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Ciça Camargo -

Luciano             Muito bem, mais um LíderCast, como de praxe contando como é que a figura que está comigo aqui hoje apareceu aqui. Eu o conheci pessoalmente em 2016 no Epicentro…

Jeison               2015

Luciano             …15? foi 15?

Jeison               Acho que foi 15.

Luciano             Acho que foi 16, quando ele sobe lá no palco e faz uma palestra chamada “Não Seja um chefe Canalha”, uma coisa parecida…

Jeison               Ah, isso foi 16.

Luciano             … então foi 16, foi lá que eu vi você pessoalmente e talvez da outra vez seja ó, muito prazer, mas a gente sentou e conversou para valer, foi lá que a gente se aproximou bastante, quando ele sobe lá no palco e se reconhece como um chefe canalha e faz uma palestra que foi um barato aquilo. O pessoal se divertiu e a gente manteve uma série de contatos, nos encontramos diversas vezes, achamos um monte de coisas em comum aí e ficou aquele ensaio, vamos lá, tentamos gravar já umas quatro ou cinco vezes e não deu certo, hoje ele está aqui, então vou começar com aquelas três perguntas que você já conhece: seu nome, sua idade e o que é que você faz?

Jeison               Legal. Meu nome é Jeison Arenhart de Bastiani, tenho 36 anos e eu trabalho com gente, cultura e gestão, o que não significa nada, que é exatamente o que eu faço lá na ForLogic Software, uma empresa na qual sou fundador, co fundador, porque eu tenho mais um sócio que fundou comigo, hoje somos três sócios lá, trabalho lá, mas se você pedir o que eu faço, é complicado.

Luciano             Seu sobrenome é De Bastiani…

Jeison               De Bastiani.

Luciano             … isso é de uma elegância francesa assim…

Jeison               Na verdade é italiano.

Luciano             … eu olho para você eu vejo capa e espada, o bigodinho arredondadinho e capa e espada. Da onde vem isso?

Jeison               Vem da Itália, isso é uma coisa muito engraçada, porque eu sou de uma família alemã, Arenhart, que segundo a minha vovó, era orró, que eu não sei nem falar isso, que eu não sei falar alemão e o De Bastiani é italiano e eu acho que você consegue juntar assim duas raças que formam o ser mais teimoso que pode existir, que é a junção do italiano com o alemão.

Luciano             Bom, a última vez que juntaram você viu a merda que deu.

Jeison               Por aí você vê, então eu sou, brincadeira à parte, é bem daí, mas eu não sou o cara que eu sou ligado na árvore genealógica da família, nessa história eu não me preocupo, não vou atrás.

Luciano             Você nasceu aonde?

Jeison               Nasci em Foz do Iguaçu.

Luciano             Foz do Iguaçu?

Jeison               Foz do Iguaçu.

Luciano             Seu pai e sua mãe faziam o quê?

Jeison               Meu pai já é falecido, ele trabalhava com vendas, meu pai era vendedor, mas não era vendedor, meu pai trabalhava… lembra aquelas famosas Kombis, peruas da Elma Chips, meu pai trabalhava com uma Kombi daquela, vendendo salgadinho, para cima e para baixo e tal.

Luciano             Mas ele vendia no varejão, vendia para as pessoas na rua?

Jeison               Não. Botequinho, parava num botequinho…

Luciano             Era um atacadista então.

Jeison               É. Na verdade ele distribuía, chegava no atacado, pegava a kombizinha dele e…

Luciano             Ele comprava aquele estoque e revendia aquilo?

Jeison               Não.

Luciano             Era só… ele ganhava comissão.

Jeison               Comissão, exatamente. Entregava aquilo e saía de boteco em boteco entregando e colocando, bar em bar e lanchonete em lanchonete, fazia isso. Depois meu pai trabalhou com vendas na Perdigão, mas sempre nessa linha, nesse estilo. E minha mãe, funcionária pública municipal lá em Foz do Iguaçu, então… eu vim de lá assim, nasci lá, vivi lá até os 19 anos.

Luciano             Tem irmãos?

Jeison               Duas irmãs, duas irmãs lindas.

Luciano             Como linda?

Jeison               As minhas irmãs são maravilhosas, ainda bem que as duas estão comprometidas agora, esse meu dilema já passou.

Luciano             E eu venho entrevistar o ogro da família, é brincadeira.

Jeison               Eu sou o cara que estou largado.

Luciano             Vamos lá. Vamos voltar lá na Foz do Iguaçu, naquela época lá, em 1980 lá em Foz do Iguaçu, o que o Jeison queria ser quando crescesse?

Jeison               Olha, eu nasci em 81 e lá por 90 assim já comecei a ficar revoltado, eu sempre fui um cara muito, tive muito ruim na escola, péssimo, péssimo, péssimo, eu era eleito assim regularmente o pior aluno da escola, sabe, tipo e não era o pior aluno só porque eu era burro, era porque eu era muito bagunceiro. Eu vejo meu filho hoje eu consigo entender muita coisa, você entendeu? Eu era muito bagunceiro, eu não conseguia parar quieto…

Luciano             Hoje tem nome…

Jeison               … não, capaz…

Luciano             …hoje tem uma sigla…

Jeison               … vai ser um déficit de alguma coisa, mas na verdade era só bagunça, entendeu? Então eu costumo dizer, falo sempre para a minha esposa, falo ó, o Raul, tudo o que ele vai ter é bagunça, meu filho é tranquilo, mas o que eu queria ser? Uma coisa que eu tinha certeza assim é que eu era revoltado, eu era cara que ouvia Ramones, eu lembro quando uma vez o Fernando Henrique ia lá para Foz do Iguaçu, acho que era depois do plano Real, em 96, a minha mãe teve que me trancar em casa, eu queria dar uma pedrada no Fernando Henrique, eu não gosto dele até hoje, mas naquela época eu gostava menos, eu entendia menos de política ainda, a gente quando é jovem nunca entende nada e acha que sabe tudo, mas eu não tinha muita pretensão, a única coisa que eu tinha certeza é que eu nunca ia me preocupar com dinheiro, e ó que em casa nunca teve, isso era uma coisa que preocupava minha mãe assim absurdamente, porque ela fazia o quê? Ela sempre forçou muito a gente a estudar, falava que tinha que estudar e ela tinha uma preocupação obsessiva com a faculdade, eu não, falava não mãe, qualquer coisa que a gente for fazer vai dar certo, eu sempre fui um otimista de plantão, acho que esse é que era o negócio, mas eu estava tão decidido com o que eu queria fazer quando fui fazer o vestibular que eu tentei três faculdades muito próximas, tentei direito, marketing e tecnologia…

Luciano             Direito, mark…. é tem tudo a ver…

Jeison               … entendeu? Tem tudo a ver, eu passei em marketing e tecnologia e acabei optando por fazer, na época era tecnologia e informática ainda.

Luciano             Em 81, é estava começando…

Jeison               Não, 81 foi quando eu nasci.

Luciano             isso daí você está em…

Jeison               2000.

Luciano             2000… é pô, é uma época aí… a bolha estava no auge ia estourar, a bolha ia estourar, é.

Jeison               E eu não comecei, eu comecei com 13 anos, eu comecei trabalhar, então em casa era meio apertada a coisa, não tinha dinheiro sabe, a gente… o meu pai trabalhava, a mãe trabalhava, mas sempre foi… a gente ascendeu, a gente veio de uma família muito humilde, nunca passei fome, graças a Deus e uma coisa que eu costumo dizer também é que eu nunca tive orgulho de ter sido pobre, sabe esse negócio, ah eu tive orgulho de ter sido pobre, eu não tenho orgulho disso, tenho orgulho da pessoa que eu sou, das minhas irmãs, da minha mãe, do meu pai, agora, de ter sido pobre não, não me orgulho em nada.

Luciano             Você começou a estudar, você falou que você ficou até 19 anos lá e…

Jeison               Em Foz do Iguaçu.

Luciano             … então você foi estudar fora?

Jeison               Fui.

Luciano             Onde você foi?

Jeison               Fui para uma cidade, ou metrópole, conhecida mundialmente, Cornélio Procópio.

Luciano             Cornélio Procópio, grande Cornélio Procópio.

Jeison               Exatamente, do lado de Londrina, tinha um antigo CEFET, que agora no Paraná se chama o TFPR, que é a Universidade Tecnológica Federal do Paraná, eu fui estudar lá, mas só para eu te falar porque que eu fui para a informática, eu comecei a trabalhar com 13 anos numa gráfica, eu comecei varrendo gráfica, varrendo, limpando, eu ficava olhando o computador, o cara tinha um computador lá, ele tinha um programa que chama Corel Draw, naquela época estava no Corel Draw 3, ainda tinha o Ventura, se não me engano….

Luciano             Lidei muito com o Corel Draw, eu sou do Corel Draw 1. Orra….

Jeison               Cheguei a trabalhar no 3, então assim, eu via ele mexendo lá e com 13, 14 anos eu fui pedindo para ele me ensinar, era meu tio, ele falou quando você terminar vem para cá e eu virei designer, comecei a trabalhar com Corel, lembro que eu ganhava uma merreca, mas só comecei a trabalhar com Corel com 13 anos porque com 12 anos eu fiz um curso de programação, com 12… com 12 ou 14, sei lá, acho que foi meio junto e o meu sócio atual, ele tinha 12, eu lembro disso, ou 11 e o Diogo já programava bem na época, quando o cara sabe, ele sabe. É foda. Foi daí que eu fui para esse lado da informática, mas eu trabalho desde os meus 13 anos, sempre trabalhei e assim, eu não consigo ficar sem trabalhar.

Luciano             Quando você estava lá em Cornélio ficou claro para você, você se apaixonou por esse segmento, porque o cara que faz direito, marketing… não sabe direito qual é a praia dele vários que eu conversei aqui eu conversei aqui falaram entrei e descobri que não era aquilo, aí fui fazer outra coisa.

Jeison               Mas Luciano, não era aquilo e não é aquilo até hoje, nunca vai ser, eu comecei… quando comecei na ForLogic, vou dar um pulinho depois eu volto, eu já fiz de tudo, eu já fui financeiro, já fui suporte técnico, já fui administrativo, já fui comercial. O grande segredo é que eu não acredito na babaquice que eles inventam, eu não acredito, que você tem que amar o que você faz… ou melhor, que você tem que fazer o que você ama, isso é uma tremenda idiotice, eu acho que você tem que aprender a amar o que você faz, claro, desde que aquilo não te cause nenhum constrangimento, seja uma coisa que você odeie, mas eu fui fazer tecnologia, eu era um péssimo programador, péssimo, o Diogo é um gênio, mas eu era ruim de …. assim, eu era…. só que eu sempre fui muito empreendedor, sempre inventei um monte de moda, a vida inteira eu inventei moda, dentro da universidade ainda eu montei a empresa, entendeu? Então não é assim nossa você se apaixonou por escovar bit? Não, isso daí não existe, outra coisa, hoje eu cuido de RH na empresa, quando eu montei a ForLogic, a gente montou uma empresa de tecnologia porque eu não queria trabalhar com gente, você tá entendendo? Então assim, não tem, a gente aprende a gostar, então a verdade é que a gente tem que aprender a gostar.

