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Ciça Camargo -

Luciano             Muito bem, mais um LíderCast. Vamos aqui à explicação de como é que o convidado de hoje chegou até aqui. Eu sou convidado para ir comer um japonês, evidentemente num restaurante japonês, pelo Léo Lopes e lá na hora do jantar encontro algumas pessoas, um garotão senta com a gente lá para bater um papo, quem é você? E de repente ele me fala, eu sou filho do homem e eu falei você é filho do homem? Sou filho do homem. Pô eu estava pensando em uma hora dessas chamar o homem para gravar, vem cá, você acha que dá? Claro que dá. Não faz nem uma semana, dez dias acho que faz e a gente acabou acertando, então meu convidado com muita honra está diante de mim…

Odayr                Muito obrigado.

Luciano             … só existem três perguntas fundamentais neste programa, as únicas que você não pode errar são as três que eu faço na abertura, daí para frente você pude chutar á vontade, mas nestas três aqui você presta atenção para não errar…

Odayr                Eu vou prestar atenção.

Luciano             … eu preciso saber seu nome, sua idade e o que é que você faz?

Odayr                Meu nome é Odayr, com Y, José Baptista, à moda antiga, depois eu conto isso aí. Eu estou com 82 anos, se não 81 ou 83, eu não me lembro mais, depois de 80 a gente esquece e então é isso.

Luciano             O que é que você faz?

Odayr                Olha, eu realmente… foi uma coisa interessante, porque eu ouvia muito rádio no meu tempo lá de Poços de Caldas e aí o que aconteceu? Eu resolvi ser locutor, porque eu ouvia muito a Rádio Nacional do Rio de Janeiro e achava só a parte de locução eu achava muito interessante porque eu imaginava assim, puxa, esse cara tem uma voz bonita, fala muito bem e tal…

Luciano             Você já está contando a sua história inteira para mim?

Odayr                … não eu estou só lembrando porque depois eu esqueço.

Luciano             Deixa que eu vou fazer você lembrar, espera aí, eu vou buscar você lá no comecinho. Onde é que você nasceu?

Odayr                Eu nasci em Poços de Caldas…

Luciano             Poços de Caldas.

Odayr                Poços de Caldas, Minas Gerais, Brasil.

Luciano             Você está com 82 anos.

Odayr                Acho que é 82.

Luciano             Então faz tempo, você nasceu em mil novecentos e…

Odayr                E foi lá viu rapaz, eu nem me lembrava mais, é lá mesmo.

Luciano             Me diga uma coisa, seu pai fazia o quê? Sua mãe fazia o quê?

Odayr                Meu pai trabalhava na prefeitura de Poços de Caldas e a minha mãe era dona da casa. E eu tinha mais três irmãos, um homem e duas mulheres e esse meu irmão, aliás, foi um grande incentivador, ele que naturalmente, graças a ele que eu sou locutor hoje, então o Osmar, o nome dele, e as minhas irmãs me ajudaram também de uma outra forma, mas ele foi aquele que já trabalhava na rádio, ele era da parte técnica, então ele montava a rádio, ele montava antena, enfim, ele trabalhava nesse setor.

Luciano             O que o Odayrzinho queria ser quando crescesse?

Odayr                Olha, é uma coisa interessante, porque eu acho que eu queria ser pintor…

Luciano             Pintor de quadros?

Odayr                … é, menos do São Paulo.

Luciano             De onde vinha isso, por que pintor?

Odayr                Isso aí porque eu não sei, acho que quando pequeno eu devo ter conhecido algum quadro e algum pintor, aí eu achava uma coisa assim fantástica, uma coisa assim que eu gostaria de fazer e eu tive, além dessa mania de pintor, no caso, eu comecei a, muito cedo, pegar um lápis e fazer desenhos, mas isso pequenininho, fazia o desenho de letra, aquele negócio todo, enfim eu achei que eu tinha alguma coisa a ver com desenho e depois, naturalmente cresceu isso e realmente eu tinha o jeito para o desenho, agora o desenho para a pintura, aí então é mais fácil.

Luciano             E isso foi numa época interessante, quer dizer, seu pai era funcionário público, você cresceu assistindo seu pai sendo funcionário público, você quando garoto, você sentiu que a sua voz tinha alguma coisa diferente da molecada? Ou quando é que foi que apareceu que a voz podia ser um diferencial?

Odayr                É interessante, rapaz, porque isso aí não sei como é que surgiu essa coisa de ter diferença de voz, de coisa, mas eu imagino o seguinte, como eu era ouvinte mesmo quando pequeno na Rádio Nacional de Rio de Janeiro, realmente eu era… eu não ouvia música, eu não ouvia novela, eu ouvia os locutores, então eu achava interessante, puxa, como é que esse homem pode fazer, ter essa voz bonita, como é que ser locutor?

Luciano             Eu vou dar uma pausa para a garotada que está nos ouvindo e que não tem ideia, o que é a Rede Globo hoje em termos de televisão, era a Rádio Nacional naquela época…

Odayr                Nacional do Rio de Janeiro.

Luciano             … não havia televisão, então o que a família fazia era ligar aquela rádio e aquela rádio era onipresente, ela tomava conta do país inteirinho e aquilo era à noite, o pessoal se reunia em volta do rádio para ouvir programas. Então havia locutores lá que eram sagrados. Monstros sagrados. Eu tenho até uma história boa do meu avô e da minha avó, que a minha avó, pô o meu avô morreu com 100 anos e que diz que naquela época o pessoal tinha gente que botava um pratinho de comida na frente do rádio para o locutor se ele estivesse com fome. Parece lenda urbana, mas eu não duvido não que tivesse. Naquela época era uma coisa fantástica, a Rádio Nacional realmente lançou gente, programas de auditório, tudo o que a gente viu hoje nasceu lá.

Odayr                Rádio teatro, o rádio teatro, nossa, impressionante. E eu era muito fã do Heron Domingues, que era o repórter Esso, nossa, aquele prefixo do Repórter Esso sabe, todo mundo parava de…

Luciano             Quer ouvir?

Esse prefixo aí é o prefixo que inspirou a abertura do Café Brasil, a gente abre o programa Café Brasil com uma versão do Repórter Esso, ai você ouviu, essa voz que você ouviu foi a voz do Heron Domingues, que marcou época.

Odayr                Que beleza. Era uma coisa fantástica, como ele… e é engraçado que eu tive uma sorte, lá em Poços, quando eu entrei lá na rádio, foi um caso até interessante, o meu irmão sempre trabalhou na parte técnica e ele foi fazer uma gravação numa festividade, eu não me lembro onde, acho que no Country Club e aí ele levou para a minha casa um gravador e mostrou, duas horas da manhã o cara me acorda, eu era mocinho ainda e ele então falou assim, isso aqui  é um gravador…

Luciano             Isso é anos? 40, 50.

Odayr                … é, eu tinha… devia ter acho que não sei… já uns 15, 16 anos já.

Luciano             65 anos atrás.

Odayr                É, eu digo isso porque veja só, ele falou assim olha, você está vendo isso aqui? Esse gravador aqui você liga e fala no microfone e a sua voz é gravada aqui, grava alguma coisa e eu como grava alguma coisa? Ah, pega uma revista aí e eu tinha mania, sabe, de pegar revista e imitar os locutores. Aí eu peguei uma revista e não me lembro se era pasta dental Phillips… Pode fazer propaganda aqui?

Luciano             À vontade, falar palavra, à vontade, aqui é à vontade.

Odayr                E aí então eu fiz a propaganda, eu não sei se é do leite de magnésia, sei lá, você sabia… ah pasta dental Phillips: você sabia porque a pasta dental Phillips é a mais usada pelos próprios dentistas? Porque a pasta dental Phillips é a única que contem o genuíno leite de magnésia de Phillips. Por isso neutraliza verdadeiramente a acidez bucal que é a principal causadora da cárie. Mude para melhor, mude para a científica pasta dental Phillips.

Luciano             Vem cá, você não fez isso aí profissionalmente depois, esse anúncio?

Odayr                Não, não fiz.

Luciano             Você está lembrando daquele quando você tinha…

Odayr                Do que eu fiz lá no rádio.

