: 2011 a gente começou a trabalhar por conta, 2012 a gente foi, que abriu a…

Claudio Alves: Abriu a empresa.

Dennis Campos: Abriu a empresa.

Luciano Pires: E aí começou a surgir uma despesa fixa?

Claudio Alves: Fixa.

Luciano Pires: Que até então vocês não tinham?

Claudio Alves: Não tinha. Não tinha.

Luciano Pires: Isso é um outro patamar. Aí você começa a descobrir que não basta terminar o mês e ir virando. Tem conta que vai vencer.

Claudio Alves: Vai vencer.

Luciano Pires: E que tem que pagar, cara.

Claudio Alves: Tem que pagar.

Luciano Pires: Isso, normalmente, é uma porrada, né? Porque a gente não está acostumado a lidar com esse tipo de… como empresa. Em casa sim. Em casa eu sei o que tem. Mas como empresa…

Claudio Alves: Não…

Luciano Pires: Quando começa a chegar, você: meu…

Claudio Alves: E assim, na verdade, no primeiro ano, foi, cara…o Dennis recebia um mês, no outro mês eu. Ah, o Dennis tinha o processo dele para receber. Ele deixou de tirar o salário. Eu tirava o meu, porque a minha família estava lá e precisava fazer as coisas. A minha esposa, Vanessa, tinha o emprego fixo dela, que dava uma parte da sustentabilidade da família, mas a gente ficava sempre ali, para fazer a coisa acontecer.

Luciano Pires: Vocês botaram um time frame ali, tipo assim, se esse negócio não rolar em dois anos…

Claudio Alves: Todo mês, todo mês tinha time frame. Esse mês eu acho que vai. Não dá. Parece… pô, se o Dennis arrumar um serviço, eu acho que o Dennis vai. Se eu arrumar… porque não tinha muito isso. Só que aí começou a tomar uma proporção maior. Porque a gente queria dar o atendimento de agência para esses clientes menores, que não sabiam o que era um atendimento de agência. Aí a gente começou a fidelizar alguns clientes. Ah, pô, aí indicava. Aí começou a ficar um pouco maior.

Dennis Campos: A gente foi indo, até o momento que viu que não dava mais para desistir. No começo eu ainda pensava: se eu arrumar um emprego, se eu fizer um bico, eu coloco dinheiro na agência e tal. Então a gente ainda ia negociando opções. Aí chegou uma hora que a gente começou a fidelizar cliente, começou a aparecer mais gente e tal. Que por mais que ainda não se pagasse, por mais que um ainda tampasse, tipo, puxasse um teco da coberta e o outro ficasse de fora e tal, cobria o sol com a peneira. Mas a gente foi indo até chegar o momento que falou: opa, agora a gente não tem outro caminho. Tem que ir.

Claudio Alves: Aí a gente teve a primeira virada no nosso negócio. Nós conhecemos, fizemos assim, um relacionamento sempre muito bom com quem a gente trabalhava. Quando deu… quando faltava eu acho que um ou dois meses para a gente completar um ano de empresa. Empresa, quando a gente falou que ia fazer esses freelances juntos. Um amigo nosso, que trabalhou nessa empresa chegou e falou: cara, eu estava trabalhando com marketing digital. Eu tenho know-how, vocês têm o know-how de agência. Vamos nos juntar, para poder montar uma agência de marketing digital e fazer. Como que funciona isso daí? Aí ele nos explicou. Pô, eu vendo planos de marketing de busca, SO, não sei se vocês conhecem? Para quem não conhece é preparar os sites para mecanismo de busca, por R$1.500,00. Aí eu parei, fiz uma conta, eu falei: não, pera aí, para eu fazer R$1.500,00 por mês, eu tenho que vender cartão de visita pra caramba. Então eu acho que aí dá um negócio. Aí falei para o Dennis: neguinho, vamos ver o que é isso aí, que o nosso antigo sócio tem para oferecer. Aí ele mostrou. Eu falei: olha, eu não conheço disso, você conhece. Eu posso vender, o Dennis tem uma aptidão muito boa para redação, para escrever. Ele faz essa parte e você cuida da parte técnica. Beleza. Fechamos essa parceria. Não constituímos uma outra empresa, porque o nosso sócio também estava num processo de…

Dennis Campos: Trabalhista.

Claudio Alves: Trabalhista com a antiga empresa. E aí começou a tomar uma proporção maior, porque aí a gente começou a atender alguns clientes. Logo na primeira semana fui lá, já fechei três, quatro clientes. E já deu um boom de faturamento. Porém, os empreendedores master, fechamos, vai, dois clientes, fomos lá e contratamos dois estagiários. Então, ou seja, já…

Dennis Campos: Porque o negócio vai crescer. Porque está indo para o caminho. É agora e a gente coloca… tem todo um plano na cabeça.

Luciano Pires: Quer dizer, antes de ganhar, vocês assumiram o risco de investir na empresa para crescer mais?

Claudio Alves: Tinha três pessoas para receber da empresa. Que éramos os três sócios, mais aluguel, mais internet, mais tudo. E a gente foi lá e já…

Dennis Campos: Contratou dois estagiários.

Claudio Alves: Dois estagiários. Ou seja, cabeçada que todo mundo que está empreendendo e não tem conhecimento vai dar. Aí, o que aconteceu? A gente começou a tomar… montamos uma carteira de clientes, com a parte digital, que a gente vinha fazendo. Porém, todo o conhecimento técnico ficava com esse nosso sócio, amigo nosso hoje. A gente bate muito papo com ele. Só que aí, no final do ano de 2013; 2013, ele… a gente não tinha uma retirada assim: ah não, vamos tirar 5 paus por mês. Não dava. Porque a empresa não faturava para ter isso. E ele tinha uma filha, separado da mulher e ele precisava ir atrás de grana. Ele chegou um belo dia lá e falou para a gente: estou saindo da empresa. Não, minto.

