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Luciano Pires -
Download do Programa

 

 

Bem-vindo ao LíderCast, o podcast para quem quer saber mais sobre liderança. Apresentação Luciano Pires.

Luciano: Bom-dia, boa-tarde, boa-noite. Bem-vindo, bem-vinda a mais um LíderCast, o podcast que trata de liderança e empreendedorismo com gente que faz acontecer. No programa de hoje, falo com Augusto Pinto, empreendedor com uma história sensacional de quem constrói a carreira como executivo de grandes empresas e já maduro decide partir para um negócio próprio, aliás, vários negócios.

Este não é um programa de entrevistas, não tem perguntas programadas, nem roteiro definido, é um bate-papo informal com gente que faz acontecer, que vai para lugares onde nem eu e nem o meu convidado imaginamos. Por isso eu não me limito a fazer perguntas, mas eu dou os meus pitacos também. Você entendeu aí? Isto aqui não é uma entrevista, é um bate-papo. O LíderCast é lançado por temporadas. Os assinantes da Confraria Café Brasil e do Café Brasil Premium têm acesso imediato à temporada completa assim que ela é lançada, os não-assinantes receberão os programas gratuitamente, mas um por semana. Para assinar, acesse o cafebrasilpremium.com.br.

Muito bem, mais um LíderCast. Como sempre, eu começo dizendo como é que esta figura chegou até aqui. A gente trocou alguns e-mails há um tempo atrás, ele como ouvinte de podcast contou que era fã do Café Brasil etc. e tal e aí eu fiz uma pesquisa grande aí para completar agora um ano do Café Brasil Premium e ali na pesquisa tinha uma caixinha de comentários e ele botou um baita comentário. Tinha um monte de comentário, mas o teu veio com telefone e tudo o mais. Cara, se quiser a gente pode bater um papo, eu falei, puta, genial, vem conversar comigo e a gente foi almoçar e no almoço eu faço questão de não saber muito da vida da pessoa, a gente vai lá mais para se enturmar e tudo o mais. E, bom, o resultado é que depois de tentar algumas vezes, a gente conseguiu acertar as datas, então estamos aqui hoje. O programa, você já sabe, é ouvinte, já sabe como é que começa, por aquelas três perguntas fundamentais.

Augusto: Hoje eu vou te pegar, Luciano.

Luciano: Por favor, hein. Seu nome, sua idade e o que é que você faz?

Augusto: Eu sou Augusto Pinto, tenho 72 anos e eu vou te pegar, porque eu não sei exatamente o que eu faço. Eu sou engenheiro mecânico, mas não entendo nada de mecânica, não sei aonde está a rebimboca da parafuseta do meu carro. Trabalhei três meses como engenheiro mecânico, depois eu migrei para tecnologia da informação, onde fiquei 30 longos anos e hoje eu sou empresário na área de comunicação. Então se você perguntar o que você faz… quando eu vou para hotel, eu escrevo engenheiro, a última coisa que eu sou é engenheiro.

Luciano: É um empreendedor, vamos lá, não é?

Augusto: Então sou um empreendedor.

Luciano: É aquela figura, eu não tenho um termo para designar ainda quando me perguntam o que é o empreendedor brasileiro. Eu preciso achar um termo ainda para dizer o que é esse herói que é o empreendedor no Brasil. Mas vamos lá, vamos começar daquele jeito que a gente sempre começa aqui. Você nasceu aonde?

Augusto: Eu nasci em São Carlos, sou caipira. E me criei em Presidente Venceslau, que nos velhos tempos a gente chamava Alta Sorocabana, para quem como nós lembra das ferrovias, eu morava lá perto de Presidente Prudente.

Luciano: O que é que seu pai e sua mãe faziam?

Augusto: A minha mãe era professora e meu pai fez de tudo. Ele foi gerente de uma fábrica de tecidos, depois ele foi corretor de imóveis e a última coisa que ele fez na vida foi ser marchand de gado. Ele entrava a cavalo em Mato Grosso, que não era Mato Grosso do Sul ainda, ficava três meses comprando gado, voltava para o Estado de São Paulo para vender o gado para os frigoríficos. Aí ganhava um monte de dinheiro, chegava em casa, a gente se enchia de presentes, trocava o carro, comprava doce, um monte de coisa, aí ia à noite para o carteado, perdia tudo, até as calças, perdia o carro, perdia tudo.

Luciano: Jogo, cara, no jogo?

Augusto: Aí ele voltava e a minha mãe segurava a onda. Ela voltou a estudar depois que ela descobriu esse desvio do meu pai, que foi uma figura incrível, mas era um jogador de baralho incorrigível. Então a vida era essa, ele ia para o Mato Grosso, comprava gado, ganhava dinheiro, distribuía para todo mundo, um homem maravilhoso, depois ia à noite para o clube, perdia até as calças, às vezes perdia até a casa e a gente mudava de cidade para fugir das dívidas.

Luciano: Cacilda!

Augusto: Na época, a minha mãe, eles chamavam de escolher cadeira. Escolher cadeira significa eu quero chegar em São Paulo, mas primeiro tem que ir lá para os quintos dos infernos, depois eu vou chegando pertinho, talvez daqui 20 anos eu chegue em São Paulo. Ela ia trocando de cadeira para fugir das dívidas, que a nossa vida foi isso aí.

Luciano: Você tem irmãos?

Augusto: Eu tenho dois irmãos, eu sou o mais velho, tem um menino e uma menina, se é que a gente pode chamar assim.

Luciano: E vocês entendiam quando crianças esse desvio do seu pai, ou aquilo era ininteligível para vocês?

Augusto: Olha, eu vou falar para você, isso só se tornou problema para mim depois de adulto, porque eu comecei a olhar para trás e falar putz, o herói da minha vida era o meu pai, só que não. Na verdade, tinha uma heroína dentro de casa, que eu nunca dei valor, não nesse sentido de que foi o esteio da nossa família e depois de adulto já, olha, meu pai foi uma cara legal, era um cara muito persistente, tenaz, não desistia nunca, era um cara honrado, ético até a medula, mas era um jogador. E quem segurava a onda, quietinha, modesta, lá nos fundos era a minha mãe, que foi a verdadeira heroína das nossas vidas.

Luciano: Quanta história assim tem, cara, quanta história como essa a gente escuta, é impressionante. Bom, mas vamos lá. Você estudou o que, quando era moleque?

Augusto: Eu fiz o tradicional, grupo escolar, ginásio, eu fiz científico, porque eu queria fazer alguma coisa científica.

Luciano: Atenção você que está nos ouvindo aqui, nós estamos conversando com uma pessoa que tem 72 anos de idade, que consegue ser mais velho que eu e que, portanto, estudou numa época em que a escola era outra coisa, nada disso que você conhece aí.

Augusto: O equivalente ao primeiro grau, segundo grau.

Luciano: Se bobear, você teve aula de latim.

Augusto: Tive.

Luciano: Francês?

Augusto: Francês, inglês, latim, tudo.

Luciano: É isso aí, então era uma época brava, mas eu acho que… eu não quero cair na tentação da comparação, que era melhor, que era bom. Acho que as coisas mudam e tudo mais, mas acho que aquilo te deu uma formação que acho que se você olhar para trás, você fala, cara, ainda bem que eu tive aquela formação, para você poder enfrentar. Mas é aquela velha história, eu costumo dizer para as pessoas o seguinte, não adianta ficar batendo a boca na molecada de hoje, porque esse aqui é o mundo deles, não é o meu. Aquela formação que eu tive foi para eu chegar até aqui.

Augusto: Acho que isso é saudosismo. Eu acho que o melhor dia das nossas vidas é hoje, até porque o ontem não existe e nem o futuro, logo…

Luciano: E você não pode fazer nada com isso, não dá para fazer nada com o futuro, nem com o passado.

Augusto: Hoje é maravilhoso.

Luciano: O que você queria ser quando crescesse?

Augusto: Eu queria ser arquiteto e eu atrasei a minha carreira porque durante dois anos eu prestei vestibular na FAU, Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP e eu me lembro que o último exame que eu fiz saiu um tema de desenho artístico, era estádio. Eu saí lá desenhando o Pacaembu, quando terminou a prova, eu olhei para o lado, ninguém tinha desenhado um estádio. Porque o estádio era só o contexto, para a pessoa pensar numa bandeira, pensar na emoção, pensar em outras coisas. Eu não tinha essa veia artística. Falei, bom, já que eu não posso ser arquiteto, vou ser engenheiro civil, que é o mais próximo do arquiteto.

Luciano: Mas da onde veio essa coisa da arquitetura?

Augusto: Ah, eu achava lindo, sabe, aquele estereótipo, na época o Chico Buarque estudava arquitetura e ele era um compositor já que a nossa faixa etária adorava. Então você tem os seus ídolos. Talvez o Chico tenha me influenciado, não sei.

Luciano: Brasília tinha sido inaugurada. Só se falava naquilo.

Augusto: Brasília. O Niemeyer, o Bernardes, enfim aquele negócio incrível e eu queria ser, mas não deu. Aí entrei no Mackenzie, que era a melhor escola de engenharia mecânica de São Paulo.

Luciano: Na Itambé?

Augusto: Para ser engenheiro mecânico, na Itambé. No segundo ano de escola, os meus amigos que estavam saindo engenheiros civis não conseguiam emprego. Eu falei, quer saber, eu vou mudar, eu vou ser engenheiro mecânico, que arruma emprego. E mudei no segundo ano, mas não tinha a menor ideia do que era isso, nem vocação. Primeiro dia que eu entrei numa fábrica lá no quarto ano de engenharia para fazer estágio, falei, meu o que é que eu estou fazendo aqui? Odeio esse troço aqui. Mas fui até o fim, aí estava pertinho, me formei e fui trabalhar numa fábrica de balanceadores de rodas. Na época, os carros não saíam balanceados de fábrica. Então o que eu fazia, eu ia na Casa Zacarias, nas casas de pneus instalava a maquininha, treinava os peões lá para balancear roda. Era uma catequese, ia devagarinho.

Luciano: Deixe eu te fazer uma inconfidência aqui. Eu nunca falei isso, cara. Eu trabalhei 26 anos em uma puta indústria de autopeças, da Dana, aquela coisa toda lá, eu era o cara de marketing e tudo o mais. E nós tínhamos sete, oito fábricas no Brasil, América Latina inteirinha, era uma coisa, uma loucura. E vira e mexe eu estava nas fábricas. E vira e mexe os caras, vamos lá visitar o chão de fábrica. Cara, eu odiava isso, bicho. Sílvio, não, por favor, cara, não me leva. No fim, quando eu estava no chão de fábrica, era legal. Estar no chão de fábrica era legal.

Augusto: Passear no chão de fábrica, ficar lá o dia inteiro.

Luciano: Era legal, falar com os caras era muito legal, era interessante, mas, cara, eu nunca tive saco, quando vamos lá, vamos visitar a fábrica, até hoje, vamos visitar fábrica? Não, por favor. Mas a hora que eu entro, é legal. Mas eu entendo perfeitamente você olhar e falar, meu, o que eu estou fazendo aqui?

Augusto: Essa história é real, eu estava indo na Casa Zacarias de Pneus e o endereço que tinha na Rua Augusta, para instalar uma máquina e treinar os peões a balancear a roda. Encontrei um ex-colega de escola de engenharia, falei putz, cara, onde você está indo? Cláudio Colado, depois ele veio a trabalhar comigo muitos anos. “Eu estou indo na IBM fazer teste.” Teste na IBM, para fazer o quê? Analista de sistemas. Eu não sabia o que era. Falei, cara, eu acho que é mais legal do que isso que eu estou fazendo. Dei cano na Zacarias e fui fazer teste na IBM.

Luciano: De analista de sistemas?

Augusto: É, de analista de sistemas. E passei, para minha surpresa, que era uma peneira incrível, era difícil entrar na IBM. Na época era a IBM e o Burroughs, as duas. Virou Unisys depois. Entrei na IBM, onde eu fiquei longos 20 anos. Lá eu fiz de tudo, lá eu fui analista de sistemas, eu fui vendedor, pré-venda, gerente de conta, gerente de marketing, gerente de filial, fiz uma carreira bem legal lá. E com 20 anos eu falei, putz, isso aqui começou a ficar repetitivo.