Luciano             Você diz que você montou a ForLogic enquanto estudava ainda?

Jeison               Enquanto estudava.

Luciano             Qual é…. me dá um insight, por que você não foi tirar o diploma, arrumar um emprego para trabalhar numa grande empresa, com a sua carteira assinada etc. e tal?

Jeison               Vou te falar, eu sempre fui muito engajado no começo da minha vida, depois eu posso falar sobre o engajamento, hoje eu tenho uma frase que eu falo, toda vez que eu falo o pessoal se choca e eu brigo, eu vou falar aqui, que eu odeio gente engajada, eu detesto gente engajada porque o cara que está engajado não está fazendo nada, geralmente é no Facebook, fazendo um texto, eu sou um cara que faz. Então se eu, na verdade, estou engajado em alguma coisa é porque eu estou fazendo algo, isso na verdade é engajamento, não isso que a gente vê por aí. Eu sempre fui muito engajado, nessa época até o engajamento desses babaquinhas mesmo, de fazer protestinho e ficar… na época não tinha Facebook, tinha Orkut e o insight foi, liguei para o meu sócio, o Diogo, meu primo, falei Diogo, o Diogo estava em Manaus, fazendo vestibular para medicina, lista de espera para entrar, entendeu? Falei Diogo vem para cá, nós vamos montar uma empresa.

Luciano             Que idade você tinha? 19 anos?

Jeison               19 anos. Vem para cá, o Diogo é meu primo.

Luciano             Com 19 também?

Jeison               17 na época. Vem para cá, nós vamos montar uma empresa. Ele falou uma empresa do quê? Falei não sei. Vem para cá, o que todo mundo faz aqui é ruim, a gente vai fazer melhor, pode vir. Eu tinha certeza de que se o Diogo estivesse lá tudo ia dar certo. Pode vir. Ele veio, fez vestibular, passou, é óbvio que ele ia passar, o Diogo…

Luciano             Em quê?

Jeison               Tecnologia em análise de sistemas, igual eu…

Luciano             Os dois fizeram o mesmo curso

Jeison               O mesmo curso. Chegou lá, mas eu não sabia o que a gente ia montar, na minha cabeça a gente ia montar uma empresa de montar e desmontar computador, de manutenção, tinha nem ideia, falei vem para cá que nós vamos montar um negócio. A gente montou, na época, Luciano, um dos primeiros sites do Brasil, de tirar foto a noite à noite, sabe aqueles sites dos caras que entravam nas boates, tirava foto, punha no site, porque acho que as pessoas que estão ouvindo não sabem disso, mas existia uma época que não tinha Facebook e para você ver o que aconteceu na balada da tua cidade, eu montei o Cornélio Procópio.com, e o que acontecia? Os caras entravam, cornelioprocopio.com, eu ia em todas as baladas, eu e o Diogo, de noite, tirava foto e punha as fotos lá, tinha um negócio que a gente chamava de Net People, que conectava as pessoas, tipo um Facebook, só que como a gente sempre foi pobre, não tinha dinheiro, então não… Mark Zuckerberg, isso veio antes do Orkut, para você ter ideia, veio antes do Orkut e a gente pegou esse projetinho, falei vou montar um frame work, para qualquer cara poder montar, um dentista poder montar isso na cidade dele, uma ideia bem babaca mas… botei, na época estava abrindo uma pré-incubação na …….. BR, processo de pré-incubação para explorar a sua ideia, fui lá, me candidatei, apresentei a ideia, tomou um pau, fomos reprovados, ficamos em décimo primeiro lugar, tinha 10 vagas, só que é uma incubação virtual, podia ficar encubado em casa, falei não quero ficar encubado em casa, negociei com os caras da incubadora…

Luciano             O que era o produto que você levou?

Jeison               … eu ia fazer um negócio o seguinte, você entrava num site, aí falava assim quero criar o Barueri, você que vai ouvir…

Luciano             Barueri é a To night.

Jeison               … é a To Night e vai colocar o teu site no ar, você vai anexar as fotos aqui e a gente vai colocar o logo embaixo da foto, o negócio era moderno para a época, só que uma bosta de uma ideia, eu também reprovaria, só que eu briguei na banca foi por isso que a gente não passou, porque tinha uma professora lá que ela falou assim que a minha equipe era fraca, daí eu mandei ela à merda, porque eu falei que ela não conhecia minha equipe, como é que ela sabe que a minha equipe é fraca, falei você não conhece o Diogo, tem um cara que trabalha que é o Diogo, falei assim você não conhece minha equipe, briguei na banca, mas eu negociei com os caras da incubadora, sem o gerente da incubadora saber, falei se eu trouxer minha mesa e minha máquina de casa e botar aqui no meio de vocês, eu posso ficar aqui? Na sala, na pré-incubação, o cara mais amigo falou pode, pode sim. Daí eu cheguei na incubadora e falei já está tudo certo, não vou ficar em casa, vou vir para cá, vou ficar ali naquele lugar, falei vou trazer a Elisabeth segunda, que era o meu computador, vou por ali, vou trazer minha mesa, mas a minha mesa não é bonita igual a essa, ele falou eu te dou uma mesa, ele falou então vem para cá, fica aqui dentro. Desses projetos, Luciano, o único projeto que virou até hoje foi o meu, todos os outros fecharam, então para você ver como a gente, essas avaliações de banca também não servem para nada, você entendeu? Foi daí que a gente começou, a gente começou a empreender não existe esse produto mais, o produto virou nada, não é o que a ForLogic faz hoje, não tem nada a ver, mas era o negócio de empreender.

Luciano             Mas isso aí foi antes da empresa nascer

Jeison               Antes da empresa nascer.

Luciano             Vocês não fizeram nenhum levantamento de mercado, fizeram alguma coisa, deixa eu ver quais são as necessidades que estão aqui, fizeram alguma coisa assim? Como você aprendeu depois a usar Canvas, aquela coisa toda antes de nascer, vocês fizeram alguma coisa assim?

Jeison               A gente fez uma coisa que, na época, outra coisa, 2002, 2003, sei lá, foi muito moderno, peguei e mandei duzentas ou quatrocentas cartas questionários, por correio, para empresas da região, perguntando sobre tecnologia, que tecnologia que você usa? Por que que eu fiz isso? Porque eu fundei o grupo de Linux da faculdade e eu era software livre, tipo eu era super revoltado, não, software livre, Microsoft é do diabo, aquelas coisas, vou matar o Bill Gates e voltou os questionários, voltaram, quando os questionários voltaram eu tomei um choque, porque assim, só deu Microsoft e eu tive uma taxa de resposta, porque eu botei timbrado da universidade, tive uma taxa de 20% de retorno, então foi uma taxa altíssima, ninguém usava nada que não fosse Microsoft, nada. Eu virei para o Diogo a gente tinha um grupo na universidade que trabalhava no laboratório de pesquisa e tal e falei…

Luciano             Estou sentado em cima de um projeto Linux e o mundo usa Microsoft.

Jeison               … começando assim, vou começar a implementar, em que tecnologia que “nós vamo”, falei ó, não vai dar não e daí a gente falou então, vamos começar a Microsoft.

Luciano             Você sabe que você me lembrou de uma história, você sabe que aqui tem “meus pitaco” também, uma história, quando eu comecei com o negócio de palestra e tudo mais, eu sempre fui um cara muito antenado, minhas palestras são muito visuais e tudo mais. Então eu sempre com o computador de ponta e etc. e tal fazendo e eu viajava o Brasil inteirinho fazendo palestras e teve uma época que eu levava na minha mala um projetor, uma caixa de som que era para evitar as encrencas pra lá e pra cá. Mas, o tempo foi passando, a tecnologia foi chegando e tudo mais, aí eu chego na época lá crucial, eu não me lembro se era para 2004, 2005 e eu vou mudar o computador e a conversa do mundo é Apple é o bicho, então para design, para edição, tudo é Apple e eu brigando com os caras, falando o meu vai ser Windows, é Windows. É Windows sabe por quê? Você imagina você lá no interior da Paraíba, numa cidadezinha, entra numa sala onde o projetor é um projetor CCE que tem 10 anos, você tem toda a oportunidade de não dar casamento de cabo e etc. e tal e não tem um técnico com você para poder entender e o que eu já vi acontecer de rolo com os caras que vão com o Apple do mundo e chega na hora o bicho não engata porque vai explicar porque, você sabe como é que é em informática. Falei eu tenho que ir com aquilo que tem lá, entendeu? Eu tenho que chegar com o mesmo Windows, com a mesma saída, o mesmo cabinho que o cara tem lá, porque eu não posso correr risco. Então até reconheço, é mais máquina, mas a hora que eu entro no mercado, eu tenho que jogar o jogo que os caras entram e tem gente que fica brava, eu continuo vendo até hoje, nós estamos em 2018, eu continuo indo para evento e vendo um rolo do mundo acontecer porque o cara usa Apple e ele fez em Knolt e ele não consegue passar o Knolt dele para o Power Point que o cara tem ali é um computadorzinho Windows e aí o rolo está feito na hora lá, falei então, o que é o que o mercado pede? Eu posso até usar o Apple do mundo maravilhoso para produzir material porque é muito mais confortável, na hora que eu sair com o bicho para distribuição lá fora, eu tenho que falar a língua que os caras falam lá.

Jeison               Quem está te pagando, Luciano, a nossa grande dúvida era essa.

Luciano             Eu tenho que reduzir a margem de erro ao mínimo minimorum…

Jeison               Agora tem nome, mentalidade de risco.

Luciano             Mentalidade de risco? E os caras ficam putos até hoje, mas já mudou. Não, desculpa.

Jeison               Então, eu também uso Windows até hoje.

Luciano             “Os automóvel” é tudo a gasolina? É, então não vou com álcool, eu vou com gasolina também que se der merda eu troco de carro e não tem erro. Entendeu?

Jeison               Compra um Tesla e coloca para você andar.

Luciano             Lindo, chegamos lá… então…

Jeison               Mas é por aí e quando a gente começou com isso, uma coisa legal de falar é o seguinte, a gente lá a gente beleza, vamos optar por isso e …

Luciano             Sim, optar pelo quê? Esquece Linux e vamos partir para desenvolvimento Microsoft.

Jeison               Microsoft.

Luciano             Mas já estava na cabeça de vocês que não era mais uma empresa de montar computador, era uma empresa…

Jeison               Não era mais empresa de site também.

Luciano             … não era de site…

Jeison               Era alguma coisa que a gente não sabia o que era.

Luciano             … que era de desenvolvimento de alguma coisa.

Jeison               Não sabia o que era. E beleza, vamos por aí. Cheguei para as pessoas e falei ó, quero… cara, a gente é o…. falar isso agora vai parecer meio piegas, mas a gente desafiou o status quo muito forte lá na universidade, só faltou queimarem boneco nosso na UTF, porque os caras é tudo software livre, é tudo java, só o que presta era java e na época java estava despontando, para Linux, vamos fazer para Linux, tem que ser em java. Não quero fazer em java essa porra, vai ficar ruim, muito melhor com Microsoft e cheguei e pedi para o cara da encubadora, falei ó, não tem um livro de C Sharp, a gente tem verba para livro não tem? Tem…

Luciano             Livro de quê? De C Sharp.

