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Ciça Camargo -

Luciano             Muito bem, mais um LíderCast. Este aqui começa com um convidado pra lá de especial, porque ele vem muito bem indicado, Mauro Segura, nosso amigo comum, um sujeito muito especial que nós dois aqui admiramos e a gente vai trocar uma ideia aqui. Não conheço esta figura, primeira vez que estou vendo ao vivo, a primeira vez que ele me vê ao vivo embora a gente já tenha se visto assim, digamos assim, um acompanhando o trabalho do outro bem distante. Tem três perguntas que são as fundamentais, as únicas que você não pode errar no programa, então concentre-se agora: seu nome, sua idade e o que é que você faz?

Romeu              O meu nome é Romeu Busarello, eu tenho 51 anos e eu sou professor há muitos anos, nos cursos de MBA da ESPM, do Insper e também sou diretor de marketing em ambientes digitais da Tecnisa.

Luciano             Pô, isso é currículo. 51 anos?

Romeu              51 anos e eu vou te falar uma coisa, Luciano, eu estava agora, eu fiz uma missão no Vale do Silício, passei dez dias no Vale do Silício com um grupo de executivos e eu tive uma palestra com um hadhunter, uma palestra muito interessante e ele estava comentando conosco que ele estava entrevistando um diretor de marketing para uma posição numa empresa do Vale do Silício e o diretor de marketing começou a relatar a experiência dele, falou olha, eu tenho 30 anos de experiência, eu trabalhei em empresas de consumo, empresas be to be, empresas de tecnologia, conheço muito bem o mercado latino americano e tal. O hadhunter olhou pra ele e falou parabéns, a sua experiência é muito boa, mas a sua experiência antiga, dois dos participantes que estavam conosco pularam fora, se assustaram, porque interessante, tua experiência é muito boa, mas a tua experiência é antiga, ou seja, seremos eternamente reféns de escola, talvez não a escola tradicional do dia a dia, de sentar numa sala e ouvir um professor, mas todos nós estamos ficando com experiências antigas.

Luciano             E o que vai sobrar são aquelas coisas que você não pode falar numa entrevista com hadhunter, você vem perguntar para mim: me fale da sua experiência. Eu vou falar para você o seguinte: eu fui goleiro de futebol de salão durante anos e isso me deu uma visão de jogo que nenhum outro jogador tinha, só eu tinha, eu era goleiro, então eu corria risco, eu tinha que ser explosivo, eu tinha que reagir na hora, eu tinha que sacar onde é que estava o cara para fazer o lançamento, o lançamento era um risco que se o bandido pegasse ele fazia o gol, ser goleiro de futebol de salão me deu me ensinou um monte, você acha que eu posso falar isso para o hadhunter?

Romeu              Não pode, é a mesma coisa que chegar numa entrevista e falar olha, a minha experiência de 30 anos como executivo de marketing, fazia mala direta 21×28, papel couchê 4×4, uma dobra com verniz de máquina, fazia no Estadão, na Folha, na Veja São Paulo, fazia outdoor na Rebouças esquina com Av. Brasil, esse tipo de experiência não conta mais absolutamente nada.

Luciano             Deixa eu pegar você na tua raiz, vamos embora. Você nasceu onde?

Romeu              Eu sou catarinense, sou da pequena cidade de Rio dos Cedros, interior de Santa Catarina, próximo de Blumenau, moro em São Paulo há 30 anos e vim vencer na terra do cimento, São Paulo é uma cidade forte para pessoas fortes.

Luciano             Isso aí. E seu pai e sua mãe faziam o quê?

Romeu              Meus pais, meu pai foi funcionário público durante muitos anos e a minha mãe, dona de casa. E eu saí de casa com 17 anos para fazer universidade em Blumenau, terminei a minha universidade em Blumenau…

Luciano             Você fez o quê?

Romeu              … eu fiz administração, eu fui influenciado por um grande professor, Carlos Alberto Julio, que também hoje é um grande palestrante, grande professor, foi meu professor na década de 80, me inspirou muito para a minha vida executiva e estou aí há 30 anos em São Paulo, estou há 20 anos na ESPM como professor dos cursos de pós graduação, estou há 10 anos no Insper também como professor.

Luciano             O que o Romeuzinho quando tinha cabelo, queria ser quando crescesse?

Romeu              Eu queria ser um profissional de marketing, não necessariamente marketing, porque quando eu era criança a palavra marketing no Brasil não existia, eu queria ser um homem de negócios, eu sabia que eu ia trabalhar com administração, com economia, eu quase fiz contábeis e olha, se tivesse que voltar na carreira eu acho que eu faria ciências contábeis, eu não faria marketing, a carreira é de marketing por inspiração do professor Carlos Alberto Julio, que na época era nosso professor de marketing na universidade e me inspirou e eu acabei direcionando minha carreira para marketing.

Luciano             Que legal e você saiu de uma cidade do interior então, foi fazer em Blumenau, um salto, daí de Blumenau você foi para?

Romeu              São Paulo.

Luciano             Já veio direto para cá?

Romeu              Direto para São Paulo.

Luciano             Com emprego na mão ou veio…?

Romeu              Não, vim como estagiário de uma empresa pequena, de um ex executivo da Artex, foi onde eu comecei minha carreira em Blumenau e ele retornou a São Paulo e me convidou para ser o estagiário dele, eu comecei como estagiário, depois trabalhei na Dumont relógios, trabalhei na Polaroid, trabalhei na Office Mex…

Luciano             Primeiro insight interessante, você impressionou tanto esse cara quando trabalhou com ele lá dentro de uma empresa grande, que a hora que ele montou o negócio dele ele falou opa, vou chamar o Romeu.

Romeu              Olha, eu tenho 51 anos, eu tenho 30 anos de carreira, todos, todos os empregos que eu conquistei desde professor na ESPM, como professor na ESPM, no Insper e hoje como executivo da Tecnisa, que eu estou lá há 17 anos, todos, Luciano, todos foram através da minha rede de relacionamentos e de um bom trabalho que eu deixei por onde eu passei. Hoje no mundo dos negócios, o que você sabe versus quem você conhece, ora você é centro, ora você é contra, ora você ajuda e ora você está sendo ajudado, então eu acho que fazer um bom trabalho, manter bons contatos, e deixar um legado por onde você passa ajuda muito, eu nunca fui entrevistado por um hadhunter, nunca na minha vida eu fui entrevistado por um hadhunter formal, por uma proposta de trabalho, sempre na minha rede de relacionamentos.

Luciano             Uma indicação, que legal.

Romeu              Sempre indicação.

Luciano             Isso é importantíssimo. Muito bem, você vem para São Paulo então para ser estagiário de uma empresa.

Romeu              Na verdade eu vim para fazer pós-graduação…

Luciano             Mas com que idade você veio?

Romeu              … eu vim com 21 anos…

Luciano             21 anos. Então o garotinho lá de Santa Catarina chega aqui em São Paulo, como é que é essa chegada?

Romeu              Eu vou te falar uma coisa que me marcou muito, quando eu cheguei em São Paulo em 1989, a Luísa Erundina estava concorrendo à prefeitura de São Paulo e foi a primeira mulher prefeita da cidade e assim que ela assumiu a cidade, assumiu a prefeitura, a gestão da cidade, ela cunhou uma frase, Luciano, que me ajudou muito, tanto a minha vida pessoal como na minha vida profissional, ela falou o seguinte: “prioridade é uma palavra que não tem plural, prioridade é uma palavra que não tem S”, isso me ajudou muito, tanto na vida pessoal como na minha vida profissional e eu sempre tive muita prioridade nas minhas questões, eu fiz minha pós graduação, depois eu morei um período na China…

Luciano             Em?

Romeu              … em marketing, fiz pós graduação em marketing

Luciano             Marketing, você botou na cabeça que você ia ser…

Romeu              … que eu ia fazer marketing, eu vim para São Paulo para fazer marketing.

Luciano             … você ia ser um bicho de marketing. Tá.

Romeu              De marketing. Aí eu fui para a ESPM, que na época era a única escola que tinha uma pós-graduação em marketing, fiz pós-graduação na ESPM, depois eu morei um período na China, eu tive uma breve experiência na China, morei…

Luciano             Mas como?

Romeu              … a trabalho, eu fui a trabalho, trabalhava numa empresa de relógios, na época a Dumont Relógios e eu passei um período na China, eu era para morar seis meses…

Luciano             Que ano é isso?

Romeu              … 1992.

Luciano             Que loucura. E você trabalhando numa empresa de relógio, quando está para acontecer uma virada no negócio de relógios que foi um meteorito cair e extinguir e nascer uma coisa nova, você estava no meio dessa…

Romeu              Não, na verdade não, 1992 não, Luciano, ainda era muito precoce, a grande virada que eu tive foi quando eu trabalhei na Polaroid, quando eu saí da Polaroid, meu sonho era trabalhar na Kodak, mas eu entrei na Polaroid e aí eu vi sim, aí eu vi a Kodak, por exemplo…

Luciano             Um tsunami passou e varreu…

Romeu              … um tsunami, essa foi uma transformação, porque aí a transformação começou lá pelo ano de 2001, 2002 que começaram a surgir os primeiros sinais dessa transformação digital que nós estamos vivendo hoje e aí e vi a Kodak em quatro anos ter como concorrente a Fuji, em 2006 o maior concorrente da Kodak era a Nokia, porque os telefones da Nokia já faziam foto na época, com uma qualidade ainda bastante insipiente, mas de alguma forma já concorriam.

Luciano             Mas fala uma coisa para mim, você numa época em que o paradigma do relógio, o relógio suíço, você vai para a China, que não tinha nenhuma tradição nesse negócio, como é que era?

Romeu              Não, na China não, na China era o seguinte, todos os relógios eram produzidos na China…

Luciano             Já eram naquela época, em 92?

Romeu              … em 92 e eu fui lá para fazer supervisão de qualidade, porque os chineses na época, eles produziam com uma qualidade bastante questionável, então eu fui para fazer toda a gestão de qualidade e todos os fabricantes do mundo, inclusive a Swatch, fabricavam na China. Só criavam modelo, modelavam, faziam todo o design e acabava produzindo lá porque na época o chinês ganhava 30 dólares por dia e nos finais de semana não tinha o que fazer, Luciano, eles iam trabalhar…

Luciano             Era 30 por dia? Não era 30 por dia.

Romeu              Desculpa, 30 dólares por mês, desculpa, por mês. Um dólar por dia e no final de semana, por falta de opção de lazer, eles iam trabalhar e eu não aguentei, por dois motivos…

Luciano             Eu estou espantado pelo seguinte aqui, eu estava nessa época em auto peças, então eu me lembro na época da encrenca toda dos chineses que estavam começando a chegar e o chinês tinha uma marca de produto ruim, ninguém se preocupava com eles porque o que chegava era ruim, era qualidade baixíssima, quer dizer, eu imagino levar isso para relógio, que relógio é um negócio que exige uma qualidade de produção.

Romeu              Porque estavam saindo os relógios mecânicos e estavam entrando os relógios automáticos…

Luciano             Já eram os digitais.

Romeu              Já nos digitais, automáticos na qual você fazia um circuito integrado e já…

Luciano             E matava o relógio.

Romeu              … e matava o relógio. Depois eu morei também uma época nos EUA, fiz intercâmbio na época, em 93 e depois eu trabalhei até 95, aí fui para a Polaroid, foi uma experiência maravilhosa.

Luciano             Aqui no Brasil?

