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Ciça Camargo -

Luciano          Muito bem, mais um LíderCast. Como sempre eu gosto de dizer como é que as pessoas chegam até aqui. Esse aqui aconteceu o seguinte, eu sou convidado para fazer uma palestra numa universidade no Rio Grande do Sul, sento lá e antes de mim várias outras pessoas vão falar ali. De repente tem uma palestra dele que vai falar rapidamente sobre um negócio que ele criou, a startup que ele  criou, eu  assisti ali e falei que história interessante, peguei o cartão dele na hora do café ali e falei uma hora que der e você for para São Paulo, vamos trocar uma ideia. De repente ele caiu de paraquedas aqui, eu não sei nada dessa figura e ele não sabe nada de mim, ou seja, hoje é o cenário ideal para o LíderCast. Começo com aquelas três perguntas fundamentais, as  únicas três que você não pode errar, presta atenção: quero saber seu nome, sua idade e o que é que você faz?

Tito                 Meu nome é Tito, por incrível que pareça é Tito, não é apelido, embora eu sofra com isso há 37 anos, que é aminha idade e eu sou empreendedor, a minha vida é mercado financeiro, há muitos anos, fui sócio de uma grande corretora durante os últimos dez, mas saí dela para empreender e criar a minha empresa focada em investimentos para ajudar as pessoas a investirem bem.

Luciano          Legal. Nós vamos falar disso em detalhe. Tito, quando você chega num hotel e o cara bota aquela fichinha na tua frente, onde está escrito ali função, ou seja, o que você faz, pergunta qual é teu emprego, o que você escreve ali?

Tito                 Isso aconteceu esses dias inclusive e aí eu botei alguma bobagem, administrador, diretor, alguma coisa nesse sentido, durante muito tempo foi analista de investimentos, então tinha toda uma pompa em cima do analista de investimentos, eu gostava de botar isso, mas hoje em dia confesso que vai na linha do administrador ou empreendedor, ou qualquer coisa que surja na hora.

Luciano          Para não dar trabalho para explicar o que é.

Tito                 Exato.

Luciano          Isso é mais fácil. Você nasceu onde, com esse sotaque?

Tito                 Porto Alegre.

Luciano          Porto Alegre. Gaúcho e Porto Alegre. Você queria ser o que… aliás não, deixa eu pegar um painel  primeiro. Teu pai e tua mãe, o que faziam, o que eles eram? Atuavam em quê?

Tito                 Meu pai era empreendedor, ele tinha um jornal em uma cidade que é vizinha a porto Alegre, mais no interior, Novo Hamburgo, onde a gente se conheceu, você foi dar a palestra na FEVALE e ele tinha um jornal, existe o jornal ainda, mas o meu pai faleceu há uns 20 anos já, então ele tinha o jornal da cidade de Novo Hamburgo, São Leopoldo, aquela região ali que é a região calçadista, próximo a Porto Alegre e a minha mãe era arquiteta. Meu pai então sempre foi um empreendedor e a minha mãe é a mais romântica, mas a minha mãe tem uma coisa muito interessante, que ela sempre… ela me educou para o que eu sou hoje, para o que eu gosto de encontrar nas outras  pessoas, que é o negócio do “te vira”, que é, pô, você quer construir um foguete para a lua, é possível vai lá, te vira e faz. Nada é impossível para ela, é só você, com a sua dedicação, ou enfim, com a sua força de vontade, o que quer que seja, vai lá e constrói, nada é impossível, te vira negão e eu acho isso muito legal, isso a gente busca, sempre que a gente vai buscar uma pessoa para trabalhar no Oing que é a minha empresa de investimentos, a gente olha quatro coisas, a primeira delas é o tal do “te vira”, que nos EUA é o tal do, chama get dun, que é o cara que resolve problema e a vida de empreender é isso, talvez a melhor coisa para botar lá no hotel fosse “resolvedor de pica”, porque a todo momento o cara tem que lidar com as picas, com os problemas que aparecem e essa educação do “te vira” é muito importante para mim.

Luciano          Legal você botar essa coisa da tua mãe, minha mãe me ensinou isso aí porque você falou uma coisa importante aí, você perdeu o pai aos 17 anos, eles estavam juntos, casados, juntos. 17 anos é a idade que você está, o avião está saindo do chão, está preparando, está no fim da pista, está começando a tirar a roda do chão e 17 é quando ele começa a decolar, como é que é perder uma referência dessa aos 17 anos?

Tito                 É complicado, porque eu sempre vi ele como um empreendedor, o que construiu a empresa dele, um cara super respeitável e etc e talvez na hora você não sente tanto o baque, mas agora, pô eu queria pedir a opinião dele para diversas picas que surgem, por exemplo, o que será que ele diria? Isso é uma coisa que me faz falta, isso incomoda um pouco.

Luciano          Então é interessante isso, quer dizer, você assistiu teu pai empreendendo, teu pai era o dono da firma, o molequinho vendo o pai dono da firma, acho  que isso já situa você num caminho legal e esse negócio da tua mãe “te vira”. Você queria ser o que quando crescesse?

Tito                 Eu queria ser piloto de fórmula 1, na verdade dos dois esportes que eu amava, eu tive muita sorte, porque eu peguei o Ayrton Senna, que é um dos melhores de todos os tempos ou o melhor de todos os tempos e o segundo esporte era o basquete e na minha época era o Michael Jordan, então eu dei sorte de pegar os dois, mas meu sonho era ser um piloto de fórmula 1, eu adorava.

Luciano          Esse é o sonho, mas na real, aquela história do bom, deixa eu cuidar da minha vida aqui, estou começando a pensar no que é que eu vou fazer da vida, terminei de fazer, eu não sei se na tua época já não era colegial mais, mas era o preparatório, agora vou escolher o que fazer da vida, o que eu vou ser da vida, vou ser advogado, médico, vou investir na carreira de piloto, o que você fez?

Tito                 Empreender, eu sempre adorei esse universo de empreender e não porque faltasse dinheiro, a gente era uma família bacana, enfim, meu pai empreendia, era bem sucedido e etc, mas eu gosto do game, do desafio do empreender, e aí eu sempre brinco que a minha primeira empresa foi lá com uns 14, 15 anos, era 14 anos, era uma empresa de importação e exportação, eu ia para o Paraguai comprar muamba e vendia de porta em porta e de novo eu fazia isso porque eu gostava do game, não porque precisava de dinheiro para pagar as contas. E aí tem até outro negócio interessante, porque daí naquela época, o meu business foi todo pensado para o online, eu vou ter um website, enfim construí o website com catálogo de produtos e etc, o cara entrava lá, escolhia o produto, comprava, via e-mail e aí o cara imaginava que eu tinha aquele catálogo todo, não tinha, o cara comprava, eu ia para o Paraguai, comprava as muambas e depois entregava na porta da casa, mas era todo pensado online, naquela época, 20 anos atrás, internet discada, ninguém entrava na porra do site, não existia nem o Google, era o Kadê, se não me engano naquela época, então foi o business todo pensado em cima disso, para ser moderno…

Luciano          Um pouco adiantado.

Tito                 … um pouco antes, o timing não é? O timing é uma dica bastante interessante para o empreendedor, eu tive que dar um passo para trás, imprimir folhetos e ir de porta em porta entregar os folhetos da minha empresa.

Luciano          Muamba ilegal. Pegar muamba e trazer para cá é ilegal. Qual é a questão moral do empreendedor que começa com um negócio ilegal?

Tito                 Pois é, me pegou. Não sei.

Luciano          Com 14 anos isso não é relevante.

Tito                 Acho que não é relevante, você quer construir, quer ter a sua liberdade, o seu dinheiro, isso é… e aí isso vem uma outra coisa de família, eu nunca ganhei um tostão de mesada na minha vida e os meus coleguinhas na escola, eles tinham mesadinha  para comprar o lanche e tal, se eu quisesse ter um real, eu tinha que lavar o carro, ah quer ter dez reais por semana? Lava a louça todos os dias da semana…

Luciano          Isso por imposição da família, do pai e da mãe.

Tito                 … sim, não tem, não tem… como assim, dinheiro cai do céu no teu colo? Não. Quer ganhar um dinheirinho extra? Corta a grama. Então isso sempre me educou a ter o meu dinheiro extra, já desde muito pequeno. A gente sempre teve uma formação muito grande de finanças pessoais, de cuidar do dinheiro, do valor do dinheiro e etc, então talvez por isso meu primeiro caminho foi: vou criar minha empresa de importação e exportação, já que cortar grama está pagando pouco, de repente eu trago um celular do Paraguai que está pagando mais.

Luciano          Eu te fiz essa provocação da questão moral aí porque mais de um sentou ai, a gente conversou bastante. Caras que estão empreendendo e fazendo acontecer de montão e mais de um começou o negócio de forma ilegal, era uma empresa que não tinha ninguém registrado, tudo por baixo do pano, o cara não tinha, dizia para o cliente que tinha e não tinha e a hora que eu boto o programa no ar vira um forrobodó porque os caras começam a botar comentário: aí o cara começou enganando os outros e um dia pintou uma grande discussão aí, eu trouxe o Raian dos Santos aqui e o Raian contou a história dele nos EUA, que para ele ganhar uma bolsa na universidade ele colocou na ficha de inscrição lá que ele era native america, ele falou eu sou meio, sou preto, sou do Brasil eu vou dizer que sou native american brasileiro, ninguém vai saber se eu sou ou não e conseguiu a vaga lá porque tinha uma cota para native american e os caras caíram de pau em cima. O cara mentiu, isso é imoral e a discussão ficou em torno dessa coisa do eu quero tanto fazer, eu quero tanto construir que se eu tiver que atropelar, eu vou atropelar, mas no momento em que a coisa entrou nos eixos, eu regularizo tudo, então as histórias são sempre  assim, todos vieram, quando o negócio cresceu ficou tudo absolutamente legal, mas o começo, para tirar do chão eu topo qualquer parada. Isso dá uns vinte e cinco programas aqui, mas eu não vou bater muito nisso aí não. Você cursou o quê?

Tito                 Eu comecei a faculdade de economia, aí enfim, eu comecei a empreender e aí logo eu perdi meu pai um tempo depois, mas meu mundo de empreendedorismo continuou e foi tendo outros negócios, talvez o comprometimento com um pouco de sorte eu me deu bem nas coisas que eu criei e aí comecei a acumular uma grana legal e comecei a olhar para o mundo de investimentos, pô o que eu vou fazer com a minha grana e aí comecei a estudar mercado financeiro…

Luciano          Quer dize que nunca passou pela tua cabeça de trabalhar em algum lugar com carteira assinada, nada disso?

