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Luciano Pires -
Download do Programa

Narrador: Bem-vindo ao LiderCast, o podcast para quem quer saber mais sobre liderança. Apresentação, Luciano Pires.

Luciano: Bom dia, boa tarde, boa noite. Bem-vindo, bem-vinda a mais um LiderCast, um podcast que trata de liderança e empreendedorismo, com gente que faz acontecer. No programa de hoje, recebemos Alexis Fonteyne, empresário criativo e agora candidato a deputado federal, pelo Partido Novo. Um inconformado com o manicômio tributário brasileiro e disposto a botar pra quebrar. Sai da frente dele, meu. Este não é um programa de entrevistas. Não tem perguntas programadas, nem roteiro definido. É um bate papo informal, com gente que faz acontecer, que vai para lugares onde nem eu, nem meu convidado imaginamos. Por isso, eu não me limito a fazer perguntas, mas dou meus pitacos também, você está entendendo aí? Não é uma entrevista. É um bate papo. O LiderCast por temporadas. Os assinantes da Confraria Café Brasil e do Café Brasil Premium têm acesso imediato à temporada completa, assim que ela é lançada, assim que são mais de 24 de conteúdo de uma vez só, cara. Os não assinantes receberão os programas gratuitamente, um por semana. Para assinar, acesse cafebrasilpremium.com.br. Essa 10ª temporada do LiderCast chega até você com o apoio da Nakata, que é líder em componentes de suspensão. Cuide bem de seu carro com as dicas do blog.nakata.com.br. Muito bem, mais um LiderCast, vamos àquele padrão que eu acabei criando, que é tentar descobrir como é que a pessoa chegou aqui, né? Ela chegou aqui por uma indicação. Eu fui procurar agora lá, já não descobri mais quem foi que fez a indicação. Vou tentar encontrar. Se eu encontrar, vou tentar colocar no texto do programa aqui, né? Mas depois que a indicação foi feita e a gente trocou uma ideia, que eu me lembrei cara, que uma vez, eu estava na internet e alguém passou um link para mim, de um vídeo de um cara, parecia que dentro de uma fábrica, de uma maneira meio rústica, fazendo uma demonstração com umas contas, mostrando uns negócios ali. E falava sobre empreendedorismo. Eu olhei aqui e falei: cara, o conteúdo é genial. Mas o cara não é do ramo. Eu falei: esse cara é doido ou é um youtuber que está fazendo? É alguém que está sentindo as dores e resolveu contar a história. E depois os vídeos dele acabaram explodindo, né? E você sabe que o universo trabalha ao favor. E não foi à toa que você veio parar aqui, né? Então, são três perguntas fundamentais – as únicas que você não pode errar no programa – que são seu nome, sua idade e o que é que você faz?

Alexis: Meu nome é complicado. Alexis Joseph Steverlynck Fonteyne. Mas é mais Alexis mesmo, né?

Luciano: Sim.

Alexis: A minha idade, eu tenho 51 anos daqui a alguns dias. Eu tenho 50 agora. E qual a terceira? A minha profissão?

Luciano: Sim.

Alexis: Eu sou engenheiro de formação. Mas eu sou mais inventor. E hoje eu sou empresário também. Eu tenho uma empresa em Sumaré, que fabrica revestimentos de epóxi, poliuretano, para pisos industriais, pisos de fábrica e loja.

Luciano: Repete o seu nome completo para mim, devagar?

Alexis: Alexis Joseph Steverlynck Fonteyne.

Luciano: Cara, não tem nada normal no seu nome. Mas nem o Alexis. Cheio de consoante.

Alexis: Cheio de consoante.

Luciano: De onde vem isso, cara.

Alexis: Família belga.

Luciano: Belga?

Alexis: Família belga. Pai e mãe belgas. Eu tenho uma família grande na Bélgica, muito grande. Mas é uma família que foi pelo mundo inteiro. Eu tenho primo na Argentina, no Uruguai.

Luciano: Sim.

Alexis: Estados Unidos, na França. É uma família bem grande.

Luciano: Imigraram para o Brasil? Seu pai e sua mãe são de lá?

Alexis: É.

Luciano: São belgas?

Alexis: Sim.

Luciano: Vieram de lá. O que foi? Guerra?

Alexis: Não. Quer dizer, tem uma parte de guerra. Porque meus avós inicialmente viram a possibilidade de ter alguma coisa no Brasil, porque a guerra estava pegando feio na Bélgica. Na verdade, a Bélgica não é exatamente um país que resistia a coisa nenhuma, né? Muito pequeno. A Alemanha simplesmente passou por cima para chegar na França.

Luciano: Sim. Sim.

Alexis: Mas eles tinham essa preocupação, porque eram tempos de insegurança muito grande. E aí eles vieram e comprara um curtume em Campinas, durante… no navio que vieram para o Brasil, compraram um curtume.

Luciano: E contaram alguma vez, por que Brasil?

Alexis: Não. Não contaram.

Luciano: Aham.

Alexis: Não contaram. Eu não sei. Exatamente não sei. Mas foi o Brasil. Tanto que outra parte da família foi para a Argentina.

Luciano: Sim.

Alexis: Então não sei. Talvez fosse a época daquele momento de as pessoas irem para… né, países onde tinham mais possibilidades, emergentes, que não tinham guerra. Estavam fugindo daquilo.

Luciano: Aham.

Alexis: E aí veio. Meu pai veio em seguida para – tinha estudado economia – veio para o Brasil para poder administrar esse curtume, ajudar a administrar.

Luciano: Aham.

Alexis: E acabou voltando para a Bélgica, casou com a minha mãe e trouxe a minha mãe para cá. Aí nós nascemos no Brasil.

Luciano: Uma informação interessante. A Bélgica é um negócio interessante, cara, que merece um estudo, né? Porque ela é uma mistura de idiomas. É uma mistura de culturas. Parece que juntaram tudo lá, bota uma cerca em volta e faz um país aí, né? Eu tenho duas experiências com ela que são interessantes. Você vai ver que aqui é o seguinte: aqui é bate-papo, tá? A nossa entrevista.

Alexis: Não…

Luciano: Eu tenho duas experiências na Bélgica. Eu lá e o belga aqui.

Alexis: Hã?

Luciano: Eu lá na Bélgica, em Bruges.

Alexis: Onde nasceu minha mãe.

Luciano: Fabuloso. Que delícia aquilo. Eu passeando. E eu entro dentro de um dos dois mil museus que têm ali. Cada lugarzinho que você tem é um museu. E dou de cara com um quadro. Eu não vou me lembrar o nome do quadro agora. Depois eu trouxe, eu comprei… bom, eu não trouxe o quadro, mas eu comprei a reprodução, que tem uma história dele lá. Que tem uma cena – eu não vou me lembrar – é a morte das virgens, é uma coisa assim. É uma cena que tem um navio cheio de meninas e um povo em volta, dando facada, espadada, flechada, matando todas as virgens, né?

Alexis: Ham.

Luciano: E o quadro é impressionante. Você olha aquilo lá, eu falei… eu fui procurar a história desse quadro e ele representa uma história real, de uma família real que tinha… que estava com problemas, que estavam sitiados, tudo. E o cara pega, bota a família inteira, todas as meninas da região, do país dele, para livrar dos invasores que estavam vindo e que iam estuprar as meninas e manda o navio para segurança, para o reino do filho dele, etc. e tal. E o navio – tem uma tempestade – e ele erra e para no porto dos inimigos. E os inimigos entram no navio e matam todo mundo que está no navio. E aquilo que me trouxe – na hora que eu estou lendo aquele negócio – cara, houve uma época no mundo, na história do mundo, que era normal você degolar o teu inimigo, porque é teu inimigo. Matar as meninas num navio era uma coisa mais normal do mundo. E havia esse perigo, havia isso. E quando você pensa nisso hoje, você fala: cara, mas como a gente evoluiu de lá para cá, né? Isso caiu a ficha. A hora que eu olhava aquele quadro eu falei: cara, como é que pode isso ter sido considerado parte do viver. Não era nem em harmonia, não era nem em sociedade. Era uma sociedade contra a outra, totalmente belicosa, né? Anos depois – não tem nada a ver com essa história. Agora eu inverto o jogo, que é aqui – eu estou lá no interior de Santa Catarina, eu acho que em Joinville, eu acho que estava na época do pessoal estava pensando de botar umas fábricas lá. Eu acho que era a BMW que vinha para cá. Alguém estava estudando. A gente estava lá e paramos num restaurante para comer. Estava eu, o vice-presidente da minha empresa, estava conversando lá. Chegou um grupo com uns belgas e com um cara que conhecia a gente. Ah, sentou lá, ficamos conversando. O que está acontecendo? Os belgas estão vindo aqui. Nós estamos viajando o interior do Brasil e eles estão trazendo uma proposta de levar empreendedores para a Bélgica. Cara, mas como é que é isso aí? A proposta é a seguinte, ele senta na sua frente e fala: o que você faz? Eu tenho uma fábrica de copo. Perfeitamente. Quantos funcionários você tem? Eu tenho 100 funcionários aqui produzindo copo. Quanto custa fazer o teu copo? Ah, o meu copo custa R$1,00. Por quanto você vende o copo? Eu vendo por R$8,00. Você ganha R$7,00 por um copo? Perfeitamente. A minha proposta é a seguinte: fecha a tua fábrica aqui e leva para a Bélgica. Você pode escolher esses lugares para botar a tua fábrica. Nós vamos te deixar isento de imposto. E vamos garantir para você os R$7,00 que você ganha hoje e você não vai ter encheção de saco nenhuma. A única coisa que nós queremos é que você leve empregos para a Bélgica. Os caras estavam recolhendo gente no Brasil para levar para lá. Ou seja, importando empregos para a Bélgica. E quando eu vi aquilo eu falei: caraca. Olha a preocupação desses caras. Eles não estão preocupados com saneamento básico, estrada. Eles estão preocupados com o seguinte: está tudo arrumado. Tem que ter emprego agora e imposto para esse pessoal poder sobreviver, né? Que é um nível de preocupação que quando você comprara com o Brasil, gente, nós estamos na idade da pedra. Nós estamos discutindo ainda se tem água filtrada para tomar, né? Mas voei, só para lembrar da Bélgica. Então vamos…

Alexis: Nós estamos voltando no tempo. Porque nós estamos agora com… voltou malária, voltou sarampo…

Luciano: Pois é, cara.

Alexis: Voltou… está voltando tudo.

Luciano: Morte de criança, né? Mortalidade infantil.

Alexis: Mortalidade infantil está voltando. Quer dizer, nós estamos realmente andando para trás no Brasil.

Luciano: Você nasceu no Brasil?

Alexis: Eu nasci no Brasil, tanto que eu falo que eu sou “brelga”

Luciano: “Brelga”?

Alexis: “Brelga”.

Luciano: Tá certo.

Alexis: Uma mistura de brasileiro com belga.

Luciano: Onde que foi? No Paraná? Onde é?

Alexis: Não, nasci em Campinas, aqui pertinho.

Luciano: Tá certo.

Alexis: Eu nasci em Campinas.

Luciano: E aí, o que… tua vida inteira você chamou Alexis ou quando era moleque tinha um apelido? Como é que é?

Alexis: Não. A minha vida inteira foi Alex.

Luciano: Alex.

Alexis: Porque Alexis ninguém entende.

Luciano: É verdade.

Alexis: E os caras escrevem Alexis com Q-U-I, sabe essas coisas?

Luciano: Sim.

Alexis: Não tinha jeito.

Luciano: Ficou Alex.

Alexis: Então ficou Alex, que seria uma abreviação de Alexandre. Tem muita gente que: ô, Alexandre. Eu falo: não, não é Alexandre. É Alexis.

Luciano: O que o Alexis queria ser quando crescesse, cara?

Alexis: Puta, o Alexis, cara, ele sempre inventava muito. Ele queria em um momento ser piloto de avião. Queria… aí eu gostava, adorava mergulhar. Eu mergulhava muito. Eu falei: não, vou ser biólogo. Mas eu adorava mesmo era mecânica. Eu adorava. Eu muito, muito cedo, construí meus próprios aquários. Eu… eu desmontava bicicleta. Eu inventava coisas.

Luciano: Aham.

Alexis: Então, a mecânica para mim era uma coisa absolutamente natural.

Luciano: Em Campinas sempre?

Alexis: Em Campinas.

Luciano: Tua infância foi toda ali?

Alexis: Foi lá. Depois eu vim fazer faculdade em São Bernardo do Campo, na FEI, engenharia mecânica, que era o caminho natural da… da história.

Luciano: Você tem irmãos?

Alexis: Eu tenho duas irmãs. Eu tenho duas irmãs. Uma é veterinária e a outra é fotografa. As duas estão hoje nos Estados Unidos. Não estão no Brasil.

Luciano: O que o seu pai e a sua mãe faziam?

Alexis: O meu pai tinha… então, ele herdou essa empresa de família, um curtume lá em Campinas. Que depois o negócio acabou se desmanchando. Até porque a economia não era mais… o couro não ficava mais lá.

Luciano: Sim.

Alexis: Aquilo lá era um interposto de couro. O couro foi para Goiás, foi para outros lugares, onde tinha de fato, o gado, a produção. E a minha mãe é professora de francês.

Luciano: Aham.

Alexis: Trabalhava na Aliança Francesa a vida inteira. Eles se separaram com a gente bem jovens, né? Ele acabou casando com uma outra brasileira. E minha mãe não. Minha mãe continuou solteira, vamos dizer assim, aqui, morando em Campinas. O meu pai agora voltou para a Bélgica também. Não está mais no Brasil.

Luciano: Mas essa pegada de empreendedorismo vem do véio, então? Você via e fazia…

Alexis: Vem de ambos. Os meus avós… o meu avô materno foi um grande inventor na Bélgica. Ele que inventou vários processos de tingimento de tecido têxtil. Tecido têxtil foi ótimo. É tecido, né? Tecido.

Luciano: Sim.

Alexis: Tecidos sintéticos. Desculpe. Eu falei bobagem.

Luciano: Aham.

Alexis: Então, quando foi desenvolvido o nylon pela DuPont, eles não conseguiam fazer outra cor. Era só branco. Que era o nylon que saía. E meu avô inventou o processo para poder fazer o tingimento desses tecidos, que eram muito necessários até nos paraquedas, né?

Luciano: Sim.

Alexis: Porque paraquedas branco era um problema, né?

Luciano: Sim.

Alexis: Então começou a desenvolver isso. Ele era um químico inventor na Bélgica. Mas a próxima geração não tem nenhum empreendedor. Os filhos dele. Mas eram empreendedores, aqueles, tipo Matarazzo, sabe esses caras muito…

Luciano: Sim.

Alexis: Muito, muito fortes.

Luciano: Sim.

Alexis: E que competiam até com a própria prole? Então eles não… não estimulavam…

Luciano: Não davam espaço né, para…

Alexis: Eles queriam dizer que eles eram os provedores. Eles tinham… vocês têm que me agradecer. Era uma coisa assim, muito forte. Tanto que os irmãos deles eram a mesma coisa na Argentina. E naquela época você vê esses grandes empreendedores. Que hoje em dia está todo mundo muito preocupado com a sucessão familiar, né?

Luciano: Sim.

Alexis: Tanto que tem consultoria.

Luciano: Sim.

Alexis: Aquele André – com um sobrenome que é difícil, aí – que cuida para preparar as famílias…

Luciano: Sim.

Alexis: Para as sucessões. Os Gerdau fizeram isso. A família lá dos Votorantim fizeram isso, o Moraes.

Luciano: Sim.

Alexis: Quer dizer, saber passar o negócio para frente. Porque o negócio não é só dele.

Luciano: Não. Houve uma época, quando eu entrei na… no mundo da autopeças – que eu fui para autopeças – eu entrei num mundo gigantesco, que era o começo dos anos 80. E era uma época que você olhava em volta, você falava assim: Cofap, vinha Mindlin na cabeça. Desculpe.

