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Ciça Camargo -

Luciano             Muito bem, mais um LíderCast, esse aqui também… ele veio daqueles contatos que a gente faz, a gente conhece uma pessoa, que conhece a outra, que conhece a outra e essa figura que está comigo aqui hoje eu conheci com base numa proposta de desenvolvimento de um treco tão doido que eu nem sei direito o que é, mas é um sistema… bom, a gente vai falar um pouquinho a respeito aqui. Tem três perguntas que são fundamentais, só tem três neste programa aqui que você não pode errar, errou, dançou o programa, então você, por favor, preste atenção: quero saber seu nome, sua idade e o que é que você faz?

Leandro            Bom, sou Leandro Nunes de Castro, tenho 43 anos e eu costumo me definir como acadêmico empresário, empreendedor, escritor e pai de família.

Luciano             Pô, não é pouco. Cada um desse sozinho já dá uma festa, dá para fazer uma festa.

Luciano             Você é de onde, Leandro?

Leandro            Eu nasci em Goiânia, sou goianiense do pé rachado.

Luciano             Opa, goianiense, que não virou dupla sertaneja, isso é bom. Que seu pai e sua mãe faziam lá?

Leandro            Meu pai foi bancário a vida quase toda, minha mãe foi professora de matemática na antiga Escola Técnica Federal de Goiás.

Luciano             Foi em Goiânia mesmo, tudo em Goiânia?

Leandro            Tudo em Goiânia.

Luciano             Tudo em Goiânia. Quer dizer você…

Leandro            Nasci, morei em Goiânia até os 22 anos, até eu me formar.

Luciano             O que você queria ser quando crescesse?

Leandro            Bom, depende da fase da vida. Na época que eu estava na escola técnica, eu fiz curso técnico em eletrotécnica, durante um bom tempo eu quis ser eletrotécnico, teve um tempo ali naquela época mais ou menos no início da década de 90, meu pai comprou uma fazenda e eu comecei a sonhar com fazer coisas na fazenda. Eu me lembro uma vez que eu estudei para construir um ranário, na época estava começando a surgir essa história de carne de rã e eu levei o projeto do ranário para meu pai, mas o projeto foi vetado em primeira instância. Depois, assim que eu terminei a escola técnica, eu entrei na universidade para o curso de engenharia elétrica, lá na federal de Goiás e por volta ali do terceiro ano da minha graduação, eu comecei a me apaixonar pela carreira científica, então fiz uma iniciação científica, fiz uma segunda iniciação científica, ali por volta de 95, praticamente todos os meus professores que tinham doutorado, eles tinha formado no exterior, na Inglaterra ou nos EUA e eu tinha uma admiração muito grande por aqueles professores, falava uau, esses caras têm muito conhecimento, eu quero ser assim quando eu crescer, daí eu conduzi minha carreira, pelo menos o início da minha carreira profissional nessa linha, então logo que eu formei eu fui aprovado no processo seletivo para o mestrado na Unicamp, em engenharia elétrica também e fui, em 97 eu fui para Campinas fazer o meu mestrado lá e já emendei com doutorado também e no ano 2001 eu terminei o mestrado e o doutorado, terminei o mestrado em 98 e o doutorado em 2001.

Luciano             Você é um homem de exatas.

Leandro            É, eu posso dizer que sim.

Luciano             Até que é pouquinho, você está com 40 e?

Leandro            43.

Luciano             Conforme você vai envelhecendo as exatas vão perdendo espaço para humanas e uma hora você combina as duas coisas, aí é o melhor dos mundos. Mas me fala uma coisa aqui, você chegou na engenharia por quê? Qual era a curtição? Por que não foi advocacia? Por que não foi medicina? Por que foi engenharia?

Leandro            Como eu fiz o curso médio de técnico em eletrotécnica, entrar para a engenharia elétrica era o entre aspas, o rumo natural da carreira, então é isso assim, eu terminei a eletrotécnica e já entrei em engenharia elétrica na graduação.

Luciano             Você vê como o mundo é engraçado, eu também fiz o colégio técnico de eletrônica, me formei técnico em eletrônica e o caminho natural era engenharia elétrica, engenharia eletrônica, eu fui fazer comunicação visual, virei o caminho, meus amigos continuaram naquela trilha, eu virei para o outro lado e foi dar numa outra coisa aí lá na frente. Mas me fala uma coisa aqui, esse negócio de ciência, trabalhar com ciência é um negócio…. é interessante, você depois lá na frente eu quero chegar nessa veia empreendedora etc. e tal, mas acho interessante um garoto olhar e falar o seguinte: vou trabalhar com ciência, vou ser cientista, o que é essa…. o que atrai no cara ser cientista, porque é o imaginário, tem o imaginário popular, quando você fala cientista quem é? É o cara de…. é o Einstein com a língua para fora, o cabelão arreganhado e o cara que está trancado dentro de um lugar fazendo experiência etc. e tal, não tem muito glamour para uma molecada, não tem glamour. Como é que é? O que você olhou aquilo e falou a ciência me atrai a ponto de eu pensar em mergulhar de cabeça em me transformar num cientista?

Leandro            Bom na verdade para mim o que atraía mais nem era a ciência em si, nem era a concepção de me tornar um cientista, mas sim o conhecimento. O que me atraía, na carreira acadêmica era poder estudar alguns temas de maneira mais aprofundada, então a minha atração maior sempre foi pelo conhecimento, isso por um lado, por outro lado o engenheiro pesquisador, o engenheiro cientista, ele é o cara que tem o viés de solução de problemas práticos, então quando você olha as diferentes carreiras de cientista, você olha as ciências mais básicas, física, química, a própria ciência da computação, ela está mais focada no desenvolvimento de uma pesquisa básica, uma pesquisa pura, só que o cientista engenheiro, ele normalmente é um cara focado na resolução de problemas e aí sim com técnicas mais avançadas que requerem uma formação mais profunda, então o meu olhar para a ciência era o olhar para o conhecimento e o olhar para poder resolver problemas, preferencialmente problemas reais, problemas bastante complexos que ainda requerem soluções.

Luciano             Você quando olhou para essa carreira, possível carreira lá na frente, estava claro para você: vou mergulhar de cabeça no estudo tradicional, vou fazer meu pós, meu doutorado, vou ficar aí, sei lá, 10, 12 anos aí me formando, como é que eu vou ganhar dinheiro com isso? Passou pela tua cabeça …. em algum momento que você enxergou isso lá na frente? Vou fazer todo esse processo para me tornar o quê? Vou ser um professor que vai dar aula? Eu vou ser um….  o que era a tua…

Leandro            Quando eu tive aquele desejo e defini a minha meta lá no terceiro ano de graduação, de me tornar um pesquisador, eu sempre olhei mais essa formação, essa carreira acadêmica na perspectiva de pesquisador do que de cientista, embora essas palavras possa, ser parecidas, mas tem uma concepção um pouco diferente, eu não estava muito preocupado com a questão financeira naquela época, eu estava realmente mais interessado em construir uma carreira que eu considerasse uma carreira atraente. Eu continuo acreditando que o retorno financeiro, ele é uma consequência do seu trabalho, mas claro, desde de muito jovem eu sempre escutei que professor não ganha dinheiro, inclusive a clássica pergunta: você não trabalha? Você só dá aula? Eu escutei ela n vezes, mas ao mesmo tempo eu não posso reclamar assim da minha vida financeira, eu sempre fui bem remunerado, inclusive dentro da academia por ser um pesquisador, por ser um pesquisador que construiu uma carreira relativamente sólida ao longo dos anos, então não …. assim, o pesquisador, a gente ainda tem muito a mania no Brasil de achar que o pesquisador tem que estar dentro da universidade, que é só lá que tem espeço para ele, mas isso tem mudado bastante. Hoje o que a gente vê é um mercado muito mais demandante e de pessoas com mestrado, com doutorado, ou seja, de pesquisadores, claro, nem todo doutor é pesquisador, mas a gente pode dizer que um doutor é uma pessoa que está habilitada a fazer pesquisa porque ela passou por uma formação específica na linha de pesquisa. Então assim, eu estava realmente olhando muito mais a carreira e a carreira, ao contrário do que se diz por aí, é uma carreira que eu considero muito atraente por alguns fatores, por exemplo, o pesquisador, na maioria das vezes, ele escolhe o próprio tema de pesquisa que ele quer investigar e portanto você tem liberdade para escolher a sua linha de trabalho, o que no mercado, normalmente você faz o que o mercado pede ou o que o seu padrão pede, você tem muita flexibilidade de horário também, então assim, você pode… aí você pode seguir diferentes linhas de pesquisa, você pode montar grupos de pesquisa, você pode ser um pesquisador em carreira solo, se você quiser também fazer um doutorado para ser docente, não ser pesquisador, também é possível. Então eu vejo a formação acadêmica como uma formação que te dá um leque de possibilidades profissionais muito maior do que se você ficar só com a graduação, por exemplo, eu nunca enxerguei exatamente a titulação como como, digamos, um caminho profissional limitante, pelo contrário, é um caminho profissional que te abre muitas portas e te dá a liberdade de atuação.