Jeison               … é linguagem de programação, estava na versão 1.0 ainda, falei eu preciso de um livro desse, você pode comprar? Usa a nossa verba e compra um livro desse para a biblioteca, a gente está precisando para estudar, nenhum conteúdo da internet tinha direito na época, 2002, 2003, nem 2003 era ainda, 2002, daí ele falou assim: vou ver. E não comprava, e universidade tem muito uma coisa que é o seguinte, tem muito professor e daí o professor, ele alguns ajudam e alguns atrapalham, como todo mundo na vida, não é só professor, todo mundo na vida, o ser humano é assim, alguns, e tinha um que segundo eles ia ser um apoio técnico da incubadora e ele chegou para esse professor e falou ó, preciso comprar um livro de C Sharp para aquela empresa e deu, até que um dia eu fiquei sabendo que o professor falou assim, não compra não que essa empresa aí não vai durar três meses, nem gasta dinheiro com o livro, os caras não vão vingar. Esse foi o primeiro grande incentivo que eu tive para empreender, eu queria começar, eu estava na bagunça, quando eu fiquei sabendo dessa história, sabe quando o sangue sobe aí ele esquenta, falei vamos ver se não vai durar três meses o meu negócio…

Luciano             É mais ou menos o Trump sentado com plateia ouvindo o Obama reduzir ele à sulfato de pó de bosta e ele sai de lá tão puto que ele fala eu vou ganhar essa merda.

Jeison               É mais ou menos, eu nunca tive a pretensão de ser um Trump, mas a ideia.

Luciano             Eu vou mudar essa merda, vocês vão ver o que vai acontecer aqui agora.

Jeison               E eu sempre fui muito envolvido com departamento de pesquisa.

Luciano             Deixa… vamos mexer mais nessa brincadeira aqui que é legal aqui, que você levantou uma lebre interessante que é essa das pessoas que são movidas a desafio, que pega o desafio como, esse cara está dizendo eu sou incapaz, agora que ele vai ver, eu sou muito assim, então fala para mim que não dá que você vai ver o que acontece e tem gente que não… que passa batido por isso, que não se incomoda, você fala não vai dar, não dá mesmo, então… quando a gente vem para assumir papel de liderança é legal quando você tem um líder que tem capacidade de avaliar a situação e saber, olha eu tenho um funcionário que trabalha para mim, esse é o cara a ser desafiado, aquele não. O desafio que eu joguei para esse cara aqui, o outro vai considerar que é impossível, mas esse aqui é movido… então eu sou obrigado a chegar nesse cara aqui e sempre fazer com que ele…. estou duvidando de você, ah você vai ver o que eu faço acontecer e tem gente que é movida a isso, a sensibilidade da liderança é descobrir quem são os caras que estão aí pelo desafio de fazer acontecer.

Jeison               Luciano, todo mundo gosta de desafio, o que acontece é que tem cara que não gosta de ser desafiado, você entendeu? É bem o que você colocou, está perfeito e porque é gente diferente, lá na ForLogic eu lido com bastante gente e são pessoas diferentes e tem que aprender a identificar isso ai, eu sou um cara que quando me desafia… e assim, hoje eu tenho um pouco mais de consciência, mas eu era muito, nossa, eu era insuportável, eu não aguentava um desaforo desse.

Luciano             Não, você continua insuportável…

Jeison               É eu continuo insuportável.

Luciano             … tem que ter muita…

Jeison               Paciência. Eu já falei isso para você, que eu sou o único cara, você grava os podcast, porra Luciano, nada a ver esse negócio que você falou, não mando na confraria se não o pessoal vai me linchar me linchar. Mas para você eu mando, mas então assim, quando …. tem que saber separar as coisas mesmo e eu fui desafiado, ai eu peguei e a gente estava com dados para fazer o negócio funcionar, foi daí que começou e eu sempre me envolvi muito com pesquisa na universidade….

Luciano             Espera aí, você já sabia qual era o negócio ou ainda não?

Jeison               Ainda não.

Luciano             Ainda não.

Jeison               Nada.

Luciano             Só sabia que não era software livre.

Jeison               Não era software livre e outra coisa, ai chegou a seguinte situação, chegou a situação de quando a gente foi entrar na pré-encubação, que a gente meteu o projeto e tal, chegou no final do ano o professor me chamou e falou assim, estou vendo mestrado para você na Unicamp…

Luciano             Mas espera um pouquinho era projeto de que catso?

Jeison               Não, calma, nada, a gente tinha entrado na pré-encubação naquele nosso projetinho ruim lá que eu te falei, a gente estava começando a mudar de ideia já e o professou me chamou e falou assim, vem aqui, vamos conversar. Estou querendo te recomendar na Unicamp para um mestrado. Falei opa, legal, topo. Só que daí você vai ter que escolher, esse negócio de empresa ou mestrado. Essa foi uma hora que eu parei assim, eu queria muito fazer mestrado, porque no começo eu gostava do ambiente acadêmico, daí eu comecei a conviver na pesquisa e eu via como eles se tratavam e de verdade, Luciano, eu nunca conheci …. eu não conheço …. deve ser pior do que uma multinacional, os caras se armam todo dia para uma batalha quando vão para uma sala de professores, sabe o que é departamento de pesquisa saber que tem três caras que não se falam, que quando… você entendeu? Eu falei eu não quero isso para a minha vida, você entendeu? É obvio que tem pessoas legais que se gostam, mas eu via que primeiro, que em universidade pública se tiver um cara remando para trás o barco, ele vai cansar todo mundo e ninguém vai poder derrubar ele do barco e fim, entendeu? E eu via isso, via gente remando para trás o tempo todo, eu falei não é isso que eu quero da minha vida, eu quero fazer um negócio louco, diferente. Falei para o professor não vou, tio Lu, vou… eu chamava também era um professor amigo meu e eu falei não, não quero fazer, vou fazer outra coisa e fomos empreender e ainda não tinha decidido o projeto, você falava pô Jeison, não tinha decidido, entendeu? Lá a gente se juntou com outras duas pessoas, eu e o Diogo, essas duas pessoas acabaram saindo depois e tal, mas a gente não sabia direito o que ia fazer, até quando a gente começou a trabalhar e o que a gente começou fazer? Desenvolvimento sobre demanda, ah sabe o famoso cara chega, pede, você desenvolve…

Luciano             O que ele pedir.

Jeison               … o que ele pedir, o que ele pedir. Começamos também trabalhar num produto, que era um produto de metrologia, que hoje é uma das nossas áreas de negócio e começamos a trabalhar alguma coisa para gestão de documentos que também tem a ver com a parte de gestão da qualidade que nós trabalhamos hoje, mas ai que a gente foi começando a desenhar assim ó, primeira coisa, não quero concorrer com nenhuma empresa local, não quero criar embate, para quê? Segunda coisa, não vamos fazer RP, eu já achava que não dava para fazer RP mais, isso em 2000 eu achava…

Luciano             RP são os sistemas de gerenciamento de empresa que tem de montão.

Jeison               … exatamente e daí a gente foi optando por ficar na borda, escolheu um nicho de mercado que fosse paralelo a isso, entendeu? E mais profundo, não tão abrangente e foi isso que a gente fez e começamos ali em 2000, mas tem uma história meio chata que logo que eu montei a empresa a gente tira o CNPJ. Sete meses depois eu estou, eu estava ainda ……… sete meses depois eu chego no laboratório de pesquisa ainda e o Diogo, meu primo, fala o Eurico está te chamando para conversar, que era o diretor universitário e estava na época de eleição, falei deve ser negócio de política, não gosto, a hora que eu chego lá está a minha atual esposa, que era minha namorada, e minha sogra sentadas e ele veio me falar que o meu pai sofreu um acidente e que meu pai, na verdade meu pai tinha falecido lá em Foz, a hora que você sai meio, você trava assim, não tem muito o que pensar…

Luciano             Que idade você tinha?

Jeison               … tinha 20 anos, você não tem muito o que pensar, mas a única coisa que eu pensava é que tinha uma irmã minha que estava em Boa Vista, Roraima e não tinha chegado ainda de lá, tinha outra irmã minha em Foz, minha mãe em Foz, eu estava a 600 quilômetros de lá, foi a viagem mais longa da minha vida e assim … e essa minha… a minha atual esposa que era minha namorada na época, me colocou num carro, ela e a mãe dela, estava namorando fazia, sei lá, pouquinho tempo, e me levaram até Foz do Iguaçu, isso é uma coisa que eu carrego uma gratidão que eu … você não sabe direito o que você faz e eu…

Luciano             E fazer uma viagem dessa sozinho, você e os pensamentos…

Jeison               … e assim, eu lembro que eu não falava na viagem, preocupado, não tem o que falar, você só pensa, pensa, pensa e assim, uma coisa que me frustrou um pouco é que eu queria que meu pai visse que ia dar certo, entendeu? Porque poxa, tanto tempo eles batalhando para eu estudar e nesse vai e vem, quando eu trabalhava em Foz, tinha época que meu pai estava desempregado e eu ajudava em casa, eu sempre fiz com muito gosto sabe, quando eu trabalhava, Luciano, o dinheiro nunca foi meu, eu chegava e dava em casa o dinheiro, tó, e daí minha mãe falava…. eu falava pai, vamos comprar gibi? Comprar gibi do Homem Aranha, com 14, 15 anos parava na banca, tipo gastava um terço do salário em gibi e assim, eu não consegui…. essa parte é uma ponta de frustração na minha vida e quando eu cheguei em Foz teve aquele rebuliço, eu fiquei lá uma quinzena, não sabia se ia voltar ou não, você não sabe o que você faz, você deixa sua família? Você não deixa? Meu pai faleceu cinco dias antes do meu aniversário, dia 10 de dezembro e fiquei travado, já fui, fiquei o final de ano lá, imagina que natal que é esse, que virada de ano é essa e janeiro minha mãe falou filho, nós vamos comprar um computador para você, notebook eu não tinha, com dinheiro, eu sei lá, da rescisão do seu pai, sei lá com que dinheiro foi, dai ela me deu o notebook, nunca tinha tido isso e eu voltei, eu falei não, eu vou voltar, voltei para lá e daí a gente começou uma empreitada que era do quê? De fazer uma empresa de tecnologia diferente. A gente…… eu tinha mais dois sócios que com o tempo saíram os dois sócios da empresa e ficamos eu e o Diogo ainda e ainda dentro da universidade eu escrevi um projeto para o CNPQ, um dia eu era o coordenador do projeto, todo mundo falou não dá, porque eles pedem um cara que tem que ter no mínimo mestrado para ser coordenador de projeto, falei eu vou escrever para desenvolver o software de metrologia e eu ganhei a porra do projeto.

Luciano             Sem ser…

Jeison               Nada, graduando, nem graduado eu era, coordenei o projeto…

Luciano             Foi aceito?

