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Ciça Camargo -

Luciano              Muito bem, mais um LíderCast. O pessoal sempre me pergunta: Luciano, como é que você acha os caras que vão aí? Olha, tem de todo jeito, eu já fui mais do que esnobado, tem cara que eu mando o e-mail o cara nem responde, fala quem é esse merda? Eu não vou nem falar com o cara. Tem gente que pergunta o que é, acha que não vale a pena e tem alguns que quando a gente entra em contato o cara responde entusiasmado, pô que legal, conheço teu trabalho, eu vou sim e aí acontecem uns programas muito legais. O convidado de hoje foi indicado por um confrade, o Josué, que mandou para mim uma mensagem, Luciano, conheci um carinha fazendo um trabalho legal, assim, assim assado, vou te botar em contato com ele, me botou em contato e de repente estamos nós aqui produzindo um daqueles programas que eu espero que seja daqueles especiais.  Três perguntas fundamentais,  preste muita atenção que você não pode errar nenhuma dessas três, que senão o programa desanda…

Bruno                 Vamos lá.

Luciano              … seu nome, sua idade e  o que é que você faz?

Bruno                 Meu nome é Bruno Soalheiro, eu tenho hoje 38 anos e hoje eu ajudo a mudar a visão da psicologia no Brasil através do empreendedorismo.

Luciano              Pretensão e água benta não faz mal a ninguém, é isso. Bruno, de onde é que você vem?

Bruno                 Eu sou de Governador Valadares, sou do interior de Minas, uma cidade às margens do Rio Doce, quente pra caramba…

Luciano              Estive lá, já conheço.

Bruno                 … conhece Valadares?

Luciano              Opa se conheço.

Bruno                 Nem imaginava que você conhecia Valadares.

Luciano              Minas, o que eu já andei em Minas para lá e para cá, mas conheci.

Bruno                 Lá nasci, morei um tempinho ali perto, numa cidadezinha chamada Galiléia, mas sou ali da região, fiquei ali. Até os 27 anos, tinha ido uma vez até Belo Horizonte e lá precisa psicologia também, foi lá que eu me formei e muitas das ideias que eu tenho, que estou fazendo o trabalho hoje, surgiram lá, da vivência lá, da faculdade lá, de tudo, sou um capiau, digamos assim, que veio para a cidade grande.

Luciano              E o que seu pai e sua mãe faziam?

Bruno                 Meu pai é comerciante, empresário quando é muito simples a gente chama de comerciante, sempre mexeu com posto de gasolina, sempre teve posto de gasolina, uma vez numa cidade pequena, agora também está numa cidadezinha pequena lá. Minha mãe era profe…

Luciano              São José do Goiabal, perto de Serra do Ar, na verdade, ali entre Guanhães, Valadares, aquela região ali. Minha mãe foi professora de colégio, coordenadora de escola durante muito tempo, eu vim de uma família tradicional, eu mesmo não sou um cara muito conservador, muito tradicional, mas eu venho de uma família tradicional mineira, pessoal que come muito feijão tropeiro, senta, toma cachaça, come frango caipira e etc.

Luciano              É fantástico, eu já falo o seguinte, se pudesse me dar a chance de nascer em algum lugar do Brasil de novo, eu teria escolhido Minas, seria o interior de Minas, porque aquilo não há o que pague. Você fala da família mineira, já vem na minha cabeça aquele final de semana, todo mundo junto, aquela mesa com aquela comida fantástica.

Bruno                 E come, come tira gosto, enche a barriga e na hora que está todo mundo cheio fala assim: agora vamos almoçar.

Luciano              O que é que você queria ser quando crescesse?

Bruno                 Eu sempre quis ser psicólogo porque eu sempre fui levado ao psicólogo desde pequeno…

Luciano              Por quê?

Bruno                 … tudo o que você imaginar, eu tenho traços muito leves de uma, eles chamam de Síndrome de Tourette, Gil de La Tourette, que é um médico, que são tiques, quando eu estou mais ansioso eu tenho mais tiques, a minha bem moderada, o Tourette, quando ele é forte, é aquele cara, não sei se você já viu, que xinga no  meio da rua, pessoal que está conversando e de repente começa a xingar, tiques locais, o cara começa a xingar, começa a falar palavrão no meio da rua…

Luciano              Isso eu nunca vi.

Bruno                 …  os meus são tiques motores, então eu dou uma tremidinha na cabeça assim, então quando eu era pequeno, eu comecei a ter isso e me levaram em tudo o que é médico, na época, fui no psiquiatra e comecei a fazer terapia, comecei a fazer terapia por causa disso e poxa, eu olhava, um cara, consultório chique, cara com gola rolê até aqui em cima assim, eu ficava lá, falava 50 minutos com o cara…

Luciano              Em Valadares?

Bruno                 … em Valadares, em governador Valadares, então fui muito tempo por causa desses tiques, o tique nunca parou, diminuíram, nós achamos depois um médico que falou olha, quando crescer isso vai diminuir um pouco e sempre vem, é uma merda, vem com várias às vezes, então uma comorbidadezinha, um toquezinho, umas maniazinhas de simetria, de tudo, então isso fez com que eu frequentasse o consultório de muitos psicólogos e aí eu desenvolvi duas coisas, duas visões. Primeiro eu falei puxa, isso é interessante, acho que eu quero fazer isso quando eu crescer e segundo, o cara está ganhando uma grana para ficar sentado aqui me escutando, conversando comigo, é um trabalho relativamente confortável, então eu fui por esses dois lados, eu não tive nenhuma dúvida, quando eu tinha 12 anos, se não me engano, eu já sabia o que eu iria fazer no vestibular, o que eu não fazia ideia é de como é que eu ia viver com isso depois, mas o idealismo de ser psicólogo eu tenho desde criança, por causa dessa história pessoal.

Luciano              Que interessante, a maioria absoluta de quem vem aqui tem uma influência de alguém, ou o destino bota alguma coisa no caminho da pessoa que ela acaba sendo.

Bruno                 O destino botou o Tourette na minha vida.

Luciano              Não, mas desde moleque, que interessante.

Bruno                 Não, desde moleque, eu já sabia, quis, não me arrependo da escolha, agora, eu eu tive que aprender a transformar isso depois em algo que me permitisse viver disso, mas a escolha já estava feita, por causa dessas histórias pessoais.

Luciano              Com tudo o que você conhece hoje, que você já sabe hoje, você olha para trás e fala pô, se eu tivesse sido tratado naquela época como se trata hoje, eu teria passado mais fácil por essa…. para superar esse problema, ou não?

Bruno                 Eu acho que não, eu acho que não, na época eu tive o que havia de disponível lá no interior de Minas Gerais e de melhor, o problema existe ainda, eu tenho tiques, em alguns momentos tenho mais, em alguns momentos tenho menos, eu tenho mania de limpeza, não chega a ser incapacitante, mas eu aspiro a casa uma vez por dia, eu tenho dois gatos e um cachorro, gosto de bicho pra caramba, aí você imagina, um cara que tem toc com limpeza tem bicho dentro de um apartamento, então eu vivo nessa dicotomia, mas eu aprendi a viver com isso e uma coisa, Luciano, que eu faço e me ajuda muito no meu trabalho hoje, eu faço, é rir de mim mesmo, eu tinha apelidos na escola, me chamavam de “Possuído”, eu ficava virando a cabeça para o lado, a galera me chamava de possuído e eu…

Luciano              Você que está nos ouvindo aqui, isso é bullyng, entendeu? Bullyng não é essa bobajada de hoje aqui, bullyng é isso, é você ser chamado de “Possuído”, com que idade? Com 5 anos?

Bruno                 Não, isso aí eu era mais velho, adolescente. Para você ter ideia, eu fui atropelado, aos 13 anos, tive uma fratura de fêmur, eu cheguei a tomar um remédio muito forte na adolescência, que era para espinhas, eu tive muita espinha, então você imagina o seguinte, com 13 anos eu tive esse atropelamento, fiquei um tempo mancando. Eu com 14 anos eu era um cara com a cara arrebentada de espinha, mancando e dando cabeçada para trás…

Luciano              Era o próprio exorcista…

Bruno                 … mas  era, só que o que que acontece? Eu fazia piada com isso e aí eu desmontava a piada dos caras, entendeu? Fazia piada e uma vez, uma coisa curiosa, uma vez uma professora descobriu isso, numa das séries, descobriu isso e chamou o pessoal da zoeira, porque adolescente zoa, todo mundo zoa todo mundo, tem o magrinho, tem o gordinho, tem o quatro olhos e tudo e o pessoal parou de fazer piada comigo nessa turma e como eu já estava acostumado com as piadas, eu acho que eu me senti mais discriminado em pararem de fazer a piada comigo do que quando faziam, porque quando faziam, pelo menos eu era um deles, quando não faziam pô, o pessoal está com dó de mim? Aí acabou, essa turma passou, depois voltou as piadas, mas eu lido com isso muito bem, inclusive uso isso como elemento hoje na apertura de palestras, falo dos meus tiques, isso diverte as pessoas um pouco, não há porque eu sofrer, sofrer mais do que o necessário, digamos assim.

Luciano              Até porque, está instalada aí a condição, tem que descobrir o que eu vou fazer com ela, se eu não vou conseguir eliminar, o que eu faço com ela?

Bruno                 No ônibus, vindo para cá ansioso, dou uma cabeçadinha no vidro, mas não mata não, não machuca não.

Luciano              Que delícia. Quantos habitantes tem Governador Valadares hoje?

Bruno                 Quando eu saí de lá tinha 275 mil, deve estar com quase 300 mil habitantes, mas está complicado porque o Rio Doce praticamente morreu, que é o Rio Doce que passa lá perto, então…

Luciano              Foi com o lance de…

Bruno                 … com o lance lá da barragem…

Luciano              … de Mariana, não é?

Bruno                 … isso, da barragem lá de… e a cidade sofreu um bocado com isso, porque o rio passa dentro da cidade, o Rio Doce, é uma cidade agradável, só que é muito quente, mas cidade bonitinha agradável.

Luciano              Perspectiva profissional de um sujeito que se forma em psicologia numa cidade de 200 mil habitantes, no interior de Minas Geais?

Bruno                 Perspectiva profissional você vai trabalhar vendendo roupa no shopping, talvez, o que acontece? A psicologia no Brasil, ela é muito ligada… é psicologia no Brasil é quase psicologia social pura, então não tem, nas faculdades, aquela ideia de que é legítimo você viver daquilo ou ganhar dinheiro  com aquilo, então a pessoa já se forma com a cabeça muito assim. Numa cidade como Governador Valadares, que não é uma cidade pequenininha, é uma cidade de 300 mil habitantes, é um polo regional ali, o que acontece? Ou você entra para a aristocracia local, digamos assim, aparece ali no jornalzinho da cidade, está na rodinha, porque toda cidade tem os bacanas ali, ou você fica à margem.  Valadares é uma cidade que tem muita indústria, você não tem empresas lá fortes, é uma cidade baseada em comércio…

Luciano              E a possibilidade do possuído ser o psicólogo das estrelas.

Bruno                 … exatamente, você imagina, o cara dando cabeçada na rua, entendeu? Não e eu cresci lá e eu era um cara assim, eu era cabeludo, eu era do fundão, entendeu? Era Led Zeppelin, The Doors, outras coisas que não convém citar, então eu também não tinha fama de santo, então eu estava lascado, ainda mais cidade pequena, média, conservadora, então realmente dificilmente o “Possuído” ia conseguir alguma coisa por ali, mas eu tentei, eu fiz consultoria ali, eu saía de lá e ia fazer consultoria em Guanhães, eu fiz consultoria…

Luciano              Você não pensou em montar… me formei,  agora vou fazer meu consultório e vou…

Bruno                 … não, pensei…

Luciano              … vou ter o meu negócio?

Bruno                 … pensei, meu pai, inclusive, ele  me ajudou na época, mas eu não quis ir para a psicologia clínica, eu quis ir para o lado da consultoria. No final da faculdade eu caminhei para o lado da psicologia organizacional, porque foi aonde eu me encontrei, que é o seguinte, eu não queria ser empregado…

Luciano              Isso era uma pergunta que eu ia te fazer, quer dizer, essa perspectiva do montarei meu próprio negócio ou trabalharei para uma empresa.

