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Ciça Camargo -

Luciano             Buenos dias, buenas tarde, buenas noches, bienvenido a …. primeiro LíderCast internacional, com aquela explicação como é que essa pessoa veio parar aqui. Veio parar aqui porque a coitadinha veio me visitar, mandou um e-mail para mim dizendo olha, eu escuto o Café Brasil, acho muito legal, vou estar aí no Brasil, queria visitar o estúdio, veio aqui me visitar, a gente começou a conversar, mas não deu dez minutos de conversa eu já catei a bichinha, falei vem cá, nós vamos fazer um LíderCast. Senta aqui, ela não está entendendo nada, o que significa que o programa vai ser muito bom, sempre quando as pessoa, quanto menos sabem a respeito do que se passa aqui, mais legal sai o programa. São três as perguntas fundamentais que você não pode errar, só essas três, o resto você pode errar à vontade. Seu nome, sua idade e o que é que você faz?

Lucia                 Eu sou Lucia Bellochio, da Argentina e tenho 27 anos…

Luciano             Faz o que?

Lucia                 Já estava esquecendo disso, eu sou advogada e trabalho no ministério público da cidade de Buenos Aires e também estou trabalhando na corte interamericana de direitos humanos.

Luciano             E como é que você fala esse português tão bem falado.

Lucia                 Escutei muito seus podcasts, por isso.

Luciano             Você sabe que esse é o efeito colateral do podcast? Que a gente nunca imagina que pode acontecer. A quantidade de pessoas que aprendem ou desenvolvem falar português ouvindo podcast no mundo inteiro é gigantesca.

Lucia                 Porque é super claro também.

Luciano             E eu recebo e-mails de gente do mundo inteiro mandando para mim, principalmente pelo WhatsApp, quando manda aquele sotaque e você vê o esforço da pessoa quer dizer, ela está se expressando num idioma que não é do dela, o que é sempre complicado e eu até brinco com as pessoas, eu falo, quanto mais errado ela fala, mais eu gosto de colocar no ar, porque mostra o esforço que ela está fazendo, quisera eu ter essa capacidade de um alemão, por exemplo, aprender a falar português, uma russa aprender… é muito legal.

Lucia                 Para nós, não é tão difícil, mas há muitas palavras que são parecidas, então isso aqui a gente tem ecos que até são engraçados…

Luciano             É o famoso portunhol.

Lucia                 … os falsos amigos.

Luciano             Quando eu tento falar espanhol fica ridículo, por causa disso exatamente. Você nasceu aonde?

Lucia                 Eu nasci em Buenos Aires.

Luciano             Buenos Aires?

Lucia                 É.

Luciano             Que beleza.

Lucia                 As cidades irmãs.

Luciano             Sim. Gosto muito de lá. Seu pai e sua mãe faziam o quê?

Lucia                 Minha mãe é professora de literatura e meu pai trabalhou muitos anos em política, mas agora já não está mais nesse ramo.

Luciano             Nenhum dos dois era empreendedor, de ter o próprio negócio? Eles trabalharam sempre…

Lucia                 Não.

Luciano             E o que….. como é que eu vou chamar você, você falou…. eu tento falar seu nome, mas vai ser assim Luzia…

Lucia                 Eu sei que o jeito brasileiro é Lúcia. Mas na Argentina é Lucía.

Luciano             Se você falar aqui Lucía, nós vamos trazer como Luzia, porque existe em português o Luzia e tem o Lúcia.

Lucia                 Bom, Lúcia.

Luciano             Vou te chamar de Lúcia, vamos lá. O que a Lúcia queria ser quando crescesse?

Lucia                 Eu sempre quis ser advogada, sempre. Eu acho que no momento eu mudei a ideia e falei ah não, eu quero ser doutora, médica, mas depois voltei para a ideia de ser advogada, mas na verdade que sempre fui muito inquieta, sempre gostei de fazer muitas coisas, então nesse sentido eu acho que ainda isso continua sendo assim.

Luciano             E de onde veio isso, se seu pai não fazia isso, sua mãe não fazia também, qual foi o modelo para você seguir a advocacia. Você tem irmãos?

Lucia                 Tenho, tenho uma irmã “mais pequena”.

Luciano             Tá. Então nem irmão foi para…. o que te levou a seguir para a advocacia? Os filmes de tribunal, foi isso? Cinema, você via aqueles filmes?

Lucia                 Não, eu sempre odiei as matemáticas, os números, então também um pouco tentando evitar isso e gostei sempre muito da história, das coisas mais sociais que tem a ver com os conflitos, as pessoas. Eu sempre achei muito interessante isso, mas é verdade que depois você vai à faculdade e há muitas coisas que a faculdade não te ensina e você, na prática, no dia a dia vai aprendendo.

Luciano             Parece o Brasil.

Lucia                 Sim, acontece em todos os lados.

Luciano             Como é que é na Argentina lá, é parecido com aqui, você vai, tem as sequências escolares normal, eu não sei mais como é que chama lá, aqui já mudou tudo também, eu já perdi tudo, mas é primeiro ciclo, segundo ciclo, depois universidade.

Lucia                 Exatamente, você tem a escola, quando termina a escola, em geral, pode ir à faculdade ou fazer algum estudo terciário e depois tem que começar a trabalhar.

Luciano             E tem vestibular lá para entrar na escola? Sabe, vestibular que é o exame…

Lucia                 Não, para entrar na escola não.

Luciano             Na universidade tem?

Lucia                 Na universidade depende, algumas tem, as privadas, por exemplo, tem, mas a universidade pública não tem, mas tem que fazer todo um ano de ingresso, que são matérias obrigatórias que você tem que aprovar para depois poder fazer os estudos.

Luciano             E o que…. quando você olha assim, qual é a melhor universidade, é a pública ou é a privada? Ou equivale lá?

Lucia                 Meu coração está na pública, eu estudei na universidade de Buenos Aires que é pública e na verdade eu acho que a universidade pública te prepara muito melhor para a vida, porque você tem que fazer tudo sozinho, ninguém ajuda você, você não tem uma pessoa que te fala ah, você tem os livros aqui, você tem aulas nesta hora, você não sabe nada, você tem que procurar tudo sozinho, então nesse sentido eu acho que depois de 6 anos de estudo, você sai às ruas muito mais forte e…

Luciano             Você se formou quando?

Lucia                 … em 2013.

Luciano             2013, você está formada há quatro anos, você se formou com 23 anos.

Lucia                 Exatamente.

Luciano             E você entrou com 17.

Lucia                 17, sim.

Luciano             17, caramba, 17 anos…

Lucia                 Mas eu comecei a trabalhar quando já estava estudando, então eu comecei a trabalhar aos 19 anos.

Luciano             Mas mesmo assim, 17 anos para entrar numa faculdade de direito, não é muito novinha para fazer uma escolha dessa?

Lucia                 Mas aqui também não é assim?

