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Luciano Pires -

Luciano              Hoje é daqueles que eu gosto de fazer. Como é que foi o de hoje? Eu estava num evento do Murilo Gun, o Murilo me pega com aquela bagunça, você tem que conhecer um cara, vem cá, me puxou, me botou na frente dele e falou esse cara aqui é o máximo, você tem que gravar o LíderCast com ele. A única coisa que eu sei dele é que ele mora aqui perto, então é o LíderCast que eu adoro fazer, aquele que eu posso exercitar a minha curiosidade genuína, sem ter roteiro, sem ter nada, nem tenho ideia do que vai acontecer aqui, então são três as perguntas fundamentais que você não pode errar, porque se não desanda o programa, preste muita atenção. Seu nome, sua idade é o que é que você faz?

Gustavo             Gustavo Succi, minha idade 42 anos e o que eu faço, ajudo as pessoas a serem felizes no trabalho.

Luciano              Pô que interessante, isso é uma missão mais direta que isso não dá para saber, a gente vai querer saber detalhes. Nasceu aonde, Gustavo?

Gustavo             Sou aqui de São Paulo.

Luciano              Paulista mesmo? Da gema?

Gustavo             Paulista da gema, sete filhos em casa, todos somos sete irmãos, tenho um irmão gêmeo, depois um casal de gêmeos, depois meus pais adotaram três filhos.

Luciano              Que legal. Seus pais faziam o quê?

Gustavo             Médicos. Meu pai cirurgião toráxico, minha mãe pediatra.

Luciano              Trabalhando na própria clínica ou trabalhando em…

Gustavo             Eles tem… hoje em dia minha mãe não tem mais a clínica, são professores da UNIFESP, Escola Paulista de Medicina e meu pai opera, tem um consultório, ele opera, minha mãe é especialista em AIDS pediátrica, é uma das maiores especialistas no mundo em AIDS pediátrica, super bacana o trabalho dela.

Luciano              Que legal, vai dar um LíderCast.

Gustavo             Minha mãe vale a pena, tem uma história…

Luciano              Que legal, que bom. O que o Gustavinho queria ser quando crescesse, morando numa casa com dois médicos?

Gustavo             Tudo menos médico. E eu tenho dois irmãos médicos, mas eu não queria, via meus pais trabalhando tanto, trabalhando tanto, estudando sem parar, com pouco tempo, falei não quero isso para mim de jeito nenhum. Outro dia eu estava fazendo esse exercício de tentar lembrar o que eu queria ser quando criança, eu queria de alguma maneira ser feliz e aí, quis ser astronauta, quis ser jogador de futebol, tudo aquilo que criança quer ser….

Luciano              Teve a sua banda, foi crooner da sua banda…

Gustavo             Eu toco cuíca, então a minha banda era uma banda de samba, eu toco cuíca, eu sou cuiqueiro, discípulo do mestre Oswaldinho da Cuíca. Mas aí eu quis… eu fui ser executivo, eu achava lindo. Quando saíram os celulares, eu tinha um cara que era o dono da empresa que eu trabalhava, o cara tinha um celular, ele ficava andando com aquele celular, eu achava tá bonito ele tão ocupado e falando com aquele celular, falei vou ser executivo, quero viajar, ficar viajando e virei executivo, achei uma merda, porque depois de um tempo é vazio pra caramba.

Luciano              Você foi estudar o quê?

Gustavo             Eu fiz quatro faculdades, me formei em apenas uma. Eu fiz faculdade de relações públicas, de direito, de processamento de dados e publicidade, me formei em publicidade…

Luciano              Ao mesmo tempo? Como é que foi isso aí?

Gustavo             … não, duas começaram…

Luciano              Tipo assim começo uma, começo outra não é isso que eu quero…

Gustavo             … duas eu comecei praticamente ao mesmo tempo, relações públicas e direito, só que eu tinha um problema de logística, uma era na ECA aqui e a outra era lá em Franca e aí eu acabei entrando para a área de TI, já fui DBA hora, já fui programador, já fui umas coisas e aí eu fui para fazer processamento de dados, então na faculdade não dá, isso nos primeiros 15 minutos de trabalho como estagiário eu já aprendi o que os caras estavam me ensinando, aí saí e me formei depois que eu casei com a minha primeira mulher, fui casado duas vezes falei vou me formar, me formei trocando fralda do meu filho mais velho na sala da faculdade…

Luciano              Em quê?

Gustavo             … em publicidade…

Luciano              Publicidade.

Gustavo             … aqui na PUC.

Luciano              Isso é que é…. que bom, quando papai e  mamãe nos dão a chance de poder experimentar vontades, você não teve que acertar vou até o fim porque eu não tenho outra chance.

Gustavo             Não. Meus pais souberam respeitar muito a individualidade dos serte filhos. Sem dúvida, isso forma meu caráter e minha visão de mundo, são sete filhos, todos completamente diferentes, cada um faz uma coisa e puderam exercer isso.

Luciano              O que seu irmão gêmeo faz?

Gustavo             Meu irmão gêmeo é cirurgião cardíaco.

Luciano              E os outros irmãos que são gêmeos, o que eles são?

Gustavo             O Fred, meu irmão gêmeo chama Guilherme, o Gui, o Fred ele trabalha na Accenture, ele é formado, se eu não me engano, em economia e marketing e a Camila é médica também, é cardiologista clínica.

Luciano              É fascinante isso, eu estava outro dia conversando com alguém, não me lembro se foi aqui, sobre essa tese  de que você tem dois irmãos gêmeos que estão na mesma família, no mesmo ambiente e sai um diferente do outro, quer dizer, aquela explicação de genética e tudo ela, é duro você encontrar uma justificativa, por que eu saio introvertido, o outro extrovertido, por que um está em humanas, o outro está em exatas?

Gustavo             Agora você sabe que assim, eu tem toda essa história de irmão gêmeo, meu irmão gêmeo é completamente diferente de mim, meu irmão gêmeo… você está me vendo aqui, pessoal não está, mas meu irmão gêmeo é super alto, cabeludo, eu sou careca, é tudo diferente, o jeito de ver a vida. Agora eu lembro de uma situação, eu senti uma conexão, aquelas coisas que falam que irmão gêmeo às vezes tem uma conexão, eu senti uma vez, ele teve um tumor na intramedular e teve que operar, aquele momento eu senti uma conexão com meu irmão, a hora que ele entrou na sala de cirurgia, ficou dez horas na sala de cirurgia, foi um momento na vida que eu falei nossa, eu tenho uma conexão diferente com esse cara, depois passou. Ele saiu bem, ficou tudo certo.

Luciano              … mas então, me fala uma coisa, você está lá tentando achar um caminho, fazendo a faculdade e tudo mais e um belo dia você fala bom, vou ter  que começar a ganhar minha grana porque eu tenho que cuidar de  mim mesmo, como é que começa isso?

Gustavo             É interessante, eu comecei a trabalhar já no primeiro ano da faculdade, lá quando eu estava na ECA, entrei na ECA no final dos 17, 18 anos. Não comecei a trabalhar antes de entrar na faculdade porque eu queria ganhar algum dinheiro, meus pais me cobravam, então você precisa, você mora aqui em casa, as regras são as mesmas, que eles estão certos e falei eu quero ganhar algum dinheiro para poder fazer as coisas sem ter que pedir para os outros, aí eu fui fazer um estágio numa empresa da mãe de uma amiga minha, ela dava curso de leitura dinâmica e penieli, foi super interessante, primeiro poder aprender leitura dinâmica e o primeiro contato aos 17 anos com penieli, não fazia ideia do que era aquilo…

Luciano              Isso é 25 anos atrás.

Gustavo             … 25 anos atrás.

Luciano              25 anos atrás, 25 anos atrás a penieli já tinha mudado de nome, que antes disso, uns 30 anos atrás, era quando começou aqueles cursos 101, 202, que tinha um outro nome, não vou me lembrar o nome que tinha agora, mas era a pré história da PNL,  depois virou penieli, mas era interessante. Programação neurolinguística, para você que não sacou aí.

Gustavo             … e foi muito legal porque entrei nesse mundo e hoje em dia eu tenho a ver com esse mundo de novo, eu saí dele e voltei para ele, mas eu comecei, eu tinha que… eu era estagiário para fazer tudo, vai ao banco, office boy, faz as coisas, organiza e a gente convidava as pessoas para as palestras no Brasil inteiro, fazia a palestra e depois, ao final, quem quisesse aplicava para o curso que podia fazer lá mais um dia, não me lembro exatamente, mas a possibilidade de venda era essa, faz palestra gratuita, divulga, quem entrou depois compra e então eu tinha que fazer os convites, tinha que fazer as coisas, aquele bando de ficha de papel para fazer, para convidar todo mundo, imprimir as coisas, mandar para o correio e o meu pai sempre gostou de computador, então desde antes do TK 85, daquelas  coisas, ele já tinha esse computador em casa e eu aos 10 anos, 11, sei lá, meu pai me botou para fazer curso de programação, de não sei o que lá e aí eu estava lá no escritório eu falei preciso ajudar a organizar isso, cheguei em casa, conversando com meu pai vi um livro de DBase 3 plus, que era um banco de dados e comecei a estudar o DBase para implantar lá na empresa porque eu estava ficando louco e comecei a programar um banco de dados para poder convidar, para poder depois registrar as pessoas…

Luciano              Isso com 19 anos?

Gustavo             … 17 e aí de repente eu vi que a coisa que me dava mais tesão era ficar fazendo isso do que fazer o resto, aí eu organizei todas essas coisas, era fácil, tinha mais um evento, já tinha o mailing pronto, eu já segmentava, já comecei a criar as coisas todas, já saía as listas, já mandava, já imprimia, aí eu comecei a gostar disso e acabei, aí eu entrei na faculdade de RP e acabei indo trabalhar, tinha um primo que tinha uma empresa de TI, fui trabalhar lá e aí que eu aprendi, aí fui aprender Oracle, cheguei tinha uma estante lotada de livro, eu falei por onde eu começo, ele falou por essa estante.