Alexis: Mindlin ou Metal Leve?

Luciano: Vinha Kasinski na cabeça. Você falava Metal Leve, vinha Mindlin. Você falava Gerdau, vinha o Johannpeter. Você falava Votorantim… cara, cada nome que você dizia… você falava TAM vinha o Rolim. Sempre tinha um grande empreendedor ali, que estava. Que foi o cara que desbravou.

Alexis: Isso.

Luciano: E que chegou lá na porrada. Ou seja, o cara que batia na mesa e falava: a decisão final é minha. Sai da frente que eu vou fazer. E quebrava a cara ou dava certo.

Alexis: Rolo compressor.

Luciano: Mas eram caras que construíram esses impérios todos.

Alexis: Sim.

Luciano: E ao longo dos anos 90 isso foi terminando. Porque esses caras foram morrendo e os sucessores não apareceram para levar a coisa adiante.

Alexis: Não.

Luciano: E começaram a surgir o profissionalismo. Então hoje em dia é um comitê que toma a decisão, né? Os acionistas…

Alexis: Mas muitos desses venderam, né? A Cofap foi vendida…

Luciano: Isso.

Alexis: A Metal Leve foi vendida.

Luciano: Sim. E aí se perdeu essa característica daquela figura que conduzia.

Alexis: É.

Luciano: Quem tem hoje, cara? Hoje o Gerdau está lá ainda.

Alexis: Mas…

Luciano: Quem mais que sobrou?

Alexis: Mas…

Luciano: Pouquíssima gente.

Alexis: Vamos lembrar até a própria FIESP.

Luciano: Hã?

Alexis: Naquela época, os presidentes da FIESP eram pessoas com muita personalidade forte, com grandes industriais. Hoje não é mais.

Luciano: Aham.

Alexis: Isso até é uma coisa que é pena. Você vai na FIESP, não tem mais os grandes.

Luciano: Em todo lugar, né? Parece que essa… essa coragem de tomar decisão, que é a raiz de… pô, os Estados Unidos foi construído assim, né cara?

Alexis: Sim.

Luciano: Foram caras que arregaçam a manga: sai da frente. Eu vou atropelar.

Alexis: É.

Luciano: Para o bem e para o mal. Atropelo que significa o seguinte: eu vou matar quem tiver que matar e eu vou fazer, construir isso aqui, né? E ao mesmo tempo é uma sociedade que não é à toa que está onde está, né? Aqui no Brasil têm suas diferenças. Mas o que… o meu ponto aqui é o seguinte: parece que essa… a capacidade de tomar decisão, tipo assim: passa a bola para mim que eu resolvo o jogo, desapareceu. Hoje é o seguinte: quem está junto? Quem são os caras que estão comigo? Onde que a gente encontra isso hoje? É no empreendedorismo, no pequeno, na moçada, que é a molecada que está… que está construindo o seu próprio negócio, né? Que é onde nós vamos chegar aqui, né? Você se forma em engenharia?

Alexis: Isso.

Luciano: E sai para ganhar a vida como engenheiro?

Alexis: Saio. Eu consigo. Eu estou… eu sabia falar francês, espanhol, falava o inglês bem também. E acabei sendo contratado pela Rhodia.

Luciano: Sim.

Alexis: A Rhodia lá em Santo André, que era um dos melhores estágios que tinham na época. Era excelente aquele estágio. Era lá e na Gessy Lever, os dois lugares que tinha um belíssimo estágio. E…

Luciano: Mas a Rhodia é química?

Alexis: Química. Mas eu era engenheiro mecânico. E como engenheiro mecânico, eu trabalhava toda a parte de manutenção. Então, todas as paradas. Porque era engraçado. Até os engenheiros químicos que eram amigos meus de faculdade, até da UNICAMP, que era um amigo meu de infância lá em Campinas falou assim: Alex, você tem que entender o seguinte, a Rhodia é uma indústria química. Então aqui quem manda é engenheiro químico. Eu falei: olha cara, legal a tua afirmação, né? Bonitinha ela. Mas, o teu produto químico, ele vai acontecer passando dentro de tubos, de bombas, de vasos de pressão. Vai passar por parte de processo de filtragem e tudo mais, que é tudo mecânico. Então é bom…

Luciano: Me respeita que senão…

Alexis: Você prestar atenção…

Luciano: Eu paro a máquina…

Alexis: Senão o seu produto não vai no céu assim, sozinho…

Luciano: Sim.

Alexis: Para fazer a tua reação química. A tua reação é uma teoria que acontece dentro do mecânico.

Luciano: Sim.

Alexis: E aí eu era sempre muito irônico, vamos dizer até, com essa turminha aí. Porque esse negócio de achar que era mais ou menos, era uma bobagem de jovens, né?

Luciano: Aham.

Alexis: E eu trabalhava nas paradas. Então, parada de fábrica. É o que eu sempre falo. A parada de fábrica de polímeros, poliéster, do nylon, na Rhodia, eu falava para o gerente abrir a cartucheira e botar dois cartuchos e ficar só esperando.

Luciano: Aham.

Alexis: Se eu não entregasse a fábrica no dia, ele podia… ele fechava e cabeças iam rolar. Tá certo?

Luciano: Aham.

Alexis: Porque cada que se perdesse de produção eram milhares e milhares de reais que a Rhodia tinha. Então, as paradas tinham que ser muito bem planejadas. As paradas tinham que ser todas bem programadas. Tinha que ter um cronograma diário. Era uma coisa muito intensa.

Luciano: Aham.

Alexis: Eu adorava aquela encrenca. Eu só me ferrava. Mas eu adorava. Me ferrava no sentido de entrar em tanque…

Luciano: Sim.

Alexis: Ver bomba, resolver problema. Porque aquilo era assim, um campo de solução de problema.

Luciano: Mas que idade você tinha?

Alexis: Eu tinha 21 anos.

Luciano: Com toda a energia do mundo para arrumar briga né, cara? Louco pra arrumara uma encrenca.

Alexis: Eu saía encardido. Os caras não acreditavam que eu era engenheiro.

Luciano: Aham.

Alexis: Eles achavam que eu era peão. Eu falava: não, cara, sou engenheiro. E se enfia dentro de caldeira? Caldeira era maior do que… assim, um… uma casa grande, né? Um sobrado, de tão grande que era aquilo. Tinha que montar um monte de coisa lá dentro para limpar ela. Era uma experiência fantástica. O que eu falo né, naquela época cara, não tinha Nutella. A gente…

Luciano: Isso aí…

Alexis: A gente…

Luciano: Pro pau. Vamos pro pau.

Alexis: Pro pau, na raiz. Mas era legal. Muito legal.

Luciano: Tá. E aí você descobriu que era lá o caminho?

Alexis: Então, mas aí é que é legal. Porque eu sempre estava olhando uma oportunidade. Eu falava: poxa vida, esse cara podia fazer desse jeito. Poxa, olha, eu podia ganhar dinheiro aqui. Eu podia… eu sempre estava de olho nas… nas coisas que estavam acontecendo. Eu até falava para os caras que prestavam serviço para a Rhodia. Eu falava: cara, faz isso que vai ser melhor para você. Eu tinha já um sentimento. Eu percebia que a minha curva não era a curva de uma multinacional.

Luciano: Aham.

Alexis: A Rhodia naquela época devia ter o que, sei lá, sete, oito mil funcionários. O que é um cara até assim, cheio de ideias, cheio de energia, dentro de sete mil? Não é só uma questão de você ser muito bom que você vai ser reconhecido. Muitas vezes, essas estruturas grandes, elas nem conseguem identificar os talentos ou aquelas pessoas boas lá dentro. Tá certo? Eu era benquisto, as pessoas gostavam de mim, porque eu fazia, entregava, realizava, não tinha mimimi, não tinha nada. Mas eu percebia que lá dentro eu estava domado. Eu era um bicho domado. Eu estava na gaiola dourada, né? Tinha raçãozinha bonitinha, tinha água, tinha hora de trabalho, tinha 13º e tal.

Luciano: Mas não podia voar.

Alexis: Mas não podia voar. E aí, a liberdade para mim era um valor enorme. Ainda é hoje. Ainda é hoje. A liberdade para mim, ela é impressionantemente forte. E eu cada vez percebo mais isso no Brasil de hoje. Onde a gente não percebe como a gente perde a liberdade.

Luciano: Está tolhendo, né?

Alexis: Como está tolhendo a tua liberdade. Exatamente.

Luciano: E aí você botou na cabeça que você ia ser dono da firma?

Alexis: É… começou… então, mas olha que engraçado, eu estou lá com todas aquelas condições, não sei o quê. Teve uma passagem rápida por um amigo meu que queria montar um supermercado virtual aqui em São Paulo. Eu falei: ah, vamos meter as caras e fazer esse negócio.

Luciano: Em que ano isso?

Alexis: Isso aí era 2001, 02, sei lá. Não tinha nem internet, para você ter uma ideia.

Luciano: Já tinha estourado a bolha…

Alexis: Tinha, tinha.

Luciano: E o cara vem com um supermercado virtual?

Alexis: Não. Ele queria… é um amigo todo visionário. Então você… só que era um visionário e na época não tinha linha telefônica. Então, para você conseguir cinco linhas telefônicas… internet… lembra que você…

Luciano: Lembro…

Alexis: Você mandava, ficava aquele barulho de: tu-tu-tu. Aquele barulho de modem. Modem, né? Tinha modem.

Luciano: Sim, sim.

Alexis: Então tinha aquela porcaria. Então, não existia o virtual. Mas a gente queria ser virtual. Mas é um amigo que ele queria fazer as coisas sem construir. Eu sou um cara assim, eu faço bases para construir. Bases para construir. Eu sou um cara que vai construindo com fundações…

Luciano: Firmes, né?

Alexis: Firmes. Firmes, tá certo?

Luciano: Perfeito.

Alexis: Ele não. Ele já queria montar o castelo de cartas dele. E aí eu falei: cara, não é. Não vai dar. Aí começou a não se entender mais. Eu falei: para não perder a amizade, eu estou me recuando. E nesse momento eu conheci – num galpão que a gente foi alugar em Santo Amaro – o revestimento epóxi. Eu falei: poxa vida, tudo isso aí eu sei fazer. Então, eu vou montar essa empresa em Campinas. Eu tinha acabado de casar. Eu tinha casado já há dois anos e queria ter filhos.

Luciano: O que é o revestimento epóxi?

Alexis: Revestimento epóxi é aqueles pisos que você olha, pintado assim, você vai num posto ou você vai numa garagem hoje. Tem muita garagem em São Paulo, né?

Luciano: Sim.

Alexis: Está todo pintado. Shopping center. É aquele produto. É uma resina epóxi pigmentada.

Luciano: Aham.

Alexis: Só que a gente desenvolve vários outros tipos de sistema, para indústrias pesadas, por exemplo, qualquer indústria alimentícia ou de bebida, a linha de produção, ela tem que ter um piso que não pode gerar fungos, bactérias, por uma questão de vigilância sanitária. Então a gente produz esse tipo de piso.

Luciano: Sim.

Alexis: Que não tem rejunte. Não tem juntas e que tem bactericidas, fungicidas dentro, de modo que fique atendendo às exigências sanitárias.

Luciano: Nós fizemos isso lá na indústria que eu estava lá e transformou…

Alexis: Totalmente…

Luciano: A cultura da empresa. Que ela deixou de ser uma fábrica…

Alexis: Suja…

Luciano: Um monte de coisa, para virar um showroom, onde a gente leva os clientes, que acabam embasbacados.

Alexis: Mas essa é a ideia.

Luciano: E aquilo era epóxi.

Alexis: E faço muito Volkswagen…

Luciano: Sim.

Alexis: Essas empresas muito fortes. Essa turma toda, que é as linhas de montagem maravilhosas, limpas.

Luciano: Sim.

Alexis: Até para você melhorar o controle de qualidade, para você poder discernir áreas, tudo mais. E a indústria na época, era óleo e graxa no chão todo. Era suja. Então, quando tinha esse retrofit, essa melhoria, dava outro ambiente, dava outra iluminação.

Luciano: Sim.

Alexis: As pessoas começavam a respeitar até o meio ambiente.

Luciano: Muda o clima.

Alexis: Muda tudo.

Luciano: Muda tudo.

Alexis: Muda tudo. É. Então a gente fabrica isso.

Luciano: E aí você resolveu montar uma fábrica de?

Alexis: Revestimentos epóxi.

Luciano: Revestimentos epóxi. Tá.

Alexis: E não era engenheiro químico.

Luciano: Você estava na Rhodia ainda?

Alexis: Não. Eu estava nesse supermercado virtual do meu amigo aí, que durou um ano e meio, dois anos.

Luciano: Quanto tempo você ficou na Rhodia?

Alexis: Eu fiquei quatro anos na Rhodia.

Luciano: Com que idade você sai de lá?

Alexis: Saí com 26, 27.

Luciano: Casado, solteiro?

Alexis: Eu estava casado. Recém-casado.

Luciano: É?

Alexis: Recém-casado.

Luciano: Será que você consegue lembrar o momento dessa tomada de decisão, de…

Alexis: De sair da Rhodia?

Luciano: Então casado, com um baita de um salário, que devia ser legal, devia ter benefícios legais. E você fala: vou largar toda essa solidez que eu tenho aqui, por um treco que eu não sei o que é, que não existe.

Alexis: Então, mas assim, aquele momento assim: não tinha filhos ainda. A minha esposa também é arquiteta. Ela é uma excelente arquiteta, também tinha o emprego dela. Eu falei: a hora para arriscar é agora. Depois fica difícil. Com filho. A estrutura fica difícil. Se bem que no fundo, eu acabei… eu fui empreender de fato, montar a minha empresa mesmo, de fato, quando o meu filho nasceu. No mesmo mês praticamente que eu comecei. Então, corri o mesmo risco do mesmo jeito. Não mudou esse risco.

Luciano: Aham.

Alexis: Só que aí é o seguinte: é o que você quer, é o que você imagina. E a força da mente, quando você acredita num troço, ah, ninguém te para. Você sabe que eu vi que você escala aí. Você põe aquela coisa. Para te frear, não é brincadeira. Agora, se você duvida de você, é problema.

Luciano: Aham.

Alexis: É um problema. Tanto que na minha palestra, que eu falo sobre empreendedorismo né, que eu falo uma real história. Tem uma passagem que eu falo assim: queime as suas caravelas.

Luciano: Sim.

Alexis: Fernando Cortez.

Luciano: Sim.

Alexis: Que quando chegou lá na Península de Iucatã, no México, para colonizar aquilo lá, desceu todo mundo dos navios, ele falou assim: queime as caravelas porque nós não vamos voltar mais. Não tem mais volta.

Luciano: Como é? Cruzou o Rubicão.

Alexis: Agora…

Luciano: Cruzou, não tem volta mais.

Alexis: Não, não tem mais volta. Então, aí essa ideia de que assim, quando você decidiu que vai empreender, não tem volta.

Luciano: Aham.

Alexis: Tá certo?

Luciano: Aham.

Alexis: Porque se você ficar toda hora com dúvida…

Luciano: Sim.

Alexis: Você não põe a tua energia, você começa a duvidar de você mesmo. Aí é o pior dos cenários. Porque aí você perde dinheiro, né? Aí você rasga dinheiro.

Luciano: E aí você montou então a tua fábrica lá em Campinas?

Alexis: Aí eu comecei, como eu quero dizer? Como Steve Jobs, na garagem da Dona Joana.

Luciano: Então, você começa como empreendedor na garagem da Dona Joana. Talvez, num dos segmentos de atuação mais desgraçados que tem para o empreendedor no Brasil, que é lidar com química. Porque eu sei que…

Alexis: Na construção civil.

Luciano: Eu sei que o volume de requerimento que você… você tem um negócio absurdo. Agora eu estou me lembrando do vídeo que eu vi de você. Era aquele que você pega um caminhão e começa a mostrar.

Alexis: Isso.