Luciano: Que idade você tinha?

Augusto: Então, eu tive um ciclo sempre meio atrasado. Eu perdi dois anos tentando ser arquiteto, não consegui. Para tentar ser engenheiro civil, virou mecânico, que aí virou tecnologia da informação. E eu me via como um técnico. Pô, eu fiz engenharia, eu tenho que ser um puta técnico, desculpe o termo. Mas não tinha vocação para técnico. E um dia um chefe meu chegou, falou, tem uma oportunidade para você, apareceu um cargo de vendedor aqui, um território de vendas pronto, maravilhoso. Eu disse, me interessa, me dá um tempo para pensar? Claro, o tempo que você quiser. Amanhã cedo, oito horas você vem aqui com a tua resposta. Eu voltei para casa tremendo. Minha mulher falou, você é um vendedor, vai lá que vai dar muito certo, me deu um pé na bunda e eu, com um medo danado, minha mulher falou que ia dar certo, eu fui. E deu certo, porque realmente era a minha pegada. Eu depois me transformei de um executivo de relativo sucesso na área de tecnologia de software, mas a pegada sempre foi vendas, a capacidade de contar uma história, de convencer.

Luciano: Então, a hora que você vai lá e assume esse teu cargo, que você começa a trabalhar em vendas, baixou em você aquela ideia, meu, achei, é aqui. Essa é a minha praia.

Augusto: Baixou. É isso. Aí eu virei o Luciano Pires na mesa de som dele.

Luciano: É aqui que é a minha praia, ali que você foi, é aqui que eu vou fazer minha carreira.

Augusto: Daí para a frente a coisa andou.

Luciano: Não, mas espera aí, não conta ainda não. Vamos elaborar um pouquinho mais aqui. Como é que você avalia esse momento? Você encontrou o teu caminho, achou o teu caminho na área de vendas, mas você caiu ali por acaso.

Augusto: Nada é por acaso, não é?

Luciano: Mas você não tinha no teu radar assim tipo estou procurando a área de vendas, achei e vou lá buscar. Alguém te chamou, porque viu em você qualidades. Alguém viu qualidade em você, não é? Elabora um pouquinho mais essa história aí porque acho que tem um insight interessante, que é esse de você, de repente, o caminho estar ali e você não ouviu, você não sabia que era aquele e cai nele e quanto disso é sorte e quanto é preparação?

Augusto: Eu acho que não tem nada de sorte aí, tem a ver com as coisas que você gosta e sabe fazer e você vai deixando pegadas na areia. E você não olha para trás, você não vê as pegadas que você vai deixando.

Luciano: Mas tem alguém olhando.

Augusto: Tem alguém olhando. Pô, as pegadas desse cara são as pegadas de um vendedor, muito mais do que de um técnico. O esforço que eu fazia para ser um técnico razoável, o cara do lado que tinha vocação, com metade do esforço ele era brilhante e eu era médio. Quando eu mudei para uma função mais adequada ao meu perfil, sabe o cara que estava na defesa e aí ele foi lá para jogar no ataque, falou essa é a minha posição, é aqui que eu me sinto bem, foi assim. Mas você tem que ter uma testemunha do lado.

Luciano: Tem que ter o técnico, alguém para enxergar e falar olha aqui, esse cara tem.

Augusto: Por isso que eu te digo e hoje, como empresário, eu prezo muito isso, não existe pessoa ruim, existe pessoa mal aproveitada. Claro, não estamos falando aqui de desvios éticos, de conduta, isso é outra praia, mas supondo, uma pessoa que tem as qualificações morais para trabalhar na tua empresa, ela tem que ser aproveitada em algum lugar, ou o incompetente é você e não o cara.

Luciano: Perfeito. E aí vem uma outra história que eu sempre falei para os caras que respondem para mim a vida inteira, que eu juntava a molecada lá, para dar meus pitacos e falava o seguinte, olha aqui, cara, aqui na empresa só tem um cara capaz de fazer com que você cresça ou fazer com que tua carreira seja uma ruína. Esse cara é o teu chefe imediato, é a pessoa que vai estar acima de você. Você, provavelmente, não vai conseguir escolhê-lo, a gente não escolhe chefe, alguém vai te designar um chefe. Olhe bem para quem é, analise esse teu chefe, veja bem como é que é, e se você sentir que esse sujeito é um pocotó, que sentou em cima da tua cabeça e que está te impedindo de crescer, a tua primeira providência tem que ser: sai debaixo dele. E sai debaixo dele e faz o seguinte, muda de cargo, muda de empresa, muda de cidade, muda de país e vai para outro lugar, porque com esse cara sentado em cima de você, ele não vai te levar para lugar nenhum. No teu caso, tinha um cara que estava te vendo e falou, meu, esse cara tem uns talentos para aquele outro lugar. Ele te orientou, talvez até quisesse se livrar de você, porque fala o seguinte, como técnico não vai.

Augusto: Isso já me aconteceu, já fui promovido dessa maneira, do cara falar, vou te promover para me livrar de você, porque não bateu o santo.

Luciano: Mas esse cara tinha um talento, porque ele falou, esse cara não está ‘performando’ aqui – se foi isso – não está ‘perfomando’ aqui, mas acho que com essas habilidades dele, ele pode ir muito bem ali. E abre para você o caminho. De qualquer forma, você tinha atributos que te levaram para lá e você falou um negócio para mim aí que é fundamental, quer dizer, tem a pegada da atitude, tem a pegada da moral, do teu comportamento ético, que fala, essas aqui são irrepreensíveis, não importa o cargo que esse cara vai ter aqui dentro, sem esses atributos básicos aqui, de moral, da atitude, do comprometimento, do comportamento, ele não vai para lugar nenhum.

O que me leva para outra coisa que eu falava para os meninos também, vocês, dificilmente, algum de vocês vai perder emprego por falta de competência técnica, vocês vão perder emprego por problema de comportamento, atitude e comportamento. A parte técnica, a gente treina, a gente ensina, o dinheiro compra, cara, você consegue treinar, mas se você não estiver disposto para isso, você vai dançar. Então acho que isso fecha um pouco essa coisa de você, que pegadas eu estou deixando e sabendo que vai ter gente olhando para elas.

Augusto: Aí talvez valha a gente desenhar um pouco melhor essa imagem. Quer dizer, de que é constituído o indivíduo? Eu acho que ele é constituído de um lado ético, moral, que é o caráter daquela pessoa, resumidamente o caráter. O caráter é giving, o cara vem daquele jeito, eu conheço poucas pessoas, eu acho que eu não conheci ninguém, para falar bem a verdade, que mudaram o caráter ao longo da vida. Então quando você contrata um caráter, cara, é aquilo. A outra coisa é o lado de capacidade de realização. E aí você pode subdividir em duas partes, a técnica, que você consegue aprender, mas tem uma parte da entrega que é como você entrega, o quanto você põe de coração, o quanto você põe de emoção no que você faz.

Luciano: É atitude, não é, cara, é uma atitude.

Augusto: Mas não é caráter. O caráter já está resolvido, o cara é um bom caráter, mas um cara bom caráter pode ter uma atitude do tipo me diz o que eu tenho que fazer, eu tenho que ir até a página 20 eu vou, e tem aquele cara que corre uma milha extra, que corre duas milhas extras, que você compra o bolo e ele põe três cerejas em cima. Esse é o cara, muito mais do que o cara que faz o bolo perfeito apenas, entendeu?

Luciano: Você sabe que teve um outro lance, há pouco tempo eu publiquei um dos sumários, eu não vou me lembrar qual deles foi, onde o cara estava discutindo exatamente essa questão de caráter, ele falava do desempenho e dava alguns exemplos de esportistas que arrebentaram, que chegaram no topo. Ele dizia o seguinte, cara, você precisa de talento, habilidade e competência para conseguir chegar no topo, mas o que te mantém no topo é o caráter. E ele dava exemplo, Mike Tyson. O cara chega no topo e só cai do topo por problema de caráter. Pega vários jogadores de futebol, tem um monte de histórias, então para chegar até o topo, você pode crescer da forma que for…

Augusto: Mas só o caráter não leva no topo.

Luciano: Mas só ele te mantém no topo.

Augusto: Mas sem o caráter você cai.

Luciano: Vai cair, exatamente.

Augusto: Concordo totalmente com você.

Luciano: E a gente às vezes releva isso, fala o caráter, sei lá, vem de casa. Eu digo assim, as pessoas no dia a dia, estou tão preocupado em desenvolver habilidades, em ficar bom, em treinar as coisas, que eu esqueço…

Augusto: Hoje eu contrato na minha empresa caráter e atitude. O currículo eu desenvolvo. É como você falou, o dinheiro compra.

Luciano: Como é que você faz quando você recebe um currículo de quatro páginas?

Augusto: Eu posso te contar, é meio chato aqui para os ouvintes, a pergunta que eu faço?

Luciano: Pode.

Augusto: Eu pergunto para o cara o seguinte, você já se fodeu? Não? Então passa daqui a dez anos. Por quê? Porque um cara que não se ferrou ainda, não é que eu despreze o cara júnior, mesmo um cara júnior já tem que ter experimentado o sabor da derrota, entendeu? De tentar fazer de um jeito e não dar certo, ele experimenta de outro até dar certo. Então eu valorizo mais as derrotas de um currículo.

Luciano: As cicatrizes, não é?

Augusto: As cicatrizes do que os grandes louros da vitória. Porque se o cara tiver cicatriz, se tiver caráter e atitude, ele vai ter os louros e vai ser comigo, na minha empresa. Então se o cara fica sem jeito para responder, eu já perdi o tesão de entrevistar esse cara.

Luciano: Diz como é que você quebrou a cara e o que aconteceu depois, como é que você recuperou.

Augusto: O que aconteceu? Como é que você saiu dessa?

Luciano: Exatamente.

Augusto: Ele conta uma história de vida e o currículo dele vem ali, usei essa habilidade, usei essa competência, eu tinha estudado isso, eu fiz o MBA, vem naturalmente. Mas a pergunta certa é uma pergunta que deixa o cara, desmonta e aí é ele que está falando e não o personagem.

Luciano: Você sabe que eu estava conversando outro dia, eu não consigo me lembrar com quem foi, a gente estava falando esse negócio de seleção e ele falou, eu tinha um sócio meu, cara, que ele recebia lá, sei lá, 20 currículos, ele pegava o bolo de 20 currículos e jogava para o alto, os que caíam no chão ele descartava e pegava os que ficavam em cima da mesa. Ele dizia, eu não quero que trabalhe comigo um cara que não dá sorte nem para ficar em cima da mesa o currículo e aí ele selecionava meia dúzia, os que deram azar para cair fora, esses não me interessam. Essas lendas urbanas que estão aí.

Mas vamos lá, você então se forma em engenharia, se formou em engenharia mecânica e aí pegou o diploma na mão, foi trabalhar.

Augusto: Três meses como engenheiro mecânico.

Luciano: E já foi para a área de vendas.

Augusto: Não, eu fui técnico da IBM longos anos.

Luciano: Sim e aí alguém, no meio do caminho, te tira e bota você em vendas, muito bem.

Augusto: O meu chefe, ele me viu, falou, você devia ir trabalhar em vendas.

Luciano: Você mudou de chefe também?

Augusto: Mudei de chefe.

Luciano: E aí você entra nessa área de vendas como um lone ranger, você era um vendedor único numa região, ou já estava numa equipe, como é que era o esquema?

Augusto: A IBM foi a IBM dos golden years, que tinha pleno emprego, a família se apaixonava pela empresa, você ganhava mal para caramba, desculpe, IBM, adorava a IBM, adoro até hoje, mas pagava mal, mas era um ambiente maravilhoso de se trabalhar. E foi a melhor escola de vendas que alguém podia sonhar, porque você recebia, você tinha cinco clientes, grandes empresas no ABC, General Electric, Carterpillar.