Luciano              É uma coisa. Eu fico imaginando as pessoas estão ouvindo a gente aqui tem gente de todo tipo e tem uma molecada de 23, 24, 22, 27 anos aí que não concebe o que você acabou de falar, como assim? Começar um data base do 0, montar,  estudar um livro para poder entender como é que faz. Essa turma já nasceu numa época em que a coisa mais natural do mundo é estar na frente do computador e está tudo lá dentro, eles não fazem ideia do que era trabalhar pré essa época, como é que era você gerenciar um projeto como esse que você falava aí de convidar pessoas e ter um banco de dados feito na mão, em papel, como é que era isso? Então era um mundo totalmente distinto disso que nós temos hoje e quando a gente fala assim parece uma coisa tão simples, essa transição que você viveu e eu vivi muito mais adulto que você  eu tenho 20 anos de diferença, então o computador foi entrar na minha vida, eu com quase 30 anos, já trabalhando como executivo na empresa, o primeiro computador da área que eu trabalhava eu comprei, era um XP, que eu levei embaixo do braço, botei lá e comecei a fazer catálogo, num page maker, eu mudava a ilustração de lugar e ficava esperando aquela ampulhetinha girar ali numa telinha, é uma coisa impressionante. Essa garotada não sabe o que foi essa transição, então quando a gente começa a falar assim é que a gente consegue dar valor ao que foi aquilo. Mas aí você sacou que a tua área era aquela, podia ir para a área de TI?

Gustavo             Ir para a área de Ti, eu sempre fui um cara da matemática, engraçado, eu sempre me vi como, sempre fui aluno bom de matemática, de exatas,  acabei fazendo faculdade de humanas, mas a hora que eu vi a matemática de novo eu caí na matemática, programação é lógica total, raciocínio estruturado, lógico e fiquei bom pra caramba nisso, rapidinho, moleque, 17 anos, cheio de amor para dar, sem nada na cabeça, entrou tudo.

Luciano              Buraco negro.

Gustavo             Buraco negro, nossa foi uma delícia, eu adorava, ficava horas a fio programando, fazendo programas de 100 mil linhas e não sei o que, adorava e vendo o resultado e era muito legal você ver o resultado imediato, você programava, rodava, você já corrigia, era super bacana e aí eu fui para essa área de TI, só que depois numa dessas coisas de área de TI eu comecei, falei puta merda, eu fui para a Gessy Lever trabalhar…

Luciano              Como executivo.

Gustavo             … como técnico de informática, eu fui como DBA, como…

Luciano              Aí conhecendo a comédia corporativa então pela primeira vez.

Gustavo             … pela primeira vez e eu cheguei e assim, eu tinha feito um trabalho no Unibanco, para a empresa onde eu trabalhava, de instalação de novo sistema de gerenciamento, um trabalho lindo, bonito, complexo assim, cheguei lá na Gessy Lever, tinha um amigo que trabalhava lá, ele falou vamos trabalhar lá, eu já fiquei meio assim, imagina, ia de fretado para a empresa, falei bom, vou de fretado também, minha vida começou a ficar chata, mas tudo bem, cheguei lá, um desafio grande, o salário era muito maior, eu tinha, sei lá, o salário era muito maior do que eu imaginava ganhar e eu falei vou, eu topo. Tinha que chegar oito horas da manhã, batia cartão, meio dia batia cartão, uma hora batia cartão, cinco horas batia cartão e eu cheio de amor para dar, eu queria fazer as coisas o pessoal falou não, não precisa, está funcionando, aí ei fiquei um fim de semana, peguei informação, fiz todo um projeto que eu vi que dava para melhorar a performance lá do sistema dos caras em um monte e apresentei um projeto na segunda feira, chamei as pessoas, pensei em fazer isso aqui, o que vocês acham? Apresentei para os meus pares ali, os caras olharam para mim, vamos pensar. Depois do almoço chamaram o chefe lá do departamento, o cara me chamou numa sala e falou assim menino, onde você acha que você está? As coisas não estão funcionando? Você quer dar mais trabalho para a gente? Então não enche o saco, você conseguiu um belo emprego, aqui você pode ter uma carreira bonita, não atrapalha. Falei tá bom, naquele dia eu chegava no escritório os caras me passavam o que tinha que fazer, em meia hora eu tinha feito tudo, eu ia para o banheiro dormir, punha alarme no relógio, porque não tinha celular nessa época, punha alarme no relógio, dormia no banheiro, eu dormia para passar o tempo.

Luciano              E aí você com 19, 20 anos é apresentado para aquela coisa profundamente decepcionante que é, eu imaginava que era diferente.

Gustavo             Para mim foi frustrante pra cacete, falei meu… e eu fiquei três meses na Gessy Lever, porque nesse ínterim eu tinha um amigo, começou a trabalhar numa empresa de… meu amigo começou a trabalhar numa empresa de multimídia, lembra daquela época, começar a fazer CDroom, ele tinha ficado um ano nos EUA fazendo um curso da Erector e tudo mais e ele foi trabalhar uma empresa que fazia CDroom, multimídia e era perto lá da Gessy Lever e eu saía à noite e ia para a empresa que ele estava trabalhando, eu era um bom programador, aí ele tinha umas questões de programação, ele é um cara brilhante mas naquela época ele não conhecia muito raciocínio de programação e eu conhecia, então eu cheguei, de novo os livros, cheguei lá falei puta, preciso aprender isso, me dá os livros aí, aí sentei, comecei a pegar os livros, comecei a programar com ele e eu sai às cinco da tarde, passava na casa  do meu amigo que morava ali perto, tomava um banho de piscina, ia para a empresa do cara, ficava até de manhã na empresa do cara, saía direto para a Gessy Lever de novo.

Luciano              Num lugar você estava trabalhando para ganhar uma graninha e no outro pelo tesão de fazer acontecer.

Gustavo             Até que um dia eu cheguei lá o dono da empresa apareceu de manhã, eu ainda estava lá, ele falou quem é você? Eu falei sou amigo do cara aqui. O que você está fazendo? Estou aqui ajudando a programar. Ele falou legal, você não quer trabalhar aqui? Falei não sei. Falei quanto você paga. Ele falou, eu não me lembro quanto eu ganhava, mas era assim, menos de 50% do  que eu ganhava, menos da metade. Falei eu quero, eu fui trabalhar. A hora que eu cheguei em casa e falei que eu estava saindo da Gessy Lever para ganhar menos da metade numa empresa, uma startup, a gente nem chamava de startup, isso foi em 1996. Ele falou você está no emprego, falei puta pai, tudo o que eu não quero é aquilo, eu não quero essa pretensa estabilidade, eu quero ser feliz, o tesão que eu estou para fazer o negócio… e entrei e foi uma experiência interessante ali nessa empresa, fui muito legal, foi uma das primeiras agências de internet do Brasil e…

Luciano              Como é que chamava?

Gustavo             … Totem…

Luciano              Totem.

Gustavo             … porque era uma empresa que trabalhava com multimídia e com rede, fazia cabeamento e dotação de sistema de rede Novel, puta não, mas BBS não, mas para redes corporativas, botar a rede nas empresas, rede mais multimídia, internet e estava nascendo a internet, eu lembro de fazer as primeiras programações HTML, comecei a construir os protocolos para se programar as coisas lá e foi interessante que de repente eu estava vendendo as coisas para os clientes, vendendo página, a gente vendia por página, quantas páginas seu site? 10? É 200 reais cada página, 2  mil reais o site. Era assim que se vendia e aí eu estava vendendo para os clientes, aí eu comecei a sacar ideias de negócio, de repente eu vi que eu estava mais no negócio do que na programação e isso estava me dando muito mais tesão, a relação  com as pessoas e como eu apaixonado pelo que eu fazia, eu vendia qualquer coisa, quando você está apaixonado você vende qualquer coisa.

Luciano              Olho no olho é irresistível.

Gustavo             É irresistível. E aí eu, puta, a empresa cresceu, eu entrei acho que eram quatro pessoas, aí já estavam mais de cem pessoas e aí eu virei diretor de novos negócios, nossa eu lembro do meu primeiro cartão de diretor da  empresa,  nossa…

Luciano              Você já tinha uma equipe? Você estava comandando uma equipe? Quando foi o momento em que você recebeu essa missão de começar a comandar pessoas?

Gustavo             A hora que precisou, vendi mais, precisamos de gente. Então beleza, Gustavo contrata aí e monta sua equipe, foi assim.

Luciano              Que idade você tinha?

Gustavo             21 eu acho.

Luciano              Sem nenhuma experiência em mandar em ninguém.

Gustavo             Nenhuma.

Luciano              Se eu disser para você que 118% das pessoas que sentam nessa cadeira para conversar comigo dizem a mesma coisa você acredita?

Gustavo             Acredito.

Luciano              Você foi treinado para isso? Não. No mundo onde só se discute liderança, só se lê liderança, só se escreve liderança, só tem curso, workshop e liderança, eu pego uma pessoa que exerce liderança e pergunto: alguém te treinou? A pessoa diz não. Como é que foi a primeira vez? Sei lá, sentei na frente do cara e saí fazendo.

Gustavo             É isso mesmo, vamos juntos? E foi, eu não sei, nunca tive equipe, mas vamos construir junto, vamos fazer o trem aí funcionar. Brilho no olho, é por isso que as pessoas precisam estar felizes trabalhando, é por isso que hoje eu faço o que eu faço, isso muda jogo, esse tesão, esse brilho no olho e nessa empresa, além de eu ter ido para a área de negócios que foi muito importante na minha vida, me apropriar dessa minha competência de negócio, eu aprendi também como não se deve gerir uma equipe, como não se deve ser líder. Eu lembro o dia que eu estava lá e dei uma bronca em todo mundo, tinha umas vinte, trinta pessoas na minha equipe direta, eu levantei, aqueles conselhos que fazem hoje, a gente já tinha lá atrás, de empresa sem aprender, sem porra nenhuma com um autorama no meio, autorama, se não tivesse falado a idade eu entreguei. Eu dei uma puta de uma bronca, vocês são burros… o dono da empresa me chamou de lado e falou muito bem, agora você é um diretor de verdade, falei hum, tem alguma coisa errada aqui e tem alguma coisa errada porque isso me deu prazer…

Luciano              O esporro deu prazer?