Bruno                 Não eu não queria ser empregado, apesar de o meu pai me dizer algumas vezes que era a melhor coisa que tinha no mundo. Ele é um empresário, um comerciante, mas que sofreu muito com isso, meu avô, ele tem uma empresa de ônibus local e que faz linha para Guanhães e outras coisas, para os padrões de Valadares era um homem rico assim e toda a minha família, dos dois lados, a maioria, 80% são pessoas  que tiveram os próprios negócios, mas não foi por isso, eu sempre tive a vontade de ter o meu negócio, isso é uma questão de atrevimento também, sabe Luciano, por exemplo, na faculdade de psicologia a gente tem várias linhas de abordagem da psicologia, é uma coisa que eu falava brincando, isso é da minha personalidade, ah Bruno, você vai  ser psicanalista, você vai ser behaveorista, vai ser existencialista? Eu falei não, eu vou fundar o brunismo, mas eu falava brincando, é claro, mas é nessa ideia de ser protagonista de alguma coisa, não  sei de onde isso veio, mas é uma coisa que eu queria, então quando eu me formei em psicologia estava caminhando para me formar, eu resolvi que eu queria fazer isso. Conheci a área de gestão de pessoas, que tem a ver um pouco com a psicologia, fiz esse trabalho, montei esse negócio lá e deu certo por um tempo, deu certo… na verdade deu certo por um bom tempo e aí apareceu uma chance na minha vida que foi, eu me inscrevi no IBCO – Instituto Brasileiro dos Consultores de Organização, cuja sede é aqui em São Paulo, lá de Valadares eu consegui fazer isso através da carta, três cartas de três clientes e no IBCO surgiu uma oportunidade para quem quisesse ser um trainer de uma empresa multinacional. Mandei o meu currículo, o cara me liga aqui de São Bernardo do Campo, o cara me liga para lá, você é o Bruno? Você fala inglês? Minha mãe, em 1986, não sei o que deu na cabeça dela, me botou para fazer inglês, fiz inglês, com 15 anos eu já falava inglês e o inglês me ajudou muito e aí fui selecionado e falei com meu pai, meu pai, eu fui para Barcelona, falei fui selecionado para ir para Barcelona, era um programa que elas chamam de TTT – Trend Trainer, o  que acontece? Na época a empresa era a Microsoft, ela tinha que treinar as pessoas com treinamentos comportamentais ao redor do mundo, ela contrata consultores, chama consultores do mundo todo, leva para Barcelona que está ali no meio do planeta ali, faz juma preparação e esses caras voltam e entregam os treinamentos na  sede e eu fui um selecionado, meu pai foi na polícia federal para ver se não estavam me mandando de mula, para levar droga para fora, lá em São Paulo vem catar  você aqui em Governador Valadares para fazer um programa internacional? Agora …

Luciano              Mas olha só, olha que loucura aqui, você que está ouvindo a gente aí, você que mora no fim do interior do Brasil, o cara está em Governador Valadares e vai parar na Microsoft, é isso?

Bruno                 É, eu fui parar…

Luciano              Em Barcelona, por um programa da Microsoft, porque tomou a iniciativa de se inscrever numa organização aqui em São Paulo.

Bruno                 E quem me deu as cartas para eu fazer isso, são dois donos de supermercado lá de Guanhães, um outro cara de Governador Valadares, um outro cara de uma cidadezinha, comerciantes me deram isso, eu falei vou me inscrever, as oportunidades vão aparecer e apareceu, só que o que aconteceu, Luciano? Eu fui, eu tinha um inglês bom, mas não era perfeito e eu estava muito inseguro, pô, saí de Valadares e fui para Barcelona…

Luciano              Batendo a cabeça no avião.

Bruno                 … é, fui dando cabeçada daqui lá, 12 horas dando cabeçada dentro do avião, entendeu? Não estou brincando não dei cabeçada mesmo, aí cheguei lá, fiquei deslumbrado com o aquela coisa toda, hotel chique, na verdade a Microsoft era cliente, ela contratou uma empresa da consultoria internacional, consultoria em treinamento, essa consultoria tem os braços nos países e eu era um desses caras e eu fui lá participar, eu tenho até hoje lá em cara um materialzinho escrito assim Microsoft Confidential, que são alguns treinamentos da Microsoft, fiquei lá uma semana num deslumbre danado lá e fazendo treinamento, voltei, fui chamado na sede, não fui aprovado, não fui aprovado para entregar o treinamento aqui. Tomei um baque na cabeça…

Luciano              Os caras mandam o sujeito para lá, faz um investimento desse tamanho e a prova na volta?

Bruno                 Comeram o fígado de quem me selecionou aqui, porque fui eu e foi um outro cara. Quem me selecionou, que foi um cara  muito bacana de São Bernardo do Campo, ele foi muito legal, mas assim, eu continuei trabalhando para ele por um tempo e fiz outros treinamentos no Brasil, porque ele é de uma empresa de treinamento, mas por esta empresa, para fazer o treinamento da Microsoft, na época eu ia ganhar “80 pau” por hora, como se fosse “200 pau” por hora, “250 pau” por hora, eu não fui, tomei esse baque na cabeça…

Luciano              Não foi por quê?

Bruno                 … não fui porque eu não apresentei segurança suficiente em sala… o que eles disseram foi o seguinte: o pessoal da Microsoft é muito agressivo, um pessoal bem smart, eles vão te moer vivo, você entendeu o programa, você intelectualmente captou, mas você não tem casca, casca grossa o suficiente para entrar numa turma da Microsoft ainda e no caso eu não fui retirado, era como se fosse uma geladeira, talvez, eu fui colocado ali de lado, fui fazer outros treinamentos, mas para mim foi um baque, aí o que acontece? Poxa, estava em Valadares, nisso eu tinha 26 anos, 26 para 27 anos, estava formado há uns três anos em psicologia, tinha meus negocinhos lá, falei como é que eu volto para Valadares agora? Não vou voltar, não que Valadares seja ruim, eu vi o mundo. Foi aí que ajudado meu pai e tudo, fui para Belo Horizonte e aí fiquei em Balo Horizonte e em Belo Horizonte comecei a fazer consultoria, dando aula de inglês para sobreviver no início, meu pai me ajudou lá, tinha um primo nosso, vendeu um apartamento, aquela coisa de família, mora aqui depois você paga e lá em Belo Horizonte deixando currículo para lá, foi onde eu comecei uma outra fase da minha vida que foi ser contratado por uma multinacional, mas foi difícil levantar depois da porrada da Microsoft, até mesmo porque o pai, todo mundo falou, foi mas não vingou…

Luciano              Voltou derrotado.

Bruno                 … é, exatamente, foi uma coisa que me ajudou muito com a famosa da resiliência, eu não desisti…

Luciano              Então como é que você trabalhou isso, você voltou para lá com o rabo no meio das pernas, pai não deu, mãe não deu, o que eu faço agora?

Bruno                 … o que acontece? Não deu a Microsoft, mas o cara da consultoria aqui falou Bruno, vou te dar, sei lá se o cara estava com pena de mim ou via em mim algum potencial, mas não tanto, mas me deu outros programas, então eu fui para João Pessoa fazer treinamento para um grupo de loja, fui fazer treinamento, Luciano, treinar pessoal dessas lojas aí para vender garantia estendida, por exemplo, entendeu? Por que, como é que você vende uma garantia estendida? E rodei, rodei, fui ali para Uberlândia, fui…

Luciano              O que um psicólogo vai fazer para dar uma aula de vendas de garantia para as pessoas? Você já estava treinando pessoal em vendas, é isso?

Bruno                 Tipo eu estava treinando pessoal em vendas, nesse caso eu recebia, eu era um multiplicador, eu recebia o treinamento da consultoria, não era eu que criava o treinamento e eu ia lá e ministrava esse treinamento e foi assim um aprendizado muito grande porque eu era um capiau, de repente eu estava… fui em Barcelona, tomei uma pancada na cabeça, mas daí a pouco eu estava descendo lá em João Pessoa para ir numa loja de rede fazer um treinamento para 200, 300 vendedores de uma vez, tive que me virar nos 30, então não foi uma derrota total, porque viram que eu voltei e fiquei viajando pelo Brasil por um tempo, mas depois a demanda acabou, a demanda acabou, isso aí eu estava aí… de 2007, já era mais ou menos 2007, meio de 2007 e tudo e aí eu falei com meu pai, a demanda está acabando, eu não quero ficar aqui, me ajuda a ir para Belo Horizonte? E aí realmente eu tive uma ajuda no início, fui para lá, comecei a dar meus pulos e aí a coisa não estava fácil, estava já estava entrando na, estava na crise, tivemos aí 2008 e etc e antes de eu fazer 30 anos, foi que eu arrumei, deixei currículo e tudo e fui selecionado, arrumei meu primeiro emprego numa multinacional, uma empresa enorme, uma empresa italiana, da área de engenharia…

Luciano              Que empresa é? Pode falar.

Bruno                 Chama-se Tecnimont, chama-se Tecnimont, ela chamava Maire aqui, na verdade essa empresa italiana, ela veio para cá para construir a planta da Fiat em Betim, como ela estava instalada aqui falou pô, vamos fazer serviço de engenharia, já estamos aqui, então era a Mairi, chamava-se Mairi Engineering, na época que eu entrei, a Tecnimont que era um grupo italiano maior estava comprando a Mairi Engineering, mandaram um cara para cá, que era um manager, para começar a organizar essa fusão dessa operação e eu fui o coordenador de RH escolhido entre outros lá, fiz entrevista com o cara e tudo e aí começou a nova fase da minha vida de trabalhar em grandes projetos de RH e aí eu comi o pão que o diabo amassou.

Luciano              Você era o gerente de RH? Você era o quê lá?

Bruno                 Não, eu entrei como se fosse um had aqui do Brasil, mas não era um cargo alto não, era uma espécie de coordenador local, a base do meu chefe era no Chile e ele cuidava, ele era o latam, cuidava aqui da América latina e eu era o coordenador e meu trabalho era  um faz tudo no RH, aí que eu aprendi a trabalhar.

Luciano              Era uma construtora.

Bruno                 Era uma empresa de engenharia que fazia contratos de EPC ou EPCM, é o quê? É o famoso projeto turning, que eu vou construir uma termoelétrica, essa empresa falava o seguinte, beleza, eu construo e te entrego a chave, essa empresa era gerenciadora, a gente subcontratava todo mundo…

Luciano              Então, era isso que eu queria saber, quer dizer, o público que você coordenava lá não era um público de engenheiros numa sala fazendo desenho de planta não? Era peão de construção mesmo.

Bruno                 Tudo, eu contratava desde o engenheiro especialista em isolamento e pintura que ia ganhar “20 pau” por mês até um técnico de segurança, uma secretária que ia ganhar 1500 reais por mês na época, eu fazia essa interface entre o canteiro de obras que era um em Fortaleza e um em São Luís do Maranhão e Belo Horizonte, que era a nossa base, mas tinha tudo no meio, processo de visto, vinha gringo, gente do Rio Grande do Sul, gente do Ceará, porque mão de obra especializada, você tinha que trazer de onde tivesse a aí eu aprendi a trabalhar pra caramba, porque RH é uma coisa, RH em projeto é outra coisa, RH em projeto de bilhões de reais é outra coisa, você tem que ter um timing muito preciso, não era o que eu queria, aí foi o momento que a vida me apresentou, falei poxa, eu tenho que ir, estava na crise, não conseguia coisa, estava dando aula de inglês, falei vou entrar e foi o que eu pensei e talvez foi isso que me deu a vaga, o cara até comentou depois, o cara falou Bruno, por que você quer entrar numa empresa? Você está trabalhando com consultor. Eu falei com ele, Fábio, se eu tiver que ter uma experiência numa empresa, é agora que eu estou novo, com 29 anos, depois com 40 se eu não tiver essa experiência prévia, eu não vou conseguir entrar, então agora eu fico aqui, se eu sair daqui a 10 anos e ser consultor, beleza, eu vou ter um know how, então poxa, a oportunidade é boa, um salário bom pra caramba para mim na época, falei vou fazer, mesmo que não seja, e não era o meu sonho e eu não me adaptei, fiquei lá um bom tempo mas não era nada do que eu queria, eu entrei e cumpri essa etapa da minha vida e tirei dali muito aprendizado para muita coisa que eu faço até hoje.