Jeison               Foi aceito, foi aprovado, porque na verdade concorre, com concorrência a gente ganhou o projeto, vem uma bolsa, que não é para mim o dinheiro, o dinheiro é para o cara que ia trabalhar no projeto, daí eu peguei seis estagiários, lembro que eram sete estagiários ganhando trezentão por mês para trabalhar no projeto, ninguém sabia nada…

Luciano             Para desenvolver o quê?

Jeison               … o software de metrologia.

Luciano             Um software de metrologia, o que é isso?

Jeison               Metrologia é o seguinte, tudo o que a gente usa é calibrado, como assim Jeison? Pô, essa garrafa de água aqui que tem 500 ml. de água, no processo produtivo dela…

Luciano             Em algum momento tem algum controle para garantir que tem 500 mililitros.

Jeison               … ml, passa numa balança, essa balança tem que estar calibrada, isso para tudo, para tudo, para tudo mesmo, então, para você ter uma ideia, trena na indústria, tem que ser calibrada, régua, régua é calibrada, para saber se tem 30 centímetros ou não, então quando é usado isso no processo produtivo, por exemplo, um carro e qualquer folga ali pode dar problema, o nosso software faz o quê? Você calibra o equipamento no nosso software, ele faz o controle dos instrumentos que você tem, por exemplo, o parquímetro, o manômetro, o voltímetro e também emite os certificados que você quiser.

Luciano             Isso aí não surgiu da cabeça de vocês, isso veio o quê? A demanda de um cliente…

Jeison               Da indústria.

Luciano             … uma indústria te demanda e fala me cria um negócio assim.

Jeison               Exatamente, um ex sócio meu trabalhava dentro de uma indústria e falou lá eles não tem software de calibração, falei vamos desenvolver isso ai, procuramos na internet, não tinha mesmo, tinha pouca coisa.

Luciano             E aí vocês sacaram que ali tinha um produto.

Jeison               Vamos desenvolver isso aí. A gente começou a desenvolver, putz, tudo errado, desenvolvemos tudo errado, Luciano, então, mas ganhamos o projeto, desenvolvemos isso daí, mas ai como tinha ganhado o projeto desenvolvendo isso daí, o que acontece?  A gente saiu da incubadora, saímos da pré-encubação, fomos para um espaço, a grana começou minguar…

Luciano             Então, você ganhava dinheiro com o quê?

Jeison               Não ganhava, Luciano, no final de 2005 eu e o Diogo, a gente estava com quatro meses de aluguel, da nossa casa, onde já era a empresa, atrasado; a gente estava no quarto mês seguido comendo Miojo…

Luciano             Vocês não tinham outro trabalho, não tinha outra…

Jeison               … não, eu não acredito em empresário de meio período, larguei, eu tinha dois empregos quando a gente montou a empresa, eu larguei os dois, entendeu? Eu só fazia isso e desenvolvendo e desenvolvendo e a corda no pescoço, devendo três, quatro mil reais, já na época era muita grana e assim comendo Miojo quatro meses seguido já, terceiro, quarto mês que a gente só comia Miojo, almoço e janta, na janta tinha uma salsicha…

Luciano             Cadê a mãe da sua namorada que não te dava comida?

Jeison               Domingo eu ia lá almoçar, domingo era bom, domingo eu ia lá, todo domingo eu ia lá e assim, eu ia mesmo e apertado, apertado, chegou assim um momento em que, no finalzinho de 2005 a gente fechou um projeto da UTF de Curitiba para desenvolver um negócio para os caras, dinheiro eu vinha pagava exatamente as contas, Luciano, e o Diogo recebeu…. porque é assim, o Diogo é muito inteligente, o meu primo e meu sócio, ele recebia da mãe dele apostila pelo correio em casa, ó concurso do não sei o quê, concurso de não sei onde e ela era superintendente da Caixa lá em Boa Vista, ela ligou para ele pertinho de dezembro falou ó, tem uma oportunidade aqui, um emprego para você aqui na prefeitura para você ganhar 3.500 reais, o nosso salário era 350 por mês e eu virei para o Diogo, já não aguentava mais por pilha, falei amigo, se você quiser ir, eu vou entender, eu acho justo. Ele falou não, Leite, ele me chama de Leite, não Leite, vamos tentar mais seis meses, foi o tempo que precisava, a gente pagou as contas, eu fechei o contrato com uma universidade, o que eu fazia? Eu prestava serviço de TI, daí sim, montava e desmontava computador, das duas da tarde até dez e meia da noite, eu, o meu contrato era uma nota fiscal da ForLogic, pagava as nossas contas da empresa e assim, eu comecei a fomentar outros produtos com a minha prestação de serviços e assim a gente foi e assim a gente começou a montar as coisas que foram acontecendo, entendeu? Então assim, nessa hora, quando as pessoas falam assim pô Jeison, você sempre pilhou, eu sou um cara pilhado, mas nessa hora o Diogo foi uma fortaleza muito forte, porque ele falou não, vamos tentar mais seis meses, porque eu deixei ele seguir, o Diogo não decide nada, ele é um cara muito tranquilo, ele é o cara que se o cara desafiar ele, ele fala esse carão sabe o que está falando e para ele está tudo bem, entendeu? Ele falou vamos tentar, isso foi uma coisa muito importante.

Luciano             Deixa eu criar só uma expectativa aqui, só uma respostinha curta. Quantos funcionários tem a ForLogic hoje?

Jeison               70.

Luciano             E aí começa então a andar. Muito bem, ai você descobre que ter uma empresa não é sentar e desenvolver um produto legal, ter uma empresa é pagar conta, é lidar com gente, negociar o contrato da casa com o não sei o quê, é receber o fiscal, é fazer a papelada, é ter um contador, tem uma porrada de coisa que são aquelas providências que não tem nada de arte. A tua arte e dele que era programar, não está lá, isso é o lado sujo que alguém vai ter que fazer e vocês evidentemente não tinham uma estrutura para isso e aí você descobre que empreender é um pouquinho mais do que ter uma boa ideia e trabalhar nela, não é?

Jeison               Nessa hora, Luciano, que a gente começa a pensar em estratégia. Até aqui era sobrevivência, a gente começou com uma intenção muito boa, a gente queria fazer uma coisa muito diferente e eu fiz a pergunta para o Diogo no ano passado, falei Diogo, você lembra porque que a gente montou a ForLogic? Eu achava que ele não ia lembrar, já numa reunião de líderes, discutindo porque que a gente existia, Diogo falou lembro, a gente montou a ForLogic porque a gente queria um bom lugar para trabalhar. Falei porra cara, você lembra? Porque não tinha, não tinha onde trabalhar, Luciano, eu fiz meu estágio de tecnologia da informação na universidade, limpando computador, não tinha onde trabalhar em Cornélio Procópio, não tinha. Tanto que quando eu tinha um consultor que hoje é meu amigo, que é o Martins, primeira consultoria que ele veio me dar eu peguei e chamei ele e falei ô Martins, já estava voltando, porque daí a universidade montou uma incubadora que ela não tinha e a nossa empresa ficou pronta primeiro que a incubadora, a gente foi para a incubadora, a gente começou a trabalhar, o Martins foi lá, ele falou assim, tá Jeison, qual é o objetivo de vocês? Falei bom, eu quero ter 480 funcionários, ele pegou o caderno dele, fechou e falou assim, ok, quando você terminar de montar a sua ONG você me liga que eu volto aqui, porque empresa não tem meta em funcionário, você está maluco, falei não…

Luciano             Só para dar uma dica aqui, que tem gente que está ouvindo e que não é do ramo, não vai conseguir entender, quando a gente fala aqui da incubadora, que é uma incubadora? Incubadora é uma estrutura que alguém tem, é uma organização, é uma universidade, é uma ONG, não importa, alguém cria uma estrutura onde pode receber pessoas que tem ideia de montar uma empresa e fala vem para cá, aqui tem uma mesinha para você sentar, aqui tem internet, aqui tem computador, aqui tem uma impressora, tem uma secretária, tem uma linha telefônica, tem gente que pode te dar alguma ajuda aqui, volta, fica por aqui encubando até o dia que a tua empresa nascer e começar a virar negócio, quando ela nascer ela voa e vai para lá.

Jeison               Vai sozinha.

Luciano             Então você não tem que sair procurando, vou ter que alugar um lugar, não precisa disso, alguém te oferece e incubadoras existem aos milhares no Brasil de todo tipo.

Jeison               Legal. E foi bem isso aí. Eu achava que eu queria ter lugar… tanto isso é verdade que era isso que a gente queria no começo, mas se descobriu que não era tão simples assim e não era. Foi aí que a gente começou a pensar em estratégia, pela primeira vez a gente começou a pensar, tá, mas para onde que nós vamos? Porque tudo isso foi muito empírico, ah monta o software de metrologia, e aí que a gente começou a construir um negócio, só que assim, eu comecei a perceber que a gente é uma empresa muito esquisita, as coisas que a gente fazia não existiam, por exemplo, a gente brincava com estagiário que ele, como ele não ganhava nada ele teria que tomar o café que ele quisesse e ganhar sempre um abraço, era isso sabe, tinham algumas coisas que eram coisas bem esquisitas que realmente não existiam naquilo ali e a gente foi criando um time de pessoas que se engajavam com aquilo que a gente estava fazendo de um jeito que não era convencional.

Luciano             Você acabou de dizer que você odeia gente engajada.

Jeison               Pois é, mas porque as pessoas engajadas de Facebook, não aqueles caras que trabalham com engajamento, é diferente. Se você pegar e falar assim ó vamos se engajar aqui numa campanha, orra, agora fala Luciano, vamos limpar aquela escola que tem ali? A gente vai estar engajado na tarefa, mas a tarefa é mais importante do que Facebook, do que ter alguém fotografando, então quando as pessoas começaram a se envolver com a gente do jeito maluco e as coisas começaram a andar, a ForLogic começou a sair da incubadora, começou a montar um negócio de verdade, hoje a gente tem, como eu te falei, tem 70 pessoas trabalhando lá e pô, aconteceu coisas  que você não acredita, por exemplo, a gente saiu da incubadora, fomos para um barracão, quando a gente foi para lá, Luciano, a gente não tinha dinheiro para pagar aquilo, eu lembro que a moça que estava no financeiro na época falou Jeison, não vai dar. Falei ô, vai dar sim.

Luciano             Você já tinha uma equipe montada lá?

Jeison               Na incubadora sim, tinha uma pessoa no financeiro, tinha uns dezcaras programando, entendeu? Dez no suporte.

Luciano             Os dez.Dez é gente pra cacete, já é… vocês pagando os caras?

Jeison               Sim, pagando os caras.

Luciano             Então já era uma empresa.

Jeison               Na incubadora a gente ficou uns dois ou três anos na incubadora.

Luciano             Mas já saiu de lá faturando.

Jeison               Faturando, pagava assim, a gente pagava as nossas contas, entendeu? Não dava para ganhar dinheiro, mas pagava as nossas contas e…

Luciano             A decisão de sair de lá e tocar adiante lá, foi uma decisão pensada de quem vai crescer ou foi a incubadora que chegou e falou meu, chega já deu o que tinha que dar, cai fora.