Luciano: Olha aqui: olha o que eu estou pagando. Olha o que tem de conta, olha o que tem de papel aqui, né?

Alexis: Isso mesmo.

Luciano: E você fazia ideia que era assim, ante de começar? Eu vou montar o meu negócio. Mas…

Alexis: Eu não comecei como químico num primeiro momento. Porque eu também não sabia do químico. Então, eu comecei como prestador de serviços.

Luciano: Ok.

Alexis: Então, como eu sou engenheiro mecânico, eu criei máquinas para fazer piso de concreto.

Luciano: Aham.

Alexis: Comecei a fazer lajes para construtoras. Comecei a fazer pintura epóxi, comprando epóxi dos outros.

Luciano: Aham.

Alexis: Então eu fui… assim, começando… tem uma frase boa do indiano que é: comece pequeno, pense grande e aja rápido.

Luciano: Sim.

Alexis: Eu adoro essa frase, porque é isso mesmo. Eu não tinha dinheiro. Eu estava começando aquilo com uma rescisão trabalhista.

Luciano: Aham.

Alexis: E ainda tinha que ter dinheiro para a família. Quer dizer, você tinha que estar… tem que ser econômico, tem que se espartano. Não podia começar grande. E fui então, comprei uma Kombi. Vendi o carro bom que eu tinha, comprei uma Kombi. E agora vamos, né? Comprar marmitex, comprar bloco, tal. E comecei a montar a coisa.

Luciano: Aham.

Alexis: Aí fui estudar engenharia civil. Porque o primeiro galpão que eu construí, fui eu mesmo que construí. A minha esposa fez o projeto de arquiteta e eu construí. Então, eu fui aprendendo engenharia civil e aí fui mexendo na química e a coisa foi avançando. Num certo ponto, nos primeiros seis anos – eu vou falar para você – eu comi o pão que o diabo amassou. Foi dificílimo. Dificílimo.

Luciano: Isso era 2006, 07, 08?

Alexis: É, 08, por aí. Foi indo. Aí fui avançando. E cada vez mais, as leis trabalhistas pegando no pé. Registros e folha de pagamento, aquela coisa toda. E eu tinha que fazer muita coisa sozinho. Aí eu contratei uma pessoa, começou a me ajudar para poder fazer a parte administrativa. Porque o problema era o seguinte: quando você vende, você não executava. Quando estava executando, você não estava vendendo.

Luciano: Isso.

Alexis: Então, eu precisava de alguém.

Luciano: Você sabe que esse é exatamente o meu drama aqui, numa área que é totalmente diferente da tua. Eu sou um criador de conteúdo. Eu falo para os caras, eu falei: quando eu estiver com a minha pastinha na mão, para tentar arrumar um patrocinador para o meu podcast, eu não estou escrevendo o podcast, né?

Alexis: Exatamente isso.

Luciano: E esse é o drama. Mas sem a pastinha na mão, eu não vou conseguir recursos para poder manter o podcast. Então ou é o artista ou é o… e esse é o drama do empreendedor.

Alexis: Exatamente.

Luciano: O empreendedor pequeno…

Alexis: Pequeno…

Luciano: Ele começa assim, né?

Alexis: Começa assim é o seguinte: trabalha muitas horas mesmo. Então aquela coisa: ah, o cara está bem de vida e tal. Não sabe de nada. Não conhece a história.

Luciano: Olha aqui: eu vou ser empreendedor porque eu não tenho chefe.

Alexis: Isso.

Luciano: Porque eu escolho o meu tempo de trabalho. Porque eu paro a hora que eu quiser. O dia que eu quiser. Pensa que é isso, né?

Alexis: Não, essa do chefe então é a pior de todas. Eu tenho um vídeo que eu falo assim: você acha que não vai ter chefe? Pois eu tenho uma péssima notícia para você: porque o teu chefe é o cliente.

Luciano: Aham.

Alexis: O teu patrão é o cliente. Quem acha que o patrão é o cara que dá ordem, ele não tem noção do que está fazendo.

Luciano: Sim.

Alexis: Na construção daquela catedral, tá certo? Patrão é cliente, cara. Ele que te despede, ele que decide comprar de outro ou não. Então, umas bobagens que o pessoal… e tem uma diferença. Eu falo que tem o administrador, tem o empreendedor e tem o aventureiro.

Luciano: Sim.

Alexis: Esse que você acabou de descrever é o aventureiro.

Luciano: Sim.

Alexis: Ele tem essa ilusão. Empreendedor rala muito. E muito mesmo. Alguns vão chegar bem lá, né? Fruto do trabalho deles. A maioria, no Brasil…

Luciano: Sim.

Alexis: Transferiu riqueza para outros.

Luciano: Sim.

Alexis: Porque eles vão estar bem quebradinhos.

Luciano: Sim, sim.

Alexis: Que aqui é bom de quebrar a empresa.

Luciano: Aqui é bom.

Alexis: É bom.

Luciano: Eu falo: o cara que decide ser empreendedor no Brasil, ele não sabe o tamanho da encrenca que ele se meteu, né? Porque olha de fora e… culpa daquilo que a gente estava conversando agora a pouco, que eu te falei. Quem vem para a vitrine são só os que dão certo, né? Então é o moleque que…

Alexis: Ah…

Luciano: Que criou um aplicativo e vendeu…

Alexis: É…

Luciano: Vendeu por dois bilhão para não sei quem. É o cara que não sei o que, que deu certo. Ou era cabeleireiro lá na favela e hoje virou marca de… e etc. e tal. Mas isso é um punhado de pessoas no meio de milhões. Quer dizer, é o Neymar no meio de dois milhões de jogadores de futebol.

Alexis: É.

Luciano: Que ganham pouco mais que um salário mínimo ali, né? Você monta a tua empresa e… vamos chegar no ponto em que você começou a fazer os vídeos ali, começou a falar alguma coisa lá. Você… você teve alguma atuação anterior aos vídeos, que fosse no sentido de: cara, eu vou começar a falar respeito de empreendedorismo? Eu vou ajudar as pessoas que estão enroladas? Eu vou começar a gritar? Eu quero que minha voz seja ouvida? Eu quero… eu vou meu aproximar da associação? Eu vou na FIESP? Sei lá o que, teve alguma…

Alexis: Não. Teve uma coisa anterior que foi o seguinte – mas não tinha muito a ver com isso – eu montei a empresa, fui desenvolvendo. Aí eu montei a empresa de epóxi mesmo. Fui estudando. Porque não tinha Youtube naquela época. Não tinha nem internet direito. E aí…

Luciano: Só uma dica aqui, nesse ponto aqui no roteiro, eu vou colocar o vídeo que eu comentei lá, onde você mostra…

Alexis: Tá bom.

Luciano: Mostra lá o que era embarcar uma carga. Lembra?

Alexis: Não.

Luciano: Na tua empresa. Vale a pena assistir, porque, cara, é impressionante.  Mas e aí?

Alexis: Bom, então naquele momento eu comecei a entender que eu precisava também ensinar as pessoas a aplicar revestimento epóxi. Era estratégico para mim ensinar. Eu adoro ensinar. Eu tenho assim, um prazer muito grande em passar conhecimento. E aí eu falei assim: não, eu vou montar um curso de revestimento epóxi. Ninguém tinha, ninguém tinha no Brasil isso aí. E o que eu via no Youtube era tosco, tosco, tosco. Uma coisa muito malfeita. Assim, e não ensinando, desensinando, quer dizer, fazendo uma…

Luciano: Sim.

Alexis: Dando maus exemplos. Em segurança do trabalho, de aplicação, de tudo.

Luciano: E a tua visão já era a visão de um business ou não?

Alexis: Não.

Luciano: Ou era: vou passar conteúdo?

Alexis: Eu tinha um lado de um business que eu falava assim: eu tenho que botar uma régua. E também eu tinha uma ideia que era a seguinte: as coisas estão muito concentradas em São Paulo, na parte de epóxi. Ninguém fabrica fora de São Paulo. Mas o Brasil era enorme e é enorme.

Luciano: Sim.

Alexis: E muitas pessoas queriam aplicar em outros lugares. Então eu dizia: como é que eu consigo chegar neles? Chegar fisicamente dá mais trabalho. O negócio era ter um meio – que era o Youtube então – para fazer.

Luciano: Aham.

Alexis: Aí eu contratei então uma produtora para fazer um vídeo. Eu tremia que nem vara verde. Eu não sabia me expressar. Era um horror o troço. E eu achava que eu ia me dar bem. Nossa, eu ficava… e o cara: fica tranquilo que nós vamos editar. Eu falei: não, vai ficar uma porcaria isso. E aí eu entendi o poder da edição.

Luciano: Aham.

Alexis: Meu, ficou maravilhoso. Quando eu vi que ficou maravilhoso, eu falei: pera aí, para um pouco. Agora nós vamos fazer o vídeo de todos os tipos de piso que nós temos, né? Que tinha vários tipos de pisos. E aí eu peguei alguns galpões, com uma pessoa que cedeu para poder fazer. Fiz toda a série superdidática. Superdidática. E botei no Youtube.

Luciano: Sim.

Alexis: Aquilo explodiu. Explodiu. Deu mais de um milhão de visualizações nos vídeos. A coisa avançou. Aí quebrou um pouco aquela ideia de saber se expressar, aquela visão e tal. Aí que foi. E eu dava aula. Então, todo mês eu estava dando aula para gente que vinha do Brasil inteiro para fazer epóxi e transmitindo o conteúdo. Só que a gente vai acumulando. Aí que vai entrar nesses vídeos de ativista empresarial.

Luciano: Aham.

Alexis: Eu acho que o termo é ativismo empresarial. Eu fui acumulando todas as insanidades, todas as burrices, todas as incoerências. Tudo que não tinha… não agregava nenhum valor. Só agregava custo e dificuldade a empreender. Porque eu tenho a minha empresa, indústria, comércio e serviço. Quer dizer, eu tenho tudo de ruim. Tudo de ruim. E aí eu fui acumulando tudo aquilo. Sistema tributário, licença de SETESB e do IBAMA e da Polícia Federal e da Polícia Civil e do be-be-be. E transporte, ITT… olha, toda aquela parafernália. Quando aconteceu… só que eu assim, eu tento estar tudo certinho, certinho, tudo maravilhoso. Quando aconteceu aquele evento desse vídeo aí que nós estamos falando, eu falei: ah não, chega. Não tem. Não dá para competir com esse Estado.

Luciano: Aham.

Alexis: Não tem. A gente nunca vai acertar.

Luciano: Só comenta o que foi o evento, que tem gente que não vai ver o vídeo aqui. O que é que foi o evento? Você foi?

Alexis: Ah, o evento foi o seguinte: eu carreguei um caminhão para levar a mercadoria para Mogi das Cruzes. E como eu tinha que passar num trechinho dentro da cidade de São Paulo, os marronzinhos tudo esperando. Porque eles já estão lá, eles esperam, porque sabem que não tem o rodoanel, num trecho não tem rodoanel. Então você tem que vim pela Fernão Dias para ir para Mogi. Aí pararam o caminhão e distribuíram 10 multas no caminhão, porque achavam que a placa estava suja, porque tinha um pouco de… tinha chovido, estava um P sujo. Porque o balde ele acha que não é aquele balde. Porque… e aí tinha um tal da licença para transporte de produtos perigosos na cidade de São Paulo. E só essa multa… e aí todas as multas eram dois. Era na empresa e no caminhão da empresa. A mesma multa. Porque poderia ser o caminhão de outra empresa.

Luciano: Sim.

Alexis: Então eles foram me dando tudo multa dupla, duplicada. Deu R$22.000,00 de multa. Só que daí quando veio as leis, que agora você fala assim: então agora, Alexis, entra nos padrões, né?

Luciano: Sim.

Alexis: Põe toda a casa em ordem. Eu não consigo botar em ordem. Porque eu fui ver a certificação do balde, não existe, o INMETRO não sabe do que se trata. A licença para produtos perigosos é por produto e por caminhão. Então, se eu tiver três caminhões e 30 produtos, eu tenho que ter 90 licenças que duram um ano e meio. Sabe a insanidade que é isso?

Luciano: Aham.

Alexis: É mais ou menos como o governo, a cidade de São Paulo pedir uma carteira de motorista para você passar por São Paulo.

Luciano: É isso que eu ia dizer. Quer dizer, você pode estar com tudo arrumadinho para passar por fora de São Paulo. Mas porque você cruzou um trechinho dentro da cidade…

Alexis: Você… então, o que São Paulo fala? Ah, você não tem licença? Então você está lá no Maranhão, sei lá, no Nordeste, você vai para o Rio Grande do Sul, você tem que passar por São Paulo? Tem. Então é o seguinte: quando você chegar em São Paulo, você passa para um caminhão que tenha licença. Ele passa pela cidade. Aí você transborda de novo e continua a tua viagem. Então, a carteira tem coisas que são nacionais. Carteira de motorista é nacional. Você não vai ter carteira de motorista por estado, nem por cidade.

Luciano: Aham.

Alexis: Agora, o que a cidade de São Paulo fez é isso. E ela não está nem aí. E ela faz isso com Van. Eu fiquei sabendo agora, recentemente, que uma Van de Campinas que quer trazer gente aqui para um teatro, alguma coisa, tem que mandar um oficio com 10 dias de antecedência dizendo que vai entrar na cidade de São Paulo. Senão, leva multa. Tem sentido isso, cara? Fala para mim se tem sentido uma burocracia dessa? Uma reserva de mercado? Então, o que aconteceu com esse caminhão que foi preso lá, eu fui chamado no DSV, quiseram conversar comigo. Porque eu realmente abri a boca. A FIESP pegou as dores e falou: vamos lá conversar. Foi falar com o Secretário de Transporte. O Secretário de Transporte: nossa, que injustiça. Vamos conversar no DSV. Fomos lá no DSV. Aí me aparece aquele funcionário público que tem raiva do empreendedor, que tem raiva de todo mundo. Que ele deve ir para o trabalho dele de carroça ou de cavalo. Porque ele odeia veículos.

Luciano: Aham.

Alexis: Todo dobrado, assim. Eu falei a situação. Ele falou: você tem que levar a multa mesmo. Eu falei: por quê? Porque é a lei. Eu falei: essa lei não é razoável. Ela é sim. Porque outro dia capotou um caminhão aqui na Marginal Pinheiros. Ficou travada a Marginal Pinheiros. Eu falei: beleza. Então quer dizer que com a licença, o caminhão não capota mais. Eu falei: uma coisa não tem nada a ver com a outra, meu amigo.

Luciano: Aham.

Alexis: Se eu já atendo a legislação de forma federal, por que eu tenho que atender a mesma legislação no município, com ainda o registro de caminhão e de licenças? Então uma transportadora que tem 100 caminhões e vai transportar 30 produtos diferentes tem que ter três mil licenças por ano?

Luciano: Aham.

Alexis: Isso é uma fábrica de multa.

Luciano: O Estado te empurra para a ilegalidade. Quer dizer, você…

Alexis: É lógico.

Luciano: Você é obrigado. Eu vou ser obrigado a dar um balão. Eu sou obrigado a buscar alternativas que… porque o Estado me obriga a isso, cara.

Alexis: Luciano, quem que paga essa burocracia?

Luciano: Pois é.

Alexis: Quem que paga? O cidadão de São Paulo, que vai pagar o produto mais caro do mundo, porque tem um burocrata, que não tem noção, que não tem visão das coisas. E aí, acaba impondo leis ou fazendo propostas. Agora, a qualidade dos vereadores é tão baixa também, que ninguém pergunta: meu amigo, essa lei aqui, ela não tem que passar. Porque olha a bobagem que nós vamos fazer com quem transita na cidade de São Paulo. Agora, imagina se todas as cidades do Brasil tiverem a mesma ideia?

Luciano: Aham.

Alexis: Ninguém mais transita nada. Aí trava tudo. Eu falo que é a barra do razoável. Passou da barra do razoável faz tempo. São Paulo está doente. A cidade de São Paulo está doente. E ela não sabe resolver os problemas dela.