Luciano             Você em momento algum foi ser pesquisador de uma grande empresa, você não foi contratado pela…. como funcionário da IBM para ser o pesquisador da IBM, você ficou sempre na academia?

Leandro            Eu terminei meu doutorado em 2001 e logo que eu terminei eu fui trabalhar na Inglaterra como pesquisador associado e lá eu tive algumas experiência bastante interessantes, eu lecionei para graduação lá, é um formato diferente de ensino do que a gente tem no Brasil…

Luciano             Você deu aula na Inglaterra?

Leandro            … eu dei aula na Inglaterra e lá as nossas aulas são no formato de palestra, geralmente são auditórios, são aulas curtas de 40 minutos e os alunos tem muito mais atividade para casa, muito mais atividade prática e de laboratório para fazer…

Luciano             Que nível era isso? O que era?

Leandro            Era uma pré graduação.

Luciano             Era uma pós? Era uma pré.

Leandro            Era para cursos de graduação em ciência da computação. Então assim e aí eu voltei para o Brasil em 2002 e voltei como pesquisador colaborador na Unicamp, fiquei lá, ajudei a desenhar alguns cursos novos, dessa vez para pós graduação e depois de um ano e meio eu fui convidado pela Universidade Católica de Santos para ajudar a montar um programa de mestrado em informática, eles não tinham na época, estavam estruturando uma equipe, eu tinha um perfil bastante interessante, jovem, recém formado, iniciando a carreira mas com alguns resultados já expressivos na minha área e em 2004 eu tive minha, digamos, única experiência de mercado, já respondendo à sua pergunta, mas eu fui contratado por um centro de pesquisa, não era uma empresa que trabalhava com pesquisa, era um centro de pesquisa que foi o Centro de Pesquisas Avançadas Werner Von Brown, lá em Campinas e eu fiquei lá por aproximadamente 8 meses, mas eu já estava trabalhando como pesquisador na Católica também, na Católica de Santos, a consequência disso é que assim, eu tinha o contrato de 20 horas por semana lá, que eu fazia entre segunda e terça, então eu ia de Santos para Campinas no domingo, trabalhava no Von Brown segunda e terça e terça a noite eu voltava para Santos.

Luciano             O negócio lá era foguete?

Leandro            Eles não trabalhavam exatamente com foguete, a ideia do Von Brown é uma inspiração muito grande para criação do Centro, mas lá eles trabalhavam com tecnologias de última geração, eles estava trabalhando com tecnologias bluetooth, eu particularmente fui contratado para ajudar num projeto na área de visão computacional para detecção de falhas em gabinetes de computadores, na parte de montagem deles principalmente, então essa foi a única experiência assim numa empresa, não acadêmica como pesquisador.

Luciano             Você falou um negócio aí que chamou minha atenção agora, você falou que tinha um perfil que os caras queriam, que era um perfil jovem, formado e já com reconhecimento na minha área de atuação lá, isso me levou a pensar, quais são os indicadores de sucesso de alguém que está numa área como a tua, o que é o indicador disso aí? É uma tese publicada, é um livro publicado, é um trabalho premiado… o que é? Qual é o resultante desse trabalho? Você vai falar não, é conhecimento, mas como é que isso se materializa?

Leandro            Bom, a academia, ela vem, a academia no sentido da academia voltada para pesquisa e não apenas para docência, a academia voltada para pesquisa hoje, ela é medida por produção científica, claro esse é um indicador importante, nós temos outros indicadores, nós temos formação de pesquisadores, então formador de mestres doutores, temos aulas que você ministra na graduação, na pós graduação, captação de recursos para projetos de pesquisa, até produção intelectual na área de propriedade intelectual, patentes, registro de software e tudo isso, então assim, nós temos na academia sim um conjunto de indicadores, falando especificamente da academia voltada para pesquisa e para a ciência. Nós temos a produção científica e o que de certa maneira atesta o valor de um pesquisador dentro da academia, é o que ele produz de conhecimento científico e ele compartilha com a comunidade e o impacto que esse conhecimento tem na comunidade e o impacto, ele pode ser medido pelos veículos onde o pesquisador publica. Esses veículos têm o que a gente chama de fator de impacto que está associado à quantidade de pessoas que leem seu trabalho, que citam seu trabalho, então tem um conjunto de variáveis aí que definem esse fator de impacto, então a produção científica, o compartilhamento do conhecimento científico e um elemento, eu diria que talvez seja o elemento central, aí você tem os outros que eu já comentei, como formação e etc. que são bastante relevantes. No meu caso particular a minha carreira, ela foi interessante, ela vem sendo interessante porque apesar de ser engenheiro eletricista de formação, eu fiz a minha tese numa área bastante multidisciplinar, porque eu estudei imunologia e a minha tese, ela foi numa área chamada de sistemas imunológicos artificiais, então minha tese tinha o título Engenharia Imunológica, cuja proposta era essencialmente o seguinte, nós vamos olhar como que o sistema imunológico trabalha, então nós temos aí os glóbulos brancos, as células B, as células T, os famosos anticorpos, então tem toda essa operação aí do sistema imunológico e nós vamos projetar algoritmos de solução de problemas inspirados nesses fenômenos biológicos.

Luciano             Que loucura. Que ano era isso?

Leandro            Isso foi, eu comecei minha tese em agosto de 98 e defendi ela em maio de 2001, minha tese foi uma tese que ela gerou sim bastante impacto na comunidade porque ela foi a primeira tese no Brasil e uma das primeiras no mundo a falar sobre sistemas imunológicos artificiais que era uma área bastante recente. Para você ter uma ideia, os dois primeiros trabalhos, três primeiros trabalhos que nós temos documentados em sistemas imunológicos artificiais, eles foram feitos um pela IBM e um pela Universidade do Novo México e todos eles usavam essa metáfora que é bastante intuitiva do sistema imunológico, um sistema de defesa e um grupo trabalhou essa inspiração no sistema imunológico para fazer sistemas de detecção de intrusão em redes de computadores, então ele colocava alguns agentes computacionais que funcionavam como as células imunológicas, olhavam processos imunológicos e construíram essa ferramenta computacional para intrusão. O outro grupo que era o grupo da Universidade do Novo México estava mais focado na detecção de vírus por meio dos sistemas imunológicos artificiais, então duas linhas complementares com a mesma metáfora que eu, consideram que deram origem aí a esses papers de 94, que deram origem à área. Minha tese que veio em 2001 pegou muito dessa herança e fez um overview, uma revisão geral de tudo o que a gente encontrou até aquela época que tinha sido publicado nessa área de sistemas imunológicos e nós propusemos vários algoritmos, minha tese tem 4 algoritmos, são 4 ferramentas computacionais que foram inspiradas aí nos sistemas imunológicos e também um pouco nas redes neurais artificiais que eu já trabalhava desde a minha graduação, eu mesclei um pouco, fiz um sistema entre uma rede neural e um sistema imunológico e pelo lado da engenharia, pelo lado da aplicação, nós olhávamos duas categorias grandes de problemas, os problemas que visam extrair conhecimento a partir de dados que hoje são conhecidos aí como a parte analítica do big daitan, então a gente já trabalhava isso lá na década de 90, muito antes de ter essa nomenclatura e também na área de otimização, então eu fiz muitas aplicações envolvendo otimização em ambientes contínuos, em ambientes discretos.

Luciano             Coisa fascinante, eu perguntei para você se você era um cara de exatas e você vem me falar que você fez uma tese, você teve que mergulhar em biologia, medicina, neurologia e essas coisas todas para poder entender como é que funcionava o processo e passar isso para uma inteligência artificial, que coisa impressionante, imagino como deve estar isso hoje, em que estágio está isso hoje?

Leandro            Bom, então deixa eu pegar o começo da sua observação porque isso é realmente curioso, quando eu entrei nessa área multidisciplinar e eu comecei a pegar muita literatura de imunologia, os livros clássicos de imunologia, eu tenho todos comigo, eu me matriculei em duas disciplinas de imunologia na Unicamp, uma foi uma disciplina chamada imunologia celular, que é uma disciplina de pós graduação junto com os mestrandos e os doutorandos e eu fiz uma disciplina de imunologia básica junto com o pessoal da farmácia, junto com o pessoal da saúde, mas da graduação, então era bastante…

Luciano             Deixa eu só usar minha ignorância aqui: isso não tinha nada a ver com a tua área onde você estava, tua formação estava indo, você pode se matricular num curso, quer dizer, você não tem que ter um pré requisito, olha, tem só o pessoal que está fazendo medicina que pode fazer imunologia, você pôde sair da tua área que era, não sei o que você estava fazendo lá, pós graduação em sistemas e fazer imunologia que é uma área totalmente distinta, isso você pode fazer à vontade?