Gustavo             É, e o cara reconheceu, eu não admirava o cara, então eu falei eu estou me tornando alguma coisa que eu não… estou me tornando aquilo e com esse cara eu tenho uma experiência muito interessante que eu conto em alguns lugares também, que esse cara um dia virou para mim e falou assim é, porque você é burro. Falei opa, nesse dia eu falei não, burro não. Olha, se eu sou burro e você me contratou e me mantem na equipe, quem é mais burro aqui? Eu não vou admitir que você me chame de burro. O cara olhou assim para mim, acho que ele nunca esperava uma reposta assim, nunca mais me chamou de burro e me promoveu, aí eu virei vice presidente da empresa, daí cartãozinho de vice-presidente…

Luciano              Com vinte e?

Gustavo             … dois anos. Sei lá. Vice-presidente da empresa, adorei, imagina, saía distribuindo cartão, saia na balada, você quer falar comigo? De desenvolvimento de negócios, o cara mais importante que eu conheço. Não ganhava dinheiro porra nenhuma, era aqueles lugares que salário de fome, que vende alegria de você trabalhar lá, trata todo mundo mal. Interessante, hoje eu vejo as pessoas que passaram pela minha equipe e passaram pelas equipes dos outros diretores que estavam lá, são pessoas brilhantes, alguns são amigos meus até hoje, todos tiveram uma carreira meteórica, com muito sucesso, eu olho como liderança é fundamental, o cara quebrou a empresa, claro, se você não trabalha direito as pessoas,, você quebra sua empresa, não adianta,  isso fui uma lição muito legal, mas eu entrei para o mundo corporativo, dessa empresa eu saí, fui trabalhar, fui montar a minha empresa…

Luciano              Ah, esse é um outro ponto importante então, eu quero investigar um pouquinho esse bichinho do empreendedorismo se estava latente dentro de você, porque uma coisa é você pô estou aqui como… eu estava até pensando aqui, vice-presidente de desenvolvimento de negócios, hoje é equivalente, seria equivalente ao C… como é que é? New business development officer CNBDO.

Gustavo             Pô, vou botar isso no Linkedin.

Luciano              Põe lá, CNBDO e aí você fala estou aqui nesse nível, daqui eu pulo para uma empresa maior e outra coisa é falar não, a estradinha do corporativo, eu vou sair para outro lado e vou me tornar um empreendedor que é outro animal, totalmente diferente, é um peixe de água doce, peixe de água salgada, é quase isso.

Gustavo             O que aconteceu? Nunca elaborei muito isso, vou elaborar com você, o que aconteceu? Primeiro eu sempre tive o bicho do empreendedorismo, na hora que eu largo um emprego estável, estável o cacete, mas assim que eu largo aquilo lá para ir para um negócio, é só empreender, é curiosidade, é o querer fazer o novo, querer fazer diferente, querer deixar uma marca no mundo…

Luciano              Se bem que aos 19 anos isso aí não é mérito nenhum, com 19 eu quero que o mundo…

Gustavo             Você não “tá nem aí’. Teve uma época na minha vida, um pouco antes disso, que eu trabalhava, juntava dinheiro e parava, ficava uns meses parado, para torrar dinheiro, viajava, torrando. Ah está acabando, voltava para trabalhar, passei meses lá em Jericoacoara, aí falei preciso arrumar um trabalho, não tem o que trabalhar aqui. Bom, mas aí eu falei eu quero e eu tinha uma série de propostas porque a gente atendia só empresas muito grandes, multinacionais e eu comecei a ter, quando eu decidi sair você começa a falar para as pessoas e começou, poxa Gustavo, vem para cá, você pode assumir um cargo de diretor disso, você pode vir não sei o que lá, algo me incomodava profundamente em fazer isso e aí eu acabei indo para uma oportunidade com um outro primo meu, já mais velho que tinha uma empresa de TI, estava querendo montar um novo negócio na área de internet, de não sei  o que lá e era meu expertise e aí eu falei para ele beleza, vamos montar junto e aí montei a primeira empesa.

Luciano              Você fazia ideia do que era ser dono de uma empresa própria nessa época? Você tinha ideia de todos os… ?

Gustavo             Menor ideia, menor ideia, talvez…

Luciano              Vamos fazer.

Gustavo             … é, talvez porque tenha feito…

Luciano              Planos de negócio.

Gustavo             … tinha nada e o meu primo é um cara muito estruturado, então ele falou vamos fazer um plano de negócio, eu falei pode fazer, o que você quer? Eu sei o seguinte: nós precisamos vender e entregar e nessa ordem. Então não adianta você ter uma ideia maravilhosa, mas ninguém compra, não serve para nada. A minha cabeça já tinha virado uma cabeça de um cara de negócios, de vendas, eu falava preciso vender, se eu não vender não adianta, você tem um produto maravilhoso, ninguém compra… E aí eu comecei a vender, comecei a vender projetos e fazer aceleração de negócios, fui atrás de fundo de investimento para conversar, só que passou um ano e aí estourou a bolha…

Luciano              2008

Gustavo             2000

Luciano              2000, a bolha da internet, tá.

Gustavo             … a bolha da internet, 2000, sumiu o dinheiro, não tinha  o que fazer. Foi a primeira quebra de empresa que eu fiz, quebrei a empresa, não tinha o que fazer, eu não estava fundeado, se estivesse ia quebrar, o que foi bom, não estava fundeado, porque também não fiquei com dívida nenhuma e quebrou e ele tinha uma empresa de TI e além dessa, aí ele teve uma situação lá dentro da empresa dele que precisou mandar embora um monte de gente, aquela velha história, os caras trabalham na empresa, falam poxa, como um cara desse consegue ganhar dinheiro, eu também posso, então vou fazer um outra igual aqui lado e roubaram o código de produtos dele para montar outra empresa, daí manda todo mundo embora e me chamou para assumir a área de TI, falei ah, vou assumir a área de TI da sua empresa, eu era um cara de TI, conhecia bastante, passei a assumir a área de TI da empresa, comecei a reconstruir, aí eu já sabia um pouco mais de liderança, mas a minha liderança sempre foi muito “intuicional” eu sei que se as pessoas estiverem felizes, elas vão trabalhar bem, eu tenho que contratar pessoas inteligentes e promover um ambiente onde as coisas rolem e aí as coisas vão, é o que eu acredito até hoje e contratei, comecei a montar só que passou três meses eu falei não, eu preciso montar um negócio, aí propus para ele montar uma distribuidora de software, aí peguei umas empresas que eu já conhecia, trouxe para o Brasil falei vou fazer, pedi um fundo para um funding para ele, ele deu, falei vou… quero 50% da empresa, você dá esse dinheiro por 50% mais a estrutura que você me permite aqui já sair funcionando, te devolvo esse dinheiro em doze meses. Em três meses já tinha devolvido  o dinheiro e aí… aí foi, eu fiquei dez, doze anos com ele nisso daí.

Luciano              E aí, vamos chegar onde você está hoje.

Gustavo             Aí bom, saí dessa empresa, vendi a minha participação nessa empresa, falei por quê? Porque eu já sentia que na escala de impacto não estava a melhor do mundo, era uma empresa super legal, a empresa existe até hoje, estava lá naqueles great place work anos entre as melhores empresas para se trabalhar no Brasil em TELECOM…

Luciano              Qual é o nome da empresa?

Gustavo             … Disoft…

Luciano              Disoft.

Gustavo             … porque ela, de uns anos para lá ela já tinha entendido que a questão era ter uma gestão humanizada mesmo, ah porque achamos bonito? Não, por causa da dor, a empresa está chata, esse meu sócio estava infeliz tocando o negócio, ganha dinheiro, mas puta peso, tocar o negócio, você desconfia das pessoas, as pessoas te traem, a visão, o mundo real não é bem assim, mas é o que a gente tem quando está tocando o negócio, essa dor. E aí ele foi fazer uns cursos, entendeu, conheceu um cara muito interessante, chama Roberto Tranjan, não sei se você conhece…

Luciano              Já esteve nessa sua cadeira fazendo um LíderCast, vou trazer ele de novo aqui porque a gente não esgotou o assunto, a gente entrou de leve na metanoia e não foi fundo, mas eu vou voltar com ele aqui para fazer.

Gustavo             Eu fiz a metanoia, eu sou o dito metanoico, fiz a metanóia, foi mind blowing para mim…

Luciano              Em que ano foi isso?

Gustavo             2006, 2007, não sei, não me lembro.

Luciano              Se você está curioso para saber o que é metanoia, procure aí o LíderCast com o Roberto Tranjan, ele explica direitinho o que é lá. Você falou um negócio aí que eu não quero perder, vou esquecer lá na frente, o que é escala de impacto?

Gustavo             É… hoje uma das coisas que orienta a minha vida, escala de impacto. Escala de impacto é o quanto você consegue, eu falo em termos de negócio, mas o quanto você consegue que o seu negócio impacta o mundo para se tornar melhor, para mm é a principal discussão da empresa, eu hoje sou mentor executivo, sou conselheiro de empresas e um dos conselhos que eu faço parte, quanto você está atingindo do seu propósito e qual é a escala de impacto, se você ainda não sabe qual a escala de impacto do seu propósito, as primeiras coisas a serem definidas e eu acompanho isso antes de olhar o DRE, nas reuniões de conselho, porque é isso que interessa, decisão de negócio, precisamos abrir, precisamos fazer, para onde que eu vou? O que nos leva mais próximo da escala de impacto que a gente quer chegar, você tem que ter escala de impacto. Empresas dessa dita nova economia, empresas for benefit, empresas game changers e etc, são empresas que têm clareza da escala de impacto que elas querem promover no mundo.

Luciano              De quanto além do lucro financeiro que faz um negócio existir, elas vão ter, elas vão poder contabilizar, fora do lucro financeiro em termos de impacto que elas causam na sociedade, é isso?