Luciano             É mas digo para uma escolha dessa de carreira assim, sabe, de advocacia. 17 anos eu quero balada ou eu entro até porque me pressionaram para ir, meu pai me fez ir, minha mãe, eu quero fazer festa. Depois lá na frente eu vejo, vou dar um jeito…

Lucia                 Não mas…

Luciano             … mas você já foi consciente, aos 17 anos, sim vou fazer.

Lucia                 … eu sempre tive muito decidida e gostei muito das pessoas que conheci, dos professores que tive, dos amigos que também fiz na faculdade que ainda hoje são meus amigos, então foi uma boa época.

Luciano             Você lá no meio da faculdade, você em algum momento teve que escolher para que lado do direito você ia, criminal, como é que foi?

Lucia                 Nós temos que fazer uma área de especialização, então eu fiz especialização em direito público, mas você pode escolher o que quiser, cível, penal, trabalhista, o que você quiser.

Luciano             Ainda bem que você escolheu público porque…. por isso que você está aqui. Mas legal, você escolheu direito público e você falou que você começou a trabalhar logo com 19 anos, segundo ano.

Lucia                 Sim, eu comecei a trabalhar num escritório de advogados muito grande, o escritório “mais grande” da Argentina que era bem exigente e trabalhava muito, dormia pouco também, mas foi uma experiência super legal, bem exigente e também eu estava estudando nesse momento, então foi difícil.

Luciano             19 anos, 19 anos, idade de balada e você decide estudar e trabalhar ao mesmo tempo, como é que é, qual é a chavinha que você aciona para falar eu vou colocar meu tempo de vida no estudo e no trabalho ao mesmo tempo?

Lucia                 Na verdade é que eu gostava muito, muito do que estava estudando, mas tinha essa vontade de que só essa sensação de que estar só na faculdade não era suficiente. Pelo menos na Argentina, em geral os estudos são muito teóricos, então você tem que ler e eu adoro ler, mas como que alguma coisa que eu sabia que ainda não tinha, que era a experiência prática e pelo menos na advocacia é super importante, porque você pode ler muitos livros, ser a pessoa mais inteligente, mas se depois não tem a prática, como que não tem muito sentido, então eu acho que foi a decisão mais acertada que tive nesse momento.

Luciano             Isso era comum na tua turma? Todo mundo fez assim ou você era um ponto fora da curva.

Lucia                 Não todo mundo, de fato minha mãe falava não, você pode estudar tranquila e depois trabalha. Não, eu quero trabalhar e a verdade é que foi bom, porque depois com o tempo você aprecia isso, valoriza isso, porque tem uma outra visão das coisas muito mais legais, muito mais, não sei, com um enfoque diferente, pode fazer a mistura entre a prática e a teoria.

Luciano             E você ficou até o final, trabalhou lá?

Lucia                 Trabalhei sempre, não nesse escritório, eu depois mudei e comecei a trabalhar no âmbito público e depois entrei ao judiciário e bom, ainda estou no judiciário.

Luciano             mas vamos lá, deixa eu pegar você mais um pedacinho aqui. Você então se forma, pega o seu…. como chama lá? É diploma, certificado, como é que chama?

Lucia                 Nós chamamos certificado.

Luciano             Certificado. Você pegou o seu certificado na mão e falou muito bem, agora eu vou ser a advogada, você tinha na cabeça que você ia trabalhar para alguém ou pensou em montar o teu próprio escritório? Você já tinha elaborado alguma coisa assim? Vou trabalhar por minha conta, meu próprio escritório ou não, vou seguir carreira num escritório, vou me tornar sócia num escritório?

Lucia                 Sim, a verdade é que como eu sempre gostei muito do direito público, como que quando você está nessa área, o melhor lugar onde pode trabalhar é o âmbito público, então nesse sentido eu nunca pensei em ser sócia de um estúdio… de um escritório como falamos nós, porque eu achei melhor que as mudanças são mais fáceis para fazer desde o âmbito público, então nesse sentido pelo menos até agora, não pensei isso.

Luciano             Como é que funciona lá, lá quando você vai para o serviço público você tem que prestar um concurso, você manda um currículo? Como é que funciona o esquema lá?

Lucia                 Depende. Por exemplo, você pode entrar ao âmbito público por concurso, mas não é mais como…. talvez para os cargos mais altos se você pode fazer concurso, mas se não são recomendações das pessoas que estão dentro, mais informal.

Luciano             Interessante. Você sabe que aqui no Brasil tem uma garotada aí que tudo o que quer é trabalhar o serviço público, porque aqui tem aquele conceito de que se eu conseguir um emprego no serviço público…

Lucia                 Pela estabilidade.

Luciano             … estou garantido, já pronto, vou me aposentar na boa. Agora tem uma discussão no Brasil muito grande que tem uma reforma vindo aí na previdência que vai implodir essa coisa toda, mas tem essa coisa do objetivo, vou arrumar um serviço público e eu estou garantido para o resto da vida. Lá é assim também?

Lucia                 Agora sim, eu acho que antes as pessoas valorizavam muito mais trabalhar no âmbito privado, mas neste último tempo isso mudou muito. Então as pessoas se formam e querem trabalhar no judiciário, no âmbito público pela mesma questão, a estabilidade, as férias, mas isso para mim é muito grave porque também o âmbito público fica desvalorizado, porque eles só querem estar aí por isso, não porque realmente tenham paixão por estar aí, por mudar as coisas, por fazer que as coisas funcionem, então eu acho muito grave isso.

Luciano             Mas é interessante até que isso aconteça com o Macri, porque o Macri assume com discurso liberal, com discurso do mercado, do indivíduo, vou fazer acontecer e de repente, mas não vou querer, já desisti de querer entender a Argentina há muito tempo, desisti de entender o Brasil há muito tempo, o negócio é deixar a coisa rolar.

Lucia                 São países que tem muitas particularidades.

Luciano             Tem sim. Me fala uma coisa, você entrou no serviço público em quê? Para fazer o quê?

Lucia                 Eu trabalhava no governo da cidade, na área legal, fazendo resoluções, atos administrativos.

Luciano             Deixa eu explorar então um pouquinho aqui. Você até entrar lá, você enxergava o serviço público de fora, você via como é que era, tinha aquela ideia, garotinha ainda, cheia de vou mudar o mundo etc. e tal e um belo dia você entra dentro do serviço público e começa a entender como é que a máquina funciona de dentro. Isso foi frustrante para você? Como é que foi esse impacto de você chegar cheia de querer fazer acontecer e descobrir, eu duvido que lá seja diferente do Brasil, que as coisas não são bem assim, não andam na velocidade que você quer, não há disposição das pessoas em querer um mundo melhor. Como é que foi para uma menina cheia de ideal?

Lucia                 Foi difícil, foi muito difícil porque você quer fazer muitas coisas, tem muitas ideias, mas nem todo mundo quer fazer, isso ou não todo mundo tem bondade de fazer isso. Mas, eu nunca perdi as esperanças e eu sempre continuei fazendo as coisas. Eu acho nesse sentido, que também todos teríamos que ter a capacidade de não…não sei como é a palavra em português… mas não contagiar-nos dessa sensação, porque muitas vezes as pessoas falam ah, mas se ele não quer fazer, então eu também não, que é o mais normal, mas eu nunca tentei me comparar ou me fazer … não sei como falar isso … como não subir nessa atitude, então por isso eu, nesse sentido, sempre fiquei tranquila de estar fazendo o que tinha vontade de fazer.