Romeu              Aqui no Brasil, depois eu fui para a Office Max do Brasil, que era para ser o concorrente da Kalunga, acabou não dando certo e acabei por acaso entrando na Tecnisa e estou lá há 17 anos, nem eu imaginaria que eu ficaria tanto tempo, mas é uma empresa maravilhosa, tem uma liderança maravilhosa, na qual se encaixou muito com os meus princípios, as minhas crenças…

Luciano             O que faz a Tecnisa? Para quem nos escuta aqui e não sabe.

Romeu              … a Tecnisa hoje é uma das maiores incorporadoras e construtoras do Brasil, é considerada uma das empresas mais inovadoras do Brasil, é conhecida aí por grandes meios de comunicação, como Valor Econômico, a revista Exame, a revista época Negócios, a empresa sempre está liderando o ranking das empresas mais inovadoras do Brasil.

Luciano             Pô, que legal. E o professor, de onde vem essa de dar aula?

Romeu              Olha, eu sempre quis dar aula, sempre quis, desde a infância meu sonho era dar aula, não sabia que um dia eu seria um professor de marketing e acabei sendo professor de marketing na melhor escola do Brasil e na qual eu tenho muito orgulho, já passaram lá pelas minhas turmas, pelas minhas salas, mais de cinco mil alunos e que hoje aí ocupam cargos super importantes em empresas de destaque, muitos empreendedores, muitos executivos bem sucedidos, tenho muitos, muitos alunos hoje que foram expatriados, trabalham em empresas pelo mundo, eu tenho alunos aí com históricos bastante interessantes.

Luciano             Que legal. O que é dar aula para você?

Romeu              Eu sempre falo, por que eu dou aula? Eu vou dar aula para reforçar a minha fé, a aula me ajuda muito, muito a reforçar a minha fé, porque o mundo executivo, Luciano, é também um mundo forte para pessoas fortes e dar aula é um ato de reforçar a fé, porque no dia a dia não é fácil você ser executivo num país como o nosso, que você vai dormir de um jeito e acorda de outro. Então para mim, dar aula é um ato de reforço à fé.

Luciano             Você sabe que eu vi uma entrevista do Leandro Karnal para a Leda Nagle, ele falando sobre o exercício do palestrante e ela perguntou para ele, ele falou a coisa mais difícil para o palestrante é dar aula numa escola de sexto, sétimo grau, uma molecada mais adulta, ele falou, o cara que faz isso esse cara é o cara melhor preparado do mundo, eu não tenho medo nenhum de pegar na minha frente juízes, altos executivos, isso aí eu tiro de letra, agora, pegar uma molecada nessa idade dessa molecada de 19, 20, 25 anos, o cara tem que ser, tem que querer fazer porque ali o stress tem que estar ligado, tem que ter gatilho, tem que manter essa molecada na mão.

Romeu              Não é fácil, apesar que os meus alunos, Luciano, são alunos em uma faixa de 26, 27, 30 anos…

Luciano             É o Insper é?

Romeu              ESPM.

Luciano             ESPM. É pós graduação?

Romeu              Pós graduação. São alunos que já ocupam cargos de gerência, junior, coordenação, supervisão, é um aluno já bastante maduro, muito bem formado, um aluno muito exigente, porque vem de uma formação boa, já de família, vem de uma classe socioeconômica também bastante privilegiada, tem um repertório de vida já muito rico e que também te exige muito. Muito. Exige muito.

Luciano             É isso que eu ia dizer, quer dizer, é o cara que você não pode pisar na bola lá não que tem o troco

Romeu              Não pode pisar na bola. E um aluno também bastante hoje, militante, é um aluno bastante preciso, muito decisivo nas observações, demanda um esforço muito grande, eu reconheço, mas eu me sinto muito bem no quadrante, o ruim é que são todas questões acessórias à sala de aula, reuniões de professores, provas, trabalhos e essas questões todas consomem um tempo interessante, mas quando você entra no quadrante da sala de aula eu me transformo. Você sabe, Luciano, que todo professor é um ator frustrado, não deu certo como ator, vai ser professor, eu me realizo em sala de aula como professor, eu adoro.

Luciano             Ah é legal essa… eu realmente, eu me encontrei como palestrante, eu não dou aula por uma questão só prática, minha questão é prática, é aquela história, se eu estivesse dando aula eu teria que parar o dia, eu teria um dia determinado do meu calendário que eu teria que estar em tal lugar, ia demandar um tempo gigantesco que no fim das contas, você viu meu negócio o que é, eu não posso estar preso com calendário e tudo mais, então eu acabei optando por nem seguir adiante. Mas na palestra eu me encontrei. É uma delícia você chegar lá e falar com aquele povo e provocar reação das pessoas, é um negócio muito legal, especialmente quando você olha para trás e fala, o que eu apresento para essa moçada é uma sucessão de obviedades que estão aí dispostas para todo mundo, eu não retenho nada aqui, eu não tenho um negócio que tem uma ideia original minha que eu acabei escrevendo e que ninguém mais sabe daquilo e eu estou apresentando e todo mundo ó, não, eu estou pegando o que está na cara de todo mundo e estou contando uma história de uma forma tal que a minha história é diferente do Romeu, os dois falam de inovação, cada um de um jeito e ele encanta mais do que eu, eu encanto mais do que ele, mas é pela forma como conta a história, então essa história de combinar conteúdo com forma de entrega, com emoção e tudo mais, eu amo essa história e gosto demais, é o meu lado stand uper que como eu não faço como comédia, eu faço como palestrante. Vamos falar um pouquinho, eu sei que você é um cara que combina, tem uma coisa rara aí, você está nesse momento atuando como o professor, o cara que faz as palestras e ao mesmo tempo um executivo de uma grande empresa, então você está vivendo os dois mundos…

Romeu              Intensamente.

Luciano             … intensamente e você também tem 30 anos de história, quer dizer, você viu o Brasil mudar barbaramente nos últimos 30 anos, viu acho que duas ou três gerações mudando ali e está lidando nesse momento aqui em dois pontos interessantes, de um lado na sala de aula conversando com essa geração anterior à tua, os gerentes que estão assumindo lá e na Tecnisa deve ter uma equipe que trabalha com você com os moleque novo, “as menina nova” chegando lá e trazendo ansiedades e posturas que são totalmente diferentes daquela que a gente tinha há 30 anos. Como é que você vê, quando você falou um negócio para mim da fé, eu quero ter fé, como é que você vê essa história toda? Essa geração nova com quem você está lidando aí, tanto lá na escola como no teu dia a dia do negócio, é uma geração para você olhar e falar eu acho que vai dar certo, acho que o país vai arrumar, acho que o Brasil vai melhorar com essa molecada que está vindo aí. Como é que é? Como é que você vê isso?

Romeu              Eu acredito sim, claro que eu tenho o privilégio também de lecionar nessas duas escolas que tem o que a gente chama o melhor da gerência média brasileira, estudam nessas duas escolas é uma geração um pouco diferente da nossa, Luciano, porque é uma geração do show me the meaning…

Luciano             Show me…?

Romeu              … the meaning, o significado, o propósito, nós fomos uma geração do show me the money, que depois de uma certa idade também a gente muda e acaba voltando para o show me the meaning, mas é uma juventude preparada…

Luciano             Você tem uma coisa dos “S’s”…

Romeu              … ah, os quatro S’s da vida, é eu vou falar depois dos quatro S’s. Então é uma geração sim preparada, é uma geração com uma formação boa, com repertório de vida bastante interessante, não é só a formação, não é porque eles estudaram no Dante Alighieri, no Santa Cruz, no Miguel de Cervantes, no Arquidiocesano, nos melhores colégios não, eles têm um repertório de viagens, de convivência social, surfar em bons ambientes, é uma juventude muito preparada, eu não tenho dúvidas que eles farão a diferença, mas eu vou te falar uma coisa muito interessante, Luciano, eu pergunto em sala de aula, isso é recorrente, tenho feito isso, essa pergunta nos últimos dez anos, primeiro dia de aula eu pergunto para os alunos: quem de vocês quer ser CEO? Menos de 5% dos alunos querem ser CEO de grandes empresas…

Luciano             CEO é o capitão…

Romeu              … o presidente da empresa, ah eu quero ser presidente da Pfizer, da Nestlé, da Johnson, da Colgate, menos de 5% querem ser presidentes, olha que interessante, menos de 5% querem ser presidentes, quantos de vocês querem ser CMO? Diretores de marketing? Vocês estão fazendo uma pós-graduação em marketing, pressupõe-se que vocês aspiram ser profissionais diretores, os CMO, 10%. Eu pergunto para eles o que vocês querem ser? 85, quase 95 deles querem ser empreendedores…

Luciano             Donos do próprio nariz.

Romeu              … mas que tipo de empreendedor? Você tem quatro tipos de empreendedores, você tem o primeiro, aquele que monta uma franquia do Pão de Queijo na comunidade, monta um pet shop na comunidade, um empreendedor ok, vai ter a renda dele, não aspira grandes crescimentos, ele quer ter uma renda e algo para se desenvolver, algo nem para se desenvolver, para, de alguma forma para ganhar dinheiro. Aí você tem o segundo empreendedor que é aquele que quer montar um negócio para ganhar escala, crescer, Brasil, mundo, ganhar escala de idade, recorrência, tem sonhos ambiciosos. O terceiro que é onde os meus alunos se encaixam, que eu mais ouço, é business as a life style, eu quero montar um negócio que esteja alinhado com as minhas crenças, com os meus valores, com os meus significados, não pensam em ficar ricos, não pensam em escalar, não querem ter grandes preocupações, só querem ter um negócio alinhado com as suas crenças, é quase 70% dos meus alunos querem ter um business as a life style e eu tenho casos muito interessantes de alunos meus que já migraram para isso e por último é o intraempreendedor, sou eu, da Tecnisa, aquele cara dentro da companhia, que empreende, que faz, com o dinheiro da empresa, esse sou eu, o intraempreendedor, mas o que mais prevalece é o business as a life style e agora vou contar uma história muito interessante. Sempre conto nas minhas palestras, de um aluno meu que trabalhava na Cargil, lá pelos anos de 2006 e ele era propagandista da Cargil, veterinário e identificou que na cidade de São Paulo 60% das pessoas que residem na cidade de São Paulo tem um animal de estimação, cachorro, e esse cachorro tem tesão reprimido e toda vez que ele recebe um visitante na casa, ele gera uma situação constrangedora porque ele fica se esfregando no pé do visitante e tal, enfim, ele está com tesão reprimido. Esse meu aluno foi para Londres, fez um curso de masturbação canina, voltou para o Brasil, foi no Google, comprou algumas palavras relacionadas a ausência ou excesso de tesão acumulado de cão. Ele vai na sua casa com uma musiquinha, com uma pomada, ele cobra 170,00 para masturbar o cachorro. Na Cargil ele ganhava 6 mil reais por mês e hoje ele masturba cachorro, 14 mil reais por mês, olha que interessante, todo mundo ri como você está rindo, todo mundo ri.

Luciano             Não, é impossível não…  eu não estou…. eu estou rindo pelo inusitado da situação.

Romeu              Mas ele falou…

Luciano             Eu sei de gente que ganha uma grana masturbando gente, mas agora cachorro eu nunca tinha ouvido.