Gustavo             É isso. O lucro financeiro ele é fundamental, porque se não você não consegue reger sua escala, você não existe, e você eu quero atingir um milhão de pessoas, se eu não tenho dinheiro para poder atingir as pessoas eu não atinjo, então não é dinheiro a qualquer custo, bom, como  é que eu cheguei nisso tudo que eu estou falando? Eu saio dessa empresa, montei outra empresa de alimentos e gastronomia, com dois outros sócios, que o propósito da empresa era mudar a consciência de consumo através da gastronomia e foi uma empresa bacana, a gente ajudava pequenos produtores a criar produtos, a colocar no mercado, então entrei num mundo completamente diferente de varejo, de ICMS, primeira vez que me perguntaram o que é ST, ST é substituição tributária, falei não, não faço ideia do que é, até foi o Marcos Suplicy, da rede Suplicy de cafés, ele falou você tem ST? Falei não tenho a menor ideia do que é. Foi super interessante, fizemos um projeto muito bacana, muito bonito, depois saí desse projeto também, foi aí que eu entendi, escala de impacto, falei não estou infeliz no trabalho, mas eu sinto que eu não estou dando a minha melhor contribuição para o mundo, é uma sacanagem você não dar  a sua melhor contribuição para o mundo, no mínimo é egoísta você não dará sua melhor contribuição para o mundo e isso começou, esse meu olhar assim, começou quando o Pedro, eu tenho dois filhos, o Pedro e o Rafa, o Pedro tem 13, o Rafa tem 10, quando o Pedro nasceu, até esses dias eu postei no meu Instagran o vídeo que eu fiz na sala de parto dele, na ante sala de parto, onde eu desejo que ele seja honesto consigo mesmo, sabe quando você vai dar um gift para o seu filho? Tipo as fadinhas da Cinderela, eu falei eu quero que você seja honesto consigo mesmo, claro, eu sentia que eu não estava sendo honesto comigo na minha vida, só que quando eu falei isso, ele nasceu, quando eu cheguei em casa falei puta…

Luciano              Walk the talk, que é que eu estou fazendo?

Gustavo             … walk the talk, como é que eu posso mostrar como é que eu quero que meu filho seja se eu não sou? Isso mudou minha vida, isso faz 13 anos, eu sou outra pessoa de 13 anos para cá em diversos sentidos, eu revi todas as relações, acabei até, depois de um tempo, me separando da mãe deles, virei vegetariano, vendi minha empresa, estou nesse processo sempre, tem uma pergunta que eu sempre faço: estou agindo por crença ou por conveniência? E busco orientar minha vida em cima disso e aí…

Luciano              Tem tudo a ver com o legado, com o teu legado. Eu tenho até uma tese interessante do legado, eu estou fazendo agora, estou terminando de fazer o sumário, no mês que vem, vai sair no Café Brasil Premium, que chama-se Lifestorming. Um dos caras fala dessa coisa, você tem o brainstorm, ele fala do lifestorming, chacoalhar sua vida, fazer um turbilhão de ideias da tua vida para dar sentido à tua vida e tem um momento que ele faça um negócio muito legal com essa relação de legado que ele fala o seguinte: as pessoas tendem a imaginar que o legado é aquilo que acontece depois que você morre, morri, o que é que sobrou e ele diz o seguinte, não, o teu legado você constrói a cada minuto, você está construindo ele agora, nesse momento aqui, então não vou esperar morrer para o legado estar aí, o legado é agora. Ele falou, e a coisa mais importante do legado é o seguinte, qualquer pessoa pode assinar um cheque, qualquer pessoa pode doar dinheiro e ele falou e legado não tem nada a ver com isso, legado é o que fica depois que você doou ou entregou alguma coisa, você fez uma atitude qualquer para alguém, deixou, o que sobra depois da atitude, ficou alguma coisa ou simplesmente foi uma ação benemérita que você fez ali e acabou e aquilo é uma loucura, porque quando você começa a examinar fala o que é que eu estou fazendo para que reste alguma coisa depois da minha ação efetiva, que não é só ir lá e ajudar uma pessoa e aí ele conclui, fala, a coisa mais valiosa que você tem para fazer um benefício para trabalhar com seu legado é uma coisa chamada tempo de vida e quando você escolhe onde você vai botar o teu tempo, você está dizendo para as pessoas quais são as prioridades da tua vida. Aí eu até fiz um apanhado ali, eu falo eu vou contar uma história aqui que eu falo as pessoas vêm me visitar, tem um monte de ouvinte que pede para vir aqui me visitar, eu recebo todo mundo, bato um papo com  os caras e todos eles, quando termino, me agradecem da mesma forma, eu não peço para ninguém, eles falam muito obrigado por você ter dado esse tempo para falar comigo, eles não agradecem ah eu visitei o estúdio, eles falam a coisa mais importante aqui foi você ter parado a tua vida e entregue para mim 20, 30, 40, uma hora que foi aqui e aí você vê, olha que importância tem essa coisa do tempo.

Gustavo             É verdade. O legado é uma coisa… ah eu quero deixar um legado, quero construir um legado, é como uma cultura dentro da sua empresa, ele existe, se você vai conseguir definir escolher o seu legado, é você que sabe, você vai deixar  algum, você vai, qual que é, você tem que escolher e se você quer escolher o seu legado, legado para mim, uma das definições que legado que eu acho bacana, legado é o seu propósito realizado, então se você tem…. se você não tem clareza de qual é o seu propósito, você não tem clareza de qual o legado que você vai deixar, então se você quer… você precisa entender qual é esse propósito para você realizar esse legado e essa história de propósito, empresa, não sei o que lá, agora está ficando batido e chato…

Luciano              Vira moda, isso é uma merda. Olha aqui, eu estou no mercado… eu fiquei 26 anos em empresa, eu entrei no mundo corporativo em 1982 e fiquei até a cabeça no mundo corporativo até 2008, eu era executivo  d terno e gravata lá dentro e passei  por todas as fases, inclusive aquela fase da visão, missão, etc e tal que é o avô do propósito, tudo que se discute de propósito começou lá atrás, faziam plaquinha, põe na parede, minha missão e há um determinado momento que essa coisa, ela sai de um nicho onde ele é novidade, você começa a usar aquilo como uma ferramenta legal, se populariza e vira isso que está aí hoje, quer dizer, todo mundo fala  nisso, virou moda, cai no popular e aí perde toda a essência e vira uma modinha, vira modinha.

Gustavo             Você falou do Murilo Gun, o Murilo fala dessa história de autoajuda, que as pessoas ficam até… você fala autoajuda você ouriça, autoajuda é muito bem vinda, porra é a melhor ajuda que você pode ter…

Luciano              Deixa eu te dar um dado aqui nesse material que eu estou terminando aqui agora, chega um momento que os caras botam um subtítulo no livro lá que é assim: “O seu melhor eu”, eu botei o subtítulo ali, falei deixa eu dar uma pausa aqui agora, quando eu li isso aqui eu fiquei invocadíssimo porque isso aí tem rabo, orelha, focinho de auto ajuda e quando você olha para essa coisa você fala meu, que coisa horrível, aí eu saquei que eu estava lendo um livro escrito por dois norte americanos, um país onde auto ajuda é uma indústria que vai, este ano de 2017, gerar 11 bilhões de dólares prevê crescer 5.5% este ano e só em livros são 800 milhões de dólares por ano, esses caras não brincam lá, eu falei, então deixa eu calar a minha boca e tirar da minha cabeça essa ideia brasileira que tem, de que autoajuda é ser esculhambação e aprender com os caras que sabem lá, os caras transformaram isso num negócio sério e fundamental.

Gustavo             E é sério e fundamental, então com o propósito, o propósito é muito sério, empresa que não tem clareza de qual é o impacto que ela quer causar e qual é a escala de impacto que ela quer causar, puta, uma empresa que pode ganhar dinheiro, quantos empreendedores você conhece que ganham uma puta grana e estão infelizes? Um monte, para não dizer a maioria, é a coisa mais comum. Eu acabei ficando uma pessoa conhecida pelo assunto propósito dentro dos negócios, então as pessoas me procuram assim infelizes e não é is not about money.

Luciano              Como é que você chegou então, quando deu aquele estalo em você, treze anos atrás que você falou eu preciso buscar esse caminho, você procurou o quê? Você falou eu tenho que mudar alguma coisa.

Gustavo             Meditação, eu fui meditar, eu comecei a conhecer…

Luciano              Um pouquinho antes disso aí, você estava falando para mim das ações táticas, volta na estratégia ali, você bate o olho e fala tem alguma coisa errada na minha vida, eu preciso mudar. O que você buscar, tipo assim, onde é que está a orientação, para que lado eu tenho que ir, quando você falou da metanoia, por exemplo, tem um guru que chega para você e fala olha esse caminho aqui, é por aqui que tem que ir.

Gustavo             Eu conheci a metanoia depois, um pouco depois disso, não, não tive um guru, uma pena, porque teria encurtado o caminho brutalmente, eu levei dez anos para entender o que eu queria fazer da minha vida, mas teria super encurtado, ah foi, sei lá, nem sei te dizer, foi no…

Luciano              Você começou experimentando.

Gustavo             … comecei experimentando, eu comecei de uma maneira interessante até falar disso porque eu me aproprio disso, fazendo como eu faço as coisas até hoje, falo o que está perto? Então tá bom, no  dia depois eu fui fazer, uma semana que meu filho tinha nascido, eu chamei o meu sócio em casa, lembro da gente conversando, eu trocando fralda do Pê e falei olha, eu não estou satisfeito, eu não estou conseguindo tocar a empresa do jeito que eu quero, eu não estou fazendo não sei o quê, a gente está na sociedade, estamos ganhando dinheiro mas não estou satisfeito, não sei, não estou feliz com isso. Eu comecei a ir, comecei no que estava perto, aí comecei a resolver relação com alguns amigos, coisas que tinham ficado para trás, eu preciso ser honesto, eu não vou… aí você vai um pouco até para o extremo, eu não vou aceitar nada que eu não queira, comecei a ir, depois aí nesse processo eu acabei… aí sim, conhecendo, fui fazer terapia, fui conhecendo mais de subir ou ganho em meditação, ai eu…

Luciano              Você foi buscar outras referências. É complicado, você fazer uma mudança na tua vida, uma mudança de hábitos dentro de um grupo onde todo mundo tem o mesmo hábito que você,  esquece, tem que começar com esse rompimento, como é que… eu tenho  que mudar, espera aí, eu quero mudar, eu tenho que  sair desse ambiente aqui porque eu vou ser influenciado por tudo que está em volta de mim, então a primeira mudança é essa  aí, vou buscar outras fontes, quando você fala eu trago a yoga, o que ela me trouxe? É uma outra referência, outro tipo de lidar com o corpo, outro modo, outros inputs, não é?