Luciano             Então vamos lá, agora vou te explorar, vou te explorar, vou te explorar. Aí você gravou aquilo e seu irmão vai lá e dá um play e você pela primeira vez na sua vida escuta a sua voz gravada vindo de um aparelho que você nunca atinha ouvido. Primeira vez que você ouviu tua voz. Como é que foi, me descreve esse momento, quando ele dá um play e você se escuta pela primeira vez.

Odayr                Eu falei para ele assim não, isso aí você gravou no rádio, deve ser da Rádio Nacional, eu perguntei. Ele falou não, você que acabou de…. eu que acabei de ler isso aqui? Não, não é possível. É sim, é você sim. E aí o que que aconteceu? No dia seguinte ele foi lá na rádio e falou com o gerente, olha, eu estou recebendo um locutor aqui na minha casa, um amigo nosso e ele gravou esse texto aqui e mostrou para o gerente. Ele falou manda o rapaz aqui e ele vai passar umas férias aqui e quem sabe ele é contratado. Aí o meu irmão pegou aquela gravação e levou para o gerente, ele falou olha, tem esse rapaz aqui que é um locutor de São Paulo, está passando umas férias aqui, então você vê que ele gravou e o gerente ouviu e falou manda o rapaz, ele vai ficar por aqui? Vai, vai ficar. Ah então manda ele aqui…

Luciano             Quer dizer, sua carreira começa com o seu irmão dando um aplique…

Odayr                Nossa, é impressionante, olha ai rapaz, é impressionante e aí rapaz, ele pega e me convida para ir lá na rádio conhecer o gerente e o gerente… cheguei, falei o Osmar falou olha, esse aqui é o tal locutor que você ouviu aí. Ele falou não, esse é seu irmão. Eu era moleque ainda. Esse é seu irmão, falei sim, é meu irmão. E aí o locutor, quem é? É ele poxa. Ah não é possível. Não, vamos fazer um teste aí e aí foi aí que eu comecei no rádio.

Luciano             Então vou pedir para você me lembrar de um outro momento, você naquele dia, pela primeira vez entra num estúdio de rádio, microfone, tratado, aquela coisa, como é que foi esse teu impacto, eu imagino que hoje seria o equivalente a um cara como eu, por exemplo, entrar dentro da Millenium Falcon que é nave do Star Wars e eu entrar naquilo lá e ficar enlouquecido, como é que foi para você?

Odayr                Foi isso, porque mesmo o meu irmão já estando trabalhando na rádio, eu nunca tinha entrado lá e ao mesmo tempo, é aquilo que você falou, para mim foi um negócio assim, puxa entrar na rádio, como é que funciona isso? Nem sabia onde é que era o estúdio, o microfone ligado aonde era, enfim, foi aí, deu uma… sabe, e aí quando o gerente falou para mim olha, vamos fazer um teste com você, que você pode ser aprovado e trabalhar aqui. Eu falei não, não é possível. Não é verdade, não está acontecendo. E foi assim que eu comecei no rádio, comecei graças ao meu irmão e à gravação da reportagem lá que a gente fez da pasta dental Phillips.

Luciano             E você começou como locutor o quê? Publicitário, fazendo o quê?

Odayr                Fazendo publicidade. É o locutor que dá a hora certa faz o texto. Tinha uma pasta, então você lia o texto e de repente aparecia a hora certa ali e depois então que surgiu, naturalmente, o noticiário, que eu era ligado também em noticiário.

Luciano             Me fala uma coisa, Odayr, quando foi o momento que você, lá dentro, envolvido com microfone você olhou para isso e falou eu acho que dá para ganhar a vida com isso aqui, isso aqui pode ser o meu futuro. Eu não sei se você… você falou, você tinha o sonho de ser pintor, molequinho, você vai crescendo, o sonho muda, talvez você tivesse aquela história vou ser engenheiro, vou ser advogado, vou ser médico, alguma coisa assim e você em algum momento se encontrou ali e falou acho que dá para fazer minha vida aqui. Quando é que foi que deu esse estalo para você que você falou vou entrar de cabeça e vou cuidar disso aqui.

Odayr                Eu acho que foi justamente quando o gerente ouviu e quase não acreditou que fosse a minha voz, eu gravei de novo para ele ouvir que realmente não estava mentindo e a continuidade é o seguinte, ele depois de um, dois dias sei lá o quê, nós fizemos um teste, foi aprovado e aí eu já tive um horário para fazer, não é isso? Naturalmente eu aprendi como é que ia, que texto que era, etc. e tal. Foi assim que começou praticamente a coisa.

Luciano             A tua história repete a história de milhares de locutores que a gente conhece. Meu pai passou por isso, meu pai começou como locutor do alto falante do estádio de futebol, no intervalo do jogo ele que falava, ele dava as notícias por lá, aí ele virou locutor do rádio lá em Bauru, virou locutor de rádio e tudo mais, achou que podia dar samba e veio para São Paulo fazer um teste aqui, eu não me lembro qual vai ser a rádio e tudo, entrou fez o teste aqui e não passou no teste, o cara falou olha, faz uma coisa, você tem potencial, mas precisa melhorar um pouquinho mais, treina um pouco mais, volta daqui a seis meses, isso faz 70 anos, o cara está esperando até hoje. Ele nunca mais voltou, mas seguiu no rádio, foi locutor lá em Bauru, ele acabou fazendo a carreira dele lá, mas muita gente que eu conversei, conheço vários caras de rádio começaram exatamente assim, eu estou no interior, a minha voz sobressai no meio da voz da molecada, eu vou no rádio e faço um teste e ali de repente vira e você acaba…

Odayr                É engraçado que eu me lembro agora que eu tinha um amigo que tinha uma… em festa, em quermesse, festa de santo, onde tinha uma cabine de rádio, acabamos de ouvir, mas no alto falante, não é na rádio, aquela de alto falante…

Luciano             De feira, de quermesse.

Odayr                … de feira, é, e aí rapaz, um dia ele falou, você não quer fazer um teste aí, aquele negócio todo, aí eu fiz, ele falou não, não serve. Ah tudo bem. Mas eu já tinha a coisa na rádio e quando o indivíduo ouviu eu fazendo, porque era aquele negócio, não pode aqui, nunca vai entrar na rádio, que era uma rádio só. Agora tem duas. Então, rapaz, quando ele ouviu a minha voz na rádio, porque a rádio tinha um alto falante que ficava para o jardim… Você conhece Poços de Caldas?

Luciano             Conheço, já fui bastante lá.

Odayr                E aí então ele ouviu lá fazendo o noticiário, falou não é possível, terminei, desci, encontro ele lá, é você? Nossa. E lá no meu serviço… Foi muito bacana.

Luciano             Como é que foi a tua escalada para de repente, você depois assumiu o noticiário e tudo mais, como é que foi isso? Alguém te escuta na rádio, chama você para vir para a capital? Você vem por conta própria? Como é que você sai de Poços para ganhar a Rádio Nacional?

Odayr                Foi o seguinte, eu trabalhei na rádio durante, acho que, não sei se três anos ou dois anos, eu não me lembro e lá eu conheci o Sebastião Leporace, irmão do Leporace…

Luciano             Irmão do Vicente Leporace.

Odayr                … Vicente Leporace…

Luciano             Atenção a garotada que está acordada aí, Vicente Leporace foi um dos nomes mais fundamentais do rádio no Brasil, ele com seu “O Trabuco”. “O Trabuco” do Vicente Leporace era uma coisa que era obrigatória ouvir, era aquela opinião forte, o bicho era..

Odayr                … era muito bom, era muito bom mesmo rapaz e o Sebastião Leporace tinha tudo para… ele veio de Franca, se não me engano e foi o gerente da Rádio Cultura de Poços e foi um grande amigo meu, rapaz, foi uma coisa sensacional porque ele viu aquilo que eu podia fazer e exigia que eu fizesse o noticiário, participasse d rádio novela, fizesse narração, etc. e tal, enfim ele me jogou realmente na…

Luciano             Na arena.

Odayr                … na arena mesmo e aí eu desenvolvi realmente e eu fazia o noticiário e eu sempre gostei de noticiário e a rádio de Poços, eu não sei se vocês conhecem a história, ela era a única emissora naquele tempo, que tinha três ondas, além da média, tinha mais duas ondas curtas, uma de 31 e 68 metros, sei lá, qualquer coisa assim.