Luciano: Aham.

Alexis: E aí vem uma teoria que eu falo. Por que é tão importante ter muito mais engenheiros na administração pública? Porque engenheiro, na sua essência, é um resolvedor de problemas. Ele é treinado, ele faz exercícios para resolver desafios, ver problemas e resolver os problemas.

Luciano: Aham.

Alexis: Agora, você tem… você pode resolver problemas de duas formas: atacando a causa ou atacando a consequência. Quando a pessoa não tem noção do que faz, as pessoas que não sabem como resolver problemas, sempre atacam a consequência.

Luciano: Aham.

Alexis: Na saúde, na educação, na segurança. Segurança. O que é atacar consequência na segurança? É ficar dando borrachada em bandido.

Luciano: Aham.

Alexis: Por que esses bandidos? Por que a violência chegou nesse ponto? Vamos na raiz da causa aqui. Vamos.

Luciano: Volta lá atrás.

Alexis: E tudo tem que ter uma visão sistêmica e clara…

Luciano: Sim.

Alexis: Para a gente começar a atacar coisas que estão gerando aquele problema.

Luciano: A questão é que na raiz da causa não tem visibilidade, não aparece, está escondido.

Alexis: Aí…

Luciano: É o cara que faz o encanamento, né? O que passa embaixo do chão. Isso ninguém vê. Eu quero fazer um viaduto. Todo mundo vê. Debaixo do chão, ninguém vê, né? Deixa eu te dar um exemplo de um… aconteceu comigo aqui. O Haddad estava aí na prefeitura e começa a mexer né, na legislação. Então eu comprei um apartamento aqui. O cara vem e quer mudar lá o ITBI. Quer mudar o tal do ITBI…

Alexis: Para ganhar 10…

Luciano: Que é um imposto que quando você compra um imóvel vem…

Alexis: Transmissão de bens.

Luciano: Isso. Vem o imposto. E aí ele tenta fazer um aumento brutal, ia lá para 4%. Era um aumento absurdo. Você pega um imóvel de um milhão, mete 4% em cima, esse é o valor que vai dar, né? E a prefeitura… e a Câmara Municipal não deixou passar. Proibiu aquilo de passar. Não passou e ele não pode implementar. O que ele fez? Ele foi lá na raiz da cota do IPTU e mudou ali, que não precisava de lei. E aí o IPTU deu um salto brutal, cara. Chegou na minha casa aqui, eu falei: eu não posso acreditar que eu estou pagando um aluguel pela minha casa. E é um aluguel pela minha casa. Entrei na justiça contra a prefeitura. Mandei, fui em cima da prefeitura, dizendo que esse cálculo está errado, que não pode ser. Não há o que justifique aquilo. Pá, fui lá, na-na-na. Ganho. Pera aí. Não, tá legal. É isso mesmo.

Alexis: Não comemora.

Luciano: Você está certo. Pode ser que está certo isso aí. Mas o imposto que você pagou pela compra está errado, etc. e tal. Pa-pa-pa. Então, está tudo bem. Sim, mas seu juiz, o senhor falou do imposto da compra da casa. Eu quero saber do cálculo do IPTU, que é o que está me pegando aqui. Ah, vamos rever isso aí. Entra e agora chega para mim a…

Alexis: A decisão.

Luciano: A decisão. Quer dizer o seguinte: que não há outra forma de calcular. Que a cidade de São Paulo não teria meios de calcular de outro jeito, portanto, o que vale é isso aí, embora sendo injusto, embora seja incorreto, a forma de calcular é essa. Não tem nenhum outro jeito de fazer. Então dane-se e fica isso aí. Lá vou eu para subir uma instância agora, para brigar numa segunda instância, para dizer que se o cara não sabe como calcular, não sou eu que tenho que pagar a conta, né? Agora, eu sou um só no meio dos milhões que estão…

Alexis: Então, mas aí, dessa… dessa mesma coisa que você está falando, do teu imóvel. Por que o teu imóvel tem três valores diferentes, conforme a conveniência do Estado?

Luciano: Sim.

Alexis: Porque na tua declaração do imposto de renda, este imóvel está totalmente depreciado. Por quê? Porque quando você for vender ele vai te gerar ganho de capital.

Luciano: Sim.

Alexis: E o governo federal quer ganhar imposto sobre o ganho de capital do teu imóvel. Então…

Luciano: Sim. Quer dizer, o meu imóvel está registrado por 100 mil, pequenininho. O dia que eu for vender, 10 anos depois, virou um milhão. Esses 100 mil corrigido vai dar 500 mil, a diferença de 500 para um milhão é 500 paus. E é em cima desses 500 que eu vou pagar.

Alexis: Então para lá, o governo não deixa você reajustar a tabela imposto de renda.

Luciano: Aham.

Alexis: Todo ano você vai perdendo a inflação, minimamente, do valor do teu bem. Então, para o governo federal, o teu bem não vale nada. A tua casa não vale nada. Mas para a prefeitura…

Luciano: Sim.

Alexis: Que o cálculo é feito sobre o valor venal, aí ele vale um milhão e meio. Até nem vale. Até eu falo assim: meu amigo, então compra a minha casa por esse valor aí.

Luciano: Historicamente, então o valor venal era um valor interessante. Porque ele sempre foi abaixo do valor de mercado. Agora virou, cara. O meu apartamento, o valor venal dele é maior do que o valor de mercado dele. Eu estou pagando imposto e cálculo de IPTU em cima do valor venal, que é maior do que o valor de mercado, cara.

Alexis: Então a distorção está… como é que pode para os entes do país, federal e municipal, o teu bem ter valores diferentes. Sabe por quê? Porque eu tenho uma teoria que é a seguinte: a unidade fiscal devia estar no cidadão e não no Estado. Então, se o meu bem, eu tenho um valor só. E aí os meus entes que decidam o que vai ser, para IPTU ou se vai ser para a venda disso aí. Não dá para toda hora o outro ente falar assim: não, mas aí eu quero o terceiro valor. Ah. Na verdade, cartório mesmo, quando vai calcular ITBI, é um terceiro valor lá.

Luciano: Sim.

Alexis: É um valor de mercado. Sei lá o que acontece. Então, não tem muito sentido essas coisas que estão acontecendo.

Luciano: Só uma dica. Esse cálculo meu foi de ITBI. Eu ganhei, tá?

Alexis: Hã?

Luciano: E eles vão me pagar com precatório.

Alexis: Aí não dá.

Luciano: Ou seja, nem quando você ganha, você consegue ter. agora, vamos voltar para a raiz do nosso negócio aqui.

Alexis: Para a raiz do nosso empreendedorismo.

Luciano: Como é que é essa coisa… essa coisa. Quer dizer, volta para a Bélgica, vai? Ser um empreendedor na Bélgica e ser um empreendedor no Brasil? Ser um empreendedor nos Estados Unidos e ser um empreendedor no Brasil? Eu faço podcast. Uma parte de monetização do meu negócio é em podcasts. E eu tenho uma briga gigantesca para falar quantos me ouvem, que é 30 mil, o LiderCast assim que ele é publicado. No final de um ano teria sido 50 mil, 60 mil. Que o podcast Café Brasil tem 150 e assim vai. Falando dos mil, mil, mil.

Alexis: Tá.

Luciano: E para ganhar dinheiro com isso é um negócio pavoroso, cara. Eu não consigo. É terrível, cara. Eu vou para os Estados Unidos agora, faço um evento. Nesse evento tem uma mesa de podcast, estava cheio de gente de podcast. E os caras chegam lá e tem uma mesa nobre e depois o povo todo em volta. Eu sentei em volta, quietinho, lá, o brasileirinho quietinho. E na mesa nobre o cara chega lá: olha, para estar sentado nessa mesa aqui, qualquer um que tenha mais de 5 mil downloads por mês. Tem lugar nessa mesa aqui. Eu tenho 150 mil. Eu fiquei quieto na minha, lá. E aí um dos caras que fazia podcast, ele vai contar a história, o case dele. Ele tem um podcast que tem 3 mil downloads por mês. O que é nada, é nada, é nada, é nada.

Alexis: É.

Luciano: E tem o patrocínio da Dunkin’ Donuts, que é um puta patrocínio, né?

Alexis: Sim. Sim.

Luciano: Eu digo: pô cara, como é que você consegue com 3 mil downloads ter um patrocínio da Dunkin’ Donuts? Aí o cara vira, dá uma olhada e me escuta. Aí ele dá o perfil, ela havia sido escutado por um CEO, aquela coisa toda. Então há uma valorização em ter um business. Ele consegue viver daquilo.

Alexis: Aham.

Luciano: Com um negócio que no Brasil, não aconteceria nada com isso aqui, com 3 mil. Então, ele consegue comprar um carro de um jeito que o brasileiro não consegue comprar. Ele compra uma casa de um jeito que o brasileiro não consegue comprar. Ele faz negócio de uma forma que a gente não consegue fazer. E a gente aqui tem… quer dizer, eu tenho que lutar com a minha incompetência como… como executivo ou como empreendedor para fazer um produto bom, etc. e tal. E ao mesmo tempo, lutar contra uma estrutura que parece que é criada para me desmotivar, né cara?

Alexis: É.

Luciano: Ela quer que eu me desmotive, né?

Alexis: É.

Luciano: E, por outro lado, essa estrutura é que devia estar fazendo o Brasil florescer. E ela está apontando para baixo. Ninguém enxerga isso, cara?

Alexis: Cara, eu acho que ninguém enxerga. Porque até toda a parte, todas as pessoas que estão lá em Brasília né, deputado federal ao senador, essa turma que está cuidando, vamos dizer, de fazer leis mais… eles estão com a vida tão garantida, né? Os funcionários públicos estão com a vida tão garantida, que eles simplesmente ignoram essa geração. Mas eu… eu falo que isso está cada vez mudando mais, porque a tensão social no Brasil está aumentando, aumentando, aumentando, pela geração de desemprego que vai… né? Cada vez mais gente sem… desalentada, sem emprego, que foi gerada pelo próprio Estado. Eu falo que a maior máquina de exclusão no Brasil é o Estado brasileiro. Quando você tem um sistema tributário que ninguém tem a menor noção de como funciona.

Luciano: Aham.

Alexis: Quando você tem para apurar uma simples folha de pagamento. Nos Estados Unidos você fala assim: quanto custa? Eu ganho 10 dólares por hora. Quantas horas você trabalhou? 10? 100 dólares.

Luciano: Tchau.

Alexis: Vira as costas e vai embora. Aqui no Brasil, pera aí que tem o 13º, tem o fundo de garantia, tem multa sobre rescisão. Pera aí que tem descanso semanal remunerado. Pera aí que tem que calcular. Não. Tem hora extra. Tem adicional noturno.

Luciano: Pera aí, pera aí, Alexis, eu quero fazer um negócio com você. Como PJ. Eu vou fazer como PJ.

Alexis: PJ?

Luciano: E aí eu sou acusado de estar dando um balão…

Alexis: Um balão…

Luciano: Quando eu não pagar imposto. E você também é acusado de estar…

Alexis: Não, mas aí os hipócritas que falam isso, você vai ver é tudo pejotinha na Rede Globo. Tudo pejotinha…

Luciano: Sim.

Alexis: No sindicato. É um bando de hipócritas, tá certo?

Luciano: Aham.

Alexis: Só serve para eles. Mas o que eu falo? Quando você começa com essa coisa, você começa a jogar gente para fora da sociedade.

Luciano: Sim.

Alexis: Vai excluindo, vai excluindo. Agora, eu falo muito claramente: ninguém vive de fotossíntese. Não tem jeito. As pessoas precisam. Então a tensão está aumentando, está aumentando. E agora os políticos estão percebendo que está fora do controle. A violência no Rio de Janeiro é fora do controle. Nem com intervenção militar eles não resolvem. De novo, atacando a?

Luciano: Consequência.

Alexis: Consequência.

Luciano: Sim.

Alexis: Cadê a causa daquilo? Gera um ambiente bom, de empreendedorismo, deixa as pessoas se virarem, deixa as pessoas crescerem, montar negócios, né? Tenha linhas de crédito adequadas para esse tipo de coisa, a gente começa a incluir gente. As pessoas querem trabalhar.

Luciano: Aham.

Alexis: As pessoas não querem ficar assaltando, roubando. Aquilo lá não é o negócio. Tem uma justiça que as pessoas acreditam, de fato, que ela é justa. Olha o que está acontecendo com esse bando de recursos intermináveis para esses bandos de políticos que foram pegos aí, que não vão, não ficam na cadeia, cara. Não ficam. O Zé Dirceu está solto.

Luciano: Aham.

Alexis: Isso é um mau exemplo. Ou é um exemplo para aqueles que acham que podem, para poder avançar para cima disso. Então eu acho que essa coisa que você fala, Estado, governo, que é insensível a… e não percebe o valor que é o empreendedorismo. O primeiro grande gerador de oportunidades. Seja dentro do negócio dele, seja negócios que vão ajudar o negócio dele. Porque você monta um negócio, você precisa também de outro serviço. Você precisa de outros produtos.

Luciano: Claro. Começa a girar a roda.

Alexis: Um círculo virtuoso.

Luciano: Sim.

Alexis: Virtuoso. Mas aqui no Brasil, você começa um negócio, você já está devendo antes. Aqui no Brasil tem um negócio fantasticamente nocivo que chama-se substituição tributária. Onde você nem vendeu, você já paga o imposto. Quer dizer, o fato gerador não ocorreu.

Luciano: Sim.

Alexis: E você já está pagando imposto adiantado. Aqui no Brasil você paga imposto antes de receber. Aqui no Brasil você paga imposto sobre faturamento, não sobre o valor agregado.

Luciano: Aham.

Alexis: Quem… ME, lucro presumido. Aquelas empresas que estão naquela forma simplificada.

Luciano: Aham.

Alexis: Quem disse que elas estão tendo lucro? Quem disse que elas estão tendo lucro? Mas o governo vai cobrar sobre o faturamento. Você faturou R$100.000,00 esse mês? Vai pagar por volta aí de 20, R$30.000,00 de impostos, em todas as categorias.

Luciano: Para você que não fez a conta, que não sabe o que está acontecendo. Pega o lápis que está na tua mesa aí. Esse lápis, ele paga o imposto na matéria prima do lápis, que é a madeira. Ele paga imposto na tinta que pintou o lápis. Ele pagou imposto no grafite do lápis. Ele pagou imposto na mão de obra que fez o lápis. Ele pagou imposto no transporte do lápis. Ele pagou imposto em tudo isso aí. E você tem uma loja de venda de material escolar que comprou esse lápis da fábrica e vai vender esse lápis para o consumidor final. E vai pagar imposto sobre o lápis inteiro de novo. Então vai ter imposto em cima do imposto. É uma cadeia que você fala, quando você pega o lápis: quanto é o lápis em si? O lápis é R$1,00 e de imposto, ele tem mais quatro, né? Só que isso é escondido. É uma conta escondida, que a gente não consegue…

Alexis: Não, tem uma coisa mais nociva ainda. Você vai comprar uma máquina. Vai montar uma fábrica.

Luciano: Sim.

Alexis: Vai comprar uma máquina que faz coxinha, que faz pastel, você paga um imposto sobre isso. Quer dizer, para você gerar emprego no Brasil…

Luciano: Sim.

Alexis: Para você girar a economia, você está pagando imposto. Então, o imposto está em tudo.

Luciano: Você está querendo ficar rico sozinho?

Alexis: Não, não, não. Mas é no consumo.

Luciano: Você está querendo ficar rico sozinho? Seu explorador.

Alexis: É. É.

Luciano: Você quer isso cara, você quer ficar rico sozinho. Quer comprar a máquina e não pagar imposto e pagar a tua parte.

Alexis: Isso.

Luciano: Para ficar rico sozinho e todo mundo sofrer em volta, seu capitalista nojento.