Dennis Campos: Não. Antes disso, ele passou a sumir. Então assim, ele tinha uns surtos lá, discutia com a mulher e tal. E aí ela falava: eu vou tomar a filha de você. Que não sei o que, tal. E ele sumia. Ele perdia o rumo. Desligava o telefone. Não parava em casa. E só ele tinha o conhecimento.

Claudio Alves: E os nossos clientes esperando os resultados que estavam na mão dele.

Dennis Campos: Chegou uma época que ele chegou a ficar duas semanas sumido. A gente falou: cara, e agora?

Claudio Alves: Não tinha mais o que falar para os nossos clientes.

Dennis Campos: Até que chegou… fala aí.

Claudio Alves: Chegava para o cliente: pô e aí? Tal campanha, como que vai fazer? Nós: ah, beleza. Aí chegou uma hora, eu falei assim: estamos com um problema assim, assim, assado. Precisamos resolver. Te peço mais uma semana. Porque senão, a gente ia perder todos aqueles contratos. E aí o nosso sócio chegou e falou assim: cara, eu vou trabalhar para tal empresa. Que era um cliente nosso. Me chamou para trabalhar. Para mim vai ser melhor. Porque eu preciso levar um sustento para a minha casa, tal. A gente já ia para rachar a empresa. Eu falei: não, vamos cara, cada um pega seu cliente e vamos nos virar.

Dennis Campos: Aí o Claudio, aí assim, na hora que ele falou assim: cara, então, aconteceu isso. O lado ruim é que eu vou levar o cliente junto. Eu falei: vai com Deus, cara. Aí ele: não, mas vocês não acham ruim? Eu falei: não. Cara, tá certo. Vê o que é melhor para a sua filha. Eu louco para já, tipo… eu falei: cara, vai com Deus. De verdade mesmo. Tipo, foi o melhor para ele.

Claudio Alves: E foi o melhor para nós também.

Dennis Campos: E o melhor para a gente. Só que aí nessa hora, um olhou para a cara do outro e falou: e agora?

Claudio Alves: O que a gente faz agora para poder dar resultado para esses clientes? Aí cara, arregaçamos as mangas, fomos lá, aprendemos o serviço em dois meses. Fizemos…

Luciano Pires: Vocês que aprenderam a fazer a parte técnica?

Claudio Alves: A parte técnica. E nós não tínhamos conhecimento.

Luciano Pires: Foram estudar em cima disso aí? Tá.

Claudio Alves: Dois meses intensos de estudo e já aplicando para os nossos clientes. Ou seja, teve cliente que a gente deu seis vezes mais resultado do que a gente já dava. E aí a gente: pô, pera aí. Tinha algumas falhas lá. Porque assim, o nosso sócio tinha os problemas dele e acabava não passando para a gente. E aí foi aonde começou a escalar a empresa. Porque são contratos maiores. Já não era mais R$1.500,00. Já tinha contratos maiores. A gente começou…

Luciano Pires: Quer dizer, aquela tragédia que era para terminar a empresa foi o que faltava para vocês…

Claudio Alves: Dar uma alavancada.

Luciano Pires: Dar uma alavancada.

Claudio Alves: Dar uma alavancada.

Dennis Campos: Talvez ali a gente estivesse até acomodado, sabe? Está num ponto de: ah, beleza. Tá. É isso aqui mesmo. Não sei o quê. Precisava de um novo cutucão. E aí foi quando…

Claudio Alves: E aí assim, a gente começou a tomar esse aumento de faturamento com os clientes. Aí gente falou: pô, mas pera aí. Só para você entender: a gente fazia a preparação dos sites para poder ter resultado no Google. Marketing de busca. E aí a gente começou a estudar outras coisas, que eram mais valiosas, estratégias que vinham de fora, automação de marketing, funil de vendas. E aí eu falei: Dennis, vamos ter que mudar de novo, cara. Já aprendemos isso. Vamos começar a aplicar isso aí para os nossos clientes. E aí começamos a migrar.

Luciano Pires: Para marketing digital pra valer? Inbound?

Claudio Alves: Na verdade assim, o Inbound em si Luciano, porém com as estratégias mais voltadas para funil de vendas. E a gente percebia que isso já era muito mais caro do que a gente cobrava no serviço lá atrás. Aí o cara que sempre ia encher o saco do Dennis: Dennis, não, nós temos que mudar. Vamos fazer uma outra coisa e tal. Não deixamos de atender os nossos clientes com…

Luciano Pires: Com a parte de criação, do SO?

Dennis Campos: Não, lá atrás, com a parte gráfica. Não deixamos. Ainda ficamos atendendo por um bom tempo. Com a parte de SO, de links patrocinados, a gente tem a agência até hoje. A agência, ela funciona aí quase que 80% lá só com a equipe. E nós começamos a prestar consultorias com a parte de funil de vendas. Porque aí a gente pegou o nosso melhor, que é a parte estratégica, junto com essa parte de funil de vendas e começamos a trabalhar com isso.

Luciano Pires: Que não tinha nada a ver com aquilo que os dois moleques sonharam lá atrás, quando começaram a…

Claudio Alves: Nada, nada a ver.

Luciano Pires: A trabalhar…

Claudio Alves: Nada a ver.

Luciano Pires: Nem existia. Não é que já tinha. Nem existia.

Claudio Alves: Nem existia. Nem existia.

Luciano Pires: Muito bem. Que tamanho está a empresa hoje?

Claudio Alves: Ah, continua sendo uma empresa de pequeno porte. Mas hoje a gente tem núcleos dentro da nossa empresa. A gente atende – se eu não me engano, eu acho – dois ou três clientes que têm um pedido recorrente da parte gráfica. Aí a gente foi dando bandeiras para cada frente, porém, com objetivos diferentes, o mesmo CNPJ, mas com bandeiras diferentes. Aí tem agência de marketing digital, que a gente atende a parte de marketing de busca. E nós dois prestamos consultorias para clientes que estão com problemas de vendas. A gente chega com estratégias de vendas. Pode ser tanto offline quanto online. A maioria dos nossos clientes são voltados para o online. Porém, quando o cliente precisa de alguma estratégia offline também a gente agrega.