Luciano: Você estava no B2B.

Augusto: B2B, indústria. Eu era filial manufatura, só trabalhava com empresa de manufatura. E eu tinha que estar presente nessas empresas no mínimo uma, duas vezes por semana. Todas elas 52 semanas por ano. Mas como? O que eu vou fazer lá? Cara, no limite, você vai lá e leva o manual, naquela época tinha manual, entrega um manual novo, conta as novidades. E eu aprendi que vendas é ocupar espaço. Eu aprendi que vendas é você estar ouvindo o seu cliente, não falando. Eu aprendi que eu chego no cliente, eu vou tomar um café com você, posso? Claro, cara, estou ocupado, mas passa aqui às seis da tarde. Tudo bem, seis da tarde estou aí. Ao tomar o café, eu dou um play no cara, ele começa a falar coisas e ele me dá o roteiro da próxima venda, não preciso pensar. E essa foi uma escola maravilhosa, porque a escola de que, cara, vai lá, o teu cliente é o rei, você tem que ir lá ouvir o que ele está sentindo, se ele tiver que te passar um trator em cima, deita no chão, deixa ele passar o trator, depois você levanta, continua conversando e essa foi a escola que me preparou para depois me transformar num CEO, enfrentar grandes desafios de empresas globais. Foi esse aprendizado da humildade de estou aqui para servir o meu cliente. Vendas para mim é isso, é servir o cliente.

Luciano: Legal. Você foi até onde nessa carreira de vendas?

Augusto: Eu fui até gerente de filial. O que é um gerente de filial? Eu tinha lá um grupo de, sei lá, 30 clientes do meu setor de manufatura, tinha lá meus dez vendedores, alguma coisa assim e eu atendia, tinha uma cota de vendas que eu tinha que entregar uma vez por ano, isso era sagrado na IBM, se não fizesse a cota um ano, se não fizesse dois, no terceiro, tchau, tinha que fazer a cota, tinha que entregar. Então fui gerente de filial.

Luciano: Como é que foi essa tua passagem, cara? Um belo dia você já é chamado e recebe uma promoção. Muito bem, a partir de amanhã você não é mais vendedor, você agora é gerente de vendas, vai cuidar daquela filial.

Augusto: Teve outros postos intermediários até chegar a gerente de filial.

Luciano: Eu quero saber no momento em que ele passa a ser líder e vai exercer a liderança, deixou de ser o índio para ser o caubói, para ser o mocinho. Vai no dia seguinte voltar, talvez com uma gravatinha e com cinco caras que eram teus amigos, no dia seguinte respondendo para você. Como é que foi isso?

Augusto: Acho que foi mais simples. Eu atendi um grupo de cinco clientes, um desses clientes era Indústrias Villares, que eu não sei se você se lembra, era uma potência naquela época, anos 70, anos 80.

Luciano: Teve um cara que perdeu o dedo lá num torno e virou presidente da república.

Augusto: Teve, mas não vamos estragar o nosso papo aqui. E aí esse cliente começou a crescer, crescer. Um belo dia, meu chefe falou, olha, você vai ser promovido. Que legal, o quê? Gerente de contas. Que bacana, qual vai ser a conta? Da Villares. Mas eu já atendo a Villares. Pois é, você vai perder os outros quatro e agora você vai atender só a Villares. Se eu já tinha dificuldade para achar assunto para entreter cinco clientes por semana, você imaginou ter que entreter um só o ano inteiro? Mas eu não vou conseguir, chefe, vou entregar manual para a Villares todo dia? Não vai dar. Mas não, esse cliente é multifacetado, ele tem n áreas de interesse, você vai achar teu caminho lá dentro. E eu fui, como alguém que está descendo um rio ao sabor da correnteza, fui aprendendo.

Luciano: O que você vendia para eles?

Augusto: Então, a IBM teve várias fases na sua evolução. Ela começou vendendo hardware, que eram os grandes mainframes, que já tinham o seu software embutido, que o cliente não pagava por eles. Essa foi a minha fase inicial. Quando eu saí da IBM ela já estava migrando do hardware, que estava virando um chaveirinho, para software. Depois ela saiu do software, hoje ela é uma grande integradora. Ela integra tudo de qualquer um para criar uma solução tecnológica. Eu vendia hardware, eu vendia mainframes. Eles chamavam de glass house, você entrava no cliente, tinha uma vitrine imensa e atrás tinha aquele puta computador.

Luciano: Com as fitas rodando.

Augusto: As fitas rodando, aquele negócio, 100 metros quadrados, que é mais ou menos um centésimo da capacidade do seu Iphone naquela sala, mas era isso.

Luciano: E não era uma coisa que você compra um por mês.

Augusto: Não.

Luciano: Aquilo você comprava, botava o bicho lá.

Augusto: Você comprava um por ano, um a cada dois anos e ao longo do tempo eu tinha que cevar esse cliente, estimulá-lo a usar mais esse computador, para que daqui a um ano ele estivesse cheio, a capacidade de processamento e armazenamento, para eu vender mais para ele. Então era um trabalho de curiosidade intelectual, para ver o tipo de uso que ele estava fazendo daquele recurso, para induzi-lo a usar melhor, o que tem que ser uma coisa sincera, não tem picaretagem nesse âmbito, um uso realmente útil para o cliente, para chegar no fim do ano, falar, cara, maravilha, você deu dicas maravilhosas… não eu, tinha uma equipe, que a gente ia junto.

Luciano: Que interessante, você é quase que um educador, você é um evangelizador ali dentro, para que eles tirem o máximo possível do teu produto e assim você possa…

Augusto: Os grandes vendedores até hoje são pessoas instintivas, tipo Luciano Pires, que são investigativos. Vai, ele olha o que o cliente está fazendo, quais são as dores, os problemas, vai dando pitacos, vai ouvindo e as oportunidades vão surgindo. Agora, fazer isso para um cliente, você lidar com um cliente ao longo de doze meses, é uma escola de vida e de vendas incrível.

Luciano: Você tinha uma equipe nessa época? Quando você assumiu a gerência, você tinha uma equipe?

Augusto: Eu tinha uma equipe de técnicos.

Luciano: Então vamos lá, agora me responda a pergunta então lá, como é que é, você amanhã vai entrar na empresa, você não é mais índio, agora você é mocinho. Você está de gravatinha e os teus colegas, até ontem eram teus colegas de fofoca no corredor, agora são seus subalternos. Você treinou para isso? Alguém te ensinou alguma coisa? Você teve aula para isso? Como é que foi, cara?

Augusto: Não, foi a escola da vida. A primeira coisa que você descobre é o ciúme e a inveja, enfim esses malditos defeitos que todos nós seres humanos temos. Mas você tem que lidar com isso. Aquele cara que você ia almoçar todo dia, no dia seguinte você fala, Zé, vamos almoçar, está na hora, meio-dia e meia. Não, hoje não posso. No dia seguinte, de novo não pode. O Zé não gosta mais de mim. Não, não é que ele não goste mais de você, ele está te colocando num outro compartimento, agora você é um gerente e eu não sou. E aí cabe a você descer do teu compartimento e mostrar para o Zé que você continua sendo o mesmo cara de sempre, o mesmo amigo. Então isso passa, mas num primeiro momento você tem que lidar com a discriminação que vem de baixo para cima.

Luciano: É a tal da hierarquia social que, você queira ou não queira, a vida acaba te levando para isso. Depende de quem você se aproxima, depende da caixinha onde colocam você, tem uma hierarquia e você não consegue quebrar isso, ela sempre existe. Agora é o chefe, eu já não posso mais falar para ele as mesmas coisas que eu falava aqui, porque ele está navegando em outras águas.

Augusto: Você começa a ser uma referência, à medida que você vai subindo numa carreira, você tem que se dar conta que você está sendo observado cada vez por mais pessoas, então cada palavra que sai da tua boca, cada atitude você tem que começar a pensar um pouco mais. Você me perguntou da minha primeira promoção. Na sua primeira promoção, você leva um bocado de ingenuidade para o compartimento de cima, e você paga um preço por isso. Na segunda promoção, você é um pouco mais político, um pouco mais diplomata, até que você aprende o jogo do poder como é. Agora, o que você não pode levar para o andar de cima é arrogância. Quanto mais humildade você levar para o andar de cima, mais chance você tem de ter uma carreira de sucesso. Ao contrário do que muita gente acha, que não, subiu, o cara tem que aprender a dar ordem. Você tem que aprender a liderar pessoas, não comandar, porque num ambiente corporativo você não tem o espírito de exército, você tem um espírito de conquistar o cara para o teu desafio. Se você não conquistar, eu tinha lá a minha equipe de dez, doze pessoas que trabalhavam comigo, eles trabalhavam porque eles estavam entusiasmados com alguma coisa, não porque eu mandava. É ilusão achar, agora eu sou general e vou dar uma ordem. Isso não acontece.

Luciano: Tem uma frase famosa, eu não vou me lembrar o nome agora de quem disse, mas ele disse o seguinte: aqueles que te temem na tua presença, te odeiam na sua ausência.

Augusto: Perfeito.

Luciano: Então eu sou o fodão, eu dou ordem e todo mundo tem medo de mim e eu virei as costas esse meu tapete está sendo puxado por todo mundo, não tem comprometimento. Ninguém me ama, cara, esses caras querem mais é que eu morra, mas quando eu chego está todo mundo quietinho, obedecendo. Então isso é uma arte, quer dizer, é aquela história de você falar eu estou liderando pelo que eu conquistei, quer dizer, as pessoas estão comigo porque prezam estar comigo, gostam, têm prazer, enxergam em mim um canal para crescimento e não um cara que veio aqui para dar esporro e dar ordem. E acho que isso faz toda a diferença. E você na porrada consegue resultados legais por um período de tempo, mas não consegue sustentabilidade nisso, cara, ou até não vai conseguir manter abaixo de você pessoas que você pode contar.

Augusto: Existe uma teoria da administração, uma teoria antiga, não lembro o autor, por isso que eu não vou dar o crédito aqui, que diz o seguinte, os grupos de pessoas num âmbito profissional começam como bandos, eles viram grupos, até que um dia eles vão virar um time. O time tem força de pensamento coletivo, o time dá retorno para a empresa em termos de formas melhores de fazer o trabalho que foi orientado a fazer através de ordem no estágio um. O chefe tem que acompanhar essa evolução, quando ele chega no nível mais alto, ele é descartável, ele tem que ter essa consciência que ele é apenas um facilitador, que o time tem vida própria.

Quando você está no estágio um do bando, você tem que ser sargento, agora esse discernimento eu tenho hoje, depois descobri que havia uma teoria por trás disso. No começo, você sente, olha, aqui eu acho que eu vou ter que dizer vai por aqui, que esse caminho é o que faz sentido. À medida que o seu time vai maturando, você vai tirando a mão, de repente, uma orquestra, se o maestro da orquestra sinfônica brasileira virar de costas, a orquestra continua tocando. É claro que o maestro, eu não estou diminuindo o papel do maestro, ele faz a diferença.

Luciano: Sim, mas é mérito dele ela tocar bem assim, claro.

Augusto: É mérito dele, nem sempre foi assim, provavelmente, no começo era um bando de Zé Mané, cada um tocando num tempo diferente, que ele foi e quando chegou lá no fim, ele já é descartável. Esse é o grande chefe, é o cara que chega naquele ponto e fala olha, eu estou pronto para uma promoção, porque aqui eu não posso fazer mais nada, eu já montei uma equipe perfeita, um processo que funciona de maneira fluida, maravilhosa. Next. Qual é o próximo desafio?

Luciano: Sim e aí tem que ter uma fome para isso, não é?

Augusto: Ter a fome e tem que ter alguém que vê as pegadas no chão, que eu mencionei no começo, fala, olha, esse cara está pronto para o próximo desafio.