Tito                 Nunca. Mas daí aconteceu, chegou o dia que aconteceu, mas enfim, fui empreendendo e etc e aí fui me apaixonar aí pelo mercado de investimentos e comecei a investir para mim e aí fui… nunca pensei também em fazer faculdade, não que… eu tenho dois filhos, tenho o Antônio de dois anos e a Serena de três meses, quero que eles façam faculdade, mas não acho obrigatório para a pessoa ser bem sucedida fazer ou não fazer a faculdade, mas chegou o momento que eu disse pô, vou fazer faculdade de economia então para aprender sobre mercado financeiro e etc, fiz um ano, dois anos, um ano e meio e caí fora, porque eu não aprendia nada sobre mercado financeiro na faculdade de economia, só fazendo um jabá, porque eu larguei a faculdade de economia, mas passei em primeiro lugar no geral, então entrei bem na faculdade, mas caí fora porque os meus professores vinham com aquele negócio de história da economia e etc e eu queria na prática, como é que tudo funciona, o que é o mercado de capitais e por aí vai e aí então eu fui aprender por mim mesmo, caí fora da faculdade…

Luciano          Você tinha uma empresa tua já?

Tito                 … sim…

Luciano          Continuava sendo… não, não era mais de importação e exportação, o que era nesse momento?

Tito                 Eu tinha uma pousada e tinha dois restaurantes já.

Luciano          Com que idade?

Tito                 Puxa, isso devia ser vinte e…. eu sou péssimo nisso… vinte e poucos.

Luciano          Caramba, uma pousada e dois restaurantes, pô o negócio ficou sério, não era uma empresinha feita em casa então, era um negócio já envolvendo… Então espera aí, deixa eu voltar no primeiro lá, o primeiro foi o restaurante ou a pousada? O que foi o primeiro que nasceu?

Tito                 Foi o restaurante e aí depois logo em cima a pousada e depois surgiu a oportunidade de outro restaurante.

Luciano          Como é que pinta o primeiro restaurante?

Tito                 Pintou… Foi um amigo que estava saindo de uma sociedade e aí me disse pô, tem uma possibilidade de um restaurante em Porto Alegre, enfim, que está saindo um sócio desse restaurante, você não quer entrar junto para ajudar e etc? Então surgiu aí, de contato com amigo.

Luciano          E você entrou como sócio, já entrou como sócio.

Tito                 Isso, como sócio.

Luciano          Já entrou como sócio e aí, você chega lá no restaurante, um negócio que você nunca fez na tua vida e de repente você é obrigado a fazer o quê? Qual era a tua função no restaurante?

Tito                 Mais administrador, era aprender a tocar o dia a dia e a….

Luciano          Com garçom, com cozinheiro e tudo mais?

Tito                 … com garçom, com o outro sócio…

Luciano          Maravilha, então vamos lá, você já preparou o ambiente para mim. Você devia ter 20 anos?

Tito                 Vinte e poucos.

Luciano          Garotão, vinte e poucos anos, acostumado a ser um lone ranger, lone wolf e de repente você está lá, chega lá de manhã, aqui estou eu e meu sócio, reúno a equipe na minha frente, eu sou o novo dono, eu sou o Tito, tenho 20 anos, sou o dono e vou mandar em você, então você aí de 60, faz favor, faça isso, faça  aquilo, etc e tal, abre-se um mundo diante  de você que você não tinha experimentado até então que é eu vou comandar uma equipe, evidentemente você não tinha treinamento nenhum para isso, talvez você tivesse visto como seu pai fazia com a equipe que ele tinha lá e como é que foi? Como é que é?

Tito                 Foi horrível, não o primeiro discurso para falar para toda a equipe foi uma bosta, mais gaguejei do que falei, terrível, desesperador, mas depois você vai aprendendo no dia a dia…

Luciano          Como é que se aprende isso?

Tito                 … dando com a cabeça na parede e aí você descobre que não é dando mais a cabeça na parede naquele lugar que funciona, e aí vai para outro lugar e aí dá um pouquinho de novo naquele outro lugar a cabeça na parede e vai indo, de novo, a gente volta lá para o “resolvedor de pica” é isso, você vai tateando e vai encontrando soluções, mas foi desesperador.

Luciano          Não tem uma escola para te ensinar isso aí.

Tito                 Não tem.

Luciano          E você olhando hoje, com os 37 nas costas e comandando a equipe, você olha e fala não, onde é que eu tenho que estudar? Tito, onde é que eu vou estudar para aprender isso aí? Não tem. Olha, 100% de quem senta ai fala a mesma coisa, o presidente da multinacional não sei das quantas, legal, quando você começou qual foi teu preparo? Nenhum, eu não tinha, de repente eu tinha que mandar um cara embora. Como é que manda o cara embora?

Tito                 Coincidentemente eu saí de uma palestra agora que eu estava falando sobre como montar a equipe foda, como montar bons times e aí um dos temas da palestra foi o “sair do escritório”, tem três coisas que a gente usa no Oing, sair do escritório, tem duas que a gente usa e uma terceira que a gente vai realizar agora em agosto, que são “sair do escritório” é muito bom, você sai daquele ambiente nocivo, não nocivo, mas enfim, aquele ambiente que você está no dia a dia, aquela rotina e isso te proporciona…

Luciano          Porta trancada, ar viciado, fica tudo viciado.

Tito                 … não, por mais que você tenha um ambiente descolado, enfim, sem hierarquias e tal, paredes pintadas e por aí vai, pô a rotina do dia a dia te cansa e te segura a criatividade, inovação, enfim e conversas sérias em um ambiente assim mais fechado, as vezes são ruins e aí eu estava ensinando algumas coisas que a gente usa, por exemplo, são 3 etapas, o que eu  falo de faixa branca que é fazer uma reunião dando uma volta na quadra, caminhando ao ar livre, o caminhar ao ar livre é muito interessante porque você pode ter conversas sérias de uma forma mais fácil, porque caminhar ao ar livre a gente não fica que nem a gente está agora no olho no olho e o olho…

Luciano          Você está prestando atenção se não vai tropeçar, sim.

Tito                 … é e aí, aqui a nossa conversa é uma conversa informal, a gente está falando, está brincando, é divertido, agora uma conversa séria, olho no olho, às vezes ela é mais complicada, então se você precisa, por exemplo, demitir uma pessoa, às vezes é interessante fazer isso caminhando na rua, a última…

Luciano          Grande sacada.

Tito                 … a última pessoa que a gente demitiu, infelizmente porque não tinha os nossos valores e etc, foi assim, caminhando na rua e aí o bacana é isso, que você está olhando para a frente, para a calçada, para o carro e você está conversando, a pessoa está te ouvindo e tira aquela pressão do olho no olho que é… será que a pessoa está me olhando com olhar de ódio, ou está emocionada e está chorando ou está puta da vida e etc, então essa é uma dica sobre a parte da demissão que funciona.

Luciano          Gostei dessa…

Tito                 A segunda, o nível faixa roxa vai, é fazer reuniões em cafeterias e etc, sai daquele ambiente, aí é mais para testar a inovação e etc e o último nível é o que os americanos chamam de retreat, retiro, pega um fim de semana, bota todo mundo numa casa para seja para resolver um problema ou então faz eventos para aproximar a equipe, ficar com o ambiente de família, de companheirismo e etc. Mas a ideia da demissão na rua é bacana, só não pode virar sempre rotina porque isso daí, daqui a pouco se você convida alguém para passear na rua… aí ferrou.

Luciano          Escuta, me conta uma história então, você foi fazer o curso de economia, você viu que ali não era, não dava aquela praia, você decidiu então, falou quero investir por conta própria para trabalhar o dinheiro que eu estou ganhando aqui, não é? E aí, o que você foi fazer?

Tito                 E aí acabei virando referência para os amigos, aí acabei virando guru de investimento dos amigos…

Luciano          Sim, mas você foi beber aonde? Que fonte? Você foi estudar num livro? Foi fazer o quê?

Tito                 Fui pegar mercado, fui baixar site com livros nos EUA, fui tentar ir atrás do que é esse mundo de investimento, o que é renda fixa, ações e por aí vai e fui pela minha conta, abri conta em corretora, comprar uma ação, o que vai acontecer na compra dessa ação? Recebe dividendo e lucro, não sei o quê e aí fui fazendo por mim e aí como é um mundo muito denso e cheio de coisas que as pessoas não entendem e às vezes não querem nem entender de cuidar dos seus investimentos, eu acabei virando o guru dos meus amigos, então se um amigo meu queria investir, acabava chegando para mim, o que eu tenho eu fazer com meu dinheiro? Ah faz isso, aquilo e aquilo outro. E aí com o tempo acabei montando até um clube de investimentos para ajudar a turma toda a investir e aí em algum momento surgiu um convite de uma empresa que é uma empresa de dez, quinze pessoas, lá em Porto Alegre, que chamava XP Investimentos, era uma empresinha pequena…

Luciano          A tal?

Tito                 A tal, que vale 12 bilhões hoje e aí eu era o empreendedor, não passava pela minha cabeça entrar em uma empresa para trabalhar, mas como eu estava super apaixonado pelo mundo de investimentos, virei o guru dos meus amigos, não sei o quê e surgiu o convite dessa gurizada lá em Porto Alegre, ah beleza, deixa eu entrar aí e aí sem querer, por 10 anos da minha vida, eu virei um executivo.

Luciano          10 anos?

Tito                 É, virei sócio da XP e durante 10 anos eu comecei uma empresa com vinte pessoas e acabei… depois a gente comprou uma corretora no Rio e a empresa toda mudou para o Rio, foram 5 ou 6 anos de Rio e depois a gente mudou a empresa aqui para São Paulo, eu passei um ano aqui em São Paulo e surgiu a oportunidade de abrir o escritório da XP em Nova York e eu fui. Nos últimos três anos eu estava morando lá em Nova York, então…

Luciano          Devagar…

Tito                 Vamos lá.

Luciano          … você me deu um monte de espaço aí, quantos você disse que era a garotada em Porto Alegre, eram dez?

Tito                 Eram quinze pessoas.

Luciano          Quinze sócios ou não? Tinha dois sócios… como é que era?

Tito                 No início eram os dois fundadores e depois a turma trabalhando junto.

Luciano          E você entrou para ser sócio?