Jeison               Foi por causa de café.

Luciano             O que quer dizer café?

Jeison               Não, por causa de café, eu queria poder ter café lá na minha empresa e a UTF centralizava o café num lugar só…

Luciano             Aí você começou a assinar o Café Brasil…

Jeison               … eu falei assim, eu preciso ter café, porque os caras vivem de café, não, mas está ficando muito caro o seu café, falei mas como assim? Você pega uma garrafa só para você. Tá ok, eu pago o café. Não, não pode pagar o café. Tudo bem, eu faço café lá embaixo. Não, você não pode fazer café também.

Luciano             E aí você compreendeu que você estava…

Jeison               Sendo convidado a ir embora.

Luciano             … não sei se convidado a ir embora, mas você estava dançando a dança que outros…. no ritmo dos outros, com a roupa dos outros, no horário dos outros, não era o teu horário e você não tinha liberdade para poder…

Jeison               Não queria mais aquilo, peguei e falei não….

Luciano             … vou criar o meu próprio… havia…. você tinha consciência do tamanho do custo disso?

Jeison               Então…

Luciano             Aliás, vocês sentaram, planilha, quando custa hoje, quanto custa lá e dependendo da diferença continua sem café…

Jeison               … a gente fez uma planilha, mas um pouquinho antes disso, só para contar como foi que entrou o terceiro sócio, o Jackson é nosso primeiro estagiário, você vê como a coisa é esquisita, e Jac, naquele perrengue de 2005, ele passou quatro meses sem receber e ele nunca abriu o bico, nunca cobrou, nunca perguntou, eu que falava cara, está apertado, nós vamos dar um jeito. Quando as coiss começaram a decolar, a gente voltou para a incubadora, as coisas começaram a andar, a gente tinha nessa época também, esse bando de gente que tinha, era estagiário, registrado a gente tinha três ou quatro só, era estagiário e tinha conseguido ganhar outro projeto no CNPQ já então esse pessoal mesmo eu não estava pagando todos eles ainda, falei Jac, vem aqui para a gente conversar, não tinha sala de reunião, a gente foi lá na biblioteca, falei cara você quer ser sócio da ForLogic? Ele falou cara eu queria, mas eu não tenho dinheiro. Falei não, você vai trabalhar igual a um cavalo, você quer ser sócio? Ele falou quero. Falei então está bom, você vai ter 9%,você vai trabalhar igual a um louco, você topa? Ele falou topo. O Jackson é uma maquina, o Jackson é o tipo do cara, Luciano, o Diogo é o gênio, o Jackson é o tipo do cara que o que você entregar para ele resolver, ele vai resolver, então foi assim que ele entrou e Jac sim, a gente fez as planilhas, sentou eu e o Diogo, só que assim, só que a gente errou tudo, a gente erra tudo, porque a gente não sabe fazer conta, Luciano, você não sabe, por exemplo, que existe taxa de bombeiro, você não sabe quanto custa a luz, ah vai custar tanto, daí você põe… o ar condicionado custa três vezes tanto, então a gente errou tudo, por isso que eu falo, quando a gente foi para esse barracão que a gente alugou, que era para ser um depósito, a gente pegou forrou, fez um esquema e pintou, ficou muito legal, eu lembro que foi uma vitória assim absurda, foi uma das vitórias mais agradáveis da nossa história como empresário e fomos para lá e pô, começamos… a empresa começou a crescer, ali sim, a gente começou a se desenvolver e aí eu descobri uma coisa. Quando a gente foi para esse barracão, a gente teve um período de letargia, assim uma coisa de momento que a gente ficou lento, que foi assim, os projetos do CNPQ foram rolando, a gente foi rolando aquilo, ou seja, estava um pedaço garantido, registramos algumas pessoas, tinha uns dez, quinze caras trabalhando, vinte caras de repente…

Luciano             Aí pinta aquela coisa chamada acomodação.

Jeison               … acomodação, Luciano, a coisa foi assim, a gente parou de crescer e daí o que eu percebi? Eu cresci para pagar as contas, quando sumiu o incômodo, eu parei de crescer, daí eu fiz uma coisa que foi o seguinte, eu reuni minha equipe de líderes, na época eram sete caras, oito caras, sei lá, falei assim, nós estávamos em vinte, falei ó, nós vamos lançar um projeto chamado, isso daí faz o quê? Faz quatro anos atrás, nós vamos lançar…. três anos atrás, nós vamos lançar um projeto chamado “dez anos em três”. Falaram o que é isso? Falei não, nós vamos crescer o que a gente cresceria em dez anos, nós vamos crescer em três, ai falaram por quê? Falei porque se a gente não inventar alguma coisa, peguei e mostrei, todas as vezes que …. a gente só cresceu quando a gente tinha incômodo, a coisa puxando, foi aí que a gente criou isso daí e nesse período a moça do aluguel do galpão me chamou para conversar, vamos conversar, precisamos conversar sobre o aluguel. Falei vamos. Então, o aluguel de vocês, a empresa estava crescendo, o aluguel de vocês dobrou. Falei como assim dobrou? Ela falou não, era, sei lá, era dois mil reais e agora vai ser quatro. Falei não. Não porque venceu os três anos agora a gente pode reajustar. Falei então, quanto tempo e tenho para sair. Como assim? Falei não, eu vou sair. Eu não vou ficar. Não. Vou sair. Ela falou não… Consegui reajustar pelo IGPM, chamei meus dois sócios de novo, falei ó, nós vamos construir um prédio. Eles falaram não tem como construir um prédio. Falei tem, nós vamos construir um prédio. Corri atrás…

Luciano             Que ano foi isso?

Jeisos               2013.Nós vamos construir um prédio. Mas não tem. Não tem aquele terreno que a gente comprou quatro anos atrás ali? Foi uma época que a gente juntou um dinheiro e comprou? Então, nós vamos construir um prédio ali. Ele falou mas não dá, a gente não tem grana. Falei eu vou atrás do BNDS, fui lá, 2013, o cara falou ó Jeison, realmente tem recurso para isso, o juro está ótimo, só que tem um problema, nós estamos em setembro, era agosto, comecinho de setembro e leva noventa dias para correr a documentação. Falei não, a gente fecha o ano que vem. Ele falou não, é 2014 o ano que vem…

Luciano             Vai ter eleição.

Jeison               … ele falou, ano que vem as coisas vão estar diferentes, foi o ano que começou o Brasil começou a degringolar, todo mundo já sabia no BNDS que isso ia acontecer. Ele falou não, o juro desse ano nunca mais vai existir no país, ele falou desse jeito. Era 4% ao ano, 4,5% ao ano de juro…

Luciano             Eu me lembro de ter visto esse número.

Jeison               … e eu falei assim, putz, eu falei se eu fizer o projeto. Ele falou você não vai conseguir. Eu falei não, daí dá. Corri, peguei um arquiteto, um engenheiro, o engenheiro não queria mandar a planilha, mas está errado os números. Falei foda-se, manda a planilha, eu vou mandar errado mesmo, manda…

Luciano             Vai errado para cima.

Jeison               … manda, pegamos 700 mil reais de empréstimo.

Luciano             você conseguiu pegar 700 mil reais de empréstimo do BNDS a juros de 4% sendo um empreendedor brasileiro.

Jeison               É.

Luciano             Dá a mão para mim aqui, eu sempre quis conhecer um.

Jeison               E outra coisa…

Luciano             Puta que pariu.

Jeison               … e outra coisa, do jeito certo, sem sonegar um centavo. Na ForLogic tem algumas coisas, por exemplo, Luciano, lá a gente pode ganhar dinheiro e deve ganhar dinheiro, mas nunca apesar dos nossos valores, a gente só ganha dinheiro por conta deles, tem um valor que é a integridade, então não existe o sonegar, entendeu? Meu contador vem, vamos montar três empresas. Falei não existe isso para mim, eu não sonego imposto. Pô Jeison, mas é muito imposto. Eu sei que é muito imposto, eu concordo que é muito imposto, eu acho também errado, o que a gente tem que fazer? A maior engenharia tributária possível dentro da legalidade para pagar menos imposto, não existe pagar por fora, não existe essas coisas, porque tem um valor da minha empresa que é a integridade, entendeu? Eu sou assim. O jeito certo.

Luciano             Mas aí você pega “700 pau”.

Jeison               Eu construí o prédio, gasto “três milhão e meio”.

Luciano             Pausa. Mas então vem uma coisa interessante que é o seguinte, você diz que conversa com seus sócios, seus sócios dizem não dá para fazer, você inventa moda, vai lá, consegue 700 mil reais que de repente é o que você precisava para convencer os dois coitados de que dava para fazer, você fala pô, estou com 700 pau na mão aqui vãos fazer? Vamos. E aí você entra para fazer e fica em três, cinco, até aí já começou, aí já foi feito.

Jeison               E assim, a gente gastou, não sei se chegou a três,cinco, mas três chegou, com certeza três chegou. Meu, sabe o que é pior? Nós já pagamos. A gente pegou mais 300 mil no BNDS, depois, um ano depois, detalhe: o que eu estou pagando, o juro que eu paguei um ano depois 14% ao ano, você entendeu? Então assim, o juro que eu pago nas duas parcelas é o mesmo, de 700 mil e de 300 mil, você está entendendo? Então é absurdo, pegamos uma grana depois, financiamos um, gastamos três.

Luciano             Quer dizer, no momento que o Brasil mergulhava de cabeça, você estava crescendo.

Jeison               Acelerando. Luciano, uma coisa que eu sempre acreditei é o seguinte: quando todo mundo freia é que você acelera, não dá para frear aí, sabe por quê? Porque todo mundo freia, não eu para esse, para, todo mundo vai sair na velocidade de quarentinha, eu já estou a cento e vinte.

Luciano             Mas o risco é gigantesco, tem que ter um lance aí de assumir risco.

Jeison               Tem o lance de assumir risco, mas é o seguinte: eu sou um cara que eu não acredito em crise, eu acredito em incompetência e daí os caras vão me xingar, vão ficar bravos comigo, é assim, o mercado está aí, se as coisas estão indo mal no mercado, eles tem que encontrar maneiras de se destacar  no mercado.

Luciano             Eu tenho um amigo que é engraçado, ele diz o seguinte, ele fala, toda vez que aparece uma notícia de que o PIB caiu 3%, eu me lembro que 97% continuam aí…

Jeison               Mais ou menos isso.

Luciano             … ele fala bom, caiu três ainda tem noventa e sete, eu vou lá buscar.

Jeison               Teu amigo é um gênio, porque essa é que é a lógica, se eu for pensar, a gente trabalha com software para qualidade, é uma das nossas áreas, o Qualiex é isso, lá na ForLogic o que acontece? A gente pega e a gente olha o ISO Survey, que é a pesquisa da ISO e tal e caindo vertiginosamente o número de certificações ISO no Brasil, como é que eu cresço? Só se for assim, a gente está crescendo porque a gente está fazendo um software que não é só para ISO, como assim Jeison? A gente começou a atender a área da saúde, comecei a atender transportadora que tem SASMAC, área de saúde tem ONA, tem PALC, tem DIC, então a gente encontra maneiras, se eu for ficar preso na crise…

Luciano             Mas me fala uma coisa aqui, você tem uma área de inteligência lá que é um monitor de mercado sondando onde é que estão as oportunidades ou pinta um cara na tua porta, sou da área da saúde, preciso de um treco aqui, acho que você pode fazer e o cliente cria demanda e vira um produto? É assim?

