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Ciça Camargo -

Luciano             Muito bem, mais um LíderCast e a figura que está com a gente aqui hoje, eu conheço há tempo e eu vou usar um termo que vai já definir o tempo que faz que eu o conheço, desde priscas eras. A gente vem do mesmo mercado, mercado automotivo, se cruzava em eventos, “pra lá e prá cá”, depois a gente acabou… quando ele começou a fazer as mudanças na carreira dele a gente se encontrou, virou colunista durante algum tempo no Portal Café Brasil, um isqueiro, eu sempre toreando, uma hora eu vou trazer ele aqui e aí pronto, deu certo. Cá está na minha frente hoje. Três perguntas fundamentais, só não pode errar essas três, o resto pode chutar à vontade. Eu quero saber seu nome, sua idade e o que é que você faz?

Ivan                   Meu nome é Ivan Carlos Witt, eu tenho 56 anos e eu sou troubleshooter.

Luciano             Troubleshooter, vamos ver, traduzindo ao pé da letra fica um cara que ele mata problemas.

Ivan                   Isso.

Luciano             Mas você está onde hoje?

Ivan                   Não, hoje eu sou diretor executivo de serviços compartilhados da Caoa.

Luciano             Caoa. Perfeitamente.

Ivan                   Serviços compartilhados é área de compras, recursos humanos e área de TI.

Luciano             TI também?

Ivan                   Também.

Luciano             Legal. Você nasceu aonde?

Ivan                   Porto Alegre.

Luciano             Gaúcho tchê? Pratica ainda?

Ivan                   Não.

Luciano             Não. Não pratica. O que teu pai fazia, tua mãe fazia lá?

Ivan                   Essa história é interessante, meu pai trabalhava na Pfizer e vacinava gado, no Rio Grande do Sul na época que eu nasci e a minha mãe era secretária executiva de uma empresa de transportes lá em Porto Alegre também, isso foi… eu nasci em 61 aí teve lá um período brabo e nós fomos retirantes, só que em vez de ser retirantes do norte, nós fomos do sul, pintou uma crise, o emprego lá rareou e minha mãe comprou o Estado de São Paulo na Praça da Alfândega lá em Porto Alegre, tinha uma vaga de secretária na Ford, na época nem era Ford, era Willys ainda, Willys Overland do Brasil.

Luciano             Eu ficava encantado porque tinha um jeepinho que tinha um escorregador na frente, o paralama era um escorregador.

Ivan                   Aí a minha mãe fez a entrevista e conseguiu a vaga na Willys, que era lá no prédio de São Bernardo do Campo, na Avenida do Taboão e meu pai conseguiu emprego na Johnson, em São José dos Campos, ele começou a vender medicamento na época. Aqui em São Paulo eu tinha o meu padrinho e minha madrinha, que era irmã do meu pai e ele era militar da aeronáutica, ele estava servindo aqui no Campo de Marte como sargento e ele conseguiu passar no teste lá para ser aluno do CTA, então foi o primeiro engenheiro da família, fez o curso de engenharia eletrônica…

Luciano             Teu padrinho?

Ivan                   … meu padrinho.

Luciano             Mas que idade você tinha quando o povo veio para cá?

Ivan                   Eu tinha 6 anos, quer dizer, eu sou gaúcho de exportação.

Luciano             Você cresceu aqui em São Paulo.

Ivan                   Aqui em São Paulo.

Luciano             Vocês foram morar aonde?

Ivan                   Santana. Porque meu tio servia lá no parque, a gente ficou ali procurando casa e fui morar em Santana, na Praça 11, que é a conjunção da Alfredo Pujol, a Dr. César e a Alameda Afonso Schmidt, nós morávamos, primeiro com meu tio e aí minha avó que veio com a gente também, enquanto minha mãe trabalhava, meu pai trabalhava, o objetivo da minha avó era procurar uma casa para morar, o duro era arrumar uma casa sem fiador e aí a gente foi…

Luciano             Você tinha irmãos?

Ivan                   … uma irmã, tinha 1 aninho…

Luciano             Mais nova?

Ivan                   … 1 aninho, é. E a minha avó conheceu uma pessoa muito importante na minha vida, chama-se, chamava-se Antônio Ramos, um português que veio para o Brasil, casou com uma filha de italianos, ele veio para o Brasil assentar paralelepípedo para os trilhos do bonde e como bom português tinha umas casinhas para alugar e minha avó conversou com ele, disse que a gente era uma família boa, que nós estávamos tentando a vida e ele falou está bom, então não precisa de fiador, então vamos lá.

Luciano             Que tempo fabuloso. Ivan, meu filho foi alugar agora uma casinha, bobagem, eu aqui com essa aqui, meu filho com uma casinha, bobagem, meu Deus do céu, que encheção de saco, é carta de fiança do banco, fiador, aí o fiador o que pedem do fiador, porque é dois imóveis e o imóvel tem que estar… e se estiver… mais uma encheção de saco que eu falei, escuta, nós só queremos alugar uma casa, o valor do aluguel bobagem, a gente está falando de dois mil reais, que saco. Não, tem que ser assim. Acabou essa história hoje em dia.

Ivan                   E assim, a diferença que eu lembro dele com muito carinho 50 anos depois, ele foi um dos meus primeiros líderes inspiradores e ele não tinha filhos e me ensinou um montão de coisa na época…

Luciano             Se afeiçoou à família.

Ivan                   … totalmente, me ensinou a trabalhar com ferramenta, acho que influenciou até a minha decisão de ser engenheiro, construir coisa, plantar…

Luciano             O que o Ivanzinho queria ser quando crescesse?

Ivan                   … então, o Ivan…

Luciano             Vendo o tio no meio dos aviões.

Ivan                   … então, eu tive esse sonho de ser piloto de avião, inclusive eu tive um kartzinho, daqueles de pedalzinho e quando eu descia lá para o quintalzinho onde eu podia andar de kart, morava um casal de velhinhos lá, seu Miguel e a dona Helena, eles liberavam para mim andar lá, só que a dona Helena falava para mim olha, uma hora o Miguel tira o cochilinho dele, então você não pode fazer barulho e às duas acaba, então nesse hiato entre uma e duas, eu levantava o kart, deixava ele em duas rodas, colocava um montão de pregador no volante e ficava brincando de piloto de avião, então ficava ali, olhando para cima, botãozinho para baixo e tal e eu até escrevi um texto sobre isso, porque eu falei pô, era um puta sonhador, já era moleque, tinha 7 anos na época, sonhava em pilotar avião, mas não deu certo o negócio de ser piloto de avião, apesar de o meu tio ser militar lá no CTA, andei muito, o CTA para mim era quase que um clube…

Luciano             CTA é o Centro Tecnológico…

Ivan                   … da Aeronáutica e ele era militar que morava lá dentro e frequentava o ITA e depois ele se tornou até…

Luciano             Instituto de Tecnologia…

Ivan                   … da Aeronáutica e eu lembro muito bem, ia visitar meu tio, duas coisas que sempre ficavam na minha memória, antes de fazer o churrasco, ele estava sempre estudando com régua de cálculo e era um negócio que eu não entendia, para mim aquilo lá nossa, fantástico. E aí a gente fazia o que tinha que fazer…

Luciano             Você que está nos ouvindo aí: você, por favor, entre no Google escreve régua de cálculo e ponha imagens, não precisa fazer mais nada, ele vai te mostrar uma imagem, você vai olhar e vai entender o que significa não entender aquilo, eu usei um pouco, fiz eletrônica e fui obrigado a aprender a usar.

Ivan                   … e aí depois que ele tinha estudado, a gente ia fazer um churrasquinho, mas o lugar era muito legal, tinha piscina, podia andar de bicicleta, não tinha que se preocupar com a segurança, então a imagem da minha infância o CTA é muito presente, a cidade de São José dos Campos e…

Luciano             E era uma época, o CTA era o que havia de tecnologia no Brasil, tanto que a EMBRAER sai de lá, a EMBRAER nasce a partir dali e sempre foi assim. Sempre que você fala CTA, eu fazia eletrônica no colégio de eletrônica em Bauru, em 1971, 2, 3 por aí e o sonho daquela molecada, um dia a gente pega um ônibus e vai para o CTA, a molecada olha e aí aquela coisa, quarenta moleques dentro de um ônibus, desesperados por aquilo e sabendo que talvez um ou dois iam acabar no CTA, como acabaram. Dois ou três foram para lá, mas aquilo era um sonho e ficou aquela coisa do lugar onde a tecnologia vivia, se tivesse que ter astronauta no Brasil, ia sair de lá, a gente sabia disso, encantador isso.

Ivan                   … então essa parte da minha infância foi muito legal, por outro lado eu lembro também, não era nem plano B, foi só algo que aconteceu em 1967 houve uma festa de natal para os funcionários da Willys Overland e da Ford, que já estavam juntas nessa época e eu fui convidado, minha mãe levou eu e a minha irmã, naquela época pô, festa era bacana, tinha distribuição de cachorro quente e era no pátio lá da Ford, no final já o pátio que dava lá para o lado da Via Anchieta e aí eu vi aqueles carros todos e ganhei de presente um Galaxy 500 da Estrela, porque a Ford estava fazendo lançamento desse carro também, aí eu bati o olho, falei assim pô, isso aqui é muito legal…

Luciano             Você ganhou de metal ou de plástico?

Ivan                   De metal, com fricção, sabe.

Luciano             Você não reparou, mas tem um parecido na minha mesa ali.

Ivan                   E pô, aquele carro marcou minha vida porque eu falei pô, vi a fábrica, achei fantástico, vi todos aqueles carros um do lado do outro…

Luciano             Que idade você tinha?

Ivan                   Ah eu tinha 6 anos, eu era garotinho ainda, foi o primeiro ano que a gente chegou aqui, eu não vou… 6 ou 7, foi em 67, 68 e aí eu falei pô, eu vou trabalhar nesse negócio, ganhei disso aqui. E aí, era uma época até muito romântica da indústria automobilística, porque estava tudo acontecendo e eu peguei, através da minha mãe, que era, na época, secretária da engenharia, vinha aquele jornalzinho do que estava acontecendo, o centro de pesquisas, a Ford ficava ali na Via Anchieta, era um prédio… era assim, uma mini imitação da sede da Ford em Detroit, hoje é uma universidade lá, se não me engano é a Uniban e eu falei pô, muito legal, um dia eu vou trabalhar aí e aí fiz a escola, fiz um primário, na época era primário, ginásio, colegial e faculdade, fiz o primário lá em Santana mesmo, Externato São José, uma escola que já não existe mais e fiz o exame de admissão para entrar na rede pública…

Luciano             Também fiz.

Ivan                   … porque era o melhor, então você tinha que ser…. escola pública era a melhor…

Luciano             Exame de admissão é o seguinte, não existia vaga para todo mundo e você ou estava na escola privada e tinha que pagar ou estava na pública e aí os caras criaram o exame de admissão, eu fiz o exame de admissão e fui um dos excedentes, excedente o seguinte, eu não peguei a cota para entrar e aí foi uma confusão…

Ivan                   Ficou na lista de espera.