Luciano              Você estava sozinho lá ou você estava coordenando um grupo lá?

Bruno                 Não, eu estava, no início eu estava sozinho, estava vendo essa transição, depois eu tive uma moça que trabalhou, começou a trabalhar comigo, mas assim, tinham outros departamentos, eu fazia interface com o gerente do projeto e a gente terceirizava tudo, por exemplo, a gente não fazia o recrutamento internamente, a gente tinha uma empresa de São Paulo que fazia o recrutamento, mas eu era a ponte entre o gerente de projeto e essa empresa de recrutamento, eu que tinha que garantir ali que a job description ali estivesse bem feita, fase final de entrevista eu que fazia, negociação, ou terceirizava, eu era um coordenadorzinho, digamos assim, e sabe, Luciano? Fui aceitável na função, não fui maravilhoso também não porque não era uma coisa que eu tinha um prazer enorme, eu sempre ficava meu Deus, quando é que eu vou sair daqui para fazer o meu negócio, embora eu estivesse vivendo bem, fiquei 5 anos nessa vida. De 5 a 6 anos.

Luciano              Com 30 anos?

Bruno                 É, foi dos 30 aos 35 que eu… 29, antes, graças a Deus, se eu tivesse feito 30 do jeito que eu estava lá, eu ia falar poxa, que derrota, fui para Barcelona, voltei, com 30 anos não tinha conseguido me erguer ainda e com 29, em novembro, no final de novembro eu faço aniversário em janeiro, 27 de janeiro, final de novembro eu tive o sim do senhor Fábio, na época, e comecei a trabalhar, aí fiquei de 30 até 35.

Luciano              Por que que você comeu o pão que o diabo amassou lá?

Bruno                 Porque se você é um cara que lê livros de gestão de pessoas, você vai ver  que no dia a dia não funciona muito daquela forma, o que acontece? Um projeto complexo, uma empresa nova no Brasil, para você ter ideia, trouxeram um cara de procurement que é da Itália, o procurement, para quem não sabe, é a área que lida com todas as contratações e compras e etc de insumos e suprimentos, a gente traduziria como suprimentos, esse cara tinha que comprar, por exemplo, uma turbina, uma peça para caldeira que vinha da Alemanha, outra que vinha não sei o quê, você imagina um cara que não fala português direito, veio de um país da Europa tendo que lidar com a aduana brasileira, o tanto de coisa que não agarrou, então tudo isso se reflete no RH, porque todas as minhas contratações tinham a ver com a chegada de determinados materiais, num projeto é assim, você tem um histograma, você tem um cronograma, chegou máquina, tem que chegar pessoas, acabou tal parte, a pessoa tem que ser demitida e etc e uma pressão muito grande, uma pressão absurda, os dead lines do projeto, um projeto desse cada dia que atrasa aí é 50 mil, 100 mil, 150 mil de multa e não é processo, é projeto, tem um início, meio e fim, quando abre  o projeto eu tenho que botar cem pessoas num período de um mês e meio, aí depois essa curva abaixa um pouquinho, no final tem que desligar um tanto de gente, então eu comi o pão que o diabo amassou no sentido de eu aprendi a trabalhar com pressão, aprendi a trabalhar com gente em cima de mim, os italianos são muito acolhedores, mas se você vê dois italianos batendo um papo de repente dentro de uma sala, você acha que eles estão se matando, se xingando, aí você para e fala eles estão conversando, então no início foi um pouquinho complicado para mim, acostumar com essa porra desse sangue quente e eu era um capiau, eu me formei em psicologia, não me formei em RH, eu entrei lá e eu tive que  aprender tudo na marra, Luciano, como é que funciona isso, regra daquilo, protocolo daquilo, e não tinha vivência de empresa, eu não tinha vivência de cidade grande, de repente eu estava em Belo Horizonte, ali no bairro de Lourdes, trabalhando numa sala do prédio mais novo da cidade, tinha um prédio Top Hill Tower, que chamava o prédio, com uma janela enorme do meu lado assim que eu via a Av. Bias Fortes toda. Então me jogaram lá em cima de novo e foi mais uma vez que eu subi, eu falei pô, agora não posso cair de novo que eu não vou aguentar outra porrada dessa não e sofri, mas foi bom, foi bom, teve momentos bons também, ia para Fortaleza, ficava em hotel bacana, tomava caipirinha, me divertia, ia para São Luís do Maranhão, até que um dia acabou, na verdade eu fui transferido, no final eu fui transferido para Fortaleza, morei lá para fazer um encerramento do projeto, nessa época uma outra empresa muito grande também me chamou e eu voltei para Belo Horizonte, fiquei lá em Belo Horizonte um ano na mina do projeto Serra Azul, a Mina de Itabirito, até que aconteceu o problema, porque quem era o cliente final dessas duas empresas que eu trabalhei? O Grupo X…

Luciano              Eike Batista.

Bruno                 … é, exatamente, ele era meu patrão indireto, era patrão dos meus patrões, era contratante dos meus chefes, entendeu? E aí um belo dia, já voltei para Belo Horizonte, eu estava em Fortaleza, voltei para Belo Horizonte, um belo dia, em abril, se não me engano, de 2013, o cara chama todo mundo, me chama e fala Bruno, eu era coordenador também, vamos ter que desligar 300 pessoas, o projeto vai parar, era na época do negócio da OLX lá…

Luciano              OLX não, é qualquer coisa X.

Bruno                 É na época da X lá do óleo, que o Eike ia furar e tudo e não furou, não saiu, seja lá o que foi e aí começou uma quebradeira, começou uma contensão de custos e nessa época eu estava na MMX, a cliente era MMX.

Luciano              Eu palestrei para eles.

Bruno                 Palestrou para eles? Pois é, lá em Fortaleza era MPX, dessa de energia, que é o power, a MMX era essa última que eu estava e foi coincidência, as duas empresas serem, coincidência não, que o cara estava contratando todo mundo no Brasil fazendo tudo e aí parou, eu tive que mandar, Luciano, 400 pessoas embora, fazer junto com a equipe, eu tinha uma equipe de quatro meninas ótimas que trabalhavam comigo, 400 pessoas, nós fizemos, foi num salão, um dia inclusive fizemos lá uma coisa para o pessoal assinar e eu fiz a minha carta de demissão, eu era o coordenador de RH, eu fiz, eu imprimi, eu assinei.

Luciano              400, isso é uma carnificina, 400 demissões. Uma coisa é você estar atuando numa empresa que tem um projeto e a gente já sabe, eu vou entrar, o projeto tem uma duração X, no final provavelmente eu vou ter que me desligar ou se não aparecer outra coisa vou ser desligado. Outra coisa é você chegar lá e de repente alguém te chamar e fala Bruno, acabou, parou tudo, não é mais nada do que era ontem e nós vamos mandar 400 caras embora.

Bruno                 E o gelo na barriga.

Luciano              Como é que se manda uma pessoa embora? Eu não quero saber de 400, 400 acho até que é mais fácil.  Como é que você manda um embora?

Bruno                 É o seguinte, depende de como você vai mandar essa pessoa embora, eu estou acostumado a fazer desligamentos, é sempre um momento tenso, nesse caso específico, vou dizer já do geral, mas nesse caso  específico, o projeto tinha acabado, então não era culpa da pessoa, não é porque você fez isso ou porque você fez aquilo, o projeto acabou, eu também vou, então é mais fácil, embora fosse uma comoção geral, o meu chefe, o Elcio Pereira, uma pessoa muito bacana, na época juntou todo mundo, fez uma palestra, explicou, foi bem acolhedor, isso aí eu tenho eu respeitar a empresa porque dentro do possível fizeram com acolhimento, contrataram um outplacement, uma empresa, chamamos lá para vir, fizemos um pacote, tentamos fazer uma parceria para ajudar as pessoas. Agora, demitir pessoas é extremamente complicado, a gente acostuma, vira um processo, mas o que a gente faz é chamar, acolher, eu faço questão de dizer o que não foi bem, porque tem gente que demite e não diz o que aconteceu, para ver se eu dou a chance à pessoa de perceber aquilo e melhorar, olha você está sendo desligado por causa disso, disso é disso, tem isso é isso de bom, aponto o que é esse bom e fazer o que, Luciano, é duro, mas às vezes a gente tem que fazer, já fizeram comigo também, eu não sofro para fazer, eu fico sensibilizado com a situação da pessoa, as empresas em que eu estive, deram algum suporte no sentido de ajudar com alguma coisa, deixou um plano de saúde por mais tempo, fazemos um pacotinho de saída, digamos  assim, mas não é uma coisa fácil é extremamente desagradável de você fazer, você desligar a pessoa.

Luciano              Muita gente me perguntou já como é que faz isso aí e a reposta que eu dou: não tem receita. A única coisa que eu posso entender é o seguinte, eu posso dar alguns elementos, mas não consigo te dar a receita, o elemento primeiro que você tem que ter é respeitar a pessoa que está lá com você, quer dizer, não dá para você tratar aquilo como se fosse meramente um número, tem um ser humano na tua frente ali que não importa qual é a condição, naquele momento está acontecendo uma ruptura e é uma ruptura importante na vida de qualquer pessoa, se não for, porque o cara realmente não estava nem aí, aí não merece, mas é uma ruptura, alguém está dizendo para mim, seus serviços não nos servem mais e aí a pessoa vai receber isso de várias formas.

Bruno                 Há quem chore, há…

Luciano              Alguns com alívio, puta era o que eu queria. Semana passada eu conversei com um dos entrevistados e ele falou isso, quando me mandaram embora saiu um peso das minhas costas, eu saí, por que eu não tinha pedido antes? É uma situação interessante essa e outros não, outros vão assimilar aquilo como uma derrota terrível.

Bruno                 Eu agradeço, eu agradeço o projeto ter acabado, se não eu estaria até hoje, talvez, trabalhando não sei, mas eu agradeço de ter acontecido.

Luciano              Que foi um pontapé para você abrir o teu caminho para outras coisas.

Bruno                 Isso, que foi aí que eu me achei, eu fui me encontrar com 36 anos.

Luciano              Deixa eu só estressar mais um pouquinho, esse insight é legal aí, então você tem diante de você um ser humano que você vai mandar embora, então a primeira coisa é respeitar profundamente esse ser humano, saber que aquele é um momento de ruptura, que por mais que o cara seja forte é uma situação de fragilidade porque alguém está dizendo para ele que “você não é tão bom”, rejeição, esse é o ponto. E de repente, talvez eu não seja tão bom quanto eu achei que eu era e eu posso botar na cabeça que eles que são “uns merda” não entenderam nada, não sabem nada e eu sei tudo, ou então, onde foi que eu errei e fazer daquele momento em que eu dou demissão, um aprendizado, onde foi que eu errei para poder acertar, de qualquer forma é um momento de profunda incomodação e eu acho que de ambas as partes, se você disser para mim o seguinte, eu mando embora e estou frio e não estou nem aí, isso é psicopatia, eu não consigo imaginar alguém botar na frente uma pessoa, saber que ia acontecer aquilo e agir como um psicopata, sou frio e tudo mais,.

Bruno                 Mas tem por aí, existe também.

Luciano              E deve ter. Você assistiu aquele filme “Amor nas Alturas”,

Bruno                 George Clooney

Luciano              “Amor sem Escala”

Bruno                 Demitiram todo mundo pelo mundo a fora…

Luciano              Isso aí, e o cara chegava lá

Bruno                 É baseado numa história real.

Luciano              Isso aí é… a função  do cara era essa, ele ia lá para demitir todo mundo e tudo bem, até entendo a função dele porque ali havia um desprendimento emocional. Eu não sei qual é a pessoa, nunca vi na minha vida, não sou o cara de RH na empresa que estou aqui com você no dia a dia.

Bruno                 É mais fácil do que alguém com quem você trabalhou.

Luciano              Exatamente. Então “estressa”  um pouquinho mais isso aí, a pessoa está na tua frente, você dá a notícia, ela chora, e aí?