Luciano Pires: E a atuação de vocês é regional? É ali na região?

Claudio Alves: Não, nós atendemos clientes até fora do Brasil.

Luciano Pires: É? Pô, que legal.

Dennis Campos: Principalmente consultoria, que aí faz um Skype ali. Na verdade, é um Zoom, outra ferramenta, mas aí a gente conversa e tal. Define estratégia e vai conversando tudo remoto. Então…

Luciano Pires: Pô, quem diria hein, cara? Que interessante. Que interessante. Vem cá, vocês estavam comentando comigo ali, antes da gente entrar aqui, que vocês estão desenvolvendo uns projetos aí…

Claudio Alves: Paralelos.

Luciano Pires: Paralelos. Buscando assinatura recorrente, que é um negócio interessantíssimo, que é para onde o mundo está indo. O que está rolando aí?

Claudio Alves: O que a gente teve como ideia, Luciano? A gente percebeu que toda empresa, se não está na internet, precisa estar na internet. Isso é fato. Só que é o maior medo do empresário, não sabe como lidar com internet, não sabe se é muito caro. É difícil de mexer.

Dennis Campos: Eu não vou ter tempo para isso. Eu tenho que cuidar do meu negócio. Então…

Luciano Pires: Eu tenho um sobrinho que faz muito mais barato…

Claudio Alves: E aí, o que a gente pensou? A gente pensou: pô, todo modelo de negócio tende a direcionar para uma recorrência. Isso é fato. Todas as empresas estão buscando isso. Até as grandes têm recorrências de formas diferentes. A Apple, o iPhone é uma recorrência. Todo ano tem que trocar, que senão você está ultrapassado. Então a gente começou a pensar algo dessa maneira.

Luciano Pires: Só uma pausa. Para quem não está familiar com essa história toda aqui, a recorrência é o seguinte: ao invés de você comprar um carro e ter um carro, você vai alugar um carro e vai pagar por mês, para ter usufruto do carro. Então, você não possui mais o bem, você possui o direito de acessar o bem. Então, você assina para receber o vinho na sua casa, para receber fruta em casa, para receber a revista em casa, para receber o serviço. Você assina Netflix. Tudo isso é recorrência. No final do mês você faz a conta e você descobre que você está gastando uma grana de assinatura de um monte de coisinha que você usufrui, mas não é dono de nada daquilo. Então você não compra mais o CD, você assina Spotify. Então essa é a economia, é para esse lado que a economia está indo. Então, quando se fala em recorrência, o que tem acontecido no mercado agora é que muita gente já descobriu essa necessidade, inclusive eu, com o Brasil Premium. É um projeto de assinatura recorrente. E está tudo caminhando para ele. Estão vindo as coisas mais estapafúrdias que você puder imaginar. Os negos já estão criando projeto de assinatura. E os especialistas dizem que o mundo vai inteirinho para aí. Vai chegar um momento que você não terá um móvel na sua casa. Você fará uma assinatura e receberá um sofá na sua casa. Esse sofá não é teu. Você apenas paga para usá-lo. Ou quando ele ficar velho, o cara que fabrica…

Dennis Campos: Você troca…

Luciano Pires: Vai lá, tira o sofá, bota o sofá novo. E você nunca vai ter que bancar aquele investimento e a depreciação desses bens.

Dennis Campos: Exato. E a gente descobriu isso porque uma das coisas que a gente sentia muito é que a gente foi caminhando para oferecer serviços não elitizados, mas assim, são serviços mais estratégicos, que a empresa tem que ter uma maturidade para contratar o nosso serviço de consultoria, por exemplo. Mas sempre chegava alguém e falava: ah, eu sei que você trabalha com marketing. E eu estou começando aqui uma lojinha. Eu estou começando a vender doce. Ah, eu abri um restaurante. E às vezes, não eram clientes que encaixavam na consultoria. Então a gente pensou: a gente precisa de alguma coisa para oferecer também para esses caras, para eles darem o primeiro passo. E aí, até inclusive, o nome da nossa recorrência, que é a Primeiro Passo Online, onde a gente entrega um site para o cara e tem ali um portal de membros, onde a gente ensina essa pessoa também a dar os primeiros passos, como que cria uma fanpage, como que você faz um primeiro anúncio no Facebook, como que você utiliza seu site para gerar conteúdo, gerar negócios.

Luciano Pires: O que é a recorrência? É um curso? Eu pago por um curso? O que é?

Claudio Alves: Na verdade é assim, você vai pagar uma mensalidade, aonde você vai ter um site com todos os serviços de hospedagem, manutenção. E a gente disponibiliza um treinamento para que ele impulsione o negócio dele na internet.

Luciano Pires: Quer dizer, eu não tenho que pagar para você fazer o site para mim. É isso? Eu não vou desembolsar uma grana para você construir o meu site?

Claudio Alves: Exato. Exato. Exato. Porque isso é uma das barreiras que a gente identificou estudando o público mais iniciante com empreendedorismo. Tinha: pô, eu não tenho 5, R$10.000,00 para investir num site. Então, você vai pagar uma mensalidade, o plano começa em R$97,00 e ele já tem isso. O site dele e uma ferramenta para ele poder impulsionar isso na internet. A pessoa que não consegue nos contratar para consultoria ou a agência, para executar isso, ela vai ter ali o que ela consegue executar para começar a fazer o negócio dela girar através da internet.

Luciano Pires: Entendi. Sim.

Claudio Alves: Você entendeu?

Luciano Pires: E já lançaram isso aí?

Claudio Alves: Já. Está no ar.