Luciano             Você é ouvinte do Café Brasil, você não ouviu LíderCast ainda mas esse aqui é o programa que fala de liderança e empreendedorismo, então o que você está falando é exatamente essa questão do intra empreendedorismo, quer dizer, o empreendedorismo dentro de uma organização, não é o empreendedor com o próprio negócio, com o próprio dinheiro, você entrou numa empresa, numa organização e lá dentro você tem que fazer acontecer…

Lucia                 Exatamente e é muito mais difícil, o tempo tem muitas pessoas frias e você tem que passar um, passar outro e depois chegam dez mais, então é difícil.

Luciano             Eu tenho lidado, eu falo muito para jovens, tem muitos jovens, faço muita palestra para jovens e é legal ver essa energia da molecada, faca no dente, e você se encontra com eles cinco anos depois e aquilo tudo deu uma esmorecida porque a pessoa começa a entender como é complicado você fazer a máquina… a máquina andar já é complicado, agora, a máquina mudar de rumo é muito mais complicada ainda, muitas vezes tem que ter um trauma para você conseguir fazer aquilo acontecer, o trabalho do empreendedor interno é não se deixar contaminar por isso e falar: escuta, eu vou continuar fazendo acontecer. Você hoje está no serviço público não mais da cidade, agora é…

Lucia                 Não, no judiciário.

Luciano             … no judiciário, mas a nível…. eu não sei como é que eu vou dizer isso, da Argentina como um todo, só de Buenos Aires?

Lucia                 Só de Buenos Aires, só da cidade.

Luciano             Da cidade de Buenos Aires.

Lucia                 Na cidade tem um regime que é autônomo, então é tudo uma estrutura, então a cidade de Buenos Aires tem seu judiciário, administração, o congresso, todo da cidade.

Luciano             Sim. Por isso que tem muita briga com o governo.

Lucia                 Sim, em geral sempre, porque sempre na Argentina aconteceu que o poder nacional era diferente ao poder da cidade e diferente aos das províncias, agora é a primeira vez que temos o mesmo partido político que está no poder executivo nacional, da cidade e d província.

Luciano             Você viveu a transição Kirchner?

Lucia                 É.

Luciano             Você estava estudando nos Kirchner ainda, não é?

Lucia                 Exatamente.

Luciano             E depois quando você saiu ainda pegou Cristina e pegou a transição para o Macri, a gente assistiu daqui do Brasil essa transição com muito interesse. A minha posição é uma posição liberal para conservador, então eu estava muito interessado em ver o que aconteceria ali, achei bem legal quando o Macri surgiu, o discurso dele, as primeiras medidas dele que foi aquela gritaria, que você fala não tem como você botar as coisas em ordem, você tem que quebrar tudo, vai ter que quebrar e aí… como é que é hoje? Já passou um tempo, a gente olha de longe aqui mas não dá para entender muito bem porque o canal que eu recebo aqui é da mídia e eu tenho muito….  entender as coisas pela imprensa é muito complicado, você está vivendo aquilo dentro da organização pública e você falou para mim uma coisa que é fundamental, quer dizer, a primeira vez que não há um choque de poderes ali e o que aconteceu? Houve uma estabilização, a gente ainda está mais tranquilo.

Lucia                 Eu acho que a Argentina está mudando, mas devagar, eu acho que foram muitos anos de um mesmo governo, muito fechado também, porque a verdade é que a Argentina estava fechada e agora está tentando se abrir ao mundo de novo e tentando. Disseram bom, aqui estamos, nós também temos muitos recursos naturais, temos muitas coisas, a Argentina é um país bem rico, tem muitas coisas.  Mas foram muitos anos, também muita corrupção, como todas as pessoas sabem, isso fez muito mal à Argentina, então agora a maioria dos ex políticos estão presos, estão processados, toda essa crise institucional a que a sociedade está bem polarizada, então você é krichnerista ou você é anti krichnerista…

Luciano             Ainda é assim?

Lucia                 … ainda é assim, então isso faz que a sociedade esteja bem polarizada, isso não é bom e traz muitas consequências.

Luciano             É, o Brasil está vivendo uma coisa parecida com isso.

Lucia                 Mas eu acho de a pouco a Argentina tem a vontade de sair par adiante.

Luciano             Você consegue enxergar uma geração nova de argentinos tomando… qual é o problema aqui, que a gente vê no Brasil aqui? Tem que morrer uma geração aqui para a gente poder respirar um pouquinho, porque tem uma geração mais antiga, dos velhos políticos, eles estão encastelados no poder e dali eles pegam e estão impregnando aquela coisa, quer dizer, se o cabeça é ruim a turminha de baixo consegue muito pouco fazer, então essa moçada toda, quando eu falo morrer é ficar velho, não é para assassinar ninguém, vão morrendo, vão ficando velhos e de repente vem uma nova geração surgindo. Aqui no Brasil aconteceram alguns fenômenos nos últimos três ou quatro anos aí, o principal deles veio do ministério público, do judiciário com juízes novos, com ministério e é uma garotada, é tudo gente jovem que vem com uma cabeça e os caras vem que vem babando sangue, eles querem… é até assustador de vez em quando, mas aquilo fica muito claro, quer dizer, eles estão tirando da frente aquela estrutura antiga para colocar alguma coisa nova no lugar ali. Você consegue ver isso na Argentina também?

Lucia                 Sim, na minha opinião, na Argentina eu acho que agora estamos tendo uma liderança de pessoas jovens na política, por exemplo, se você olha nos diferentes ministérios e as organizações públicas, você já está vendo pessoas muito jovens trabalhando e trabalhando forte, que eles trabalham sábados, trabalham domingos. Por exemplo, na área de social você só vê gente jovem e com vontade de fazer mudança, super envolvidos nos assuntos públicos, eu acho que isso é importante pois se as gerações jovens pedem uma esperança, já não há muito para fazer, então eu estou vendo muita gente envolvida nisso

Luciano             No teu trabalho você tem contato com o público lá no final com as… com o povo?

Lucia                 Não.

Luciano             Não, você está dentro do ambiente burocrático ali.

Lucia                 Eu sempre tento ter muito contato com as pessoas que trabalham aí e me preocupo muito por isso, porque muitas vezes quando você tem muito trabalho, você esquece de algumas coisas e eu tento ser consciente de que todos somos pessoas, mas dadas as urgências que estão no trabalho.

Luciano             Qual é a tua função lá? Teu cargo qual é? O que está no teu cartão de visita?

Lucia                 Eu sou secretária judicial que é…

Luciano             Fala em espanhol.