Luciano: Sim, é assim que funciona, cara, meritocracia, uma porrada de coisa que está envolvida aí. E fala uma coisa, quando é que você encerra essa tua passagem como funcionário de uma grande empresa para?…

Augusto: Da IBM?

Luciano: Não, não sei se foi na IBM que…

Augusto: Foi.

Luciano: De lá você virou empreendedor, foi isso?

Augusto: Não, aí eu tive a fase filé mignon da minha carreira, que foram os anos 90, quando eu me tornei um CEO de grandes empresas de software. Nessa década, modéstia à parte, eu fui referência. Eu me lembro que em 1997, a Associação dos Headhunters considerou que eu era o executivo mais valioso do mercado de TI daquela década.

Luciano: Você estava à frente de que empresa?

Augusto: Eu estava à frente da SAP Brasil uma empresa de software. Mas eu queria te contar uma coisa antes disso. Eu tive sete empregos na minha vida e me demiti de seis deles no auge do sucesso de carreira, inclusive a IBM, apesar de estar num ciclo atrasado de carreira, eu estava fazendo bastante sucesso. Eu me demiti nos seis, porque me enchi da situação, me cansei, achei que estava virando mesmice, ou tinha um chefe que me enchia o saco, enfim, me demiti seis vezes. O sétimo e o último em 2001 eu fui demitido. Fui demitido pelo cara que era o dono global da empresa, que era o meu chefe, uma empresa, na época de quatro bilhões de dólares.

Luciano: Que empresa era?

Augusto: Eu vou falar do chefe agora, que era o Tom Siebel, era o dono da empresa. A empresa chamada Siebel Systems, hoje ela pertence a Oracle. Ela foi vendida para a Oracle. E um dia eu estava na Califórnia, onde ficava a sede da empresa, e o Tom Siebel queria trazer um argentino para ser líder da unidade de negócios do Brasil, eu era responsável pela América Latina. Eu falei, “Tom, isso não vai funcionar, cara.” “Mas é que o cara da Argentina é muito bom, a Argentina hoje está parada, o mercado lá está ruim, traz o cara para o Brasil.” “Mas não vai funcionar, a linguagem de negócios é outra. Brasil e Argentina é igual França e Inglaterra, não vai dar certo.” Ele falou “está vendo o nome da empresa ali na parede?” “Estou.” “Pois é, é o meu nome.” E eu entendi a mensagem, no dia seguinte eu pedi as minhas contas, como se dizia antigamente, mas no fundo eu fui demitido. Então foram seis demissões e autodemissões e uma eu fui demitido. Isso mostra que eu sempre fui muito ansioso por novidades, coisas novas.

Quando eu saí da IBM, estava começando no Brasil a onda dos softwares de gestão, que hoje fala-se ERP. O ERP até já está saindo da moda, vieram novas ondas. E eu trabalhei muitos anos na IBM com software para indústria de manufatura. A IBM, para quem não sabe, é a tataravó dos ERPs. Ela tinha uma coleção de oito livrinhos que eram a bíblia para você construir softwares de gestão de negócio: controle de estoque, controle de produção, pedidos, vendas etc. Quando eu saí da IBM, a IBM tinha software  para tudo isso, mas não era integrado, você tinha que ficar trocando informações entre os componentes. Só que o mundo à volta da IBM estava copiando o que a IBM estava fazendo de forma integrada, que eram os ERPs. Então eu saí da IBM para trabalhar com software de gestão e o software de gestão mais famoso do mundo era SAP e a SAP tinha um medo danado de vir para o Brasil, porque o Brasil é complicado, a legislação fiscal. Existe um termo na indústria que é tropicalização, que é você pegar um software que funciona no mundo inteiro e fazer funcionar no Brasil.

Luciano: Eu me lembro disso, que na Dana nós tivemos isso, cara, a gente teve uma experiência terrível, bicho, terrível.

Augusto: Então a SAP não queria vir para o Brasil, ela sabia que era um puta mercado e tal, mas falava o Brasil é complicado. E na época, isso em meados dos anos 90, eu estava trabalhando numa empresa israelense de software que gravitava em torno da IBM. E tinha um amigo meu que era CEO da Origin Brasil, que era uma empresa do Grupo Philips, que sabia que eu tinha trabalhado muitos anos na IBM com software aplicativo. Ele falou, “estou com uma chance de ouro, cara, eu estou com a SAP na minha mão, ela quer que o Origin represente a SAP no Brasil, faça a tropicalização do software e venda, eu preciso de alguém para me ajudar nisso, porque eu não entendo porra nenhuma desse negócio de software aplicativo”. Falei, “olha, eu posso ir, mas eu estou muito bem aqui e by the way, meu chefe israelense hoje está aqui e está na minha frente, você está me aliciando aqui por telefone e eu estou na frente dele”. Karl Treier esse alemão, amigo meu até hoje, grande amigo. Ele falou “me passa o teu chefe aí no telefone”, passei. Ele falou “você vai negar a chance para o Augusto de fazer aquilo que ele ama, uma puta carreira. Demite o cara já, porque ele ainda vai ganhar um chorinho”.

Luciano: Você está me dizendo que tinha um alemão falando com um judeu?…

Augusto: Isso e convenceu o judeu a me demitir para eu ir trabalhar com o alemão e trazer o SAP para o Brasil. Essa é a história que aconteceu, é real.

Luciano: Que doideira, cara.

Augusto: Eu saí da SAP, esse software de gestão em torno da IBM, software base, para ir vender SAP pela Origin. E eu fiquei dois anos na Origin, tentando tropicalizar o software. E a Origin não entendia disso, porque software ERP era uma coisa nova para todo mundo. Gastou-se milhões e ficou uma colcha de retalhos. Nesse período, a SAP aprendeu o Brasil, viu que não era tão complicado assim, o olho começou a crescer. Um belo dia baixou um alemão aqui, falou, quer saber, nós queremos de volta a nossa marca, a nossa licença, nós vamos pagar pelo esforço que vocês fizeram pela tropicalização, vamos jogar tudo fora e vamos fazer de novo, mas agora nós queremos o direito. Eu levei o alemão para almoçar, Hans-Hermann Berning, ainda lembro o nome dele. “Senhor Berning, o senhor vai precisar de um CEO aí para essa empresa, não vai? Eu me ofereço.” Ele falou “eu topo, se você ajudar a separar a boiada, você tem um monte de consultores lá na Origin, você tem vendedores, pré-venda, você vai escolher o filé mignon, nós vamos levar para constituir a SAP”, falei “deixa comigo”.

Luciano: Você se vendeu então para o?…

Augusto: Não. Aí eu fui lá para o meu chefe, alemão, na Origin, falei “a SAP vai levar, ela já decidiu que não vai mais deixar, que ela vai fazer tudo de novo e eles estão me pedindo para que algumas pessoas talentosas vão constituir o core de partida da SAP. Você me autoriza a escolher esses nomes? Se você não autorizar, os caras vão de qualquer jeito”. “Então vai com Deus.” Por isso que esse cara continuou meu amigo, que é um cara maravilhoso. Eu escolhi sete pessoas. Quando eu saí da SAP, no ano de 1999, tinha 600 pessoas, eu levei sete, eu e mais seis.

Luciano: E construiu a SAP?

Augusto: E aí nós começamos, construímos a SAP e foi um sucesso fenomenal. Centenas de clientes e foi uma referência. Porque o Brasil, normalmente, ele é alguma coisa tipo um, dois por cento do mercado global. Nós conseguimos, eu não me lembro das cifras exatamente, mas alguma coisa tipo cinco por cento do mercado global, fora completamente dos padrões. Sucesso muito grande.

Luciano: Que idade você tinha?

Augusto: Eu saí da SAP com 52 anos, mais ou menos, aí eu ainda fui para uma outra empresa, mais dois anos, aí pendurei a chuteira.

Luciano: Já era um cara maduro, aos 52 anos você já está pensando em algum…

Augusto: Eu virei empresário aos 55.

Luciano: Então, agora vai ficar bom aqui. Agora o bicho vai pegar aqui. Você foi de lá para outra empresa. Por que você saiu da SAP?

Augusto: Cara, de novo eu vou contar uma história aqui interessante. Tinha um amigo meu que dizia que o alto executivo, o CEO, o C-level é um pobre que anda de classe executiva, ganha um baita salário e o dia que se aposenta vai ter dificuldade de pagar um bom plano de saúde. Isso estava na minha cabeça, porque você com bônus, você ganha dinheiro, pode até ter uma velhice confortável, mas você não vai ficar bem de vida com salário de executivo, com o bônus que você ganha. E na época, a gente estava vivendo, fim dos anos 90, o boom da internet, a bolha da internet. As ações de empresa da internet valorizavam num ano um negócio que você falava não é possível, 100%, 200%, 300%.

E tinha uma empresa, que foi essa última empresa, a única que me demitiu, a Siebel Systems, que tinha um software que estava bombando, ela era a queridinha do mercado, ela vendia CRM, software para relacionamento com o cliente, não vendia ERP. Eu não entendia nada de CRM, mas a Siebel sabia da minha história na SAP, a essa altura meu último cargo na SAP já era América Latina e eles me convidaram para ir desenvolver o negócio da Siebel na América Latina. Falei, putz, será que eu vou? Eu estou aqui, meu chefe, cara, salário em aberto, bônus, o que você pedir, você não vai sair. Falei não, eu não vou sair por dinheiro, vou sair por ações. Agora eu quero fazer minha independência financeira. E eu negociei com Tom Siebel um contrato em stock options, falei salário, você vai me pagar um salário de mercado, mas eu quero ganhar stock options. E eu ganhei um monte de stock options, que era puro papel, não valia nada. Stock option, um dia você vai fazer o vest, se naquele momento estiver valendo, você ganha dinheiro, senão, não.

Um ano depois, um ano e meio depois que eu estava na Siebel os papéis estavam no auge, no pico e eu tinha direito a dois vests, um em dezembro e um em março de 2001. De dezembro eu peguei no pico, o de março já estava começando a cair, mas ainda assim foi muito legal. Aí tinha um em junho e eu estava tendendo a vender em junho, mas o cara que cuidava lá dos meus papéis falou cara, você vai ganhar muito mais dinheiro, lembra que você ganhou em dezembro? Eu esperei mais um mês, virou poeira, virou zero, pó, explodiu a bolha da internet. Mas ali eu fiz o meu pé de meia. Então esse meu último step como executivo foi um step de alto risco, que eu troquei salário por ações, acabou valendo a pena, que foi um aprendizado incrível, a empresa é superdinâmica, tinha um modo de trabalhar muito diferente da SAP e eu consegui ainda fazer um pé de meia.

Luciano: Tinha um bichinho dentro de você te cutucando para dizer está na hora de eu tocar o meu próprio negócio, de ser dono do meu negócio, de meter as caras para virar empreendedor, você estava pensando nisso?

Augusto: Estava. Estava porque nos anos todos que eu passei na SAP, eu observava as pessoas e via que elas chegavam aos 50 anos uma espécie de bloqueio, o que eu vou fazer agora, fazer mais do mesmo? Eu já fui CEO, eu vou ser CEO de novo de uma outra empresa. E aí depois que você passa dos 50 os ciclos vão começando a encurtar, se você tinha um ciclo de dez anos aos 40, aos 50 você tem um de cinco, se você tiver 55, o cara está te contratando para um job, ali para resolver um problema, porque o que ele quer mesmo é ter um CEO ali de 38 anos, sub 40. E eu tinha consciência disso.

Luciano: A bolsa escrotal perde a elasticidade e você não tem mais saco.

Augusto: Você não tem mais saco. Cara, eu dormia com o celular embaixo do travesseiro no vibracall para fazer call de pipeline de vendas às três da manhã com Tom Siebel, porque ele queria alinhar o Brasil com o Japão no mesmo call. E para não acordar minha mulher, eu ficava com o celular na mão embaixo do travesseiro, tocava, eu corria lá na sala para fazer um call de vendas às três da manhã.

Luciano: Dureza.