Luciano Pires: Como é que é? Como é que é? Tem mercado para isso, cara?

Dennis Campos: Tem cara, muito.

Luciano Pires: Porque é o seguinte: você quando fala que vai lidar com gente que não tem 5 paus para pagar para fazer um site, normalmente esse é um povo que está contando tostão e que não consegue dar valor a essas coisas intangíveis. Que você vai falar: porra, investe aqui. Puta, que investir, cara? Eu vou botar esse dinheiro para pagar a conta da água, a conta da luz. Não é nem que ele não quer fazer. Eles não têm bala na agulha para poder falar isso: estou investindo 10 mil num site, por que… cara, cadê o site? Você nem vê esse negócio, né? Então, eu imagino que seja um público muito complicado de você fazer uma venda. Você tem até que desempenhar o papel de um evangelizador.

Claudio Alves: Exatamente isso.

Luciano Pires: Você tem que chegar lá, evangelizar o cara.

Claudio Alves: Exatamente isso.

Luciano Pires: Mostrar para o cara, para ele, que ele tem algo que ele não sabe que precisa. E convencê-lo a gastar um dinheiro em algo que ele não sabia que existia, né?

Claudio Alves: Exato.

Luciano Pires: Como que é esse jogo, cara?

Claudio Alves: Só para você ter uma ideia: hoje o SEBRAE tem uma pesquisa que aponta que 14% das empresas possuem site próprio. Das pequenas…

Dennis Campos: PME.

Claudio Alves: PME. Não tem o seu site próprio. Então a gente identificou: pô, pera aí…

Luciano Pires: Pera aí, 14 não tem?

Claudio Alves: Não, 14% tem. Quer dizer que 85% não tem o seu site próprio. Então foi aí que a gente teve a ideia de montar o formato de uma startup. Por que a ideia é o quê? Meu, você tem, você quer utilizar por um mês, você vai usar um mês. Você paga lá os R$97,00. Em 7 dias você tem o seu site pronto. Você não precisa ficar você mesmo atualizando. Porque a gente sabe que têm soluções que você faz de graça. Porém, o empresário tem tempo de ficar atualizando seu próprio site?

Luciano Pires: Não, não.

Claudio Alves: Então a gente já fez essa solução, tem uma equipe de suporte que vai receber as suas informações, coloca no ar. Então, de uma forma bem prática. Ah, Claudio, a minha empresa quebrou. Não tem contrato. Pode cancelar e tal. A gente já está ciente disso. Estamos seguindo também os modelos de recorrência. Eu não consigo ficar amarrado à Netflix por dois anos. Eu não quero isso. Eu quero pagar enquanto eu quero usar. A gente fez exatamente isso com a ferramenta. Disponibilizar um acesso às empresas, que elas não teriam. Você entendeu? Então, você falou: pô, é chato lidar com esse público. É. Porque eles não têm o conhecimento. Então, esse portal de treinamento, junto desse pacote, a gente vai catequizar essas pessoas: você precisa estar na internet.

Luciano Pires: Quer dizer, e vocês só conseguiram fazer isso, porque você tinha uma estrutura preparada para isso. Quer dizer, você não foi contratar um designer para fazer esse trabalho?

Dennis Campos: Não, não.

Luciano Pires: Você pegou o que você já tinha lá?

Dennis Campos: Como sempre, a gente pegou o que tinha lá à mão.

Luciano Pires: Então, vocês fizeram uma mudança de modelo de negócio. É isso? Você pegou aquilo que você já tinha. Como é que eu posso aproveitar melhor essa estrutura? O mesmo design que eu tinha, que eu vendia o site para o Seu Osvaldo, eu vou usar agora nesse meu microprojeto de mini sites?

Dennis Campos: A gente migrou de modelo de negócio ao longo da nossa carreira. E a gente migrou também do que a gente entrega. Então, começamos lá no cartão de visita, aí depois migramos para um formato de free mensal, que eram os serviços de marketing de busca. Depois migramos para a consultoria, que é um outro tipo de trabalho. Eu posso trabalhar um mês para a pessoa enquanto… ad eternum…

Claudio Alves: Têm clientes que a gente atende, vai, um ano. Mas num formato de consultoria: tem que fazer isso e tal. A gente entrega uma parte, o cliente entrega outra. E aí, a gente agregou… assim, esse projeto, Luciano, a gente está lidando totalmente aparte da nossa empresa. Então tem uma estrutura, um organismo todo separado, algumas mãos de obras é a agência mesmo que faz, porém, ela está rodando aparte, você entendeu? E é algo que a gente, validando isso que a gente já tem ali clientes que já estão utilizando a ferramenta, a gente vai realmente ter que montar uma estrutura. Porque a demanda que vai vim vai ser muito grande.

Luciano Pires: E eu imagino que vocês também têm que criar um sistema replicável muito rapidamente. Quer dizer, não é aquela história, põe o papel branco aqui na minha frente, eu vou desenhar do zero o site para o A, para o B, para o C e para o D. Não?

Claudio Alves: Não. A gente já deixou isso já num formato onde alguns templates prontos, onde o cliente escolhe qual. É aquele? A gente customiza aquele template. Então, é uma forma mais rápida de eu poder entregar isso para o cliente.

Dennis Campos: É isso que possibilita que em 7 dias a gente consegue subir um site. Você entrou, preencheu ali as informações, por exemplo, nome da sua empresa, conta aqui sua história, fala um pouco dos seus serviços, tal. Ok. Mandou, as informações estão certas, em 7 dias, a gente consegue colocar no ar.

Claudio Alves: Foi uma maneira mais rápida de a gente enxugar todos os custos e entregar uma solução muito bacana para os nossos clientes.