Alexis: Selvagem. Mas aí, o que acontece? O imposto, ele tinha que ser pago sobre o que você agregou de valor.

Luciano: Sim.

Alexis: Aqui no Brasil, até para você fechar uma empresa falida você paga imposto. Se o cara quebrar, ele paga imposto.

Luciano: Volta no lápis ali. O que ele está dizendo aqui é o seguinte: eu comprei o lápis, chegou o grafite, chegou a madeira e chegou a tinta. Eu sou o cara que monta o lápis. Eu faço o lápis. Eu vou pagar imposto só sobre o serviço que eu apliquei. Eu não pago de novo o imposto sobre a matéria prima, sobre a tinta e sobre nada. É só… quanto custou eu montar o lápis? Custou 10, então o imposto é sobre os 10. Os outros 8, que foi o custo não tem mais imposto.

Alexis: Não agrega valor…

Luciano: Mas mesmo assim…

Alexis: Não…

Luciano: Junta tudo, eu pago em cima dos 18.

Alexis: De novo.

Luciano: De novo e de novo e de novo.

Alexis: Não. E tem uma sacanagem ainda, brasileira, no Brasil, para… nesse sentido os caras são cretinos. São bons mesmo. É profissional. O ICMS, ele é chamado embutido. Por dentro.

Luciano: Sim.

Alexis: Então, como é que você vai calcular? Esse teu lápis, que você está falando, vamos dizer que custe R$10,00. Vamos fazer um lápis caro, aqui, R$10,00. Aí tem 18% de ICMS, tá certo?

Luciano: Aham.

Alexis: Então, você acha que você vai pagar apenas 18%. Não. Não. Desculpe te falar, mas é o seguinte: para você calcular o ICMS de 18%, você tem que jogar o imposto de 18% para dentro do preço, do custo todo.

Luciano: Aham.

Alexis: Agora você tem uma base de 118. E agora sim, você calcula os 18%.

Luciano: Que é igual a dividir por 0,82, não é isso?

Alexis: Exatamente. Divide por 0,82, você vai conseguir…

Luciano: Então não é 10 vezes 18…

Alexis: Não.

Luciano: Com 18%.

Alexis: Não, não.

Luciano: É 10 dividido por 0.82, que vai dar mais do que 18.

Alexis: Sim. Que é…

Luciano: Dá mais de 5.8, né?

Alexis: Sim. Porque daí você incorpora os 18…

Luciano: Sim.

Alexis: E calcula os 18 sobre os 18. Então, primeiro, para calcular preço de venda já é complicado.

Luciano: Aham.

Alexis: E as pessoas que acham que estão pagando 18, não tem a menor ideia que estão pagando 25% mais ou menos.

Luciano: Sim. Sim.

Alexis: Então é esse o ICMS. Quando você está dentro do estado, em algumas condições adequadas. Quando é substituição tributária, pode ir para 35, quando o estado é de 12% o ICMS.

Luciano: Aham.

Alexis: E para 53, quando você exporta ou vende para um estado que tem ICMS de 7%.

Luciano: Sim. Essa é outra característica, quer dizer, cada estado define o seu ICMS.

Alexis: É.

Luciano: E quando você cruza… quando você cruza a barreira entre um estado e o outro, a coisa muda de figura, né?

Alexis: Mas…

Luciano: Fazendo com que muita gente exporte, né? A minha fábrica é em São Paulo, mas o CD, o Centro de Distribuição é em Minas Gerais. E faça aquela briga gigantesca ali.

Alexis: Agora, nós estamos falando de imposto. Mas no fundo, nós estamos falando no quanto tudo isso é nocivo para o empreendedor.

Luciano: Claro. Claro.

Alexis: Naquele vídeo do caminhão que você estava mencionando, eu começo num trecho dramático, porque eu falo: eu não sei botar preço no meu produto.

Luciano: Aham.

Alexis: O sistema tributário brasileiro, ele é tão ruim e tão nefasto que até empresas que estão vendendo aí no marketplace, só vão botar o preço no produto quando o cliente definir o estado que ele é.

Luciano: Aham.

Alexis: Porque dependendo do estado que ele é, vai incluir ou não imposto, se tem substituição tributária, se tem diferencial de alíquota para o estado. Aí você define um preço. Quer dizer, olha assim, a insanidade do sistema tributário, que atrapalha o empreendedor para botar preço. Para botar preço.

Luciano: Como é que você se planeja numa situação dessa?

Alexis: Não tem planejamento, cara.

Luciano: Como é que você planeja?

Alexis: Deixa a vida me levar, leva eu e olha aí, cara.

Luciano: Aham.

Alexis: E é por isso que… e aí, você fala que os grandes – no começo da nossa entrevista – nós temos grandes empreendedores e tal, não sei o quê. Eu vou falar uma coisa: os filhos dessa turma está a fim de pegar o dinheiro e ficar na praia.

Luciano: Aham.

Alexis: Ninguém… não tem mais essa… essa doença de querer passar por tudo isso para ganhar dinheiro. Porque você põe no mercado financeiro, não sei o que, paga bem no Brasil.

Luciano: Aham.

Alexis: Risco zero. E o cara fica na praia.

Luciano: Eu tinha uma amiga que resolveu montar com o marido uma loja, em Porto Alegre. Uma loja de alimentos veganos. Então fizeram um estudo lá e falaram: pô, o mercado está crescendo, etc. e tal. Eu acho que dá para fazer, montar uma loja legal. Pa-pa-pa. Fizeram todo o cálculo e descobriram que se eles pegassem aquele dinheiro e aplicassem no banco, eles iam ter mais dinheiro sem fazer nada, do que montando a própria empresa. E assim, desistiram. Não deram emprego para dois balconistas. Não deram. Não compraram. Pa-pa-pa.

Alexis: Não compraram equipamentos.

Luciano: Sim.

Alexis: Não compraram. Não reformaram a loja.

Luciano: Não pagaram aluguel para o dono da loja.

Alexis: Olha tudo de virtual que eles podiam ter feito.

Luciano: Sim.

Alexis: Todo… quer dizer, toda a coisa boa que podia ter acionado a coisa.

Luciano: Aham.

Alexis: Então, eu falo: que no Brasil, nós precisamos reverter isso drasticamente.

Luciano: Aham.

Alexis: Nós precisamos trocar de Congresso Nacional, para pessoas que estão… que já fizeram alguma coisa na vida privada.

Luciano: Sim.

Alexis: Pessoas que têm experiência de vida. Porque quando eu vejo aquele Congresso Nacional, pô, é tudo fióte já, né? Bem falando do interior de São Paulo: fióte de político…

Luciano: Fióte de jararaca.

Alexis: Fióte de jararaca. Que nunca bateu um prego. Os caras nunca tiveram um emprego. E quando contratam… como aquela ministra, filha do Roberto Jefferson lá, quando contratam, já não pagam direito trabalhista. Ministra do Trabalho, hein?

Luciano: Sim.

Alexis: Não tem trabalho, trabalhista, manda embora sem… não tem nada. Quer dizer, é de uma… assim, é de uma… longe da realidade. Totalmente insensível…

Luciano: Aham.

Alexis: À necessidade que nós temos aqui no Brasil. Nós temos que trocar isso urgente. Gente que vá lá e tenha noção.

Luciano: Cara, quando você levanta essa… nós estamos falando aqui de um aspecto, que é o aspecto da gente como empreendedor, querer fazer que nossos negócios funcionem, deem certo, etc. e tal. Isso é um lado. Nós não estamos falando de saúde. Nós não estamos falando de segurança. Nós não estamos falando de educação. Nós não estamos falando nada. A gente está falando de um, um, um momento…

Alexis: Aham.

Luciano: Que é evidentemente… se a gente acerta a questão do empreendedor na economia, a gente cria um círculo virtuoso que automaticamente ajuda a melhorar isso tudo.

Alexis: Muito.

Luciano: Mas não estamos falando desses outros problemas, né? Cara, não é melhor soltar uma bomba de nêutrons aqui, zerar e começar de novo?

Alexis: É, pois é, né? Isso aí é uma coisa idealizada, que depois tem que botar a casa em ordem também, né? Porque depois vai faltar gente para botar a casa em ordem.

Luciano: Eu quero dizer o seguinte: você tem dimensão do tamanho que o problema é, cara? Imagina o seguinte…

Alexis: Eu, eu…

Luciano: Imagina o seguinte, imagina o seguinte: ganha nas eleições agora o melhor nome que a gente pudesse ter no Brasil. Não importa que é.

Alexis: Tá.

Luciano: Ganha o melhor cara que a gente podia escolher.

Alexis: Tá.

Luciano: Ganhou esse cara. Ele se senta em Brasília, no primeiro dia. Entra na sala e fala assim: sai todo mundo. Senta na cadeira. Respira. Vou começar. Abre a porta, entram quatro banqueiros, sentam junto dele e falam: fica quieto, que nós vamos mostrar como é que é o jogo. Daí os caras mostram a regra do jogo e o cara descobre que tudo aquilo que ele achou que ele ia fazer, não sei se ele vai conseguir fazer. Porque é tão grande a encrenca.

Alexis: Além de ser grande…

Luciano: Cara, e mais uma coisa. Só mais um ponto aqui. Além do problema em si, tá cheio de neguinho jogando contra.

Alexis: Isso. Isso que eu ia falar agora.

Luciano: Cheio de neguinho jogando contra.

Alexis: Está tudo aparelhado. Está tudo aparelhado. Agora, o que nós vamos fazer? Eu fico imaginando isso. Eu fico imaginando isso. Então o cara, pô, amanhã vamos lá para o Congresso Nacional, não, vamos colocar o Alexis agora como Ministro da Indústria e do Comércio.

Luciano: Sim.

Alexis: Para poder colocar lá. Aí eu chego no primeiro dia, aí fala: ah, doutor aqui nada funciona. Aqui é parado, não dá, não sei o quê. Não, não, agora vai funcionar. Vou botar metas, nós vamos fazer essa coisa funcionar. Vamos cortar procedimentos. Porque ganhar eficiência não é botar robô. É trocar um monte de etapas que são desnecessárias e deixar bem curtinho.

Luciano: Fazer o certo.

Alexis: Fazer…

Luciano: A coisa certa, do jeito certo.

Alexis: Do jeito certo.

Luciano: Para dar certo.

Alexis: Exatamente. Então, questionar esse procedimento e tal e desmontar essa burocracia. Vai ter resistência? Mas eu não tenho a menor ideia.

Luciano: Sim.

Alexis: Dúvida sobre isso. A menor dúvida sobre isso. Isso vai custar para nós? Vai. Porque tem essa estabilidade. Tanto que uma das coisas mais assim, proeminentes, mais urgentes que a gente tem que votar no Congresso Nacional é o fim da estabilidade do funcionário público.

Luciano: Sim.

Alexis: Ou o cara entra na conversa, no jogo e faz acontecer ou ele está fora.

Luciano: E prova o valor que tem.

Alexis: Ou ele está fora.

Luciano: Sim.

Alexis: Tem muita gente boa no setor público, eu não tenho a menor ideia, né? Tanto que muitos entraram no Novo, porque eles estão percebendo que aquilo está fazendo muito mal para o Brasil.

Luciano: Aham.

Alexis: Que precisa mudar. Então você tem que ver como tem funcionário público lá no Novo.

Luciano: Então, deixa eu dar uma pausa para mim agora, que eu preciso fazer um break aqui agora aqui. É uma coisa que me preocupa desde o começo do programa aqui, que depois os caras vêm com uma conversinha toda. Você soltou um Novo no meio do caminho.

Alexis: Ah tá.

Luciano: Deixa eu só esclarecer o que está acontecendo aqui. O Alexis veio aqui como um cara para falar de empreendimento.

Alexis: Tá.

Luciano: Empreendedorismo, etc. e tal, né? Eu vou descobrir na hora que ele senta para conversar comigo, que o bicho vai sair candidato e candidato pelo Novo. Até então, eu não fazia ideia que você estava nesse jogo. Outro dia também, eu entrevistei mais alguém que também, que no final falo: não, cara, eu vou sair para deputado.

Alexis: Claro.

Luciano: Pô, as ideias são legais. Tudo fantástico. Tudo… eu não fazia ideia que era. Eu falei: já que vamos entrar, eu vou fazer na abertura do programa eu vou falar isso tudo, para depois não vim neguinho: os caras ficam conversando, depois chega no final, vender a…

Alexis: Vem uma emo aí…

Luciano: É. Então é bom eu esclarecer. Eu já falei no começo do programa e estou esclarecendo de novo aqui, né? Vamos continuar ali. Quer dizer, você… você… você então, num determinado momento, você olha para isso tudo e fala: cara, eu vou ter que agir de uma forma mais ampliada para poder fazer com que essas ideias andem. Você descartou ir lá para a FIESP fazer barulho lá, de fazer acontecer lá, assumir alguma coisa lá e começar a revolucionar por lá.

Alexis: Não, mas lá eu sou até diretor lá, adjunto, lá.

Luciano: Aham.

Alexis: Eu fui convidado recentemente lá e eu participo de reuniões. Mas eu acho que a FIESP, ela tem um conflito de interesses muito grande. Ela recebe dinheiro, do Sistema S para poder tocar tudo aquilo lá. Então, ela tem dificuldade em ser crítica ao governo. Ela tem dificuldade em lutar pela pauta. Também tem uma coisa aqui, que eu acho que muito industrial vai querer dar tapa na minha cabeça. Mas a verdade é a seguinte: industrial brasileiro, ele gosta de reserva de mercado. O negócio dele cara, é conseguir ter coisas para poder proteger o mercado dele. Ele não gosta de livre mercado. Ele não gosta de liberdade. Ele quer, ele fala assim: quer tarifa de bloqueio à importação. Ele quer dificultar a vida de quem vai trazer.

Luciano: Quando…

Alexis: Vai tirar o radar no Brasil, para você ver o que você…

Luciano: Quando ele é pequenininho, ele gosta.

Alexis: Ah, aí ele fala, é o discurso dele…

Luciano: Até chegar lá em cima. Consolidou. Ele não gosta mais?

Alexis: Não. Odeia, odeia. O negócio dele é: põe barreira aí para o aço, põe barreira para o cimento, põe barreira para o têxtil, põe barreira para tudo.

Luciano: Aham.

Alexis: Ah, mas é porque a gente é muito ruim, não tem competitividade. Então o chinês vai entrar, o americano vai entrar, vai arrebentar o mercado brasileiro. Bom, então nós temos que fazer a nossa lição de casa.

Luciano: Sim.

Alexis: Então nós temos que consertar a nossa casa e não ficar botando barreira no dos outros. Ah, mas o chinês lá, ele não paga nada. Ele escraviza, não sei o quê. Então põe uma taxa de escravidão lá.

Luciano: Sim.

Alexis: Para poder equalizar. O que não dá é nós estragarmos o nosso mercado, fazer uma confusão aqui dentro, virar um troço completamente fora do contexto global…

Luciano: Sim.

Alexis: E depois querer ficar bloqueando os mercados para proteger o mercado. Proteger o mercado brasileiro, a gente sabe muito bem que porcaria que dá. Era aqueles Itautec, aqueles computadores lixo que a gente tinha, quando não tinha reserva de mercado, enquanto o mundo inteiro estava evoluindo. Era um contrabando sem fim do Paraguai e dos Estados Unidos, que vinha todo mundo e trazia plaquinha, não sei o quê…

Luciano: Aham.

Alexis: Para montar computador. Reservou, meu amigo…

Luciano: Escuta. Escuta uma coisa que eu escrevi num cafezinho um tempo atrás. Eu vou ler só um trechinho para você aqui.

Alexis: Tá.