Tito                 Não, eu entrei para trabalhar e aí depois de um tempo, como eu era apaixonado por aquilo, tinha comprometimento e etc, acabei virando sócio.

Luciano          E aquele esquema era que nem advogado? Você vira um… associate, é um esquema assim? Ou é sócio mesmo, com cota.

Tito                 É sócio mesmo, com cota da empresa.

Luciano          Que legal. E aí, uma molecada começa a mexer… isso aí que ano era? Dois mil e o quê?

Tito                 2005, 2006….

Luciano          Antes do crash de 2008.

Tito                 Sim.

Luciano          2005, 2006, o Brasil pegando fogo, a coisa, primeiro mandato do Lula, primeiro do Lula, final do primeiro, começo do segundo mandato do Lula e a coisa andando legal lá e aí, você olha para esse negócio e fala como é que é? Terninho e gravata?

Tito                 Terninho e gravata, todo santo dia.

Luciano          E feliz?

Tito                 Sim, porque eu adoro esse mundo de mercado financeiro, sou apaixonado por mercado financeiro. Sobre o terninho e gravata você assume o uniforme do pinguim, o traje tradicional da Fara Lima ali, que a turma toda paramentada.

Luciano          E era tudo na tua idade, uma molecada?

Tito                 Sim, todo mundo na mesma idade.

Luciano          Como é que era essa…. porque foi uma coisa interessante que aconteceu naquela época, quando começou a história da bolha da internet, aquela coisa toda foi quando a molecada surgiu, primeiro surgiu porque eram os únicos que sabiam mexer naquelas coisas, aquelas traquitanas doidas de computador e tudo mais, criou-se aquela ideia do nerd que veio da garagem não sei o quê, que depois vira bilionário, na sequência aquela história dos yuppies, aquela coisa toda e na sequência esse conceito começa a tomar conta de outras áreas, então na área financeira, de repente tem uma geração de molecada, hoje é tudo  moleque, tudo novinho num ambiente que era um ambiente, porra, eu não consigo ver coisa mais quadradinha que o ambiente financeiro, muito perto de banco, essas coisas todas, falo puta pessoal quadrado e vocês uma garotada, molecada, como é que era esse choque de gerações que é bater numa empresa, ser recebido pelo presidente da empresa, um senhor de 75 anos,  um moleque na frente dele, cagando regra.

Tito                 Mas não era isso, é que a empresa naquela época era os dois fundadores eram dois guris também, quer dizer, dois meninos, deviam ter vinte e poucos anos…

Luciano          A pergunta que eu te faço é esses meninos se impondo no mercado diante de um mercado onde…

Tito                 … ah no início obviamente todo mundo não dava bola, era realmente uma gurizada que não sabia o que era mercado financeiro tentando criar  uma empresa de investimentos e as  corretoras no Brasil sempre foram muito tradicionais, de famílias e o dono de corretora tinha seus 70, 80 anos, enfim, sempre foi um business muito tradicional, então eram aventureiros. Os caras nos encaravam como aventureiros entrando num negócio que iam quebrar a cara em algum momento, só que a gente tinha o espírito de construir algo muito foda e isso para mim é imbatível, quando você quer construir algo muito foda e você em um time movido para isso, você realmente constrói coisas incríveis e o mercado financeiro, ele é muito dinâmico, ele não é tão chato, não é nada chato na verdade quanto é a rotina de banco, quer dizer, você vê as ações oscilando, as empresas e a bolha da internet foi em 2000, quer dizer, as empresas subiram pra cacete e depois caíram e etc e toda essa dinâmica é muito interessante, às vezes você tem os seus momentos de euforia, ás vezes você tem os seus momentos de pânico, mas o legal da vida efetivamente é isso, porque se você fica naquele eterno… aquela rotina que nada acontece, pô é entediante, então o mercado financeiro tem uma dinâmica que atrai a galera mais jovem e era isso que atraía muita gente naquela época.

Luciano          A XP engatou um crescimento legal daquela época, a cada ano que passava vocês estavam subindo e aumentando, quer dizer, havia um mercado carente, eu imagino que um ponto importante que vocês tenha sido tornar palatável um mundo que era uma caixa preta escondida, só o dono, só o gerente do banco sabia e pegava lá e arrancava minhas calças lá e eu não sabia do que ele estava falando,  o que eu vejo de mérito nessa nova geração que pintou é que de repente começa a ficar inteligível o assunto que para mim era uma caixa preta e com isso vocês conseguem angariar uma pancada de gente lá, eu imagino que foi uma curva ascendente legal. Você foi para o Rio, foi isso?

Tito                 Nós compramos uma corretora no Rio e a empresa toda foi para o Rio.

Luciano          Mudou tudo? A XP inteirinha para o Rio de Janeiro?

Tito                 Todos…

Luciano          E aí, desembarca lá vinte e cinco gaúchos?

Tito                 Isso, exato.

Luciano          Que ano?

Tito                 2009, acho que foi 2009, 2008 2009, foi depois do suprime, isso aí.

Luciano          Foi depois da encrenca toda?

Tito                 Foi depois da encrenca toda.

Luciano          Caramba. E aquela encrenca não abalou vocês não?

Tito                 Abalou, foi complicado, as bolsas desabaram, aconteceu o que aconteceu, aliás há pouco tempo no dia D lá do Temer com o Joesley, que é o circuito bracker, quando a bolsa trava as negociações, lá em 2008 aconteceu três vezes no mesmo dia, quer dizer, era terrível e você precisava lidar com os ânimos dos clientes, enfim, acalmar eles e etc, mas foi realmente muito difícil.

Luciano          Sabe onde eu estava? Eu tinha saído, depois de 26 anos de executivo de uma multinacional, eu saí em abril da empresa, montei o meu negócio, Café Brasil Editorial, onde eu virei empreendedor e montei uma editora e eu saí em abril, comecei a editora, lancei três livros, o esquema todo montado, o avião saindo do chão e estoura a bolha, meu negócio cai, 70% em dois dias e acabou, eu passei dois anos botando dinheiro para esse negócio continuar, virou o que você está vendo aqui hoje, enxutinho, pequenininho, minúsculo, nunca mais eu quero aquela estrutura que eu tinha montado lá porque foi uma loucura, mas pegou no meio  do caminho,  eu dei uma balançada lá que para recuperar foi terrível.

Tito                 Foi complicado para todo mundo.

Luciano          E aí vocês nesse embalo todo vão para o…

Tito                 Para o Rio, a gauchada toda no Rio, era notório o voo da sexta feira, da TAM, sexta feira a noite, Rio para Porto Alegre, todo mundo voltando, tinha a rotina do início de tentar se adaptar, então você passava a semana no Rio e voltava no fim de semana.

Luciano          Tua função lá o que era na época?

Tito                 Eu já tinha construído a área de análise, que a empresa não tinha ainda e eu então era um dos responsáveis pela área de análise.

Luciano          E tinha uma equipe com você lá? Estava comandando uma equipe.

Tito                 Sim, já tinha a equipe, tinha uma equipe não tão grande, umas sete, oito pessoas.

Luciano          Então me fala aí, como é que é esse esquema, vocês tomaram aquele susto, um ano depois vocês estão no Rio de Janeiro, vocês tinham uma visão dessa empresa de 12 bilhões pela frente? Ou vamos tocar e ver o que acontece?

Tito                 Vamos tocar e ver o que acontece. E aí de novo, você vai batendo a cabeça na parede e as soluções vão surgindo. A empresa mudou para o Rio e aí começou a crescer, passou-se por essa turbulência gigante, mas aí a gente notou que o mercado era muito centralizado, quer dizer, você tinha os bancos oferecendo seus produtos e existia espaço para você ter uma empresa independente que oferecia não só os produtos próprios mas enfim, produtos de terceiros, o conceito do supermercado, de shopping center, você tem na prateleira diversas possibilidades e não…

Luciano          Era um broker, isso aí?

Tito                 … é…

Luciano          Não era esse conceito.

Tito                 … broker é tecnicamente o cara que intermedia a compra e venda de ações, mas a gente fazia muito isso, a empresa era muito centralizada em comprar e vender ações, em corretagem, gerar corretagem e depois acabou virando mais para uma prateleira de produtos, então você tinha fundos de investimentos, outros produtos de renda fixa e etc e essa foi a grande diferença para as outras corretoras todas, que as corretoras sempre foram tradicionais brokers, intermediar compra e venda de ação, então tinha lá a sala de clientes, os caras ficavam lá comprando e vendendo ações e etc, em algum momento veio 2008 e aí a ação da Petrobrás caiu de quarenta para cinco reais, da Vale a mesma coisa, enfim, os prejuízos ali ficaram gigantes em quem só ficava nesse universo de carteira de ações e aí então a empresa viu que existia possibilidade de ter outros produtos no portfólio e não simplesmente ações, então foram sendo inseridos aí fundos de outras casas, outros produtos de renda fixa e começou a diversificar o mix de produtos e aí foi a grande diferença para os outros.

Luciano          Deixa eu pegar esse aí “a empresa viu”, deve  ter um momento de insight aí, o que era isso? Era vocês reunidos numa sala, vamos achar uma saída, vamos fazer um brainstorm, vamos pensar, era vocês olhando o que tem lá fora, deixa eu buscar uma solução na Alemanha, na França, como é que era isso aí?

Tito                 Foi olhando o que tem lá fora. Tem uma empresa nos EUA que se chama Schwab, que é a principal plataforma de investimentos lá fora e eles tinham esse conceito de shopping centers financeiros, era um centralizador de diversos produtos, então foi basicamente, eles estão no caminho certo, vamos seguir o que eles estão fazendo.

Luciano          E ninguém tinha visto isso?

Tito                 Não. Bom, o Itaú lançou agora há pouco, três meses atrás o tal do Itaú 360, sete,  oito anos depois da XP ter feito isso até realizarem isso no Brasil, então às vezes veem, ou não veem, ou não querem executar, existe um conflito de interesses gigante, é uma decisão complexa, o que acontece hoje é que os bancos eles têm a sua plataforma de produtos e eles tem imagens gigantescas desses produtos, então você chegar lá para a diretoria ó pessoal, vamos botar aqui outros produtos que tem imagens menores? Porra e o nosso bônus do semestre, o que vai acontecer? Então é uma complicação, é uma decisão bem complexa para empresas gigantes.