Luciano Pires: Onde é que o calo aperta hoje em dia, cara? Vocês? Lá atrás era o seguinte: eu não tinha o dinheiro para comprar o jantar. E eu tinha que me virar para comprar, para ganhar, senão, não janto hoje, né? Onde é que pega hoje? Cara, a gente estava conversando ali, vocês chegaram e vieram falar, eu já estava trocando ideia com vocês, sobre essa dificuldade do criador, que cria o seu próprio negócio e tem que escalar essa criação. E ao escalar a criação, ele acaba perdendo o controle daquilo. Eu dei o meu exemplo, eu falei: cara, eu não consigo passar o meu texto para alguém fazer para mim. Dá mais trabalho eu pegar o texto de alguém e adaptar para mim, do que eu fazer do zero. Só que isso tem um limite. Eu não consigo ir além daquilo que eu faço todo mês. E o meu desafio é: como é que eu escalo? O negócio está totalmente baseado em mim como o artista, né?

Claudio Alves: Assim, o que a gente fez para esse modelo de negócio, a gente criou processos para todas as funções dentro desse negócio. Todos. Porque assim, você falou: onde o calo aperta? O nosso calo aperta com mão de obra, cara, com funcionário. A gente está num país que tem um desemprego enorme. E assim, as pessoas não querem se qualificar, não querem passar por determinada situação. A gente recebe currículo lá. A nossa empresa é pequena, mas a gente recebe, em média aí, vai, uns 50 currículos por semana. E você vai ver, o pessoal está pedindo salário de um sênior, uma pessoa super avançada e não tem o que entregar. Você entendeu? Então…

Luciano Pires: Sim. E vocês têm ainda uma outra coisa interessante, deixa eu usar um exemplo aqui. Eu tenho um pessoal amigo meu, que montou também uma empresa, startup, com uns negócios novos, uma proposta nova, bem legal. E que tinha tudo para dar muito certo. Aí vieram aqui, sentaram comigo, vamos conversar, eu vou fazer, na-na-na. E a recomendação que eu dei para eles foi a seguinte: cara, puxa o freio, não caia no canto da sereia, porque a hora que vocês apresentarem o projeto, ele é muito legal. E vai chover cliente. Vocês não peguem mais cliente do que vocês podem. Porque é o seguinte, vocês vão ficar tão inebriados com isso e vão pegar tanto cliente, que vocês não vão conseguir crescer na velocidade de atendimento. E vocês vão implodir.

Claudio Alves: Exato.

Luciano Pires: Cara, e não deu outra. E não deu outra. Porque a hora que sai cliente da esquina, começa a chegar clientão, empresa de marca e tudo, é irresistível, cara, você acaba pegando. E aí tem que fazer acontecer. E a velocidade que você tem para trazer gente para dentro do projeto, mesmo que seja: olha, são só programadores. Não, cara, não são só programadores. São programadores que têm que ter a minha cultura, que têm que entrar no meu… que têm que ser no meu ritmo, etc. e tal. E essa turma não está aí dando sopa, esperando você ligar, né?

Dennis Campos: Cara, o que a gente fez foi, então, essa velocidade de escala, por causa de mão de obra, o que a gente fez foi o seguinte: esse projeto, a gente colocou um limite mês, de sites para subir enquanto… e aí vai escalando aos poucos, né? E até com as nossas consultorias também. A gente tem uma agenda de entrada de clientes e até está procurando soluções alternativas. A gente está, por exemplo, fazendo uma mentoria, onde eu consigo orientar mais pessoas…

Claudio Alves: Por um custo mais baixo.

Dennis Campos: Por um custo mais baixo…

Claudio Alves: Do que a gente cobra na consultoria, para poder atender uma quantidade maior de pessoas. Você entendeu? Que nem, o Dennis falou: os nossos sites. A gente não consegue fazer mais do que 90 sites por mês. Então isso já está lá, planejado um tempo que vai se gastar para produzir cada site, para que isso não gere esse problema que aconteceu com a pessoa que você deu o exemplo aí. Então, a gente está muito seguro do que a gente quer. As metas estão riscadas, quais são, o que a gente quer alcançar, para que o canto da sereia não desvirtue o que a gente está imaginando. Então, a gente foi muito por esse lado. Entendeu?

Luciano Pires: Pô, que legal. Essa que é a grande dificuldade hoje em dia, você manter o pé no chão, cara. Porque como eu falei, é tão… tem tanto glamour, né cara? Essa história do: vou criar o meu aplicativo para ficar bilionário. É tão chamativo isso, que você vê a moçada se arrebentando aí. E não é à toa que você pega o SEBRAE e a quantidade de empresa que nasce e morre no Brasil, um negócio impressionante.

Claudio Alves: Todo ano, quando passa o ano, a gente comemora, Luciano. Porque a gente está deixando a estatística para trás, entendeu?

Luciano Pires: Sim, sim. É uma vitória. Vocês estão há quanto tempo já? Cinco?

Claudio Alves: Não. Seis anos.

Luciano Pires: Ah, já… que legal, cara.

Claudio Alves: Seis anos. Já passamos as estatísticas dos cinco anos. Vamos ver se a gente passa dos 10, né?

Luciano Pires: Não, tomara que dê certo, cara. Se vocês abraçarem bem essa coisa da recorrência. Eu já defini que para mim, o futuro, o meu futuro é o Premium. É o Café Brasil Premium. É nele que eu estou apostando todas as fichas. E estou sentindo uma mudança até física no negócio. Quer dizer, o meu grande tesão da vida é dar palestra. E já está me enchendo o saco, cara. Porque a hora que eu estou lá no fim do mundo, fazendo a palestra, que é um negócio que eu amo fazer. Na minha cabeça está: bicho, eu podia estar produzindo conteúdo, cara. Eu podia estar no meu escritório. Vocês viram aqui como é que eu estou montado, né? Não é igual eu sentar num hotel, abrir o meu laptop e falar: vou produzir. Não, bicho. Quando eu abro aqui, essas oito telas e bah… a produtividade é um negócio maluco. É tão maluco que me motiva. É tão fácil fazer. Está tão montado para… como é que eu vou dizer? É como se eu tivesse 10 instrumentos e fosse produzir uma música tocando os 10 ao mesmo tempo. Isso é tão fascinante, que pô, eu sento ali, eu não vejo o tempo passar.