Bruno                 O que é que eu faço? Primeiro, quando a pessoa vem, pela gravidade do olhar, do jeito, a pessoa já intui alguma coisa, são poucos que são desligados sem fazer ideia que são desligados, porque a gente dá um aviso, a gente conversa e tudo, então eu chamo a pessoa, tem pessoa que já sabe e a primeira coisa que eu faço é: eu dou a notícia e eu  pergunto, você faz ideia de porque isso está acontecendo? E aí vai da serenidade da pessoa dizer que faz ideia ou não faz ideia e tudo, então tem pessoas que aproveitam isso para desabafar e pedir orientação e agradecer; tem pessoas que revoltam, tem pessoas que choram, teve uma menina que quase entrou em desespero porque tinha largado um outro emprego e nesse caso nem foi por culpa dela, foi por causa de um projeto. O que eu faço? Eu fico com a pessoa o tempo que for preciso para ela se acalmar, eu não fazia sozinho os desligamentos, tinha uma outra pessoa, então basicamente ela senta, eu não enrolo, quando senta eu já informo, pergunto como é que a pessoa enxerga isso, pergunto se a pessoa gostaria de um ponto de vista meu a respeito daquela situação, principalmente nos casos em que a demissão foi motivada, ou por uma incompetência técnica, ou o que era 90% das vezes, por incompetência comportamental, eu contratei muito engenheiro por causa de currículo e bom e mandei embora porque o cara era um animal lá dentro e aí eu dou esse feedback, espero a pessoa se acalmar e aí a gente sempre tem um pacotezinho de amenidades que é para ficar com o plano de saúde, você vai receber isso aqui e tal, a gente dá uma ajuda, dá uns direcionamentos, às vezes não pagava o outplacement, mas fazia um mapeamento das empresas de outplacement, para quem não sabe outplacement é empresa de recolocação no mercado, para ajudara a pessoa. Agora, quando você manda muita gente embora, Luciano, torna-se uma rotina, não fica menos pesa…

Luciano              Impactante.

Bruno                 … não fica menos impactante, mas torna-se uma rotina, você tem que fazer, se você cria um certo calo, então você para de sofrer um pouco, mas você vai depender da pessoa, mantém o respeito, a gravidade que o momento exige, não dá para você fazer de maneira leviana mesmo que aquilo seja um processo que você faz todos os dias, aí é o caso de respeitar o ser humano que está na sua frente e dizer para ele, olha é isso que aconteceu, em algumas vezes você errou mesmo, leva isso da melhor forma que você puder.

Luciano              E você está dando uma visão de uma empresa organizada, grande, que tem processo e tudo mais. Essa coisa fica muito mais complicada quando é o dono do boteco que tem três balconistas e vai mandar um balconista embora.

Bruno                 Aí, eu já vi acontecer, geralmente não tem, não tem nada de… porque o próprio dono não tem esse tipo de sensibilidade muitas vezes ou não está acostumado. Eu sou um psicólogo, eu fui preparado para fazer isso de certa forma, tenho essa dimensão do acolhimento, mas você vê por aí processos de desligamento, são traumáticos para várias pessoas, na verdade é o que mais tem, Luciano, todo dia tem e com uma violência enorme.

Luciano              Deixa eu aproveitar, você está me dando aqui um insight legal que é um negócio que eu sempre quis falar no LíderCast e não tinha encontrado a chance ainda, que é um pouco da minha vivência também. O momento de, assim como o momento de admissão, o momento de demissão também é um momento raro, não é uma coisa que acontece todo dia, toda hora a menos que você esteja… eu estou na frente de uma área de RH de uma empresa de milhares de pessoas, não, isso normal não é, eu sou líder de uma área, não sou o cara de RH, mas tem ali uma equipe trabalhando comigo, é um fato raro contratar alguém e é um fato raro mandar alguém embora, eu diria até que é mais raro mandar embora do que contratar no dia a dia, pelos menos pela minha experiência na empresa que eu tenho lá. Esse momento de mandar alguém embora é um momento de uma … isso vale ouro, é o momento de uma importância fundamental para a equipe que fica se você, como líder, entender que naquele momento você tem ouro na tua mão e o ouro quer dizer o seguinte aqui, vou dar o que eu cheguei a fazer algumas vezes, a maioria das vezes que eu tive que mandar alguém embora, foi por um problema comportamental, nunca foi por problema de capacidade técnica ou não, porque isso aí a gente ensina, o problema é comportamento mesmo, é atitude e comportamento. Legal, foi lá, era uma grande família, etc e tal, tinha que mandar alguém embora, o que eu fazia imediatamente de manhã é o seguinte, no dia seguinte, ou na hora seguinte, na sequência, era uma reunião com a equipe todinha, entrava na sala, muito bem, o Zé foi mandado embora, alô equipe, uma pergunta que eu vou fazer para vocês: vocês sabem por que ele saiu? Vamos lá, eu não vou falar nada aqui, eu quero que vocês me digam por que esse cara saiu do grupo e nesse momento o grupo exercita a sua e você acaba descobrindo que todo mundo sabia que ele seria mandado embora e por qual razão seria isso e o grupo explicita isso, isso é um momento de aprendizado fantástico porque é o momento em que você usa aquele momento traumático da demissão para que o grupo entenda que um elemento do grupo acabou de sair por uma questão comportamental que eu não devo repetir porque se não eu vou fazer também.

Bruno                 O grupo já sabia, só que fazendo isso você frisa isso para todo mundo, todo mundo olha para isso no mesmo momento.

Luciano              E transforma num momento de educação. Aquilo é fantástico e o resultado, a turma vinha falar comigo depois, pô cara, estava demorando, você fala por que vocês nunca falaram para mim? Pô demorou para mandar o cara embora. Imagina que eu vou chegar lá e vou falar que o cara… então eu fico de cara amarrada, o cara não performa bem, eu vou me foder porque ele não fez a parte dele, mas eu engulo aquilo, eu não  vou levar adiante isso aí porque é muito chato eu entregar isso para o chefe.

Bruno                 Tem um outro assunto que dá para abrir em cima disso, mas sim, as pessoas não dizem as coisas e deixam o problema transbordar, isso aí eu não fazia viu, é até interessante, o que eu fazia, nós fazíamos uma entrevista de desligamento com quem saiu para ver o que quem saiu, o que ele opinava sobre a empresa e como o cara já não tem rabo preso com mais nada, ele solta tudo, às vezes para o bem,  às vezes para o mal e a gente pegava esses elementos e fazíamos uma reunião com o RH, mensal, para avaliar quais eram as devolutivas dos desligados, por quaisquer razões que fossem a respeito da empresa e aí a gente usava isso, dentro do possível, para enriquecimento da empresa. Digo dentro do possível, porque tem as urgências da empresa e tem as pessoas que não… o pessoal da linha de frente nem sempre tem essa sensibilidade tão grande. O que eu vejo muito em empresa? O cara é bom técnico, você põe o cara para liderar a equipe, mas o cara é um péssimo líder, ele é um bom técnico, aí você perde o bom técnico, ele não presta como líder. Aí você tem um chefe que é técnico bom, mas o cara não tem pulso de líder, daqui apouco você tem um menino novinho dando bronca nele, lá dentro do salão, entendeu? Porque o menininho é novo, mas tem veia, tem sangue na veia para liderar e o cara não tem, isso é uma coisa que eu vejo até hoje em RH, então você subir a pessoa porque ela tem um conhecimento técnico,  mas ela não tem a menor habilidade para lidar com outras pessoas.

Luciano              Isso dá 16 LíderCast’s, esse mês.

Bruno                 Dá mesmo.

Luciano              Mas vamos lá, o Eike puxou o tapete e você falou estou na rua, cá estou eu na rua. Com que idade?

Bruno                 Pois é, 35 anos.

Luciano              Foi ontem.

Bruno                 34 para 35 anos. Foi ontem, eu estou com 38 e meio agora.

Luciano              Você tinha família, tudo, como é que estava?

Bruno                 Não, eu fui casado uma época, mas não cheguei a ter filho, não tenho filho, nessa época eu estava solteiro, estava divorciado, graças a Deus não estava com uma carga muito grande, mas estava morando bem em Belo Horizonte, pagando na época lá R$ 1.700,00 de aluguel num flatzinho bacana e tudo, piscininha, aquela coisa toda, puxou o tapete, entendeu? Eu estava ganhando na época R$ 10.000,00 para mim estava bom, eu estava solteiro, não tinha nada e puxou esse tapete, falei puxa e agora, o que é que eu vou arrumar? Aí, Luciano, foi onde começou a jornada que as coisas que eu estou fazendo até hoje, que provavelmente foi o que chegou até você, por isso que eu estou aqui hoje. O que é que eu fiz? Falei pô, outro emprego eu não quero, não aguento mais empresa, não, vou ter que dar um tempo e aí falei, vou voltar para consultoria, agora chegou aquela época em que eu tive a vivência da empresa e tudo, vou voltar para a consultoria de RH e fui estudar sobre como é que você se coloca como um consultor e aí eu encontrei dois caras, um deles chama Alan Weiss, um norte-americano…

Luciano              O consultor de ouro.

Bruno                 … você conhece o Alan Weiss?

Luciano              Claro que eu conheço.

Bruno                 Pois é, o Alan Weiss, ele tem um…

Luciano              O palestrante de ouro e o consultor de ouro.

Bruno                 … é, na verdade a million dollar Consulting, aí traduziram.

Luciano              O que eu acabei de te falar aqui são os nomes de dois livros.

Bruno                 É “Million Dollar Speaker”, “Million Dollar Consulting”, tem um “Million Dollar Coaching” também, que foi traduzido como “Coaching de Ouro”, foram os três dele, ele tem 46 livros, mas ele é um cara de um estilo muito atrevido, não sei se você conhece, se já viu a figura dele falando e comecei a devorar o Alan Weiss, eu achei no Google por acaso alguma coisa dele e falei pô, o cara é ácido, o cara é sarcástico, eu gosto, o cara me dá tapa na cara, eu tenho esse estilo, eu gosto que me desafiem, que se você  me tirar , dependendo de como você me tirar eu fico mais seu fã, aí fui ler o Alan Weiss e daí fui pesquisar mais coisa, cheguei num cara que chama Michael Port…

Luciano              Só que antes deixa eu dar a dica, o Alan Weiss, ele tem esses livros editados em português, não é barato, o livro custa caro aqui, mas chama-se “O Palestrante de Ouro”, “O Consultor de Ouro”, e não sei se já botaram “O Coaching de Ouro” aqui…

Bruno                 Acho que tem também.

Luciano              Todo mundo que me escreve perguntando como é que eu faço para ser palestrante, etc e tal e um amigo meu que manifestou o desejo de ser consultor eu recomendo o livro e eu dei o livro para esse amigo meu, comprei, entrego para a pessoa e falo o seguinte: esse livro aqui é uma bíblia, 30% do que tem aqui não se aplica no Brasil, porque é na realidade norte-americana, lá funciona e aqui não, mas os setenta que tem aqui são fantásticos, então você tem ideia aí de transformar e num negócio a tua carreira como palestrante, etc e tal, o palestrante de ouro Alan Weiss vale ouro.

Bruno                 Vale, ele mudou minha vida, isso aí eu posso falar tranquilamente, eu escrevi para ele, ele me respondeu, curto e objetivo, mas ele me respondeu, foi educado, ele tem um estilo bem… mostra os cachorros dele, o cara tem um Bentley, bota os dois cachorros para andar em cima do carro. Aí Alan Weiss, primeiro rolê model, depois eu descobri um cara chamado Michael Port, não é o Michael Porter, esse Michael Port é um ex ator norte americano, ele escreveu um livro chamado “Book Yourself Solid”, é até difícil de traduzir, é como se fosse lote a sua agenda alguma coisa, aí que eu descobri que para você vender serviço de consultoria você não vende, você tem que ser comprado, para isso você precisa criar reputação e foi com o Alan que eu aprendi o conceito do marketing gravitacional, o gravity marketing, que é você produzir conteúdo e eu comecei a produzir conteúdo, eu comecei a escrever artigos,  eu gostava de escrever já, comecei a escrever  para uma rede chamada “O Gerente”, durante um tempo eu escrevi e a partir desses escritos e de frequentar alguns eventos, comece a fazer alguns vídeos, começaram a surgir algumas oportunidades e aí eu falei poxa, então eu crio, eu manifesto poder de fogo intelectual, esse intellectual firepower é uma expressão que eu aprendi com o Alan Weiss, essa manifestação chama a atenção de algumas pessoas e isso abre portas para mim, as pessoas veem até mim e um dia, Luciano, comendo um pedaço de batata lá no almoço eu falei, tive um estalo, falei pô, mas tudo isso que eu uso para vender serviço de consultoria, para ser comprado como consultor que está dando certo, seriam os mesmos princípios que um psicólogo poderia usar, que eu sou graduado em psicologia, para construir a reputação dele…

Luciano              Ou um advogado.