Leandro            Pode, até… na verdade isso …. só fazer uma observação em relação. A gente estava discutindo a carreira acadêmica e eu estava falando algumas coisas que me agradam muito na carreira acadêmica. Um outro aspecto que me agrada muito na carreira acadêmica também é exatamente essa flexibilidade que você tem de escolher o seu caminho e eu costumo dizer, principalmente para os meus alunos, que quanto mais você avança na carreira acadêmica, mais divertido fica, porque quando você está na graduação, você tem que cumprir o conjunto básico de disciplinas para ter uma formação horizontal que te permite depois escolher um caminho. Às vezes os alunos de graduação reclamam, ah mas essa disciplina não é relevante, aquela não é relevante, isso aqui eu nunca usei na vida, mas eles precisam entender também que a estrutura de um curso de graduação é feita para dar uma formação ampla e depois você especializa, daí quando você vai para o próximo estágio, por exemplo, se você for seguir essa carreira stricto sensu, se você vai para um mestrado, aí no mestrado você já tem mais flexibilidade, você vai alinhar o seu interesse de pesquisa com o interesse do seu orientador e dentro desse interesse você vai escolher as disciplinas, só que o mestrado é uma formação curta, são dois anos, você geralmente investe um ano fazendo disciplinas e um ano fazendo a dissertação, então você não tem tanto tempo para explorar outro temas, para ampliar o seu leque de conhecimentos, você vai bem focado. Quando você chega no doutorado, aí o doutorado não, você tem quatro anos para fazer sua pesquisa e você novamente, você já está muito mais maduro como pesquisador, porque você já fez o mestrado e aí você consegue definir melhor ainda aquele tema que mais te interessa, que mais te agrada, então é por isso que eu brinco que conforme você vai aumentando sua formação acadêmica, vai ficando mais gostoso fazer o trabalho acadêmico, você vai podendo escolher melhor e você vai aprendendo melhor a dinâmica do processo e no pós doutorado então, melhor ainda, porque no pós doutorado você já nem tem um orientador mais, você já está, na maioria das vezes você tem um supervisor, mas é uma pessoa mais protocolar assim, ele é mais um cara, um parceiro de trabalho do que um supervisor, um orientador, como você tem no mestrado e no doutorado. Então assim, voltando aí para a questão da multidisciplinaridade, a disciplina na graduação que eu fiz, eu fiz ela como ouvinte, agora a disciplina da pós não, essa eu já fiz formal, como um aluno matriculado, então você poder ou não fazer uma disciplina formalmente durante a sua pós graduação em uma outra unidade, seja uma outra instituição ou uma outra área do conhecimento, depende da própria regulamentação da instituição, a instituição permitindo, mas como ouvinte ou como um aluno especial, você pode fazer à vontade e é assim, tem fatos bastante curiosos, porque eu até então só tinha formação na área de ciências exatas, formação de engenharia, só que quando eu fui fazer o curso de imunologia básica na graduação, eu me lembro muito bem de uma cena que foi curiosa, porque a aula era duas da tarde, logo após o bandeijão. Eu me lembro uma vez, eu tinha acabado de almoçar e fui e nós tivemos uma aula de laboratório que a gente tinha que fazer alguns experimentos com camundongos e as meninas da área da saúde, era quase tudo meninas, elas já estavam acostumadas com aquilo, só que eu era um dos dois ou três rapazes na sala que estavam passando mal com o cheiro do formol e com toda aquela situação, então…. mas foi uma experiência assim incrível e esse ponto que você mencionou de ir para uma área completamente diferente, ele tem um outro impacto bastante importante para nós que é exatamente a gente aprender a se comunicar com uma linguagem diferente, aprender a se comunicar com a linguagem deles, porque a linguagem científica, ela é diferente para cada área, então para mim foi exercício muito grande, mas muito enriquecedor também, entender a linguagem de imunologia, isso é tão curioso que hoje eu leciono no programa de pós graduação em engenharia elétrica e computação do Mackenzie e eu tenho um curso chamado Computação Natural, nessa pós graduação e uma das aulas que os alunos mais gostam é quando eu falo de imunologia e aí eu explico sobre, lógico, o conhecimento que eu tenho de imunologia, ele vai até um certo nível, uma certa profundidade e mostro para eles como você pode usar isso para fazer computação, para fazer engenharia e eu vejo que os alunos sempre ficam fascinados, exatamente por essa capacidade de olhar para um sistema biológico e perceber que esse sistema é extremamente rico e traz muita inspiração para nós engenheiros, para nós cientistas da computação, para o pessoal da matemática, físicos também…

Luciano             É, eu estive vendo essa semana um trabalho sobre robótica, desenvolvimento de robôs que o pessoal está fazendo aí e tudo, uma parte voltada para a área militar e eles descrevendo a maneira como estavam desenvolvendo os robôs e é tudo calcado nos animais, então o cara pega um chita, pega um tubarão e o robô é desenvolvido em cima exatamente das características do animal, não tem jeito melhor do que a gente interagir com a natureza do que seguir o que a natureza fez com os animais, então o nosso robô tem cara de cachorro, tem jeito de tubarão, voa que nem uma raia, então ele falou, para que inventar de novo se a natureza já fez? E as inspirações que vêm dali são fabulosas. Tua experiência internacional, você ficou um pouco na Inglaterra, depois voltou para cá e aí ficou no Brasil?

Leandro            No fundo eu falei um pouquinho da meta que eu estabeleci lá no terceiro ano de graduação de engenharia que era ser doutor, defini essa meta e falei quero ser doutor e quero ser doutor relativamente rápido e ao mesmo tempo eu coloquei uma outra meta que era estudar ou trabalhar na Inglaterra, então quando eu estava terminando a graduação, eu apliquei para uma bolsa do conselho britânico, para fazer o mestrado na Inglaterra, essa bolsa acabou não sendo aprovada e eu tive oportunidade de ir para a Unicamp e enquanto eu estava no mestrado da Unicamp eu também apliquei para uma bolsa, para fazer o doutorado na Inglaterra e também não tive êxito nessa aplicação e fiz o doutorado no Brasil e hoje eu tenho a mais absoluta certeza de que foi a escolha mais acertada para a minha carreira e logo que eu terminei o doutorado aí sim, dessa vez eu fui para a Inglaterra convidado como restart associed, eu defendi no dia 11 de maio de 2001, no dia 10 de junho eu já estava na Inglaterra e eu passei um ano lá como restart associed, assim como eu te falei, a minha missão na Inglaterra era escrever um livro, escrever um livro sobre sistemas imunológicos artificiais…

Luciano             Tua missão pessoal?

Leandro            … minha missão…

Luciano             Tua missão pessoal.

Leandro            … pessoal e profissional também, porque no fundo o que aconteceu? Eu conheci o pesquisador que é o coautor do meu livro, num evento em Washington, no ano anterior e a gente começou a conversar e a gente percebeu que tinha muito alinhamento das nossas pesquisas eu falei para ele, quando eu estava terminando meu doutorado ali no início de 2001, que eu estava começando a escrever um livro e que eu gostaria muito de trabalhar na Inglaterra e aí ele me convidou para passar um ano trabalhando lá com ele, então era uma missão pessoal sim, mas ao mesmo tempo se tornou uma missão profissional, porque um dos meus objetivos lá era fazer a redação desse livro em conjunto com o coautor, com o John. Em 2001 eu voltei para o Brasil mais por questões pessoais mesmo, a vida profissional na Inglaterra era muito boa, mas a vida pessoal lá não foi exatamente como eu esperava que fosse, isso tem talvez uma razão importante que porque eu termino meu doutorado muito jovem, eu termino o doutorado eu tinha acabado de fazer 27 anos, aí eu fui para lá como pesquisador, na época solteiro e assim, por um lado eu estava como pesquisador e o meu grupo de trabalho eram professores, eram pessoas mais maduras com família e tudo, então eu acabava não entrosando muito com eles, mas ao mesmo tempo também me entrosava com os alunos porque eu lecionava uma disciplina com eles, então eu fiquei no que eu costumo chamar de um limbo.

Luciano             E você tinha a idade dos alunos, se bobear…

Leandro            Exatamente, então eu estava na espécie de um limbo social lá, eu acabei resolvendo voltar para o Brasil e sempre participei muito de conferências internacionais, uma média aí de duas conferências por ano, então viajei praticamente todos os continentes, participando de eventos. Em 2005 eu passei um mês na Universidade de Johor Baharu, na Malásia, como professor convidado e lá eu ministrei várias palestras, um mini curso na área de sistemas imunológicos artificiais e depois em 2014, em uma das últimas levas do programa Ciências sem Fronteiras, eu passei 7 meses na Espanha como professor visitante, então fiz alguns trabalhos lá junto com eles, então essa é a minha experiência internacional.

Luciano             A vantagem desse programa aqui é que quando eu trago gente que está numa área totalmente distinta da minha eu posso falar a bobagem que eu quiser, então eu uso a minha ignorância para compartilhar com os ouvintes que são tão ignorantes quanto eu nesse tema, então a gente pode…. eu chamo isso aí de curiosidade genuína. Há uma tese que é uma impressão que gira aqui no Brasil, que o Brasil é um país que trata a ciência a ponta pés, que aqui se tiver que tirar dinheiro, corta a ciência, dane-se a ciência, não dá muita bola para a ciência e a gente não está muito bem hankeado, essa é a impressão que eu tenho do que eu ouço falar etc. e tal. Você esteve lá fora, você viu como é que funciona lá, viu como é que funciona aqui, é assim? É difícil assim? É complicado assim? O Brasil realmente não tem uma visão como deveria ser da ciência?