Luciano          Houve um momento em que vocês pararam e olharam e falaram acertamos. A gente acertou, esse é o caminho, aposta nele, nós vamos virar empresa de 12 bi lá na frente? Teve um momento em que ficou claro para vocês que vocês tinham conseguido um diferencial que ninguém estava acompanhando e que a XP ia ser… deixa eu te dizer porque eu estou perguntando, eu fiquei muito impressionado com a velocidade com que a XP surge e se posiciona, é tão impressionado que eu fiquei com medo, porque eu estava vendo, sabe o complexo de Friboi, do ex do Eike Batista? De repente aparece, explode, vira um negócio gigantesco, vai sumir, porque não tem lastro para isso aí e quando a XP que eu olhei assim falei mas o que é isso, quem está por trás? Que banco que é? Quem são esses moleques? Quem é essa turminha toda aí? E eu sempre me perguntei, falei essa molecada, eles sacaram, tinha alguém dando um “bisu” para eles? Tinha um trilho desenhado, eles vieram copiaram um modelo. Botaram aqui, quem é que está bancando essa história toda, não é? E quando você fala para mim que são dez “moleque gaúcho” que começam a mexer… eu fico mais impressionado ainda, quer dizer, sem ter no caminho alguém feito uma incorporação, alguma coisa assim que vai acontecer, aconteceu agora, não é? Mas houve um momento que vocês olharam e falaram moçada, acertamos.

Tito                 “Houveram” diversos momentos, o primeiro dia que a  empresa foi a que mais negociou ativos na bolsa, quer dizer, que assumiu o primeiro lugar no ranking, estar em destaque sem dúvida, na frente de outras todas corretoras, você pegava do segundo ao, sei lá, terceiro, quarto, quinto, sexto lugar, a soma de todas não chegava ao que a gente fazia, então tiveram diversas conquistas, não tem… talvez o dia D assim que todo mundo sentou na mesa e disse conseguimos, não, até porque a gente chegava nas conquistas e queria conquistar sempre mais e mais e mais, então…

Luciano          Quer dizer, imagina aqueles velhos dizendo que essa molecada vai se arrebentar. Vamos lá, quando é que pinta o teu bichinho do “vou partir para o meu negócio”?

Tito                 Um mix de duas sensações, primeiro, depois de 10 anos sem querer ter virado um executivo, o bichinho lá do empreender estava me incomodando e aí eu estava lá em Nova Yoirk e isso corroía o estômago, que é pô, eu preciso ter a minha empresa, eu preciso construir as minhas coisas, não que eu não tivesse liberdade na outra empresa, enfim, tinha, mas eu precisava o meu e outra coisa que se perdeu no meio do caminho ali que foi a cultura da empresa, não quero ser crítico, quer dizer, mas já sendo um pouco, uma empresa quando ela cresce rápido demais, existe o número mágico de 150 pessoas, quando passa de 150 pessoas, pô, eu não escuto mais do Luciano, diretamente do Luciano, eu escuto pelo Joãozinho e aí o Joãozinho pode estar de boas intenções ou não tão boas intenções, se ele não está de tão boas intenções, ele pode estar puxando o tapete do Luciano, que ele quer mais bônus, quer mais poder e etc…

Luciano          Pode simplesmente não ter entendido e estar te passando a coisa com pé-quebrado que ele nem entendeu, não é?

Tito                 … é, a empresa perde aquele ambiente de cultura bacana de vamos construir juntos, de pô, precisa limpar o chão aqui, “vambora”, vamos todo mundo junto nessa, para um ambiente de politicagem e quem estava lá no início e que estava junto pelo sonho, quando começa a virar politicagem, porra, enche o saco demais e aí então pô, a empresa cresceu, passou lá para 800 funcionários e etc e essa cultura se perdeu rapidamente e eu acredito que toda empresa que cresce rápido demais, existe realmente esse desafio muito grande de segurar a cultura. Infelizmente lá não foi possível, a cultura não conseguiu ser segurada e aí inclusive eu fui para Nova York porque eu não aguentava mais ficar no Brasil, conviver com  a cultura que estava muito nociva aqui no Brasil, surgiu a oportunidade de Nova York, eu vi pô, eu vou empreender dentro de uma empresa grande, mas vou empreender lá no escritoriozinho com duas, três pessoas, vai ser um spinoffzinho lá nos EUA, “vambora” que vai dar tudo certo, fui, mas fiquei ainda na engrenagem da politicagem, do puxar o tapete aqui, outro ali, aí chegou o momento que pô galera, não vai dar para continuar, só que esse momento, ele demorou um pouco mais, porque aí você começa aquele seu conflito, pô mas hoje eu tenho um cargo bacana, eu tenho ações, pô eu tenho uma grana legal…

Luciano          É isso que eu ia te perguntar, você está sentado num cavalo que a essa altura já mostrava que era bilionário e você era um dos donos do negócio bilionário, que idade você tinha? Trinta e?

Tito                 … três anos atrás, 33, 34 anos.

Luciano          Não tinha filhos ainda, já estava casado?

Tito                 Estava casado e o filho estava vindo.

Luciano          Estava casado com filho vindo, sentado num negócio bilionário e diante da decisão de…

Tito                 Cair fora.

Luciano          … como é que se trabalha isso?

Tito                 Isso foi sofrível, foi uma batalha interna de muito tempo, que eu queria cair fora, mas eu fazia a conta, pô, se eu cair fora as minhas ações valem tanto, não é interessante fazer isso agora e aí a coisa se intensificou com a vinda do filho, porque eu estava morando nos EUA, com o filho chegando, casado lá, etc, o custo altíssimo lá em Nova York e aí você faz  mais a conta ainda, mas chega um momento que você não aguenta mais.

Luciano          Tua esposa é brasileira.

Tito                 É brasileira, mas eu conheci lá nos EUA.

Luciano          Mas em que área que ela atua?

Tito                 Mercado financeiro também.

Luciano          Mercado financeiro também, quer dizer, você dividiu com ela essa história, esse teu sofrimento interno do saio, não saio?

Tito                 Sim.

Luciano          Quer dizer, uma decisão a ser tomada pelo… qual é a importância dela nessa superação.

Tito                 A família é gigantescamente importante para tudo, mas o sofrimento foi grande e aí, em paralelo, eu morava em Nova York, no que eles chamam de Silicon Alley, os americanos te esse negócio de ficar competindo entre as costas, então tem o Silicon Valley lá da Califórnia e tem o Silicon Alley em Nova York. A turma de NY diz que o pessoal da Califórnia é um bando de hippies fumador de maconha que quer mudar a lua de lugar, tirar o sal da água e que NY não, é mais papai com mamãe, temos um problema, como é que a gente torna isso eficiente e etc, mas de fato lá é a meca porque acontece de fintechs, então tem muita empresa lidando com dinheiro, pagamentos, transações, crédito e também investimento.

Luciano          Só explica o que é fintech para quem está ouvindo a gente aqui.

Tito                 Fintech é uma junção de finanças com tecnologia, então são as empresas que lidam com dinheiro, só que baseados em tecnologia e aí eu estava lá vendo esse turbilhão lá em NY acontecer e via uma empresa de investimentos que resolvia dois problemas gigantescos que existem hoje na indústria de investimento que são, primeiro, investir é difícil “prá cacete”, é super complexo, são diversos produtos, você entra numa plataforma como a da XP, que é a maior corretora do país, pô, um inferno investir através dela ou via qualquer banco, é super complicado, é meio que um cockpit de avião e você nunca entrou em um cockpit de avião, tem “trocentos” mil botões, LCI, LCA, VAR, CDI, correlação, PQP, por aí vai e o segundo problema gigantesco é o conflito de interesse, é uma indústria cheia de conflitos de interesse porque no momento que a pessoa que está te indicando um produto, ela ganha comissão sobre aquele produto que indica…

Luciano          Acabou.

Tito                 … é, eu não estou dizendo que todos são  do mal, mas entra pela porta a possibilidade de existir um conflito que é, pô Luciano, você vai receber um produto não porque é bom para você, e sim porque é bom para quem está indicando. E aí existem as atrocidades gigantescas, o maior fundo de investimentos do país cobra uma tacha de administração lá de 4% quando deveria o justo ser pelo menos perto de 1%, as pessoas não, primeiro elas não sabem, não conhecem, é super complexo e elas delegam para o cara que teoricamente é o cara que deveria ajudar, mas ele está alinhado em gerar mais comissão para a corretora ou para o banco, ele acaba entregando produtos ruins e aí os caras começaram então criar uma plataforma simples, com possibilidade simples, ganho de escala e etc…

Luciano          Lá em Nova York.

Tito                 … lá em Nova York…

Luciano          … você observando esses carinhas.

Tito                 … eu observando esses caras, meus vizinhos, participando de todos esses encontros e etc, já não aguentava mais a empresa que eu estava, pô, preciso seguir minha vida, tudo bem que eu tenho ações, tudo bem que o filho está chegando e etc, mas eu preciso ser feliz, aí me juntei com dois amigos no nosso CityO, também era sócio dessa empresa aí, então roubei os bons…

Luciano          Desse seu vizinho…

Tito                 … da XP…

Luciano          … ah, da XP, tá.

Tito                 … e o nosso cara de EOX design, enfim, que trabalhou lá na Hiudi, em Nova York, que é uma das 10 principais agências dos EUA, trabalhou para o Google, Motorola, enfim, nós montamos o nosso trio e montamos o Warren, que é uma plataforma de investimentos que lida com investimentos de uma forma simples, divertida, 100% alinhada com o cliente, sem conflito de interesse, constrói portfólios super sofisticados, com dois, três cliques você vê no celular…

Luciano          Já vamos falar dela.

Tito                 … vamos.

Luciano          Eu quero saber esses seus dois sócios aí, você vai buscar o sócio que estava e o outro amigo que estava XP, ele estava num conflito parecido com o seu?

Tito                 Estava, mas história é mais interessante, porque ele é meu irmão, então o convencimento para ele foi levar ele para um bar, tomar duas, três cervejas e dizer que a gente poderia mudar o mundo de investimentos juntos.

Luciano          Mais velho ou mais novo?

Tito                 Mais novo.

Luciano          Mais novo?

Tito                 É. Então foi mais fácil.

Luciano          Sim. E o outro?