Lucia                 Secretaria judicial. Eu no ministério público faço como a coordenação de todas as atividades que faz o âmbito contencioso administrativo e tributário. Lá o ministério público tem duas áreas que são a área penal e a área de contencioso administrativo e tributário, então eu faço tudo o que tem que ver com coordenar todas as atividades que depois faço o fiscal geral, então tenho muito trabalho. E também faço tudo o que tem que ver com a vinculação institucional entre o ministério público e outras instituições, tudo o que tem que ver com as relações internacionais, então os acórdãos que tem o ministério público com as instituições de outros países.

Luciano             O ministério público está subordinado a quem? Deixa eu te explicar por que. Aqui no Brasil o ministério público acabou se tornando como que um quarto poder aqui, ele tem uma independência de atuação aqui, por isso que está todo mundo assustado, eles veem e veem para…. e arrumam encrenca mesmo porque tem uma independência de atuação muito forte ali, ainda bem que é assim que eles conseguiram…..  estão limpando bastante lá. Lá também é assim? Vocês têm uma independência de atuação?

Lucia                 O ministério público tem independência judicial e financeira, mas depois na estrutura está em vinculação com uma instituição que coordena tudo o que tem que ver com o judiciário, todos os tribunais, estão nesse âmbito.

Luciano             Vamos chegar então naquilo que me fez convidar você para vir falar aqui no LíderCast. Eu vim perguntar o que você veio fazer no Brasil, você sacou um folhetinho, me entregou com uma coisa chamada Prometea, eu vim aqui para falar do Prometea. O que é Prometea?

Lucia                 Prometea é um projeto que nós temos no ministério público, que a ideia surgiu porque nós no ministério público temos muitos e muitos casos que são todos parecidos, muitos que são simples, mas são muitos, muitos, muitos, então em geral todas as pessoas fazem todos os dias em seus expedientes, então nós já temos estudado muito a vinculação que tem as novas tecnologias em vinculação com o direito, com a justiça, com a administração pública e nesse assunto a gente estava trabalhando com programadores e eles nos contaram que eles estão fazendo uma especialização em inteligência artificial e a gente…

Luciano             Opa, entrou inteligência artificial no ministério público no governo, começa a ficar interessante, só deixa eu elaborar um pouquinho melhor aqui, quer dizer, você estava preocupada com a questão de processos burocráticos que são sempre repetitivos e você tem um batalhão de pessoas repetindo, troca nomezinho, troca datazinha mas o processo se repete…

Lucia                 Quase robôs.

Luciano             … sim, só que são seres humanos que estão ali e de repente alguém surge com uma ideia de que pode ser que…

Lucia                 Então quando surgiu a ideia, a gente começou a estudar, bom, que faz a inteligência artificial? Para que pode ser útil? Para que nós poderíamos utilizar a inteligência artificial? Bom assim foi como surgiu tudo e começamos a trabalhar nesse projeto para fazer um sistema que faça com que todos esses expedientes, todos os casos sejam feitos muito mais rápido, então assim foi como nasceu o Prometea e agora Prometea já está sendo usado no ministério público.

Luciano             Pausa. Então vamos lá. Você está falando de uma área de justiça onde as pessoas precisam usar muito o bom senso, precisam usar muito a lógica, o raciocínio lógico, porque afinal de contas você está julgando coisas, tem sempre um julgamento em algum momento e o resultado desse julgamento vai causar consequências em um ser humano, etc. e tal. Máquinas não julgam, máquinas conseguem somar um mais um, sempre dá dois e às vezes precisa dar 2,5,  2,8 que é o nosso….. Como é que vocês fizeram para levar adiante essa ideia para uma geração que está acima de vocês, que é o pessoal mais…. e que vai olhar com muita desconfiança e falar um computador não pode fazer o trabalho de um ser humano e principalmente no judiciário que é aquela coisa grandona, pesada, tudo é demorado, tudo é muito conversado e você de repente tem uma coisa que é uma grande ameaça e que tem esse risco todo, uma máquina vai querer pensar. Como é que vocês fizeram pra elaborar?

Lucia                 Eu acho que tivemos duas coisas que foram muito importantes: a primeira foi que todas as pessoas que trabalham na minha área são jovens, então ele nunca tiveram medo de tentar fazer um sistema com inteligência artificial, de fato a gente trabalhou muito. Para que o sistema esteja funcionando nós precisamos fazer uma governança de dados e isso foi muito trabalho…

Luciano             Seu chefe é jovem? Você tem um chefe jovem?

Lucia                 … meu chefe é jovem, ele também tem uma cabeça muito aberta, gosta de fazer coisas inovadoras e nesse sentido eu sempre acreditei muito nisso, porque uma coisa é fazer inovação no âmbito privado que talvez seja um pouco mais fácil, mas fazer inovação no âmbito público é muito mais difícil, você tem muito mais travas, mas nesse sentido a primeira coisa que foi super boa foi que todas as pessoas ouviram muito, porque sabiam que era para benefício deles. Todas essas pessoas que trabalharam em criar esse sistema sabiam que era para que eles não tivessem que fazer mais trabalho que seja tudo igual, onde eles não pensavam e tinham que fazer todos os dias a mesma coisa. Então eles trabalharam muito e isso foi importante e foi única coisa que foi realmente estrutural para que o sistema agora esteja funcionando.

Luciano             Só uma coisa: eu vou explorar bastante esse comecinho que isso é muito importante até como insight para o pessoal. Vocês quando começaram a lidar com isso que alguém apareceu e falou da inteligência artificial, que ela poderia ser um caminho, etc. e tal, evidentemente que haveria, teria investimento de tempo, teria acho que algum investimento de dinheiro, isso ia mexer bastante naquela estrutura, mas alguém fixou…. nós vamos atingir o quê? Qual é o indicador que vai dizer que deu certo, que valeu o investimento, que valeu o dinheiro. Em quando tempo? Vocês montaram um plano para isso? Nós pretendemos dentro de X tempo ter um resultado?

Lucia                 A ideia surgiu há cinco meses, é bem novinho. E agora já está funcionando, por isso como que ainda estamos muito surpresos, porque de repente a gente tem que apresentar Prometea em muitos lugares, porque há muitas pessoas que estão interessadas, mas a ideia é bem nova…

Luciano             Cinco meses.

Lucia                 … desde que surgiu a ideia até agora que já está funcionando e que o fiscal geral assina as coisas que são feitas por Prometea.

Luciano             Eu vou querer comprar esses caras de TI seus, em cinco meses?

Lucia                 E os programadores também são pessoas de 28, 30 anos.

Luciano             Trabalham no ministério público também, vocês não terceirizaram nada, vocês não foram buscar?

Lucia                 Não, eles são programadores que trabalham em outras coisas super bons, super ativos e eles também eram de um âmbito privado, mas eles tinham essa mentalidade, esse enfoque de tentar fazer uma mudança, eles podem trabalhar onde quiserem porque ganharam prêmios na Dinamarca, na França, são super bons, mas eles tinham vontade de fazer uma coisa também que tenha alguma mudança ou que tenha um objetivo mais público, mais social…

Luciano             Propósito.