Bruno                 … ou um advogado, ou um engenheiro, exato…

Luciano              Ou um padeiro, ou…

Bruno                 … quando é um serviço intelectual, acho que casa mais ainda, mas sim, você pode usar isso para qualquer serviço. Você vai num supermercado bom de São Paulo aqui hoje, num sábado de manhã, você almoça de graça e fica bêbado de graça de tanto marketing de dois passos que tem, o cara deixa você provar, ele te dá o conteúdo dele, o queijinho, o vinho. Aí eu falei, eu vou ser o Alan Weiss da psicologia aqui no Brasil, eu escrevi isso para o Alan Weiss depois, eu não usei o seu trabalho para ser consultor, eu usei o seu trabalho para criar o mesmo trabalho que você faz, para um outro público. Aí eu falei, vou falar disso para psicólogos, que nome eu vou dar para isso? Empreendedorismo. Eu trato o empreendedorismo como um traço de comportamento, não tem a ver com você abrir uma empresa necessariamente, é uma maneira de você estar no mundo, de você olhar o mundo e você agir. Aí falei, vou criar uma página chamada empreendedorismo para psicólogos, falei isso com três amigos, falaram você é doido, psicólogo não entende nada de empreendedorismo. Falei eu sei, por isso vou criar a página. Mas psicólogo não quer saber disso. Falei é isso que nós vamos ver. Aí fui para o Facebook, criei a página, Luciano, e em um mês eu tinha ali duas mil, duas mil e quinhentas curtidas, o que eu fiz foi pegar e eu fui ler Alan Weiss, fui ler Michael Port, fui ler aquele carequinha lá, esqueci o nome dele…

Luciano              Yusef Golden

Bruno                 Yusef Golden, isso, as tribos e etc, aí peguei um pessoal do Brasil também, conheci o Conradon Adolfo, fui beber dessas fontes e aí eu fiz o meu crafting lá e comecei a criar os posts, dar esses insights para a psicologia.

Luciano              Até esse momento você não está gastando um tostão, a não ser comprando um livro aqui, assinando um negócio… nada, você não está gastando dinheiro até agora.

Bruno                 Não, eu comprava, não, fui ali numa livraria online, comprava um livro, baixava uns textos do livro do Alan Weiss, do Michael Port, o Google Reeds tem para você ler uma parte, você lê 30, 20% do livro às vezes, gastei nada, gastava fosfato. Gastei nada. Fiz uma funpage no Facebook, comecei a impulsionar ela com um real por dia, dois reais por dia e gastando nada, dando aula de inglês paralelamente e fazendo consultoria, estava numa consultoria de RH também, de uma empresa lá em Contagem. E foi crescendo, crescendo, aí eu comecei a escrever artigos e aí eu fiz o primeiro site do psicólogo empreendedor, psicologoempreendedor.com.br, comecei a escrever artigos e a minha proposta para os psicólogos foi algo que assim, eu tive muita felicidade de entrar no nicho na hora certa, com a informação certa e não para minha surpresa, mas eu não  deixei de ficar estupefato, é que as pessoas foram lendo, aplicando e funcionava e aí eu fui tendo retorno e ai eu criei esse site, esse site se transformou numa palestra, eu comecei a fazer essa palestra em alguns lugares, escrevi alguns artigos, eu escrevi um artigo, Luciano, isso é uma coisa que eu falo, a força de você manifestar conhecimento para você ser reconhecido, eu escrevi um artigo chamado três coisas que você não deveria fazer logo após se formar em psicologia, para quem quer empreender, esse artigo levou 10 mil visitas para o meu site em 24 horas, um artigo me rendeu  convite para palestras, venda de curso e etc. Então comecei com uma página, a página se transformou no site com alguns artigos, a pagina e o site e os artigos, depois se transformaram num curso online, um editor leu um dos meus artigos, me chamou, isso se transformou num livro, que chama “Psicólogo Empreendedor”, está esgotando agora a primeira edição da Editora Sanar e isso tudo virou o que eu faço hoje que é: eu criei uma empresa chamada “Academia do Psicólogo”, que o slogan dela é “um novo tempo para a psicologia no Brasil”, o que eu faço hoje, Luciano, é preparar psicólogos para organizarem o seu trabalho e aí isso tem a ver com essa parte de business e tem a ver com um pouco da minha vivência pessoal que é um aborrecimento que eu tinha com a forma como as autoridades da psicologia no Brasil falavam do negócio. Existe uma cultura que se você faz psicologia você vai morrer de fome, você não vai conseguir as coisas. Existe uma cultura de que vender o serviço de psicologia também é uma mercantilização, existe uma coisa meio sagrada e eu vim no meio para dizer gente, não é assim, pô você está vivendo, goste ou não, você está vivendo no meio do capitalismo, você precisa sobreviver, você não precisa ser um egoísta cretino, mas como é que você se organiza para sobreviver, essa foi a minha fala e foi por isso que a coisa deu certo. Então desde então eu tenho feito esse trabalho de acolher esse psicólogo que sai da faculdade ou que está ali no mercado, porque a psicologia, ela não tem um problema de conteúdo, ela tem um problema de embalagem muito forte. As pessoas hoje já começaram a entender que cuidar da saúde psíquica, da saúde emocional é interessante, só que geralmente as pessoas não buscam um psicólogo para fazer isso, por exemplo, eu tenho formação em coaching também, você vê que o coaching está aí bombando para todo lado, o coaching hoje, ele ocupa um lugar que a psicologia também poderia ocupar no imaginário popular, hoje todo mundo, quase todo mundo pelo menos, toma banho porque sabe que é uma questão básica de higiene, as pessoas se exercitam hoje, se fosse antigamente, só atleta fazia exercício, esse negócio de todo mundo malhar, cuidar do corpo, cuidar da alimentação é uma coisa relativamente nova, mas já pegou também um bocado e agora as pessoas estão começando a cuidar mais da saúde emocional, só que a psicologia não estava pronta, ou não tinha uma cara para apresentar para essas pessoas…

Luciano              Não tinha uma cara porque está…

Bruno                 … não tem ainda…

Luciano              … você vai botar diante de mim, psicologia tem a ver com doença, coaching tem a ver com crescimento profissional.

Bruno                 … eu quero falar uma coisa sobre isso…

Luciano              Eu estou falando em termos de percepção, quer dizer, o que é a psicologia? É para tratar de alguém que tem um problema.

Bruno                 … você está quebrado, você está mal,  você está doente…

Luciano              Eu vou me curar com um psicólogo. Coach não, o coach é para…

Bruno                 … crescer…

Luciano              … exatamante.

Bruno                 … pois é, aí deixa eu te contar um caso simples sobre isso: se você entrar no site da Universidade da Pensilvânia e ler um artigo de um cientista chamado Martin Seligman, ele vai dizer num dos primeiros artigos dele o seguinte: até os anos 40, 50 a psicologia como ciência, tinha três grandes objetivos, Luciano, olha só: identificar e desenvolver talentos, tornar a vida das pessoas em geral como mais significativa e identificar e tratar doenças mentais ou situações de patologia. Essa era a missão da psicologia até meados da década de 50, década de 40. Segundo Seligman, por causa do pós guerra nós tivemos um surto de estados emocionais, de doenças emocionais no mundo todo, mulher que perdeu o marido, perdeu o filho; o cara que foi para a guerra e voltou e isso foi na Europa toda, foi nos Estados Unidos, menos no Brasil e tudo, mas no mundo todo surgiram vários quadros de doença mental ou de enfermidade mental, neste momento, segundo Seligman, a psicologia, ela tirou um pouco o foco dos dois objetivos e foi para a doença, para a patologia e foi muito bom porque nessa época se descreveram distúrbios, se criaram processos que chegaram ao que se chama de cura clínica em vários distúrbios. Agora, segundo o Seligman o problema é que a psicologia foi para a doença e da doença não saiu, então aí que o Seligman vem falar uma coisa que não tem nada a ver com o meu trabalho e que ele vem propor a tal da psicologia positiva, que é uma ciência muito séria que está virando arroz de festa no Brasil como muita coisa vira arroz de festa no Brasil, mas é uma ciência muito séria, a psicologia positiva trabalha com o conceito de florescer, ele criou, não sei se você sabe, tem o DSM que é o manual de tudo o que é desgraça em termos de, digamos assim, problemas psíquicos que o ser humano pode ter, as catalogações lá, ele criou o contrário disso, criou um manual de forças e virtudes, a psicologia positiva se preocupa com o que dá certo para o ser humano. Então a minha proposta não tem nada a ver com psicologia positiva, um dos pilares da minha proposta é a psicologia é desenvolvimento, o cara não precisa estar quebrado para vir até você. Eu tive um amigo em Belo Horizonte, sentou, bateu na mesa e falou assim pô, contratei um coach, tirando onda, você imagina o cara sentar na mesa e falar pô, contratei um psicólogo, agora vocês vão ver. Não, eu tenho vergonha de contratar um psicólogo, entendeu? Então o meu movimento é esse, a gente e tem uma ciência centenária por trás e a gente não sabe embalar ela para vender para as pessoas, a gente precisa educar as pessoas também para consumir os nossos serviços de forma consciente, não é empurrar serviço nos outros, educar. Aí vem o coach, por exemplo, e faz isso de uma forma, em alguns momentos, até espalhafatosa, mas faz. O coaching tem toda a embalagem que a psicologia não tem e tem muitos coachs competentes, não precisa ser psicólogo para ser coach, tem muito coach competente, agora o coach tem muito de comportamento. Agora o coaching tem muito de comportamento, você pega um grupo de profissionais que tem uma ciência centenária atrás de si, estudam cinco anos, esse cara se forma, ele não faz ideia do que fazer aqui fora, porque não falaram com ele isso na faculdade, o conselho da profissão não fala disso, aí ele vê o cara que faz uma formação em coaching em 15 dias ali às vezes, daí a pouco o cara está bombando, o cara não tem horário e ele está lá abandonado, o que eu faço hoje é ensinar esse cara a embalar esse conhecimento, construir essa reputação e transformar a vida das pessoas e tem funcionado, felizmente, isso é uma causa para mim por…

Luciano              Você criou uma empresa então, é uma startup, uma empresa, o que é que você fez?

Bruno                 Hoje é uma empresa. Primeiro…

Luciano              Com S/C Ltda, que tem CNPJ e tudo?

Bruno                 Tem CNPJ, eu tenho um sócio, começou, só para dar um frame rápido, começou com Facebook, se transformou no site Psicólogo Empreendedor, curso online Empreendedores para psicólogos, vendidos ai nesse sistema de hotmart, essa coisa toda, depois o livro e aí uma coisa muito interessante, se você não sabe fazer alguma coisa terceiriza, eu chamei o meu sócio, que é um cara da área de engenharia, ele começou olhando e falou Bruno, tá bom, eu quero entrar nisso aí e aí nós resolvemos, não posso ficar só com esse curso, não posso ficar só com isso, vamos montar uma coisa maior? Aí nasceu o conceito da academia do psicólogo, que hoje é uma empresa, Academia do Psicólogo e uma empresa de educação e treinamento para psicólogos que querem aprender a usar o seu conhecimento de psicologia, pegar esse conhecimento e embalar esse conhecimento de forma que a sociedade se interesse por ele.

Luciano              Se eu não for psicólogo eu também tenho acesso?

Bruno                 Você tem acesso, o nosso público alvo é psicólogos, eu tenho uma fonoaudióloga fazendo o meu curso.

Luciano              Eu, por exemplo, eu sou um palestrante que cuido de liderança e etc e tal, eu  posso entrar lá e…

Bruno                 Pode, eu conheci um cara de marketing, ele falou o seguinte, Bruno esse negócio é um frango básico, lá em casa eu tenho um frango básico que eu congelo ele, um dia eu faço ele com pimenta, um dia eu faço ele com cenoura, um dia eu faço ele com molho shoyu, você pode embalar isso pra o que você quiser, eu não fui ainda, mas poderia, isso serve para advogado, isso serve para qualquer profissão.