Luciano             Ia longe.

Odayr                Ia, ia no exterior, a gente recebia muita carta da Suíça, enfim, da Europa, etc e tal. Então eu gostava realmente de fazer o noticiário e dava uma imitadazinha assim, quem é que não imitou o Heron Domingues, porque foi o carro chefe do Repórter Esso, ele realmente criou aquele estilo e a gente tinha que fazer igual, para fazer uma coisa boa…

Luciano             Você lembra ainda como é que era?

Odayr                Eu acho que quem sabe assim: (ele imita Heron Domingues).

Luciano             Era assim. Muito bem, o Leporace te ouve, fala esse garoto tem potencial, que idade você tinha?

Odayr                Eu estava fazendo o exército, 16, 17 anos.

Luciano             Teu pai tudo bem, você está na rádio, ninguém te cobrou em tirar um diploma de advogado nada disso? A família deu força para você?

Odayr                Deu força sim, minha mãe então ficou entusiasmada, porque ela era muito ligada, aliás foi graças à minha mãe que eu tive esse contato com a rádio porque ela, o dia todo ouvindo rádio, radionovela, lá do Rio e aqui de São Paulo.

Luciano             E aí te trazem para capital?

Odayr                Então eu falei com o Leporace, o Sebastião, falei Sebastião, eu quero ir para São Paulo, eu quero ver se consigo trabalhar numa emissora fora daqui de Poços, porque daqui a pouco eu faço aqui o serviço militar e até estava fazendo e depois e aí? Qual vai ser o futuro? E a minha vontade é realmente sair e procurar um caminho que seja igual, uma emissora que seja igual, que eu posso trabalhar com todo…. com prazer em trabalhar, sem medo de qualquer coisa e eu disse para ele, Leporace eu sei que o seu irmão trabalha na Rádio Record e já é uma figura super conhecida lá, você arranjaria um bilhetinho para eu mostrar para ele? Ele falou puxa, eu vou telefonar para ele, quando é que você vai? Tal diz assim, então tudo bem, procura ele direto e foi assim que eu procurei o senhor Leporace, um cara fabuloso, nossa, sabe daquele que você… seria assim o papai noel para você? Impressionante.

Luciano             Você não estava seguindo a trilha de ninguém, você não estava seguindo o caminho do teu pai, você não estava segundo o caminho de um primo, de um irmão, você botou na cabeça que ia fazer aquilo e significava ir embora de casa com 16, 17 anos. Vir para São Paulo.

Odayr                Porque o meu irmão sempre gostou da parte técnica de rádio, ele desde pequeno, ele sempre ia com os soldadores lá, com fios e ele, interessante que ele era daltônico, ele não sabia as cores e para se fazer um esquema, você tem que ter cores, tem o fio amarelo, verde, marrom, então para ele, ele sempre me chamava, eu ficava ali, é esse é amarelo com amarelo…

Luciano             Ele jamais ia poder trabalhar desmontando bombas, não é? Me diga uma coisa, você então vem para São Paulo e você não veio para São Paulo para começar numa rádio da periferia, você foi na Record que já era uma baita rádio, falar com o Vicente Leporace que era o cara.

Odayr                Era outra figura.

Luciano             Como é que o moleque, o pirralho de 17 anos vindo do interior chega na frente de um Vicente Leporace e vim aqui…  Da onde vem isso? O que você fala? Não tenho nada a perder vou lá falar com o homem ver o que dá?

Odayr                Eu acho que a vontade era tamanha de sair de Poços, não sair porque eu não gostava de Poços, mas para um progresso, eu falei não, eu vou fazer todo o possível para, sabe, porque quando eu pedi para o Leporace, eu falei Leporace, eu posso fazer um teste?

Luciano             O Vicente ou o…

Odayr                O Vicente, já na Rádio Record.

Luciano             Então antes que você conte o que você falou com ele, eu quero saber o seguinte, você chegou na Record, botou sua melhor roupinha, botou a roupinha mais bonitinha…

Odayr                Tinha até gravatinha.

Luciano             … se anunciou na entrada, aqui está o Odayr Baptista, vim falar com o Sr. Leporace. O senhor por favor suba, você subiu até lá e de repente entrou numa sala e lá está sentado Vicente Leporace na tua frente. Você conseguiu falar? Você gaguejou? O que você fez? Você deve ter ensaiado tudo o que ia falar para ele. Como é que foi a hora que você viu a figura?

Odayr                Depois é o seguinte, eu tinha que… a sensação de que o Leporace, que era mais velho do que o Leporace Sebastião, ele, o Vicente, ele por causa do jeito dele, ele ia me tratar muito bem.

Luciano             E esse jeito era a voz. O jeito que você fala era a sua voz.

Odayr                É a voz.

Luciano             Você nunca tinha visto ele.

Odayr                Não, nunca tinha visto, mas também por causa do que eu conhecia o irmão dele, então eu falei não, não é possível, ele deve ser tão gentil e tão cara bom como o irmão e não deu outra, realmente, ele me tratou muito bem e tal e vendo um jovenzinho daquele na Rádio Rocord, bem o que você falou, a Rádio Record, a maior, então ele falou puxa, o carinha veio mesmo para ficar, ele falou assim Odayr, é o seguinte, eu vou te apresentar ao Blota Júnior, que era…

Luciano             Outro nome.

Odayr                … o nome sensacional, ele era o diretor geral etc. e tal…

Luciano             Que já estava na TV, já fazia TV na época.

Odayr                … já, naquela época ele já fazia.

Luciano             Apresentando os festivais, aquela coisa.

Odayr                E aí eu falei bom, tudo bem. Ele falou olha, ele vai mandar você fazer uma locução e aí vai partir de você, eu não vou falar nada para dizer que amanhã ou depois tal… mas a única coisa que eu vou te apresentar ao cara, o Blota Junior e aí eu fiz um teste com o Blota Junior, ela falou assim, faz um teste para mim, não de locução, porque eu digo para você, a locução naquele tempo, principalmente os locutores de auditório, eles gritavam muito, sabe, tudo gritado, porque era um barulho infernal e eles tinham que gritar.

Luciano             Só mais uma lembrança para quem está nos ouvindo aqui, quando o Odayr fala locutor de auditório é o seguinte, os programas de rádio eram programas de auditório, programa de rádio gravado num auditório com equipamento, comparado com hoje, era precário na época e o auditório ficava enlouquecido e o som invadia. Essa era a praia onde nasceu o Chacrinha. O Chacrinha começa desse jeito.

Odayr                Então eu falei assim, mas a minha voz não é para ser locutor de auditório, para gritar, não, eu tenho um timbre mais baixo, eu acho que é mais para noticiário e realmente, eu fiz teste para noticiário, fui aprovado, Plantão Noticioso B9, que tinha três, quatro audições por dia e uma era a noite, 10 horas da noite e aí…

Luciano             Tudo ao vivo. Você passava o dia na rádio.

Odayr                É, passava o dia lá e esse passava o dia foi interessante porque, veja bem, conheci Adoniran Barbosa, ficou um grande amigo meu, nossa, o cara era fora de série, ele falava assim, ô mineiro vamos descer comigo, vamos tomar um café, eu já sabia…

Luciano             Onde era a Record?

Odayr                … a Record era na Quintino Bocaiúva, ali naquela região perto da Praça da Sé, aquela região ali, no centrão mesmo, Rua Direita… E ele então, vamos descer para tomar um café e tinha um barzinho lá na esquina da rádio ali e aí o café dele era a pinga, era a branquinha, chegava e ô Adoniran, que café é esse? Não fala para ninguém. Então todo dia ele me chamava, mineiro, vamos descer, que ele estava no horário de tomar a pinguinha…

Luciano             Uma coisa interessante que você está falando que é bom lembrar aqui, a presença de artistas na rádio era mandatária, todos eles iam, não havia artista de renome que quisesse fazer sucesso no Brasil sem estar na rádio presente e participar dos programas e cantar ao vivo e cantar no auditório e tudo mais.

Odayr                … tudo ao vivo, é sim…

Luciano             Você deve ter visto todo mundo lá.