Lucia                 … exatamente e …

Luciano             É o propósito.

Lucia                 … então como que nós tínhamos essa vontade, mas precisávamos deles e eles tinham os conhecimentos técnicos, porque só eles conhecem de inteligência artificial, mas precisavam espaço que seja público para desenvolver isso.

Luciano             Mas de novo, deixa eu ver se eu consigo pegar o âmago dessa coisa. Qual era o objetivo de vocês quando implementou esse processo, era acelerar, o que era, era reduzir custo? Reduzir gente? Acelerar processo? O que era o objetivo final disso?

Lucia                 Reduzir tempo. Era muito tempo que as pessoas gastavam fazendo coisas que não tinham sentido, eram todas iguais, as pessoas pegavam um modelo e depois só tinham que mudar o número do expediente, os nomes das pessoas e ficava tudo igual, as pessoas pediam, por favor, fazer outra coisa, porque já sua cabeça estava queimada.

Luciano             Lá na Argentina também existe essa impressão que tem razão de ser aqui no Brasil, que a justiça é muito devagar, tudo anda devagar e com vocês também é assim lá? Vocês também sofriam com isso?

Lucia                 Sim. Todas as pessoas falam mal da justiça, que a justiça é lenta, que eles não resolvem, que talvez passam 30 anos e o processo segue igual, então isso também é um pouco frustrante quando você fala ah, eu trabalho no judiciário. Ei já tive vergonha de falar isso e eu acho que não é bom quando você gosta de que faz e tende a fazer que as coisas sejam um pouco diferentes.

Luciano             Deixa eu voltar um pouquinho ali atrás, a Lucinha, chega cheia de amor para fazer acontecer, entra dentro do judiciário e encontra essa estrutura muito vagarosa, essa coisa toda. As pessoas de fora tem essa impressão, porque eu sou vítima desse processo, então eu sei que eu vou entrar com um processo vai levar 10, 15, 20 anos, como vítima eu consigo perceber perfeitamente, você entrou lá dentro e você agora era agente desse processo, você conseguia perceber claramente essa demora, essa coisa enrolada isso tudo…. o que te dava isso? Agonia? O que era?

Lucia                 Sim porque nós também vivemos todos os dias com as demoras, então eu, por exemplo, tenho que enviar uma nota super simples e ai eu tenho eu fazer a nota, faço formalidades, outra pessoa tem que aprovar isso, depois outra pessoa tem que aprovar de novo, outra tem que aprovar de novo, então vê? Passaram dois meses e ainda não há novidades, então eu sei que em parte é verdade o que as pessoas falam, mas também quando há direitos que estão envolvidos, eu acho que a situação é muito mais grave, então um pouco a ideia do sistema era isso, que os tempos sejam mais rápidos, pelo menos nos casos que são simples. Os casos que são mais complexos, que são muito mais difíceis é normal, porque as pessoas tem que estudar o expediente, estudar os precedentes que a justiça já tem e tem que cuidar da seguridade jurídica, nesse sentido, mas há outros casos que não tem sentido demorar tanto, então essa foi a ideia principal.

Luciano             Vocês, quando foram implementar o projeto, vocês escolheram uma área? É aqui que nós vamos atacar, essa área?

Lucia                 Sim, nós temos muitos casos que são, por exemplo, de as pessoas pedirem ao judiciário que seja garantido o direito à moradia, então esses são muitos processos que nós temos, então agora estamos fazendo nesse âmbito, nesses expedientes que são muito parecidos porque o tribunal superior já resolveu, a corte suprema da cidade já tem falado que quando, por exemplo, é uma pessoa só, sozinha, a resposta é uma, se é uma mulher com filhos, a resposta é outra, então quando eu tenho um expediente desses, eu já sei qual é a resposta, não tenho que estudar muito o caso, então Prometea só funciona nesse tipo de casos, onde você já sabe e a resposta é quase automática.

Luciano             Eu vi que você então, teu chefe é jovem e ele comprou essa briga toda, então vocês tinham ali o apoio para fazer a coisa crescer de cima para baixo. Como é que foi com aquelas pessoas que ficam carimbando e repetindo, escrevendo o nomezinho e que de repente se veem diante da ameaça de perder o emprego porque o robô vai fazer o trabalho que ela fazia?

Lucia                 A primeira sensação é susto, vou ficar sem emprego. Mas depois essas pessoas se dão conta que na realidade eles são valorizados, porque agora em vez de fazer essa tarefa que era super automática, sempre igual, agora eles estão fazendo coisas muito mais qualificadas, então essas pessoas agora estão estudando coisas mais complexas, estão fazendo casos, expedientes que são muito mais difíceis, então eles com o tempo se dão conta que na realidade seu trabalho agora é muito mais qualificado, todas as pessoas querem fazer coisas mais qualificada. Há poucas pessoas que querem trabalhar em coisas automáticas, preenchendo dados que são todos iguais.

Luciano             E o que é…. qual é…. vocês estão ainda com cinco meses, isso dai deve ser beta ainda, não é? É beta ainda, o que é?

Lucia                 O ministério público está utilizando isso no 52% dos casos que tem, que é bastante, em cinco meses é bastante e…

Luciano             Eu estou impressionado com a velocidade de vocês, do zero para implementar em cinco meses.

Lucia                 Foi trabalho intenso…

Luciano             Mas então, deixa eu te perguntar uma coisa…

Lucia                 … sábados, domingos…

Luciano             … então, isso vocês não trouxeram de nenhum lugar, não é que você foi para a França, viu que tinha e implementou aqui?

Lucia                 … não, de fato nós estamos pesquisando muito sobre inteligência artificial e ainda não existe nenhuma inteligência artificial aplicado ao âmbito da justiça. O mais parecido que há é um sistema que o nome é Ross, que existe nos EUA, que é no âmbito da justiça, mas não no âmbito público, é mais para os escritórios de advocacia, é um sistema onde você pode dizer para o sistema bom, eu tenho este caso, tive este problema, então a inteligência artificial só o que faz é te dizer, por exemplo, se você vai ao tribunal a resposta pode ser essa, como que faz uma predição da resposta do judiciário, mas não é para dentro do judiciário, então a ideia é nova no âmbito da justiça e eu sempre acho legal porque nós em geral pensamos que a inovação sempre está nos EUA, sempre está na Europa e isto é uma coisa feita na Argentina, em Latino América e eu acho importante esse aspecto.

Luciano             E aí você virou a embaixadora do Prometea, é isso? O que você veio fazer no Brasil?

Lucia                 Eu, na realidade, estive a trabalho em Brasília e a ideia também é tentar que Prometea seja conhecido pelo menos na região e tentar que os organismos públicos, se quiserem, possam conhecer Prometea e se tem vontade de que seus processos sejam mais rápidos, nesse sentido a corte interamericana de direitos humanos, onde eu estou trabalhando também, quer aplicar Prometea. Então no ano que vem eu vou estar aí liderando esse projeto para que Prometea ajude a corte interamericana que justamente trabalha com direitos humanos para que os processos sejam mais rápidos e então as coisas que a corte faz sejam mais aceleradas, mais ágeis.