Luciano: Eu estou falando aqui que o Brasil está uma confusão, etc. e tal. E estou dizendo aqui, o seguinte, que são dez… foi meu amigo Pejon que escreveu isso aqui. Eu peguei e fiz um programa em cima, né? Que são 10 mega confederações nacionais empresariais, 10, 10. E entre essas 10 estão ali, olha: Confederação Nacional Agropecuária, Confederação Nacional da Indústria, Confederação Nacional do Comércio, Confederação Nacional das Cooperativas, Confederação Nacional de Transporte, Sistema Financeiro do País, Comércios de Bens e Serviços, Comunicação, segmento de saúde, etc. e tal. Então ele diz o seguinte, cara: 10 confederações detêm 90% do PIB do Brasil. Têm 10 presidentes das confederações, que se se juntassem num lugar, numa sala e falassem: eu vou botar ordem nesta merda. Esses 10 botariam, né?

Alexis: Botariam.

Luciano: Pouca gente.

Alexis: Muito pouca.

Luciano: São pessoas…

Alexis: Gabaritadas.

Luciano: Gabaritadas.

Alexis: Sim. Sem dúvida.

Luciano: Com poder de pressão fenomenal. Com os lobby pesado lá.

Alexis: Perfeito.

Luciano: E não consegue.

Alexis: Não, não consegue…

Luciano: Ou não quer?

Alexis: Ah, então, eu… eu acho o seguinte, cara, tem que fazer, e vamos fazer acontecer mesmo. E botar pressão. E expor a situação. Essa gente está perdendo dinheiro. Esse pessoal está percebendo que a coisa está ficando muito feia.

Luciano: Aham.

Alexis: Porque sindicalista não produz. Eu estava vendo uma apresentação outro dia do Luiz Felipe Orleans e Bragança. Ele estava falando das oligarquias, que o Brasil sempre foi tocado por oligarquia. Então tinha do café, da agricultura, tinha da pecuária, tinha dos industriais, tinha não sei o que, a última oligarquia é dos sindicatos. Por incrível que pareça é a única que não produz.

Luciano: Aham.

Alexis: Por pior que seja uma oligarquia do café, do leite, da indústria, eles estão defendendo a produção.

Luciano: Sim.

Alexis: Estão gerando no campo. Estão gerando na indústria, não sei o quê. O sindicalista não. Agora, essa turma está percebendo o seguinte, sabe por quê? Porque agora nós estamos vendo o movimento dessa turma se organizando. Por que o que acontece em Brasília? Em Brasília você tem bancada da bala, você tem bancada evangélica, você tem bancada do PCC, você tem bancada… tudo que é bancada. Não tem bancada da indústria. Não tem bancada do comércio.

Luciano: Aham.

Alexis: Tem cabimento um negócio desses? Que a gente não tem representatividade lá?

Luciano: Aham.

Alexis: Tem cabimento esse tipo de relação? Eu acho que a gente tinha quer ser muito mais atuante. Pessoas que tocam indústria, empreendedores têm uma visão mais sistêmica do todo. A gente… está vindo agora um negócio… o eSsocial já veio e ninguém segurou essa porcaria desse eSocial.

Luciano: Aham.

Alexis: Isso aí sim, é quase que uma escravidão de quem tem funcionários domésticos e agora, os funcionários nas empresas. É um horror aquele eSocial. Bom, agora vão vindo com o Bloco K. O Bloco K é o controle do estoque online que o governo precisa ter de todas as empresas do Brasil. A Coca Cola já avisou que não abre a fórmula dela. Um monte de empresa falou: isso aqui é segredo industrial, eu não vou abrir. O governo falou assim: vocês vão ter que fazer, senão vocês vão levar multa. Sabe por quê? Porque o governo quer dar a multa não é com o fiscal indo lá e fazendo conferência. Ele vai botar um supercomputador da Receita, os algoritmos. E se não bater uma coisa, a multa já vai sair como se fosse multa de trânsito, cara. Ela vai assim: tchuf.

Luciano: Aham.

Alexis: Você vai pagar multa. É uma indústria da multa. É uma indústria da multa. E isso está acontecendo de modo que os empreendedores… não compensa mais, cara. Eu, numa pequena indústria como a minha, não tenho capacidade de montar agora mais uma estrutura para atender ao governo, para poder ficar alimentando o tal do Bloco K. O eSocial, eu já tenho que aumentar funcionários e o custo, para poder ficar alimentando aquele sistema. A empresa praticamente vai virar um departamento do governo, até ela quebrar.

Luciano: Aham.

Alexis: Porque a hora que ela quebra, não vai precisar mais desse departamento. Você está entendendo como o governo está enfiando coisas e obrigações para dentro do empresário, que ele não tem jeito. Só vai sobrar grandes corporações, que têm escala para aquilo. O pequeno não vai ficar de pé, cara, não vai.

Luciano: Alexis, esse aqui é um programa… é um programa de liderança e empreendedorismo, tá? O que nós podemos fazer a respeito, cara? Eu, pobre de mim, coitadinho aqui, que sou…

Alexis: Não, você já tem uma voz. Você tem uma voz, cara.

Luciano: O que nós podemos fazer?

Alexis: A tua voz está indo. A tua voz está indo. Eu, o pessoal pergunta: Alexis, quem que você é? Eu falo: eu sou um cidadão comum, com atitude. Eu sou um cara que vai falar. Talvez vou levar bordoada aqui e ali.

Luciano: Você não se meteu…

Alexis: De ativistas…

Luciano: Você não se meteu em política ainda?

Alexis: Não.

Luciano: Você nunca foi político de nada?

Alexis: Não. Nada, nada.

Luciano: Você faz ideia do que é?

Alexis: De nada…

Luciano: Você faz ideia do que você vai enfrentar?

Alexis: Não tenho ideia. Mas sabe o que acontece? Política a gente já faz na vida o dia todo. Agora, quando vierem aquelas pessoas que querem manipular. Quando vierem aquelas pessoas que querem fazer aquelas conversas, eu falo que o melhor remédio é um sol batendo, transparente em cima das pessoas, porque esteriliza absolutamente tudo.

Luciano: Aham.

Alexis: O que nós temos que começar a fazer é começar a formar uma bancada boa lá, de pessoas adequadas e começar a expor as coisas. Hoje você tem mídia, você tem Facebook, você tem o diabo, cara. Então, o que acontece? Você pode revelar as organizações, o que está acontecendo, de modo que as pessoas tentam manipular os outros. Talvez eu seja um idealista.

Luciano: Aham.

Alexis: Talvez eu seja um Dom Quixote. Talvez eu seja um cara… eu estou fazendo a minha parte.

Luciano: Esses são os caras que mudam o mundo. Esses são os caras que mudam o mundo.

Alexis: Eu sempre falo…

Luciano: Maluco assim.

Alexis: Eu não tenho… então, você já viu estátua de alguém comum ou algum comitê em alguma praça?

Luciano: Não.

Alexis: Você só vai ver busto de maluco.

Luciano: Voltamos aos Kasinski da vida, aos Mindlin da vida, aqueles caras da vida.

Alexis: Aquele Kasinski é o mais de todos.

Luciano: Sim.

Alexis: Porque ele, depois de vender aquilo, brigou com tudo. Montou uma fábrica de motos.

Luciano: Sim.

Alexis: O cara realmente…

Luciano: Sim.

Alexis: Ele é fora da curva, né?

Luciano: Sim, sim, sim.

Alexis: Impressionante.

Luciano: Deixa eu… eu… eu não sei se você viu, mas a Marta Suplicy desistiu de ir para a reeleição. Não vai mais. Então, o Ronaldo Azevedo chamou, ela foi no programa ser entrevistada por ele. Ele começa falando o seguinte: Dona Marta, quando todo mundo quer entrar, a senhora, que tem na mão a reeleição praticamente garantida, para mais oito anos, resolve que vai sair. Vai sair por quê? O que houve? Ela falou: eu vou sair porque eu cansei, cara. Cansei de gastar a minha energia. Cansei. Pode ter a crítica que quiser com ela lá. Mas ela é uma das que agitou. Que pinta e borda. Que é aquilo que eu te falei, que eu disse que eu trazia aqui, é gente que faz acontecer, né? Pinta, borda, faz acontecer. Ela falou: eu cansei. Cansei de brigar com os ignorantes. Cansei. Enchi o saco. Eu concluí, que talvez, eu possa ajudar mais do lado de fora. Estando aqui do lado de fora, né? E se eu entendi, ela é capaz de voltar para a mídia, de fazer programa etc. e tal. E usar a voz dela não estando lá dentro e fazer acontecer, né? Mas você falou uma coisa aí que para mim é fundamental, cara, que talvez, se a Marta fizer, vai ser genial. Ela vai prestar um serviço para o Brasil genial. Que é acender essa luz em cima e falar: cara, vamos deixar transparente o que está acontecendo aqui? Espera um pouquinho. Eu estava lá dentro. Eu sei como é que funciona. E eu vou te contar como é que é. Quem está lá dentro não pode fazer isso. Você estando lá dentro, você não consegue fazer.

Alexis: Por quê?

Luciano: Eu vou te dar um exemplo…

Alexis: Não…

Luciano: Não. Eu vou te dar um exemplo…

Alexis: Você falou de rabo preso lá…

Luciano: Pera aí… eu vou te dar um exemplo. Eu vou te dar um exemplo. Eu estive com o Índio da Costa.

Alexis: Sei. Lá do Rio de Janeiro.

Luciano: Deputado do Rio de Janeiro, etc. e tal. Um pouquinho antes de ele ser chamado para fazer… ser vice-presidente na chapa do… do… na eleição… bom…

Alexis: É…

Luciano: Etc. e tal. Mas vamos lá. E ele pega e está comigo, mostra o trabalho dele. Ele queria que eu ajudasse ele a divulgar um projeto que ele tem – muito legal – de administração com base em fatos, né? Computadores trazendo fatos e fazer o cálculo. Onde é que eu vou botar uma ambulância nova? O computador te diz onde é que vai. Um negócio muito interessante, né? E nesse processo todo, eu fui à Brasília, encontrei com ele. Ele me levou, eu passeei lá dentro com ele. Conheci aquilo tudo. A gente sentou para almoçar, ele contando as coisas. Eu falei para ele: Índio, por que você não sobe lá na tribuna, cata o microfone e solta o verbo e detona isso tudo que você sabe que tem lá?

Alexis: Hã?

Luciano: Ele falou o seguinte, cara: no momento que eu fizer isso aí, a partir desse momento, eu nunca mais consigo aprovar um palito de dente aqui dentro. E as armas que eu tenho para fazer acontecer, deixam de existir, eu vou virar um pária. Nada mais vai andar. E eu não consigo contribuir com mais nada, porque lá atrás eu chutei o pau da barraca, né? E naquele momento ele passou para mim a impressão que era o seguinte: cara, eu estou sozinho. Eu sou um. Comigo, deve ter mais dois ou três. Mas naquela máquina de 500, nós dois ou três vamos ser esmagados. E a gente não vai poder passar, porque a gente arrebentou, quebrou a vidraça e mostrou a sujeira que estava lá e nós fomos trucidados. E fomos expelidos do sistema, né? Eu imagino que seja assim realmente que acontece. E imagino que um cara idealista como você, quando entrar ali, vai dar de cara com essa estrutura gigantesca, que vai estar disposta a te sacanear. Isso é um ponto. Segundo ponto, segundo ponto: se você não estiver sozinho, a coisa começa a mudar de figura. Então, quando a gente começa a falar que nós temos que trocar esses caras, que nós temos que fazer uma limpeza lá. E eu até ouvi uma coisa interessante, que foi até o próprio Bolsonaro falando. Ele disse o seguinte: se você votar em mim e votar em deputado do PSOL, não resolve nada.

Alexis: Isso.

Luciano: Porque você vai botar eu lá em cima e vai botar os caras que vão me amarrar, né?

Alexis: Isso.

Luciano: Então cara, vamos fazer uma… uma coisa consciente. Quer dizer, na hora eu for, se eu vou pela limpeza, eu vou pela limpeza de cabo a rabo. Eu quero trocar tudo que tem lá, né? Porque você não pode ir para lá sozinho. Você vai ser esmagado e vai ser trucidado. E aquela pergunta que eu te fiz anteriormente, ainda vale de novo, né? Você faz ideia do tamanho da encrenca que te espera, cara? Se você…

Alexis: Não, não faço. Eu não faço ideia. Mas eu tenho essa… essa ideia que você estava comentando aí, me passa na cabeça também. Então, eu sempre falo que sozinho realmente ia ser muito difícil de fazer. Agora, vai ter um canto novo naquela tribuna.

Luciano: Aham.

Alexis: Vai ter uma voz diferente naquela tribuna. Vai começar a chamar a atenção. Então, se a gente começar a formar uma bancada boa, começar a pegar comissões, presidências de comissões, esse tipo de coisa. Se houver uma renovação fraca, realmente vai ser bem difícil. Agora, a mudança começa com o primeiro passo.

Luciano: Aham.

Alexis: Não tem jeito, né? Roberto Campos falou uma frase, que eu achei muito boa. Eu tenho lá umas reportagens antigas dele. Ele falou assim: eu fui lá para querer mudar e tal, não sei o quê. Quando eu percebi aquilo, eu mudei a minha estratégia. Eu estou aqui só para não deixar piorar. Eu achei ruim. Mas ele é um cara extremamente inteligente, né?

Luciano: Sim, sim.

Alexis: Um cara consciente. E aquilo me faz chamar a atenção. Porque na verdade, a gente tem que ir lá não só para segurar a máquina. A gente tem que tentar mudar essa máquina.

Luciano: Aham.

Alexis: Eu acho que essas mídias sociais novas agora, a gente começa a criar um novo efeito.

Luciano: Sim.

Alexis: Que é o efeito que o Trump está fazendo isso. O Trump está chamando a opinião pública para ele.

Luciano: Sim.

Alexis: Para colocar os congressistas contra a parede, se eles começarem a chantagear o Trump. Então a gente até certo ponto, com essas páginas com grandes visualizações, com uma presença boa, a gente pode começar a fazer isso: eu estou falando isso e ninguém está querendo saber.

Luciano: Aham.

Alexis: Cobre dos outros. Porque uma eleição vem atrás da outra.

Luciano: Aham.

Alexis: Então na próxima à turma vai falar: ele, ele, ele. E começa a mudar. Começa a expor. Por isso que eu falo que a luz é um santo remédio para né, assepsia…

Luciano: Sim…

Alexis: Assepsia do ambiente. Por que…

Luciano: Sim. Eu acho que esse é um componente. Por isso que eu digo: essa eleição aqui é única. Nunca teve nada igual no Brasil. Eu não sei se vai ter outra igual a essa, desse momento aqui.

Alexis: Aham.

Luciano: Porque ela acontece num momento de transição, onde acaba o dinheiro das campanhas. A campanha dura 30 dias.

Alexis: Isso.

Luciano: Tem uma mídia social gigantesca que ninguém sabe como é que funciona. Não dá para lidar com ela.

Alexis: Tratar. Não sabe.

Luciano: Ela é inadministrável, essa…

Alexis: Isso.

Luciano: Essa coisa. E a gente não sabe o que vai acontecer. Então, você vê as pesquisas aí, fala: olha, eu não sei se essa pesquisa é algo que está aparecendo aí.

Alexis: É.

Luciano: Porque o que eu converso é outra coisa. Ah, mas você está num núcleo só. Sim. Mas meu núcleo não é pequeno, cara. É um núcleo grande, sabe? Então pode dar algumas coisas interessantes. E teve algumas experiências que eu vi acontecerem ao longo do tempo. Eu não consigo me lembrar do caso, quem é que foi, cara. Mas eu acho que foi com algum ministro do STF. Não me lembro quem foi. Que o sujeito marcou uma reunião com ele. Era uma raposa velha. Marcou uma reunião com ele e essa raposa velha ia lá. E quando ele chegou na reunião, ele estava lá com tudo aberto, com um monte de gente em volta. O cara sentou. Ele falou: bom, vamos conversar? Vamos. Mas é com todo mundo aqui. Aí o público e a imprensa vai estar olhando.

Alexis: Certo.