Luciano             … ai no fim criaram uma sala extra e eu entrei, eu fui dos primeiros, um pouquinho antes de você, de um sistema chamado pluricurricular, que foi montado, que era assim uma revolução no ensino, eu chegava a ter aula de coisas, o lar dentro de uma cozinha, aula de educação sexual, entrava numa salinha e tinha aula de mexer em madeira, com torno de madeira, era um negócio totalmente revolucionário, era tão maluco que quando os militares assumiram, aí logo em seguida, não vou dizer que foi por causa deles, mas houve uma encrenca e acabaram com o pluricurricular e aquilo tudo desandou em nome de um outro projeto aí que deu nisso que está aí hoje, mas vamos lá, continua.

Ivan                   … e aí entrei na… chamava Instituto Estadual Dr. Otávio Mendes, IEDOM, também conhecido lá na zona norte como CEDOM, colégio estadual e era um colégio muito legal, fica na Voluntários da Pátria, lá em cima, perto da caixa d’água e eu fiz o ginásio lá.

Luciano             Já estava na tua alça de mira a engenharia?

Ivan                   Na época eu queria trabalhar na indústria automobilística, então eu pensava e a engenharia sempre foi presente na minha vida por causa do meu tio que estava se formando no ITA, então era um negócio que eu falei bom, vou fazer a mesma coisa, tanto é que ele influenciou tanto a gente que eu sou engenheiro eletrônico e o meu primo, que é filho dele, tem três meses de diferença de idade, é engenheiro eletrônico também e hoje ele é o diretor de segurança de informação em TI da Nestlé e mora na Suíça.

Luciano             Quer dizer, seu paradigma não foi seu pai então.

Ivan                   Não, foi meu tio.

Luciano             Foi seu tio.

Ivan                   E depois disso eu terminei o ginásio ali em Santana e o colegial fui fazer no Mackenzie e…

Luciano             Na Itambé?

Ivan                   … na Itambé e foi muito legal porque…

Luciano             Eu sou mackenzista.

Ivan                   … você é mackenzista também, tá vendo, uma coincidência. Aí eu fiz o colegial lá, já era um colegial técnico, então eu fiz o curso de eletrônica…

Luciano             Eu fiz colégio de eletrônica.

Ivan                   … e quando eu acabei o Mackenzie eu falei bom, agora vou estudar engenharia e eu queria estudar no Mackenzie, mas aí a minha mãe e o meu pai se divorciaram e a minha mãe falou ó, para estudar tem que ajudar aí a trabalhar, eu falei beleza e naquela época para fazer curso de engenharia a noite você tinha poucas opções e eu fui estudar em Mogi das Cruzes e Mogi das Cruzes é o que a gente chamava assim era um endurance naquele tempo chegar lá, você tinha que pegar trem e tal e eu falei pô, o negócio não é fácil não, longe, morava em Santana, estudava em Mogi e comecei a procurar emprego, procurar emprego e foi uma época frustrante, porque eu falei pô, eu não sei, era 1979 e eu queria trabalhar para poder pagar a faculdade, minha mãe estava lá segurando a barra para mim e eu falei pô, vamos nessa e aí eu ia fazer teste, o pessoal dizia pô, para engenharia não dá, porque você está no comecinho do curso, não dá para fazer estágio, tem que esperar até o terceiro ano, aí eu ia tentar outras coisas, o pessoal dizia não, você vai tentar ser…. eu tentei muito ser caixa de banco, ia fazer os testes o pessoal não, mas você está fazendo engenharia, isso aqui não vai dar certo e tal, então eu fiquei num hiato ali, a coisa não andava, meio frustrante. Um belo dia minha mãe chegou para mi e falou tem um emprego temporário na Ford Ipiranga, eu falei pô beleza, ela falou três meses para uma agência terceirizada, eu falei pô, quero ir ver lá. Eu fui lá, fiz o teste, a agência era em São Caetano do Sul, chamava Madoti – Mão de Obra Temporária, não sei se existe…

Luciano             Hoje estaria na onda. Hoje estaria muito na moda.

Ivan                   … e passei lá, eles me…

Luciano             Aliás, na época não tinha terceirizado ainda, esse termo acho que nem existia.

Ivan                   Era mão de obra temporária.

Luciano             Era mão de obra temporária.

Ivan                   … e eu fui trabalhar na fábrica da Ford no Ipiranga, ali perto do Viaduto Pacheco Chaves, hoje é um shopping lá, na área de finanças e eu era…

Luciano             Avenida do Estado. Não é Avenida do Estado?

Ivan                   … é ali perto.

Luciano             É ali perto.

Ivan                   Ali se fazia caminhões e ali se fazia o Galaxy também e eu cheguei lá e o serviço era auxiliar administrativo, falei vamos ver o que é e era pagamento de dividendos para acionistas, aí eu falei assim pô, como é que é isso? Naquele tempo as ações se guardavam na empresa…

Luciano             Em cofre.

Ivan                   … não, era uma sala de arquivo imensa, então por exemplo, se tivesse Luciano Pires você estaria no L, eu pegaria seu nome e ali na sua pastinha estariam os títulos, as ações que você teria da empresa e era como se fosse um diplominha, então tinha lá ou o W da Willys ou um caminhão desenhado da Ford…

Luciano             Era lindo, era um certificado bonito.

Ivan                   … e embaixo do título, desse diploma, tinha ticketizinhos com o número do ano, então estava lá, 77, 78, 79, 80, 81, 82, aquilo lá era o cupom, falava o preço do cupom e com base no número de cupons que você arrancava, colocava dentro de um envelopinho, eu preparava um borderozinho para pagamento de dividendo e aí o pessoal mandava brasa lá no cálculo, só que eu já fazia engenharia e na época eu tinha uma calculadora HP 29C, que era programável e o pessoal fazia lá o cálculo com aquelas máquinas Facit de orelhinha, pra lá e prá cá e eu falei pô, isso daí…

Luciano             Você que está ouvindo a gente aqui e queria saber o que é que existe por trás de um Excel, é isso que o Ivan está contando aqui, quando você vê a tua planilha do Excel, você imagina 500 caras lá atrás, o neguinho puxando o outro na calculadora fazendo aquilo que o Excel faz hoje.

Ivan                   … e eu lembro bem, tinha lá um grupo, eu lembro até o nome do pessoal, o seu Romeu, o Jair, o Matos, que era o gerente da área e tinha uma linha de produção para fazer pagamento de dividendo, aí eu vi como foi feito o cálculo. Um dia eu falei deixa eu fazer um programa na HP aqui para ver se esse troço bate e aí eu fiz o programinha, aí eu chamei o seu Romeu, que era o supervisor da área, falei ó seu Romeu, eu fiz um programinha aqui que faz o mesmo cálculo borderô, só que faz mais rápido, o senhor leva um tempão aí, eu só vou colocando aqui, já vai aparecendo os resultados da memória, é só a gente escrever. Ele falou ué, como é que você fez isso? Falei eu programei, ele até no começo pensou que era gozação, porque eu gostava de pegadinha e tal, aí eu falei me dá um aí que o senhor não fez ainda, eu faço primeiro, depois o senhor confere. Quando ele viu que bateu os resultados, falou pô rapaz, esse troço aí é revolucionário. Eu falei é simples…

Luciano             Você tinha 19 anos?

Ivan                   … 19 anos. Aí fiz, mas tive o meu primeiro choque, porque com o advento de fazer o programinha, o trabalho caiu pra caramba e as três pessoas que estavam empregadas temporariamente, duas foram dispensadas e eu fiquei…

Luciano             Por sua culpa.

Ivan                   … por minha culpa, então foi meu primeiro trauma de fazer redução de custo.

Luciano             Mal sabia você o que vinha pela frente.

Ivan                   Mas foi interessante e aí fiz isso, pagamos e aí veio a parte mais legal do serviço, porque a gente fazia os borderôs e aí eu tinha que levar aquela informação para a área de TI da Ford que ficava lá em São Bernardo, eu levava a informação, no outro dia eu levava informação do outro dia de trabalho, pegava aquilo que já tinha sido processado em cartão perfurado, levava para o Bradesco em Osasco, deixava lá, eles geravam uma fita magnética que gerava o cheque, que ia ser pago na boca do caixa na Ford. E par fazer todo esse roteiro eu precisava pegar um carro da empresa pô, eles me emprestavam um carro, ou um Corcel II ou, raramente, mas acontecia, um Galaxy, para um garoto de 19 anos, falei pô, os caras ainda me pagam para fazer isso, é maravilhoso e eu fazia todo esse roteiro.

Luciano             Deixa eu dar um break aqui que você levantou um negócio aí que… A conversa aqui é assim, eu vou lembrando de umas coisas eu trago também. Então não estou te entrevistando, a gente está batendo um papo aqui. Quando você falou do choque que deu ali, você programando uma maquininha, você cria um programinha e o resultado é dois caras perder o emprego, estava uma discussão tremenda aqui, eu estou ouvindo aí da indústria 4.0 que os robôs estão chegando, outro dia eu entrei numa discussão na internet gigantesca porque vai ser um horror, que vai ter redução de hora de trabalho porque senão ninguém vai ter emprego, esse choque que estão propondo aqui já aconteceu duas, três, quatro vezes lá atrás, a gente viveu isso aí, você está contando uma história de uma época que não tinha computador, você faz uma programaçãozinha numa maquininha que é um negócio… quando você olha hoje você fala puta, mas é muito idiota isso, logo em seguida entram computadores e destroem tudo o que você conhecia em termos de trabalho, quer dizer, vai haver mais uma revolução como essa e o mundo não acabou com as anteriores. A tecnologia veio duas, três, quatro vezes, não é que o robô vai vir agora e vai acabar o mundo outra vez, é uma nova revolução e a gente vai se adaptar a ela e vai fazer as coisas acontecer como fizemos lá atrás, você está contando uma história de uma época que, por exemplo, você pegava a maior indústria automobilística do Brasil era a Volkswagen naquela época e se eu não me engano, era coisa assim de oitenta mil funcionários.

Ivan                   É, era uma coisa comum nas revistas mostrar a saída do pessoal ali da fábrica da Volks.

Luciano             Era isso aí, era sessenta mil, oitenta mil. Depois se você for olhar isso hoje, hoje é um absurdo, hoje a Volkswagen, não sei quem é a maior do Brasil hoje, mas se tiver 15 mil funcionários é um abuso, não existe mais nada daquele tamanho, onde é que foi parar aquela mão de obra todinha que dançou com esse processo todo, quer dizer, veem novas revoluções, mas a gente adapta isso aí, quem que vai dançar? É o cara que não estudar, que ficar para trás e que ficar na força bruta, ou que tiver um trabalho e não tiver um ofício, o cara que tiver um ofício, esse vai se dar bem e a discussão estava lá quando eu falei para os caras me indique um pedreiro legal, me indica um… como é que chama o que faz a carcaça do carro?

Ivan                   Funileiro.

Luciano             Me dá um funileiro bom e aí dá um nó na cabeça dos caras, porque funileiro tem quinhentos, indica um, não, não vou indicar porque é complicado. Pedreiro tem um milhão, me dá um pedreiro bom. Esse cara que é o pedreiro de ofício, esse não vai perder emprego nunca e vai ganhar mais que muito engenheiro, o cara que tem só um trabalhinho, esse vai dançar, esse vai desandar e a discussão é interessante porque quando você dá o exemplo fala olha o choque acontecendo na cara da agente e a gente sobrevivendo a ele.