Odayr                … todo mundo, todo mundo mesmo, então foi uma coisa assim fantástica, porque, veja bem, o cara vem de Poços de Caldas né rapaz, e de repente ouve e vê e toma conhecimento de todo aquele mundo, rapaz, é impressionante, os locutores de noticiário, os cantores, cantoras, tudo no corredor da rádio, entendeu? E fora o departamento de notícias que tinha lá os jornalistas, tinha o Murilo Alves, Jorge de Magalhães, etc., eram tops de locutores e noticialistas, no caso redatores de notícias, nossa, era uma coisa e para mim era tudo novo.

Luciano             Claro, garotão circulando no meio daquele povo todo lá. Você foi contratado pela rádio?

Odayr                Sim, aí eu fiquei contratado, eu fazia um horário até as 10 da noite, quer dizer, o noticiário e chegou 10 horas da noite, tinha um programa de meia hora que aí eu saí do noticiário e passei a fazer essa meia hora porque o outro locutor nunca aparecia.

Luciano             Você estava com 20 anos?

Odayr                Aí já estava com 19.

Luciano             19 anos. Morando aonde?

Odayr                Em São Caetano.

Luciano             Casa de parente?

Odayr                Porque eu vim de Poços de Caldas com a segurança de onde ficar, a minha irmã casada morava em São Caetano e tinha a outra irmã que trabalhava, era casada mas morava com ela e a casa muito grande, então ela falou não, você vai ficar aqui e aí para mim a única coisa é que eu tinha que sair á noite, 11 horas, 11 e pouco, pegar um ônibus para ir para São Caetano.

Luciano             Mil novecentos e cinquenta e bolinha.

Odayr                Por aí.

Luciano             Por ai. Você com 20 anos, mil novecentos e cinquenta e bolinha, num ambiente artístico lá dentro, ganhando uma graninha, sem pai para encher o saco, sem a mãe para encher o saco, com São Paulo na sua mão. Você não estava estudando mais?

Odayr                Não, não estava porque…

Luciano             Você chegou a se formar em alguma coisa?

Odayr                … não, eu fiquei conformado.

Luciano             Conformado. Como é que era, o mundo, você estava na maior cidade do Brasil…

Odayr                Eu estudei em Poços, no colégio marista, fiz até o quinto ano, sei lá e só para lembrar, eu conheci naquela época, no último ano, no quarto ano do colégio marista, foi um estudo para mim sensacional e porque a gente aprendia já naquele tempo o latim, espanhol, francês e inglês, tinha português também. Sabe quem eu conheci lá que já faleceu há algum tempo, era um grande amigo meu, que era, eu ainda falava para o colega de classe, eu falava para ele assim: olha, esse rapaz vai ser jornalista, redator, ele é muito bom, rapaz…

Luciano             Em Poços de Caldas?

Odayr                … Poços de Caldas, no colégio marista, ele falou não, imagina e aí eu falei para ele, você pensa bem, todo dia ou todo dia que há aula de português, o irmão marista pede para esse rapaz fazer a redação e ler para vocês aprenderem, por assim dizer sabe? Sabe quem era esse senhor? Que faleceu há algum tempo: Mercadante…

Luciano             Qual Mercadante?

Odayr                … Mercadante que foi diretor da Globo de redação, Luis Fernando Mercadante, o Mercadante foi o diretor aí da Globo depois de muito tempo.

Luciano             Muito bem, aí você começa a crescer a tua carreira aqui em São Paulo, você abraçou a questão de noticiário, você virou locutor de telejornal. Vamos andando aí, eu quero estar chegando perto do Show de Rádio, aquela coisa toda lá, mas aí você está numa época interessante, que é o Brasil dos anos 50, a gente era campeão de tudo, a gente era campeão de futebol, tinha Maria Ester Bueno Campeã de Tênis, a gente tinha campeão de basquete, tinha a bossa nova arrebentando pelo mundo, o Brasil dos anos 50, aquilo era uma maravilha, esse país aqui… Você estava no momento mais esfuziante do Brasil, aquela coisa maravilhosa quando, 1964 acontece uma mudança importante no Brasil que impacta grandemente os meios de comunicação, impacta a rádio e tudo mais. Como é que você vivenciou essa época quando os militares assumiram o poder, aquilo impactou vocês de alguma forma? Do tipo que não tem mais a liberdade de dar as notícias que eu dava, a coisa mudou um pouco de figura, você teve algum tipo de…?

Odayr                Não, eu não senti nada, engraçado que não, não houve essa… pelo menos eu me lembro que os redatores tinham certo cuidado, vamos dizer assim, mas não foi uma coisa assim drástica, não.

Luciano             De aparecer um sujeito na redação e falar deixa eu ver o que está acontecendo aqui.

Odayr                Não, levamos numa boa, nada disso. E foi interessante porque, eu me lembro que a gente era escalado para fazer noticiário do governo, enfim, os noticiários ou as notícias da situação naquele tempo, então suponhamos, eu era da Record, eu ia para a Rádio Piratininga fazer lá uma, vamos dizer assim, alguns noticiários, ou se não ia para a Tupi, enfim, eles como se você fosse um locutor ambulante, não só eu, mas como…

Luciano             Você ganhava por isso algum extra?

Odayr                … não.

Luciano             Quer dizer, a Rádio Record pagava o teu salário e você fazia locução na Tupi. Imagina.

Odayr                Bom, muito bom.

Luciano             Impensável isso hoje.

Odayr                Foi interessante, isso aí depois passou, ah bom, depois eu também cheguei a fazer rádio teatro.

Luciano             Então, isso que eu ia te perguntar, eu quero ver agora com é que é a tua… você está lá dentro, você está fazendo jornal, noticiário e tudo mais, domina o assunto, compreendeu que aquele era teu caminho, a tua voz está lá, já está sendo reconhecida, você já domina aquilo. Quando é que você começa a ampliar essa tua área de atividade e falar acho que dá para fazer alguma coisa a mais com a voz. Quando é que você parte para isso? Alguém te convida?

Odayr                Convite. Os convites para gravação já começaram a aparecer naquela época.

Luciano             De radionovela?

Odayr                Tinha radionovela, a radionovela também eu participei, fazia narração das novelas do, como é que chamava aquele… aquele produtor rapaz, agora sumiu, bom, então foi aí que eu gravei fora pela primeira vez um anúncio, não me lembro o que foi…

Luciano             Como publicidade.

Odayr                … como publicidade, fora da rádio no caso, pediram para que eu fizesse e tal e foi um dos primeiros assim convites e eu nem sabia o que era, então a gente fez e foi assim que começou praticamente a…

Luciano             Você percebeu que dava para ganhar uma boa grana com esse outro lado? Porque normalmente os caras que partem para a publicidade, outro dia eu entrevistei um que falava o seguinte, no meu dia a dia eu trabalhava que nem um canhão e ganhava X, aí eu descobri que na publicidade qualquer porcaria que eu fizesse eu ganhava 3X, era assim na época também?

Odayr                Era porque era um outro mundo e então você fazia, por exemplo, uma gravação comercial, você tinha um cachê até eu achava interessante, cachê, o que que é cachê? Eu achava interessante o nome e era diferente, porque na rádio você tinha o seu salário mensal e o cachê não, o cachê saía na hora, era interessante, eu falei ó que bacana.

Luciano             Você sabe que eu trabalhei nos meus primeiros, eu não lembro se foi o primeiro ou o segundo emprego, eu fui revisor no Diário de Bauru, um jornal feito em Bauru com linotipo, atenção você que está me ouvindo aí, vá no Google, escreva linotipo, aliás, vá no Youtube, escreva linotipo e vê funcionando o treco que você não vai acreditar, eu era o revisor, garotão de tudo, moleque, fazendo a revisão no jornal e eu ganhando minha graninha e tinha uma coisa interessante que é o seguinte, o jornal nunca saía com o mesmo número de páginas, eu nunca entendi direito, mas depois eu fui entender lá na frente, eu tinha um contrato de trabalho para X páginas, quando dava a mais eu recebia uma graninha a mais, então na sexta feira, de repente o cara me chamava e o cara pegava e me dava um bolinho de dinheiro, para um moleque naquela época, eu era um milionário e vinha lá e conforme vinha mais jornal, então tinha um lance de tratar essa questão de salário e tudo mais que é totalmente diferente do que nós temos hoje em dia, essa relação é muito diferente hoje em dia. Me fala uma coisa, estamos chegando ali nos anos 70, eu quero explorar com você duas coisas, a primeira coisa é o seguinte, tudo isso que você faz foi no AM, a rádio AM, que foi a explosão da rádio no mundo inteiro, era a rádio AM etc. e tal, lá nos anos 70, lá por 1973, 74, começa a pintar um treco diferente chamado FM e eu acho que lá para 1978, 79 começam os testes de FM, a Jovem Pan bota uma FM no ar, começa aquele teste e começa a nascer uma outra coisa que não tinha nada a ver com esse mundo da AM, era uma outra coisa que estava vindo lá na frente. Você viveu isso, você viveu essa transição, o que o FM, quando chegou, significava para vocês que eram os caras do AM? O que estava vindo pela frente ali?