Gustavo             E foi super importante para mim o entendimento do que é filosofia que houve atrás, hoje não pratico mais, pratiquei doze anos, comecei um pouco antes do Pê nascer a praticar yoga como um desafio do corpo que é fortíssimo e sempre gostei de esportes e desafio, e fui fazer, mas aí comecei a olhar para o outro lado dela e ela começou a trazer, uma coisa importante para mim agora, falando aqui com você, que eu percebo, foi eu ter me tornado vegetariano, porque eu me tornar vegetariano provocou uma ruptura no status quo, todo mundo come carne, hoje em dia é mais comum, ainda bem, as pessoas serem vegetarianas, veganas e tal, mas pô, eu lembro o dia que eu tomei a decisão de virar vegetariano, eu não sabia o que eu ia comer no dia seguinte, eu era casado com a mãe dos meninos, ela é mineira, eu fui no fim de semana seguinte para a casa da mãe dela, aí no meio, a hora que eu estava indo ou um pouco antes de eu ir, um dia antes, eu falei olha, eu não como mais carne, virei vegetariano…

Luciano              Você falou para ela, para a tua esposa?

Gustavo             Falei para a mãe dela, não.

Luciano              Ah, para a mãe dela

Gustavo             A minha esposa, ela tinha que saber. Para a mãe dela porque ela ia fazer uma, sei lá, acho que era um negócio chamado feijão balanceado, mineiro e aí ela falou ai caramba, está bom, cheguei lá ela tinha feito um peixe e foi uma ruptura, mas é legal que essa ruptura, olhando agora pelo que você falou da ruptura, ela me colocou, me permitiu já me colocar em outro lugar e a hora que eu me coloquei em outro lugar eu pude olhar diferente as coisas e aí promovi um monte de mudança. Aí foi um monte de mudança, até hoje, eu sempre tenho esse olhar crítico da onde que eu estou agindo, o que eu estou fazendo que está conectado com o que eu quero fazer e rever isso, porque você quer mudar também.

Luciano              Como é que você transformou isso num negócio?

Gustavo             Também aquele não sei, fui fazendo. Mas eu também hoje já aprendi, já há alguns anos eu aprendi que quando você está fazendo algo do bem é energia que vai e que vem, então você manda ela volta, então falei puta, a minha intenção realmente é do bem, a coisa vai acontecer…

Luciano              Começam a acontecer aquelas coincidências, da onde vem, como assim, como é que esse cara apareceu  aqui agora?

Gustavo             … para você ter ideia, o dia que eu decidi  sair da minha empresa lá de alimentos, saí, beleza, saí, no dia seguinte, eu não sabia o que fazer. No dia seguinte me entra em contato comigo uns caras de um movimento internacional chamado Game Changers Five Hundred, Game changers 500 e fala Gustavo, o cara que estava trazendo isso para o Brasil, eu estou aqui, ouvi falar muito de você, você não quer me ajudar a botar isso aqui no Brasil de pé? Falei o que é isso? Ele falou é o movimento que está licitando as empresas que estão transformando o mundo num lugar melhor, é uma lista em contraposição à Fortune 500 que lista por grana, a gente lista por qualidade de impacto, pelo propósito, pelo não sei o quê, falei é tudo o que eu quero, porque eu tinha sacado que o lance era ser feliz, tinha sacado que os lugares… as equipes que eu construí, o que as pessoas mais falavam para mim é meu, é gostoso trabalhar com você e aí eu já tinha feito metanoia, o Tranjan me ensinou coisa pra cacete, eu uso muito das coisas que o Tranjan me ensinou até hoje. Engraçado que ontem eu estava falando dele, falei eu preciso falar com o Tranjan, vou sair daqui vou mandar uma mensagem para o Tranjan. E aí eu comecei, aí falei puta, então vou fazer sei lá o quê, vou ser coaching, falei todo mundo é coach, vou ser coach também e aí falaram para mim você é louco, você vai ser coach, oceano vermelho, mercado tomado, não sei o quê, não tem espaço para isso, qual o seu diferencial? Falei está tomado mas ninguém sou eu, dane-se…

Luciano              Eu vou ter que criar o meu diferencial.

Gustavo             … eu não estou nem aí, ninguém sou eu, não adianta, você pode ser, fazer mil formações, mas você não vai ser eu, eu tenho minha história, eu vou trazer e aí eu comecei a fazer coaching, quer dizer, eu queria fazer coaching, então eu fui ser coach para entender como funciona esse trem…

Luciano              Quando foi isso? Que ano era isso?

Gustavo             … isso 2013, eu acho.

Luciano              Coach já era modinha ou ainda não?

Gostavo             Não tanto quanto hoje mas já era. Tinha coach pra cacete e aí eu fui fazer, achei legal pra caramba, fui procurar formação de coach, olhei as formações falei pô, não vou fazer, tanto que eu não tenho formação de coach, formação formal de coach, mas eu fiz muito, estudei um monte e tal, falei puta, agora preciso criar a minha metodologia, até porque hoje não faço mais coach, eu faço só mentoria porque realmente eu nunca fui um coach efetivo, eu tenho muito, para mim só faz sentido se eu trouxer a minha experiência mesmo para junto dos empreendedores.

Luciano              Qual é a diferença entre coach e mentoria?

Gustavo             Há diversas controvérsias, inclusive sobre a definição. Para mim a mentoria é onde eu posso utilizar, eu preciso ter um conhecimento específico na área, por exemplo, eu posso ser coaching de empoderamento feminino, porque eu vou utilizar as técnicas com as mulheres, técnicas de coach etc para que elas possam fazer o que precisa ser feito, eu jamais poderia ser um mentor de empoderamento feminino, porque eu não sou mulher,  eu nunca vivenciei o empoderamento feminino, então da ótica da mulher, eu posso ensinar, falar para homens como lidar com o empoderamento feminino, porque eu vivenciei isso, eu sou rodeado de mulheres poderosas, porque é quem eu admiro também, mas eu não poderia. E o mentor é o cara que vai junto. O coach ele funciona, minha visão também, ele funciona muito às vezes como um espelho de estímulo para que você tome as melhores decisões, utiliza ferramenta para você se entender um pouco mais e te devolve, o mentor não, o mentor vai junto com você, então beleza.

Luciano              Vê se funciona, você está falando aqui eu estou tentando elaborar um negócio aqui, vale eu dizer que o coaching está para o mentoring assim como a ação tática está para a estratégia? O coach está preocupado com as atitudes da execução do teu dia a dia, o mentor está lá atrás, antes da ação vem uma rearrumação mental, vem uma organização mental que vai te botar disposto a ir você praticar as ações.

Gustavo             Entendi, acho que não, porque num processo de coaching você precisa começar organizando essas coisas…

Luciano              Quer dizer, está tudo ali.

Gustavo             … para mim é muito mais uma questão de você ter conhecimento mesmo prático e meter um pouco da mão na massa junto com a pessoa, a mentoria e deixar o cara errar, deixa o cara errar, porque só vai aprender errando, então deixa  errar um pouquinho, vai lá, faz errado, volta aqui, vamos conversar de novo.

Luciano              Você tem uma empresa hoje.

Gustavo             Tenho.

Luciano              Você montou uma empresa, tua empresa é eu sozinho ou é uma empresa constituída, como é que é isso aí?

Gustavo             Ela é uma empresa constituída, era um eu sozinho até este ano, este ano eu tenho um sócio.

Luciano              Ok, mas você não tem uma organização com 5, 6 pessoas, sala de aula, etc e tal, nada disso?

Gustavo             Não tenho, não quero, trabalho em casa. Trabalho em qualquer lugar.

Luciano              Quer dizer, o teu trabalho é uma consultoria, é como funciona uma consultoria.

Gustavo             Como se fosse uma consultoria. A consultoria é outra palavra que para mim pega pesado, porque…

Luciano              É complicado.

Gustavo             Mas sim.

Luciano              O pessoal destrói esses termos, houve uma época que… lembra da parceria? Destruíram com o termo parceria, empowerment, destruíram com o empowerment, vem uma atrás da outra, vai mudando a moda e elas vão sendo alteradas. Que é que você faz hoje, me fala assim do ponto de vista… a filosofia eu já entendi, a parte romântica eu entendi, vamos sair do romântico, eu quero ganhar dinheiro.

Gustavo             Quais são as minhas ofertas, quais são os meus produtos.

Luciano              Eu quero ganhar dinheiro, como é que eu faço, sou dono de uma empresa aqui, quero ganhar dinheiro, eu preciso de você me ajudar a botar ordem na casa aqui. O que é que você faz?

Gustavo             Eu faço mentoria executiva…

Luciano              Como chama a empresa?

Gustavo             … Mudando o Jogo.

Luciano              Mudando o Jogo, Game changing, ok.

Gustavo             Mudando o Jogo. Eu sou embaixador brasileiro desse movimento, game changers, então chama Mudando o Jogo a empresa, o que eu tenho para oferecer quando alguém me procura? Mentoria executiva individual, em grupo e um programa de conselheiro, de conselho de empresa, conselho de empresa é uma coisa maravilhosa que a gente precisa ter, eu lembro quando eu tinha minha empresa de TI lá, que montamos nosso primeiro conselho, a empresa mudou.

Luciano              E é uma coisa tão… não é subestimado o termo, ela está num nível tão lá em cima que as pessoas que estão no dia a dia nem sabem o que se passa, como assim o conselho? Por que esse monte de velho sentado aqui cagando regras e não sabe como é a minha vida aqui, quando na verdade o conceito do conselho é que ele me traga os caras que já passaram por isso aqui,que já tem capacidade de ter uma visão fora do…. eu estou dentro do campo jogando bola, eu não consigo olhar da arquibancada, entendeu? Eu não  consigo olhar  lá de cima e ver, eu estou dentro do jogo, quero mais fazer um gol e ganhar, tem todos os méritos, aquela história, vamos jogar, bota o cara é craque, mas alguém lá de fora olha e fala, tem um erro estratégico que você não vai ver nunca.