Ivan                   É, são vários exemplos assim e na Ford lá após esses três meses, o pessoal pô, gostamos de você e você tem interesse de trabalhar aqui? Falei pô, muito, é o que eu quero. Nós temos uma vaga no departamento de consórcio. Falei bacana, fui lá, a pessoa me entrevistou, viu o meu currículo, falou pô, você faz engenharia? Falei é, eu faço engenharia. Ele falou e você quer trabalhar em consórcio? Falei eu quero trabalhar, eu quero estar dentro e aí a gente vai vendo, ele falou assim pô, mas eletrônica? A Ford tem uma divisão eletrônica. Eu falei ah é? É, a Philco. Tanto é que algumas pessoas vão lembrar, Philco-Ford. Philco para quem não sabe, esse é brack true, significa Philadelfia Corporation, esse é o nome Philco e a Ford adquiriu a Philco depois da segunda guerra mundial, a Philco fazia geladeira, fazia máquina de lavar, linha branca e na guerra eles fizeram aviões para a guerra e saindo dessa situação a Ford adquiriu a Philco para fazer rádio de carro.

Luciano             Me lembro dos “radião” aquilo era bonito.

Ivan                   E essa fábrica que ficava em Lansdale, na Pensilvania foi a produtora dos rádios de automóveis por muitos anos, em 1972 num programa de, como é que o pessoal fala, maquiladora não é? No México e aqui era zona franca, nós tínhamos incentivos para quem exportava e tal, a Ford fez uma fábrica para produção desses autorádios em regime de droback, então você importava os componentes sem pagar imposto e exportava os produtos acabados, prontos para o exterior. E essa fábrica ficava ali, ainda existia, ainda existe, mas está bem menor, ficava em Cumbica e chamava-se, no início, Philco e depois passou a se chamar FIC, Ford indústria comércio e tal, e como era de propriedade da Ford tinha uma pessoa de recrutamento que trabalhava no Ipiranga que foi ser gerente nessa fábrica da Philco, esse cara do consórcio conhecia o cara e escreveu uma carta de recomendação…

Luciano             Para você.

Ivan                   … é, ele falou assim, olha essa pessoa estagiou aqui na Ford e tal, fez um bom trabalho, está fazendo engenharia eletrônica e tal, queria que você entrevistasse ele, vê se tem alguma possibilidade e eu fui, difícil chegar em Cumbica naquela época, a Rodovia dos Trabalhadores, hoje Ayrton Senna, sequer existia, tinha que pegar a Dutra, pegar um “terrão”, hoje está tudo bonito lá. Aí cheguei, fui entrevistado, o pessoal falou temos um problema, você está fazendo engenharia, mas está no começo não dá para ser estagiário, então a única vaga que a gente tem aqui é uma vaga na produção e o turno começa 5:10 e sábado tem que trabalhar, da manhã, começava ás 6 e acabava meio dia.

Luciano             No sábado?

Ivan                   No sábado.

Luciano             Você tinha que sair de Santana para ir para lá, chegar lá as 5:10 da manhã.

Ivan                   É, o turno começava às 5:10. Aí o pessoal achou que eu não ia fazer, falei estou dentro, quero trabalhar e eu estudava em Mogi, então a fábrica ficava no meio do caminho entre onde eu morava e onde eu estudava, mas tinha ônibus da empresa, ele passava ali, naquela época eu já morava ali na Av. Brás Leme, o ônibus passava quatro e meia para me apanhar e eu pegava o ônibus na frente de casa e ia dormindo até a fábrica, olha só, saindo da Brás Leme quatro e meia, chegava na fábrica pro volta de 5:05, em 35 minutos você ia de Santana a Cumbica pela Dutra, era outra época.

Luciano             Hoje em dia o que é isso? É uma hora, uma hora e meia brincando.

Ivan                   E batia o pontinho e ia para a minha posição na linha e o nome da minha função naquela época era troubleshooter, então o que eu fazia? Eu era um técnico de produção, eu ficava na linha e os rádios eram produzidos, os rádios que passavam nos testes automáticos seguiam seu caminho para montagem, os que falhavam vinham para mim e o meu objetivo era consertar o rádio, então o meu primeiro trabalho sem ser temporário em carteira é consertador C e a gente ganhava por hora, algumas lembranças muito legais desse período, a pessoa que me ensinou a trabalhar em alto volume na produção era um técnico de produção que veio do nordeste, eu lembro o apelido dele até hoje, Piauí e ele foi o cara que falou olha, fica calmo, porque empilhava rádio, a gente fazia 1560 rádios por hora…

Luciano             Consertando rádio.

Ivan                   … é, esse era o volume da rinha, o que estragava eu tinha que por em carrinho e ir arrumando para botar de volta na produção, então o começo era desesperador, você falava pô, eu não consigo entender, pega o esquema do rádio, ele falou calma, vamos indo, no final era mais ou menos assim, passados três meses eu pegava o rádio que estava com defeito, ligava, olhava o sinal do osciloscópio e falava, troca o capacitor C24, pelo próprio sinal você já via e no pau e fazendo faculdade à noite. Então eu saía do turno duas horas e ia para casa, com o ônibus, comia um lanchinho, pegava outro ônibus, ia até o metrô, ia até a estação da luz, da luz eu ia para o Brás, pegava o trem dos estudantes, ia para Mogi, era fininho, pesava 63 quilos.

Luciano             Quanto tempo durou isso aí? Três anos? Quatro anos?

Ivan                   Não, é assim, engenharia era um curso de cinco anos, à noite eram seis e o dia que mais tinha aula era sábado e sábado eu trabalhava, então eu tive que fazer um regime parcelado para repor as aulas de sábado, então meu curso levou sete anos…

Luciano             Para se formar engenheiro eletrônico.

Ivan                   … é, eletrônico.

Luciano             Engenheiro eletrônico.

Ivan                   É, eu me formei em 1984, já faz tempo.

Luciano             Mas aí você formado em eletrônica dentro da Ford trabalhando, no Grupo Ford trabalhando numa área de eletrônica, você botou na cabeça é aqui que eu vou ficar?

Ivan                   O negócio era ter certeza que eu ia ter uma carreira e eu comecei a ficar bastante empolgado com o processo produtivo. Era uma fábrica que tinha muita tecnologia, a linha de produção, naquela época, Luciano, uma fábrica para produzir 1560 rádios por dia, isso era de um tipo, a gente chegava a produzir 20 mil rádios por dia, a gente abastecia todas as fábricas da Ford do mundo e tinha 7 mil funcionários…

Luciano             Na tua…

Ivan                   Naquela fábrica.

Luciano             Os números são… quando você ouve isso hoje em dia você fala, uma fábrica hoje, para ter 7 mil funcionários, tem que produzir o quê? Não faço ideia, que indústria hoje em dia tem 7 mil funcionários?

Ivan                   Era uma mão de obra intensa porque você tinha que colocar componentes à mão, você tinha que montar na mão, então era muita gente.

Luciano             Ó, vinte e nada de anos de idade, vinte e pouquinho, você dentro do Grupo Ford, ganhando como se ganhava bem naquela época, você não podia reclamar, fazendo o seu estudo, você tira o diploma, pega o canudão na mão, chega em casa e fala mãe, está aqui ó, meu canudo está aqui, sua mãe orgulhosa aquela coisa maravilhosa tudo, aí você fala muito bem, vou tocar a minha vida, botou na cabeça que você ia fazer o quê? Qual era o target?

Ivan                   É muito interessante porque eu sempre fui um cara muito agressivo na carreira e eu comecei a perceber que eu tinha, pelo tempo que eu fiquei na linha de produção, eu tinha capacidade de resolver problemas bem rapidamente, principalmente nos rádios, eu tive muito tempo trabalhando no front…

Luciano             Um troubleshooter…

Ivan                   … um troubleshooter…

Luciano             … que não resolve rapidamente não é um troubleshooter, não é?

Ivan                   … então a…

Luciano             É um troubleenhancer.

Ivan                   … a coisa foi bem, eu sempre fui agressivo, eu antes de me formar eu me casei, então eu falei pô, agora tenho família e tal e eu preciso mandar brasa e eu fui conversar com um chefe meu, porque eu falei pô, eu estou aqui trabalhando e tal, mas eu percebi que tem aquela pessoa que está aqui trabalhando também e ganha mais do que eu, porque você sabe, no Brasil conversa com o outro, sabe salário e tal, ele falou não, mas tem mais tempo de casa. Eu falei ah, então é assim, por tempo de casa? Ele falou é, vai trabalhando aí que você está indo bem e tal. Eu falei pô se tem uma coisa que eu não sei fazer é ficar velho mais rápido, mas eu preciso ganhar mais dinheiro porque eu preciso sustentar a minha família, porque eu já era casado e tal e aí eu falei pô, vou procurar alguma oportunidade…

Luciano             Estava claro para você que era lá dentro?

Ivan                   … é, na verdade…

Luciano             Ou você estava aberto para…

Ivan                   … não, eu estava aberto para ver o que ia acontecer, eu gostaria muito que fosse lá dentro, mas conversei com algumas pessoas e não havia oportunidades disponíveis…

Luciano             Já era anos 80 isso?

Ivan                   … era 1986…

Luciano             86, só para a gente se situar aqui, Sarney a caminho de Collor, era…

Ivan                   Era um pouquinho antes ainda, era o Sarney.

Luciano             Era a última rodada do Sarney.

Ivan                   Eu lembro porque eu estava fora do país quando aconteceu o plano Collor.

Luciano             Inflação de 80% ao mês, 2600 no ano.

Ivan                   Eu me aposentei no começo do ano agora e eu fui dar uma olhada na minha carteira de trabalho, eu já ganhei…

Luciano             80 milhões.

Ivan                   … é, falei pô, era sensacional.

Luciano             Eu peguei também, olha o meu salário, 4 milhões de dinheiros que eu não me lembro mais o que era, era loucura aquilo.

Ivan                   Era uma loucura. E aí eu comecei a prospectar no mercado e encontrei uma posição na Xerox que ficava em Resende. Fui lá, fiz teste e tal, os caras me convidaram, era uma promoção, ia ganhar mais e fui na Ford, voltei, falei adoro aqui e tal, mas apareceu uma oportunidade eu vou mudar. Aí o pessoal falou pô, mas você vai mudar mesmo? Falei vou e aí eu recebi um convite de uma pessoa que hoje é meu amigo pessoal e trabalhava lá, nós tínhamos iniciado a construção de uma fábrica no México, em Chiuaua e essa fábrica ia fazer autorádios para o mercado americano, que era mais perto, o custo logístico manual do Brasil estava caro e o pessoal falou pô, você não quer ir para Chiuaua e tal? Eu falei não, mas eu já dei o sim lá. Não pensa e tal e essa pessoa falou para mim, vamos fazer o seguinte, pede mais um dia lá na Xerox pega o avião, com a sua esposa, vem conhecer o projeto aqui em Chiuaua, se você não gostar, de saída da Ford você conheceu o México, falei é, pensando assim…

Luciano             Sabe uma coisa que está me chamando a atenção nessa história? Você não tem tempo quente, você não quer trabalhar perto de casa, estudar perto de casa, você só arruma encrenca, eu vou para Mogi, eu vou para ABC, eu vou para o México, eu vou para Resende.

Ivan                   Meu negócio era mobilidade, quero progresso.

Luciano             Moving. Movement.