Odayr                É engraçado, você sabe que eu achava inclusive o som era bonito, o som da FM, mas eu não fiquei assustado não, no sentido assim de o que vai acontecer? Porque inclusive tinha as emissoras de FM, que eram locutores especializados, sei lá das quantas, uma voz diferente e tal.

Luciano             Muita música.

Odayr                É a música, eu falei não, eu estou bem fazendo o que eu estou fazendo, depois da Record eu pertenci à Rádio Piratininga, para depois então ir para a Rádio Bandeirantes, então eu falava eu estou como locutor eu estou contente, não vou dar dor de cabeça ou pensar muito nesse negócio de modificar, ou ver como é que é o FM, eu só sabia que houve uma modificação porque… e eu nunca, jamais eu gostei de fazer locução gritada, ou muito projetada, eu falei bom, eu posso me dar muito bem em fazer a locução de FM, mas ao mesmo tempo não surgiu na época, um chamado para eu fazer alguma FM, então eu… isso aí dissolveu.

Luciano             Deixa eu dar uma explorada em você antes de a gente entrar na questão, eu quero depois conversar sobre a tua história lá com o show de Rádio, mas eu queria antes dar uma especulada com você o seguinte: voz, eu andei fazendo um estudo há um tempo a respeito, tinha um médico, um pesquisador chamado Alfred Tomatis, esse cara pesquisou muito a questão da voz e a pesquisa dele era qual é o impacto que o som humano tem nas pessoas, como é que aquilo podia ser uma ferramenta de provocar as pessoas, no mínimo curar as pessoas e tudo mais usando a voz etc. e tal e ele tem frases que são magníficas, uma delas que ele diz lá, ele fala ouvir é vibrar junto com outro ser humano, que é uma delícia. Para quem como eu faz podcast aqui, eu compreendo perfeitamente o que ele está dizendo lá. Você estava lá fazendo um trabalho que era a tua ferramenta era a tua voz e você impactava as pessoas lá fora pela voz. Você de alguma forma recebia algum tipo de retorno disso, de você parar um dia e falar olha o poder que essa coisa tem que é uma voz, quando você ouviu Leporace e falou olha o vozeirão desse cara, um dia você conhece o Leporace e viu que era um ser humano de carne e osso. Você teve consciência em algum momento dessa coisa do poder que a tua voz tinha para impactar as pessoas, emocionar pessoa, irritar pessoa, só usando a tua voz como uma ferramenta? Deixa eu te dizer porque eu estou perguntando isso, sou muito amigo do Irineu Toledo, você conhece muito bem o Irineu e o Irineu é muito engraçado ele contando história com aquele vozeirão dele, ele falou cara, aí quando a mulherada vinha me conhecer tinha uma decepção, porque chegava esperando um cara grandão, bonitão e chegava lá eu baixinho, pequenininho, ela olhava mas é você? Era eu e aí desmontava toda aquela… Então tem uma coisa de você construir essa percepção com a voz, você de alguma forma percebeu isso, estudou isso, explorou isso de algum jeito? A tua turma de locutores conversava a respeito disso, do uso da voz como uma ferramenta?

Odayr                Eu acho que quando a gente fez… eu participei de rádio teatro e fazia às vezes a voz do galã ou narrador, mas por causa do timbre, eles me davam sempre o papel do ou o galã ou o galanzinho e aí então o que acontecia? Eu tinha jeito de ler poesia, vamos assim dizer, então o programa que tivesse alguma poesia, então eu sabia que o meu timbre de voz era agradável para esse tipo de coisa…

Luciano             Mas era tudo intuitivo, você não foi buscar para usar isso como uma ferramenta.

Odayr                … não.

Luciano             Você que está ouvindo a gente aí, dá uma ouvidinha aqui, o que era uma radionovela naquela época. Quer ver?

Luciano              É uma loucura imaginar o ambiente da radionovela acontecendo ali, porque essa coisa era tudo ao vivo, não é que gravava e depois montava, não tinha edição depois, era ali na hora, quer dizer, vocês estavam com um papel na mão, com o roteiro, um do lado do outro. Um sonoplasta fazendo os barulhos ali em volta…

Odayr                É verdade, era muito bom.

Luciano             … isso acontecia ali ao vivo…

Odayr                Era ao vivo.

Luciano             … que loucura. Não tinha margem para erro.

Odayr                Não. Não tinha jeito.

Luciano             E se o erro acontecesse vai embora.

Odayr                Eu fui dirigido por um grande personagem do rádio teatro que era da Rádio São Paulo, porque a Rádio São Paulo era a meca de rádio teatro…

Luciano             O que é uma novela na Globo hoje, era o rádio teatro na época.

Odayr                … era o rádio teatro na época, falava em rádio teatro era a Rádio São Paulo e o seu Augusto Barone foi um grande diretor, o seu Augusto foi um homem… ele significou muito na minha vida profissional nesse setor de rádio teatro que puxa, eu sempre vou lembrar.

Luciano             Odayr, me descreve para mim o ambiente, você vai gravar uma radionovela, tem cinco personagens, os cinco estão juntos no estúdio grande, tem um microfone para cada um, como é que era? O diretor está sentado ali na frente? Como é que funcionava essa coisa? Porque não tinha ensaio, tinha?

Odayr                Não, passava-se, passava, dependendo do tempo passava-se, porque às vezes a própria redação está meio estranha, havia um problema ou outro, então a gente dava uma passada.

Luciano             Mas não era ensaio, não tinha nada de entonação, nada, vamos embora?

Odayr                Era direto.

Luciano             E aí entrou no ar. Gravando! Gravando não.

Odayr                É direto.

Luciano             O que tinha, tinha um diretor ali, apontando um, apontando o outro, como é que acontecia?

Odayr                Geralmente, como a gente tinha o ensaio, eu não sei se você chegou a ver algum script, então é assim, você tinha o teu personagem, no caso aqui o meu nome era Daniel e o Daniel entrava aqui, entrava aqui…

Luciano             Isso que estava na mão era o roteiro.

Odayr                … é, era o roteiro e aí eu marcava onde é que eu tinha que entrar e com quem eu ia fazer e geralmente com a mulher ou também um rapaz, aí você tinha essa marcação, então eu chegava, por exemplo, sei lá, eu chegava boa noite, e você como passou, Maria do Carmo? (ele faz um ruído como se a mulher estivesse falando) Então você falou com seu pai? (ele faz um ruído como se a mulher estivesse falando). Então na terça feira eu venho aqui, talvez às 15 horas mais ou menos que eu gostaria de falar com ele.  (ele faz um ruído como se a mulher estivesse falando). Entendeu? É assim, então um abraço para você, eu passo aí na terça feira, está bom? (ele faz um ruído como se a mulher estivesse falando) E ia embora.

Luciano             Quer dizer, está no ar.

Odayr                Está no ar. Aí vem o outro lá e tem uma outra cena… e às vezes, lógico, tem o sonoplasta.

Luciano             Vou abrir a porta, ele vai (Luciano faz um barulho de porta)

Odayr                E disco, ele fica no disco ali. Quando, até amanhã, então eu volto. Entrava uma música. Aí entrava uma moça falando qualquer coisa.

Luciano             Tudo isso feito ao vivo ali na hora…

Odayr                E em cores.

Luciano             … errou, errou, dançou, vai embora, segue em frente.