Tito                 E o outro, ele já tinha tido uma passagem no portal Infomoney, que é um portal de negócios e já tinha conhecido, mas enfim, a história de achar o cara de EOX foi problemática, quer dizer, primeiro eu fui para Nova York, eu estava em Nova York, eu ia de agência em agência tentando encontrar designers pelo corredor, para tentar falar o meu pit, vender a minha ideia de empresa, para tentar trazer um sócio para o meu lado e bati a cabeça da parede diversas vezes de novo, até que uma vez eu marquei uma reunião na Hiudi, que é uma das 10 maiores agências lá dos EUA, marquei na Hiudi em Nova York, que fica lá no Brooklin enfim, fui lá, nos corredores tentei também capitanear alguma pessoa para o meu lado, não consegui e me lembrei que tinha uma Hiudi no Rio de Janeiro e eu teria uma reunião no Rio de Janeiro, para visitar um cliente no Rio de Janeiro na semana seguinte, aí marquei também uma reunião lá na Hiudi no Rio de Janeiro e fui e aí nos corredores eu reencontrei esse cara, que é o nosso chefe hoje de design…

Luciano          Brasileiro?

Tito                 … é, brasileiro, que tinha trabalhado nos EUA e acabei encontrando ele no Rio e aí consegui trazer ele para o nosso lado e a gente montou nosso trio de fundadores aí do Warren.

Luciano          O pit dele foi igual ao do seu irmão?

Tito                 Foi.

Luciano          Vou mudar.

Tito                 Foi, vamos mudar o mundo de investimentos.

Luciano          Pretensão e água benta não faz mal para ninguém.

Tito                 Exato, você tem que sonhar, eu sempre digo para a turma que entra lá, se você quer tirar a bunda da cadeira para fazer duas vezes melhor só do que o que existe, pô que merda, você tem que sair, acordar todo dia para fazer cem vezes melhor do que está existindo, tem que sonhar grande, se não…

Luciano          Sim. Muito bem, aí os três malucos, vamos juntar, vamos embora, sai, larga aquilo tudo e vamos começar um negócio do zero, muito bem, mais experiente, num ambiente que você já conhecia, você já tinha uma ideia do que queria, acho que o teu propósito era bem colocado ali, tinha dois caras dividindo esse propósito com você, isso facilita enormemente a história toda, mas tem um detalhezinho só que eu queria estressar um pouco com você. Chamou a atenção quando você falou que você estava lá, tinha um vizinho do seu lado e você vendo o vizinho, etc e tal, eu fiz aqui algumas entrevistas que falaram de uma coisa muito interessante, dois deles de gente que estava no Cubo, aqui do Itaú, e que o Cubo é um prédio onde tem vários locais, onde tem pequenas startups lá, o Itaú vai lá, é uma incubadora e o pessoal dizia o seguinte, que a coisa mais fantástica daquela incubadora era você descer um andar e ter embaixo de você um cara envolvido num outro ramo, que não tem nada a ver  com o teu, mas com uma puta experiência numa bomba que você tinha que resolver e o cara fala, eu descia lá, sem marcar reunião, sentava com ele, em 15 minutos de papo aquilo abria um horizonte para mim gigantesco. Conversei com o pessoal da Warren que está vindo para o Brasil aqui agora também, que vão montar um escritório gigantesco de co-working e o cara fala, a coisa mais fantástica é você ter do teu lado um sujeito que você senta com ele e você estava lá e tinha um vizinho teu e você viu o cara fazendo, puta é por essa linha que eu vou. Qual é a importância desse cross, coisas assim?

Tito                 Isso é demais e é o que tem lá em Nova York, que é o tal do Silicon Allei, que são diversas startups nas mesmas redondezas e esses ambientes de co-working, o WeWork, que é o de Nova York que está vindo para cá, a gente ficava, inclusive a gente ficou um tempo num do WeWork, que é um conceito sensacional, aberto, inclusive se você visita diversos WeWorks lá em Nova York, grandes bancões têm espaços lá, então  você entra, lá tem a plaquinha do Chase, aí você pergunta, por que tem o Chase? Ah porque vem uma turma de diretores que gosta de trabalhar aqui só para pegar o ambiente da gurizada pensando coisas novas e etc, ou para beber cerveja, porque é liberado lá 24 horas por dia…

Luciano          Eu vou lançar agora o LíderCast, vai ser agora com o Lucas Mendes, vai ser agora, nós estamos falando aqui, quando sair o teu, provavelmente o dele já saiu, mas o Lucas Mendes que é o executivo que está trazendo para o Brasil o conceito do WeWork, uma delícia o papo com ele porque ele contou essa história de como é que você pega um negócio, o que é isso, é co-work? Não, isso é uma empresa que trabalha em recuperação de prédios, como assim? É muito legal e esse conceito que você está colocando é muito claro, ele falou, nós botamos um lugar que é um ambiente que chama você para ser criativo e é gostoso estar lá, você encontra um monte de gente, então esse cross… e é uma  coisa que, de novo, ela está acontecendo agora porque o momento é agora, porque se fosse um tempo atrás o cara dizia eu jamais vou sentar na mesa com um cara que pode ser meu concorrente para contar para ele coisas que me afligem,  porque mesmo que ele perguntar para mim eu não vou dizer para ele porque esse cara vai me roubar, há um tempo atrás era assim e hoje em dia está sendo: não ´é isso não, você senta, os dois conversam e você sai com uma terceira coisa que é boa para os dois, quer dizer tem que haver um desprendimento, uma generosidade que não é comum àqueles senhores engravatados daquela época atrás.

Tito                 Que o mundo é muito mais colaborativo hoje, eu por exemplo, eu saí agora há pouco, estava participando, dando mentoria em um programa da Visa, que se chama Visa Track aqui e era na Plug, que é uma espécie de um concorrente aí do WeWork que está entrando e aconteceu justamente isso, um dos rapazes, que estava, pô vem aqui, deixa eu te mostrar o que a gente está fazendo e aí em cixnco minutos com ele, que é um business diferente até do que a gente faz, eu já aprendi diversas ferramentas que eles usam ali para a gente gerenciar o dia a dia deles que é fantástico, amanhã estou de volta lá no Warren e vai ser a primeira coisa que eu vou fazer, é mostrar para a galera as coisas que eu aprendi, então esse ambiente colaborativo é muito bacana e ele vem desses novos papas aí, ou midas do empreendedorismo, como Elon Musk, que tem todo o projeto lá do Tesla, é aberto, quer dizer, se você quiser acessar lá e ver tudo o que eles estão fazendo para de alguma forma você melhorar isso para o futuro, vai ser feliz.

Luciano          Que venha.

Tito                 É, que venha

Luciano          Você vê que… e ao contrário de uma Apple, se você pegar o modelo da Apple que é tudo… não dá, não casa nada com nada, não gruda nada com nada, é um horror aquilo lá. Mas eu estou vendo, eu fico super, como é que eu vou dizer para você, entusiasmado com essa onda toda lá porque eu já passei, eu estou à frente dela, estou com 61 anos, então eu já vi tudo acontecer, já vivi isso e agora quando eu vejo essa onda aparecer eu falo meu, puta molecada generosa que vem aí, isso tem que dar muito certo isso aí. Você quando monta o esquema com a Warren, pelo que você contou lá que eu vi, pelo que você está falando aqui, ela tem um lance ali que é, eu acho que não sei se faz parte do teu propósito isso aí, como é que isso funciona que é eu como investidor da Warren, vou chegar para você e você está preocupado comigo em primeiro lugar, então você quer abrir para mim uma coisa que seja tão transparente, tão amigável, tão fácil que você vai me resolver “dois puta problema” primeiro: o dinheiro que está aplicado; segundo: o que você acabou de  falar, eu vou conseguir entender o que está acontecendo, você vai deixar com que eu entenda e eu vou acabar virando amigo seu na história toda lá. Como é que vocês lidam, porque me parece que esse modelo, da maneira como você colocou, ainda não tem muito, eu estou vendo que está pululando, toda hora chega aqui para mim e-mails e cada um com um nome diferente, mas estão pintando várias, eu não sei que nome você dá para isso, como é que chama esse teu negócio? Como é que chama isso?

Tito                 Alguns chamam de robo adviser, mas eu acho muito ruim…

Luciano          Robo adviser?

Tito                 … é, eu gosto de chamar de uma plataforma online de investimentos.

Luciano          Estão pintando várias assim, esse teu modelo, você, de novo, olhou para algum lugar e trouxe, eu lembro que você falou que você viu o teu vizinho montando um negócio ali e como é que foi? Foi dali para uma outra coisa brasileira, o que foi? Como é que foi?

Tito                 A gente olhou, eu olhei os caras começando lá em Nova York e eles tinham uma pegada de simplificar o processo e de ganho de escala e custos mais baixos e etc, mas ainda muito chato de lidar com dinheiro e dinheiro é super importante cuidar bem do teu  dinheiro, investir bem o teu dinheiro é super importante para diversas coisas e para realizações materiais, tipo comprar um celular, para realizar uma experiência, tipo fazer uma viagem legal ou para teu dia da liberdade, que é acumular um patrimônio que através desse patrimônio é o que tu vai tirar a tua rentabilidade, ou seja, te aposentou, enfim, se é tão importante cuidar do dinheiro, por que que tem que ser tão chato? Não precisa, então a gente veio com a pegada da Warren, pô vamos lidar com isso de uma forma divertida, inclusive o nome, Warren, Warren é um nome de pessoa lá nos EUA e a gente não queria que fosse welfi, filter, fucking, sufing, quer dizer, tinha que ser um nome de pessoa para ser mais pessoal mesmo, para a  relação ser mais leve e aí então a gente bebeu nessa fonte da tecnologia, mas vamos criar uma experiência foda, vamos criar uma experiência legal.

Luciano          Quem é Warren? É um buffet?