Dennis Campos: Cara, eu sou totalmente ao contrário, sabia? Eu preciso escrever, sento com uma tela só. Eu trabalho com duas. Sento com uma tela só, desligo a segunda, fone na orelha e foco total. Porque senão…

Luciano Pires: Cara, eu não consigo. E aí é o que eu falei para vocês da mudança física, né? Pela primeira vez eu estou tendo a sensação de que estar na rua, fazendo palestra para a turma, que é algo que eu amo fazer…

Claudio Alves: Não é tão produtivo?

Luciano Pires: Não é tão produtivo. E se perigar, não vai me dar tanto prazer, quanto é agora estar produzindo e apertar um botão e chup e a turma receber aquela coisa toda lá.

Claudio Alves: Sim. Você impacta muito mais pessoas, né?

Luciano Pires: Sim. E é uma mudança de paradigma isso aí cara. Porque pô, eu faço palestra há 30 anos. E falei: eu vou morrer onde? Eu vou morrer num palco. Eu vou ficar velho, eu vou morrer num palco, fazendo palestra. E agora, de repente, eu falo: não bicho, eu tenho uma forma de eu atingir mais pessoas, de um jeito diferente. Mas que não demanda eu carregar 100 quilos para Fortaleza. Para eu carregar 100 quilos para Lucas do Rio Verde.

Dennis Campos: O foco mudou, né?

Luciano Pires: Então as coisas… e isso tudo a tecnologia que fez com que acontecesse. Então, eu estou vendo com muita simpatia essa questão toda da assinatura recorrente, porque ela torna acessível, algo que até então era absolutamente inacessível. E essa jogada que vocês fizeram aí, eu estou ouvindo e falando: cara, imagina, cara. Cidade do interior, o pessoal, todo mundo com seu próprio negócio ali, com aquele sitezinho, não sei o quê. Que tudo bem, tem uns menininhos que fazem sitezinho. Mas de repente vem um pessoal e fala: olha, não é só o sitezinho. É o site e…

Claudio Alves: Isso aqui.

Luciano Pires: A mecânica para funcionar. E ensinar você a fazer funcionar. E tem um conhecimento agregado naquilo lá.

Claudio Alves: Sim. Porque a gente coloca nesse portal, o que a gente executa para os nossos clientes. Foi uma maneira também, de a gente escalar o nosso conhecimento, você entendeu? Então, a pessoa que está contratando a ferramenta, vai ter esse suporte do que? Eu validei isso com os meus clientes, você pode aplicar que funciona para o seu. Para o seu negócio também.

Luciano Pires: Sim. Vocês estão oferecendo conteúdo também, cara. Além da ferramenta em si…

Claudio Alves: Também.

Luciano Pires: Para ela… pô, muito legal. Diretamente do ABC, para mudar o mundo, cara. Que legal. Como é que chama a empresa?

Dennis Campos: Primeiro Passo Online.

Luciano Pires: Primeiro Passo Online. Já tem www? Primeiro Passo Online?

Dennis Campos: Já. Está funcionando já há alguns meses.

Luciano Pires: Pô, que legal, cara. Que legal. E quem estiver interessado entra lá: o moçada, quero…

Dennis Campos: primeiropassoonline.com.br. E aí lá tem tudo explicado. Você escolhe o modelo, você já navega pelos modelos. Ah, eu gostei desse. Eu tenho uma pet shop. Esse daqui faz mais sentido e tal.

Claudio Alves: E os autônomos têm um problema muito grande de não ter como fazer isso daí. A gente já tem alguns modelos específicos para autônomos, dentista, advogado, médicos, que tem ali um consultório pequeno. Já pode ter o site em 7 dias e começar a aproveitar a internet.

Luciano Pires: Pô, que legal, cara. Você que está ouvindo o LiderCast aí, é o seguinte: eu não sei o que é esse negócio deles. Eu não vi. Eu não fui atrás. Não sei se esse treco funciona. Não sei se é bom. Eu não tenho a menor ideia do que é. Mas a intenção de trazer vocês aqui era para ver essa história do empreendedor que começa… pô, vocês começaram, eu não vou dizer que abaixo de zero, mas estava pertinho.

Claudio Alves: Olha, Luciano, estava no 0,5.

Luciano Pires: Não, estava pertinho. E passaram por um perrengue grande. Quer dizer, não foi uma coisa que: eu tive uma ideia genial, estou abaixo do zero, bota a ideia e daí explode. Não foi assim. Não explodiu.

Claudio Alves: Não, a gente…

Luciano Pires: Vocês estão construindo a coisa passo a passo, né?

Dennis Campos: Exato.

Luciano Pires: É a cara do empreendedor brasileiro.

Claudio Alves: Que sofre, né?

Luciano Pires: Não, e parabéns a vocês. Vocês estão com seis anos de empresa e com esse gás todo aí de mudar modelo de negócio no meio do caminho e criar coisas novas. E uma coisa legal que você falou, que me chamou a atenção é o fato de vocês terem criado um núcleo para essa coisa nova que vai nascer. Quer dizer, a empresa continua andando. O negócio de vocês continua andando. E o núcleo, que é onde… estão plantando ali. E se aquilo germinar e crescer, talvez ele tome conta do restante, né?

Claudio Alves: Exato. Não, mas vai germinar.

Luciano Pires: Não, claro.

Claudio Alves: A gente colocou já algumas metas.

Dennis Campos: A meta social eu acho que é a mais legal.