Jeison               Ó, é mais ou menos assim, só que o que a gente sempre acreditou? A gente sempre acreditou em criar soluções que atendessem verdadeiramente o cliente, por exemplo, vou te dar um exemplo, se o cara liga lá e fala assim Jeison, preciso de um software só para tirar a certificação aqui, mas eu não quero certificação, eu nem gosto, acho que nem funciona, só preciso passar aqui nesse negócio, você implanta para mim? Eu falo não. Eu só implanto para quem quer ter certificação por conta da qualidade. Porra Jeison, você perde negócio? Perco. O meu software não foi feito para gerar papel para o cliente, meu software foi feito para dar resultado para o cliente através da qualidade de excelência, então isso daí me abriu portas na saúde, me abriu portas em outros lugares, não tem monitor de mercado, eu vou muito baseado no cliente, é no cliente que está todo o conhecimento que a gente precisa, a gente ficar batucando o teclado para tentar descobrir coisa é babaquice, é o cliente que sabe. Esses dias eu entrei em uma discussão ferrenha com um cara porque eu falei que ninguém inova em casa, você inova no cliente e o cara falou que não, que a gente inovava em casa. Mas e a Ford, se fosse perguntar para os meus clientes o que eles queriam, eles iam falar cavalos mais rápidos. Falei mas não tem nada a ver uma coisa com a outra, eu não estou dizendo que você tem que ir lá pedir para o teu cliente, oi, me fala qual é a inovação que o senhor precisa, estou dizendo que você tem que ir lá viver a vida dele, o Ford foi lá e falou assim, putz, os caras querem ir de um lugar para o outro mais rápido e sem merda de cavalo.

Luciano             Eu publiquei agora um sumário do… eu não me lembro se foi o…. foi o sumário anterior, que foi “A faísca e o esmeril” e eu não me lembro se foi no “Strech” agora, ou foi nesse recente ou foi no anterior lá, que o sujeito fala exatamente, o autor fala exatamente isso, ele fala o que é fundamental para você criar esse mindset da mudança? Então primeira coisa, a mudança acontece em razão das pessoas e por causa das pessoas e a coisa mais fundamental é ouvir histórias, você tem que ouvir histórias, então arrume um jeito de ouvir histórias, história de quem? Das pessoas para quem você vai agregar conteúdo, então vai ouvir as histórias delas e a partir da história delas é que você vai desenvolver a tua solução, quem não ouve história dos outros fica no seu umbigo, criando a coisa do umbigo, então é… é uma sacada muito legal, ele conta da maneira como eles montaram um monitor que é, traz, quem são os caras envolvidos no processo aqui? Ah é o cliente, deixa eu falar com o cara da contabilidade dele, deixa eu falar com a Mariazinha que trabalha na expedição. Mariazinha, me conta a tua história.

Jeison               Tem mais gente aí.

Luciano             E aí a hora que ela conta a história, você fala meu, olha só o tamanho do perrengue dessa menina, o meu sistema pode ajudá-la que ninguém pensou nesse e era um gargalo que tinha lá, que ninguém sabia que tinha porque era uma história só da Mariazinha, que ninguém escuta. Então essa história de ouvir história é que é o grande lance.

Jeison               A gente faz isso, a gente escuta muito os clientes, a gente faz reuniões, lá em Cornélio Procópio, levo clientes para lá às vezes pra gente conversar e a gente precisa ouvir os caras, então a gente sempre fez para atender verdadeiramente sabe, Luciano, porque uma coisa que toda empresa tem e que eu fico meio puto de ver, é missão visando valores e aquilo é uma tremenda balela em muitos lugares e eu vi esses dias um cara falando assim, na minha empresa não tem visão não sei quantos anos de valores, não sei o quê, como se fosse uma coisa boa. A minha empresa tem missão visando valores, tem propósito, por quê? Porque a gente usa isso como ferramenta de trabalho, os meus valores quando algum líder vai dispensar alguém, ele traz assim, ó Jeison, o cara falou na integridade, na inovação está difícil, a gente não consegue fazer, esse cara, a união… então ele traz evidências que apontadas nos valores onde o cara está falhando, então isso é ferramenta de trabalho, primeira reunião que eu faço quando a pessoa entra na ForLogic eu falo de valores, da missão e da visão, vou te dar um exemplo do comercial. Uma vez o cara chegou e falou assim, vendi tantos módulos para o cliente X, ele queria só dois e eu vendi sete. Falei pô, que legal, o cara vai usar todos? Não ele vai usar só aqueles dois. Daí eu peguei a missão, falei vamos ler a missão: aumentar os resultados dos clientes através da tecnologia superando suas expectativas. Aumentar o resultado do cliente, falei para aí, quando o cara precisava de dois módulos e você vendeu sete, ele está pagando por sete, está usando dois, o que você está fazendo com o cara? Daí o cara travou. Não, fala para mim, está aumentando ou diminuindo o resultado dele nessa hora? Está diminuindo. Falei então, então está errado, eu entendi que você quer trazer mais lucro para a empresa, então a gente tem que ensinar o cara a usar os sete e se ele não precisar dos sete não é para vender os sete para ele, não tem problema, a gente tem um mercado inteiro para conquistar, vende só os dois. Ou a gente senta aqui, você chega para mim e fala chefe, nós temos que mudar essa missão que está uma porcaria, a gente senta e muda ela, porque eu não vou mentir, porque tem um valor meu que é a integridade. Se eu falhei na minha missão que era isso que eu fazia, as coisas estão ligadas, eu não vou mentir, então a gente vem e muda, atender os clientes com tecnologias. Dai beleza, eu posso empurrar software nos caras, coisa que na ForLogic a gente não faz. Eu fecho vários contratos de duzentão por mês, trezentão por mês que vira um contrato de mil e quinhentos depois, por quê? Porque a gente atende o cara do jeito certo, entendeu? É assim que se cresce. Eu costumo falar para eles, não vão com tanta sede ao pote, atende o cara, escuta a história do cara, às vezes o cara está com uma dor tão latente que ele nem vê os outros módulos porque ele está focado…

Luciano             É, você está apostando na recorrência…

Jeison               … isso, exatamente…

Luciano             … que é o grande lance do momento agora é esse, quer dizer, o que eu quero? Eu quero ter alguém comigo que continue comigo pelo maior tempo possível, eu não quero faturar uma grana grande agora para depois… aliás foi assim que nasceu o Premium viu? O Café Brasil Premium nasceu assim, então eu tenho um projeto que ganha um monte de dinheiro agora e daqui a seis meses ganha mais um monte e dali a seis meses mais um monte, ou um projetinho que ganha um pouquinho todo mês e que eu vou ficar com o cara comigo durante cinco, seis anos? Falei eu quero essa segunda, não tem a velocidade do outro, não tem o glamour do outro, mas tem aquela coisa de criar raízes, criar raiz, é um negócio está bem plantado, você não derruba a árvore.

Jeison               E uma coisa importante, tanto para o Premium ou para o Qualiex, para o Metroex na nossa empresa, sei lá, qualquer uma das áreas, eu pergunto para o cara você paga muito ou pouco? Ah eu acho que eu pago pouco. Perfeito, é isso, o cara sempre tem que achar que está pagando pouco…

Luciano             A percepção de valor dele é maior do que aquilo que ele…

Jeison               … então eu estou fazendo o serviço direito, entendeu? E a gente está… o Qualiex nós tivemos que aumentar o preço do produto, porque no começo não vendia porque era muito barato, Luciano, eu tive que aumentar o preço do produto, eu tive que lançar outros pacotes, outros tipos de atendimentos porque eu….

Luciano             Porque a percepção é que…

Jeison               … o cara falou eu não posso comprar de você porque o teu custa mil e quinhentos por mês, o teu concorrente é “120 pau” a implantação mais quatro por mês, então você está descartado porque está muito fora do preço. Você está entendendo? Então eu tenho que construir algumas coisas para entregar também mais valor, porque se o cara também achar… não adianta cobrar tudo isso e não entregar valor.

Luciano             Sabe que eu contratei uma agência para vender publicidade do podcast, fazer a venda, montamos o projetinho, o cara foi para a praça e nunca vendeu picas, não vendeu nada e um belo dia esse cara vem para mim e fala nós estamos com um problema. Eu falo o que é? Eu não consigo vender nada porque o preço de vocês é muito barato, está muito baixo o teu preço. Eu falo como baixo? Para um podcast. Ele falou, mas eu não consigo, eu bato na agência eu nem passo, porque a hora que o cara vê aquele valorzinho, ele faz a conta na cabeça dele, quanto eu como agência vou ganhar de comissão desse valorzinho para fazer o trabalho de apresentar para o meu cliente, eu não quero nem me mexer, vai me custar mais propor o cliente do que aquilo que eu vou ganhar, sobre esse preço aí, aí eu levo no cliente. E aí aquilo que custava dez, vira quareta porque a comissão dele que era, em vez de dois, vai virar oito, entendeu? Aí encheu o olho do cara, só que aí você vai… você vê como é um mecanismo inflacionário, aí o cliente que não sabe vai olhar e falar pô, estou pagando caro, mas não é assim, é assim porque tem uma percepção, aliás tem o intermediário no meio do caminho, entrou um cara no meio do caminho que faz você mudar.

Jeison               Essa foi uma dor que a gente teve porque quando a gente percebeu que estava muito barato, eu não faço o preço de acordo com os olhos do cliente, sabe aquele negócio? O cara liga lá, ah não, para você é tanto. Então eu tive que criar mais produto, porque eu não acho justo entregar para dois caras o mesmo produto por preços diferentes, entendeu? Então eu tive que começar… envolve todo um trabalho de desenvolvimento de produto e serviço para poder subir o preço, mas está legal, está funcionando, a gente tem crescido razoavelmente bem, a empresa… rico a gente não ficou, entendeu? Costumo dizer sempre lá na empresa que eu nem sei se vou ficar milionário, não é esse o objetivo da minha vida.

Luciano             Que tamanho é o prédio que vocês têm?

Jeison               Ah são três andares e um subsolo, onde vai ter o estúdio lá.

Luciano             Sim, que cinco anos atrás você estava num barracão alugado.

Jeison               Alugado.

Luciano             E aí você está com um prédio de três andares e você vem dizer para mim que rico você não ficou?

Jeison               É, não, mas é que a gente está trabalhando.

Luciano             Isso tudo é relativo. Você olha para trás e fala olha o que a gente já construiu.