Romeu              … cachorro. 14 mil reais por mês e o pessoal ri na sala de aula, todo mundo dá risada, mas ele fala, eu sou um veterinário, o que faz um proctologista? O que faz uma mulher quando vai fazer uma ultrassonografia intravaginal, não é um homem que está lá, é um profissional. Quando você vai no proctologista é o homem, o profissional que está lá, ele fala eu sou veterinário, para mim isso é a coisa mais normal do mundo, pegar um cachorro, masturbar ele, deixar ele mais leve e deixar o dono do cachorro feliz, bom resumindo, ele voltou para Londres, olha a diferença do pensamento do empreendedor brasileiro versus empreendedor americano. Como é que pensaria um americano, Luciano? Pega essa técnica de masturbar cachorro, empacota ela, faz um CD, faz um manual, monta uma franquia, assim como é em qualquer curso de inglês, o que é um Wisard, um Wise Up um CNA, é algum professor de inglês que desenvolveu alguma metodologia, que desenvolveu um trabalho e falou não vou ficar rico dando aulinhas de inglês e eu vou escalar isso aí, vou modular e vou montar franquia e depois vou abrir a empresa na bolsa. Ele falou o seguinte, eu não posso crescer, porque se eu crescer eu tenho que contratar, se eu contratar eu vou ter concorrente e foi para Londres. Olha que oportunidade que ele perdeu, ele podia ter criado uma franquia no Brasil para masturbar cachorro e ele resolveu voltar para Londres, interessante, mas ele já deu um avanço, saiu da Cargil e foi masturbar cachorro, então isso é um exemplo de empreendedorismo as a life style, ele montou o negócio alinhado com as suas crenças, com os seus valores, com as suas convicções.

Luciano             Coisa interessante…

Romeu              Interessante, não é?

Luciano             Eu tenho um texto meu que fez um sucesso grande há um tempo que eu fiz a definição do empreendedor intraempreendedor para empreendedor normal, eu falo que os dois praticam esportes radicais, um pratica bung jump e outro pratica wind suit, o empreendedor intraempreendedor é bung jump, esse louco pula do alto de uma ponte, no abismo, preso por um elástico que seja o que Deus quiser, tem que ter peito, tem que ter para fazer isso aí, tem que ter saco, ele está correndo risco de vida e aquela coisa, mas tem o elástico. O Wind suit não, o cara pula com aquele negócio e não tem elástico, se ele errar… o bung jump errou, o elástico segura, você está pendurado no elástico, o Wind suit você errou, você bate na parede e acabou. Essa é a diferença dos dois, admiro os dois, tem que ter, pô é legal, mas um se bater, ninguém segura, o outro se bater a empresa está lá segurando ali, mas é interessante essas quatro opções que você colocou são interessantes, mas termina, você estava dizendo para mim, eu te perguntei como é que você vê essa garotada, essa molecada tem bala para…?

Romeu              Tem bala, tem repertório, talvez assim, eu gosto muito de uma frase da Cecília de Meireles (sic) que diz o seguinte: eu não quero faca, eu não quero queijo, eu quero fome. Às vezes falta um pouco de fome, mas eles têm a faca e o queijo na mão, veja, às vezes eles estão no show me the meaning, mas uma questão de tempo, Luciano, daqui a pouco eles casam, tem família, começam a ter aspirações maiores, ele entra para o show me the money, aí e acho que entra a fome, às vezes são jovens que vem de ….. é que hoje está muito fácil empreender no Brasil, está muito fácil…. eu sou de uma geração que os meus pais, como você, Luciano, me educaram para encontrar bons patrões, eu estou educando meus filhos para eles encontrarem bons clientes e hoje está muito fácil você desenvolver o espírito empreendedor nos teus filhos. No passado, se a gente quisesse empreender, ou era uma carrocinha de cachorro quente ou uma carrocinha de pipoca, hoje quer empreender, o meu filho, por exemplo, negocia muita coisa na OLX, para cada um real que ele vende na OLX, eu dou mais um real para ele, porque ele tem que…

Luciano             Que idade ele tem?

Romeu              … 14 anos, então ele vai na OLX, ele posta lá algo que ele quer vender, a chuteira antiga dele, a camisa da coleção do Palmeiras, um joguinho de vídeo game, ele vai na OLX, ele tem que postar, ele tem que bidar, ele fica recebendo mensagem, o cara fica negociando com ele, aí ele vai e marca encontro na Fradique Coutinho, no metrô da Fradique Coutinho às 15 horas, ele chega lá e o indivíduo não vem e passa 15 minutos, passa 20, passa 30 e a pessoa que combinou com ele não vem e ele chega em casa e fala papai, a pessoa que eu combinei não foi e eu falo para ele, meu querido, bem vindo ao mundo dos negócios, ou seja, ele está empreendendo, ele não quer ter carro, mas se amanhã ele tivesse caro, eu ia falar você vai pagar o teu IPVA e o teu seguro sendo Uber drive part time, então se ele vai ser Uber drive, ele vai ter frio na barriga, ele vai ter que atender bem o cliente, ele vai ter que fazer a rota mais eficiente, ele está de alguma forma tomando o risco dele. Hoje em São Paulo você tem mais de vinte plataformas de guig economy, como é o caso da OLX, como é o caso do Singu, como é o caso do Cab Fi, como é o caso do Mercado Livre, o Eu Entrego, são plataformas que permitem que hoje um jovem possa empreender com pouca idade, na nossa época não tinha, a gente se preparava para encontrar bons patrões, hoje os nossos filhos podem trabalhar e se preparar para encontrar bons clientes, nunca foi tão fácil e barato inovar e empreender como nos dias atuais, no passado você ia montar um negócio, uma sala comercial, aluga sala comercial, fiador, três meses de aluguel, monta o mobiliário, monta rede de servidor, monta estrutura de internet, mulher da limpeza, manutenção… Hoje você vai num co work, plug and play, você vai lá, viu, gostou, começa amanhã, se você acha que em uma semana não deu, você pulou fora, não precisa se preocupar com nada, com absolutamente nada, hoje com uma boa…

Luciano             O único entrave ainda é a burocracia estatal, mas vai pintar as criptomoedas aí que vão começar …. já vai dar uma série de coisas que estão acontecendo aí. Eu acho que é fascinante esse momento, eu acho que vem uma mudança brutal, se a gente botar nessa equação as questões morais que essa molecada recebe hoje e trabalha de um jeito totalmente diferente do nosso lá, eu acho que vem uma mudança brutal aí. Outro dia também me perguntaram, eu falei olha, se cinco anos atrás alguém me dissesse que Marcelo Odebrecht, Eduardo Cunha e o do Rio de Janeiro lá, o ex prefeito…

Romeu              O Cabral.

Luciano             … e o Cabral seriam presos…

Romeu              E o Eike Batista.

Luciano             … eu diria que o cara estava louco, imagina, você está brincando comigo. Se me dissessem que eles ficariam presos por mais de um ano, eu diria não, você …. manda internar, não passava pela cabeça nossa que um cara desse sequer fosse julgado e os caras foram presos e estão lá e tem uma gritaria grande, quando você fala isso “os nego” é, mas falta um monte de gente, eu falo nem havia possibilidade de chegar nesses caras, eles já estão sendo presos. Ah mas ficaram presos por pouco tempo. Mas já foram presos. Eu diria agora independente de discutir se estão sendo presos ou não, o que me importa nessa história toda é o seguinte, tem uma geração inteira de brasileiros tendo uma lição com isso que está acontecendo, tem uma didática nessa lição que eu e você não tivemos, nós nunca vimos isso acontecer, a gente cresceu sabendo, está impune, “os nego” roubam, é assim e não vai acontecer nada, essa é a nossa cultura e essa molecada está tendo uma… opa, espera um pouquinho, talvez aconteça alguma coisa, para acontecer tem que ter o quê? Tem que ter “os cara” que nem Sérgio Moro e eu estou estudando direito e eu vou ser juiz e se eu for juiz eu vou me mirar no Sérgio Moro, vai nascer uma geração de juízes novos aí que vem com o peito aberto para enfrentar e o Brasil não vai conseguir sair igual dessa história.

Romeu              Eu acho que na parte econômica o Brasil é um país condenado ao sucesso, nós somos condenados ao sucesso, eu acho que do ponto de vista econômico eu sou muito otimista com o Brasil, muito otimista, eu acho que nós já teremos aí nos próximos dois, três anos, anos muito bons, porque o maior tesouro deste país, Luciano, é que esse país é um país que tem muita, muita, muita bucha e onde tem bucha, tem negócios, tem oportunidades. A questão moral e ética….

Luciano             O que é bucha?

Romeu              … problemas. Problemas, muito problema, esse país é um país cheio de problemas, qualquer setor da economia que você pensa, qualquer setor da economia que você observar, tem problemas e onde tem problemas tem negócio, por isso que o ecossistema de startup no Brasil nos últimos cinco anos deu um salto impressionante, hoje a cidade de São Paulo, Luciano, não deve nada a nenhum centro de negócios do mundo, o único problema do Brasil é que nós não temos o dinheiro que os outros países tem, é só questão de dinheiro.

Luciano             E a facilidade burocrática que eles têm.

Romeu              E o dinheiro só não entra mais no Brasil por causa dessas incertezas políticas, se nós não fôssemos um país que você vai dormir de um jeito e acorda de outro, nós seríamos um país completamente diferente, é que o investidor está…. ele quer colocar dinheiro no Brasil mas ele fala espera, deixa eu entender um pouco mais essa dinâmica, ver quem está liderando as pesquisas de opinião pública para eleição do ano que vem, nós somos um país aí bastante incerto, mas…

Luciano             E há bastante tempo.

Romeu              … há bastante tempo…

Luciano             Isso é problema, há bastante tempo.

Romeu              … o Brasil não é um país sério, eu sempre falo para os meus alunos, olha, você tem que se acostumar, eu acho que tem mudanças, que é o que você acabou de falar. Eu concordo com você, mas não é em 2018, 2019, 2020 que vai mudar, isso demanda tempo, demanda muito tempo, quando você viu o Collor que nós fomos para a rua, eu fui cara pintada, fui para a rua, lá no ano de 92 para caçar o presidente, achei bom, agora higienizamos o país, você vê que o Collor novamente está envolvido com questões de acusações, pô mas o cara novamente, é reincidente? Depois de todo o escândalo que nós tivemos na época, então eu acho que vai melhorar, claro que vai melhorar, você deu bons exemplos, mas eu não sou tão otimista como eu sou otimista com a economia, com a economia, um país que tem 202 milhões de habitantes ávidos por consumir, que tiveram o gostinho entre os anos de 2004 até 2013, o Brasil aí abundante, eu acho que isso para mim é claro, nós temos um país condenado ao sucesso.

Luciano             eu tenho um amigo que fala um negócio delicioso, ele fala o PIB caiu 3%, ainda tem 97% aí, quem vai buscar?

Romeu              Nós fomos executivos, Luciano, da década perdida, eu joguei 10, 12 anos fora, como você na época que você trabalhava no setor automobilístico, jogamos fora, o Brasil não crescia, o modelo no Brasil era gerontocrático, para você crescer tinha que morrer alguém lá em cima, lembra? Tinha que morrer alguém, se não você não crescia. Hoje nós temos no Brasil, melhorando assim substancialmente, o modelo de gestão meritocrático. Eu me recordo que há 12, 13 anos quando eu perguntava para os meus alunos quem de vocês tinham bônus, eram três ou quatro alunos, hoje 100% dos meus alunos trabalham em empresas que tem bônus, ou seja, prevalece a meritocracia e esse é o Brasil com Z, nós somos de uma época do Brasil com S, que tinha uma inflação de 80% ao mês, um país de rentistas, que nós declarávamos telefone em imposto de renda e que a gente se ajoelhava diante do FMI, hoje a gente vive em um Brasil com Z, que exporta aviões, que vota eletronicamente num país com 108 milhões de eleitores e você tem o resultado em menos de 24 horas oficiosamente, um país que sempre declarou quase aproximadamente 27 ou 28 milhões de declarações de imposto de renda pela internet, esse é o Brasil com Z, o Brasil das startups, o Brasil de todo esse ecossistema que emergiu nos últimos cinco, seis anos e foi os atores que estão se apresentando no movimento de empreendedorismo no Brasil são espetaculares, até dez anos, Luciano, era Endeavor, lembra? A Endeavor era o único ator que falava do assunto, hoje você tem aí centenas de atores que vão de investidores, co-workings, fab labs, crowdsourcing, gig economy, angels, que no Brasil não se tinha essas comunidades de angels, centros de empreendedorismo, olha quantos atores surgiram em menos, Luciano, menos de 4, 5 anos.