Leandro            A gente, de novo, a gente pode olhar a ciência sob diferentes perspectivas, mas o que eu vejo é que o Brasil tem muitas fases, por exemplo, entre 2004, 2005 e 2010 o Brasil teve muito recurso disponível para ciência na nossa área havia muitos programas bastante interessantes, eu mesmo cheguei a ter quatro, cinco projetos de pesquisa com fomento público simultaneamente. Então existiu sim, nós tivemos um momento recente de uma abundância de recursos para pesquisa, para fazer ciência. E nos últimos anos sim, isso que você falou vem acontecendo mesmo, os recursos da ciência vêm sendo cortados drasticamente ao ponto de que hoje tem muito pouco recurso federal principalmente para fazer ciência. Eu tenho visto editais abertos hoje com montante de recursos 15 vezes inferior do que o mesmo edital há 10 anos e tenho visto também, casos de projetos que são aprovados, são contemplados, mas demoram muito para receber os recursos ou recebem só uma parte dos recursos, então é assim, nós temos tido bastante dificuldade para fazer ciência em varias áreas aqui no Brasil. Mas ao mesmo tempo, pelo menos na área que a gente trabalha lá no laboratório e eu coordeno um laboratório chamado Laboratório de Computação Natural e Aprendizagem de Máquinas, lá na Universidade Presbiteriana Mackenzie, nós temos duas linhas principais de atuação, a computação natural e a aprendizagem de máquinas e as aplicações continuam sendo as mesmas que eu trabalhava lá desde a década de 90 que são análises de dados e otimização, então o que eu tenho visto hoje no Brasil é uma baixa quantidade de fomento, talvez quase ausência de fomento público, mas ao mesmo tempo eu vejo um mercado mais demandante das soluções que a gente desenvolve, então de uma forma ou de outra a gente tem conseguido sobreviver, a gente tem conseguido trabalhar, eu considero relativamente bem dentro do que a gente se propõe a fazer e do tamanho que a gente quer ser, só que o foco da pesquisa tem mudado, porque quando você faz pesquisa para um mercado, o mercado está interessado em resolver problemas que são ou uma dor dele agora, estou com essa dor, isso aqui está me sangrando, isso aqui está me drenando, eu preciso curar isso aqui, ou uma visão, o mercado olha e fala poxa, se eu fizer uma ferramenta para resolver tal problema eu vou ter um ganho, uma redução de custo, algo assim, então a nossa pesquisa, ela tem fortalecido, ela tem aumentado de intensidade na parte aplicada e tem diminuído um pouco na pesquisa básica, a gente mantem as duas, mas o viés agora está maior para pesquisa aplicada.

Luciano             Eu trabalhei durante um bom tempo no mercado de autopeças e a empresa que eu trabalhava tinha lá nos EUA um lugar gigantesco lá de pesquisa e desenvolvimento, um baita laboratório sobre o lance lá era transmissão de força automotriz, quer dizer, tudo aquilo que leva a força do motor até as rodas era onde a empresa atuava. Então tinha uma baita laboratório com área de teste, aquela coisa toda lá e ali eu vi o pessoal numa proximidade gigantesca com a universidade, tinham coisa, tinham equipamentos que eles não tinham e não queriam ter e a universidade tinha e aí eles faziam com a universidade, testavam na universidade, a universidade vinha testava, havia uma simbiose ali, estava o tempo todo cheio de estudante lá dentro e cheio de técnicos da empresa na universidade, os caras trabalhando em conjunto ali para produzir alguma coisa, conhecimento lá não só para o negócio como para  sociedade e tudo lá. No Brasil parece que essa coisa não rola, eu tive depois, a nossa experiência aqui no Brasil, a gente se aproximou lá do ITA mas nunca rolou, a nossa área de pesquisa e desenvolvimento não se integrava com a universidade, era sempre complicado, era muito difícil havia uma burocracia e parece que havia assim uma má vontade generalizado tipo não vou me envolver com mercado porque o mercado, o negócio desses caras é dar lucro, é só fazer dinheiro, isso aí vai sujar a minha reputação como sei lá, o cientista ou coisa e tal, então aqui nunca rolou, nunca rolou redondinha essa história e eu nunca me conformei com isso, eu olhava e falava mas quanto recurso perdido, quanto tempo perdido, quantas oportunidades perdidas, de a gente poder bancar o estudo universitário, você chegou a trombar com isso em algum momento, você viu essa diferença acontecendo, essa má vontade que eu encontrei naquela época, você chegou a ver que a universidade meio que até por questões ideológicas, eu não quero me aproximar muito desses capitalistas sangrentos que eles vão querer usar o meu conhecimento para fazer dinheiro, isso não é bom, etc. e tal. Você chegou a ver isso? Porque você colocou agora há pouco, você estava falando assim, nós estamos criando soluções que o mercado demanda e parece que essa coisa está resolvida no nível de trabalho que você faz, não me aprece que seja assim no geral, nessa simbiose universidade com o mercado. O que você acha disso?

Leandro            Essa é uma questão realmente bastante interessante e ela vem sendo discutida sim pela comunidade, mas aí eu para poder elaborar um pouquinho melhor essa discussão, esse debate, é importante a gente entender principalmente um pouco dos mecanismos regulatórios das universidades públicas brasileiras. Então, a universidade pública brasileira, ela tem uma figura do acadêmico que é o regime de dedicação exclusiva, regime DE, ou dedicação integral à pesquisa e docência, dentro desses regimes o professor, o pesquisador não tem autorização para exercer atividades externas, se ele quiser fazer uma parceria com uma empresa, com uma indústria para algum desenvolvimento, na maioria das vezes ele tem que fazer isso via uma fundação da própria universidade que estabelece algumas taxas e algumas regras e regulamenta esse processo. Então assim, existem mecanismos no Brasil, às vezes em algumas universidades eles são mais eficientes, em outras eles são menos eficientes, mas é possível fazer. Agora, tem a questão cultural que você mencionou também, que ela tem uma influência enorme e é verdade sim que nós temos vários pesquisadores que não querem se aproximar do setor produtivo, muitas vezes porque a dinâmica é outra, às vezes porque ele não entende, às vezes porque ele não precisa, então ele fica focado na pesquisa mais básica, na pesquisa mais pura dele. Eu tive toda a minha formação em universidade pública, então eu fiz minha graduação numa universidade federal e meu mestrado e meu doutorado numa universidade estadual, só que curiosamente, quando eu comecei a minha carreira como pesquisador, eu comecei numa universidade não pública, numa universidade confessional, que é a Católica de Santos e de lá eu vim para o Mackenzie que também é uma universidade confessional presbiteriana, aqui na cidade de São Paulo e no Mackenzie eu conheci uma realidade que eu não conhecia, uma realidade institucional, acadêmica institucional que eu não conhecia que é uma universidade, apesar dos seus quase 150 anos de Mackenzie, seja portanto muito madura, com muita história, mas uma universidade muito contemporânea, uma universidade que está de portas abertas para a comunidade, de portas abertas para o mercado, então eu entendo que existe sim um pouco dessa questão cultural, mas também existe a questão do ambiente, o contexto onde você está. Eu sou um pouco suspeito para falar do Mackenzie porque o Mackenzie é o melhor local onde eu já trabalhei na vida, eu digo que eu me encaixo muito com o Mackenzie porque o jeito com que eu penso a academia é possível fazer lá, então é uma universidade onde as coisas acontecem, se você quiser ser um intra empreendedor, você consegue porque ele te dá subsídios, ele te dá mecanismos para fazer isso…

Luciano             Você está falando como mackenzista.

Leandro            … sim, é…

Luciano             Eu me formei lá.

Leandro            … é, você é mackenzista, pois é, eu sou mackenzista de coração.

Luciano             Saudade. Muito legal. Mas isso é uma característica talvez presbiteriana, tem tudo a ver, quando você começa a fazer os paralelos, eles têm realmente essa…. aliás quando eu fui visitar vocês recentemente lá, a hora que eu passei naquele prédio novo, gigantesco dedicado ao grafeno, falei mas só podia ser aqui, só podia ser aqui, os caras constroem uma área gigantesca lá dedicada toda à pesquisa com o grafeno, só podia ser. Na minha época de Mackenzie o grande lance do Mackenzie, eles montaram um observatório astronômico com radiotelescópio lá de Atibaia e aquilo estava…. se não me engano aquilo tinha sido feito e aí o Mackenzie foi lá e encampou e foi uma coisa genial na época, porque era muito à frente do tempo e aquilo era o comentário de todo mundo, que outra universidade que tinha o poder para ter uma operação como aquela, um radiotelescópio gigantesco, então eu fico feliz de ver que ele continua nessa linha até hoje. Vamos para o teu lado empreendedor, isso aqui é um programa sobre liderança e empreendedorismo, então esgotei, eu acho, que o teu assunto na área do cientista, do pesquisador e tudo mais. Eu sei que você tem o bichinho do empreendedorismo aí importante que está levando você a criar algumas coisas diferenciadas aí. O que é isso? De onde vem isso? O que é? É um drive, é um impulso irresistível de transformar ideias, a teoria em alguma coisa palpável e real? Ou o que é? Vontade de ganhar dinheiro? Mudar a sociedade? O que é? De onde vem esse bichinho empreendedor ai?