Jeison               Eu costumo dizer, te dou um exemplo, falei para você antes do almoço ali, pô, a gente estava na praia, eu vejo aquele barco passando atrás de mim, fiquei pensando, falei nossa, esse barco aí é o faturamento do ano inteiro da empresa, só que eu também, eu me olhei na praia e o que eu estava gastando com comida aquele dia, porque eu estou comendo em barraquinha, pô isso aqui eu gastava comendo há três anos, quando eu estava na pindaíba, isso aqui era o que eu comia por mês de mercado, você entendeu? Então tudo é muito relativo, Luciano, eu sou muito grato, eu não tenho reclamação da grana, mas o que acontece lá na ForLogic? Eu, por exemplo, eu sou um cara que sou contra plano de cargos e salários, a gente é esquisito por isso, o cara chega lá a primeira reunião que eu faço eu falo tudo isso para ele, você quer um plano de carreira? Eu te indico uma empresa porque aqui você não vai ter porque eu não acredito em plano de carreira, acho babaquice isso. Como é que funciona? Funciona assim: você vem aqui e trabalha, daí você vem aqui, você é muito foda, eu olho pra você e falo pô, o cara entrega muito, você começa um trabalho incrível, eu falo pô, eu tenho que dar um aumento para esse cara e você começa a ganhar mais, não precisa levar seis anos, pode levar seis meses, ou pode levar seis anos, não depende de mim, porque que você tem que entrar na minha esteira de produção? Isso não existe, entendeu? E outra, às vezes a empresa simplesmente não tem grana agora. Ah mas eu quero ganhar esse mês, às vezes nós não estamos no mesmo timing, não é culpa de ninguém, mas a ForLogic eu tenho…. quando a gente construiu o prédio a eu fiz um acordo com os funcionários que foi o seguinte: chamei todo mundo e disse o seguinte, na época acho que era umas vinte e sete pessoas, ó para você ter uma ideia do tamanho do rojão, ano passado a gente começou o ano com quarenta e duas pessoas, fechamos o ano com setenta. Então mas quando a gente construiu o prédio eram vinte e sete pessoas, eu falei nós vamos fazer um acordo de três partes, primeira parte é: vou construir um prédio e mudar para ele. Segunda parte é: eu vou estabilizar as contas e pagar o rombo, com as contas estabilizadas. E a terceira parte, nós vamos começar a melhoria dos salários começando pelo meu, do Diogo e do Jackson, combinado? Porque eles sabem que eu estou ganhando pouco. Combinado. Então agora nós estamos finalizando a parte de estabilizar as contas que isso deve acontecer e eu pretendo… eu sempre quis pagar muito bem, eu falo isso… e não é assim não quer dizer vai ter o melhor salário do mundo? Não, mas um salário que o cara entre na empresa, Luciano, sem pensar em dinheiro, pensando no que ele tem que trabalhar, porque eu não sou o tipo do cara que eu quero extrair o máximo do lucro do cara que está ali, eu não acredito nessa relação, porque eu fui muito tempo funcionário, eu nunca gostei disso, então porque agora vou fazer isso com o cara que está lá?

Luciano             E o canalha?

Jeison               É porque é assim, eu sou muito canalha também, Luciano, você me conhece, tem horas que eu perco a paciência, que falo merda para os caras. Sabe, tem cara que convive comigo que sofre porque eu sou o tipo do cara que quando tem um acesso, o cara me tira do sério, eu sou muito bom para agredir, dificilmente alguém consegue agredir com palavras mais do que eu, eu sou um cara que eu sou bom nisso esse é um defeito e qualidade que eu carrego que numa discussão eu consigo trucidar um cara de um jeito que não é necessário e na maioria das vezes eu me arrependo depois, eu tenho…

Luciano             Mas então não é canalha.

Jeison               … é mas é uma canalhice, porque a responsabilidade é minha, não adianta, a gente tem…

Luciano             Mas não é canalha, o canalha é aquele que sabe, que persiste, que continua e faz de novo e não tem essa de voltar, pô fiquei com remorso, peguei demais, pesei a mão, pô coitadinho, vou pedir desculpa, isso não é canalha. O canalha sabe disso tudo e continua.

Jeison               … é, mas o que eu digo é o seguinte, que a gente tem que resistir a esses impulsos e resistir ao mundo, se você pegar a palestra, coloca o link da palestra depois, se você pegar a palestra que eu dei, que eu nem queria fazer, eu fiz porque os caras pediram para fazer, eu não sou palestrante igual você que tem toda essa pompa de palestrante para fazer, eu …

Luciano             Pompa o caralho.

Jeison               … então assim, quando eu pego na palestra é bem isso que eu falo, a gente tem que resistir ao impulso, porque …. eu fui fazer um estudo tributário e os caras falam assim não Jeison, a melhor saída é botar uma empresa no nome da sua esposa, mas eu falei isso não é sonegação? É se a receita cruzar. Ou seja, é errado? É. Então estão me chamando para ser canalha, eu falo não, não vou fazer isso. Tem funcionário que vai começar a trabalhar na empresa fala assim não, estou no seguro desemprego ainda, eu fico trabalhando aqui recebendo seguro, falei mas não está errado isso? Você não vai estar recebendo de mim, você não tem que parar de receber o seguro? Não, mas é meu direito. Falo não, teu direito quando você está desempregado, seguro desemprego, não é bônus de demissão, então as pessoas te chamam para ser canalha, Luciano, o tempo todo. A nossa função é resistir, é só resistir e assim, e eu já várias vezes não resisti, estou dando exemplos de integridade, mas não é só nisso que pega, entendeu? Pô, tem hora que a tua mulher quer fazer alguma coisa com você, quer sair para fazer alguma coisa para ela, com você, daí tem um valor que é a união, mas a união quando eu quero, quando outros querem não é daí, então eu vou por você, para você, eu não quero fazer isso, então acho que tem muito disso e a gente tem que se policiar, se não você começa a pregar os seus valores e não viver eles.

Luciano             Quando foi que aquele esquerdista revoltado, que queria dar um murro no Fernando Henrique Cardoso…

Jeison               Ainda quero.

Luciano             … descobriu que o capitalismo não era um bicho papão tão assim desde que você use ele de forma… quando foi?

Jeison               Eu vou te falar, eu li o manifesto comunista, eu li “O Capital”, o Marx, lá para metade da faculdade eu falava assim, na sala de aula para o meu professor de empreendedorismo, que é meu amigo até hoje, falava assim eu quero ser um cachorro se eu tiver uma empresa, eu quero bater ponto, seis horas vou para casa, eu falava isso e tenho amigos que estudavam comigo que são amigos de casa até hoje que dão risada disso e brincam comigo e tiram sarro tomando cerveja. Mas foi quando eu descobri uma coisa, Luciano, que o socialismo nunca vai poder entregar, o desejo. O desejo é individual, é do indivíduo e cada um deseja uma coisa, isso vai contra tudo o que o socialismo traz, porque ele traz sempre uma unificação, é como se fosse você passar, você conhece, como se você pegasse e peneirasse tudo e colocasse tudo no mesmo estado e não é o mesmo estado, tem cara que quer ter um barco, que nem eu te falei, eu não quero ter um barco, talvez um dia eu tenha, mas não é, eu, por exemplo, eu só compro camiseta de trinta reais, minhas camisetas é tudo camiseta preta e custa trinta reais, eu não compro uma camisa de trezentos reais, imagina, mas eu, se eu for almoçar e o prato custar duzentos e cinquenta reais e minha esposa quiser comer, eu não economizo um centavo nisso, porque o meu desejo é diferente do cara que gosta da camisa, não tem certo e errado, quando eu percebi essa diferença, foi quando eu falei assim olha, o socialismo não funciona. Cada um quer uma coisa, então eu não sou socialista mas eu sou o melhor capitalista que o capitalismo pode ter, foi assim que eu montei a ForLogic, entendeu? Por isso que, quando eu te falei que eu não gosto de gente engajada, não adianta ficar no Facebook, contra o capitalismo, ele não vai embora, nós vamos por o quê no lugar? Beleza, eu também acho que tem um monte de mazelas, entendeu? Como tudo na vida, mas não…

Luciano             Quer dizer, o recado é se você é contra o capitalismo abra uma empresa, vira dono da empresa e pratique ali o capitalismo que você acha que tem que existir.

Jeison               Exatamente, o capitalismo que pô, olha que negócio interessante, quando eu falei que ia aumentar o salário da equipe, falei eu vou começar pelo meu, do Diogo e do Jackson, porque o nosso que está na reta aqui, todo mundo vai ganhar mais, mas eu vou começar pela gente, isso é tão verdade que eu vou te falar um negócio interessante, eu recebi um e-mail de um funcionário essa virada de ano, porque eu faço uma coisa chamada papo de chefe na empresa, outra coisa de empresa esquisita, eu paro uma semana por semestre, fico na sala de reunião e quem quiser ir lá falar comigo sobre o que quiser vai lá e fala, tem cara que vai lá, senta e fala assim, queria saber o que nós vamos fazer no ano que vem? Funcionário recém contratado, eu explico, eu queria saber por que vocês montaram a empresa? Sabe, eu queria falar que eu não estou satisfeito porque eu não gosto disso e disso. Os caras vão e eu falo só o seguinte, aqui eu não vou te reprimir nem nada, só que isso aqui é para eu entender um pouco mais do que você pensa, se você perguntar o que você quiser, porque eu sou um cara que vive correndo, você não consegue falar comigo, eu não quero ser aquele chefe que está uma torre, entendeu? Ou aquele líder, tem que falar líder. Daí teve um cara que falou assim, Jeison, como você sente a ForLogic faturando já milhões… Como você se sente? Eu falei eu me sinto bem frustrado, eu nunca tinha pensado nisso, falei pergunta muito boa, por quê? Falei porque eu queria pagar mais para vocês, para mim, eu queria poder, sei lá, que a minha esposa não precisasse trabalhar no Banco do Brasil, queria poder viajar mais com as minhas irmãs e com a minha mãe, eu queria que vocês tivessem…. poder levar vocês para fazer uma excursão, falta grana. Daí ele ficou olhando e falou, eu me sinto assim, mas me sinto muito orgulhoso do que a gente tem feito. Teve uma funcionária que não foi nessa ouvidoria porque ela não pôde, ela estava de férias, mas ela mandou um e-mail para mim, falou assim ó Jeison, eu queria falar três coisas para vocês: primeira coisa eu gostaria que você, o Diogo e o Jackson fizessem um checkup todo ano, pago pela empresa porque vocês são importantes; segunda coisa vocês tem que melhorar o salário de vocês urgente, vamos conversar disso no ano que vem? Quando a coisa chega nesse nível, Luciano, significa que a gente está indo para o lado certo.

Luciano             Eles sabem quanto vocês ganham?