Tito                 Eu minto que sim, mas bom, teu podcast tem uma audiência gigante, as pessoas agora vão saber a verdade, mas a gente queria que tivesse um nome de pessoa e aí nós fizemos “trocentos” mil brainstorms para encontrar o tal do nome da nossa plataforma e não encontrávamos e aí um dia estava indo para o trabalho, lá em Nova York tem a Warren Street, a Rua Warren e aí pô, vamos batizar de Warren. Depois é que veio a ligação com o mega e maior investidor de todos os tempos, então se tiver uma palestra agora, é óbvio que eu vou dizer não, nós pensamos em homenagear o maior investidor de todos os tempos, mas é mentira, é uma rua lá em Nova York, sem graça inclusive, suja, enfim… Mas aí a proposta foi essa então, vamos tornar esse mundo agradável e aí então é o que acontece, a pessoa entra na plataforma, www.oiwarren.com, vai botar lá experimentar Warren e vai bater um papo online com a ferramenta, que tem inteligência artificial, enfim, é um chat de inteligência artificial, Warren vai identificar o perfil da pessoa, o mais conservador, mais arrojado, por aí vai e aí depois a pessoa vai construir objetivos de investimento, ninguém faz isso que a gente faz, se você entra em uma corretora ou em um banco, você vai comprar produtos, ah vou comprar um CDB, uma LCI, um fundo. No Warren você compra objetivos, então você vai entrar e vai dizer: eu quero fazer uma viagem para a Austrália no ano que vem; não, eu  quero ter um milhão de reais daqui a 10 anos; não, eu quero…. pô, se eu quero investir bem e não tenho uma meta específica, só quero investir bem, o Warren vem identificar o teu perfil versus o teu objetivo e vai dizer: investe nisso, então por exemplo, Luciano é um cara conservador e quer ir para a Austrália ano que vem, objetivo de curto prazo, pô Luciano, investe aqui em um portfólio 100% renda fixa, porque não pode ter risco, é um objetivo de curto prazo e etc, se você gostou, abre conta, gostou da sugestão, abre conta no Warren e vai investir através dele mesmo, quer dizer, nós somos uma instituição, nós temos os produtos de investimento, então a vida inteira de investimento vai ser através do Warren.

Luciano          Eu não tenho que, em momento algum, me dirigir a lugar nenhum, eu faço tudo isso do meu computador, transfiro dinheiro de um banco para…

Tito                 Para a tua conta no Warren…

Luciano          … para a minha conta no Warren e ali a coisa vai estar sendo trabalhada lá.

Tito                 Exato. E aí você pode ter quantos objetivos você quiser, eu quero ter a viagem para a Austrália, eu quero pagar o colégio das crianças, eu quero, pô, comprar uma Ferrari, eu quero ter um milhão de reais, enfim, e para todos eles você vai ter os teus portfólios construídos.

Luciano          Quem é teu foco nesse projeto?

Tito                 O início do Warren, ele é o que a gente chama de early adopter, o cara tomador de tecnologia, o cara que vai comprar pão pelo celular, então é uma turma que oscila ali entre os 25 a 35 anos, que é o que está com o celular na mão e que gosta de testar novas tecnologias, esse é o nosso foco, então a linguagem, a comunicação é toda pensada para esse cara, mas é uma plataforma para todas as pessoas que querem investir bem, independente se você tem os 25 ou tem 70 anos, 80, enfim, se você quer investir bem é uma plataforma feita para isso.

Luciano          E foi pensada para celular?

Tito                 Foi pensada para celular.

Luciano          Isso aí é uma coisa de celular.

Tito                 Funciona, obviamente, para web mas ela foi pensada para celular.

Luciano          Fico pensando aqui, estou querendo abrir aqui para ver como é que é isso aí, você que está me ouvindo aí, não é jabá, é que eu tenho um problema meu, pessoal, eu Luciano com essa questão de investimento, até porque eu apanhei de banco que nem um louco, um dia eu conto minha história, porque eu já dancei com banco, com essa história toda de investimento ruim, de ficar preso num lugar, é horrível, então a minha cultura é uma cultura de muito medo dessas coisas todas e você está pintando para mim um negócio que eu falo está bom demais para ser verdade, está muito legal, está muito fácil para ser verdade e eu tenho que tirar uma resistência minha e é uma coisa que eu procuro há muito tempo, eu tenho que arrumar, puta vou fazer um curso, pô não tenho tempo, como é que eu vou fazer um curso, aquela pentelhação e de repente você vem e fala espera um pouquinho que eu vou pegar na tua mão. Vou te contar um lance interessante, evidentemente você conhece a Empíricus, todo  mundo conhece a Empíricus, esses caras começaram a mandar, recebi um monte de e-mail e um belo dia eu olhei e falei será que esse cara é um cara para pegar na minha mão e me conduzir? Eu olho o texto e falo que legal, esse exemplo, aqueles e-mails gigantescos, eu não lia aquilo lá, mas via o começo, acho que eu vou, vou topar esse cara, vou ver como é que é, eu vou lá e faço a assinatura, vou fazer a assinatura dos caras, no produto deles lá, mas aí eram tantas coisas legais que eu falei pô, em vez de eu ficar assinando duas ou três, eu vou assinar o membership,  que paguei lá, sei lá, 400 “pau” e sou membership dos caras, pego cento e pouco por mês e vou receber tudo o que tem, maravilha. Aí vou escolher o que tem lá, em uma semana eu estava afogado aqui de toneladas de e-mails, cinco e-mails por dia, aqueles textos gigantescos, tudo o que não aconteceu lá foi alguém pegar na minha mão, despejaram em cima de mim um caminhão de coisa e eu olhei para aquilo tudo, passou um mês eu falei não quero mais, aí entrei em contato com os caras, estou cancelando, não quero mais, eu cancelei e omandei um e-mail  para eles: não é assim, não quero mais porque é excesso, parece que eu estou bebendo água num hidrante e voltei atrás, falei vou começar de novo, aí um belo dia veio um cara aqui para conversar comigo, que representa a XP, como é que é? Vamos aí, abre a conta aí na XP e vamos conversar, mas sabe, de novo, estou na mão de intermediário e eu me retraí, então as experiências que eu tive, de novo, nesse processo de transição, eu sou da velha guarda e venho transitando para o novo, foi o que me chamou a atenção quando você falou lá, falei pô, parece que pintou alguém focado em mim e não focado nos projetos que estão lá fora, gente como eu, você está encontrando de montão aí? Como é que é? Como é que é a experiência que você está tendo?

Tito                 É interessante, tem vários tópicos aí bacanas, primeiro: a gente fez uma pesquisa gigante que começou também antes, na XP, sobre o DNA do investidor e basicamente as pessoas são divididas em dois perfis, que a gente chama de money maker e money saver, money maker é o cara de perfil ativo, é o cara que pô, quero saber a diferença do 101 do CDI para o 102 do CDI, é o cara que vai ler o  Valor Econômico, o caderno de economia, é o cara que vai ler trocentos mil relatórios da Empíricus, pô o cara quer encontrar as diversas coisinhas e tem um outro que é o: cara, não me enche o saco com isso, eu sei que eu tenho um problema, eu sei que o banco não está do meu lado, eu sei que existe conflito de interesse, mas eu não quero entrar nesse turbilhão todo de informações, pô…

Luciano          Sou eu esse cara aí.

Tito                 … 80% das pessoas são isso, um pouco mais até, os 15, 20% da pessoas são perfil mais ativo, que é o cara que vai escarafunchar, uma grande maioria é desse perfil money saver, perfil mais passivo de investimentos, a plataforma do Warren é feita para essas pessoas, quer dizer, pega na tua mão do início ao fim e vai dizer, pô Luciano, vem aqui, você quer ir para a Austrália ano que vem? Faz isso aqui. Ponto. Ah mas eu quero entender o que tem dentro desse portfólio. Está a dois cliques de distância, pode. Ah eu quero 100% renda fixa. Beleza, o quê? Ah X LFT, ok. Mas o que é LFT, está aqui também, mas se você não quiser, está aqui, faça isso, entendeu? E aí se você construiu um objetivo de longo prazo, pô vai ter ações no teu portfólio, vai ter lá Apple, Google, Facebook e etc. Se você quiser entrar num nível de o que tem no portfólio, pode, se não pô, o Warren está sugerindo isso para ti. Então pega do início ao fim e aí, voltando um passo atrás, não é uma plataforma que vende produto, é uma plataforma que vende objetivo e investir por objetivo é que é o mais bacana, as pessoas tem objetivos para conquistar, então vai sempre dizer: o que eu preciso fazer  para conquistar esse objetivo? O Warem vai te pegar pela mão e vai te ajudar a chegar nele. A gente tem um lance muito interessante, um desafio muito grande que é a questão da  segurança, que aí talvez as pessoas que passem essa barreira dos 35 e eu me incluo nessa, eu estou com 37, estou fora ali do perfil número 1 do Warren, elas têm um pouco de reticência aí para plataformas online e etc, pô existe uma cultura de banco muito grande, pô o banco é na esquina da minha casa, está ali, qualquer problema que der eu entro pela porta, chuto ali o gerente e ele vai ter que resolver isso para mim, nós temos o mesmo nível de regulamentação que fundos do Banco do Brasil tem, então nós passamos pela CVM, que é do mercado financeiro, passamos pela AMBIMA, que é a Associação da indústria do mercado de capitais, quer dizer, os mesmo níveis de regulamentação nós temos, então por mais que seja o Warren uma plataforma com nome diferente e online, os mesmos níveis de exigência a gente tem, mas a gente entendia que tem um pilar ali que seria muito bacana que a gente trouxesse a solidez do banco que é o custodiante, que no mundo de oferecerem investimentos que é aonde dorme o dinheiro das pessoas que investem no Warren, então a gente escolheu o Santander como custodiante, pô, entendemos que precisa um banco para trazer segurança para as pessoas, então a gente trouxe um bancão aí para dar segurança, mas esse é um grande desafio, que é convencer as pessoas que uma plataforma online pode ser muito melhor de fato, óbvio que eu estou falando o meu jabá, mas o Warren é muito melhor do que as soluções de corretora e banco, mas temos que passar essa barreira aí do medo, da insegurança.

Luciano          Estou te ouvindo falar, legal, estou encantado, mas agora eu sou o ouvinte do podcast, estou aqui sentado num busão, indo trabalhar, estou fudido, aliás, trabalhei o dia inteiro, agora estou indo para a escola, estou indo à noite, pô estou ferrado, ganho mal pra cacete, não tenho grana, meu, como é que eu vou fazer para investir, eu não tenho dinheiro para começar esse negócio, que merda, eu não tenho grana, não posso fazer porque eu não tenho grana. Esse tipo de gente, onde é que ela está no teu escopo aí, eu já entendi, você quer os early adopters, os caras que estão querendo agora e vou entrar já e  atrás vem a grande massa,  que é a massa  dos que vem na sequência. Esse carinha que está nos ouvindo aqui e fala eu não vou nem olhar  porque eu não tenho grana para fazer nada.