Leandro            A minha carreira empreendedora, ela surgiu também por causa da academia. Então quando eu cheguei lá na Católica, eu construí um projeto modelo de pesquisador, um modelo de pesquisador para mim era aquele sujeito que ia ficar dentro de um laboratório de pesquisa, montar um laboratório de pesquisa, teria o conjunto de alunos ali trabalhando em tempo integral no desenvolvimento dessa ciência, na produção do conhecimento científico, então assim, eu criei esse modelo e eu precisava executar esse modelo e minha estratégia de execução foi escrever um projeto para uma agência de fomento, captar recursos, pedir espaço para a universidade e montar o laboratório e foi isso que eu fiz. Fiz um projeto relativamente grande, para a FAPESP na época, eu e mais três outros docentes, nós éramos quatro e nós montamos lá o LSI, que era o Laboratório de Sistemas Inteligentes. Quando a gente montou o laboratório, a gente começou a trazer alunos, eu me deparei com um problema, que por ser uma universidade não pública, quando eu trazia um aluno com bolsa para fazer pesquisa dentro do laboratório, esse aluno tinha que pagar a mensalidade e ele não conseguia se dedicar integralmente à pesquisa porque a conta não fechava para ele e eu tive a ingênua ideia de criar uma empresa e eu ser o cientista que fosse fazer o braço entre o mercado e a academia para co financiar a pesquisa, então a primeira empresa que eu criei, chamada NATCOMP, que vem de natural computing, era uma empresa que visava desenvolver soluções de software para o mercado que envolvessem inteligência artificial, que envolvessem computação natural…

Luciano             Que ano era isso?

Leandro            … isso foi em 2006 e a minha estratégia para montar a empresa foi, primeiro buscar sócios, porque eu falei bom, eu sou pesquisador, eu não sou empreendedor, na época empreender não era essa ripe que é hoje, era ainda uma coisa, uma iniciativa bem menor e eu procurei alguns colegas e um deles aceitou vir empreender comigo e eu falei para ele, falei olha, vamos aqui montar essa empresa e eu quero 20%, você fica com 80%, eu faço aqui o braço entre a academia e o mercado e ele topou, só que ele falou, eu só venho se for meio a meio, 50% para cada um porque eu quero dividir responsabilidade. Falei tudo bem e nós criamos a NATCOMP, a NATCOMP ela foi pré encubada na incubadora de empresas de Santos em meados de 2006 e no início de 2007 ela passou para encubação, então a gente começou a operar de fato em janeiro, fevereiro de 2007 e uma coisa que eu fiz também para poder começar a empreender, porque até então toda a minha formação era formação técnica, na área de inteligência artificial, eu resolvi fazer o MBA também, então fiz o MBA em gestão empresarial executiva para, pelo menos, conseguir falar a linguagem, de novo a história da linguagem, falei eu preciso falar a linguagem do mercado.

Luciano             Você dorme em algum horário do dia?

Leandro            Ah, durmo 6 horas por noite, 7 horas por noite.

Luciano             Vamos montar empresa, vamos fazer o MBA, caramba, que loucura.

Leandro            É, esse ano foi um ano curioso também, porque 2006 foi o ano que nasceu o meu primeiro filho…

Luciano             Ah também… você fez filho também.

Leandro            … consigo fazer filho também.

Luciano             É o demônio.

Leandro            Eu costumo brincar que foi o ano de vários nascimentos, a NATCOMP nasceu, o André nasceu, enfim…  aí a gente começou a NATCOMP com essa visão de prestar serviço para o mercado, para fazer projetos. A gente não queria fazer os software que a gente chama de TI convencional, que são softwares de gestão, sisteminhas de controle, esse tipo de coisa a gente não queria fazer, a gente só pegava projeto que envolvesse o uso de algum algoritmo de inteligência artificial mesmo e a gente começou a operação, a gente, na época fez um projeto de uma máquina para classificação de grãos de café cru, porque a avaliação de qualidade do café é feita a partir de amostras, geralmente 300 gramas que o pessoal vai lá numa carga, fura algumas sacas, coloca aquele grão cru, o grão tem que estar cru, dentro dessa latinha e aí ele leva aquilo para um laboratório e tem um classificador lá, uma pessoa que classifica o café, bem parecido com aquela coisa que as nossas mães faziam de catar feijão, espalha ele assim na bancada e aí pega aqueles grãos mais feios, joga fora, pega as pedrinhas, os paus, joga fora, o processo de classificação de grãos de café tem essa mesma característica, só que você tem vários tipos de defeitos, você tem o grão chocho, o grão ardido, o grão blocado, o grão quebrado e você tem os defeitos extrínsecos, paus, pedras e etc. A nossa proposta era de automatizar esse processo, era construir uma máquina que teria um software embarcado ou instalado no computador, tanto faz, para poder fazer essa classificação do grão do café, isso traria muitos benefícios aí à cadeia, principalmente comercial, que seria o primeiro benefício depois da automação é a padronização do processo, porque o que acontece? Vamos supor que você vende aqui uma carga de café para Belém do Pará, aí o seu classificador fez a análise, esse café aqui é tipo 2, aí quando chega lá em Belém, a carga, os caminhões, o cara vai, faz a análise e fala não, esse café seu é tipo 3 e aí? Como é que você vai fazer essa arbitragem? O cara vira e fala para você, ó vou descontar 50 reais por saca, ou se você não quiser leva o caminhão de volta, então era uma questão muito delicada na época e nós fizemos um projeto, captamos recursos do PIP e da FAPESP para desenvolver, para começar a desenvolver essa máquina, mas depois isso foi em 2007 já, então a gente já no primeiro ano de operação a gente captou esses recursos, a gente começou a desenvolver essa máquina ao mesmo tempo que a gente começou a fazer projetos para o mercado e tinha uma coisa bastante  diferente do que é hoje, porque naquela época, quando você falava que você trabalhava com inteligência artificial, todo mundo olhava para você e falava esse cara é um nerd, esse cara é um maluco, esse cara tinha que estar dentro da universidade, então a gente tinha uma dificuldade muito grande de convencer o mercado do que a gente podia fazer em termos de soluções para eles, isso mudou completamente em 10 anos, hoje é ao contrário, hoje quando você fala que trabalha com inteligência artificial todo mundo já quer te escutar, o pessoa já fica curioso e já vai pensando em jet bots e um monte de coisas…

Luciano             Na skynet.

Leandro            … na skynet e por aí vai. Aí continuando um pouco dessa jornada empreendedora, depois de dois anos de operação, em 2009, nós percebemos que a gente não ia conseguir sobreviver de projeto, porque projeto hoje está bom, você tem projetos, você aumenta a equipe, você entrega, o projeto está acabando, é aquele desespero, tenho que captar mais e a gente decidiu…. o projeto da máquina de café nós entregamos um primeiro protótipo, mas a gente acabou optando por não desenvolver mais por uma questão de mercado, depois de um estudo de mercado mais aprofundado e etc. a gente pôs a história da máquina de classificação de café em standby e a gente foi investir mais na área de software…

Luciano             Na área de?

Leandro            … software…

Luciano             Software.

Leandro            … é, na área de software e nós começamos uma discussão interna na empresa sobre que produto de software a gente poderia fazer para lançar no mercado? Nós criamos um projeto na época, chamado de meuagente.com. A deia do Meu Agente era criar um ambiente virtual no qual as pessoas pudessem se logar, construir uma rede de relacionamentos, que a gente chamou de Confraria, ali naquele ano existia o Orkut, o Facebook tinha os primeiros passos dele aí, mas nem era conhecido ainda, estava sendo concebido e aí cada pessoa que logasse naquela rede ia ter um agente virtual inteligente que começaria a acompanhar o comportamento da pessoa dentro da rede e fazer recomendações para ela, desde outras pessoas com gostos, preferências similares até conteúdo, ah o cara entrou no jornal, leu uma matéria sobre política, então eu vou recomendar conteúdos sobre política, por isso que o ambiente tinha esse nome de Meu Agente. O Agente, em princípio, não seria um avatar explícito, mas ele seria um motorzinho ali em background que ficaria …

Luciano             Um botzinho ali que ia ficar…

Leandro            … isso, exatamente, um botzinho que ficaria monitorando tudo e alimentando a rede daquele usuário. Depois a gente trouxe esse projeto, a gente estruturou, montou e trouxe uma equipe e a gente começou a aprofundar no mercado, como nós vamos monetizar? Qual é o modelo de negócios? A gente começou a estudar um modelo baseado em publicidade, eu tenho colegas que têm empresas com modelos de negócio baseado em publicidade, a gente falou poxa, é isso aqui, vai ser difícil escalar e a gente começou a investigar o que  tem dentro do meu agente que poderia ser o grande diferencial na nossa empresa e o que nós encontramos lá dentro foi o motor de recomendação, botzinho de recomendação, nós separamos esse bot de recomendação e nós falamos, vamos coloca-lo no mercado. Mas qual é o nosso público alvo, quem a gente quer atingir? Aí de novo, começou o estudo sobre o mercado e nós nos deparamos com o comércio eletrônico, que vinha crescendo aí aproximadamente 30, 35% ao ano, desde lá do primórdios no Brasil com o Submarino ali, na virada do milênio, no início do milênio. Aí nós falamos poxa, é esse o mercado e nós criamos um dos primeiros motores de recomendação para o comércio eletrônico do Brasil, que foi o TuiLux. E logo que a gente criou o TuiLux, quando a gente estava preparando para o lançamento dele surgiram alguns concorrentes, alguns outros players no mercado, alguns já existiam, mas estava todo mundo ali batalhando o mesmo mercado praticamente, recomendação para comércio eletrônico e nós entramos aí nessa disputa…

Luciano             Seu produto passou a ser… você tinha um produto então que era um botzinho de recomendação, eu compro isso aí, boto no meu sistema e ele vai fazer aquele trabalho, de ver quem está navegando, gostos parecidos e recomendam                                                                                                                                                   um ao outro. Tá.