Ivan                   E a minha mãe, eu lembro na época que eu falei para ela que ia para Resende, ela estava muito triste, porque ela ainda trabalhava na Ford, na época ela era secretária da presidência, ela falou pô você vai sair da Ford, uma coisa maravilhosa e ainda vai morar em Resende, é longe, nós não vamos nos ver e tal, não falei nada e fui para o México. E cheguei lá fiquei maravilhado com o processo, eu falei puta, e foi muito difícil dormir lá no México porque eu tinha que tomar uma decisão e aí aminha parceira, minha esposa, que é filha única também e é psicóloga, ela falou pô, aqui eu vou poder trabalhar? Eles falaram não, mas você pode estudar, então eu cheguei no outro dia, eu falei olha, eu gostei muito do projeto, agora eu preciso saber o salário é melhor? Não é melhor? Promoção não é? E o que vocês podem fazer pela minha esposa e aí imediatamente o cara falou assim, o salário que você vai querer, sua esposa pode fazer um curso de pós graduação na área dela, a gente vai bancar e é isso? É. Então bem- vindo. E foi assim. Aí voltei e fui comunicar minha mãe, falei tenho boas e más notícias. Ela falou qual é a boa? Vou ficar na Ford. A boa era vou ficar na Ford. Pô que legal, qual é a ruim? Falei vou morar um pouquinho mais longe, vou morar em Chiuaua. Ela falou onde é isso? Eu falei norte do México e eu fui, 1986, eu e minha esposa já por volta de, acho que nós fomos no mês de agosto, nos mudamos, mala e cuia par Chiuaua.

Luciano             Antes dos anos 90, você antecipou aquele lance dos expatriados, da leva de executivos brasileiros indo para o mundo a fora, você já estava na primeira leva lá.

Ivan                   E aí o pessoal falava par mim onde é Chiuaua? E aí também a gente às vezes fica bravo que os americanos não sabem que a capital do Brasil não é Buenos Aires, aí também não sabia onde era Chiuaua. Chiuaua é a capital do estado de Chiuaua que é o maior estado da República Mexicana, fica ao norte, faz fronteira com o Texas, eu morava bem pertinho dos EUA, 350 quilômetros de carro você estava em El Paso e a cidade fronteira é a cidade de Juarez, na época Chiuaua tinha um milhão de habitantes, não era uma cidade pequena e foi muito interessante, muito interessante, só que…

Luciano             Quanto tempo você ficou lá?

Ivan                   … Fiquei três anos no México, minha primeira filha, Marina, nasceu lá, é mexicana…

Luciano             É mexicana?

Ivan                   … é, tem dupla cidadania, eu brincava na época, eu falava com ela, você vai poder escolher em ser cidadã do país que tem a maior dívida internacional do mundo, ou a segunda maior dívida internacional do mundo, ela falava assim pô pai, você podia ter nascido um pouquinho mais para cima, mas hoje ela tem muito orgulho em ser mexicana, fala bem o espanhol e eu tenho excelentes amigos na cidade de Chiuaua e foi uma experiência muito legal para mim, muito legal. De lá nós…

Luciano             Você foi lá para comandar equipes?

Ivan                   Não, eu fui para lá para ser primeiro supervisor de treinamento porque existia tanta maquiladora na cidade de Chiuaua, porque elas vão na franca, que a rotatividade de pessoal beirava 80% ao ano, então era assim, se o cara saísse de uma fábrica, o cara já pegava ele para trabalhar na outra e fizemos um projeto super inovador, como é que nós vamos fazer retenção de pessoas aqui? O salário não vai ser o que vai fazer o cara ficar aqui, então nós criamos um, na época a gente chamou de sistema sócio técnico, onde todos os funcionários iam ser informados através de comunicação, ia ter um centro médico inovador, um centro de treinamento inovador e a minha função era supervisor de treinamento, então eu tinha que pegar pessoal para treinar para ser troubleshooter, técnico e tudo mais.

Luciano             Então, é aí que você sai então de entro de um ambiente de linha de produção para se aproximar de gerenciamento de recursos humanos, você começa a andar nessa praia.

Ivan                   Eu tive uma passagem em treinamento, se eu for pontuar todas as passagens dentro da Ford demora um pouquinho, mas eu trabalhei em treinamento no Brasil porque houve uma mudança de tecnologia, os rádios deixaram de ser mecânicos para ser eletrônicos, naquela época tinha os push bottons, lembra? Você apertava o botãozinho, o ponteirinho ia para o lugar certo, era uma memória mecânica e mudou a tecnologia, passou a ter circuito integrado, varestores e tal e você precisava treinar esse pessoal, como eu tinha experiência como troubleshooter, o pessoal falou ó, você é um cara que pode construir o curso de treinamento e fazer o treinamento da nova mão de obra, então foi a primeira vez que eu fui para os EUA foi em 1984, onde eu fui receber a tecnologia aí de como fazer e tal, então tive uma passagem em treinamento e depois eu fui trabalhar em engenharia, essa combinação de engenheiro e treinamento me levou ao México, eu trabalhei um ano nessa função, fizemos um centro de treinamento muito legal e depois eu me mudei para a área de manufatura, também foi uma promoção…

Luciano             Linha de produção.

Ivan                   … é, na verdade eu era supervisor de manufatura e aí eu tinha a área de engenharia, qualidade, laboratórios para a produção de um produto chamado, o nome em português fica feio, REBS, mas era rear antebloch, é antebloch break system, é o ABS traseiro e era usado para caminhões, para quem não sabe o ABS foi inventado para a indústria aeronáutica, para o avião não mudar de trajetória na freada e depois foi adotado nos caminhões e depois nos automóveis.

Luciano             Aí você estava comandando gente, foi esse o momento em que você virou liderança e comandar equipe, no México, em espanhol.

Ivan                   Em espanhol e foi uma experiência interessante porque, eu lembrei de uma dinâmica de grupo que foi feito por um consultor que a Ford contratou, chamava-se Bruce Liebs, ele era psicólogo da cidade de Michigan, ele ajudava a gente nesse sistema sócio técnico e ele fez uma dinâmica de grupo onde como dar feedback, como saber se o cara é bom, não é bom e ele fez uma analogia com o carro, então ele falou assim olha, primeiro ele fez isso com o grupo de liderança, ele falou olha, se a gente usar o carrinho tem pessoas que são volante, que direcionam o carro, outras são a roda da frente, que traciona o carro para a frente, outras são os faróis que iluminam o caminho à frente, mas também tem aqueles caras que vivem freando para o grupo não andar pra a frente e tinha até a âncora que estava amarrada no para-choque, segura o grupo e tinha aquela mulherzinha que ficava no capô que era o símbolo, ele usou e falou bonita pra caramba, mas não serve para nada e aí ele usou esse exemplo e mandou a liderança fazer, falou assim olha, na boa, sem sacanagem, coloca o nome das pessoas que você acha que são o quê. Falei putz, negócio é arriscado, ele falou mas eu vou moderar e é anônimo, falei está bom e fizemos a experiência, todo mundo preocupado e no grupo de liderança eu saí bem pô, farol saí roda da frente, direção, saí todo animado, tão animado que eu já quis mandar pau com o meu pessoal, replicar o assunto com meu grupo, expliquei tudo para eles e tal e eles fizeram a dinâmica e 99% botou lá bonequinho no capô, bonitinho pra caramba mas não serve pra porra nenhuma, eu entrei em choque, falei como é que pode isso, meus chefes acham que eu sou bom, meus funcionários acham que eu não sirvo para nada.

Luciano             Você fez certinho, dali para a frente… o duro é o contrário.

Ivan                   Aí eu falei pô… entrei em parafuso, chamei o psicólogo e contei para ele, como é que isso pode? Ele falou é muito típico. Por quê? Ele falou assim, porque se você não explicar para os seus funcionários qual é a sua função, você não faz o que eles fazem, então consequentemente você não trabalha, porque trabalhar é o que ele faz, não o que você faz, você só fica olhando, então ele acha que você não serve para nada, então você tem que dar satisfação para os funcionários também, explica para eles qual a sua função, como você arma e tal e foi um aprendizado incrível porque a partir daquele momento eu comecei a acreditar realmente em reuniões de staff, explicar para o pessoal o que estava acontecendo, comunicação efetiva e foi um negócio que realmente chamou muito minha atenção e eu aprendi demais naquele ambiente e era um ambiente diferente do que eu conhecia fora da minha zona de conforto, num idioma diferente com um modelo mental da turma totalmente diferente, mas foi muito assim, interessante, aprendi demais.

Luciano             Quer dizer, esse teu treinamento todo acontece pré anos 90.

Ivan                   Pré anos 90.

Luciano             Que quando você volta para cá…

Ivan                   foi de 86 a 89, não, não voltei…

Luciano             … ah você não voltou? Você foi para?

Ivan                   … eu fui para lá para um contrato de três anos e como o meu grupo de engenharia, nós conseguimos atingir o prêmio Q1 de qualidade da Ford em tempo recorde, nós fizemos o produto melhor do que a fábrica da Philco na Filadélfia e chamou a atenção do grupo de qualidade e eles falaram, olha, nós vamos fazer uma fábrica para fazer esse produto e para fazer, os na época começou a controlar motor através de central computadorizada, nós vamos abrir uma fábrica na Espanha e você fez um trabalho legal aqui, nós gostaríamos que você fosse gerente de qualidade, da fábrica da Espanha. Me deram essa oportunidade e aí eu falei pô, bacana, ele falou só que essa fábrica ainda está no papel, então você vai ter que morar nos EUA para comprar todo o equipamento do laboratório de qualidade e depois você vai para a Espanha…

Luciano             Para implantar.

Ivan                   … para implantar, então eu morei um ano na Filadélfia, trabalhando na aquisição de todo o material dos laboratórios de qualidade e depois eu fui para a Espanha e fui morar em Cadiz, sul da Espanha, um lugar maravilhoso, a fábrica foi colocada na cidade chamada El Puerto de Santa Maria, onde foi construída uma das caravelas de Colombo, Santa Maria, Pinta e Nina. Santa Maria foi feita em El Puerto de Santa Maria, era uma cidade de 14 mil habitantes, onde a maior indústria era indústria do vinho Jerez e colocamos uma fábrica da divisão eletrônica da Ford lá e foi outra experiência maravilhosa, três anos morando lá, eu assumi…

Luciano             Recrutando.

Ivan                   … foi fantástico, só que essa fábrica tinha uma característica muito interessante, o governo espanhol incentivou a ida para aquela região, que era uma região onde a indústria era o vinho, tinha também a indústria de estaleiros navais, mas colocar uma fábrica da Ford ali era algo que o governo desejava muito e nós utilizamos incentivos para mecanizar o processo, então essa foi uma das primeiras fábricas da divisão eletrônica onde nós usávamos linha de produção automatizadas, robôs e tinha bem menos funcionárioSs…

Luciano             Isso já é mil novecentos e?