Luciano             Eu preciso dar um jeito de você ir lá em Curitiba conversar com o pessoal da lava a jato para botar inteligência artificial e fazer a coisa…. eles já estão fazendo uma revolução em termos de velocidade, imagina só, inclusive eu estava vendo, assistindo outro dia, o sistema que eles colocaram de computação ali para investigar contas que é um negócio que não existia no Brasil e a velocidade de processamento daquilo é brutal, verificando contas, coisas que você não conseguia fazer antigamente, mas acho que tem um caminho interessante ai, eu espero que esse negócio… você foi na França apresentar lá também.

Lucia                 Exatamente.

Luciano             Então você está levando para o mundo todo.

Lucia                 A gente esteve na Sorbonne e no conselho de estado da França, porque eles conheceram, escutaram falar do sistema e eles quiseram conhecer o sistema, então o fiscal geral da cidade e o fiscal geral do contencioso administrativo,estivemos juntos lá apresentando isso e agora o conselho de estado da França quer fazer uma prova com o Prometea e…

Luciano             Você consegue multiplicar ou replicar esse projeto de vocês, por exemplo, pega a Argentina, você tem ali Buenos Aires, você vai para Rosário, você consegue replicar perfeitamente Rosário ali, o sistema?

Lucia                 Sim, o sistema pode funcionar em qualquer lugar onde tenham processos que são automáticos, por isso eu falava que o mais importante é a etapa prévia, que é a etapa de governança de dados, previamente você tem que ter a informação organizada, que isso também eu acho interessante, porque neste momento onde a gente tem muita informação você tem que ter organizada a informação, isso também aplica nos âmbitos públicos, há muitos casos, muitos expedientes, mas você tem que saber quantos casos tem, quantos casos são de moradia, quantos casos são de emprego público, quantos casos são de contratações públicas, então nesse sentido é importante ter a informação bem organizada para que Prometea possa depois saber onde procurar cada coisa.

Luciano             Uma coisa só para deixar claro, o Prometea não julga nada…

Lucia                 Não.

Luciano             … ele cruza as informações e ele depende de uma jurisprudência, você tem esse termo lá?

Lucia                 Sim.

Luciano             … então ele pega uma jurisprudência e fala muito bem, isso aqui se aplica nessa característica e assim vai.

Lucia                 Exatamente. E o mais importante é que sempre está o controle humano, Prometea faz as coisas que são repetitivas, mas previamente o fiscal geral assina o documento, há um controle humano, então por isso ter medo de falhar da inteligência artificial é uma bobagem, porque realmente a inteligência artificial nos ajuda a trabalhar e muito mais eficientemente, mas a pessoa tem que estar, a pessoa neste processo, as pessoas estiveram antes para fazer que os sistema funcione com todas a governança de dados, a organização das informações e depois que o documento é feito, também se precisa a pessoa, porque a pessoa tem que fazer um controle e depois o funcionário assinalou o documento.

Luciano             Eu acho que esse é o ponto crucial, quer dizer, ele não é o instrumento que toma a decisão, ele é um instrumento de ajudar a tomada de decisão mais rápida. Deixa eu te perguntar uma coisa, você falou que Buenos aires é uma província autônoma, Rosário também é? Mendoza também é? São províncias autônomas? Elas funcionam parecido ou não?

Lucia                 Mendoza é uma província, Rosário é uma cidade, a província onde Rosário está é Santa Fé.

Luciano             Pronto, então Santa Fé, eu posso comparar com Buenos Aires?

Lucia                 Sim.

Luciano             Então é possível ter uma jurisprudência em Buenos Aires e outra jurisprudência em Santa Fé para o mesmo caso?

Lucia                 Sim.

Luciano             Quer dizer, eu posso…

Lucia                 É possível, acho que aqui também.

Luciano             … você sabe que eu não sei se o Brasil …. eu acho que não, realmente eu sou absolutamente ignorante nas questões de….. eu não sei, acho que aqui a jurisprudência é quando deve ser federal, eu não sei, não sei te dizer, não vou agitar nada porque eu sou burro em questões jurídicas, não é minha praia, eu só sou um….  Mas então, vamos voltar lá então, então vocês, cinco meses é muito pouco tempo ainda pra você poder olhar e falar assim “deu certo”, ainda não deu, está dando. Qual é o próximo passo de vocês, o que é, vocês vão fazer uma parada para avaliação desse projeto dentro de X meses e olhar, gente vamos ver quanto custou fazer? Quanto tempo demandou? O resultado que nós estamos tendo é válido, dá para deixar de ser um piloto de teste para tomar conta?

Lucia                 Sim, aí a verdade é que quando nós olhamos os resultados que estamos tendo ficamos também super surpresos porque há muitas instituições que querem ter Prometea nos seus trabalhos, por exemplo…

Luciano             Eu estou falando com você aqui e estou imaginando, você imaginou o Prometea, o Prometea, os parentes do Prometea corrigindo prova? Que é um horror, o professor hoje, meu Deus, pode perfeitamente corrigir provas e acabou o problema do professor corrigindo provas, quer dizer, leva para a medicina e na medicina com diagnóstico e tudo mais, quer dizer, acho que todo lugar isso aí é uma revolução impressionante, não é?

Lucia                 … é que as coisas que as tecnologias podem fazer realmente são surpreendentes, eu acho que nós não imaginamos o que realmente… há coisas que, por exemplo, eu pensei que não ia haver, que seriam daqui a 50 anos, mas já estamos vendo os carros elétricos, há muitas coisas, então eu acho importante perder esse medo e as tecnologias têm que ser nossas amigas, porque na realidade eu acho que a pergunta na realidade é: as tecnologias estão para as pessoas ou as pessoas estão para as tecnologias?

Luciano             Você já ouviu falar na Glória Álvares?

Lucia                 Não.

Luciano             A Glória Álvares é uma voz do conservadorismo, liberalismo, ela é equatoriana, ela vem lá de cima, ela tem um discurso muito legal lá que ela diz o seguinte: o instrumento para acabar com o populismo na América do Sul ou no mundo inteiro vai ser a tecnologia, ela falou, é a tecnologia é que vai destruir essa questão toda do populismo que atrasou a América do Sul por 40, 50, 60 anos, ela fala, com a tecnologia a gente consegue eliminar isso aí, porque ela vai trazer exatamente isso…

Lucia                 Gostaria de ler.

Luciano             … eu vou te dar a dica sim, você precisa ver, ela tem um discurso muito interessante e você está mostrando que é exatamente por aí, quer dizer, começa a nascer lá dentro e eu não tenho dúvida que esse negócio vai impregnar, a tua briga daqui a pouco vai ser política, deixa de ser técnica, de mostrar, vai ter que ser política porque colocar isso no jogo lá, mas pelo menos está dando…. o que me fascinou foi você me apresentar…. gente apresentando projeto assim no setor privado, toda hora eu vejo, tem de montão, os caras estão fazendo um monte de coisa, mas no público é muito pouco.