Odayr                Por isso que eu digo para você, o seu Augusto Barone, ele era um diretor fantástico, porque a gente não errava, rapaz, é impressionante, nossa era tranquilo.

Luciano             E assim vocês construíram o rádio para milhões de pessoas, aquilo foram milhões de pessoas ouvindo aquilo e criaram a base de tudo isso que está aí.

Odayr                E a Rádio São Paulo, você fazendo uma pesquisa, ela era a melhor emissora, a maior emissora de rádio teatro que tinha, vamos dizer assim, no Brasil, mais aqui em São Paulo, que a Rádio Nacional também tinha o seu departamento de rádio teatro.

Luciano             Tanto que a televisão nasce e leva essa turma toda, todo mundo sai da rádio e vai para a televisão, não é?

Odayr                Foi assim que começou. Agora, eu também trabalhei numa novela na televisão bandeirantes e aí eu lembrei do meu tempo em rádio e foi muito engraçado, rapaz, foi uma coisa assim que eu não esperava.

Luciano             Já tinha vt na época ou não? Ou também era…

Odayr                Já tinha.

Luciano             … já era gravação então, não ia para o ar direto.

Odayr                Era gravação. Não faz tanto tempo não, faz pouco, foi antes do famoso incêndio do canal 13 lá da Bandeirantes.

Luciano             Muito bem, meu amigo, chegamos ali nos anos 70 quando um sujeito chamado Sangirardi, um maluco do bem, um belo dia inventa um treco, inventa um negócio Show de Rádio. E aquilo vira uma mania, principalmente entre o pessoal mais jovem, porque aquilo… o que era o Show de Rádio? Era um programa que misturava notícia, entretenimento, muito humor, uma brincadeira. Você que ouve hoje aí o Pânico no rádio, o Pânico é neto do Show de Rádio, o Faustão é cria do Show de Rádio, todo mundo veio daquela matriz que era o Show de Rádio que também veio de outras matrizes, mas que ali ele teve um componente interessante que foi… era um momento de expansão da rádio, era o momento do FM, era o momento de juntar uma turma, uma molecada nova chegando, então tudo aquilo contribuiu para criar um produto diferenciado e o Odayr Baptista, como locutor, não cabe no modelo, aquilo era muito bagunçado para ter o Odayr Baptista ali e os caras vão buscar o Odayr e o Odayr vai vir para ser o locutor que apresenta quem? Como é o nome daquela rádio?

Odayr                Rádio Difusora de Camanducaia.

Luciano             De onde veio aquilo? O que era aquilo? Existia essa rádio de alguma forma, da onde veio isso?

Odayr                Engraçado porque a Camanducaia existe a cidade de Camanducaia e eu indo à Poços de Caldas vi de um caminhão atrás escrito: Água Camanducaia e sabe quando você fica assim com aquele nome gostoso, bonito sabe? Camanducaia e puxa, eu falei. Fui a Poços, quando eu voltei eu fui fazer uma gravação num estúdio e aí o técnico falou assim, diz alguma coisa: Essa é a difusora de Camanducaia transmitindo quase em ondas médias. Ele falou o que é isso? Camanducaia. Eu falei olha, Camanducaia, aí nasceu a Camanducaia, entendeu?

Luciano             Nasce de você ver um caminhão escrito Água Camanducaia.

Odayr                Caminhão escrito Água Camanducaia.

Luciano             Mas e aí, você levou isso para o Sangirardi, o que você fez? Como é que encaixou ali dentro?

Odayr                E aí eu falei para ele, Sangirardi, tem aqui uma rádio que é uma…

Luciano             Espera, você não estava no Show de Rádio ainda?

Odayr                … já estava…

Luciano             Você já estava, o que você fazia no Show de Rádio nessa época?

Odayr                Naquela época eu fazia o quê? Eu fazia personagens, eu fazia o italiano, fazia um padre (ele faz o personagem), fazia o que ele escrevesse lá de personagens eu fazia, isso antes só tinha lá o Tatá, depois veio o Escova tal, então cada um deles fazia, mas era assim, a gente criava as vozes e ficou assim.

Luciano             E aí você mostrou para ele e falou posso fazer a rádio Camanducaia, veio da tua cabeça.

Odayr                Veio da minha cabeça, porque eu achei muito bonito o nome, Rádio Camanducaia e para que seria a Rádio Camanducaia? Falei para fazer um humorismo, que eu falo sempre o humorismo sadio, sem você usar palavrão ou mesmo aquele… você imaginava fazendo uma frase com palavrão escondido, nada disso, era um negócio limpo, sem nada.

Luciano             Odayr, por favor, eu gostaria que você nos presenteasse aqui com aquela, a introdução da Rádio Camanducaia, por favor.

Odayr                (Ele faz a Rádio Camanducaia. )

Luciano             E vem cá, você inventava essas coisas na hora lá?

Odayr                É, era na hora.

Luciano             Era isso, vai, inventa, bota no ar. Aquilo era muito…

Odayr                E naturalmente os textos a gente fazia… tinha na hora e às vezes a gente criava antes ou coisa parecida, eu devo ter aqui alguma coisa, (ele faz vários trechos da Rádio Camanducaia).

Luciano             Perfeito. Eu vou tentar, vou ver se eu encontro aqui um trechinho do programa original para botar aqui para vocês ouvirem o que era aquilo.

Luciano             Fala uma coisa para mim, Odayr, isso era uma bagunça, eu acho que chegava a hroa da gravação desse negócio aí era uma bagunça, porque estava todo mundo em volta ali, Serginho Leite…

Odayr                Não era gravado não, a gente fazia ao vivo.

Luciano             Vai ao vivo e também não tinha aquela história de passar roteiro para todo mundo, vamos seguir o roteiro, não, abriu e vamos embora.

Odayr                A Camanducaia só eu fazia, no caso, agora os personagens do Sangirardi, ele escrevia os personagens, do Palmeiras, do Corinthians, do São Paulo etc. e tal, esses personagens eram… então dependendo do dia que, supúnhamos que jogassem São Paulo e Palmeiras, ou São Paulo e Corinthians, então tinha os personagens do São Paulo e do Corinthians já preparados, o script no caso, script é bonito né? No script para fazer os personagens, o diálogo etc. e tal, se o Corinthians perdeu, então tinha uma redação especial no caso.

Luciano             Quanto tempo durou, que época foi essa? Foi de quando a quando, você lembra?

Odayr                Olha, porque o Sangirardi depois faleceu…

Luciano             75 a 81

Odayr                Era por aí assim

Luciano             Eu me lembro quando o Corinthians ganhou depois de vinte tantos anos o Corinthians ganha, eu sou corintiano, fui para a Paulista, lá na frente da rádio, o povo inteiro na rua, os alto falantes ligados e repetindo o gol do Basílio direto lá e o povo inteiro na rua, foi uma loucura aquilo que aconteceu e aqueles personagens marcavam muito porque havia essa coisa do futebol, era diferente de hoje, era uma outra coisa o futebol naquela época havia uma coisa muito mais sadia, hoje já virou tudo brigaiada, tudo encrenca, mas era legal. Então cada personagem daquele era uma tiração de sarro, era uma bagunça, então tinha uma coisa muito legal e o Show de Rádio marcou a rádio naquela época e foi uma época em que havia programas de rádio que realmente, eu conseguia falar que era o meu programa favorito esse aqui, eu me lembro quando a, se não me engano, a Jovem Pan que botou uma sequência, ela botou a rádio no ar e a rádio entrou em regime experimental, então eu ficava o dia inteiro ligado naquilo porque tocava músicas que não tocava em lugar nenhum, tinha programas que não existiam em lugar nenhum, tinha um programa chamado “Caleidoscópio” com um cara chamado Jacques, que eu não sei quem é, nunca mais soube da história que era uma coisa magnífica, o voz, o jeito de ele falar tudo, então a rádio me acompanhou demais, eu passava o dia ouvindo aquilo e se não era a rádio, eu estava com um disco na vitrola tocando ali e eu realmente virei ouvinte e fã de rádio no momento da transição, estava ouvindo você e estava rido de você naquela época lá. Mas aí essa coisa começa a passar, a FM entrou com força, o AM começou a perder muito a relevância dele, a FM entrou com outro tipo de coisa e de repente me parece que aquela relação do ouvinte com o seu locutor, é o meu locutor, isso foi se perdendo devagarinho, a voz perdeu o espaço, porque o que era aquela coisa, padrão de voz, se você não tiver esse padrão, você não vai ser locutor, para ser locutor de notícias tinha que ser um vozeirão, coisa que hoje, se você for olhar, o que acontece? Hoje você liga o Jornal da Manhã da Pan, tem dois locutores com esse padrão, são dois que estão ali fazendo o padrão de voz, o resto é qualquer voz que entrar ali está valendo, então vale muito mais o conteúdo da notícia em si do que a voz que era o que segurava antigamente.