Luciano             É uma coisa interessante isso, mas Romeu, essa coisa me preocupa um pouco quando eu imagino que tudo isso circula num extrato da população, se você fizer do Brasil uma pirâmide, você vai falar eu vou pegar essa pirâmide, tem um biquinho da pirâmide que estão os bilionários que estão lá e que querem mais é que o mundo continue como está para ganharem ainda mais, você começa a descer na pirâmide e tem um determinado pedaço dessa pirâmide onde tudo isso que você falou circula, é ali que está, está lá esse pessoal … e tem a parte de baixo da pirâmide que é gigantesca que é o pessoal onde essas ações não chegaram ainda, sabe, onde é tudo difícil de fazer, é tudo complicado. Então, o Zezinho quer montar um negócio lá e a hora que ele vê o que ele tem que fazer de papelada para montar, ele desiste, ele não tem nem como recorrer ao contador para ajudar a fazer e isso é uma quantidade… são milhões de pessoas, não são cem mil, são milhões de pessoas que estão assim, ou seja, fazer essa coisa descer pela pirâmide abaixo impregnar quem está embaixo é complicado e outra coisa importante, eu estou sentindo que o brasileiro parece que está meio amargo, tem um amargor no Brasil que é o seguinte, se eu chegar para você e disser o seguinte, olha eu tenho feito isso, essa experiência no meu Facebook, o PIB voltou a crescer 0,1%, estão vindo aí investimentos. O que eu apanho na sequência, 0,1 é nada, me batem de montão, porque a impressão que eu tenho é que se eu disser que alguma coisa está dando certo, eu estou dizendo fica Temer, adoro o Temer, me abraça Temer, não faz mal que você tenha uma mala de dinheiro, dá a impressão que eu sou o trouxa, e os caras vem lá, seu bobalhão, seu ingênuo, não está nada bom, está tudo fodido. Então eu botei até hoje um comentário dizendo o seguinte aqui, você imagina um time de futebol entrando em campo com os onze jogadores desconfiando do técnico, amargurados, certos de que não vai dar certo e que nada que eles fizerem vai dar certo porque está tudo uma merda. Como é que esse time vai ganhar o jogo? Ele entra perdendo em campo, como é que ele vai ganhar jogo se está tudo ruim?

Romeu              Eu tenho uma frase que eu carrego comigo há muitos anos e às vezes eu recito na companhia, quando você tem um humor que está afetado por todas essas questões, não há males que boas vendas não curem, não há males que boas vendas não curem, vendeu, está tudo resolvido, está tudo lindo e maravilhoso. Vou ser sincero, nós nos lambuzamos nos últimos anos, porque estava tudo bom, crescendo, o Brasil crescendo 4, 5, 6%, pleno em emprego, 4.5 de taxa de desemprego no Brasil, isso nós nunca vimos, nem na década de 70, agora veio a conta, então assim, quando você fala que o Brasil está crescendo em .1% que foi divulgado o crescimento do último trimestre, eu concordo contigo, hoje é 0,1, no próximo trimestre é 0.5, talvez na metade do ano que vem é 1,5%, um grande incêndio, ele começa com uma pequena faísca, um grande incêndio não começa grande, então eu acho que nós estamos nos encaminhando para uma recuperação da economia, a hora que o Brasil começar a crescer 1,5, 2%, eu acho que o humor do país muda bastante, as oportunidades mudam. Eu digo o seguinte, Luciano, o Brasil não pode crescer mais de 5% ao mês, nós não temos estrutura…

Luciano             Ao ano…

Romeu              … ao ano… nós temos condições de crescer 5% ao ano, eu vou te falar, essa pequena melhora que deu na economia, já está faltando gente, já está faltando gente em alguns setores, não tem gente, então o Brasil e as empresas não se prepararam nessa crise, elas só cortaram por cortar, mas elas não fizeram a tarefa de casa. A hora que a economia voltar, já começa a faltar gente, então eu acho que tem muita opinião diversa em relação à economia, mas eu acho que nós vimos de muitos, muitos erros, muita incompetência, não estamos discutindo pessoa A ou B, é incompetência de gestão, nas empresas já tem isso, você imagina no setor público e não estou me referindo a governo A, B, C ou D, isso são acúmulos de má gestão de muitos anos. Em relação à questão da educação não chegar para essas pessoas menos privilegiadas, eu vou citar um caso, quando a nossa presidente esteve na China, foi em 2011, ela fez uma declaração na China que a mídia não capturou o que ela citou, ela falou o seguinte: o Brasil não pode ser o país do orelhão, o Brasil tem que ser o país da banda larga, olha que declaração de alto impacto, essa declaração é similar à do Collor, quando na década de 90, 94 ele falou que os carros brasileiros eram carroças e mudou, a indústria automobilística no Brasil mudou com essa declaração, quando ela fala isso e você olha para orelhão hoje, orelhão…. meu filho de 10 anos não sabe o que é orelhão, não tem a mínima ideia do que é um orelhão…

Luciano             Tem um na esquina aqui que de vez em quando tem alguém usando, eu passo, eu fico olhando aquilo, como é que alguém usa orelhão.

Romeu              … muito bem, com isso ela quis dizer o seguinte, qual é o subjacente dessa citação dela? Que a única forma de você levar educação em escala no país, é você ter uma boa banda larga lá no interior do Brasil, porque hoje, Luciano, a escola não é mais o único lugar que você aprende e as empresas não é mais o único lugar que você trabalha, as escolas passaram a virar social clubs, você não aprende mais na escola, se você for um cara disciplinado, você tiver uma banda larga de boa qualidade na sua casa, você faz seus cursos online, você ouve os podcasts do Luciano Pires, você ouve o podcast Brasil, você participa de grupos, de fóruns de discussão, você tem acesso a pessoas interessantes, você não precisa necessariamente ir para a escola, só que você tem que ter acesso a uma banda larga de boa qualidade no interior de Santa Catarina e não somente na Faria Lima. Se a mídia tivesse levado e tivesse potencializado isso, nós vamos chegar a ter um povo mais educado não mais via escola, porque um país com 202 milhões de habitantes, 8 milhões de metros quadrados de extensão, é difícil você chegar com educação de qualidade no Brasil todo, mas com uma banda larga, você consegue levar qualidade…

Luciano             Sim e você coloca um negócio mais importante, que coloca a escolha na mão de quem está…. não é um aluno sentado com um roteiro pronto, leia isto, escreve isto, faça isto. É o seguinte: aqui está o mundo, escolha ir para o lado que você vai andar aqui, não é?

Romeu              … quando eu vejo meu filho, por exemplo, estudando matemática, fazendo reforço de matemática na Khan Academy, é espetacular, talvez eu tivesse que contratar um professor particular, ele fala não, eu estou na Khan Academy e vou aprender regra de três composta e aprende de forma autodidata, então é claro que nós estamos em um país tropical, eu me recordo quando eu era criança, uma vez a professora de geografia falou o seguinte em sala de aula, a neve disciplina o povo, profundo não é? A neve disciplina o povo, depois quando eu morei em Boston, na década de 90, eu convivi com as tempestades de neve e tal e aí fui entender, depois de muitos anos, o que ela quis dizer, que a neve disciplina o povo, infelizmente nós somos um país tropical, com muita praia, com muito calor…

Luciano             Aqui é tudo tranquilo, não tem furacão, não tem nada, aqui nós estamos numa boa. Eu vi esse negócio da neve, eu fiquei impressionado com isso, eu fui para o Canadá, passear pelo Canadá e cheguei nas cidades mais ao norte, lá onde o frio pega para valer e eu estou lá passeando e de repente aquele jardim maravilhoso, que era um jardim florido, lindo, puta jardim maravilhoso, eu olhei aquele jardim e falei como é que chegou o inverno aqui, daqui a pouco chega o inverno, como esses caras fazem com esse jardim e o cara veio me contar, ele falou não, a prefeitura tem um time aqui que quando chega na época certa os caras vão lá, eles tiram o jardim inteirinho, botam numa estufa, o jardim inteirinho passa dentro de uma estufa o inverno, quando termina eles replantam tudo e o jardim floresce outra vez. Aí você olha para aquilo e fala então os caras tem que ter uma estrutura, tem gente para isso, tem que montar… quer dizer, aquela sociedade foi obrigada a se organizar para poder enfrentar o nível de frio que a gente desconhece aqui e aí se você não tem a disciplina, você vai dançar, você vai morrer de fome na tua casa lá. Mas é interessante, eu vi uma outra boa que os caras me falaram que, eu me lembro desse texto aí dizendo que Deus inventou as guerras para que os norte americanos aprendessem geografia. Quer dizer, você tem que ter os grandes conflitos, nós nunca tivemos nada, o Brasil está sempre na boa. Mas você rascunhou um negócio aí, chegou num ponto que eu estava conduzindo a nossa conversa aqui para chegar nele, vou aproveitar que você chegou lá. Vou falar de um negócio que você adora e que eu gosto muito de montão e que a turma que está ouvindo a gente aí vai babar de ouvir. Vamos falar de conteúdo. Vamos falar de conteúdo, sob dois pontos de vista, o ponto de vista do consumo de conteúdo e o ponto de vista da produção de conteúdo. Consumo é aquela história, você tendo os canais, você tendo a banda larga, você tendo o teu celular com conexão com internet, você tendo a maneira de poder, na tua região ali, pô não tenho nada disso, mas tem aqui uma lan house pequenininha aqui, eu tendo o caminho para chegar lá, eu posso alcançar o mundo e posso ter todo tipo de conteúdo. Eu posso gastar minha banda larga assistindo um vídeo de um youtuber comendo uma barata durante 20 minutos e depois falando merda e acabou e com 2 milhões de views, ou posso gastar essa banda larga, que nem teu filho fez, aprendendo regra de três composta, etc. e tal, quer dizer, tem uma escolha aí que você tem que lidar com ela aí. E essa questão toda do consumo depende de estrutura, depende de ter alcance, não é aí que eu quero bater muito na tecla, eu quero bater na tecla o seguinte, a importância que nesse momento começa a ter não só a geração de conteúdo, que já não é mais coisa de geradores profissionais de conteúdos, mas é todo mundo gerando conteúdo e outra coisa que é quem ajuda você a escolher o conteúdo pertinente, quem são os caras que vão te ajudar a escolher, porque se tem tanto conteúdo eu já não sei mais onde é que eu boto o meu tempo, eu não sei mais o que ver, tem alguém que me aponte o que ver? Então eu queria dividir essa conversa em dois pontos.

Romeu              Ótimo. Primeiro, o conteúdo tem uma máxima no marketing que diz o seguinte: o conteúdo é rei, mas o contexto é Deus. No passado todos éramos audiência, hoje todos somos cineastas, todos somos cineastas, então vou dar alguns exemplos quando eu falo que o conteúdo é rei, mas o contexto é Deus: eu moro em Pinheiros, tem uma loja de bolos caseiros ali no bairro, tem a dona, empreendedora, ela foi capturando os clientes no seu Insta e toda vez que eles vão lá e compram o bolo, ela pede para seguir, ela dá um descontinho, ela faz lá uma promoção e tal, hoje tem lá milhares de seguidores, uma quarta feira a tarde, 5 horas da tarde, começa a chover, começa a garoar em São Paulo e ela posta no Insta que está saindo uma fornada de bolo de leite ninho. Em 40 minutos ela vende tudo, isso é conteúdo com contexto, se ela colocasse uma postagem ao meio dia, onde não teria contexto nenhum, seria um conteúdo como qualquer outro conteúdo, muito bem, então é conteúdo com contexto. Eu sou um palmeirense fanático, Busarello, de Santa Catarina, italiano, adoro o Palmeiras e eu ouço muito e vejo meus filhos, o que eu assisto de programas com meus dois filhos, meus dois filhos são palmeirenses e uma das coisas que me une a eles é o Palmeiras e a gente ouve dois profissionais chamados boca, os boca, são dois irmãos que fazem um programa completamente trash do Palmeiras no qual a gente se diverte muito…

Luciano             É Youtube? O que é?