Luciano: Pode falar o que você tem para falar para mim. Aí acabou a conversa. Não tem nada de… não tem nada. Que é a antítese da política, cara. Não se faz política assim. Não se faz política. Política é: vamos ali, vamos conversar, vamos fazer um acerto. Se não tiver um componente moral ali, dá isso que nós estamos vendo no Brasil.

Alexis: Eu acho que os acertos fazem parte. Agora, não precisa ser no porão e não precisa ser para ficar negociando…

Luciano: Para ficar melhor, não no porão, no estacionamento. No estacionamento.

Alexis: É no subsolo. Para ficar acertando benesses particulares. Eu acho assim, impressionante como essas pessoas não percebem que eles estão matando um hospedeiro. Matando a galinha dos ovos de ouro.

Luciano: Sim.

Alexis: A hora que você acaba com os empreendedores, se tiver uma massa aí, de 30 milhões de desempregados…

Luciano: Aham.

Alexis: Não adianta fazer programinha aí de inclusãozinha de meia dúzia de gato pingado, que estavam tentando fazer aí.

Luciano: Sim.

Alexis: O meu medo, cara…

Luciano: Então, o que eu tenho dito: o meu medo é do mundo empresarial, da grande indústria, etc. e tal. Eu vi que eles não têm nenhuma… nenhuma capilaridade para a política. Não se discute a política lá. Negócio seguinte, cara, tem que fazer dar certo o negócio aqui, ganhar dinheiro. Eu vou fazer o negócio e dane-se. Ninguém discute política. Não tem nada. Bate e volta lá. Não tem… não é permeável as ideias políticas. E cria-se então, eu acho que uma sociedade paralela, né cara?

Alexis: Aham.

Luciano: Os grandes, que tem o poder…

Alexis: Se cria uma corte.

Luciano: É paralelo aquilo lá, né?

Alexis: Aham. Totalmente.

Luciano: Para os empreendedores, que são pequenininhos e que estão numa outra ponta lá é mais ou menos assim, cara. Eu acordo de manhã, bicho, eu tenho que pagar as minhas contas. E eu quero que o mundo… eu nem vou ligar a televisão, porque eu não quero me impregnar. Eu quero pagar as minhas contas, né? E o que esse pessoal pode fazer? O que eu costumei dizer há bastante tempo, eu falei primeiro relacionado à cultura. Depois eu comecei a falar relacionado à sociedade, etc. e tal. Cara, se você é o dono do supermercado na tua cidade aí, de 40 mil habitantes e você está tocando o seu negócio, etc. e tal. Você tem obrigação de ajudar de que alguma forma a política seja mais limpa na sua cidade, etc. e tal. Se você como empreendedor não pode fazer nada, você tem recursos para ajudar quem pode, né? E ajudar quem pode, por exemplo, assim: eu vou votar nesse cara. Tá bom. É isso aí. Mas isso não é suficiente. Eu vou… eu vou ajudar a sustentar quem está falando. Eu vou dar dinheiro para o cara que está trabalhando. Eu vou sustentar aquela organização que está fazendo um think tank para pensar as coisas. Eu vou ajudar com… com material impresso os caras que precisam fazer um movimento para asfaltar aquela rua. Eu vou dar. Eu vou mandar a minha ambulância lá naquele dia. Eu vou dar comida para essa turma toda. Ou seja, eu vou dispor de um pouco da minha energia, do meu tempo e do meu dinheiro, para ajudar quem está disposto a fazer a mudança acontecer, né? Se isso começa a acontecer, cara, você tem um tsunami de recurso. Que é o que mata hoje, cara. Quem quer fazer não sabe nem por onde começar.

Alexis: Então, mas mesmo essa turma, quando começa a iniciativa, vai aparecer alguém dizendo assim: vocês não podem fazer isso por causa daquilo. Vocês não podem jogar aqui por causa não sei do quê. E aí começa a travar tudo. Eu acho que a coisa mais frustrante que tem é quando a iniciativa da sociedade civil organizada é bloqueada por um burocrata.

Luciano: Aham.

Alexis: E o que a gente vê é a burocracia pegando solta. No meu vídeo também, daquele caminhão, eu falo também. Fiscal tem culpa também? Não. Não tem cara, tem um monte de leis que suportam ela. Há um excesso de leis. Eu recentemente eu fiz… eu fui homenageado na Câmara Municipal de Campinas. Eu recebi lá uma homenagem sobre empreendedor emérito lá de Campinas. E eu falei para eles: vereadores, vocês estão matando a galinha dos ovos de ouro. Pensem em revogar leis e não em criar leis. Porque a quantidade de leis que estão criando, vocês estão colocando cada vez mais as pessoas na ilegalidade, né? Existe uma frase muito assim: ah, se está na lei, você tem que obedecer. Não tem que discutir.

Luciano: Aham.

Alexis: Se está na lei, nós temos que discutir essa lei, se ela é mesmo necessária. Porque senão, daqui a pouco, até respirar vai estar proibido. É A Revolta de Atlas de Ayn Rand. Que é a hora que o Estado impõe situações ao cidadão, jogando ele na ilegalidade. Veja, olha… olha a indústria da multa de automóveis no Brasil. A loucura que quem tem automóvel hoje no Brasil está passando. Cada esquina tem um radar. Cada momento. Não acender o farol, não ter um extintor, não tem um kit. Virou uma máfia. Ninguém questionou até agora quem é que está ganhando dinheiro com isso. As empresas que instalam os radares e prestam serviço para os municípios. Deve ter uma máfia maravilhosa lá dentro.

Luciano: Sim. Aí o cínico vem e diz o seguinte: é só você não…

Alexis: Você não…

Luciano: Não dirigir… que não acontece nada.

Alexis: Que está tudo certo. Tá tudo certo. Só que isso é uma outra forma de desapropriação. As pessoas vão perdendo o seu dinheiro. Já ganham pouco. Já pagam muitos impostos. E tem um terceiro elemento que chama-se: as multas. Seja na indústria, no teu automóvel, no teu dia a dia.

Luciano: Aham.

Alexis: O Brasil é uma máquina de multa. Então, por que eles vão parar isso, cara? Quem é que… quem é que vai segurar isso? Lembra aquela frase do Luiz Felipe? A função da Constituição, de limitar a ação do Estado sobre o cidadão?

Luciano: Proteger o cidadão.

Alexis: É.

Luciano: Sim.

Alexis: O cidadão nasce com o direito natural de empreender. Ele nasce com o direito natural de se expressar. Ele nasce com o direito natural de ir e vir. É um direito dele, de cidadania, de brasileiro. A Constituição não… ela trava lá, justamente para não vim um burocrata e falar assim: não, não, não. Cidadão brasileiro só pode andar aonde eu quero. De jeito nenhum, meu amigo. Você não pode. Porque a Constituição diz que é um direito natural dele.

Luciano: Aham. Sim.

Alexis: Agora, o direito natural não está garantido na Constituição. Então, o que é que vai acontecendo? Os caras invadem esse espaço e a Constituição foi se transformando num documento que na verdade, está dificultando e limitando a ação do brasileiro. Nós temos que na próxima legislatura, fazer… é uma das pautas que nós estamos falando, fazer uma nova Constituição.

Luciano: Aham.

Alexis: Uma Constituição com três páginas e não um livro desse tamanho aqui.

Luciano: Aham.

Alexis: Uma coisa simples.

Luciano: Sim. Você… vamos partir agora para a nossa reta final aqui.

Alexis: Vamos.

Luciano: Você olha para isso tudo e fala: muito bem. Eu acho que um caminho que existe aí, talvez surja a possibilidade de eu atuar de forma mais veemente ou mais efetiva na política. O que é isso? Alguém te convida? Alguém te acena? Vem ser deputado que você tem melhora? Você pensou nisso? Você achava que esse era o caminho? Que uma hora era… porque eu imagino o seguinte: você ganhando um mandato desses, sua vida muda. Tua vida mudou completamente, quer dizer…

Alexis: Para pior, né?

Luciano: A tua rotina de hoje, o teu dia acabou. Esquece tudo. Porque agora é outra coisa, né?

Alexis: É.

Luciano: Alguém te chamou? O que é isso? É um chamado divino? Você abriu a janela, veio uma luz?

Alexis: Não.

Luciano: O que é?

Alexis: Não. Eu acho que é fruto do… da indignidade…

Luciano: Você quer ganhar dinheiro com isso? O que é?

Alexis: Não. Que ganhar. Vai é perder dinheiro. Na verdade, você vai ficar… eu acho que é fruto da indignação, que foi crescendo ao ponto… e eu falo que não adianta só ser indignado. Você tem que ser inconformado.

Luciano: Aham.

Alexis: Então assim, a gente fica… eu fico realmente revirado quando eu vejo esses escândalos, esse escárnio dessa turma que tomou o poder nos últimos anos, quase que tirando… rindo da nossa cara sobre: eu peguei o imposto, eu gastei, eu fui para Paris. Eu… foram milhões e milhões e…

Luciano: Eu tenho um texto que eu ensino você a ouvir políticos.

Alexis: Hã?

Luciano: O meu texto diz o seguinte: toda vez que você ouvir um político falar, quando ele terminar a fala, você mentalmente põe: vírgula, seu idiota. Então, vírgula, seu idiota.

Alexis: Não, mas é o seguinte, cara: eu não tenho sangue de barata.

Luciano: Aham.

Alexis: Eu não vou ficar aceitando isso dessa forma passiva, tá certo? Eu montei uma empresa absolutamente do zero e passei por tudo. Eu sei exatamente a doença que é isso. Agora, eu encontrei uma ferramenta, que é o Partido Novo, né?

Luciano: Aham.

Alexis: E me identifiquei lá dentro por uma série de coisas que eu acho que… quem quiser pesquise aí porque ele é diferente.

Luciano: Sim.

Alexis: Quais são os diferenciais dele. E aí, num determinado momento lá no nosso núcleo de Campinas, alguém falou assim: cara, já pensou em ser candidato? Porque você conhece a causa, você tem uma bela pauta, você tem vivência, já fez na vida privada uma bela de uma história. Você tem uma bela família. Você é um cara que se expressa. É uma pessoa que não tem… não quer fazer média com ninguém, que, né, mete as caras. Você é um perfil muito bom para a renovação política, porque nós estamos precisando justamente de pessoas que mandam ver. Que não ficam querendo fazer aquela mediazinha, que fica ensaboado e tudo mais. Muito pelo contrário. Até teve uma amiga minha que falou assim: você tem o coração peludo. Porque eu falo mesmo. Não gostou, paciência, meu. Se vira. Porque você vai ter que se aguentar.

Luciano: Aham.

Alexis: E aí, quando me convidaram eu falei: pô, pera um pouco. Deixa eu entender essa história. E comecei a encaixar as peças. E aí eu peguei aquela coisa do Philip Kotler, os quatro P: preço, praça, produto e promoção.

Luciano: Sim.

Alexis: Eu falei: pera aí. Vou tirar o preço aqui e mandar proposta. Então fica: proposta, praça, produto e promoção. E comecei a montar uma estrutura, como que seria. Aí eu falei assim: não, isso aí é possível. Quer dizer, eu fiz o estudo de viabilidade econômica. Coisa de empreendedor.

Luciano: Aham.

Alexis: Coisa de quem monta o negócio. Quando eu achei que aquilo era possível, eu falei: vamos botar o pé na estrada. E aí eu comecei a série de vídeos, né, que acabou somando uma coisa com a outra. Mostrando todas as dificuldades de empreender no Brasil. Não só isso. Eu também fiz uma série de vídeos sobre o que é a importância do marketing, a importância da contabilidade.

Luciano: Sim.

Alexis: A importância do fluxo de caixa. Eu mandei planilhas para as pessoas, para que elas pudessem…

Luciano: Não, foi muito… são muito legais os vídeos…

Alexis: Começou…

Luciano: São muito importantes.

Alexis: Então começou uma série de… de itens, que tem um dos valores meus, forte, que é o seguinte: generosidade gera generosidade. Lembra quando eu falei…

Luciano: Sim.

Alexis: No começo, que eu fui ensinar epóxi na minha empresa?

Luciano: Sim.

Alexis: Um monte de gente dentro da minha empresa falou: você vai entregar o ouro ao bandido.

Luciano: Sim, sim.

Alexis: Eu falei: não, eu vou capacitar um monte de gente que vai comprar nossos produtos.

Luciano: Isso aí.

Alexis: Eu vou subir a barra. E foi muito bom para mim. Porque foi exatamente o que aconteceu.

Luciano: Você é casado, tem filhos?

Alexis: Sou casado. Tenho três filhos homens.

Luciano: Casado há quanto tempo?

Alexis: 25 anos.

Luciano: 25 anos. Como é o nome dela?

Alexis: Mariela.

Luciano: Você chegou para a Mariela e falou: Mariela, senta aí que eu vou te contar uma ideia. Eu vou ser político. Eu vou para Brasília. Eu vou virar deputado. O que a Mariela falou para você?

Alexis: A Mariela é o seguinte… mas ela foi antes. Que eu falei: eu vou montar uma empresa do zero.

Luciano: Já começou lá.

Alexis: Então ela já ficou: ah meu Deus. Nasceu o nosso filho e tal. Eu falei: paciência, vamos tocar a vida, né?

Luciano: Aham.

Alexis: E teve momentos muito difíceis. Muito difíceis. Quando eu fui assaltado. Botaram arma na cabeça. Levaram todo o pagamento. Teve vários momentos difíceis. Clientes bandidos. Porque tem bandido no mercado, sabe?

Luciano: Todo lugar. Sim.

Alexis: O cara contrata você. Você faz tudo. Ele recebe, não paga. E fala: procura teus direitos na justiça.

Luciano: Aham.

Alexis: Tem muita gente sem vergonha nesse país. Então, quando aconteceu isso… ela foi vendo que eu estava movimentando. Quando começou em 2013 aquelas movimentações do passe livre. Aquilo também me explodiu. Eu falei: não, agora é a hora. Eu tinha escrito alguns anos antes ainda, no Facebook, uma frase assim: basta. Basta de tanta roubalheira e tal. E ninguém me entendeu. Foi até engraçado. Depois essa coisa voltou. 2013 eu peguei os meus três filhos, eram novinhos, pequenininhos ainda. Eu falei: vamos fazer vassouras e vamos para a rua com cartazes, com um monte de coisa escrita. Eu mesmo fiz os cartazes e tal. Os meus filhos: pai, mas não sei o quê. Eu falei: filhos, confiem no teu pai, porque nós estamos indo para a rua para defender o nosso país. Eles foram, movimentou. Eu acabei criando um movimento em Campinas, a turma da vassoura. Nós botamos mais de 600 vassouras com os cartazes do impeachment. Foi um movimento bonito em Campinas. E eu acho que era o único bloco organizado nas manifestações no Brasil. Eu nunca vi um bloco assim tão grande.

Luciano: Aham.

Alexis: Organizado no Brasil. Então, a Mariela, ela foi percebendo que aquilo estava acontecendo. E quando eu cheguei com essa notícia, de novo ela… confia. A empresa também, apesar das dificuldades, começamos a evoluir e deu certo. É uma empresa de sucesso, que incluiu muita gente, gerou muitos empregos, né? E agora deu um lucro, né? Finalmente deu lucro. Esse negócio não é brincadeira. Então ela percebeu que era mais um empreendedor. Era mais uma etapa do empreendedor. Natural de quem é inquieto.

Luciano: Aham.

Alexis: E ela respeitou isso, me apoia, me ajuda nesse sentido de… de poder estar dando suporte, que precisa para poder… porque muitas vezes eu chego… ontem à noite, eu cheguei meia noite, acordei cinco da manhã. Porque é engraçado, né? Eu sou colono, né? Eu acordo cedo. Bicho, eu sou um bicho esquisito. Então, deu cinco e meia, seis horas, eu acordo. E aí, em casa, a minha esposa é arquiteta, então ela gosta de dormir mais, né? Toda arquiteta tem que dormir um pouco mais.