Tito                 Essa pergunta é fantástica porque a nossa missão e criar uma nova geração de investidores, essa é a nossa causa, quer dizer, a nossa causa não é a causa das outras corretoras, que é fazer valuations de bilhões e vender para banco ou ter bônus gigantescos e etc, nossa causa número um é criar uma nova geração de investidores e a gente entende que isso se faz com duas coisas: primeiro, uma plataforma muito bacana, que é o Warren. Leve, fácil, acessível a todo mundo, a pessoa com cem reais pode começar a investir no Warren em portfólios super sofisticados que só pessoas com três a cinco milhões teriam acesso, a gente entrega para pessoas com cem reais, se você fizer a conta, a gente cobra 0.8% ao ano, isso é em média 3 vezes mais barato que bancos e corretoras, faz a conta, 100 reais, 0.8 ao ano, são 6 centavos por mês, ah mas vocês não ganham dinheiro. A gente não está preocupado com isso agora não, nossa estratégia agora é o Warren, é tomar território, quero que o maior número de pessoas usem o Warren que com certeza as pessoas vão gostar e replicar para as outras e vão ser evangelizadores e etc,  essa é a parte da plataforma, mas a gente tem um trabalho muito grande anterior a isso, que é cuidar das finanças pessoais, então a gente faz eventos aqui em São Paulo, a gente já fez três eventos chamados “Papos de Grana”, Porto Alegre já foram cinco eventos e agora no dia 1° de julho vai ter em Porto Alegre um gigantesco, para mais de quinhenta pessoas que a gente chama de W. Saments, que é cuidar de finanças, ajudar as pessoas a cuidar de finanças pessoais, então vai ser um dia inteiro falando de finanças pessoais para fazer esse step anterior, poxa, mas como é que eu consigo sobrar no final do mês? É um problema de entrada de caixa baixa, pô, então  eu vou ter que mudar de trabalho, vou ter  que vender melhor o meu trabalho, eu vou ter que empreender e etc ou não? É um problema de gestão mesmo, eu gasto demais no cartão de crédito, eu gasto demais no aluguel, enfim, a gente ajuda as pessoas nesse step anterior, os eventos que a gente faz de “Papo de Grana” são 100% gratuitos e a gente vai fazer uma parceria gigantesca, eu volto na próxima aqui para dizer qual é a restituição, mas a gente vai espalhar a educação financeira com muita velocidade pelo país inteiro, não é para ganhar, a gente não vai ganhar nada, esses eventos são 100% gratuitos, a gente…

Luciano          O que é esse evento, eu chego lá tem uma palestra, são várias palestras?

Tito                 … é, o “Papo de Grana” são  eventos de duas horas que a gente fala sobre finanças pessoais, de como cuidar do teu dinheiro, como usar bem o cartão de crédito, como fazer dinheiro  sobrar no final do mês, como fazer o teu investimento de longo prazo, pensa a partir de agora na tua aposentadoria, isso é um assunto muito legal para se discutir agora, porque a gente está nesse momento de turbulência aí com a reforma da previdência e que talvez daqui a três, quatro anos o Brasil não tenha mais grana para pagar os aposentados e cada um tem que pensar por si próprio, então a cuidar da sua aposentadoria de longo prazo, então a gente…

Luciano          E quando você fala uma coisa dessa para um moleque de 25 anos, que está nesse momento conquistando o mundo inteiro, mas você está louco, que aposentadoria? Lá na frente eu vou me preocupar com isso e ele perde. Outro dia eu recebi aqui, um pessoal me mandou um post dizendo o seguinte: pense em você 30 anos atrás e que conselho você daria para você mesmo, você está falando com você há 30 anos, que conselho você daria? E eu falei porra meu, vai fazer um curso de investimento, para de perder dinheiro, guarda um pouco porque daqui a 30 anos você vai ver o tamanho da coisa, então… e o Brasil é muito ruim nisso, nós temos uma cultura péssima, a minha cultura é péssima, eu nunca tive nenhum tipo de exposição a qualquer tipo de instrução ou treinamento desse tipo na minha vida, não foi com meu pai, ninguém me fez isso e nem teve nada que eu olhasse e falasse pô, a escola me trouxe, tive uma chance de optar, estou estudando aqui, não, não tinha, era sempre tudo complicado até  me parece que é porque era muito conveniente que fosse muito complicado, é muito bom que seja muito difícil porque assim meia dúzia tira vantagem. Quando você conta para todo mundo e mostra o que é, eu perco a chance de fazer muito dinheiro ali e há um bom tempo, deixa eu me lembrar quando foi, acho que foi há uns cinco, seis anos eu tinha um sócio meu nuns eventos que eu estava fazendo aí e a gente começou a desenhar um projeto que seria esse, como é que a gente faz para levar um pouquinho dessa cultura financeira, eu não ia fazer nada porque eu não sou do ramo, mas eu falei, alguém tem que começar a levar isso adiante e a gente encontrou milhões de  barreiras aí e acabou que o projeto não decolou, então quando você me conta essa história eu  falei meu olha aí, virando realidade esse tipo de coisa.

Tito                 Mas sabe o que é? A nossa relação com o dinheiro ela é muito mais emocional do que racional e isso é horrível e a gente é muito mais empurrado a realizar coisas de curto prazo do que pensar no longo prazo, quer dizer, a emoção de você comprar uma camiseta agora no curto prazo é muito mais legal do que pensar ah, vou pensar na minha aposentadora daqui a 20 anos, é chato pra cacete pensar daqui a 20 anos, mas pensar daqui a 20 anos é “trocentas” milhões de vezes muito mais importante do que comprar essa camiseta no curto prazo e quanto antes, pensar bom, o guri de 25 anos que  começa a pensar agora pô, uma conta rápida aqui, se o cara, pô 30 mil é uma grana complicada, mas vai lá, vende um carro, R$ 30.350,00 todo mês, em 20 anos tem um milhão de reais, ou seja, se começa com 25 anos, com 45 anos está milionário, cuidando bem dos investimentos. Começando agora, com 45 anos está milionário. Pô, não é legal ser milionário? Eu acho bacana, muito mais legal do que ter uma camiseta agora comprada no curto prazo, mas…

Luciano          Milionário é pouco, hoje em dia tem que ser bilionário, no Brasil hoje tem que ser bilionário. Eu estou entendendo perfeitamente o que você falou aí, a questão toda é você vencer essa barreira toda. Eu tenho um texto que eu escrevi há um tempo, eu fui participar de um evento numa produtora de um amigo meu, faço a palestra para os caras e lá pelas tantas eu estou falando sobre essa coisa do valor do dinheiro, dessa coisa que tem o valor monetário do dinheiro, mas também tem o você compra uma outra coisa além do dinheiro e eu fiz uma pesquisa, vamos ver o celular, quem tem o celular mais moderno mostra aqui, todo mundo levantou e ganhou um motoqueiro, com iPhone, que nem o dono da empresa tinha, a hora que todo mundo… ninguém acreditou naquilo, como assim? Era um motoqueiro com um puta de um celular caríssimo, que ele deve ter comprado em 350 vezes, botando o salário dele inteirinho e aquilo ficou muito legal porque aquilo tromba com alguns conceitos legais, você pega Bastia com o que se vê e o que não se vê, o conceito de economia onde ele mostra o seguinte, ele não estava comprando um celular, ele queria “o celular” para ele poder dizer eu tenho um celular bacana. Por causa disso eu vou gastar uma puta nota aqui, que é muito mais do que o valor do celular, porque tem esse outro valor que é aquele que me coloca nesse momento, então eu vou gastar esse dinheiro todo só para poder tirar do bolso e falar o meu é o mais legal de todos. Dizer para esse cara, falar não faça isso, quer dizer, brochar esse cara desse jeito, pega esse dinheiro que você ia pagar a  mais e guarda para lá na frente, ele vai dizer o seguinte: devo me privar desses prazeres agora para poder lá na frente usufruir? Puta como é difícil fazer isso com 22 anos.

Tito                 Porque o empurrão de curtir prazo, a emoção de curto prazo, ela sempre é muito mais legal do que pensar no longo prazo, mas tem uma coisa que a gente usa nos “Papos de Grana” que é a filosofia do… porque o que que é o teu salário, o que é o  dinheiro que você gasta? O dinheiro que você  gasta nada mais é do que o tempo que você dedicou para ganhar aquele dinheiro, então traduzindo em miúdos: se a pessoa ganha 5 mil reais por mês e vai comprar uma Coca Cola de 5 reais, ela gastou, para comprar essa Coca Cola, 10 a 11 minutos da vida dela e isso é um exercício muito bacana para muita gente que diz ah não, conte até dez antes de comprar, deixe para amanhã o que você poderia comprar hoje enfim, mas fazendo esse exercício, inclusive a gente vai subir essa ferramenta para a plataforma, por exemplo, uma camiseta legal, pô bacana, da moda e tal que custe 250 reais, ela custou 9 horas, ou seja, custou um dia inteiro de trabalho para você comprar aquela camiseta, quer dizer, você acordou as 7 da manhã, pegou lá o busão, chegou lá no trabalho as 8, trabalhou pra cacete, almoçou e etc, voltou para a casa por uma camiseta. Eu não estou dizendo que as pessoas tem que sair maltrapilhas para a rua, ou peladas e etc, mas você gasta  às vezes muito tempo da sua vida por coisas que não são tão importantes assim, como ter o último celular da moda. Se priva disso, pega um celular mais barato, um celular usado, que resolva a tua vida e junta mais o teu dinheirinho para o longo prazo, porque daí você vai terá liberdade, você vai  ter um patrimônio bacana, você vai poder fazer o que você quiser, só que de novo, é o negócio de longo prazo, que precisa de disciplina e por aí vai.

Luciano          E do outro lado você tem uma indústria gigantesca com marketing cavalar te empurrando pela goela tudo isso que você tem que comprar o mais novo porque o velho já era, não é legal, não é bacana.

Tito                 Não e lá nos EUA às vezes é pior ainda, tem a Amazon  agora que comprou lá o Holfuds por 13 bilhões de dólares, uma coisa assim, tem um negócio que chama “One Click Shop”, você clica com um botão comprou, em Nova York chega em uma hora na tua casa e para completar, nos EUA tem todas as quinquilharias que você quiser, ah eu quero um porta copo verde com bolinhas amarelas e um elefante pintado: tem. Lá na Amazon. Então você é empurrado de novo a consumir, é muito fácil e é muito bacana, vai chegar o pacotinho na tua casa e etc, de novo, pensar no longo prazo não é tão legal assim.