Leandro            … exatamente, era um motorzinho de recomendação que a gente chama, o bot e você podia utilizá-lo em diferentes locais, você podia utilizá-lo dentro do seu próprio comércio eletrônica, ou para fazer campanha de remarketing, e-mail marketing, tudo isso, a ideia era personalizar a experiência de compra do usuário, naquela época ali, eu tenho vários screenshots de comércios eletrônicos no Brasil se você clicava num produto, aparecia informação do produto e ficava m monte de espaço vazio assim na loja porque ninguém tinha, já tinham algumas empresas que forneciam serviços de recomendação no exterior, mas no Brasil não, então estávamos nós e os nossos concorrentes, todo mundo tentando explorar aquele mesmo mercado e a proposta era simples, são essas janelinhas, quem viu isso viu aquilo, quem comprou isso, comprou aquilo, produtos similares, produtos relacionados, a gente montava aí um motor de recomendação usando duas fontes de informação. Toda a sua   navegava, que produtos você clicava, que produtos você comprou, a gente monitorava tudo aquilo e as informações dos produtos, baixava, recebia das lojas as informações dos produtos e aplicava os algoritmos de inteligência artificial e construía aí os motores de recomendação. Esse produto… nós, na época, ainda aprendendo todo esse processo empreendedor, e aprendendo a empreender na internet, que é um mundo à parte, as coisas são muito rápidas, são muito dinâmicas, nós fizemos a opção por não buscar investidor, a gente tinha recursos na empresa que vieram de projetos que a gente fazia, como serviço e nós fomos tocando a operação, só que o que a gente observou na época, mas a gente não entendeu muito bem… como fazer frente, era que todos os nossos concorrentes foram investidos, alguns foram adquiridos por grandes grupos, por Buscapé, alguns grupos fizeram aquisições, todos receberam investimentos e eles começaram a crescer no mercado, na verdade só teve um grande player que se destacou no mercado, os outros foram morrendo ou mudando o foco de atuação, dois grandes players e a gente foi ficando para trás, então quando chegou em 2011 a gente estava com uma operação deficitária, a gente tinha clientes, mas eles eram pequenos, a gente tinha um fluxo de caixa negativo e a nossa decisão atrasada, tardia, foi buscar investidor. A gente começou a buscar investidor, ali em 2011 e nessa época a gente tinha uma composição societária que era assim: eu tinha um sócio que trabalhava mais na parte de gestão, era full time, eu tinha um sócio que era o nosso cara de tecnologia, que também era full time e eu nunca saí da academia, de 2007 para 2008 eu fui para o Mackenzie e eu sempre trabalhei, até voltando um pouco no que você perguntou antes dessa sinergia entre universidade e setor produtivo, empresa, indústria, eu sempre trabalhei, desde que eu comecei a empreender, em 2006, tendo alunos trabalhando em projetos da empresa, a empresa financiando alunos, então a empresa financiando a pesquisa, mesmo uma startup, eu sempre trabalhei nessa interface, então eu continuava na academia, só que agora no Mackenzie. Naquela época, em 2011 aí a gente começou a procurar investidor e nós tínhamos essa composição societária, que eram dois sócios integralmente dedicados à empresa e um sócio parcialmente, que era o meu caso, que fazia essa interface e nós encontramos um fundo de investimento que gostou desse formato, falou poxa, isso é interessante, a gente tem aqui um cara que é meio cientista, um pesquisador e os outros dois sócios que estão lá se dedicando totalmente ao projeto, só que eles falaram olha, nós não queremos o sistema de recomendação, porque a gente está vendo que esse mercado já deu uma saturada, vocês perderam a corrida, a gente tem um desafio diferente aqui para vocês e esse desafio era para atuar numa área que vinha crescendo bastante no Brasil e no mundo, na verdade, que é chamada de TV Social, o Social TV, o que é TV Social? Ali em 2011 o Facebook já tinha explodido, o Twitter estava muito forte e a TV Social é a nomenclatura que foi dada para essa interface entre as mídias sociais e a TV, essa interface pode se dar de várias maneiras, por exemplo, aplicativos que ajudam a você interagir com o programa de TV ou tudo o que é falado sobre a TV nas mídias sociais, como que eu analiso esses dados, como que eu quantifico, como que eu qualifico, então eles trouxeram esse desafio para nós de TV Social, nós três sentamos, olhamos, falamos bom, isso a gente consegue fazer, porque essencialmente, qual que era a proposta do fundo? A proposta do fundo era… nós vamos desenvolver uma ferramenta para análise qualitativa e quantitativa de tudo o que se fala sobre TV nas mídias sociais. Um dos objetivos disso era trazer uma alternativa de audiência ao IBOPE, porque o IBOPE mede a audiência através das caixinhas que são uma amostragem pequena aí dos domicílios e a proposta era poxa, vamos fazer o olhar agora de tudo o que se fala nas mídias sociais e aqui a gente não precisa mostrar, aqui a gente pode trabalhar como todo o universo, então para nós o bigdata estava surgindo lá em 2011 com uma aplicação real, pra um mercado, uma ferramenta de uso do mercado. Então além de quantificar a audiência da TV nas mídias sociais, a gente tinha a proposta de aplicação de mineração de textos e processamento de linguagem natural para entender o que estava sendo falado sobre TV nas mídias sociais também.

Luciano             Quer dizer, traduzindo aqui para quem não é do ramo aqui, vocês iam desenvolver um sistema que o sistema ia ler o texto e ia entender o texto e ia codificar e qualificar ao mesmo tempo, quer dizer X% estão falando bem e estão falando bem sobre este tema, é isso? Quer dizer, o teu robozinho ia ter a capacidade de interpretação do texto?

Leandro            Isso, exatamente.

Luciano             Isso é assustador.

Leandro            Isso a gente já estava fazendo em 2011, então 2011 a gente começou a fazer isso e nós desenvolvemos uma ferramenta chamada TTV, que era uma abreviação de Tuilux TV, tuilux era o nome do nosso primeiro produto e tuilux significa sua luz em latim, e a ideia do sistema de recomendação era trazer a luz para o cliente do produto que ele poderia se interessar e no caso do TTV era trazer o insight do que está acontecendo nas mídias sociais no contexto de TV e nós monitorávamos aproximadamente 150 canais de TV aberta e fechada e mais de 500 mil programas por mês e nós comprávamos os dados do Twitter, na verdade tem empresas que comercializam os dados do Twitter e a gente comprava. Por que a gente comprava? Porque a gente queria torneira aberta, a gente queria tudo, a gente sempre defendia trabalhar com a população ao invés de com amostra e foi isso que a gente fez, o Twitter era a nossa principal fonte de dados, o Facebook sempre mexeu muito na API, sempre restringiu muito o acesso aos dados e webTV a gente capturava alguma coisa e etc., mas a grande, a principal fonte de dador realmente era o Twitter. Nós começamos a trabalhar então nesse projeto, o fundo aportou capital e o fundo teve uma seguinte estratégia também: ele falou assim, ele falou olha, nós vamos trazer aqui um profissional de mídia, um cara bem importante do Brasil pra compor a equipe não interna, mas para compor a equipe de investimento e de mentoria para, inclusive, ajudar a gente a abrir algumas portas e esse produto TV ele tinha dois públicos, por um lado as emissoras tinham interesse no nosso produto, porque elas queriam quantificar e qualificar a audiência e ao mesmo tempo as agências tinham interesse também porque são as agências que comercializam a mídia e as emissoras, tirando aquelas que estão no topo do IBOPE, todas as outras queriam uma métrica alternativa para poder definir o valor da mídia e esse produto, ele começou com investimento e ele começou de uma forma muito diferente que o Tuilux, porque a gente tinha uma estrutura societária melhor, a gente tinha capital, a gente tinha mentoria e ele rapidamente foi líder de mercado, como sempre acontece a nossa concorrência chegou rapidinho, então nós tínhamos alguns concorrentes, mas nós ganhamos um espaço no Meio & Mensagem, no jornal Meio & Mensagem e toda terça feira de manhã a gente publicava o índice TTV e era muito curioso, porque depois nós ficamos mais de dois anos publicando lá, que depois de um certo tempo era meio que um frisson, as emissoras começavam a ligar para a gente na segunda feira para que a gente adiantasse o ranking, a gente falava não, o ranking vai sair amanhã, aguarda, se você quer saber antes assina o produto, no produto você tem. Então foi uma experiência incrível o produto TTV assim de estruturação de negócios, de alavancagem, de interação com a universidade também, porque uma parte do desenvolvimento do TTV foi feita dentro do laboratório de computação natural e aprendizagem de máquinas, na verdade não dentro, mas com alunos derivados dele, então essa interação continuou e continua trabalhando e o que aconteceu com o TTV foi o seguinte: ele foi lançado aí no final de 2012, a gente ia muito bem no mercado, mas começaram haver algumas movimentações, então o Twitter particularmente estava muito de olho nesse mercado de Social TV, porque eles enxergavam esse mercado como uma potencial fonte de receita para eles, além do que eles já faziam na época e ele começou a fazer algumas aquisições pelo mundo aí em 2013 e 2014, a primeira empresa que eles compraram foi a Bluefin Labs, que era uma empresa analítica, que tinha uma estrutura societária até parecida com a nossa, tinha um pesquisador lá do MIT Midia Lab, que era interface com o mercado e tinha os caras full time dedicados à empresa, então o Twitter começou a fazer algumas aquisições, alguns fundos fizeram algumas aquisições na Europa também, mas no início de 2014 eles nos comunicaram, eles o Twitter, nos comunicaram que eles iam mudar os termos de uso dos dados…