Luciano: É artista, né?

Alexis: É.

Luciano: Artista…

Alexis: Aí, o que acontece? Aí eu vou lá, dou comida para o cachorro, acordo os filhos, levo… faço o café da manhã e tal. Levo para a escola. Aí eu faço esse movimento. Então, eu estou dormindo até pouco. Porque toda essa… mas de noite ela ajuda a pegar os filhos, ela, né, dá uma… os dois maiores estão agora em São Paulo fazendo faculdade. O menor… menor mais ou menos, né cara? Está com um metro e oitenta, parece um broto de bambu, né?

Luciano: É. Não, eu te perguntei, porque se você não tiver esse suporte aí do lado de…

Alexis: Não, tem que ter. Não…

Luciano: Do lado de família, aí é complicado, cara.

Alexis: Não, mas o empreendedor precisa disso.

Luciano: É. O bicho… aí, pois é.

Alexis: Família. Eu tenho um vídeo também falando da importância da família do empreendedor.

Luciano: Sim.

Alexis: Que é o porto seguro. Porque quando tudo dá errado – e dá errado – você precisa ter uma bela estrutura, viu?

Luciano: Bom, meu caro, eu estou gostando de ver, bicho. Sinceramente, eu espero… deixa eu ver uma coisa. Esse ano aqui nós não vamos ter nada de voto distrital. Não tem nada aí.

Alexis: Não.

Luciano: É. O voto é…

Alexis: Mas por que a gente não inaugura a ideia antes do próprio governo criar?

Luciano: Aham.

Alexis: Quer dizer, vamos fazer um voto distrital na cidade de São Paulo. Todo mundo de São Paulo vota aqui no cara de São Paulo.

Luciano: Aham.

Alexis: Todo mundo lá do interiorzão de São Paulo vota. Faz São José do Rio Preto. Eu fui lá recentemente. Olha, uma turma maravilhosa. Eu fiquei impressionado. Ribeirão Preto.

Luciano: Aham.

Alexis: Cara, crava no teu e fala: meu amigo, você vai nos representar aqui.

Luciano: Sim.

Alexis: Não precisa…

Luciano: Votar no outro, no estrelão de outro lugar, não.

Alexis: É. Não precisa.

Luciano: Não precisa, é verdade.

Alexis: Você pode já fazer o distrital por nós mesmos.

Luciano: Sim.

Alexis: Por iniciativa própria nossa.

Luciano: Sim.

Alexis: Tá certo? Por que eu vou votar num cara lá na PQP, que eu nem sei onde é o endereço dele? De onde que ele é.

Luciano: Aham.

Alexis: Crava no cara da tua região. Você sabe o endereço dele. É aqui que eu vou te buscar.

Luciano: Aham. E o que mais tem hoje em dia é… a cada semana eu publico duas ou três ferramentas novas de sites que entregam a ficha de quem é candidato.

Alexis: Boa. Boa

Luciano: Tem tudo lá.

Alexis: Tem.

Luciano: Não tem mais aquela história de: não conheço. Agora, bicho, dedica um pouquinho de tempo, 15 minutos que você dedicar a fazer uma busca lá no politicos.org, nesses sites todos.

Alexis: Ranking político.

Luciano: Ranking dos políticos. Você vai achar lá dentro informação de todo mundo, então, não tem mais desculpa né, para votar errado.

Alexis: É.

Luciano: Quem quiser encontrar os teus vídeos e tudo mais, você tem um canal no Youtube, como que é?

Alexis: Você vai dar risada comigo. Mas a melhor forma de me encontrar é botar no Google, a seguinte frase: como é difícil empreender no Brasil. Entenda como é difícil empreender no Brasil. Mas vai chover de meus vídeos.

Luciano: Aham. Como é difícil empreender no Brasil?

Alexis: Entenda como é difícil empreender no Brasil.

Luciano: Tá.

Alexis: Se você botar isso, já vai carregar lá.

Luciano: Tá.

Alexis: Agora, a minha página Facebook é @alexisfonteyne30. Mas como esse alexisfonteyne30 é cheio de consoantes, o pessoal sempre escreve errado. Então é mais fácil botar lá: como é difícil empreender no Brasil. No Youtube, onde estão todo o patrimônio dos vídeos lá, Alexis Fonteyne. A-L-E-X-I-S Fonteyne com Y.

Luciano: Vai ter um trabalho de branding complicado aí, cara.

Alexis: Cara, vai virar Alexis. Vai virar Alexis e pronto acabou.

Luciano: Isso aí.

Alexis: Vai virar Alexis e pronto. Fonteyne esquece que não tem jeito. É muito complicado.

Luciano: Então você está no Facebook, você está no Telegram?

Alexis: Isso. Telegrama eu não estou. Eu estou no Instagram.

Luciano: Instagram.

Alexis: Twitter.

Luciano: Tá.

Alexis: Facebook. E estamos… palestras. Bastante palestras agora, nós estamos fazendo.

Luciano: Aham.

Alexis: Eu estou fazendo mais palestras sobre a real história do empreendedorismo.

Luciano: Sim.

Alexis: Então, quem quiser, eu vou lá e conto uma história real. Não tem política nessa história. A minha ideia é de novo naquela ideia de generosidade gera generosidade.

Luciano: Sim.

Alexis: E de poder mostrar para as pessoas a dificuldade. Eu… só para fechar a minha participação. Eu sempre falo o seguinte: que nós temos que, no Brasil, fazer a tal da inclusão social sustentável. Não é aquela inclusão da esquerdinha não. Que fica tirando de quem tem e distribuindo para o outro. Até acabar com quem tem. É aquela onde cada um consegue se sustentar. Ele ganha o dele.

Luciano: Sim.

Alexis: Com a capacidade dele. E aí nós temos que ter duas coisas, fazer duas coisas: ensinar a pescar e ter o ambiente de pescaria.

Luciano: Aham.

Alexis: Ensinar a pescar é meio óbvio. Educação fundamental, profissionalizante, esporte, artes. Sem doutrinação aqui.

Luciano: Aham.

Alexis: Capacitar o cidadão aqui. Mas do outro lado – que ninguém fala – que é o ambiente de pescaria. Porque não adianta nada você saber pescar, se você chega lá e o governo fala: a minhoca não é essa. Você pode só botar o anzol desse tamanho. A linha tem que ser daquela cor. 40% dos peixes que você pesca, você tem que distribuir. Você só pode pescar em tal horário. Sabe? Enche de regras para poder pescar?

Luciano: Sim.

Alexis: O que acontece com esse pescador? Ele vai para outro país, cara.

Luciano: Sim.

Alexis: O empreendedor brasileiro está esparramado pelo mundo. Tem muita gente talentosa, brasileira, fora do Brasil, então nós temos que criar um ambiente de pescaria aqui dentro do Brasil.

Luciano: Aham.

Alexis: Nós precisamos aqui, fazer com que as pessoas fiquem aqui. Tira regulamentação, acaba com essas porcarias de alvará de funcionamento, licença para food truck. O cara monta um food truck, ele tem que lamber bota da prefeitura para poder trabalhar. Pipoqueiro…

Luciano: Aí vem neguinho: é, não sei, mas aí o cara vai fazer a comida e vai causar uma infecção intestinal. Prende o cara.

Alexis: Prende o cara.

Luciano: Bota o cara na cadeia.

Alexis: Liberdade com responsabilidade.

Luciano: Lógico. Isso aí.

Alexis: Mas eu falo isso direto, cara. Eu falo: prende o cara. Responsabiliza. Não, o Estado vai te proteger.

Luciano: Aham.

Alexis: Então ele não vai fazer sanduiche ruim para você não passar mal. Desculpa, meu amigo, é o seguinte: faz sanduiche. Agora, se você fizer ruim cara, você vai para a cadeia. Não é muito mais simples? Deixa o cara trabalhar. É exatamente isso que eu falo, isso que as pessoas não entendem.

Luciano: Aham.

Alexis: Então a gente tira esse monte de amarras aqui. Meu, você já viu a quantidade de plaquinha que tem atrás de um caixa de uma padaria na cidade de São Paulo? Ou num restaurante? Em Campinas então, infinal… eu descobri que aquelas plaquinhas, cara… é que os vereadores ficam aprovando plaquinha. Porque aí diz que ele está protegendo o cidadão. Ele está é atrapalhando o comércio. Todo mundo é obrigado a ter o Código de Defesa do Consumidor debaixo do balcão na versão atualizada. Se não estiver atualizada, já vai levar multa também.

Luciano: Sim.

Alexis: Me diz quem que vai para um estabelecimento para pedir o Código de Defesa do Consumidor? Na era digital, do celular?

Luciano: Sim.

Alexis: Do Smartphone, cara?

Luciano: Sim.

Alexis: Aquilo lá é uma baixaria. Aquilo só serve para dar multa. Sabe qual que é a multa número um do PROCON na cidade de São Paulo? Em Campinas é a mesma coisa? A falta da plaquinha que você tem que ter disponível para o cliente, o Código de Defesa do Consumidor. A falta da plaquinha.

Luciano: Aham.

Alexis: E essa multa, número dois, a falta do Código na versão atualizada. Bom, o PROCON perdeu completamente a função dele. Ele devia estar cuidando da relação ruim entre cliente e banco.

Luciano: Sim.

Alexis: Ruim entre o cliente e prestadora de… como chama? De NET, essas coisas.

Luciano: Eu já sei o que você vai falar. Você vai falar de banco, de companhia aérea, de seguradora…

Alexis: De NET, de…

Luciano: Você vai falar da NET, etc. e de telefonia celular.

Alexis: Isso.

Luciano: Cinco operações altamente controladas pelo governo.

Alexis: Totalmente controlada.

Luciano: Totalmente controlada pelo governo. Você não consegue entrar e fazer o que quiser lá dentro.

Alexis: O tamanho do rótulo que está no requeijão. Isso é consumidor, cara.

Luciano: Aham.

Alexis: Não é a plaquinha. A plaquinha ficou fácil demais. O Rio de Janeiro aprovou uma lei agora, que é proibido usar canudinho de plástico em restaurante. Em bar.

Luciano: Sim. Sim.

Alexis: Os fiscais estão indo lá fiscalizar se tem canudinho. Meu amigo, mas nós estamos perdidos mesmo. Os caras inventam uma lei boba, fácil de fiscalizar e boa para dar multa.

Luciano: Aham.

Alexis: Uma insanidade. Nós temos que parar com isso aí. É proibido isso aí, não pode fazer isso. Sabe, não tem que tratar o cidadão como um estúpido.

Luciano: Aham.

Alexis: Tem que começar a limitar isso. Então, de novo: ambiente de pescaria. Isso ninguém está prestando atenção. Ninguém cuida disso, que é literalmente uma palavra só e poderosa: desburocratização.

Luciano: Sim.

Alexis: A palavra por si só já é burocrática, né? Muito complicada: desburocratização.

Luciano: Já teve até ministro para isso, cara.

Alexis: Cara, mas isso aí…

Luciano: Já teve até ministro para isso.

Alexis: O Hélio Beltrão lá.

Luciano: O Hélio Beltrão.

Alexis: Eu sei. Mas a intenção era boa.

Luciano: Ministério da Desburocratização.

Alexis: Ótimo, eu entendo. Mas já começou mal. Porque criaram um ministério para fazer isso.

Luciano: Sim.

Alexis: Isso aí tem que… não é ministério. Nós vamos simplesmente botar uma força tarefa.

Luciano: Sim.

Alexis: Contrata o Falconi, contrata essas grandes consultorias e fala assim: meu amigo, entra aqui dentro e elimine etapas e…

Luciano: Você sabe… você sabe… falta um atributo muito importante para isso dar certo, que é um negócio chamado confiança. Nós vamos atuar… no Brasil é o seguinte, eu sou culpado até prova em contrário. É assim que é, né? A nossa relação é essa. E gente tem que inverter: não, eu sou inocente até prova em contrário. Eu vou fazer o negócio com você. Eu vou confiar em você. Numa sociedade que virou a sociedade da desconfiança. Todo mundo desconfia de tudo aqui.

Alexis: Perfeito.

Luciano: Então tem que haver uma mudança cultural antes dessa coisa toda poder dar certo. Meu caro…

Alexis: E as regras não são claras. Então, quem quer empreender não sabe quais são as regras.

Luciano: Sim.

Alexis: Você não pode acusar alguém de ter infringido regras que não tem clareza.

Luciano: Sim.

Alexis: O maior livro do mundo é o Código de ICMS do Brasil.

Luciano: Ham.

Alexis: É o Guinness Book. É o livro mais estúpido e mais insano. Como que alguém pode alegar que não sabia? Não sabe mesmo. Não tem como acertar aquela porcaria.

Luciano: Sim.

Alexis: Então nós temos que partir para simplificar. E lembra, o simples é que é genial. Complicado qualquer um faz.

Luciano: Sim.

Alexis: Ele só vai puxando remendinho e vira complicado. Agora, a simplificação é genial. Está precisando de gente genial lá.

Luciano: Aham.

Alexis: É isso.

Luciano: Tudo bem. Meu caro, bem-vindo. Obrigado por você estar aí.

Alexis: Obrigado.

Luciano: Adorei a conversa aqui. Eu acho que tem muito espaço para a gente fazer acontecer, para arrumar essa casa aqui. Eu espero sinceramente que você continue cara, que dê certo, que você não se desmotive…

Alexis: Não…

Luciano: A hora que você olhar para o lado e ver aquelas figuras do teu lado. Passa que nem um trator por cima. E a hora que você estiver em pé lá em cima, gritando, saiba que nós vamos estar aqui, gritando junto, viu?

Alexis: Cara, a casca está grossa já, sabe?

Luciano: Aham.

Alexis: Eu já passei por empreendedor. Montei do zero. Eu estou indo lá no lucro, casca grossa. Agora, de novo: uma visão sistêmica de causa e consequência.

Luciano: Aham.

Alexis: Saber que aprova uma lei, qual que é a consequência disso? Vamos resolver os problemas do Brasil, da educação, saúde e segurança? Vamos atacar a causa.

Luciano: Aham.

Alexis: E, por enquanto, a consequência. Porque já tem o efeito ruim do que não foi causa… mas enquanto a gente não atacar a causa, a gente não vai parar a geração desses problemas que nós temos aqui.

Luciano: Aham.

Alexis: E eu não vejo um só político que tenha essa visão ou tenha esse culhão de mexer naquilo que tem que ser mexido. Porque é o que você falou bem no começo: esgoto, água encanada ninguém quer fazer, porque está enterrado, não aparece. Mas é aquilo que gera um monte de contaminação de Dengue e Zika, febre amarela e outros problemas brasileiros, que enchem os hospitais brasileiros.

Luciano: Aham.

Alexis: De gente com diarreia, com Zika, com Dengue, com febre amarela.

Luciano: Sim. Se você gostou dessa história aqui, eu recomendo que você escute o Café Brasil. Eu não vou me lembrar o número dele, mas é o Café Brasil que chama-se: o que se vê e o que não se vê. A gente fala mais ou menos disso aí. Um grande abraço, meu caro.

Alexis: Muito obrigado.

Luciano: Muito bem, termina aqui mais um LiderCast, a transcrição deste programa, você encontra no lidercast.com.br. para ter acesso a esta temporada completa assine o cafebrasilpremium.com.br e receba imediatamente todos os arquivos. Além de ter acesso ao grupo cafebrasil no Telegram, que reúne ouvintes do podcast Café Brasil e LiderCast, que discutem em alto nível, temas importantes, compartilhando ideias e recebendo conteúdos exclusivos. Lembre-se: cafebrasilpremium.com.br. Essa temporada chega a você com o apoio da Nakata, que é líder em componentes de suspensão. Cuide bem de seu carro com as dicas do blog.nakata.com.br.

Narrador: Você ouviu LiderCast, com Luciano Pires. Mais uma isca intelectual do Café Brasil. Acompanhe os programas pelo portal cafebrasil.com.br

 

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