Luciano              Eu te provoquei isso aí porque o pessoal me pergunta, fala bastante, como eu lido em muitas frentes, me perguntam o que você é? Eu sou um profissional de comunicação, isso é o primeiro ponto, então como profissional de comunicação eu tenho uma coisa que pouquíssima gente tem que eu posso falar de qualquer assunto do ponto de vista da comunicação, você quer que eu fale de  física quântica? Eu falo para você, eu não vou me atrever a te dar aula de física quântica, não vou me atrever a falar sobre conceitos que eu não entendo picas de física quântica, mas eu posso, como um cara de comunicação olhar e falar pô, eu vou falar como é que eu vejo a física quântica na minha vida, entendeu? Eu consigo falar alguma coisa, pesquisar um pouquinho mas não  vou me meter a dar aula porque eu não sei nada a respeito. E um dos lugares que eu mais busco informação quando eu preciso escrever sobre política, sociologia, vendas, administração, é na psicologia, as minhas fontes são psicologia entendeu? Eu vou lá, vou mexer, deixa eu cutucar e ver se esses caras que lidam com psicologia…

Bruno                 Comportamento é com a gente muitas vezes.

Luciano              …  pô, vou escrever agora sobre o julgamento do Temer no TSE, eu vou bater num lugar de psicologia, vou procurar no site, deixa eu ver como é que esses caras falam sobre essa coisa da política, a psicologia da política e de lá vem sites maravilhosos, isso aí é quase como arroz, feijão e que para te  alimentar, para você criar uma coisa lá na frente, não importa, você que está ouvindo a gente, o que você faz na vida? Tem uma base na questão da psicologia, é um negócio absolutamente…. vai te dar assim uma vontade competitiva fantástica porque você vai entender as raízes de certas coisas que acontecem no dia a dia e que por não chegar perto da psicologia você não sabe de onde vem e ali você tem uma explicação e aprende a trabalhar com isso.

Bruno                 Exatamente. O Alan Weiss por acaso, ele tem um doutorado em psicologia, não é para ser psicólogo, é para criar perspectiva, para criar perspectiva e o que eu faço hoje, o que eu oriento as pessoas a fazerem, que eu acho que é o que você faz também, de certa forma é educar, o que eu digo hoje? Se você é um psicólogo, qualquer profissional, agora trabalha como profissional liberal, que é construir alguma reputação, eduque as pessoas de graça a respeito de algum tema que possa ser relevante para elas e eduque com o objetivo de entregar alguma coisa. Eduque que eu falo é o seguinte: crie perspectivas, não é dar aula, cria perspectiva, apresente ponto de vista e queira ser o universo dessas pessoas, dê informação, isso é uma coisa que eu aprendi com Michael Port, hoje, Luciano, 30% do meu conteúdo é aberto e eu dou muito do meu conteúdo bom aberto, as pessoas ficam com medo, falam vai dar o conteúdo o cara vai embora, não, às vezes eu dou o conteúdo quase todo, o cara quer vir para saber mais…

Luciano              E se de graça eu já ganhei esses insights maravilhosos…

Bruno                 … imagina se eu pagar alguma coisa…

Luciano              … imagina o que não vai ter lá dentro para…

Bruno                 … se você garimpar todo o meu material hoje, você, de certa forma, não precisaria fazer o meu curso, mas eu tenho gente que compra o meu livro, que é a descrição toda do processo e mesmo depois de comprar o livro quer vir fazer o curso, que é outra experiência, porque a pessoa pode perguntar, então não fica com miséria de dar… Isso aqui é para quem tiver ouvindo, que trabalha com…. um advogado, é um psicólogo, é um profissional de nutrição, não fica com miséria  de dar conhecimento, parece coisa piegas, mas você dá para a vida, a vida te devolve. As pessoas ficam gratas, elas vêm pedindo você, tem gente que vem me pedir, faz um curso para mim, eu preciso comprar um curso seu, eu não estava pensando em fazer curso e foi assim que nasceu.

Luciano              É a tal da criação da reputação, eu preciso de alguma coisa que é o nome, onde é que está o nome de alguém que trabalha com isso aí, eu vou chamar essa pessoa para trabalhar aqui.

Bruno                 Exato.

Luciano              Deixa eu aproveitar o embalo aqui então de a gente dar mais uns insights para a turma que está nos ouvindo aí, que quando você fala dessa história toda de a gente trabalhar com venda de conteúdo, etc e tal, então o tal do content, eu produzo conteúdo, essas coisas tão bonitas que receberam rótulos.

Bruno                 Está na moda.

Luciano              Eu cansei, várias pessoas vieram falar comigo, como é que eu faço, eu queria escrever um livro, como é que eu faço e a primeira dica que eu dou para a pessoa eu falo você já fez seu blog? Não, como assim? Começa com o blog e o teu blog na verdade foi uma página do Facebook. Abriu teu blog? Mas o que eu vou fazer lá? Naquele blog você vai botar os seus insights, você quando era moleque tinha um diário? As mulheres sempre têm. Você tinha um diário? Então imagina que o teu blog é o teu diário, só que vai ter gente lendo, então você não pode escrever as coisas que você escrevia escondido, mas é ali, você vai chegar em casa falar pô, hoje a tarde eu estava passando de ônibus e eu vi um acidente, tinha um motoqueiro morto no chão e eu não me conformei de ver as pessoas em volta, não estavam nem aí com o motoqueiro, mas estava todo mundo de olho no cachorro que foi atropelado. Então isso é um insight que cabe como um post nesse teu blog e ali você vai exercitando essa história de botar os insights ali e de repente você fala o seguinte, pô meu sonho na vida é trabalhar com maquiagem e eu vou, durante os dias agora começar a estudar sobre maquiagem e as coisas que eu estou aprendendo de maquiagem eu vou botar no meu blog…

Bruno                 Isso, é isso.

Luciano              … e vou devagarinho fazendo isso e devagar e quando você vê tem 30 caras vendo, tem 60 caras, tem 200 caras, aí um deles te escreve, aí você escreve para ele e de repente lá na frente, daqui a 5 anos, você virou um especialista sem ter que ter feito um PHD, nada.

Bruno                 Porcaria nenhuma, não gastou dinheiro.

Luciano              Eu não sou um cientista na área que eu escolhi, mas eu sou um cara que ficou muito interessado, aprendi uma porrada de coisa e tem um monte de gente no estágio que  eu estava lá atrás, querendo saber aquilo que eu descobri até aqui e eu vou passar para eles e aí você tem um público.

Bruno                 Eu fui convidado pelo editor para escrever o livro, quando gente manda livro para a editora e a editora diz não. Eu fui convidado por causa do conteúdo prévio.

Luciano              Você reparou que o processo que você descreveu para mim foi o mesmo que você fez em Governador Valadares quando você se inscreveu naquele…

Bruno                 É…

Luciano              … foi a mesma coisa?

Bruno                 … para falar numa linguagem behaviorista, isso é expor-se às contingências, entendeu? Lá eu fiz com uma coisa diferente, não foi com esse conteúdo, mas sim, é eu meto a cara…

Luciano              É o processo, esse é o processo, onde é que as coisas acontecem? É lá. Então eu vou lá. E esse “eu meto a cara” tem a ver com aquela história da coisa dos encontros, eu acho que eu já falei isso uma vez, eu não me lembro onde é que eu li essa história toda, alguém que comentou a respeito, que a vida da gente é feita de encontros, portanto quanto mais encontros eu promover, mais chance eu tenho que as coisas aconteçam, então todo dia eu saio de manhã, vou na padaria comprar pão, todo dia eu vou comprar pão, um dia eu acordei mais tarde, tocou o telefone, eu esqueci de alguma coisa e eu perdi o meu horário, em vez de eu ir na  padaria às 7:30 da manhã eu fui às 8 da manhã e nessa minha 8 da manhã eu cruzei com uma moça que estava vindo com os cachorrinhos, um olhou para o outro, pô que legal, começamos a bater um papo e dentro de dois anos eu estou casado com ela e filhos e etc e tal.

Bruno                 Expôs-se às contingências e está atento…

Luciano              Por eu ter quebrado uma rotina eu acabei encontrando alguém que eu jamais encontraria porque não era o horário dela, então se você acha que a tua vida vai mudar com você com essa rotina, indo para o mesmo lugar todo dia, fazendo a mesma coisa, voltando em casa, ficando trancado em casa, sem se expor a essas contingências, não vai mudar.

Bruno                 Uma coisa para quem está vivo hoje e que não era da farra, nos anos 80 você não podia fazer isso com a facilidade que você faz hoje, qualquer um tem uma emissora de TV dentro de casa hoje, se você tiver um celular, o Youtube é broadcast yourself, a facilidade hoje de você construir reputação se você tiver conteúdo, é muito grande. Agora, uma coisa que eu quero chamar a atenção é o seguinte: eu acho que o elemento principal é o tesão pela coisa também, não dá para você escolher, vou pegar isso aqui, fazer isso aqui porque vai me dar grana, se você não tiver tesão. Não estou falando por um motivo romântico, eu estou falando por um motivo muito pragmático, você escrever artigo, você gravar vídeo, você gerar conteúdo quando você tem tesão,  já não é a coisa mais fácil do mundo quando você não tem, então dificilmente você vai conseguir construir verdade para as  pessoas, isso é uma coisa que eu tenho percebido muito no meu trabalho, tem momento que dá preguiça, dá cansaço, dá vontade de parar, mas eu me importo com o que eu faço, eu faço isso também, Luciano, porque eu quero mostrar a minha perspectiva, eu quero mudar a cara da psicologia no Brasil, tenho mudado, é uma birra que eu tenho com a forma como os conselhos faziam isso com a psicologia e foi por isso que eu botei a minha cara para fora, então o que você quer fazer? Tem alguma coisa que você quer mudar no mundo? Tem alguma coisa, sei lá, vai mexer com planta, vai mudar a alimentação das pessoas, vai mudar a forma como as pessoas veem, observam e criticam a TV? Tem alguma coisa aí dentro. Hoje tem espaço para fazer, fala, organiza, coloca conhecimento para as pessoas que elas vão vir atrás de você, se você fizer bem feito alguém vai te chamar para escrever um livro, um cara igual ao Luciano Pires de vez em quando vai te chamar para vir aqui falar com ele, o cara que eu acompanhava há muito tempo atrás.

Luciano              E uma coisa interessante, quer dizer, você não pode escrever um artigo se você não sabe escrever, você não pode gravar um vídeo se você não sabe falar, entendeu? Eu vejo um monte de gente: botei meu canal no Youtube, você vai ver não tem nada, até pode ter de repente um milhão de seguidores porque o cara come um lagarto vivo, o outro faz xixi na caneca e joga na cabeça do amigo, é aquela coisa horrorosa que tem um milhão de seguidores, mas aquilo não tem nenhuma sustentabilidade, não vai mudar a vida de ninguém aquilo lá.

Bruno                 Aí a infâmia mais do que a fama, de repente.

Luciano              O que atrai as pessoas. Bruno, vou voltar naquela história da pretensão e água benta não faz mal a ninguém, você, quando você anunciou que você queria mudar a psicologia, mudar a psicologia no Brasil, começou a apanhar? Ou não?

Bruno                 Pra caramba.

Luciano              Tem apanhado muito?

Bruno                 Eu apanho até hoje, eu apanho todo dia, eu apanho toda hora, o que que acontece? Quem não conhece o meu trabalho, como eu disse, a psicologia, os profissionais de psicologia têm uma visão de psicologia social muito forte e muitas vezes o capitalismo é o diabo pintado na frente dessas pessoas, então eu apanho todo dia, você está mercantilizando, uma pessoa me chamou, isso aí uma colega, você é um prostituto da psicologia e depois eu encontrei com essa menina sabe fazendo o quê? Não sobreviveu, me vendeu uma calça de marca no shopping, a menina que tinha horror do capitalismo, eu fui visitar um shopping lá em Governador Valadares, lá tem o GV Shopping, que foi inaugurado em 97, eu não falo com você, e que diante de Deus, você pode procurar depois o slogan era: venha tomar um ar condicionado, o slogan da propaganda do shopping, fui lá tomar um ar condicionado e encontrei com essa colega lá que me acusava de, por exemplo, ser um prostituto da psicologia, estava lá vendendo calça jeans. Mas enfim, tomo porrada sempre, porque algumas pessoas não entendem e acham que eu estou querendo transformar algo tão sério em uma mercadoria, digamos assim, de forma banal e não é isso, eu digo para os psicólogos o seguinte: se você  trabalhar com estratégia e inteligência, você pode trabalhar três ou quatro dias por semana, se você quiser tira outros três dias e faz o seu trabalho social, só não vai dar para você, às vezes  o psicólogo se forma, vai lá atender no CREA, por exemplo, atender um aflito, aí você olha para a cara do psicólogo e ele está mais aflito do que o aflito que ele está atendendo, porque ele….