Gustavo             E alguém escolhe por o cara. Eu costumo dizer para os meus clientes o que eu vendo: tempo…

Luciano              Seu tempo.

Gustavo             … não, eu vendo o tempo, eu encurto necessidade de tempo deles…

Luciano              Entendi.

Gustavo             … então você está aqui na sua empresa, você quer ganhar mais dinheiro, você quer estruturar, você quer não sei o quê, beleza, você vai fazer, você vai levar dois anos, me contrata em três, quatro meses eu te dou um gás que você não vai acreditar, então, eu vendi tempo, a minha principal oferta é tempo.

Luciano              E olha que isso vale um dinheirão.

Gustavo             Vale um dinheirão, tanto que eu me recuso a vender o meu trabalho por hora, ah qual é a hora, quando eu fazia coaching era mais comum perguntarem o preço da minha seção, não vendo seção, não vendo hora, minha vida é muito para eu vender por hora, minha vida é muito mais dessa hora que eu estou sentado com você…

Luciano              Como é que você vende?

Gustavo             … projeto fechado, a minha mentoria individual é de três meses e a em grupo são quatro meses.

Luciano              Qual é a métrica que você usa para definir se teu trabalho está funcionando ou não?

Gustavo             No cliente?

Luciano              No cliente, como é que o teu cliente sabe que está dando certo ou não?

Gustavo             A gente define…

Luciano              Que não seja romântico, sem ser romântico.

Gustavo             A gente tem indicadores, indicadores claros, o que você quer fazer, então beleza, nos próximos três meses nós vamos tentar levar daqui para cá.

Luciano              Qual é o tipo de problema que o cliente te chama para você ajudar a resolver, o que ele fala? Minha equipe está desmotivada, minha equipe é desqualificada, eu não sei se eu estou no negócio certo, meu concorrente está me detonando e eu não percebi, o que é? Que tipo de problema é?

Gustavo             A principal coisa que me trazem: estou com o meu negócio, ganho dinheiro, não estou feliz com essa porra e porque hoje em dia as pessoas já sabem que eu vou atuar nesse lado de propósito, de cultura de empresa para transformar isso para ser um negócio prazeroso.

Luciano              Quer dizer, quem te demanda tem que ser o CEO…

Gutavo               CEO.

Luciano              … você atua lá em cima.

Gustavo             Só atuo lá em cima.

Luciano              Lá em cima.

Gustavo             Só atuo lá em cima, então eu atuo ou com o dono da empresa ou com o CEO da empresa.

Luciano              Você é feliz?

Gustavo             Eu? Sou.

Luciano              Porque você atua com caras que conseguem ter visão estratégica das coisas. Eu vendo palestra e houve um tempo em que vender palestra era do caceta porque você lidava com o CEO, você ligava para a empresa, falava com o capitão lá em cima e o cara dizia eu estou com um problema aqui, eu preciso ir para lá, quando eu terminar meu evento eu quero ter feito assim e assim com a minha equipe, me ajuda? E você montava um negócio maravilhoso. Passou o tempo, houve uma juniorização terrível e hoje eu ligo para lá e me entregam para assistente da supervisora de RH, que me coloca no mesmo nível de importância que o quibe, então ela quer saber o seguinte, eu sou tão importante para o evento dela quanto a temperatura do quibe, quanto o arranjo de flores que vai estar na mesa, se a tua linha vai ser azul ou preta, etc e tal, é o palestrante, eu tenho uma hora e meia aqui entre o jantar e… bota um negócio aqui, quero motivar minha turma e aí é discussão, é preço, e ai vai discutir comigo, eu estou comprando de você uma hora e meia, vem cá, se for uma hora só é mais barato, eu estou com um cara com um orçamento aqui de três contos, você está pedindo quinze, o  cara é muito mais barato que você, entendeu? E aí como é difícil.

Gustavo             Por isso que eu saí desse mercado corporativo maior, eu não atendo empresa grande e vira e mexe eu tenho demanda, pô Succi, eles me chamam de Succi, Succi você não pode vir aqui, queria fazer coaching com meu diretor, ou com o presidente da empresa.

Luciano              Eu quero falar com o dono.

Gustavo             É.

Luciano              E você quer trabalhar com o dono.

Gustavo             Eu não atendo, eu não atendo porque além…. outro dia me ligou uma mulher, eu falei assim para ela, foi muito legal, falei escuta, se você me contratar para fazer coach com os seus diretores, a chance de eles saírem da sua empresa é muito grande, porque eu vou mostrar, para mim, para o cara poder trabalhar comigo ele tem que estar a fim de buscar o que ele quer fazer da vida, como ele quer ser feliz e arrisco a dizer que não vai ser ficar aqui, você vai me contratar para mandar embora, manda embora logo. Aí foi engraçado a resposta, eu acho que você precisa fazer um coach com meu presidente.

Luciano              É uma encrenca. Mas e aí, como você, tem muita gente pensando assim? Tem muita gente … eu consigo olhar de onde eu estou aqui, eu consigo ver claramente que tem um movimento de ajuste no mercado aí que é brutal, tem uma molecada nova, tem coisas novas acontecendo. Eu trouxe aqui o pessoal da Wework, eu fui lá visitar aquilo lá, aquilo leva essa questão toda do coworking para um nível que eu não pensei que existisse, é um negócio que transforma o conceito de coworking numa relação social, é um lance que você vai… eu vou lá fazer o quê? Não é porque eu vou ter meu escritório num lugar, não, eu vou num lugar que eu compartilho as coisas de uma forma brutal, o clima é tudo diferente, é um negócio muito louco, você olha para aquilo, isso é antítese de tudo que eu aprendi ao longo da vida no meu universo profissional. Eu fui criado num universo em que você segura a informação, você mantém, você tem medo da concorrência, você se protege de toda forma e os caras me veem com um mundo agora que diz o seguinte, abra tudo, deixe todo mundo acessar e todo mundo junto vai construir uma outra coisa, então isso exige generosidade, você tem que perder essa ideia de medo. Confiança, é um negócio brutal, então eu consigo entender que há alguma coisa acontecendo no mundo que vai levar para um caminho diferente aí, ao mesmo tempo o mundo ainda é dirigido pelos caras que querem, no final do mês, passar uma linha e falar dei lucro ou não dei, mandam até hoje.

Gustavo             Não está errado olhar o número sabe, muitas vezes quando eu falo de propósito, quando eu falo de empresas game changers, o cacete a quatro, as pessoas falam está bom, e o dinheiro?

Luciano              Então, mas o que eu quero contar, só para te… eu estou falando para você de uma coisa que foi muito forte para nós na época que era a velhinha de Nova York, a nossa empresa era tocada, a velhinha de Nova York, o que é? É uma acionista que está de olho nas ações, se o preço da ação cair, ela sai e vai para outra ação e a nossa empresa vai perder valor, então nós temos que dar resultado imediato para a velhinha de Nova York e a que custo? O custo que for, manda embora, corta as coisas, reduz, como é que é? Fazer mais por….

Gustavo             Fazer mais com menos, produtividade.

Luciano              … com menos, que loucura, que doidera era aquilo e eu vejo que esse mundo ainda existe muito forte e ao mesmo tempo de outro lado a gente chega com essa conversa nossa romântica aqui e tem um choque, tem um choque acontecendo nesse momento, então…

Gistavo              Assim, o que é legal é o seguinte para mim, Luciano, não é romântico não, é um show humaning para você, entendeu? As empresas que trabalham assim ganham mais, bota online, tem empresas que atuam com alguma causa para o bem da humanidade, não sei o que lá, valem 120% a mais na bolsa do que as que não, é simples assim, entendeu? Elas ganham mais dinheiro, eu tenho N estatísticas que mostram que essas empresas ganham mais dinheiro, retenção de talento, 30% superior, o turn over 50, 60% menor nas empresas que atuam, então assim, por que que eu vou fazer isso? Porque é romântico? Não, é porque é o que te dá mais dinheiro, vai te dar mais dinheiro, se essa  é só a linguagem que você entende, vai te dar mais dinheiro fazer isso, não tem, esse esquema de trimestres, de cotas, eu realmente nesse esquema é muito difícil, isso eu acho que em algum momento vai ter que mudar.

Luciano              São os dois choques que eu estou vendo aí, quer dizer, essas coisas estão se chocando. Existem exemplos fantásticos dos dois extremos, de coisas que dão muito certo e tem uma área no meio onde elas estão se chocando ali, quem é que vai sobrar lá na frente?  Eu diria que tem uma geração morrendo e está sendo reposta por uma geração que eu espero que venha com gene mais… Deixa eu te explicar o negócio do romântico, você vai entender porque. Minha carreira foi feita em cima da área de marketing, comunicação todinha ela, então eu fiquei quase trinta anos dentro de uma empresa na área de marketing, minha empresa era uma indústria de autopeças gigantesca, uma multinacional, eu era o cara de marketing, era o cara que gastava com uma competência tremenda o dinheiro que os coitados dos engenheiros se ferravam para ganhar, então chegava na reunião de resultado os caras metiam aquelas planilhas Excel na parede, cheia de números duros e maravilhosos e ai o Luciano chegava com as planilhas românticas dele, falar de aquelas coisas que os engenheiros davam risada, eu quero saber o seguinte, para cada um real que eu aplico, quantos reais eu ganho de volta? E na época, não tinha como, não tinha nem métrica isso, os caras estavam sentados em cima de ISO9000, de todo tipo de tecnologia para a área de produção que destruía minhas planilhas, eu chegava lá com uma planilha babaca, o cara para com essa merda, não quero nem ver isso aí, davam risada, por sorte eu era tão insignificante que eles me deixavam fazer, então pude fazer muita coisa legal lá, mas é isso, quando eu falo o negócio do romântico é essa luta da planilha de números contra planilha de conceitos.

Gustavo             Do denso com o sutil

Luciano              É exatamente. Então acreditar nessa planilha e até outro dia eu escrevi um texto que eu falava o seguinte, o que me salvou foi que nos  momentos de maior criticidade, quando eu estava sentado na frente de um controler, o pau quebrando, essa coisa chegava num presidente que por sorte eu peguei alguns que tinham uma visão holística da coisa e o presidente na hora de bater na mesa ele falou não, espera um pouquinho e me defendiam, entendeu? Porque sabiam que havia um valor intrínseco naquilo que eu estava fazendo que não podia ser medido por torno, quantos tornos eu consigo fazer com esse dinheiro que você quer gastar no evento X.