Claudio Alves: A meta social é legal, cara. Assim, você comentou de palestra. E você nos inspira muito. É nosso mentor sem nem saber, porque a gente acompanha muito você. E num dos episódios aí, para trás, do Café que a gente ouviu, você falava o seguinte: pô, o que você está fazendo diferente nesse mundão? Você veio aqui à toa? Você está plantando alguma coisa? E há duas semanas atrás, a gente fez algo que assim, a sensação foi muito melhor do que quando a gente está palestrando sobre marketing, sobre vendas. Foi muito bacana. Mas a gente foi palestrar lá na prefeitura de Mauá, para a Secretaria de Desenvolvimento Social. Então, olha o problema que eles têm. Eles dão muitos treinamentos, capacitam muito essas pessoas que estão desempregadas. Mas não tem emprego.

Dennis Campos: Não tem onde colocar as pessoas.

Claudio Alves: Então, é uma vaga que surge para 300, 500 pessoas que vão lá para participar dessa vaga. Aí ela viu uma palestra do Dennis, que o Dennis foi fazer uma palestra na faculdade, motivando a galera para poder…

Dennis Campos: Não, foi na prefeitura mesmo.

Claudio Alves: Foi na prefeitura?

Dennis Campos: Foi. Eu fui dar uma palestra gratuita na prefeitura no final do ano passado, que era para, justamente, para esse pessoal que está desempregado e tal. Para falar um pouco de empreendedorismo. E ela falou: lembra aquele seminário? Beleza. Tem uma galera aqui, que a Secretaria atende. E a gente precisar dar uma nova fonte de – não só de renda – uma esperança para essa galera. E aí ela falou assim: como vocês falam de empreendedorismo, talvez seja um caminho para a gente conseguir aumentar a renda desse pessoal, por mais que a gente não tenha emprego. Porque a gente capacita e não tem onde colocar.

Claudio Alves: Porque na verdade, você foi lá para a prefeitura falar exatamente como a gente montou a empresa. Que é isso que a gente contou aqui, com R$60,00 e parcela de tudo quanto a gente… a gente foi atrás de montar a nossa empresa.

Dennis Campos: E aí a gente reuniu uma galera lá da Secretaria. A gente fez um workshop de dois dias com esse pessoal. Então tinha domésticas, um cara que cortava o cabelo na casa dele, teve um outro que… tinha uma galera que vendia bolo, que vendia salgado e tal. Então, era um pessoal que é totalmente fora do nosso público. Mas que a gente foi dar umas dicas, de falar assim: é possível. Eu consegui. Você consegue. Sabe? Tipo… e aqui está o caminho. Então, a gente tinha umas ideias com eles, para fazer um negócio diferente. Como que você se diferencia. A gente saiu com uma ideia com o rapaz que era cabeleireiro. Falou: cara, porque você não vai até a pessoa cortar o cabelo dela, ao invés de você querer montar o seu salão? Você não precisa desse investimento agora. E aí acaba com o problema da pessoa de chegar à noite em casa e ela não ter mais um salão aberto, uma…

Claudio Alves: A experiência da barbearia para a pessoa. Então, a gente… foi sensacional, Luciano, porque a gente via, quando a gente começou a palestra, a gente via o desespero das pessoas, entendeu? Que estava ali, mas não acreditando muito, que seria mais alguma coisa transformadora. E a gente deixou bem claro: não vamos ensinar mais uma profissão para vocês. Porque tinha gente lá que tinha feito 4, 5, 6 cursos de capacitação e não se recolocava no mercado. Então a gente foi e falou: olha, é possível você ter uma fonte de renda que não é a carteira assinada. Você entendeu? E a gente brincou até. Porque tinha alguns adolescentes lá. Eu falei: meu, imagina quando que essa pessoa vai se aposentar aqui? Se vai se aposentar? Porque a gente não sabe o que vai acontecer com a loucura que está esse Brasil. Então aí, a gente viu o brilho no olho dessas pessoas, que deu uma motivação muito grande por aquilo que a gente fez. Aí eu lembrei do episódio na hora, eu falei: pô, eu consegui plantar uma sementinha no coração daquelas pessoas ali, de esperança.

Luciano Pires: Isso é um bichinho que quando morde, cara… esse bichinho desse tesão aí, sabe, de você ver o brilho no olho das pessoas, quando ele morde é jogo duro. Você não larga mais, cara. Você não larga mais.

Dennis Campos: E até para a Primeiro Passo, o que a gente fez? A cada 100 sites vendidos, a gente vai dar um site para uma ONG.

Luciano Pires: Legal.

Dennis Campos: Então a gente já tem duas ONGs já que tem. A Maternizar…

Claudio Alves: A Maternizar é uma ONG que ela ajuda as pessoas que querem adotar uma criança. Que também, no Brasil, é difícil de conseguir adotar uma criança, por mais que essa criança precise. Eu não vou entrar nesses méritos.

Luciano Pires: Sim. É complicadíssimo.

Claudio Alves: Eu nem tenho esse conhecimento. Mas ajuda uma ONG com isso.

Dennis Campos: E a Casa do Jardim.

Claudio Alves: E a Casa do Jardim, que é o nosso novo projeto. Cara, que a gente ficou apaixonado. Porque a ideia deles é mostrar – só para você ter uma ideia – lá em Santo André, essa ONG, eles tiram as crianças das favelas de Santo André e levam para o bairro nobre, aonde eles dão uma causa: o que vocês veem lá, não é só aquilo…

Dennis Campos: Não é só aquilo que existe no mundo.

Claudio Alves: Então vocês vêm para cá, vocês têm alimentação, vocês têm curso, têm atividades para vocês acreditarem num futuro. Então a gente sempre quis ajudar as pessoas nesse sentido. Porque você ir lá e doar uma cesta básica, não significa que você está ajudando. E aí essa ONG é sensacional, Luciano. Eles dão uma visão para as crianças…

Luciano Pires: De que há um mundo possível lá fora e que você talvez não precisa almejar ir para lá. O que você tem que almejar é transformar a tua realidade aqui, naquilo que você viu lá.