Augusto: Fazia bate e volta para a Califórnia, pegar um avião aqui, ia até Los Angeles, alugava um carro, aliás ia de Los Angeles a São Francisco, alugava um carro, descia uma hora de viagem até a sede em San Mateo, sede da Siebel, tomava um banho, ia para o escritório, trabalhava até o fim do dia, voltava à noite, pegava um red eye em Chicago, voltava para o Brasil e minha mesa estava entulhada. Daí trabalhava sábado e domingo, meus últimos dois anos de vida foram isso. Reuni tipo três milhões de milhas da American Airlines, uma loucura, vivia no avião, não vi meus filhos crescerem. Falei, chega, agora vou cuidar da minha vida.

Luciano: Você se arrepende disso?

Augusto: Não. Não me arrependo de nada na minha vida.

Luciano: Esse tema aí, não vi meus filhos crescerem. Quando você pensa nisso, o que bate em você?

Augusto: Olha, na verdade, é assim, se eu for responder de forma que talvez os ouvintes queiram que eu responda, uma forma politicamente correta, eu devia dizer, ah, eu me arrependo muito, eu devia ter dado atenção aos meus filhos, à minha esposa. Mas de fato tem um momento na vida que se você optou por aprender alguma coisa, por ir fundo em alguma coisa, você paga um preço com o seu tempo. Não dá para fazer tudo ao mesmo tempo. Então qualquer um que tenha uma carreira de sucesso, ele pagou um preço por isso. Agora, é a história da qualidade do tempo. O tempo que eu passava aqui no Brasil eu ia no teatro com meus filhos, sabe, teatrinho de domingo, chatésimo, lá na Bela Vista, levar no Parque do Ibirapuera, ensinar a andar de bicicleta. Todos os micos fui eu que fiz na minha família, mas tinha pouco tempo para os micos, era o tempo que eu tinha.

Luciano: Tem uma corrente hoje aí no mercado que é já de algum tempo, que digamos é uma corrente mais humanista, mais romântica, para ficar no que gosta de falar da Marina, mais “sonhática”, que prega esse equilíbrio da vida, que nós temos que viver uma vida equilibrada, equilíbrio da família, com a empresa, como se fosse possível você ter uma vida perfeitamente equilibrada. Ou seja, eu serei essa pessoa extremamente bem-sucedida profissionalmente e também serei bem-sucedida como pai de família e também bem-sucedida em todos os segmentos. É aquela história dos sete pratinhos, eu tenho sete pratinhos rodando e consigo manter os sete ao mesmo tempo, nenhum deles cai etc. e tal. Você acha que isso é possível ou essa realidade que você acabou de falar aí de você pagar um preço pelo sucesso é uma coisa que o mundo como está hoje, a tecnologia que está aí torna isso possível, ou isso é só sonho?

Augusto: Não, não mudou nada. Eu continuo muito presente na indústria de tecnologia, a maior parte dos meus clientes são dessa indústria, essa é uma indústria pequena no Brasil, todo mundo se conhece, não mudou nada, a pressão continua a mesma.

Agora, respondendo a tua pergunta, são duas coisas distintas, uma é distribuição do tempo, a outra é sucesso em vários âmbitos da tua vida. Eu tenho um lema que diz o seguinte, o cara que diz que não tem tempo é um cara que não sabe gerenciar prioridade. E quem não sabe gerenciar prioridade é fracassado. Então, na verdade, o teu desafio é gerenciar o tempo para você conseguir fazer esporte, você conseguir ler, ir no cinema, namorar com a tua mulher, cuidar dos seus filhos e trabalhar que nem um animal. Dá para fazer, só que o tempo que vai sobrar para a família, para o cinema, para o livro, para essas outras coisas é menor do que o tempo que você vai gastar construindo a tua carreira, mas pode ser um tempo de extrema qualidade.

O que eu não concordo é você sair de férias uma semaninha, que é que te sobrou no ano e estar lá trabalhando, estar com o notebook na mão. Não, você está de férias, qualidade total daquele tempo para a tua esposa, para os teus filhos, para a tua família. Você vai no cinema, assiste o filme. O grande problema é a gente misturar estação. Não é quantidade de tempo que você dedica, porque esse tempo vai mudando ao longo da vida. Tem uma fase da vida que você tem que gastar mais tempo estudando, trabalhando, construindo uma carreira e depois vai invertendo.

Hoje, por exemplo, já há uns cinco, seis anos eu não trabalho às sextas-feiras. Então isso me dá uma qualidade de vida espetacular, eu desço para a praia no contrafluxo, volto no domingo de manhã. Nem sempre foi assim, eu conquistei isso. Agora, os quatro dias que eu trabalho na empresa é pé embaixo, eu não vacilo, almoço em meia hora, trabalho concentradamente, então é questão de gestão de tempo. Dizer que você está naquela tua fase, primeiro, segundo terço da carreira, dividindo o seu tempo em três partes iguais, mentira, senhor ouvinte. Estou falando olhando o retrovisor, estou falando olhando os caras que estão fazendo sucesso hoje no mercado. Mas dá para ter sucesso nos vários âmbitos se você der a sua atenção integral a cada momento que você está vivendo.

Luciano: A qualidade do momento e não a quantidade dele.

Augusto: Então, eu estou aqui. Eu vou sair daqui hoje, tenho mais dois compromissos no final do dia. Eu te juro por Deus, eu não estou pensando nesses compromissos. Se o nosso papo aqui durar cinco horas, eu vou depois ligar para o cliente, pedir desculpas, dizer olha, o compromisso anterior estava tão bom, eu estava tão envolvido que eu não podia cortar. E é assim que eu penso e aí dá tempo para tudo. Hoje eu faço esportes cinco vezes por semana, eu leio dois livros por vez, eu vejo todas as séries do Netflix, tiro férias rigorosamente todo ano.

Luciano: Escuta podcast.

Augusto: Escuto podcast correndo. Correndo, essa é a dica, melhor horário é na academia ou correndo. Então dá tempo para tudo. Agora, sabe, é a história do chinês dos pratinhos mesmo, de vez em quando quebra um, mas se não quebrar significa que você não é um chinês bom de pratinho, ou não tem a coragem para girar sete ao mesmo tempo.

Luciano: Vamos lá, você chegou no teu momento em que você vai abandonar a tua carreira e executivo e você que até então era um animal corporativo, trabalhou a vida inteira com um puta nome por trás, no teu cartão de visita tinha fulano IBM.

Augusto: Augusto da SAP.

Luciano: Augusto da IBM, Augusto da SAP, Augusto etc. e tal.

Augusto: Eu perdi o sobrenome.

Luciano: Você pensou nisso antes, você se preparou para essa saída, ou seja, de você olhar, ver gente que saiu, entender como é que era. Cara, amanhã de manhã eu não terei mais esse sobrenome e o que é que significa não ter mais o sobrenome?

Augusto: Você acha que um cara que se demitiu seis vezes e foi demitido a sétima pensa? Eu sou multiumpulsivo, tudo o que eu fiz na minha vida foi por impulso. Eu fui estudar engenharia por impulso, depois eu entrei na tecnologia da informação por impulso e eu resolvi ser empresário por impulso, sem pensar cinco minutos nisso.

Bom, eu tinha sido demitido, não restava outra alternativa, mas eu tinha três ou quatro ofertas de emprego para começar no dia seguinte e eu me controlei. De novo ouvi Dona Lígia lá em casa, falei, olha, eu acho que chegou o momento de eu pensar em mim, na nossa família, agora fazer uma coisa que realmente eu curto, um trabalho que vai sair da minha cabeça, que eu vou inventar e pode ser um ciclo muito legal de vida. E eu falei, olha, não tenho a menor ideia do que eu vou fazer. Eu vou fazer é ficar em casa, pegar todos aqueles livros que estão lá na pilha acumulados para ler, vou ler todos, vou botar o cinema em dia.

Mas essa festa não durou mais do que um mês, cara, que aí eu fui almoçar com o meu ex-assessor de imprensa, que hoje é meu sócio, Mário Soma. O Mário Soma era dono de uma assessoria de imprensa, como a gente dizia naquela época, hoje não existe mais assessoria de imprensa, são empresas de PR, comunicação integrada. E o Mário Soma era um consultor enrustido, a cobertura de imprensa que a gente conseguiu na década de 90 nesses vários lugares, eu e o Mário juntos, negócio impressionante. E o Mário me ensinou a contar a história. Falou, olha, quando o jornalista vem conversar com você, ele tem uma pauta na cabeça, ele tem um headline, ele tem uma linha editorial, ele vai te manipular, putz, o cara vai me matar de ouvir isso aqui, mas o jornalista tem na cabeça dele a matéria que ele quer escrever, você tem na sua cabeça uma outra matéria, então você tem que deslumbrar o cara, você tem que contar uma história e encantar porque talvez aí, te ouvindo, ele vai começar a pensar numa outra história e vai publicar a matéria que te interessa, não a matéria que interessa para ele.

E eu aprendi a contar histórias, por exemplo, como é que eu vendia SAP. Essa história é interessante. SAP tinha fama, no mercado, de ser um software muito complexo, alemão, integrado, impenetrável. Para implantar no Brasil, nas empresas que têm caixa dois, que têm puxadinho… Então você ia numa empresa brasileira, o cara falava, meu, isso aí você vai vender lá na Siemens, vai vender lá na Telefunken, aqui no Brasil não vai vender. Eu tinha que vender para Antarctica, tinha que vender CSN, para Suzano, meus chefes demandavam isso. Você não está aí no cargo para vender para os nossos clientes globais, você tem que vender para as grandes empresas brasileiras, que tinham medo de ficar engessadas com o SAP.

Até que um dia eu tive uma ideia, eu olhei na internet o cockpit de um 747, aí eu escaneei aquela imagem, botei um slide no meu notebook. Eu chegava na frente dos CEOs, o CEO da Perdigão, grande empresa, falava você está com receio de pegar esse software integrado, então eu vou abrir o computador aqui e te mostrar uma imagem. Isso aqui é o cockpit de um 747, você acha complexo? Até que não é, olha, são poucos mostradores, é tudo digital. Agora, lá no porão tem barras de ouro, no deck tem 400 vidas, você vai atravessar o Oceano Atlântico embaixo de tempestade, você vai confiar no piloto? Ou a máquina tem que ser à prova de erro? E para ser à prova de erro ela tem que ter uma interface muito fácil, muito amigável com o usuário. É isso que eu vendo. Eu vendo uma máquina complexa, mas muito simples de utilizar e à prova de erro do ser humano. A sua empresa é um Boeing 747, cheio de ouro no porão e 400 vidas a bordo, você vai atravessar o Oceano Pacífico sob tempestade, você vai confiar num softwarezinho feito em casa? Num equipamento que você tem, num teco-teco? Não dá. Teco-teco é para você voar visual, 100 quilômetros, mas não para você viajar 2 mil quilômetros. “Entendi, cara, agora você manda seus técnicos aqui, para demonstrar o produto” e era assim que a gente vendia.

E aí, voltando lá para a história do empreendedorismo, o Mário falou você é um grande contador de histórias e eu sou um cara de comunicação, então vamos criar uma empresa de comunicação e negócios. O nosso mote até hoje é RMA Comunicação e Negócio. Ele disse você é a parte de negócios e eu sou a parte de comunicação e nós vamos trabalhar nesse âmbito de empresa de TI, ajudando a traduzir o valor das marcas para o mercado, contando histórias legais, porque normalmente quem vende tecnologia gosta de vender hardware, vender o bit, bite, vender a tecnologia pura. Você não vende um avião falando do número de rotações da turbina, o número de rebites, você tem que vender utilidade.

Luciano: Isso 20 anos atrás?

Augusto: Isso foi 2001, 17 anos atrás. E aí nós começamos, com essa ideia de sermos tradutores de valor de marca. Não éramos assessores de imprensa, a gente fazia isso.

Luciano: Branding.