Gustavo             Hoje com as empresas que eu trabalho, principalmente em conselho, acontece muito essa discussão que poderia ser levada por romântica, tá bom, está aqui, apresento o plano com o sei lá, precisamos comprar ou vender empresas em tais lugares, etc, o que vamos fazer? Aí você tem o ebados desse projeto, dessa opção A, é um pouco maior, da opção B um pouco menor, a opção C tem um time, um timefreming maior, etc. Estou conseguindo que as decisões sejam tomadas não só com base nisso e sim na escala de impacto, escala de impacto, porque isso foi decidido antes, a escala de impacto então qual que vai, mas é a opção B, mas a opção A dá um Ebitda 3, 4 pontos percentuais maior, tá e daí?

Luciano              Eu estou entendendo, quer dizer, você não está preocupado com os números nesse momento não são o que te preocupa, é o que dessas opções, qual delas que se encaixa melhor naquilo que nós queremos ser.

Gustavo             Claro, não é uma que dá prejuízo.

Luciano              Isso é evidente.

Gustavo             É evidente. E sabe que a minha experiência tem mostrado eu falo, e eu falo para os caras, vai nessa aqui, mas essa dá 4% a mais, eu te garanto que não vai dar, que a outra vai dar a mesma coisa ou mais, porque essa está conectada com o que você está a fim de fazer, o que você vai acordar de manhã para fazer, com o tesão que a sua equipe vai fazer, eu te garanto que daqui um ano você vai medir e não vai estar, vai ter dado mais e dá, porque os números são duros também e tem hora que você põe o intangível da pessoa estar atingindo aquela escala de impacto fazendo o que está a fim, é um tesão e eu tenho um negócio bacana que eu criei que é um grupo de conselho compartilhado. Eu trabalho com pequenas e médias empresas, normalmente essas empresas não tem porte para ter o tal do conselho de administração, ela não tem o porte é difícil, a qualidade das informações, porque o conselho trabalha muito baseado nas informações que são entregues para os conselheiros e tem uma questão pesada que é quem tem conselho tem dono, tem chefe, quem tem conselho tem chefe e normalmente empresários pequenos e médios são as pessoas que construíram, eles são o chefe. Mas aí eu construí um grupo que é um conselho compartilhado, então os empresários são conselheiros entre si, é um grupo de seis, são conselheiros entre si, mais eu e uma outra pessoa que somos conselheiros profissionais e conduzem as discussões, conduzem os projetos…

Luciano              É time sharing de conselheiros, eu compro um pedacinho…

Gustavo             Só que é um grupo fechado.

Luciano              … sim, quer dizer, esse teu grupo atende X empresas?

Gustavo             Esse grupo são seis empresários que são conselheiros entre si, esse grupo vai ser acompanhado durante um ano, grupo fechado.

Luciano              Ah, para seis empresas deles. Entendi, pensei que você tinha montado uma organização onde eu vou lá e posso usufruir desse teu…

Gustavo             Eu pensei em montar isso também, mas eu falei hoje vou compartilhar isso daqui, porque também você precisa, esse imediatismo é fogo, a gente precisa de um tempo para as coisas acontecerem, tempo de maturar… então você precisa de um grupo junto, unido, que se acompanha, porque hoje em dia a gente tem muito daqueles master minds, que é legal pra caramba e tem o tal de hotsite é você senta lá e expõe um problema.

Luciano              Master mind eu participei quando não tinha esse nome, quando era… eu não me lembro mais como era o nome, mas era isso, porém não era moda e não tinha o nome, não tinha o rótulo.

Gustavo             Não, é muito legal, o grande barato do master mind é o networking que você faz, mas ele tem uns momentos, normalmente o master mind tem um momento que você senta para falar uma questão que você tem, digamos que seja um master mind de negócios, então questão do seu negócio, só que assim, você tem 15 minutos, meia hora no máximo e as pessoas falam, isso me agoniava demais, porque um dos meus valores e que eu entrego na minha empresa é disponibilidade, pô que porra de disponibilidade eu tenho com 15 minutos, eu brinco com a minha terapeuta, eu chego lá tem uma hora para conversar com ela eu já chego ansioso, falei eu preciso falar desses tantos assuntos.

Luciano              Eu vou retomar um negócio que você falou aqui, aquele cara que vem te vender um curso de leitura dinâmica para você ler “Os Sertões” e você fala não dá para ler “Os Sertões” com leitura dinâmica, até eu consigo, mas eu não vou saborear, não vou sentir. O Rubem Alves falava um negócio legal, você consegue ouvir a Nona Sinfonia de Beethoven acelerada, acelera para acabar mais cedo em vez de durar o tempo, preciso ouvir mais rápido, então acelera a rotação dela para ouvir mais rápido, não é a mesma coisa, não, você precisa de tempo para saborear e para processar as informações, que é uma antítese para esse mundo que nós vivemos hoje em dia, é um mundo onde não dá, é Whatsapp.

Gustavo             Não e essa história que você está falando de assistir vídeo e podcast, puta você põe em um e-mail X e 2X para assistir, cara, eu estava fazendo isso e eu parei de fazer, faz uns três meses eu parei porque você começa a ficar numa aceleração tão grande, agora que eu vi, eu parava para ver um Netflix, eu acelerava o Netflix, como assim?

Luciano              O cérebro da gente precisa desse timing, eu tenho até uma coisa engraçada que você falou do podcast, podcast é um negócio legal, eu tenho um monte que fala, eu ouço acelerado, eu falo a gente faz um puta trabalho para montar um podcast que nem o Café Brasil com trabalho de edição espetacular, com música, com climas, tem momento que eu mudo a minha entonação, eu dou uma parada, eu faço tudo isso constrói um ritmo que você saboreia, quando você acelera você destrói isso aí, perde tudo. Ah mas eu estou interessado no conteúdo, sim, tem conteúdo, tem forma, absorver o programa significa curtir a forma, entender o que aquela pausa significou, por que tinha uma pausa ali, porque a entonação do cara uma hora foi assim, outra hora foi a outra, o que ele quis dizer com a entonação? Quando eu acelero eu perco isso tudo e eu estou perdendo uma parte importante da informação que está ali, mas o mundo hoje parece que funciona assim. Muito interessante essa tua proposta, vamos caminhar aqui para o nosso caminho final aqui. Quando você fala para mim que você atua hoje… você escolheu um nicho, quer dizer, você não está atuando nas grandes empresas, você está nas pequenas e médias empresas, ou seja, você está lidando na maior parte do tempo com empreendedores, teu público é um público de empreendedores. Empreendedorismo é outra palavra de moda, que na minha época, quando eu era moleque, era o dono da firma, meu pai me apresentava, esse aqui é o dono da firma e aquilo para mim era o máximo e um dia eu entendi que aquele cara era um empreendedor. Como é que você vê, num país como o Brasil hoje, onde eu até brinco  com as pessoas, falo a coisa mais arriscada do mundo é ser empreendedor no Brasil, porque aqui, bom, não vou nem falar a respeito aqui. Quais são as carências que você tem encontrado, se você pudesse botar, falar vou botar nesses dedos da minha mão aqui as quatro ou cinco carências que são aquelas que quando eu vou eu já sei que eu vou… o cara vai abrir a boca eu já vou encontrar esses problemas nas empresas, o que aparece de forma comum?

Gustavo             Então, falando de empreendedores, o trem é chamado a solidão do poder…

Luciano              Eu escrevi um texto chamado solidão empresarial, preciso conversar com alguém e não tenho com quem falar.

Gustavo             … não, é um dos meus principais papeis, seja como mentor ou como conselheiro, é preciso de alguém para conversar, para trocar, mesmo que tenha sócio e tal, então a solidão do poder, coisas bem objetivas, a legislação trabalhista, todas as empresas tem problema com isso, é uma coisa que atravanca demais, gestão de equipe, ninguém foi treinado para ser líder, então a gestão de pessoas e incômodo de que está faltando alguma coisa, estou em algum lugar desperdiçando a minha vida.

Luciano              Tem idade para esse incômodo aparecer?

Gustavo             Cada dia tem sido mais rápido, eu tenho clientes de 25 anos, tenho clientes de 60, 65 anos, depende.

Luciano              Quanto desses problemas, você citou aí, você falou primeiro a solidão do poder, eu entendo perfeitamente, acho que isso sempre existiu, até na empresa grande. Você chega lá tem um puta presidente, um monte de diretor debaixo e o cara se sente. Só na hora de tomar uma decisão, aí liga para o amigo dele que é cirurgião cardíaco, mas é um baita amigo, pô preciso conversar com você. Mas quando você fala de gestão de pessoas, é só eu contratar o cara bom de RH que está resolvido, é isso aí? Quando você fala de legislação é só contratar, bota um contador bom lá, um tributarista bom lá e está resolvido. Quanto disso é atitude, comportamento, quanto disso é habilidade que você adquire que eu posso ir aprendendo, faço um curso e resolvi o problema.

Gustavo             Na minha visão é 100% atitude, habilidade você vai adquirir, mas se você não… mindset, atitude, crenças, é isso. Eu falo com os meus clientes, eu tenho um monte de ferramenta de gestão disso, daquilo, tenho um monte, você quer achar o propósito da sua empresa? Eu tenho uma equação que te ajuda a achar, tem uma metodologia, bonito tal, eu falo depois que o cara me compra, eu falo agora vou te contar a verdade, as ferramentas são irrelevantes…

Luciano              Não importa qual você vai usar.

Gustavo             … não importa, como essa tem mais 50 mil, meu papel é te ajudar a ver o mundo de uma maneira diferente, que já está aí, é isso, agora se eu te vender isso você não me compra, se eu te falar que eu tenho uma metodologia maravilhosa, aí você me compra, você vai me comprar a metodologia e eu vou mexer na sua cabeça, é isso que eu faço com você.

Luciano              Quer dizer, você tem que…

Gustavo             Você vende o que o cliente quer e entrega o que ele precisa.