Odayr                A Jovem Pan, quando você fala isso eu me lembro do falecido Franco Neto, o Franco, ele inclusive as nossas vozes eram parecidas, por assim dizer, tanto é que quando ele trabalhou na Tupi durante muito tempo e muita gente imaginava que eu estivesse trabalhando lá e vice versa, e ele na Jovem Pan, até que a gente sempre, entrevista assim, a gente não, eu sou eu o outro é o outro.

Luciano             Você continuou na rádio até quando? Você foi até onde? Até que momento você foi?

Odayr                Olha, a rádio que eu fiquei mesmo foi na Jovem Pan, depois…

Luciano             Foi da Bandeirantes para a Pan, é isso? Da Bandeirantes você foi para a Pan.

Odayr                … é e aí acontece o seguinte, quando o Sangirardi faleceu, nós depois de algum tempo conseguimos fazer o Show de Rádio na Rádio Bandeirantes…

Luciano             Romagnoli…

Odayr                … é, Romagnoli, o Serginho Leite, aquele pessoal todo e ficou algum tempo, ficamos algum tempo, mas depois houve, sabe daquele negócio, não sei, alguma coisa não estava dando certo, tal e aí a gente então resolveu acabar com a felicidade, vamos assim dizer.

Luciano             E aí a tua carreira em rádio…

Odayr                É, praticamente eu parei com o rádio e passei, eu como pertenço ao clube da voz também, eu fui um dos fundadores, sou um dos fundadores e eu sempre gravei, sempre tive gravação nisso desde o início da minha carreira.

Luciano             Agora como locutor publicitário, como locutor de vídeos e institucionais e tudo mais, não é?

Odayr                E você sabe que aí vem a lembrança do início de tudo, que eu ouvia o locutor da Rádio Nacional do Rio de Janeiro e fiz o texto, eu tinha dito que texto foi para você? O tal texto que…

Luciano             Não, você falou do texto que você gravou no gravador pela primeira vez, mas não falou do texto que você fez na Rádio. Me fala uma coisa, houve uma evolução tecnológica do rádio que foi brutal ao longo dos anos, então o que é uma rádio hoje não tem nada a ver com o que era naquela época, você hoje em dia num quartinho de 3×3 você tem uma rádio transmitindo para o Brasil inteirinho e naquela época era um equipamento grande e tudo mais, então houve uma evolução tecnológica muito grande, mas uma coisa nunca mudou que é o microfone capturando a voz de um ser humano e jogando essa voz para outros seres humanos, se eu for descrever para você um podcast, é a mesma coisa, é um ser humano falando, a sua voz sendo codificada por alguém lá na ponta, quer dizer, isso não mudou nunca. Você acompanha rádio? Você continua ouvindo rádio? Você ouve hoje? Como é que é a tua relação com a rádio?

Odayr                Não tenho… a única rádio que eu ouço mesmo, que eu confesso, é a Rádio Cultura e lá eu tenho grandes amigos e eu gosto da programação da Cultura, então eu falando da Cultura, eu gosto da programação da Cultura, o Caio também gosta, sabe, o meu filho Caio, ele gosta das músicas.

Luciano             É uma rádio com uma programação mais moderna. Então nessa bala toda que eu estou comentando com você da evolução tecnológica, de novo, sou muito amigo do Irineu, é o cara que eu tenho mais contato e o Irineu hoje grava na casa dele, que você deve estar fazendo isso também na tua casa, ele é o teu cupincha ali, aquela história de antigamente, preciso de um estúdio para poder fazar, vou até o estúdio, faço a gravação lá e mando, não sei de que jeito aquilo ia, uma fita, etc e tal, não tem o menor sentido mais hoje em dia, você hoje se tranca num lugarzinho ali, bota um microfone legal, grava, manda pela internet, chegou lá na frente, o que praticamente destruiu uma camada desse mercado, quebrou produtoras, quebrou estúdio, quebrou locutores, quebrou locutores porque a coisa mudou tudo de figura e esse mercado ficou meio estranho, locutores que eram conhecidos e tudo mais encontraram algum caminho aí, mas muita gente eu sei que ficou bem complicado e aí surge a ideia de vocês criarem lá atrás um negócio chamado Clube da Voz, como é que nasce isso e o que é isso? Você olhando de fora é meio estranho porque juntaram-se vários concorrentes…

Odayr                É interessante isso…

Luciano             … os caras se juntam para fazer um treco…

Odayr                … é uma coisa que eu não tinha pensado…

Luciano             … então, você olhando de longe é esquisito, está todo mundo concorrendo pela locução e se juntam, de onde vem essa história? Como é que nasce isso?

Odayr                … porque a princípio eu participei da fundação, nós fomos o Edson Maziero, o Cacá, então a gente se juntou e fizemos uma reunião para saber o que podia fazer com os locutores, fazer um clube da voz, aí então eu acho que é o seguinte, você tinha perguntado do…

Luciano             Então como é que essa coisa nasceu e de onde vem essa ideia de juntar concorrentes no mesmo lugar que a princípio é que nem aquela história de passar lá na rua das noivas, os caras botam tudo loja de noiva uma do lado da outra, como é que é isso, só tem concorrente aqui? E no entanto faz todo sentido porque a pessoa vai para lá.

Odayr                Aí tem, existem várias coisas, primeiro a questão de cachê, então você tem uma unificação de cachês, é obvio que cada locutor pode dizer ah não, o meu cachê é tanto. Ah mas do Clube da Voz, etc. e tal, para evitar justamente isso, você tem que tratar com o cliente antes, dizer olha, apesar de eu ser lá do Clube da Voz, meu cachê é esse e não tem uma, vamos dizer assim, um padrão, cada um tem o seu preço, nós somos lá do Clube da Voz porque o clube existe para você ter algumas reuniões importantes para tratar justamente de organizar.

Luciano             E outra, para dizer para quem quiser, quem precisar de um locutor, procura aonde? Em vez de eu ligar para doze caras procurando locutores, eu vou no Clube da Voz e a turma está toda lá, quem não conhece é interessante entrar, porque tem amostra das vozes da turma toda lá.

Odayr                E agora tem… e outra coisa, esse do Clube da Voz, é fácil porque às vezes você precisa de um locutor que fale inglês bem, então tem lá qual o locutor que pode gravar em inglês, ou francês, ou italiano, ou árabe, enfim.

Luciano             Você continua gravando hoje? Profissionalmente você continua.

Odayr                Estou gravando aqui agora.

Luciano             Sim, aqui é interessante. Aqui você não vai ter cachê nenhum, aqui é diferente. Mas você continua gravando.

Odayr                Mas antes de sairmos de casa, bonito, sairmos, o Caio e eu, nós gravamos um texto para a Skol.

Luciano             Para a Skol?

Odayr                É.

Luciano             Um comercial da Skol?

Odayr                É, um comercial. É engraçado, isso é uma história que eu posso contar para você que é interessante, você sabe que é difícil isso acontecer, geralmente o locutor faz uma campanha de qualquer produto e daí quando chega na segunda fase dessa campanha, eles trocam de locutor e eu tive sorte porque eu fiquei uma semana mais ou menos para tentar achar a voz do locutor, a minha voz, mas fazendo uma locução diferente da Skol, então tem uma coisinha de nada que eu faço, inclusive eu faço uma, vamos dizer assim, uma capa do Alberto Junior e ao mesmo tempo dentro desse aspecto aí, eu procuro não exagerar no humorismo, eu faço…

Luciano             Alberto Junior o locutor da Rádio Camanducaia e você está fazendo essa locução com ele para a Skol.