Romeu              … é Youtube, é conteúdo com contexto, então eu acho que não tenho forma, eu com toda a minha disciplina, professor, sei exatamente o que eu preciso estudar, sei exatamente as questões relacionadas, o conteúdo importante para eu atuar profissionalmente, para ser professor, Luciano, eu vou lhe ser sincero, não tem fórmula, porque é o seguinte, eu estou lá estudando, certo? Estou lendo um livro, de repente o livro tem uma menção de um autor, uma menção qualquer, eu estou com meu celular do lado, aí eu vou lá e na hora eu quero checar um pouco mais sobre ele, ou às vezes tem um gráfico interessante que está no livro, da qual eu estou lendo, uma revista, eu vou lá e tiro uma foto, aí eu estou lendo e de repente bate alguma coisa no meu Whatsapp que está do meu lado, porque hoje o celular está na nossa corrente sanguínea, não tem como você…. e eu como executivo não posso também me distanciar muito, aí você ouve o barulhinho do Linkedin de alguém que te postou, aí você vê um indivíduo falando sobre determinado assunto, você fala deixa eu ver o que esse cara faz no Linkedin…

Luciano             Você deixa eu só te dar mais uma… mudou minha forma de assistir televisão, que hoje eu…. televisão aberta já vejo muito pouco, mas eu vou lá no Netflix, é sagrado, sento, estou vendo filme, aí vejo aquela atriz maravilhosa, quem é ela? Eu pego o celular na hora, eu já entrei no IMDB, já fui ver quem é ela, já vi que filmes ela fez, já vou…. tem um filme para ver aqui, deixa eu ver esse filme aqui, gostei, mas está pouca essa crítica, IMDB deixa eu ver a crítica, o que leram do filme aqui, legal, vou fazer, então eu hoje assisto com duas telas, a tela que eu estou vendo e a tela na mão a recorrer nas duas o tempo todo.

Romeu              … agora, Luciano, veja bem, tem um amigo meu, super amigo meu de infância, Norberto Dalla Brida, professor, doutor, Phd em história e ele vai para a biblioteca oito e meia da manhã e sai quatro horas da tarde, sem interrupção nenhuma, veja, vai também de profissão a profissão, nós como homens de marketing, executivos de negócios, professores, nós não temos como nos distanciar tanto da tecnologia e a gente acaba não navegando, a gente acaba naufragando no mundo de informações. Você pega o caso do Norberto, ele é historiador, ele falou, o meu laboratório é a biblioteca, ele não está preocupado com chefe, não está preocupado com cliente, ele não tem uma rica e vasta rede de relacionamentos na internet porque os amigos dele também são introspectivos, eles são professores, enfim, ele fala, eu uso as redes sociais com muita moderação, às vezes no final do dia, começo do dia, mas eu consigo manter uma constatação, mas isso são casos raríssimos. Hoje a questão do celular passou a fazer parte da corrente sanguínea de todos nós, então é difícil você manter foco e olha que eu sou muito disciplinado, Luciano, e às vezes também me vejo naufragando porque aquele barulhinho que clica no celular, é a revista, é a televisão, é o celular, é o livro, é muito conteúdo que vem de todas as formas e de todos os meios, o que eu vejo é muito conteúdo sem contexto e não é fácil achar o contexto, não é fácil achar o contexto, não é fácil achar o contexto, hoje eu quero me informar sobre o Palmeiras, no passado como é que eu faria? Você tinha o Globo Esporte às 13 horas, hoje eu tenho 200 canais que falam sobre o Palmeiras, eu tenho 200 vídeos que falam sobre o Palmeiras, eu tenho jornais, ESPN, Fox, Youtube, Insta, Face, grupo de amigos, grupo de Whatsapp, acompanho jogadores, é muita possibilidade, eu acho que dificilmente uma pessoa que vive nesse século que nós estamos vivendo, consegue ter um foco dirigido, consegue ter uma concentração máxima, é quase impossível, quem conseguiu desenvolver essa fórmula, Luciano, certamente erra um dia, é muito difícil, pessoas como nós, conectadas, extremamente caóticas no dia a dia, manter essa disciplina…. eu mantenho algumas disciplinas, por exemplo, essa questão de dar aula, eu dou aula há 20 anos na ESPM, eu nunca cheguei atrasado na ESPM em 20 anos, nunca, nunca em 20 anos cheguei atrasado, sendo executivo, porque eu tenho uma disciplina, quando eu vou dar aula, no Insper ou na ESPM, aquele dia já está marcado na minha cabeça de eu 6 horas, eu saio 6 horas, ou para ir para o Insper, ou para ir para a ESPM, e nunca cheguei atrasado em 20 anos de escola, isso é disciplina, você se programar para isso, talvez tenha sido uma das coisas boas que eu acumulei ao longo da minha vida de professor foi essas questões relacionadas à disciplina pré aula e o estudo, mas eu me confesso, no passado eu conseguia ler um livro muitas vezes num final de semana. Hoje eu tenho Kindle como você, eu já não leio mais livro, eu me acostumei muito bem com o Kindle e quantas vezes eu estava no Kindle, você lê uma passagem bacana do livro, aí você dá o link nele, você quer saber um pouco mais, vai buscar mais informação, e no passado você falava assim bom, li em uma hora sobre negócios, estou exaurido, aí você no passado falava bom, eu tenho que ler, porque eu estou com o livro na mão, hoje eu dou um clic e vou ler um livro de literatura, aí vou ler Rubem Alves, que nós gostamos, eu e você somos fãs do nosso querido Rubem Alves, que teve alta celestial há quatro anos, você migra num voo de São Paulo para Natal quatro vezes no Kindle, de categoria de leitura, você começa lendo negócios, vai para literatura, vai para ficção…

Luciano             Isso porque você não está conectado.

Romeu              … porque não está conectado, o livro está baixado. Quantas vezes eu estou lá lendo num avião, tem uma parada forçada e fala, exauri,  já estou lendo um livro aqui que já li quatro capítulos, estou exaurido, deixa eu ler um pouco de romance, daí mudo para romance, daí o romance não está legal, não gostei, li um livro de citações, daí vou buscar algumas inspirações, citações. Olha como eu pulei num voo de duas horas, três ou quatro vezes no meu Kindle.

Luciano             Cinco anos atrás tinha que levar quatro livros na mala 16 quilos.

Romeu              16 quilos, exatamente, não tinha portabilidade nenhuma.

Luciano             Mas então, quer dizer, para nós, a gente é muito…. nós somos muito conectados, nós somos fora de curva…

Romeu              E quem está nos ouvindo também…

Luciano             … e eu então, eu sou um ponto foríssimo da curva, porque eu tenho 61 anos e eu falo com a molecada isso, os caras não se conformam, meu pai não sabe nem ligar o celular e você está me falando aí que você tem o Kindle com não sei o quê, mas o que eu queria estressar um pouquinho com você aqui é essa questão toda do conteúdo em si, você está na Tecnisa, a Tecnisa é uma empresa que há muito tempo enxergou essa questão do conteúdo, mas vem cá, o conteúdo da Tecnisa não é vender prédio?

Romeu              Para vender prédio eu preciso ter um bom conteúdo…

Luciano             Então, me conta isso aí.

Romeu              … muito bem, hoje, sempre brincam lá internamente, nós somos uma mini editora Abril, desde 2006 nós temos blog, eu tenho que fazer toda uma curadoria de imagens bacanas para vender um apartamento, eu tenho que fazer vídeos, eu tenho que fazer depoimentos, eu tenho, por exemplo, impressora 3D, eu, em alguns empreendimentos, eu imprimo uma maquete do apartamento para eles levarem para a casa, é conteúdo, só que é um conteúdo impresso numa impressora 3D, é conteúdo, porque a gente acha que conteúdo é texto do Word, não é texto de Word. Por exemplo, nós usamos drones, desde 2011, para que nós utilizamos drones? Para eu fazer filmagem do cronograma de obra e mandar para o cliente o cronograma de obra filmado por um drone, no passado eu fazia uma filmagem com um indivíduo que faz filmagem de casamento, filmagem de festa de criança, hoje eu faço com um drone…

Luciano             Quando era demais, você tinha que alugar um helicóptero, fazer aquele esquema todo.

Romeu              … então vamos lá, eu estou dando exemplo, eu uso impressora 3D é conteúdo; eu uso blog, é conteúdo; eu faço podcast, é conteúdo; eu faço vídeo de decoração; é conteúdo, eu uso drone, é conteúdo; eu estou usando inteligência artificial, é conteúdo, para fazer chat bot, eu tenho inteligência artificial, sabe quem é um grande profissional que começa hoje despontar nesse mundo todo dos chat bots? Roteirista. O roteirista, olha quem podia imaginar que o roteirista passaria a ser hoje uma figura importante nesse mundo de conteúdo, porque se eu vou colocar um chat bot para atender cliente, eu tenho que ter um roteirista que me ajude a montar  um roteiro de perguntas recorrentes e respostas recorrentes…

Luciano             Quem não sacou, chat bot é um robozinho que conversa com você, você entra lá, ele abre uma tela, alo fulano de tal, aqui é o fulano e você vai estar conversando com um robô, esse robô tem um script na mão dele, onde ele vai conduzir as perguntas conforme você responder, ele vai te conduzindo ali dentro pelas respostas e ele tem que seguir um roteiro,  há um roteiro, o que perguntar se a resposta for A ou B, para onde é que ela vai e tudo conduzindo par aonde você quer que ele vai.

Romeu              … e eu preciso de um roteirista, porque eu como profissional de marketing não tenho essa competência, então você olha hoje para o universo de conteúdo, olha que interessante, Luciano, eu há dois anos me encontrei com um ex jornalista da Editora Abril que foi demitido nessas reestruturações que a empresa passava, e eu reencontrei depois num restaurante e aí perguntei, como é que está tua vida? Eu saí da Abril, processo de reestruturação. O que você está fazendo? Ele falou, eu me tornei um consultor de explicação. Olha que interessante, ele falou eu não sou mais jornalista, eu sou um consultor de explicação. Então eu falei meu querido, me explica o que é um consultor de explicação. As coisas não estão complexas hoje? Estão, estão muito complexas. Muito bem, você me dá um problema complexo e eu monto toda uma estratégia de conteúdo para facilitar a compreensão do futuro cliente ou do usuário, você pega no celular, no smartphone e eu estou agora com um empreendimento nosso, que é um empreendimento, nós vamos lançar no ano que vem, é o maior residencial, é o maior residencial para a terceira idade da América Latina, é um produto complexo e eu vou contratar ele para me ajudar a explicar todo o produto, ele explica via infográficos, via textos, via fotos, via vídeos, via ilustrações, ele cria toda uma estratégia de conteúdo para explicar o produto, ele falou na Editora Abril eu era redator, era editor, só fazia texto em Word, hoje eu sou um consultor de explicação, então veja a magnitude que o conteúdo ganhou, só que ainda as pessoas acham que conteúdo é conteúdo escrito, eu dei aqui vários exemplos de como nós usamos conteúdos em outras frentes…

Luciano             Aquele tutorial chinês…

Romeu              … o tutorial chinês, exatamente. Então vou dar um exemplo, em 2001, quando eu entrei na Tecnisa, o cliente que comprasse um apartamento da empresa, ele tinha quatro portas de entrada, ou ele entrava pelo fale conosco, mande um e-mail, seção de cartas de clientes da Folha e do Estadão, e Procon. Hoje ele tem 35 portas de entrada na Tecnisa e todas elas, Luciano, passam por conteúdo, se ele estiver insatisfeito com a empresa e ele entrar no meu Linkedin, for direto para cima do diretor, é um tipo de resposta; se ele entrar pelo Insta, é outro tipo de resposta; se ele entrar pelo Reclame Aqui, é outro tipo de resposta; se ele postar um vídeo no Youtube, com conteúdo, fazendo alguma alusão ao produto, é outro tipo de resposta; se ele entrar pelo Twitter, é outro tipo de resposta, então eu tenho hoje quatro pessoas na empresa, cada uma atendendo conteúdos que vêm de canais distintos, então o conteúdo tem sido dinamizador, não só de (barting) mas sobretudo de estratégias, de novos empregos, de novas formas de trabalho.