Luciano          E outro ponto importante, Tito, você não vê o dinheiro, o dinheiro não está no seu bolso, não é que você abriu a carteira, puxou uma nota e falou não sobrou nada, esse dinheiro sumiu, ele não está aí, ele está no cartão, vai cair não sei quando, você não vai ver lá. Agora vamos piorar essa história toda, bota uns “bitcoin” do mundo nessa história aí, quer dizer, é uma coisa que ainda não está acessível para todo mundo, é muito complicado, não dá nem para entender o que era, mas é um novo modelo que está chegando aí o de que além de esse dinheiro não existir, efetivamente eu não posso “ir no” banco e sacar, sacar umas notinhas de “bitcoin” e botar na minha carteira, vocês estão começando a trabalhar com isso? Estão preparados para as “criptomoedas” e tudo mais? Você acredita nisso?

Tito                 Boa pergunta, primeiro não, nosso investimento é tradicional, a parte renda fixa são títulos do governo, a parte de ações a gente investe nas quinhentas principais ações americanas e cem principais brasileiras. O “bitcoin” eu acho que ele ainda tem que se comprovar, ele precisa ser muito mais utilizado para transações do que ele efetivamente é hoje, porque muita gente compra para deixar na carteira, alguns compram para pagar joguinhos de vídeo game e etc, ele é muito na China e a China não se sabe nada o que está acontecendo na China, quer dizer faz-se mineração muito de “bitcoin” na China, mas ele precisa participar mais da vida das pessoas, quer dizer, no dia que a gente estiver discutindo aqui, pô, quando é que você comprou esse celular? Quantos “bitcoins” você comprou no teu celular? Aí acho que a conversa muda de figura, mas não sei se vai chegar esse dia ou se não vai, eu não sou um usuário hoje de “bitcoin”, só por curioso abri conta em algum lugar para ver a oscilação, mas do meu dia a dia não faz parte.

Luciano          Tem uns moleques aí entupindo o rabo de fazer dinheiro com isso aí e eu olhei os gráficos lá, subiu 20, caiu 18, é complicado isso aí.

Tito                 É a máxima do mercado é: o cobertor é curto, se você tampa a cabeça, destampa o pé, tampa o pé, destampa a cabeça, quer dizer, se você vai tomar muito risco, você quer muito retorno você vai tomar muito risco e o “bitcoin” é isso, tem oscilações gigantescas para cima, para baixo e etc.

Luciano          Tito, vamos partir para o nosso finalmente aqui, como é que você vê esse momento do Brasil aqui agora, está complicado sabe esse rolo político todo, o país parou de novo, que horror, como é duro ser empreendedor nesse país aqui, eu não consigo mais planejar porra nenhuma, não sei o que vai acontecer no mês que vem, eu não consigo planejar minha vida de jeito nenhum. Como é que essa equação financeira, essa coisa que você lida num ambiente como esse do Brasil, você que é um cara que viveu nos EUA, quanto tempo você morou em Nova York?

Tito                 Três anos.

Luciano          Três anos numa economia estável, que mesmo com aquela porrada toda de 2008, ela entra no eixo e depois ela se estabiliza e aqui tudo o que nós temos é não estabilidade, porque eu não sei… amanhã de manhã mudou tudo. Como é que esse teu negócio se encaixa nesse ambiente maluco aqui, deixa eu elaborar um pouquinho melhor aqui, tem que ser muito doido para lançar um negócio desse aí num país que nem o Brasil onde eu não sei se vão mudar a regra amanhã de manhã e vou me ferrar todo no dia seguinte. Estou te perguntando isso porque há pouquíssimo tempo os caras estavam dizendo que uma iniciativa tipo mobank ia parar porque mudaram uma regra do jogo e no bank ficou impossível de existir, quer dizer, você está diante desse risco, o sujeito assina um papel lá, teu negócio acabou. Como é que é? Como é que você pensou nisso?

Tito                 Bom, primeiro eu sou um eterno otimista, eu acho que a gente tem um país sensacional, é óbvio que a gente tem as pessoas erradas no poder e isso trouxe uma turbulência gigantesca, mas o país é maior do que isso, o país vai passar por isso e a gente vai ficar mais forte e talvez a gente esteja aprendendo e por isso a gente vai conseguir ficar mais forte para a frente, pode ser exagero, pode ser otimismo demais, mas talvez a gente passe por uma mudança cultural depois disso tudo, não só de votar melhor, mas sermos “cidadões” cidadãs mais conscientes, pô até cito… esses dias estávamos discutindo no futebol lá que o cara foi super honesto e que se os outros não deveriam ser honestos, a gente vem da cultura do malandro, que é enaltecida, eu sou malandro e parece super legal. Porra, se tu é malandro tu é idiota e isso tem que ser passado cada vez mais adiante e essa discussão inclusive no futebol que é parte da nossa entranha, pô, para mim é sensacional, então talvez a gente…

Luciano          Você sabe um negócio que aconteceu hoje que eu vi aqui que me chamou a atenção isso aí que eu falei olha só, o lance do Rio de Janeiro agora que o prefeito diz que não vai dar dinheiro para escola de samba, então queriam 24 milhões, ele disse não vou dar, vou dar só 12, só que 12 é o valor de 2015, 2016 que a coisa subiu, mas não importa, não vou dar mais dinheiro, a  liga das escolas de samba olha aqui, então não  vai ter carnaval e aí no dia seguinte olha, o carnaval traz 3 bilhões, então os hotéis vão se reunir no Rio de Janeiro e vão ajudar as escolas de samba, eu entrei lá e falei, viva o livre mercado e aí entrou alguém embaixo fazendo comentário: gente, como a gente não sabe das  coisas, como a gente desconhece as coisas, eu não sabia disso, que o governo, que a prefeitura dava 12 milhões para escola de samba fazer aquela puta festa, trancada num lugar, vendendo ingresso a não sei quanto, abadá, sei lá o quê a não sei quanto e como assim? O dinheiro do imposto ia para lá e a gente não sabia disso, então nós estamos tão fora da realidade que a gente não conhece essas coisas, não sabe o que está acontecendo. Esse exemplo que você deu do futebol é fantástico, a discussão que acontece ali e a que acontece na minha casa, com meus filhos, só que naquele momento é um jogador e se fez uma polêmica em cima daquilo lá, quer dizer, o cara diz para o juiz que não fez o pênalti e aí o pessoal pergunta para o outro jogador, ele falou é, antes ele do que eu, a mãe dele não sei o quê, tirando sarro e tudo mais. Tem que vencer um problema cultural.

Tito                 Tem e talvez seja o momento do tal do turning point, de ter resistido e efetivamente uma virada cultural, então essa roupa suja toda lavada, eu acho que é muito positiva e talvez a gente nasça uma nação muito melhor para a frente e é muito legal ver, quando você vai nos bastidores,  pô de novo, eu saí agora há  pouco de um treinamento e de um espaço de co-working que você entra lá e são umas dizentas, trezentas pessoas divididas em trinta empresas diferentes, tem um cara resolvendo problema de lavagem de carro, tem um outro resolvendo de câmbio, tem um outro lá com a empresa de “bitcoins”, uma gurizada querendo fazer e acontecer e atropelar por cima de todos os problemas que você vê um pouco parecido nos EUA, talvez muito melhor no Brasil, inclusive, então eu fico imaginando, a gente produz tanta coisa foda aqui, com tanta barreira, imagina se não tivesse o governo precisar ajudar, é só não atrapalhar, a gente virava a maior potência do mundo em dois, três dias.

Luciano          E tem um lance importante, Tito, você é um cara que estava num treinamento agora há pouco, deve ter uns cinco mil Titos no Brasil em cinco mil treinamentos iguais, vendo a mesma cena que você viu, o país inteirinho com a molecada, isso não vai aparecer em lugar nenhum, ele não vai ligar a noite no telejornal e vai aparecer no telejornal essa molecada fazendo acontecer, vai aparecer um sujeito furando o olho do outro, e criando essa…

Tito                 Isso é um outro, pô desculpa de interromper, mas isso é uma outra coisa que me incomoda demais que é a gente vive a rotina de uma agenda negativa, ter um podcast como o teu, fantástico, falando sobre coisas boas, o William Bonner lá no jornal nacional tinha que cuidar de 80% do jornal nacional ser isso, porque a maior parte das coisas que está acontecendo nesse momento são coisas boas, são pessoas ajudando as outras, são negócios sendo criados, sim, existiu um assassinato ali, é muito menor, mas se dá um destaque tão grande a isso, isso contamina, você acorda de manhã com essa contaminação de coisa ruim, mas não é, muito mais coisas boas estão acontecendo nesse momento.

Luciano          Sim e depois de trinta anos com alguém esfregando na tua cara que tudo o que você conseguiu construir é esta merda que nós temos hoje, entendeu? O melhor que nós podemos fazer no Brasil é essa merda que você está vendo aí e toda noite me esfregam na cara isso, ô seu bosta, olha a merda que você fez, seu incapaz, seu incompetente, é o dia inteiro, toda a noite tem… eu acabo  acreditando nisso e aí quando alguém me fala alguma coisa eu falo é assim, o Brasil é assim, o cara rouba mesmo, vai roubar e eu não sei se eu estivesse no lugar dele se eu ia fazer diferente, esse é o grande mal, entendeu? Essa é a encrenca, entendeu?  Esse é o grande legado negativo da história toda, é você ter uma cultura onde você constrói gente derrotada, eu já perdi na largada porque eu acho que não vai dar nada certo, mas tem essa molecada que você está vendo aí, eu sou palestrante, faço palestra de montão no Brasil, todo dia eu vou num lugar e tem um grupo de gente fazendo acontecer, entendeu? Então a gente devia dar mais atenção para isso aí. Você tem um avião para pegar, daria para continuar aqui até longe, mas se você não sai agora você não pega esse avião. Tito, quem quiser encontrar então, me dá aí o endereço, onde é que entra?

Tito                 oiwarren.com, Warren é complicadinho, (ele soletra).

Luciano          Então é www.oiwarren.com tem Facebook? Tem mídias sociais também?

Tito                 Tem Facebook, é Warren Brasil. Instagran Warren Brasil, Twitter e por aí vai.

Luciano          Maravilha, parabéns pelo projeto de vocês aí, adorei conhecer essa história toda aí, acho que vocês tem uma missão educacional que está muito além sabe, dessa história de montar um negócio para aplicar dinheiro dos outros, essa história que você botou da tua ideia de criar uma nova geração de investidores, isso tem potencial de mudar o país, isso tem potencial de mudar a sociedade, então se eu puder ajudara vocês aí, onde estiver, estou junto aí e vou sair daqui e vou lá entrar, botar um dinheirinho para fazer acontecer.

Tito                 Valeu, “brigadão”.

Luciano          Obrigado pela visita.

 

                                                                                   Transcrição: Mari Camargo.