Claudio Alves: E olha, Luciano, se você um dia, se você quiser conhecer. A Katia, ela contou algumas histórias para a gente.

Luciano Pires: Eu quero a Katia aqui, nesse banquinho aí.

Claudio Alves: A gente veio pensando nisso, sabia? A gente veio pensando nisso. Porque assim, ela conta algumas histórias que você não acredita. Não acredita que aquela criança…

Luciano Pires: Já está convidada.

Dennis Campos: E ela é uma pessoa… cara, você dá muita risada com ela. Ela vai chegar com o boné para trás. Às vezes, você chega lá, ela está jogando as crianças para cima e está fazendo…

Claudio Alves: Ela é empreendedora. Ela é líder. Ela é líder, você entendeu? Vai totalmente fora da curva. Briga com prefeitura, briga com traficante, briga com dono de boca, para poder tirar a criança para levar lá, para mostrar algo bom.

Luciano Pires: Está cheio de gente assim, cara. Teve alguém que chorou com a Neide aí não chorou? O LiderCast 100?

Dennis Campos: Somos dois.

Luciano Pires: Então, tá cheio de Neides no Brasil aí, cara. O que a gente tem que fazer é dar um apoio para essa turma toda. E fazer a parte que nos cabe aqui. A minha é essa aqui, é abrir o microfone e contar as histórias e imaginar que tem um neguinho lá ouvindo e falando: caralho, esses caras foram. Eu vou nesse caminho também, cara. Pô, que ideia genial. E as coisas vão acontecendo. E é por aí mesmo, né? Quem quiser achar vocês então, vamos lá, de novo?

Dennis Campos: Vamos lá: Dennis Campos. No Instagram está denniscamposmkt, de marketing, com dois N.

Luciano Pires: Esse Dennis tem dois N?

Dennis Campos: Isso, denniscamposmkt no Instagram. O site é primeiropassoonline.com.br.

Luciano Pires: E a empresa, se quiser a empresa é o mesmo site, da empresa de vocês?

Dennis Campos: Não, agencialab.com.br.

Luciano Pires: Tá. Ok.

Claudio Alves: Eu no Instagram está como claudio.alves83. Facebook também, a mesma coisa. E o site da agencialab.com.br.

Luciano Pires: Repete.

Dennis Campos: primeiropassoonline.com.br

Luciano Pires: Então, é aqueles nomezinhos bem curtinhos, que é facinho. Aquela URL facinha de a gente escrever: primeiropassoonline.com.br

Dennis Campos: Exato.

Luciano Pires: Ah, eu vou lá visitar. Vou dar uma olhada. Parabéns a vocês aí, cara.

Dennis Campos: Por favor.

Luciano Pires: E se tiver alguma entidade aí que queira se cadastrar para ver se ganha um site online…

Dennis Campos: Pode. Escreve para a gente que…

Claudio Alves: Escreve para a gente que é assim, eu acredito que vai… o programa tem uma audiência muito bacana. Mas se a gente comprar a ideia da ONG também. Porque não adianta também só fazer algo que a gente não acredita. Com certeza, a gente vai fazer o que a gente pode aí para ajudar essa…

Luciano Pires: Bem-vindos ao LiderCast. Obrigado pelo…

Dennis Campos: Obrigado, Luciano.

Luciano Pires: Pelo papo, cara. Valeu.

Claudio Alves: Obrigado, Luciano.

Luciano Pires: Espero que a gente tenha aí notícias de vocês muito em breve.

Dennis Campos: Opa. Obrigado.

Luciano Pires: Um abraço.

Dennis Campos: Valeu.

Luciano Pires: Muito bem, termina aqui mais um LiderCast, a transcrição deste programa, você encontra no lidercast.com.br. para ter acesso a esta temporada completa assine o cafebrasilpremium.com.br e receba imediatamente todos os arquivos. Além de ter acesso ao grupo cafebrasil no Telegram, que reúne ouvintes dos podcasts Café Brasil e LiderCast, que discutem em alto nível, temas importantes, compartilhando ideias e recebendo conteúdos exclusivos. Lembre-se: cafebrasilpremium.com.br. Essa temporada chega a você com o apoio da Nakata, que é líder em componentes de suspensão. Cuide bem de seu carro com as dicas do blog.nakata.com.br.

Narrador: Você ouviu LiderCast, com Luciano Pires. Mais uma isca intelectual do Café Brasil. Acompanhe os programas pelo portal cafebrasil.com.br.

mbém. Porque não adianta também só fazer algo que a gente não acredita. Com certeza, a gente vai fazer o que a gente pode aí para ajudar essa…

Luciano Pires: Bem-vindos ao LiderCast. Obrigado pelo…

Dennis Campos: Obrigado, Luciano.

Luciano Pires: Pelo papo, cara. Valeu.

Claudio Alves: Obrigado, Luciano.

Luciano Pires: Espero que a gente tenha aí notícias de vocês muito em breve.

Dennis Campos: Opa. Obrigado.

Luciano Pires: Um abraço.

Dennis Campos: Valeu.

Luciano Pires: Muito bem, termina aqui mais um LiderCast, a transcrição deste programa, você encontra no lidercast.com.br. para ter acesso a esta temporada completa assine o cafebrasilpremium.com.br e receba imediatamente todos os arquivos. Além de ter acesso ao grupo cafebrasil no Telegram, que reúne ouvintes dos podcasts Café Brasil e LiderCast, que discutem em alto nível, temas importantes, compartilhando ideias e recebendo conteúdos exclusivos. Lembre-se: cafebrasilpremium.com.br. Essa temporada chega a você com o apoio da Nakata, que é líder em componentes de suspensão. Cuide bem de seu carro com as dicas do blog.nakata.com.br.

Narrador: Você ouviu LiderCast, com Luciano Pires. Mais uma isca intelectual do Café Brasil. Acompanhe os programas pelo portal cafebrasil.com.br.