Luciano              Ele tem que pagar a conta dele.

Bruno                 … tem que pagar conta, tem que fazer essas coisas, então eu tomo porrada sempre, se você vê um dia na minha página, tem polêmica sempre, eu estou sempre apanhando, quando você começar a dizer as suas ideias você vai apanhar Yusef Golden que quando você tiver começando a apanhar é que está ficando bom porque aí você está incomodando alguém, então assim, é se expor às contingências e receber isso, então eu tomo porrada sempre, fui chamado já no conselho de psicologia, inclusive não estou no momento filiado, porque me chamaram para querer orientar o meu discurso e eu sou, às vezes eu sou um pouco afetadinho, então eu tenho, mas isso é proposital também, além de ser do meu temperamento de eu assumir essa postura de crítica, procuro não fazer uma crítica vazia, mas eu estou nadando contra a maré. Agora, quem conheceu meu trabalho de perto e sabe as causas que eu tenho, inclusive, histórias pessoas e da minha saúde mental e tudo com isso, entende o que eu estou fazendo. Agora, apanhar eu apanho, apanho direto, outro dia um me chamou de burguês safado, você está mercantilizando a psicologia, eu estou apoiando a campanha janeiro branco, que é uma campanha voltada para a saúde mental, muito legal, é um cara que um dia pode vir até conversar com você aqui, tipo tem o Outubro Rosa, o Novembro Azul, tem gente não, essa campanha está elitizando, porque a gente orienta. Porque qual é a visão do conselho de psicologia? Saúde mental é um problema macro da estrutura social. Eu não discordo disso, existe uma cultura, uma forma como o mundo é organizado qualquer um fica doido, tem que fazer, tem que pagar conta, tem que comprar carro e tudo. Agora eles querem dizer, responsabilizar o indivíduo pela sua saúde mental é desonesto, eu digo que não é desonesto, você tem que fazer o trabalho das políticas públicas, mas você pode fazer o trabalho de conscientizar o indivíduo para cuidar de si mesmo. Você tem, por exemplo, a indústria da alimentação aí, funciona de forma a adoecer a gente muitas vezes, nem por isso uma campanha como o outubro rosa é uma campanha desnecessária ou o cuidado com a sua saúde física é desnecessária. Então eu incentivo os psicólogos a educarem, educar a população para consumir os serviços deles e isso é mal visto por alguns e eu tomo porrada e tomo porrada, não tem problema você tomar porrada.

Luciano              Ainda bem que toma porrada.

Bruno                 É, ainda bem, porque quer dizer que incomodou, porque se ninguém estiver falando nada, você não moveu nada, provavelmente, entendeu? Você está agradando todo mundo…

Luciano              E ai você desenvolve a casca grossa, a resiliência. Eu quando comecei meu trabalho, bom… você foi chamado de fascista já?

Bruno                 Ainda não, mas não está demorando, burguês safado e tudo.

Luciano              Eu já fui, de tudo o que você pode imaginar, de todo tipo de xingamento.

Bruno                 Pois é.

Luciano              E quando você começa a se expor, isso acontece naturalmente, vai acontecer, você vai chegar lá e vai dizer: bom dia e vai entrar o primeiro comentário dizendo: bom dia o cacete, quem disse que o dia está bom. Quem é você para dizer que o dia está bom se você não está aqui onde eu estou. Então é porrada de todo lado e as redes sociais ampliaram, amplificaram isso de uma forma que se você prestar atenção você fica louco, no começo o meu sangue subia e eu entrava nos conflitos, eu respondia, escrevia.

Bruno                 Eu bato boca.

Luciano              Até um dia que eu recebi um sujeito, era um doido, mas o cara me reduziu a sulfato de pó de bosta, o cara me reduziu, mas assim desonesto, eu fiquei puto da vida, sentei e escrevi uma resposta para reduzir o cara a nada, mas uma resposta maravilhosa, quando eu estava terminando a resposta eu olhei e falei, eu estou há 40 minutos…

Bruno                 Gastando a minha vida aqui.

Luciano              … respondendo a esse filho de uma puta, eu podia pegar esses 40 minutos e estar escrevendo um texto legal para as pessoas que curtem aquilo que eu faço e não estar gastando tempo com esse idiota, pô, deletei aquela mensagem, eu guardei aquilo para o futuro, não respondi o cara e falei, daquele dia em diante eu parei e falei para, boto lá um post, entra um comentário de um cara que não entendeu nada do que eu escrevi, eu ia lá antigamente, hoje eu nem vou mais, nem respondo, o tempo que eu vou levar para dizer para esse cara não foi isso que eu disse aí, eu escrevo ô fulano, muito obrigado por ter mandado esse feedback, eu adorei, eu falei, então eu vou dedicar o meu tempo todo…

Bruno                 Dar um tapa de luva.

Luciano              … não, não para ele, para outra pessoa, eu fale eu vou dedicar o meu tempo a gastar com as pessoas que estão curtindo, entendendo aquilo que eu estou fazendo e não  com aquelas que estão me odiando, então o cara me escreve para dizer o seguinte: Luciano, eu não ouço o teu podcast porque eu acho a tua voz um saco, porque você é empostado, porque você toca música velha. Você não é meu público, vá com Deus, não vou perder meu tempo com você, eu vou perder com aquele outro que escreveu e falou me emocionei com aquilo que eu ouvi, ouvi o LíderCast, aquilo foi fantástico, pô, esse cara eu quero comigo e aí você constrói uma espiral positiva e não é negativa, é o momento em que você, você falou lá no meio, como é que ele falou, o Weiss falou do crescimento, como é que é?

Bruno                 O marketing gravitacional?

Luciano              Não, falou um termo em inglês. Florish, uma coisa assim.

Bruno                 É, o florescimento.

Luciano              É um ambiente de florescimento, onde eu vou usar o tempo que eu gastaria me defendendo ou combatendo alguém, construindo uma coisa positiva.

Bruno                 Eu vou te dizer que eu estou construindo esse aprendizado viu?

Luciano              Eu parei, hoje em dia pode me xingar à vontade, a única coisa que eu botei lá é o seguinte, na minha página, xingou com palavrão, é block na hora, eu não vou discutir, block, até logo, já foi. Botou uma reclamação, vai ficar lá, a menos que seja uma coisa que você vê, pô legal, o cara me escreveu, quando o cara faz uma crítica muito legal, eu pego aquilo e faço um programa…

Bruno                 Eu também…

Luciano              … eu monto um programa…

Bruno                 … eu faço post,

Luciano              … eu faço um podcast, olha, o cara me escreveu isso aqui…

Bruno                 … é prova social, é a melhor…

Luciano              … e aí você transforma isso numa coisa positiva, então isso foi um aprendizado que vem com a maturidade.

Bruno                 … só pode, eu estou chegando lá ainda, porque de vez em quando…

Luciano              Com trinta e tantos anos eu pagava para entrar numa briga.

Bruno                 Eu gosto de uma rusga, depois eu sofro, mas eu gosto, mas eu vou chegar lá.

Luciano              Você vai chegar sim, hoje não gasto mais meu tempo assim não.

Bruno                 Está certo.

Luciano              Muito legal. Me fala uma coisa, como é o nome do teu livro?

Bruno                 É “Psicólogo empreendedor – Tudo o que você não aprendeu na faculdade”.

Luciano              Perfeitamente. Leandro Karnal já designou essa história de empreendedorismo como uma nova religião…

Bruno                 Eu assisti, eu gosto do Leandro, para falar a verdade…

Luciano              … como uma nova religião que está fazendo a cabeça das pessoas, odeia o capitalismo, no final, quando você termina aquilo, está escrito assim, o capitalismo é uma merda, é isso que quer dizer ali. Como é  que você lida com essa história, você já começou a contar, falou um pouquinho aqui, mas a gente vai um pouquinho mais fundo aqui. Como é que você lida com essa história de pegar essa coisa tão nobre que é a psicologia, quando você olha aquilo e você lê assim Freud está lá, olha os nomes dos caras que estão aqui, olha a obra desses caras, esses caras estão explicando a essência do ser humano e vem falar dessa merda desse negócio de empreendedorismo onde eu só quero ganhar dinheiro, onde eu vou montar um negócio na internet para vender para 40 mil caras, 1 milhão de reais, vou fazer dinheiro, e aí?

Bruno                 Me fala o seguinte, você imagina que você tem, eu vou falar dos dois lados, da população que tem dinheiro para consumir, da que não tem, você tem ali sei lá, uma menina rica aqui em São Paulo, patricinha, tem grana e tudo, o que é mais interessante, às vezes? Ela gastar três, quatro pau num telefone novo ou gastar três, quatro pau num processo talvez de auto conhecimento? Eu digo acredito que muitas vezes é melhor, seria mais interessante, mais saudável, gastar num processo de auto-conhecimento, você pode trabalhar com um psicólogo, por exemplo, só que a psicologia não está colocada na vitrine ali, como é que eu lido com isso? Olha só, eu não sou nenhum fã, eu sou um cara que gosta de empreender, eu gosto de um mercado liberal, mas eu não sou a favor de explorar ninguém, nem de me transformar num mercenário nesse sentido, o que eu quero dizer é que vamos supor que o capitalismo é um monstro que está ali na tua frente, ele vai te comer, não adianta você gritar com ele, falando para quem, você que é psicólogo, você que tem essa visão socialista que acha que isso é um veneno não adianta você gritar com ele, mas dá para você enganar ele, ou dá para você trapacear ele um pouco, você pode vender para quem pode pagar e se você quiser, você pode doar para quem não pode pagar, se você não cria condições para você viver bem, você não vai conseguir ajudar ninguém, então o que eu digo é o seguinte, psicologia não é sacerdócio, é uma ciência, é também uma profissão, se você se formou nessa profissão, eu imagino, a não ser que você seja rico, só quer conhecer as coisas, você quer viver dela, você está num ambiente, num mundo que tem determinadas regras, a minha proposta é sem se vender, sem perder os seus princípios, como é que você pode se organizar para viver nesse mundo e oferecer isso que você tem para oferecer, porque poxa, tudo bem, eu gosto de cerveja e tudo, mas você não está vendendo álcool, você não está vendendo cigarro, você está vendendo saúde. E quem não pode comprar? Quem não pode comprar, você tira um espaço e doa se você quiser, você faz o seu atendimento clínico social, você tira um dia da semana, ou dois, e faz o seu atendimento social para quem não pode. Agora, tem gente que pode pagar 300, 400 pau numa seção e que faria muito bem estar te pagando em vez de estar gastando esses 300, 400 pau ou em droga, ou comprando roupa para preencher alguma coisa ou comprando outras coisas, o que eu quero dizer é o seguinte, convide as pessoas para comprarem o seu trabalho de forma honesta, para conhecerem o seu trabalho e se quiser usufruir dele e use uma parte do seu tempo, se você quiser, para cuidar do social. O que está acontecendo hoje é que os psicólogos, eles não conseguem sobreviver, não cuidam deles mesmos e não cuidam de ninguém, então aprenda a nadar nesse mar, que esse mar é agitado, todo mundo nadando, tem uns afogando, o que o cara vê?  Acha que o empreendedor que está subindo na cabeça do outro, esse cara que tem essa visão demonizada do empreendedor, você não precisa subir na cabeça do outro, mas você tem que aprender a nadar ali, de vez em quando você pode ajudar alguém que está se afogando, agora tem aquele cara que está lá num barco lá em cima, de repente e você pode ali oferecer o seu serviço para ele, então eu falo, Luciano, de um equilíbrio, eu estava fazendo um curso esses dias, um curso online, sobre capitalismo consciente, eu tenho que estudar ainda para entender direito o que é o capitalismo, se capitalismo é sempre o dinheiro na frente, ou se capitalismo é um modelo econômico, eu sou meio ignorante nisso, mas o que eu quero dizer é o seguinte, venda para quem pode pagar e doe, se você quiser, para quem não pode pagar. Quando eu falei para o psicólogo adotar uma postura empreendedora, eu não estou falando para você abrir uma empresa, você ter milhares de empregados, eu estou dizendo o seguinte: aprenda a se orientar nesse mundo que existe hoje, o mundo está organizado de uma forma que só o empreendedorismo, eu acredito, ele te dá um conjunto de comportamentos, nuances de perspectivas que vai te permitir sobreviver sem depender de um outro, se você não empreender alguma coisa, você vai trabalhar para quem está empreendendo alguma coisa, o que não é um problema, se você quiser. Agora, eu falo para aqueles que querem ser donos do próprio negócio de maneira ética, o meu slogan, se você entrar no meu site antigo, estava escrito assim: meu nome é Bruno Soalheiro e eu ajudo psicólogos a desenvolverem seus negócios de maneira ética, inteligente e lucrativa. Ganhar o seu dinheiro não é crime, não é feio. Ter o seu lucro não é crime, não é feio. Venda o seu serviço com honestidade. Muitas pessoas precisam, Luciano, do serviço de um psicólogo e não fazem ideia do que um psicólogo pode fazer por elas, nesse sentido eu digo, até para apimentar aqui, porque é uma coisa que eu falo sempre, a psicologia no Brasil, de certa forma, ela é omissa no sentido de educar a população para conhecer mais sobre ela, o conhecimento obriga, Luciano, se eu tenho o conhecimento capaz de aliviar a dor de alguém, capaz de promover o crescimento de alguém, eu preciso deixar a pessoa saber, se a pessoa sabe e vai comprar ou não, aí é outra coisa, mas eu preciso deixar a pessoa saber. Se tem gente que não consegue pagar, eu posso vender para quem pode pagar e posso tirar um tempo para ajudar quem não pode pagar, é isso que eu estou propondo, uma operacionalização sensata, eu vou fazer birra para o capitalismo, poxa? Ele está aí, eu estou dentro dele, querendo rodar birra, feio bobo, não quero, não vou vender, é um sacrilégio. Beleza, vou trabalhar no shopping vendendo calça jeans de R$ 250,00.