Luciano             E olha que interessante, essas quatro pessoas que você tem lá tem que saber escrever.

Romeu              Escrever, falar…

Luciano             Tem que saber ler, tem que entender o que está falando, quer dizer, há uma demanda que é muito diferente.

Romeu              … hoje eu tenho eu fazer conteúdo para postar, sabe qual é a rede social mais importante no meu negócio? Pinterest.

Luciano             Pinterest.

Romeu              O Pinterest, que é uma rede não muito badalada, mas para o meu negócio é a principal rede social, só que para produzir para o Pinterest, é um conteúdo completamente diferente de eu produzir para o blog, o blog eu chamo um jornalista, dou lá três ou quatro temas, ele vai lá e faz. No Pinterest eu tenho que chamar uma decoradora que tenha o auxílio de um cara de conteúdo para ela produzir imagens, produzir um conteúdo bacana que depois passa por uma curadoria de um jornalista, é outro, nicho, então o conteúdo de fato, ele é rei, mas o contexto é Deus, eu vejo muita empresa produzindo conteúdo fora de contexto.

Luciano             Que depois que virou moda essa história toda aí, os caras ah, vamos montar aqui, bota um redator aí, bota um cara para escrever e está feito. E não é assim, você tem que ter alguém…. é como eu brincava com o pessoal de TI na minha época quando eu estava lá na autopeças lá, eu falei eu não quero profissional de TI, eu quero cara de business, eu quero conversar sobre negócios com um cara de TI, eu não quero o cara de TI para vir aqui me ensinar como é que eu trabalho com o computador, eu quero um cara que senta e que compreenda o todo e aí ele, compreendendo o todo, ele vai atrás de bom, o que eu preciso fazer para conseguir montar, quer dizer, havia uma compreensão maior, quer dizer, se você está fechado no escritório, trancado no teu metro quadrado ali, focado só em escrever o teu textinho e não viu o que está acontecendo em volta, você não tem essa dimensão ou você não vai fazer como aquele teu amigo lá que de redator virou consultor de explicação, quer dizer, esse cara tem que sacar de um pouco de tudo.

Romeu              É, esse é um cara diferenciado, ele conseguiu resignificar a carreira dele, porque num passado recente, todos éramos audiência, hoje somos todos cineastas.

Luciano             Pois é, isso que eu estava pensando quando você falou isso para mim, hoje eu estou aqui com o meu iPhone na mão, a qualidade de imagem que eu tenho nesse bicho aqui, a minha qualidade de captura, tecnicamente eu destruí tudo o que… todos os entraves que eu tinha antigamente, para produzir o que quer que for, acabou porque eu produzo aqui nele e sai com uma qualidade…. não é qualidade de cinema, mas a qualidade…. o que eu preciso, passo minha informação ali e qualquer pessoa tem acesso, teoricamente, qualquer pessoa que tiver um smartphone na mão hoje em dia tem como produzir seu conteúdo ali. Vamos falar um pouquinho de uma outra…

Romeu              Só queria dar uma enfatizada aqui, Luciano, porque eu acho que é um ponto importante, as empresas, todas elas, no médio prazo, não é no médio prazo, já está acontecendo, são empresas de software, que não é mais software, todas serão empresas de algoritmos e de conteúdo, são as duas grandes disciplinas que nortearão as empresas, já estão norteando, muito conteúdo e você vai ser, não importa se você é uma funerária, se você é um supermercado, se você é uma construtora, se você é empresa de varejo, bigdata, claro que nós não temos tempo para falar sobre isso, bigdata é um termo muito…

Luciano             Mas explica rapidamente o que é essa coisa de algoritmo, para mim que sou um padeiro e vou montar minha padaria.

Romeu              Informação. Você tem que ter… e hoje está fácil, mais informação. O teu negócio passa a ser meio e a informação passa a ser fim, todos os negócios, todos os negócios, todos, serão plataforma, todos serão plataforma em virtude da importância que a informação passa a ter no teu negócio. Num passado recente, você falava, mas não tinha condições de implementar, hoje está cada vez mais fácil, mais barato de você ter uma base estruturada de informações que vai te ajudar a tomar decisões tensas, então vou dar um exemplo: estima-se que na cidade de São Paulo aproximadamente houve uma queda de 30% no consumo de lava jato, pessoas que lavavam o caro com uma certa recorrência, a que você atribui essa queda de 30%?

Luciano             Eu?

Romeu              É.

Luciano             Eu não faço ideia.

Romeu              Ao clima e ao tempo.

Luciano             Eu acho que é difícil de chegar, é complicado.

Romeu              Ao clima e ao tempo, você tem um Climatempo que está emulado no iPhone, você antes de ir para um lava jato você consulta o Climatempo e vê que vai chover amanhã. Vou postergar. Então se você tinha doze lavagens por ano, você passa a ter nove lavagens, porque toda a vez você consulta e tem previsão de chuva, você fala deixa primeiro chover e depois eu vou lá e lavo o carro, isso é uma base de informações. Ok. Eu vi agora recentemente o Pão de Açúcar está tendo um sucesso muito grande com o aplicativo deles, o Pão de Açúcar Mais, milhões de pessoas baixaram nos últimos seis meses, é um dos maiores sucessos da Apple e você baixa o aplicativo, lá você vê as promoções e são promoções verdadeiras, a cerveja Heinekein de 4 por 2,80, 30% de desconto, não é aquela promoção, eu compro pipoca, você me dá o sal, as promoções enganosas que a gente vê muitas vezes, é promoção verdadeira. Você vai no supermercado, prateleiras vazias. Muito bem. Isso aqui é o começo do fim da mídia, isso é bigdata, porque o Pão de açúcar vai chegar para a Nestlé, vai chegar para a Unilever, para a Colgate e falar assim, você não precisa patrocinar fórmula 1, não precisa patrocinar campeonato brasileiro, você vai estar comigo aqui, porque quanto custa eu mandar para o meu cliente, para os meus 6 milhões de usuários do cartão mais que está tendo uma promoção da maminha esse final de semana? Nada. Não custou nada.

Luciano             E hoje a única maneira de você falar com essa turma é botar um anúncio em algum lugar e tomara que o cara veja.

Romeu              E o que vai acontecer com o cartão mais do Pão de Açúcar? Vai ser o Múltiplos da TAM, o cartão Pão de Açúcar mais vai valer mais do que o Pão de Açúcar, assim como é a Múltiplus hoje, como é a Smiles hoje, vale mais do que a TAM, por quê? Por causa do bigdata que é um termo muito, muito amplificado, é difícil você tangibilizar, estou te dando este exemplo, por exemplo do Pão de Açúcar.

Luciano             E com todo mundo com o acesso. Deixa eu te dar um exemplo interessante que eu vi recentemente, teve um caso nos EUA de uma bomba, eu não vou me lembrar agora onde foi que aconteceu, uma bomba que explodiu, eu acho que foi em Nova York, não me lembro se foi uma do Times Square, se foi metrô. Explodiu uma bomba, a polícia fez um levantamento e conseguiu descobrir quem era o suspeito, pegou a foto do cara e fez um SMS para 12, 13, 14 milhões de norte-americanos, em Manhattan, todo mundo recebeu, abriu estava a foto do cara ali, procura-se esse sujeito aqui. Você já pensou? Tem um outro que eu vi recentemente que o pessoal fez um database de carro roubado, onde o cara bota o SMS vem a placa do carro roubado, você está dirigindo, apareceu aqui, roubaram um Honda Accord, prata, placa TBA e você está dirigindo, tem um milhão de pessoas com aquilo na mão, de repente você cruza com o Honda, estou vendo ele aqui. Isso muda completamente a maneira como as coisas são feitas.

Romeu              Isso é conteúdo, de outra forma, é que o conteúdo é difícil muitas vezes você tangibilizar ele de outras formas que não sejam o texto, conteúdo é uma coisa muito, muito ampla. Quando eu falo que eu imprimo em 3D, é conteúdo, estou gerando um conteúdo, antes eu gerava o quê? Um material de venda, um catálogo de vendas para ele levar para a casa, para ele analisar com a família e ficar folheando o catálogo de vendas do produto, hoje eu dou uma maquete em 3D para ele levar para a casa e ficar montando e desmontando com a esposa e com os filhos como é que vai ser o apartamento, com sala ampliada, com cozinha americana…

Luciano             Não, e olha a loucura, olha o alcance disso tudo, quer dizer, antigamente você era obrigado a imprimir o catálogo, 5 mil exemplares, papel couchê, 4 cores… botava aquela pilha e no final da promoção toda, talvez você não tivesse usado os 5 mil, sobraram 2 mil, joga 2 mil fora, quer dizer, você tinha que investir isso lá na frente e havia uma limitação que dava…. a gráfica sobrevivia disso, o cara do fotolito disso, o cara de tinta, etc. e tal, isso tudo desaparece por causa de uma impressora e o impacto no teu cliente não dá nem para medir a diferença de impacto, o cara vê aquilo sendo …. saí com um brinquedinho na minha mão, sai com um game na minha mão.

Romeu              E não é que custa…. custa 200 reais para imprimir e imprime em 40 minutos, enquanto ele está lá negociando, enquanto ele está vendo o produto, eu em paralelo imprimo para ele, ele leva para a casa e depois brinca com a maquete em casa com os familiares. Isso é conteúdo, com contexto. Conteúdo com contexto, então não tenha dúvidas, todos nós seremos publishers, todas as empresas serão publishers, todas e também todas elas são empresas de softwares ou de algoritmos, cada vez mais o negócio principal passa a ser meio e a atividade principal passa a ser informação, hoje aproximadamente 30% do que o Starbucks fatura nos EUA é via o cartão de pagamento emulado no iPhone deles, ou seja, café é meio, ele passa a ser uma empresa de meio de pagamento, olha que interessante. Eu tenho observado o ShellBox também está com isso, o próprio programa de vantagens da Ipiranga, posto de gasolina vai ser meio, eles estão criando toda uma plataforma de informação onde a atividade fim vai ser a plataforma, o posto é meio, depois o que eu faço com teus hábitos de consumo, o que você faz na loja, o que você consome na tua regularidade, esse tipo de negócio vai me gerar uma nova empresa na qual eu vou ganhar dinheiro com isso, quem fez muito bem isso aqui no Brasil foi a Smiles. A Smiles para mim é um dos casos mais espetaculares que olhou para dentro de casa e falou eu tenho uma oportunidade oculta aqui dentro e eu tenho que transformar esse negócio e agora começa a surgir outras iniciativas, eu acho, posso estar equivocado, se tiver alguém do Pão de Açúcar me ouvindo, mas eu observando essa movimentação toda, eu sou usuário do Pão de Açúcar mais, é sensacional, para mim isso ai, descobriram a América, descobriram o terceiro segredo de Fátima, o aplicativo vai valer mais do que as lojas no futuro, vai ser uma mega plataforma, porque tudo será plataforma, eu estava vendo a indústria automobilística agora para 2025, eles estimam que 80% da receita deles advirá de plataformas e não mais de carros, então olha que interessante.