Augusto: Na verdade, era branding. Hoje, isso que eu vendo para os meus clientes. O que você faz? Eu faço gestão do valor da tua marca. Como? Do jeito que for necessário: redes sociais, imprensa, conteúdo proprietário, mídia paga. O que for necessário, só que você tem que ter uma estratégia por trás, não se comunica nada sobre uma marca sem ter um propósito, sem ter uma estratégia. E isso a gente intuiu lá atrás, em 2001, quando a gente criou a empresa, que é comunicação e negócio. Negócio é, entende o business do cara, a estratégia dele ir até o mercado e cria uma estratégia de comunicação para valorizar essa marca. Aí eu tenho um sócio, o Mário Soma, que é um jornalista experiente e executa a estratégia. E assim nós começamos.

Criamos, nesse período seis empresas, as seis estão vivas aí no mercado, três fizeram spinoff e vivem sozinhas e nós mantivemos três. Hoje a gente tem duas agências de comunicação integrada, RMA e a Brain Story, uma é espelho da outra. Isso é um termo de mercado para você poder ter clientes concorrentes, que têm que ser separados, mesma metodologia e estruturas diferentes. E temos uma terceira empresa, a Hook Digital, que faz marketing digital, inbound marketing, essas coisas mais “modernosas” assim.

Luciano: Você foi parar num mundo que não tinha nada a ver com a tua formação.

Augusto: Eu fui aprender. Aprender a escrever, hoje eu sou articulista.

Luciano: E o teu sócio te chamou porque viu as pegadas.

Augusto: Ele viu as pegadas, ele viu que eu gostava de contar boas histórias, que eu vendia  SAP contando a história de um cockpit de 747.

Luciano: Mas você foi lá fazer o que na empresa? Vocês juntaram, são dois. Um eu sei, já entendi, um é jornalista, um sabe manipular a informação, sabe escrever etc. e tal. E o outro veio para que, para administrar o negócio?

Augusto: Na verdade, eu vim para criar um negócio mais multifacetado, porque ele era assessor de imprensa. Já naquela época, isso 2001, a gente já falava da tendência da mídia tradicional começar a encurtar, diminuir número de assinantes e tal, então a minha missão era achar outros caminhos para levar a marca do cliente até o mercado. Então internet já era uma coisa concreta em 2001, redes sociais ainda não. Mas, por exemplo, o site da empresa já era importante. O conteúdo do site, não adianta você ter lá história, quem somos nós, trabalhe com a gente, nossos produtos. Isso aí você entra uma vez e nunca mais. O site bacana é o site que o cara volta, que é o que tem conteúdo dinâmico, tem conteúdo utilitário então olhar o conteúdo do site, mais adiante já surgiram os blogs, mais para frente redes sociais, a gente começou a diversificar.

Luciano: E é uma coisa interessante, porque você está vivenciando, a tua empresa nasce e cresce talvez no período da história da humanidade de maior…

Augusto: Evolução da comunicação.

Luciano: Com inclusão de coisas novas ano a ano, quer dizer, cada ano que passa.

Augusto: Você falou que o podcast nasceu em 2004.

Luciano: É, por volta de 2004.

Augusto: 2004, cara, quer dizer, quando eu comecei meu negócio não tinha podcast, entendeu?

Luciano: Sim, então o que eu quero dizer é que você está vivenciando uma experiência construir uma empresa num universo que está mudando. Amanhã de manhã já virou tudo, não é? Quer dizer, não é que eu peguei o meu modelo antigo, vou melhorar o modelo que eu tinha. Você pega o modelo antigo, fala, cara, daqui para a frente é outra coisa, a conversa que eu vinha usando não serve mais, as ferramentas que eu usava não servem mais.

Augusto: Literalmente, é você construir sobre a lama, sobre um pântano.

Luciano: Sim, que está se movendo o tempo todo, sim.

Augusto: Está se movendo, então isso é difícil? Isso é muito difícil, mas a inovação vem daí.

Luciano: Esse ponto é importante. É um cara maduro, bem-sucedido na carreira dele, entrando numa seara que é totalmente estranha daquela que ele vinha fazendo. Você já falou que você tinha o espírito de se jogar e, quer dizer, isso não foi problema, a coragem de se atirar você já falou como é, isso não era problema. Mas amanhã de manhã você não tem mais a matriz para recorrer, você não tem mais um bando de advogados para recorrer, não tem mais a secretária. Você está por si, você e teu sócio lá, os dois, se der errado, os dois vão se ferrar e não tem como ligar para a matriz, manda uma graninha aqui. Não tem de onde vir. Como é que é essa consciência de você acordar de manhã e falar, cara, eu sou a última instância, de mim não passa?

Augusto: Mas na verdade, Luciano, eu vou te contradizer agora, eu acho que nós somos a última instância sempre. Eu tive um chefe que me marcou muito, era um gringo que amava o Brasil, ele costumava dizer, vocês brasileiros são especialistas em resolver os problemas que vocês mesmos criam para vocês.

Luciano: Tinha um pessoal que dizia que a gente era especialista em automatizar a pazinha que recolhia o cocô.

Augusto: É outra versão da mesma coisa. E esse meu chefe, ele dizia o seguinte, a gente tem a ilusão, na vida, que nós somos trapezistas em cima de uma rede. E se eu disser para você que a rede nunca existiu? Você pode estar demitido amanhã, você pode estar morto, você pode ficar doente e a empresa não te dar suporte. Tudo pode acontecer, então a rede não existe. A partir do momento que você sabe que nunca existiu a rede, você se torna mais light, mais leve. Então eu não tive esse medo de empresário, porque eu me lembrava lá do início da minha carreira aquele gringo que falou, olha, a rede nunca existiu, relaxa, cara, o risco é inerente à vida. Se é inerente à vida, tem poucas coisas que eu concordo com os petistas, mas quando a Marta fala relaxa e goza, ela está certíssima. Relaxa e goza, porque viver é arriscado.

Agora, não tomar decisão é muito mais arriscado. Eu acho que quando você deixa o mundo decidir  para você, aí está o verdadeiro risco, porque você é levado talvez para uma direção que não seja a melhor para a tua vida, para a tua carreira etc. Enquanto você está escolhendo para onde ir, é risco controlado, mas é risco. Eu não senti esse momento, foi muito divertido até.

Luciano: Como é que você está vendo hoje, cara? Aquele mundo onde você atuou durante muito tempo hoje é cliente teu.

Augusto: É meu cliente, boa parte.

Luciano: São clientes teus e você olha de um outro ângulo hoje. Você está olhando de fora para dentro e olha pela janela e vê essa moçada toda que está tomando conta dos ambientes. O que você está enxergando? Como é que você olha para aquele teu ambiente corporativo da tua época, olha para o ambiente de hoje, o que você está vendo aí? Eu não quero uma comparação do tipo está melhor, está pior.

Augusto: Até porque não está nem melhor, nem pior, está igual. Eu acho que o que mudou é a forma de você recompensar as chamadas gerações milênios, os caras pós mil novecentos e oitenta e alguma coisa, nascidos em 1986, por aí. Geração x, y, z, y particularmente para a frente. Para esse pessoal rewarding não é carreira, não é ganhar um relógio de ouro depois de 30 anos, ser promovido, eles são movidos muito mais a desafios e a visões. Então hoje você, para estimular uma galera, não basta prometer no fim do ano você vai ganhar um monte de dinheiro. Talvez isso não seja o melhor estímulo. Falar, olha, se você saltar um metro, eu vou te permitir tentar um metro e meio. E mais, para saltar um metro e meio, eu vou te dar alguma ajuda, eu vou te dar apoio para o próximo salto.

A nossa empresa, por exemplo, ela é great place to work, uma coisa que dá muito trabalho é ser uma empresa que é um lugar bom para se trabalhar e tal. Isso é conquistado através de desafio, não é através de conforto. Você oferecer uma zona de conforto, bom salários, estabilidade, carreira, talvez isso seja importante, mas quase como um pré-req, uma coisa no fundo, a cozinha. O que é importante, realmente, hoje é desafio. A minha geração era comum você falar, o cara trabalhou no Banco do Brasil 35 anos, se aposentou, pôs um chinelo, ou ficou na General Motors 40 anos, na IBM não sei o que. Hoje um cara que dura muito numa empresa fica cinco, seis. Porque a curiosidade intelectual, o sonho de vivenciar aquilo que eu fiz lá, algumas loucuras da minha vida é o dia a dia dessa geração hoje. Eles não tiveram a paciência que eu tive de ficar 20 longos anos numa empresa maravilhosa, mas eu fiquei 20 anos. Hoje o cara fica seis, cinco e muda.

E mais, eu acho que no futuro nós vamos ter um grande crowdsourcing de cérebros provendo a capacidade intelectual em todos os âmbitos que você possa imaginar, a empresa é meramente um frame. Por exemplo, você falou que quem faz os seus podcasts, a empresa está lá no Canadá. Os caras que fazem os sites em cima da nossa plataforma de inbound marketing tem um que está no México, outro que está na Índia. Não sei nem quem são os caras e tudo bem, entendeu? Aí vem blockchain, tecnologias que facilitam a integração global. Cada vez mais a empresa é menos relevante e o indivíduo é mais relevante. E o talento para integrar essas coisas é que vai contar, não é? Como é que você integra essas coisas, eu não estou mais numa sala com cinco caras um olhando para o outro, eles estão esparramados.

Augusto: Home office.

Luciano: Provavelmente, eu jamais vou me reunir com esses cinco caras ao mesmo tempo, vai ter que ser por Skype e assim vai. Provavelmente, com idioma que não é o meu. E a tendência acho que é essa, é irreversível. Eu tive ontem, acho que hoje de manhã, um post interessante. Nós estávamos falando sobre essa questão dos robôs que estão vindo aí. Aliás, eu publiquei ontem aqui a visão de futuro da Singularity University até 2038 e o pessoal do prêmio estava lá, a gente foi discutir esse assunto lá no grupo do Telegram. E eles estavam dizendo, um deles tinha uma preocupação porque ele estava vendo que, pelo que se dizia ali, em algum momento disse claramente que todas aquelas funções repetitivas do ser humano tendem a desaparecer. Então, por exemplo, o piloto de avião vai sumir, porque o avião vai se autopilotar, o automóvel vai se autopilotar e assim vai e essas coisas vão acontecer realmente.

Augusto: Funções não criativas vão sumir.

Luciano: É ou de repetição, aquelas coisas repetitivas.

Augusto: Não criativas, essencialmente.

Luciano: E ele dizia o seguinte, isso pode ser um baita problema, porque tem um contingente muito grande no mundo fazendo isso, que a hora que essas posições desaparecerem, para onde vai esse povo? Nem todo esse povo tem condição de dar um salto para uma atividade mais, digamos assim, criativa e nós vamos ter um baita problema aí de desemprego no meio do caminho.

Augusto: Você acredita nisso?

Luciano: Pois é, então, eu quero chegar no ponto que eu queria falar com você.

Augusto: Eu não acredito.

Luciano: Primeira resposta que eu dei para um dos caras foi a seguinte, falei cara, quando eu entrei no mercado automotivo, em 1982, a Volkswagen tinha uma indústria com, sei lá, quando chegou no pico, a Volkswagen devia ter 70 mil funcionários na fábrica. Era uma das maiores coisas do mundo que tinha lá, era uma fábrica com 70 mil. Hoje, a Volkswagen deve ter 15 mil. Onde foram parar os 60 mil que desapareceram? Nesse período todo, em 30 anos, 60 mil caras sumiram, perderam o emprego na Volkswagen e ficaram só 15 mil. Esses 65 mil foram parar aonde? Foram trabalhar noutro lugar, noutra montadora? Mas cara, todas elas são pequenininhas. Então houve uma revolução gigantesca, que fez com que 15 mil caras tenham a produtividade maior dos que os 60 mil de 30 anos atrás.

Augusto: É, mas se você me permite, eu acho que nós estamos vivendo uma situação um pouco diferente.

Luciano: Então, mas deixa eu te falar do conceito. Então, sumiram os cargos, desapareceram. E o mundo não acabou.

Augusto: Desemprego estrutural.