Ivan                   … começou em 89 e eu voltei em 91, então fiquei três anos na Espanha, eu fiquei três no México, três na Espanha, seis anos fora e aí a Ford se juntou com a Volkswagen aqui no Brasil e o motor escolhido era um motor injetado que ia usar o produto que era wic for electronic and control da quarta geração e esse produto ia ser construído no Brasil, na fábrica de Cumbica e aí os caras falaram pô, quem é um cara lá, ele falou não, tem o Ivan lá que trabalhou aqui no passado e tal, ele é o gerente da área de qualidade, eu já tinha cara de manutenção de fábrica lá também, ele falou pô, chama o cara de volta e aí eu voltei para o Brasil como gerente de engenharia para esse produto específico e foi muito legal também, porque eu voltei, aí sim já como gerente dessa área e lançamos o produto aqui, foi o módulo escolhido para Versalhes, para Santana e a gente fez parte desse projeto, foi muito legal. Aí reviravolta na carreira, houve um problema na área comercial, um problema de integridade, pegaram lá algumas coisas que não estavam muito legal e foi feita uma demissão em massa no departamento de compras e o meu chefe na época, Marcos Oliveira, hoje é CEO da Maxion aqui no Brasil, também foi presidente da Ford aqui, me chamou, ele tinha sido também colega, na época de engenharia e foi para o México também, ele me chamou e falou olha Ivan, preciso de um cara lá da minha confiança, preciso que você vá para comprar, falei para ele pô, o que que eu fiz? Você não gosta de mim? Ele falou por quê? Falei pô, compras? Direcionei minha carreira para manufatura. Ele falou não, vai lá, mas me ajuda e depois a gente conversa como é que vai ser. E foi assim que eu botei o pé na área comercial, na área de comprar e me apaixonei tremendamente, porque era uma área que era bacana, mas não tinha os processos que a área de manufatura tinha, então o engenheiro lá chegou e falou processo para isso e para aquilo, como negocia, como tira e como faz, não sei quê e foi super legal, aí…

Luciano             O que é esse espírito? Eu tive uma experiência, minha área era comunicação, eu fui para lá por acaso, uma indústria de autopeças, cheguei lá tipo assim, vou ficar um pouco aqui e meu pouco virou 26 anos e eu entrei lá com a área de marketing e tudo mais, fiquei ali dentro na área de marketing e tive a oportunidade de ser convidado pelo presidente para ir para outra área, o cara chegou para mim e era assim, uma área financeira, alguma coisa desse tipo, me chamou lá na sala, pô você está indo bem, que tal expandir teu horizonte na outra área? E eu virei para ele e falei não. Se você me forçar a barra eu vou embora, porque minha área é marketing, eu sou da área de comunicação e eu quero fazer minha carreira aqui em comunicação e eu não aceitei, abri, isso dificultou muito minha evolução lá dentro porque eu fiquei focado numa área só, ainda mais marketing dentro de indústria de autopeças que é inexistente, fiz uma baita carreira legal lá, mas sempre ficou na minha cabeça que se eu tivesse aberto esse caminho eu teria ampliado. Você pelo jeito não teve dificuldade nenhuma em nenhum momento, o que é que tem que fazer? Dá aqui que eu sou troubleshooter eu vou resolver.

Ivan                   Hoje, quando eu abri aqui o nosso bate papo, você perguntou o que eu era, o troubleshooter, essa ficha me caiu muito tempo depois, eu falei assim pô, qual é o denominador comum da minha carreira? Não são as áreas, que eu trabalhei em muitas áreas, mas eu tinha essa vontade de resolver problemas, superar coisas que não estavam bem, melhorar e tal e esse troço me apaixona, entendeu? Eu sou apaixonado por isso.

Luciano             Não importa o problema, a razão onde está, vou resolver.

Ivan                   E mais uma coisa que eu curti demais, trabalhar com pessoas, então era um negócio que eu falava assim pô, se você fizer um time legal, você faz qualquer coisa e descobri, talvez um pouco antes que a maioria, que o segredo não está em querer fazer tudo, é encontrar gente boa que saiba fazer diversas coisas e montar um time heterogêneo, bacana e bem informado num clima legal de trabalho, eu acho que essa é a grande… o pulo do gato é isso aí.

Luciano             Vamos lá, repete de novo a receita aí, vamos lá, primeiro arrumar gente.

Ivan                   Capacitada e heterogênea, que você, eu quero um cara que olhe para esse lado, eu quero um cara que olhe para o outro lado, eu quero…. é o que hoje se chama diversidade, eu quero um grupo diverso e que não seja vaca de presépio, diga sim, sim, sim. Não, pô, e isso aqui? E aquilo lá? Vamos misturar e bater bola.

Luciano             Você não quer yes sir, yes sir não serve. Eu preciso de contestação. Eu uso até isso muito numa palestra minha para dizer que os melhores caras que eu tive trabalhando comigo eram aqueles que chegavam na reunião e não faziam só sim senhor, mas falavam por quê? Por que isso e por que não aquilo? Por que não desse jeito? E me obrigava a exercitar, eu vou ter que explicar para esses caras sem dar carteirada e ao explicar para eles sem dar carteirada, você já vai sacando, tem uma oportunidade ali, tem outra aqui, isso vai ampliando os horizontes.

Ivan                   É, outra coisa que talvez eu acho que foi um facilitador, é o fato de ter trabalhado na linha de produção me mostrou claramente que todo mundo que está na cadeia produzindo tem valor e esse lance de cumprimentar todo mundo, falar com todo mundo, dar bom dia para todo mundo, quebrar o gelo, mostrar que você é humano, que você tem sentimentos e tal, as pessoas não têm medo de se aproximar de você e a comunicação flui mais rápido, então eu gosto muito de trabalhar com pessoas e sentir o que o outro pensa e ver o que ele fala e experimentar isso, deixar o cara ir sozinho fazer aquele troço e não é clichê, mas realmente elogiar em público e dar os toques em privado, não ao contrário que muita gente às vezes faz, então esse lado aí foi muito legal, mas eu às vezes tive feedbacks muito agressivos também, a idade ajuda a você baixar a bola, o ego fica sob controle e tal, mas eu curti cada momento disso, então fui para a área de compras, depois eu fui para a área de MPandL – Material Planning and Logistics, para os entendedores a gente chama mísero bold place to leave, porque sempre falta material ou sobra material, mas se aprende muito.

Luciano             Ainda mais na indústria automotiva.

Ivan                   É complexo, mas a gente aprende muito, aprende muito e o time lá foi muito legal também, aprendi horrores e nós fizemos muita coisa inovadora naquela época em termos de importação, fizemos um trabalho muito legal com a receita federal, tinha um grupo de inteligência tudo saído do ITA, queriam revolucionar a alfândega e tal e inventamos lá os canais de… canal vermelho, canal verde, entrepostos aduaneiros, foi uma época muito bacana.

Luciano             Milk run?

Ivan                   É o milk run é para pegar o materialzinho. E aí eu virei, na divisão eletrônica, juntou a área de materiais com a área de compras, eu virei diretor de logística, perdão, de suprimentos, diretor de suprimentos e aí eu tinha 34 anos, aí apareceu uma oportunidade de fazer tudo aquilo que a gente criou de consolidadores e tal, numa escala global, porque a Ford tinha mercados emergentes em vários lugares, eu fui convidado para ser o gerente de logística para mercados emergentes e aí eu fui para a Inglaterra, aí fiquei lá dois anos…

Luciano             Então, deixa eu dar uma daquelas outras pausas aqui. A gente passou rapidamente aí pelos anos, começo dos anos 90, a indústria automobilística brasileira, ela tem uma história antes do Collor e depois do Collor, o Collor é um momento de virada ali impressionante, aquela história ali do Brasil só fabrica carroça, o brasileiro só faz carroça, aliás, para quem não sabe da história aqui eu vou dar a dica, Collor ganha a eleição antes de uma posse tira umas férias na Itália, lá na Itália a pessoa vai e dirige uma Ferrari e tudo mais, ele vai dar uma entrevista para um jornalista, antes de assumir e nessa entrevista ele vai falando o que ele pretende fazer, aí ele dá como exemplo a indústria brasileira automotiva e fala pô, no Brasil a gente só fabrica carroça, não tem sentido fabricar esses carros antigos, nós vamos mudar essa história aí e vamos tentar implementar no Brasil o que há de melhor em tecnologia no mundo, só que esse Brasil que ele estava se referindo, era um Brasil que vinha trancado há 40 anos, aqui tinha lei de informática, tinha reserva de mercado, estava tudo enrolado aqui, a gente era um país de trogloditas, não tinha processo de produto, processo que eu quero dizer é tecnologia de produção, nada, a gente era muito antigo aqui e o Collor vem e não faz devagarinho, ele chuta a porta e vira o país de ponta cabeça, porque ele assina dois papéis, acaba do dia para a noite com a reserva de mercado e com a lei da informática e no dia seguinte nós estamos importando computador, carro importando chegando aqui e isso foi um impacto, eu diria que… não sei se alguma indústria sentiu como sentiu a automotiva, eu me lembro que eu fiz um trabalho grande naquela época. Cinco anos depois disso só tinha sobrado a Kombi, o resto tinha mudado tudo no Brasil e quando eu falo mudar, não é que mudou o design do carro, os caras tiraram motor velho, botaram motor novo, os caras mudaram, mudou, injeção eletrônica, ABS, essa loucura toda entrou e nós tivemos que reinventar essa indústria totalmente, então mudou tudo, mudou a forma de reportar, computador chegando, foi uma loucura, isso aconteceu em cinco anos ao longo dos anos 90 ali, que era quando você estava envolvido nessa coisa e uma das coisas legais que você está falando aí, legais, que foi complicada era que de repente essas grandes indústrias começaram a enxergar não mais, não tinha mais a Ford do Brasil, a Ford do México, esse negócio começou a virar um sacão grandão e começaram a ser tomadas decisões para que a gerência desses negócios fosse global, então eu já não teria mais a liberdade que eu tinha de tomar ações no Brasil porque estava atrelado ao processo global e de repente vinha uma ordem lá de fora e eu tinha que adotar essa ordem mesmo que… e fazer ela funcionar no Brasil aí começou a dar rolo para todo lado e de repente você é um cara que assume uma posição de ir lá fora para cagar regra para o mundo inteiro do lado de fora.

Ivan                   Foi muito interessante, eu fiquei dois anos nessa posição na Inglaterra e daí eu fui para a Alemanha, aí eu fui ser o gerente de logística da Ford Europa…

Luciano             Mas na Inglaterra, o que você fez na Inglaterra?

Ivan                   … era para mercados emergentes, aí tinha motor, consolidadores logísticos para enviar produtos, peças para o mundo inteiro sem ter problemas de alfândega e tal, é refinamento do ciclo logístico, para baixar custo, é muito cara a logística.

Luciano             Depois de lá você foi para onde? Para?

Ivan                   Para a Alemanha.

Luciano             Alemanha.

Ivan                   É, ai eu fui ser gerente de logística da Ford Europa.

Luciano             México, EUA, Inglaterra, Espanha, Alemanha.

Ivan                   Rodei.

Luciano             Rodou.

Ivan                   E aí em 1999, após dez anos de expatriado, aí já com duas filhas, eu voltei para o Brasil na posição de diretor de compras da América do Sul da Ford, aí tinha Brasil, Argentina e Venezuela, que infelizmente hoje está nessa situação, mas eram essas três fábricas que a gente comandava e aí tínhamos… foi um período interessante, fiquei muito emocionado porque a Ford ia fazer uma fábrica em Gravataí, no Rio Grande do Sul, mas deu errado.

Luciano             Espera um pouquinho, que essa história é boa, espera um pouquinho, espera um pouquinho.