Luciano             Onde isso vai chegar?

Romeu              Não vai chegar não. Só tem uma saída, Luciano, educação, educação, educação, educação, educação. Esse passa a ser um item da nossa cesta básica, a gente sempre achou que a educação fosse importante, mas hoje , Luciano, o descasamento de competências é tão forte que hoje eu ando duas vezes mais rápido do que eu andava quatro, cinco anos atrás, para ficar no mesmo lugar, então no passado quando você dava uma cochilada, hoje uma cochilada que você dá de dois anos, você não volta mais. Ah vou fazer um sabático de um ano e meio, dois anos, toma cuidado, porque se você ficar um ano e meio, dois anos fora, um pouco fora de contexto, você não volta mais. Eu, por exemplo hoje, eu não sou mais um profissional de marketing, eu sou um profissional de matemarketing e isso aconteceu, Luciano, nos últimos dois anos, dois anos e meio, mudou completamente meu grid de competências, se você perguntar Busarelo, o que eu fazia na Tecnisa em 2010? Eu esqueci tudo, tudo, eu não tenho mais noção do que eu fazia em 2010, hoje eu faço matemarketing o dia todo, eu lanço produtos, faço campanhas sem uma página de jornal, sem uma página de Veja, sem televisão, sem cavalete, sem outdoor, até faço às vezes um pouquinho porque tem que agradar aí uns stakeholders muitas vezes que a gente precisa agradar, mas eu sei que o resultado vai ser pífio.

Luciano             Você vê que coisa interessante, quer dizer, você …. tem um lado da propaganda que é aquele lado glamuroso da propaganda que é o seguinte, dá prestígio, a gente até brinca com aquela história, vamos fazer uma campanha, vamos, então qual é o caminho do rei? Qual é o caminho que o chefe faz para vir para cá? Então bota um outdoor ali que quando ele passar ele vê outdoor e isso tudo está caindo por terra porque essas ações que estão sendo feitas agora nesse under vertising, elas não dão prestígio, você não vai ver ninguém, minha tia me viu na televisão, não tem mais, não tem mais prestígio, é só resultado ali embaixo.

Romeu              Luciano, no passado eu perguntava para você quando se encontrava, Luciano, qual é tua agência de publicidade? Hoje eu pergunto, qual é a martech que está plugada no teu negócio? Eu tenho 26 martech’s plugadas no meu negócio.

Luiciano            O que é uma martech?

Romeu              Martech é uma startup que vem para solucionar um problema de marketing, assim como eu tenho as fintech’s que são as startups que vem para tirar as dores do mercado financeiro, tem as agritechs, as edutechs, as ralftech’s, as martech’s são startups que vem para desoptar a área de marketing, eu tenho 26 martech’s plugadas no meu negócio.

Luciano             Dá um exemplo de uma que faz o quê?

Romeu              Eu tenho ShopBack, eu tenho a Zapper…

Luciano             Mas o que elas fazem?

Romeu              Eu vou dar o exemplo da ShopBack, ela me ajuda a recuperar clientes que abandonaram o carrinho de compra, o indivíduo passou pelo site, navegou e ele foi embora, essa empresa vai lá e tenta recuperar esse cliente e trazer ele de volta para entender porque ele escapou, porque ele não quis ficar. O Zapper é uma ferramenta americana de integração, integração com qualquer plataforma interna na companhia que eu integro em menos de dois ou três dias. Eu tenho um problema de CRM pesado com uma empresa chamada Hipnobox, olha que interessante, isso aqui o ouvinte vai gostar muito de ouvir isso, eu tenho um CRM poderosíssimo de clientes que estão negociando com a empresa, então eu identifiquei que eu tenho lá 25 clientes quentes, que estão para comprar um apartamento da Tecnisa e eu preciso fechar a cota do mês, aí eu chamo a Múltiplus, Múltiplus, pega esses 25 clientes aqui, vê qual deles está na tua base, aí fizemos um match, 12 clientes estão na base da Múltiplus e eles estão negociando comigo e eles estão quentes para fechar, eu pego meus corretores de elite e falo para eles o seguinte, eu tenho 12 clientes aqui, vocês vão ligar para esses clientes, se eles comparem até dia 30 de dezembro, meio milhão de milhas, taxa de conversão, 50%. Isso é sexy? É glamuroso? Não é glamuroso. Isso é matemarketing. Isso não dá visibilidade, isso de trabalho que o profissional de marketing não vai ser mais aquele cara de alta visibilidade.

Luciano             E olha o que está abrindo de oportunidades aí. Deixa eu te dar um case aqui real para quem está ouvindo a gente, vai ser legal também, um conhecido perde o emprego, está lá sem emprego, não consegue ter emprego. Eu entro em contato com ele e falo vamos conversar um pouquinho aqui, eu estou com uma coisa na cabeça aqui que está me incomodando que é o seguinte eu montei, é real, eu montei o meu steam, botei no ar o Café Brasil Premium, para você ver o que é e uma das coisas que o Café Brasil Premium faz e que me custa dinheiro é o marketing para atrair lids, então vamos lá, vamos botar um anunciozinho no Facebook, vamos no Linkedin, então agnete pega um número X de exposições, então eu vou botar anúncio aqui, vou pagar X reais e lá no fim das tantas 300 pessoas viram, 150 clicaram, 2 lids eu conquistei ali, então é mais ou menos assim que funciona. Isso vai gastando um certo dinheiro ali e eu cheguei para esse cara e falei estou com uma ideia de pegar uma lista, o Romeu é professor e tem uma lista legal na mão dele lá de 1500 alunos que ele já teve ao longo da vida lá e eu consigo a lista do Romeu, você não quer trabalhar essa lista para mim? O que eu tenho que fazer? Você vai pegar uma lista na mão com 1500 nomes, você vai ter que fazer um roteirinho em entrar em contato com esses 1500, conversar com eles na base do e-mail ou de algum sistema tal e uma bela hora você vai chegar para mim e falar daqueles 1500 eu gerei 100 lids para você e vai me dar os lids e eu vou pagar você pelos lids que você conseguiu. Falando assim é uma coisa pequenininha, mas você imagina isso extrapolando, então em vez de eu pagar um anúncio no Facebook para quem sabe pegar alguém, eu vou te dar 1500 cara e eu quero que você tire 100 daí de dentro. O que é que esse cara vai ter que fazer? Ele tem que pensar, ele tem que bolar o roteiro, ele tem que saber, mandei o primeiro e-mail, abriu, vai para cá, não abriu vai para lá, a conversa que eu tenho com ele, o que eu vou oferecer para esse cara, o que o Luciano vai me dar para eu fisgar esse cara, etc. e tal, mas é alguém trabalhando one to one, homem a homem e tem um nicho, se esse cara faz e dá certo, e para mim, eu vou virar para 12 amigos meus e vou falar eu tenho um cara fazendo um treco para mim ai que ninguém fez, vocês não querem tentar? Vai vir todo mundo na hora, toma a lista aí e vai fazer.

Romeu              Qual é o subjacente dessa minha declaração, Luciano? O que acontece? Eu invisto em mídias digitais para gerar lid, só que eu estou com uma convenção baixa e eu estou deixando cada vez mais o Google, Facebook, todas essas redes sociais ricas, porque eu não estou fazendo o quê? Uma ativação boa e não estou sabendo usar minha base de informação, ora, se eu tenho clientes dentro de casa, dispostos a comprar, eu tenho um CRM poderoso, para que eu vou investir mais em mídia se eu tenho gente dentro de casa querendo comprar e que eu preciso oferecer algo, então nós temos um empreendimento próximo ao Allianz Parque, um mega empreendimento, chamado Jardim das Perdizes, fizemos um matching com o sócio torcedor Avanti, identificamos acho que na minha base tem 140 clientes meus que querem comprar o Jardim das Perdizes e estão na base do sócio torcedor Avanti, vamos pegar esses 140 clientes, se você comprar, você tem dois anos de cadeira cativa no Allianz Parque, mais a camisa assinada pelo Marcão, mais direito a assistir quatro treinos do Palmeiras durante o ano e um tour pelo Allianz Parque. Olha como você aumenta a conversão.

Luciano             Você agrega valor.

Romeu              Agrega valor. E por que que eu vou investir mais no Google, no Facebook e na mídia se eu posso fazer um trabalho forte de cruzamento de dados e ativação de dados.

Luciano             E olha que número interessante que você está dando aí, você não está falando de um milhão e duzentos mil pessoas, você está falando de cento e vinte, cento e vinte e você gerencia pessoalmente…

Romeu              Pessoalmente.

Luciano             Pessoalmente. Então essa é uma perspectiva interessante, a gente quando fala aqui e os exemplos que você vê é sempre assim, um milhão, o Instagran está com sessenta milhões, parece que tudo tem que ser milionário e não é, não é milionário, são sempre números pequenos. Qual é a conversão que você precisa?

Romeu              Aliás foi uma coisa muito certa, a minha eficiência de marketing nos últimos cinco anos melhorou em mais de 50%, porque não sou mais… no passado fazia um anúncio na Folha, no Estadão, na Veja São Paulo e spray and pray como falam os americanos, espalhe e reze para ver o que acontece, hoje eu sou cirúrgico, eu tive que mudar meu grid de competências, hoje eu sou um profissional de análises, eu um profissional the analytics, o tempo todo buscando esse tipo de substância matemática para fazer dar sentido ao meu negócio e isso não dá glamour…

Luciano             Isso é under vertising.

Romeu              … under vertising, só que é o seguinte, eu tenho taxas de conversão, taxas de eficiência e me tornei um profissional de financeiro de matemática, onde acabou, Luciano, acabou a era dos palpiteiros de plantão, como eu sofri e você quando era CMO, como você sofria com os palpiteiros de plantão: aumenta o logo, aumenta a palavra, diminui o preço, muda a fonte.

Luciano             E outra, deu um tiro de canhão para matar “dois pardal”, era sempre assim que…

Romeu              De colocar fogo na casa para matar a barata.

Luciano             Agora, você que está ouvindo a gente aqui, você está entendendo agora o porquê do desespero das mídias tradicionais, os jornais estão desesperados, as TV’s estão desesperadas, as agências de publicidade estão desesperadas, tem certos dinossauros que estão aí que eu olho para o cara, já morreu e não sabem ainda, isso tudo vai desmontar, isso tudo vai virar uma outra coisa, vai vir uma implosão e vão sair pequenos núcleos de gente que vai voltar para o tête à tête, nós vamos voltar fazendo um negócio, eu e você, olhando olho no olho e dirigindo, quero pegar aqueles quatro, não quero quatro milhões, eu quero quatro.

Romeu              E eu acho que o que eu posso deixar assim de inspiração para quem está nos ouvindo, não tem alternativa, educação, educação, educação e novamente, educação não somente da sala de aula, tem que ter um senso de curiosidade, tem que fazer muita hora bar, eu dou nota para os meus alunos para eles fazerem hora bar, o que é hora bar? Boas conversas, tomar café da manhã, congressos, seminários, bons bate papos, porque hoje esse tipo de conhecimento não está no livro, não é Luciano? Não está no livro. Ele está no mercado.