Luciano: Pelo contrário, aconteceram coisas, tem gente fazendo coisa aqui que você nem pensava. Então esse é um aspecto. Talvez vão surgir situações que a gente nem imagina hoje, por exemplo, contratar um cara para ser gestor de rede social. Fala isso há 10 anos? O que é isso, cara?

Augusto: Posso discordar de você?

Luciano: Por favor.

Augusto: Vou por uma linha de raciocínio completamente maluca. O cara que inventou esse conceito de Singularity, Ray Kurzweil, um grande cientista americano, ele se baseou numa lei chamada Lei de Moore. A Lei de Moore diz que a cada ano e meio a capacidade de processamento multiplica dentro de um mesmo transistor. E hoje chegou-se à conclusão de que a Lei de Moore está chegando no fim da sua curva, que a partir daqui, se você nanomizar, diminuir mais, miniaturizar mais, você vai perder eficácia. Então isso não é mais o caminho. O caminho passa por outros conceitos. Conceito de inteligência das coisas, inteligência artificial.

E o Ray Kurzweil traçou duas marcas no chão, uma é a singularidade individual, que eu acho que ele colocou que 2035 é quando um computador equivale a uma mente humana e dez anos depois, quando a rede mundial de computadores ultrapassa a rede mundial de cérebros, mas não em capacidade de processamento, em capacidade de tomada de decisão, que é uma coisa muito diferente. Isso faz com que essa era, a era da singularidade não possa ser comparada com as eras anteriores, as ondas anteriores de automação, quando um cara que era piloto de carroça virou motorista de automóvel, ou o cara que apertava parafuso numa linha de montagem saiu de lá e virou padeiro, foi fazer alguma outra coisa. O desemprego estrutural de hoje não gera replace, porque não existe capacidade intelectual de um cara de 45 anos para aprender programar inteligência artificial, machine language, não dá.

Então qual é a tendência, não sou eu que estou falando isso, eu li isso num paper da McKinsey que eu achei muito interessante, que é a quarta onda tecnológica é uma onda necessariamente distributivista, ou seja, nós de São Paulo vamos ter que cuidar da menor produtividade do Piauí, a Europa vai ter que cuidar da menor produtividade da África, para não ser invadido. E já está acontecendo, o Rio de Janeiro é isso.

Luciano: Então deixa eu te contar como é que eu terminei o raciocínio, cara. Eu falei, o que eu estou enxergando que vai acontecer aqui, depois do choque do petróleo, do choque da globalização, do choque da internet vai vir o choque ético.

Augusto: É isso, é a onda distributiva.

Luciano: Vem o choque ético e esse choque ético é aquele que vai decidir até onde essas máquinas vão chegar e o que elas vão fazer com a consequência dessa tecnologia tomando conta disso tudo.

Augusto: Eu e você vamos ter que trabalhar, supostamente, se a gente estiver aqui, para outras pessoas que não conseguem mais estar sentadas aqui fazendo o trabalho que nós fazemos. É isso, ou seja, nós vamos ter que distribuir, trabalhar menos horas mais intensamente. A riqueza vai concentrar mais, isso é fato e aqueles que concentram a riqueza vão ter que distribuir para viabilizar o mundo. Você fala Warren Buffet, o Bill Gates são visionários, quando eles começaram a distribuir fortunas há dez anos, criar fundações para desenvolvimento de saúde em alguns rincões na África, eles são visionários, eles estão antevendo o mundo dez anos para a frente. A nossa próxima onda é uma onda humanística, eu acho, uma onda onde nós efetivamente vamos ter que descer do pedestal da tecnologia para subir no pedestal do ser humano.

Luciano: De fazer alguma coisa com ele, não é? A gente já vem num andamento interessante quando você sabe que a pobreza mundial diminui a cada ano e cada vez mais rápido. Tem um gráfico maravilhoso, eu estava hoje de manhã conversando com uns caras e mostrando, em 1980, 1990, 34% da população do mundo vivia com menos de um dólar e noventa por mês, esse número caiu para 8% numa velocidade brutal e se prevê que, continuando assim, isso vai cair para zero daqui a quatro, cinco, seis, dez anos. O que significa isso? Isso significa que o mínimo do mínimo do mínimo está garantido e que, embora tenha um cara ganhando doze bilhões, a turma que antigamente estava na miséria e não tinha sapato para usar, agora já tem um sapato e que esse patamar vai subindo cada vez mais. E talvez aí então nasça um novo tipo de negócio, tem um outro business, que é aquele que vai tomar conta dessa base.

Augusto: Que é o fomento da distribuição, porque hoje esse distributivismo está acontecendo de maneira natural, intuitiva, sem regras. Vai chegar o momento que a grana vai concentrar tanto no topo da pirâmide que nós vamos ter que planejar a distribuição para manter as camadas de baixo bem atendidas e operacionais, sendo úteis para a sociedade, se motivando, criando família.

Luciano: Até porque esse cara que tem essa grana toda aí precisa criar consumidores. E aí é que vem a outra coisa interessante, os computadores devem cair de preço barbaramente e todo mundo vai ter um tablet, a tecnologia vai ser trabalhada de forma a chegar nesse povo todo. Então aquela história do índio de pé no chão, no meio da selva, passando fome, esse cara vai ter um celular lá, vai chegar o celular e esse celular vai ser o contato dele para começar a fazer esse processo.

Augusto: Agora, defina tecnologia. Nós estamos num estúdio, para quem não sabe, o Luciano tem um estudiozinho aqui maneiro, incrível, tem de tudo aqui dentro, mas possivelmente se eu for pensar no que você investiu no teu estúdio e o valor do conteúdo que você produz, você é a tecnologia.

Luciano: É, na verdade, essa tecnologia que eu estou dizendo para você são esses gadgets todos que me permitem…

Augusto: Mas isso não vai valer nada, cara.

Luciano: Não, mas espera um pouquinho, um processo que consiga me colocar em contato com você, ele tem o seu valor. A minha ideia é maravilhosa, a tua ideia é maravilhosa, um sistema que me coloque em contato com você…

Augusto: Mas o que eu estou querendo dizer é o seguinte, a inteligência por trás de tudo isso é que tem valor. Você falar, um computador, uma ilha de edição, uma rede, essas coisas tendem a virar chaveirinho, tendem a virar poeira.

Luciano: Foi o que eu falei, o índio vai receber um lá e ele vai estar conectado com o mundo.

Augusto: Mas atrás disso aí vai ter uma tecnologia tão potente, na forma de software, na forma de cloud computing de recursos, de viabilizar essa tecnologia para o índio no meio da selva, isso é que tem valor.

Luciano: É o Boeing que você falou, é o tal do Boeing que você falou.

Augusto: Entendeu? Mas não, o que eu estou querendo dizer não é isso, não. Estou querendo dizer é que no futuro o valor não é o avião, o valor é transporte, no futuro você vai dizer, te levar do ponto A para o ponto B, seja num Boeing ou a pé é isso que vale.

Luciano: É o efeito Uber.

Augusto: É o efeito Uber, é isso.

Luciano: O que me interessa é me coloque onde eu preciso estar, pronto. Eu vou com meu carro, ou vou de Uber, ou vou de ônibus, me coloque onde eu quero estar.

Augusto: Da forma mais eficaz.

Luciano: Exatamente. É aí que está a coisa.

Augusto: Nós não estamos preparados para ele, para esse mundão, acho.

Luciano: E nós dois ainda com 60, 70 anos de idade, cara, passando por esse processo em que, cara, eu estou deixando de ter coisas para passar a usufruir coisas, deixando de valorizar ter a coisa, para passar a valorizar usufruir a coisa, olhando para a minha coleção de DVD.

Augusto: As classes do Busarello lá.

Luciano: O que que eu vou fazer com os meus DVDs, cara? Estão ocupando espaço, eu vou jogar essa merda fora.

Augusto: Não jogou ainda?

Luciano: Tem umas duas caixas aqui com 800 CDs, o que eu faço com isso?

Augusto: Eu estou no Spotify desde o primeiro dia.

Luciano: Pois é, bicho, entendeu? E tinha valor, eu conseguia valorizar, eu pegava uma caixinha de plástico, levava e ia mostrar para você, olha o meu DVD, acabou, no más. Agora é alguma coisa que está no ar. Então tem uma mudança, aliás, eu passei por isso um tempo atrás, quando eu fui tomar decisão lá, mudei para São Paulo, estou morando aqui a 60 metros da minha casa e tal, vou vender meus carros. A coisa mais difícil foi mudar o mindset para dizer “eu não tenho mais”. Quando eu sentava ao volante e saía com o “meu” carro, não existe mais. Cara, e eu fui criado a vida inteira, a minha vida inteirinha eu fui criado para ter o meu possante e agora não é mais o meu possante. Então, para um garoto de 20 anos que está nos ouvindo aqui, isso é bobagem.

Augusto: Quando eu era executivo, você ter um carro da empresa era um estímulo. Ganhei um carro corporativo. Hoje eu tenho 130 funcionários na minha empresa, eu vou dizer para você, 80% deles não tem carro, não tem carteira de habilitação, não sabe dirigir e não quer aprender, porque eles usam Uber, usam transporte público, eles querem estar leves e soltos, ir para a balada, beber. É um outro conceito, é um Uber model aí que a gente estava falando. Então esses valores da nossa geração são valores que morreram, não adianta a gente olhar para trás, são carcaças que ficaram no passado. A gente tem que olhar os valores de hoje, os valores de hoje são outros.

Luciano: Que exigem outro tipo de habilidade, outro tipo de atitude, outro comportamento, por isso é tão difícil dizer que é pior do que era, melhor do que era, é outro mundo. É outro mundo totalmente diferente. Meu caro, quais são os projetos aí, o que vem pela frente? Como é que você está lidando com comunicação num mundo em que continuando ligado no que nós estamos falando, cara, está acabando o jornal, está acabando televisão, está acabando revista, isso está desmanchando na frente da gente, nós estamos vendo diariamente e todo esse modelo desmanchar.

Augusto: Você acha que está acabando ou que está mudando?

Luciano: Eu acho que acabando que eu quero dizer é o seguinte, eu vou te dar um exemplo. A coisa mais anacrônica em termos de comunicação que eu vejo no Brasil chama-se Projac. É inimaginável uma estrutura daquele tamanho, custando o que custa, com o volume de gente, aquilo não há dinheiro que pague, aquilo já era, aquilo acabou. O prédio da Editora Abril na Marginal de Pinheiros, aquilo não existe, cara, aquilo acabou. A gráfica dos caras, aquilo já era. Isso tudo desmontou e nós estamos vivendo no momento em que isso tudo está desmilinguindo e vai desmontar. E ainda não surgiu uma coisa nova no lugar, quer dizer, não é que acabou o jornal impresso e nasceu tal coisa, que substituiu pelo outro, não, nós estamos no meio do caminho. Você vai falar com o pessoal de marketing das empresas, eles precisam do prestígio de estar na televisão, aparecendo na boca do Milton Neves, precisam do prestígio de ter um anúncio na Revista Veja etc. e tal. Isso não acabou ainda, mas está cada dia menor.

Por outro lado, as mídias não trouxeram ainda alguma coisa que possa repor esse prestígio, que eu chamo do tal do advertising, quer dizer, eu não consigo mostrar para a minha tia a minha cara na Revista Veja, eu estou num podcast, cara, quem é esse cara? Sei lá quem é. Eu estou numa mídia, eu fiz um post no Facebook, isso não é a mesma coisa que eu no programa do Faustão. Tem ali naquela mídia tradicional aquela história de que eu construo prestígio que eu não consigo fazer ainda nas mídias sociais porque não deu tempo ainda. É meio da transição. Eu acho que é questão de tempo agora, essa coisa antiga demolida e nasce algo novo. Na hora do almoço eu estava comentando do New York Times lançando um sistema de assinatura onde está muito claro, ele já sabe que a gráfica dançou, que o papel dançou, isso tudo vai morrer e ele vai ter que sobreviver. Então ele vai dizer, o que eu tenho de mais importante? Eu sou um gerador de conteúdo. Eu sou um editor, eu tenho que fazer dinheiro com geração de cultura e com edição e não com impressão de jornal para vender por um dólar lá na frente. Só que ainda não chegamos nesse momento, ou seja, estamos no meio da transição.