Luciano             Fecharam a porta.

Leandro            … e fecharam a porta para comercialização, falaram vocês podem usar, podem fazer o experimento, mas vocês não podem comercializar, em função disso a decisão coletiva ali nossa depois de oito anos empreendendo, dos meus sócios na época, eu também, a gente acabou resolvendo fechar a operação daquela empresa.

Luciano             Uma decisão… é complicado, eu estou muito envolvido nesse mundo porque eu também uso mídias sociais, são meus canais e tudo mais e ontem eu estava jantando com um amigo e comentando com ele, falando o drive que eu coloquei para mim no meu trabalho é o seguinte: jamais eu dependerei de nenhuma das mídias sociais, eu as uso como ferramenta, mas se amanhã o Facebook quebrar eu não morri junto com ele, não morri junto com o Twitter, porque ficar na minha, aquela sombra, a qualquer momento esses caras mudam a regra do jogo e aí desmonte tudo aquilo que você tinha colocado lá, quer dizer, no caso de vocês foi isso ao cubo, não é? Quebrou a empresa, fechou a empresa.

Leandro            Sim, acabou fechando a empresa, mas acho que é importante mencionar também que assim, nós sabíamos desse risco, quando nós desenhamos o produto, tudo isso foi colocado lá como elemento principal, ponto principal de atenção, de certa maneira a gente esperava que isso demorasse um pouco mais de acontecer, tanto que a estratégia era: vamos lançar esse produto, a gente tinha feito um estudo de mercado, não é um produto tão grande assim em termos de escala, mas ele é um produto interessante que pode alavancar outras coisas, então a gente estava desenvolvendo algumas outras coisas na época, mas não deu tempo de a gente lançar.

Luciano             O Twitter botou uma alternativa no mercado para isso? Esse monitor existe hoje de alguma outra forma ou não?

Leandro            O que eles fizeram foi o seguinte, eles fizeram essas aquisições fora do Brasil, mas a estratégia deles no Brasil foi fazer uma parceria com o IBOPE e lançar o índice de audiência via IBOPE.

Luciano             Entregaram para o tubarão.

Leandro            Exatamente e foi o que matou a iniciativa, porque todo mundo queria alternativa, quando eles lançaram junto com o IBOPE acabou, ninguém se interessou. É claro que assim, eu estou te contando a minha versão, estou contando o meu lado da história, não sei exatamente qual é a percepção deles sobre tudo isso que aconteceu e quais foram os resultados.

Luciano             O que vocês estão fazendo hoje, hoje o teu negócio se transformou no quê?

Leandro            Bom, então nós fechamos aí a NETC OMP em meados de 2014 e em meados de 2014 eu também, no início de 2014 eu fiz aquele estágio na Espanha pelo Ciências sem Fronteiras, como eu falei e aí eu voltei para o Brasil, a gente passou o segundo semestre de 2014 aí organizando a casa, desmontando a empresa, desmontando a operação e tal e eu fiquei nesse tempo eu já estava, eu já tinha fundado o laboratório de computação natural e aprendizagem de máquinas lá no Mackenzie, o LCom e eu fiquei reestruturando o laboratório também ao mesmo tempo maquinando qual seria a minha próxima startup, falei poxa vida, eu preciso de uma empresa, porque acredito nesse casamento realmente, da academia com o mercado e mais importante do que isso, eu acredito na nossa capacidade de construir soluções efetivas para problemas do mercado por meio da inteligência artificial e aí eu comecei a conversar com alguns alunos e ex alunos, nós já tínhamos muitas ferramentas desenvolvidas, a gente tinha os botzinhos para ler texto, para qualificar texto, para quantificar texto, para fazer recomendação, tudo isso pronto, todo esse conhecimento existia não apenas na forma de produção científica de papers e capítulos de livro, mas também na forma de código de máquina . E aí conversando com alguns colegas, eu achei um deles que se interessou em abrir uma nova empresa comigo, nesse caso, nós já estamos falando aí de 2015, ou seja, dois anos atrás, o bigdata já tinha explodido, a inteligência artificial já tinha ganhado muita mídia no Brasil e no mundo e o mercado começou a falar poxa, isso aqui é importante, eu preciso ter, às vezes o mercado não entende o como fazer, como estruturar a equipe, não faz muita ideia do custo que é uma equipe com essas características, mas passou a aceitar isso como parte da realidade e mais importante do que isso, como visão de futuro, se eu quero crescer, se eu quero entender melhor meu cliente, atender melhor meu cliente, eu preciso ter alguma coisa de inteligência artificial aqui dentro. Então isso foi muito bom para nós nesse momento, porque a gente tinha um mercado muito aberto e aí eu comecei a conversar com alguns colegas, em particular com o Rodrigo, Rodrigo Paste que é um dos meus sócios hoje e nós decidimos abrir uma empresa para focar na parte analítica do bigdata, hoje que a gente está indo um pouco mais para a área de infraestrutura também, mas como suporte para a área analítica e não como o fim da empresa. E aí nós começamos a especular, a gente falou poxa, eu tenho aqui um algoritmo que faz análise de sentimento, eu tenho um algoritmo que entende o contexto de texto e a gente falou poxa, vamos então abrir uma empresa, inicialmente a gente foca no desenvolvimento de uma plataforma de aplicações analíticas e o mercado também começou a bater na porta do laboratório, na verdade o mercado começou a cutucar o pesquisador Leandro e falar poxa, Leandro, eu estou aqui com um problema, será que você não consegue resolver? Então o mercado começou a se aproximar da gente, eu falei olha que coisa mais boa, o mercado está vindo atrás, não estou nem precisando fazer uma prospecção, o pessoal está batendo aqui e como o meu antigo sócio sempre dizia, o cliente bateu na porta, tem que atender, a gente estruturou a empresa e a nossa estratégia foi construir essa plataforma de aplicação e começar a atender o mercado em função do que o mercado fosse demandando, a gente definiu os produtos que a gente ia desenvolver, ao invés de fazer o método tradicional que é ah, eu vi essa oportunidade, projeto produto, desenvolvo o produto e lanço no mercado, nós falamos não, deixa o mercado dizer o que ele quer, aí a gente começou a receber demanda, muita demanda de processamento de linguagem natural, de análise de texto e em função disso a gente foi começando a desenhar aí alguns produtos.

Luciano             Você fala análise de texto é o robozinho que lê e entende o que está escrito ali e é capaz de me dizer o que…. não só a quantidade de gente que está me acessando mas o que a pessoa está pensando de mim, qual é a minha imagem no mercado, quantos estão falando bem, quantos estão falando mal… isso um robozinho.

Leandro            Isso.

Luciano             O que significa que ele pode fazer isso com toda a amostra, ele não precisa se restringir a conversar com dois mil caras, ele fala com o mundo. Tem fila de político atrás de vocês já ou não?