Ivan                   1999, para vocês entenderem o que estava acontecendo com o mercado no Brasil automotivo, em 1997 a gente tinha explodido a produção aqui, qualquer um que olhasse para o Brasil falava dentro de cinco anos o Brasil vai estar fazendo três milhões de carros por ano, era a bola da vez, o Brasil todas as montadoras olharam para cá e falaram é para aí que a gente vai e de repente dezoito montadoras vieram de uma vez só para o Brasil, começou a entrar dinheiro de todo o lado, aqui estava uma loucura, o mercado automotivo era uma coisa fabulosa no Brasil, até chegar em 1999, quando tem uma crise russa e o mundo desmonta e aquele números do Brasil não eram mais aquilo.. Então de repente começa uma baita discussão, só que já tinha muita coisa colocada aqui, as empresas estavam chegando para cá, alguns importadores estavam se transformando em produtores aqui do Brasil etc. e tal, e começou a se estudar o deslocamento, vai sair desse eixo São Paulo – São Paulo e vamos começar a trabalhar. A Fiat já tinha feito alguma coisa importante lá em Minas Gerais e de repente o Rio Grande do Sul foi a bola da vez. Então GM e Ford olharam para cá, vamos botar as fábricas no Rio Grande do Sul e a Ford chega com um projeto fabuloso que ia revolucionar Gravataí e tromba com um bigodudo, com um bigodudo que era o Olívio Dutra, que estava dirigindo o estado, era o… e olhou para aquilo e falou não, esses caras estão vindo aqui com muita manha, eles não vão pagar imposto e vai lá e fala nada disso, vamos refazer essa negociação inteirinho e voa condições que a Ford simplesmente fala não dá, não vou botar fábrica, a gente não vai fazer aí e o bicho, como todo gaúcho grosso, então não faz e a Ford falou não faço e saiu de lá e foi embora para a Bahia.

Ivan                   Teve muita história de bastidor aí que eu estou sob sigilo até hoje, mas é assim, a Bahia fez o convite à Ford, Antonio Carlos Magalhães e o Cesar Borges que era o governador e a decisão foi tomada de fazer a fábrica da Ford em Camaçari, houve essa história, Camaçari está lá…

Luciano             Bom, quem conheceu Camaçari antes da Ford e depois da Ford, eu fiz isso, estive lá antes e estive depois, aí escrevi texto e tudo mais para contar o que aconteceu com Camaçari por causa da instalação da Ford ali, mudou completamente.

Ivan                   É, maravilhoso. E eu no começo fiquei magoado que não era meu estado, mas eu adoro a Bahia, adoro o povo baiano, aprendi demais lá e…

Luciano             Bom, você chegou aqui nessa bagunça toda, eu dei esse …. porque eu não estou em sigilo eu posso falar, eu dei essa bagunça, que é para as pessoas entenderem que ambiente era esse que você estava girando, quer dizer, era um Brasil completamente diferente, tinha uma expectativa gigantesca, o mercado automobilístico ia explodir, ia ser um negócio louco isso aqui, era uma loucura.

Ivan                   Eu tive a felicidade de trabalhar no lançamento da Eco Sport que foi o carro que revolucionou a indústria também e eu trabalhei na Ford vinte anos. Vou deixar registrado porque eu digo que eu tenho sangue azul, a Ford é uma empresa que me deu muito aprendizado, muita oportunidade, muitos momentos bons, a minha mãe trabalhou lá, meu sogro trabalhou lá, então é assim, a gratidão que eu tenho pela Ford é imensa, eu adoro os produtos, adoro as pessoas, adoro a empresa, e quando chegou no final do lançamento de Camaçari, no ano de 2000, nós tínhamos que levar grande parte do plantel para a Bahia, porque a fábrica estava lá, e muita gente não queria sair de São Paulo…

Luciano             E você era o quê na época?

Ivan                   … eu era diretor de compras da América do Sul e o pessoal, na época meu chefe era o Antônio Maciel Neto, com quem aprendi muita coisa também e ele falou olha, uma hora precisamos ver o que você vai fazer e tal, vem para a Bahia e aí eu falei pô, de novo, tenho que me deslocar e foi oferecido pela última vez um pacote demissional que veio lá dos tempos da Autolatina e o pessoal pô, é agora, ou você abre mão do pacote, assina aqui, porque não dá para ter um pacote desse mais, ou você usa o pacote e eu falei porra, como é que eu vou fazer? Mas eu, em nenhum momento pensei em usar o pacote, mas eu fiquei muito preocupado com as pessoas que trabalhavam comigo, falei pô, esses caras bons que eu tenho, se eles pegarem o pacote eu vou ter que fazer o lançamento dessa fábrica com pessoas mais “juniors” vai ser problemático.

Luciano             Por que foi criado o pacote? Porque já havia tido um baque.

Ivan                   É, na verdade… não, esse pacote foi assim, quando a Ford se separou da Volkswagen nós ficamos sem produto naquela época, muita gente foi trabalhar na Volks e a Ford falou, quem é Ford raiz, pode ficar aqui que nós vamos ter produto, nós vamos sair na frente também e para que vocês não tenham nenhum problema nós garantimos as condições do pacote d separação da Autolatina para sua vida profissional, então você tem direito a esse pacote no futuro e beleza, só que muda tudo, muda as condições, muda os tempos e na época esse pacote demissional era um pacote muito atrativo e o pessoal que queria ir para a Bahia, ou que não queria, falou assim olha, queremos lançar mão do pacote que a gente tem porque não queremos morar na Bahia, a gente entende. Para mim não era problema mudar, porque para quem já tinha sassaricado tudo isso, eu só estava preocupado em perder bons funcionários e aí a minha esposa que é psicóloga perguntou o que você tem? Você está tão preocupado. Eu falei pô, tem esse pacote aí, estou preocupado que o pessoal vai sair, ela falou o que é o pacote? Falei é uma boa condição para sair e tal. E ela falou assim e você, não pode pegar o pacote? Eu falei o quê? Ela falou você. Eu falei não, você está louca, vou sair da Ford? Adoro isso aqui. Ela falou é, mas quanto é que ganha? Eu falei pô…

Luciano             Deixa eu fazer as contas.

Ivan                   … aí eu voltei lá e perguntei para a pessoa, falei olha, se eu, num caso hipotético de pegar o pacote, quanto seria? E veio o número e eu olhei, falei porra, não é possível, mas eu esqueci, eu já tinha 20 anos de casa, então foi um pacote muito legal e eu pensei o seguinte, pô, tenho 40 anos, 20 de Ford, 10 no exterior, com uma grana dessa eu posso fazer…

Luciano             Com esse currículo, porra.

Ivan                   … é eu posso fazer um período sabático, mudar de vida, porque você está bem ali na… eu tinha 40 anos…

Luciano             É, você chegou no “enta”, você chegou no “enta” e começa a complicar.

Ivan                   … com 40 você começa a pensar e tal, e realmente lançar uma montadora daquele porte é um negócio exaustivo e você começa a pensar na família, o tempo que você não fica em casa e tal e eu tomei a decisão de pegar o pacote, foi difícil pra caramba, porque eu amava aquela empresa, amo até hoje, então é assim, é muito duro…

Luciano             Mas eu imagino a surpresa deles quando você chega e fala eu vou pegar o pacote.

Ivan                   … é assim, o mundo corporativo, Luciano, é assim, é aquele jogo de bilhar, o final é conhecido, é bola na caçapa, então você escolhe se vai ser a bola 1 ou a bola 7 e como eu vi aquela situação, um profissional apetitoso para o mercado, com dinheirinho que estava guardado no banco, eu falei assim pô, eu vou escolher o momento de sair e eu não vou me sentir mal, quero sair pela porta da frente, Antônio Maciel foi um cara fantástico e falou eu faria a mesma coisa, bola pra frente, saí. Eu saí da Ford em setembro de 2001…

Luciano             2001.

Ivan                   … nove dias antes de cair “as torre” aí estava todo feliz…

Luciano             Você é muito parecido comigo, quando comparo com a minha, eu também, eu saí da Dana em abril de 2008, seis meses antes de estourar o subprime lá e acabar o mundo outra vez. Espera um pouquinho antes e você dar… você soltou uma coisinha que eu quero explorar um pouquinho mais com você. Você com esse tempo, você virou um ratão corporativo e o ratão que eu digo trafega no ambiente com uma tranquilidade toda. Você virou um ratão coorporativo, sabe como é que é comédia corporativa, sabe como é o jogo, essa foi minha praia também. Esse é o programa que fala de liderança e de empreendedorismo e em alguns momentos a gente fala muito do empreendedorismo interno, intraempreendedorismo, quer dizer, para ser empreendedor eu não tenho necessariamente que ser o dono da minha empresa, eu posso, de repente, ser o empreendedor dentro desse ambiente que você falou da bola na caçapa, você me parece que tinha esse perfil sabe, me dá encrenca, sai da frente que eu vou fazer, então há essa coisa de eu sou dono do jogo, eu vou fazer, vou correr riscos e acho que você correu riscos de montão, se tivesse sido um cara sem risco você não teria viajado esse tempo, não teria sido mandado para todo lado, mas me parece que ficou mais difícil, parece que está um pouco mais complicado, eu encontro muita gente preocupada que sabe, calma, não pode, não dá, eu sou contratado para fazer muita palestra, então eu entro no intestino da organização de empresa e eu vejo o pessoal, todo mundo morrendo de medo de tomar decisão e eu falei será que na minha época eu era assim também? Eu tinha esse pavor de eu assumir a bola, bater na mesa e seguir adiante? Você passou aquele período todo, saiu e depois retornou para o ambiente, como é que você vê essa coisa dessas gerações novas que estão aí, essa coisa do culhão, eu vou tomar a decisão e vou bancar?

Ivan                   Na verdade mudou muito o país também, a gente fala, a gente tem esse hábito de crítica do país e tal, mas pô, eu sou do tempo que uma linha telefônica custava cinco mil dólares…

Luciano             Estava no imposto de renda.

Ivan                   … é, estava no imposto de renda, você tinha que ir numa bolsa de telefone se quisesse trocar, então é assim, talvez por ter vivido um tempo pior, eu estava batendo esse papo com as minhas filhas que também tiveram há pouco tempo dificuldade para conseguir emprego já depois de formadas e tal e eu falava para elas, no meu tempo a decisão era rápida, porque era assim, era parecido com hoje, a gente quer qualidade de vida, mas qualidade de vida na minha época era ter emprego, se você não tivesse emprego você estava ferrado, se você tivesse beleza, então para nós era muito importante estar empregado e aí evoluir, quando eu estava lá dentro, honestamente, Luciano, eu nunca pensei em me dar mal, eu sempre pensei vamos para a frente para colocar, então não sei se eu nasci sem freio ou o quê, mas essa paixão por resolver problema é…

Luciano             Falando em risco, de correr o risco, de de repente estar no teu colo uma decisão arriscada, como é que era? Ou como é que é?

Ivan                   … eu acho assim, eu gasto pouco tempo reclamando e muito tempo resolvendo, eu acho que a energia que você coloca na análise e em fazer o risco, você pode colocar na resolução do problema, então eu sou um cara que acho que tudo tem solução, vamos trabalhar, vamos pegar, vamos fazer, vai ter solução, vamos arrumar, traz o cara certo, vem cá, então assim, missão impossível me fascina, eu curto esse negócio e acho que se você tem esse mindset, a coisa anda.

Luciano             Quer dizer, o risco nunca é uma barreira para te interromper, é para ser suplantada, o risco está aí, que legal, vou passar por ele.