Odayr                Mas só que não é tão marcante, foi justamente o que eu falo, “desce redondo”, ao invés de eu falar desce redondo (pronúncia normal), eu falo desce redondo (r inicial bem marcado), entendeu? Então esse rrredondo aí já marcou, olha, isso não acontece e aconteceu, conversando com o Caio, falei puxa vida, ainda bem que me chamaram para fazer outra campanha.

Luciano             Provavelmente o cara que aprovou a campanha era ouvinte da Rádio Camanducaia.

Odayr                Ah… verdade. Boa. Está dizendo que sim. Então, foi assim, e é difícil quando chamaram para fazer outra vez eu falei puxa, que bom, porque é o tipo que outro locutor não vai fazer igual, a não ser que imite, mas é aquela coisa do Alberto e tem o Alberto Junior, tem o Alberto Neto e o Alberto Junior.

Luciano             E você os dois?

Odayr                Eu tenho que fazer os dois.

Luciano             Faça um Alberto Neto e depois faça o Alberto Junior.

Odayr                Faz os dois.

Luciano             E você estava largado na hora lá, faz e … eu fico impressionado com isso, a história da rádio com a história da televisão, também assim, se você pegar a Praça é Nossa, vai para a frente da câmera, vai para o microfone e faz acontecer e hoje em dia a gente fica cheio de dedos na hora de fazer, cuidado, faz, repita, vai e volta, quando a margem de erro faz parte do molho e vocês criaram um negócio absolutamente inesquecível.

Odayr                E tem o… você ouviu falar do Tanaka Junior?

Luciano             Tanaka Junior? Não.

Odayr                É o japonês.

Luciano             Que é um locutor japonês?

Odayr                É um locutor japonês.

Luciano             Que também estava lá? Eu não me lembro dele.

Odayr                Ele só tem jogos especiais. O Tanaka Junior é assim: ele faz.

Luciano             Se você me faz um negócio desse na rádio hoje em dia você ia preso, porque ia aparece um monte de neguinho chorando, mimimi, está tirando sarro, está perseguindo japonês, hoje em dia isso seria proibido.

Odayr                É o Tanaka Junior, que é tudo Junior, Alberto Junior, Neto e o Tanaka Junior, que apareceu um espanhol…

Luciano             Juan Junior. Legal. Muito bem, quem quiser te encontrar hoje em dia para fazer, quero locução contigo e tudo, bom, te acha no Clube da Voz, mas tem um e-mail?

Odayr                O Caio.

Luciano             É direto o Clube da Voz, Clube da Voz é o clubedavoz.com.br

Odayr                É isso aí.

Luciano             E lá vai estar Odayr com Y Baptista.

Odayr                Você sabe que eu fui visitar um amigo num consultório sei lá das quantas e na portaria a moça atendente falou deixa o seu nome aqui, eu falei é Odayr, com Y José Baptista á moda antiga. Ela escreveu.

Luciano             À moda antiga.

Odayr                Mas que nome estranho, que família estranha, eu falei é à moda antiga que é uma família.  E aí até explicar para ela, mas foi assim e aconteceu mesmo, eu tinha até um amigo comigo, ficou bom olha, é impressionante.

Luciano             Tivemos aqui o grande Odayr Baptista á moda antiga.

Odayr                Com Y tremado.

Luciano             Obrigado, é uma delícia viajar com a tua voz, eu sou fascinado pela questão da voz, não a toa me dedico hoje a podcast, estou dedicado a podcast onde eu sei a importância que tem a voz, prezo muito essa questão de você ter esse cuidado da voz, sei o impacto que ela tem e sei como ela pode mexer com a emoção das pessoas e para mim é uma honra receber você aqui porque eu estava lá ouvindo, eu era um moleque que estava ouvindo lá, curtindo, rindo daquilo tudo, esses caras são muito doidos, imaginando uma baita estrutura gigantesca fazendo aquilo quando eram dois, três malucos sentados em volta da mesa e joga o papel para cima e vamos e assim vocês montam um negócio que marca.

Odayr                Tem o Tatá, Nelson Tatá Alexandre.

Luciano             Grande Tatá, Tatá morreu… Quem morreu, um dos dois morreu.

Odayr                Quem morreu foi o Escova.

Luciano             O Escova, era o Tatá e o Escova.

Odayr                E o Tatá, ele teve um problema neurológico e ele não fala direito mais.

Luciano             Tatá e Escova foram os dois caras que ajudaram a levar o Faustão para a Rede Globo. O Perdidos na Noite começa na televisão como um programa de rádio, porque aquilo era o rádio antigo, era um rádio antigo aquilo, só que com televisão, com câmeras, completamente esculachado e de um jeito que não tem nada a ver com aquilo que se vê hoje do Faustão na Globo lá e o Tatá e o Alexandre eram duas figuras porque eles faziam exatamente isso, abre o microfone aí e se vira, tudo inventado na hora e tinha essa coisa do improviso que é o que está morrendo muito, está desaparecendo muito e está ficando muito arriscado hoje abrir para improvisar ficou arriscado.

Odayr                Falar em arriscado, eu posso fazer um comentário sobre o que eu posso gravar, senhor? Então, a gente grava também em espanhol, italiano, francês, inglês não, o Caio não me ensinou até hoje, inglês eu tenho dificuldade, rapaz, eu não sei porque, mas em espanhol, italiano e francês, e russo também.

Luciano             Lá em Poços de Caldas o R também não é porta, porco, não é por aí?

Odayr                Lá não.

Luciano             Lá não? É por isso que você não fala inglês. Eu venho de Bauru, eu falo porta, porco, para falar inglês é uma beleza.

Odayr                Mas Poços é uma cidade que não é igual às outras, por causa dos cassinos que houve ainda jogo, naquele tempo aí de mil novecentos e zero, então a cidade não era cidade caipira, você vê que lá ninguém fala caipira.

Luciano             Grande Odayr Baptista, bom receber você, obrigado pelo papo, adorei, a hora que botar no ar aqui você vai ouvir um podcast e vai ver que olha, esse é o futuro, grande abraço.

Odayr                Que beleza. Um abraço.

 

                          Transcrição: Mari Camargo

Citações de Odayr Baptista 

Rádio Nacional            pt.wikipedia.org/wiki/Rádio_Nacional_Rio_de_Janeiro

Heron Domingues      pt.wikipedia.org/wiki/Heron_Domingues 

carosouvintes.org.br/heron-domingues-um-simbolo-do-radiojornalismo/

Vicente Leporace        pt.wikipedia.org/wiki/Vicente_Leporace

dicionariompb.com.br/vicente-leporace

Blota Junior                pt.wikipedia.org/wiki/Blota_Júnior

imdb.com/name/nm0433771/

Murilo Alves               pt.wikipedia.org/wiki/Murilo_Antunes_Alves

terceirotempo.bol.uol.com.br/que-fim-levou/murillo-antunes-alves-4117

Luis F. Mercadante   memoriaglobo.globo.com/perfis/talentos/luiz-fernando-mercadante.htm

terceirotempo.bol.uol.com.br/que-fim-levou/luiz-fernando-mercadante-5592

Maria Esther Bueno pt.wikipedia.org/wiki/Maria_Esther_Bueno

Linotipo                 pt.wikipedia.org/wiki/Linotipo

Alfred Tomatis             en.wikipedia.org/wiki/Alfred_A._Tomatis                                                                                                                                       tomatis.com.br/metodo.htm

Estevam Sangirardi    pt.wikipedia.org/wiki/Estevam_Sangirardi

terceirotempo.bol.uol.com.br/que-fim-levou/sangirardi-2547

Show de Rádio            youtube.com/watch?v=vYLehDglwbA

pt.wikipedia.org/wiki/Show_de_Rádio

Nelson Tatá Alexandre enciclopedia.itaucultural.org.br/pessoa424936/nelson-tata-alexandre

Carlos Roberto Escova – pt.wikipedia.org/wiki/Carlos_Roberto_Escova

Franco Neto                terceirotempo.bol.uol.com.br/que-fim-levou/franco-neto

Luiz Henrique Romagnoli       portalcafebrasil.com.br/lidercast/lidercast-064-luiz-henrique-romagnoli/

Clube da Voz                               clubedavoz.com.br/