Jeison               Abertamente eu acho que não, mas eles sabem que não é muita coisa, entendeu? Sim, ninguém ganha muita coisa lá, meus funcionários estão ganhando mal, agora os clientes vão ligar lá para tentar contratar os caras. Mas assim não ganham uma sabe, não é um porrilhão de dinheiro, mas eu quero pagar um salário acima da média para quem trabalha, com pessoas acima da média, porque eles trabalham assim já, eles tem que ser remunerados por isso, então eu acredito nesse tipo de capitalismo, de você fazer a coisa certa, que dá grana, que dá dinheiro, montar fundo de reserva para a empresa, a empresa já começou a recompor o fundo de reserva dela, eu só construí, Luciano, porque eu tinha uma grana guardada, a gente nunca pegou no final de ano ah, sobrou dinheiro, divide aí para os sócios, não é assim que funciona, a gente tem salário, você entendeu? Então eu acredito muito, ouvi o CEO da Volvo falando uma coisa uma vez e ele estava muito certo, ele falou assim, esse CEO, ele foi 10 anos CEO da Volvo, Yoshio, ele pegou ela faturando, eu não sei o número exato, acho que era 9 bilhões e entregou faturando, 10 anos depois, 97 bilhões, você entendeu? Então assim, absurdo o crescimento em 10 anos e ele pegou e falou assim, não existe empresário rico em empresa pobre, empresa que funciona é empresário pobre e empresa rica, ele falou assim, e outra coisa, é bom investir o dinheiro, não deixa muito dinheiro sobrar se não você começa pensamento ruim com ele também, gastar de qualquer jeito, evita os pensamentos ruins, então esse é o capitalismo que funciona, entendeu? Eu acredito nisso, eu acredito nesse tipo de coisa acredito que a gente tem que ganhar dinheiro, tem que juntar dinheiro, tem que pagar bem os outros, eu te falei ali no almoço, eu não acredito em ONG, eu acho que quem tem que fazer o bem é a empresa, a minha empresa adotou uma escola municipal, há três, quatro anos, porque formalmente a gente quer três assim que a gente está firme mesmo e a gente começou a fazer um trabalho na escola, sabe o que a gente faz? Coisa idiota, ajudamos eles nas rifas, daí a gente começou a dar uma medalhinha, as professoras que falavam quais são os alunos que se destacam, de cada turma, da primeira à quarta série e a gente vai lá com uma pessoa da minha equipe, no horário de trabalho, com a medalhinha que a gente comprou e o certificado, dá uma medalha para o primeiro, segundo e terceiro de cada turma.

Luciano             Foi você que publicou um negócio que vocês foram lá pintar, fizeram um mutirão e foram pintar?

Jeison               Não, pintar a gente não foi.

Luciano             Então foi um outro que eu tive contato que juntou o pessoal da equipe e foram lá, pintaram o lugar.

Jeison               É isso, entendeu? É assim que eu falo como engajo, então eu pego as pessoas no horário de trabalho, a minha empresa, não tem ONG, vai lá e faz isso, dá a medalhinha, no final do ano a gente se veste de papai noel, dá um prêmio, dá um tablet para as três crianças que mais se destacaram na escola, as professoras com a pedagogia deles dizem quem são, não quero me meter, nessa parte a gente não sabe o que fazer, pedi para elas que não fosse uma competição e sim aquele que teve uma evolução maior, não o melhor necessariamente, eles que escolhem e a gente começou a discutir até que teve um dia que o pessoal falou assim pô, mas esse negócio aí, vamos fazer o papai noel no final do ano, daí eu falei o papai noel gordo eu vou e eu fui e foi emocionante porque chega uma criança e fala, me dá um abraço, como assim um abraço? Eu, pra conseguir um abraço do meu filho eu tenho eu negociar com ele, você entendeu? Como é que uma criança de quatro anos te pede um abraço, Luciano, isso não é humano, as crianças tem déficit de afeto, crianças em situação de risco, história complicada na família, você vai lá e faz isso, e por que é legal a empresa, Luciano? Porque no ano seguinte eu estava viajando, eu não pude ir de papai noel e alguém foi e esse ano agora eu estava em outra viagem, eu estava no Peru e alguém foi, entendeu? Então a empresa está fazendo a coisa certa, quando a gente ouviu falar de indicador, eu quero medir essa porcaria com indicador, ah vamos ver quantas crianças foram impactadas, eu falei não, isso não é indicador, isso é indicador de esforço, eu quero saber o resultado, pega o IDEBE, vamos medir pelo IDEBE, batata, esse ano a escola que mais cresceu no IDEBE foi essa escola de Cornélio Procópio foi essa escola que a gente está fazendo essa ação. Isso, Luciano, não precisa de ONG, eu não quero dizer que ONG é do mal, mas quero dizer o seguinte, toda empresa pode fazer sua parte, você entendeu? E colocar isso como parte do trabalho, então esse é o capitalismo que dá para fazer e eu não gosto nem da filosofia do capitalismo consciente, eu gosto muito da ação.

Luciano             Vamos dar uma colher de chá agora para um amigo nosso aqui, aí você descobriu um treco chamado metanóia, eu já fiz um Líder Cast aqui com o Tranjan e como é que foi isso aí? Você trombou…

Jeison               Eu trombei com os caras, foi assim, eu vou contar como é que foi. Eu encontrei a Metanoia, estava conversando deles no almoço também, encontrei com a Metanoia no Epicentro, primeiro lugar e por que que veio a Metanoia? Porque eu já tinha missão visar em valores, eu queria construir o meu propósito, eu já tinha lido três livros falando de propósito, eu falava eu não quero fazer essa porcaria sozinho, estou com medo, sabe, eu estava com cagaço, sabe o cagaço, ensaio sobre o cagaço, estava com cagaço, falei eu não quero fazer isso sozinho e meus amigos falaram não faz sozinho, falei não quero construir sozinho e eu fui, encontrei…. ouvindo o Líder Cast do Tranjan, gostei, voltei, assisti de novo a palestra do Epicentro na internet, falei caraca, mandei uma mensagem para ele no final de 2015…

Luciano             17 foi o ano passado.

Jeison               17, é, então foi no final de 2016, Roberto, não sei quê, ele vai ficar bravo que eu vou falar isso, mas ele é um cara, um empresário que tira três meses de férias, estou de férias, fala com quem aí e fui lá e encontrei um lugar em que muitas coisa que eu fazia, eles tem método, eles tem método, eu fazia na porra louquice total, eu fazia na pura loucura, eu não sabia se estava certo. E outra coisa, Luciano, eu sofria muito, porque imagina eu sempre fui muito amigo dos meus colaboradores, tem cara que vai na minha casa, tem pessoas lá que eu amo, que eu trabalho, que eu não trocaria, que eu quero que o resto da vida, que eu quero pagar bem para ter uma vida boa, eu quero fazer isso por ela e todos os meus amigos empresários me falam que isso estava errado, é difícil conviver com o mundo inteiro te bombardeando o tempo todo, ó isso é besteira, ó não trata bem o cara, ó você vai tomar bola nas costas, ó esses caras são todos vagabundos, o tempo todo te bombardeando com o cliente é vagabundo, o colaborador é vagabundo, todo mundo é vagabundo, o governo é vagabundo, tem que sonegar mesmo e eu não fazia essas coisas, eu não acreditava nisso. Quando eu fui para o Metanoia, eu encontrei um porto seguro, lá eles tem uma metodologia de botar em prática boa parte disso que eu estou falando, e com método, entendeu? Lá a gente escreve carta de valores para seguir, constrói condutas, eu já fazia isso na loucura, eles me ensinaram de um jeito mais legal, mas já fazia. Outra coisa que eu achei do cacete que eles me ensinaram é consenso, eu achava que consenso era a opinião média possível e eles me ensinaram que não é, eu não vou explicar aqui sobre consenso, você vai aprender lá se quiser, mas assim, ah não, eu não acredito em consenso, eu falava, eu usava uma frase do Thoreau, Henry Thoreau para justificar que um homem mais justo que os demais já constitui a maioria de um. É uma frase do cacete inclusive, eu usava isso para justificar o consenso, mas não tem nada a ver com consenso isso, lá eles explicam consenso que você…. eu aplicando na empresa hoje a qualidade do trabalho depois disso é absurda, é incomparável. Então assim, vale muito a pena, detalhe, é uma coisa que não dá para fazer de beirada, eu quero dizer, você não consegue entrar na Metanoia assim, experimentar a Metanoia, não dá assim, a grande sorte que eu tive que a minha empresa já tinha muitos desses pensamentos, entendeu? Então para mim esse novo choque, o maior choque que eu tive, a coisa que mais me impactou foi que a Metanoia me ensinou a tirar a pressa, eu era muito apressado e lá eu aprendi diferença de pressa para senso de urgência, que são coisas diferentes, que é urgente tem que ser feito, pressa é sair correndo do banheiro, por exemplo, que eu fazia, entendeu? Então são coisas diferentes e eu achei incrível, recomento muito, se você tem uma empresa, você fala assim não, preciso de uma empresa diferente, a ForLogic é uma empresa esquisita, a gente publica nas vagas de emprego, procuramos pessoas esquisitas, vai na vaga de emprego, está escrito lá embaixo: procura-se pessoas esquisitas. Quando eu encontrei a Metanoia eu falei pô, tem um negócio aqui que é o nosso número, porque é esquisito pra cacete também, então você está acostumado com uma consultoria de gestão, vamos pegar aí uma Dom Cabral, aquelas coisas que você lê na Info-Exame, não tem nada a ver, nem vai, lá é um pensamento completamente lateral, muito mais humano, outra pegada.

Luciano             Eu preciso trazer o Tranjan de novo aqui para fazer a versão dois onde a gente foca só na questão, eu vou tirar aqui, a parte pessoal da história dele eu já fiz, agora tem que fazer a parte da Metanoia. Legal, quem quiser conhecer um pouco mais aí do trabalho que vocês fazem lá como é que é, primeiro para achar a ForLogic, como é que é?

Jeison               Ó eu nem te falei de duas coisas, antes eu só vou falar o seguinte, a gente tem o maior blog do Brasil de gestão da qualidade, que é o blogdaqualidade.com.br então se você precisa saber sobre gestão da qualidade, vai lá…

Luciano             Inventaram até um podcast.

Jeison               … é, copiando um cara que é amigo meu, a gente tem o QualiCast que é um podcast só sobre qualidade, coloca todos os links aí vai Luciano. Pô, procura no site da ForLogic  forlogic.net e é isso aí, a gente está por ali, o Quaiex é qualiex.com.br.

Luciano             Se quiser entrar em contato com você, você está no face?

Jeison               Estou no Facebook, pode me adicionar lá, é Jeison Arenhart De Bastiani ou…

Luciano             Só que o Jeison não é igual do sexta feira 13, é J E I S O N, não é isso?

Jeison               … é, eu costumo dizer, quando me apresento, o tudo bem, meu nome é Jeison igual sexta feira 13 mas escrito errado. Não é Jason, é J E I S O N. Se colocar Jeison A B…

Luciano             Cai lá. Maravilha.

Jeison               … e é isso daí.

Luciano             Legal meu caro, valeu, demorou para fazer, mas quando fez deu uma história comprida aí, espero sinceramente o ano que vem conversar com você e você me contando a história da ForLogic com cento e quarenta pessoas trabalhando.

Jeison               Luciano menos, vamos ganhar dinheiro primeiro, depois vai aumentar.

Luciano             Já está indo, abre caminho. Bem vindo cara, valeu, um abraço.

Jeison               Valeu.

                                                                                   Transcrição: Mari Camargo