Lucia                 É verdade. Eu sei que temos um desafio enorme porque há muitas pessoas que quando eu falo, ah Prometea faz isso, faz aquilo, podem pensar ah, mas temos problemas muito mais graves, nós não temos que pensar na inteligência artificial, se há pessoas muito pobres, ou há pessoas que tem problemas de saúde, então o investimento tem que estar aí, então há muitas dificuldades nesse jeito, mas… bom.

Luciano             Tomara que dê certo, por favor mantenha contato, eu vou botar você em contato com algumas pessoas aí para conversar um pouquinho mais. Você falou rapidamente aí de direitos humanos, da comissão…

Lucia                 Da corte interamericana.

Luciano             Corte interamericana de direitos humanos. Você faz parte dela? Você foi parar lá por causa do Prometea? Como é que é isso?

Lucia                 Não, eu fui para lá por minha causa, mas como eu trabalhava no ministério público, depois o ministério público fez um acordo com a corte interamericana e eu fiquei mais tempo eu, na realidade, a ideia principal foi ir só seis meses, mas terminei ficando o ano todo e agora volto em 2018.

Luciano             Aonde é?

Lucia                 A sede principal está na Costa Rica.

Luciano             E é lá que você…. você vai ficar lá?

Lucia                 Exatamente, o mês que vem eu volto para a Costa Rica.

Luciano             Então, o que o ministério público argentino empresta você para a corte…

Lucia                 Exatamente.

Luciano             … é isso? Você é emprestada para a corte, todo mundo que está lá trabalha dessa forma? Quer dizer, não é….

Lucia                 Não, há pessoas que estão aí há muito tempo.

Luciano             Não é um voluntariado?

Lucia                 Não.

Luciano             Não. É tua função vai ser lá. Você vai abandonar o Prometea?

Lucia                 Não. De fato a corte interamericana quer aplicar Prometea então eu tenho também esse desafio lá, de aplicar Prometea na corte interamericana de direitos humanos.

Luciano             Então vamos lá na seção provocação agora, está preparada?

Lucia                 Hum, que medo?

Luciano             Corte interamericana de direitos humanos, falando da América do Sul, olha o que a gente tem de exemplos de rasteira em direitos humanos é um negócio impressionante, que aqui a gente tem de tudo, tem ditadura, tem populismo, tem pobreza extrema, tem desigualdade, aqui tem de tudo lá e essas coisas acontecem historicamente, quer dizer, não foi ontem que começou, é sempre assim, se fala demais, se briga bastante e a coisa parece que não…. ela não evolui e esse organismo, quando a gente fala do organismo tipo ONU, parece uma coisa burocrática, distante, é muito blá blá blá e pouca ação, até porque de repente você vai ver a comissão de ética é comandada por um país que …. pela Venezuela, que é uma confusão gigantesca aquilo lá. Como é que você entra nessa? De ir para um ambiente…

Lucia                 Nos direitos humanos ou na corte interamericana?

Luciano             Na corte interamericana nessa coisa burocrática, grande, que para pior, porque não é um negócio argentino, para lidar com a Argentina, é um negócio que tem interesses da América do Sul inteirinha, todos os países estão colocados ali, então imagino que para desenvolver as coisas seja muito mais complicado ainda, porque não é só interesse de um país, é o interesse de várias…. e tem países ali que querem defender um lado que não é o lado dos direitos humanos ali. Como é que é isso, você entra pela briga pelo prazer de eu vou entrar para fazer a diferença, o que é?

Lucia                 Na realidade foi uma motivação bem profissional, essa é a verdade, eu tinha vontade de fazer uma coisa num organismo internacional e que tivesse a ver com os direitos humanos, com o direito público em geral, mas eu estava trabalhando na Argentina e também tinha essa vontade de fazer algo fora da Argentina, então foi uma mistura entre uma questão profissional de fazer algo que tecnicamente seja diferente ao que eu estava fazendo, que era mais direito público bem doméstico, bem local, então foi um pouco disso e também ter uma experiência fora, trabalhar fora e a verdade é que neste aspecto pessoal eu adorei porque a dinâmica de trabalho é super diferente, eu trabalho com uma pessoa da Colômbia, uma pessoa do México, uma pessoa do Canadá, outra da Alemanha, então essa mistura é super legal e você o tempo todo está aprendendo, então é eu aprendi muito direito internacional, mas aprendi muitas coisas culturais também, porque eu estou falando e talvez quando alguém que também fala espanhol, mas fala super diferente e eu falo uma palavra e para ele significa outra, tem outro significado, então no sentido pessoal foi super legal, mas voltando à pergunta, num organismo internacional sempre tudo é difícil, eu já tinha a experiência de trabalhar no setor público, onde o tempo todo você tem que estar passando dificuldades, mas aí eu acho que é difícil e muitas vezes é mudar as coisas aí, são muito mais difíceis, eu agora sei também que com o Prometea tenho um desafio porque em geral o que as pessoas poderiam pensar é ah, inteligência artificial num tribunal de direitos humanos? Não é compatível, porque a primeira coisa que as pessoas falam é ah não, mas…

Luciano             É um robô julgando.

Lucia                 … exatamente e aqui nós temos que garantir os direitos humanos, então eu sei que tenho um desafio enorme agora, mas também por sorte, há juízes que tem a cabeça muito aberta e que eles não tem esse pensamento clássico, tradicional que eles vêm para a frente e então falam não, mas se com isto a gente vai trabalhar melhor, mais eficientemente, por que não aplicar? Então eu destaco muito, por exemplo, o presidente da corte interamericana, ele tem essa visão, então ele confia e acredita que Prometea pode ajudar a corte a fazer com que a corte trabalhe melhor e que a realidade a inteligência artificial é para garantir os direitos humanos e que ninguém vai ficar sem emprego, sem seus direitos. Então eu acho super importante, na realidade, que as pessoas que estão dentro das organizações tenham essa mentalidade aberta que não são muitas, sempre são uma, duas, três pessoas, mas se essas pessoas tem uma liderança forte e falam bom, eu acredito nisto e temos que fazer isto, isso faça a diferença. Depois é uma questão de tempo.