Ivan                   É porque às vezes você olha para trás e fala assim pô, quantos anos você está aí no vidão, 36, quantas vezes você se deu mal fazendo o que você fez? Ah uma ou dias. Então valeu a pena, vamos em frente. Agora pode ser que você vai ser abatido em pleno voo, mas aí é a vida, a gente não sabe se vai estar aqui amanhã, se não vai, tem que tocar o barco e com a mentalidade de vai dar certo, eu vou conseguir e se eu não conseguir tudo eu vou conseguir alguma coisa e tem aquele negócio, se você não… às vezes a gente está sentado num lugar olhando um caminho e falando não dá para chegar lá, mas a gente não tem coragem de ir mais perto e ver que olha, se eu conseguir virar a esquina ali, tem algo novo no contexto que eu não considerava e esse troço vai me levar adiante. Eu fui empreendedor também.

Luciano             Pois é, você sai da Ford…

Ivan                   Saí…

Luciano             … para montar o teu próprio negócio.

Ivan                   … próprio negócio, é…

Luciano             No RH, na área de RH.

Ivan                   … na verdade eram duas áreas, nós montamos uma empresa no setor automobilístico onde a gente fazia montagem de carros especiais para a Ford e também eu tinha essa ilusão de trabalhar com pessoas e eu falei essa é a área onde eu preciso de desenvolver, eu quero aprender a respeito disso e fiz muita pesquisa, fiz curso e aí eu lancei a empresa e essa empresa foi muito legal…

Luciano             Era uma empresa de?

Ivan                   … headhunter

Luciano             Headhunter.

Ivan                   … e também aconselhamento de carreira e eu fiz curso para fazer isso, criei um programa próprio de aconselhamento que é meu xodó e tal e fiz muitos aconselhamentos, atendi muita gente, mais de 400 executivos, fiz muita vaga também, fui muito feliz nesse período, mas eu…

Luciano             Me fala um pouquinho, só uma coisinha antes de você… você sai da empresa com um puta plano legal na cabeça e sete dias depois “os nego” derrubam duas torres nos EUA e o mundo que vinha vindo na direção assim, vira para o lado e começa a caminhar para outro lance e no dia seguinte você já não consegue falar por telefone, teu cliente não liga, você não pode pegar um avião, o mundo acabou e você fala e agora eu estou fora da Ford…

Ivan                   Estou desempregado.

Luciano             … desempregado e o mundo acabou e agora? E agora?

Ivan                   Foi um período difícil, mas percebi que havia mercado para o conhecimento, eu fui convidado para fazer uma consultoria na área de suprimentos, um profissional que eu tenho no mais profundo respeito, foi um parceiro muito legal, ele fornecia motores lá para a Ford, é o Valdei Sanchez…

Luciano             Estava sentado nessa cadeirinha, já gravei com ele o programa.

Ivan                   … Valdei é gente finíssima, a gente descobriu depois de muito tempo de contato que estudamos os dois no CEDOM lá em Santana, as mesmas bases e ele me convidou para fazer uma consultoria e eu fui, aceitei, era na fábrica da Navstar em Canoas e aí eu falei pô, esse troço de consultoria pode ser um troço legal, então eu falei vamos nessa e comecei a me enfronhar por esses meios aí, tinha um grupo de pessoas que trabalhavam na Ford no passado que já estavam empreendendo nessa área, me convidaram para trabalhar junto também, a gente ficou junto dez anos, são amigos queridos.

Luciano             Como é que é acordar segunda feira e não ter mais o sobrenome Ford no teu cartão? Porque olha, você, não é que você estava na Ford, você era o cara de suprimentos da Ford, que é paparicado, incensado, xingado, aquele mundo de fornecedores estão em volta, meu, esse é o cara da Ford e porra, tratado a pão de ló com todo mundo e segunda feira você não é mais o Ivan, é o Ivan que era da Ford, não é mais o Ivan da Ford. Como é que é?

Ivan                   Foi assim, quando eu comuniquei em casa que ia sair da Ford, a minha filha mais velha me escreveu uma carta, dizendo porque eu estava fazendo aquilo, que tudo o que ela conhecia na vida, que ela tinha desfrutado, as viagens internacionais, os lugares que ela morou, que casa que ela morava, tudo isso era graças à Ford e me acendeu uma luz, ela não acha que é graças a mim, ela acha que é graças à Ford. Então assim, mas é normal quando você está na empresa você veste a camisa, você mostra a propaganda, você fala que é legal e tal, mas você perde um pouco a sua identidade e você percebe que você precisa refinar isso aí, você, na verdade, é parte da empresa, mas você não é só isso. Na minha pesquisa na área de aconselhamento profissional eu falava das cinco dimensões. Você tem que primeiro estar vivo, para desfrutar tudo o que esse mundo te oferece e a gente negligencia a saúde pra caramba quando você está nessa tocada; segunda coisa é a dimensão cognitiva, então o trabalho é muito importante, porque você retira dele a grana para poder viver nesse mundão, muito importante também, mas aí tem a dimensão emocional e na emocional não é o amorzinho, é eu gosto de mim? Eu gosto do que eu faço? As coisas que eu faço me dão prazer? Eu tenho que fazer essa reflexão; aí tem a dimensão social, como eu me relaciono com as outras pessoas? E a gente também não presta muita atenção e a última e provavelmente a mais holística de todas e a espiritual, eu chamava de dimensão transcendente, porque cada um tem sua religião e tal, mas como é que você lida com os assuntos que o dinheiro não resolve? Vou por dessa maneira e eu tive essa experiência, aconteceu comigo, a minha esposa teve um câncer de mama e eu me senti alvejado em pleno voo, eu estava me dando bem na vida…

Luciano             Você estava na Ford?

Ivan                   … não, não, eu já estava na minha vida de empreendedor, feliz da vida, estava tudo indo certo e de repente você passa por essa situação e fala meu Deus, pô somos finitos, a gente tem data incerta e falo como é que você enfrenta um negócio desse e se você não tem essa base toda de principalmente fé, então o software do criador é fantástico, ele instala em você e ele vai disparando nas doses certas, nos momentos certos e aí você vai fazendo outras pesquisas e você vai se adaptando, felizmente deu tudo certo, saímos e tal, mas você começa a prestar atenção e dizer assim pô, não é só trabalho, trabalho é importantíssimo, é legal pra caramba, é minha gasolina, mas eu tenho que prestar atenção em outras coisas, então eu não senti esse desacoplamento da Ford, ele aconteceu da empresa física, mas que nem eu te falei, a gratidão é tão grande que eu me sinto parte dos projetos e aí trabalhando na minha empresa de recursos humanos, muito feliz, muito contente, desrupção, Linkedin apareceu e de repente as vagas que eu fazia desapareceram, a prospecção ficou muito mais fácil e a arrecadação ficou muito mais difícil, então eu falei putz…

Luciano             Dois mil e?

Ivan                   … foi 2013…

Luciano             Já 13? Está pertinho.

Ivan                   … começou em 2011 e eu fui sobrevivendo e tal, achei legal, mas eu percebi que a receita começou a cair, eu falei opa, temos que olhar, muito difícil ser empresário no Brasil, custo trabalhista, preocupação quando cai receita, chega décimo terceiro, como eu vou pagar essa turma se a receita está caindo, mas tudo é aprendizado e eu agradeço muito esse período porque hoje eu voltei para o mercado e fui muito bem acolhido…

Luciano             Em 2013 você sacou que talvez uma alternativa seria voltar.

Ivan                   … voltar e aí eu…

Luciano             E não tinha problema… bom, pelo que você falou aqui agora, voltar onde, não interessa aonde.

Ivan                   … vou voltar e eu tive o convite de trabalhar no Grupo Caoa e muito grato por esse convite porque não é todo mundo que dá emprego para uma pessoa de 52 anos…

Luciano             Opa! Caoa é Hyundai

Ivan                   É, na verdade a Caoa é o Grupo Caoa…

Luciano             Que é Hyundai

Ivan                   … Hyundai, Ford, Subaru e agora nós estamos também com, acabamos de adquirir, metade da Chery Brasil.

Luciano             Chery.

Ivan                   Então no Grupo Caoa eu comecei na área de compras, aí depois…

Luciano             2014

Ivan                   … 2014, aí depois o Antonio Maciel me convidou, falou assim olha, que tal a gente fazer uma combinação aí de recursos humanos e compras? Aí eu me surpreendi…

Luciano             O Maciel que foi teu presidente na Ford…

Ivan                   … era o presidente da Caoa…

Luciano             … ele que chamou te chamou na Caoa?

Ivan                   Foi o Mauro Correia, o Maciel, o Mauro era colega da Ford e fizeram o convite, fiquei lisonjeado e feliz porque é assim, se tem uma coisa para uma pessoa que nem eu que é chocante, é ficar sem fazer nada, você fica desesperado, porque você foi treinado para produzir em alta quantidade e o desafio na Caoa foi muito legal, eu assumi…

Luciano             Olha o insight interessante que você está dando aqui, que tem algumas coisas a ver aí, os relacionamentos que você criou quando estava lá na Ford, profissionais e de amizade valeram nesse momento, o teu currículo evidentemente, que se fosse um mané você não teria sido chamado outra vez, mas principalmente você não ter explodido pontes, você não saiu da Ford chutando o pau da barraca, você não fechou, não explodiu ponte nenhuma e a hora… pô o Ivan é um cara do bem, saiu e não tem problema nenhum de a gente chamar ele de novo porque a gente conhece a figura e sabe que não é um maluco que vai sair por aí…

Ivan                   Eu como engenheiro eu gosto de falar eu gosto de falar assim, eu tenho uma personalidade integralista, eu gosto de somar experiências, não diferencialista, não gosto de diminuir e eu sempre sou muito grato a tudo o que me aconteceu, tudo, às vezes as coisas mais difíceis, mas também me ensinaram outros caminhos e a experiência na Caoa é fantástica, eu trabalho com pessoas que trabalharam na Ford, a Caoa é o maior vendedor de Ford da América do Sul, então a Ford de novo está no meu caminho e foi assim uma combinação, talvez muita gente fala pô, mas você é engenheiro e foi trabalhar no RH?  Eu falo olha, se eu não tivesse ido trabalhar no RH nunca iam ter me convidado para fazer essa função de compras com o RH, muita gente pergunta e faz sentido? Claro pô, as duas áreas se apoiam em negociação, negociação sindical, negociação com fornecedores, negociação com funcionários e mais recentemente apareceu a oportunidade de também, de uma reestruturação interna, eu peguei a área de TI e foi aí que a gente fez a área de serviços compartilhados, eu estou me divertindo muito.

Luciano             Para quem é um troubleshooter, juntar TI com RH e compras, meu Deus, só falta botar marketing aí.

Ivan                   Não, não, nós temos um diretor comercial fantástico também, o grupo é muito legal e o relacionamento na Caoa é muito sadio, a gente é um grupo de pessoas onde o ego está sob controle, a gente quer acertar, a gente quer ir além, a gente sonha muito grande e agora com essa aquisição da Chery, nós temos certeza que nós vamos colocar um produto chinês num patamar diferente.

Luciano             Como é que foi a sua transição de sou dono do negócio, tomo as minhas decisões, faço que eu quiser, não presto contas para ninguém, para voltar para um ambiente onde já não é mais assim, você teve algum problema de readaptação, você encontrou, tirando essa parte de cultura da empresa que realmente é diferente, mas eu digo assim, na questão de você agora voltar para um ambiente corporativo grande, você encontrou um ambiente diferente do que era quando você largou há dez anos atrás e quando você olha assim na estrutura dele sabe, essa coisa, eu estou dentro de um time, tem um chefe lá em cima para reportar, você encontrou alguma coisa diferente?