Luciano             E ele tem que ser compartilhado. Sei de alguma coisa na hora vou contar para todo mundo e aí alguém vai completar o que eu contei com mais um pedacinho, não sabia e vem a dica daquele software que você não sabia que existia e o mundo está essa loucura.

Romeu              Como é que você vai aportar 26 martech’s no teu negócio, como eu falei que nós temos na Tecnisa, você acha que está no Philip Kotler? Michael Porter? No Peter Drucker?

Luciano             Ou numa página, os 10 mais da revista Exame? Não.

Romeu              Não está, ele está numa conversa de bar, quando eu falo de bar, acho que o ouvinte me entende aqui, hora bar é um conceito de rede, de relacionamento. Hoje 60% dos meus problemas são inéditos, eu nunca enfrentei na minha vida. Onde é que eu vou buscar a solução? Na minha rede de relacionamentos. Mas eu participo de eventos, seminários, congressos, aulas, cursos, esse ano eu contratei três professores particulares para mim, um professor de (golf hakin ?),um professor de use experience e um professor de blockchain, ele vem dar aula para mim e mais dois ou três executivos na empresa porque são assuntos que não estão em livros e eu também não vou consumir uma semana lendo um livro de blockchain se eu posso pegar um professor que me abrevia e eu consigo entender para onde as coisas caminham, então hora bar hoje tem sido uma das principais atividades que eu faço na minha vida executiva para me manter minimamente de pé diante de todas as transformações, porque elas são velozes, abrangentes e uma coisa que poucas pessoas falam, opressiva. Você tendo amigos teus como eu tenho na nossa faixa de idade que eram executivos badalados há dez anos que ficaram velhinhos, estão usando mapas antigos para caminhos novos e aí eu me remeto àquela frase no início da nossa conversa aqui, que o hadhunter falou para o diretor, a tua experiência é boa…

Luciano             Mas ela é antiga.

Romeu              … mas ela é antiga, ela não faz mais sentido para esse mundo no qual nós vivemos e eu fui de uma geração, como você também, Luciano, que os nossos pais nos diziam: ouçam os mais velhos, eles tem muito a te ensinar. Hoje você está com 60, eu estou com 50 e nós temos que ouvir os mais jovens.

Luciano             É, nós estamos numa fase da humanidade que nunca aconteceu, o neto está ensinando o avô, então o que não muda nessa história toda? Não mudam valores, não mudam, princípios, a questão ética e moral, etc. e tal, isso tudo não pode se perder, aquela coisa que meu avô trouxe e vai comigo para o resto da vida e que meu filho vai ter que ter também, mas que é um outro departamento, é outra coisa que fica lá. Bom, vamos partir para os finalmentes aqui, eu te provoquei lá na frente para você falar dos quatro Ss, a gente passou e você não falou ainda, vamos falar dele agora.

Romeu              A vida tem 4 S’s, você tem o S da sobrevivência que vai até os 25 anos, primeiro carro 1.0 sem direção, sem trava, sem ar condicionado, emprego de treinee, começando a se achar na vida e tal. O segundo S é o S do sucesso, onde eu estava e aos poucos eu estou saindo, eu ainda estou nele, mas lentamente eu estou saindo, que vai dos 25 aos 50, é onde você está constituindo família, está criando filhos, está no teu repertório social e educacional, está construindo os teus ativos, está fazendo reservas financeiras, está construindo família. Dos 50 aos 75, é onde eu estou entrando e ela é sutil, não quer dizer que eu mudei quando eu completei 50 anos, é o S do significado, da significância, do propósito, onde você não fala mais qualidade de vida, qualidade de vida é você correr no Ibirapuera, fazer academia, isso é qualidade de vida, depois dos 50 você fala em vida com qualidade, que é outro bicho, é você viajar e não olhar para o teu e-mail, não olhar para o teu Whatsapp e você falar assim com uma certa frequência: foda-se. Foda-se. Isso faz bem para a alma, isso faz bem para o colesterol, faz bem para a vida, mas isso você consegue quando você está no terceiro S da vida. E o último S é dos 75 em diante que é o S do sossego, claro, Luciano, isso vale para a nossa geração, os meus alunos, eles estão abreviando muito esses S’s, claro que não é 25, 50, 75, pode ser aos 45, aos 44, algum evento na vida e tal, mas os meus alunos falam o seguinte: Busarello, eu não vou esperar até os 50 anos para mudar de S, eu vou fazer isso com 40, mas eles também não tiveram a década perdida, eu e você fomos executivos que nós jogamos 10, 12 anos fora das nossas vidas e por isso que nós estamos nessa faixa do quadrante do 25, 50, 75. Eles estão num mundo de mais oportunidades e eles vão abreviar esses 4 S’s.

Luciano             Eu vou recomendar você que está ouvindo a gente aqui, gostou desse pedaço do texto aqui, ouçam o LíderCast que eu fiz com o Dado Schnider e o Dado comenta essa questão de o que aconteceu com as gerações, como é que aquilo mudou. Eu estava nesse final de semana em casa brincando com a turma lá, eu falei já fiz as contas aqui e eu descobri que eu vou sustentar meu filho e minha filha até os 96 anos, porque é outro mundo, é completamente diferente, eles ficaram adultos, mais cedo na medida em que eles têm muito mais liberdade para fazer coisas que adultos sempre fizeram com 30, hoje eles fazem com 15, 16. Por outro lado eles são adolescentes maiores, meu filho com 34 é um adolescentão, minha filha com 27 é uma adolescentona, o que é? Porra, eu quero curtir a vida. Eu na idade dele, eu já estava preocupado, será que eu já comprei minha casa, criei meu filho? Eu estava todo preocupado. Eles estão tranquilos, ah vou ver o que vem pela frente. Isso incomoda muito a gente, porque você olha para aquilo e fala não é o meu modelo, é o modelo deles, então eu tenho que realmente me esforçar bastante para olhar para isso e falar eu não sei se ele está certo ou está errado, eu sei que o mundo agora é assim, é assim que funciona, eu sei lá o que vai dar na frente, não adianta eu ficar sofrendo aqui, eu tenho que dar a eles amor, carinho e dar a eles a segurança de saber o seguinte: tem alguém aqui, eu estou repetindo o que meu pai fez comigo. Mas é fascinante isso que você está conversando comigo aqui agora, eu fico me coçando aqui falo não está dando tempo, não dá tempo de ver isso tudo, não dá tempo.

Romeu              O futuro está cada vez mais próximo e o passado cada vez mais distante. O futuro não é mais lá na frente, lembra? A gente falava o futuro é lá na frente, não, o futuro é agora, por que lá na frente? E o passado, ele está cada vez mais distante, mas é um passado recente, quando você olha para empresas como Nokia, Motorolla, Kodak, eram empresas badaladíssimas, badaladíssimas há cinco, seis anos, orelhão, Anatel tinha meta 2011 ter um orelhão a cada 200 metros em cidades com mais de 50 mil habitantes.

Luciano             Romeu, pensa na tua vida, pensa nós dois conversando aqui há cinco anos e a gente solta um Uber na conversa, solta um Waze na conversa, solta Whatsapp na conversa, cinco anos atrás o que é isso? O que vocês estão falando? Dá para viver sem essas cosas hoje?

Romeu              Não dá. E a gente não conseguia entender o que o smartphone, que foi lançado em 2008 ia transformar, isso é graças ao smartphone, porque você não ia emular um Uber no desktop, emular um Whatsapp no desktop, um Waze no desktop.

Luciano             Isso é uma coisa fabulosa, eu acho que olha, a discussão sobre distribuição de renda, sobre redução de pobreza no mundo inteiro, um dia alguém vai escrever um livro, falar o papel que o telefone celular teve…. sabe, no momento em que o meu pedreiro comprou o primeiro celular da vida dele, o impacto que isso foi na sociedade, acho que a gente, como nós estamos dentro do jogo, a gente não conseguiu entender ainda, mas daqui a alguns anos alguém vai fazer um estudo e vai mostrar, olha o que aconteceu.

Romeu              Vamos pegar um exemplo claro agora, Brasil, aproximadamente 12 milhões de desempregados, 12 milhões e meio, sabe quantos motoristas de aplicativo tem no Brasil hoje? Aproximadamente, esse número cresce assustadoramente, 750 mil motoristas de aplicativo, o Uber declarou agora oficialmente que ele tem no Brasil 500 mil, o Uber, coloca Cabify, coloca 99, aproximadamente 770, 750 mil motoristas de Uber, divide isso aí por 12 milhões, nós estamos falando em 6% dos desempregados no Brasil são motoristas de aplicativo e eles estão nas estatísticas dos desempregados, a grande maioria está na estatística, é o cara que perdeu o emprego e …

Luciano             É um mercado absolutamente novo.

Romeu              … absolutamente novo…

Luciano             Uma coisa que me deixa fascinado, não sei se você faz isso também, quando eu paro em farol aqui em São Paulo, eu fico fascinado com vendedor que vem me vender coisa e o cara vem vender e olha o que esse cara está vendendo, há pouco tempo atrás os caras vinham me vender bonequinho, brinquedinho, não sei o quê, agora o cara vem com…

Romeu              Mapa, lembra?

Luciano             … mapa, os caras vendiam mapa, aquelas coisas, agora o cara me vem com os cabos, qual é teu celular, eu tenho os cabos de celular, quer dizer, olha o mercado de capinha de iPhone, o mercado… existem mercados que nasceram agora nos últimos dois ou três anos que não existiam, você imagina o que vai ser daqui a cinco…

Romeu              Não é lá na frente, exatamente, cinco anos. O futuro está cada vez mais presente, mais próximo e o passado cada vez mais distante, até três anos atrás qual era o nosso Messenger? O MSN?

Luciano             Bom meu amigo, dá para a gente continuar o papo aqui até longe, mas muito legal, muito bom, adorei conhecer, você tem algum blog, você tem algum livro? Alguém que quiser ter contato contigo sem ser seu aluno lá na escola, tem como…?

Romeu              Olha, o meu Linkedin, eu, por questões da CVM, eu sou um diretor estatutário vinculado pela CVM, então eu não posso me expor muito nas redes sociais, eu tenho que manter uma discrição muito forte em virtude dessa questão de CVM, mas as pessoas podem me adicionar pelo Linkedin, às vezes eu posto coisas lá discretas…

Luciano             Vai estar lá como Romeu…

Romeu              … Busarello, Busarello…. todo mundo me conhece como Busarello.

Luciano             … Busarello.

Romeu              É, (ele soletra). Busarello. Lá eles me encontram e eu sempre sou muito chegado a uma hora bar, sempre dedico 10% do meu tempo a conversas boas, bons bate papos que às vezes eu pergunto para os alunos, como é que vocês se atualizam? Ah assisto telejornal, uma revista semanal e ninguém fala que uma forma bacana de você apropriar conhecimento hoje, nesse mundo que a gente vive, é uma boa hora bar, com pessoas interessantes, com pessoas diferentes que tenham coisas bacanas para apropriar e eu atribuo parte hoje do meu reconhecimento profissional à minha rede de relacionamentos que me aporta muitas coisas, toda essa sofisticação que a gente traz na companhia, não é porque eu li toda a literatura clássica do Philipão, é porque a gente conhece muita gente e hora você é centro e hora você é ponta, como dizia o Vinícius de Moraes, a vida é feita de encontros muito embora haja muitos desencontros na vida, mas ela é feita de bons encontros, vide nosso papo bate bola agora.

Luciano             Grande Romeu muito obrigado por aparecer aqui, já sabe o caminho agora, estamos abertos aqui, vamos ver se a gente inventa de fazer uma tricotagem.

Romeu              Para concluir eu queria dizer o seguinte: eu não sei o que vem pela frente, eu só espero que seja pela frente.

 

                                                                                   Transcrição: Mari Camargo