Luciano             Eu estou me aproximando de um pessoal lá do Mackenzie, um laboratório muito interessante lá que está propondo uma série de coisas, é tão maluco que eu não entendo nada do que eles falam, eles sentam na minha frente falam, falam, falam, eu não consigo entender aquilo, mas quando me contam o que pode acontecer e ele me coloca uma…. não é uma possibilidade, é uma realidade porque eles já tem cases para mostrar e que a inteligência artificial não é só um processo de tornar mais rápidas as coisas burocráticas, mas ela começa a qualificar as coisas, então o algorítmo deles lá, o robozinho deles tem condições de ler o texto e interpretar texto e aí é assustador, porque ele consegue de um texto tirar… esse texto aqui está falando bem ou está falando mal, quando a gente traz isso para uma dimensão de mídias sociais, de política, imagina um político fazendo campanha com essa inteligência artificial analisando a campanha dele a cada segundo, é um negócio que tem possibilidades que são impensáveis e eles querem fazer algum balão de ensaio com a gente aqui com o podcast, para entender como é que o podcast tem a penetração, como é que o público reage a ele e tudo mais e a gente está…. é uma coisa intensa, para mim fica um pouco difícil de entender porque eu sou de uma geração…. eu estou bem antenado, eu uso muito tecnologia, mas sempre tem aquela resistência, agora eu acho que isso é uma questão de tempo, essas coisa toda vai cair por terra e é muito legal ver vocês liderando isso aí lá na Argentina com uma garotada, quer dizer, não foi um fornecedor que bateu na tua porta para te propor uma coisa, nasceu de dentro.

Lucia                 Sim, por uma necessidade concreta a gente estava colapsado com muitos expedientes, então tentamos também buscar uma solução para isso, foi por isso que nasceu Prometea.

Luciano             Que legal, parabéns pela iniciativa lá. Agora vamos falar um pouquinho de nós. Como é que você chegou no Café Brasil lá na Argentina, você não falava português ainda.

Lucia                 Eu estava começando tomar aulas de português e minha professora me falou ah, há alguns…. eu perguntei para ela, bom, o que posso fazer para treinar português quando, por exemplo, estou no ônibus, ou tenho vontade de escutar algo? Escutar música, o que faço? Eu perguntei. E ela me falou de muitos podcast, que são muito bons e ela me deu uma lista de coisas que eu podia fazer para treinar o português e então nesse momento foi quando eu descobri Café Brasil e adorei e de fato a única dessas listas, a única que eu ainda escuto é Café Brasil. Então eu tinha sempre o costume de antes de dormir, escutar um podcast, então dormia escutando Café Brasil.

Luciano             Que legal.

Lucia                 Sim, super. E é uma boa prática.

Luciano             Então, isso que eu queria perguntar, porque você está do outro lado, eu sou o cara que faz, eu faço o programa para o meu público brasileiro, falando de problemas brasileiros, as brincadeiras brasileiras e é fascinante imaginar que alguém de uma outra cultura, embora vocês….. argentino com brasileiro está muito perto ali, mas está bom, é você está noutro país, é outra realidade, é outro mundo, teoricamente deveria haver algumas demandas que não são as mesmas que nós temos aqui, mas do mesmo jeito que você fala, eu recebo e-mail de uma russa, de uma alemã, de um colombiano, de um porto riquenho, um cubano, americano, o mundo inteiro dizendo Luciano, que legal, estou usando teu programa para aprender português, até aí, é lógico, é claro, falando aqui o cara…. mas aí eles dão o segundo passo que é aquela coisa, eu adorei o programa e eu já não estou mais nele só para aprender português, eu estou porque as ideias são legais e eu gosto de ouvir porque o conteúdo acabou me conquistando. E é um conteúdo feito para o Brasil. Como é que isso bate?

Lucia                 Não parece que seja só feito para o Brasil porque a verdade é que eu me identifiquei com muitas coisas e de fato, muitas vezes, como que fiquei pensando em alguns assuntos que você falava nos podcasts, eu sempre leio muito, gosto muito de ler jornais de vários países, mas muitas vezes, como que você encontra muito fácil conteúdo desse tipo, como que há muito conteúdo de empreendedorismo, motivacional e eu achei importante isso, é super legal, então por isso como que eu comecei para treinar o português, mas depois terminei escutando isso pelo conteúdo, não só o português, então foi super legal, eu realmente adoro o Café Brasil.

Luciano             E ela me mandou um e-mail dizendo…

Lucia                 E recomendei para muitas pessoas…

Luciano             … na Argentina….

Lucia                 Na Argentina.

Luciano             … então, mas olha que legal…

Lucia                 E na corte interamericana também, porque aí há muitos que falam espanhol e como na corte é um dos idiomas oficiais da corte é o português, há pessoas que estão tentando aprender português, então eu sempre falava, ah, escuta o Café Brasil.

Luciano             Café Brasil na corte interamericana de direitos humanos, olha que beleza. E aí ela fez o seguinte, para você aí ô boca mole que está me ouvindo ai, especialmente você que está em São Paulo, ela saiu da Argentina pra vir para cá, tinha uma agenda em São Paulo, mandou um e-mail para mim, Luciano, vou estar em São Paulo dia tal, queria ir conhecer aí. E de repente veio, a gente bateu um papo dois minutos, eu botei ela aqui dentro e nasceu um LíderCast a partir desse estímulo de estou indo aí. Então de novo, o boca mole que está ouvindo aí e que mora em São Paulo, ela saiu da Argentina e veio aqui, quer dizer, você também pode fazer, manda um e-mail, quero ir visitar, quero conhecer, a gente está aberto aqui, quando mais gente vem, mais legal é e é muito legal o contato com os ouvintes para a gente poder dar continuidade. Muito bem. Esse programa aqui vai ao ar na temporada oito, possivelmente nós vamos ter vários ouvintes que vão ficar interessados no que você falou, vai ter gente de todas as áreas, vai ter gente da área do jurídico que seguramente tem, eu sei que tem juiz, tem uma gente que ouve a gente aqui, se alguém quisesse saber mais sobre o Prometea, como é que faz para entrar em contato com você e falar, Lucia, deixa o ver o que é? Manda esse folhetinho para mim, tem um site para eu dar uma olhada aí? Se eu quiser copiar, o que é?

Lucia                 Nós agora estamos fazendo um site, ainda não está disponível, mas não sei se aqui há algum jeito de que eles possam me contatar, deixar um e-mail, não há problemas.

Luciano             Pode ser, você quer que mande para algum lugar, você tem uma página no Facebook, se alguém quiser te achar.

Lucia                 Sim, Lucia Bellochio.

Luciano             Não deve ter muitas lá, então é o contato do Facebook.

Lucia                 Eu acho que há algumas na Itália, que o sobrenome é bem italiano.

Luciano             Se você tiver problemas para contatar, manda um e-mail para mim, manda para o Café Brasil, [email protected] eu repasso para a Lucia. Eu imagino que o programa vá sair em fevereiro, talvez até lá você tenha o site no lugar, se estiver no ar eu vou colocar na descrição do programa. Seja bem vinda ao Brasil.

Lucia                 Muito obrigada.

Luciano             Parabéns pelo trabalho que vocês estão desenvolvendo lá, eu espero sinceramente ver o Prometea evoluindo e ver a inteligência artificial acelerando esse processo, tomara que isso contamine o Brasil também, a gente precisa muito disso aí e é legal ver gente jovem capitaneando esse processo aí, boa sorte lá nos seus projetos lá.

Lucia                 Muito obrigada. E realmente estou muito contente de te conhecer e estar aqui onde tudo acontece.

Luciano             Já tem o endereço, agora você acha certinho. Obrigado, um beijo.

                                                                                   Transcrição: Mari Camargo