Augusto: Que não vai acabar, esse é o paradigma.

Luciano: Então você, olha só, outra vez, você continua dez anos depois que você começou o teu negócio num mercado que não para de mudar, cara. Cada dia entra um negócio, vai nascer amanhã um aplicativo aí que destrói o que você está fazendo agora, porque tem um treco novo aí e você tem que ir automaticamente, bicho, fogo no rabo, jogo de cintura. Como é que é?

Augusto: Deixe eu te dar a minha visão desse cenário que você colocou, que é um cenário que aparentemente é assustador, mas eu acho que não é. É assim, nós estamos acostumados, padrão século 20, padrão da nossa geração a coisas concretas e acabadas: um jornal, um carro, um edifício. O mundo em que nós vivemos hoje é um mundo chamado MVP mínimo produto viável, que é tudo o que você constrói, você constrói de forma rudimentar que ele vai mudar todos os dias, hoje e sempre, não tem produto acabado. Então você fala o Luciano se informa menos hoje do que ele se informava em 1990? Não, você se informa de maneira diferente. Há dez anos, eu abria o jornal de domingo, passava a manhã de domingo lendo o jornal, isso era um estereótipo. New York Times, um negócio.

Luciano: O Estadão de domingo, cara.

Augusto: Então, eu pedia para o meu filho trazer, ele vinha dobrado com o peso do jornal de domingo.

Luciano: Aquela área de classificados, cara. Nossa.

Augusto: Agora, como é que é isso hoje? O mesmo indivíduo bate o olho no Estadão, o mesmo cara que continua assinando o Estadão, mas talvez ele vai ler o articulista, vai ler a Eliane Catanhêde, vai ler o Celso Ming e next, vai para o carro, ele liga a FM favorita dele, CBN, Jovem Pan, Band News para ouvir a abertura com o Boechat.

Minha rotina, eu ouço Boechat às sete e meia, depois eu mudo para a Jovem Pan para pegar os comentários do Professor Villa, que eu adoro. Quando eu chego na empresa, eu dou uma cutucada no Uol para ver se tem alguma novidade da Lava Jato que estourou no momento, às três da tarde eu entro no Esporte Interativo para filar as quartas de finais da Champions League que está passando, no elevador eu olho as notícias que estão saindo no momento e à tarde, quando eu ligo o Jornal Nacional está tudo requentado, não preciso ver o Jornal Nacional.

Então a maneira como a gente se informa está mudando, você usa blogs, você entra no Medium, você entra no Papo de Homem, você entra no Terra, mas a quantidade de informações aumentou, o formato que você pode consumir mudou. Eu entro no Café Brasil, eu posso escolher o mesmo tema na forma de ebook, na forma de podcast, de videocast ou eu posso ver um compacto, depois decidir se eu quero ver. Isso enriqueceu, não empobreceu. E a gente fala que a mídia está acabando. Não, a mídia está trocando de pena. Só que antes ela trocava de pena a cada dez anos, hoje ela troca de pena todo dia. Isso é bom. A dinâmica do mundo hoje é dinâmica do MGP.

Luciano: Só que no fim o peru vai virar uma avestruz, não é? Era um peru trocando de pena, agora vai sair um avestruz lá na ponta. Mas a pergunta que eu quero te fazer é a seguinte, como é que vocês planejam na tua empresa? Porque é aquela história, antigamente era muito fácil, cara, eu tenho modelo pronto, preparado, eu tenho o planejamento, eu já sei como é que funciona, eu sou uma agência de publicidade, eu ganho meu BV no Estadão, eu vou levar um plano para o meu cliente, vou convidar o meu cliente a botar um anúncio em tal lugar, cara, durante 40, 100 anos foi assim. De repente, não é mais.

Augusto: Você sabe qual o core da minha empresa hoje?

Luciano: Qual é?

Augusto: BI, business intelligence, analytics, data science. Você tem que ler o comportamento do cliente em relação à marca. Hoje existe um conceito chamado a jornada do cliente, que é o cara que compra o teu produto tem um perfil, segundo o perfil dele, ele tem 35 anos, ele é engenheiro, ou ele é advogado, o que seja, ele consome informação de uma certa maneira. Ele tem um insight, isso gera o impulso dele buscar mais informação, ele vai numa rede social, consome informação, vai num blog, vai numa mídia tradicional, num portal, num certo momento, ele fala eu acho que eu vou comprar alguma coisa. Nesse momento em que ele vai comprar, ele quer informação mais específica, produto, preço, qualidade, atendimento. Eventualmente, ele compra da tua marca. E aí tem um pós-venda, você tem que continuar entregando valor para o cara, se você entende o perfil do teu cliente, a tua marca está presente em cada step da jornada do cliente, você é uma marca de valor, senão você está morto. Simples assim.

Uma agência de comunicação hoje tem que entender perfis de clientes, que a gente chama de personas, desenhar o roteiro desse cara consumindo informação em relação à tua marca e a sua marca tem que ser uma marca com um propósito, uma marca útil, que provê conteúdo de valor ao longo de toda a jornada. Essas marcas serão as marcas líderes.

Luciano: E quando você pensa assim, não me importa se vai ser no Faustão, ou se vai ser no Uol, se é outro sistema que aparecer amanhã, porque é só um veículo que você vai usar, é uma ferramenta que você vai acabar usando ali.

Augusto: Exatamente, é isso.

Luciano: O que você vai ter que ter é…

Augusto: Inteligência.

Luciano: E trabalhando com você os moleques capazes de entender esse novo aplicativo maluco que chegou aqui, que, cara, não sei como funciona isso. Você lembra que nós estávamos falando o negócio do vídeo, que linguagem, tem que ter um vídeo que vai usar, que vai fazer um story, vou fazer um story aqui na minha marca.

Augusto: Mas o lance do moleque é um estereótipo também.

Luciano: Não, mas deixa eu terminar de dizer aqui, não é mais aquela produção de vídeo como a gente aprendeu a fazer na vida inteira. Agora, cara, está tremendo. Sim, senhor, tem que tremer.

Augusto: Isso é espontâneo.

Luciano: A iluminação está ruim. Sim, senhor, ela tem que estar ruim. Não é?

Augusto: Você me mostrou um vídeo aqui, que você prepara de forma caseira, digamos assim, depois você me mostrou um feito em estúdio e tal e eu dei minha opinião sincera para você, como um consumidor de informação. Falei, Luciano, aquele que você fez improvisadinho, caseiro, fala mais para mim, parece que é um colóquio, você está conversando comigo, eu consumiria aquele inteiro e talvez o outro eu ia parar na metade.

Luciano: Por isso que eu te falei que esse outro é a evolução.

Augusto: Exatamente, mas não é que fala que ficou mais simples, não, esse mais simples depende de você entender a cabeça do teu público consumidor, o comportamento dele. Ler comportamento é complexo. Você vai ter numa empresa líder de mercado sociólogos, pessoal de ciência de dados capazes de ler big data, lidar com plataformas. Eu vi a entrevista do Romeu Busarello aqui no teu programa, o CMO da Tecnisa, eu fiquei espantado quando ele falou que usa 26 plataformas de Martech para seguir a jornada do consumidor dele. Você tem noção, 26 plataformas de tecnologia para marketing. Esse é um mundo novo, não é um mundo mais simples, é mais complexo.

Luciano: E não é do Google, não é? É de uma empresa de engenharia que vende apartamento.

Augusto: É, de uma empresa de engenharia, uma construtora, exatamente.

Luciano: Impressionante.

Augusto: Então é um mundo novo e, na minha opinião, um mundo muito mais exciting do que o século 20. Um mundo incrível, eu queria ter mais 100 anos para viver esse mundo. Quem sabe, não é? De repente, vamos trocar peça aí para a frente.

Luciano: Lá naquele esquema que eu te falei, da Singularity, estava lá em 2028, alguma coisa assim, os caras já tinham desenvolvido uma tecnologia que prolonga a vida por 30 ou 40 anos. Então, se bobear, você vai até os 132, não é?

Augusto: O próprio conceito de vida, nós vamos ter um RAM externo com capacidade de processamento, vamos ficar o cérebro só, a mente, aí é um terreno que eu não ouso.

Luciano: Meu caro, fascinante, dá para ficar aqui até amanhã de manhã.

Augusto: Eu tomo uma cerveja aqui.

Luciano: Ah, mas eu vou providenciar. Você me deu uma ideia, vamos botar aqui uma chopeirinha. Quem quiser conhecer o teu trabalho, as tuas empresas e tudo o mais, como é que é? Como é que entra em contato e tudo o mais? Quero saber se você já escreveu o teu livro, se tem o teu blog, se tem tua rede social, passa agora aí todos os canais.

Augusto: Bom, nós somos três empresas, a RMA Comunicação, a Brain Story e a Hook Digital, que é uma empresa de marketing digital. Com esses nomes você entra no Google, vai nos achar facilmente, a gente tem blog, tem rede social, tem site, tem tudo isso. Mas acima de tudo, nós temos gente muito boa para ajudar nesse novo modelo de comunicação que está permeando o mundo hoje, que é um modelo dinâmico. Você não pode definir um padrão para atender todo mundo, porque esse padrão não existe, a gente acredita num padrão mutante.

Luciano: E esses 72 anos de experiência, cadê teu livro, cadê teu blog?

Augusto: Eu escrevi meu livro há 17 anos, está aí na minha mala, autografado para te presentear.

Luciano: Pô, vou ganhar um, como é o nome?

Augusto: Ser Humano.Com.Br

Luciano: Pô, 17 anos atrás?

Augusto: Eu intuí que o ser humano ia fazer a diferença, eu escrevi um livro, a internet estava nos primórdios, 2001, mas naquela época eu já tive essa intuição e eu escrevi um livro mostrando que no setor de tecnologia em que eu atuava estava todo mundo olhando a tecnologia, os computadores, os softwares. Gente, vocês estão olhando o dedo, não a lua. A lua é o ser humano. O ser humano é que faz a diferença e hoje nós estamos vivendo isso, quer dizer, esses garotos que fazem a diferença, que não sonham com relógio de ouro mas sonham com um novo desafio, eles estão olhando a lua, não o dedo. Eu, como um idiota mais antiquado, olhei o dedo muito tempo em vez de olhar a lua.

Luciano: Genial, cara.  Meu caro, muito obrigado pela visita.

Augusto: Foi um prazer, Luciano.

Luciano: Eu acho que nós vamos continuar agora a nossa conversa, porque nós temos umas histórias aí para conversar, empacotar uns trecos aí e fazer umas coisas legais, mas valeu, bem-vindo aqui, eu tenho certeza que o pessoal que está ouvindo aqui vai ficar encucando aí alguma história desses “papo de véio”, mas os “véio” aqui também dão seus pitacos, não é? Obrigado, cara, um grande abraço.

Augusto: Ainda tem bucha para queimar. Valeu.

Luciano: Muito bem, aqui termina mais um Líder Cast. A transcrição do programa você encontra no lidercast.com.br. O LíderCast chega a você com o apoio da Albaugh Brasil, que está revolucionando o mercado com uma linha completa de agroquímicos genéricos. Sim, cara, genéricos de qualidade, combinando proteção, rentabilidade ao agricultor e respeito ao meio-ambiente. Conheça as soluções Albaugh em bit.ly/escolhainteligente. Para ter acesso a esta temporada completa, assine o Café Brasil Premium no cafebrasilpremium.com.br, um ambiente educacional sem ser chato nem superficial, que já conta com mais de mil assinantes recebendo todo mês conteúdos voltados ao crescimento pessoal e profissional. Conheça, que vale a pena, cafebrasilpremium.com.br.

Você ouviu LíderCast, com Luciano Pires, mais uma isca intelectual do Café Brasil. Acompanhe os programas pelo portalcafebrasil.com.br.

Fim da gravação.

[01:33:38] Tempo final da gravação