Luciano              Cuidado que você está dizendo que é indigno vender calça jeans.

Bruno                 Não, tá, eu não estou dizendo que é indigno, presta atenção, eu estou dizendo para que uma pessoa que tem horror ao capitalismo…

Luciano              Eu estou te provocando…

Bruno                 … poxa…

Luciano              … só para vocês se situarem aqui…

Bruno                 … ó o Luciano querendo me jogar no fogo.

Luciano              … não, só para vocês se situarem aqui, a semana passada teve um lance naquelas escolas no Rio Grande do Sul, que os caras fizeram um dia da, havia uma pergunta para a garotada lá, “se nada der certo na sua vida, você vai ser o quê”? E as crianças foram, molecada de 14 anos, foi convidada a ir vestida daquilo que ela seria se nada desse certo e algumas foram com roupa de atendimento do McDonalds, outra foi com roupa de lixeiro, bom, deu um escândalo sem tamanho aí porque todo mundo enxergou aquilo como o fato de eu estar vestido com a roupa do atendimento do McDonalds significa que essa profissão é indigna, o fato de eu ter ido de lixeiro, significa que isso é indigno, aí os justiceiros sociais caíram em cima virou um horror aquilo lá. Eu olhei isso aí tudo e falei meu…

Bruno                 Acho que significa o que não é desejado talvez.

Luciano              … a pergunta lá era o seguinte: se a tua vida não der certo, você vai ser o quê até o final dos seus dias? Essa era a pergunta subentendida, eu olho aquilo e falo bom, se nada der certo, o que pode ser pior para mim ir até o final dos meus dias do que ficar trabalhando num tipo de função que tem toda a dignidade do mundo mas que não vai permitir com que eu evolua, ou seja, eu serei lixeiro para o resto da minha vida, eu serei atendente do McDonalds para o resto da minha vida, eu serei… para o garoto de 14 anos, isso pode ser uma falta de perspectiva, não é que seja ruim ser, até porque todo mundo começa assim, eu comecei sendo revisor de um jornalzinho em Bauru no meio das máquinas lá, na pior das condições, mas é o começo,  é  assim que a gente floresce, quando você fala para o cara o seguinte, você será isso para o resto da vida, significa que você está cortando dele as opções de comecei como lixeiro, do lixeiro eu serei o supervisor do lixeiro, depois eu serei o motorista do caminhão e um dia vou ser dono de uma empresa, etc e tal, isso é a perspectiva de vida, quando eu falo se der tudo errado eu vou continuar como lixeiro para o resto da minha vida. É indigno se lixeiro? Absolutamente não.

Bruno                 E tem gente que quer ser o lixeiro, quer só chegar até no meio, não tem problema nenhum se você quer.

Luciano              E seja o melhor do mundo, tem que ser o melhor lixeiro do mundo, tem que ser o melhor atendente do McDonalds do mundo, tem que ser aquele cara que fala eu vou comer naquela loja do McDonalds, porque o Zé, o atendente, o Zé é fantástico, eu chego para comprar o sanduíche…

Bruno                 Nós não fomos almoçar ali, o pessoa não atendeu a gente muito bem ali? O cara já te conhecia, o cara do sushi, cumprimentamos todo mundo.

Luciano              … e me faz ir lá e eu vou lá e está enchendo o rabo de ganhar dinheiro ali porque ele tem um atendimento que é uma coisa de primeira linha e quem é o cara? O cara é o chefe dos garçons que está lá.

Bruno                 Agora, então que fique claro, não é indigno vender calça jeans. Agora…

Luciano              Você entendeu a provocação que eu fiz aqui, eu estou falando…

Bruno                 … mete o pau no capitalismo e acabar assim?

Luciano              … deixa eu falar um pouquinho mais aqui, para quem está ouvindo a gente aqui, essa provocação que eu fiz para o Bruno aqui agora, isso aqui está evidente na cara da gente todos os dias, há uma polícia de consciência no mercado aqui que transforma essas coisas que são, como é que é? Meias verdades em grandes mentiras e esse exemplo que eu acabei de dar foi isso aí, quer dizer, pegou a molecada de 14 anos, fez uma pergunta que merecia um entendimento maior e  depois crucifica os moleques como se fosse culpa deles.

Bruno                 E se você quisesse que fosse um cara que quisesse torcer isso contra mim, você conseguiria torcer, entendeu? E me deixar aqui pô o cara é esnobe, está falando que vender calça jeans é indigno.

Luciano              Exatamente, então esse é um dos pontos importantes, quer dizer, você que está ouvindo a gente aí, abra o olho porque essa visão torcida e se você é um cara que está querendo entrar no mercado para ganhar a sua vida vendendo conteúdo na internet, isso vai acontecer com você na primeira tentativa que você fizer, você vai ser chamado, vão dizer que você está querendo, como já me chama toda hora, eu sou um desonesto intelectual, isso é desonestidade intelectual sua porque…  como se essa pessoa entendesse o que eu quis dizer exatamente naquele post lá e eu digo para a pessoa o seguinte, você quer me criticar? Escute cem programas meus, leia cem artigos meus, leia três livros meus, venha na palestra e aí eu posso chegar para você e falar legal, acho que você teve  uma ideia de quem sou eu, dá para a gente começar a conversar  agora, agora você viu meu post, ouviu falar um fragmento de um negócio, vem pegar isso me encher o saco? Eu vou falar como meu avô falava lá em Bauru: fique aí que eu vou para puta que o pariu. Bom, vamos lá, quem quiser conhecer o trabalho do Bruno, como é que faz?

Bruno                 Quem quiser conhecer é só procurar academiadopsicólogo.com.br, pode ir no meu Facebook também: Empreendedorismo para Psicólogos, muito conteúdo gratuito, não precisa pagar nada, não paga nada, pega usa, aplica, depois se der resultado, você volta lá e vai conhecer o meu trabalho no sentido de ser um cliente meu, mas primeiro usufrua sem pagar nada: academiadopsicologo.com.br ou coloca meu nome lá: Bruno Soalheiro Empreendedorismo para psicólogos no Google ali, só digitar que você chega lá.

Luciano              Legal. Grande Bruno, você está abrindo um caminho interessante aí, é legal, você está usando um ferramental que é novo, é um ferramental novo que é utilizar a internet para construir um negócio em cima dela e não é um negócio de fazer barulho, de sou mais bonito, de eu canto isso, ou de mostrar pessoas em situação constrangedora que é a maioria absoluta do que tem aí, eu mostro alguém constrangido, eu tenho audiência. Você está partindo para um outro lado que é eu vou mostrar alguma coisa que te faz crescer e vou ter audiência também, sua audiência jamais será igual ao Faustão, que é o cara do constrangimento, lá tem 10 milhões olhando, e você vai ter só 100 mil vendo aqui, mas é aqui nesse 100 mil que a coisa floresce, ali nada cresce, aqui as coisas vão florescer, então parabéns por ter abraçado isso aí, aguente bem as porradas, entendeu? Comece a relevar os bandidos que ficam te enchendo o saco.

Bruno                 Não, eu relevo. Eu queria falar uma coisa rapidinho, contar só uma história final, leva dois minutinhos. Que tem a ver com o que eu faço, eu conto isso no final das minhas palestras, um caso clínico que eu acompanhei, tive a oportunidade de acompanhar, de uma moça, se casou, essa moça durante um tempo ela foi feliz, desenvolveu depois uma dependência emocional muito grande em relação ao marido e o que aconteceu? Esse marido foi se afastando, essa mulher entrou num processo de depressão, eu lembro que eu acompanhei os laudos, os casos clínicos, os laudos do psiquiatra, tomava medicamento, muito medicamento e recomendaram terapia, tivemos oportunidade de conversar com os irmãos, com a família e as pessoas podiam pagar e ela não queria fazer psicoterapia, não queria ir ao psicólogo por uma razão muito simples: psicólogo é para quê? Para louco. Psicólogo é para gente doente, ela não era doente. Chegava a ir, resistiam não ia, enfim,  abandonou o auto conhecimento, ficou só nos remédios e um dia, aos 47 anos, essa moça, já era mulher, ela entrou num quarto e tomou uma caixa inteira de veneno de rato e veio a falecer, se suicidou. Ela antes de fazer isso teve dois filhos, um hoje mora no Espírito Santo, é  empresário, o outro se formou em psicologia, está aqui falando com você, eu morava sozinho com ela na época e sabe, Luciano, eu não sei se um psicólogo poderia ter salvado a vida da minha mãe, mas naquele dia, eu que a encontrei, foi um domingo de manhã, uma das coisas que eu falei para mim mesmo é que eu ia falar de saúde mental para as pessoas, eu não sabia como ainda, esse não é o único motivo pelo qual eu faço o que eu faço, vários motivos eu já contei aqui na minha vida que me levaram a fazer isso, mas isso é uma causa para mim também, eu só quero dizer para você que é psicólogo, psicóloga que está me ouvindo que se você tem um conhecimento capaz de mudar a vida das pessoas, você não tem o direito de não dizer isso a elas, eu não só digo que fazer marketing da psicologia não é antiético como eu digo que não fazer é antiético, você precisa divulgar, eu não sei se um psicólogo poderia ter salvado a vida da minha mãe, mas tem várias pessoas no Brasil hoje, no mundo todo que  podem ser ajudadas, as pessoas hoje, Luciano, sabem fazer tudo, quase tudo, microchips, aviões, elas só não sabem conviver, a inteligência emocional das pessoas em geral é muito baixa, nós psicólogos somos preparados para transformar o comportamento das pessoas e se nós ficarmos com essa visão de que a gente não pode vender, não pode mostrar, nós estamos fazendo mal a nós mesmos e estamos fazendo mal a essas pessoas, vamos deixar de ser omissos e vamos divulgar a psicologia e se a gente puder ganhar uma graninha com isso, sem problema. Muito obrigado por ter me chamado aqui no seu programa.

Luciano              Bruno Soalheiro no LíderCast.

 

                                                                                   Transcrição: Mari Camargo