Luciano              Isso acontece, vou te contar o meu drama para você ver que é igualzinho, para voltar de novo para a história das palestras, Luciano você faz palestra de que? Se eu contar do que é, ninguém me compra e aí eu sou obrigado a criar títulos que os caras entendem, então eu faço uma palestra sobre liderança, eu faço a palestra sobre inovação, eu faço a palestra sobre mudança, porra cara, mas não é disso que eu falo, no entanto se eu disser o que é, eles não vão me comprar nunca, porque eu vou dizer para o cara assim, eu vou ajudar tua turma a melhorar a capacidade de julgamento e tomada de decisão. Que porra é essa? Eu quero uma aula de vendas, eu quero a praça de vendas, eu falo a minha está um pouco atrás, antes de ensinar técnica de venda, você tem que fazer ele aprender a pensar e eu me proponho a ajudar o cara aprender a pensar, eu não vou comprar essa merda, outra coisa, tem livro aí? Tem, tem um livro, ah eu consigo ver o livro, eu pego, ah legal, você está vendendo um livro, eu já tentei tirar essa coisa do palestrante do nome, a hora que eu sento na frente do cara e começo a falar, o cara me olhando com aquela cara de “ué”, ate que eu falo palestrante. Ah agora e entendi, você é um palestrante, então você é obrigado a se adequar ao repertório que essas pessoas têm, ou elas não te compram.

Gustavo             É comunicação é isso e se você não faz isso, você não consegue entregar seu impacto, para mim foi dificílimo assim também falei porra, não vou fazer, me recuso, menos, não seja rebelde. Não seja rebelde, eu sou um rebelde por natureza e é um problema, você já sacou que todo o rebelde sai sem nada.

Luciano              É, ele acaba morto no meio do mato, sujo…

Gustavo             Rebelde não fica com nada.

Luciano              Está arrebentado e vai lá por amor, não sei o que.

Gustavo             Isso você está falando dos rebeldes clássicos, agora pega no seu dia a dia, uma rebeldia clássica que todos nós devemos passar em algum momento, liga para mudar o plano da porra do celular, ah começa muda para cá, você fica puto e desliga, bravo, não quero, não foi do jeito que eu queria, não pode ser do timing que eu quero, você ficou sem nada, você continua com problema, você não resolveu, você não mudou porra nenhuma, então todo rebelde sai sem nada, então eu saquei, falei para, não adianta, vamos entregar, vamos fazer diferente para que eu possa chegar aonde eu quero, porque se não é só uma rebeldia e vou sair sem nada, mantive a minha honra…

Luciano              Traga isso para o momento que o Brasil vive em termos políticos, sociais e etc e tal e você começa a entender, porque, eu vou fazer uma sacanagem aqui agora que não sei se você vai ficar puto, muita gente fica puta: por que o Temer tem que ficar onde ele está? E não é ele que tem que sair, não adianta derrubar e botar um outro mané no lugar, vai ter um rolo tão grande que quando terminar o processo chegou a hora de eleger um cara novo, põe o que tem e segura as pontas, já aguentamos até agora, chega lá no processo.

Gustavo             Ninguém está discutindo se ele é bom, você não está defendendo o Temer…

Luciano              Eu quero mais é que morra na cadeia, neste momento nós estamos… é um processo… é aquela história o seguinte, eu preciso de um bandido que a casa está caindo, está caindo, está toda arrebentada, o prédio está demolindo, está com problema na fundação etc e tal e nós estamos discutindo o síndico e o prédio está caindo e a gente discutindo trocar o síndico, pelo amor de Deus, bota um cara que não deixa o prédio cair e lá na frente a gente bota um síndico novo.

Gustavo             O problema…

Luciano              Deixa eu contar só porque  eu estou dizendo isso, porque eu sei que eu vou ouvir um monte de abobrinha que vai escrever nego para mim uto da vida,  o que eu estou colocando aqui? Tem tudo a ver com isso que você acabou de falar agora aí de que há um limite para a rebeldia, eu posso ficar puto, arrebentar e gritar, etc e tal, eu não sei se isso vai me levar para o resultado que eu precisava lá na ponta, até porque se eu conseguir o resultado na porrada, na primeira piscada que eu der os caras que tomaram a porrada vão dar o troco e se eu for chefe na empresa, eu sou um chefe, eu comando a empresa na porrada, eu boto medo, eu faço, tenho resultado, faço a empresa funcionar que é uma maravilha impondo o medo, na primeira chance vai ter vinte nego puxando meu tapete, nenhum deles vai estar disposto a contribuir comigo, como é que tem uma frase deliciosa que fala quem te teme na tua presença te odeia na tua ausência…

Gustavo             Bonito isso, forte.

Luciano              … é boa essa aí e então por isso que eu discuto essa coisa, vamos arrebentar, não, talvez não, espera um pouquinho, fica amigo do cara, fala na língua dele, chega lá resolve, só que engolir o sapo é duro.

Gustavo             Mas você sabe que isso é uma atitude infantil nossa de… a criança que não pode aceitar que não seja do jeito que ela quer, criança é dicotomática, é isto ou aquilo, o adulto não deveria ser, já sei que eu posso, você me contando que você está casado há muitos anos, tem coisa que porra, você pode conviver com a sua mulher sabendo que nem tudo que ela faz é do jeito que você gosta, está tudo certo…

Luciano              É uma negociação diária.

Gustavo             … é, não mas assim,  o seu adulto pode falar ok, é assim, eu não gosto dessa parte dela mas eu gosto de outras e tudo bem.

Luciano              Quer dizer, na soma é o que temos para agora.

Gustavo             Quando a gente fica não… está na infantilidade, infantilização das relações, enquanto a gente infantiliza nossas equipes, como você vê isso dentro das empresas, infantilização de equipe.

Luciano              Eu chamo da juniorização, é molecada que chega na empresa trazendo a casa para dentro da empresa, quer dizer, pô cadê minha roupa lavada, eu quero agora, eu preciso agora, essa molecada entra com uma gana para obter tudo agora neste momento num ambiente que não está preparado para elas e aí a gente tem esse choque tremendo que está acontecendo aí.

Gustavo             É eu acho isso até que é uma coisa um pouco diferente do que eu falei, mas eu vou navegar no seu aqui que eu acho importante, isso está sendo uma grande crise, ao meu ver, por uma mudança nas relações de autoridade, eu vejo, eu tenho um filho de 13 e um de 10, a autoridade que eu exerço com os meus filhos hoje é muito diferente da que os meus pais exerceram e assim, a figura da autoridade, ela mudou muito, ela diluiu de alguma maneira, ela está mais sutil e aí os caras chegam dentro da empresa com a figura tradicional lá de autoridade, não vai dar certo, o cara não tem mais, ele não se submete a algumas autoridades, ele não vai se submeter, não adianta, não vai e assim, que bom que não, na minha opinião, mas que bom que não.

Luciano              Retoma o ponto que é diferente daquilo que eu falei.

Gustavo             Diferente porque quando eu estou falando da infantilização, o líder que trata, tanto faz a idade do maluco que está lá dentro, quando ele não dá liberdade, quando ele não dá autonomia, quando ele manda você fazer, você está infantilizado, é criança que você fala vai fazer desse jeito porque sim. Você faz isso e aí você quer atitudes da sua equipe de autônima maturidade, não se o quê, porra, é como história de puta, esse cara é muito ruim. Às vezes eu encontro uns, puta que meu diretor o cara é ruim pra caramba não sei o que lá, não dá, eu falo meu, de quem é o problema? Eu tenho uma frase que eu ponho que os meus mentorados amam e eu odeio, que é o seguinte, problema de liderado é problema de líder, 100% das vezes, quem contratou o cara, quem fez um processo bom ou ruim de seleção, quem contratou, quem treinou ou não treinou e quem não demite o cara porra, então não me vem com esse papinho.

Luciano              Qual é seu blog, qual é seu livro, qual é seu site, vamos lá, quem quiser te encontrar e saber mais o que se passa aí.

Gustavo             gustavosucci.com

Luciano              Como é o Succi?

Gustavo             s u c c i

Luciano              s u c c i

Gustavo             gustavosucci.com, meu blog está lá dentro do gustavosucci.com.

Luciano              O que vai ter lá?

Gustavo             Falo que vai ter bastante coisa sobre liderança, vai ter bastante coisa sobre empresas com prazer, com propósito. Eu estou escrevendo o livro, o livro não está pronto, mas vai sair, chama “Eu amo segundas feiras”, essa é a minha hastag, eu amo segundas feiras, para mim segunda feira é o dia mais gostoso da semana, meus filhos até brincam comigo, no domingo eles falam papai, amanhã é segunda feira, é um tesão, eu acordo mais cedo às segundas, vou dormir mais tarde para ela durar mais e tem a ver com isso, de amar o que faz, fazer e mostrar para as pessoas que dá, inclusive, para ganhar dinheiro fazendo isso.

Luciano              Facebook, você está lá?

Gustavo             Gustavo Succi também.

Luciano              Tudo Gustavo Succi.

Gustavo             Tudo Gustavo Succi.

Luciano              Legal. Grande papo grande conversa, bom, é legal assim, muito legal saber que tem isso que você está falando ai, estar num nível legal, no nível dos caras que tem comando, que podem decidir o que tem que ser, porque uma coisa é você ir lá e treinar a molecada que vai ter em cima deles um ogro e tudo o que você falou, você vai embora não  aconteceu nada, quando você vai trabalhar o ogro, aí você realmente consegue aplicar.

Gustavo             Eu aprendi isso com o Tranjan, com a metanoia, ele só faz para pessoas que tenham autonomia.

Luciano              Todo mundo que pergunta para mim como funciona a metanoia, eu falo de cima para baixo, é de cima para baixo, até pelo exemplo, se não vier de cima para baixo, não adianta treinar a molecada toda que não vai resolver nada.

Gustavo             Não vai. Tem programas para as lideranças médias, mas se o maluco lá em cima não tiver a fim de mudar, você não vai mudar.

Luciano              É isso aí, grande Gustavo, obrigado pela visita, espero que tenha gostado, está aberto aqui, quando quiser…

Gustavo             Obrigado você, adorei somos vizinhos ainda. Delícia.

Transcrição: Mari Camargo