Leandro            É, nós já fizemos alguns trabalhos para políticos, mais na linha de projetos, de reports analíticos, então ele chega e fala olha, eu quero entender o que estão falando de mim, eu quero saber o que estão falando de mim e na verdade, no contexto da política, é até interessante você perguntar isso, porque amanhã eu estarei em Brasília, num painel discutindo exatamente a influência, o impacto das mídias sociais no cenário político…

Luciano             Que a hora é agora, com toda a mudança que houve, os caras estão sem dinheiro, essa história de botar dinheiro em propaganda e tudo, isso vai mudar tudo, vai canalizar para esse teu segmento, é a inteligência que vai fazer a diferença. Aliás para você que está ouvindo a gente aqui, o Miguel que trabalha com o Leandro aqui me contou um lance ali que eu achei divertidíssimo, que ele falou de um projeto que vocês fizeram para, se não me engano, SBT e que houve um processo de medição que estava medindo a audiência do programa do Gugu e o sisteminha determina que em determinado momento a audiência cai e ele qualifica cai por quê? E vai olhar e é porque o Gugu entrou em cena sem paletó e ele encontra o pessoal reclamando que o Gugu entrou sem paletó e aquilo causou um mal estar que derrubou a audiência e imediatamente saiu uma ordem, manda o Gugu botar o paletó e voltar ao ar de paletó porque a gente detectou que as pessoas não gostaram, quer dizer, isso é num nível de dados que é impensável, isso não dá para imaginar isso com um robô, o robô pensando e concluindo essas coisas. Eu imagino o que vai estar acontecendo daqui a 10 anos, o que vai ser do mundo daqui 10 anos, você é o culpado, você é um dos culpados, porque hoje, quando eu estou navegando lá eu tenho medo, eu olho um negócio falo que legal, vou clicar, não, não vou clicar porque se eu clicar isso aqui vai empestear meu computador, toda vez que eu abro um negócio vai ter essa, o robô maldito viu onde eu cliquei, vai me malhar com informações e já tem gente apostando que não precisa nem clicar, basta você navegar ou se você falar alto hoje em dia, o Facebook ouve e já bota coisa na tua frente ali. Onde vai parar isso, Leandro, onde é que vai parar essa coisa?

Leandro            Essa é uma discussão bastante polêmica, mas primeiro eu vou falar um pouco ainda antes de discutir o uso da inteligência dentro das mídias e dentro da internet, eu vou discutir o novo olhar e a nova percepção de mundo que essa parte mais analítica traz para nós junto com a internet, que é assim, antes deste fenômeno nós tínhamos uma comunicação que a gente chama de um para muitos, então você tinha os grandes veículos de massa, o rádio, a TV e você ficava de certa maneira ali passivo sentado e os caras podiam despejar o que eles quisessem para você e você não tinha a mínima condição de dizer o que você estava pensando a respeito daquilo, na minha visão hoje um dos grandes benefícios da internet para a comunicação é exatamente essa possibilidade de fazer a comunicação para muitos, eu digo no meu perfil de uma mídia qualquer o que eu achei sobre um determinado programa e as pessoas podem comentar sobre aquilo, elas podem me dar um feedback e o que eu falei pode servir de feedback para o diretor daquele programa, por exemplo e se você for parar para pensar isso é muito rico, porque você tem um feedback em tempo real de tudo o que está acontecendo e a maneira mais efetiva que você tem de ter voz a respeito de tudo, tanto que nós fizemos, nessa discussão que a gente estava fazendo sobre os políticos, por exemplo, você pode olhar, eu posso fazer um estudo analítico para avaliar todo o impacto das ações do político na internet, então ele postou, ele colocou um vídeo, ele escreveu um texto, ele curtiu, ele compartilhou, tudo isso você monitora e você consegue quantificar e qualificar e dizer para ele, olha, esse tipo de política pública tem tantos por cento de aprovação e tem tantos por cento de rejeição, olha a riqueza disso para o cenário e ao mesmo tempo você pode, por meio do uso das técnicas analíticas, fazer um mapeamento de tudo o que está acontecendo independentemente de ações específicas, então isso traz uma riqueza e uma capacidade das pessoas se expressarem que é muito grande, que a gente não tinha, que há 10 anos isso não existia. Então eu vejo isso como um ponto importantíssimo de, inclusive, democratização da informação e do conhecimento. Por outro lado até onde isso vai? Einstein já dizia que fazer previsões, principalmente do futuro é um absurdo, mas o que a gente vê é bom, primeiro eu vou… primeiro dar um olhar apocalíptico como pesquisador da área de inteligência artificial há mais de 20 anos e depois eu volto talvez para essa discussão mais específica. Assim, eu vejo muitas limitações nessa tecnologia atual que a gente tem baseada em silício para construir esses robôs inteligentes, totalmente autônomos, então assim, eu tenho dúvidas de que se a gente não mudar a tecnologia, estou dizendo o hardware, a gente consegue chegar nesse nível de sofisticação. Eentão tem estudos sendo feitos com computação quântica, computação molecular com outro tipo de hardware, alguns a gente até chama de (westwhere??) que podem chegar nesse estágio, mas eu acredito que isso está bastante longe. O que está mais próximo? O que está mais próximo realmente são as ferramentas, são principalmente as ferramentas que automatizam a interação humano computador, então são os bots que leem os seus e-mails automaticamente e a partir disso propõe respostas, a gente já tem até umas aplicações trabalhando assim, o cara lê o seu e-mail e te dá três opções de respostas pré escritas lá que você clica e não precisa nem escrever o texto mais, então essas aplicações que vão automatizar essa interação humano máquina, elas vão ganhar força e vão se ampliar no espaço relativamente curto e aí a gente tem aplicações clássicas, como os próprios chetbots que estão ganhando tamanho, estão ganhando mercado, mas os chetbots, para mim eles também, por um bom tempo ainda estarão limitados a aplicações a contextos específicos, eu sou uma empresa que vende plano de saúde, eu tenho um chetbot que vai atender o meu sac do plano de saúde, ok, você fala para mim um chetbot que vai ficar discutindo a novela das 8, falando sobre política, ao mesmo tempo vai te explicar como fritar um ovo e etc., para mim a gente está muito distante disso ainda, décadas distante disso, posso estar enganado, mas essa é a minha visão como pesquisador e o que eu tenho visto assim. Outra coisa que talvez esteja mais próximo, a propria questão dos veículos autônomos, a Tesla já tem alguma coisa, lançou um caminhão esses dias, então de novo, são automações, e aí surgirão questões regulatórias…

Luciano             E morais, regulatórias e morais. Você está falando aqui, eu estou viajando nas questões morais e éticas que essa coisa vai envolver, porque não dá nem…. isso vira outro programa sozinho, só isso é outro programa sozinho, mas o negócio que você está falando aí que está me batendo, quer dizer, eu estou enxergando que daqui a pouquinho eu vou comprar o meu bot, o bot Luciano, vai ser meu…

Leandro            O seu agente.

Luciano             … e eu vou treiná-lo para as coisas que eu quero que ele faça por mim, ele vai aprender como é que é e ele vai ser o meu avatar ali nessas mídias, ele vai fazer a maioria das coisas que eu teria que fazer, ele treinadinho ele vai fazer por mim, vai chegar um ponto que alguém vai achar que está interagindo comigo e na verdade é com meu bot.

Leandro            Sim, sim, isso…

Luciano             Que doidera.

Leandro            … isso vai acontecer sim…

Luciano             Que doidera. Mas legal. Meu amigo, dá para a gente ir longe aqui, dá para a gente ir muito longe aqui, é fascinante esse mundo aí. Se alguém quiser encontrar o trabalho de vocês, vocês tem um site, tem um lugar que as pessoas possam investigar, ver o que é que vocês estão fazendo, entrar em contato, mandar currículo, empresa interessada em conversar com vocês, como é que chega em vocês?

Leandro            Sim, a gente pode ser encontrado tanto pela empresa, que chama Axondata

Luciano             Como é que escreve?

Leandro            Axondata (ele soletra) então axondata.com.br esse é o site da nossa empresa, está sendo reformulado agora, mas está aí o domínio e também pelo Lcon, pelo laboratório lá no Mackenzie, é mackenzie.br/lcon.html então a gente está aí. Atualmente a gente está encubado lá dentro do laboratório, no Mackenzie e é isso.

Luciano             Legal. Fascinante, eu me sinto aqui vendo nascer a skynet, para quem não lembra o que é skynet, ela é a causa do exterminador do futuro, mas eu acho que a gente vai chegar lá e vamos cruzar os dedos para ser no bom sentido, que essas coisas nasçam realmente para fazer a gente ganhar tempo, qualidade de vida e capacidade de tomar decisões numa velocidade muito maior e economizar aquela coisa que é a mais preciosa que é o tempo da gente, poder dedicar para coisas menos mundanas do que repetição de tarefas e tudo mais, esses botzinhos aí acho que vem para revolucionar de vez. Meu amigo, muito obrigado pela visita.

Leandro            Eu que agradeço pelo convite, foi um prazer enorme estar aqui.

Luciano             Eu estou saindo com gosto de quero mais, eu acho que dá para aprofundar muito mais isso aqui, mas a gente vai trocando ideia aí, se bobear vou te chamar de novo aqui para falar de um outro aspecto aí desse jogo todo.

Leandro            Tá joia, fico à disposição, a gente tem realmente tem muita história aí para contar e algumas coisas, por exemplo, só para concluir, você tocou num ponto importante dessa questão da relação da universidade com o mercado, lá no Mackenzie mesmo, esse ano, a partir de agosto desse ano eu assumi uma coordenadoria chamada coordenadoria de desenvolvimento e inovação e eu sou um dos responsáveis hoje exatamente por fazer a gestão dessa interação da universidade com o setor produtivo e aí eu tenho aprendido bastante, tenho visitado muitos ecossistemas de inovação e empreendedorismo pelo Brasil e fora, acho que da para bater um papo bem rico sobre isso também.

Luciano             Já já eu te chamo de novo aqui.

Leandro            Será um prazer.

Luciano             Um abraço.

Leandro            Obrigado, um abraço.

                                                                                   Transcrição: Mari Camargo