Ivan                   Não, eu fui muito feliz, me encaixei rapidamente, é como se eu voltasse a jogar futebol do mesmo jeito que eu jogava antes…

Luciano             Mais gordinho.

Ivan                   … mais gordinho, mais simpático e tal…

Luciano             Já não dá para ser centro avante brigador, tem que ser o Romário, passa a bola ai.

Ivan                   … mas é assim, o diferencial que eu encontrei na Caoa , é uma empresa de dono, Dr. Carlos Alberto é o dono, ele é um visionário, ele é uma pessoa comprometida, ele ajuda todo dia, ele quer saber tudo, mas ele dá muita liberdade de ação e ele deixa a gente usar o que a gente sabe, então dentro desse ambiente, muita gente me pergunta, pô como é que foi trabalhar na Caoa? Eu falei eu vim aqui, fui recebido, 52 anos, tive oportunidade, estou crescendo na carreira, estou aprendendo uma porção de coisa nova e a empresa só cresce, então a gente está num momento bacana e vou ser muito honesto e vou dizer para você, é muito bom eu não ter que pagar décimo terceiro de funcionário, quando eu era empresário, eu agora recebo décimo terceiro de novo.

Luciano             Você falou uma coisinha aqui antes de a gente começar, você falou para mim, quanto do que eu ganhei eu gastei com processo trabalhista, você trabalhou com muita gente, você contratou muita gente?

Ivan                   Sim, chegamos a ter duzentos funcionários, então, mas é assim, por isso que eu admiro muito o Dr. Carlos, ele tem hoje lá sete mil funcionários, então ele gera empregos aí fácil para 28 mil pessoas direta e não sei quantos mil indireta, é um grupo muito grande e divertido, porque a gente tem desafio todo dia, agora, o ciclo decisório da Caoa é muito mais rápido, porque quando a gente tem que decidir, a gente formula, conversa com o Dr. Carlos e ele é um visionário, ele vai rápido.

Luciano             Vou te dar uma dica olhando de fora, examinando de fora, a gente viu que aconteceu com a indústria automotiva no Brasil nos últimos, sei lá, quatro, cinco anos, foi um… na minha época que estava lá, se tivesse acontecido isso que aconteceu, teria sido terra arrasada, porque a queda foi brutal, foi um negócio terrível, mandaram gente embora que não acaba mais e houve realmente um desmanche aqui no Brasil, elas estão aí, você vê que estão tudo para que lado nós vamos e a Caoa surge de um jeito meio diferente, quer dizer, é uma empresa comercial que vive de vender carro, de repente ela começa em cima de carro importando de montão, então no momento em que o Brasil não sabia direito o que ia ser essa coisa do importado e aí vem um… assina um papel agora ficou caro o importado, agora ficou barato, aquela zona, vai e volta, a Caoa foi se ajeitando ali, de repente bota uma fábrica aqui, começa a fazer aqui no Brasil e ela, olhando de fora, me dá a impressão que ela tem o perfil do que será uma nova montadora, aquele perfil de Wolkswagen, Ford, antigo, não serve mais, não dá mais, aquela verticalização, isso tudo desandou, isso está tudo desmanchando e a Caoa e parece que já surge com um olhar opa, espera um pouquinho, aqui tem “uns vendedor”, não é engenheiro conduzindo uma empresa, não estou nada de depreciativo é vendedor, então para que lado vai? Tem que mudar para lá. Vai lá, vira e vai e essa coisa que você falou da agilidade me parece que é a alma do negócio, então se ela está crescendo e aparecendo e montando é porque acho que tem esse espírito de “vamos resolver? Já.”

Ivan                   É, as fases foram assim, ela comercializava veículos, vendia. Depois ela montou veículos, hoje a gente está desenvolvendo tecnologia, nosso laboratório em Anápolis é fantástico, já estamos desenvolvendo patentes e tal…

Luciano             Vai sair um veículo feito no Brasil?

Ivan                   … quem sabe, sonhar vale a pena e nós estamos olhando sempre para uma, de novo, qual é a tecnologia que a gente precisa? Nós temos o desejo de ser, sem dúvida nenhuma, somos a montadora nacional, a gente quer isso e quer fazer parte do mundo do automóvel e essa associação com a Chery nos coloca em contato com o segmento automotivo que mais cresce no mundo que é a China, a escala chinesa é um negócio…. eles vendem por mês o que nós produzimos num ano e só que estamos trabalhando muito os novos veículos que vem por aí, nu outro patamar de qualidade super bacana, mas voltando aqui em carreira, como eu me sinto? Eu me sinto Ronaldinho fenômeno…

Luciano             Voltando para o Corinthians.

Ivan                   … voltei para o Corinthians e é gol, quero fazer gol, estou barrigudinho e tal, mas quero fazer gol e o time lá é um time de primeira linha, o pessoal é compromissado e muito divertido e o mais legal é que existe um mix muito grande de jovens e pessoas com experiência, então esse amálgama de pessoas está indo muito bem, a gente aprende um com o outro, a energia do jovem, a experiência do que já tem mais horas de voo, a gente combina tudo isso junto e está fazendo história no segmento. Estou muito feliz.

Luciano             Deixa eu ir para o final aqui, quero terminar do jeito que nós começamos aqui. Troubleshooter, olha para trás, para esses… quanto tempo de carreira?

Ivan                   36 anos.

Luciano             36 pô, mas você casou e a carreira junto, casado e carreira ao mesmo tempo, legal. Olha para trás esse tempo todo aí, pensando nessa questão do troubleshooter, passa um recado para a moçada aqui. Então tem um Zezinho nos ouvindo aqui, ele está no busão, está indo para o trabalho no busão, 45 minutos no trabalho, ele está coçando a cabeça, que saco, lá vou eu cheio de plano, ele tem 24 anos, cheio de querer mudar o mundo, mas vai para aquele trabalho pentelho, aquela encheção de saco, ele ganha pouco, ai que inferno. Qual é o recado que um troubleshooter tem para passa para alguém nessa vibe?

Ivan                   Zezinho, primeira coisa, acredita, acredita que vai dar certo que dá certo, primeira coisa. Se esforça ao máximo, não sei o que você faz, mas faz sempre da melhor maneira possível, fala assim eu vou ser especialista, o melhor na minha categoria, eu quero ser o melhor, então acredite nisso. Prepare-se para mudanças, porque elas ocorrem todo o tempo, tenha tesão por mudança e se você ver um problema, abraça, porque é ali que está a oportunidade, eu vejo hoje assim as barreiras estão para ser vencidas e tenha certeza que você vai conseguir. Investir em educação fundamental, eu acho que você mencionou manufatura 4.0, coisas que vão mudar, não tem jeito, a gente tem que se educar e eu tenho 56 anos, o mundo que eu vivo só melhorou, eu sou um pouquinho diferente, eu não acho que o mundo piorou, eu acho que o mundo só melhorou. Novos desafios que exigem novas soluções então vamos atrás, vamos fazer e no final do dia, usa a sua energia par agradecer, não para reclamar, porque nada enche mais o saco que cara que só reclama sem ter proposta de como resolver, então vai lá, você pode até fazer critica e tal, mas coloca a sua energia na solução do problema, não na explicação do problema, Antônio Maciel me ensinou muito isso, eu sou muito grato a ele e eu fiquei pensando, mas é isso aí, não gaste energia explicando porque é que não dá, gaste energia fazendo dar e isso faz toda a diferença. Para as pessoas que pensam assim, a vida sorri, tenho certeza que vai para a frente.

Luciano             Até porque tem gente te observando e esse pessoal que está te observando, ele não está olhando como… ele está olhando tua atitude, fala o cara errou mas olha a atitude do cara, olha como é que é, esse é o cara que eu quero do meu lado, eu não quero pentelho, o cara é muito bom, mas me enche o saco, olha o outro, olha pô, vamos treinar um pouquinho mais, porque habilidade você desenvolve e tudo mais, você treina. Legal.

Ivan                   Isso te faz sentir jovem, essa energia que te transforma e que faz você acordar cedo e no final essa constatação que o trabalho é transformador, então você consegue através das suas habilidades, daquilo que você aprendeu, transformar o mundo num lugar mais bacana e enquanto você está fazendo isso, eu acredito que o Criador está dizendo para você tem lugar para você aí, a hora que você parar ele vai dizer ó cara, vem pra cá, porque a tua missão acabou. Eu quero trabalhar até quando der, porque eu me divirto muito.

Luciano             Você está botando aquela visão de que o trabalho não é castigo, não pode ser castigo, trabalho tem que acordar na segunda feira e falar bicho… eu entrevistei outro dia uma outra pessoa que falou o seguinte, ele vai lançar um livro agora, o livro chama o seguinte “Graças a Deus é segunda feira”, olha só, “Graças a Deus é segunda feira” porque o trabalho não é castigo.

Ivan                   Não, é divertido.

Luciano             Pô muito legal. Já montou teu blog? Já escreveu teu livro?

Ivan                   Já escrevi um livro.

Luciano             Opa, como é que chama o livro?

Ivan                   Eu chamei “Horizontes” porque horizonte depende de cada um e eu fiz um mix, eu gosto de escrever, ainda escrevo algumas coisas, eu fiz um mix entre textos pessoais e textos profissionais, coloquei um do ladinho do outro para causar aí uma reflexão, porque eu acho que a gente não vive meia vida profissional ou pessoal, a gente está lá e é bacana quando a gente consegue colocar as duas numa sintonia interessante, tudo flui bem e mais uma receita aí que você falou que eu esqueci de dizer, bom humor, porque a cara amarrada afasta todo mundo, em casa, no trabalho, espírito elevado, dando risada, sempre ter…. eu acho que a gente tem agradecer, sempre agradecer.

Luciano             Legal. De novo, quem quiser achar teu livro, tem onde achar, você tem página no Face?

Ivan                   Não, é grátis, é um livrinho, é muito modesto, é assim…

Luciano             Sim, mas é um e-book, tem em algum lugar? Dá para baixar de algum lugar?

Ivan                   É um e-book, chama E-book Horizontes.

Luciano             Como é que acha?

Ivan                   Eu passo para você.

Luciano             É?

Ivan                   Passo para você.

Luciano             Então faz o seguinte, se ele passar aqui eu vou botar o link no programa aqui, se você acessar o portalcafebrasilcom.br/lidercast, você vai achar ali dentro, nessa entrevista aqui, vai lá, vai estar toda degravada e vai ter ali um link para baixar seu e-book Horizontes.

Ivan                   É muito singelo, muito humilde, mas é minha vivência, eu sou muito grato por ela, estou dividindo ai com o pessoal.

Luciano             Grande Ivan Witt, muito obrigado pela visita, que bom te encontrar de novo nesse drive todo, você está mais… você está um pouquinho mais gordo e tudo mais, o cabelo é branco, mas está com tesão de fazer acontecer e isso é fantástico e está com cinquenta e?

Ivan                   Seis.

Luciano             Então moçada, você que está com 28 ai, quem tem que estar de mal com o mundo somos nós que somos velhos, você não, você está com tudo para acontecer, espero que chegue no drive que você está e o meu também, eu vou fazer 62.

Ivan                   Garotão. Obrigado mesmo pela oportunidade.

Luciano             Imagina. Um abraço.

 

                                                                                   Transcrição: Mari Camargo

Para download do e-book do Ivan Witt: https://www.dropbox.com/s/oicv415r44xzv1r/Horizonte%20Book.docx?dl=0